sexta-feira, julho 08, 2016

British Aerospace Jetstream 41


Coluna do Celsinho

Lelé e Da Cuca

Celso de Almeida Jr.

Cunha renunciou à presidência da Câmara.

Tentará, agora, salvar o mandato de Deputado Federal.

Poderia ter feito isso há pelo menos dois meses, quando foi afastado do comando da casa por decisão do STF.

Pouparia-nos das trapalhadas de Waldir Maranhão, seu vice.

Palavras de Cunha:

"A Câmara está acéfala e minha renúncia dá fim a uma interinidade bizarra."

Bacana!

Tal atitude permitirá, em breve, a escolha de um novo Presidente da Câmara dos Deputados.

Tomara que a decisão garanta, dessa vez, um vice bom.

Com a notícia de que ao final de agosto o Senado definirá o Presidente da República, já podemos vislumbrar um cenário menos nebuloso tanto para o Legislativo quanto para o Executivo.

Curioso...

Cunha, articulado, teve um vice desorientado.

Dilma, desorientada, teve um vice articulado.

Muito estranha é a política.

Parece, até, coisa de louco...

Ou será de espertalhões?

Melhor não opinar.

Meus muitos amigos políticos ficariam magoados.

Sairei pela tangente.

Direi apenas que a política é para homens e  mulheres de fibra.

Determinados, preparados, corajosos, honestos e íntegros.

Sei não...

Acho que o maluco sou eu.

Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com

Física


Opinião

O mundo e o condado

Contardo Calligaris
Na coluna da semana passada, comecei a apresentar as razões pelas quais muitos ingleses idosos votaram para que o Reino Unido saia da União Europeia. O texto produziu, nas mídias sociais, algumas indignações que me surpreenderam.

Segundo alguns, interpretar e quem sabe criticar os idosos ingleses, vencedores do referendo, seria um atentado contra a democracia. Não entendo. A vitória democrática de uma ideia, de um partido ou de um candidato é a prova da legalidade do caminho pelo qual eles chegaram ao poder. Essa legalidade não tem nada a ver com a legitimidade.

Depois do crash de 1929, o partido nazista cresceu até ser o maior da Alemanha e obteve 43,9% dos votos nas eleições de março 1933.

Todos os alemães deveriam aceitar o "santo" resultado das urnas e desistir de se opor? Respeitar a democracia não significa se resignar à decisão da maioria nem considerá-la legítima por ela ser legal.

Outra fonte de indignação foi meu entendimento dos sentimentos dos idosos em relação aos "jovens". Mencionei a mesquinhez dos idosos que tentam preservar qualquer coisa, na ilusão de preservarem assim suas vidas, que vão embora.

Alguém me perguntou por que os sentimentos menos nobres me parecem ser sempre os mais autênticos e relevantes. Deve ser porque li Shakespeare muito cedo na vida e compreendi, com o bobo do rei Lear, que, por exemplo, é fácil "ficar velho antes de ficar sábio".

Muitos jovens ingleses (eles também leem Shakespeare cedo na vida) perceberam os sentimentos menos que nobres de seus idosos. Duas postagens, nas mídias sociais: "Obrigado, vocês me privaram da possibilidade de viver em 27 países" e "Vocês odeiam os imigrantes mais do que amam seus filhos e netos".

De fato, no referendo do Brexit, a oposição entre idosos e jovens se sobrepôs à oposição entre o "shire" e a cidade grande. O "shire" é o condado onde vivem os hobbits do "Senhor dos Anéis": um sonho nostálgico para Bilbo e Frodo, que se arriscaram na aventura. A cidade grande é a mudança, o perigo e a diversidade (das culturas, das orientações sexuais, das éticas possíveis).

Logicamente, no "shire", os estrangeiros são suspeitos. Mas, cuidado: os habitantes do "shire" têm suas razões –que não deveriam ser esquecidas pela União Europeia, se ela quiser sobreviver.

A pequena classe média é sempre a que mais é ameaçada pela imigração: ela olha para os recém-chegados e receia se confundir com eles, precisa excluí-los (quem sabe, segregá-los) para se sentir diferente, para afirmar que ela não está no fundo do poço.

Nas primeiras décadas depois da Segunda Guerra Mundial, chegaram à Inglaterra muitos cidadãos das ex-colônias britânicas, agora Commonwealth –Paquistão, Índia, Uganda, Quênia"¦ Se os ingleses aguentaram essa diversidade crescente nos anos 1960, por que não aguentariam agora?

A diferença é que aqueles imigrantes alimentavam, eventualmente, um ressentimento revanchista de ex-colônia, mas, ao mesmo tempo, o que mais queriam era jogar críquete e tomar chá às 17h: eles amavam e idealizavam a cultura da metrópole. Queriam se tornar ingleses.

Não foi assim com os refugiados a partir dos anos 1990, que escolhem o Reino Unido não pelo chá nem pelo críquete, mas pelo sistema de assistência pública, que é generoso com os recém-chegados.

Setenta por cento dos imigrantes desde os anos 1990 vêm de fora da União Europeia e são muito diferentes dos cidadãos do Commonwealth: eles têm um projeto de bem-estar econômico, mas não de integração. Ao contrário, chegam a manifestar sua hostilidade ao estilo de vida e aos valores europeus e ingleses.

São, em termos mais compreensíveis, uma população imigrante sem inveja. Alguém tolera ter em casa um hóspede (convidado ou não) que critique constantemente a maneira de viver dos anfitriões?

A União Europeia tem a ambição de não ser apenas um mercado comum. A Europa foi o berço dos melhores valores da cultura ocidental. Não é difícil conceber que, apesar de seus momentos mais sinistros e escuros ou por causa deles, ela queira se definir como pátria desses valores. Agora, como conciliar esse projeto com a abertura das fronteiras a quem se declara inimigo desses valores?

Essas questões verdadeiras também explicam o voto dos idosos do "shire". 

Original aqui

U.V.

Manchetes do dia

Sexta-feira 8 / 07 / 2016

O Globo
"Cunha renuncia e manobra para tentar salvar mandato"

Acusado chora, mas não convence críticos
Acordo pode devolver processo ao Conselho
Eleição na Câmara é marcada para dia 12


Réu na Lava-Jato, afastado do cargo pelo Supremo e ameaçado de prisão e cassação, o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) renunciou ontem à presidência da Câmara para tentar salvar seu mandato e manter o foro especial. Um ano e cinco meses depois de ser eleito para comandar a Câmara, Cunha saiu sob pressão até de aliados e após costurar um acordo que pode mudar a decisão do Conselho de Ética de abrir processo de cassação contra ele. Ao renunciar, o deputado acusado de receber propinas se disse vítima de perseguição e afirmou que a Câmara está “acéfala, numa interinidade bizarra”, referindo-se ao presidente interino, Waldir Maranhão, indicado por ele para a Mesa Diretora. Contrariando seu estilo frio, Cunha chorou ao falar da mulher e da filha, investigadas na Lava- Jato, mas não convenceu seus adversários. A Câmara marcou para a próxima terça-feira a eleição do novo presidente, que terá mandato-tampão até fevereiro do ano que vem.

Folha de S.Paulo
"Cunha renuncia à presidência da Câmara; 5 são cotados à sucessão"

Visto como manobra para tentar evitar cassação de mandato, gesto contrariou seguidas negativas do deputado

Eduardo Cunha (PMDB-RJ) renunciou ontem à presidência da Câmara dos Deputados, cargo do qual estava afastado por ordem do Supremo. Em anúncio no qual chorou, disse pagar o preço por ter deflagrado o impeachment de Dilma Rousseff. A eleição do sucessor, para mandato de sete meses, deverá ocorrer na semana que vem e tem como favoritos deputados do chamado “centrão”. Um dos mais fortes e controvertidos políticos a ocupar a cadeira, Cunha negava que renunciaria. O deputado é alvo de processo de cassação por ter omitido dos pares a existência de contas na Suíça. Também é réu em dois processos e alvo em outras investigações sob a suspeita de ser um dos principais beneficiários do esquema do petrolão. A renúncia é vista como uma cartada do peemedebista para tentar evitar a perda do mandato. Um recurso do deputado na Comissão de Constituição e Justiça, que seria votado na próxima semana, poderá agora ficar para agosto. O gesto ocorre dias depois de uma conversa privada entre Cunha e o presidente interino, Michel Temer, em que o deputado disse que aceitaria renunciar desde que tivesse apoio do Planalto para tentar reverter a tendência de cassação.     
 
O Estado de S.Paulo
"Derrotado pela Lava Jato, Cunha renuncia à presidência da Câmara"

Com a decisão, deputado tenta adiar cassação, salvar mandato e evitar que seu processo seja julgado pelo juiz Sérgio Moro

Eduardo Cunha (PMDB-RJ) renunciou ontem à presidência da Câmara dos Deputados, numa tentativa de salvar seu mandato e evitar que processos da Lava Jato dos quais é alvo no Supremo Tribunal Federal sejam remetidos ao juiz Sérgio Moro. Logo depois de anunciar a decisão, ele requereu à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) que seu processo de cassação seja revisto. O acordo é para que o presidente do colegiado, Osmar Serraglio (PMDB-PR), devolva o caso ao Conselho de Ética. Ele também tenta garantir um aliado à frente da Casa. Ontem, o presidente interino Waldir Maranhão (PP-MA) convocou eleição para quinta-feira, data que foi antecipada para terça pelos líderes. Catorze nomes estão na disputa pelo cargo. São considerados favoritos Rodrigo Maia (DEM-RJ), Rogério Rosso (PSD-DF) e Fernando Giacobo (PR-PR). No STF, Cunha terá agora seus processos julgados pela 2.ª Turma e não mais pelo plenário. Fazem parte do colegiado os ministros Teori Zavascki, Dias Toffoli, Cármen Lúcia, Celso de Mello e Gilmar Mendes.             
           

quinta-feira, julho 07, 2016

Física


Opinião

4ever

Alexandre Schwartsman
O título funcionaria melhor se a meta de inflação fosse 4%, mas o sentido deve ter ficado, espero, claro. Desde 2003, quando o Conselho Monetário Nacional determinou ao BC que buscasse manter a inflação em 4,5% a partir de 2005, a meta de inflação para o país tem sido fixada nesse patamar e a reunião da semana passada não deixou por menos, mantendo o mesmo objetivo numérico para 2018, um recorde de 14 anos.

Num país em que tudo muda tão rápido, o apego à meta poderia até ser percebido como um elemento de permanência em meio à fúria, mas não. Ao contrário, apesar da meta constante, o desempenho não poderia ter sido mais diferente. Entre 2005 e 2010, a inflação média atingiu 5% ao ano, pouco superior à meta; já de 2011 a 2015 bateu 7% ao ano, mais de dois pontos percentuais acima dela, uma atuação lamentável.

Nesse sentido, é muito bem-vinda a posição que o novo presidente do BC, Ilan Goldfajn, pretende imprimir à política monetária. Apesar de pressões para que adotasse uma "meta ajustada" para 2017, boa parte delas oriunda do mercado financeiro, que se posicionou agressivamente para o corte de juros nos próximos meses, Ilan indicou que o BC buscará atingir a meta no ano que vem, rompendo com a prática de Alexandre Pombini, para quem a inflação na meta era sempre algo para o futuro distante, de preferência distante o suficiente para que não o submetesse a constrangimentos como ter de trabalhar de verdade para chegar a tal objetivo.

A reação foi mais positiva do que o noticiado. A parte mais visível tem sido a revisão nas perspectivas para a inflação. De acordo com a pesquisa Focus, a inflação esperada para 2017, por muito tempo estabilizada em 5,5%, começou a cair, marcando 5,4% no começo desta semana; já as expectativas para 2018 caíram de 5,0% para 4,8%. Não me surpreenderia caso novas revisões para baixo viessem a ocorrer nas próximas semanas, em resposta à atitude mais séria do BC.

Menos comentado, porém potencialmente mais importante, houve uma mudança relevante em taxas de juros de diferentes prazos. Taxas referentes a períodos mais curtos subiram, refletindo a percepção de manutenção da Selic por mais tempo. Por outro lado, taxas de juros para períodos mais longos caíram acentuadamente, em resposta à queda das expectativas de inflação (e, portanto, corte mais acentuado da Selic no futuro).

Esse movimento, ainda incipiente, tem consequências consideráveis para a recuperação da economia, pois taxas de juros mais longas costumam ter efeitos mais vigorosos sobre o investimento do que as mais curtas, dado que seu horizonte se aproxima mais do período associado à maturação do investimento. Trata-se de uma verdade simples, mas por muito tempo ignorada no BC.

Não faltam, contudo, armadilhas.

Leitores mais atentos do Relatório Trimestral de Inflação, publicado na semana que passou, devem ter notado uma ausência de peso. O BC não indica se considera que a política fiscal ajudaria (ou atrapalharia) seus planos, ao contrário do que costumava fazer (ingenuamente, ou não, sempre apostando na melhora).

Vejo isso como sinal claro de desconforto da instituição. Sem o auxílio do ajuste fiscal, o BC ficará sozinho na luta e a convergência da inflação se tornará tarefa ainda mais complicada. 

Original aqui

U.V.

Manchetes do dia

Quinta-feira 7 / 07 / 2016

O Globo
"Cunha pagava despesas de vice da Caixa com propina"

Fábio Cleto detalha esquema de corrupção com dinheiro do FGTS

Relator de recurso do deputado na CCJ recomenda anular decisão do Conselho de Ética

Em delação premiada, o ex-vice- presidente da Caixa Fábio Cleto, nomeado pela então presidente Dilma por indicação do deputado Eduardo Cunha, disse que suas despesas pessoais eram pagas pelo hoje presidente afastado da Câmara como compensação por sua atuação no esquema de corrupção, informa VINICIUS SASSINE. Ontem, o relator do recurso de Cunha na CCJ da Câmara, Ronaldo Fonseca (PROS), atendeu a uma parte do pedido do aliado e recomendou a anulação da decisão do Conselho de Ética pela cassação do deputado. O relatório de Fonseca deve ser votado na segunda- feira.

Folha de S.Paulo
"Justiça afasta chefe da Eletronuclear; PF prende antecessor"

Almirante Othon Luiz da Silva já tinha sido retirado do cargo e preso por outras denúncias envolvendo estatal

Uma operação da Polícia Federal que é um desdobramento da Lava Jato prendeu nesta quarta-feira (6) o ex-presidente da Eletronuclear Othon Luiz Pinheiro da Silva e afastou seu sucessor, Pedro Diniz Figueiredo. O almirante Silva já estava em prisão domiciliar devido a outras denúncias relacionadas à Eletronuclear. Ele é acusado de cobrar R$ 12 milhões em propina pela obra da usina nuclear de Angra 3, o equivalente a 1% do valor do contrato da Andrade Gutierrez. Figueiredo, alvo de mandado de condução coercitiva, é suspeito de interferir em sindicâncias da estatal sobre irregularidades envolvendo o antecessor. Silva e Figueiredo não se manifestaram sobre a operação da PF. Em ocasiões anteriores, o almirante negou ter recebido propina da Andrade Gutierrez. A Eletrobras, responsável pela Eletronuclear, disse em comunicado que está verificando o episódio. A Andrade Gutierrez afirma que colabora com as autoridades.     
 
O Estado de S.Paulo
"Temer decide elevar imposto, mas rombo passará de R$ 150 bi"

Para conter o déficit previsto para 2017, o governo vai aumentar a Cide e estuda elevação de outros tributos

O governo vai recorrer a aumento de tributos para diminuir o rombo nas contas públicas previsto para 2017. Após reunião com o presidente em exercício, Michel Temer, e a equipe econômica ontem à noite, o relator da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), senador Wellington Fagundes (PR-MT), informou que a previsão de receitas será elevada com o aumento da Cide (imposto sobre combustíveis) e recursos como concessões e privatizações. Também estão em análise outros tributos cuja elevação não dependa de tramitação no Congresso. Mesmo assim, o déficit fiscal no próximo ano será superior a R$ 150 bilhões. Na reunião, houve alerta sobre as dificuldades políticas de elevar impostos. Sem essas medidas, porém, o déficit projetado para 2017 chegaria a R$ 194 bilhões.              
           

quarta-feira, julho 06, 2016

Física


Opinião

O efeito Lava Jato chegou à saúde

Elio Gaspari
Era pedra cantada, em algum momento os efeitos da Lava Jato chegariam ao setor bilionário dos planos de saúde. Nelson de Mello, ex-diretor de relações institucionais da Hypermarcas, empresa que se intitula "campeã nacional de produtos farmacêuticos" vem colaborando com a Procuradoria-Geral da República desde março e revelou parte das relações incestuosas que cultivava com senadores e deputados. Como era de se esperar, caíram na roda o onipresente Eduardo Cunha e seu associado Lucio Bolonha Funaro.

Preso, Funaro tem o que contar. O ex-diretor da Hypermarcas já expôs a negociação de um jabuti na Medida Provisória 627 que, em tese, tratava de matéria tributária. Para azeitar seu interesse, Mello passou a Funaro R$ 2,9 milhões.

Há mais jabutis na forquilha da MP 627. A relação de Funaro com Eduardo Cunha e dele com operadoras de planos de saúde levou o Ministério Público à caixa preta desse mercado bilionário que vive das mensalidades de 70 milhões de brasileiros.

Durante o ano eleitoral de 2014, a MP 627 foi enxertada por 523 contrabandos. Num deles, enfiou-se uma anistia parcial a planos de saúde que descumpriam suas obrigações contratuais. Pela lei, uma operadora que negava um procedimento ao qual o freguês tinha direito poderia ser multada com penalidades que iam de R$ 5 mil a R$ 1 milhão. Quem já pagou multa de trânsito sabe que cada multa é uma multa. O jabuti mudava esse mecanismo. A operadora que tivesse sido multada de duas a 50 vezes pela mesma razão pagaria apenas duas multas. Numa regressão maligna, se as infrações fossem mais de mil, as multas seriam 20. Assim, se uma operadora negasse a mil clientes um procedimento que lhe custaria R$ 5.000 por negativa, em vez de pagar R$ 5 milhões, pagaria apenas R$ 100 mil.

Premiava-se com um refresco calculado em R$ 2 bilhões o desrespeito ao consumidor, estimulando-se a ineficiência de um sistema que está entre os campeões na lista negra dos organismos de defesa dos cidadãos.

O relator dessa medida provisória foi o deputado Eduardo Cunha, então líder do PMDB na Câmara. A MP foi votada em bloco e aprovada com o apoio da bancada oposicionista. Exposta a maracutaia, Cunha informou que discutiu o assunto com a Casa Civil, o Ministério da Fazenda e a Advocacia-Geral da União, mas não deu nome aos bois.

Para desgosto de grandes operadores de planos de saúde, generosos doadores de campanhas eleitorais e simpáticos admiradores de comissários petistas, Dilma Rousseff vetou o artigo.

Como a MP 627 ficou mais conhecida pelo seu aspecto tributário, beneficiando empreiteiras e bancos, o gato das multas parecia dormir no fundo do armazém. A Procuradoria-Geral da República puxou o fio dessa meada, o que significa a abertura de uma nova vitrine na exposição de malfeitorias.

Em geral, os jabutis colocados nas Medidas Provisórias são incompreensíveis e relacionam-se com altas transações financeiras. O gato colocado na tuba de 627 era gordo e escandaloso. Tão escandaloso que durante a negociação para a inclusão do contrabando o próprio Eduardo Cunha teria avisado que aquilo ia dar bolo e chegou a defender que Dilma vetasse o artigo. Em 2014, deu em veto. Bolo, está dando agora. 

Original aqui

U.V.

Manchetes do dia

Quarta-feira 6 / 07 / 2016

O Globo
"Temer aconselhou Cunha a renunciar à presidência"

Deputado tem se mostrado preocupado com mulher e filha

No Planalto, previsão é que o peemedebista não conseguirá escapar de punição; sobre o impeachment a ser votado no Senado, governo calcula que o afastamento definitivo de Dilma será aprovado por 60 votos

O presidente interino, Michel Temer, aconselhou o presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha, a renunciar ao cargo. Na última conversa que tiveram, no domingo, Cunha se mostrou mais inseguro do que nas anteriores e demonstrou preocupação com o destino de sua mulher e sua filha, também investigadas na Lava-Jato, informa MÍRIAM LEITÃO. O governo considera impossível Cunha conseguir reverter sua situação no Conselho de Ética, que abriu processo de cassação contra ele. Sobre a votação do impeachment no Senado, o Planalto calcula que o afastamento definitivo de Dilma Rousseff será aprovado por 60 votos, 6 a mais que o necessário.

Folha de S.Paulo
"General que defende golpe de 64 é indicado à Funai"

Militar da reserva aceitou convite do PSC e aguarda confirmação do Planalto

O general da reserva Sebastião Roberto Peternelli Júnior foi convidado pelo PSC (Partido Social Cristão) para presidir a Funai (Fundação Nacional do Índio). Ele diz que aceitou o convite e aguarda confirmação do governo, informa Rubens Valente. O PSC encaminhou a indicação do militar ao Palácio do Planalto, que ainda não deu resposta. A sigla considera que o convite foi bem recebido e teve a informação de que o nome já foi aprovado pela Abin (Agência Brasileira de Inteligência). Em março passado, Peternelli postou na internet uma imagem em homenagem ao golpe militar de 1964. O militar é ligado ao partido com uma das bancadas mais conservadoras no Congresso, que reúne Jair Bolsonaro (RJ) e Marco Feliciano (SP). Candidato pelo PSC a deputado federal por SP em 2014, não se elegeu. Ele foi promovido a general em 2006, no governo Lula. Desde o início do governo interino de Michel Temer, em 12 de maio, a presidência da Funai está vaga.     
 
O Estado de S.Paulo
"Serra e FHC atuam contra Venezuela no Mercosul; país reage"

Brasil quer adiar para agosto decisão sobre novo presidente do bloco

O ministro José Serra (Relações Exteriores) e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso pediram ao Uruguai mais tempo antes de o país passar a presidência do Mercosul à Venezuela. O Uruguai quer fazer a transferência, como prevê a regra, no segundo semestre. Mas a Venezuela é alvo de pedido do Paraguai para aplicação da cláusula democrática, que pode resultar em sua suspensão. O Brasil defende extensão do prazo até agosto para decidir a sucessão. “Não estamos pedindo para não respeitar regras, mas que se possa discutir, mais adiante, se a Venezuela fez a lição de casa”, disse FHC, que viajou a Montevidéu como convidado do governo uruguaio, em avião da FAB. “É o prazo para a Venezuela cumprir exigências”, afirmou Serra. “A República Bolivariana da Venezuela rechaça insolentes e amorais declarações do chanceler de fato do Brasil”, disse a chanceler venezuelana, Delcy Rodríguez.              
           
 
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