sábado, julho 23, 2016

Física


Opinião

Olimpíada, um fracasso anunciado

Hélio Schwartsman
O futuro é incerto? Eu apostaria que sim. O demônio de Laplace, isto é, a ideia de que um intelecto superpoderoso que conhecesse as leis da física e as posições atuais de todos os átomos do Universo saberia automaticamente o passado e o futuro de tudo, perdeu popularidade do século 19 para cá.

Não apenas não nos é possível na prática reunir tamanho conhecimento como, diante do inegável sucesso da mecânica quântica, há motivos para acreditar num Universo menos determinista, que traz algum grau de incerteza inscrito em seu âmago.

Apesar desses problemas intratáveis, há situações em que é relativamente fácil prever o futuro. A percepção de que a Rio-2016 se revelaria um péssimo investimento entra nessa categoria. Em 2009 escrevi a coluna "Pesadelo olímpico", na qual antecipava algumas das encrencas fiscais agora evidentes. Dois anos antes, por ocasião do Pan, já anunciava, no texto "Entregando o ouro", meu receio pelo buraco financeiro que contrataríamos caso o Rio viesse a ser escolhido para sediar os Jogos.

Obviamente, não tenho parte com o demônio de Laplace. Minhas previsões eram fáceis por uma razão bastante simples: no agregado, pessoas e governos se comportam de modo muito semelhante. A esmagadora maioria das cidades que hospedaram uma Olimpíada, quando fizeram as contas na ponta do lápis, constataram que haviam feito um péssimo negócio. A tendência é tão saliente que os economistas já haviam até cunhado a expressão "maldição olímpica" para designar o fenômeno. E, se nem países desenvolvidos se deram bem nesse jogo, no caso do Brasil o sensato a fazer era multiplicar por "n" o tamanho do prejuízo.

Há aí uma lição para a vida. Nunca confie em projeções interessadas e nem mesmo em como sua imaginação pinta o futuro. Se você quer um guia um pouco menos incerto, verifique como se encontram aqueles que já passaram pela situação.

Original aqui

U.V.

Manchetes do dia

Sábado 23 / 07 / 2016

O Globo
"FBI alertou Brasil sobre apoiadores do Estado Islâmico"

Agência americana identificou seis dos 11 suspeitos de planejar ataque nos Jogos

Foragido se entregou à polícia na fronteira com a Bolívia. Entidade internacional especializada em terrorismo diz que canal jihadista ainda é acessado por brasileiros

Antes da prisão de 11 brasileiros suspeitos de planejar atentados durante a Olimpíada, o FBI, agência americana de inteligência, já havia informado o governo brasileiro sobre suposta célula terrorista no Brasil, ligada ao Estado Islâmico. Relatório do órgão identificava seis integrantes do grupo, presos anteontem pela PF. Segundo as investigações, eles juraram lealdade aos jihadistas e tentavam recrutar soldados. Apesar das prisões, entidade internacional especializada em terrorismo diz que ainda há brasileiros no canal de propaganda do EI. O 11º preso se entregou ontem, em Mato Grosso.    

Folha de S.Paulo
"Atentado mata ao menos 9 e eleva tensão na Alemanha"

Polícia suspeita que ataque a tiros em shopping de Munique tenha sido terrorismo

Pelo menos nove pessoas morreram e dez ficaram feridas em um ataque a tiros dentro e nas imediações de um shopping em Munique, na Alemanha, ontem. Até a conclusão desta edição, não estava claro quem eram os responsáveis pelo atentado. A polícia suspeita de terrorismo, mas até a noite da sexta não divulgara indícios sobre a motivação do crime. A chanceler alemã, Angela Merkel, convocou uma reunião com seu gabinete e ministros suspenderam férias. A Alemanha registrou um incidente violento há menos de uma semana.       
 
O Estado de S.Paulo
"Ataque deixa 10 mortos em Munique"

Alemão de origem iraniana de 18 anos abriu fogo diante do McDonald’s de um shopping e depois se matou a um quilômetro do local

No terceiro ato de violência contra civis na Europa Ocidental em oito dias, um jovem de 18 anos abriu fogo contra frequentadores de um centro de compras em Munique, a terceira maior cidade da Alemanha. Ao menos nove pessoas morreram e 16 ficaram feridas. Identificado como um alemão de origem iraniana, ele agiu sozinho segundo a polícia e cometeu suicídio a cerca de um quilômetro do local. O governo alemão trata o caso como atentado terrorista. O ataque ocorreu na frente de um McDonald’s, no Shopping Olympia. O centro comercial fica perto do complexo que sediou os Jogos de 1972, em que militantes do grupo radical palestino Setembro Negro mataram 11 membros da equipe israelense. Ontem, mais de 100 pessoas testemunharam o ataque. Testemunhas disseram ter visto um rapaz loiro fugir da cena do crime com uma maleta e relataram que ele gritou “Eu sou alemão” antes de abrir fogo e após alguém alertar para a presença de “um turco”. A polícia não revelou o nome do atirador, mas disse que ele já era conhecido das autoridades.               
           

sexta-feira, julho 22, 2016

Let 410


Coluna do Celsinho

NINJA & Aeromodelismo

Celso de Almeida Jr.

Sempre que posso, divulgo as ações do Núcleo Infantojuvenil de Aviação - NINJA.

A missão de levar a cultura aeronáutica para crianças e jovens, colabora, também, para estimular o contato com diferentes tecnologias.

Neste ano, com a participação de escolas da rede pública e particular, o Ninja e o Aeroclube de Ubatuba promoveram neste mês de julho uma Oficina Técnica de Introdução ao Aeromodelismo.

Nos próximos meses, sob a orientação de voluntários atentos às questões de segurança, alunos aprenderão a montar os kits - um para cada escola - e a pilotar com rádio controle.

Todo o material foi doado por empresários da cidade e as atividades são gratuitas.

Há tempo ainda para inscrições e, neste sentido, abrir novas perspectivas para a garotada é tarefa que precisamos fazer com bastante entusiasmo.

Assim, peço aos amigos leitores que ajudem a divulgar a programação a seguir, selecionada do Blog do Ninja: www.ninja-brasil.blogspot.com

Objetivos:

Detalhar os mecanismos de voo do aeromodelo, treinar o comando do aparelho, dar instrução sobre aviação e orientar sobre a montagem de kits doados por empresários da cidade.

Escolas inscritas:

Aurelina
Deolindo
Dominique
Florentina
Tancredo

Patrocinadores/doadores dos aeromodelos (kits):

Aeroclube de Ubatuba
Atmosfera
Instituto Salerno-Chieus
Tachão de Ubatuba

Próxima oficina técnica:

Dia 20 de Agosto de 2016, sábado, das 9h às 12h.
Local: Sala Gastão Madeira (Sede do NINJA / Colégio Dominique / Ubatuba-SP).

Definição dos pilotos e agendamento do treinamento em simulador:

Na primeira oficina técnica (16 de julho) a coordenação de cada escola apresentou aos representantes do Ninja e do Aeroclube de Ubatuba os alunos interessados em aprender a pilotar os aeromodelos. A partir desta data, os pilotos deverão agendar horário de treinamento no simulador do NINJA - Núcleo Infanto juvenil de Aviação, instalado na Sala Gastão Madeira (Colégio Dominique).

Data limite para inscrições remanescentes:

Fica estabelecido o dia 12 de agosto como a última data para incluir alunos interessados no projeto. Tal flexibilização atende ao pedido de coordenadores escolares que apontaram dificuldade de mobilização de mais alunos neste período de férias. Somente para os inscritos remanescentes, o NINJA irá promover uma atividade extra de reposição das atividades já desenvolvidas,  dia 13/8/2016, sábado, das 9h às 12h, na Sala Gastão Madeira.

Alunos de outras escolas interessados em participar:

Como em 2016 o número de equipes já está completo, eventuais alunos de outras escolas interessados em participar poderão integrar os times já definidos na condição de Aluno Convidado. Caso identifiquem algum estudante com este interesse, por gentileza, informem vianinja.aero@gmail.com até 12 de agosto.

Data da apresentação pública dos trabalhos:

A data da apresentação dos alunos ficará condicionada a evolução do treinamento das equipes, podendo ocorrer, se necessário, no próximo ano letivo.

Excursão:

Os alunos inscritos - com comprovada assiduidade - e seus respectivos coordenadores participarão de excursão (patrocinada) para São José dos Campos na ocasião do SAE BRASIL AeroDesign 2016 (início de novembro). Na oportunidade visitarão, também, o MAB - Memorial Aeroespacial Brasileiro.

Física


Opinião

Biografia dos terroristas sempre revela vidas de ressentimento

João Pereira Coutinho
Acontece um atentado terrorista na Europa –mais um, agora em Nice– e as perguntas dos dias seguintes são sempre as mesmas. Por quê? Como explicar o horror? Quais são as causas? Que fizemos nós para merecer isso? A ambição subjacente é óbvia: se soubermos as causas podemos evitar os efeitos.

Existem duas formas de responder a um tal cortejo de ansiedades. O primeiro é denegrir tais dúvidas, caracterizando os seus autores como ingênuos ou coisa pior. O terrorismo deseja o terror. E, quando vem embalado por qualquer caução islamita, deseja a morte dos infiéis. Será assim tão difícil de entender?

Na verdade, é difícil sim. E aqui está a segunda forma de responder às perguntas: o nosso pensamento progressista (e racionalista) impede uma compreensão genuína do horror.

Somos filhos do Iluminismo. Acreditamos que a razão, corretamente exercida, permite sempre uma melhoria moral e material da sociedade: a derrota do fanatismo; a defesa da tolerância; a partilha de um espaço público comum; e etc. etc. Os atos dos terroristas são "irracionais", dizemos nós, porque não se ajustam aos nossos critérios de racionalidade.

Essa "dissonância cognitiva" é inevitável. O Iluminismo teve consequências positivas na história dos homens: o reforço da separação entre o Estado e a Igreja, inexistente no Islã, foi um deles.

Também teve consequências desastrosas: se, como dizia Voltaire, o paraíso é onde estamos, então nada impede os seres humanos de procurarem esse paraíso na Terra. Dizer que as consequências dessa busca foram trágicas no século 20 é, obviamente, um eufemismo.

Só que o "projeto iluminista", na sua ânsia de defender e aplicar a soberania da razão humana, esqueceu-se de dois viajantes que sempre fizeram parte da história.

O primeiro é a "contingência", ou seja, a noção de que não é possível controlar tudo por mera ação humana. Pior ainda: a noção de que podem existir fatores imponderáveis que subvertem, ou até destroem, as melhores intenções. Essa ideia, que era pacífica para nossos antepassados, deixou de o ser com a arrogância racionalista moderna.

O segundo viajante se dá pelo nome de "ressentimento". A política das boas intenções esqueceu-se do "homem ressentido", para usar a expressão de Max Scheler (1874""1928): o sujeito que procura "lá fora" a justificação para o seu ódio interior. Como escrevia Edmund Burke (1729""1797) em crítica direta ao otimismo dos "philosophes": "O poder dos homens viciosos não é algo de negligente".

Esse poder está à vista: leio a biografia dos terroristas e, sem exceção, encontro sempre vidas de ressentimento. Podem ser ressentimentos familiares. Econômicos. Sentimentais. Sexuais. Ou, na era narcisística em que vivemos, um desprezo pelo exato mundo que não os reconhece na sua importância ou singularidade.

Idealmente, os homens ressentidos deveriam ter o anonimato que merecem, condenados a tragar o veneno que produzem para terceiros.

Mas os ressentidos profissionais encontram sempre uma "filosofia do ressentimento" que os redime. Exatamente como comunistas e nazistas encontraram no passado.

Essa "filosofia" é também ela um produto do ressentimento: o radicalismo islâmico propaga uma mensagem de ódio ao Ocidente, não apenas porque o Ocidente e os seus valores "liberais" (democracia, pluralismo, liberdade individual etc.) são odiosos –mas porque, na lógica do ressentido, o Ocidente é o culpado por todas as falhas de um povo, ou de uma cultura, ou de uma civilização. Lênin e Hitler poderiam tranquilamente subscrever essa visão.

Deixo as questões securitárias para os especialistas.

Mas duas conclusões filosóficas parecem-me fatais.

Para começar, a Europa terá que conviver com a contingência que tanto se esforçou por ignorar. Por melhores que sejam os sistemas policiais, nem todo o progresso tecnológico poderá eliminar o horror do imponderável. O paraíso, definitivamente, não é deste mundo.

Por último, os inimigos das sociedades livres sempre estiveram dentro delas: falo dos homens ressentidos que usarão sempre uma desculpa qualquer –o Partido, a Raça, o Profeta– para cometerem as suas atrocidades.

"Se soubermos as causas podemos evitar os efeitos?" Lamento. O ressentimento não funciona assim. A sua vontade de destruição é uma história longa. E será, como sempre foi, uma luta sem fim. 

Original aqui

U.V.

Manchetes do dia

Sexta-feira 22 / 07 / 2016

O Globo
"Integrante de grupo preso recrutava apoio ao terror"

Dez brasileiros foram presos ontem em vários estados, acusados de declarar lealdade ao Estado Islâmico e suspeitos de preparar ataques terroristas durante a Olimpíada do Rio. O grupo se comunicava pela internet. Segundo o Ministério Público Federal, os suspeitos — os primeiros a serem enquadrados na lei anti-terrorismo que entrou em vigor em março — recrutavam interessados em servir aos ji-hadistas e seriam treinados no Brasil. O ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, disse que as prisões de ontem e a deportação na semana passada do professor franco-argelino Adlène Hicheur, condenado por terrorismo na França, neutralizaram focos de terrorismo no país. Para o ministro, aparentemente o grupo era amador. As prisões tiveram ampla repercussão no exterior, a 14 dias dos Jogos, e foram elogiadas pelo governo dos Estados Unidos.    

Folha de S.Paulo
"PF prende dez suspeitos de associação com terrorismo"

A Polícia Federal prendeu ontem, em dez Estados diferentes, dez brasileiros suspeitos de simpatizar com as causas de grupos terroristas, como o Estado Islâmico.

As prisões, feitas na Operação Hashtag, ocorreram a 15 dias da cerimônia de abertura da Olimpíada do Rio. Foi a primeira ação anti-terror da PF após a aprovação da lei que tipificou crimes desse gênero, sancionada em março pela presidente afastada, Dilma Rousseff.

A lei regula um dispositivo da Constituição que trata de crimes inafiançáveis e para os quais não há anistia. Para o juiz Marcos Josegrei da Silva, de Curitiba, que autorizou a ação, os presos se enquadram em ao menos um de dois artigos da legislação.

Entre as acusações estão promover organização terrorista e realizar atos preparatórios de terrorismo com o objetivo de consumá-los. Segundo o ministro Alexandre de Moraes (Justiça), o grupo se comunicava via redes sociais e iniciava a preparação para um ato no Rio.

Na avaliação do Planalto, a ação revela preparo do país para ameaças, mas as explicações de Moraes foram consideradas confusas.       
 
O Estado de S.Paulo
"Polícia Federal prende 10 e governo diz ter ‘neutralizado’ focos de terror"

Segundo ministro da Justiça, uma das ‘células’ era o grupo de ‘amadores’ detido ontem e a outra, o professor deportado da UFRJ

Dez brasileiros suspeitos de “atos preparatórios” para ações terroristas na Olimpíada do Rio foram presos pela Polícia Federal. Outros dois estão foragidos. Batizada de Hashtag, a operação sobre a “célula” do Estado Islâmico no País também cumpriu 2 mandados de condução coercitiva e 19 de busca e apreensão. Eles foram expedidos pelo juiz Marcos Josegrei da Silva, de Curitiba, que pela primeira vez se valeu da Lei Antiterror. Embora a ação do grupo tenha sido chamada de “porralouquice” pelo ministro da Defesa, Raul Jungmann, e os presos tenham sido considerados “extremamente amadores” pelo ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, investigadores dizem que o grupo preocupa porque terroristas não têm agido mais de forma organizada. Para Moraes, “os dois focos rastreados” de possibilidade terrorista na Rio-2016 foram “neutralizados”: um pelas prisões de ontem e outro pela deportação sexta- feira do físico Adlène Hicheur, professor da UFRJ.               
           

quinta-feira, julho 21, 2016

Física


Opinião

'Lobo solitário' é revolta do indivíduo contra o poder crescente das instâncias

Contardo Calligaris
No domingo passado, em Baton Rouge, Louisiana (EUA), Gavin Long, 29, negro e ex-fuzileiro naval, matou três policiais e feriu mais três, antes de ele mesmo ser morto. No dia 7, em Dallas, Texas, Micah Johnson, 25, também negro e veterano,tinha matado cinco policiais brancos.

Não pense num movimento organizado, tipo Partido dos Panteras Negras dos anos 1960. Num vídeo, o próprio Gavin pediu: "Se algo acontecer comigo (...), só quero dizer a todos, não me afiliem com nada. (...) Eu sou afiliado ao espírito de justiça, nada mais".

O autor do atentado de Nice, na França, talvez gostasse do Estado Islâmico, mas tudo indica que ele agiu por iniciativa própria. O mesmo vale para o ataque a um supermercado kosher dois dias depois do massacre do "Charlie Hebdo", em janeiro 2015, ou para o casal que matou 14 pessoas em San Bernardino, Califórnia, em dezembro de 2015.

A lista é longa. Ultimamente, os assassinos em massa são frequentemente avulsos –não pertencem a grupos.

Nesta terça (19), na Folha, Hélio Schwartsman fez a mesma constatação: os lobos solitários estão aumentando. Claro, eles servem suas "causas", que são diferentes, mas compartilham o fato de serem solitários; por isso mesmo, talvez sejam a ponta incandescente de um fenômeno social mais vasto: uma vontade de "desregulamentação", pela qual há os que alugam seu apê no Airbnb, sem ser hoteleiro nem pedir permissão e pagar imposto por isso, há o Uber, para que todos possamos ser taxistas, e há terroristas autônomos, sem movimento organizado. Schwartsman cita um artigo de Liah Greenfeld, no "New York Times", em que a socióloga sugere que os "lobos solitários" sejam considerados desajustados com transtornos mentais.

Concordo com Schwartsman, e acho que a vontade de "desregulamentação" (inclusive no terrorismo) merece a maior atenção. Mas discordo radicalmente de Greenfeld. Há mais: a tese de que os assassinos avulsos sejam trastornados mentais é exatamente o que pode nos explicar porque, de repente, aparecem tantos homens avulsos com um rifle na mão. Vou explicar.

A questão política fundamental da modernidade é a contradição entre a liberdade do indivíduo e as necessidades sociais da coletividade (que implicam obediência a regras, costumes, leis etc.). Norberto Bobbio não tinha ilusões: o compromisso entre liberdade do indivíduo e coletividade é sempre insatisfatório.

Mesmo assim, nós cultivamos a ilusão de que viveríamos numa época de extrema liberdade do indivíduo. O clichê é que nossas coletividades (a começar pelo Estado) seriam tolerantes e permissivas como nunca.

Penso, ao contrário, que vivemos numa época de extremo controle coletivo sobre o indivíduo –bem perto do limite do que o indivíduo pode aguentar. Quando o indivíduo não aguenta mais, ele se revolta. E o protótipo do indivíduo revoltado não é um Exército, um partido ou um bando: é ele, sozinho, com um fuzil.

Mas é preciso explicar por que penso o contrário do que diz o clichê de que estaríamos numa época de grande liberdade.

Duzentos anos atrás, mais ou menos, mudou radicalmente o tipo de poder. Até então, o poder se manifestava como possibilidade de nos privar da vida: dominar a gente significava poder nos matar arbitrariamente. A mensagem era: "Viva como quiser, só que, no dia em que eu não gostar de como você vive, corto seu pescoço ou lhe coloco na fogueira".

O poder moderno não nos mata mais arbitrariamente. Em compensação, ele dita o jeito certo de vivermos. É isso que Michel Foucault chama de "biopoder" moderno: ninguém nos mata, mas medicina, higienismo e mil opiniões maioritárias, supostamente morais ou religiosas, pretendem regulamentar nossas vidas.

Exemplo? Se pegássemos um assassino em massa não o enforcaríamos na praça pública (como faria o poder clássico). Mas, pelo artigo de Liah Greenfeld, fecharíamos o culpado num manicômio, para que fosse "curado". Estamos convencidos de sermos livres porque "eles" não podem decidir nossa morte. Mas decidem nossa vida. Qual poder é mais opressivo: o que nos mata ou o que quer modelar nossa vida inteira? Contra qual poder você se tornaria um lobo solitário?

Atrás da "causa" que defende, o "lobo solitário" é uma espécie de mensagem raivosa e revoltada do indivíduo avulso contra o poder crescente de todas as instâncias coletivas modernas –que moldam nossas vidas. 

Original aqui

U.V.

Manchetes do dia

Quinta-feira 21 / 07 / 2016

O Globo
"Decreto de Dornelles provocou devolução de 50 mil ingressos"

Calamidade assustou, mas só Galeão receberá 1,5 milhão de pessoas

Cidade já está com mais de 50% dos leitos de hotéis ocupados

No dia 17 de junho, quando o governador em exercício, Francisco Dornelles, decretou estado de calamidade nas finanças do Rio e a notícia se espalhou pelo mundo, foram registrados pedidos para a devolução de 50 mil ingressos da Rio-2016, informa ANCELMO GOIS. Outros fatores afugentaram turistas, mas o fluxo de chegada de visitantes ao Rio aumentou, e a cidade já está com mais de 50% dos leitos de hotéis ocupados. Só pelo Galeão, onde foram instaladas 1.300 câmeras, passarão 1,5 milhão de pessoas.    

Folha de S.Paulo
"Medida permite à Turquia limitar direitos individuais"

Estado de emergência autoriza presidente a se sobrepor ao Parlamento

O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, voltou à capital Ancara e declarou estado de emergência de três meses no país, como resposta à tentativa de golpe de Estado por militares na última sexta-feira (15). A medida, que passa a valer após publicação no diário oficial, autoriza o presidente a se sobrepor ao Parlamento para aprovar leis, além de permitir que o mandatário limite ou suspenda direitos da população.       
 
O Estado de S.Paulo
"Estado Islâmico dá dicas na web de como atacar no Rio"

Grupo usa aplicativo para sugerir alvos, métodos, obtenção de visto e uso de favelas e fronteira com Paraguai

O Estado Islâmico (EI) e outros grupos jihadistas conclamaram seguidores a atuar como “lobos solitários” e realizar ataques terroristas na Olimpíada do Rio. Entre os alvos sugeridos estão delegações e visitantes de EUA, Inglaterra, França e Israel, informa Cláudia Trevisan. Os métodos propostos abrangem acidentes de trânsito e uso de veneno e drones com pequenos explosivos. O incentivo aos ataques foi feito pelo aplicativo Telegram, segundo o SITE Intelligence Group, consultoria especializada na atuação de grupos extremistas na internet. O autor das mensagens orienta seguidores a se aproveitar das favelas do Rio e usar a “porosa fronteira” com o Paraguai para obter armas. “Recente post sobre os Jogos diz que ‘vistos, entradas e viagens para o Brasil serão fáceis de obter’”, informa o SITE. Em junho, o EI criou no Telegram um canal de propaganda em português.               
           
 
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