sábado, junho 25, 2016

Física


Opinião

A grande vitória do atraso

Clóvis Rossi
É só olhar para quem está festejando o resultado do plebiscito no Reino Unido para constatar que se trata da vitória do pior ranço, o do populismo xenófobo.

"A Grã-Bretanha mostrou à Europa o caminho para o futuro e a liberação", gritou, por exemplo, o PVV, o partido xenófobo e, como tal, antieuropeu da Holanda.

Marine le Pen, sua homóloga na França, defendeu que também os franceses votem para decidir se ficam ou saem da União Europeia.

No outro canto do ringue em que se transformou a questão, Norbert Röttgen, presidente do Comitê de Assuntos Exteriores do Parlamento alemão, diz, com razão, que o resultado britânico "é a maior catástrofe na história da integração da Europa".

De fato, com a saída do Reino Unido, a UE perde o segundo país que mais gasta em defesa, perde um assento no Conselho de Segurança da ONU, o coração do sistema internacional, e um dos mais firmes campeões do comércio mundial e da economia liberal, como lembrou Alex Barker no Financial Times.

Para a revista The Economist, foi um voto de fúria contra o establishment. OK, há razões para tanto: a globalização, de que a integração europeia é (ou era) um grande símbolo, provoca inexoravelmente ganhadores e perdedores –e ninguém se conforma em perder.

Mas, olhada retrospectivamente, a construção europeia é uma história de sucesso, que trouxe benefícios visíveis a olho nu para todos os seus integrantes, inclusive o Reino Unido.

"Uma nobre ideia no seu tempo", admitiu até Boris Johnson, o ex-prefeito de Londres e que liderou a campanha pela saída.

Não fosse assim, não haveria a enorme demanda para fazer parte do grupo, que passou dos seis membros originais para os 28 atuais (27, quando se excluir o Reino Unido).

Voltar a fúria contra o establishment para essa história de sucesso é um salto no vazio e para o passado. Não há mais condições, no mundo moderno, para que as nações se entrincheirem em suas fronteiras, para o bem ou para o mal.

O que há, sim, de espaço é para gerir de uma forma mais eficiente e mais democrática a integração, para evitar que o número de perdedores seja tão grande que acabe provocando a "catástrofe" que o alemão Röttgen apontou.

Faltou dizer que a catástrofe não afeta apenas o Reino Unido e a Europa, mas o mundo todo, Brasil inclusive. Na complexa crise que o país atravessa, qualquer sacudida externa é um problema adicional –e a saída do Reino Unido é mais que uma sacudida, é um terremoto. 

Original aqui

U.V.

Manchetes do dia

Sábado 25 / 06 / 2016

O Globo
"Para evitar incertezas, UE quer apressar saída do Reino Unido"

Bolsas desabam e analistas temem freio no crescimento global

Vitória do Brexit leva premier conservador David Cameron a apresentar renúncia e ameaça também liderança do opositor Partido Trabalhista. Decisão afeta as negociações do Mercosul

O terremoto causado pelo referendo em que os britânicos decidiram tirar o Reino Unido da União Europeia (UE), após 43 anos, provocou a renúncia do premier David Cameron, que apoiava a permanência no bloco. Ele vai ficar no cargo até outubro e anunciou que não haverá mudanças imediatas na relação com a UE. Líderes do bloco, porém, pediram que a saída britânica seja acelerada para diminuir as incertezas. (...) No Brasil, a alta do dólar, com a instabilidade nos mercados, pode adiar queda dos juros. E as negociações entre Mercosul e UE devem ser afetadas.

Folha de S.Paulo
"Saída britânica da UE derruba Cameron e espalha incertezas"

Reino Unido perde liderança para conduzir processo de ruptura; separatismo ganha força na Europa

O rompimento do Reino Unido com a União Europeia, decidido em plebiscito, derrubou a principal liderança do país. Pró-permanência, o conservador David Cameron anunciou que renunciará ao cargo de premiê. Fusão dos termos em inglês “saída” e “britânica”, o “Brexit” teve 52% dos votos, ou 17,4 milhões, e espalhou incertezas. Caberá ao novo primeiro- ministro conduzir as negociações do processo da ruptura, que deve durar dois anos. O premiê é o líder do partido majoritário no Parlamento. Boris Johnson, ex-prefeito de Londres, abraçou o “Brexit” e se fortaleceu entre os conservadores. O plebiscito provocou uma onda de pedidos separatistas pela Europa. Escócia e Irlanda do Norte ameaçam deixar o Reino Unido e aderir ao bloco europeu. Há focos em outros países, como Suécia, Suíça e Itália. Em reação ao Brexit, Bolsas caíram e a libra atingiu o menor patamar desde 1985. Houve corrida por moedas mais seguras, como o iene (Japão). Os britânicos derrotados esperam recessão e fuga de capitais. Os vencedores falam em acordos políticos e comerciais promissores, a serem costurados.   
 
O Estado de S.Paulo
"Saída britânica abala economia e põe em risco bloco europeu"

Movimentos podem levar ao esfacelamento do Reino Unido e a referendos em outros países da Europa; primeiro-ministro David Cameron renuncia

O Reino Unido mergulhou numa crise política inédita e de conseqüências imprevisíveis. Causada pelo voto de 17,4 milhões de britânicos (51,9% dos eleitores) a favor da saída da União Europeia, a turbulência abalou o mercado internacional e derrubou as principais bolsas. A de Milão despencou 12,48%, a de Madri, 12,35%, a de Paris, 8,04% e a de Frankfurt, 6,82%. Foi o maior recuo num dia na Europa desde a crise de 2008. No Brasil, o Ibovespa caiu 2,82%. Líder da campanha pela permanência, o primeiro-ministro David Cameron anunciou que deixará o cargo em três meses, abrindo caminho a Boris Johnson, líder dos “eurocéticos”. Na Escócia e Irlanda do Norte, movimentos pró-Europa podem levara o esfacelamento do Reino Unido. A saída causou um efeito dominó: grupos populistas e de extrema direita já reivindicam referendos em outros países, como Holanda, Áustria, Itália, França e Alemanha. Para abrir caminho a reformas no bloco, líderes europeus pressionam Londres a formalizar logo a ruptura. Barack Obama disse que a “relação especial” de EUA e Reino Unido não mudará.           
           

sexta-feira, junho 24, 2016

Ercoupe


Coluna do Celsinho

Estratégia

Celso de Almeida Jr.

No jornal, confiro a prisão de mais um.

Observador, estudo a reação dos políticos.

Estou procurando o perspicaz.

Há muitos homens e mulheres inteligentes no Congresso Nacional, nos Governos e Assembleias Estaduais.

Não identifiquei, porém, o estrategista.

Onde se esconde?

Será que existe?

Caso esteja preparado, certamente avalia a hora de entrar em cena.

O ambiente está propício.

Um discurso ético, equilibrado, sensato, positivo e firme convenceria muita gente.

Temperado com boa dose de sensibilidade e talento para unir o país, seria irresistível.

Torcendo para que esta novela não tenha um final padrão - atento aos próximos capítulos - aguardo a revelação.

Esperançoso de que, ao menos um ficha limpa, esteja a disposição.

Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com

Física


Opinião

O Rio e o mito do governo de eventos

Elio Gaspari
O decreto que colocou o Rio de Janeiro num regime de calamidade é mais uma pirueta do estilo de administração que arruinou o Estado. Havendo um problema, cria-se um evento. O problema era a falência, assinou-se um decreto, criou-se um evento e transferiu-se o problema para Brasília. Lá, um governo fraco e fiscalmente combalido capitulou, concedendo uma moratória a Estados administrados por perdulários.

O governo do Rio faliu pelo mais elementar dos motivos: gastou o que não tinha e pôs dinheiro onde não devia. O mesmo núcleo do PMDB controla o Estado desde 2007. Não é um núcleo qualquer. Seus caciques são Sérgio Cabral, Luiz Fernando Pezão, Eduardo Cunha e Jorge Picciani. Uns, como Cabral e também o prefeito Eduardo Paes, são políticos com tino para o espetáculo. Outros, como Pezão, Cunha e Picciani, costuram por dentro.

A atividade espetacular cavalgou a Copa do Mundo, reformou o Maracanã e deu à cidade uma eventual sensação de segurança com a criação das Unidades de Polícia Pacificadora e a ocupação militar de comunidades. A Copa foi-se embora, o Maracanã virou um escandaloso elefante branco e as UPPs adernaram por falta de ações sociais complementares e excesso de corrupção policial. Sobrou o teleférico do morro do Alemão, onde a diretora do Fundo Monetário Internacional sentiu-se no Alpes. A madame ecoava a cultura cosmopolita do governador Cabral no restaurante Louis XV do Hôtel de Paris, em Mônaco: "Este é o melhor Alain Ducasse do mundo". (Referia-se ao chef da casa.)

Quando um governo vive de eventos, uma crise jamais começa com a paralisação de alguma grande obra ou de um projeto da vitrine. A conta vai sempre para os serviços básicos oferecidos ao andar de baixo. A falência do Rio foi exposta no final de 2015 com o colapso da rede de saúde. Havia fornecedores que não recebiam há meses. Na ocasião o governador Luiz Fernando Pezão ensinou: "O Estado não fabrica recursos". Consome-os, mas deixa pra lá.

A aula de economia de Pezão passou longe da prática da gestão pública. Na hora de suspender serviços para a população, a matemática funciona, mas quando se trata de gastar dinheiro para sustentar a máquina, a administração pública brasileira contorna a lição da física segundo a qual dois corpos não podem ocupar, ao mesmo tempo, o mesmo espaço. Um servidor pode ocupar, ao mesmo tempo, duas folhas de pagamento, trabalhando num só lugar. A repórter Carina Bacelar mostrou que no Rio os secretários Christino Aureo, da Agricultura, Wagner Victer, de educação e Julio Bueno, da Fazenda, acumulam seus vencimentos com os salários de funcionários do Banco do Brasil ou da Petrobras. Victer acumula salários desde 1999. Bueno, o homem das contas, recebe como secretário R$ 16.579, e os contribuintes do Rio pagam R$ 49 mil à Petrobras pela cessão de seus serviços. Tudo de acordo com a lei, sempre superando os tetos constitucionais.

O próximo evento desse estilo espetacular de administração será a Olimpíada. Como explicou o secretário Moreira Franco, ex-governador do Rio e fundador do PMDB, "não podemos pagar um mico internacional". Disse isso no dia em que o governo pagou um orangotango nacional. 

Original aqui

U.V.

Manchetes do dia

Sexta-feira 24 / 06 / 2016

O Globo
"Dinheiro de consignado irrigava caixa do PT"

PF prende Paulo Bernardo, ex-ministro dos governos Lula e Dilma

Petista é acusado de receber R$ 7 milhões desviados de taxas cobradas de servidores que contraíam empréstimos; esquema, que arrecadou R$ 100 milhões, abastecia o partido, alvo de buscas em SP

A Operação Custo Brasil, derivada da Lava-Jato, prendeu Paulo Bernardo, ex-ministro dos governos Lula e Dilma, por envolvimento em esquema que desviava taxas pagas por servidores em empréstimos consignados. Em cinco anos, R$ 100 milhões irrigaram o caixa do PT e de políticos. A fraude usava empresas de fachada. Também são investigados o ex-ministro Carlos Gabas e o jornalista Leonardo Attuch, do blog Brasil 247. No Planalto, a avaliação é que a prisão representa uma “pá de cal” nas pretensões de volta ao poder de Dilma.

Folha de S.Paulo
"PF prende Paulo Bernardo em desdobramento da Lava Jato"

Investigadores suspeitam de desvios de R$ 7 mi; defesa nega acusações e fala em detenção ilegal

A Operação Custo Brasil, desdobramento da Lava Jato, prendeu Paulo Bernardo (PT-PR), ex-ministro do Planejamento e das Comunicações. Marido da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), ele atuou nas gestões dos presidentes Lula e Dilma. Para investigadores, Bernardo teria se beneficiado, entre 2010 e 2015, de R$ 7 milhões desviados de contratos firmados entre a pasta do Planejamento e a empresa de tecnologia Consist, gestora de crédito consignado do funcionalismo. Segundo a Polícia Federal, a Consist recebia R$ 1 de cada parcela de crédito paga, e o valor de mercado era R$ 0,30. Cerca de R$ 100 milhões teriam sido desviados da pasta —70% do contrato de R$ 140 milhões que a empresa manteve com a pasta. Na decisão em que decreta a prisão preventiva de Bernardo, o juiz Paulo Bueno de Azevedo afirma que o dinheiro que o ex-ministro teria recebido não tinha sido localizado e que haveria risco “de realização de novos esquemas de lavagem”. A defesa de Bernardo afirmou que a prisão é ilegal e que ele não se envolveu em irregularidades. Gleisi Hoffmann disse em nota que a operação foi feita para desviar o foco “deste governo [Temer] claramente envolvido em desvios”.   
 
O Estado de S.Paulo
"Reino Unido decide sair da UE"           
           

quinta-feira, junho 23, 2016

Física


Opinião

Repressão e cultura do estupro

Contardo Calligaris
Na coluna da semana passada, tentando explicar o massacre de Orlando, lembrei-me desta regra: sempre (ou quase), quando a gente quer muito disciplinar a vida dos outros, é porque, de fato, a gente quer disciplinar a si mesmo e mal consegue. Por exemplo, o assassino de Orlando tentou matar (cem vezes) sua própria homossexualidade reprimida.

Essa regra vale especialmente nos casos em que a repressão parece desproporcional porque o comportamento que se quer reprimir não tem consequência para o repressor.

Exemplo: "A homossexualidade deve ser proibida"; por quê? Talvez, se ela não for proibida, alguém tenha medo de se sentir compelido a ser homossexual. Mas a "permissividade" não faz o monge: ele seria "compelido" só pelo seu próprio desejo.

Bom, alguns leitores me perguntaram se essa regra valeria a cada vez que queremos reprimir os outros ou a cada vez que os odiamos. A resposta não é fácil.

Nem todo assassino está tentando matar uma parte de si mesmo da qual ele não consegue se livrar. Podemos assassinar por mil outras razões (ódio, vingança, estupidez). Mesmo assim, considere o que segue.

Um leitor, Arthur Leandro Lopes, escreve que há quem tenha "ódio ativo de negro sem medo de se tornar negro". Sim, mas, em regra, nos países com forte segregação racial, o racismo vinga entre os brancos menos favorecidos, que têm medo de empobrecer mais e serem assim marginalizados exatamente como os negros. Ou seja, eles têm "medo de se tornar negros".

Outro leitor, Julio Jorge Rodrigues, pergunta-se até onde iria a permissividade: os estupradores seriam membros de uma minoria sexual e, "em caso de estupro, ninguém deve intervir e punir"?

Sem sequer entrar nos detalhes das fantasias que podem levar alguém a estuprar, o fato é que nosso quadro jurídico proíbe interagir com quem não consente. Ou seja, nenhuma fantasia me autoriza a usar o outro como eu gostaria, a não ser que ele/ela queira. O sexo com menor de 14 anos é considerado uma violência justamente porque não atribuímos ao menor a plena capacidade de dar seu consentimento.

O estupro, então, é reprimido para preservar a liberdade de todos nós. Sem isso, seríamos expostos à violência de qualquer um que fantasiasse nos impor seu capricho sexual.

Em suma, por necessidades básicas de convivência social, o estupro só pode ser proibido, e ponto. Agora, há casos em que existe sexo sem o consentimento do parceiro e que poderiam ser objeto de um debate moral interessante. As numerosas pessoas que transam com animais, por exemplo, transam com ou sem o consentimento deles?

Mas não vamos nos extraviar. Um outro leitor, Titus, pergunta se "alguém que defenda a pena de morte para os estupradores estaria, na verdade, controlando seu próprio desejo de estuprar". Ele acrescenta: "Tenho ódio de políticos corruptos porque, no fundo, eu gostaria de estar roubando também. É por aí?".

Tendo a responder que sim. Para chegar a essa resposta, os critérios são o excesso, o fervor, o zelo dos repressores. Claro, o espetáculo da corrupção dá raiva, mas a vontade de condenar todos a alguma pena de morte (e, por que não, sem processo) é no mínimo uma alerta: em geral, quando queremos punir mais do que é preciso e mais do que exige a lei, é porque queremos punir a nós mesmos. Não é nenhuma surpresa: odeio os corruptos porque vivo numa sociedade que me corrompeu há tempos. Quero tal ou tal outro político na masmorra para me punir de ter pagado um despachante para conseguir minha carteira de volta.

O mesmo vale no caso dos estupradores. Mas não é porque, "no fundo", seríamos todos estupradores em potencial. De fato, são pouquíssimos os que têm fantasias de estupro e desejam estuprar quem quer que seja. Mas muitos são cúmplices de uma cultura do estupro.

O que seria uma cultura do estupro? É uma cultura onde muitos sabem que nunca estuprariam ninguém, mas, se estivessem num grupo de três ou de 30, todos achando graça, não deixariam de mostrar aos outros que eles também são "machos". Os mesmos muitos também acham que não passaria de uma brincadeira, a mina estava pedindo, vai que ela acabou gostando"¦ não são todas putas? Salvo a mãe, claro.

Esses muitos, quando pegarem um estuprador em flagrante, vão pedir pena de morte ou gritar "lincha! lincha!". Porque sabem que o estupro está dentro deles. 

Original aqui

U.V.

Manchetes do dia

Quinta-feira 23 / 06 / 2016

O Globo
"Decisão do STF aumenta chance de cassação de Cunha"

Por 11 a 0, ministros aceitam denúncia por ocultação de contas na Suíça

Com resultado, deputado dificilmente salvará mandato na Câmara, que analisa se ele mentiu ao negar ser dono do dinheiro; no Supremo, ele responderá por corrupção, lavagem, evasão e fraude eleitoral

Por 11 votos a 0, o STF tornou réu pela segunda vez o presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha, por manter contas não declaradas na Suíça. Os ministros rejeitaram a tese da defesa, de que Cunha era apenas beneficiário de trusts (instrumentos para a gestão de bens), e concordaram que as provas colhidas revelam que o deputado é dono dos valores. A decisão reduz suas chances de evitar a cassação na Câmara, que analisa se ele mentiu ao dizer que não possui as contas.

Folha de S.Paulo
"Pela 2ª vez, Cunha se torna réu na Lava Jato"

Decisão do Supremo agrava situação do deputado, que diz confiar na absolvição

O Supremo Tribunal Federal tornou réu pela segunda vez na Lava Jato o presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB). Ele é acusado de corrupção, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e falsidade ideológica para fins eleitorais.

Os ministros do STF aceitaram por unanimidade denúncia da Procuradoria-Geral da República, que acusa Cunha de abastecer contas secretas no exterior com dinheiro desviado de contrato da Petrobras. O valor da propina seria de R$ 5,2 milhões.

O relator da Lava Jato, Teori Zavascki, disse haver elementos “robustos” de que Cunha recebeu propina por viabilizar aquisição de campo de petróleo na África pela estatal e por garantir a manutenção de esquema ilícito em diretoria da estatal.

O novo processo agrava a situação do deputado, cuja cassação foi aprovada pelo Conselho de Ética da Câmara. Se o plenário avalizar, ele perde o foro privilegiado e será julgado por Sergio Moro. Cunha nega ilicitudes e diz crer na absolvição.   
 
O Estado de S.Paulo
"Plano taxa agricultura para bancar Previdência"

A proposta de reforma da Previdência em estudo pelo governo se concentra em cinco grandes temas: idade média de aposentadoria, diferença de regime entre homens e mulheres, pensão por morte, servidores públicos e tributação extra do agronegócio. Um dos planos é cobrar INSS de empresas exportadoras do agronegócio, o que atualmente não ocorre. Quando a venda é para o mercado interno, elas pagam alíquota de 2,6% sobre o faturamento. Assim como outros pontos do pacote, a medida já causa polêmica. “Isso é nonsense”, disse Roberto Brant, consultor da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária. “É começar a reforma pelo lado errado, o das receitas, em vez de atacar despesas.” Com déficit que deve chegar a R$ 133,6 bilhões neste ano, a Previdência é hoje o maior problema nas contas públicas. Na próxima semana, um “esqueleto” da reforma será apresentado a sindicalistas.           
           

quarta-feira, junho 22, 2016

Raios...


Ubatuba em foco

Eleição é sempre bão.

Sidney Borges
Começa a ganhar força a campanha pelo trono ubatubense. 

Digo trono por que o prefeito desta bela cidade praiana lembra um príncipe medieval, com privilégios e poderes semelhantes. 

Um dado da maior importância, quase milagroso, uma vez eleito o iluminado vê seu patrimônio crescer exponencialmente. 

Posso escrever isso sem medo de ferir suscetibilidades, nesta terra abençoada poucos sabem o que significa crescimento exponencial. 

Os ex-prefeitos de Ubatuba estão bem de vida, alguns trabalham, outros desfrutam das delícias de ser ex-prefeito. Viagens, Rolex, Lacoste...

A maioria da população acha natural, enquanto parte da mesma adere a um dos postulantes em troca de favores. São os chamados cabos eleitorais. 

São muitos, como só um candidato será eleito a maioria vai ficar na saudade, sonhando com uma boquinha na Câmara. Se não der certo terão de esperar a próxima eleição. E adotar um candidato para oferecer apoio.

Vamos acompanhar as várias campanhas e contar o que acontece nos bastidores da luta em prol da felicidade do povo. 

Candidatos só pensam nisso. 

Na felicidade do povo.

Física


Opinião

Cego em tiroteio

Ferreira Gullar
Tenho assistido pela televisão ao processo de impeachment de Dilma Rousseff no Senado Federal. Confesso que me falta paciência para ouvir tanto falatório, leitura da peça de acusação e, pior ainda, a intervenção de certas figuras que ostentam a condição de senadores da República, para nosso constrangimento.

Mal conseguem formular o que pensam e, quando o conseguem, é num português digno de um mau aluno do curso primário. Mas isso é o de menos, porque falar errado tanto é comum a eles como aos apresentadores do programa, com raras exceções.

Não quero aborrecer vocês com minhas gramatiquices, mas é duro ouvir o cara dizer "eram várias milhões de pessoas".

E já observaram que quase todos os verbos agora têm como regência o advérbio "sobre"? Em vez de "comentou o problema", dizem "comentou sobre o problema"; em vez de "tratou do assunto", dizem "tratou sobre o assunto". As palavras "este" e "esta" não se usam mais: agora é "esse" e "essa". Outra palavra excluída da fala desse pessoal é "quando", substituída sempre por "onde". Não dizem "naquela ocasião, quando a encontrei", e sim "onde a encontrei". Mas não são só eles que falam assim; razão pela qual temo que, em breve, talvez o certo será falar errado.

Mas deixemos isso para lá, uma vez que o país inteiro está mesmo interessado é na questão política, do impeachment de Dilma às propinas da Lava Jato, que deram aos jornais de televisão maior audiência que as novelas.

Como todo mundo sabe, o PT chegou ao poder para não sair mais. José Dirceu mesmo, com poucos meses de governo, numa viagem a Portugal, declarou, ao chegar lá: "Ganhamos a eleição, e vamos ficar no poder por, pelo menos, 20 anos".

Claro, "no mínimo", porque, como Hugo Chávez e Evo Morales, o projeto também de Lula era de fato não sair mais. Para isso, valeram-se de tudo. Evo Morales, por exemplo, que já governa por três mandatos, mudou o nome do país de República da Bolívia para Estado Plurinacional Boliviano, e argumentou: "Como o país agora é outro, tenho o direito a mais mandatos". E ressalvou: "Mas não pensem que quero me eternizar no poder". Claro que não! Para comprová-lo, depois de dez anos no governo, propôs recentemente nova reeleição, mas aí o povo boliviano achou que já era demais e disse não.

Lula, por sua vez, bem que tentou o terceiro mandato, mas, como isto aqui não é exatamente uma Bolívia, teve que pôr Dilma em seu lugar. O plano dele era voltar ao poder nas eleições seguintes, mas, quando viu o estrago que ela havia feito no país, desistiu e deixou-a candidatar-se de novo, porque bobo ele não é. Quem pariu Mateus que o embale.

Pois bem, a coisa deu no que deu, e ela acabou afastada. Está fora do governo e, ao que tudo indica, para sempre. Não foi à toa que o próprio Lula procurou o Sarney para, chorando, confessar-lhe que o maior arrependimento que tem na vida é ter elegido Dilma presidente da República. Mas iria eleger quem? Líder populista não deixa crescer ninguém em volta dele, tanto assim que, no lugar de Chávez, quem entrou foi o gaiato e imaturo Maduro.

Mas voltemos à discussão do impeachment de Dilma no Senado brasileiro. Atenho-me à sessão em que as testemunhas de acusação foram chamadas a depor. Os petistas, em face dos depoimentos irrespondíveis, tudo faziam para atropelar-lhe as respostas, levantando questões descabidas e aludindo a dispositivos legais que nada tinham a ver com as acusações que fundamentaram o pedido de impeachment.

Isso sem falar nas ocasiões em que não só perguntavam, como queriam responder no lugar da testemunha, como fez a senadora Gleisi Hoffmann. Lindbergh Farias usa de outra tática: inventa leis e decisões inexistentes para desautorizar as teses do depoente. Quando percebem que seus truques não estão surtindo efeito, passam a gritar ou se retiram da sala.

Porém o mais extravagante em tudo isso é que os petistas, embora já não queiram mais que Dilma volte ao governo, se veem obrigados a lutar para que volte. E daí a impressão que temos de estarem mais perdidos do que cego em tiroteio. 

Original aqui

U.V.

Manchetes do dia

Quarta-feira 22 / 06 / 2016

O Globo
"Vice de CPI diz que deputado tentou achacar empresário"

Parlamentar teria exigido dinheiro para não convocar executivo a depor

Hildo Rocha, vice-presidente da comissão, que apura denúncias de pagamento de propina em troca de extinção de multas da Receita, afirma que não revela nomes porque suposta vítima teme represálias

O vice-presidente da CPI do Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais) na Câmara, Hildo Rocha (PMDB-MA), afirmou em entrevista a GABRIELA VALENTE que um empresário lhe contou ter sofrido tentativa de achaque por parte de deputado que integra a comissão de inquérito. Rocha manteve os nomes em sigilo, a pedido do executivo. “Ele está com medo”, justificou. De acordo com o vice da CPI, o deputado em questão teria pedido dinheiro ao empresário para que não fosse convocado a depor. Numa sessão da comissão, em maio, Rocha questionou a convocação do banqueiro Joseph Safra pelo deputado Altineu Côrtes (PMDB-RJ), que, por sua vez, acusa a comissão de proteger empresários. 
Folha de S.Paulo
"Controle estrangeiro de empresa aérea avança na Câmara"

Apoiada pelo Planalto, medida permite que 100% do capital seja externo; texto agora segue para o Senado

Com a concordância do presidente interino, Michel Temer (PMDB), avançou no Congresso a medida que permite às empresas estrangeiras serem proprietárias de 100% do capital das companhias aéreas nacionais.

A Câmara dos Deputados deu o seu aval ao texto nesta terça-feira (21). Faltam agora a aprovação do Senado e a sanção presidencial.

Até o começo deste ano, o limite se restringia a 20%.

A presidente afastada, Dilma Rousseff (PT), tinha editado uma medida provisória para que a participação aumentasse para 49%.

A abertura total ao capital estrangeiro foi incluída na MP por emenda do deputado Baleia Rossi (PMDB-SP), líder do partido. O Planalto chancelou a alteração.

Analistas têm visões distintas. Para professor da USP, a abertura só deveria ocorrer em caso de reciprocidade de outros países.

Especialista da FGV diz que a medida trará mais concorrência, o que pode resultar em tarifas mais baixas.

Membros do setor acham difícil mudanças neste ano devido ao ambiente desfavorável a investir.   
 
O Estado de S.Paulo
"Fraude pode ter irrigado campanha de Campos, diz PF"

Operação iniciada após queda de avião chega a esquema de lavagem de dinheiro

A Polícia Federal prendeu quatro empresários suspeitos de lavagem de dinheiro em esquema que teria movimentado mais de R$ 600 milhões desde 2010 e pode ter irrigado a chapa de Eduardo Campos (PSB) e da ex-ministra Marina Silva (Rede) na disputa presidencial de 2014. As apurações da Operação Turbulência começaram após acidente que matou o ex-governador em Santos, durante a campanha. Dois dos presos – João Carlos Lyra de Melo Filho e Apolo Santana Vieira–eram donos do Cessna PR- AFA. Segundo investigadores, as empresas envolvidas na comprado avião eram de fachada, constituídas em nome de “laranjas”, e faziam transações entre si e com empresas fantasmas, até mesmo envolvidas na Lava Jato. Os outros dois detidos – Eduardo Bezerra Leite e Arthur Lapa Rosal – teriam financiado a compra do jato. “O esquema foi usado para pagar propina na campanha do governador (em 2010, para reeleição)”, disse a delegada Andrea Pinho. O PSB disse apoiar as investigações.           
           
 
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