sábado, abril 09, 2016

Física


Opinião

O exorcista (#sqn!)

Alexandre Schwartsman
Na semana passada, comentei o plano perpetrado pelo ministro da Fazenda, nelson barbosa, transformando a meta de superavit primário de R$ 24 bilhões em deficit de quase R$ 100 bilhões. A peraltice fiscal, contudo, não acaba aí: há pelo menos dois motivos adicionais para ficarmos ainda mais preocupados com a evolução das contas públicas no país.

Um é o "Plano de Auxílio aos Estados e Distrito Federal", que, contrário ao espírito da Lei de Responsabilidade Fiscal, permite nova rodada de refinanciamento da dívida estadual, abrindo espaço para deficit adicionais da ordem de R$ 10 bilhões em 2016, R$ 19 bilhões em 2017 e outros R$ 17 bilhões em 2018.

O problema não vem de hoje. Nos últimos anos, a Fazenda, com a anuência de barbosa, consentiu que Estados se endividassem além da conta, embora o acordo firmado nos anos 1990 dotasse o governo federal de mecanismos para evitar justamente a repetição desse fenômeno. Agora, em vez de punir tal comportamento, o ministério premia a irresponsabilidade fiscal, reforçando a mensagem "gastem agora e não se preocupem com o futuro".

Já o outro projeto aumenta o grau de rigidez orçamentária no país por meio da criação do Regime Especial de Contingenciamento, que limita cortes de gastos em situações de baixo crescimento. barbosa choraminga sobre a impossibilidade de alterar mais de 90% do dispêndio federal, mas propõe elevar ainda mais a proporção das despesas não contingenciáveis no orçamento.

A verdade é que barbosa não consegue escapar da sua natureza. As medidas que anunciou no campo fiscal traem sua visão acerca da crise: como bom keynesiano de quermesse, ele acredita que o problema da economia brasileira se origina da falta de gasto; daí os incentivos para o aumento da despesa pública.

Trata-se de visão míope. Não há dúvida de que a demanda interna despencou: o investimento cai desde meados de 2013, acumulando queda de quase 25% até o final de 2015, enquanto o consumo caiu nada menos do que 8% nos últimos sete trimestres. As propostas ignoram, porém, as causas desse desempenho lamentável.

Por mais que se insista em jogar a culpa na suposta política de austeridade, a verdade é que: a) a demanda vem caindo muito antes do anúncio de qualquer medida de redução de gastos; e b) como bem lembrado pelo meu amigo Samuel Pessôa, a real queda do dispêndio público em 2015 é pequena demais para explicar a contração gigantesca da atividade, dado que nenhum keynesiano de quermesse teve coragem de encarar.

A real razão do colapso do investimento é a percepção de insustentabilidade da dívida pública no Brasil a menos que sejam aprovadas reformas que mudem radicalmente o regime fiscal no país, aumentando (jamais reduzindo) a flexibilidade do Orçamento e permitindo a geração de superavit primários capazes de estabilizar a dívida e, à frente, reduzi-la como proporção do PIB.

Tornou-se óbvio que barbosa e o governo não apenas não têm condições de levar a cabo as reformas necessárias para isso como agem exatamente no sentido oposto.

Não é por outro motivo que o fantasma do calote pela aceleração inflacionária, que se imaginava exorcizado, segue assombrando o setor privado. O exorcista às avessas invoca o demônio e segue sem entender por que o país passa pela pior recessão de sua história.

Original aqui

U.V.

Manchetes do dia

Sábado 9 / 04 / 2016

O Globo
"Caixa ignorou recomendação de Conselho contra ‘pedalada’"

Pagamentos foram intensificados nos meses anteriores à reeleição

Ata de 6 de junho de 2014 revela ordem expressa, mantida até agora sob sigilo, contra operações

Ata do Conselho de Administração da Caixa Econômica Federal de 6 de junho de 2014, mantida em sigilo, revela que o colegiado fez recomendação expressa à direção do banco para que suspendesse pagamentos de programas sociais por falta de repasses de recursos da União nos meses que antecederam a reeleição da presidente Dilma, conta VINICIUS SASSINE. A recomendação ocorreu pela falta de definição jurídica sobre as “pedaladas”, uma das razões do pedido de impeachment de Dilma. A Caixa foi obrigada a pagar benefícios como Bolsa Família, abono salarial e seguro- desemprego com recursos próprios. O comando do banco depois recebeu parecer jurídico endossando a legalidade das operações, mas a Caixa não consultou mais o Conselho e continuou praticando as “pedaladas”.   

Folha de S.Paulo
"Queda no preço da energia e crise fazem inflação recuar"

Índice, de 0,90% em fevereiro, recua para 0,43% em março; alimentos sobem

Sob influência da recessão econômica e da queda no preço da energia, o índice oficial de inflação desacelerou para 0,43% em março deste ano. Em fevereiro, o IPCA atingiu 0,90%. Com a troca da bandeira tarifária na conta de energia, graças à recuperação dos reservatórios das hidrelétricas do país, o custo do insumo recuou 3,41% no período. Alimentos e bebidas, porém, aceleraram 1,24%, evitando recuo maior do IPCA. Dos 453 itens pesquisados, 69,4% ficaram mais caros em março, taxa inferior à de fevereiro (77,2%). Parte dos preços não subiu porque o consumo está em queda. O IPCA acumulado em 12 meses, que desde outubro sempre ultrapassava 10%, é agora de 9,39%. O teto da meta do governo é 6,5%. De acordo com economistas ouvidos pela Folha, os preços devem continuar no patamar atual no decorrer do ano.        

O Estado de S.Paulo
"Tucanos desistem de nova eleição e vão apoiar Temer"

Debate sobre participação em eventual governo do vice ficou para depois da votação do impedimento de Dilma

A uma semana da votação do impeachment da presidente Dilma Rousseff na Câmara, a cúpula do PSDB se reuniu em São Paulo para dar mostra de unidade, sepultar a tese de novas eleições e selar apoio total à “solução Michel Temer” (PMDB). O encontro ocorreu em momento de turbulência no partido – há racha em São Paulo por causa das prévias municipais. O debate sobre a participação em eventual gestão Temer ficou para depois da votação. No fim de 2015, líderes do PSDB no Congresso haviam anunciado que a melhor saída seriam eleições. Ontem, a posição mudou. “Sempre achamos que a realização de novas eleições a partir do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) talvez fosse o caminho que legitimasse de forma mais adequada um novo governo”, disse o senador Aécio Neves. “Mas há convergência em razão da necessidade de essa mudança ocorrer rapidamente. Não se sabe o que acontecerá no TSE nem quando. Impeachment está nas nossas mãos.” Para os tucanos, é hora de “defender” Temer de “ataques” petistas.    
           

sexta-feira, abril 08, 2016

Dominique

Coluna do Celsinho

Aeroclube de Ubatuba - 2016

Celso de Almeida Jr.

Hoje, reproduzo decisões tomadas nas duas últimas reuniões do Aeroclube de Ubatuba.

Referem-se às atividades previstas neste ano para levar a cultura aeronáutica para mais crianças e jovens.

Peço aos amigos que ajudem na divulgação, identificando estudantes ubatubenses interessados em participar.

Informações neste sentido devem ser encaminhadas para: ninja.aero@gmail.com

Vamos lá...

a) O Aeroclube de Ubatuba promoverá e coordenará um encontro de modelismo, no final de setembro de 2016, no Centro de Convenções, que contemplará, além do aeromodelismo, as outras vertentes do tema (carros, trens, caminhões, etc).

b) O ponto alto do encontro será uma competição entre escolas (municipais, estaduais e particulares) através de evoluções com aeromodelos elétricos.

c) O Aeroclube de Ubatuba, o NINJA-Núcleo Infantojuvenil de Aviação e o Instituto Salerno-Chieus buscarão apoio cultural no comércio para patrocinar 1 kit de aeromodelo para cada escola inscrita na competição. O modelo será idêntico para todas as escolas participantes. Buscaremos, também, patrocínio para a premiação.

d) Até o início de maio de 2016, todos os voluntários e apoiadores desse projeto terão a tarefa de identificar alunos interessados, pesquisando nas diversas escolas da cidade e contando, para tanto, com o apoio de professores e pais na prospecção dos estudantes.

e) Até o início da segunda quinzena de abril será concluído um regulamento para as inscrições das equipes, sendo que cada escola poderá inscrever apenas uma equipe, sem pagamento de taxas. A competição terá grau de dificuldade adequado à faixa etária, com especial zelo às questões de segurança.

f) Cada equipe indicará um/uma piloto para o aeromodelo. Este será treinado em simulador de voo na Sala Gastão Madeira (sede do NINJA, no Colégio Dominique) bastando agendar horário para utilizar o equipamento, gratuitamente.

g) Cada equipe deverá ter um monitor adulto, que poderá ser um professor ou um familiar de aluno inscrito.

h) A partir do final do mês de maio, uma vez por quinzena, aos sábados, das 9h às 12h, o Aeroclube de Ubatuba e o NINJA promoverão, no Centro de Convenções, oficinas para todos os estudantes envolvidos na atividade. O objetivo destes encontros é detalhar os mecanismos de voo dos aeromodelos, dar instrução sobre aviação e, também, orientar sobre a montagem e o uso do kit doado. 

É isso!

Vamos divulgar e incentivar a participação!

Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com

Física


Opinião

Carbonos 14

Gabeira
Dilma vai cair? É a pergunta mais frequente nas ruas. A resposta a ela virá no meio de abril. É a pergunta certa para o momento. Tudo converge para votação do impeachment. Minha sugestão? Alinhem à torrente dados que estão surgindo e avaliem sempre sobre este ângulo: isto ajuda ou não a queda de Dilma?

Claro que é um roteiro esquemático para seguir a crise. Há outras formas de abordá-la. É tão ampla e, ironicamente, tão generosa em novos temas que mal posso abordá-los na amplitude.

Por exemplo, esta semana o presídio onde estão os presos da Lava Jato viveu uma polêmica que passou ao largo. Uma podóloga entrou na cadeia e fez os pés de oito presos. Foi paga pela Andrade Gutierrez.

Li que os empreiteiros recebem comida e agasalhos e distribuem uma pequena parte entre os presos comuns. Esse encontro de empreiteiros com presos comuns num presídio brasileiro é inédito. Lembro-me de que, quando preso no Distrito de Ricardo de Albuquerque, no tempo da ditadura, eram os bicheiros a aristocracia do pedaço; os policiais lavavam seus carros, estacionados na porta da prisão.

O encontro dos empreiteiros com a cadeia pode abrir um caminho para que se disponham a construir os presídios que nos faltam, como parte de sua pena. Isso já foi pensado uma vez, mas numa articulação que visava a abafar a Lava Jato. Ela é irreversível, portanto vivemos numa outra fase. Além disso, antes de serem presos, os empreiteiros não construiriam boas cadeias como agora que as conhecem por dentro. A construção de presídios dignos no Brasil atenuará muito a tensão no sistema e talvez contribua para reduzir alguns crimes de rua.

Mas quem se vai importar com isso agora? O fluxo de dados da Lava Jato e também dos Panama Papers. Uma investigação dessa envergadura em 11,5 milhões de documentos da Mossack Fonseca é uma bomba mundial com estilhaços no Brasil. A Mossack, especialista em esconder os verdadeiros donos de contas offshore, é a mesma empresa envolvida naquele prédio Solaris, do Guarujá, onde Lula não tem o tríplex ao lado de apartamentos de seus amigos do PT.

A Lava Jato lançou a Operação Carbono 14, num esforço arqueológico de entender o rumo do PT de 2002 até hoje, unindo num só todo a morte de Celso Daniel, o mensalão e o petrolão.

A morte de Celso Daniel teve vários elementos cinematográficos: morte de oito pessoas de alguma forma ligadas ao crime, sequestro de um helicóptero para resgatar na prisão um dos comandantes da ação, muitas versões. A prisão do empresário Ronan Maria Pinto pode trazer novidades, uma vez que recebeu um cala-boca de R$ 6 milhões do petrolão para, segundo os depoimentos de Marcos Valério e José Carlos Bumlai, não denunciar Lula, José Dirceu e Gilberto Carvalho. Isso é com a Lava Jato.

O que se sabe é que em Santo André houve um forte esquema de propina para financiar campanhas. Isso foi dito pela deputada Mara Gabrilli, cujo pai, dono de empresas de ônibus, era constantemente forçado a contribuir. E é confirmado pela família de Celso Daniel, que soube do esquema por Gilberto Carvalho, na missa de sétimo dia do prefeito assassinado.

São, pois, dois caminhos, dois carbonos 14: o que está na ossada de Celso Daniel e o que está nas primeiras propinas como forma de financiar campanhas. Uma espécie de pacto com o diabo que se prolongou pelos anos.

Não afirmo nada sobre o assassinato, uma vez que as diferentes versões não me satisfazem. Mas os primeiros passos para o PT se tornar o que é hoje foram dados em Santo André. Era preciso dinheiro para a campanha. As empreiteiras estavam na esfera do adversário. O caminho era buscar recursos em prestadores de serviço como empresas de lixo e transporte. Lula estava cansado de perder e queria disputar com chance. Era preciso um programa de TV de alto nível, mesmo que fosse muito caro.

A arqueologia dos desvios de dinheiro público será feita pela Operação Lava Jato. Mas na arqueologia do caminho torto, os faraônicos programa de TV são um marco decisivo.

O PT fazia duas escolhas que iriam marcar sua trajetória. A primeira, usar dinheiro sujo em campanha, mesmo método que atribuía aos adversários. A segunda foi deixar de apresentar um programa real de transformações, optar pela emoção, as luzes e cores, mulheres grávidas descendo a colina vestidas de branco. O PT saía da História para entrar no marketing. Não importava tanto o debate de ideias sobre o Brasil real, mas uma projeção idílica do futuro.

Esse mergulho carbono 14 não é um exercício nostálgico porque encerra duas lições. A primeira é que não surgirá nada de novo no universo político se escolhermos usar os mesmos instrumentos que condenamos no adversário. A segunda, muito importante, é que não há mais espaço para fantasias de luzes e cores, mas a urgência de um debate franco sobre os problemas do País. Ou fazemos os ajustes na economia ou os estragos caem sobre a nossa cabeça, como caíram sobre a dos gregos.

Não há tempo a perder quando se tem quase 10 milhões de desempregados. Será preciso negociar, suprimir concessões, para evitar a falência do Estado.

Quando digo suprimir concessões não me refiro à Bolsa Família, mas à bolsa Louis Vuitton, dos amigos do governo. Nem sequer são inovadores, mas consumiram, em financiamentos subsidiados, dez vezes mais recursos públicos do que as famílias pobres. E devolveram uma fração disso nas campanhas do PT.

No embalo da Lava Jato, a lei vale para todos; será preciso afirmar também, em principio, que os impostos e juros valem para todos os designados a pagá-los.

Foi por esse mecanismo que o PT manteve o apoio dos empresários. Essa asa de bondades com o dinheiro público se estendeu a inúmeros setores, inclusive alguns movimentos sociais.

Deixo outro carbono 14, para tempos serenos: como foi possível o Brasil conviver tantos anos com uma proposta tão cínica como a do PT, que se esconde no marketing das denúncias concretas de corrupção? Respondê-la, é vital para que não a tragédia não se repita.

Original aqui

U.V.

Manchetes do dia

Sexta-feira 8 / 04 / 2016

O Globo
"Procurador acusa Dilma de tentar obstruir Justiça"

Janot muda parecer e pede que Supremo anule posse de Lula

Para ele, nomeação teve objetivo de ‘afetar a competência’ do juiz Moro; ex-presidente é ouvido pela Lava-Jato

Em parecer enviado ao STF, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, acusou a presidente Dilma de tentar obstruir a Justiça ao nomear o ex-presidente Lula para a Casa Civil, o que deu foro privilegiado ao petista, retirando as investigações contra ele das mãos do juiz Sérgio Moro. Janot mudou parecer anterior e agora recomendou que o STF anule a posse de Lula, considerada um ato para “tumultuar” a Lava-Jato e “afetar a competência do juízo” de primeira instância. A validade da nomeação, suspensa por liminar do ministro Gilmar Mendes, será julgada pelo plenário do STF no próximo dia 20. Lula prestou depoimento ontem à força-tarefa da Lava-Jato em Brasília.  

Folha de S.Paulo
"60% da Câmara diz ser favorável ao impeachment"

Segundo projeção do Datafolha, 308 deputados votariam contra Dilma, menos que os 342 necessários para pedido ir ao Senado

Seis de cada dez deputados (60%) estão decididos a votar no plenário da Câmara pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT). É o que mostra levantamento do Datafolha feito de 21 de março a 7 de abril, segundo o qual os votos pelo impedimento —caso o percentual seja projetado para o total de 513 votantes— são 308, ou 34 a menos do necessário para o pedido ser encaminhado ao Senado (66,7%). Os contrários são 108, ou 21%. Para se manter no cargo, a presidente precisa que o número de votos a favor de sua deposição seja inferior a 342. Do total de deputados, 18%não se posicionaram. Em dezembro, 42% dos deputados eram a favor do impeachment; 31%, contra. No recorte das quatro maiores bancadas da Casa (PMDB, PT, PSDB e PP), a situação de Dilma é tranquila só em seu próprio partido. No PP, legenda que o governo corteja, o índice devotos pró-impeachment é de 57%, e de indecisos, de 30%. No PMDB, que desembarcou da base de apoio à presidente no mês passado, 59% dos deputados devem votar pelo afastamento, e 38% não se posicionaram. O pedido de abertura do processo tramita em comissão especial da Câmara e deve ser apreciado em plenário no domingo (17).        

O Estado de S.Paulo
"Andrade Gutierrez aponta propina de R$ 150 milhões para PT e PMDB"

Em depoimento, executivo da empreiteira diz que parte dos recursos foi repassada à campanha presidencial de Dilma em 2014

Delação premiada de executivos da Andrade Gutierrez aponta pagamento de cerca de R$ 150 milhões em propina na obra da hidrelétrica de Belo Monte. O valor se referiria a acerto de 1% sobre contratos e teria como destino PT, PMDB e agentes públicos ligados a esses dois partidos. Entre os depoimentos homologados estão os do ex-presidente da empreiteira Otávio Azevedo e do ex-executivo Flávio Barra. Planilha de doações da empresa indicou R$ 15,7 milhões para a campanha presidencial de Dilma Rousseff de 2010 e R$ 34,68 milhões para a de 2014. Os recursos foram registrados como doações legais, mas,segundo Azevedo, R$ 10 milhões das doações da última campanha têm origem em superfaturamento de contratos de três obras: Complexo Petroquímico do Rio (Comperj), Angra 3 e Belo Monte. O PMDB também teria recebido doações legalmente registradas com dinheiro de propina. As informações devem ser usadas nos processos que correm no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que pedem a cassação da chapa de Dilma e do vice Michel Temer.    
           

quinta-feira, abril 07, 2016

Dominique

Opinião

Heranças incômodas

Contardo Calligaris
Às vezes, parece que me falta alguma coisa para entender o que acontece —isso, por eu ser estrangeiro (quem sabe falte-me um pedaço da história ou da experiência nacional).

Por exemplo, não consigo me resignar à virulência do debate público de hoje —menos ainda me resigno à impossibilidade de diálogo.

Fui militante em épocas de enfrentamento político violento —1968 na França e 1969 na Itália. De ambos os lados, havia uma grande clareza sobre quem era o inimigo, mas a oposição não impedia a circulação: vários empresários eram comunistas, favoráveis à socialização dos meios de produção ou à autogestão das fábricas, e, vice-versa, vários proletários achavam que só o liberalismo lhes daria a chance de crescer segundo suas ambições e seus méritos.

Eu era um estudante de classe média alta; isso nunca foi um problema para meus companheiros da célula de Viale Argonne. Ninguém desprezava ninguém por ser rico ou por ser pobre.

Claro, a mesma circulação é possível no Brasil, mas, na violência da "polarização", sinto (é isso: uma impressão) que se manifesta um ódio carnal, um ódio dos pobres no discurso dos ricos e um ódio dos ricos no discurso dos pobres.

Suspeito, em suma, que, no Brasil e talvez nas Américas, vingue um ódio mais pessoal e físico do que o ódio de classe da velha Europa.

A escravatura é sempre culpada pelas mazelas nacionais. Mas, de fato, no Brasil, durante séculos, a liberdade física individual não era garantida a todos: uma parte relevante da população (a "menos favorecida") não dispunha de seu próprio corpo. O Habeas Corpus entrou no código de procedimento criminal em 1832, mas não valia para os negros escravos nem para os índios. (cf. M. Ovinski de Camargo, "O Habeas Corpus no Brasil império", Sequência, v.25, n.49, 2004).

Em geral, tendo a acreditar que as heranças históricas sejam relevantes na formação do nosso caráter, mas eu desconhecia confirmações experimentais dessa ideia.

Uma leitora, Nadja Souza Pinto, me indicou uma pesquisa recente ("Nature", vol. 531, 24/3/2016) que mede a relação, em 23 países, entre a honestidade individual e a maior ou menor frequência da quebra das regras na sociedade (PVR, "Prevalence of Rule Violations").

A pesquisa documenta assim os efeitos da imoralidade na vida pública sobre o caráter dos cidadãos.

A honestidade intrínseca dos indivíduos da amostra foi medida com um teste em que eles jogam um dado e devem declarar o resultado –sendo que não há verificação e eles são tentados por recompensas maiores se o resultado for maior.

A PVR é calculada para cada país a partir de fraude política, evasão fiscal e corrupção (o Brasil não faz parte dos 23 países considerados). O resultado da pesquisa é que, nos países socialmente corruptos, a honestidade individual se perde. A corrupção pública não é só desastrosa economicamente, ela também corrói a capacidade de todos agirmos moralmente.

Com "Raízes do Brasil", de Sergio Buarque de Holanda, aprendemos que a confusão entre o público e o privado é, ao mesmo tempo, uma herança histórica e um traço de caráter.

Isso explica minha dificuldade em conversar com amigos sobre o famoso grampo da conversa entre Lula e a presidente Dilma. Não sei se a publicação do grampo foi legal ou não, mas entendo a urgência do juíz Moro, porque, aos meus ouvidos (e talvez aos dele), a gravidade do teor da conversa é extrema.

Meus interlocutores não acham nada demais: por que ela não ajudaria um mentor e amigo? Para mim, tem poucas coisas tão perigosas para uma democracia quanto a confusão de público e privado que está na ideia de nomear um amigo ministro para protegê-lo da justiça.

Outro exemplo, para evitar suposições partidárias. Não sei em que pé está a apuração da denúncia de Mirian Dutra contra Fernando Henrique Cardoso. O fato de o então presidente ter uma amante, um filho, pelo qual pagava pensão etc., tudo isso me é indiferente. Agora, Mirian Dutra declarou que, para facilitar o pagamento da dita pensão no exterior, o presidente pediu a um empresário amigo que ele a registrasse como dependente. Há interlocutores que me perguntariam: o que que tem?

Eu teria preferido que FHC mandasse agentes para Espanha, a cada mês, a bordo de um avião da FAB, só para efetuar o pagamento. Seria muito mais custoso para a República? Em dinheiro, sem dúvida. Mas há custos que não se medem em dinheiro. 

Original aqui

U.V.

Manchetes do dia

Quinta-feira 7 / 04 / 2016

O Globo
"Relator aponta indícios de crimes de Dilma"

Texto que recomenda impedimento da presidente será votado segunda

Palácio do Planalto minimiza importância do relatório e volta a classificar o processo de golpista; sessão tumultuada tem troca de agressões entre deputados governistas e de oposição

Numa sessão tumultuada, com troca de agressões entre os deputados, o relator da comissão do impeachment na Câmara, Jovair Arantes (PTB), recomendou a continuidade do processo contra a presidente Dilma e disse ver indícios de que ela cometeu crime de responsabilidade nas “pedaladas” fiscais. Para evitar contestação, o relator limitou-se aos atos de 2015 da presidente. O relatório foi saudado pela oposição, que cantou o Hino Nacional, e criticado por governistas. O Palácio do Planalto minimizou a importância da recomendação pelo prosseguimento do processo, que chamou de golpista.  

Folha de S.Paulo
"Empreiteira afirma ter financiado campanhas de Dilma com propina"

Esquema super faturava obras e usava doações legais, diz ex-presidente da Andrade Gutierrez; comando petista nega acusação

Ex-presidente da empreiteira Andrade Gutierrez afirmou ter feito doações legais às campanhas de Dilma Rousseff (PT) de 2010 e 2014 usando propinas oriundas de obras superfaturadas da Petrobras e do sistema elétrico, informam Bela Megale, Graciliano Rocha, Valdo Cruz e Leandro Colon. A informação consta na delação premiada de Otávio Marques de Azevedo no âmbito da Operação Lava Jato. O acordo ainda não foi homologado pelo Supremo. Em 2014,a segunda maior empreiteira do país doou oficialmente R$ 20 milhões para a reeleição da petista. O esquema teria envolvido R$ 10 milhões, ligados às obras das usinas de Angra 3 e Belo Monte e do Complexo Petroquímico do Rio. Ações no Tribunal Superior Eleitoral pedem a cassação da chapa de Dilma e Michel Temer por ter, entre outras acusações, se beneficiado de desvios da Petrobras. O comando da campanha de Dilma em 2014 negou qualquer irregularidade nas doações. Criticou ainda o uso político do instrumento da delação premiada.        

O Estado de S.Paulo
"Relator do impeachment vê indícios de crime de Dilma"

32 dos 65 participantes da comissão na Câmara se declararam ontem a favor do impedimento da presidente

Relator do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, o deputado Jovair Arantes (PTB-GO) concluiu em seu parecer apresentado ontem haver indícios de que a petista cometeu crimes de responsabilidade e, por isso, deve ter seu impedimento julgado pelo Congresso. Ele citou a abertura de créditos suplementares sem autorização do Legislativo e a contratação ilegal de operações de crédito, as “pedaladas fiscais”. Para o relator, Dilma “tinha conhecimento do caráter proibitivo e da ilicitude da conduta”. Levantamento do Estado mostra que ontem 32 dos 65 deputados participantes do colegiado se declaravam a favor e 21 contra o impeachment. São necessários 33 para que o parecer do relator seja aceito. Nove estão indecisos, dois não foram achados e um não quis revelar o voto. Essas posições podem mudar com as negociações em curso no Congresso. O parecer de 128 páginas será discutido amanhã na comissão e votado na segunda-feira. Houve protesto do lado de fora do plenário e bate- boca de governistas e oposicionistas no início da sessão.    
           

quarta-feira, abril 06, 2016

Dominique

Opinião

A transformação do jornalismo

Elio Gaspari
Numa época em que se discute a crise da imprensa, os "Panama Papers" mostraram mais uma vez que o jornalismo é imortal. Durante seis meses, 376 repórteres de 109 redações em 76 países trabalharam em cima do banco de dados com 11,5 milhões de documentos da fábrica de offshores Mossack Fonseca e estremeceram a banca e a política mundiais com seus achados. Não houve qualquer vazamento, por mínimo que fosse.

O jornalismo não acaba porque se transforma. Sabe-se lá quando ele começou. Talvez tenha sido quando um macaco fez sinal para outro avisando que havia um leão atrás do arbusto. Quando seu negócio é a notícia, torna-se imortal.

Nos "Panama Papers" a primeira mudança aconteceu quando uma fonte ainda desconhecida entregou ao jornal "Süddeutsche Zeitung" o arquivo de 2,5 terabytes com operações do escritório panamenho de 1977 a dezembro de 2015. O jornal não poderia digerir o material e procurou um parceiro. Achou-o no Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos, o ICIJ, um braço do Center for Public Integrity, organização sem fins lucrativos criada pelo repórter Charles Lewis em 1989 e sediada em Washington. Ele trocou uma carreira bem sucedida nas redes de televisão pela de fiscal de malfeitorias. Ninguém dava nada pela ideia.

Enquanto a crise da imprensa é acompanhada pelo noticiário econômico (um bilionário mexicano comprou um pedaço do "The New York Times", Jeff Bezos arrematou o "Washington Post", os japoneses levaram o "Financial Times"), no mundo da notícia abre-se um novo caminho, o dos consórcios de repórteres e publicações. Tem ao seu lado uma revolução tecnológica.

Os documentos da Mossack Fonseca são de uma espécie que remonta aos famosos "Pentagon Papers", de 1971. Naquele episódio um analista do Departamento de Defesa passou meses copiando 47 volumes, gastou US$ 20 mil. Em 2009, um soldado americano enviou 750 mil telegramas oficiais ao site WikiLeaks. Quatro anos depois, um ex-funcionário da CIA mandou ao repórter Glenn Greenwald (que mora na Gávea) os documentos que expuseram os grampos internacionais do governo americano. Tudo isso sem papel ou contato pessoal.

A inovação adicional veio na forma de compartilhamento. Com os 2,5 terabytes dos "Panama Papers", o ICIJ inovou em relação aos casos anteriores. Formou equipes em 76 países para destrinchar os dados e manteve a operação no seu plantel de colaboradores. Nessa fase, todo o trabalho foi mediado por um fórum interno. Inteira novidade e assunto para algum debate. Em maio será divulgada uma parte da base de dados.

Numa ironia geográfica, o escândalo do século 21 veio do Panamá. Durante anos, "panamá" foi sinônimo de roubalheira por causa de outra armação de políticos, bancos e empreiteiras na construção do seu canal, no século 19. O caso explodiu a política francesa. Na origem, como hoje, havia um jornalista.

É a seguinte a equipe brasileira que colabora com o Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos: Fernando Rodrigues (membro do conselho da instituição), José Roberto de Toledo, Daniel Bramatti, Rodrigo Burgarelli, Guilherme Jardim Duarte, Isabela Bonfim, André Shalders, Douglas Pereira, Mateus Netzel, Diego Vega e Mauro Tagliaferri.

Original aqui

U.V.

Manchetes do dia

Quarta-feira 6 / 04 / 2016

O Globo
"Resultado na comissão do impeachment ainda é incerto"

Oposição a Dilma, porém, está a apenas três votos de conseguir maioria

Levantamento feito pelo GLOBO mostra que 18 dos 65 integrantes do colegiado se dizem contrários ao afastamento da presidente; parecer do relator será lido hoje e votado na próxima segunda-feira

Levantamento feito pelo GLOBO com todos os 65 integrantes da comissão do impeachment mostra que é incerto o resultado da votação do relatório do deputado Jovair Arantes, que será apresentado hoje e apreciado na próxima segunda-feira. A oposição tem hoje 30 dos 33 votos necessários para a continuidade do processo contra a presidente Dilma. Os que se dizem indecisos são 17. E 18 deputados afirmam que votarão contra o impeachment. O panorama pode mudar, dependendo dos acontecimentos e do troca-troca de cargos por votos.   

Folha de S.Paulo
"Pedalada fiscal dispara com Dilma, revelam dados do BC"

Uso da prática, que embasa pedido de impeachment da presidente, se intensifica a partir de 2009

Informações do Banco Central dimensionam a explosão, no governo Dilma (PT), das manobras fiscais chamadas de pedaladas, base do pedido de impeachment feito contra a presidente, informa Gustavo Patu. As pedaladas consistem na utilização de recursos de bancos públicos em programas que são de responsabilidade do Tesouro Nacional. Entre 2001 (governo FHC) e 2008 (gestão Lula), o impacto das pedaladas na dívida pública oscilou entre 0,03% e 0,11% do PIB (medida de produção e renda do país). O crescimento é contínuo a partir de 2009, quando o governo Lula lança o PSI (Programa de Sustentação do Investimento) e também o Minha Casa, Minha Vida. O pico de 1% é atingido no segundo mandato de Dilma. Ao rejeitar as contas de 2014 da presidente, o Tribunal de Contas da União considerou ter ocorrido empréstimos dos bancos ao Tesouro, crime previsto na Lei de Responsabilidade fiscal. Segundo o Planalto, que não comentou os dados do BC, essa prática sempre foi aceita regularmente.       

O Estado de S.Paulo
"STF manda Câmara abrir impeachment de Temer; Cunha reage"

Deputado diz que ordem é ‘absurda’, invade competência legislativa e vai recorrer

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello determinou ontem que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), aceite o pedido de impeachment contra o vice-presidente da República Michel Temer e instale comissão especial para analisar o processo. O argumento é de que o vice cometeu crime de responsabilidade e atentado contra a lei orçamentária ao assinar no ano passado, com o presidente em exercício, quatro decretos que autorizavam abertura de crédito suplementar sem aval do Congresso e em desacordo com a meta fiscal. O caso foi revelado pelo Estado. A decisão vale a partir da publicação, mas Cunha já anunciou que recorrerá. Segundo ele, a decisão é “absurda”, “teratológica” e “invade a competência da Câmara”. Questionado sobre recurso, Marco Aurélio afirmou ser “impensável que não se observe decisão do Supremo” e declarou que, se Cunha descumpri-la, haverá “crime de responsabilidade sujeito a glosa penal”. Com eventual abertura de comissão especial, Temer ficará na mesma condição da presidente Dilma Rousseff. Ele não se manifestou.    
           

terça-feira, abril 05, 2016

Dominique

Opinião

Pelos cabelos

João Pereira Coutinho
Polêmicas por causa do cabelo: o mundo caminha para o Apocalipse? Talvez. Mas antes que a festa acabe, conto rápido.

Um estudante branco da Universidade de São Francisco, ostentando as suas rastas, foi abordado por uma aluna negra. A donzela, indignada com o cabelo do rapaz, acusou: "É a minha cultura!" O rapaz tentou justificar-se perante a agressividade da donzela. As coisas não tomaram proporções violentas porque Corey Goldstein (eis o nome do estudante) fugiu a tempo.

Fugiu, mas não esqueceu: em vídeo posterior ao incidente, Goldstein justificou-se. Ninguém é dono de uma estética particular, disse ele. E, além disso, o cabelo com rastas existiu em múltiplas culturas –dos egípcios aos vikings, sem esquecer os vitorianos. Os negros, quando muito, apenas continuaram uma tradição.

Pior a emenda que o soneto: os Estados Unidos discutem se rastas em rapazes brancos são um roubo cultural imperdoável. E até a Europa participa do delírio: no "The Independent", a escritora Wedaeli Chibelushi acusa Goldstein de desrespeitar os negros e de usar o cabelo com a arrogância própria da "supremacia branca". Será que o rapaz não conhece o papel do cabelo na luta contra o racismo e a segregação racial?

É triste constatar o fato: ontem havia Martin Luther King; hoje há idiotas que discutem penteados.

Para eles, a minha única sugestão é assistirem ao notável e premiado documentário de Chris Rock intitulado "Good Hair". Informação: da última vez que confirmei, Chris Rock não era branco. E a pergunta que anima o seu filme é tentar compreender por que motivo a maioria dos negros nos Estados Unidos tem uma relação assaz problemática com o cabelo.

Abreviando, detestam-no. E tentam desesperadamente alisar as cabeleiras com químicos e "extensões". Quando digo "desesperadamente", não exagero: Chris Rock visita uma das principais fábricas que fornece produtos químicos para o efeito. Fica na Carolina do Norte (ironicamente, um dos estados confederados que romperam com a União no século 19). Conclusão: muitos negros americanos usam hidróxido de sódio para terem belas cabeleiras lisas.

O hidróxido de sódio (ou, para os leigos, a soda cáustica) é um composto perigoso que pode causar lesões permanentes na pele. E quando um cientista, entrevistado por Chris Rock, pergunta o óbvio ("Mas por que motivo fazem isso?"), o ator responde também o óbvio ("Para parecerem brancos").

Mas não é preciso correr riscos para a saúde quando a ideia é imitar os brancos. Alguns, mais endinheirados, compram extensões e resolvem o assunto sem abrir buracos na cabeça. E de onde vêm essas extensões?

Chris Rock pega um avião e viaja para a Índia. Nos templos, é comum pagar promessas com cortes radicais. O cabelo é depois lavado, tratado e exportado para os Estados Unidos. Esses são, digamos, os fornecedores "normais".

Mas também existem máfias que atacam indianas adormecidas (ou desprevenidas) para roubarem cabelo. O destino do roubo, pago a peso de ouro, é o mesmo.

Não sei o que diriam os indignados como Wedaeli Chibelushi sobre essa realidade: a constante tentativa dos negros americanos em "apropriarem-se" dos penteados dos brancos.

Um esforço de apropriação que depende muitas vezes do risco pessoal ou da exploração dos mais miseráveis asiáticos.

Provavelmente, dirão que a culpa é novamente dos brancos e do "imperialismo" capilar que eles impõem na TV, no cinema ou na moda.

Aliás, se o "pensamento" de criaturas como Wedaeli Chibelushi fosse para levar a sério, as culturas humanas estariam condenadas a nunca se misturarem umas com as outras.

Um branco jamais poderia praticar capoeira. Um negro jamais poderia lutar kung fu. Curiosamente, seria uma nova segregação racial, promovida por aqueles que lutam contra a segregação racial. Perfeito.

Da minha parte, a única coisa que posso prometer é nunca acusar nenhum negro de "roubar a minha cultura" só porque ele usa cabelos lisos.

Infelizmente, o mesmo já não posso dizer das pobres indianas, que despertam todas as manhãs com menos peso na cabeça. 

Original aqui

 
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