sábado, setembro 17, 2016

Física


Opinião

Petistas tratam Dilma como uma tia excêntrica

Josias de Souza
Ao encurtar o mandato de Dilma Rousseff, enviando-a mais cedo para a câmara de descompressão de Porto Alegre, o Senado submeteu o Partido dos Trabalhadores ao desafio de acolher sua filiada. Foi como se os senadores tivessem gritado para Dilma: “Vai procurar a sua turma”. E a legenda da presidente deposta, supostamente o grupo humano ao qual ela mais pertence depois da família, parece não saber muito bem como tratá-la.

O companheiro Rui Falcão, presidente do PT, quis saber como Dilma se viraria para encher a geladeira. Ela informou que dispõe de pensão de R$ 5 mil. Uma cifra modesta, se comparada aos R$ 33,7 mil que recebia como presidente. Compadecido, Falcão ofereceu a Dilma o emprego de presidente da Fundação Perseu Abramo, braço acadêmico do PT, financiado com as verbas públicas do Fundo Partidário.

Dilma pediu tempo para pensar. No entanto, antes que a ideia pudesse amadurecer, ergueram-se barricadas contra a hipótese de Dilma virar funcionária do PT, informa a repórter Catia Seabra. Até o temperamento irascível da ex-presidente foi listado entre os empecilhos para sua contratação.

É como se os petistas tivessem medo de atrair Dilma para um convívio mais próximo com sua família política. Admitem tolerá-la, por polidez protocolar —mais ou menos como toda família faz com uma tia excêntrica. Mas orientam Falcão a não encorajá-la a exibir no partido os dotes gerenciais que escandalizaram o Brasil.

Supremo paradoxo: ao pegar em lanças pela manutenção de Dilma na Presidência da República, o PT buscava inspiração na lenda partidária segundo a qual madame é uma executiva qualificadíssima. Ao refugar a presença dela no comando de sua Fundação, a legenda parece mais preocupada com seu passado de empreendedora.

Dilma levou à breca uma lojinha de presentes que abriu na capital gaúcha. Chamava-se ‘Pão e Circo’. Estava assentada no centro comercial Olaria. Vendia quinquilharias importadas do Panamá. Faliu em 17 meses. O petismo talvez considere que o melhor a fazer é manter a tia Dilma cuidando dos netos, em Porto Alegre. São dois. Sempre que conseguir cuidar de um, Dilma pode dobrar a meta.

Original aqui

U.V.

Manchetes do dia

Sábado 17 / 09 / 2016

O Globo
"Receita vai rastrear brasileiro que declara ter mudado do país"

Cresce número de contribuintes que entregam declaração definitiva de saída

Fisco buscará indícios de mudança fictícia para evitar tributação após tratado internacional

O número de pessoas que desistiram de ter domicílio fiscal no Brasil cresceu 67% nos últimos dois anos. Esse aumento coincide com a entrada em vigor da Lei de Repatriação, encaminhada em 2015 e aprovada este ano. A lei permite que brasileiros tragam recursos do exterior pagando menos impostos, já que um tratado internacional assinado pelo Brasil e mais de cem países prevê um aperto na fiscalização a partir de 2017. Técnicos da Receita veem indícios de que parte dos contribuintes está vendendo seu patrimônio e saindo do país de forma fictícia, apenas para não pagar imposto, e vai monitorar essas operações.                     
 
O Estado de S.Paulo
"Petrobrás quer cortar hora extra, jornada e salário"

‘Reforma trabalhista’ proposta pela estatal aos funcionários também prevê congelamento de benefícios; sindicatos prometem ‘resposta dura’ contra pacote

A Petrobrás apresentou aos funcionários proposta de “reforma trabalhista” própria. O plano inclui diminuição da jornada de trabalho com corte de salários e redução à metade do valor das horas extras. A estatal também quer congelar benefícios, reajustando apenas as gratificações, mas em patamar abaixo da inflação. Sindicatos prometem uma “resposta dura” contra o pacote. No último ano, a estatal já havia tentado reduzir as jornadas de trabalho e benefícios, sem sucesso. Desta vez, o plano é oferecer opção aos servidores administrativos para reduzir de oito para seis horas a jornada, com corte de 25% nos salários – eles poderiam aderir ou não ao regime. A proposta salarial apresentada ontem ainda prevê congelamento da remuneração básica e reajuste de 4,97% na tabela de gratificações. Esse aumento seria concedido apenas a funcionários que ganham até R$ 9 mil. Os demais receberiam aumento fixo de R$ 447. Os sindicatos pedem reajustes salariais entre 13,4% e 19%.      

Folha de S. Paulo
"Brasil perdeu 1,5 mi de vagas de trabalho no ano passado"

Queda é a mais profunda desde 1985; jovens representam 76% dos cortes

O Brasil perdeu 1,5 milhão de vagas de trabalho formais em 2015, a pior queda de toda a série histórica, iniciada em 1985. O recuo foi de 3,05% em relação ao ano anterior. Esse é o primeiro resultado negativo desde 1992, quando foram fechadas 738 mil vagas formais, segundo dados entregues pelas empresas ao Ministério do Trabalho, divulgados nesta sexta (16). No total, o Brasil encerrou 2015 com 48,06 milhões de empregos com carteira assinada. No ano anterior, o país registrou o maior índice da série, 49,57 milhões. A retração dos índices de confiança e a queda nas receitas fez muitas empresas fecharem postos formais.

Os trabalhadores entre 18 e 24 anos representam 1,1 milhão dos cortes —cerca de três quartos do total. Os jovens sofrem mais porque são a parcela menos qualificada, experiente e produtiva, além do custo de demissão menor. Houve alta de 1,4% dos postos na faixa dos 50 aos 64 anos e de 8,6% na faixa daqueles com mais de 65 anos. Os dados podem sinalizar a retomada de confiança de alguns setores, que recontratam os mais qualificados, ou o retomo à atividade profissional de pessoas que já haviam deixado de trabalhar. Os rendimentos médios reais caíram 2,56% entre 2014 e 2015, de R$ 2.725,28 para R$ 2.655,60. 
 

sexta-feira, setembro 16, 2016

Grumman HU-16C Albatross


Coluna do Celsinho

A pé

Celso de Almeida Jr.

Assisti a reação do ex-presidente Lula aos argumentos dos coordenadores da operação Lava Jato.

Peguei um compacto, claro, pois encarar uma hora de discurso do Lula seria overdose provocada.

Não estranhei o comportamento, afinal, sou um dos muitos cidadãos na faixa dos 50 anos que conhece a trajetória deste político astuto.

Foi, porém, espetáculo triste.

Destaco sua frase:

"Provem uma corrupção minha e eu irei a pé para ser preso."

Possivelmente, nasceu do inconsciente, já que a pé e apê tem certa semelhança.

É claro que soou estranho, na manifestação anterior dos promotores, o foco maior no apartamento do Guarujá.

Esperava que a Operação Lava Jato, a esta altura, já apresentasse uma coleção impactante de provas.

Talvez, esteja a caminho.

Devemos aguardar.

O fato é que testemunhamos o fim de uma era.

Será difícil para Lula e sua militância convencer o país de que são vítimas de uma perseguição cruel.

Tudo passará.

Ficará o aprendizado de que confiar cegamente em discursos sedutores é prova de ingenuidade, inocência ou má fé.

Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com

Física


Opinião

Relaxar um programa de austeridade que nem foi iniciado é ideia cretina

Alexandre Schwartsman
Há pouco mais de dois anos, tive a alegria de publicar um livro com Fabio Giambiagi. Para quem não o conhece, Fabio, além de economista de primeira, possui uma das maiores coleções de citações que conheço. Aliás, minto: entre conhecidos é, disparado, a maior.

Uma delas, devidamente reproduzida em nosso livro, traz a seguinte afirmação de conhecido jornalista, referindo-se ao gasto público: "Desde o governo de Fernando Henrique Cardoso, só fazemos cortar, cortar, cortar. Declaração curiosa, pois, apenas no caso do governo federal, a despesa (sem contar transferências a Estados e municípios) saltou de 11% do PIB em 1991 para quase 20% do PIB em 2015. De alguma forma, mesmo entre pessoas que deveriam ser bem informadas, o aumento do gasto continua a ser um ilustre desconhecido.

Se isso ocorre entre os supostos especialistas, o que esperar dos amadores nada bem-intencionados que pululam por aqui, como na coluna de Benjamin Steinbruch publicada no dia 6/9?

Juras de lealdade à "austeridade fiscal e contenção da dívida pública, mas (e o que importa é sempre o que vem depois do "mas") também o alerta sobre a necessidade de "virar o disco", fazendo "investimentos em infraestrutura (...) com recursos do próprio governo". E como financiar a mágica? Com mais mágica, pois "é possível reduzir gastos correntes e aumentar investimentos, o que trará novas receitas fiscais".

Este é um dos melhores exemplos da parapsicologia aplicada à economia: a ideia de uma elevação autofinanciável do gasto, segundo a qual o impulso à atividade econômica proveniente da despesa pública seria tão grande que levaria a aumento da arrecadação ainda maior que o gasto inicial.

Há, é bom que se diga, fortes razões teóricas para suspeitar que se trata de uma atrocidade inominável, mas não precisamos nos prender à teoria. Basta notar que, se isso fosse verdade, não haveria no mundo país em dificuldades financeiras. Bastaria gastar para que a arrecadação subisse ainda mais, reduzindo deficit e dívidas. E tudo isso satisfazendo todas as demandas da população e partidos políticos.

Um verdadeiro moto perpétuo, impedido apenas pelas ideias antiquadas de uns tantos economistas que insistem em rotular essa descoberta de bruxaria de péssima qualidade, sem intenção, é bom dizer, de ofender bruxas de qualquer procedência...

Não é necessário ir muito longe para entender os problemas associados à proposta. Apenas a perspectiva de ajuste fiscal (e não muito mais que a perspectiva, para ser sincero) foi suficiente para reduzir taxas reais de juros, em particular para os prazos mais longos, de 1,0 a 1,5% anual do começo do ano para cá.

Esse movimento não ocorreu por acaso, mas refletiu a redução da percepção de risco-país (pouco mais de dois pontos percentuais no período), em grande parte associada exatamente às expectativas de melhora do desempenho fiscal por parte do novo governo.

O abandono da promessa de ajuste provavelmente reverteria esses ganhos, reduzindo as chances de uma recuperação da atividade econômica. Nesse sentido, se há uma ideia especialmente cretina, trata-se da proposta de relaxar um programa de austeridade fiscal nem sequer iniciado.

Realmente, "são espantosas as coisas tolas em que se pode acreditar temporariamente quando se pensa sozinho durante muito tempo". 

Original aqui

U.V.

Manchetes do dia

Sexta-feira 16 / 09 / 2016

O Globo
"Lula faz defesa política e convoca a militância"

‘Provem uma corrupção minha que irei a pé para ser preso’

Ex-presidente se diz perseguido pelos ‘meninos’ de Curitiba, chora três vezes, mas não explica as evidências de que foi beneficiado por empreiteira no caso do tríplex em Guarujá

Denunciado à Justiça no caso do tríplex em Guarujá e acusado de chefiar uma “propinocracia”, o ex-presidente Lula fez ontem uma defesa política, na qual se disse perseguido pelos “meninos” da Lava-Jato, e conclamou a militância petista a sair às ruas. “Provem uma corrupção minha que irei a pé para ser preso”, disse, num pronunciamento em que chorou três vezes. Lula, porém, não rebateu as evidências de que foi beneficiado por empreiteiras.                     
 
O Estado de S.Paulo
"Lula se compara a Tiradentes e contesta Lava Jato"

Ex-presidente desafia procuradores a apresentar provas de que ele é corrupto e afirma que denúncia apresentada anteontem pelo MPF faz parte de um golpe

Em um discurso de mais de uma hora, entrecortado por choro e cheio de comparações com figuras históricas como Jesus Cristo, Tiradentes e Getúlio Vargas, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva desafiou procuradores da Lava Jato a apresentar provas de que ele é corrupto. “Eles têm que aprender que a única coisa de que tenho orgulho é que conquistei o direito de andar de cabeça erguida nesse país. Provem uma corrupção minha que irei a pé até a delegacia para ser preso.” Acompanhado por dezenas de aliados, ex-ministros, parlamentares, advogados e dirigentes petistas, Lula afirmou que a denúncia apresentada anteontem é mais um lance do “golpe tranquilo e pacífico” que começou com o impeachment de Dilma Rousseff. “Tenho uma história pública conhecida. Acho que só ganha de mim aqui no Brasil Jesus Cristo.” Nota aprovada pelo PT com ataques ao procurador Deltan Dallagnol trata representantes do Ministério Público Federal como “burocratas facciosos” que “buscam concluir o trabalho sujo encomendado pelas forças reacionárias”. Advogados de Lula prometem reclamar no Conselho Nacional do Ministério Público.     

Folha de S. Paulo
"Provem corrupção e irei a pé ser preso, afirma Lula"

Denunciado, ex-presidente criticou 'show pirotécnico' da Operação Lava Jato

Um dia após ser denunciado pela força-tarefa da Lava Jato sob acusação de corrupção e lavagem de dinheiro, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou em pronunciamento que é inocente e se disse indignado. “Prova uma corrupção minha que irei a pé ser preso”, declarou em São Paulo. No discurso de pouco mais de uma hora, o petista chorou e chamou a apresentação da denúncia pelos procuradores de “show pirotécnico”. Na quarta (14), investigadores acusaram-no de ser o “comandante máximo” do esquema de corrupção na Petrobras, de governar à base de propinas e de ter recebido benesses de empreiteira envolvida com o petrolão. Em nota, o PT afirmou que a denúncia "confessadamente sem provas” expõe a intenção persecutória e autoritária da força-tarefa. o ex-presidente apresentou ao Conselho Nacional do Ministério Público representação contra procuradores da Lava Jato no Paraná. Deltan Dallagnol, da força-tarefa, declarou que a reação de Lula é natural. 
 

quinta-feira, setembro 15, 2016

Física


Opinião

As escolhas feitas pelo prazer são propriamente malvistas

Contardo Calligaris
À força de ler e ouvir os que criticam nossos tempos, acabamos nos convencendo de que somos hedonistas –aliás, vergonhosamente hedonistas. Zygmunt Bauman, por exemplo, convenceu a muitos de seus leitores de que, por causa do hedonismo, nossa liberdade seria feita de escolhas risíveis e fúteis.

Tipo, você não gosta do programa? É só zapear. Você cansou de encontrar o mesmo parceiro na cama a cada noite? Basta se separar. O romance que você está lendo fica chato pela página 20? Deixe de ler e, se tiver folheado o volume com cuidado, ainda vai dar para trocá-lo na livraria.

Nossa busca pelo prazer imediato nos impediria de saborear as coisas com calma e ponderação. Será? E quais são as coisas que deveríamos saborear com calma –programa chato, livro chato e casamento chato? É isso que estamos perdendo por causa de nossa busca "desenfreada" pelo prazer?

O extraordinário não é que a gente possa zapear porque acha chato, mas é que esse ato tão sensato (zapear contra o tédio) nos envergonhe e que a gente se sinta culpado por isso. As escolhas feitas pelo prazer, que deveriam ser facilmente justificáveis, são propriamente malvistas –pelo homem da rua, por nós mesmos, pela administração da coisa pública, pelas religiões (nem se fala), pela medicina que gere nossas vidas etc.

Alguns exemplos, ao acaso, da resistência ao prazer e do menosprezo que ele encontra:

1) Existe um antiviral que, tomado a cada dia, torna quase impossível a contaminação pelo vírus da Aids. É um remédio indigesto, com possíveis efeitos colaterais, mas é um bênção para quem só encontra prazer numa sexualidade promíscua. Se for o seu caso, tente explicar isso ao generalista médio, na hora de pedir a receita"¦

2) Existe há anos um teste de HIV pela saliva, com resultados em 20 minutos. O teste detecta os anticorpos, o que significa que não detecta as infecções que aconteceram nas últimas semanas. Mesmo assim, ele oferece uma extraordinária diminuição das chances de contaminação para as pessoas cujas fantasias sexuais são incompatíveis com o sexo "protegido". Ou seja, para quem a camisinha é incompatível com o prazer, é possível encontrar alguém, testar-se, esperar 20 minutos e logo transar com uma certa liberdade. Mas"¦ o teste, embora aprovado pela Anvisa, não é vendido em farmácia.

3) Engraçado, aliás, que, desde os anos 1980, a campanha de prevenção da Aids nunca tenha conseguido levar em conta as exigências do prazer, mesmo quando elas poderiam ser parcialmente satisfeitas.

Por exemplo, ao longo dos anos 1980 (e mesmo 1990), nenhuma campanha admitia que o sexo oral contaminava infinitamente menos do que o sexo anal; queria-se proibir ou emborrachar tudo, sempre. Conclusão: as políticas sanitaristas fracassaram por pedir frustrações impraticáveis.

São apenas pequenos exemplos do fato de que o prazer, para nós, nunca é respeitável. Se no prédio da frente tem uma festa que impede você de dormir, entendo seu ódio; nessa situação, eu já pensei em invocar as sete pragas do Egito contra os festeiros.

Agora, o ódio sempre é maior quando se trata de uma festa. Se o mesmo barulho fosse devido a um luto repentino com desespero e choros coletivos, aí você aguentaria firme. Você acha lógico? Talvez seja, mas só numa perspectiva em que a dor do outro merece nosso respeito, mas seu prazer, não. Em suma, o prazer como razão de nossas ações é envergonhado e culpado, porque ele nos parece mesquinho. E o prazer do outro é tão desprezível quanto o meu.

Não pretendo ter convencido você. Mas me daria por satisfeito se, no futuro, ao ler ou ouvir que seríamos "hedonistas", você se der o tempo de duvidar. Afinal, como podemos ser hedonistas, se nossa cultura, sistematicamente, despreza o prazer como causa possível de nossas escolhas?

Uma velha piada conta que um papa insistia para que a irmã que se ocupasse dele tivesse um seio avantajado. Os cardeais mais próximos tentavam satisfazer esse pedido, o que não era fácil. Até que um dia um deles perguntou a Sua Santidade: "Mas por quê?". E o papa respondeu "Perché mi piace" (porque eu gosto).

Bem contada, juro que a piada ainda é engraçada. Mas o que nos faz rir nela, qual é o escândalo? O escândalo não é o papa querer uma irmã com seios grandes. O escândalo é o papa trazer como argumento o simples prazer do que ele gosta. 

Original aqui

U.V.

Manchetes do dia

Quinta-feira 15 / 09 / 2016

O Globo
"Lava-Jato: Lula era ‘comandante máximo’ de esquema criminoso"

Petista, dona Marisa e mais 6 são denunciados no caso do tríplex

Defesa do ex-presidente diz que acusação é ‘deplorável espetáculo’

Em sua manifestação mais dura, a Lava-Jato denunciou à Justiça o ex-presidente Lula sob a acusação de ser o “comandante máximo” do esquema de corrupção na Petrobras e, em troca, receber R$ 3,7 milhões da OAS em “propinas dissimuladas” por meio das obras no tríplex de Guarujá e da armazenagem de bens. O procurador Deltan Dallagnol disse que Lula era “o grande general” do que chamou de “propinocracia”, instalada, segundo ele, com o objetivo de manter a governabilidade, perpetuar o PT no poder e enriquecer agentes públicos. Para o procurador, Lula, chamado também de “maestro da orquestra criminosa”, é o elo entre personagens do escândalo atual e do mensalão. O ex-presidente reagiu com veemência e, por meio de seu advogado, acusou a Lava-Jato de fazer um “deplorável espetáculo de verborragia” e “truque de ilusionismo” com o objetivo de tirá-lo do jogo eleitoral. Também foram denunciados a ex-primeira-dama Marisa Letícia, o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, e cinco ex-executivos da OAS. Se as denúncias forem aceitas por Sérgio Moro, os investigados passam a réus.                    
 
O Estado de S.Paulo
"MPF diz que Lula era o ‘comandante máximo da organização criminosa’"

Ex-presidente é denunciado à Justiça por força-tarefa da Lava Jato - É a primeira vez que petista é acusado formalmente de se beneficiar de esquema na Petrobrás - Parte dos R$ 3,7 milhões que investigadores dizem que Lula recebeu em propina se refere a triplex no Guarujá

A Procuradoria da República no Paraná denunciou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sua mulher, Marisa Letícia, e mais seis pessoas por corrupção ativa, passiva e lavagem de dinheiro em investigação relacionada à Operação Lava Jato. É a primeira vez que o ex-presidente é acusado formalmente de se beneficiar de desvios da Petrobrás. Para o Ministério Público Federal, Lula é o “comandante máximo do esquema de corrupção”. As acusações se referem ao recebimento de vantagens ilícitas da OAS por meio de um triplex no Guarujá e armazenamento de bens do acervo presidencial, de 2011 a 2016. Segundo a denúncia, o ex-presidente recebeu R$ 3,7 milhões de propina da empreiteira. Parte do valor está relacionada ao apartamento: R$ 1,1 milhão para a aquisição do imóvel, R$ 926 mil em reformas, R$ 342 mil para cozinha e móveis, além de R$ 8 mil para eletrodomésticos. O armazenamento dos bens custou R$ 1,3 milhão. “Chegamos ao topo da hierarquia da organização criminosa”, disse o procurador Deltan Dallagnol.     

Folha de S. Paulo
"Lula era comandante máximo de propinocracia, diz Lava Jato"

Ex-presidente é acusado de corrupção e lavagem de dinheiro; petista nega ter cometido crimes

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi denunciado pela força-tarefa da Operação Lava Jato sob acusação de ser o “comandante máximo” do esquema de corrupção na Petrobras. Segundo os investigadores, o governo do petista era uma propinocracia, que distribuiu cargos entre aliados do PT, PMDB e PP para arrecadar propinas, obter a governabilidade e perpetuar seu partido no poder. Lula, porém, foi denunciado sob acusação de corrupção passiva e lavagem de dinheiro especificamente no caso do tríplex em Guarujá. O imóvel teria sido comprado e reformado pela construtora OAS para beneficiar o ex-presidente e familiares. As benesses somam R$ 2,4 milhões, diz a Procuradoria. Marisa Letícia, mulher do petista, e outras seis pessoas foram alvos da denúncia. A peça não quer dizer que Lula é culpado. Se ela for aceita pelo juiz Sergio Moro, passará à condição de réu pela primeira vez em Curitiba — a acusação de tentar obstruir a Lava Jato foi admitida pela Justiça em Brasília. O petista é alvo de outros dois inquéritos na operação. 
 

quarta-feira, setembro 14, 2016

Física


Opinião

Pior que a depressão é a vergonha que existe nos deprimidos

João Pereira Coutinho
Depressão com o café da manhã: eis o meu histórico da semana. Leio o jornal e encontro Bruce Springsteen, uma grata memória da adolescência. O "Boss", hoje com 66 anos, tem autobiografia na praça ("Born to Run", obviamente). E confessa no livro que luta contra a depressão há 30 anos. Há momentos bons, há momentos maus. E depois vêm os bons, e depois os maus. Pelo meio, psicoterapia e medicação.

No dia seguinte, é a vez de Andrés Iniesta, um dos gênios do futebol. Quando o Barcelona venceu a Champions League em 2009 e a Espanha foi campeã do mundo na Copa de 2010, Iniesta afirma que estava destroçado. Havia uma sombra que sugava toda a sua "joie de vivre" e o jogador não via fim para tão longa noite.

Não sei que figura pública irá surgir amanhã para falar do "cachorro negro". Apenas sei que todas essas histórias vêm sempre embaladas com um secretismo envergonhado. Springsteen aguenta há 30 anos uma depressão crônica. Iniesta venceu os principais troféus da carreira quando habitava o abismo –e relatou o fato com uma mistura de culpa e alívio. Pior que a depressão é a vergonha que existe nos deprimidos.

Alguns dirão que fingir é necessário: o público gosta da máscara, não do rosto que existe por detrás. Aceito. Mas se Springsteen fosse diabético ou Iniesta tivesse um problema na tireoide, alguém acredita que a doença seria secreta durante anos ou até décadas?

A depressão habita um território à parte. E, no caso dos homens, um planeta a anos-luz dos terráqueos. Por quê?

O escritor Andrew Solomon, ele próprio um deprimido crônico, investigou o assunto em "O Demônio do Meio-Dia". O livro é uma mistura de relato pessoal sobre a doença e estudo histórico e científico apurado. Mas é a história que me interessa –ou, melhor dizendo, a forma como a "melancolia" foi sendo olhada ao longo dos séculos pelos "sábios" de cada época.

Nem sempre a depressão foi uma mancha indigna: no Renascimento e, sobretudo, com o Romantismo, a figura do deprimido transportava uma aura de genialidade e incompreensão que era, ao mesmo tempo, uma afirmação de humanidade (e autenticidade) acima da banalidade das massas.

Para os românticos, aliás, a grandeza de um homem era inseparável de uma certa inconstância do espírito, diagnóstico que assenta perfeitamente em líderes eminentes como Abraham Lincoln ou Winston Churchill.

Mas o interesse maior do livro de Solomon está na parelha que ele estabelece entre dois momentos do pensamento humano que sempre nos pareceram antagônicos: a religiosidade medieval e o racionalismo iluminista.

Para os medievais, a tristeza do espírito era contrária à vontade de Deus. O deprimido pecava porque sofria –ou, em alternativa, sofria porque pecara. Nas palavras da religiosa Hildegarda de Bingen, "no momento em que Adão desobedeceu à lei divina, nesse preciso instante, a melancolia coagulou no seu sangue".

Sempre que o homem deixa entrar no seu espírito "o demônio do meio-dia", ele apenas experimenta o que Adão sofreu quando se afastou do Pai.

O racionalismo iluminista apenas secularizou uma mensagem geneticamente cristã. Com uma diferença: a depressão, entendida como um insulto à graça de Deus, era agora um insulto à majestade da Razão.

A proliferação de asilos para os alienados a partir do século 18 não se explica apenas por motivos "médicos" ou "securitários". A filosofia tem uma palavra maior: era preciso remover da paisagem seres humanos que eram a negação visível do otimismo progressista. O futuro era solar; e um futuro solar não pode permitir criaturas lunares.

Hoje, no esplendoroso século 21, gostamos de afirmar que os tabus fazem parte da mobília de nossos antepassados. Mentira, claro. O estigma da depressão é uma cópia dos preconceitos religiosos e racionalistas de tempos idos.

"Depressão é moleza." "Depressão é fraqueza de caráter." "Seja forte." "Comporte-se como um homem." "Você tem de ser racional." "Tanta tristeza é pecado." Quantas vezes o leitor disse isso a um familiar ou amigo deprimido?

Passaram anos, e até décadas, para que Andrés Iniesta ou Bruce Springsteen confessassem suas dores.

Outros não tiveram tanta sorte: terminaram a vida balançando na corda, derrotados pela doença mas também pela culpa, só porque nós gostamos de falar merda de vez em quando. 

Original aqui

U.V.

Manchetes do dia

Quarta-feira 14 / 09 / 2016

O Globo
"Plano de privatizações é lançado, mas só para 2017"

Programa do governo prevê R$ 30 bi para financiar infraestrutura

Projeto de parcerias é recebido com cautela por empresários e analistas, que aprovam menor intervencionismo do Planalto, mas dizem ter dúvidas sobre crédito maior via mercado

O governo lançou ontem seu programa de privatizações com 34 projetos de infraestrutura que serão leiloados a partir de 2017. Havia a expectativa de que ao menos alguns projetos fossem lançados ainda este ano. Estarão disponíveis R$ 30 bilhões do BNDES e do FI-FGTS para o financiamento. O anúncio foi recebido com otimismo moderado por analistas e empresários, que aprovam a política menos intervencionista do governo, mas têm dúvidas se haverá demanda de investidores para financiar os projetos via títulos no mercado.                    
 
O Estado de S.Paulo
"Governo Dilma agiu para abafar CPI, diz Léo Pinheiro"

Segundo ex-presidente da OAS, ex-ministro Berzoini participou de reunião para barrar avanço de investigações

O ex-presidente da OAS José Adelmário Pinheiro, o Léo Pinheiro, admitiu ao juiz federal Sérgio Moro pagamento de propinas para abafar a CPI mista da Petrobrás, em 2014. Pinheiro disse que repassou ao PMDB R$ 2,5 milhões – sendo R$ 1,5 milhão por caixa 2 – e que o petista Ricardo Berzoini, então ministro de Relações Institucionais de Dilma Rousseff, participou de reunião em que teria sido tratado o acerto para impedir o avanço das investigações da CPI. O empreiteiro afirmou ter se sentido extorquido pelos então ex-senadores Gim Argello (PTB-DF) e Vital do Rêgo (PMDB-PB) – que eram vice e presidente, respectivamente, da comissão – e pelo ex-ministro de Dilma. Declarou ainda que foi procurado na época pelo deputado Marco Maia (PTRS), relator da CPI, que lhe pediu “contribuição de R$ 1 milhão” para “proteger” a OAS no relatório final da comissão parlamentar.     

Folha de S. Paulo
"Temer oferece R$ 30 bilhões a projetos de infraestrutura"

Privatizações e concessões devem ter início no primeiro trimestre de 2017

O programa de concessões e privatizações lançado pelo presidente Michel Temer (PMDB) terá pelo menos R$ 30 bilhões em dinheiro com juros subsidiados por bancos públicos e pelo FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço). Batizado de Crescer, o programa inclui 34 projetos em rodovias, ferrovias, portos, aeroportos, mineração, petróleo e gás e energia elétrica, quase todos herdados da gestão Dilma Rousseff (PT). Entre os novos projetos, estão a privatização de três empresas estaduais de saneamento (RJ, PA e RO) e da loteria instantânea da Caixa. Os primeiros leilões estão marcados para o primeiro trimestre de 2017. O início das obras costuma demorar entre nove meses e um ano. Uma medida provisória será publicada para tentar recuperar concessões que hoje enfrentam dificuldades de obtenção de crédito para tocar obras contratadas. Moreira Franco, secretário responsável pelos projetos, não quis divulgar estimativas de investimentos e arrecadação. Seria ação de marketing semelhante à adotada pela gestão Dilma, disse. O modelo adotado continuará fundamentalmente na mão do Estado. As concessões vão ter entre 40% e 50% de empréstimos do BNDES com juros subsidiados. O restante será feito com 20% de recurso do vencedor da disputa e o que sobrar, com a e missão de títulos. 
 
 
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