sábado, janeiro 30, 2016

Dominique

Opinião

O povo não é bobo

Estadão
O fiasco dos 13 anos de PT no poder, em especial dos últimos 5 sob Dilma Rousseff, pode ser resumido num dado: 82% dos brasileiros acham que o País está no rumo errado. Esta é a conclusão da pesquisa feita pelo Ibope com exclusividade para a coluna de José Roberto de Toledo no Estado. O índice deixa claro que o governo eleito por apertada maioria há 14 meses e empossado há pouco mais de um ano está “na contramão” das expectativas e necessidades, como escreveu Toledo, de muitas dezenas de milhões de brasileiros. É o maior índice de frustração da população desde o início da era petista.

Tal avalanche de decepções torna inócuo o marketing oficial, que continua apostando na credulidade de uma população que o governo do PT supõe contentar-se com mensagens de otimismo e fé. Se tivesse capacidade de percepção e autocrítica, a presidente da República já teria entendido que promessas genéricas, ainda que embaladas por boas intenções, só servem para alimentar seu descrédito. E, à medida que se repetem sem que tenham correspondência com a realidade, tendem a irritar e até a indignar cidadãos vitimados pela inércia, pelos desmandos e pela incompetência da chefe de um governo que, pelo que fez e pelo que deixou de fazer, entrará para a História como tão inepta como “nunca antes na história deste País”.

A corrosão da credibilidade do governo expressa nos números da pesquisa tem suas causas numa realidade visível e nítida para todos os brasileiros – ou quase todos, pois, neste caso, Dilma é exceção. Ela se diz “estarrecida” com as previsões de mais recessão feitas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), que previu queda da economia brasileira também em 2016 e a retomada do crescimento somente em 2017. Mais ainda, o FMI advertiu que a piora na economia brasileira pesará sobre toda a economia mundial. Diante de notícias como o 1,54 milhão de desempregados a mais em 2015, a alta do dólar para mais de R$ 4,00, a tríplice epidemia disseminada pelo Aedes aegypti e outras mais, qual cidadão não se “estarreceria” com a insensibilidade desta presidente incapaz de enxergar o próprio desastre?

Diante do contraste entre a dura realidade e a incapacidade de Dilma de enxergá-la – quanto mais de encontrar soluções efetivas para amenizá-la –, é difícil de imaginar onde 14% da população vislumbra razões para acreditar que há um rumo a ser trilhado por uma governante que confunde governar com ficar no governo. Talvez os 4% que não souberam o que responder aos pesquisadores do instituto estejam à espera de que, resolvido o impasse do impeachment, Dilma resolva, enfim, presidir o País. E quem se arrisca a apostar?

Outra pesquisa do Ibope, encomendada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), setor econômico mais prejudicado pela soma de incúria e incompetência nestes anos lulodilmistas, constata uma faceta de lucidez cada vez maior da população quanto à crise que assola o País. De acordo com ela, 65% dos entrevistados consideram a corrupção o principal problema brasileiro. Em 2014, a preocupação com o tema ocupava o terceiro lugar. Em 2012, o quarto. E agora é o primeiro.

“Estarrecido” com as dimensões do desvio do dinheiro público, o cidadão percebe em seu cotidiano que as propinas milionárias pagas a políticos e burocratas por empresários beneficiados não resultam apenas em rombos no Tesouro. Igualmente danosa é a piora da qualidade dos já péssimos serviços públicos em áreas fundamentais como saúde e educação, em decorrência do agravamento das dificuldades financeiras do governo causado pela corrupção.

Ao contrário do que a equipe econômica de Dilma imagina, o cidadão mostra-se também cada vez mais consciente da necessidade de manter a inflação sob controle. Esta é a segunda prioridade entre as listadas pela maioria dos entrevistados, vindo depois da melhora dos serviços de saúde e antes da geração de empregos.

Até quando, diante destes avisos de que o povo não é bobo, Dilma manterá seu desgoverno?

Original aqui

U.V.

Manchetes do dia

Sábado 30 / 01 / 2016

O Globo
"Investigado, Lula terá de explicar tríplex e sítio"

Odebrecht teria pagado reforma do imóvel rural

Petista admite que frequentava a propriedade

Dona Marisa também terá de depor no MP

Dois dias após a Lava-Jato realizar a operação Triplo X por suspeita de lavagem de dinheiro envolvendo o tríplex que foi do ex-presidente Lula em Guarujá, o Ministério Público de São Paulo intimou o petista e sua mulher, Marisa Letícia, para depor sobre a suposta tentativa de ocultação de patrimônio envolvendo o mesmo imóvel.

É a primeira vez que Lula deverá ser interrogado como investigado. Em outra frente, a Lava-Jato ouviu ontem Patrícia Fabiana Melo, ex-dona de uma loja de material de construção em Atibaia, no interior de São Paulo, vizinha a um sítio frequentado por Lula e sua família.

Ela relatou a participação da Odebrecht, também investigada na Lava-Jato, na reforma do imóvel rural, que pertence a dois sócios de Fábio Luis Lula da Silva, filho do ex-presidente. Em nota, Lula confirmou que passou a frequentar o sítio em 2011, após deixar o governo, e disse que a tentativa de vinculá-lo a supostos atos ilícitos visa a macular sua imagem. 

Folha de S.Paulo
"Nota fiscal de barco reforça elo de Lula com sítio em SP"

Documento obtido pela Folha aponta que ex-primeira-dama comprou embarcação entregue no local

Uma nota fiscal obtida pela Folha reforça a ligação do ex-presidente Lula e familiares com um sítio em Atibaia (SP) registrado em nome de dois sócios de um dos filhos do petista, Fábio Luís. O documento aponta que um barco foi adquirido pela ex-primeira-dama Marisa Letícia em setembro de 2013 a ser entregue na propriedade, informa Flávio Ferreira.

Ao entregar o barco, que custou R$ 4.126, o caminhoneiro José dos Reis perguntou se o nome na nota fiscal era o da mulher de Lula. "É, mas não pode falar para ninguém. Não comente com ninguém", diz ter ouvido de funcionário do sítio. Na sexta (29), a Folha publicou que, segundo fornecedores, a empreiteira Odebrecht bancou parte da reforma da propriedade.

A Lava Jato passou a apurar a participação da empresa na obra. Em nota, o ex-presidente admitiu que frequenta o sítio, negou qualquer irregularidade, mas não respondeu os questionamentos da reportagem sobre a entrega da embarcação no local.        

O Estado de S.Paulo
"MP intima Lula e Marisa a depor como investigados"

Ex-presidente e mulher falarão em inquérito que tem como alvo condomínio no Guarujá onde casal teria tríplex

O Ministério Público de São Paulo intimou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a mulher dele, Marisa Letícia, e o empreiteiro José Adelmário Pinheiro, o Léo Pinheiro, ligado à OAS, aprestarem depoimento no dia 17 sobre tríplex do condomínio Solaris, no Guarujá.

Segundo o promotor Cássio Conserino, Lula e Marisa vão depor como investigados. Conserino diz ter indícios de tentativa de se esconder a identidade do verdadeiro dono do tríplex 164-A, no Solaris. Todo o apartamento foi reformado pela construtora em obra que teria custado R$ 777 mil.

A OAS também comprou de eletrodomésticos a tampa da pia da cozinha do imóvel que pertenceria ao ex-presidente, o que pode caracterizar lavagem de dinheiro. Nova fase da Lava Jato teve o Solaris como alvo. Em 2006, ao se reeleger presidente, Lula declarou à Justiça eleitoral participação de R$ 47 mil na Cooperativa Habitacional dos Bancários (Bancoop). A entidade foi fundada por núcleo do PT e, com problemas de caixa, passou o Solaris à OAS.               
           

sexta-feira, janeiro 29, 2016

Grumman JRF-1A VMS-3


Coluna do Celsinho

Jujubas

Celso de Almeida Jr. 

Esta história de reunir lideranças da sociedade brasileira, num grande conselho, ambiciona dar alguma credibilidade ao governo que promove o encontro.

Missão duvidosa.

Na prática, em torno de 100 pessoas, em corpo presente, ouvem as propostas do governo além da meia dúzia de discursos de participantes selecionados.

Tudo regado com água e jujubas.

Isso mesmo!

Aquelas balinhas de goma, bem açucaradas.

Quem te viu, quem te vê, né Presidente?

Nossa gerentona, linha dura, de repente...adocicou!

Na pauta, propostas manjadas.

Voltar a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira.

Prorrogar a Desvinculação de Receitas da União.

Usar o FGTS - dinheirinho tungado do trabalhador e remunerado muito abaixo da inflação - para expandir o crédito.

Sabe, prezado leitor, querida leitora...

Estou ficando velhinho.

Impaciente com as conversinhas pra boi dormir.

O Conselhão, apesar de contar com boas cabeças, nada mais é do que isso.

Um teatro para o anúncio de velhas manias.

A ausência total de propostas novas e consistentes.

Um aval sem graça dos participantes ao blá-blá-blá redentor.

Ao final, copos secos, balinhas chupadas, todo mundo pra casa, tranquilão.

Certamente, não são assalariados que precisam madrugar para iniciar o batente.

Para estes, a aquiescência do Conselhão às ideias do Planalto não tem nada de doce.

Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com

Dominique

Opinião

Do 'Aedes Aegypti' à Tsé-Tsé

Gabeira
A crise brasileira é um fato internacional. Dentro dos nossos limites, estamos puxando a economia mundial para baixo. Nossa queda não impacta tanto quanto a simples desaceleração chinesa. Mas com alguma coisa contribuímos: menos 1% no crescimento global.

Na crise da indústria do petróleo, com os baixos preços do momento, o Brasil aparece com destaque. Cerca de 30% dos projetos do setor cancelados no mundo foram registrados aqui, com o encolhimento da Petrobrás. Dizem que os brasileiros eram olhados com um ar de condolências nos corredores da reunião de Davos. Somos os perdedores da vez.

Diante desse quadro, Dilma diz-se estarrecida com as previsões negativas do FMI. Quase todo mundo está prevendo uma crise de longa duração e queda no PIB. Centenas de artigos, discursos e relatórios fortalecem essa previsão. Dilma, se estivesse informada, ficaria estarrecida por o FMI ter levado tanto tempo para chegar a essa conclusão. Ela promete que o Brasil volta a crescer nos próximos meses. No mesmo tom, Lula declarou aos blogueiros amestrados que não existe alma viva mais honesta do que ele. Não é recomendável entrar nessas discussões estúpidas. Não estou seguro nem se o Lula é realmente uma alma viva.

A troca de Levy por Barbosa está sendo vista como uma luta entre keynesianos e neoliberais. Pelo que aprendi de Keynes, na biografia escrita por Robert Skidelsky, é forçar um pouco a barra acreditar que sua doutrina é aplicável da forma que querem no Brasil de hoje. É um Keynes de ocasião, destinado principalmente a produzir algum movimento vital na economia, num ano em que o País realiza eleições municipais. É o voo da galinha, ainda que curtíssimo e desengonçado como o do tuiuiú.

O Brasil precisa de uma década de investimentos vigorosos, para reparar e modernizar sua infra. Hoje, proporcionalmente, gastamos nisso a metade do que os peruanos gastam.

O governo não tem fôlego para realizar essa tarefa. Isso não significa que não haja dinheiro no Brasil ou no mundo. Mas são poucos os que se arriscam a investir aqui. 

Não há credibilidade. O populismo de esquerda não é uma força qualquer, ele penetra no inconsciente de seus atores com a certeza de que estão melhorando a vida dos pobres. E garante uma couraça contra as críticas dos que “não querem ver pobre viajando de avião”.

Em 2016 largamos na lanterna do crescimento global. Dilma está estarrecida com isso e a mais honesta alma do Brasil diz “sai um lorde Keynes aí” como se comprasse cigarros num botequim de São Bernardo do Campo.

Aos poucos, o Brasil vai se dando conta da gravidade da epidemia causada pelo Aedes aegypti. Gente com zika foi encontrada nos EUA depois de viajar para cá. As TVs de lá martelam advertências às grávidas. Na Itália quatro casos de contaminação foram diagnosticados em viajantes que passaram pelo Brasil. O ministro da Saúde oscila entre a depressão e o entusiasmo. Ora exagera o potencial das campanhas preventivas, ora reconhece de forma fatalista que o Brasil está perdendo feio a guerra para o mosquito. Com nossa estrutura urbana, é quase impossível acabar com o mosquito. Mas há o que fazer.

Não se viu Dilma estarrecida diante da epidemia. Nem a mais honesta alma do Brasil articulando algo nessa direção. Solução que depende do tempo, a vacina ainda é uma palavra mágica.

No entanto, estamos nas vésperas da Olimpíada. Os líderes que a trouxeram para o Brasil, nos tempos de euforia, quase não tocam no assunto; não se sentam para avaliar como nos degradamos e como isso já é percebido com clareza lá fora.

A Economist publica uma capa com Dilma olhando para baixo e o título: A queda do Brasil. Na economia, área em que as coisas andam mais rápidas, não há mais dúvidas sobre o fracasso.

A segunda maior cidade do Rio, Estado onde se darão os Jogos, simplesmente quebrou. Campos entrou em estado de emergência econômica, agora que os royalties do petróleo parecem uma ilusão de carnaval.

O problema dos salvadores do povo é que não percebem outra realidade exceto a de permanência no poder. Quanto pior a situação, mais se sentem necessários. Os irmãos Castro acham que salvaram Cuba e levaram a um patamar superior ao da Costa Rica, por exemplo. O chavismo levou a Venezuela a um colapso econômico, marcado pelas filas para produtos de primeira necessidade, montanhas de bolívares para comprar um punhado de dólares. Ainda assim, seus simpatizantes dizem, mesmo no Brasil, que a Venezuela está muito melhor do que se estivesse em mãos de liberais.

O colapso, a ruína, a decadência, nada disso importa aos populistas de esquerda. Apenas ressaltam suas boas intenções e a maldade dos críticos burgueses, da grande mídia, enfim, de qualquer desses espaços onde acham que o diabo mora. O Lula tornou-se o símbolo desse pensamento. Na semana em que se suspeita de tudo dele, do tríplex à compra de caças, do petrolão às emendas vendidas, chegou à conclusão de que não existe alma viva mais honesta do que ele.

Aqueles que acreditam num diálogo racional com o populismo de esquerda deveriam repensar seu propósito. Negar a discussão racional pode ser um sintoma de intolerância. 

Existe uma linha clara entre ser tolerante e gostar de perder tempo. O mesmo mecanismo que leva Lula a se proclamar santo é o que move a engrenagem política ideológica do PT. Quando a maré internacional permitiu o voo da galinha, eles se achavam mestres do crescimento. Hoje, com a maré baixa, consideram-se os mártires da intolerância conservadora. Simplesmente não adianta discutir. No script deles, serão sempre os mocinhos, nem que tenham de atacar a própria Operação Lava Jato.

Considerando que Cuba é uma ditadura e a Venezuela chega muito perto disso com sua política repressiva, como explicar a aberração brasileira?

Certamente algum mosquito nos mordeu para suportarmos mentiras que nos fazem parecer otários. Não foi o Aedes aegypti. A tsé-tsé, quem sabe?

Original aqui

U.V.

Manchetes do dia

Sexta-feira 29 / 01 / 2016

O Globo
"Avanço de zika alarma mundo"

OMS diz que epidemia se alastra ‘de forma explosiva’ e deve decretar emergência

Doença pode atingir até 4 milhões de pessoas nas Américas e 1,5 milhão no Brasil em um ano; Dilma apela por ajuda de líderes empresariais e religiosos para combater o mosquito transmissor

A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou que a epidemia de zika está se alastrando “de forma explosiva” pelo mundo e pediu mobilização internacional contra a doença. Margaret Chan, diretora da OMS, disse que “o nível de alarme é extremamente alto” e se declarou “profundamente preocupada”. Embora a relação da doença com a microcefalia ainda não esteja comprovada pela organização, pode ser decretada semana que vem emergência internacional semelhante à estabelecida contra o ebola, em 2014. No Brasil, a presidente Dilma fez um apelo por mobilização contra o mosquito. 

Folha de S.Paulo
"Odebrecht bancou reforma de sítio usado por Lula, dizem fornecedores"

Em entrevista à Folha, ex-dona de loja de materiais afirma que engenheiro da empreiteira fazia pagamentos em dinheiro vivo

Alvo da Lava Jato, a empreiteira Odebrecht pagou a maior parte da reforma do sítio Santa Bárbara, usado pelo ex-presidente Lula e seus familiares, relataram à Folha a ex-dona de uma loja de materiais de construção e um prestador de serviço. As obras na propriedade de 14,5 mil m² em Atibaia (SP) começaram em outubro de 2010, quando Lula ainda estava no segundo mandato, informa Flávio Ferreira. A empreiteira pagou em dinheiro vivo cerca de R$ 500 mil só em materiais, diz Patrícia Nunes, à época dona do Depósito Dias, que forneceu produtos para a reforma. Ela diz que o trabalho foi coordenado pelo engenheiro da Odebrecht Frederico Barbosa, responsável por outra obra da empresa, o estádio Itaquerão. Ele confirma. O engenheiro carregava envelopes com dinheiro em malas, relata a empresária. Frequentado quase semanalmente por Lula e familiares, o sítio está em nome de dois sócios de Fábio Luís da Silva, filho do ex-presidente. Desde o ano passado, Lula é alvo de investigação tocada pelo Ministério Público do Distrito Federal para apurar suposto tráfico de influência junto a políticos de outros países para conseguir contratos com a Odebrecht. Ele negou à Justiça qualquer irregularidade.        

O Estado de S.Paulo
"Governo usa FGTS e bancos públicos para ampliar crédito"

Intenção é ‘liberar’ R$ 83 bilhões, mas, para sair do papel, plano depende de interesse por empréstimos

A presidente Dilma Rousseff lançou ontem novo pacote de estímulo à economia, que prevê injetar R$ 83 bilhões em crédito via bancos públicos. A estimativa, porém, depende de fatores como autorização do Congresso e interesse de famílias e empresas em tomar empréstimos. Do total, R$ 22 bilhões se referem a recursos do FI-FGTS, fundo de investimento para infraestrutura. Outros R$17 bilhões são uma previsão de quanto pode crescer o crédito consignado se o trabalhador usar 10% do saldo do FGTS e a multa de 40% como garantias. Para empresários e trabalhadores que participaram da reunião do Conselhão, Dilma mostrou disposição em ouvir sugestões, mas há dúvidas se as promessas serão traduzidas em ações. Analistas avaliam que o problema não é de oferta de crédito, mas de demanda. A oposição criticou o plano.               
           

quinta-feira, janeiro 28, 2016

Dominique

Opinião

Dilma perdida em Quito

Estadão
Incapaz de largar o vício de culpar os outros por seus fracassos, a presidente Dilma Rousseff resolveu associar a América Latina à crise econômica e política do Brasil. Além de tentar dividir os problemas brasileiros com a vizinhança, ela ainda fez profecias agourentas sobre a região. A habitual confusão do dilmês, com seu precário encadeamento de ideias e de palavras, marcou a peroração diante da imprensa depois de uma reunião, em Quito, com o presidente Rafael Correa. “Não haverá uma América Latina forte e temos muita consciência de que o Brasil não retoma sua capacidade de crescer, que o Brasil não consegue restabelecer suas condições sustentáveis de crescimento nesse novo contexto internacional, sem o crescimento dos demais países da América Latina, sem que os demais países da América Latina tenham também condições de se recuperar”, anunciou a presidente, procurando, mais uma vez, vincular o desastre brasileiro ao contexto internacional.

Se houve alguma novidade, foi a tentativa de atribuir ao Brasil e aos demais latino-americanos limitações comuns e um destino partilhado. Como de costume, houve uma distância ampla e indisfarçável entre o palavrório da presidente e os fatos – no caso, fatos apresentados há poucos dias nas projeções atualizadas do Fundo Monetário Internacional (FMI). Apesar da insistência – e provavelmente dos desejos – da presidente brasileira, a maior parte dos demais latino-americanos tem sido capaz de cuidar com mais competência e mais sucesso de sua economia, sem tentar transferir responsabilidades ao resto do mundo.

Chile, Colômbia, México, Peru, Bolívia e Paraguai cresceram no ano passado e devem continuar em crescimento neste ano, enquanto o Brasil, já em recessão em 2015, deve enfrentar mais um ano de contração econômica. O Equador, especialmente dependente do preço do petróleo e também prejudicado pela valorização do dólar, moeda corrente no país, deve ter mau desempenho em 2016, mas sem afundar tanto quanto o Brasil.

Algumas economias da região, com destaque para as do Chile, da Colômbia, do Peru e do México, têm a vantagem de fundamentos razoavelmente sólidos, garantidos pela administração prudente das contas públicas e pela inflação em níveis baixos ou toleráveis. O contraste com o país da presidente Dilma Rousseff é ostensivo e até escandaloso.

As más perspectivas do Brasil, segundo a análise publicada pelo FMI na semana passada, têm sido determinadas por “uma combinação de fragilidades macroeconômicas decorrentes de um vagaroso ajuste interno e de um amplo escândalo com envolvimento do governo e de dirigentes empresariais”. Problemas políticos, segundo a mesma análise, paralisaram o investimento. A economia recuou 3,8% no ano passado e deve recuar mais 3,5% em 2016, segundo as últimas projeções, na maior contração observada desde 1981-83.

“Disfunções políticas continuam retardando a adoção de uma política fiscal crível para manter a dívida pública num rumo sustentável” e isso já determinou, segundo o relatório, o rebaixamento das notas de crédito do País e a alta dos custos de financiamento.

O resumo é perfeito, mas a presidente Dilma Rousseff se expressa como se desconhecesse todos esses fatos. A história recente da política econômica do Brasil é muito diferente daquela observada nas economias latino-americanas mais dinâmicas e mais seguras. A Venezuela continua atolada em erros, mas a Argentina dá sinais de mudança, também citados no relatório.

Mas a retórica da presidente Dilma Rousseff ainda justifica uma dúvida muito importante: se os latino-americanos são tão interdependentes quanto ela afirma, como poderá seu governo conduzir uma política de ajuste e de retomada do crescimento sem combinar o jogo com os demais? Muitos têm avançado sem esperar pelo Brasil. Estarão equivocados? Eis um bom tema para debate no Conselhão de empresários, sindicalistas e intelectuais ressuscitado pela presidente. Talvez esse fórum sirva para isso.

Original aqui

U.V.

Manchetes do dia

Quinta-feira 28 / 01 / 2016

O Globo
"Lava-Jato se aproxima de Lula e preocupa Planalto"

Nova fase da operação investiga prédio onde ex-presidente teve tríplex

Ministro da Justiça diz que petista não é investigado e que suspeitas sobre ele são ‘especulação indevida’; segundo procuradores, OAS teria usado apartamentos para lavar dinheiro desviado da Petrobras

Nova fase da Lava-Jato deflagrada ontem, a Triplo X chegou mais perto do ex-presidente Lula. Centrada no Edifício Solaris, em Guarujá, onde Lula e sua mulher tiveram um tríplex, a operação investiga a relação entre a Bancoop (cooperativa de bancários), o PT e a empreiteira OAS. A suspeita é que 11 apartamentos do Solaris foram usados para lavar dinheiro desviado de contratos da Petrobras para pessoas ligadas ao PT. Os procuradores classificaram o imóvel que pertenceu a Lula como “alto grau de suspeita” e querem saber se houve tentativa de ocultação de patrimônio. A operação preocupou o Planalto e o PT. Lula repudiou ligação de seu nome com a Lava-Jato. O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, disse que suspeitas sobre o ex-presidente são “especulação indevida”. 

Folha de S.Paulo
"Nova fase da Lava Jato mira imóvel triplex ligado a Lula"

Força-tarefa apura se empreiteira beneficiou ilegalmente petista; defesa dele nega

A 22ª fase da Operação Lava Jato, deflagrada nesta quarta (27), vai apurar a relação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva comum apartamento triplex da OAS em Guarujá, no litoral de SP. A opção de compra do imóvel já pertenceu à mulher do petista, Marisa Letícia. O objetivo dos investigadores é descobrir se a empreiteira, acusada de envolvimento no esquema de corrupção na Petrobras, beneficiou ilegalmente o ex-presidente através do imóvel. É a primeira vez que se apura negócio diretamente ligado a Lula e seus parentes. “Nós investigamos fatos. Se houve um apartamento dele, que esteja no seu nome ou que ele tenha negociado ou alguém da sua família, vamos investigar, como todo mundo”, afirmou o procurador Carlos Fernando Lima ao ser indagado se Lula era alvo da ação deflagrada ontem. Cristiano Zanin Martins, um dos advogados do ex-presidente, afirmou que “Lula e nenhum de seus familiares têm ligação com o objeto dessa investigação”. A defesa da OAS criticou a ação. “Bastaria ter solicitado os documentos, e não fazer algo espalhafatoso.”        

O Estado de S.Paulo
"Nova fase da Lava Jato chega perto de Lula e cria tensão no Planalto"

Condomínio no litoral onde Marisa Letícia teve opção de compra de apartamento é foco de investigação
Imóvel está no nome da OAS
Operação ‘preocupa’ governo e leva dois ministros a defender ex-presidente
Para Dilma, ônus da prova ‘cabe a quem acusa’

Nova fase da Lava Jato deflagrada ontem provocou reflexos no cenário político por se aproximar de negócio envolvendo a família do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a empreiteira OAS. A operação preocupou o Planalto e levou dois ministros – Jaques Wagner (Casa Civil) e José Eduardo Cardozo (Justiça) – a defender Lula. Para a presidente Dilma Rousseff, o ônus da prova cabe a quem acusa. Ela criticou “insinuações” contidas em vazamentos da investigação. Em Brasília, a avaliação é de que o avanço da Lava Jato sobre o petista pode trazer prejuízo político já que “Lula é o símbolo do projeto” do qual Dilma faz parte. A Triplo X teve como foco o condomínio Solaris, no Guarujá, onde a mulher de Lula, Marisa Letícia, chegou a ter opção de compra do tríplex 164-A. A OAS aparece hoje como dona da unidade, após Marisa ter desistido do negócio, segundo o Instituto Lula. Para a PF, os imóveis possuem “alto grau de suspeita quanto à sua real titularidade”. Em nota, o Instituto Lula negou irregularidades.              
           

quarta-feira, janeiro 27, 2016

Dominique

Opinião

Arte descartável

Ferreira Gullar
Nada melhor do que pensar sobre o que a gente não sabe. Isto é, tentar compreender, descobrir o que não compreendemos nem conhecemos.

Pensei isso aí quando me ocorreu a seguinte observação: as artes são linguagens, mas diferentes da linguagem verbal, e daí a necessidade de aprendê-las, de dominá-las, para podermos nos expressas por meio delas e também aprendê-las para sermos tocados por elas.

Ocorre que essas considerações, de uma maneira ou de outra, frequentemente me levam a nelas mergulhar, sobretudo quando volto a refletir sobre os problemas das artes plásticas de hoje em dia, que têm como uma de suas características o não-fazer, ao contrário das manifestações anteriores fundadas precisamente no saber fazer.

Mas, como a arte não é somente técnica, não basta aprender a fazer; é necessário possuir uma qualidade especial que se costuma designar como talento. Não se sabe muito bem o que seja isso, mas é certamente uma qualidade que possibilita ao indivíduo apreender o que diz a música ou a pintura ou a poesia e até mesmo expressar-se por meio delas.

Atrevo-me a me pôr como exemplo para tentar esclarecer melhor o que penso. A minha não era uma família de artistas e, por isso mesmo, não havia em nossa casa obras de arte, senão as de caráter popular. Mas quando vi, pela primeira vez, uma reprodução da "Mona Lisa", fiquei encantado. Mais tarde, deparei-me com um pintor retratando, numa tela, o casario do bairro e tive vontade de fazer o mesmo. E assim, aos poucos, fui me familiarizando com esse tipo de arte que, cada vez mais, à medida que a conhecia melhor, mais me fascinava. Gostava de música, gostava de literatura, mas não me encantavam tanto quanto a pintura. Depois, descobri também a poesia e a ela me entreguei.

Até onde consigo entender, o que me possibilitou essa identificação foi a linguagem específica que essas artes são. Ninguém ensinou Mozart a gostar de música; menino ainda, foi tocado pelo que ela expressava e que correspondia a sua necessidade de expressar-se, ou seja, acrescentar ao mundo novas belezas melódicas. Fenômeno semelhante ocorreu com Goya, que, menino, esboçava nas placas de pedra da margem da estrada seus delírios gráficos. Mas isso não acontece só com os gênios; acontece com qualquer artista.

Como disse, essas considerações me vieram a propósito da chamada arte contemporânea, que não se apoia necessariamente numa linguagem. Não por caso, o precursor desse tipo de expressão, Marcel Duchamp, afirmava que "será arte tudo o que eu disser que é arte". Por isso, elegeu um urinol como obra de arte e, depois, um gadanho.

Hoje, os artistas contemporâneos fazem o mesmo quando colam um tubarão numa tela ou um esqueleto de gato. Noutras palavras, esse tipo de arte dispensa o domínio de uma linguagem, uma vez que tais artistas não fazem a obra, apenas se valem das coisas que existem e que não foram feitas por eles, como um amontoado de cadeiras ou de garrafas ou do que for.

Para mim (e para os que pensam como eu), chamar de arte o que não é fruto da elaboração de uma linguagem torna-se difícil, até mesmo impossível. Não se trata de exigir que a realização artística tenha de obedecer a normas e princípios, o que no passado definiu a obra de arte. Desde a revolução impressionista, no final do século 19, isso foi abolido, passou-se a valorizar a liberdade criadora e a inovação. Foi o que abriu caminho para esta supervalorização da expressão eventual sobre a elaboração da linguagem. Esse fato está ligado à desvalorização do trabalho artesanal em face da hegemonia das tecnologias industriais, que caracteriza a época atual. No fundo, considerar que a criação artística dispensa a elaboração de uma linguagem é aceitar que a arte acabou.

Uma mancha, um graveto são expressões, porque tudo é expressão, mas nem toda expressão é arte. Quando evoco as obras-primas de um Da Vinci ou de um Cézanne, só posso lamentar que se pretenda apresentar como obra de arte o que não passa de mera "sacação", descartável como os produtos comerciais de hoje. 

Original aqui

U.V.

Manchetes do dia

Quarta-feira 27 / 01 / 2016

O Globo
"Dirceu atribuirá indicação de Duque ao PT, que reage"

Delator diz que ex-ministro fez 113 voos em seus jatos como parte de propina

Petista será interrogado pela primeira vez pelo juiz da Lava-Jato, Sérgio Moro, na sexta-feira, e, segundo seu advogado, poderá revelar nomes para se defender de acusações que pesam contra ele.

Preso há seis meses pela Lava-Jato, o ex-ministro José Dirceu será ouvido pela primeira vez pelo juiz Sérgio Moro na sexta-feira, quando pretende "se defender e contestar" as acusações que pesam contra ele, segundo seu advogado Odel Antun.

"O que pode acontecer é surgirem nomes", diz o advogado, afirmando que Dirceu vai confirmar declaração do delator Fernando Moura de que foi o diretório do PT de São Paulo, e não ele, quem indicou o ex-diretor da Petrobras Renato Duque para o cargo. O presidente do PT-SP na época, Paulo Frateschi, reagiu e disse desconhecer Duque. Outro delator, Júlio Camargo, contou que Dirceu usou seus jatinhos 113 vezes, em 2010 e 2011, como pagamento de propina por desvios na Petrobras.

Folha de S.Paulo
"SP registra a menor taxa de homicídios em 20 anos"

Em 2015, foi a primeira vez desde 1996 que o índice anual ficou abaixo da zona considerada epidêmica

O Estado de São Paulo registrou em 2015 sua menor taxa de homicídio doloso (com intenção de matar) em ao menos duas décadas. O índice fechou em 8,73 casos por 100 mil habitantes. É a primeira vez na série histórica iniciada em 1996 que o nível fica abaixo de dez homicídios por 100 mil, a zona considerada epidêmica por governo e relatórios internacionais da ONU. 

O melhor resultado anterior tinha sido de 10,06, em 2014. A redução dos homicídios de um ano para outro foi de 12,5% —3.757 casos em 2015 ante 4.293 em 2014. O governador Geraldo Alckmin (PSDB) atribuiu os resultados à ação da polícia. Especialistas em segurança ouvidos pela Folha concordam que houve melhoria na investigação policial desses crimes nas últimas duas décadas, incluindo mapeamentos de áreas críticas.

Eles citam ao menos outros dois fatores: melhor controle das armas após o Estatuto do Desarmamento, de 2003, e redução da disputa por pontos de venda de droga devido ao domínio do PCC como facção criminosa. O Estado de São Paulo também registrou redução em todos os indicadores de criminalidade divulgados mensalmente, como roubo de carga, roubo a banco, roubo de veículos, latrocínio, sequestro e estupro.        

O Estado de S.Paulo
"Governo quer injetar R$ 50 bi no crédito via bancos públicos"

Anúncio deve ser amanhã; dinheiro virá de Banco do Brasil, BNDES, Caixa e FGTS

O governo deve liberar cerca de R$ 50 bilhões em linhas de crédito do Banco do Brasil, BNDES e Caixa (incluindo recursos do FGTS) no esforço para retomar investimentos e impulsionar a economia, segundo apurou o 'Broadcast'. O anúncio será feito amanhã pelo ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, na reabertura do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, o Conselhão. Também será anunciada ampliação de linhas do BNDES para financiar a produção de bens e serviços para exportação. A presidente Dilma Rousseff quer que o comércio exterior seja um dos caminhos para reativar a economia. Embora a intenção da equipe econômica não seja anunciar um pacote de medidas, o reforço no crédito será o principal resultado prático da reunião. A avaliação é de que há demanda para empréstimos, apesar do ceticismo no mercado.              
           

terça-feira, janeiro 26, 2016

Dominique

Opinião

Cegueira e irresponsabilidade

Estadão
O drama social e econômico causado pelo fechamento de 1,542 milhão de postos de trabalho no mercado formal no ano passado não parece suficiente para comover os integrantes do governo Dilma Rousseff nem para convencê-los da intensidade e extensão da crise provocada por seus erros e sua irresponsabilidade. Ao divulgar o pior resultado da série de registros do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) desde sua criação em 1992, o Ministério do Trabalho e Previdência Social destacou, em sua página na internet, que, a despeito da imensa perda de vagas, “o estoque de empregos é o terceiro melhor da série”.

Pior fez o ministro Miguel Rossetto ao afirmar que o péssimo resultado do Caged em 2015, abaixo do esperado pelo governo, não foi ruim para o trabalhador. “A crise não foi capaz de destruir as conquistas dos trabalhadores nos últimos anos”, afirmou. Não será fácil convencer disso os milhões de trabalhadores demitidos – que passaram a fazer parte da lista dos 9 milhões de brasileiros que procuram emprego, segundo dados mais amplos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) – e suas famílias.

Os números do emprego formal – o de melhor qualidade no mercado de trabalho brasileiro, pois oferece remuneração mais alta e assegura aos empregados garantias legais, como férias e direito de acesso à previdência social, além de melhores ambientes de trabalho – são apenas os mais recentes que demonstram a rápida deterioração das condições da economia brasileira.

A piora do cenário vem sendo notada desde meados do primeiro mandato de Dilma Rousseff, mas o desastre político, administrativo e fiscal que marcou o início do segundo mandato impulsionou o processo. No ano passado, a economia deve ter encolhido de 3,5% a 4%, a inflação oficial foi de 10,71% (mais do dobro da meta de 4,5%) e o déficit público nominal no fim de novembro equivalia a 9,3% do PIB (muito superior à media dos resultados dos países em desenvolvimento).

Embora seja por si só impressionante, o número de postos de trabalho formais fechados no ano passado não é a única informação negativa do Caged. O mercado de trabalho perdeu qualidade, pois, por setor da economia, a maior perda de vagas ocorreu na indústria de transformação. Trata-se do segmento que, por suas especificidades, exige profissionais mais qualificados e, por isso, oferece salários mais altos. No ano passado, a indústria de transformação fechou 608.878 vagas com carteira assinada. Entre os setores que mais empregam, a construção civil fechou 416.959 postos; o setor de serviços, 276.054; e o comércio, 218.650.

Consequência previsível da rápida deterioração do mercado de trabalho, a remuneração real média encolheu. No ano passado, os salários médios de admissão tiveram queda real de 1,63% em relação ao ano anterior: caíram de R$ 1.291,86 para R$ 1.270,74, de acordo com o Caged. Outras pesquisas indicam que em 2016 a renda média continuará a cair, entre elas a feita pela Fipe-USP, mostrando que os acordos de negociação salarial concluídos em dezembro não conseguiram corrigir integralmente os salários. Ou seja, a renda dos trabalhadores abrangidos por esses acordos terá queda real.

É surpreendente que, decerto dispondo de informações como essas – pois elas são essenciais para o desempenho de sua função pública –, o ministro do Trabalho e Previdência ainda afirme que o mercado formal de trabalho “mostra resistência, porque preserva o poder de compra muito próximo à inflação”. Otimista diante do cenário desastroso que afeta a vida de milhões de brasileiros, Miguel Rossetto fala em possível “reversão do cenário negativo”, pois a prioridade do governo, como garante, é a recuperação do crescimento e da geração de empregos, “com mais crédito, exportação, investimentos nas concessões, especialmente na infraestrutura, redução da inflação e retomada da atividade do mercado interno”.

Com um governo que se alimenta de sonhos será mais difícil para o País retomar o caminho do crescimento e da geração de empregos.

Original aqui

 
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