sábado, março 05, 2016

Dominique

Opinião

Perdeu, príncipe

Gabeira
Anotações de Marcelo Odebrecht revelam corrupção e também muitos enigmas

Chamou-se “O jogo da imitação” o filme sobre a vida do criptoanalista Alan Turing, que desvendou os códigos nazistas durante a Segunda Guerra. O esforço coletivo será menor para desvendar as anotações no iPhone de Marcelo Odebrecht. Elas revelam algumas indicações contundentes e inequívocas de corrupção. Mas trazem muitos enigmas que nos impelem a devendá-los, pelo menos para saber o que, realmente, aconteceu com o Brasil. E, é claro, extrair as consequências.

Marcelo Odebrecht foi intitulado o Príncipe dos Empreiteiros. Jovem, rico e bem educado, adotou a tática petista de negar, encarou com desdém a investigação. Na cadeia, tropeçou pela primeira vez, enviando um bilhete determinando a destruição de um e-mail sobre venda de sondas. Mas agora, com as mensagens em seu telefone, eu diria: perdeu, playboy, na linguagem plebleia, mas o adequado é: perdeu, Príncipe.

São evidentes, mesmo com as barreiras de códigos, as relações íntimas entre a Odebrecht e o governo. Cúmplice na Lava-Jato, pede um contato ágil com o grupo de crise do governo. Esperar um contato ágil do grupo do governo é sonho de executivo. De todas as maneiras, isso demonstrava como estavam juntos, na tarefa de escapar da polícia.

Recados como este a Edinho Silva, tesoureiro da campanha de Dilma: avisa a ela que pode aparecer a conta da Suíça. Não é preciso grandes decifradores para supor que a campanha do PT foi feita com dinheiro que veio da Suíça. Bem que desconfiei. Uma campanha tão bem educada: a grana vinha da Suíça. Esse tópico é tão interessante que quase todos fingiram não notar, como se não olhar para a bomba impedisse que exploda.

Odebrecht usou métodos de máfia, ao mobilizar dissidentes da Polícia Federal para melar a Lava-Jato. Tudo indica que foram esses dissidentes, numa outra ação, que colocaram uma escuta clandestina na cela de Alberto Youssef, na esperança de anular o processo. Está quase tudo lá no telefone de Marcelo. Amigos poderosos, propinas, orientação para artigos. Numa dessas, ele reclama que o foco da Lava-Jato está sobre os empreiteiros e é preciso deslocá-lo para os políticos. Mas a tática está dando certo. Políticos são mais experientes e escorregadios. O grande material contra eles virá precisamente das delações, de anotações como essas do iPhone.

Marcelo Odebrecht optou pelo silêncio. Mas deixou pistas pelo caminho. Como se dissesse; se querem me pegar, trabalhem um pouco com a cabeça. Ele terá que se explicar ao juiz Sérgio Moro. Mas se usar a tática do bilhete, destruir/desconstruir, vai se dar mal. É hora de contar tudo ou então assumir as consequências. Até plano de fuga, saída Noboa, estava previsto em suas mensagens. Noboa é um dirigente equatoriano que fugiu do país para a República Dominicana.

Chega de esconde-esconde. Isso vale também para Dilma e o PT. Em Portugal, abriram-se investigações sobre o negócio entre telefônicas no Brasil. Uma equipe peruana vem investigar no país o caso Odebrecht, pois suspeita que houve corrupção. Os americanos monitoram a Odebrecht. O Brasil virou uma grande cena do crime. Qualquer dia vão nos cercar com aquelas fitas pretas e amarelas e chamar os turistas para filmarem o PT, aliados e a Odebrecht, dizendo que não roubaram nada. Foi tudo dentro da lei. Só pela cara de pau mereciam uma punição extra.

Hoje, Dilma, Renan e Eduardo Cunha constituem um triângulo das Bermudas. Nele desaparece toda a esperança. Cunha agora é contra Dilma, Renan também. Há quem ache que é preciso poupá-los porque são contra Dilma. Mas hoje quase todo mundo é. Cunha está sendo acusado de levar US$ 5 milhões da Toyo Setal. Um dos indícios era o requerimento que a deputada Solange Gomes apresentou para pressionar os empresários. O requerimento foi produzido no computador de Cunha.

Fui deputado com os dois, Cunha e Solange. Um dia, ela veio com um jabuti para acrescentar numa medida provisória: isentar a indústria nuclear de alguns impostos. Fui perguntar o que era aquilo e ela não sabia responder. Percebi que era apenas uma assinatura de aluguel. Trabalhava em sintonia com Eduardo Cunha. Quando surgiu essa pista do requerimento de Solange, mesmo antes de descobrirem que veio do computador de Cunha, na solidão do quarto hotel, soltei o grito da torcida do Atlético Mineiro:

— Eu acredito!

As próximas semanas devem ser decisivas contra essas forças que ainda dominam o Brasil mas estão em contradição com ele. Ministros, deputados, presidentes e ex-presidente, todos farão o esforço final para escapar da enrascada. Dilma contra Cunha, Renan contra Dilma, Dilma contra Renan, eles podem dançar à vontade o balé dos enforcados. Lembram-me uma canção da infância, nascida nas rodas de capoeira: “A polícia vem, que vem brava, que não tem canoa cai n’água. Pau, pau, peroba, foi o pau que matou a cobra.” Pelo menos cantávamos, naquela época.

Hora de recomeçar.

Original aqui

U.V.

Manchetes do dia

Sábado 5 / 03 / 2016

O Globo
"Lava-Jato força Lula a depor, e petista apela à militância"

Justiça quebra sigilo, e PF faz buscas em imóveis ligados a ex-presidente

Prestes a completar dois anos, a Lava-Jato chegou à porta do ex-presidente Lula. Por força de um mandado de condução coercitiva, ele foi obrigado a depor, durante três horas, numa sala do Aeroporto de Congonhas (SP). Os investigadores suspeitam que os R$ 30 milhões recebidos por Lula, desde 2011, como pagamento de palestras e doações a seu instituto, sejam fruto de desvios da Petrobras. A operação cumpriu 33 mandados de busca e apreensão, inclusive em imóveis ligados a Lula. Segundo a PF, o Instituto Lula, que tem isenção fiscal, teria repassado R$ 1 milhão à G4, empresa de um dos filhos do ex-presidente. O procurador Carlos Fernando afirmou que “qualquer um no Brasil está sujeito a ser investigado'; Lula reagiu afirmando que se sentiu prisioneiro e convocou militantes às ruas: “A jararaca está viva.".  

Folha de S.Paulo
"Lava Jato atinge Lula e o obriga a depor; ex-presidente vê perseguição"

Na 24ª fase da Lava Jato, a Polícia Federal realizou buscas e apreensões em endereços ligados ao ex-presidente Lula (PT), investigado sob suspeita de ter sido um dos principais beneficiados do esquema de desvios na Petrobras. Os sigilos bancários e fiscal dele, de seu instituto e de sua empresa de palestras foram quebrados. O petista foi levado por agentes de sua casa, em são Bernardo do Campo (SP), em cumprimento a um mandado de condução coercitiva (depoimento obrigatório). Investigadores suspeitam que ele tenha obtido favores de empreiteiras e do pecuarista José Carlos Bumlai (como obras em tríplex de Guarujá e em sítio de Atibaia), além de recursos via contratos fictícios. A ação atingiu também familiares e pessoas ligadas ao ex-presidente. Em pronunciamento na sede do PT, após ser liberado, Lula disse ter se sentido “prisioneiro” e alvo de perseguição. Não rebateu acusações, já negadas anteriormente, e convocou militantes a defenderem partido e governo. Afirmou ter dúvidas sobre candidatar-se à presidência em 2018, mas se disse decidido a sair às ruas do país. As reações se sucederam ao longo do dia. Procuradores disseram que ninguém está acima das leis na República. A presidente Dilma declarou-se inconformada e criticou a condução coercitiva, que dividiu especialistas ouvidos pela Folha. Manifestantes pró e anti-Lula entraram em confronto. A bolsa subiu 4% e o dólar caiu 2% (R$ 3,73). Para a oposição, a ação foi “o começo do fim”.           

O Estado de S.Paulo
"Lava Jato obriga Lula a depor; ex-presidente ataca ‘elites’"

O ex-presidente Lula foi obrigado a prestar depoimento à Polícia Federal no inquérito da Lava Jato que investiga desvios e corrupção na Petrobrás. Policiais chegaram ao apartamento de São Bernardo por volta de 6 horas da manhã. Lula foi ouvido por autoridades da força-tarefa durante quase três horas, em uma sala do Aeroporto de Congonhas. As ações da Operação Aletheia – que em grego significa “em busca da verdade” – provocaram reações nas ruas – houve confrontos entre apoiadores e manifestantes contrários ao ex- presidente –, no mercado financeiro e no ambiente político. De acordo com o despacho do juiz Sérgio Moro, há “fundada suspeita” de que o principal líder petista “teria recebido benefícios materiais, de forma sub-reptícia, de empreiteiras envolvidas na Operação Lava Jato, especificamente em reformas e benfeitorias de imóveis de sua propriedade”. Foram cumpridos mandados de busca e apreensão em diversos locais, entre eles o apartamento de Lula e o Instituto Lula. Em pronunciamento no Diretório Nacional do PT, Lula convocou a militância a defender o partido, atacou Sérgio Moro, a imprensa e as “elites”. “Me senti um prisioneiro. Fiquei magoado, ofendido”, disse. À noite, em discurso a militantes, Lula comparou a condução coercitiva a um “sequestro”.   
           

sexta-feira, março 04, 2016

Harbin SH-5


Coluna do Celsinho

Lula lá

Celso de Almeida Jr.

Muito triste...

Ver o ex-presidente Lula ser conduzido coercitivamente para prestar depoimento à Polícia Federal doeu.

Não se trata aqui de posicionar-se pró ou contra o político e seu partido.

Refiro-me ao estrago moral causado pelas estrepolias de Lula e vários aliados nos últimos anos.

Dentre os muitos absurdos, falados em lulês ou dilmês, a recente frase lapidar foi a gota d'água:

"Não tem uma viva alma mais honesta do que eu".

Pois é...

Nas próximas semanas e meses veremos a derrocada de um modelo político que levou o país à vergonhosa crise atual, onde a honestidade foi a grande ausente.

A conta desta aventura regada a ideologia barata, frases de efeito, bravatas e ilusionismo será paga por todos.

Tiraremos lições deste quadro dramático?

Espero que sim.

Para tanto, porém, os espíritos precisarão se desarmar e os militantes mais acalorados devem despertar do sono profundo que mergulharam, hipnotizados pelo discurso cínico e hipócrita que tanto mal tem feito ao Brasil.

Mantida a postura, como será o amanhã?

Lula lá?

Onde?

Façam suas apostas...

Visite: www.letrasdocelso.blogpsot.com 

Dominique

Opinião

Orgulho, preconceito e zumbis

Contardo Calligaris
Assisti a "Orgulho e Preconceito e Zumbis", de Burr Steers.

Eu não tinha lido o livro com o mesmo título, de Seth Grahame-Smith. Também tinha achado o trailer hilário: involuntariamente cômico. Entrei no cinema, portanto, perguntando-me: o que estou fazendo aqui? Eu logo saberia.

Jane Austen publicou "Orgulho e Preconceito" em 1813. É um grande romance de costumes, que revela os pensamentos e os valores dos (mais ou menos) privilegiados na Inglaterra de 1800. A moral da história ainda vale: por orgulho e preconceito, podemos desperdiçar nossa vida, renunciando a amores verdadeiros.

Apesar dos zumbis, o filme de Burr Steers é fiel ao espírito do livro de Austen. Aliás, diante da ameaça zumbi, algumas personagens adquirem dimensões interessantes: Mr. Darcy e Elizabeth Bennet têm em comum um espirito guerreiro –o qual, aliás, torna inesquecível a famosa "discussão" entre eles.

A Inglaterra de Grahame-Smith e do filme (também ao redor de 1800) deve se defender contra a invasão dos mortos-vivos. Londres é protegida por uma muralha, e quem reside no campo fortificou seu chalé ou seu castelo. Baboseira?

Tempo. Construir uma muralha ao redor da cidade para impedir a entrada dos zumbis? Inventar controles rigorosos para identificá-los? Isso é na Inglaterra de 1800 ou na Europa de 2016? São refugiados ou zumbis se pendurando no trem que atravessa o canal da Mancha? Ou derrubando portões entre Grécia e Macedônia?

Você dirá que os refugiados, à diferença dos zumbis, não mordem. Eu concordo com você, mas não sei se os europeus concordam conosco.

Primeiro, é sempre difícil fazer a diferença entre os que querem entrar para participar do baile e aqueles que, ressentidos, querem acabar mesmo com a festa.

Segundo, faz 1500 anos que os europeus se defendem de zumbis de todo tipo, e a memória coletiva é um tipo de herança genética –ela age em nós, mesmo que a ignoremos.

Em suma, eu fui assistir ao filme porque "sabia"(sem me dar conta) que ele era, para mim, estranhamente familiar –e não penso só na metáfora genérica dos abastados se protegendo dos famintos.

A Europa dos Estados centralizados que protegem seus cidadãos existe só após 1848. E antes disso?

Por que, desde o começo da Idade Média, torres e campanários surgem tão numerosos na paisagem europeia, tanto na costa quanto no interior? Para dar a alerta com sinos que fossem ouvidos de longe. Alerta contra o quê?

Desde o século 7, os europeus sobrevivem numa terra por onde passam hordas e gangues: são normandos, restos de exércitos dispersos, pestilentos sem nada a perder, bandidos. Todos querem saquear, queimar, estuprar, escravizar, matar.

Entre esses zumbis, depois que o Islã ocupou o Norte da África, no século 7, os mais ativos eram os piratas da costa berbere, ligados ao império Otomano. Eles matavam os inúteis e pobres, sequestravam os ricos (para pedir resgate) e vendiam os restantes como escravos.

Só no período final, de 1500 a 1800, na Europa (incluindo Islândia e Inglaterra), os piratas berberes capturaram mais ou menos 1 milhão de cidadãos (cerca de 1% da população de 90 milhões). Miguel de Cervantes, por exemplo, passou cinco anos sequestrado em Argel, esperando que seu resgate fosse pago.

Foram criadas ordens de religiosos, como os Trinitários, que se ofereciam para tomar o lugar dos sequestrados.

A partir de 1096, centenas de milhares de europeus participaram das Cruzadas. Queriam o perdão de seus pecados? Queriam retomar Jerusalém e o Santo Sepulcro? Queriam aventura e saque? Sim, tudo isso, mas o camponês do vilarejo talvez quisesse sobretudo o fim da precariedade de seu destino, ou seja, dos piratas.

O Canavese, de onde minha família é originária, está no norte do Piemonte, longe do mar, perto das montanhas entre Itália e França. Por mais de meio século, desde 911, cada passagem que permitia a travessia dos Alpes era controlada pelos piratas berberes. Grenoble e Sisteron, do outro lado, foram ocupadas por eles; mais perto da costa, foi o caso de Marselha, Narbonne, Carcassonne...

Agora, é verdade: comparados com os zumbis do passado, os refugiados são fichinha. Enfim, veja o filme e divirta-se, enquanto der.

Para saber mais, sugiro começar por Robert Davis, "Christian Slaves, Muslim Masters", da editora Palgrave MacMillan.

Original aqui

U.V.

Manchetes do dia

Sexta-feira 4 / 03 / 2016

O Globo
"Delação de Delcídio põe Dilma no centro da Lava-Jato"

Presidente é acusada de interferir na investigação
Delator: Lula mandou comprar silêncio de Cerveró
Planalto ataca vazamento de informações


Em depoimento prestado na negociação para uma delação premiada, o senador Delcídio Amaral (PT), líder do governo até novembro, pôs a presidente Dilma no centro da Lava-Jato ao afirmar que ela atuou para interferir nas investigações. No depoimento, revelado pela revista “IstoÉ”, Delcídio disse que, a pedido de Dilma, negociou o voto de um ministro do STJ para tentar soltar os empresários Marcelo Odebrecht e Otávio Azevedo. Afirmou também que ela sabia das irregularidades na compra da refinaria de Pasadena, nos EUA, e que o ex-presidente Lula ordenou a tentativa de comprar o silêncio do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró. Embora o senador diga que não confirma a reportagem, a revelação deixou o Planalto atônito. A oposição exigiu a renúncia e decidiu incluir as acusações no pedido de impeachment em tramitação. Dilma condenou o vazamento de dados, mas não comentou o conteúdo da delação.  

Folha de S.Paulo
"Ex-líder do governo liga Dilma e Lula à Lava Jato, e oposição pede renúncia"

Delcídio diz que ambos atuaram para obstruir a Justiça; eles negam e presidente critica vazamento como ‘arma política’

Em seu acordo de delação premiada, o senador e ex-líder do governo Delcídio do Amaral (PT-MS) afirmou que a presidente Dilma Rousseff e o antecessor Lula atuaram para tentar obstruir a Operação Lava Jato, que apura desvios na Petrobras. Trechos do documento foram publicados nesta quinta (3) pela revista “IstoÉ” e confirmados à Folha por pessoas próximas à investigação. O acordo com procuradores ainda precisa ser homologado pelo ministro do Supremo Teori Zavascki. Segundo Delcídio, Dilma tentou interferir três vezes na operação com ajuda de José Eduardo Cardozo, então ministro da Justiça. Numa delas, teria nomeado um ministro ao Superior Tribunal de Justiça com a missão de evitar punições a empreiteiros. O senador disse ainda que intermediou, a pedido de Lula, propina ao ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró para tentar evitar sua delação. Delcídio afirma também que o ex-presidente pagou pelo silêncio de Marcos Valério, um dos pivôs do mensalão. Após a revelação do acordo, a oposição pediu a renúncia de Dilma. Em reação, a Bolsa subiu (5,1%) e o dólar caiu para R$ 3,80 (2,1%). Para advogados e juristas, o vazamento da delação, que deveria ser sigilosa, não é suficiente para invalidá-la. A presidente negou as acusações e disse repudiar “o uso abusivo de vazamentos como arma política”. O ex-presidente Lula e José Eduardo Cardozo, atual advogado-geral da União, também negaram qualquer irregularidade.          

O Estado de S.Paulo
"Delcídio acusa Dilma e Lula na Lava Jato e agrava crise política"

Senador diz que presidente e ex-presidente se envolveram em tentativas de barrar investigações

Dilma teria acompanhado todo o processo de compra da refinaria de Pasadena
Depoimento é parte de acordo preliminar para delação
Dólar cai e Bolsa sobe

O senador Delcídio Amaral (PT-MS) disse em depoimento à Procuradoria-Geral da República que a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula se envolveram diretamente em tratativas para tentar barrar a Lava Jato. Em novembro, Delcídio foi preso, acusado de obstruir a operação. No testemunho de 400 páginas, ele relatou que Dilma acompanhou o processo de compra da refinaria de Pasadena (EUA), investigada sob suspeita de irregularidades. As primeiras revelações do ex- líder do governo são parte de acordo preliminar de delação premiada, revelado pela revista IstoÉ e confirmado pelo Estado. Delcídio afirmou que Lula atuou para evitar a delação de Nestor Cerveró e intermediou pagamentos à família do ex-diretor da Petrobrás em troca do silêncio dele. O ex-presidente, ainda de acordo com o senador, também trabalhou para frear as investigações da CPI do Carf sobre a suposta compra de MPs. Defesa de Delcídio diz não reconhecer “a origem, tampouco a autenticidade dos documentos”. Divulgação do depoimento pode inviabilizar acordo de delação. O noticiário provocou queda do dólar para R$ 3,81. O Ibovespa subiu 5,12%.   
           

quinta-feira, março 03, 2016

Dominique

Opinião

Sim, ele pode

João Pereira Coutinho
Hoje é dia de Super Terça nos Estados Unidos e só existe uma pergunta: como explicar o sucesso de Donald Trump? São infinitos os artigos que repetem a pergunta como se Trump fosse uma nova epidemia, pronta para destruir a humanidade.

Li muitos desses artigos. Parei, por motivos óbvios: já não aguentava tanto riso. A culpa é da ignorância do povo, diziam uns. A culpa é da mídia que deu palco a um "palhaço", diziam outros. Pessoalmente, talvez a culpa seja do aquecimento global, que derrete os neurônios de qualquer pessoa civilizada.

Mas o único artigo com pés e cabeça foi escrito por Daniel Drezner no "The Washington Post": se Trump vencer a indicação republicana, a culpa é dos cientistas políticos. A culpa, no fundo, é de pessoas como eu e da "ciência" que eu pratico. Maldito seja Daniel Drezner! E não é que ele tem razão?

Diz Drezner que, nos últimos anos, os "cientistas" desenvolveram uma teoria que consideravam infalível: nas eleições presidenciais, vence quem tem o apoio do partido.

Foi a confiança na "ciência" que levou o Partido Republicano a desprezar a ameaça Trump. Aliás, os outros candidatos conservadores se alinharam na mesma falácia: nos debates, gastaram munições uns contra os outros -e esqueceram-se de Trump, imperial e ileso. Agora é tarde, Inês é Marta.

"Mea culpa": também eu acreditava na "teoria dos partidos". Mais: um resto de otimismo acredita ainda. Pode ser que Marco Rubio consiga virar o jogo, diz a voz interior da esperança.

Pena que a realidade seja uma conspiração contra ela: depois de New Hampshire, da Carolina do Sul e de Nevada, Trump está em todo o lado. Entre os jovens, entre os velhos. Entre os moderados, entre os radicais. Entre os cultos, entre os incultos. Como foi que a "ciência política" não previu isso?

A essa eu respondo: porque a "ciência política", grosso modo, prefere o mundo como ele deveria ser -e não como ele é.

A Europa é um bom exemplo: em vários países do continente, e com a França em lugar de destaque, crescem os partidos extremistas que prometem combater a imigração, libertar o país do chicote fiscal de Bruxelas e encerrar as fronteiras aos malefícios da globalização.

E esse crescimento explica-se porque a imigração (sobretudo do Oriente Médio), a "austeridade" econômica e os desafios do cosmopolitismo são medos "reais", e não ilusórios, de populações que se sentem esquecidas pelas elites políticas "tradicionais".

No meio deste abismo, qualquer populista que ofereça soluções fáceis (e radicais) para os gritos da turba corre sérios riscos de vencer democraticamente uma eleição.

Infelizmente, essa evidência não perturba a "intelligentsia" da Europa: se os temas "incômodos" são incômodos, melhor não falar deles - uma espécie de "pensamento mágico" segundo o qual tudo desaparece se nada for mencionado. Na hora de votar, o bom senso democrático será soberano.

Como escreveu Peggy Noonan no "The Wall Street Journal", a política moderna está hoje dividida entre os "protegidos" e os "desprotegidos". Os primeiros encontram-se nos "partidos do sistema", na mídia cúmplice e, claro, nos "cientistas políticos" que sabem tudo, exceto política.

Os "desprotegidos" são todos os outros que se confrontam com a insegurança e a pobreza endêmicas, procurando em vão uma resposta vinda "de cima".

E se isso acontece na Europa, também se encontra nos Estados Unidos, defende Noonan. O sucesso de Trump explica-se pelo fato de ele não se apresentar como um "protegido"; antes como um "outsider".

Nas suas proclamações radicais, ele conquista os americanos que perderam a fé em Washington; que temem, com razão ou sem, as ameaças da imigração; e que clamam pelo "velho sonho americano", feito de oportunidades e riqueza para todos.

Quando venceu a corrida presidencial, o slogan de Obama era "Yes, We Can" -uma frase que lidava mais com o narcisismo do candidato do que com as preocupações dos cidadãos que ele procurava governar.

O slogan de Trump é "Make America Great Again": tão simples, tão tosco, tão eficaz.

Se a "ciência política" não confundisse o desejo com a realidade, teria compreendido que na diferença entre as duas frases está o segredo do fenômeno Trump. 

Original aqui

U.V.

Manchetes do dia

Quinta-feira 3 / 03 / 2016

O Globo
"Maioria do STF decide que Cunha deve virar réu"

Após votação, PT e oposição exigem afastamento imediato do cargo

Seis ministros consideram que há indícios suficientes para abertura de processo; julgamento será concluído hoje

A maioria dos ministros do STF decidiu transformar em réu o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, deflagrando pedidos de partidos de oposição e do PT para que ele se afaste imediatamente do cargo. Os seis ministros que votaram aceitaram a denúncia do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que falou em “propinolândia” para resumir a atuação do deputado. Acusado de corrupção e lavagem de dinheiro por supostamente ter exigido propina de uma empresa que fechou contratos com a Petrobras, Cunha disse que não sairá do cargo. Pelo celular, ele recebeu mensagem da mulher, Cláudia Cruz: “Calma. Deus sempre no controle. Ele põe. Ele tira. Ele faz.” O julgamento deve ser concluído hoje. 

Folha de S.Paulo
"Para maioria do Supremo, Cunha deve se tornar réu"

Para Janot, acusado atuou em ‘propinolândia’; deputado diz que não há provas

A maioria do Supremo Tribunal Federal votou pela abertura da primeira ação penal da Lava Jato contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Ele foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República sob acusação de corrupção e lavagem de dinheiro. O procurador-geral, Rodrigo Janot, disse que o deputado se valeu do mandato em uma “propinolândia” criada em contratos da Petrobras. Para o ministro Teori Zavascki, relator do caso, a denúncia apresentou indícios “robustos” do envolvimento de Cunha como esquema. Cinco dos 11 ministros seguiram o relator. O julgamento será retomado nesta quinta (3). Após o acolhimento da denúncia, Cunha se torna réu. A abertura de uma ação penal não significa culpa. É o primeiro passo do processo, durante o qual são ouvidas testemunhas e o acusado. O advogado de Eduardo Cunha, Antônio Fernando de Souza, afirmou que não existem documentos que comprovem o pagamento de propina ao deputado. O presidente da Câmara disse ainda que não há razão para que ele se afaste do comando da Casa.  

quarta-feira, março 02, 2016

Dominique

Opinião

Estão maltratando VC

Elio Gaspari
Quando chegou ao Brasil, vindo de Nova York, Victor Civita tinha algumas centenas de milhares de dólares e uma licença para imprimir revistas de quadrinhos de Walt Disney. O Pato Donald e Mickey eram bons parceiros. Isso foi em 1949. São Paulo ainda não tinha o parque do Ibirapuera, a avenida Paulista era uma alameda de palacetes e no bairro de Pinheiros havia um incinerador de lixo.

Civita morreu em 1990, aos 83 anos. Em quatro décadas, transformou uma pequena empresa na maior editora de revistas do país, revolucionou a relação do brasileiros com os livros, levando-os para as bancas de jornais, ajudou a redesenhar as relações do mercado publicitário com as publicações que recebiam seus anúncios e deu aos jornalistas um grau de independência pouco comum na época. Em 2008, a área onde funcionava o incinerador de lixo de Pinheiros foi transformado num espaço cultural e se chama Praça Victor Civita.

Na década de 50 as grandes agências de publicidade ficavam no Rio, administrando seus anúncios sob forte influência de relações pessoais. Civita rolava com sua pasta, mostrando que sua editora paulista batia de longe a circulação dos rivais. Em 1961, quando foi criado o Instituto Verificador de Circulação, IVC, havia quem o chamasse de Instituto Victor Civita.

Sua principal iniciativa foi o lançamento, em 1968, da revista "Veja", que circulou durante anos no prejuízo. (Ao contrário das lendas contemporâneas, se ela não fechou foi porque ele não deixou.) Nessa época, como Tio Patinhas, Civita nadava em dinheiro. Fascículos de receitas culinárias vendiam como pão. Foi dado por louco quando decidiu vender semanalmente em bancas de jornais uma coleção de clássicos da literatura universal. Começou com "Os Irmãos Karamazov", de Dostoiévski. Se a coleção vendesse menos de 50 mil exemplares, iria a pique. Vendeu 270 mil. Seguiram-se os "Pensadores" e os "Economistas". Platão vendeu 250 mil. Nas traduções e notas desses livros trabalhavam 300 professores, muitos desempregados pela ditadura. Jacob Gorender, por exemplo, traduzia na prisão.

Civita viveu sempre no mesmo apartamento de Higienópolis e dirigia o próprio carro (nacional). Dava-se ao luxo de hospedar-se no Sherry Netherlands de Nova York, mas tinha sempre à mão o kit com que fazia seu café da manhã. Limusine? Nem pensar.

A manutenção da praça Victor Civita custa R$ 2 milhões anuais e até bem pouco tempo foi bancada pela Editora Abril com uns poucos patrocinadores. A editora, que neste ano viveu duas reestruturações e desde 2014 passou adiante pelo menos 17 títulos, desistiu do mecenato.

A praça Victor Civita é hoje um dos melhores pontos de encontro de jovens paulistanos em busca de cultura. A retirada dos patrocínios mistura encrencas burocráticas, mas sua essência é só uma: faltam R$ 2 milhões anuais para mantê-la. Isso é uma fração mínima do que "VC" deixou para seus descendentes. Como o dinheiro é deles, ninguém tem nada com isso.

O que Victor Civita deixou para a imprensa e a cultura nacionais vale muito mais que esse pixuleco. Um lugar aonde se vai atrás de um bom show, palestra ou filme vale muito mais. Não trata de parar de maltratar "VC", mas de não maltratar quem está vivo.

Original aqui

U.V.

Manchetes do dia

Quarta-feira 2 / 03 / 2016

O Globo
"Novo ministro da Justiça não agrada a aliados de Lula"

Wellington César, que toma posse amanhã, diz que não fará troca na PF

A saída de José Eduardo Cardozo, por pressão do PT, não foi suficiente para acalmar o partido, que esperava a escolha de um político; oposição e entidades sindicais ligadas à PF veem risco à Lava-Jato

A decisão da presidente Dilma Rousseff de, mesmo com desgaste pessoal, ceder à pressão do PT e aceitar a demissão do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, não foi suficiente para amansar os petistas. O nome do novo titular, Wellington César Lima e Silva, ex-procurador na Bahia, não agradou aos aliados do ex-presidente Lula, que esperavam uma nomeação mais política. O PT chegou a preparar uma lista com quatro indicações, esperando ver na pasta alguém do partido. Em entrevista ontem, Wellington César, que toma posse amanhã, afirmou que não fará mudanças imediatas na Polícia Federal. A oposição e entidades sindicais ligadas à PF criticaram a escolha, porque consideram a troca uma forma de o governo federal interferir nas investigações da Lava-Jato.  

Folha de S.Paulo
"Andrade Gutierrez diz ter pago R$ 6 mi para caixa 2 de Dilma"

Delator e ex-presidente da empresa afirma que Palocci negociou repasse em 2010; ex-ministro nega

Otávio Azevedo, ex-presidente da empreiteira Andrade Gutierrez, afirmou à Lava Jato que negociou com o ex-ministro Antonio Palocci o pagamento de R$ 6 milhões para o caixa dois da campanha de Dilma em 2010, informa Márcio Falcão. No acordo para a delação, Azevedo disse que o repasse foi feito via contrato fictício com a agência de comunicação Pepper, que atendi ao PT. Os depoimentos dele e de outros dez executivos ligados à Andrade Gutierrez devem durar até o final do mês. Se comprovada a irregularidade, os efeitos não seriam eleitorais, como perda de mandato, pois o caso se refere ao mandato encerrado em 2014. Mas pode haver apuração criminal, o que aumentaria a pressão sobre um governo já fragilizado. José de Filippi Jr., ex-coordenador financeiro da campanha petista, a Pepper prestou serviços“ regularmente”. Em sua defesa, Palocci negou ter feito o pedido e disse não conhecer a Pepper. A agência afirmou ter atuado legalmente para a Andrade. Os 11 executivos também vão relatar pagamentos de propina para o PT e o PMDB, por meio de doações legais, nas obras da usina nuclear de Angra 3, da hidrelétrica de Belo Monte, na Petrobras e em três estádios da Copa. Os partidos negam.         

O Estado de S.Paulo
"Empreiteira diz que pagou despesa na eleição de Dilma"

Em delação, executivos da Andrade Gutierrez relataram que a empresa fez pagamentos a agência de propaganda

Executivos da Andrade Gutierrez relataram em delação premiada na Operação Lava Jato que a construtora fez pagamentos diretos a empresa contratada pela campanha de Dilma Rousseff em 2010. Eles também afirmaram, segundo fontes com acesso à investigação, que a empreiteira pagou por pesquisas eleitorais. No total, 11 executivos da empresa fizeram acordo de delação, entre eles Otávio Azevedo, ex-presidente do grupo, e Flávio Barra, ex-presidente da construtora. Em 2010, a agência de propaganda Pepper, investigada na Lava Jato, recebeu 16 pagamentos da Andrade Gutierrez que somaram R$ 6,5 milhões. Conforme as investigações, o contrato com a empreiteira seria fictício. A Pepper informou que não falaria sobre o caso. O coordenador financeiro da campanha, José de Filippi Jr., informou que os serviços foram contabilizados nas prestações de contas aprovadas pelo TSE.  
           

terça-feira, março 01, 2016

Dominique

Opinião

Ler e falar

Ferreira Gullar
O fato de que, nas provas do Enem, é cada vez menor as referências à literatura brasileira –o mesmo ocorrendo nos exames de vestibulares– causou preocupação nos membros da Academia Brasileira de Letras que, em face disso, decidiu manifestar-se sobre o assunto.

Essa questão foi trazida à ABL, no final do ano passado, por Arnaldo Niskier, que havia representado a instituição numa reunião promovida na Comissão de Educação da Câmara Federal pela deputada Maria do Rosário, do PT do Rio Grande do Sul. Ela realizou uma audiência pública para debater a situação da leitura e do ensino da literatura particularmente no ensino médio. A constatação lamentável é que, se não se estimula a leitura da literatura e seu ensino, não há razão para que a matéria faça parte dos exames e das provas.

A iniciativa da deputada em trazer à discussão esse fato merece o apoio da intelectualidade e dos cidadãos conscientes da importância da literatura para a vida nacional. Não obstante, nem todos têm essa compreensão e há mesmo, em certos setores, a tendência a ver o ensino da literatura como um resto do elitismo que deve ser eliminado da formação dos jovens.

Se minha observação for procedente, a ausência da literatura na formação da nossa juventude seria parte de um fenômeno mais amplo, que afeta outros setores da sociedade brasileira e que tem raízes mais profundas do que parece à primeira vista. Para nos atermos ao âmbito literário e do ensino, lembro da tendência entre filólogos e gramáticos de considerar que não há erros no uso da língua, mas apenas modos diversos de usá-la conforme a classe social de quem a usa. Ou seja, há a língua culta, falada pelos que têm cultura, e a língua do povo inculto, que não tem acesso à educação.

A constatação, até certo ponto, é correta, mas deduzir dela a conclusão de que tanto faz dizer "nós vamos" quanto "nós vai" é um equívoco que contraria a natureza da linguagem. Falar corretamente não é uma manifestação elitista e, sim, o resultado da necessidade humana de se expressar com coerência e clareza. Não sou linguista nem muito menos sei (alguém sabe?) como se formaram os idiomas, mas tenho certeza de que não se trata da invenção de um sujeito erudito e presunçoso que decidiu inventar as concordâncias entre sujeito e verbo, adjetivo e substantivo. Na verdade, fico fascinado ao constatar, já nas primeiras manifestações literárias, a concordância e a coerência entre os elementos da linguagem.

Como tampouco creio que os idiomas foram criados por Deus, contento-me em admitir que eles expressam, tanto quanto possível, a lógica que descobrimos no mundo e que nos ajuda a reinventá-lo. Pode ser até que a lógica da linguagem não seja a mesma do mundo –cuja complexidade excede à nossa compreensão–, mas, como nos ensina o exemplo da Torre de Babel, um idioma sem normas torna inviável o entendimento e, consequentemente, o convívio humano.

Claro que, por felicidade, estamos longe disso. O que importa aqui é afirmar que falar e escrever corretamente não são esnobismos, mas necessidades da linguagem humana.

Certamente, há que distinguir a linguagem falada da escrita. A fala coloquial, pelas circunstâncias em que se exerce, com frequência viola a correção da linguagem escrita. Tampouco teríamos que exigir, mesmo desta, um rigor sem concessões. Errar é humano e, modéstia à parte, citando a mim mesmo, cabe lembrar que "a crase não foi feita para humilhar ninguém".

Em suma, ninguém deve ser punido por errar na concordância vocabular. Tampouco é correto subestimar o homem do povo que desconhece as regras gramaticais e, por isso mesmo, fala errado.

O que, porém, não se pode aceitar é que linguistas e gramáticos afirmem que não se deve exigir que se fale e escreva corretamente, quando eles mesmos falam e escrevem conforme as regras gramaticais. 

Original aqui

U.V.

Manchetes do dia

Terça-feira 1 / 03 / 2016

O Globo
"PF investiga se Santana comprou imóvel de laranja"

Apartamento já foi de diretor da holding da Odebrecht

Com 306m², quatro suítes, e a um custo de R$ 6 milhões, ele foi pago em parte com dinheiro de offshore não declarada pelo marqueteiro do PT

Um imóvel de luxo em nome do marqueteiro João Santana, pago em parte com dinheiro não declarado da offshore Shellbil, foi comprado de um suposto laranja, segundo a Lava-Jato. O apartamento, em São Paulo, de 306m², com quatro suítes e cinco vagas, vale R$ 6 milhões e pertenceu, por 24 horas, a Ruy Lemos Sampaio, diretor da holding que controla a Odebrecht, revelam RENATO ONOFRE, SILVIA AMORIM e TIAGO DANTAS. Presa desde a semana passada com o marqueteiro, sua mulher, Mônica Moura, mantém ativa a vida nas redes sociais. Em defesa apresentada ontem, Marcelo Odebrecht argumentou que algumas das anotações em seu telefone — que se tornaram provas nas investigações — são, segundo ele, a reprodução de pensamentos de terceiros.   

Folha de S.Paulo
"Sob pressão, Dilma coloca aliado de Wagner na Justiça"

Mudança ocorre após críticas de Lula e do PT e gera temor sobre futuro da Lava Jato

Forte pressão do ex-presidente Lula e do PT sobre o ministro José Eduardo Cardozo (Justiça) levou a presidente Dilma a tirá-lo do cargo nesta segunda-feira (29). Em seu lugar, com aval do petista, assume Wellington César, aliado do ministro da Casa Civil, Jaques Wagner. Baiano, César é promotor, tem perfil técnico e pouca musculatura na política. Cardozo comandará a Advocacia- Geral da União, cuidando da defesa do governo no processo de impeachment de Dilma e de acordos de leniência das empresas investigadas na Lava Jato. A mudança provocou dúvidas entre investigadores sobre o futuro da operação que apura corrupção da Petrobras. Entidades ligadas à Polícia Federal se disseram preocupadas. Para elas, Cardozo saiu devido a “pressões políticas para que controle os trabalhos” da PF. A Lava Jato investiga se Lula recebeu vantagens indevidas de empreiteiras, em um sítio e em um tríplex em SP, enquanto ainda estava na Presidência, em 2010. Interlocutores do ex-presidente dizem ser preciso observar a atuação de César antes de comemorar.         

O Estado de S.Paulo
"Lava Jato apura se Lula recebeu vantagem indevida no mandato"

Para continuar investigando, procurador diz ao STF que caso envolve fatos do período em que petista era presidente

Pela primeira vez desde o início da Operação Lava Jato, a força-tarefa em Curitiba admitiu que apura supostas vantagens ilegais recebidas pelo ex-presidente Lula quando ele estava no Palácio do Planalto. A informação foi incluída na manifestação enviada ao STF pelo procurador da República Deltan Dallagnol sobre ação protocolada na Corte por Lula. O ex-presidente alega ao Supremo haver conflito de atribuições entre o Ministério Público Federal e o Ministério Público de São Paulo na condução das investigações contra ele e pede que o tribunal defina qual Ministério Público deve conduzir as apurações sobre duas propriedades que os investigadores suspeitam pertencer ao petista – o sítio em Atibaia e o tríplex no Guarujá. Os advogados de Lula alegam que a legislação impede duplicidade de investigações sobre um mesmo objeto. De acordo com Dallagnol, a investigação se baseia na suspeita de que Lula foi beneficiado por empreiteiras investigadas por corrupção na Petrobrás. 
           
 
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