sábado, dezembro 10, 2016

Crônica

Quase...

Sidney Borges
Acordei cedo. A manhã estava bonita, ensolarada, depois o céu ficou encoberto, mas quando fui passear no jardim tinha sol. Fiquei contemplando a grama, ontem o jardineiro cortou, depois choveu, a grama gostou, tive a sensação que sorria para mim. Foi quando notei alguma coisa no fundo do quintal, perto da pitangueira maior, tenho duas, ambas dadivosas, mas o momento não é de pitangas, é de acerolas, o chão está coberto de bolinhas vermelhas, bom para o teiú que aparece quase todos os dias e assusta os gatos. 

Não sei se assusta, mas eles ficam atentos ao bicho verde e lustroso que passeia silencioso. 

O que seria aquela coisa que vi de relance, um gato estranho, um gambá? Continuei observando o jardim e aproveitei para tirar algumas folhas secas da samambaia "Sua Boba", que me acompanha há mais de trinta anos, sempre verde e sempre alegre. Conversamos um pouco, como é de praxe. Quando saio para dar aulas ela fica rindo de mim. Sua Boba é gozadora, hoje ela perguntou quando eu ia me aposentar e estampou um sorriso amarelo nas folhas. 

Foi nesse momento que a coisa passou roçando meus calcanhares. Rápido como Bruce Lee me virei e tentei agarrá-la pelo rabo, a coisa tinha rabo. Não consegui, o ser furtivo escapou pela lavanderia e sumiu como fumaça que se esgarça no ar. 

Quase, faltou o quase, um dia agarro o tempo pelo rabo e seguro com força e ele para de derrubar meus raros cabelos. Um dia...

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