sábado, janeiro 09, 2016

Dominique

Opinião

Inflação de erros e desmandos

Estadão
A inflação de 10,67% foi uma das grandes marcas da presidente Dilma Rousseff no primeiro ano de seu segundo mandato, continuação perfeita dos muitos erros e desmandos cometidos entre 2011 e 2014. O primeiro a pagar o vexame, oficialmente, será o presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini. Ele terá de explicar ao ministro da Fazenda, em carta aberta, por que o aumento de preços ficou acima do limite de tolerância, de 6,5%. Essa carta é parte do ritual criado com o regime de metas, inaugurado no Brasil em 1999. Se estiver disposto a carregar a culpa, Tombini poderá cobrir a cabeça com cinzas, bater no peito e ajoelhar no milho, mas terá alguma dificuldade para explicar a falha. A taxa básica de juros, a Selic, subiu de 11,25% no começo do ano para 14,25% em setembro e aí continua. O Comitê de Política Monetária (Copom) deveria ter apertado mais o crédito, elevando os juros mais rapidamente e para níveis mais altos e, talvez, impondo aos bancos maiores depósitos compulsórios?

Se a carta for tão franca, no entanto, quanto têm sido as últimas atas de reuniões do Copom, as explicações assinadas pelo presidente do BC apontarão a presidente Dilma Rousseff e seus assessores, pelo menos os mais influentes, como os principais culpados pelo desastre da inflação. Esse desastre começou na primeira metade do mandato anterior, manifestou-se plenamente em 2015 e ainda afetará a vida dos brasileiros, talvez de modo menos espetacular, neste ano.

A inflação de 10,67%, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), foi a maior em 13 anos, desde a turbulenta campanha eleitoral de 2002, quando a taxa oficial atingiu 12,53%. Além disso, pela primeira vez depois de 2004, o resultado final, no ano gregoriano, ficou acima do limite de tolerância. Mas desde 2010 a taxa anual tem sido bem superior à meta de 4,5%, já muito alta pelos padrões internacionais. A própria meta, somada à margem de dois pontos, já denota uma perigosa tolerância à inflação. Tudo se passou, desde 2010 e mais claramente a partir de 2011, início do primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff, como se a meta oficial de 4,5% nunca fosse o alvo real da política econômica.

O primeiro grande erro desse mandato, cometido em 2011, foi a redução voluntarista da taxa básica. O Copom seguiu a preferência da presidente Dilma Rousseff, manteve essa política durante quase dois anos e só mudou de rumo quando a política monetária já estava desmoralizada e ninguém levava a sério os diretores do BC. Nesse ano a inflação bateu em 5,91% e no ano seguinte chegaria a 6,41%.

A irresponsável contenção dos juros, encerrada em 2013, foi apenas um dos episódios de voluntarismo – e desse os dirigentes do BC participaram. Outros episódios, como os de contenção política de preços e tarifas, criaram pressões acumuladas durante anos.

Em 2015, os preços administrados subiram 18,06%, puxados principalmente pelas tarifas de eletricidade, com alta de 51%. O intervencionismo irresponsável produziu mais que bombas inflacionárias de efeito retardado. Esse tipo de política impôs perdas enormes à Petrobrás, com o controle de preços dos combustíveis, custou bilhões ao Tesouro, em socorro às empresas de eletricidade, e desarranjou a economia do setor elétrico. Em 2016, os administrados ainda subirão pelo menos 7,5%, segundo projeção do mercado, por efeito da indexação e por necessidade de ajuste das empresas.

Mas o grande espetáculo da irresponsabilidade foi a devastação das contas públicas. O desarranjo fiscal continua sendo o principal combustível da inflação, como têm apontado os dirigentes do BC. Os desmandos na área fiscal impulsionaram a inflação diretamente, pelo excesso de demanda, e indiretamente, gerando insegurança e tornando o País vulnerável a pressões cambiais. A alta do dólar em 2015, de cerca de 50%, foi um importante fator de alta de preços. Tudo isso é conhecido. Mas quem deve explicações, pela lei, é o presidente do BC. Que juros teriam sido suficientes para compensar os erros e abusos do governo?

Original aqui

U.V.

Manchetes do dia

Sábado 9 / 01 / 2016

O Globo
"Inflação é a mais alta em 13 anos, e BC deve elevar juros"

Preços subiram 10,67% em 2015, puxados por luz, gasolina e alimentos

Tombini culpa política fiscal por sexto ano seguido de descumprimento da meta. Analistas preveem novo estouro este ano, com variação acima de 7%

Pressionada pelo aumento da conta de luz, dos combustíveis e dos alimentos, a inflação medida pelo IPCA teve alta de 10,67% em 2015, o maior patamar em 13 anos, segundo o IBGE. Para os mais pobres, o custo de vida subiu ainda mais: 11,28% pelo INPC. Foi o sexto ano seguido de descumprimento da meta de inflação. Para evitar nova escalada dos preços em 2016, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, sinalizou que a instituição voltará a subir os juros. Analistas acreditam que, ainda assim, a taxa deverá superar o teto fixado, ficando acima de 7%. Em carta à Fazenda para explicar o estouro da meta, Tombini culpou a condução da política fiscal. 


Folha de S.Paulo
"Inflação em 2015, de 10,67%, é a mais elevada desde 2002"

Preços controlados e alimentos pressionam índice; tendência para 2016 é de novo estouro da meta

Pressionada pelos itens administrados pelo governo, como energia elétrica e gasolina, e pelos preços dos alimentos, a inflação fechou 2015 em 10,67%, bem acima do teto da meta fixada pelo governo, de 6,5%no ano. O IPCA, índice oficial do país, não era tão alto desde 2002, ano final do governo Fernando Henrique (PSDB), quando atingiu 12,53%. Os preços controlados por governos subiram 18%. São itens como energia (51%),gasolina (20%) e ônibus (15%), que haviam sido represados em 2014, ano de eleição. Alimentos e bebidas também tiveram forte reajuste (12%). O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, publicou carta com explicações sobre o não cumprimento da meta. Para analistas, a inflação deve continuar a subir em 2016, com intensidade menor, mas com novo estouro do teto.  

O Estado de S.Paulo
"Inflação vai a 10,67%; BC culpa governo por estouro da meta"

Taxa foi a maior em 13 anos; BC responsabiliza câmbio, correção de preços e indefinição da política fiscal

A inflação oficial encerrou 2015 no maior patamar em 13 anos por causa, sobretudo, da correção de preços de energia elétrica e combustíveis, represados em anos anteriores justamente para conter a inflação. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu para 10,67%, taxa mais elevada desde 2002 (12,53%).Em carta ao ministro da Fazenda para explicar por que não foi possível manter a inflação no limite de 6,5% estabelecido pelo governo, o Banco Central culpou o câmbio, a correção dos preços administrados pelo governo e as indefinições da política fiscal pelo aumento do índice. Para este ano, é previsto novo estouro da meta. Com a voltada inflação aos dois dígitos, a defasagem da tabela do Imposto de Renda alcançou 72,2% em 20 anos. Com rentabilidade de 8,07%, a poupança perdeu da inflação no ano passado pela primeira vez desde 2002.      
           

sexta-feira, janeiro 08, 2016

Air Creebec Embraer EMB-110 Bandeirante


Coluna do Celsinho

Xilindró

Celso de Almeida Jr.

Soube nesta sexta-feira, 8 de janeiro, que prenderam o Papai Noel.

Não o bom velhinho da Lapônia.

Trata-se do Noel dos trópicos que, no final de novembro passado, roubou um helicóptero Robinson R-44.

A historinha dizia que ele animaria uma confraternização num sítio em Mairinque-SP

Assim, o piloto decolou do Campo de Marte e seguiu com Papai Noel para o falso evento.

Ao pousar, foi rendido e amarrado com fita adesiva e uma corda.

Um presente e tanto.

Não me pergunte onde foi parar o helicóptero.

A notícia diz apenas que prenderam o suspeito no interior da Bahia, numa operação conjunta das polícias baiana e paulista.

A união das inteligências das terras do acarajé e do pastel rendeu frutos.

Papai Noel vai pro xilindró.

Iniciando 2016 com notícia tão inusitada, fica a esperança de que outras figurinhas simpáticas tenham o mesmo destino.

Não necessariamente as do polo norte.

Preferencialmente as do planalto central.

Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com

Pitacos do Zé


Quem quer fazer algo?

José Ronaldo Santos
A fotografia é de um buraco que há mais de três meses surgiu na ciclovia, quase na ponte do Rio Ipiranguinha. Para muitos é uma “mínima irregularidade, que só gente assim, como você, quer criar caso”.

A cidade de Ubatuba tem vocação turística. Disto ninguém duvida. Muitos ganham demais com o afluxo de visitantes, mas todos saem ganhando, de uma forma ou de outra, com a renda gerada nas atividades e lugares que atraem tantos turistas.

O município tem condomínios que primam pela ordem, limpeza e preservação ambiental, mas o que predomina são lugares que parecem terras de ninguém. Se a coisa não é tão bonita com alguns dos ocupantes habituais, a situação piora com a chegada de elementos que não estão nem aí para nada. São pessoas que, pelas janelas de seus carros jogam seus lixos nas nossas vias. São elementos que não são capazes nem de escutar o som da natureza preservada. Ah! E sem contar aqueles que elegem seus pontos para praticarem livremente seus vícios, como se ao redor não estivessem outras famílias. O resultado é muito desgastante para aqueles cidadãos que idealizam e batalham sempre por uma cidade melhor.

O pior de tudo é uma visão limitada (ou omissa?) do governo local (legislativo, executivo e judiciário) que venho notando há décadas. Exemplos:

1 - Quem pode tirar aquele monte de ferro velho do belvedere do Félix, no posto da Polícia Federal? 
2 - Quem pode impedir que mais obras sejam construídas sobre as costeiras, tal como é escandaloso no caminho do caisão, no morro entre o Perequê-mirim e a Santa Rita etc.? 
3 - Quem pode barrar a Sabesp/Cetesb pelo esgoto tratado dessa maneira em Ubatuba?
4 - Quem é capaz de construir mais ciclovias, sobretudo no trecho entre a cidade e a Praia Grande, acompanhando a BR-101?
5 - Quem fará algo pelas praias e cachoeiras, tornará seus acessos decentes, inclusive com áreas para estacionamentos?
6 - Quem prestará atenção às ocupações irregulares pelos jundus?
7 - Quem dará atenção aos usuários de ônibus, construindo um terminal decente e exigindo horários que se adaptem à alta temporada?
8 - Quem consertará as “mínimas irregularidades” de nossas vias que colocam em riscos nossas vidas?

Dominique

Opinião

Dilma e as amarras do passado

Estadão
Nem guinada à esquerda, nem à direita, nem conversão ao bom senso: o governo da presidente Dilma Rousseff continuará tão incompetente quanto sempre foi, incapaz de autocrítica e de aprender com os próprios erros, a julgar por suas declarações durante café da manhã com jornalistas, em Brasília. Ela prometeu fazer “o possível” para alcançar o resultado fiscal prometido para o ano, um superávit primário – sem a despesa de juros – equivalente a 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB). Para atingir essa meta ela só mencionou aumento de impostos, com a recriação da CPMF, e maior liberdade para gastar, a ser obtida com a Desvinculação de Receitas da União (DRU). Nada foi dito sobre corte de gastos nem se prometeu gestão mais austera ou mais eficiente. Falou-se a respeito da reforma da Previdência – necessária, sem dúvida, mas com efeito de longo prazo e nenhuma relevância para a melhora das contas públicas em 2016. Não ficou claro se a presidente percebe esses detalhes.

Parte da receita da CPMF, prometeu a presidente, irá para Estados e municípios e deverá servir para a solução de problemas da saúde, principalmente no Rio de Janeiro. Ela parece atribuir a crise da saúde no Rio, portanto, à escassez de dinheiro. Também isso é típico de sua concepção de governo. A crise nos hospitais fluminenses é evidente consequência de uma péssima gestão, denunciada, em primeiro lugar, pela incapacidade do governo de fixar uma lista razoável e decente de prioridades.

Qualquer administrador com alguma competência – e um mínimo de pudor – ficaria corado só de pensar na hipótese de subordinar a educação e a saúde à existência da CPMF, uma aberração tributária, ou a royalties do petróleo. Não parece o caso, no entanto, de governantes e gestores petistas e de seus aliados.

A presidente negou qualquer conversa com dirigentes do PT sobre uma “guinada à esquerda”. Limitou-se a reconhecer, sem dar importância ao fato, as manifestações petistas a favor de uma reorientação da política econômica. Ao falar sobre o rumo da política, mostrou, de forma um tanto surpreendente, haver aprendido pelo menos uma lição: insistiu na promessa de ajuste das finanças públicas – embora sem se referir a austeridade e revisão dos gastos – e evitou mencionar qualquer novo pacote. Não se vai tirar coelho da cartola, disse a presidente, repetindo palavras do chefe da Casa Civil, Jaques Wagner, pronunciadas no dia anterior.

Mas é insuficiente insistir nas promessas de arrumação das contas e de combate à inflação. Durante um ano a presidente freou as iniciativas do ministro Joaquim Levy e preferiu as opiniões do ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, escolhido, afinal, como novo ministro da Fazenda. Ao preferir as ideias de Barbosa, a presidente motivou o rebaixamento do País por duas agências de avaliação. Como se nada disso houvesse ocorrido, ela anuncia, agora, a disposição de lutar “com unhas e dentes” para “criar outro ambiente no Brasil, com outras expectativas”. Para isso bastarão, a curto prazo, aumentar impostos e desvincular receitas?

Também demonstrando alguma cautela, a presidente evitou comentar a política de juros, assunto da competência exclusiva, segundo ela, do Banco Central (BC). Ela nunca teve esse cuidado no primeiro mandato e será necessário mais que esse discurso bem comportado para convencer o mercado. A política de juros tem sido discutida tanto na cúpula do PT quanto em áreas do Executivo federal. A evolução recente da curva de juros, no mercado, é um reflexo desse fato bem conhecido.

Para tornar convincente seu discurso a respeito do ajuste fiscal e do combate à inflação, a presidente precisa dar sinais muito claros de ajuste das próprias ideias e inclinações. Sua política em 2015 foi uma reafirmação gradual de fidelidade às ideias do mandato anterior. Tudo isso culminou na substituição do ministro da Fazenda. É necessário muito mais que a entrevista de ontem para indicar uma efetiva mudança de ideias e de rumos.

Original aqui

U.V.

Manchetes do dia

Sexta-feira 8 / 01 / 2016

O Globo
"Dilma dá aval à reforma da Previdência e contraria PT"

Presidente promete ‘encarar’ mudança, admite erros e defende CPMF

Declarações provocaram críticas imediatas de petistas, mas foram interpretadas pela equipe econômica como um sinal verde para a agenda básica estabelecida pelo novo ministro para este ano
A presidente Dilma criticou ontem a idade média de 55 anos para aposentadoria e prometeu “encarar” a reforma da Previdência, provocando críticas imediatas de petistas. Em café da manhã com jornalistas, Dilma também admitiu erros na política econômica em 2014, com reflexos até hoje, defendeu redução da inflação para 6,5% este ano e insistiu na recriação da CPMF, afirmando que a contribuição é “questão de saúde pública”. Para integrantes do governo, a fala de Dilma foi um aval à agenda básica do ministro da Fazenda, Nelson Barbosa. A nova equipe econômica avalia que a pressão da cúpula do PT para que sejam adotadas medidas com alto custo fiscal dificulta o trabalho de resgate da credibilidade do governo junto ao mercado e ao setor produtivo.  

Folha de S.Paulo
"Janot suspeita de rede de propina em fundos de pensão"

Para procurador-geral da República, Cunha (PMDB) e Vaccari (PT) pediram vantagens para capitalizar a OAS

A força-tarefa da Lava Jato descobriu mensagens no celular do ex-presidente da OAS Léo Pinheiro que sugerem reprodução do esquema de corrupção de fornecedoras da Petrobras em fundos de pensão e do FGTS, com propina paga a PT e PMDB. Segundo a Procuradoria- Geral da República, há envolvimento de Eduardo Cunha e João Vaccari Neto. As mensagens indicam que Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara dos Deputados, e Vaccari Neto, ex tesoureiro do PT, cobraram “vantagens indevidas” por operações de capitalização das empresas do grupo OAS. Há suspeita sobre emissões de debêntures (títulos de dívida) que tiveram adesão de bancos estatais, fundos de pensão e o FI-FGTS. O grupo OAS emitiu quase R$ 3 bilhões em títulos desde 2010. “Tudo mediante pagamento de vantagem indevida aos responsáveis por indicações políticas, inclusive doações oficiais”, escreveu Rodrigo Janot, o procurador- geral da República. Cunha nega as acusações. A defesa de Vaccari Neto não foi localizada, e a de Pinheiro não comentou.  

O Estado de S.Paulo
"Janot prepara novos inquéritos; Wagner pode ser investigado"

Mensagens de celular de empreiteiro devem servir de base a pedidos ao STFMensagens obtidas pela Operação Lava Jato no celular do ex-presidente da OAS José Adelmário Pinheiro Filho, conhecido como Léo Pinheiro, devem embasar nova lista de investigados a ser encaminhada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ao Supremo. Pelo menos três ministros da presidente Dilma Rousseff aparecem nos diálogos: os petistas Jaques Wagner( Casa Civil)e Edinho Silva (Comunicação Social) e o peemedebista Henrique Eduardo Alves (Turismo). Ontem, o Estado mostrou mensagens de Pinheiro e Wagner sobre liberação de recursos do governo federal e intermediação de financiamento de campanha eleitoral na Bahia. Caberá à equipe de Janot decifrar os supostos esquemas mencionados nas mensagens e identificar o que pode ser enquadrado como indício de crime – casos em que cabem pedidos de abertura de inquérito. Em nota, Wagner disse estar“ à disposição do Ministério Público”.       
           

quinta-feira, janeiro 07, 2016

Dominique

Opinião

Vasto mundo

Ferreira Gullar
Em meados do ano que acabou, os meios de comunicação divulgaram a chegada ao planeta Plutão de um foguete espacial da Nasa, que fotografou esse planeta que, no sistema solar, é o mais distante da Terra.

Para chegar a ele, o foguete viajou nove anos e, chegando lá, constatou que Plutão era bastante diferente do que supunham os cientistas, a começar pelo fato de que sua crosta apresenta vastas cadeias de montanhas formadas por gelo de água, ou seja, semelhante ao gelo que cobre as montanhas de nosso planeta. Isso significa que existe água em Plutão e, se existe água ali, não é impossível que exista vida também.

Quase no mesmo dia, outra notícia sobre tema semelhante chegava até nós: a descoberta de um planeta semelhante a Júpiter, que gira em torno de uma estrela semelhante ao nosso sol. Haverá vida nesse planeta? Trata-se de um sistema solar como o nosso, composto de outros planetas, havendo um talvez com habitantes parecidos conosco?

Bom, afinal de contas tudo é possível, dependendo de nossa capacidade de imaginar. De qualquer modo, uma coisa é verdade: o ser humano é, sem dúvida, um bicho extraordinário, tanto por essa necessidade de conhecer como por sua capacidade de levar à prática essa necessidade.

Pare para pensar: já considerou quanto conhecimento é necessário para saber como chegar a um planeta como Plutão, a bilhões de quilômetros de distância? Mas não é apenas a vasta distância que impressiona, mas, sobretudo, construir uma nave capaz de vencer a força de atração da Terra e superar as complexas relações de forças cósmicas que terão de ser superadas para tornar possível a viagem. E sei lá quantos outros problemas estarão implicados em semelhante proeza, como calcular com precisão o momento em que esse foguete -a tantos bilhões de quilômetros da Terra- iniciará a manobra para entrar na órbita de Plutão. Já imaginou quantos problemas estão implicados em semelhante manobra, operada aqui da Terra, com a ajuda de uns tantos equipamentos que o homem inventou?

E ao me perguntar isso, não posso ignorar que nós, seres humanos, habitamos um minúsculo planeta que gira em torno de uma estrela de quinta grandeza, pertencente a uma galáxia constituída de bilhões de sóis e constelações, sendo ela, a Via Láctea, uma entre bilhões e bilhões de constelações. E mais, essas galáxias são quase nada na vastidão do espaço vazio que constitui o universo. Então, pergunto: o que é o ser humano em meio a essa talvez infinita vastidão?

Nada? Quase nada? Não obstante, ele é capaz de saber tudo isso a respeito do universo e ainda criar máquinas que conseguem navegar por ele e auscultar seus mistérios.

Agora mesmo, um cientista lançou um projeto cujo objetivo é descobrir se há seres semelhantes a nós no universo. A pergunta que motiva o projeto é a seguinte: "estamos sós no cosmo?"

Um número considerável de instituições e de cientistas está disposto a difundir, como for possível, sinais através do espaço cósmico, na esperança de que alguém que viva em algum planeta, ainda que situado a milhões ou bilhões de anos-luz de distância, responda a essa patética indagação.

Pensando bem, isso é uma piração. Milhões ou bilhões de anos para a pergunta chegar a alguém e outros tantos para chegar a nós a resposta. E em que língua? Como saber se se trata de uma mensagem ou de meros ruídos cósmicos? Conforme acredito, mesmo que haja outros seres inteligentes no mundo, dificilmente entenderão nossos sinais e nós os deles. De qualquer modo, as distâncias são tão fantásticas que jamais seria possível alguém chegar até nós ou chegarmos nós até alguém de outro sistema solar. É como se não existissem. Por isso digo que o universo está aí apenas para ser contemplado e nos maravilhar.

É o que penso, neste começo do ano de 2016, esticado na poltrona da sala, com a gatinha deitada sobre minhas pernas, no apartamento em que moro, à r. Duvivier, em Copacabana, Rio de Janeiro, planeta Terra. 

Original aqui

U.V.

Manchetes do dia

Quinta-feira 7 / 01 / 2016

O Globo
"Previdência do Rio só tem 27% do que precisa pagar"

Gastos com inativos chegarão a R$ 17,8 bi, mas só há R$ 4,9 bi garantidos

Aposentadorias e pensões quase equivalem ao que será gasto com Segurança, Saúde e Educação este ano
A conta da previdência do estado, estimada em R$ 17,8 bilhões este ano, será o grande desafio do governo Pezão, que já enfrenta grave crise, especialmente na saúde. O valor corresponde a quase o total dos orçamentos, somados, de Segurança, Saúde e Educação. Mas apenas R$ 4,9 bilhões, da contribuição previdenciária de funcionários da ativa, estão garantidos, revela ELENILCE BOTTARI. Fortemente dependente dos royalties do petróleo, cujo preço continua a despencar, o Rioprevidência, fundo de pensão dos servidores estaduais, terá de buscar outras fontes de receita, como a venda de imóveis, para fechar as contas de 2016. 

Folha de S.Paulo
"Patrimônio de Cunha cresceu além de renda, indica Receita"

Alta incompatível de deputado e família foi de R$ 1,8 milhão em 4 anos; ele nega

A Receita Federal encontrou indícios de aumento patrimonial incompatível com a renda declarada do presidente da Câmara, Eduardo Cunha(PMDB-RJ), e familiares, informam Aguirre Talento e Márcio Falcão. Segundo relatório do órgão, feito a pedido Procuradoria- Geral da República na Operação Lava Jato, o crescimento “a descoberto” dos três totaliza R$ 1,8 milhão entre os anos de 2011 e 2014. A descoberta não significa necessariamente sonegação fiscal, mas, caso irregularidades sejam comprovadas, podem resultar na cobrança de impostos devidos e de multas, além de basear investigações e processos. Os três são investigados no Supremo Tribunal Federal sob suspeita de terem mantido contas secretas no exterior, com cerca de R$ 9,6 milhões, abastecidas com verba desviada da Petrobras. Cunha foi denunciado sob acusação de receber US$ 5 milhões em propina. O deputado é alvo de um pedido da PGR de afastamento do comando da Câmara e também responde a um processo de cassação na Casa. O deputado nega todas as acusações. Ele afirma que não possui patrimônio “a descoberto”e que desconhece o relatório da Receita. As defesas de sua filha e de sua mulher não se pronunciaram. 

O Estado de S.Paulo
"Mensagens indicam atuação de Wagner por empreiteiros"

Mensagens de texto trocadas por celular por Léo Pinheiro, executivo da construtora OAS, entre agosto de 2012 e outubro de 2014, indicam intermediação do então governador da Bahia e atual ministro da Casa Civil,Jaques Wagner, a favor de empreiteiros no governo federal e negociação de apoio financeiro ao candidato petista à prefeitura de Salvador em 2012, Nelson Pellegrino. As mensagens foram remetidas à Procuradoria- Geral da República no caso da Lava Jato, informam Daniel Carvalho e Beatriz Bulla. Pinheiro foi condenado a 16 anos de prisão por corrupção,lavagem de dinheiro e organização criminosa. Nas mensagens,Wagner é identificado como JW. Investigadores acreditam que ele é também o Compositor, em referência ao alemão Richard Wagner. Em 2014,Pinheiro pede ajuda para falar com o ministro dos Transportes para liberar R$ 41,76 milhões referentes a convênio de 2013. "Ok, vou fazê-lo", responde Wagner.Ontem,ele não comentou o caso.       
           

quarta-feira, janeiro 06, 2016

Dominique

Opinião

Jogo de cena

Estadão
A presidente Dilma Rousseff e o PT precisam urgentemente decidir se querem resolver os problemas do País ou cuidar de suas próprias imagens. São fartas as informações sobre intenções e planos que o governo espalha, como se constituíssem uma consistente política para superar a crise. Mas não passam de medidas isoladas, quase sempre demagógicas ou de escassa eficácia diante da gravidade da crise.

Vejamos quais foram elas nos últimos dias: 1) o Planalto decidiu apostar na construção civil, que julga capaz de reagir mais prontamente a “estímulos” oficiais, como símbolo de um “novo PAC”; 2) Dilma está disposta a ressuscitar o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, o Conselhão, para obter o aval das “forças vivas” do País à luta contra a crise econômica; 3) a direção do PT – Lula, portanto – vai exigir da chefe do governo uma Carta ao Povo Brasileiro às avessas, agora destacando o compromisso do lulopetismo com “o povo”, o que significa, entre outras coisas, acabar com essa história de priorizar ajuste fiscal; e 4) líderes destacados do petismo estão enfurecidos com o aparente sincericídio cometido dias atrás pelo ministro-chefe da Casa Civil, Jaques Wagner, ao admitir que o PT “se lambuzou” no poder.

Enfim, os petistas – o atual governo ainda é petista – aparentemente só se entendem quanto à necessidade urgentíssima de remendar a imagem pública de um governo cujo prestígio está ao rés do chão. E, como são visceralmente incompetentes no trato da coisa pública, não produzem senão casuísmos de pífio valor prático.

O desespero dos frustrados salvadores da Pátria com o destino que os eleitores brasileiros parecem lhes reservar já nas eleições municipais deste ano revela que não se poderá contar com o governo que aí está para enfrentar a crise econômica, política e moral que assola o País. E a situação se complica porque o PT não se decide se continua a arcar com o ônus de ser um governo fracassado ou se opta por virar partido de oposição.

Enquanto perdurar a ambiguidade, o País não terá saída para a crise econômica e por uma simples razão: crises graves exigem remédios amargos e, portanto, inevitavelmente impopulares. E o lulopetismo jamais terá a coragem de contrariar os interesses imediatos de suas “bases populares” – na verdade, entidades e organizações sociais em sua maior parte controladas pelo próprio partido. Prefere proclamar que não é justo que as “classes populares” arquem com o ônus do combate à crise econômica.

E assim, por omissão e por falta de coragem para fazer o que as circunstâncias exigem, os petistas deixam que a crise deite raízes e se perenize. Falta-lhes uma noção social básica: numa sociedade democrática as crises precisam ser enfrentadas solidariamente pelo conjunto do corpo social, na medida justa da possibilidade de cada um. 

Isso deve ser feito com a urgência possível, pois são os mais pobres que sofrem mais pesadamente os efeitos perversos da inflação e do desemprego. É para o bem-estar das camadas menos favorecidas, portanto, que se impõem remédios eficientes, embora amargos, para sair da crise.

Dilma Rousseff, se ainda tiver resquícios de espírito público, precisa decidir de uma vez por todas se vai efetivamente enfrentar a crise com as medidas pontuais e as reformas que sabe que são indispensáveis ou dar ouvidos a Lula e a seus sequazes, para os quais a prioridade absoluta são as “boas notícias”, ou seja, aquelas que os desavisados gostam de ouvir.

Pois é exatamente sob a orientação de Lula que sua versão envernizada, o ministro-chefe da Casa Civil, não para de tagarelar, dando a impressão de que faz a autocrítica do lulopetismo, enquanto atribui a terceiros e a fatores externos uma crise que foi engendrada pelo PT para ganhar eleições. A falação de Jaques Wagner parece ser diferente dos habituais faniquitos da ala “ideológica” do partido. Mas não é. São vertentes da mesma estratégia marqueteira com que o Planalto tenta convencer chefes de família e jovens – que veem se aproximar o desemprego e a perda de renda e se afastar as perspectivas de um futuro melhor – de que o PT, no governo há mais de 13 anos, nada tem a ver com esse desastre.

Original aqui

U.V.

Manchetes do dia

Quarta-feira 6 / 01 / 2016

O Globo
"Acordo entre prefeitura e estado não resolve crise"

Pezão passa dois hospitais, mas fica com UPAs, que pesam no orçamento

Município assume Albert Schweitzer e Rocha Faria, ambos na Zona Oeste e que têm despesas de R$ 500 milhões anuais. Mas unidades de atenção básica, responsabilizadas pelo inchaço da rede, ainda são desafio este ano

A prefeitura fechou acordo para assumir os hospitais Albert Schweitzer, em Realengo, e Rocha Faria, em Campo Grande, hoje da rede estadual. Com isso, o governador Pezão se livrará de despesas de R$ 500 milhões anuais. Mas o estado não conseguiu negociar a transferência das UPAs, que custaram R$ 740 milhões em 2015 e inflaram as contas do setor. Os gastos extras terão impacto sobre a rede da prefeitura, que também tem falhas. Ontem, a espera por um médico no Souza Aguiar, principal emergência do Rio, chegava a 18 horas. 

Folha de S.Paulo
"Em posse, oposição diz que abreviará governo Maduro"

Com maioria oposicionista, os novos parlamentares da Assembleia Nacional da Venezuela tomaram posse nesta terça (5) com a promessa de abreviar o governo chavista de Nicolás Maduro. A intenção, expressa pelo presidente da Casa eleito, Henry Ramos Allup, acirra a disputa política no país. “Buscaremos, num prazo de seis meses, uma saída constitucional, democrática, pacífica e eleitoral para a interrupção deste governo”, disse Allup, sob gritos e aplausos do plenário. Ele se referia à possibilidade de convocar em fevereiro um referendo revogatório do mandato de Maduro. A oposição também cogita emendar a Constituição e convocar a Constituinte. Para isso, no entanto, precisa recuperar a maioria de dois terços que a Justiça pôs em xeque na semana passada ao anular, sob acusação de compra de votos, a eleição de três dos 112 deputados antichavistas. A cerimônia de posse foi marcada por confusão e gritaria, relata Samy Adghirni, de Caracas. Opositores afirmaram terem sido agredidos por policiais na entrada, e chavistas chegaram a abandonar a sessão.

O Estado de S.Paulo
"Oposição assume Legislativo e já fala em saída de Maduro"

Novo presidente da Assembleia Nacional da Venezuela diz que tentará pôr fim a governo chavista em seis meses

Acabou em confusão a primeira sessão da Assembleia Nacional da Venezuela controlada pela oposição desde a chegada do chavismo ao poder, em 1999. Deputados chavistas a abandonaram após discussão e empurra-empurra, sob alegação de desrespeito ao regimento. Os ânimos se exaltaram quando o líder do Primero Justicia, Julio Borges, tentou pôr na agenda a votação de anistia para presos políticos. O novo presidente do Legislativo, Henry Ramos Allup, declarou o fim das leis habilitantes, usadas pelo chavismo para governar por decreto, e disse que a oposição tentará abreviar o governo de Nicolás Maduro. “Em seis meses, se decidirá a saída constitucional, democrática, pacífica e eleitoral para o fim deste governo”, afirmou, referindo-se à possibilidade de convocar um referendo.       
           

terça-feira, janeiro 05, 2016

Dominique

Opinião

Sombras nas bolas de cristal

Estadão
Se as bolas de cristal da economia estiverem funcionando tão mal quanto no começo do ano passado, os brasileiros têm motivos muito especiais para se preocupar. Em 2015 a recessão e a inflação foram muito piores do que indicavam as projeções dos economistas entre o réveillon e o Dia de Reis. A inflação deveria ter chegado a 6,56% e o 

Produto Interno Bruto (PIB), aumentado 0,5%, segundo a pesquisa Focus divulgada há um ano, em 5 de janeiro, pelo Banco Central (BC). Mas os preços devem ter subido mais de 10% e a contração econômica, segundo tudo indica, passou de 3%. A pesquisa publicada ontem apresenta perspectivas mais sombrias que as de um ano antes. A inflação projetada para 2016 chegou a 6,67% e o PIB, segundo a nova estimativa, deve encolher 2,95%. Se o erro das previsões for parecido com o do início do ano anterior, os brasileiros poderão ter saudade de 2015.

Nem o governo espera um bom desempenho econômico nos próximos meses. O cenário tomado como referência para a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), aprovada no fim de dezembro, inclui uma contração econômica de 1,9% e uma inflação de 6,47%, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Os parlamentares encarregados da redação final acertaram esses números com os técnicos do Executivo.

O avanço do IPCA considerado na LDO é quase igual ao estimado pelos economistas do mercado e a recessão é um pouco menos funda. Mas o cenário inclui também uma taxa básica de juros de 13,25% no fim de 2016. Na pesquisa Focus a taxa apontada chegou a 15,25%, um ponto porcentual acima daquela ainda em vigor. Essa expectativa reflete a disposição anunciada pelos dirigentes do BC de apertar a política monetária, provavelmente a partir deste mês, para tentar atingir a meta de inflação de 4,5% até o fim de 2017.

Seria insensato apostar a casa ou qualquer bem de família nessas ou em outras projeções econômicas, principalmente quando a incerteza política torna mais precário o funcionamento das bolas de cristal, cartas de tarô, búzios, modelos econométricos e outras ferramentas de adivinhação. Mas o esforço de previsão é indispensável a qualquer atividade. Nenhum goleiro, consumidor, produtor ou investidor se permite agir sem alguma concepção do futuro e por isso as projeções, mesmo inseguras, têm sempre alguma importância.

Além do mais, a precisão das estimativas, neste momento, é bem menos importante que os desafios e as tendências mais aparentes. Ninguém pode falar com alguma segurança, neste momento, sobre o desdobramento, a duração e o resultado final de um processo de impeachment. Mas o assunto está no topo das prioridades da presidente Dilma Rousseff e isso afetará as decisões políticas e econômicas por algum tempo.

O Executivo terá de enfrentar esse e outros obstáculos, incluída a pressão do ex-presidente Lula e do PT, para cuidar da gestão das finanças públicas. Investidores e consumidores provavelmente continuarão retraídos, o baixo ritmo de atividade ainda prejudicará a arrecadação de tributos e o governo, em qualquer caso, dependerá da recriação do imposto do cheque, a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), para alimentar o Tesouro. A presidente continua mostrando pouca disposição para o corte e a racionalização da despesa.

Há razões muito sólidas para duvidar do resultado fiscal prometido, um superávit primário (sem os juros) equivalente a 0,5% do PIB. Além disso, conter o endividamento público será mais difícil, se os juros básicos subirem.

Numa hipótese otimista, 2016 será diferente de 2015 em um ponto importante: a recessão e a alta de preços ficarão mais perto das previsões do que ficaram no ano anterior. Ainda assim, o ano será muito ruim. Qualquer cenário mais luminoso dependerá da apresentação, pelo governo, de um programa sensato e crível de arrumação de suas contas e de aumento da produtividade nacional. Não há, por enquanto, nenhum sinal desse tipo.

Original aqui

U.V.

Manchetes do dia

Terça-feira 5 / 01 / 2016

O Globo
"China derruba mercados e agrava incerteza global"

Dólar fecha cotado a R$ 4,03, e Bovespa recua 2,79%, para nível de 2009

Produção industrial chinesa cai pelo décimo mês seguido, e FMI diz que forte desaceleração do país asiático vai ‘assombrar’ economia mundial. Commodities podem ter desvalorização maior em 2016, prejudicando o Brasil

Os mercados globais despencaram no primeiro pregão do ano, ontem, após a China anunciar que sua produção industrial recuou pelo décimo mês. A Bolsa de Xangai caiu 7% e teve os negócios interrompidos. No Brasil, o dólar fechou a R$ 4,03, e a Bovespa teve queda de 2,79%. Uma forte desaceleração chinesa agrava o quadro de incerteza e pode “assombrar” a economia mundial, alertou o FMI, devido ao risco de crescimento baixo e à nova queda das commodities, o que prejudicaria o Brasil.

Folha de S.Paulo
"Posse da oposição acirra conflitos na Venezuela"

Na véspera da cerimônia, chavistas bloqueiam entrada de líder na Assembleia

Uma escalada de hostilidades governistas prenuncia extrema tensão na posse de parlamentares opositores na Assembleia Nacional da Venezuela, nesta terça (5). O novo chefe da Casa, Henry Allup, foi barrado no Parlamento por funcionários chavistas e deixou o local escoltado por policiais. Apoiadores do presidente venezuelano, o líder chavista Nicolás Maduro, também saquearam equipamentos da emissora de TV parlamentar, que saiu do ar. Movimentos prometem mobilização em massa contra o que chamam de “Assembleia burguesa”, relata Samy Adghirni, de Caracas. Na eleição de dezembro, a aliança opositora MUD (Mesa da Unidade Democrática) obteve 112 das 167 cadeiras legislativas — maioria de dois terços que permitiria emendar a Constituição e destituir altos funcionários. A Justiça, porém, invalidou a votação de três deputados antichavistas. A medida atende a pedido de governistas, que alegam fraude eleitoral. A MUD anunciou que vai ignorar a decisão, o que ampliou o temor de confrontos. A Folha apurou que o governo brasileiro já prepara um pronunciamento para cobrar “apaziguamento geral” no país vizinho.

O Estado de S.Paulo
"Câmbio e recessão elevam saldo da balança comercial"

Importações em queda e real desvalorizado levam comércio exterior do País a resultado positivo de US$ 19,7 bi

A balança comercial brasileira encerrou 2015 com um saldo positivo de US$ 19,7 bilhões. O resultado – explicado por queda nas exportações e retração ainda mais forte nas importações, em meio à recessão econômica – é o melhor registrado desde 2011. O número surpreendeu analistas, que estimavam um resultado positivo entre US$ 14,6 bilhões e US$ 19,9 bilhões, com o centro das projeções em US$19 bilhões. Em dezembro, a balança comercial apresentou superávit de US$ 6,2 bilhões, o melhor resultado mensal desde 1989, quando começou a série histórica. Mesmo com o maior volume exportado da história do comércio exterior brasileiro, os preços dos produtos exportados tiveram forte queda. Para 2016, a expectativa do governo é de superávit de US$ 35 bilhões, comportamento que deve continuar sendo influenciado pela alta do dólar e pelo ritmo mais lento da demanda doméstica. Em 2014, a balança comercial apresentou déficit de US$ 4 bilhões.       
           

segunda-feira, janeiro 04, 2016

Dominique

Opinião

Sujeito oculto

Estadão
Na gramática do governo petista, o responsável pela imensa crise atual é oculto por elipse. A presidente Dilma Rousseff cometeu erros primários, mas nem ela nem seus auxiliares são capazes de vir a público e assumir, em primeira pessoa, a autoria do desastre que se revela a cada novo balanço da economia. Tome-se, por exemplo, uma recente entrevista do ministro-chefe da Casa Civil, Jaques Wagner, na qual ele admitiu os “erros que foram cometidos em 2013 e 2014”. Não é preciso ser catedrático em análise sintática para perceber que a voz passiva serve para esconder o sujeito que senta na cadeira presidencial e que, por sua única e exclusiva responsabilidade, colocou o País na trilha do caos.

Na entrevista, dada à Rádio Metrópole, de Salvador, Jaques Wagner fez um diagnóstico preciso dos problemas criados pela gestão temerária da economia no governo Dilma. O ministro listou, entre os “erros que foram cometidos”, a “desoneração exagerada” e os “programas de financiamento que foram feitos num volume muito maior do que a gente aguentava”. Embora tratados pelo petista como se fossem obras do acaso ou tivessem caído dos céus, essas medidas são parte da chamada “nova matriz econômica”, monstrengo que assegurará a Dilma um lugar de honra na galeria dos piores presidentes da história do Brasil.

A tal matriz é obra do, por assim dizer, pensamento de Dilma, desde sempre convencida de que o Estado tem recursos infinitos e que, por essa razão, deve ser o grande responsável pelo desenvolvimento do País. Não há cofre público que baste para tamanha falta de juízo, como sabe qualquer estudante novato de economia, mas afinal não é possível discutir de forma racional com quem governa acreditando que basta “vontade” para que se realize a “justiça social”.

Como a “nova matriz econômica” é fruto de ideologia, e não de planejamento sensato, seus graves reveses são tratados não como se fossem um problema do modelo em si, e sim como resultado de uma combinação de fatores externos, sabotagem da oposição e, claro, má sorte. Mesmo quando reconhecem os erros, Dilma e seus ministros tratam logo de dizer que o problema é sempre dos outros. “Eu sei que isso não consola, mas no mundo inteiro nós estamos vivendo uma fase de economia complicada”, disse o chefe da Casa Civil na entrevista.

Quando resolveu dar um nome ao sujeito da crise, o ministro, previsivelmente, elegeu Joaquim Levy, visto pelos petistas como o verdugo dos pobres. Ministro da Fazenda, Levy foi o responsável por aplicar o “remédio que virou veneno”, que “mata o paciente”, disse Wagner. “O Levy tinha uma visão muito específica do livro-caixa, do cofre, então ele estava obcecado por aquilo ali”, opinou o ministro. “Aquilo ali”, enfatize-se, é o equilíbrio das contas públicas, sem o qual não é possível manter os programas sociais tão caros ao PT de Wagner.

Mas a farsa do ajuste fiscal – que não foi feito na dimensão necessária porque Dilma nunca o bancou para valer – serve bem aos propósitos populistas dos petistas. “Já cortamos neste ano mais de R$ 130 bilhões, entre programas e despesas. Mas chega um ponto em que, se você cortar mais, vai matar o paciente”, disse Wagner. E ele foi didático: “Tem seca no Nordeste, tem enchente no Sul, tem zika vírus com microcefalia, tem que gastar dinheiro para combater o mosquito. Isso tudo é dinheiro, o que vou fazer? Vou dizer para o cara: ‘Amigo, você está com microcefalia, mas meu ajuste fiscal diz que não posso lhe dar dinheiro, morra’. Não pode ser assim”.

Para os petistas, portanto, ajuste fiscal significa deixar morrer os doentes nos hospitais negando-lhes atendimento por economia de recursos, como se o dinheiro já não faltasse em razão justamente da irresponsabilidade dos governantes, a começar pela própria presidente Dilma Rousseff. Que ninguém se engane: a “autocrítica” malandra que Jaques Wagner ensaiou, calculada para dar a impressão de que vem aí uma nova fase no governo, nada mais foi do que um pretexto para reafirmar as mesmas crenças que empurraram o País para o abismo.

Original aqui

U.V.

Manchetes do dia

Segunda-feira 4 / 01 / 2016

O Globo
"Petrobras quer ser financiada por sócios"

Novos parceiros devem bancar investimentos da empresa

Proposta é alternativa da estatal para driblar a falta de caixa sem cortar ainda mais os gastos previstos para este ano

Diante da crise gerada a partir da Operação Lava-Jato e pela queda nos preços internacionais do petróleo, a Petrobras pretende vender cerca de US$ 15 bilhões em ativos, como fatias de campos de petróleo, inclusive do pré-sal, e participações em empresas. Mas quer compradores que, além de pagar sua parte nos investimentos necessários aos negócios, banquem também o montante que caberia à estatal. O objetivo é evitar mais cortes nos investimentos de 2016, que já foram reduzidos de US$ 27 bi para US$ 19 bi.

Folha de S.Paulo
"3 em cada 4 metrópoles têm queda de receitas"

Crise derruba investimento de 38 das 50 cidades mais populosas do país

Assim como ocorre no governo federal e na maioria dos Estados, as maiores cidades brasileiras amargam uma queda expressiva na arrecadação de impostos e passaram a cortar investimentos e a enxugar gastos. Levantamento da Folha aponta que, em 38 dos 50 municípios mais populosos do país que disponibilizaram dados completos de finanças, onde vivem mais de 60 milhões de pessoas, houve queda de receitas com impostos e taxas. Os dados são de janeiro a outubro de 2015 em comparação ao mesmo período do ano passado, com valores atualizados pela inflação. Com a diminuição da atividade econômica e a redução de verbas do ISS , grande fonte de receitas municipais, essas metrópoles arrecadaram, juntas, 4% (R$ 2,7 bilhões) a menos que em 2014. Um dos principais alvos dos cortes são os investimentos, que caíram 16%.   

O Estado de S.Paulo
"Governo quer blindar Barbosa de pedaladas"

Para Planalto, condenação de ministro no TCU prejudicaria credibilidade da política econômica

O novo foco de preocupação do Palácio do Planalto junto ao Tribunal de Contas da União (TCU) é o ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, considerado fundamental para o plano do governo de recuperar credibilidade na área econômica neste início de ano. Até março, o TCU vai realizar a última parte do julgamento das pedaladas fiscais e definir a responsabilidade de cada uma das 17 autoridades arroladas no processo. Entre as penas estão desde multas até a inabilitação para o serviço público, o que exigiria a demissão dos condenados. Uma eventual condenação do novo titular da Fazenda jogaria, na avaliação do governo,mais insegurança no mercado. Segundo apurou o Estado, Barbosa deve usar a seu favor o ofício assinado pelo procurador Júlio Marcelo de Oliveira, do Ministério Público de Contas, que isentou o vice-presidente Michel Temer de responsabilidade na edição de decretos com liberação de gastos.       
           
 
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