sábado, dezembro 12, 2015

Dominique

Opinião

Temer está pintado para a guerra

Elio Gaspari
Quando Dilma Rousseff disse "confio e sempre confiei" no vice-presidente Michel Temer, pois "não tem que desconfiar dele um milímetro", sabia que essa era uma construção da realidade própria na qual é capaz de viver. Nela, doutorou-se em economia pela Universidade de Campinas, foi presa por delito de opinião e, como se sabe, o país vive o momento da "Pátria Educadora".

As pedaladas fiscais foram uma mentira contábil, o Trem-Bala e a ferrovia chinesa que uniria o Atlântico ao Pacífico foram delírios palacianos. Mesmo admitindo-se que todos os governos mentem, o perigo não está apenas nas patranhas, mas no mentiroso que acredita no que diz ou se julga livre para dizer qualquer coisa, dando por entendido que se deve acreditar nele.

Enquanto a doutora derramava sua confiança em Michel Temer, estava a caminho do Planalto uma carta do vice-presidente na qual, fugindo ao seu estilo aveludado, disse o seguinte: "Sei que a senhora não tem confiança em mim e no PMDB, hoje, e não terá amanhã".

Dizer que essa é uma carta de rompimento é pouco. Temer pintou-se para a guerra e tornou-se, ao lado do deputado Eduardo Cunha, o principal estímulo ao impedimento da doutora. Já houve caso de vice-presidente (Aureliano Chaves) que, conversando com outra pessoa (o general Ivan Mendes), ameaçou meter a mão na cara do titular (João Batista Figueiredo). Carta como a de Temer é coisa que nunca se viu.

Pode-se pensar o que se queira de Temer, mas deve-se reconhecer que ele listou fielmente oito episódios em que foi maltratado pela doutora. No mais grotesco, a falta de confiança foi explicitada quando ela puxou-lhe o tapete depois de pedir-lhe que assumisse a coordenação política do governo. Vale lembrar que Temer não precisava do lugar e a manobra poderia ter dado certo, estabilizando o governo. No episódio mais ridículo, Dilma permitiu, na semana passada, que o comissariado do Planalto divulgasse uma versão falsa do teor de uma conversa que os dois tiveram. Nela, Temer teria oferecido seus préstimos para deter o processo de impedimento. Era mentira. 

Seria injusto atribuir todas essas situações à doutora. O bunker petista do Planalto também opera num mundo próprio.

A queixa central de Temer está na hostilidade do comissariado para com o PMDB. É esse o nó que Dilma amarrou ao próprio pescoço. Logo depois de reeleita, ela aceitou a formulação de que o governo podia se afastar do valioso aliado. Isso seria possível, assim como seria possível eleger o petista Arlindo Chinaglia para a presidência da Câmara, derrotando Eduardo Cunha. Deu no que deu.

Desde agosto, quando Temer disse que se fazia necessário buscar "alguém" que tivesse "a capacidade de reunificar a todos", Dilma passou a desconfiar quilômetros de seu vice. Os dois dançaram uma coreografia da enganação, com Temer esclarecendo que fora mal interpretado e ela aceitando a explicação pois, mais uma vez, a culpa teria sido da imprensa.

Depois da carta de Temer, não se pode mais falar que há uma conspiração contra a permanência de Dilma Rousseff na Presidência. O processo para que a Câmara vote sua deposição segue o ritual do regimento, e o vice-presidente da República assumiu a condição de pretendente ao trono.

Original aqui

U.V.

Manchetes do dia

Sábado 12 / 12 / 2015

O Globo
"Dilma, Renan e Janot contestam rito de Cunha"

Pareceres afirmam que cabe ao Senado decidir se abre ou não processo

STF julgará, na próxima quarta-feira, qual deve ser a tramitação da ação contra a presidente no Congresso

As regras defendidas pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha, para o impeachment da presidente Dilma foram contestadas ontem em três frentes. A AGU, que representa Dilma, o procurador-geral, Rodrigo Janot, e o presidente do Senado, Renan Calheiros, enviaram ao STF pareceres sustentando que cabe ao Senado a palavra final sobre a abertura do processo, caso o plenário da Câmara autorize a ação. A presidente só seria afastada após a decisão do Senado, e não a partir da aprovação na Câmara. Dilma contesta ainda a aceitação do impeachment por Cunha. Janot é contra a votação secreta para a comissão especial. O STF vai julgar no dia 16.    

Folha de S.Paulo
"Rito do impeachment opõe Renan a Cunha"

Para senador, afastamento de Dilma não cabe só à Câmara

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), começou a travar uma disputa com Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que comanda a Câmara, sobre que Casa determina o eventual afastamento temporário de Dilma no trâmite do impeachment. Uma ação no Supremo Tribunal Federal questiona o rito proposto por Cunha, que defende que a presidente saia do cargo logo após os deputados aprovarem em plenário a abertura do processo e o seu encaminhamento ao Senado. Em parecer enviado ao STF nesta sexta (10), Renan sustenta que os senadores não seriam obrigados a acatar o entendimento da outra Casa. Para ele, caberia ao Senado fazer uma votação própria sobre a questão antes de continuar o processo. No mesmo dia, Dilma e o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, enviaram à Corte documentos com posição igual à de Renan. Janot defendeu ainda que a eleição da comissão que discutirá a deposição deveria ter sido aberta.    

O Estado de S.Paulo
"Lula é intimado a depor na PF"

Ex-presidente será questionado sobre suposta compra de medidas provisórias; no exterior, ele repassa responsabilidade a Dilma

A Polícia Federal decidiu intimar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para prestar esclarecimentos no inquérito que apura suposta compra de medidas provisórias ( MPs) editadas nos governos dele e da presidente Dilma Rousseff. Luís Cláudio Lula da Silva, filho do ex-presidente, e o ex-chefe de gabinete da Presidência Gilberto Carvalho são investigados no caso, que já teve 18 denunciados. O mandado de intimação foi assinado dia 3 e agenda o comparecimento de Lula para quinta-feira, na sede da PF em Brasília. O ex-presidente ainda não foi intimado porque está no exterior. Ontem, ao comentar a decisão, disse que “sempre esteve à disposição das autoridades para contribuir com o esclarecimento da verdade”. Também afirmou que “não tem qualquer relação com os fatos investigados” e “a MP em questão foi editada em 2013”, quando Dilma já era presidente. Dilma assinou a 627/2013, uma das três MPs alvo da Operação Zelotes. Já a 471/2009 e a 512/2010 foram editadas por Lula. 
           

sexta-feira, dezembro 11, 2015

De Havilland Canada DHC-4 Caribou #5


Coluna do Celsinho

Carta

Celso de Almeida Jr.

Inspirado na inusitada carta de Michel Temer para Dilma Roussef, escrevo a minha, dirigida à outra personalidade ficcional.

Lá vai...

Senhor Papai Noel:

Consuetudo consuetudine vincitur (Um costume é vencido por outro costume).

Por isso, pensando em mudança, lhe escrevo. Muito a propósito do intenso noticiário destes últimos dias e de tudo o que me chega aos ouvidos das conversas nas ruas.

Esta é uma carta muito pessoal. É um desabafo que já deveria ter feito há muito tempo.

Desde logo lhe digo que não é preciso alardear publicamente a necessidade da minha credulidade.

Tenho-a revelado ao longo destas cinco décadas.

Lealdade pautada desde os livrinhos de histórinhas da pré escola.

Sei quais são as funções de um brasileiro.

Ao meu natural bom humor conectei aqueles contos aprendidos na infância.

Entretanto, sempre tive ciência do absoluto descaso do senhor e dos seus duendes em relação a mim e aos meus amigos.

Descaso incompatível com o que fizemos para manter o apoio pessoal e coletivo às suas atividades.

Basta ressaltar que no último Natal apenas 59,9% dos amigos declaravam acreditar no senhor.

E só o fizeram, ouso registrar, por que era eu que simulava o sininho das renas.

Tenho mantido a unidade dos conhecidos apoiando o seu trabalho, usando o prestígio que tenho advindo da credibilidade e do respeito que granjeei no mundo da fantasia.

Isso tudo não gerou confiança em mim.

Gera desconfiança e menosprezo de sua trupe.

Vamos aos fatos. Exemplifico alguns deles.

1) Passei os últimos tempos como decorador de árvore de Natal.
O senhor sabe disso. Perdi todo o protagonismo que tinha.
Só era chamado para resolver onde colocar o pinheirinho.

2) Eu e demais aliados deixamos de ser chamados para discutir a efetiva entrega dos presentes; éramos nós mesmos os acessórios, secundários, subsidiários.

3) O senhor, no Natal recente, à última hora, não renovou com Devlin, o Motoqueiro, que o auxiliava a levar o saco dos presentes, que fez um belíssimo trabalho, elogiado durante os últimos anos. Sabia que era uma indicação minha. Quis, portanto, desvalorizar-me. Cheguei a registrar este fato no dia seguinte, por cartinha, como nos bons tempos de menino.

4) No episódio do Coelho Ricochete, mais recente, ele deixou a missão em razão das muitas desfeitas, culminando com o que aqueles seus duendes fizeram a ele, retirando sem nenhum aviso prévio o fiel Blau Blau que ele, coelhinho, indicará para ajudar na entrega.

Alardeou-se a) que fora retaliação a mim; b) que ele saiu porque faz parte de uma suposta "conspiração".

5) Quando o senhor fez um apelo para que eu assumisse a coordenação das renas, no momento em que estavam arredias, atendi e fizemos, eu e Ricohete, aprovar um ajuste no fornecimento de ração. Tema difícil por que dizia respeito aos fornecedores. Não titubeamos. Estava em jogo a capacidade de entrega e a qualidade da comidinha. 

Quando se aprovou a negociação, nada mais do que fazíamos tinha sequência. Os acordos assumidos não foram cumpridos. Realizamos muitas reuniões solicitando apoio, com a nossa credibilidade. Fomos obrigados a deixar aquela coordenação.

6) De qualquer forma, eu coordenava como podia e o senhor resolveu ignorar-me chamando o Bóbi Filho e o Bibo Pai, personagens de outra histórinha, para fazer um acordo sem nenhuma comunicação a mim e aos meus colaboradores. O Lippy e o Hardy, sabe o senhor, foram indicados por ele. E o senhor não teve a menor preocupação em eliminar o Wally Gator, um colaborador a mim ligado.

7) Democrata que sou, converso, sim, senhor Papai Noel, com outras figurinhas que povoam as fantasias infantis. Sempre o fiz, pelos 24 anos que passei no Sindicato da Ilusão. Alias, a primeira investida buscando reforço para a entrega dos presentes teve o apoio de 8 membros da Liga da Justiça, 6 da Corrida Maluca além dos 3 destemidos Mosquito, Mosquete e Moscardo. Sou criticado por isso, numa visão equivocada do nosso sistema de entregas. E não foi sem razão que em duas oportunidades ressaltei que deveríamos unificar todos os personagens infantojuvenis na gigantesca tarefa da distribuição de presentes. Os duendes, sob o seu comando, resolveram difundir e criticar. 

8) Recordo, ainda, que o senhor, manteve reunião de duas horas com o Manda Chuva, com quem construí boa amizade, sem convidar-me, o que gerou, no Batatinha e no Espeto a pergunta: o que é que houve que numa reunião com o Manda Chuva o Papai Noel não convida o seu grande colaborador? Antes, no episódio do Guarda Belo, quando as conversas começaram a ser retomadas, o senhor preferia mandar o Dom Pixote cantar Oh querida Clementina! para o Manda Chuva. Tudo isso, sem sentido algum, tem significado absoluta falta de confiança.

9) Mais recentemente, conversa nossa foi divulgada e de maneira inverídica sem nenhuma conexão com o teor da conversa.

10) Até a compilação das ideias do Olho Vivo e do Farofino, propostas muito aplaudidas, que poderiam ser utilizadas para recuperar nossas fragilidades e resgatar a confiança foi considerada manobra desleal.

11) Eu e meus aliados temos ciência de que os duendes, sob seu comando, buscam promover a nossa divisão, o que já tentaram no passado, sem sucesso. O senhor sabe que, como líder, devo manter cauteloso silêncio com o objetivo de procurar o que sempre fiz: a unidade destes tão diferentes personagens infantojuvenis.

Passados estes momentos críticos, tenho certeza de que teremos tranquilidade para crescer e garantir mais presentinhos Brasil afora.

Finalmente, sei que o senhor não tem confiança em mim e nos meus amiguinhos, hoje, e não terá amanhã. 

Lamento, mas essa é a minha convicção.

Respeitosamente

Celsinho

Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com

Dominique

Opinião

O circo de Cunha

Estadão
Não há limites para o deputado Eduardo Cunha quando se trata de criar obstáculos ao processo que corre contra ele no Conselho de Ética, aproveitando-se do poder conferido pelo cargo de presidente da Câmara. A cada dia é a mesma rotina: aguarda-se para ver qual nova chicana Cunha usará para impedir que aquele colegiado afinal possa decidir o destino do deputado – que, assim exige o País, deve ser o da cassação, abrindo caminho para que ele responda na Justiça pelos crimes dos quais é acusado com fartura de provas.

A esta altura, as atitudes de Cunha e de sua tropa de choque oferecem não apenas uma aula, mas um curso completo de desfaçatez e de insulto aos brasileiros, que constrange até mesmo um Congresso cujo padrão de comportamento não é dos melhores. Assim, o mínimo que se espera de seus pares é que afastem Cunha da presidência da Câmara, para que o processo possa ter seu curso normal e que se restabeleça um pouco de decência num conselho que tem a palavra “ética” em seu nome.

Por ora, o que se testemunha são as manobras protelatórias de Cunha, explorando a seu favor cada dispositivo do regimento da Câmara, que ele conhece como poucos – de tal forma que o deputado está sempre um ou dois movimentos à frente de seus adversários.

Na quarta-feira passada, a votação no Conselho de Ética contra Cunha foi adiada pela sexta vez desde que o processo foi encaminhado, em 24 de novembro. Em decisão monocrática, o primeiro vice-presidente da Câmara, Waldir Maranhão (PP-MA), aceitou um recurso de aliados de Cunha que exigiam o afastamento do relator do caso, Fausto Pinato (PRB-SP), cujas conclusões eram desfavoráveis ao presidente da Casa. Com essa atitude de Maranhão, será necessário elaborar outro relatório, que o novo relator, Marcos Rogério (PDT-RO), apresentará na sessão da próxima terça-feira. Teme-se, no entanto, que o processo volte ao ponto de partida.

O presidente do Conselho de Ética, José Carlos Araújo (PSD-BA), disse suspeitar que Maranhão – que, assim como Cunha, é investigado pela Lava Jato – tenha trabalhado sob orientação do presidente da Câmara para forçar a troca de relatores, conseguindo prolongar o processo por mais alguns dias. “Está difícil trabalhar nesta Casa”, desabafou Araújo, que prometeu mobilizar seus colegas para pedir o afastamento cautelar de Cunha da presidência, recorrendo à Procuradoria-Geral da República e ao Supremo Tribunal Federal.

Cunha, impassível como sempre, negou que esteja promovendo um golpe. “Golpe é o que estavam fazendo descumprindo o regimento. Obedeço a Constituição, a lei e o regimento, que é o que eu procuro fazer na presidência da Casa”, declarou o deputado, sem corar. Seus aliados repetem a mesma ladainha. O deputado Manoel Júnior (PMDB-PB), por exemplo, acusou o presidente do Conselho de Ética de ser “um descumpridor contumaz do regimento” e disse a ele que “esse processo está se retardando porque o senhor não está observando o regimento da Casa e deste conselho”.

Fiel à sua estratégia de antecipar-se aos oponentes, Cunha já foi ao Supremo para tentar se garantir no cargo, sob o argumento de que é vítima de perseguição por parte de “adversários políticos”. Ontem, na sessão do Conselho de Ética em que seria apresentado o pedido de afastamento de Cunha da presidência da Câmara, mais uma vez nada foi votado – mas houve tempo para enxovalhar ainda mais o Congresso. Um deputado leal ao peemedebista trocou sopapos com um desafeto, que havia criticado a “turma do Cunha”. Na cena deprimente, não faltaram arroubos de valentia: “Macho nenhum vai tocar em mim, não!”.

Esse é o clima de bodega em que Cunha e seus apoiadores transformaram o Conselho de Ética – que deveria ser o lugar da defesa institucional da Câmara contra os parlamentares que não respeitam o decoro, mas que se transformou num circo cujos palhaços são os eleitores.

Original aqui

U.V.

Manchetes do dia

Sexta-feira 11 / 12 / 2015

O Globo
"Temer ameaça retirar apoio do PMDB a Dilma"

Vice avisou que partido poderá antecipar convenção e rompimento

Na conversa de anteontem, a primeira após vazamento da carta à presidente, peemedebista deixou claro que não trabalhará contra nem a favor do impeachment; ontem ela exonerou aliado do presidente da Câmara da CEF

Depois da crise provocada pela carta do vice Michel Temer, a conversa entre ele e a presidente Dilma, anteontem, foi amistosa só nos relatos oficiais. Dilma ouviu explícita ameaça de rompimento do PMDB com o governo. Em meio à guerra do impeachment, o vice advertiu que a convenção do PMDB será antecipada, caso Dilma se intrometa em assuntos do partido. Ela, porém, trabalhou ontem para que Leonardo Picciani retome a liderança do PMDB.   

Folha de S.Paulo
"Ex-relator do caso Cunha fala em oferta de propina"

Pinato era a favor da continuidade do processo de cassação

Fausto Pinato (PRB-SP) diz que recebeu ofertas de propina ligadas a seu parecer na Comissão de Ética da Câmara. Ele foi destituído da relatoria da ação de cassação do presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Em entrevista à Folha, Pinato afirmou ter sido abordado por pessoa que lhe disse, fazendo sinal de dinheiro com as mãos: “Olha, pensa bem, pode mudar sua vida”. Disse também ter recebido propostas por telefone. Segundo o deputado, cujo relatório era favorável à sequência do processo, ele desconhecia os autores das propostas. “Mas eu não sei se era para arquivar ou para condenar. Eu cortava. Sempre tentei me esquivar.” Opositores de Cunha propuseram no Conselho de Ética seu afastamento durante o processo, o que gerou reação de aliados — houve troca de tapas.   

O Estado de S.Paulo
"Com FHC, tucanos fecham apoio ao impeachment"

Posicionamento do ex-presidente deve balizar ações de lideranças do PSDB e unificar discurso do partido

A cúpula do PSDB fechou ontem posição a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff. Até então, alguns dos principais nomes da legenda mostravam falta de sintonia em torno do tema. O encontro contou com participação do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, do presidente do partido, Aécio Neves, dos seis governadores tucanos e de lideranças no Congresso. Para Fernando Henrique, “desrespeitar reiteradamente a Lei de Responsabilidade Fiscal, tendo em vista benefícios eleitorais, é razão consistente”. O ex-presidente ressaltou, contudo, a necessidade de haver clima político para que o processo caminhe. Desde que surgiu a possibilidade de se iniciar um processo de afastamento de Dilma, Aécio e o governador Geraldo Alckmin (SP) vinham divergindo. Hoje, o PSDB vai entrar com ação contra a presidente sob o argumento de que ela tem usado eventos públicos para se defender. 
           

quinta-feira, dezembro 10, 2015

Dominique

Opinião

A grande obra de Dilma

Estadão
Depois de garantir o pior desempenho da economia desde 1990, quando o Produto Interno Bruto (PIB) encolheu 4,35%, a presidente Dilma Rousseff adiciona mais uma grande marca a seu currículo, produzindo a maior inflação em 12 anos. Em novembro de 2002, a taxa acumulada em 12 meses chegou a 11,02%, como consequência de uma campanha eleitoral conturbada, muita especulação, fuga de capitais e enorme pressão sobre o câmbio. No mês seguinte, a alta de preços arrefeceu e o número final foi de 9,30%.

Apesar de tudo, naquele ano a produção cresceu 2,66%. O contraste em relação ao ritmo da atividade é inegável. Quando sair o balanço econômico de 2015, ninguém se surpreenderá se o PIB tiver diminuído 3,50% ou até mais. O desastre geral já aconteceu. Nos 12 meses terminados em novembro, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) aumentou 10,48%, e o resultado final do ano, tudo indica, permanecerá em dois dígitos. Basta uma taxa de 0,40% em dezembro para se alcançar 10% em 2015.

A devastação econômica produzida em cinco anos de mandato da presidente Dilma Rousseff é dificilmente comparável a qualquer outro desastre vivido na história da República. Um dos feitos mais notáveis de sua administração – talvez a síntese de tudo – foi a combinação de baixo crescimento, perda de potencial produtivo e inflação sempre muito acima dos padrões internacionais, tanto dos países desenvolvidos quanto dos emergentes e em desenvolvimento. A catástrofe de 2015, com desdobramentos sinistros ainda por uns dois anos, é uma espécie de grande final de uma sinfonia macabra, marcada, no entanto, por momentos cômicos e até grotescos.

O desastre foi construído como uma obra de arte sinistra. O desprezo ao controle da inflação ficou evidente em 2011, quando o Banco Central (BC), sintonizado com a orientação do Palácio do Planalto, começou a reduzir os juros e iniciou uma política frouxa mantida até abril de 2013. A reversão só ocorreu quando os preços disparavam de modo assustador e a desmoralização da autoridade monetária já era quase irreversível. O pessoal do BC mudou de rumo e tentou reconstruir sua credibilidade, mas sem jamais tentar, de fato, alcançar a meta de 4,5%. Além disso, o crédito ainda cresceu rapidamente por alguns anos, facilitando a política de estímulo ao consumo sacramentada no Palácio do Planalto.

Na Presidência, como no Ministério da Fazenda, as únicas mudanças foram para pior. As manobras para esconder as pressões de alta de preços foram intensificadas. O controle de preços dos combustíveis foi mantido e a isso se acrescentou a contenção política das tarifas de eletricidade, quando a presidente resolveu antecipar a renegociação das concessões do setor elétrico. Houve perdas para geradoras e distribuidoras e o Tesouro assumiu enormes encargos para socorrê-las.

Mas foi inevitável, enfim, a liberação gradual das tarifas, com efeitos desastrosos para os consumidores. Nos 12 meses até novembro, os preços da energia elétrica subiram 51,27%, enquanto os da gasolina aumentaram 19,33%.

Seria tolice, no entanto, procurar entre os componentes do IPCA os vilões da inflação – alimentos, câmbio, combustíveis, eletricidade, etc. O vilão é o governo, tanto pelos erros no controle da inflação (mais dos índices do que propriamente da inflação) quanto pelos equívocos e desmandos na política fiscal e na estratégia de crescimento. Um dos efeitos foi o descompasso inflacionário entre consumo e oferta.

A gastança, a distribuição irresponsável de incentivos e a farta transferência de recursos para bancos federais desorganizaram as contas, endividaram o Tesouro, alimentaram a inflação e forçaram a manutenção de juros muito altos. Dirigentes do BC chamaram a atenção, muitas vezes, para a dificuldade de conter a inflação sem uma política fiscal mais séria. Não se pode, enfim, negar certa harmonia: política fiscal irresponsável (tema do debate sobre impeachment), inflação e recessão equilibram-se muito bem no mesmo quadro.

Original aqui

U.V.

Manchetes do dia

Quinta-feira 10 / 12 / 2015

O Globo
"Conselho propõe destituir Cunha para conseguir julgá-lo"

Decisão foi tomada depois de sexto adiamento de sessão

Uma série de recursos regimentais resultou ontem na troca do relator do processo de cassação do presidente da Câmara; partidos também recorrem ao STF para tirá-lo do cargo

Depois de um festival de manobras que levou ao sexto adiamento da sessão que decidiria pela abertura ou não de seu processo de cassação, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, passou a ser alvo dos colegas. Integrantes do comando do Conselho de Ética apresentaram projeto que pede o afastamento cautelar de Cunha da presidência enquanto o processo por quebra de decoro tramitar na Câmara. Os parlamentares o acusam de interferência na condução do caso. Com argumentos semelhantes, PSOL e Rede recorreram ao STF pedindo que Cunha deixe o cargo. Advogados do deputado se anteciparam e apresentaram ao Supremo sua defesa. O rito para a cassação foi reiniciado ontem, com a escolha de um novo relator.  

Folha de S.Paulo
"Cunha manobra, tira relator e atrasa processo de cassação"

Líder do Conselho de Ética diz que vai ‘até o papa’ para afastar presidente da Câmara

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), voltou a manobrar e conseguiu adiar mais uma vez o andamento do rito que pede a cassação de seu mandato. No momento em que o Conselho de Ética votaria pela continuidade do caso, Waldir Maranhão (PP-MA), aliado de Cunha, interveio. Vice da Casa, ele disse ter aceito recurso para a troca do relator, Fausto Pinato (PRB-SP), sob o pretexto de o partido ter apoiado a eleição de Cunha à presidência da Câmara. Pinato, porém, já se declarou favorável ao prosseguimento da ação. A cúpula do conselho disse que recorrerá. “Se puder ir até o papa para afastar Cunha, eu vou”, afirmou José Carlos Araújo (PSD-BA), o presidente do colegiado. Foi, em menos de dois meses, o sexto adiamento da votação do relatório preliminar, fase em que o conselho decidirá se o processo será ou não iniciado. Cunha é acusado de envolvimento no petrolão e de esconder contas na Suíça.  

O Estado de S.Paulo
"Após manobra e troca de relator, conselho quer afastar Cunha"

Argumento é de que presidente da Câmara usa cargo em benefício próprio; com ajuda de aliados, peemedebista atrasou mais uma vez processo contra ele

Em nova série de manobras para atrasar processo que pode resultar na sua cassação, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), conseguiu ontem não só impedir pela 6.ª vez votação do parecer pela continuidade da ação no Conselho de Ética como destituir o relator Fausto Pinato (PRB-SP). Para tanto, teve ajuda do primeiro- vice-presidente da Casa, Waldir Maranhão (PP-MA), também alvo da Operação Lava Jato. A cúpula do Conselho de Ética prepara para hoje recurso pela revogação do ato de Maranhão, com argumento de que Cunha usa o cargo em benefício próprio. Também votará projeto de resolução que pede afastamento do presidente. Se aprovado no conselho, vai a plenário. Ainda não descarta recorrer ao STF. “Se eu puder ir ao papa para afastar Cunha, eu vou”, avisou o chefe do conselho, José Carlos Araújo (PSD-BA). O novo relator é Marcos Rogério (PDT-RO), que já declarou voto pela continuidade do processo, mas ontem votou por adiar votação contra Cunha. 
           

quarta-feira, dezembro 09, 2015

Dominique

Opinião

Uma aliança condenada

Estadão
A carta do vice-presidente Michel Temer à presidente Dilma Rousseff – fato político mais relevante desde o início do processo de impeachment –, mais do que revelar detalhes nada surpreendentes do conturbado relacionamento político entre as duas mais altas autoridades na hierarquia do Executivo, evidencia uma das características mais marcantes do petismo e que está fortemente impregnada no temperamento da chefe do governo: a incapacidade de manter com aliados políticos relações de genuína parceria. Os petistas se consideram monopolistas da virtude ungidos com a exclusividade da missão de redimir os fracos e oprimidos. Por essa razão, desconfiam de todos os não petistas, inclusive daqueles a quem precisam se aliar com a intenção de que estejam sempre a seu serviço.

Movida por esse sectarismo que no seu caso pessoal parece irredimível, Dilma Rousseff repetiu com Michel Temer o mesmo erro que cometera no início do ano com Eduardo Cunha. Embalada pela arrogância que é habitual, mas então estava exacerbada pelo sentimento de onipotência proveniente da vitória nas urnas de outubro, Dilma entendeu que era hora de acabar com a pretensão peemedebista de assumir o controle político do Congresso. Encarregou o então chefe da Casa Civil, o notório Aloizio Mercadante, de arquitetar a derrota de Cunha na eleição para a Presidência da Câmara. O resto da história todo mundo conhece.

Muito mais esperto e hábil politicamente, o mentor de Dilma, quando o circo começou a pegar fogo, tratou de convencê-la a botar na articulação política do governo gente da confiança dele, Lula, capaz de evitar o desastre que se anunciava. Ocorre que o entendimento com Michel Temer, a relação presidente-vice, depende quase que exclusivamente do grau de afinidade entre ambos. E nada seria capaz de impedir que Dilma se encarregasse de “azedar” essa relação, na expressão do próprio Temer contida em sua carta.

Soam completamente hipócritas, portanto, as declarações de amor eterno a Temer, com as quais Dilma tenta comprometê-lo na luta contra o impeachment. A essa hipocrisia o vice-presidente deu uma resposta à altura, no parágrafo final da carta: “Sei que a senhora não tem confiança em mim e no PMDB, hoje, e não terá amanhã”.

A jornalistas com quem esteve em Brasília no início da noite de segunda-feira, ao retornar de São Paulo, Temer explicou que fora convocado por Dilma para uma conversa, mas preferiu enviar a carta para evitar que sua presença em palácio fosse explorada por ministros da área política como uma tomada de posição em relação ao impeachment. Dias atrás Temer desmentira o chefe da Casa Civil, Jaques Wagner, que lhe atribuíra publicamente declarações de apoio à tese de que o pedido de impeachment não tem fundamento jurídico. Para Temer, esse fundamento “existe, sim”.

A atitude de Michel Temer, tomada com as cautelas políticas que caracterizam seu temperamento conciliador, não significa a explicitação de um rompimento com o governo, mas contém elementos suficientes para deixar claro que, de fato, as relações estão num ponto praticamente sem retorno. O presidente nacional do PMDB se orgulha de ter trabalhado sempre, e com êxito, para manter a unidade dentro da diversidade dos quadros de seu partido e garante que se manterá nessa linha no que diz respeito ao impeachment de Dilma. Está, neste momento, segundo correligionários do seu círculo de relações mais estreitas, “averiguando” o posicionamento das várias correntes partidárias para, na ocasião oportuna, decidir se mantém ou não a aliança com o governo. Esta oportunidade muito provavelmente surgirá no congresso nacional do PMDB agendado para março. Isso, se o processo de impeachment se estender até lá.

De qualquer modo, o que é certo em relação ao desenlace do processo de impeachment de Dilma Rousseff é que, caso o pedido seja negado, a vitória será comemorada pelo PT à moda da casa: com todas as retaliações possíveis. Respalda esse prognóstico o fato de que, na luta contra o impeachment, em vez de apelar à conciliação das forças políticas em nome da recuperação da governabilidade e de um programa de reconstrução nacional, Dilma e o PT têm preferido partir para o ataque, mantendo a retórica do “nós” contra “eles”. Mais um erro político, já que “eles” constituem hoje maioria esmagadora por todo o País.

Original aqui

U.V.

Manchetes do dia

Quarta-feira 9 / 12 / 2015

O Globo
"Governo perde, e comissão terá maioria de oposição"

Sessão da Câmara teve troca de empurrões e até urnas quebradas

Chapa com deputados contrários a Dilma obteve 272 votos contra 199 do grupo governista, num indicativo de que o Planalto não teria hoje folga confortável para conseguir evitar o impeachment no plenário

Numa votação secreta que poderá ser decisiva para os rumos da análise do impeachment da presidente Dilma, a Câmara aprovou ontem, por 272 votos, a chapa de oposição para a Comissão Especial que conduzirá o processo. A chapa governista teve 199 votos, o que sinaliza dificuldades para o governo — para derrotar o impeachment no plenário, Dilma precisará de pelo menos 172 votos. Em sessão marcada por tumulto, empurrões e xingamentos, deputados chegaram a destruir urnas numa tentativa de interromper a votação secreta, determinada pelo presidente da Casa, Eduardo Cunha. Com o resultado, a estimativa é que 60% dos integrantes da comissão, que será completada hoje, sejam favoráveis ao afastamento da presidente. O Palácio do Planalto adotou a cautela depois da votação, mas o ministro Luis Inácio Adams, da AGU, reconheceu que Cunha conseguiu o que queria: “Houve um round, com demonstração de força de Cunha, liderando a oposição”, disse ele. 
 


Folha de S.Paulo
"Oposição vence disputa por comissão do impeachment"

Governo espera que STF anule votação que representou revés para Dilma

Dilma Rousseff sofreu seu primeiro revés na tramitação do pedido de impeachment no Congresso. Por 272 votos a 199, a Câmara elegeu para avaliar o caso comissão especial cuja composição é majoritariamente favorável à deposição da petista. A chapa oposicionista eleita pelo plenário tem 39 deputados. Faltam 26 das 65 vagas no colegiado, a serem definidas hoje por indicação dos partidos derrotados, entre eles o PT. Os governistas indicaram uma chapa com 47 nomes, mas perderam. O Planalto espera que o STF anule a votação. Aguardará julgamento do ministro Luiz Fachin de ação do PCdo B que questiona a votação secreta e o lançamento de chapa oposicionista. Se o resultado for desfavorável, armará uma ofensiva jurídica. De acordo com o líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), o resultado não reflete o apoio atual da Casa à presidente. Já o oposicionista Paulinho da Força (SDD-SP) afirmou que o resultado exprime “o sentimento de ‘fora, Dilma’”. A sessão, tensa e confusa, teve quebra de urnas e embate físico entre políticos. Com a definição dos membros que faltam, a comissão pode ser instalada amanhã. Se o STF não intervier, presidente e relator devem ser contrários a Dilma.  

O Estado de S.Paulo
"Câmara derrota governo; STF trava impeachment"

Em sessão tumultuada, oposição vence e terá maioria na comissão que analisa pedido de impedimento de Dilma. Houve agressões e urnas quebradas, Ministro do STF suspende instalação da comissão até dia 16

O governo foi derrotado ontem na Câmara na primeira batalha do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Em sessão marcada por empurrões, gritos, xingamentos e até urnas quebradas, a chapa de oposição venceu por 272 votos a 199 e conquistou maioria na Comissão Especial que decidirá se o processo contra Dilma continuará ou será arquivado. No final da noite, o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal ( STF), decidiu suspender a instalação da comissão, que deveria ocorrer hoje. Também determinou que os trabalhos sejam interrompidos até que o plenário do Supremo analise o caso na próxima quarta-feira. Caberá à Corte avaliar se os atos já praticados – como a votação secreta da chapa – são ou não válidos. Segundo Fachin, o objetivo da decisão é evitar realização de atos que posteriormente venham a ser anulados pelo Tribunal. A decisão atendeu a recurso do PC do B, partido que compõe a base aliada a Dilma. Deputados governistas comemoraram. Horas antes, líderes do governo haviam atribuído a derrota na Câmara a manobras do presidente da Casa, Eduardo Cunha. 
           

terça-feira, dezembro 08, 2015

Ilyushin Il-62M


Eletrobras/Eletronuclear

Projeto da Eletronuclear de monitoração de tartarugas flagra desova inédita no litoral sul fluminense

Divulgação
A equipe do programa de monitoração ambiental de tartarugas marinhas do entorno das usinas nucleares (Promontar) - uma iniciativa da Eletronuclear  em parceira com a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) - identificou a desova de uma tartaruga-cabeçuda (Caretta caretta) na Praia de Palmas, na Ilha Grande (RJ). O fato é inédito. Foi a primeira vez que a espécie desovou no litoral sul fluminense, para onde esses animais costumam se deslocar apenas para se alimentar. Até então, os registros de desova eram observados do litoral nordestino até o norte fluminense.

Detalhe dos ovos da tartaruga, com o registro dos biólogos do Promontar; a espécie; a data e o local da desova

A Rede Remota de Resgate do Projeto Promontar (024-33620291), que atende aos chamados relativos a esse tipo de ocorrência, foi acionado na tarde da última sexta-feira (04/12), através de uma ligação do Parque Estadual da Ilha Grande (PEIG). O caso foi confirmado com a escavação do ninho e o encontro dos ovos depositados. Visando a proteção do local da desova, o ninho foi cercado, evitando a ação de curiosos e a escavação de animais.

Todas as atividades foram realizadas em conjunto com a equipe de guarda-parques do PEIG e em comum acordo com os moradores locais, que ajudaram no isolamento do ninho, tendo a vista a chegada massiva de turistas na praia durante essa época do ano.

O coordenador do Promontar, Humberto Gitirana, exibe a placa informativa do programa junto à cerca de proteção do ninho

A equipe do Projeto Promontar deverá retornar à Praia de Palmas daqui a, aproximadamente, um mês para averiguar o desenvolvimento embrionário e a possibilidade de eclosão dos ovos. Após esta visita, será definido um conjunto de ações para monitoramento intensivo do local, caso haja a possibilidade de saída dos filhotes.

O gerente de Gestão Ambiental da Eletronuclear, Ricardo Donato, declarou que foi de suma importância a chegada rápida da equipe de biólogos do Promontar, dada a necessidade de proteção do ninho. “Ficamos satisfeitos que a comunicação com o projeto funcionou, já que se trata de uma espécie que não costuma fazer desovas na região  e que, portanto, precisa de cuidados. Esperamos que o desenvolvimento aconteça de forma natural e os filhotes sobrevivam”, frisou.

Conheça o Promontar.aspx

Dominique

Opinião

O que Dilma pode oferecer

Estadão
Desperta curiosidade a notícia de que o Planalto, na tentativa de livrar a presidente Dilma Rousseff do processo de impeachment, está atrás do apoio do setor empresarial. É inevitável perguntar: o que o governo do PT teria a oferecer aos empresários, óbvios representantes da “elite” que, no discurso lulopetista, é responsável por todos os males que assolam o País? Não se trata de reduzir a questão à indigência mental do oportunismo populista que sustenta no confronto do “nós” contra “eles” a razão de ser do PT. Trata-se de se dar conta de que o governo estatizante que está aí caindo de maduro é, por princípio, hostil à iniciativa privada. Dilma Rousseff e a economia de mercado representam visões antagônicas de mundo.

Mas a vida costuma ser um pouco mais complexa do que as mais complexas teorias sobre ela, de modo que um governo estatista e a iniciativa privada quase sempre encontram uma maneira de conviver, sobretudo se conseguem, com uma concessão aqui e outra ali, garantir o que lhes é essencial: para os políticos, o poder; para os empresários, o lucro. Sendo que, para os primeiros, frequentemente poder significa também dinheiro (no próprio bolso) e, para os segundos, dinheiro é também poder (para ganhar mais dinheiro). A realidade brasileira dos últimos 13 anos mostra bem isso: nunca antes na história deste país os governantes se dedicaram tão obstinadamente a transformar o poder em um fim em si mesmo, da mesma forma que jamais se teve notícia de tanta ousadia do setor privado, em particular das empreiteiras de obras públicas e das atividades financeiras, para ultrapassar os limites da legalidade e da moralidade em benefício de lucros garantidos e fartos.

Os donos do poder e os empresários inescrupulosos andaram de mãos dadas esse tempo todo. Os primeiros, comprometendo a própria imagem e a do Estado todo-poderoso como paladinos exclusivos do Bem. Os segundos, aviltando a responsabilidade social da iniciativa privada de ser o agente primordial da criação de riqueza e do desenvolvimento econômico em benefício de todos.

É claro que não se pode atribuir a todos os lulopetistas e aliados na máquina governamental a prática de atos de malversação de recursos públicos, da mesma forma que não são todos os empresários que se revelam corruptos e corruptores, embora seja preocupante observar que, em especial na área de prestação de serviços para o Estado, parece predominar o conceito de que o mundo dos negócios tem uma “lógica própria” que “relativiza” a prática de ilícitos. Mas disso têm tratado, com grande cuidado, a polícia, o Ministério Público e a Justiça.

É preocupante, portanto, a perspectiva de este governo que está tentando salvar a própria pele dispor-se a um “entendimento” com o setor empresarial. Embaraçado na incompetência política e administrativa da presidente Dilma Rousseff, sem capacidade de formular uma proposta da recuperação da economia que vá além do ajuste fiscal que o Congresso reluta em aprovar; e, mais do que isso, preso à obsessão do PT e das entidades e organizações sociais a ele atreladas por uma “nova matriz econômica” que já deu com os burros n’água, o que pode este governo oferecer ao empresariado, a quem por preconceito ideológico rejeita como verdadeiro parceiro, para construir um país livre, próspero e justo?

A julgar pelos argumentos diversionistas, falaciosos ou simplesmente mentirosos que têm sido usados para defender a presidente no processo de impeachment, é difícil de acreditar que Dilma e, principalmente, Lula e sua tropa de choque – na qual se destacam os ministros Jaques Wagner, da Casa Civil, e Ricardo Berzoini, da Secretaria da Presidência – estejam dispostos a manter em níveis irrepreensivelmente republicanos os pedidos de apoio à chefe do governo. E antes que algum empresário de reputação ilibada se melindre com essa desconfiança, é bom lembrar que muitos “colegas” seus de altíssimo coturno estão atrás das grades, à espera de julgamento ou já sentenciados, por acreditarem, defenderem e praticarem o princípio lulopetista de que o mundo dos negócios tem uma “lógica própria”. Pois a lógica das sociedades democráticas que pretendem viver sob o império da lei é botar meliantes na cadeia.

Original aqui

U.V.

Manchetes do dia

Terça-feira 8 / 12 / 2015

O Globo
"Carta de Temer a Dilma com queixas agrava crise"

Vice enumera episódios de suposta desconfiança da presidente

Parte do PMDB, oposição e Cunha articulam e conseguem adiar indicação de nomes para Comissão Especial, contrariando o Planalto; manobra deve beneficiar o presidente da Câmara no Conselho de Ética

Em carta enviada ontem à presidente Dilma, o vice Michel Temer usa tom duro para desabafar, relacionando episódios em que a aliada teria demonstrado não confiar nele e no PMDB. “A senhora não confia em mim”, diz o texto, segundo JORGE BASTOS MORENO. A carta elevou a animosidade entre Dilma e Temer, ainda mais afastados desde que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, aceitou o pedido de impeachment. PMDB, oposição e Cunha conseguiram adiar a formação da Comissão Especial do impeachment, contrariando o Planalto. 


Folha de S.Paulo
"Chavismo sofre nas urnas seu pior revés em 16 anos"

Oposição conquista maioria das cadeiras parlamentares na Venezuela e promete anistia a presos do governo Maduro

Em uma vitória histórica, a oposição conquistou a maioria da Assembleia Nacional da Venezuela na eleição de domingo ( 6) e pôs fim à hegemonia de 16 anos do governo chavista. Segundo apuração preliminar, candidatos opositores conquistaram ao menos 99 das 167 cadeiras do Parlamento unicameral. (...) Apesar do temor de fraudes nos últimos meses, a eleição recebeu elogios da comunidade internacional. “Se respeita o resultado democrático”, afirmou a presidente Dilma, em indireta a adversários internos. 

O Estado de S.Paulo
"A Dilma,Temer diz ser ‘vice decorativo’ e ‘menosprezado'"

Vice reclama, em carta à presidente, da desconfiança em relação a ele e ao PMDB; Planalto avalia que foi mais um passo para rompimento com governo

O vice-presidente Michel Temer enviou carta ontem a Dilma Rousseff na qual se queixa de “absoluta desconfiança” em relação a ele e ao PMDB. Para o Planalto, foi mais um passo rumo ao rompimento. Em 11 pontos, Temer detalha o desgaste da relação desde 2011, alega que passou os quatro primeiros anos como “vice decorativo” e perdeu seu protagonismo político para afiançar o projeto de Dilma. Diz que o partido só se manteve na chapa por causa dele, mas, em troca, recebeu “menosprezo”. “Tenho mantido a unidade do PMDB apoiando seu governo, usando o prestígio político que tenho, advindo da credibilidade e do respeito que granjeei no partido. Isso tudo não gerou confiança em mim. Gera desconfiança e menosprezo.”O vice ainda se queixou da escolha de Leonardo Picciani na Câmara para indicar nomes à comissão que analisará o pedido de impeachment. Não se sabe qual dos lados deixou vazar a carta. O Planalto mandou o advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, telefonar para Temer, mas ele não atendeu. De manhã, Dilma havia dito que “sempre confiou” nele.  
           

segunda-feira, dezembro 07, 2015

Dominique

Opinião

Mañana

Vivemos uma crise econômica, política, ética e ambiental

Gabeira
O dia em que o primeiro senador da República foi preso é um momento da História que me colheu em pleno trabalho. Soube da notícia no carro, viajando de Linhares para Regência, na foz do Rio Doce. Conexões precárias. Ainda assim, percebi que a maneira de manter o foco no trabalho era interrompê-lo de hora em hora e perguntar: e aí? Delcídio foi preso com um advogado, um banqueiro e um chefe de gabinete. Nunca se foi tão bem equipado para a cadeia.

E aí? Senadores vão confirmar ou negar a prisão de Delcídio. Com a experiência vivida, pensei: voto aberto, cadeia, voto fechado, liberdade. O voto aberto é uma espécie de bafo na nuca. Desencadeia uma reação química que, por sua vez, aciona o instinto de sobrevivência. Dependendo da dose, funciona como o vinho quando se pega o microfone.

No impeachment de Collor era um tal de voto em nome do Brasil, voto pela família, pelo futuro. Sabem que é o bafo na nuca, mas as câmeras estão ligadas, é preciso escolher uma frase como se escolhe um terno para o casamento da filha.

E aí? Planejavam uma fuga de Nestor Cerveró pelo Paraguai. Pareceu-me no Rio Doce, diante dos peixes pulando desesperados com a lama entupindo suas guelras, um plano brancaleônico. Pega o Cerveró, bota no avião, tira o Cerveró de um avião, coloca em outro, escondem o Cerveró no fundo de um veleiro e partem para a Espanha. Cristóvão Colombo às avessas, o mar devolveria Cerveró.

E aí? O plano previa conversas com ministros. Isso preocupa, pensei. Todos sabiam que iriam centrar no STF para destruir a Lava-Jato. O próprio fatiamento dos inquéritos, que os ministros devem ter aprovado, suponho, por uma questão técnica, era para a quadrilha uma parte do plano de melar a Lava-Jato. Mas ficou claro que a Lava-Jato não vai morrer no Supremo. No STF, vai soprar um pouco mais que bafo na nuca: um forte sudoeste, sei lá, um tufão.

Depois do trabalho na foz do Doce, voltei às conexões regulares: Delcídio vai ou não entregar todo o esquema criminoso? Não me preocupo tanto. É um problema mais dele e da família. Mofar na cadeia ou dizer o que sabe. Quase todos os segredos que se atribuem a Delcídio referem-se a episódios conhecidos que, com ou sem ele, acabarão sendo desvendados. Na verdade, todo o material já levantado e as delações que estão por vir bastariam para derrubar 20 governos. É só investigar. Um indício de que há dinamite de sobra foi a notícia de que a Andrade Gutierrez vai pagar R$ 1 bilhão de multa e confessou suborno, entre outras, nos estádios da Copa. Apareceu e sumiu como se fosse o relato de uma árvore caída, um automóvel que bateu no poste. A famosa corrupção, que quase todos esperávamos na Copa do Mundo, tornou-se uma nota de pé de página na sucessão de escândalos nacionais.

Fica cada vez mais claro: o sistema político brasileiro está desmoronando. Vivemos uma crise econômica, política, ética e ambiental. Vivemos também uma crise sanitária, com a tríplice epidemia que se abate sobre o país: dengue, chicungunha e zika. O cerco policial ao governo bandido e seus asseclas é muito fascinante. A sociedade tem um papel, obrigando ministros e parlamentares a um recuo na cumplicidade com o capitalismo mafioso que associa o PT e o PMDB a empreiteiras e banqueiros de rapina. Contemplar esse espetáculo é limitado. As coisas estão desabando também no mundo real, do trabalho, da vida cotidiana.

Por isso que os federais têm de andar rápido. É hora de prender alguns dos nomes centrais da política brasileira. Alguns, como Eduardo Cunha, já deveriam até ter cumprido parte da pena. Apesar de, finalmente, ter aceito o pedido de impeachment.

O que se suporta no Brasil não seria tolerado facilmente em nenhum outro país do mundo: crise econômica, desemprego, crise ética, mar de lama sufocando rios, mosquitos devorando o cérebro de futuras gerações e uma quadrilha cínica no poder.

As circunstâncias pedem um governo. Não é possível atravessar o deserto sem nenhum rumo. O que fazer com as barragens perigosas, como conter a crise sanitária, como recuperar a economia, abrir novas chances no mercado de trabalho?

Há quem ache que faremos isso tudo com Dilma, alma penada vagando pelo planalto central. E que Cunha prosseguirá no seu cargo, em nome da estabilidade, roubando tudo o que restar pelo caminho. A obra dantesca seria concluída com a candidatura de Lula em 2018. Para eles, candidato à presidência, para nós, a xerife de cela.

Mañana. Um dos traços de nossa cultura é empurrar com o barriga, deixar que a Dilma prossiga, Cunha presida, Lula fuja da polícia fingindo que está em campanha. Muito brasileiramente, fomos caindo mais no abismo por falta de energia para derrubar o governo, prender o braço político da corrupção, quebrar a espinha de brilhantes empresários que escolhem o crime como plataforma.

É tarde mas ainda é hora. Os desencontros de Cunha e do PT acabaram abrindo uma nova fase.

Resta saber qual o seu ritmo.

Original aqui

 
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