sábado, abril 02, 2016

Dominique

Opinião

Nem Dilma nem Temer

Editorial da Folha de São Paulo
A presidente Dilma Rousseff (PT) perdeu as condições de governar o país.

É com pesar que este jornal chega a essa conclusão. Nunca é desejável interromper, ainda que por meios legais, um mandato presidencial obtido em eleição democrática.

Depois de seu partido protagonizar os maiores escândalos de corrupção de que se tem notícia; depois de se reeleger à custa de clamoroso estelionato eleitoral; depois de seu governo provocar a pior recessão da história, Dilma colhe o que merece.

Formou-se imensa maioria favorável a seu impeachment. As maiores manifestações políticas de que se tem registro no Brasil tomaram as ruas a exigir a remoção da presidente. Sempre oportunistas, as forças dominantes no Congresso ocupam o vazio deixado pelo colapso do governo.

A administração foi posta a serviço de dois propósitos: barrar o impedimento, mediante desbragada compra de apoio parlamentar, e proteger o ex-presidente Lula e companheiros às voltas com problemas na Justiça.

Mesmo que vença a batalha na Câmara, o que parece cada vez mais improvável, não se vislumbra como ela possa voltar a governar. Os fatores que levaram à falência de sua autoridade persistirão.

Enquanto Dilma Rousseff permanecer no cargo, a nação seguirá crispada, paralisada. É forçoso reconhecer que a presidente constitui hoje o obstáculo à recuperação do país.

Esta Folha continuará empenhando-se em publicar um resumo equilibrado dos fatos e um espectro plural de opiniões, mas passa a se incluir entre os que preferem a renúncia à deposição constitucional.

Embora existam motivos para o impedimento, até porque a legislação estabelece farta gama de opções, nenhum deles é irrefutável. Não que faltem indícios de má conduta; falta, até agora, comprovação cabal. Pedaladas fiscais são razão questionável numa cultura orçamentária ainda permissiva.

Mesmo desmoralizado, o PT tem respaldo de uma minoria expressiva; o impeachment tenderá a deixar um rastro de ressentimento. Já a renúncia traduziria, num gesto de desapego e realismo, a consciência da mandatária de que condições alheias à sua vontade a impedem de se desincumbir da missão.

A mesma consciência deveria ter Michel Temer (PMDB), que tampouco dispõe de suficiente apoio na sociedade. Dada a gravidade excepcional desta crise, seria uma bênção que o poder retornasse logo ao povo a fim de que ele investisse alguém da legitimidade requerida para promover reformas estruturais e tirar o país da estagnação.

O Tribunal Superior Eleitoral julgará as contas da chapa eleita em 2014 e poderá cassá-la. Seja por essa saída, seja pela renúncia dupla, a população seria convocada a participar de nova eleição presidencial, num prazo de 90 dias.

Imprescindível, antes, que a Câmara dos Deputados ou o Supremo Tribunal Federal afaste de vez a nefasta figura de Eduardo Cunha –o próximo na linha de sucessão–, réu naquela corte e que jamais poderia dirigir o Brasil nesse intervalo.

Dilma Rousseff deve renunciar já, para poupar o país do trauma do impeachment e superar tanto o impasse que o mantém atolado como a calamidade sem precedentes do atual governo.

Original aqui

U.V.

Manchetes do dia

Sábado 2 / 04 / 2016

O Globo
"Moro liga Lava-Jato a mensalão e Celso Daniel"

Silvinho, ex-secretário do PT, recebeu R$ 1 milhão de empreiteiras

Ex-tesoureiro do PT condenado no mensalão, Delúbio Soares foi levado para depor; PT acusa o juiz de extrapolar suas funções, mas petistas admitem temer o que o ex-secretário do partido possa falar

A operação Carbono 14, 27ª fase da Lava-Jato, ligou o escândalo de corrupção na Petrobras ao mensalão do PT e também ao assassinato do prefeito petista Celso Daniel, em 2002. Condenado no mensalão, o ex-secretário do PT Sílvio Pereira foi preso. Segundo a PF, ele recebeu, de 2009 a 2012, R$ 1,1 milhão de empreiteiras. Também foi preso o dono do jornal “Diário do Grande ABC”, Ronan Maria Pinto, que recebeu, em 2004, R$ 6 milhões do PT, dinheiro de empréstimo obtido pelo partido junto ao Banco Schahin em troca de contrato com a Petrobras. O juiz Sérgio Moro disse considerar “possível” que “esse esquema” tenha relação com o assassinato de Celso Daniel. O PT acusou Moro de extrapolar sua competência. Nos bastidores, o partido teme o que Silvinho possa falar.  

Folha de S.Paulo
"Prisões na Lava Jato ligam o petrolão ao caso Celso Daniel"

Força-tarefa apura se PT usou esquema para encobrir detalhes da morte do prefeito; sigla não comenta

A 27ª fase da Lava Jato apura ligação entre os desvios na Petrobras e o caso Celso Daniel (PT), prefeito de Santo André morto em 2002 em crime não esclarecido. Foram presos nesta sexta (1º) o ex-secretário-geral do PT Silvio Pereira e o empresário Ronan Maria Pinto. A força-tarefa suspeita que um empréstimo de R$ 12 milhões—articulado pelo PT e contraído pelo pecuarista José Carlos Bumlai—foi usado para comprar o silêncio de Ronan, dono do jornal “Diário do Grande ABC” e de uma empresa de ônibus. Segundo Marcos Valério, pivô do mensalão, Ronan chantageou o ex-presidente Lula e os ex-ministros José Dirceu e Gilberto Carvalho para não revelar a ligação de petistas como assassinato e um esquema de corrupção. Para a Lava Jato,o elo com o petrolão é o contrato de R$ 1,6 bilhão entre Petrobras e Grupo Schahin, que teria sido beneficiado por ter concedido o empréstimo a Bumlai. A defesa de Ronan Maria Pinto nega as acusações. Os advogados de Silvio Pereira não foram localizados. O PT não quis comentar.    

O Estado de S.Paulo
"Nova operação liga Lava Jato a mensalão e caso Celso Daniel"

Força-tarefa investiga possível conexão entre desvios na Petrobrás e os dois casos; ex-secretário-geral do PT e empresário são presos

A Operação Carbono 14, nova fase da Lava Jato, aproximou a investigação sobre corrupção em negócios da Petrobrás dos casos mensalão (compra de apoio no Congresso na primeira gestão Lula) e Celso Daniel (assassinato do prefeito petista de Santo André,em 2002).A PF prendeu o empresário Ronan Maria Pinto, dono do jornal Diário do Grande ABC, e o ex-secretário-geral do PT Silvio Pereira. Foram levados coercitivamente para depor o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares e o jornalista Breno Altman, ligado ao ex-ministro José Dirceu. No cruzamento de dados da Lava Jato com o mensalão, surgiram os nomes de Marcos Valério e de José Carlos Bumlai, ambos presos. Valério disse que empréstimo feito por Bumlai no Banco Schahin bancou pagamento a Ronan Maria Pinto. Um incêndio destruiu ontem o escritório da contadora Meire Poza, que trabalhou para o doleiro Alberto Youssef e contribuiu com investigações do esquema de corrupção da Petrobrás.    
           

sexta-feira, abril 01, 2016

Nakajima Douglas DC-2 Passenger-plane


Coluna do Celsinho

Credibilidade

Celso de Almeida Jr.

Não está fácil acompanhar as notícias.

Especialmente, no que se refere a questão da ampla falta de credibilidade da classe política e do governo.

Este, possivelmente, é o grande nó para desatar.

Um dia após o outro, o espetáculo deprimente de declarações equivocadas ou de má fé revelam que ainda teremos muita turbulência pela frente.

Ainda não é possível vislumbrar quais políticos reunirão as condições necessárias para acalmar o país.

O fato é que, enquanto a maior parte do povo e dos empreendedores não alcançar um mínimo de confiança no governo, a crise não será superada.

Nesta hora, perecebe-se o quanto a classe política descuidou das fases elementares da comunicação.

Não se capacitou para aprender a ouvir.

Não treinou para expor com clareza e serenidade diferentes pontos de vista.

Não se preparou para controlar a ansiedade, o improviso e o nervosismo quando colocada contra a parede.

Não atentou para o fato de que a clareza de posicionamento é que irá sinalizar ao eleitorado a sua capacidade para superar desafios, gerando confiança.

Os próximos movimentos desta triste fase brasileira talvez revele lideranças que valorizem estes pontos essenciais.

Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com

Dominique

Opinião

Eli, Eli, lamá sabachtháni?

Alexandre Schwartsman
Caso o raro leitor tenha a impressão de já ter lido esta coluna, minhas sinceras desculpas. No entanto, como lamentei mais de uma vez, se os responsáveis pela política econômica insistem na repetição, o que pode fazer o analista senão seguir com a brincadeira?

Digo isso a propósito de nova decisão desastrada no campo da política econômica, expressa em mais uma mudança da meta fiscal. A original, R$ 24 bilhões, foi reduzida para cerca de R$ 3 bilhões, o que em si não chega a ser um completo desastre; o problema, na verdade, refere-se às inúmeras exceções, deduções, abatimentos, descontos, cláusulas de escape, desculpas esfarrapadas e afins, que permitem, no final das contas, que mesmo um deficit primário na casa de R$ 100 bilhões (1,6% do PIB) seja tomado como coerente com a (minúscula) meta fiscal.

A mera leitura do parágrafo acima já é suficiente para ilustrar a desmoralização do regime de política fiscal. Pelas regras, a meta fiscal para determinado ano é fixada em abril do ano anterior pela LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) e guia a proposta orçamentária propriamente dita, enviada ao Congresso em agosto do mesmo ano.

Passados 11 meses, contudo, o governo de plantão pode não apenas alterar a meta determinada pela LDO mas violar as leis da matemática, em particular as que distinguem números positivos dos negativos e fingir que tudo vai bem.

Institucionalmente falando, trata-se da pá de cal sobre o regime que foi montado a partir do final do século passado, em torno do qual se articulou a visível melhora das contas públicas entre 1999 e 2008.

Tem razão meu amigo Samuel Pessôa em destacar o papel central da evolução da receita tributária no período, mas, de uma forma ou de outra, as regras vigentes não permitiram que todo crescimento da arrecadação terminasse por se tornar expansão ainda maior da despesa, o que certamente já deixou de ser o caso hoje.

Afora isso, a afirmação do ministro da Fazenda ("Eli, Eli, lamá sabachtháni?"*) acerca do "papel anticíclico" da despesa pública seria de fazer chorar qualquer economista de verdade.

Não se trata apenas de lembrar que essa mesma política, sob o comando da patativa genovesa, devidamente escudada pelo atual ministro, esteve no centro da deterioração econômica que nos trouxe à atual crise; ainda mais relevante, no presente contexto, é notar que preços de mercado já embutem um risco significativo de calote da dívida nacional, circunstância sob a qual a eficácia do gasto público para aumentar a demanda e a atividade praticamente inexiste.

Talvez nelson barbosa (pode manter as minúsculas, revisor) saiba disso, embora eu não coloque minha mão no fogo. Ainda assim, em face das pressões para a alteração da política econômica por parte do ex-futuro ministro da Casa Civil, o mais provável é que ele simplesmente não tenha tido a coragem de manter o rumo.

Afinal de contas, depois de tantos anos junto à patativa, não há coluna dorsal que não aprenda as virtudes da extraordinária flexibilidade.

Fica, portanto, mais difícil crer na sinceridade de propósito de seu "ajuste fiscal de longo prazo", ainda mais porque se trata da mesma proposta fulminada pela presidente ainda em sua encarnação como ministra. Não há rumo; apenas solidão.

"Deus meu, Deus meu, por que me abandonaste?", palavras de Jesus antes de morrer, segundo a Bíblia.

Original aqui

U.V.

Manchetes do dia

Sexta-feira 1 / 04 / 2016

O Globo
"Dilma tem dia de defesa nas ruas e no Congresso"

Atos pró-governo reúnem milhares em todos os estados e no DF

Ministro da Fazenda e professor de Direito dizem que ‘pedaladas’ e decretos para liberar verbas não são base legal para afastamento; ao lado de artistas, presidente comparou clima de intolerância ao nazismo

Atos contra o impeachment da presidente Dilma, organizados por CUT, MST e outros movimentos sociais, levaram ao menos 149 mil pessoas às ruas nas capitais ontem, segundo cálculos oficiais. Na comissão do impeachment, na Câmara, o ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, afirmou que não há base legal para o impedimento, argumentando que as “pedaladas” fiscais não constituem crime porque não eram vedadas pelo TCU à época. Também em defesa de Dilma, o professor de Direito Ricardo Lodi Ribeiro disse que não há crime de responsabilidade e que, por isso, o Parlamento “não está autorizado” a encerrar o mandato dela. No Planalto, a petista recebeu o apoio de artistas e comparou o clima de intolerância política no país ao nazismo: “Primeiro você bota uma estrela no peito e diz: é judeu. Depois você bota no campo de concentração.”  

Folha de S.Paulo
"Odebrecht vai vender bens para captar R$ 12 bilhões"

Valor é para ‘atravessar o furacão’ que inclui Lava Jato, diz presidente do grupo

Envolvida em acusações de corrupção na Lava Jato e com dívidas de R$ 90 bilhões, a Odebrecht aposta em um pacote de venda de bens para tentar arrecadar R$ 12 bilhões neste ano. “Com o aperto monetário, a contração de crédito e a Lava Jato, iniciamos um programa de alienação de ativos”, afirmou Newton de Souza, presidente do grupo Odebrecht, em entrevista a David Friedlander e Ana Estela de Sousa Pinto. O plano de arrecadação inclui a venda de ativos no Peru, em Angola e no Rio Grande do Sul. “Achamos que esse valor nos dará tranquilidade para atravessar o furacão”, disse o executivo. Ele assumiu em junho de 2015, após a prisão de Marcelo Odebrecht, então presidente da empreiteira. Seu antecessor foi condenado a 19 anos de prisão pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e integrar organização criminosa. Souza disse que os acordos de delação (de executivos) e de leniência (da companhia) podem ajudar a “criar as bases para um novo ciclo” de atividades. O quarto maior conglomerado privado do país já demitiu 70 mil dos quase 190 mil funcionários. A receita, porém, cresceu no ano passado por causa do câmbio, de R$ 107 bilhões em 2014 para R$ 130 bilhões.    

O Estado de S.Paulo
"Ministro do Supremo critica perspectiva de PMDB no poder"

‘Meu Deus do céu! Essa é nossa alternativa de poder’, disse Luís Barroso ao tratar de impeachment

Em meio à discussão do impeachment da presidente Dilma Rousseff, o ministro do STF Luís Roberto Barroso comentou a possibilidade de o PMDB assumir o poder. “Quando o jornal exibia que o PMDB desembarcou do governo e mostrava as pessoas que erguiam as mãos, eu olhei e pensei: ‘Meu Deus do céu! Essa é a nossa alternativa de poder’. Não vou fulanizar, mas quem viu a foto sabe do que estou falando”, disse. A declaração foi feita durante conversa no tribunal. Barroso não sabia que o encontro estava sendo transmitido pelo sistema interno de TV. Na foto do momento em que é selado o desembarque do PMDB do governo, aparecem o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (RJ), o ex-ministro Eliseu Padilha e o senador Romero Jucá (RR). Na conversa, Barroso afirmou que o problema do País é a “falta de alternativa” política: “Não tem para onde correr. Isso é um desastre”.     
           

quinta-feira, março 31, 2016

Dominique

Opinião

Lembranças de 'Mani Pulite'

Contardo Calligaris
No começo dos anos 1990, na Itália, um grupo de magistrados milaneses (o mais popular foi Antonio di Pietro) tentou acabar com os esquemas de corrupção (antigos e tradicionais) que ligavam empresários, financistas e políticos.

Esse sistema viciado enchia os bolsos dos políticos (pessoas físicas) e financiava os partidos com comissões que as empresas pagavam para ganhar contratos públicos.

Anos antes, Sandro Pertini, presidente da República (honesto), declarara que um político deveria sempre ter as mãos limpas ("le mani pulite"). A expressão ficou e voltou em 1992, para batizar a "operação" dos magistrados milaneses.

Naquela década, eu vivia entre o Brasil e os EUA, mas visitava regularmente meus pais e meu irmão em Milão —por isso mesmo, minhas impressões daqueles anos são sobretudo o reflexo dos anseios e dos medos de meus familiares, que estavam lá, na Itália.

Já nos anos 1980 e antes (pela podridão do "milagre italiano", que reconstruiu o país depois da Segunda Guerra Mundial), havia uma tremenda desconfiança dos italianos diante da política tradicional.

Salvavam-se só os comunistas. Mas isso talvez fosse uma ilusão de óptica produzida pela minha própria história de militância. Ou pelo fato de que os comunistas ficaram quase sempre longe do poder executivo nacional.

O fato é que, para o italiano médio, qualquer governo roubava e roubaria. Os brasileiros não pensariam (não pensam) muito diferente: o grito "Roma ladra" poderia facilmente ser traduzido, ainda hoje, como "Brasília ladra".

A partir de "Mani Pulite", em 1992, ganharam espaço um movimento antimáfia e anticorrupção (fato curioso: ele se chamava "La Rete", a rede), e um movimento de direita do qual Bolsonaro, Feliciano e companhia gostariam (a Liga Norte).

De qualquer forma, a opinião pública estava, forte e unida, com o Ministério Público e com os juízes.

Pipocavam escritas nos muros de Milão: "Di Pietro, não volte atrás! Não perdoe!". De uma, em particular, me lembro bem —a que eu li estava num muro de tijolos, talvez na parte externa da Universidade de Milão: "Di Pietro, facci sognare" (Di Pietro, faça a gente sonhar).

Era isso mesmo, os italianos sabiam que aquilo seria, ao menos em parte, um sonho.

Os inimigos naturais de "Mani Pulite" se oporiam de todas as maneiras possíveis. De 1992 a 1996, políticos tradicionais e empresários desonestos lutaram para sujar os magistrados milaneses —foi sem muito efeito. No meio de 1992, os juízes Giovanni Falcone e Paulo Borsellino foram assassinados pela Máfia (a relação entre a Máfia e a classe política era o pano de fundo sombrio da corrupção).

Mesmo assim, aos poucos, na Itália, o jeito de fazer política mudou para sempre. Sumiram os partidos que tinham se tornado instituições fisiológicas. Imagine o que isso poderia significar hoje no Brasil.

A política italiana de hoje (a própria figura do primeiro-ministro Renzi) seria impensável sem "Mani Pulite". E ela é infinitamente melhor do que ela era no passado.

Há quem diga, aqui no Brasil, que o resultado de "Mani Pulite" foi Berlusconi. Isso é historicamente falso: ao contrário, Berlusconi se instalou no poder por uma década a partir de 2001, justamente quando os italianos se cansaram de "Mani Pulite".

Porque, de fato, eles se cansaram. De quê? Do fedor da lama? Do clima paranoico? Será que o mesmo cansaço nos espreita?

Não sei, mas o fato é que, em geral, quando a corrupção é o sistema de governo, é porque ela é também a forma dominante da vida social, pública e privada.

Você dá R$ 20 a um colega para que ele faça seu dever de casa. Isso é possível porque os políticos, lá em cima, são corruptos? Ou é o contrário: os políticos, lá em cima, se permitem ser corruptos porque sabem que a corrupção é a regra aqui em baixo, na nossa vida cotidiana?

O cidadão médio vive de pequenas corrupções: venda e compra de pontos na carteira, notas fiscais não emitidas, colas numa prova, pequenas sonegações e fraudes...

Ele pede transparência e honestidade até se dar conta de que muitas de suas ações são filhas da mesma confusão que ele denuncia no político: uma incapacidade de distinguir os interesses públicos dos interesses privados.

Não basta que uma boa faxina seja pelas calçadas e pelas praças; ela precisa acontecer em casa. Isso seria uma verdadeira mudança cultural...

Vou continuar sobre público e privado. 

Original aqui

U.V.

Manchetes do dia

Quinta-feira 31 / 03 / 2016

O Globo
"Sobram crimes, diz autora de pedido de impeachment"

Argumentos de juristas incluem ‘pedaladas’ e corrupção na Petrobras

Janaina Paschoal e Miguel Reale Jr. falaram à comissão do impeachment na Câmara e afirmaram que governo não teve responsabilidade fiscal, prejudicando os mais pobres; petistas contestaram

Autores do pedido de impeachment da presidente Dilma, os juristas Miguel Reale Jr. e Janaina Paschoal apresentaram ontem à comissão especial da Câmara lista de argumentos para sustentar que a petista cometeu crime de responsabilidade. As “pedaladas” fiscais e a corrupção na Petrobras foram os pontos destacados pelos juristas, aplaudidos pela maioria dos parlamentares. “Tenho visto cartazes dizendo que impeachment sem crime é golpe. Essa frase é verdadeira. Mas estamos aqui diante de um quadro em que sobram crimes de responsabilidade”, disse Janaina. “Se apropriaram de um bem dificilmente construído, o equilíbrio fiscal, e as consequências são gravíssimas para as classes mais pobres, que estão sofrendo com inflação, desemprego e desesperança”, afirmou Reale Jr. Deputados petistas contestaram. 

Folha de S.Paulo
"Repasse de marqueteiro do PT eleva suspeitas sobre reeleição"

Lava Jato investiga se recursos vieram ilegalmente da Odebrecht; tesoureiro da campanha nega

A empresa do marqueteiro João Santana recebeu recursos em dinheiro vivo do grupo Odebrecht e fez repasses, também em espécie, a fornecedores da campanha de Dilma Rousseff em 2014, informam Valdo Cruz, Graciliano Rocha e Leandro Colon. Esse roteiro é investigado pela Polícia Federal no âmbito da Lava Jato. Para a força- tarefa, há indícios de que Mônica Moura, mulher e sócia do publicitário, fez esses pagamentos entre 2014 e 2015 com recursos ilegais recebidos da construtora. Sob a condição de anonimato, um prestador de serviços da campanha disse à Folha que foi pago em espécie por Mônica Moura. As defesas do publicitário e de sua mulher, que negocia acordo de delação, não se manifestaram sobre o caso. As contas de 2014 são alvos de inquérito no Tribunal Superior Eleitoral, que pode resultar na cassação de Dilma e do vice, Michel Temer. O ministro Edinho Silva (Comunicação Social), tesoureiro da campanha de Dilma, nega irregularidades. Segundo ele, todos os pagamentos à empresa de João Santana (R$ 70 milhões) foram feitos por meio de transferências bancárias e informados à Justiça Eleitoral. Procurada, a construtora Odebrecht não quis comentar o assunto.    

O Estado de S.Paulo
" ‘É golpe’, ataca Dilma; para juristas, ‘sobram crimes’"

Presidente transforma evento no Planalto em palanque; autores do pedido de impeachment criticam governo

A presidente Dilma Rousseff fez ontem no Palácio do Planalto, durante o lançamento da terceira etapa do programa Minha Casa Minha Vida, seu mais duro ataque ao processo de impeachment em curso na Câmara. “Impeachment sem crime de responsabilidade é golpe”, afirmou. Dilma também criticou Michel Temer e o PMDB. A plateia do evento chamou o vice-presidente de golpista e pediu sua renúncia. Em sessão tumultuada, os juristas Miguel Reale Júnior e Janaina Paschoal, autores do pedido de impeachment, reforçaram na Comissão Especial sobre o assunto na Câmara seus argumentos pelo afastamento da petista. Os juristas disseram que Dilma deu “golpe” na população ao dizer, durante a campanha eleitoral de 2014, que as contas públicas estavam organizadas. Para Janaina, “estamos diante de um quadro em que sobram crimes de responsabilidade”.    
           

quarta-feira, março 30, 2016

Dominique

Manchetes do dia

A oligarquia depenou o PT

Elio Gaspari
O PMDB nunca pensou, não pensa em sair do governo e sente-se ofendido se alguém admite essa hipótese. Quem corre o sério risco de sair do governo é­ o PT. O partido que foi de Ulysses Guimarães e Tancredo Neves e hoje é de Eduardo Cunha e Renan Calheiros quer apenas tirar uma licença de alguns meses, até o início do governo de Michel Temer, seu atual presidente.

A ideia de que o PMDB resolveu sair do governo não tem nexo nem propósito e se destina apenas a esconder um objetivo. Os doutores querem que se creia que nada têm a ver com a ruína do governo e pretendem retornar ao poder como se Michel Temer fosse o sucessor constitucional da senhora Rousseff por ocupar a vice-presidência do Flamengo, não a da República, eleito por duas vezes, sempre compartilhando a chapa.

O PMDB sai do governo para continuar no poder, dando esperanças a oposicionistas que não tiveram votos e a todos os gêneros de maganos tementes da Operação Lava Jato. Ninguém sabe quais são os planos dessa coalizão para um eventual dia seguinte à posse de Temer, mas seu objetivo essencial está claro: trata-se de desossar a Lava Jato.

A armação oligárquica precisa sedá-la, pois há barões na cadeia e marqueses temendo a chegada dos homens de preto da Federal.

O PT e Dilma reagiram às investigações das ladroeiras com uma conduta que foi da neutralidade-contra à pura hostilidade. Se hoje a rua grita o nome do juiz Sergio Moro e pede "fora PT", isso se deve em parte à incapacidade dos companheiros de perceber que se tornaram fregueses num jogo viciado.

O comissariado acorrentou-se à própria falta de princípios. Desprezou a lição trazida pelas sentenças do mensalão e achou que pularia a fogueira do petrolão. A cada um desses lances de soberba jogou n'água uma parte de suas bases populares. Confiando na própria esperteza, foi para um carteado com jogadores profissionais e um baralho viciado. Os oligarcas depenaram-no. (Refresco para a crise: Quem quiser pode ver "Cincinnati Kid", com Steve McQueen e Edward G. Robinson num de seus melhores momentos. Nessa mesa, o baralho era honesto.)

Sem cartas, Lula compara-se a Getúlio Vargas e seu comissariado grita "golpe!". Tudo parolagem. Getúlio foi encurralado por uma rebelião militar a partir de um caso em que membros de sua guarda pessoal tentaram matar o principal líder da oposição.

Getúlio era um homem frugal. Ao contrário de Lula, nunca teve apartamento na praia e sua fazenda vinha de herança familiar. Não pode ser golpe o cumprimento de um dispositivo constitucional seguindo-se o ritual da lei, sob as vistas do Supremo Tribunal Federal.

Resta uma questão: as pedaladas fiscais não seriam motivo suficiente para o impedimento de um presidente. Além das pedaladas há sobre a mesa otras cositas más. Admita-se que essas cositas fazem parte de outro processo. Na atual etapa, tudo desemboca numa questão político-aritmética: a Câmara só poderá decidir a abertura do processo contra a doutora pelo voto de dois terços de seus deputados. Como Dilma, eles foram eleitos pelo povo e a Constituição diz que é deles a decisão nessa fase do julgamento. Sem os dois terços não haverá impeachment. Com eles, haverá. Ademais, era nesse Congresso que o PT cevava sua maioria, a famosa base de apoio.

Original aqui

U.V.

Manchetes do dia

Quarta-feira 30 / 03 / 2016

O Globo
"Sem PMDB, Dilma vai usar cargos contra impeachment"

Em 3 minutos e com gritos de ‘Fora PT’, partido oficializou ruptura

Três dos sete ministros devem ficar, apesar da decisão partidária; presidente cancela viagem aos EUA

Em reunião que durou três minutos e após dez anos de aliança, o PMDB, maior partido do Congresso, oficializou sua saída do governo Dilma por aclamação, sinalizando que ficará unido pela aprovação do impeachment da presidente. A reunião, sem a presença do vice Michel Temer, teve gritos de “Fora PT” e “Temer presidente”. O senador Romero Jucá, que leu a moção de ruptura, disse que “ninguém (do partido) no país está autorizado a exercer qualquer cargo no governo federal”. Três ministros, porém, devem ficar, sem previsão de punição: Kátia Abreu (Agricultura), Celso Pansera (Ciência e Tecnologia) e Marcelo Castro (Saúde). Com o rompimento, Dilma já prepara reforma ministerial, que deve ser anunciada até sexta e distribuirá cerca de 580 cargos ocupados por peemedebistas. O objetivo dela é tentar conquistar votos contra o impeachment. Para o ministro Jaques Wagner, a saída do PMDB dá oportunidade de uma “repactuação”, um “governo novo”. 

Folha de S.Paulo
"PMDB deixa governo, que lança ofensiva anti-Temer"

Para líderes do PT, vice articula golpe e não possui a ‘legitimidade do voto’

Em reunião de três minutos, o PMDB confirmou o esperado e anunciou, após votação simbólica, o afastamento da base aliada do governo Dilma Rousseff (PT). Aos gritos de “Brasil para frente, Temer presidente” e “Fora, PT”, o partido aprovou uma moção que determina a entrega de todos os seus cargos no Executivo. O vice-presidente, Michel Temer, foi o articulador da tomada de posição da sigla. A decisão é um baque na pretensão de Dilma de evitar o avanço do impeachment. O PMDB é a legenda com mais deputados e senadores. O líder do PT na Câmara, Afonso Florence (BA),classificou Temer de golpista. Ministro- chefe do gabinete de Dilma, Jaques Wagner disse que o vice não tem a mesma “legitimidade do voto”. A fim de obter apoio para barrar o impeachment na Câmara, onde o processo tramita, o governo redistribuirá cargos nos ministérios e apressará a liberação de verba orçamentária.   

O Estado de S.Paulo
"Após saída do PMDB, Dilma tenta atrair apoio com verbas e cargos"

Governo usará vagas para tentar frear ameaça crescente de impeachment; PP também pode deixar base e é cortejado pelos dois lados

O PMDB definiu o rompimento com o governo da presidente Dilma Rousseff e decidiu que seus filiados terão de entregar, nas próximas duas semanas, os ministérios e os cerca de 600 cargos que ocupam no Executivo. A decisão do partido praticamente implodiu a base de apoio do Planalto na Câmara e fez crescer o risco do impeachment. Para tentar conter a debandada, o Planalto vai intensificar a liberação de cargos e de verbas para emendas. O gesto do PMDB pode ser seguido por partidos como PSD e PP. Dono da terceira maior bancada da Câmara, com 49 deputados, o PP está sendo cortejado por Dilma e por Michel Temer, que oferecem ao partido controle de estatais e de ministérios em troca de apoio. O ministro-chefe do Gabinete Pessoal da Presidência, Jaques Wagner, afirmou que a saída do PMDB abre caminho para uma “repactuação” com os demais aliados, que serão chamados para negociação. Entre os postos disponíveis estão ministérios de peso, como Turismo e Esporte, e cargos em estatais e bancos públicos.    
           

terça-feira, março 29, 2016

Dominique

Opinião

Convite para uma decapitação

João Pereira Coutinho
História recorrente: viajo para o Brasil com o propósito simpático de conhecer leitores, assinar livros, conversar sobre as banalidades da vida.

Fatalmente, surge o momento da confissão: o leitor aproxima-se e, com voz clandestina, pede para eu escrever mais livros. Na universidade onde ele estuda, o fechamento intelectual é absoluto.

Pensadores conservadores são inexistentes. Ideologias mais liberais, ou libertárias, idem.

Fico sempre atônito com essas descrições. Serão verdadeiras? Serão exagero? Ou os alunos brasileiros que eu conheço têm o supremo azar de estudar em instituições bolcheviques que ainda vivem em 1917?

Alguns, mais temerários, perguntam-me ou escrevem-me com uma questão de vida ou morte: haverá algum lugar no planeta -ou, pelo menos, em Portugal- onde seja possível estudar história ou ciência política sem ter o cérebro sequestrado pelas vulgatas marxistas?

As minhas respostas são sempre lacônicas e pasmadas: aconselho livros, professores; e prometo continuar a publicar. Mas agora tenho um novo argumento nas mãos: os alunos brasileiros, apesar de aprisionados, ainda conservam uma réstia de sanidade -a sanidade própria de quem sabe que existe outro caminho. Na Europa, e sobretudo na Inglaterra, o manicômio é muito pior.

Que o diga Nick Cohen, em artigo para "The Spectator". Conta Cohen que, no Reino Unido, o número de universidades que ainda podem legitimamente usar esse nome -espaços de livre debate onde é possível escutar o que não gostamos e argumentar o que queremos- está em vias de extinção.

Tradicionalmente, a universidade servia para confrontar o estudante com ideias novas, por vezes desconfortáveis, mas seguramente diferentes do mundo estreito onde ele viveu a adolescência. A universidade era um espaço de adultos e para adultos.

Hoje, as universidades são "lugares de segurança" onde qualquer sombra de insulto à cartilha multiculturalista é tratada com violência e segregação.

Nick Cohen dá exemplos recentes. No King's College de Londres, uma das melhores universidades, um professor da casa tentou promover um debate sob o título: "Será que o Ocidente é responsável pelo extremismo islâmico?"

Essa pergunta, formulada nesses termos, já é uma concessão à mentalidade fanática dos fanáticos.

Mas nem assim eles acalmaram. Quando se pergunta se o Ocidente é responsável pelo extremismo islâmico, existe sempre a possibilidade insana de alguém dizer "não".

De que vale fazer um debate quando as conclusões podem ser contrárias às nossas opiniões primárias (no duplo sentido da palavra)? Precisamente: melhor não fazer debate nenhum. O risco é elevado.

Não foi caso único. Na mesma cidade, o University College tentou organizar um outro debate para discutir o papel da população curda na luta contra o Estado Islâmico. A sessão, aliás, teria como convidado um ex-aluno da universidade, Macer Gifford, que lutara com os curdos na Síria.

Logo se levantaram vozes contra. Na douta opinião dos estudantes, existem sempre dois lados em qualquer conflito. Não seria preferível escutar ambos?

Longe de mim contestar esse "pensamento". Mas será que o pessoal do Estado Islâmico, ocupado a organizar os seus massacres, teria alguém com disponibilidade para enviar à universidade?

E, em caso afirmativo, será que a morte do combatente e ex-estudante Macer Gifford em pleno debate seria um argumento válido para a discussão?

Não sabemos. Mas por pouco tempo: com o Estado Islâmico a operar na Turquia, na França, na Bélgica e a ocupar o vazio de liderança aqui perto, na Líbia, rapidamente a Europa terá mais contato com os jihadistas.

Não excluo, aliás, que alguns deles possam participar de seminários ou até dar aulas nas universidades europeias.

Nada contra: se os professores de humanidades, dominados pela sharia do multiculturalismo, não servem para grande coisa, um jihadista sempre seria útil para ensinar o fabrico de bombas ou a melhor forma de decapitar um herege ajoelhado.

Como diz o povo, conhecimento não ocupa lugar.

Original aqui

U.V.

Manchetes do dia

Terça-feira 29 / 03 / 2016

O Globo
"PMDB rompe com Dilma hoje, e PT já declara guerra a Temer"

Ministro do Turismo, Henrique Alves é o primeiro peemedebista a desembarcar

Líder do governo no Senado, Humberto Costa afirma que Temer “será o próximo a cair”, caso a presidente seja afastada; Lula tenta conquistar dissidentes do antigo aliado e formar uma coalizão informal contra o impedimento

Começou ontem o desembarque do PMDB do governo Dilma. Henrique Eduardo Alves (Turismo) foi o primeiro dos sete ministros do partido a pedir demissão, alegando que o diálogo com a gestão petista “se exauriu”. Hoje, o PMDB formalizará a saída do governo, e o vice Michel Temer atua para que o rompimento ocorra por aclamação na reunião do diretório nacional. O ex-presidente Lula tenta conquistar votos de dissidentes do partido, numa coalizão informal, mas a debandada do governo provoca efeito dominó, atingindo outras legendas da base. No Congresso, o PT reagiu. O líder do governo no Senado, Humberto Costa (PT), disse que Temer “será o próximo a cair”, caso o impeachment seja aprovado. Coordenador do MST, Alexandre Conceição afirmou que o vice, se assumir, não terá paz. 

Folha de S.Paulo
"Maior sigla no Congresso, PMDB abandona governo"

Partido de Michel Temer oficializa hoje fim da aliança com Dilma; ministro do Turismo pede demissão

O PMDB, partido do vice-presidente da República Michel Temer, vai oficializar nesta terça-feira (29) o fim da aliança com o governo petista de Dilma Rousseff. A entrega de cerca de 600 cargos será por aclamação. O primeiro dos sete ministros a sair foi o do Turismo, Henrique Eduardo Alves. Filiado ao PMDB há 46 anos e aliado de Temer, ele enviou carta a Dilma nesta segunda- feira (28) pedindo a demissão do cargo. O movimento do PMDB, dono da maior bancada do Congresso (69 deputados), é determinante para a deterioração da base aliada petista, no momento em que se aproxima a votação na Câmara do impeachment de Dilma. Outros partidos aliados, como PP, PSD e PR, devem fazer o mesmo. Na tentativa de minimizar esse desembarque, a presidente reuniu ministros peemedebistas e acenou com distribuição de cargos para deputados fiéis. Na Câmara, a apresentação de um novo pedido de impeachment pela OAB gerou tumulto entre apoiadores e opositores do governo. Além das pedaladas fiscais, o pedido aponta crimes de responsabilidade.  

O Estado de S.Paulo
"PMDB abandona Dilma e vai trabalhar por impeachment"

Decisão será oficializada hoje e ministro do Turismo deixa o cargo; PT chama Temer de ‘chefe do golpe’

O Diretório Nacional do PMDB oficializa hoje seu rompimento com o governo da presidente Dilma Rousseff. A decisão será tomada por aclamação – sem necessidade de votação – após acordo entre o vice-presidente Michel Temer e o presidente do Senado, Renan Calheiros ( PMDB-AL). Os sete ministros do partido deverão ter até 12 de abril para deixar seus cargos. Henrique Alves pediu exoneração do Turismo. Também ontem, a seção de MG, a segunda maior do partido, com 10 votos, oficializou a saída do governo por unanimidade. O ex-presidente Lula tentou um adiamento da decisão do PMDB. No domingo, ele se encontrou com Temer. Na conversa, o vice disse que não havia como conter o rompimento e deixou claro que o partido vai trabalhar pelo impeachment. O governo decidiu subir o tom e chama Temer de “chefe do golpe”. A ordem no Planalto é mostrar ligação entre o vice e o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).    
           
 
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