sábado, março 26, 2016

Dominique

Opinião

De que lado você está?

Contardo Calligaris
1) Conversar se tornou difícil. Não porque podemos ter visões e convicções diferentes –ao contrário, as diferenças tornariam as discussões mais proveitosas.

O que faz com que conversar tenha se tornado difícil é que, em geral, nosso interlocutor só quer saber de que lado nós estamos?

As pessoas divergem, poderiam aproveitar sua discordância; mas a maioria só quer "descobrir", entender, inventar ou decidir (apressadamente) de que lado está o outro.

Em outras palavras, o intento do debate não é articular a complexidade dos fatos e das escolhas possíveis. Trata-se apenas de saber se você é "um dos nossos" ou não. Obviamente, quem não for "um dos nossos" é contra a gente.

Não tente dizer que você não está de lado algum. Ou melhor, tente, e isso será a prova esperada de que você é "contra a gente".

2) Nos primeiros anos do ginásio (começo dos anos 1960), a questão era: você é Sartre ou é Camus?

Os que eram Camus gostavam de discutir, questionar, porque, fundamentalmente, achavam que cada indivíduo é cheio de conflitos, de contradições, de desejos não resolvidos e de perguntas sem resposta.

Os que eram Sartre só queriam saber se você estava do lado deles e da classe operária ou não.

Eu era Camus. Talvez devido ao S., que era muito Camus e eu amava de longe. Mas não só por isso.

A necessidade de estar de um dos lados, "sem frescuras" (como alguém me disse nestes dias), é uma péssima conselheira. Só para lembrar: quando André Gide voltou da União Soviética, em 1936, dizendo que aquilo era um horror, poucos, na esquerda, ficaram a fim de questionar a experiência stalinista; ao contrário, o que ele escrevia "provava" que Gide não devia ser "um dos nossos" –embora, na época, ele fosse comunista.

E quando Sartre fez sua viagem à União Soviética, em 1954, ele achou tudo lindo e se sentiu inteiramente "um dos nossos", sem as "frescuras" de Camus, que questionava o stalinismo desde 1946.

Moral da história? Quem se preocupa com o lado em que cada um está geralmente deixa de enxergar, simplesmente, a realidade.

3) A pergunta "de que lado você está?" é confortável porque permite evitar as eventuais incertezas diante da complexidade do mundo.

No lugar do tormento de escolhas e entendimentos sempre imperfeitos, a pergunta "de que lado você está?" nos introduz ao "pensamento coletivo", que é apenas um jeito de cimentar o grupo "da gente".

O pensamento coletivo tem a única missão de fazer existir o grupo. Assim, no melhor dos casos, ele se apresenta como série de palavras de ordem compartilhadas. No pior dos casos, é pura retórica da cumplicidade, que celebra o fato de que "os outros" são inimigos.

Nesse caso, o pensamento coletivo é uma mistura de piadas prontas, uma zoeira de padaria que só alimenta a ideia de que os outros são os "filhos da puta", os "covardes", os "idiotas"... E, claro, uma mulher só pode ser "a nega".

O pensamento coletivo, em outras palavras, não é pensamento algum; é apenas a expressão de uma cumplicidade estúpida, rude –boçal seria a palavra certa, se não fosse politicamente incorreta.

Algumas conversas gravadas pela Lava Jato (entre Rui Falcão e Jaques Wagner, por exemplo) poderiam ilustrar um tratado sobre os efeitos do "pensamento coletivo" em quem se deixa levar a praticá-lo.

4) Falando em gravações, uma observação sobre a famosa conversa entre Lula e a presidente Dilma mandando a ele o termo de posse como ministro. Há controvérsias quanto à legalidade do grampo e à legitimidade de torná-lo público. Li argumentos de juristas que respeito, alguns a favor, outros contra.

Mas a questão jurídica não é decisiva, para mim. Por anarquismo de temperamento, considero que a sociedade é sempre mais importante que o Estado e seus governos. Na mesma linha, tento nunca me esquecer de que, em última instância, a autoridade de qualquer governo ou Estado sempre provém do povo.

Por isso, não aceito facilmente que um governo ou um Estado esconda suas ações do povo, que é a única fonte da autoridade deles.

Edward Snowden, ao tornar públicos documentos secretos, pode ter traído o governo dos EUA, mas será que traiu o povo americano? Eu não me senti traído por ele.

Semana que vem tento continuar. E, por favor, não decida já de que lado estou.

Original aqui

U.V.

Manchetes do dia

Sábado 26 / 03 / 2016

O Globo
"Governo já não vê como evitar debandada do PMDB"

Planalto teme que rompimento do maior aliado estimule saída de outros partidos

Após diretório fluminense anunciar que apoiará o fim da aliança na próxima terça-feira, ministros e assessores de Dilma já apelam para a negociação de cargos numa tentativa de conter rebelião

O iminente desembarque do PMDB do Rio deixou apreensivo o Planalto, que teme não conseguir conter a debandada de todo o partido. Um integrante do governo resumiu o rompimento como “gravíssimo, um sinal muito ruim”. A presidente Dilma e o ex-presidente Lula tentaram, sem sucesso, reverter a decisão do diretório fluminense. Em meio ao processo do impeachment, o Planalto apela até para negociar cargos diretamente com deputados. 

Folha de S.Paulo
"Sabesp quer o fim dos descontos e da punição nas contas"

Bônus para quem economiza água e sobretaxa para quem consome demais podem acabar a partir de maio

A Sabesp pretende extinguir o bônus para quem reduz o consumo de água e a sobretaxa para quem gasta muito. A decisão ocorre menos de um mês após o governador Geraldo Alckmin (PSDB) dar por encerrada a crise hídrica em São Paulo. A estatal entrou com o pedido na Arsesp, agência estadual do setor hídrico, que deve aceitá-lo. Com isso, descontos e punições podem acabar no mês de maio. No pedido encaminhado, a Sabesp afirma que “a situação atual permite maior previsibilidade sobre as condições dos mananciais”. O sistema Cantareira, por exemplo, que é o maior da região metropolitana da capital, já opera com 49,6% da sua capacidade. Anunciado em fevereiro de 2014, o programa de bônus confere descontos para quem gastar menos água do que sua média de consumo. Como muitas pessoas começaram a reduzir o uso, a empresa foi obrigada a conceder muitos bônus, diminuindo a arrecadação. Na virada deste ano, com as chuvas, as regras mudaram e deixaram mais difícil a concessão do desconto. Já a sobretaxa foi implantada em 2014, após a reeleição de Alckmin.  

O Estado de S.Paulo
"Debandada do PMDB acelera rito de impeachment"

Anúncio da decisão do diretório fluminense de se afastar do governo leva oposição a apostar em votação em abril

O anúncio do PMDB fluminense de que pretende se afastar da presidente Dilma Rousseff abalou a ala governista do partido e o Palácio do Planalto. O grupo peemedebista pró-impeachment decidiu acelerar o trâmite do processo na Câmara. A previsão é votar o pedido de afastamento antes de 17 de abril. Aliados do vice-presidente Michel Temer afirmaram que ele se prepara para assumir o governo em maio e, por isso, também intensificou as articulações no mundo político e empresarial. A intenção do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), manifestada a aliados, é aprovar o impeachment o mais rapidamente possível. O relator do pedido de afastamento na Comissão Especial, Jovair Arantes (PTB-GO), já teria avisado Cunha de que dará parecer favorável à saída de Dilma. O otimismo dos peemedebistas pró-impeachment também se deve às dificuldades do Planalto e do PT em definir na Justiça a nomeação do ex-presidente Lula para a Casa Civil.    
           

sexta-feira, março 25, 2016

Avro PP-VDR - 1975


Coluna do Celsinho

Sexta, Sábado e Domingo

Celso de Almeida Jr.

Os primeiros anos, foram em escola católica.

Lá no Jabaquara.

Grande IDP!!

Instituto Divina Pastora.

Deve ser por isso...

Ou, talvez, pelas ações da Madre Glória, saudosa, querida.

Quem mora em Ubatuba há muitas décadas sabe de quem estou falando.

Mulher doce, sensível, sempre inventando atividades culturais e recreativas para a garotada.

Pode ser, também, a lua cheia. 

O fato é que da Sexta-Feira da Paixão até o Domingo de Páscoa, normalmente, aumenta a minha introspecção.

Fico remoendo os meus conceitos de vida, os meus sentimentos.

Posso compreender...

Em nossa cultura, ter o Cristo como referência exige reflexão permanente.

Ainda mais nestes dias, quando lembramos mais intensamente do calvário, da morte e da ressurreição.

Curioso...

Desde moço, deixei de ser católico praticante.

Preferi o contato direto, apesar de compreender a importância que diferentes religiões têm para tantos amigos queridos.

O fato é que a mensagem do Cristo mexe comigo.

Assusto-me, confesso, pela dificuldade de praticá-la com afinco.

A simplicidade e a intensidade de seus exemplos indicam o caminho para um mundo de amor e paz.

Por que resistimos tanto em adotá-los para o nosso cotidiano?

Há muito para aprender...

Talvez, o longo percurso de tragédias e sofrimentos - do passado e do presente - sirva simplesmente para consolidar a sabedoria de sua mensagem.

E assim, entre dores e tropeços, vamos compreendendo o significado daquele sacrifício, na esperança de que não sejam nececessários mais alguns milênios para a humanindade encontrar a paz.

Com estes pensamentos, desejo a todos uma Feliz Páscoa!

Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com

Dominique

Opinião

De Nixon@pol para Dilma@gov

Elio Gaspari
Senhora,

Eu perdi a Presidência dos Estados Unidos em 1974 por causa da minha paranoia, de meia dúzia de áulicos que se julgavam deuses e da raça desprezível dos repórteres, mas quero lhe dizer que quem me fritou foi a Polícia Federal. É por isso que lhe escrevo: não se meta com ela.

Sei que naquele tempo a senhora estava no esplendor da juventude. Saída da cadeia, retomava sua vida torcendo pela minha desgraça. Vi quando a senhora, já sexagenária, tietou o marechal Giap durante sua visita ao Vietnã, em 2008. Aquele anãozinho era festejado como o gênio da guerra contra os Estados Unidos. Hoje nossos investimentos no Vietnã já ultrapassaram os US$ 11 bilhões e eles querem mais.

Eu me danei no escândalo conhecido como Watergate. Uns bestalhões ligados à Casa Branca quiseram grampear o escritório do Partido Democrata em Washington. Estavam atrás do caixa dois dos meus adversários e foram apanhados.

Criou-se a lenda de que foi a imprensa que me fritou. Isso é inexato. O tal "Garganta Profunda" que deu algumas pistas a um repórter era o segundo homem do Federal Bureau of Investigation (FBI). Muito antes dessa traição, o próprio diretor do FBI chamou um jornalista do "The New York Times" e contou-lhe que a Casa Branca estava metida no caso. Eu havia mandado o general Vernon Walters, vice-diretor da CIA, travar a investigação dos federais. Piorou. A senhora deve lembrar do Walters. Em 1964, ele estava no Brasil e ajudou a livrar o país do comunismo.

Fiz muitas bobagens. Uma delas foi demitir o equivalente ao ministro da Justiça brasileiro. Como a senhora livrou-se do seu, estou preocupado. Alarmei-me ao saber que o novo ministro insinuou a possibilidade de trocar o chefe da Polícia Federal. Depois recuou, refletindo o grau de desorientação de seu palácio.

O Walters não gosta da senhora, continua conversando com brasileiros e fala bastante com um levantino de bigodes que já dirigiu a Polícia Federal. Seu nome é Romeu, creio que o sobrenome é Tuma. Ele acha que o seu ministro foi ingênuo ao dizer que punirá sumariamente os agentes que estão em equipes de onde saem vazamentos. Essa arrogância revolta qualquer corporação. Não entendi direito uma história que o Walters me contou: "Todo governo acha que a polícia vaza informações contra ele. (Eu continuo achando.) As coisas são mais complexas, imagine um caso de um agente que vazou informações que beneficiavam uma grande empreiteira? E se nesse vazamento houve dinheiro? Mais: como crucificar o intermediário se tiver sido um advogado?". É óbvio que deveria haver punição, mas o vazamento interessava a gente do governo. Permita-me uma impropriedade, vazamento é como decote feminino. Pode ser indecência aos olhos do marido, mas na mulher dos outros é espetáculo. A senhora gostou do gesto do Garganta Profunda.

O grampo do Watergate era um crime menor, minhas mentiras não seriam suficientes para me tirar da Presidência. O que me destruiu foi o momento em que acreditei na possibilidade de obstruir as investigações. Eu e a senhora cometemos o mesmo erro inicial, sabíamos mais do que dizíamos e acreditávamos que o palácio prevaleceria. Eu cometi o engano seguinte, fatal. Não faça como Nixon.

Espero ter sido útil e despeço-me, mas não torço pela senhora.

Atenciosamente,

Richard Nixon 

Original aqui

U.V.

Manchetes do dia

Sexta-feira 25 / 03 / 2016

O Globo
"PMDB do Rio decide romper com governo Dilma"

À mídia estrangeira, presidente diz que impeachment é ruptura democrática

O mais influente e símbolo da fidelidade à presidente Dilma, o PMDB do Rio decidiu romper com o governo. A decisão, comunicada ao vice Michel Temer, sinaliza a tendência da maior parte da legenda. Ontem, um dia após ministros do STF afirmarem que impeachment não é golpe e está previsto na Constituição, Dilma disse a jornais estrangeiros que seu impedimento seria a “ruptura da ordem democrática”. Dilma alegou que tirá-la do cargo deixaria cicatrizes duradouras para a democracia e que apelará, “com todos os modos legais disponíveis”, para não sair da Presidência. 

Folha de S.Paulo
"Dilma retalia Temer e ala do PMDB dá sinal de debandada"

Presidente exonera aliado de vice; peemedebistas do Rio indicam saída

A presidente Dilma Rousseff decidiu demitir todos os assessores nomeados por peemedebistas que optarem por romper com o governo. A primeira punição foi a exoneração do presidente da Funasa(Fundação Nacional de Saúde), Antônio Henrique de Carvalho Pires, indicado pelo vice-presidente, Michel Temer. Às vésperas da decisão do PMDB de romper ou não com o Palácio do Planalto, o diretório regional do Rio de Janeiro tomou decisão favorável ao afastamento no encontro marcado para o próximo dia 29. A seção é considerada a maior aliada de Dilma no partido. Ao todo, os fluminenses têm 12 dos 119 membros do diretório nacional. Se todos votarem contra o governo, como chegou a ser divulgado pela ala oposicionista, o desembarque do governo é dado como certo. O PMDB tem 69 deputados na Câmara e Dilma precisa de pelo menos 171 para barrar o impeachment. Em entrevista a veículos estrangeiros, Dilma disse que o ex-presidente Lula vai participar de seu governo de qualquer forma. “Ou vem como ministro ou como assessor, de uma maneira ou outra. Vamos trazê- lo para ajudar. Não há como impedir”, disse. 

O Estado de S.Paulo
"Temer reforça articulação para PMDB sair do governo"

Partido deve formalizar rompimento na 3ª-feira; diretório fluminense anunciou que vai votar pelo desembarque

Numa tentativa de barrar o impeachment, o governo ofereceu cargos de primeiro e segundo escalões a deputados da base aliada. O movimento fez com que Michel Temer cancelasse viagem a Portugal. O vice-presidente quer garantir vitória expressiva na reunião do diretório nacional do PMDB, terça-feira, em que deve ser oficializado o rompimento do partido com o governo, passo considerado fundamental para o impeachment da presidente Dilma Rousseff. Apontado como estratégico na disputa de votos no Congresso, o PMDB do Rio de Janeiro anunciou que vai votar pelo desembarque do governo. O Planalto deu mostras, porém, de que usará o poder que tem para atrapalhar os planos de Temer. A edição do Diário Oficial de ontem trouxe a demissão do presidente da Fundação Nacional de Saúde, Antonio Henrique Pires, aliado do vice-presidente. Pires disse não ter aceitado trocar coordenadores da Funasa para abrir espaço para indicações do PTN e do PMB.   
           

quinta-feira, março 24, 2016

Dominique

Opinião

Era o que faltava: Lula agora atribui o desemprego a Moro, juiz do petrolão

Josias de Souza
Preso há nove meses em Curitiba, condenado a 19 anos de cadeia e prestes a amargar novas sentenças, Marcelo Odebrecht revelou o desejo de alistar-se na infantaria dos delatores da Lava Jato. A força-tarefa do petrolão trata a novidade como rendição, não delação. Para obter benefícios judiciais, o príncipe regente da Odebrecht terá de dedurar até a sombra. A exposição das relações promíscuas da maior empreiteira do país com Lula é ponto de honra para os procuradores. Querem detalhes sobre as palestras, o tráfico de influência internacional, os repasse$ ao Instituto Lula, a reforma do sítio de Atibaia, tudo e mais um pouco.

O hálito quente dos executivos da Odebrecht na nuca de Lula aqueceu-lhe a placa do processador. Durante discurso para uma plateia de sindicalistas na noite desta quarta-feira, em São Paulo, o sábio da tribo do PT ofendeu o bom-senso. Responsabilizou o doutor Sérgio Moro pelo desemprego. Fez isso horas depois de o IBGE informar que a taxa de desemprego nas seis maiores regiões metropolitanas do país cresceu de 7,6% em janeiro para 8,2% em fevereiro. Entre os jovens de 18 a 24 anos, o flagelo é bem maior: 20,8%. Em cada cinco jovens, um encontra-se no olho da rua.

“A Operação Lava Jato é uma necessidade para esse país”, disse Lula, antes de revelar suas reais intenções: “Agora, eu queria que vocês procurassem a força-tarefa, procurassem o juiz Moro pra saber se eles estão discutindo quanto essa operação já deu de prejuízo à economia brasileira.”

Lula pediu aos sindicalistas que perguntem ao juiz da Lava Jato “se não é possível fazer o combate à corrupção sem fechar as empresas, sem causar desemprego.” Escorou sua pregação num organismo que costumava satanizar: “Segundo o FMI, 2,5% da queda do PIB se deve ao pânico criado na sociedade brasileira.” Numa evidência de que sua placa ferveu, Lula declarou: “Quando tudo isso terminar, você pode ter muita gente presa, mas você pode ter também milhões de desempregados nesse país.”

O mensalão e o petrolão nasceram na administração Lula. Se o morubixaba do PT não tivesse repartido as diretorias da Petrobras entre seus cleptoaliados, não haveria Lava Jato. Mas ainda assim existiria a ruína econômica, porque essa parte do desastre nacional está associada a outra criação de Lula: o mito da gerentona. Superando as previsões mais pessimistas, Dilma revelou-se um fiasco gerencial sem precedentes. No momento, arrasta pelos corredores do poder as correntes da impopularidade. É reprovada por 69% dos brasileiros, informa o Datafolha.

O ruim pode ficar muito pior. Lula revela-se decidido a “ajudar” sua criatura. “Nem que seja a última coisa que eu faça na vida, vou ajudar a Dilma a governar esse País com a decência que o povo merece.'' Barrado por uma liminar do ministro Gilmar Mendes, do STF, o salvador ainda não conseguiu assumir nem a Casa Civil. Mas acha que está exercendo seu terceiro mandato.

Lula deu a entender que algo lhe subira à cabeça na sexta-feira da semana passada, quando discursou no coração de São Paulo, na manifestação que o sindicalismo e os movimentos sociais convocaram para apoiá-lo e para se contrapor ao impeachment. “A impressão que tive na Avenida Paulista foi que vocês estavam me dando posse.''

Há 14 dias, numa palestra para empresários paranaenses, Sérgio Moro soou como se antevisse as críticas de Lula. Declarou-se “consternado com esse quadro econômico de recessão e de desemprego.” Mas disse não não dar crédito à tese segundo a qual “a culpa é da Lava Jato.” Mencionou os “movimentos favoráveis no mercado”, com oscilações positivas nos índices da Bolsa de Valores, quando há diligências policiais. “Para mim é um indicativo de que a Lava Jato não é exatamente um problema.” Reiterou: “Trabalhar contra um quadro de corrupção sistêmcia é algo que só nos traz ganhos. Não tenho nenhuma dúvida quanto a isso.”

Moro afirmou que só há dois caminhos à disposição. E a “sociedade democrática brasileira” terá de optar por um deles. “Podemos fazer como se fez muito: varrer esses problemas para debaixo do tapete, esquecer que eles existem” ou “enfrentar os problemas com seriedade e da forma que eles devem ser enfrentados.” Para o magistrado, “a primeria alternativa não é aceitável.”

No Brasil, sempre que uma investigação ameaça a aliança que une as oligarquias econômica e política, fabricam-se crises e teses para avacalhar os inquéritos. Lula faz pose de alternativa. Mas frequenta a cena política como principal operador da turma do tapete. Age para esconder a sujeira. Vale a pena ouvi-lo de novo: “Quando tudo isso terminar, você pode ter muita gente presa, mas você pode ter também milhões de desempregados nesse país.” Lula está mais próximo da cadeia do que do emprego de presidente que gostaria de reconquistar em 2018.

Original aqui

U.V.

Manchetes do dia

Quinta-feira 24 / 03 / 2016

O Globo
"Moro deve enviar ao STF lista de doações a 200 políticos"

Planilha apreendida com executivo da Odebrecht envolve 24 partidos

Logo após divulgação do documento, juiz determinou sigilo sobre as informações e pediu parecer ao MP para enviá-lo ao Supremo. Procuradores negam haver acordo para delação premiada da empreiteira

Uma planilha com nomes de 200 políticos de 24 partidos, apreendida com executivo da Odebrecht, foi divulgada ontem nos autos do processo contra a empreiteira na Justiça Federal de Curitiba. Pouco depois, o juiz Sérgio Moro decretou o sigilo do documento. Os nomes, associados a apelidos e valores, indicam possíveis doações eleitorais entre 2012 e 2014, de R$ 55,1 milhões. A planilha não especifica se houve caixa 2 ou doação legal. Moro pediu parecer do MPF para enviar os dados ao STF, porque a maioria dos citados tem foro privilegiado. Procuradores da Lava-Jato negaram haver acordo para delação premiada da empreiteira. 

Folha de S.Paulo
"Planilhas da Odebrecht citam 316 políticos de 24 partidos"

Não é possível definir se repasses em documentos apreendidos foram feitos nem se constituem caixa 2

Planilhas apreendidas pela Polícia Federal na casa de um ex-executivo da Odebrecht relacionam valores a ao menos 316 políticos de 24 partidos. A maior parte dos supostos repasses refere-se à campanha eleitoral de 2012. Não é possível determinar ainda se os pagamentos foram realizados pelas empresas do grupo nem se constituem doações legais, declaradas à Justiça Eleitoral, ou entrega ilegal de dinheiro, por meio de caixa dois. A lista cita ministros, líderes da oposição, governadores, senadores, deputados, prefeitos de capitais e vereadores. Oito citados integram a comissão que analisa o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff. As planilhas da empreiteira, que decidiu assinar acordos de delação e de leniência com a força-tarefa da Lava Jato, elevou a tensão no ambiente político ao envolver governistas e oposicionistas no radar da operação. Os documentos foram tornados públicos pela Polícia Federal nesta terça (22). No dia seguinte, o juiz Sergio Moro decretou o sigilo do inquérito. Parte dos citados tem foro no Supremo Tribunal Federal.

O Estado de S.Paulo
"Superplanilha da Odebrecht indica repasse a 279 políticos"

Juiz terá de enviar processos ao STF; áudios de conversas do ex-presidente passam a ficar sob sigilo

O ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato no STF, determinou em decisão liminar que o juiz Sérgio Moro envie à Corte os áudios do ex-presidente Lula interceptados e os processos que envolvem o petista e tramitam em Curitiba. Até uma decisão definitiva sobre o caso na Corte, o material ficará sob sigilo no gabinete de Teori, que chamou de “indevida” a divulgação das conversas. A decisão inviabiliza a continuidade da apuração sobre o ex-presidente por Moro. Por enquanto, qualquer decisão a respeito das investigações relacionadas a Lula deverá ser tomada pelo Supremo. A decisão de Teori, no entanto, não interfere na liminar concedida pelo ministro Gilmar Mendes na sexta- feira, que suspendeu a nomeação de Lula como ministro da Casa Civil. A perspectiva no STF é de que o caso só seja solucionado em sessão plenária. O imbróglio sobre a posse deve permanecer em aberto por mais duas semanas.   
           

quarta-feira, março 23, 2016

Dominique

Opinião

Bem-vindos a Israel

João Pereira Coutinho
Mais um dia na Europa, mais um atentado terrorista. Começa a ser rotina. Como se a Europa fosse agora um grande Israel.

Aliás, por falar em Israel, lembro uma conversa antiga com um jornalista inglês, que me dizia, com gélido cinismo: "Nunca entendi por que motivo as pessoas defendem Israel. O país é nossa salvação: enquanto as bombas forem para eles, nós estaremos seguros."

Difícil discordar —e os números não mentem. Quando Israel era o alvo preferencial do jihadismo suicida, a Europa vivia a sua ilusão de segurança.

Mas depois da "segunda intifada" (2000 - 2005), quando Israel tomou medidas drásticas (construção de barreiras, destruição de abrigos terroristas, assassinatos seletivos etc.), parece que o pessoal fanático começou a viajar para outras pastagens.

Turquia. França. Espanha. Escócia. Inglaterra. Suécia. Agora a Bélgica, com 31 mortos e 187 feridos (números provisórios). Eis as cidades que passaram a ocupar as primeiras páginas. A mudança geográfica foi tão acentuada que, hoje, é difícil encontrar Tel Aviv ou Jerusalém na lista funerária.

Mas essa mudança geográfica não se limita apenas a comparações entre Israel e a Europa. Melhor dizer: entre o Oriente Médio e a Europa. Quem são os jihadistas que operam em Paris ou Bruxelas?

Pelas informações disponíveis, falamos de dois tipos de fauna: cidadãos desses países, de ascendência muçulmana, que se radicalizaram com a mensagem do "Estado Islâmico" sem nunca saírem do país.

Ou, então, ex-combatentes do "Estado Islâmico" que, depois da experiência no Iraque e na Síria, entenderam que era mais útil regressar a casa e atacar diretamente as suas sociedades abertas e desprotegidas.

Até porque o "Estado Islâmico", ironia das ironias, dá sinais de dificuldades no Oriente Médio. Em artigo para a "Foreign Policy", Henry Johnson afirma: no fim de 2014, o "Estado Islâmico" controlava 1/3 do Iraque e 1/3 da Síria.

Dois anos depois, quer por acção curda no norte da Síria, quer pela eficácia brutal dos bombardeamentos russos, o grupo perdeu 22% do território. Cidades ocupadas pelo ISIS, como Raqqa, Palmyra ou Aleppo, podem deixar de o ser.

Em teoria, saber que o ISIS está em dificuldades deveria ser motivo para festejos. Na prática, é preciso lembrar as palavras de um dos seus líderes, Abu Muhammad Al-Adnani: sempre que surgir a oportunidade de matar um infiel em qualquer parte do mundo, não há que hesitar.

Ontem, foi Paris. Hoje, foi Bruxelas. Amanhã, pode ser qualquer cidade do Velho Continente. Simples matemática: se na Europa circulam 5.000 jihadistas (número da Europol), a questão não passa por perguntar se haverá próximos atentados. A questão é saber onde e quando.

Bem-vindos a Israel.

Original aqui

U.V.

Manchetes do dia

Quarta-feira 23 / 03 / 2016

O Globo
"Marcelo Odebrecht decide fazer delação"

Teori manda Moro enviar investigação sobre Lula para o STF

Anúncio de ‘colaboração definitiva’ da empreiteira ocorre horas depois de a 26ª fase da Lava-Jato revelar a existência de uma ‘diretoria de propina’ na empresa

Pressionados pela 26ª fase da Lava- Jato, que revelou a existência de uma “diretoria de propina” na Odebrecht, o ex-presidente da empreiteira Marcelo Odebrecht e todos os executivos presos decidiram fazer delação premiada. O acordo, porém, ainda depende das informações que eles prestarem. Em nota, a empresa disse ter optado por uma “colaboração definitiva”. O ministro Teori Zavascki determinou que o juiz Sérgio Moro, de Curitiba, envie ao STF as investigações sobre o ex-presidente Lula e decretou sigilo dos grampos que atingiram a presidente Dilma. Para Teori, é descabido o argumento de Moro de que havia interesse público na divulgação das conversas. 

Folha de S.Paulo
"Odebrecht sofre devassa da PF; empresa decide fazer delação"

Grupo tinha setor de propinas, diz Lava Jato; preso há dez meses, Marcelo Odebrecht aceita falar

No mesmo dia em que sofreu devassa da Polícia Federal, o grupo Odebrecht decidiu fechar acordos de delação com a Lava Jato. A negociação envolve seus principais executivos e o ex-presidente Marcelo Odebrecht. O quarto maior conglomerado privado do país decidiu também fazer acordo de leniência com a Controladoria- Geral da União para evitar que seja proibida de firmar contratos com o governo. Investigadores dizem que a Odebrecht montou uma estrutura com sistema informatizado para controlar os pagamentos de propina. O setor teria atuado ao menos até novembro de 2015, mesmo após a prisão de Marcelo Odebrecht, em junho. O suposto esquema foi alvo da 26ª fase da Lava Jato, deflagrada nesta terça (22). Treze pessoas foram presas. Duas planilhas apreendidas sugerem a distribuição de R$ 91 milhões em dinheiro vivo. Os destinatários ainda não foram identificados. Segundo a força-tarefa, repasses envolviam obras como o Itaquerão, em SP, e o Porto Maravilha, no Rio.

O Estado de S.Paulo
"Teori retira de Moro investigação sobre Lula"

Juiz terá de enviar processos ao STF; áudios de conversas do ex-presidente passam a ficar sob sigilo

O ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato no STF, determinou em decisão liminar que o juiz Sérgio Moro envie à Corte os áudios do ex-presidente Lula interceptados e os processos que envolvem o petista e tramitam em Curitiba. Até uma decisão definitiva sobre o caso na Corte, o material ficará sob sigilo no gabinete de Teori, que chamou de “indevida” a divulgação das conversas. A decisão inviabiliza a continuidade da apuração sobre o ex-presidente por Moro. Por enquanto, qualquer decisão a respeito das investigações relacionadas a Lula deverá ser tomada pelo Supremo. A decisão de Teori, no entanto, não interfere na liminar concedida pelo ministro Gilmar Mendes na sexta- feira, que suspendeu a nomeação de Lula como ministro da Casa Civil. A perspectiva no STF é de que o caso só seja solucionado em sessão plenária. O imbróglio sobre a posse deve permanecer em aberto por mais duas semanas.   
           

terça-feira, março 22, 2016

Dominique

Opinião

O professor contra o juiz

Mario Sergio Conti
A sede histórica da Universidade Federal do Paraná fica num prédio neoclássico, no centro de Curitiba. Faltava pouco para as 21h de terça-feira passada, dia 15, quando o professor Sergio Moro cruzou as pesadas colunas do pórtico e subiu ao primeiro andar.

Deu ali uma aula luminar sobre a presunção de inocência. Falou por uma hora e meia a 65 estudantes do quarto ano da Faculdade de Direito, onde dá aulas duas vezes por semana. Denso e direto, foi interrompido apenas um par de vezes, por alunos com dúvidas técnicas.

Moro recenseou a presunção de inocência do século 13 até hoje. Na Idade Média, disse, os julgamentos eram informados tão-somente por duas categorias de provas, as "de deus" e as "carnais".

Na prova teológica, o acusado era obrigado a segurar uma barra de ferro incandescente por longos minutos. Sua mão era, em seguida, enfaixada. Depois de dias, retiravam-lhe o curativo. Caso a ferida tivesse cicatrizado, o acusado era inocente. Se continuasse em carne viva, cumpriria pena.

No direito luso, as provas carnais eram chamadas de "tormentos" –o acusado era torturado. Caso as sevícias não o forçassem a admitir o crime, julgavam-no inocente. Se confessasse, seria culpado. As penas eram a morte ou castigos físicos.

Vieram as Luzes e o direito mudou. Agora, a presunção de inocência permite a livre apresentação de provas. A Justiça prescinde de crendices religiosas e de suplícios.

Para se condenar alguém, a sua culpa deve ser estabelecida "além de qualquer dúvida razoável", conforme reza o preceito anglo-saxão. Já a inocência não precisa ser provada, ensinou o professor Moro. Basta que a defesa semeie dúvida nos julgadores. Esse princípio fundamenta o brocardo "in dubio pro reo".

Quem flanasse pela tépida noite curitibana, depois da aula, se regozijaria: a Lava Jato está em mãos iluministas. Para afrontar a oligarquia econômica e a plutocracia política, há que se presumir inocência e exibir provas categóricas. Para que a verdade triunfe sobre a incerteza, poderosos sejam punidos e a prática se perpetue.

O dia seguinte à aula foi o banzé que se sabe. O direito não é ciência exata, mas inexiste meio termo plausível. Divulgar um telefonema da presidente, cujo foro é o Supremo, é constrangimento medievo. Monitorar a comunicação entre cliente (Lula) e advogado (Roberto Teixeira), abuso puro e duro.

A Justiça é muitas vezes fetichizada. Mas até um autor de fábulas infantis, La Fontaine, disse no século 17 que "a razão do mais forte é sempre a melhor". O devido processo legal, ainda assim, serve para dotar de pensamento os processos históricos conturbados.

Dilma Rousseff será julgada por políticos. A sua culpa não está provada para além de qualquer dúvida razoável. O áudio de seu diálogo com Lula, porém, deixou sequelas. Mesmo se revogado numa instância superior, o estrago foi feito.

O telefonema e a sua interpretação unilateral, bem como a algaravia decorrente, fizeram pender a balança da Justiça. A presidente está mais perto do que antes de ser considerada culpada. Não houve presunção da sua inocência.

Os que desconfiavam que Dilma é vítima de um golpe de força passaram a dispor de um exemplo mais claro que mil sóis. Quem o forneceu foi o juiz, e não o professor Sergio Moro. 

Original aqui

U.V.

Manchetes do dia

Terça-feira 22 / 03 / 2016

O Globo
"Governo já vê risco de derrota no impeachment"

Planalto teme estar no limite dos 172 votos para tentar barrar processo

Dilma e aliados contabilizam perda de apoio enquanto situação se agrava e ação contra a presidente avança na Câmara, que ontem realizou sessão usada para contar prazo para a defesa

Com a deterioração de sua base política, o governo refez as contas e estima que está hoje no limite dos 172 votos necessários para barrar o impeachment da presidente Dilma no plenário da Câmara. Há 15 dias, antes da divulgação da delação premiada do senador Delcídio Amaral, o Planalto contava ter de 240 a 250 votos. Para tentar reverter o quadro, Dilma pretende montar força-tarefa coordenada pelo ex-presidente Lula, liberado ou não para tomar posse como ministro. 

Folha de S.Paulo
"Dilma já prepara ação no STF contra impeachment"

Para governo,o processo que tramita na Câmara não possui ‘base legal’

Com aumento do risco de derrota na Câmara, a presidente Dilma Rousseff orientou sua equipe jurídica a preparar recurso ao Supremo Tribunal Federal, caso seja aprovado pedido de impeachment contra ela. O objetivo é “judicializar” o processo. Segundo o Planalto, o pedido de afastamento, que está com comissão da Casa, “não tem base legal”. Para que o processo seja aberto, independentemente do parecer dessa comissão, é necessário o apoio de 342 deputados, em votação em plenário. Pelo plano, deputados do PT ingressarão com medidas judiciais no STF durante a tramitação do processo na Câmara. Paralelamente, Dilma pretende reforçar a ofensiva no Senado, que decidirá sobre o impeachment se os deputados o avalizarem. Em iniciativa capitaneada pelo ex-presidente Lula, o governo fará articulações com o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), e a base governista.

O Estado de S.Paulo
"Impasse jurídico prossegue e PT teme prisão de Lula"

Situação se agrava no STF e ex-presidente pode não assumir Casa Civil; juiz Sérgio Moro reassume processo

O impasse jurídico sobre a posse do ex-presidente Lula na Casa Civil se arrasta no STF, não tem perspectiva de término e, por isso, o PT voltou a se preocupar com a possibilidade de o juiz Sérgio Moro decretar a prisão do petista, investigado pela Lava Jato. A ministra Rosa Weber é a nova relatora no Supremo do habeas corpus impetrado pela defesa de Lula. Ela foi definida por sorteio após o relator original, Luiz Edson Fachin, se declarar suspeito de julgar o caso. O ex-presidente questiona decisão de Gilmar Mendes, que suspendeu a posse na Casa Civil. Rosa Weber é uma das citadas em diálogo de Lula com Jaques Wagner no qual ele pede ajuda para pressionar a ministra. Ontem, Sérgio Moro decidiu manter a remessa ao STF dos autos da quebra de sigilo telefônico do ex-presidente e suspendeu o envio dos inquéritos que apuram suposta ocultação patrimonial e supostos crimes envolvendo a família de Lula. Na prática, o juiz manteve o controle de casos como o do sítio em Atibaia, do tríplex no Guarujá e das palestras e doações feitas ao Instituto Lula. Petistas avaliam que dificilmente Lula assumirá a Casa Civil antes que o PMDB deixe o governo.   
           
 
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