sábado, junho 18, 2016

Física


Opinião

Lava Jato ameaçada

Alexandre Schwartsman
Uma ameaça ronda a Lava Jato. Ela não vem dos suspeitos de sempre, que são os políticos de Brasília, mas do próprio STF. A corte iria rediscutir na semana que vem, agora com efeito vinculante, se a decisão que tomou em fevereiro de permitir que réus sejam presos a partir de uma condenação em segunda instância continuará a valer.

O zunzunzum é o de que alguns ministros que votaram pela alteração poderiam mudar de ideia, o que faria com que voltasse a valer a regra de que a prisão só começa após o trânsito em julgado, isto é, até que não haja mais a possibilidade de recurso.

O prejuízo mais visível de uma eventual reversão da jurisprudência é para a Lava Jato. A possibilidade de ser preso logo após a condenação pelo TRF (e não mais pelo STF), ao estreitar os limites temporais da escala das décadas para a de um par de anos, deu enorme impulso às delações premiadas. Sem essa perspectiva de desfecho rápido, aumenta a tentação dos envolvidos de manter a boca fechada.

No que diz respeito ao mérito da questão, não me parece que a execução da pena após a segunda instância represente a dissolução do Estado de Direito como alguns advogados tentam pintar. Condenações injustas sempre ocorrerão, pois nenhum sistema é perfeito. E nem sequer sabemos se as instâncias superiores "acertam" mais ou menos que as inferiores, pois não temos acesso direto ao que aconteceu na cena do crime.

A decisão do STF é positiva porque introduziu um pouco de raciocínio logístico na Justiça. Para ser viável, o sistema precisa resolver a maioria dos casos em suas engrenagens iniciais. Não é uma coincidência que a maioria das democracias maduras adote o segundo grau como padrão. Não o fazem porque desprezem a segurança jurídica, mas porque uma hora o jogo precisa ser para valer. Caso contrário, deveríamos criar o quinto e o sexto graus e assim até o infinito.

Original aqui

U.V.

Manchetes do dia

Sábado 18 / 06 / 2016

O Globo
"Janot pede investigação sobre mais um ministro de Temer"

Mendonça Filho, da Educação, é acusado de receber propina de empreiteira

Presidente interino faz reunião com Geddel e Padilha e determina que integrantes do primeiro escalão se demitam caso tenham qualquer envolvimento com a Lava-Jato, para evitar novos constrangimentos ao governo

Depois das demissões de Romero Jucá e Henrique Alves, mais um ministro de Temer está sob investigação da Lava- Jato: Mendonça Filho (DEMPE), da Educação. O procurador- geral da República, Rodrigo Janot, pediu autorização ao STF para apurar se Mendonça recebeu propina de R$ 100 mil da empreiteira UTC, em 2014. O presidente interino, Michel Temer, determinou que todo ministro que tiver envolvimento com irregularidades deve pedir demissão do governo.

Folha de S.Paulo
"A 49 dias da Olimpíada, Rio decreta calamidade pública"

Medida abre brecha para socorro federal, que avalizou medida, de R$ 2,9 bi

A 49 dias dos Jogos Olímpicos, o governador interino do Rio, Francisco Dornelles (PP), decretou estado de calamidade pública em razão da grave crise econômica. Avalizada pelo presidente interino, Michel Temer (PMDB), a medida permite que o Estado receba verbas para concluir obras ligadas à Olimpíada e adote medidas excepcionais, como corte de serviços públicos essenciais. O decreto contorna proibição de contrair empréstimos aplicada ao Rio em maio. O socorro federal de quase R$2,9 bilhões deve ser destinado ao metrô e à segurança. Parte dos especialistas ouvidos pela Folha afirmou que essa medida só pode ser adotado em desastres naturais. A crise das finanças do Rio gera atraso de salários de servidores e fechamento de emergências em hospitais. O Comitê Organizador da Rio-2016 disse que a medida não afeta os Jogos.   
 
O Estado de S.Paulo
"Após acordo com Temer, Estado do Rio decreta calamidade"

A 49 dias da Olimpíada, medida reduz exigências para liberação de verbas

Em grave crise, o Rio de Janeiro decretou estado de calamidade pública a 49 dias do início da Olimpíada. A medida inédita permite socorro financeiro da União sem necessidade de cumprir exigências e foi acertada em jantar anteontem entre o presidente em exercício, Michel Temer, o governador interino do Rio, Francisco Dornelles(PP), o ministro da Fazenda,Henrique Meirelles, e a secretária do Tesouro Nacional, Ana Paula Vescovi. Com dificuldades para cumprir obrigações assumidas para os eventos esportivos, o Estado pleiteia emergencialmente pelo menos R$ 3 bilhões. A União estuda a edição de medidas provisórias para acelerar a liberação de recursos. Segundo Dornelles, a decisão abre caminho a “medidas duras na área financeira”. Ele negou, porém, que o Rio dará calote. Segundo especialistas, a medida desobriga o Estado de cumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal e executar gastos obrigatórios em serviços essenciais. Também libera contratos sem licitação.         
           

sexta-feira, junho 17, 2016

Bombardier CRJ1000


Coluna do Celsinho

Só rindo

Celso de Almeida Jr.

Manchete em jornal do Rio de Janeiro:

"Diminui a criminalidade. Anão é preso por tráfico."

Genial, né?

Impressionante o senso de humor de nossa gente.

Cá entre nós...

Temos escolha?

Rir é o melhor remédio?

O que vem depois da graça?

Nesse mês de junho, quando soube que prenderam o "Japonês da Federal", não controlei a gargalhada.

Em seguida, porém, pensei:

Como a Polícia Federal permitiu que um membro acusado de corrupção se transformasse em ícone da moralidade?

Ninguém refletiu sobre o estrago que fatos dessa natureza causariam na instituição?

E, pior ainda, na imagem do país?

Pois é...

Com tal constatação, lembrei-me do provérbio português:

"Quem ri hoje, chora amanhã."

Não gostei.

De português, prefiro as piadas...

Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com

Física


Opinião

Os responsáveis de Orlando

Contardo Calligaris
Na madrugada de domingo passado, um homem de 29 anos entrou na Pulse, uma boate de Orlando, Flórida, frequentada principalmente por lésbicas, gays, bissexuais e transexuais.

Armado de uma pistola 9 mm e de um fuzil semiautomático, ele matou 49 pessoas e feriu 53, algumas das quais ainda estão por um fio.

Enquanto ele estava na boate, das 2h às 5h (momento da irrupção das forças da ordem), o assassino, de religião muçulmana, ligou para a polícia para se declarar "soldado" do Exército Islâmico.

Se o assassino fosse "apenas" um terrorista islâmico, a gente poderia parar por aqui: 1) lamentar que seja fácil, na Flórida, adquirir um rifle e 2) constatar que o terrorista escolheu um alvo apropriado –se seu ódio for pelo Ocidente moderno, ele atacou mesmo uma das conquistas mais expressivas de nossa cultura: a liberdade de seguir e praticar nossa orientação sexual.

Mas a história do assassino é mais banal e mais inquietante. No domingo, soubemos que ele era um homofóbico indignado. O pai do assassino contou à polícia que, recentemente, seu filho tinha ficado furioso quando, num bar de Miami, dois homens tinham se beijado enquanto o filho do assassino, três anos, podia ver.

Há uma regra básica para a qual nunca encontrei exceções, em mais de 30 anos de clínica. Claro, qualquer um pode discordar do desejo e da conduta sexual de outros; mas quando alguém se sente compelido a agir para impedir ou punir uma conduta sexual diferente da sua é que, de fato, ele está tentando reprimir seu próprio desejo de se engajar nessa conduta diferente.

Quem agride, abusa ou tenta inibir os membros de uma minoria sexual está tentando reprimir nele mesmo um desejo que, às vezes, ele nem sequer consegue reconhecer. E, em geral, quem se dá a pena de legislar em matéria de sexo está tentando reprimir nele mesmo um desejo inconfessado de cair na "gandaia" que ele quer conter.

Quando o assassino de Orlando se indignava porque seu filho veria dois homens se beijando, ele temia, de fato, que o filho visse ele, o pai, beijando um outro homem. Extrapolo?

Desde segunda, sabemos por várias testemunhas que o assassino frequentava a boate Pulse havia anos. Também ele era usuário do Grinder, um aplicativo para encontros sexuais diretos na comunidade gay.

É sempre assim: só odiamos a diversidade que detestamos ou receamos em nós mesmos. Um indivíduo sai atirando para matar algo que está dentro dele e que ele não sabe mais como silenciar.

Será que isso significa que o massacre foi a obra de alguém incapaz de conviver com seu desejo? Só isso? Os corpos amontoados em Orlando gritam para que sejamos menos cautelosos –e mais verdadeiros.

O pai do assassino, tentando se diferenciar do filho, declarou que este errou porque os homossexuais serão punidos no inferno, portanto, não é preciso matá-los agora.

Agora, nenhum membro de uma dita minoria sexual se importa em conviver com um cretino que pensa que sabe como os homossexuais serão punidos no Além. O problema é o efeito que essa frase do pai teve sobre o filho, que, de fato, foi para a boate Pulse para matar aquela parte de si que, segundo o pai, merecia as chamas do inferno. Nesse suicídio de seu desejo "culpado", ele levou consigo dezenas de inocentes.

Entender essa dinâmica é crucial. O discurso homofóbico é um instrumento de propaganda política e religiosa eficiente porque ele instiga os muitos reprimidos e enrustidos a odiar e silenciar seu próprio desejo –que é o que eles querem. Agora, esses reprimidos e enrustidos, assim instigados, tornam-se assassinos de Orlando: lincham ou massacram qualquer um que se pareça com aquela parte deles mesmos que eles foram instigados a suprimir.

Por isso, atrás de cada infeliz que agride o membro de uma minoria sexual, há outros que são responsáveis e deveriam ser imputáveis tanto quanto o agressor –se não mais.

São os que contribuem para que esse infeliz não consiga tolerar seu próprio desejo: o bêbado do boteco que faz piada de veado e traveco, os pastores e os padres que querem "curar" os homossexuais e pregam contra o casamento gay ou contra a licenciosidade e a libertinagem, os deputados que querem infernizar a vida dos transexuais e por aí vai.

Todos alimentam a violência dos reprimidos contra qualquer um que lhes lembre um desejo que está neles e que eles não se permitem. 

Original aqui

U.V.

Manchetes do dia

Sexta-feira 17 / 06 / 2016

O Globo
"Henrique Alves é o 3º ministro de Temer a cair em 5 semanas"

Delação de Sérgio Machado, que o acusa de receber propina, indica que Camargo Corrêa omitiu repasses

O ministro do Turismo, Henrique Eduardo Alves (PMDB), pediu demissão. Acusado de participar do petrolão, é o terceiro nome da Esplanada a cair em cinco semanas de gestão do presidente interino, Michel Temer, seu correligionário. Em delação na Lava Jato, Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro (subsidiária da Petrobras), disse ter pago a Alves R$ 1,6 milhão em propina entre 2008 e 2014. O acusado disse que “todas as ilações envolvendo meu nome serão esclarecidas.” Alves declarou não querer constranger o governo e que se defenderá com “serenidade”. Romero Jucá (Planejamento) e Fabiano Silveira (Transparência) foram os outros ministros a se afastarem, após vazamento de áudios com críticas à Lava Jato. A procuradores Machado afirmou que 76% dos recursos que diz ter repassado a políticos, de 2003 a 2014, não foram contabilizados como doação oficial na Justiça Eleitoral. O valor total, de acordo com o delator, passa de R$ 100 milhões. A investigação indica também, pelo cruzamento entre as delações de Machado e da Camargo Corrêa, que a empreiteira omitiu dois pagamentos de suborno. Se isso for comprovado, pode ser punida. A empresa diz colaborar com a Justiça.

Folha de S.Paulo
"Decisão põe Cunha à beira da cassação"

Após oito meses de manobras e bate-bocas, o Conselho de Ética da Câmara dos Deputados aprovou por 11 votos a 9 parecer favorável à cassação do mandato de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente afastado da Casa.

A decisão final do processo caberá ao plenário.

Cunha é acusado de quebra de decoro por omitir, à CPI da Petrobras, a existência de contas no exterior. Segundo a Procuradoria-Geral da República, elas receberam recursos do petrolão.

O advogado do deputado, Marcelo Nobre, afirma que seu cliente não mentiu.

“Não existem provas, o que está acontecendo aqui é linchamento. Cadê a conta? Não existe”, disse ele.

Para o relator do pedido, Marcos Rogério (DEM-RO), não faltam provas no processo. “O caminho do dinheiro é revelador, mostra quem é o dono, quem tem as senhas.”

Tia Eron (PRB-BA), antes considerada por aliados de Cunha como o apoio decisivo para a vitória, votou contra o peemedebista. “Não mandam nessa nega aqui”, disse, em discurso inflamado.

Após a decisão dela, Wladimir Costa (SD-PA) mudou o voto e apoiou a cassação.

O caso vai ao plenário da Casa, em data a ser definida. A cassação depende do apoio de 257 deputados, entre 512.

Cunha disse ser inocente, criticou a parcialidade do Conselho e anunciou que recorrerá da decisão à Comissão de Constituição e Justiça da Câmara.  
 
O Estado de S.Paulo
"Lava Jato derruba 3º ministro e delações preocupam governo"

Citado por Sérgio Machado, Henrique Alves deixa Turismo; delator rebate Temer e reafirma propina

Um dia após a divulgação da delação premiada do ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, Henrique Eduardo Alves (PMDB) pediu demissão do Ministério do Turismo. A informação foi antecipada pela coluna Direto da Fonte. É o terceiro ministro a deixar o governo Michel Temer por causa da Lava Jato. Antes, caíram Romero Jucá (Planejamento) e Fabiano Silveira (Transparência). A saída ocorreu mais em razão de denúncias que estão por vir do que a de Machado em si, que disse ter dado a Alves R$ 1,55 milhão em propina. O receio no Planalto é com as delações de Marcelo Odebrecht, Léo Pinheiro, da OAS, e Fábio Cleto, ex-vice-presidente da Caixa. Ontem, Temer disse que a acusação de Machado de que ele pediu R$ 1,5 milhão em 2012 para campanha de Gabriel Chalita é “irresponsável, leviana, mentirosa e criminosa”.Em nota, Machado rebateu o presidente.        
           

quarta-feira, junho 15, 2016

Física


Opinião

Encontro com Oswald

Ferreira Gullar
Na rua do Ouvidor, entre a avenida Rio Branco e a rua da Quitanda, ficava naquela época a Livraria José Olympio, onde, certa tarde, deparei com Graciliano Ramos, sentado numa cadeira e fumando cigarro.

Foi ali também que, poucos meses depois, comprei um exemplar de "Serafim Ponte Grande", de Oswald de Andrade, a preço de refugo. Havia, num canto, uma ruma de exemplares do livro, postos em liquidação.

Levei o livro para casa e, ao lê-lo, surpreendeu-me a linguagem saborosa do autor. Disse isso a Mário Pedrosa, que concordou comigo e me emprestou um exemplar do livro de poemas de Oswald, "Pau Brasil". Era um volume pequeno, quadrado, tendo na capa o losango da bandeira brasileira. Fascinou-me o sabor de mato verde que experimentei ao ler os seus versos.

Naquela época, morávamos num mesmo quarto de uma pensão no Catete, eu, Oliveira Bastos e Carlinhos Oliveira. Falei de Oswald com Bastos, que era então um jovem crítico literário, e lhe dei para ler os livros dele. Bastos também se encantou e, assim, Oswald, cujos livros àquela altura quase ninguém comprava, tornou-se nosso ídolo.

Era o ano de 1954, e eu dera por terminado "A Luta Corporal", que seria editado naquele mesmo ano, às minhas custas. E foi então que ocorreu um fato inusitado: no dia 10 de setembro, data de meu aniversário, fui comemorá-lo na casa de Amelinha, minha namorada, que morava num pequeno apartamento na Rua Fialho, na Glória.

Aí tocou a campainha, ela foi abrir a porta e invade a casa um sujeito grandalhão, em mangas de camisa e suspensórios, rindo às gargalhadas: era nada mais nada menos que Oswald de Andrade. Ele avançou para mim e me abraçou.

Atrás dele, contendo o riso, entrou Oliveira Bastos, o autor daquela proeza. Sem nada me dizer, pediu-me uma cópia do meu livro inédito de poemas e o levou a Oswald, em São Paulo.

"Adorei seus poemas", disse-me o poeta, "e direi isso em Genebra, este ano, onde darei um curso sobre a literatura brasileira. Vou concluí-lo falando de 'A Luta Corporal'".

Se eu já estava atordoado com a inesperada presença dele ali, no dia de meu aniversário, essa notícia me pôs a nocaute. Não sabia o que dizer nem o que fazer.

"Sua poesia tem o sabor de folha verde" –foi tudo o que pude falar, antes que ele de novo me abraçasse e fosse embora. Nunca mais o vi, mesmo porque, um mês depois, ele morria em sua casa, em São Paulo.

Isso que acabo de contar explica por que, no ano seguinte, quando almocei com Augusto de Campos, na Spaghetlândia, no Rio, discordei de sua opinião sobre Oswald de Andrade. Era a opinião generalizada que o meio intelectual tinha dele, e com alguma razão. De fato, Oswald era autor de uma série de proezas que levavam as pessoas a vê-lo como um irresponsável, e até como mau-caráter.

Por isso disse, naquela ocasião, que não me referia à pessoa de Oswald, mas à qualidade de sua literatura.

E o resultado dessa conversa foi que ele certamente foi reler Oswald e sem dúvida percebeu suas qualidades de escritor, reviu sua opinião sobre ele e, juntamente com Haroldo e Décio, contribuiu para a redescoberta e valorização de sua obra.

Realmente, Oswald não era um exemplo da seriedade que costuma distinguir os grandes homens. Ele era, pode-se dizer, um tanto irresponsável, como demonstra aquele episódio quando, discutindo com alguém, para ganhar a discussão, atribuiu a Mário de Andrade a opinião de que Villa-Lobos era um compositor medíocre. Interpelado por Mário, que nunca dissera aquilo, respondeu: "Eu menti". Diante disso, Mário não pôde fazer outra coisa, senão rir.

A verdade é que, se admiro o escritor Oswald de Andrade, tenho também simpatia por seu jeitão irresponsável. E com toda a razão porque, se ele não fosse meio brincalhão, meio moleque, não teria ido me abraçar no dia de meu aniversário, numa quitinete na Rua Fialho, no bairro da Glória. Gente séria não faz essas coisas.

Original aqui

U.V.

Manchetes do dia

Quarta-feira 15 / 06 / 2016

O Globo
"Cunha é traído no Conselho de Ética, e cassação avança"

Após quase oito meses, o Conselho de Ética da Câmara aprovou, por 11 votos a 9, parecer favorável à cassação do mandato do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), por ter mentido à CPI da Petrobras ao negar que tenha contas no exterior. A sessão de conclusão do mais longo processo da história do conselho foi marcada por confusão e repleta de surpresas, a maior delas o voto que definiu o resultado, da deputada Tia Eron (PRB-BA), cujo partido é aliado de Cunha.

“Não mandam nessa nega aqui!" exclamou ela, que citou até Platão antes de desfazer um mistério alimentado por semanas. Após o voto de Tia Eron, Wladimir Costa (SD-PA), que acabara de discursar em defesa de Cunha, mudou o seu voto, num sinal de que outras traições poderão ocorrer na votação definitiva, no plenário da Câmara, ainda sem data marcada. O deputado disse que recorrerá à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), onde integrantes foram trocados para tentar dar a Cunha a maioria do colegiado.

Folha de S.Paulo
"Decisão põe Cunha à beira da cassação"

Após oito meses de manobras e bate-bocas, o Conselho de Ética da Câmara dos Deputados aprovou por 11 votos a 9 parecer favorável à cassação do mandato de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente afastado da Casa.

A decisão final do processo caberá ao plenário.

Cunha é acusado de quebra de decoro por omitir, à CPI da Petrobras, a existência de contas no exterior. Segundo a Procuradoria-Geral da República, elas receberam recursos do petrolão.

O advogado do deputado, Marcelo Nobre, afirma que seu cliente não mentiu.

“Não existem provas, o que está acontecendo aqui é linchamento. Cadê a conta? Não existe”, disse ele.

Para o relator do pedido, Marcos Rogério (DEM-RO), não faltam provas no processo. “O caminho do dinheiro é revelador, mostra quem é o dono, quem tem as senhas.”

Tia Eron (PRB-BA), antes considerada por aliados de Cunha como o apoio decisivo para a vitória, votou contra o peemedebista. “Não mandam nessa nega aqui”, disse, em discurso inflamado.

Após a decisão dela, Wladimir Costa (SD-PA) mudou o voto e apoiou a cassação.

O caso vai ao plenário da Casa, em data a ser definida. A cassação depende do apoio de 257 deputados, entre 512.

Cunha disse ser inocente, criticou a parcialidade do Conselho e anunciou que recorrerá da decisão à Comissão de Constituição e Justiça da Câmara.  
 
O Estado de S.Paulo
"Processo de cassação de Cunha avança e juiz bloqueia seus bens"

O Conselho de Ética da Câmara aprovou ontem por 11 votos a 9 parecer que pede cassação do presidente afastado da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Após 225 dias e várias manobras de aliados para retardar o processo, o colegiado concluiu que Cunha mentiu à CPI da Petrobrás no ano passado ao negar ter contas no exterior. Foram decisivos os votos de Tia Eron (PRB-BA) e Wladimir Costa (SD-PA), que havia defendido o peemedebista até o último momento.

A votação final agora será feita no plenário. A chance de Cunha se salvar é se a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) aprovar recurso que ele prometeu apresentar ou parecer mudando o rito, que permitiria punição mais branda. Cunha vê “parcialidade” no processo. Em Curitiba, o juiz federal Augusto César Pansini Gonçalves decretou a indisponibilidade dos bens do deputado e a quebra de seu sigilo fiscal desde 2007. A decisão também atinge as contas da mulher dele, Cláudia Cruz, e de outros investigados na Petrobrás.        
           

terça-feira, junho 14, 2016

Física


Opinião

A primeira mulher

Demétrio Magnoli
A "primeira mulher" candidata à Presidência dos EUA seria uma notícia tão histórica quanto o "primeiro negro" na Casa Branca, com a condição de que o nome dela não fosse Hillary. A verdadeira novidade da campanha eleitoral americana não é uma Clinton, mas um Trump —o Donald. A candidata democrata representa o establishment; o republicano, uma revolta contra o establishment. Desse contraste emana o perigo real de triunfo do Donald.

Hillary mantém o favoritismo, apesar do empate técnico registrado nas últimas sondagens. A demografia milita ao seu lado: Trump enfrenta a rejeição majoritária das mulheres, dos hispânicos e dos negros. O sistema eleitoral joga no campo democrata: nos 11 Estados oscilantes, campos de batalha decisivos, Obama obteve 11 vitórias em 2008 e dez em 2012. Contudo, Trump não é um McCain ou um Romney, expoentes da tradição republicana, mas um tipo diferente de candidato: a imagem do som e da fúria de uma nação profunda, imersa nas águas do rancor.

O Donald invoca sempre o nome de Reagan, sugerindo um falso paralelo: Ronald foi um candidato solar; Donald é um profeta das sombras. Hillary falará dos dilemas do presente, na linguagem política convencional; Trump falará da restauração de uma idade de ouro, na linguagem do salvacionismo populista. "Fazer a América grande novamente": é a "mudança" contra a "permanência", uma fórmula sedutora, empapada pela umidade da crise. O jogo segue regras complexas, desdobrando-se em equações pontilhadas de incógnitas.

O Donald é fruto do colapso de uma tradição. Na sua rebelião contra o centrismo republicano, o Tea Party declarou guerra ao Welfare State e flertou com o nativismo xenófobo da nação branca e protestante. Trump armou seu palanque no meio daquela rebelião, mas a reinventou de modos surpreendentes. Numa ponta, estendeu o discurso nativista às suas consequências extremas, fincando uma bandeira nas terras da intolerância e do racismo: a deportação em massa dos imigrantes ilegais, o banimento dos muçulmanos. Na outra, operando pela negação da negação, jurou conservar o Welfare State e proteger a indústria e os empregos americanos da concorrência estrangeira, fechando as estradas do livre comércio. Hillary enfrenta a força de uma mistura explosiva: ultranacionalismo + populismo.

Atrás do Donald, sopra uma ventania. A crise do sistema político americano expressou-se pela ofensiva do Tea Party sobre as paliçadas do Partido Republicano e, do outro lado, por dois levantes sucessivos no universo do Partido Democrata: o furacão memorável de Obama em 2008 ("Yes, We Can"), e a imprevista tempestade de Sanders nas primárias que se encerram ("Feel the Bernie"). A cidadela de Hillary ruiu sob o impacto do primeiro, mas resistiu ao segundo. Som e fúria: Trump investe suas fichas na soma de todos os levantes, organizando uma "marcha sobre Washington".

O Donald ataca, simultaneamente, pelos flancos direito e esquerdo. As invectivas odientas contra imigrantes e muçulmanos, uma radicalização dos discursos das franjas republicanas, miram a "nação branca". As promessas econômicas populistas e protecionistas, uma importação adaptada das miragens "socialistas" de Sanders, miram a "nação pobre". O solo que sustenta a árvore incongruente de Trump é composto por uma narrativa declinista. No mito do Grande Declínio, ou seja, da erosão do poder, da influência e da prosperidade americanas encontra-se a força persuasiva de sua candidatura. Hillary terçará armas contra um argumento que desconhece os limites habituais da razão.

O Donald é sintoma de uma crise geral dos valores das democracias ocidentais. Na sua candidatura, estão impressos marcadores ideológicos similares aos dos partidos nacionalistas que ameaçam a costura da União Europeia. O destino da "primeira mulher" interessa ao mundo inteiro.

Original aqui

U.V.

Manchetes do dia

Terça-feira 14 / 06 / 2016

O Globo
"STF envia inquérito de Lula a Moro e anula escuta de Dilma"

Investigações sobre sítio e tríplex voltam para Curitiba

O ministro do STF Teori Zavascki devolveu ao juiz Sérgio Moro investigações sobre o ex-presidente Lula, como o inquérito das obras de empreiteiras no tríplex de Guarujá e no sítio de Atibaia usado pelo petista e familiares. Na mesma decisão, o ministro anulou a gravação entre Lula e a presidente afastada, Dilma Rousseff, na qual ela diz ter enviado ao ex-presidente o termo de posse como ministro da Casa Civil, o que evitaria sua eventual prisão. Para Teori, o grampo foi feito depois do horário autorizado. Também passam às mãos de Moro os inquéritos dos ex-ministros Jaques Wagner e Edinho Silva.

Folha de S.Paulo
"Marina queria evitar elo com empreiteira, diz sócio da OAS"

Segundo Léo Pinheiro, isso motivou caixa 2 em 2010; ex-candidata nega

Sócio do grupo OAS, Léo Pinheiro disse nas negociações de acordo de delação com a força-tarefa da Lava Jato que representantes de Marina Silva, então candidata do PV à Presidência, lhe pediram caixa dois em 2010. Segundo ele, a ex-ministra não queria aparecer associada a empreiteiras na eleição.

O empresário afirmou que a contribuição foi pedida por Guilherme Leal, sócio da Natura e candidato a vice de Marina Silva, e Alfredo Sirkis, um dos coordenadores da campanha presidencial.

Naquela eleição, a OAS fez doação de R$ 400 mil ao PV do Rio de Janeiro, declarada à Justiça Eleitoral. Marina Silva (ex-PV, hoje na Rede) defende que campanhas sejam financiadas com recursos públicos.

À Folha Guilherme Leal disse ter se reunido com Léo Pinheiro e Sirkis em seu escritório, em São Paulo, em maio de 2010. Segundo ele, o sócio da OAS manifestou interesse em doar para o PV.
Leal negou ter pedido doações ilegais e repudiou o ataque à sua honra. Sirkis disse que o partido recebeu apenas recursos lícitos da OAS.


Marina Silva refutou o caixa dois em 2010 e afirmou não acreditar que dirigentes do PV tenham usado seu nome para fins ilícitos. Ela pediu apuração do caso. 
 
O Estado de S.Paulo
"Fazenda quer teto de gastos públicos por até 20 anos"

Texto feito pela equipe de Meirelles passará pelo crivo de Temer antes de ser levado ao Congresso amanhã

A proposta de emenda à Constituição (PEC) encaminhada pelo Ministério da Fazenda ao Planalto prevê fixação de teto para gasto público por 20 anos. Segundo texto obtido pelo Estado,es-se limitador do crescimento de despesas do governo só pode ser alterado por lei a partir do décimo ano de vigência do novo regime fiscal. É vedado o uso de medida provisória pelo Executivo. A proposta também estabelece sete travas contra novas despesas caso o teto seja descumprido.

Entre elas está a proibição de reajuste salarial de servidores públicos, criação de cargos ou funções, mudanças na estrutura de carreira, contratação de pessoal e realização de concurso. Além disso, despesas com subsídios do Tesouro não poderão superar os gastos do ano anterior. O texto agora vai passar pelo crivo do presidente em exercício, Michel Temer, que deverá avaliar a viabilidade política de uma medida fiscal com prazo tão longo. Amanhã, ele e o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, devem apresentar o projeto a lideranças do Congresso.        
           
 
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