sábado, fevereiro 13, 2016

Dominique

Opinião

O tesouro da memória da CIA

Elio Gaspari
Em setembro do ano passado a Central Intelligence Agency colocou na rede um tesouro com cerca de 2.500 documentos com as sinopses diárias que eram entregues de manhã ao presidente dos Estados Unidos entre 1961 e 1969. Coisa que só a democracia americana é capaz de fazer, pois a brasileira até hoje escamoteia análises que eram mandadas semanalmente pelo Serviço Nacional de Informações aos generais-presidentes.

As sinopses da CIA enviadas ao presidente John Kennedy entre 1961 e 1963 têm um máximo de cinco páginas, com vinte tópicos. Com a posse de Lyndon Johnson, que não gostava de lê-las, elas encolheram e às vezes cabiam numa só folha. No material liberado ainda há trechos embargados, escondendo uns 10% do conjunto.

Lendo esses papéis vai-se à alma do governo americano durante a Guerra Fria, sobretudo com o Vietnã. As sinopses não refletem tudo o que a CIA informava, mas apenas o que dizia ao presidente naquela hora. Em relação ao Brasil, tomando-se como amostra apenas essas sinopses, a CIA forçava a barra e, num caso, mentiu.

Em 1961, diante da inesperada renúncia do presidente Jânio Quadros, ela deu de barato que o vice-presidente João Goulart, "fortemente esquerdista", deveria ser o sucessor de Jânio. Três dias depois da renúncia, com o país correndo o risco de ter uma guerra civil, ela informou a Kennedy que os dispositivos da Constituição eram "complicados". Não podiam ser mais claros: assumiria o vice. Na primeira hora a CIA parecia torcer para que o veto dos ministros militares a Jango prevalecesse.

Os tópicos são secos, com pouquíssimos momentos de humor. Um deles, do dia 2 de março de 1967, conta em quinze linhas o encontro do general Vernon Walters, adido militar no Brasil, com o presidente Castello Branco, que deixaria o governo duas semanas depois. Castello elogiou o marechal Arthur da Costa e Silva, seu sucessor, e Walters contou-lhes algumas piadas que rondavam a figura de "seu" Arthur. O cabeça-chata Castello riu de uma delas, segundo a qual depois de ter sido presidido por três anos por um presidente sem pescoço, o Brasil seria governado por outro sem cabeça. A CIA sempre temeu que Costa e Silva levasse a vaca para o brejo. (Outra piada dizia que o marechal mobilizara o Exército para descobrir quem roubara sua biblioteca, pois não acabara de colorir o segundo volume.)

Às vezes a CIA errava no curto prazo, mas era profética. Em fevereiro de 1966, numa rara análise alentada, listou três dirigentes chineses com possibilidades de vir a governar a China depois de Mao Zedong. O primeiro era o presidente Liu Shao Shi. Depois vinha o primeiro-ministro Zhou en Lai. Estourou a Revolução Cultural, Liu foi para a cadeia e morreu em circunstâncias lastimáveis, Zhou foi escanteado e o terceiro viu-se transformado em operário numa pequena cidade. Seu filho, jogado de uma janela, ficou paralítico.

Chamava-se Deng Xiao Ping, deu a volta por cima e depois da morte de Mao, em 1976, construiu a nova China.

Serviço: "The Collection of Presidential Briefing Products from 1961 to 1969" está na rede.

Original aqui

U.V.

Manchetes do dia

Sábado 13 / 02 / 2016

O Globo
"Casos de microcefalia ligada à zika sobem 141%"

Em apenas dez dias, registros aumentaram de 17 para 41

Exército fará mobilização contra o mosquito hoje, mas não irá a áreas com risco de conflitos

O número de casos confirmados de microcefalia associada ao vírus zika cresceu 141% em dez dias, passando de 17 para 41, segundo o Ministério da Saúde. Ainda há 3.852 casos sendo investigados. O Nordeste é a região com o maior número de doentes. O governo fará hoje mobilização contra o Aedes, mas o Exército informou que não irá a áreas conflagradas. Ontem, garis da Comlurb retiravam entulho acumulado há semanas no local que será visitado pela presidente Dilma, em Santa Cruz, no Rio.

Folha de S.Paulo
"Campanha de Dilma não teve caixa 2, diz Cardozo"

Lava Jato suspeita que empreiteira fez repasse no exterior a marqueteiro do PT

O ministro José Eduardo Cardozo (Justiça) afirmou ter “absoluta convicção” de que não houve caixa dois na campanha de reeleição da presidente Dilma (PT). A Lava Jato suspeita, conforme a Folha publicou nesta sexta (12), que a Odebrecht fez repasses para contas no exterior controladas por João Santana, marqueteiro das campanhas da petista em 2010 e 2014. Para o ministro, não há elementos substanciais na mensagem apreendida de Marcelo Odebrecht em que o empreiteiro afirma: “Dizer do risco de cta na Suíça chegar na campanha dela”. Cardozo disse ainda que o então tesoureiro da campanha petista e atual ministro Edinho Silva (Comunicação Social) sempre reafirmou a legalidade e a aprovação dessas contas partidárias. Em sua delação, o empreiteiro Ricardo Pessoa afirmou que foi persuadido por Edinho Silva para doar mais à campanha. A Procuradoria- Geral da República pediu ao Supremo para investigar o atual ministro, que nega ter se beneficiado do petrolão. Os advogados de João Santana negaram qualquer irregularidade e criticaram a falta de acesso ao inquérito no qual ele é citado.   

O Estado de S.Paulo
"Propina serve para ‘comprar apoio político’, afirma Janot"

Procurador-geral diz ao Supremo que dinheiro desviado da Petrobrás foi usado para formar coalizões partidárias

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, afirmou, em parecer ao Supremo Tribunal Federal (STF), que verbas públicas foram usadas para comprar apoio político e partidário. O esquema está sob investigação da Operação Lava Jato. “Pelo até aqui apurado, o uso de apoio político deixou de ser empenhado em razão de propostas ou programas de partido. As coalizões deixaram de ocorrer em razão de afinidades políticas e passaram a ser decididas em razão do pagamento de somas desviadas da sociedade, utilizando- se, para tanto, de pessoa jurídica que, até o início da operação policial, gozava de sólida reputação no mercado financeiro mundial”, escreveu Janot, em referência ao pagamento de propinas a agentes políticos em contratos da Petrobrás. No parecer, o procurador-geral também defende rejeição de agravo protocolado pela defesa do ex-ministro Antonio Palocci. 
           

sexta-feira, fevereiro 12, 2016

Avro RJ100


Coluna do Celsinho

2º Workshop Pedagogia e Cultura Aeronáutica

Celso de Almeida Jr.

Neste 13 de fevereiro, sábado, acontece no Colégio Dominique o 2º Workshop Pedagogia e Cultura Aeronáutica.

A exemplo do primeiro - promovido em agosto de 2015 - professores da educação infantil ao ensino médio e profissionais da aviação ajustam uma linguagem apropriada para crianças e jovens sobre este fascinante tema.

No Colégio Dominique, vale lembrar, a cultura aeronáutica já é o principal tema transversal.

A ideia, entretanto, é expandir o conteúdo para professores e alunos de qualquer instituição de ensino interessada, gratuitamente.

Para tanto, o portal do Núcleo Infantojuvenil de Aviação - NINJA - continua sendo estruturado e, brevemente, poderá ser acessado por qualquer escola brasileira.

Para ilustrar, recomendo uma visita ao Blog do NINJA, que diariamente publica assuntos ligados a aviação.

Nele, visite os Detalhes do Projeto e saiba mais sobre esta atividade desenvolvida e gerenciada em Ubatuba, que tem o apoio de voluntários daqui e de outras cidades.

O NINJA trabalha em sintonia com o Aeroclube de Ubatuba, sob a supervisão do Instituto Salerno-Chieus.

Estes, integrados, divulgarão em março o calendário de eventos 2016, que promete mobilizar as escolas da cidade.

Vale brindar a iniciativa e procurar apoiar, sempre, tudo o que contribua para a formação de nossas crianças e jovens.

Assim, com dedicação e entusiasmo, vamos em frente!!

Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com

Dominique

Opinião

O petismo encurralado

O objetivo agora não é salvar o mandato de Dilma, mas salvar o mito Lula, mito que se confundiu com o próprio partido

Gustavo Müller, O Globo
Elio Gaspari dividiu em quatro livros os períodos da ditadura militar; “A ditadura envergonhada”, “A ditadura escancarada”, “A ditadura encurralada”e “A ditadura derrotada”. Com base nos fatos, nas investigações, nos inquéritos e no que já transitou em julgado, seria possível a utilização de pelo menos três das fases de Gaspari para tentar compreender a era petista.

Os fatos envolvendo a não esclarecida morte de Celso Daniel até o caso Valdomiro Diniz poderiam se enquadrar na fase do “petismo envergonhado”.

Havia suspeita de arrecadação ilícita de fundos para as campanhas por meio de propina cobrada de empresas que prestavam serviço à prefeitura de Santo André e, segundo o que foi veiculado pela imprensa, 
Celso Daniel não teria compactuado com tal esquema. Já no caso Diniz, trata-se de um assessor da Casa Civil, na época de José Dirceu, que teria arrecadado dinheiro junto ao jogo do bicho.

A fase do “petismo escancarado” cobriria tanto o mensalão como o petrolão. Nessa fase, os esquemas de corrupção ganham uma denominação superlativa. Mas não apenas isso. No “petismo escancarado”, tanto o presidente Lula quanto a cúpula dirigente do partido e seus “intelectuais orgânicos” lançam mão de malabarismos retóricos para dizer que, na verdade, se trata de uma conspiração “da mídia nativa”.

O “petismo escancarado” do mensalão tentou uma narrativa romanceada na qual não era possível governar sem a compra de apoio. Já no petrolão, a exemplo de Goebbels, repete-se exaustivamente que “todas as doações foram declaradas à Justiça Eleitoral”, omitindo-se o fato de que se trata de contratos superfaturados.

Todavia, quando Lula se torna alvo das investigações, parte-se da suspeita de ocultação de patrimônio, entramos na fase do “petismo encurralado”. O objetivo agora não é salvar o mandato de Dilma, mas salvar o mito Lula, mito que se confundiu com o próprio partido.

Tal qual o personagem do filme “A grande ilusão”, que conquistou o eleitorado de seu estado repetindo a frase “um caipira tem que votar em outro caipira”, Lula, um filho do Brasil, encarnava na própria pele o suor do povo brasileiro.

A partir do momento em que o Lula de tantas lutas aceita de bom grado, para seu merecido descanso, duas dachas, o mito se desfaz. A corrupção perde o seu sentido teleológico para adquirir conotações “humanas, demasiadamente humanas”, e a narrativa do líder popular adquire um tom opaco que não combina com o tampo da pia da cozinha do seu tríplex. O petismo agora se encontra encurralado em um elevador privativo.

“A ditadura derrotada” de Gaspari faz alusão à derrota da linha-dura. A passagem do petismo encurralado para o petismo derrotado dependerá do que sobrar das instituições democráticas.

Gustavo Müller é professor de Ciência Política da Universidade Federal de Santa Maria

Original aqui

U.V.

Manchetes do dia

Sexta-feira 12 / 02 / 2016

O Globo
"Com previsão de novo rombo, governo não sabe onde cortar"

Decisão sobre contingenciamento de gastos é adiada para março

Para cumprir meta de superávit fiscal, União teria que reduzir despesas em R$ 60 bi

Sem conseguir decidir como cortar gastos, o governo adiou para março o contingenciamento de despesas. Para cumprir a meta deste ano, de superávit fiscal de 0,5% do PIB, seria preciso cortar R$ 60 bilhões. Mas até um corte mais modesto, de R$ 20 bilhões, foi considerado excessivo no Planalto, e o governo decidiu ganhar tempo para tentar avançar com a reforma da Previdência. Analistas preveem que o país terá déficit fiscal este ano.

Folha de S.Paulo
"Suposto repasse da Odebrecht a publicitário do PT é investigado"

Um dos focos da Lava Jato são pagamentos na Suíça em 2014, quando João Santana fez a campanha de Dilma

A força-tarefa da Operação Lava Jato investiga repasses, no exterior, atribuídos a subsidiárias da empreiteira Odebrecht a contas controladas pelo marqueteiro João Santana, responsável por campanhas do PT, como as da presidente Dilma. Um dos focos da investigação são pagamentos feitos na Suíça em 2014, quando ele fez campanhas presidenciais no Brasil e no Panamá (onde a empreiteira brasileira também atua), informam Daniela Lima, Marina Dias e Graciliano Rocha. Oficialmente, João Santana recebeu R$ 88,9 milhões da campanha de Dilma naquele ano. Outros pagamentos, se confirmados, seriam em tese crime de caixa dois. Os dados financeiros de Santana foram enviados ao país pela promotoria suíça. A Odebrecht, maior empreiteira do país, cresceu nos governos petistas e é investigada por suspeita de corrupção em obras da Petrobras. O presidente da empresa, Marcelo Odebrecht, está preso sob acusação de envolvimento com o petrolão. O advogado de João Santana, Fábio Tofic, diz que seu cliente não foi informado que é alvo de investigação e que todos os repasses recebidos no exterior são regulares. A Odebrecht informou que “desconhece o inquérito mencionado”.  

O Estado de S.Paulo
"Governo adia corte e agrava temor sobre política fiscal"

Anúncio do contingenciamento definitivo das despesas do Orçamento fica para março; mercado reage mal

A presidente Dilma Rousseff adiou para março o anúncio do contingenciamento das despesas do Orçamento que estava previsto para hoje. A decisão foi mal recebida pelo mercado. A avaliação de analistas é de que o governo não está comprometido com o ajuste. O adiamento e a deterioração do cenário internacional puxaram a Bovespa, que teve queda de 2,62%, a terceira consecutiva. O dólar subiu 1,43%. Até o mês que vem, a equipe econômica quer preparar proposta mais ampla de reforma fiscal. Entre os itens em discussão está a criação de uma banda de flutuação da meta de superávit primário. A proposta até ontem era cortar entre R$ 16 bilhões e R$ 18 bilhões, mas o plano foi descartado. A avaliação foi de que ele não seria crível para mostrar disposição em cumprir a atual meta fiscal. Para atingi-la, o contingenciamento deveria ser de R$ 50 bilhões a R$ 60 bilhões. 
           

quinta-feira, fevereiro 11, 2016

Dominique

Opinião

Comunista e traidor

Contardo Calligaris
Cresci militando na esquerda. E sempre escutava o mesmo bordão: "Por que você não vai para a Rússia ou para a Bulgária (que era mais pobre ainda) ver o que é bom para a tosse?".

Eu sabia que detestaria viver em qualquer país do outro lado da Cortina de Ferro. Já tinha viajado por aquelas bandas, várias vezes. E juntara um catálogo de experiências que era suficiente para preferir a Itália –mesmo com a dita Democracia Cristã, a injustiça e a breguice dos emergentes do "milagre" do pós-guerra.

Melhor aquela Itália do que a Bulgária do começo dos anos 1960, em que uma menina tinha pedido para que eu lhe mostrasse uma coisa que ela não tinha, sonhava em ter e achava que nunca teria –nenhuma alusão ao órgão sexual: o que ela queria ver era meu passaporte.

No dia seguinte, no saguão do hotel, em Sófia, ela foi embora entre dois agentes que pareciam desenhados pela Marvel para assustar. De longe, ela me fez um sinal para não me preocupar. Essa história me dói ainda hoje. Onde está James Bond quando a gente precisa dele?

Em suma, eu queria que a Itália inventasse "seu" socialismo; não tinha a menor vontade de que o país atravessasse a Cortina de Ferro. E, se fosse mesmo para dividir o mundo em dois blocos, cada um com seus países satélites, preferiria que fôssemos um satélite dos Estados Unidos.

Tanto faz. O que importa é que, naquelas primeiras décadas depois da Segunda Guerra, falar sobre projetos de sociedade se tornou quase impossível.

Pensei nisso, intensamente, assistindo a "Trumbo: Lista Negra", de Jay Roach. Bryan Cranston (o protagonista de "Breaking Bad") é Dalton Trumbo, talvez o melhor roteirista de Hollywood no fim dos anos 1940.

A história é verdadeira: Trumbo e mais nove (quase todos roteiristas) foram investigados pelo Congresso dos Estados Unidos por terem sido ou serem comunistas ou socialistas. Como eles não cooperaram com a comissão do Congresso (uma espécie de CPI), eles foram presos por um ano.

Durante mais de uma década, a indústria de Hollywood colocou 300 roteiristas, atores, músicos, diretores (Charlie Chaplin e Orson Welles entre eles) numa lista negra de pessoas impedidas de trabalhar: o filme que os empregasse seria boicotado por uma associação de figuras sinistras, entre as quais se destacava John Wayne.

A perseguição acabou quando os "Studios" de Hollywood (começando por um grande ator e um grande diretor) decidiram não aceitar mais a chantagem da denúncia por "antiamericanismo".

Agora, a força dessa chantagem na opinião pública não tinha muito a ver com algum horror que inspirariam as ideias socialistas (a maioria dos cidadãos as ignorava totalmente).

Acontece que a Guerra Fria tinha conseguido impedir qualquer debate de ideias, porque transformara uma divergência de opinião num crime de traição. Você é comunista? Você é um agente soviético. Você é liberal? Você é um agente dos EUA.

Saí de "Trumbo" pensando três coisas: primeiro, que a coragem é sempre admirável –no caso, a coragem de não se desmentir.

Segundo, que é incrível que, hoje, Bernie Sanders, um candidato viável à presidência dos EUA, possa se declarar socialista, apresentar suas ideias e não ser acusado de traição. O fim da Guerra Fria serviu para alguma coisa.

Terceiro, que talvez Stálin tivesse razão. Essa vou ter que explicar.

Depois da morte de Lênin, em 1924, Trótski pensava que a revolução soviética deveria incentivar outras revoluções socialistas mundo afora (deu, como exemplo, Che Guevara e Régis Debray na Bolívia etc.), porque o comunismo só seria viável se o mundo inteiro fosse comunista. Stálin, ao contrário, achava possível construir o socialismo num só país.

Trótski foi derrotado, exilado e, mais tarde, em 1940, assassinado (sobre essa história, leia o lindo livro de Leonardo Padura, "O Homem que Amava os Cachorros", lançado pela Boitempo).

Mas, em sua grande maioria, a esquerda internacional pensou que Stálin trocava a esperança revolucionária de todos os povos pela constituição de uma burocracia nacional tacanha.

Claro, Stálin era detestável, mas, sem o espantalho do sonho internacional trotskista, quiçá tivesse sido possível, nas décadas passadas, pelo vasto mundo, ser socialista ou comunista discutindo ideias, sem ser demonizado como traidor da pátria. Aqui no Brasil, por exemplo, sem ouvir: se você não gosta do país, "ame-o ou deixe-o". 

Original aqui

U.V.

Manchetes do dia

Quinta-feira 11 / 02 / 2016

O Globo
"Ex-presidente da Andrade Gutierrez volta a ser preso"

Moro decide usar provas suíças contra a Odebrecht

Solto na sexta passada após fechar acordo de delação premiada, Otávio Azevedo vai para a cadeia novamente, desta vez por suposto desvio na Eletronuclear

Há apenas cinco dias em prisão domiciliar, o ex-presidente da Andrade Gutierrez Otávio Azevedo foi novamente preso ontem pela PF, em São Paulo. A prisão foi ordenada pelo juiz Marcelo da Costa Bretas, da 7ª Vara Federal no Rio, que investiga fraudes na Eletronuclear desde que a Lava-Jato foi fatiada. A prisão domiciliar fora decidida pelo juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, após acordo de delação premiada. O juiz do Rio entendeu que a decisão de Moro não revoga mandado de prisão já expedido por ele na investigação da Eletronuclear. Em outro processo, Moro considerou válidas as provas enviadas pela Suíça contra a Odebrecht. 

Folha de S.Paulo
"Juiz Moro considera válida prova suíça contra a Odebrecht"

Segundo decisão, papéis foram obtidos em trâmite irregular, mas não ilícito; medida ‘rasga a Constituição’, diz advogada

O juiz da Lava Jato, Sergio Moro, decidiu que documentos vindos da Suíça,em trâmite considerado irregular naquele país, mas não ilícito, podem ser usados em processos penais contra a empreiteira Odebrecht. Os papéis indicam que a empresa utilizou uma off-shore para pagar US$ 565 mil em propina a Renato Duque, ex-diretor da Petrobras. A defesa dele nega o pagamento. Antes de Moro proferir a decisão, a advogada Dora Cavalcanti, que defende o ex-executivo da empreiteira Márcio Faria, declarou que ouso dos documentos equivaleria a “rasgar a Constituição”. A defesa deve recorrer. Na semana passada, tribunal suíço considerou ter havido excessos por parte do Ministério Público do país ao enviar extratos de empresas ligadas à Odebrecht. As falhas, segundo a corte suíça, não significam que a prova é ilícita, como afirma a defesa da Odebrecht. Moro seguiu o entendimento dos procuradores da Lava Jato de que não houve ordem do tribunal suíço para retirar os papéis da ação penal. “Há apenas erro de procedimento”, escreveu. O juiz reabriu prazos e deu sete dias para os acusados apresentarem defesa.  

O Estado de S.Paulo
"Moro aceita provas da Suíça; ação contra Odebrecht segue"

Juiz havia paralisado processo após Justiça do país europeu considerar irregular transferência de papéis

O juiz federal Sérgio Moro recusou pedido da defesa do executivo Márcio Faria, que trabalhava na Odebrecht, de excluir dos autos da Operação Lava Jato documentos enviados por autoridades da Suíça envolvendo a empreiteira. Os papéis são considerados fundamentais para a investigação, que apura ligação da empresa e de seus dirigentes com corrupção na Petrobrás. No dia 2, Moro havia suspendido temporariamente o prazo para entrega das alegações finais dos defensores dos réus, incluindo a defesa de Marcelo Odebrecht. Os documentos tratam de uma conta na Suíça em nome da Havinsur S/A off-shore que tem como beneficiária econômica e controladora a Odebrecht, segundo o Ministério Público Federal. A Justiça suíça considerou irregular a transferência para o Brasil das movimentações financeiras em off-shores, mas rejeitou decretar nulidade dos papéis. 
           

quarta-feira, fevereiro 10, 2016

Dominique

Opinião

Por que não eliminamos os mosquitos da face da Terra?

Um professor de Ecologia explica o que aconteceria se acabássemos com a indesejável criatura

Mike Jeffries
Uma criatura chata. Sanguessuga e fonte de contágio de doenças, é difícil ser querido mesmo pelos amantes da natureza. O temido mosquito é agora o principal suspeito do aparecimento repentino e pela expansão do zika vírus na América Central e do Sul. O zika é transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, uma espécie tropical conhecida pela disseminação de doenças, tais como a febre amarela e a dengue.

Existem cerca de 3.500 espécies de mosquito, um número modesto para uma família de insetos, mas seu impacto sobre o bem-estar e a saúde humana é catastrófico. A fêmea do mosquito Anopheles carrega o parasita que causa mais de 500.000 casos de malária por ano, enquanto o mosquito asiático Tigre, o Ades albopictus, transmite a dengue e o vírus chikugunya. Os mosquitos têm sido vetores de doenças emergentes, como o vírus do Nilo Ocidental e agora o zika.

Os mosquitos causam mais perdas e miséria para a humanidade do que qualquer outro organismo (com a exceção óbvia de nós mesmos). Os mosquitos são criaturas odiadas, nervosas e irritantes; suas larvas contaminam lagos e pântanos. E, com as condições adequadas, são pioneiros expansionistas, se sentem em casa nos habitats alterados que criamos.

Isso nos leva a fazer as seguintes perguntas: que bem fazem esses dípteros? E se pudéssemos exterminá-los da face da Terra? Deveríamos fazê-lo?

Como observa a ecóloga Sarah Fang, o consenso é que os mosquitos não fazem nada particularmente bom do qual pudéssemos sentir falta. Se os julgamos considerando a ideia doce, mas evocativa do ecólogo Charles Elton, de que toda criatura tem um nicho, assim como todas vilas inglesas têm um elenco de personagens com seus respectivos lugares (açougueiro, padeiro, policial) ficaria uma ponta solta: os mosquitos não têm um propósito especial. Então, não sentiríamos saudades deles, certo?

Os amantes dos mosquitos discordam

Podemos dividir os argumentos a favor dos mosquitos em duas categorias. A primeira argumenta que, sendo tão numerosos, se tornam parte essencial da cadeia alimentar, especialmente nas tundras árticas, onde durante as poucas semanas de verão surge uma grande quantidade de mosquitos que servem de alimento para as aves migratórias que chegam ao Norte para explorar essa riqueza.

Fang também sugere que os ataques de mosquitos podem ser suficientemente ferozes para desviar as rotas de migração de renas, cuja total liberdade teria consequências negativas tanto sobre a paisagem quanto para a pastagem. Em um relação extraordinariamente exata entre mosquitos e seus predadores, um estudo sobre a espécie Vespadelus vultuernus, pequenos morcegos encontrados no leste da Austrália, revela uma forte dependência dos morcegos adultos ao mosquito Aedes vigilax. Assim, o fato de esses morcegos precisarem dos mosquitos pode ser um argumento para começar a respeitá-los.

Os mosquitos jovens são importantes em cadeias alimentares aquáticas, como presas de espécies como o peixe-mosquito, o Gambusia affinis, ou em pequenas poças de água parada nas folhas de plantas carnívoras, arbustos e copas das árvores. Uma fauna muito reduzida que habita essas folhas e ramos, como rãs venenosas e caranguejos, se alimenta dos corpos de larvas de mosquito que flutuam nas poças. Mas, além das rãs venenosas e morcegos, que têm seu próprio fã-clube entre os ambientalistas e amantes da natureza, é pouco provável conseguir influenciar a maioria das pessoas a se posicionar a favor dos mosquitos.

O segundo argumento é que os mosquitos prestam serviços ambientais, como a polinização realizada pelo inseto adulto, ou a liberação de nutrientes que acontece quando suas crias se alimentam de resíduos orgânicos. Mas, embora os mosquitos possam atuar como polinizadores de plantas, como as orquídeas, eles não têm o monopólio, não são especialmente concebidos para essa atividade, e há uma grande quantidade de polinizadores para ocupar seus lugares.

Embora a redução do número de abelhas seja um exemplo que ilustra como colocar um ecossistema em perigo, os mosquitos são apenas mais uma parte mal compreendida e pouco estudada do processo de polinização, no qual muitas peças estão envolvidas.

E continuam discordando

Como o explorador português João de Barras disse sobre os trópicos: "Deus colocou um anjo impressionante com uma espada flamejante de febres mortais [os mosquitos] que nos impede de penetrar no interior deste jardim".

Assim, não parece haver nenhuma boa razão para defender sua existência. Além do mais, destruí-los não só nos abriria caminho, mas iria libertar a humanidade de uma terrível maldição. Com exceção de um pequeno detalhe...

Todo o sangue nutritivo e quente estaria disponível. E há muitos outros bichinhos por aí, como moscas e pulgas, aguardando o momento de entrar em cena. Cuidado com o que você deseja.

Mike Jeffries, professor de Ecologia da Universidade de Northumbria, Newcastle

Original aqui

U.V.

Manchetes do dia

Quarta-feira 10 / 02 / 2016

O Globo
"Goleira dos EUA avisa que zika pode tirá-la dos Jogos"

Hope Solo, goleira da seleção feminina de futebol dos EUA, disse que, por causa do zika, não participaria da Rio-2016 se a competição fosse hoje. “Nenhum atleta que competirá no Rio deveria enfrentar esse dilema”. A epidemia já começa a cancelar pacotes turísticos, e a Embratur tentará evitar uma onda de desistências.  

Folha de S.Paulo
"Ex-ministro fez lobby para liberar obras, afirma delator"

Dono da UTC cita Manoel Dias em caso de projetos para a Petrobras

E-mail entregue à Procuradoria- Geral da República pelo empreiteiro Ricardo Pessoa, delator na Lava Jato, envolve o ex-ministro do Trabalho Manoel Dias (PDT)em lobby para contornar problemas em obras da Petrobras. Em maio de 2013, construção de plataformas estava parada por causa de irregularidades constatadas pelo Ministério Público do Trabalho no Rio Grande do Sul. Cinco empresas, todas investigadas pela Lava Jato (incluindo a UTC, de Pessoa), tocava mas obras da estatal. Segundo o e-mail, o então ministro Dias “acionou” o ex-deputado estadual Heron Oliveira(PDT),nome a do superintendente regional do Trabalho a fim de resolver a questão, que incluía condições de trabalho impróprias. Pessoa não esclarece se o lobby deu certo. A fiscalização continuou, irregularidades foram sanadas e as empresas assinaram termos de ajustamento de conduta. Dias disse não se lembrar do fato, mas que, se ocorreu, foi “coisa de rotina”. Oliveira não foi localizado.  

O Estado de S.Paulo
"Governo quer reduzir meta fiscal em ano de PIB fraco"

Proposta também prevê limite para aumento de gasto; projeto de reforma fiscal será enviado ao Congresso até abril

O governo federal discute descontar da meta fiscal parte da queda da arrecadação de impostos em anos de baixo crescimento de PIB. A medida deve fazer parte da proposta de reforma fiscal que o ministro Nelson Barbosa(Fazenda) quer enviar ao Congresso. Na prática, o País passaria a ter sistema de banda de flutuação, que poderá até permitir déficit em caso de receita abaixo da projetada.Por outro lado, haveria limite para expansão de gastos em momento de arrecadação além da prevista. O rombo das contas públicas foi agravado pelo engessamento orçamentário de despesas obrigatórias. Sem crescimento, o déficit demora para ser revertido, já que a redução de alguns gastos exige votação no Congresso. Para o líder do governo na Comissão Mista de Orçamento, Paulo Pimenta, a banda fiscal dará mais transparência à economia. “É melhor que estabelecer meta para depois alterar.” 
           

terça-feira, fevereiro 09, 2016

Dominique

Opinião

Novos tempos

Ferreira Gullar
Digo com franqueza que não tenho nenhum prazer em ver alguém na cadeia, impedido de sair à rua livremente, ir dar uma volta a toda ou entrar num cinema. Ficar trancado numa cela é barra. Mas, infelizmente, em certos casos, não há alternativa. Pior é no Irã, que não só encarcera como executa os condenados às centenas.

Se digo isso é porque penso assim, embora admita que, sem punição, a criminalidade de todo tipo tomaria conta do país. É o caso da corrupção, que atinge nível nunca alcançado antes, pelo que se saiba. E o pior é que não se trata apenas de roubar o celular do transeunte, mas de assaltar os cofres públicos, seja se valendo de contratos fajutos, seja pelo suborno, que montam a milhões, se não a bilhões de reais.

As últimas pesquisas de opinião mostram que o povo está indignado com a corrupção e exige que os ladrões sejam punidos. Eis por que eu, que não gosto de ver ninguém preso, sou obrigado a aprovar a atuação da Lava Jato, que põe na cadeia gente fina, presidentes de grandes empreiteiras, senador, altos funcionários do Estado. Ver esse pessoal entrando algemado num camburão, confesso que me dá alguma esperança no futuro deste país.

Dizer que tenho esperança não significa que tenha certeza. E se não tenho certeza é porque esse pessoal não desiste, tanto que passaram a afirmar que a Lava Jato é uma operação antidemocrática, pior do que fazia a ditadura militar. Tiveram a coragem de dizer isso num manifesto assinado por dezenas de advogados, muitos deles pagos pelos corruptos.

A verdade é que os processos instaurados pela Lava Jato têm sido conduzidos em estrito respeito às normas processuais –tanto assim que, com exceções, foram todos aprovados pelo Supremo Tribunal Federal. A delação premiada, que possibilita à Justiça conhecer as tramas criminosas, é um instituto legal e, por isso mesmo, constitui o pavor dos corruptos e a derrota dos advogados que os defendem.

Daí o manifesto, forjado por iniciativa da Odebrecht, tentando desautorizar a Operação Lava Jato.

Um manifesto! Fazia tempo que não se via manifesto político em nossos jornais. Eu, que ajudei a redigir alguns, lembrei-me naturalmente dos manifestos daqueles anos da ditadura, quando denunciávamos o arbítrio dos militares e exigíamos a libertação de nossos companheiros. Os presos daquela época eram dirigentes partidários, militantes das áreas universitária e sindical, artistas e intelectuais, que lutavam contra os militares.

Os tempos mudaram! O manifesto de agora não foi escrito para defender os defensores da democracia, e sim os inimigos da ética e do bem público, ou seja, empresários, políticos e burocratas corruptos.

Pois é, quando a trapaça vira moda, a gente se depara, a cada momento, com esse tipo de desfaçatez. Outro dia, a presidente Dilma Rousseff não se comparou a Getúlio Vargas?! É muita cara de pau, pois se sabe que Getúlio criou a Petrobras, enquanto ela, Lula e seu partido, apropriaram-se da empresa para saqueá-la, quase levando-a à falência.

Lembro-me da época em que Lula e sua turma acusavam os adversários políticos de quererem privatizar a Petrobras. Essa privatização nunca houve, mas eles fizeram pior: saquearam-na em sociedade com a Odebrecht, a Andrade Gutierrez, a Camargo Corrêa e vigaristas como Youssef, Cerveró, Paulo Roberto Costa, Renato Duque...

Um dos exemplos mais descarados desse período foi o escândalo do mensalão, quando Roberto Jefferson denunciou a compra pelo governo de deputados federais.

Tomado de surpresa, Lula declarou: "Fui traído". Traído por quem? Ficou comprovado que os deputados tinham sido subornados com dinheiro do Banco do Brasil e que os executores dessa tarefa foram José Dirceu, José Genoíno e Delúbio Soares, todos eles da total confiança de Lula.

E em que consistiu a tal traição? Comprar deputados para que votassem a favor de tudo que Lula quisesse. Este é um raro exemplo de uma traição que, em vez de prejudicar o traído, beneficia-o.

Como se vê, Lula dá azar, pois agora mesmo se sabe que novos traidores lhe deram de presente um apartamento tríplex e um sítio que valem milhões. 

Original aqui

U.V.

Manchetes do dia

Terça-feira 9 / 02 / 2016

O Globo
"A ginga do Salgueiro"

Com enredo inspirado na Ópera do Malandro, de Chico Buarque, o Salgueiro fez um desfile impecável na Marquês de Sapucaí. A comissão de frente trouxe um Exu, as baianas vieram de pombagi-ra e os ritmistas estavam fantasiados de Geni. Alegorias luxuosas, componentes empolgados e um samba que levantou as arquibancadas credenciaram a vermelha e branca da Tijuca a lutar pelo título de campeã do carnaval. Antes do Salgueiro, a Vila Isabel levou para a avenida uma homenagem ao político Miguel Arraes, cuja família veio à frente da escola. A cultura pernambucana foi representada em todo o desfile, encerrado com uma escultura de 15 metros do Galo da Madrugada, principal bloco carnavalesco do Recife. A Liga Independente das Escolas de Samba investiga o suposto vazamento na internet de notas para mestre-sala e porta-bandeira da primeira noite do Grupo Especial. 

Folha de S.Paulo
"Dívidas de 20 Estados chegam ao limite da lei"

A maior parte dos Estados do país obteve menos receitas com impostos e repasses do que o esperado para 2015, mostra levantamento feito pela Folha. Ao todo, são quase R$ 30 bilhões a menos, o que provocou atraso no pagamento de servidores e da dívida com a União.
Vinte governos ultrapassaram os limites impostos pela Lei de Responsabilidade Fiscal no período. Como consequência, os Estados podem ficar impedidos de fazer contratações e, caso o déficit persista por oito meses, as transferências federais podem ser cortadas.
Se as contas forem rejeitadas, os governadores se tornam inelegíveis. O maior desfalque ocorreu no Rio, que arrecadou R$ 14,3 bi a menos que o esperado por causa da crise do setor petroleiro. Governos disseram ter sido surpreendidos com a deterioração econômica.
Em 2015, apenas três Estados conseguiram arrecadar mais em relação a 2014 —o Paraná, que aumentou impostos, o Pará e o Maranhão, que disse ter reduzido benefícios fiscais. O nível de endividamento do Estado de São Paulo aumentou 13,5%. 

O Estado de S.Paulo
"Preocupação com economia mundial faz bolsas caírem"

Petróleo volta a ficar abaixo de US$ 30; índice de ações na Europa registrou o menor nível desde 2013

A turbulência voltou aos mercados internacionais ontem. O petróleo ficou abaixo dos US$ 30 e foi um dos principais fatores de pressão para que as maiores bolsas fechassem em queda.Mas investidores demonstraram preocupação generalizada com os rumos da economia global. Notícias negativas vieram da China, onde as reservas cambiais recuaram ao menor nível em mais de três anos, e dos Estados Unidos, que registraram criação de vagas de trabalho abaixo da expectativa. No caso do petróleo, há temor com o aumento da oferta.

Reunião da Arábia Saudita e Venezuela terminou sem planos de corte na produção. Na Europa, a saúde de bancos preocupa e também influenciou o desempenho das bolsas. O índice FTS Eurofirst 300, que reúne as principais ações de empresas europeias, teve queda de 3,4%, menor nível desde outubro de 2013. Londres caiu 2,71%, Paris recuou 3,2% e Frankfurt, 3,3%. Nos EUA, o índice Dow Jones fechou em queda de 1,1% e o Nasdaq recuou 1,82%."Precisamos que o petróleo se estabilize para dar confiança aos investidores", disse Terry Sandven,do US Bank Wealth Management. 
           

segunda-feira, fevereiro 08, 2016

Dominique

Opinião

O Quádruplo X

Se o edifício é Solaris, que se faça luz

Gabeira
Durante a semana, falou-se muito da operação Triplo X. O centro das operações foi o edifício Solaris, no Guarujá, onde Lula tem um tríplex, teria um tríplex, ou acha que teve um tríplex, ou possivelmente só contemplava um tríplex. Não é esse Triplo X que me interessa tanto. O prédio caiu nas malhas da Operação Lava-Jato e o tríplex com suas múltiplas explicações continuará em cartaz.

Traduzindo o X por uma incógnita, gostaria de acrescentar mais um, que escapa da rede da Lava-Jato, mas foi brandamente recebido. É o fato de os dirigentes da Bancoop terem seus apartamentos e deixarem centenas de famílias ao relento. Era um projeto comum, que eles lideravam, no entanto abandonaram o navio como aquele comandante do Costa Concordia, transatlântico que afundou na costa da Itália. Ele foi condenado a 16 anos de prisão. Ali no Costa Concordia havia vida em jogo. No Bancoop, apenas sonhos e economias para a casa própria.

Nada mais corrosivo para uma proposta política que se pretende igualitária: em caso de naufrágio, salvam-se os líderes, a galera que se dane. Surgiram inúmeras defesas de Lula para livrá-lo das garras da Lava-Jato. Como sempre, algumas falam de um suposto apartamento de Fernando Henrique. Ele é o norte moral: se fez, podemos fazer também.

O advogado de Lula, Nilo Batista, busca uma outra linha: o apartamento é pequeno, um Minha Casa Minha Vida, as obras de R$ 770 mil no sítio de Atibaia, apenas um puxadinho. Até que ponto tudo isso não é um preconceito? Com tantos blogs por aí, defensores ardorosos, o PT não encontra uma única versão para esse quarto X: a deslealdade da cúpula com os mutuários. Tudo por um apartamento diante da praia de Guarujá. Na verdade era um futuro melancólico que foi abortado pelas denúncias.

Vaccari era o presidente da Bancoop e tem um tríplex no Solaris. Ele está preso. Mas por outros motivos. O silêncio do PT diante da Bancoop revela um pouco como o respeito, o medo, ou mesmo uma vontade de proteger a cúpula a qualquer custo minaram seus fundamentos. Se não fosse tríplex mas um simples quarto e sala, se a empresa não fosse envolvida no Petrolão, a cúpula do Bancoop, os seletos donos de apartamentos escapariam das malhas do Lava-Jato, mas não das malhas da decência comum, negadas por comandantes que se salvam enquanto os outros se ferram.

Embora exista um processo na Justiça, a oposição deu pouca importância ao episódio. Mais um esqueleto num armário tão grande como a sala de um museu de história natural. Existe um outro X para mim. Houve grande empenho para soltar o empresário Leo Pinheiro. O objetivo era afastá-lo da delação premiada. Zavascki, Lewandowski, Lebowski, alguém o soltou no Supremo. Quando tudo parecia resolvido, surgem as mensagens de Pinheiro. Seu telefone contava em mensagens parte do que contaria em delação premiada.

O Triplo X traz de novo Pinheiro à cena. O Solaris foi comprado pela OAS. O tríplex que Lula ocuparia foi reformado pela OAS. Tanto esforço para soltar o homem e ele reaparece em cena. Seus tornozelos devem estar ardendo em regime de prisão domiciliar. O que adiantou soltar Pinheiro? O volume de informações sendo processado é muito grande e talvez a Lava-Jato não dependa tanto de novas delações.

O fluxo de dados vai desvendando a Operação Triplo X e se ela se aproximar de Lula através desses dois fatos secundários, um tríplex e um sítio, repetirá outras ocasiões em que a Justiça acabou chegando por atalhos a estradas mais largas. De qualquer forma, sítio e tríplex são presenças concretas. No imaginário popular pesam mais do que abstratas contas na Suíça. Maluf ou Cunha podem dizer que não têm conta no exterior, e o mundo segue seu curso. Não há imagens.

Quando não são meras montagens, as fotos tendem a reaparecer com mais nitidez e frequência quanto mais nebulosas forem as explicações. Só a verdade pode devolvê-las, no seu tempo, ao silêncio dos arquivos.

Se o edifício é Solaris, que se faça luz. Por enquanto, as sombras o cobrem, desde a origem quando os bancários foram passados para trás.

Curioso é que Solaris também é nome de um oráculo cuja função é exatamente fazer perguntas. E com a seguinte advertência: perguntas irrelevantes, do tipo “Vai chover hoje?”, não serão consideradas. Infelizmente, a consulta se faz num tempo difícil, dominado por uma pergunta que o próprio oráculo não sabe responder: como sair dessa maré?

Original aqui

U.V.

Manchetes do dia

Segunda-feira 8 / 02 / 2016

O Globo
"Rio, enfim, volta a mapear focos do ‘Aedes’"

A prefeitura do Rio voltarà a fazer semana que vem o Levantamento Rápido do Índice de Infestação por Aedes aegypt (LIRAa). A Secretaria de Saúde alega que o mapeamento dos focos do vetor de dengue, zica e chikungunya foi interrompido no ano passado por orientação do Ministério da Saúde. Segundo especialistas, o levantamento é fundamental no combate à epidemia. 

Folha de S.Paulo
"Cortes de luz disparam com alta de tarifa e inadimplência"

O número de cortes de energia no país quase dobrou em um ano, de 1,6 milhão no primeiro semestre de 2014 para 3,1 milhões no mesmo período de 2015.

Entre os motivos estão a recessão, que tira poder de compra da população e eleva a inadimplência, e a alta no preço da energia.

As contas subiram 51% no país, em média, segundo o IPCA (índice oficial de inflação). O reajuste foi um dos principais responsáveis por levar a inflação brasileira a fechar o ano em 10,67%.

Para as distribuidoras, os cortes são o principal instrumento para forçar o cliente a pagar as faturas atrasadas.

O aumento de interrupções elevou custos do setor, que pede mudanças nos prazos fixados em lei. Hoje, se uma conta não for paga, a distribuidora tem prazo máximo de 90 dias para efetuar o corte da energia elétrica.

As empresas têm adotado outros instrumentos como denúncia de clientes inadimplentes aos serviços de proteção ao crédito.

Segundo a Serasa Experian, o número de pessoas que passou a ter o nome sujo em razão do não pagamento de conta de energia subiu 11% nos primeiros quatro primeiros meses de 2015 —em relação a esse período em 2014.  

O Estado de S.Paulo
"Oito em nove programas sociais perdem verba"

Oito dos nove principais programas sociais que entraram em vigor ou tiveram seu auge nos governos Lula e Dilma Rousseff perderam recursos no ano passado. Levantamento feito a partir de dados do Orçamento da União mostraa inflação como agravante: até programas que tiveram mais orçamento em termos nominais viram o valor ser corroído. O Bolsa Família, por exemplo, recebeu R$ 1 bilhão a mais em 2015. Corrigido pela inflação, o montante é 4,7% menor do que em 2014. Luz Para Todos, Brasil Sorridente e Pronaf estão na mesma situação. Em termos reais, Brasil Carinhoso,voltado à primeira infância, foi o mais atingido-perdeu 51% da verba. Novos cortes foram agendados para este ano. No orçamento aprovado em dezembro, o Pronatec caiu 44% em relação a 2015 e o Minha Casa Minha Vida,58%. O governo admite revisar os programas. O contingenciamento final será anunciado depois do carnaval. 
           
 
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