sábado, março 12, 2016

Dominique

Opinião

Até os orixás estão de saco cheio

Luiz Felipe Pondé
A crença nos espíritos data da pré-história. E tudo que data da pré-história e dura até hoje implica razoável sucesso evolucionário. Levo a pré-história muito a sério e a julgo tão importante quanto os últimos 200 anos para que possamos entender os humanos. Só pessoas superficiais em repertório e pobres de espírito avaliam a humanidade sem levar em conta o Alto Paleolítico (nosso melhor momento).

A escuridão do mundo e seus ruídos, a presença dos sonhos à noite e o medo da morte seguramente pavimentaram o caminho para o mundo dos espíritos.

Uma coisa que sempre me chamou a atenção na crença nos espíritos é como eles estão sempre envolvidos com as coisas terrenas. Afinal, se já desencarnaram, qual a razão de ficarem se enrolando com os assuntos dos encarnados? Sei da resposta padrão: missão.

Muitos desses espíritos precisam cuidar dos assuntos terrenos para que eles mesmos ganhem alguma luz em suas evoluções espirituais. Como parte importante dessa evolução espiritual está a necessidade de nos ajudar em nossos rolos. Seres humanos sempre patinam nas mesmas coisas.

Já tive algumas oportunidades de ver orixás e entidades variadas, como Exu (em si um orixá), Pombagira, Caboclo, Preto Velho e outros, em ação. Em algumas dessas vezes cheguei a conversar com eles, e impressiona uma certa sabedoria popular presente em suas falas. Na realidade, existem três grande áreas de choque na vida das pessoas: 1. trabalho e dinheiro, 2. saúde e doença, 3. amor e família. Se você pensar um pouco, verá que a maioria das coisas que nos afetam, transita, pelo menos, por uma dessas três áreas.

Muitas vezes, suspeito que algumas dessas entidades entendem melhor sobre humanos do que muitos professores e "cientistas" das humanidades.

Por isso, talvez, as falas desses espíritos nos soem tão significativas. Seja porque eles (os espíritos) de fato entendem das nossas agonias, seja porque os pais de santo e as mães de santo é que entendem dessas nossas agonias, como pensa o cético. De qualquer forma, não me interessa a crítica cética aqui. Interessa-me apenas como muitas dessas entidades falam de coisas que de fato nos tocam no dia a dia. Talvez mesmo porque sejamos banais e comuns: todos nós vivemos quase o tempo todo passando por aquelas três grandes áreas de choque descritas acima.

Numa conversa familiar e entre amigos, uma dessas pessoas muito conhecedoras "do ramo" soube de um relato que me chamou a atenção, e que quero partilhar com você aqui, cara leitora e caro leitor.

O relato é o seguinte. Numa gira (evento em que entidades da umbanda atendem pessoas em suas agonias cotidianas), um Caboclo (caboclos são da linhagem de Oxóssi) de grande experiência em atendimento (cujo "cavalo" é um pai de santo de enorme sucesso no ramo) se aborreceu profundamente com as demandas de seus "clientes" ali presentes. Vale salientar para os especialistas que se tratava de um terreiro de candomblé que tem giras de umbanda também, o que é cada vez mais comum.

Precisamos lembrar que, mesmo no ramo de atendimento espiritual, você deve tomar cuidado para não "chutar o saco do cliente", porque ele pode procurar outro orixá, de outro terreiro, para se consultar. E, normalmente, consultas assim podem se transformar em "trabalhos" de todos os tipos, "trabalhos" esses que giram a economia do terreiro e de quem se dedica a essa profissão. Nem só do verbo vive o homem, mas também do pão e da carne.

A irritação do Caboclo (eu sei o nome dele, mas não quero expô-lo aqui) foi com as "conversinhas" de seus clientes ali presentes. Segundo o Caboclo, todo mundo só queria falar com ele sobre "bobagens mesquinhas". E ele, vindo de "tão longe", perdera a paciência para atender pessoas tão bobas. Para nosso Caboclo, o irritante era a "infantilidade" das pessoas ali presentes.

Posso imaginar a irritação de um ser que já passou pela Terra antes de ela ser tomada pela comunidade de retardados em rede que hoje assola o mundo. Até os orixás estão de saco cheio. Caboclo de coragem esse. E sábio. 

Original aqui

U.V.

Manchetes do dia

Sábado 12 / 03 / 2016

O Globo
"Dilma diz que não renuncia e quer Lula no Ministério"

Presidente considera uma ‘ofensa’ a ideia de deixar o cargo

A ida do ex-presidente para o governo seria motivo de orgulho, disse ela

Em tom de desabafo e às vésperas das manifestações contra seu governo, a presidente Dilma Rousseff afirmou ontem que nunca passou por sua cabeça a renúncia ao cargo. Ela tomou a iniciativa de tocar no assunto ao falar para reitores de universidades federais. E prosseguiu no tema em seguida, numa entrevista, quando novamente negou com veemência a possibilidade de renunciar, ideia que classificou de “ofensa”. Dilma afirmou ainda que seria um orgulho ter o ex-presidente Lula em seu Ministério.

Folha de S.Paulo
"Chuva longa e intensa deixa 18 mortos em SP"

Sabesp precisou abrir comportas para evitar rompimento de uma represa

Ao menos 18 pessoas morreram em decorrência da intensa e prolongada chuva na Grande SP e algumas cidades do interior do Estado entre a noite de quinta (10) e a madrugada de sexta (11). O volume de água provocou enxurradas e deslizamentos de terra. A causa da maioria das mortes foi soterramento. Eram seis os desaparecidos até ontem à noite. Na região metropolitana, Francisco Morato teve oito mortos, e Mairiporã, quatro. Houve duas mortes por afogamento no interior (Itatiba). Ninguém morreu na capital, onde as chuvas corresponderam a 46% da média de março. A tempestade, porém, gerou transtornos. O trânsito de manhã, com 177 km de lentidão, foi recorde no ano. Os rios Pinheiros e Tietê transbordaram, o que não aconteciam ao mesmo tempo havia 11 anos. Voos precisaram ser cancelados. Para evitar o rompimento de uma represa, a Sabesp abriu as comportas, ampliando a cheia na Grande SP. Especialista diz que fenômeno climatológico raro causou a longa tempestade.              

O Estado de S.Paulo
"Delcídio aponta propina de Belo Monte em eleição de Dilma"

Em delação premiada, senador revelou esquema de desvio encabeçado por três ex-ministros, segundo a revista ‘IstoÉ’

Em delação premiada firmada com o MPF na Operação Lava Jato, o senador Delcídio Amaral (PT-MS) revelou um esquema de desvio de dinheiro das obras da Usina de Belo Monte. Segundo ele, o esquema era encabeçado pelos ex-ministros Erenice Guerra (Casa Civil), Antônio Palocci (Fazenda) e Silas Rondeau ( Minas e Energia). Juntos, os três teriam movimentado cerca de R$25 bilhões, e desviado R$ 45 milhões para as campanhas eleitorais do PT e do PMDB em 2010 e 2014. Os partidos estavam coligados na chapa que elegeu Dilma Rousseff (PT) e Michel Temer (PMDB). As informações foram divulgadas no site da revista IstoÉ. De acordo com Delcídio, o grupo desviou recursos, por meio de superfaturamento, tanto de contratos para a realização das obras civis – que teriam custado R$ 19 bilhões – como nos acordos para compra de equipamentos para a usina, no valor de R$ 4,5 bilhões. Palocci nega as acusações. A defesa de Erenice Guerra não quis comentar o caso porque não teve acesso à delação. Edinho Silva, tesoureiro da campanha de Dilma em 2014, disse que “a afirmação é uma mentira escandalosa”.   
           

sexta-feira, março 11, 2016

Dassault Mercure at Basle - February 1985


Coluna do Celsinho

Lições

Celso de Almeida Jr.

Em 1985, há exatos 31 anos, Mikhail Gorbachev era eleito secretário-geral do Partido Comunista da União Soviética, iniciando reformas com a Glasnost e a Perestroika.

A primeira indicava a transparência do poder, pavimentando a liberalização política.

A segunda apontava para a reestruturação econômica.

Esse conjunto de ações - sem esta intenção - colaborou para o fim da URSS - União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, garantindo a implantação da economia de mercado.

Foi um período vibrante.

Eu, beirando os 20 anos de idade, assistia aquilo admirado, testemunhando a derrocada do modelo comunista. 

Impossível esquecer as palavras de Ronald Reagan, Presidente dos Estados Unidos, pronunciadas em Berlim, em 1987:

"Damos as boas-vindas à mudança e à abertura, pois acreditamos que liberdade e segurança caminham juntas, que o progresso da liberdade humana só pode reforçar a causa da paz no mundo. Há um sinal de que os soviéticos podem fazer que seria inconfundível, que faria avançar dramaticamente a causa da liberdade e da paz. Secretário Geral Gorbachev, se você procura a paz, se você procura prosperidade para a União Soviética e a Europa Oriental, se você procura a liberalização, venha aqui para este portão. Sr. Gorbachev, abra o portão. Sr. Gorbachev, derrube esse muro!"

Sensacional!!

Aliás, Reagan, Thatcher, Gorbachev e o Papa João Paulo II compuseram uma força devastadora, ajudando o leste europeu a desgarrar do comunismo e suas mazelas.

Finalmente, em 1989, veio a queda do muro de Berlim e uma avalanche de acontecimentos encerrou o ciclo soviético em 1991.

O modelo comunista não vingou.

A experiência intensa vivida pela URSS provou isso.

Não custa, portanto, estudar todo o período, desde a revolução russa de 1917 até o fim do poder soviético.

São muitas as lições extraídas desta pesquisa.

Basta ler, conferir, esmiuçar os fatos, os personagens, os desdobramentos, os sofrimentos.

Com visão crítica e boa dose de bom senso logo se percebe que tentar ressuscitar tal modelo não é salutar.

Infelizmente, em alguns pontos do planeta, há teimosos que ainda insistem nesta ideia.

Alguns, muito habilidosos, seduzem mentes jovens e ingênuas para embarcar nessa canoa.

Prezado leitor, querida leitora...

Como se vê, temos muito a aprender com a história.

Por isso, a prudência indica:

Sempre alerta!!!

Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com

Opinião


De paz e amor a jararaca

Gabeira
A crise brasileira é tão asfixiante que às vezes preciso de uma pausa, ouvir música, ler algumas páginas de romance. Em síntese, recuperar o fôlego.

As crises assumem ritmos mais rápidos no seu final. A reação de Lula na entrevista coletiva, ao sair da PF, não me pareceu a de um candidato.

Em 2002 foi difícil vencer com o “Lulinha paz e amor”. Em 2018 será impossível vencer como jararaca. Um candidato não se identifica com uma cobra peçonhenta. Nem se considera a alma mais honesta do Brasil. Verdade que seu marqueteiro está na cadeia. Mas onde está a intuição política que sempre lhe atribuem?

Ele perdeu a cabeça e, com ela, a chance de representar a serenidade do inocente. Seu marqueteiro representou. Não evitou a cadeia, mas, pelo menos, era um script mais elaborado.

Lula queria ser algemado. O marqueteiro e a mulher, também. Eles colocaram as mãos para trás, incomoda menos que as algemas reais, mas não tem o mesmo efeito. No fundo, um tremendo esforço para se fazer de vítima, conquistar pela emoção a simpatia que os fatos liquidaram.

Na Justiça, a decisão vai trabalhar com os fatos. Se alguém, realmente, quer contestar sua provas, precisa argumentar também com evidências.

Nem sempre as decisões na esfera do crime são bem recebidas. Em muitos pontos do Rio, prisões resultam em protestos, queima de pneus e bloqueios. Alguns líderes religiosos, quando presos, também emocionam seu rebanho.

No campo da política, há sempre o cuidado com os conflitos sociais. Para quem viu conflitos sociais, o que aconteceu na sexta passada foi apenas uma briga de torcidas e, na verdade, mais pacíficas que as de futebol.

Leio num jornal brasileiro que iriam buscar, entre outros, um gesto de solidariedade de Nicolas Sarkozy. Leio num jornal francês que Sarkozy também está às voltas com a polícia. Sujou, bro.

Apesar de seu ritmo, os últimos dias têm trazido uma ponta de otimismo, mesmo nos mercados, que são tão voláteis. Esse otimismo está baseado na queda de Dilma, mas deve ser estendido também a Eduardo Cunha. Os dois são rejeitados pela maioria. Não se trata apenas de festejar uma queda, desfazer-se de uma pedra no caminho. É criar uma chance de, superando o impasse político, recuperar a economia.

O que move as pessoas no domingo não é só a unânime luta contra a corrupção, mas também a clareza sobre as dificuldades cotidianas. Elas podem não ter uma noção clara do que deva ser feito. Mas sabem que algo precisa ser feito. E urgente.

Sempre que foi preciso, a sociedade brasileira manifestou-se claramente. Será assim no domingo e, para dizer a verdade, não acredito em conflitos, como algumas vozes do PT sugerem e Dilma confirma, a seu modo, pedindo paz.

As coisas vão se resolver de forma tranquila e o bicho-papão não tem como amedrontar ninguém. Escaramuças pode haver, mas seriam mais um caso de polícia: mais gente presa e neutralizada.

É ingênuo supor que as pessoas, dando-se conta de que o País está à deriva, com um governo que se elegeu com grana da Petrobrás, numa enorme crise econômica, vão ficar em casa só porque uns caras de camisa vermelha fazem cara feia ou gestos obscenos com o dedo.

Quando as pessoas denunciam a corrupção estão baseadas em fatos reais, documentados, investigados com rigor. Sabem que a Petrobrás foi saqueada, sabem dos milhões de dólares que foram repatriados. Não adianta cara feia. Se isso fosse uma saída histórica, bastava saquear o País e dizer: não me prendam porque senão vamos para as ruas gritar; não apareçam para protestar porque estou bravo, viro uma jararaca.

Outro dia, o bispo auxiliar de Aparecida recomendou aos seus fiéis pisarem na cabeça da jararaca. E um juiz condenou um adversário do PT a pagar multa de R$ 1,00 por ter criticado o partido. E ironizou que é um partido que tem a pessoa mais honesta de todas.

O bispo via a luta contra a jararaca como a luta entre o bem e o mal. Quem se colocou como cobra venenosa foi o próprio Lula. E o fez num recado para a Justiça. É uma declaração subconsciente de culpa: jararaca eu sou, acontece que vocês não atingiram minhas funções vitais, sigo sendo uma cobra venenosa.

Dilma reclamou de injustiça, mas até hoje não defendeu Lula no mérito. Colaborou na forma: protestou pelo fato de a Lava Jato tê-lo levado a depor debaixo de vara.

Inconscientemente, Lula pediu para ser destruído. O bispo levou-o ao pé da letra. A Lava Jato certamente entendeu de outra forma. E optou pela pesquisa. São os fatos que já existem e os que ainda não foram divulgados que vão definir o destino do governo e de Lula.

Tanto parlamentares como juízes precisam saber claramente o que a sociedade pensa. Não trabalham com pesquisa e, de qualquer forma, não se antecipam nunca. São viciados no único estímulo: um sopro na nuca, de preferência um vento bem forte, 100 km por hora.

Em outras palavras, a manifestação de domingo pode ser o sopro que falta para romper o impasse político. Mas, de qualquer maneira, a vaca já foi pro brejo. Não há horizonte com o governo Dilma, exceto empobrecer mais, enquanto ela luta por se agarrar no cargo.

No domingo há, ainda, a chance de uma aproximação maior de todos os que querem mudança. É fundamental que estejam próximos durante a travessia até 2018. Esta, sim, já me preocupa mais que as bravatas de Lula. Precisa de um mapa do caminho para recomeçar em 2018 com a economia recuperada e um grau de consciência nacional que não deixe jamais o Brasil chegar ao ponto a que chegou.

Essa é minha esperança. Por ela vou às ruas. Não para me expressar, pois isso posso fazê-lo com liberdade na imprensa. Nem para flertar com a política, interesses partidários ou eleitorais. Vou para a rua porque acho que é o lugar onde devem estar todos os que queiram tirar o Brasil do buraco e encerrar este triste episódio histórico.

Vou para a rua porque é onde devem estar todos os que queiram tirar o Brasil do buraco.

Original aqui

U.V.

Manchetes do dia

Sexta-feira 11 / 03 / 2016

O Globo
"MP pede prisão de Lula; oposição sugere cautela"

Promotores alegam incitação à violência e risco à ordem pública
Defesa condena ‘espetáculo’ e argumentos frágeis
PSDB critica falta de fundamentos e vê medida extrema


Está nas mãos da juíza Maria Priscilla Ernandes, da 4ª Vara Criminal de São Paulo, decisão sobre o destino político do ex-presidente Lula. Em ato inédito na história recente do Brasil, o Ministério Público do estado pediu a prisão preventiva de um ex-presidente. Ao justificar o pedido, os promotores sustentaram que Lula poderia “movimentar sua rede violenta de apoio, para evitar que processo-crime que se inicia tenha seu curso natural”. A defesa do ex-presidente afirmou que o MP tenta “amordaçar um líder político”. A atitude dos promotores gerou críticas até mesmo da oposição, que não viu fundamentos no pedido, e recomendou prudência. Lula, denunciado anteontem pelos crimes de ocultação de patrimônio e falsidade ideológica, no caso do tríplex em Guarujá, no litoral paulista, recebeu ontem mesmo convite da presidente Dilma para ocupar a Casa Civil, o que lhe garantiria foro privilegiado. Ele teria, no entanto, rejeitado a oferta.

Folha de S.Paulo
"Promotoria de SP pede prisão de Lula"

Petista ameaça investigação sobre tríplex, diz acusação; defesa critica parcialidade e especialistas veem fragilidade na ação

O Ministério Público de São Paulo pediu a prisão preventiva do ex-presidente Lula com a denúncia apresentada na quarta (9), em que o petista é acusado de ocultação de patrimônio e de falsidade ideológica. Os promotores Cassio Conserino, José Carlos Blat e Fernando Henrique Araújo afirmam que a prisão de Lula é necessária porque ele pode destruir provas, agir para evitar a aplicação da lei e tumultuar o processo por meio de sua rede política. A análise do pedido caberá à juíza Maria Priscilla Ernandes Veiga Oliveira, da 4ª Vara Criminal de São Paulo. Para especialistas, as bases da ação judicial são frágeis. Segundo os investigadores, a construtora OAS gastou cerca de R$1 milhão com obras em um tríplex em Guarujá cujos beneficiários seriam Lula e sua família. Para eles, o ex-presidente é o verdadeiro dono do imóvel. Após o pedido, interlocutores da presidente Dilma voltaram a tentar convencer Lula a tornar-se ministro, cargo com foro privilegiado. A Folha apurou que o governo atribuiu o pedido de prisão a essa articulação. O Instituto Lula afirma haver provas de que o petista não é o dono do tríplex. Critica também a parcialidade da acusação e acusa o promotor Conserino de atuar sob motivação política.             

O Estado de S.Paulo
"Promotoria pede prisão de Lula e dificulta ida para o Ministério"

Ex-presidente cogita integrar o governo, o que lhe daria foro privilegiado, mas defesa teme que seja acusado de obstruir Justiça

O Ministério Público de São Paulo pediu a prisão preventiva do ex- presidente Lula. Ele é acusado de lavagem de dinheiro e falsidade ideológica por supostamente ocultar a posse de um apartamento tríplex – registrado em nome da empreiteira OAS. O pedido se estende ao ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, ao empreiteiro Léo Pinheiro, da OAS, e a outros dois investigados do caso Bancoop. A juíza Maria Priscilla Ernandes Veiga Oliveira, da 4.ª Vara Criminal da capital, vai decidir se manda prender o ex-presidente. Nos últimos dois dias, ele passou a considerar a possibilidade de assumir um ministério. Ontem, recusou convite para substituir Jaques Wagner na Casa Civil por entender que passaria a impressão de estar tentando fugir da Justiça. Mas a ideia de integrar o governo não está descartada. Lula pretende esperar a definição da Justiça sobre o pedido de prisão e as manifestações de domingo para decidir. Se virar ministro, Lula ganha foro privilegiado e só poderá ser preso ou processado com autorização do STF. Mas há dúvida entre advogados do PT se Lula pode aceitar um ministério antes de a Justiça decidir sobre a prisão. O temor é de que ele e Dilma sejam acusados de obstruir a Justiça.  
           

quinta-feira, março 10, 2016

Dominique

Opinião

A Lava Jato precisa de humildade

Elio Gaspari
A nota divulgada pelos procuradores da Lava Jato justificando a condução coercitiva de Lula foi um caso de malversação de boas intenções a serviço da onipotência. Era atribuição deles solicitá-la e do juiz Sergio Moro concedê-la (ou não). Deu no que deu.

Se a medida se justificava para evitar manifestações e confrontos, resultou inepta, pois a operação vazou e durante a madrugada havia jornalistas esperando a chegada da Polícia Federal ao edifício de Lula. Admita-se que isso não aconteceu por causa do Ministério Público. A questão essencial estava na necessidade da condução coercitiva.

No seu item 11, a nota dos procuradores disse o seguinte:

"Após ser intimado e ter tentado diversas medidas para protelar esse depoimento, inclusive um habeas corpus perante o Tribunal de Justiça de São Paulo, o senhor Luiz Inácio Lula da Silva manifestou sua recusa em comparecer."

Esse fraseado ecoa o dos coronéis do século passado. O recurso ao habeas corpus (concedido) se destina a assegurar um direito do cidadão contra uma exorbitância do Estado. Essa incompreensão diante do instituto do habeas corpus fez com que ele fosse suspenso por dez anos nos casos de crimes políticos. Não foi boa ideia.

Os procuradores acharam que a condução coercitiva era necessária e tiveram a concordância do juiz Moro. Jogo jogado, mas não deveriam se justificar dizendo que em 116 casos semelhantes não houve qualquer clamor. Em fevereiro do ano passado o tesoureiro do PT João Vaccari Neto foi recolhido pela Polícia Federal em sua casa e um agente pulou o muro da propriedade informando que ele se recusara a abrir a porta. Não fazia sentido. A espetacularização dessas diligências já custou caro a operações destinadas a defender o patrimônio da Viúva.

A Lava Jato criou um momento luminoso na vida brasileira. Nunca na história deste país a oligarquia política e empresarial foi ferida com tamanha precisão e transparência. Os procuradores e o juiz Moro sabem que estão fazendo o certo, mas daí a acharem que nada podem fazer de errado vai enorme distância. Outro dia chamaram para depor um cidadão que teria sido um executivo da empreiteira Schahin e conheceria um ex-diretor da Petrobras que está na cadeia. Ele vive em Belo Horizonte, trabalha numa loja de capotas e estofamentos, nunca se meteu com a Schahin nem conhece maganos da Petrobras. Um caso banal de homonímia. Viver é arte, errar faz parte.

No seu item 15, os procuradores foram além das chinelas ao qualificar as críticas à condução coercitiva de Lula: "Por fim, essa discussão nada mais é que uma cortina de fumaça sobre os fatos investigados".

Uma pessoa pode torcer pelo êxito da Lava Jato e pela danação dos larápios que ela apanhou, mas quando discorda de uma de suas iniciativas, os procuradores não devem qualificar pejorativamente suas intenções, como se fossem condôminos do Juízo Final.

Os procuradores e o juiz Sergio Moro repetem que todos os fatos devem ser investigados. Todos, mas isso não exclui a discussão dos seus procedimentos, porque tristes experiências passadas já mostraram que a conversa de "cortina de fumaça" pode ser facilmente transformada num manto protetor da onipotência e do seu inexorável filhote, o arbítrio. 

Original aqui

U.V.

Manchetes do dia

Quinta-feira 10 / 03 / 2016

O Globo
"MP de São Paulo denuncia Lula por lavagem e falsidade"

Pedido se refere a tríplex de Guarujá e envolve dona Marisa e Lulinha

PF encontra em depósito caixas de mudança do ex-presidente com referências a ‘praia’ e ‘sítio’

O MP de São Paulo denunciou o ex-presidente Lula por lavagem de dinheiro e falsidade ideológica. O pedido de abertura de processo diz respeito ao tríplex de Guarujá reformado para Lula e investigado pela Lava-Jato. Para os promotores, o ex-presidente teria tentado ocultar patrimônio. A mulher de Lula, Marisa Letícia, e um dos filhos, Fabio Luís, o Lulinha, também foram denunciados. A PF achou em depósito caixas de mudança do petista referentes a “praia” e “sítio”.

Folha de S.Paulo
"Promotoria de SP denuncia Lula por tríplex em Guarujá"

Ex-presidente é acusado de ocultar patrimônio e falsidade ideológica; defesa vê parcialidade no caso

O Ministério Público de São Paulo denunciou à Justiça o ex-presidente Lula, 70. Ele é acusado de ocultação de patrimônio e de falsidade ideológica no caso do apartamento tríplex em Guarujá, no litoral paulista. Também foram denunciados Marisa Letícia, mulher do petista, e Fábio Luis, um dos filhos do casal, sob acusação de lavagem de dinheiro. No total, são 15 os acusados, entre os quais executivos e funcionários da OAS. O imóvel em Guarujá foi reformado pela empreiteira. A OAS gastou cerca de R$ 1 milhão com obras cujos beneficiários seriam Lula e sua família. Para os investigadores, ele é o verdadeiro dono do tríplex. O petista nega. Caso a denúncia seja aceita, o ex-presidente, a mulher e o filho se tornam réus no processo. A defesa de Lula criticou os promotores do caso e disse que a ação “confirma a parcialidade com que o assunto é conduzido”. Afirmou ainda que Ministério Público de SP e Federal no Paraná investigam os mesmos fatos, o que caracterizaria abuso.             

O Estado de S.Paulo
"Promotoria de SP denuncia Lula por ‘ocultar’ tríplex do Guarujá"

O Ministério Público de São Paulo denunciou criminalmente ontem o ex-presidente Lula no caso do tríplex 164- A, no Condomínio Solaris, no Guarujá. São acusados também a ex-primeira dama Marisa Letícia, o filho mais velho do casal, Fábio Luiz Lula da Silva, o Lulinha, e outros 13 investigados. Na lista estão o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, o empresário Léo Pinheiro, da empreiteira OAS, e ex-dirigentes da Cooperativa Habitacional dos Bancários (Bancoop). A Promotoria sustenta que o petista cometeu os crimes de lavagem de dinheiro e falsidade ideológica ao supostamente ocultar a propriedade do imóvel – oficialmente registrado em nome da OAS. A acusação tem base em investigação realizada pelos promotores Cássio Conserino e José Carlos Blat. O promotor afirma ter indícios de que houve tentativa de esconder a identidade do verdadeiro dono do tríplex, o que, segundo ele, caracteriza lavagem de dinheiro. A investigação mostrou que a OAS bancou uma reforma sofisticada do apartamento, ao custo de R$ 777 mil. Os trabalhos foram realizados entre abril e setembro de 2014.  
           

quarta-feira, março 09, 2016

Dominique

Opinião

A loucura da arte

João Pereira Coutinho
O meu e-mail é bicho repetitivo e vulgar. Todos os dias, sem eu saber como ou por que, lá aparece a mensagem de um desconhecido que tenciona deixar-me toda a sua fortuna como herança. São milhões e milhões de dólares que apenas exigem um telefonema (meu) para um número exótico qualquer.

Não são as únicas ofertas que me recebem pela manhã. Com igual regularidade, encontro promessas hidráulicas de que é possível aumentar o tamanho do meu pênis. Bizarro: nunca me lamentei sobre o assunto. Mas a mensagem não mente: dez centímetros, mínimo, e não se fala mais disso.

Bem sei que não sou caso singular. Amigos e colegas recebem correspondência igual. Mas eu gostaria de acrescentar à lista um terceiro tipo de prosa: leitores que pedem conselhos sobre a "loucura da arte", como dizia Henry James. Que livros devo ler? Quantas horas devo trabalhar? E como "escrever em público" (jornais, revistas, sites etc.)?

Raramente respondo a esses pedidos. Primeiro, porque eu próprio não tenho nenhum segredo estilístico ou bibliográfico para partilhar. Mas sobretudo porque o mais importante da expressão "escrever em público" não é a palavra "escrever". É a palavra "público".

Um exemplo, que acontece muitas vezes: estou num "contexto social" (bela expressão) e cruzo-me com alguém que critiquei no passado -por escrito ou na TV. Não que eu me lembre. Não me lembro.

Mas a pessoa em questão se lembra. Aliás, a principal lição que levamos destes anos de colunismo é que os objetos do nosso desafeto nunca se esquecem.

Duas reações. Ignoram-me (sem eu saber por que); ou cumprimentam-me (com uma impecável hipocrisia). E nunca resistem ao comentário: "Aquele texto que escreveu sobre mim no dia 14 de fevereiro de 2003 foi muito injusto. Diga lá: foi ou não foi?".

Eu fico a olhar para o personagem como um boi na presença de Versalhes e, por mais que me esforce, não consigo encontrar, no meio de milhares de textos, o crime de lesa-majestade.

Uma vez mais, a vítima consegue: "Aquela coluna em que dizia que eu era tão inteligente que deveria legar o cérebro, ainda em vida, para pesquisas científicas".

Rio (forçado), faço de conta que me lembro, o outro ri-se também -mas não desarma: "Diga lá: foi injusto ou não foi?".

"Um bocadinho", concedo, a olhar para os amendoins que tenho na mão e com uma vontade houdinesca de desaparecer por vergonha. Alheia.

E o inverso também acontece. Estou novamente num "contexto social" (as minhas desculpas) e alguém está desconfortável com a minha presença. Na pausa da conversa, o personagem murmura, com um riso nervoso: "Você tenha calma, hoje não trago colete antibala".

Eu reduzo-me novamente a uma condição bovina e ele acrescenta: "Por causa daquele texto sobre [uma bosta qualquer], em que eu dizia que o João [outra bosta qualquer]".

Então faz-se uma luz -pequena, pequenina- na minha cabeça e há a memória de um zumbido. "Já nem me lembrava", digo então, mais nostálgico que ofendido. E tento aliviar o momento: "É melhor vestir o colete!". Gargalhadas. Grandes amigos.

Minto? Antes mentisse. Escrever em público pode exigir trabalho, coragem, talento e o diabo a quatro. Em minha defesa, acrescento uma espécie de apatia psíquica que consiste em ser indiferente ao que dizem sobre nós.

E que se agravou com o tempo. "Leste o que escreveu [nome do vilão] sobre ti?", perguntam os amigos, alarmados. "Não. Ou li? Já nem sei." E nos segundos seguintes falamos do tempo, ou do futebol, ou da vida sexual de outros amigos.

Só uma vez encontrei a definição perfeita da minha condição em entrevista de Tom Stoppard. "O que as pessoas tendem a subestimar", dizia ele, "é a minha capacidade para não estar assim tão interessado."

Essa capacidade, que em mim será patológica, não é algo de que me orgulhe. Mas as coisas são como são: não me incomodar, não querer saber, não estar interessado -são como os cabelos brancos que aparecem no espelho da manhã. Ervas daninhas semeadas pelo sono e pelo tempo.

Se o leitor tenciona "escrever em público", a primeira pergunta não é saber se tem talento, ou livros, ou ambos. É consultar um bom especialista e ter a certeza que há algo de muito errado no seu exame psicológico. 

Original aqui

U.V.

Manchetes do dia

Quarta-feira 9 / 03 / 2016

O Globo
"Planalto teme confronto, e Alckmin veta ato do PT"

Ministros pedem a petistas que desmobilizem manifestações pró-Dilma

Governador de São Paulo proíbe que militantes que apoiam Lula e o governo federal protestem no mesmo local já reservado por defensores do impeachment da presidente

A possibilidade de confrontos nas manifestações de domingo levou o governo a pedir a desmobilização da militância petista, que previa ir às ruas em defesa do ex-presidente Lula e do governo. O protesto fora inicialmente marcado por defensores do impeachment da presidente Dilma. “Ter um quadro de paz é fundamental”, disse a presidente ontem. O ministro Ricardo Berzoini (Secretaria de Governo) pediu a parlamentares que convencessem a militância a escolher outro dia para se manifestar. Em São Paulo, o governador Geraldo Alckmin vetou protestos de petistas na Avenida Paulista, local escolhido pelos manifestantes anti-Dilma. O ministro Marco Aurélio Mello, do STF, disse temer que surja “um cadáver” em confrontos no domingo.

Folha de S.Paulo
"Marcelo Odebrecht recebe pena de 19 anos de prisão"

Defesa vai recorrer e diz que condenação por corrupção e lavagem não tem base

Ex-presidente e herdeiro do grupo Odebrecht, Marcelo Odebrecht foi condenado pelo juiz federal Sergio Moro a 19 anos e quatro meses de prisão pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e formação de organização criminosa. A defesa vai recorrer. Moro determinou que o empreiteiro, preso desde junho de 2015, aguarde recursos na prisão — o juiz alega risco de continuidade de crimes. Foram condenados também outros quatro ex-executivos da Odebrecht, quarto maior conglomerado do país. O juiz afirma que os acusados pagaram propina para dirigentes da Petrobras e três partidos (PT, PMDB e PP) a fim de obter contratos que somam R$ 12,6 bilhões. Dois funcionários da estatal admitiram o recebimento de repasses no exterior. A defesa de Marcelo Odebrecht afirmou que a condenação é “iníqua e injusta” porque não encontra lastro em provas dos autos da ação. Já os ex-executivos contrataram um advogado para negociar acordos de delação com procuradores.            

O Estado de S.Paulo
"Odebrecht é condenado, como ‘mandante’, a 19 anos"

Sérgio Moro aplicou pena ao empresário por corrupção, lavagem de dinheiro e associação criminosa

O empreiteiro Marcelo Odebrecht, presidente afastado e herdeiro do Grupo Odebrecht,foi condenado ontem pelo juiz federal Sérgio Moro a 19 anos e 4 meses de prisão por corrupção, lavagem de dinheiro e associação criminosa na Operação Lava Jato. Na sentença de 234 páginas, Moro conclui que Odebrecht foi o “mandante” de crimes praticados pelo conglomerado empresarial. O juiz afirma que não é necessário utilizar a teoria do domínio do fato – tese jurídica que ficou famosa no julgamento do mensalão – para condenar o empresário, que cumpre prisão preventiva em Curitiba desde 19 de junho de 2015. Também foram sentenciados – pelos mesmos crimes de Marcelo Odebrecht no processo – os executivos Márcio Faria e Rogério Araújo, ex-diretores da Odebrecht, César Ramos Rocha e Alexandrino Alencar, ligados à empreiteira, e os ex-dirigentes da Petrobrás Renato Duque, Paulo Roberto Costa e Pedro Barusco, além do doleiro Alberto Youssef.  
           

terça-feira, março 08, 2016

Dominique

Opinião

Acima da lei

Ferreira Gullar
Peço que o leitor me desculpe por voltar a falar de Luiz Inácio Lula da Silva, mas é que, nos últimos meses, ele se tornou um dos centros da problemática política que envolve a atuação do PT no governo do país.

No que se refere particularmente ao ex-presidente, as investigações levadas a efeito pela Operação Lava Jato terminaram por revelar ligações suas com empresários envolvidos no escândalo da Petrobras, de que também teria se beneficiado. Os dois fatos até agora mais evidentes disso são a suposta compra de um apartamento tríplex, em Guarujá, e de um sítio, em Atibaia.

Até bem pouco, quase ninguém sabia dessas supostas propriedades de Lula. Só depois que a imprensa noticiou o fato ele passou a falar no assunto. Primeiro, foi o caso do apartamento tríplex, a respeito do qual afirmou ter adquirido apenas uma cota em 2005. Não obstante, a imprensa voltou a revelar que sua mulher, dona Marisa, havia visitado, muito depois, o referido tríplex, em companhia do presidente da OAS.

Após a visita, essa empresa bancou a reforma do apartamento a um custo de quase R$ 800 mil. Lula também visitou o prédio na época em que se instalava ali um elevador privativo para o tríplex. Depois de muitas versões diferentes, ele terminou por admitir que vendera a cota em novembro de 2015, ou seja, poucos meses atrás. Afinal, qual é a versão verdadeira?

Quanto ao sítio, segundo afirma, não lhe pertence, mas desde que deixou a Presidência da República, em 2010, passou a frequentá-lo constantemente juntamente com sua família. Também esse sítio foi reformado e equipado com cozinha e mobília completa, a um custo de R$ 1 milhão. Não obstante, garante que o sítio não lhe pertence, mas a sócios de seu filho, que se revelam de uma generosidade rara. Nunca conheci tanta generosidade, mas também nunca fui presidente do Brasil.

Se eu fosse petista, poderia até acreditar nessa lorota, como, ao que parece, acreditam (ou fingem acreditar) a presidente Dilma Rousseff e seu chefe da Casa Civil, Jaques Wagner. Este afirmou que Lula está sendo vítima de uma "caça a uma liderança nacional, nesse caso, uma caça constante". Para Dilma, trata-se de "uma grande injustiça", tanto mais porque "o país, a América Latina e o mundo precisam de um líder com as características do presidente Lula". Quais são essas características, ela não disse.

Note-se que até então nem ela nem o Wagner tinham vindo a público defender o seu grande líder e, mesmo agora, ao fazê-lo, nenhum dos dois se refere ao tríplex ou ao sítio de Atibaia. Tampouco afirmam explicitamente que Lula é inocente.

E, em meio a tudo isso, o que fez Lula? Sumiu, simplesmente deixou de dar entrevistas, falar sobre o assunto. Era como se não fosse com ele. Em vez disso, manda o Instituto Lula e o presidente do PT responderem às acusações. Mas estes tampouco as discutem, apenas afirmam que ele está sendo vítima de perseguição.

Perseguição da parte de quem? Claro, da Polícia Federal, do Ministério Público, dos órgãos da Justiça e da imprensa, que, como se sabe, num país capitalista, existem para perseguir os que lutam pelos pobres, como a Odebrecht, a Camargo Corrêa, o PT e o Lula.

Não estou entre aqueles que querem, a todo custo, ver o ex-presidente na cadeia. Não obstante, como a Constituição assegura que todos são iguais perante a lei, não se pode aceitar que, por ser um destacado líder político, esteja ele a salvo de qualquer procedimento investigativo que vise defender o interesse público. Por isso mesmo é inaceitável a atitude da cúpula petista, em face de qualquer medida judicial contra ele, pretendendo até mesmo impedir que os fatos sejam apurados.

Ou devemos concluir que a apuração da verdade é contra Lula? Intimado a depor no processo que examina a compra do tríplex, negou-se a ir, o que pegou mal, já que essa seria a oportunidade de ele esclarecer as acusações que lhe fazem.

Você, leitor, certo de sua inocência iria, não iria? Pois é, eu também iria. 

Original aqui

 
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