sexta-feira, dezembro 09, 2016

Opinião

Reza brava

Celso de Almeida Jr.

Há alguns anos, eu e um amigo - muito religioso - preparávamos um cliente para um debate que ocorreria num ginásio poliesportivo, a noite.

Com direito a torcida, candidatos a prefeito seriam provocados sobre os mais espinhosos temas.

Naquela tarde, simulamos questões e sugerimos ajustes nas respostas.

Aos que nunca enfrentaram uma experiência destas, posso garantir que é inevitável enfrentar certa tensão.

Em nosso caso, a situação era mais complicada, pois teríamos a agitação das arquibancadas.

Pois bem...

Chegada a hora, credenciado como assessor, me posicionei junto ao cliente.

Olho para um lado, nada.

Olho para o outro, também nada.

Quem eu procurava?

Ué?! O amigo que, junto comigo, treinara o candidato para aquele momento crítico.

Sua presença próxima - conforme eu pensava - seria algo natural, pois era meu único aliado nas orientações rápidas, caso o candidato enfrentasse algum revés.

Acionei o celular.

Atendeu.

Onde estava?

"Celso, preferi ficar nos bastidores, em profunda oração, para que tudo dê certo..."

Soltei um sonoro palavrão que não escapou aos ouvidos atentos de nosso cliente.

Este, ao saber o motivo de minha irritação, relaxou, perdeu a tensão e caiu na risada.

Assim, descontraído, foi muito bem no debate; considerado vitorioso, tanto pela qualidade das respostas, como pela firmeza no posicionamento.

Ao final, o amigo da oração veio me abraçar, comemorando o desempenho do cliente.

Desisti de questionar a sua atitude.

Resignado, agradeci a reza.

Desisti da braveza.

Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com

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