sábado, janeiro 23, 2016

Dominique

Opinião

Lula cá, Dilma lá

Estadão
Na aula sobre problemas brasileiros que ministrou na quarta-feira, em seu instituto, a um grupo de blogueiros-companheiros, além de se proclamar coberto pelo manto inconsútil da probidade no trato da coisa pública – “Não tem uma viva alma mais honesta do que eu nesse país” –, Luiz Inácio Lula da Silva mostrou também que existe uma enorme diferença entre ele e sua ex-pupila Dilma Rousseff: ele fez o melhor governo da História do Brasil, ao passo que ela, apesar de bem-intencionada, está fazendo tudo errado, a ponto de o País afundar em crise.

As palavras de Lula delineiam com clareza a estratégia de se descolar da sucessora para se livrar do ônus que a impopularidade do governo Dilma representa para o futuro do PT e, consequentemente, para sua pretensão de reassumir a cadeira presidencial daqui a três anos. E para que não restem dúvidas sobre sua insatisfação com o comportamento da sucessora, Lula reiterou que ela precisa sair do imobilismo e anunciar logo as tais “boas notícias” que o País quer ouvir: “A Dilma tem que ter como obsessão a retomada do crescimento e do emprego”. E estabeleceu prazo para isso: “Ainda este mês”.

Às vésperas de Dilma assumir o segundo mandato, Lula fez forte e bem-sucedida pressão sobre ela para que nomeasse um ministro da Fazenda que pudesse contar com a confiança do mercado, de modo a facilitar o ajuste fiscal já então tido como indispensável. E já que a solução era um ministro identificado com o mercado, Lula indicou logo o banqueiro Luiz Carlos Trabuco, presidente do Bradesco. Teve que se contentar com Joaquim Levy.

Depois de um ano em que o ajuste fiscal patinou e a “reforma econômica” não chegou nem a ser cogitada pelo Planalto, Lula mudou de ideia sobre a importância de contar com o “apoio do mercado”: “Se em algum momento se acreditou que fazendo discurso para o mercado a gente ia melhorar, o que a gente percebeu é que não conseguimos ganhar uma só pessoa do mercado”. E foi cáustico com o ex-ministro: “Nem o Levy, que era representante do mercado no Ministério da Fazenda, não virou governo. Não ganhamos ninguém e perdemos a nossa gente”.

Agora, então, Lula está decidido a ficar ao lado da “nossa gente”, o que significa abandonar Dilma à própria sorte, já que ela teima em não ouvir os conselhos e recomendações do mestre sobre como tirar o País do buraco. Na verdade, as críticas do criador à criatura não são novidade. Pouco tempo depois da posse do segundo mandato, Lula já ensaiava, em âmbito restrito, queixas à condução que Dilma imprimia ao ajuste fiscal e às medidas de austeridade que representariam ameaças aos direitos dos trabalhadores. Com o estímulo discreto do ex-presidente, o PT e as entidades e organizações sociais manipuladas pelo partido começaram a sair às ruas para defender a bandeira de uma “nova política econômica”.

De “nova”, porém, a política econômica reclamada pelas “forças populares” não tem nada. O que se reivindica é o retorno à gastança que provocou durante o governo Lula grande euforia no mercado, devido ao amplo financiamento de bens de consumo e desonerações a setores selecionados da economia. Uma política que deixou todo mundo feliz enquanto durou, mas que era insustentável. Lula, porém, acha que o governo tudo pode e, se quiser, o dinheiro aparece.

Em algum ponto de sua brilhante trajetória política, de líder sindical dos metalúrgicos a presidente da República, vencedor em quatro pleitos presidenciais consecutivos, Lula se convenceu de que havia conquistado o dom de levitar acima do Bem e do Mal, o que lhe conferiu também o direito de proclamar disparates com presunção de verdade.

Do alto de seu elevado discernimento, passou a tratar os brasileiros como idiotas. Sua biografia certamente se valorizaria se ele se dispusesse a seguir o conselho que deu a Fernando Henrique Cardoso em 2003: um ex-presidente da República não deve dar palpite em assuntos do governo.

Original aqui

U.V.

Manchetes do dia

Sábado 23 / 01 / 2016

O Globo
"Procurador acusa governo de tentar proteger corruptos"

MP da Leniência e projeto de repatriação beneficiam criminosos, diz
Carlos Fernando dos Santos Lima, da força-tarefa da Lava-Jato em Curitiba, contesta a crítica da presidente Dilma Rousseff de que há ‘pontos fora da curva’ a serem corrigidos na operação


O procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, integrante da Operação Lava-Jato, disse identificar "o dedo do governo" na proteção a corruptos. Em entrevista a RENATO ONOFRE E THIAGO HERDY, ele citou a edição da medida provisória que permite ao governo negociar acordos de leniência com empresas acusadas de corrupção e o projeto que autorizou a repatriação de recursos ilegais.

O procurador também contestou a crítica da presidente Dilma Rousseff de que há "pontos fora da curva" na Lava-Jato, como vazamentos seletivos e interrogatórios com base no "diz que me diz". "Há pontos fora da curva porque no Brasil não se pune", rebateu o procurador.        

Folha de S.Paulo
"Dilma critica delações sem prova na Lava Jato"

Presidente nega interferência em decisão do BC sobre a taxa de juros do país

A presidente Dilma Rousseff disse, em entrevista a Natuza Nery, defender a apuração de desvios na Petrobras pela Lava Jato ("O Brasil precisa dessa investigação"). Ela, no entanto, criticou "pontos fora da curva" na operação, como delações aceitas sem provas.

Para a petista, é"impossível" alguém ser questionado em interrogatórios com base no "diz que me diz". "O mínimo que agente espera é, quando falarem uma coisa que forem perguntar para uma pessoa, que provem. Pois depois não é verdade e tá lascado, né?", disse.

Um grupo de 104 advogados divulgou manifesto com críticas à condução da Lava Jato, apontando desrespeito a garantias fundamentais. Questionada sobre o texto, Dilma disse que falha relacionada ao direito de defesa poderia comprometer processos na Justiça.

A petista negou ter pressionado o Banco Central a manter a taxa de juros inalterada e fez graça com a acusação de controlar o Ministério Público Federal. "Então sou uma incompetente na arte do controle."         

O Estado de S.Paulo
"PF apura relação entre caças e pagamento a filho de Lula"

Ex-presidente considera hipótese ‘absurda’ e diz que não sabia que Luís Cláudio havia sido contratado por lobista

A Polícia Federal suspeita que pagamentos a Luís Cláudio Lula da Silva, filho do ex-presidente Lula, tenham relação com a compra dos caças suecos Gripen, da Saab, pela Força Aérea Brasileira.Em depoimento na Operação Zelotes, antecipado pelo estadão.com.br., Lula disse ser absurda a hipótese de que repasses ao filho foram "contraprestação por serviços prestados" por ele "à Saab para que essa viesse a vencer a concorrência" dos aviões.

A LFT Marketing Esportivo, de Luís Cláudio, recebeu R$ 2,5 milhões da Marcondes e Mautoni Empreendimentos, que tem como sócios os lobistas Mauro Marcondes Machado e sua mulher, Cristina Mautoni. O casal está preso, acusado de operar esquema de lobby e corrupção em favor do setor automobilístico que teria envolvido compra de medidas provisórias no governo federal. Marcondes também foi representante do grupo que controla a Saab. 

No depoimento do dia 6 à PF, Lula disse não ter falado com o filho sobre o contrato dele com o lobista e afirmou que não ocorreu "combinação" com empresários de MPs e, se tivesse ocorrido, seria "coisa de bandido". O ex-presidente ainda negou qualquer tipo de lobby por parte dele ou dos parentes.            
           

sexta-feira, janeiro 22, 2016

Sukhoi Superjet 100


Coluna do Celsinho

Intenso

Celso de Almeida Jr.

Janeiro caminha para o fim.

Em poucos dias, fevereiro.

Daí, mais uma semana,...carnaval!!

Logo após, o início do ano oficial brasileiro.

Pois é...

2016 promete.

Congresso em polvorosa.

Operação Lava Jato...a jato!

Olimpíadas no Rio.

Eleições municipais.

Quer mais?

Chega, né?

Tá bom!

Nossa paciência também tem limites.

Tudo será ligeiro...quente, intenso.

Ao final, o Brasil sobreviverá.

A dúvida é se alcançaremos 2017 com a certeza de dias melhores.

Brasileiros, determinados, continuaremos fazendo a nossa parte.

Trabalhando, estudando, produzindo.

Quanto aos nossos dirigentes, teremos que monitorar o desempenho.

Dentre as possíveis surpresas que 2016 reserva é possível, até, que novas lideranças apareçam.

Fica a torcida para que sejam de boa fé.

Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com

Dominique

Opinião

A sociedade do espetáculo

João Pereira Coutinho
1) Anos atrás, a revista "Rolling Stone" fez uma capa com Dzhokhar Tsarnaev. Quem? Entendo, leitor: a memória é curta, a orgia das notícias é longa. Digamos apenas que Dzhokhar e seu irmão Tamerlan foram responsáveis pela carnificina na maratona de Boston, onde centenas de pessoas morreram ou ficaram estropiadas.

Com uma pose de estrela do rock, Dzhokhar surgia na capa como se fosse o novo ídolo dos palcos. E a "Rolling Stone", que sempre teve fama de "transgressiva" (o supremo adjetivo brega), cruzava a linha mínima da decência.

Velhos hábitos não morrem depressa. E a mesma "Rolling Stone" decidiu publicar agora matéria longa sobre o encontro entre Sean Penn e Joaquín "El Chapo" Guzmán, o maior narcotraficante do mundo.

Como escreve o próprio Sean Penn na introdução à entrevista, "El Chapo" fornece metade das drogas que os EUA consomem. Lemos essas linhas e imaginamos Sean Penn, tomado por excitação adolescente, a babar de admiração pelo feito olímpico. Mas há pior: para que não restem dúvidas, "El Chapo" é, aos olhos de Penn, a parte mais inocente da história.

Para começar, o ator inicia o artigo com uma comparação pungente entre as biografias de ambos: ele, Penn, nascido em família de classe média e surfando as ondas da Califórnia na juventude; Joaquín, pelo contrário, nascido na pobreza e "obrigado" a cultivar droga desde tenra idade.

De resto, e em matéria de violência, "El Chapo" é um "empresário", que só recorre ao homicídio em último recurso, diz-nos Penn (vai em paz, Joaquín, e que Deus te abençoe). Porque a violência, a verdadeira violência, está nos Estados Unidos, que continuam a consumir. Se não houvesse consumo, imagino que "El Chapo" estaria no Tibete, dedicado à meditação e ao amor pleno.

Depois dessa introdução, a entrevista segue pelo mesmo caminho: ali temos um homem que nasceu pobre; que ama a família; que não deseja mal a ninguém. Sean Penn prometia entrevistar um narcotraficante. Encontrou um quase santo à espera da canonização oficial. E a única coisa a lamentar é a polícia ter localizado "El Chapo" -segundo dizem, por causa da entrevista- e o ter enjaulado novamente. Vem nos livros: não há santos sem martírio.

A entrevista de "El Chapo" não mostra apenas o apodrecimento da cabeça de Sean Penn (o que seria rotineiro); mostra, coisa pior, o apodrecimento do jornalismo, que não é capaz de estabelecer uma diferença entre a criminalidade e a justiça, a mentira e a verdade.

Aliás, não apenas do jornalismo: depois da captura de "El Chapo", parece que houve forte procura das mesmas camisetas que o narcotraficante usou na entrevista. Também faz sentido: depois do martírio e da santidade, só faltam as relíquias.



2) Todos os dias, passo pela banca dos jornais e encontro mais uma "celebridade" que informa o mundo sobre a sua doença. Depois, para que não restem dúvidas, a "celebridade" partilha uma foto -rosto cadavérico, ausência de pilosidade por causa dos tratamentos. Nos meses seguintes, a imprensa especializada vai seguindo o enfermo até a recuperação total -ou à destruição final.

A ideia de que a doença e a morte, como o sexo e o amor, são assuntos privados, eis um pensamento anacrônico que se perdeu na "tirania da transparência" em que vivemos. Tudo é público quando existe um público. Não me admira que a morte de David Bowie -um dos meus últimos heróis- tenha abismado os abutres. Como foi possível guardar segredo sobre um câncer?

Depois do espanto, veio uma explicação que se ajusta à sociedade do espetáculo: a morte de Bowie foi uma obra-prima, dias depois do lançamento de "Blackstar", o premonitório álbum.

Cada um acredita no que quiser. Eu prefiro ler o artigo do "Daily Telegraph", no qual Robert Fox, produtor do musical "Lazarus" e amigo de Bowie há mais de 40 anos, conta como foram os últimos meses do artista.

A palavra é só uma: banais. Bowie comunicou-lhe que estava doente. Pediu-lhe sigilo por causa dos "paparazzi" e para proteger a família. E sempre acreditou, mesmo quando preparava "Lazarus", que talvez pudesse sobreviver.

Quando a ilusão se desfez, David Bowie preferiu o recato. Bem sei que isso incomoda os comedores de lixo que rastejam por revistas, jornais ou redes sociais. Mas a atitude de Bowie, nos velhos tempos, chamava-se apenas dignidade. 

Original aqui

U.V.

Manchetes do dia

Sexta-feira 22 / 01 / 2016

O Globo
"Dólar atinge maior valor desde o Plano Real"

Moeda dispara e fecha a R$ 4,16 Mercado reage mal à manutenção dos juros e põe credibilidade do BC em xeque. Projeção de inflação sobe

O dólar fechou cotado a R$ 4,16 ontem, o maior valor desde o lançamento do Plano Real, em 1994. Nas casas de câmbio, chegou a R$ 4,70, nos cartões pré-pagos. A forte subida (1,51%) foi provocada pela desconfiança do mercado sobre a disposição do Banco Central de conter a escalada dos preços, após guinada de discurso que levou à manutenção dos juros em 14,25% ao ano, na quarta-feira. Para analistas, a credibilidade da instituição ruiu. Projeções já apontam inflação de até 10% em 2016. Para o governo, críticas são de “viúvas do ex-ministro Joaquim Levy”.        

Folha de S.Paulo
"Estimativa para a inflação aumenta com Selic estável"

Mudança repentina na política do BC já faz mercado rever índices; dólar tem nova alta e fecha em R$ 4,166

A opção do Banco Central por manter a Selic (taxa básica de juros) em 14,25% elevou as expectativas de inflação para os próximos anos. Economistas avaliam que a repentina mudança de rota da política monetária reduz a previsibilidade do mercado, prejudicando o controle inflacionário. O aumento dos juros é uma das ferramentas para combater a alta de preços. Os índices da “inflação implícita”, calculada com base nas taxas de retorno dos títulos da dívida do governo e que servem como referência da inflação projetada pelo mercado, subiram. Títulos com vencimento em um ano indicavam inflação de 9,68% ontem, contra 9,41% há quatro dias, antes do anúncio do BC. Para janeiro de 2018, a projeção saltou de 9,94% para 10,66%. Economista da consultoria Tendências considera que a atual taxa de juros pode acelerar a alta de preços devido aos efeitos no câmbio. O dólar foi a R$ 4,166. Gustavo Loyola, ex-presidente do BC, disse existirem “muitas evidências” de que o órgão foi influenciado politicamente para manter a Selic inalterada, o que, segundo ele, prejudica a sua credibilidade.        

O Estado de S.Paulo
"País fecha 1,5 milhão de vagas e analistas preveem piora"

Indústria foi setor que mais cortou; governo acredita em reversão da crise

O Brasil fechou 1,5 milhão de postos de trabalho com carteira assinada em 2015. O resultado do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) é o pior dos últimos 24 anos, segundo o Ministério do Trabalho e Previdência. Analistas de mercado já esperam para este ano um desempenho semelhante ou até pior. A indústria foi responsável pelo maior número de cortes de vagas – 608,9 mil. A construção civil ficou em segundo, com menos 417 mil. O único setor que mais contratou do que demitiu foi a agricultura, com saldo positivo de 9,8 mil. O estoque de empregos no País caiu 3,7%, retrocedendo ao patamar de 2012. Só em dezembro, foram encerradas 596 mil vagas. De acordo com o ministro do Trabalho e Previdência Social, Miguel Rossetto, o resultado de 2015 foi pior que o esperado pelo governo, mas “não foi capaz de destruir as conquistas dos trabalhadores dos últimos anos”. Ele disse esperar reversão da crise e retomada das contratações.           
           

quinta-feira, janeiro 21, 2016

Dominique

Opinião

O asceta de Garanhuns

Estadão
“Se tem uma coisa que eu me orgulho, neste país, é que não tem uma viva alma mais honesta do que eu. Nem dentro da Polícia Federal, nem dentro do Ministério Público, nem dentro da Igreja Católica, nem dentro da Igreja Evangélica. Pode ter igual, mas mais do que eu, duvido.” Lula continua achando que o brasileiro é idiota. Reuniu ontem blogueiros amigos para um café da manhã em seu instituto e, a pretexto de anunciar que vai participar “ativamente” do próximo pleito municipal, aderiu pessoalmente – já o havia feito por intermédio de seu pau-mandado Rui Falcão – à campanha promovida por prósperos advogados e seus clientes, apavorados empresários e figurões da política, para desmoralizar a Operação Lava Jato, que procura acabar com a impunidade de poderosos corruptos.

Lula conseguiu escapar penalmente ileso do escândalo do mensalão e, por enquanto, não está oficialmente envolvido nas investigações sobre o assalto generalizado aos cofres públicos. Os dois casos juntam-se numa sequência das ações criminosas que levaram dinheiro sujo para os cofres do PT e aliados e “guerreiros” petistas como José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares para a cadeia.

O que é inacreditável é que, como presidente da República e dono do PT, Lula não tivesse conhecimento do mensalão e do petrolão que desfilavam sob seu nariz. Assim, é notável o atrevimento – talvez mais estimulado pelo desespero do que por sua índole de ilusionista – com que o personagem, que ficou rico na política, se apresenta como monopolista das mais prístinas virtudes.

Só mesmo alguém empolgado pelo som da própria voz e pelas reações da plateia amiga cairia no ridículo de se colocar como referência máxima e insuperável em matéria de honestidade. “Pode ter igual, mas mais do que eu, duvido.”

Apesar de inebriado com as próprias virtudes, Lula encontrou espaço para a modéstia – infelizmente de braços dados com a mendacidade, que alguns chamam de exagero retórico – ao se referir ao combate à corrupção. Fez questão de dar crédito a sua sucessora, deixando no ar a pergunta sobre a razão pela qual os petistas esperaram oito anos, até que o chefão deixasse a Presidência, para se preocuparem com os corruptos: “O governo criou mecanismos para que nada fosse jogado embaixo do tapete nesse país. A presidente Dilma ainda será enaltecida pelas condições criadas para punir quem não andar na linha nesse país”. E arrematou, falando sério: “A apuração da corrupção é um bem nesse país”.

Lula não se conforma, no entanto, com a mania que os policiais e procuradores têm de o perseguirem, obstinados pela absurda ideia fixa de que ele tem alguma coisa a ver com a corrupção que anda solta por aí: “Já ouvi que delação premiada tem que ter o nome do Lula, senão não adianta”. Ou seja, os homens da Lava Jato ou da Zelotes não vão sossegar enquanto não obrigarem alguém a apontar o dedo para o impoluto Lula. Mas, confiante, o chefão do PT garante que não tem o que temer: “Duvido que tenha um promotor, delegado, empresário que tenha coragem de afirmar que eu me envolvi em algo ilícito”.

Lula falou também sobre a fase mais financeiramente próspera de sua carreira política, quando, depois de ter deixado o governo, na condição de ex-presidente faturou alto com palestras aqui e no exterior patrocinadas por grandes empresas. Explicou que é comum ex-chefes de governo serem contratados para transmitir suas experiências ao mundo. Quanto a palestrar no exterior para levantar a bola de empreiteiras que para isso lhe pagam regiamente, Lula tem a explicação que só os mal-intencionados se recusam a aceitar: “As pessoas deveriam me agradecer. O papel de qualquer presidente é vender os serviços do seu país. Essa é a coisa mais normal em um país”.

De fato, é muito louvável que um ex-presidente da República se valha de seu prestígio para “vender” os serviços e produtos de grandes empresas brasileiras aptas a competir no mercado internacional. Resta definir quando essa benemerência se transforma em tráfico de influência.

“Nesse país”, porém, qualquer um que manifeste dúvidas em relação à absoluta integridade moral do asceta de Garanhuns é insano ou mal-intencionado.

Original aqui

U.V.

Manchetes do dia

Quinta-feira 21 / 01 / 2016

O Globo
"Temor de recessão leva BC a manter juros em 14,25%"

Em dia de queda global das bolsas, comunicado cita ‘incertezas externas’

Petróleo cai mais de 6%, levando o dólar comercial a R$ 4,104, alta de 1,20%. Bovespa recua 1,08%

O Comitê de Política Monetária (Copom) surpreendeu o mercado ao deixar a taxa de juros inalterada, um dia após o presidente do BC ter divulgado nota sobre a projeção do FMI, de recessão de 3,5% para o Brasil este ano. Analistas admitem que uma nova alta nos juros poderia agravar a situação econômica, mas criticaram a comunicação do BC, apreensivos com a possibilidade de pressão política do Planalto.       

Folha de S.Paulo
"BC culpa crise externa e mantém juros em 14,25%"

Instituição confirma mudança de rota para política mais alinhada ao Planalto

O Banco Central confirmou ontem (20) a mudança de rota e manteve os juros básicos do país, a chamada taxa Selic, em 14,25% ao ano. A decisão sinaliza a adoção de uma política mais alinhada com o Palácio do Planalto, que prefere manter os juros inalterados para evitar mais recessão econômica.

Na terça (19), véspera do anúncio, o presidente da instituição, Alexandre Tombini, já havia alterado a expectativa de que a instituição subiria a taxa. Em nota, ele considerou "significativas" as novas projeções do FMI (Fundo Monetário Internacional) que indicavam piora na economia brasileira.

O pronunciamento incomum surpreendeu o mercado, que previa aumento de até 0,50 ponto percentual na taxa em razão da alta nas expectativas de inflação. A justificativa para manter a Selic, já no maior patamar em nove anos, foi "a elevação das incertezas domésticas e, principalmente, externas". O Banco Central vinha afirmando que precisa manter os juros altos para que o aumento da inflação causado pelo dólar e pelo reajuste de tarifas e preços controlados não se espalhe por toda a economia.        

O Estado de S.Paulo
"BC mantém juro e reforça incertezas sobre a inflação"

Decisão do Copom alimenta avaliação de falta de autonomia frente às pressões do governo e do PT

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central manteve a taxa de juros em 14,25% ao ano. O argumento foi o de não aumentar a recessão, apesar do risco de a inflação fechar 2016 acima do teto da meta após bater 10,67% em 2015. A decisão – não unânime – de manter a Selic pela quarta vez consecutiva marca reviravolta na estratégia do BC, que até segunda-feira sinalizava aumento da taxa. O cenário mudou na terça, quando comunicado do presidente do banco, Alexandre Tombini, alertou para piora de previsões do FMI. O informe foi interpretado no mercado como sinal de rendição à pressão da presidente Dilma Rousseff. A percepção aumentou ontem com declarações do ex-presidente Lula minimizando o risco de inflação e defendendo manutenção dos juros. A alta da Selic é combatida por PT e economistas mais conservadores. A mudança do Copom, porém, alimentou avaliação de falta de autonomia do BC. O Planalto recebeu a decisão como ajuda para retomar o crescimento.           
           

quarta-feira, janeiro 20, 2016

Pitacos do Zé


Ruínas em Ubatuba

José Ronaldo Santos
De vez em quando alguém entra em contato comigo para saber a respeito das ruínas no município de Ubatuba. De algumas delas eu já escrevi, dei a minha contribuição, mas sempre tem novidades para quem vasculha textos e escuta a prosa dos mais experientes. Hoje, a partir do documento de Félix Guisard Filho, está em questão a ruína da Tabatinga, que muita gente sequer imagina que possa existir. Acredito que este assunto ainda possa interessar a alguém. Espero!

A antiga Fazenda Tabatinga estava localizada perto da farta queda d’água que vinha da Serra da Lagoa. Atualmente corresponde ao entroncamento da Estrada das Galhetas [corvo s marinhos], de onde parte a Estrada da Lagoa. O mato cobriu a área, as pessoas jogam lixo e as colunas e paredes estão esquecidas. Quem sentirá a falta desses monumentos caso alguém se resolva por uma ação criminosa, contra o patrimônio cultural?

Em 1838 houve diligência ao local após denúncia de ser referência no contrabando de escravos, quando a Inglaterra fazia de tudo para acabar com o tráfico dos negros africanos. Com adaptação minha, vamos ao documento da época:

Aos treze dias do mês de março de mil oitocentos e trinta e oito, nesta Secretaria de Polícia, compareceu Euzébio José Rodrigues de Freitas, negociante, morador na rua Formosa, da Cidade Nova, nº 22, e em virtude do despacho desta, em sua petição foi-lhe tomada a denúncia seguinte: que na fazenda denominada Tabatinga, próxima da Ilha de São Sebastião, cujo proprietário José Bernardino de Sá, morador nesta Corte, está presentemente sendo um dos mais frequentados pontos de desembarque de africanos boçais, e que ultimamente ali aportaram, em janeiro, dois barcos carregados deles. Indignadas algumas pessoas das vizinhanças reuniram-se com armas para dispersá-los, e fazer, com isto, que tais contrabandistas deixassem aquele ponto, cuja frequência já se tornou escandalosa.   Disse mais: que o dito José Bernardino, para melhor fortificar-se, ali havia construído uma espécie de forte de madeira, guarnecido de doze ou treze colonos, e muitas outras pessoas de artilharia para defender o desembarque de seu contrabando. Outrossim declarou que estava a chegar ali o brigue escuna-paquete de Luanda, outrora Espadartes, que é pertencente ao mesmo Sá, com nome suposto, cujo brigue é guarnecido por duas peças [canhões] e um estandarte que é desmontado e oculto no porão logo que aqui entra. E dando por concluída a denúncia, assinou o presente termo por achá-lo conforme. Euzébio Roiz de Freitas. Joaquim M. Maia.

De acordo com a data, levando-se em conta que o Porto de Santos era suficientemente vigiado pelos ingleses, é fácil de entender essas empreitadas para o contrabando. A propósito, o referido José Bernardino tem história nisso. Clóvis Moura, em Dicionário da Escravidão no Brasil, cita-o:

“José Bernardino de Sá iniciou sua carreira como empregado de uma loja no Rio de Janeiro, mas, em 1830, quando o tráfico estava se tornando totalmente ilegal, já estava embarcando escravos para o Brasil em seu próprio navio, o Amizade Feliz. Três ou quatro anos depois, agora dado como uma herança que ele investiu no tráfico, Bernardino de Sá estava instalando postos escravistas na costa africana ao sul do Equador, onde os portugueses ainda mantinham um tráfico legal e os cruzeiros britânicos normalmente não intervinham. Fazendo escambo de tecidos na África e utilizando a bandeira portuguesa para proteger seus navios de captura pelos britânicos, o jovem negociante logo ficou rico, famoso e com títulos”.     

Assim, que tal conhecer e lutar pela preservação de nosso patrimônio cultural e torná-lo mais uma fonte de turismo?

Dominique

Opinião

A união dos poderosos

Estadão
O presidente nacional do PT, Rui Falcão, divulgou nota de apoio às violentas críticas de um seleto grupo de advogados à Operação Lava Jato. São irretocáveis a lógica e a coerência da atitude do dirigente petista. O lulopetismo é o responsável pela corrupção sistêmica que desde o primeiro mandato de Lula tomou de assalto o aparelho estatal. Faz sentido, portanto, que os petistas se empenhem por desmontar a exemplar ação articulada das instituições que têm o dever constitucional de combater o crime e punir os criminosos, antes que sejam colocados atrás das grades os figurões petistas e seus aliados que há mais de uma década se locupletam escandalosamente com o dinheiro público. Poderosos, uni-vos! é a nova palavra de ordem do lulopetismo.

Vale registrar que não ocorreu ao dirigente petista protestar contra a morosidade da Justiça que é responsável pela manutenção de centenas de milhares de pessoas em condições sub-humanas de detenção provisória por todo o País. Prefere o homem de Lula no comando do Partido dos Trabalhadores atacar os “exageros” das investigações policiais de que estaria sendo vítima a elite de políticos inescrupulosos, servidores públicos desonestos e empresários gananciosos associados no maior escândalo de corrupção de que se tem notícia na história da República. É o PT, mais uma vez, mostrando sua verdadeira cara.

Não se trata de mera coincidência, obviamente, o fato de o PT tentar politizar as investigações sobre corrupção exatamente no momento em que o cerco começa a se fechar perigosamente em torno de destacadas lideranças políticas, de modo especial o ex-presidente Lula. Os petistas têm larga experiência no assunto. Devem ter aprendido, com o julgamento do mensalão, que melhor do que protestar contra sentenças judiciais é tentar melar todo o processo antes que o resultado das investigações seja submetido à Justiça. É indispensável, portanto, desmoralizar policiais e procuradores federais – e até mesmo juízes, como Sergio Moro – por “desmandos” que podem “servir à violação de direitos” ou “fragilizar a democracia tão duramente conquistada”.

Em texto divulgado pela Agência PT, Rui Falcão revela toda a extensão de seu acendrado espírito público e refinado senso democrático ao exigir das autoridades respostas às denúncias de “exageros das delações forçadas, dos vazamentos seletivos de informações, do excesso das prisões preventivas, da espetacularização dos julgamentos, das restrições ao direito de defesa e ao trabalho dos advogados”. Em momento nenhum ele condena a pilhagem de recursos públicos por seus queridos amigos e correligionários.

O ponto alto da diatribe de Falcão tem tom épico: “É preciso vigilância e luta aberta contra este embrião de Estado de exceção que ameaça crescer dentro do Estado Democrático de Direito”. Seria interessante ver o resultado que a exortação do presidente do PT produziria sobre os movimentos que vivem à sombra do lulopetismo – como PT, PCdoB, CUT, MST, UNE e similares – se lhes fosse exigido que saíssem às ruas para se solidarizar com os advogados mais ricos do País, patronos de notórios ladravazes.

Ao confrontar abertamente a imagem pública de instituições como o Ministério Público Federal e a Polícia Federal, na qual repousa a esmagadora esperança dos brasileiros no fim da impunidade dos poderosos, o presidente do PT certamente sabe que está expondo seu partido ao risco de mergulhar mais profundamente ainda no pântano da impopularidade. Considerando, porém, a fidelidade canina de Falcão ao dono do partido, fica claro que Lula já decidiu que chegou o momento de fazer o possível e o impossível para evitar soçobrar nos escombros do petrolão e de outros escândalos, mesmo que para isso tenha de pisar no pescoço do PT.

A verdade é que Lula já não pode contar com o apoio de gente poderosa. Dos presidentes das duas Casas do Congresso aos chefes das legendas que compõem a base de apoio ao governo e os líderes dos partidos no Senado e na Câmara, somados aos principais executivos das grandes empreiteiras de obras, pouca gente escapa das investigações sobre corrupção na vida pública, de que a Lava Jato é o maior símbolo. Já os brasileiros, ao contrário da tigrada, só podem contar com o poder da Justiça.

Original aqui

U.V.

Manchetes do dia

Quarta-feira 20 / 01 / 2016

O Globo
"Como dirigente da Caixa, ex-ministro atuou pela OAS"

Em outra frente, Geddel Vieira Lima cobrava doações, revelam mensagens

Peemedebista nega irregularidades e diz que ‘fazia com todos’ os grandes empresários

Mensagens em poder da Lava-Jato revelam que Geddel Vieira Lima (PMDB), ministro no governo Lula e um dos vice-presidentes da Caixa na primeira gestão Dilma, atuou em diversas frentes para atender a interesses da empreiteira OAS em negócios públicos, relata VINICIUS SASSINE. E cobrava do então presidente da empresa, Léo Pinheiro, recursos para campanha eleitoral. Na Caixa, trabalhou para liberar repasses para a OAS. Pinheiro agradeceu: “Amigo, acabou de entrar o recurso da CEF na conta. Um abraço e muito obrigado.” Geddel admitiu ter atendido a pedidos, mas disse ter sido “às claras”. “Era um grande empresário. Fazia com todos.”       

Folha de S.Paulo
"Previsões sobre alta de juros mudam após nota deTombini"

Chefe do Banco Central comenta análise do FMI acerca do Brasil na véspera de decisão sobre Selic

Na véspera da decisão do Banco Central sobre a Selic, taxa de juros básica do país, o presidente da instituição, Alexandre Tombini, soltou nota que gerou surpresa e críticas no mercado e alterou as previsões a respeito do rumo da política monetária. Após Tombini considerar “significativas” as novas projeções do Fundo Monetário Internacional, que indicam piora na economia brasileira, analistas passaram a prever alta de 0,25 ponto percentual na Selic, hoje de 14,25%, e não mais de 0,50. O FMI projetou um recuo de 3,5% neste ano para o Brasil, e Tombini disse que “todas as informações relevantes e disponíveis” serão consideradas até a reunião na qual o Copom (Comitê de Política Monetária) anunciará a decisão referente à taxa. Segundo especialistas, o BC, que tradicionalmente não se pronuncia em dias de encontro do Copom, buscou pretexto para adotar posição alinhada com a do Planalto. O governo prefere manter os juros inalterados para evitar mais recessão econômica. O BC diz que não violou regra escrita e que agiu diante de fato inédito, a drástica revisão das projeções de crescimento do país pelo FMI. Para o órgão internacional, a crise no Brasil prejudicará o avanço da economia global em 2016.        

O Estado de S.Paulo
"BC muda discurso sobre juros e agrada ao Planalto"

Analistas revisam aposta na alta da Selic após nota de Tombini; governo e PT pressionam Banco Central

O mercado revisou para baixo sua projeção de aumento da taxa básica de juros depois que o presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, divulgou uma carta, alertando sobre a piora nas previsões do FMI para a economia brasileira. Para Tombini, as novas informações serão levadas em consideração na decisão sobre os juros, que será anunciada hoje pelo Comitê de Política Monetária. Analistas trabalhavam, até ontem, com um possível aumento de 0,50 ponto porcentual na Selic, hoje em 14,25% ao ano. Agora, as apostas são de aumento de 0,25 ponto. Segundo auxiliares da presidente Dilma Rousseff, a declaração agradou ao Palácio do Planalto, que tem dúvidas sobre a eficácia da alta de juros no combate à inflação. No PT, o comentário foi visto como um sinal de que pode haver uma reorientação da política monetária.          
           

terça-feira, janeiro 19, 2016

Dominique

Opinião

As razões do pessimismo

Estadão
Na campanha para sua reeleição, a presidente Dilma Rousseff acusou seus adversários de serem “pessimistas” em relação ao futuro do País. Sua equipe de marqueteiros criou até mesmo um personagem, o “Pessimildo” – que, ranzinza, vivia a prever uma série de desastres econômicos. Seus prognósticos sombrios eram rebatidos com um slogan otimista: “Pense positivo, pense Dilma”. Depois que a petista ganhou a eleição e completou o primeiro ano de seu turbulento segundo mandato, porém, Pessimildo deixou de ser uma piada engraçadinha e passou a encarnar um contingente cada vez maior de brasileiros que, diante da degradação da situação do País, começam a se dar conta de que o prometido paraíso petista da renda e do emprego, à prova de intempéries, não passava de um conto do vigário.

Esse desânimo crescente foi detectado por uma pesquisa do Ibope Inteligência em parceria com a Worldwide Independent Network of Market Research, feita em 68 países, a respeito das expectativas para 2016. Entre os brasileiros, a fatia dos que acreditam que este ano será melhor do que 2015 é de 50%, abaixo da média mundial, que é de 54%. Já os pessimistas, isto é, aqueles que acham que 2016 será pior, chegam a 32% da população, enquanto na média dos países pesquisados essa fatia é de apenas 16%.

Pode-se argumentar que ainda há muitos otimistas no Brasil, confirmando um traço verificado nas pesquisas anteriores, mas impressiona o dado que mostra a expansão acelerada do sentimento negativo em relação ao futuro. O porcentual dos que se dizem pessimistas no País era de apenas 6% em 2011, quando Dilma debutou no Planalto. No ano seguinte passou para 8%, chegou a 14% em 2014, atingiu 26% em 2015 e agora passou dos 30%. Em compensação, a fatia dos que acreditavam na melhora das condições de vida recuou de 73% em 2011 para 57% em 2014 e depois para 49% em 2015. Agora está em 50%, uma melhora insignificante. Ou seja, enquanto o sentimento positivo em relação ao futuro está estagnado, o pessimismo galopa.

“Não é preciso ser clarividente para saber que o problema é a economia do País”, escreveu José Roberto de Toledo, em sua coluna no Estado, ao antecipar alguns números da pesquisa. O jornalista destacou o dado do Ibope segundo o qual as classes de consumo A e B, que eram 30% da população no final de 2014, representavam no ano seguinte apenas 23%. Enquanto isso, a classe C caiu de 54% para 50% e as classes D e E, onde se concentram os mais pobres entre os pobres, passaram a ser 27% em 2015, contra 16% em 2014.

Em poucos anos, portanto, a melhora de vida de uma significativa parcela dos brasileiros, festejada pelo lulopetismo como a prova de sua superioridade moral e gerencial, provou-se insustentável, porque grande parte desse progresso estava lastreada em populismo rasteiro e irresponsabilidade fiscal. O pessimismo crescente não é infundado, pois ainda restam três anos dessa gestão temerária, que ameaça aniquilar os suados ganhos dos últimos 20 anos.

Ademais, um estudo recente, feito por economistas da consultoria Tendências, mostra que o País do PT, em que os pobres se transubstanciaram em classe média, só existe na propaganda do partido. Com base nos dados da Receita Federal, a pesquisa indica que a desigualdade de renda no País pode ser muito maior do que a informada pelos dados oficiais: segundo o levantamento, 37,4% da massa da renda nacional está com a faixa mais rica da população, enquanto a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio, do IBGE, estima que esse porcentual seja de 16,7%. Por obra do desgoverno de Dilma, o abismo entre as classes ricas e pobres, que chegou a cair entre 2011 e 2012, voltou a crescer a partir de 2012.

Diante desse quadro de deterioração evidente, em que a alta substancial do desemprego e da inflação indica tempos ainda mais enfarruscados pela frente, não é difícil de entender como um povo tradicionalmente tão otimista como o brasileiro esteja tão acabrunhado. Essa é uma das grandes obras de Dilma.

Original aqui

U.V.

Manchetes do dia

Terça-feira 19 / 01 / 2016

O Globo
"Governo negocia acordo para recuperar Rio Doce"

União já conversa com Samarco e Vale, das quais cobrava R$ 20 bi

Mineradoras de todo o país agora têm 15 dias para apresentar planos de emergência de barragens, que antes eram fiscalizadas por amostragem

O governo Dilma aceitou negociar com as empresas envolvidas no desastre de Mariana: a Samarco, responsável pela barragem, e suas controladoras, a Vale e a australiana BHP, com as quais já conversa. Os recursos do acordo serão usados na recuperação do Rio Doce. Em novembro, a Justiça determinou que a Samarco depositasse num fundo R$ 2 bilhões dos R$ 20 bilhões cobrados pelo governo, mas a empresa recorreu. As mineradoras de todo o país terão de apresentar planos de emergência em 15 dias.      

Folha de S.Paulo
"Petróleo sofre nova queda e derruba ações da Petrobras"

Papéis da estatal, que deixou lista de 500 maiores empresas abertas, valem R$ 4,80

Após nova queda do preço do petróleo, a Petrobras voltou ao nível de 1999 no mercado financeiro e saiu da lista das 500 maiores empresas abertas do mundo. Nesta segunda (18), as ações preferenciais da estatal, mais negociadas e sem direito a voto, eram comercializadas a R$ 4,80 — menor cotação desde novembro de 2003. Descontada a inflação, é o menor valor em 16 anos. Desde o início do ano, a companhia perdeu 27% do valor de mercado. A queda contínua do preço do petróleo no mercado internacional é a principal explicação para a mais recente fuga de investidores. A crise foi agravada pelo anúncio, no fim de semana, da revogação das sanções impostas ao Irã, dono de 10% das reservas mundiais. Diante da expectativa de aumento nas exportações pelo país, o barril tipo Brent, referência no mercado internacional, recuou 0,48% nesta segunda, para US$ 28,40. Mas problemas mais antigos, como o escândalo de corrupção revelado pela Operação Lava Jato, o alto nível de endividamento e o aumento do dólar, já vinham contribuindo para a depreciação da estatal.        

O Estado de S.Paulo
"Petróleo cai mais e ação da Petrobrás vale menos de R$ 5"

Cotação do barril tem queda com possível retorno do Irã ao mercado; na Bovespa, papel volta ao nível de 2003

Diante da perspectiva de aumento da produção de petróleo no Irã, depois do fim das sanções econômicas impostas ao país, a cotação do barril voltou a cair, arrastando as ações da Petrobrás, que voltaram aos preços de novembro de 2003. Ontem, o barril de petróleo foi cotado a US$ 28,55, em Londres. Com isso, a ação preferencial da Petrobrás teve retração de 7,16%, chegando ao valor de R$ 4,80; a ordinária recuou 6,11%, atingindo R$ 6,30. A Bovespa seguiu o movimento e fechou com queda de 1,64%, voltando para seu menor nível desde 9 de março de 2009. A Petrobrás agora vale em Bolsa R$ 74,5 bilhões, quase um sétimo do que valia em maio de 2008. Segundo especialistas, as ações da Petrobrás estão conectadas aos preços do petróleo e, por isso, não é possível dizer se as cotações vão continuar caindo. Eles não recomendam comprar ações da empresa agora. Endividada, a Petrobrás pôs subsidiárias à venda, como a BRDistribuidora e a Gaspetro, que teve uma fatia vendida em 2015.          
           
 
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