sábado, dezembro 05, 2015

Dominique

Opinião

A política do Velho Oeste

Estadão
Quando o palhaço Tiririca se candidatou a deputado federal, em 2010, seu slogan era “pior do que está não fica”. Com isso, o popular humorista quis dizer que o Congresso já estava de tal maneira degradado que sua participação como parlamentar seria incapaz de piorá-lo. Mas Tiririca estava enganado.

O faroeste em que se transformou Brasília, com a presidente da República, Dilma Rousseff, e o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, comportando-se como num duelo na porta do saloon, foi apenas a mais recente etapa do colapso moral da política brasileira – alguns fazem o diabo, outros são capazes de tudo e algumas das principais autoridades do Executivo e do Legislativo são suspeitas de delitos diversos. Embora vergonhoso, esse comportamento no mais alto escalão da República não causa surpresa.

Ao longo da última década, o País tem visto, com estupefação, a política degringolar em vale-tudo. O poder transformou-se em um fim em si mesmo. Desde que chegou à Presidência, o PT fez do delicado equilíbrio de forças no Congresso uma maçaroca fisiológica e corrupta. O “presidencialismo de coalizão”, em que um presidente sem maioria parlamentar própria é obrigado a fazer alianças com forças políticas muito distintas, passou a ser “presidencialismo de cooptação” – por meio do qual o PT, à custa do assalto aos cofres do Estado e da distribuição desse butim entre seus associados, pretendia governar sozinho, e para sempre. O mensalão e o petrolão são a consequência lógica disso.

Na estratégia petista de enfraquecimento da política para submetê-la aos desígnios do partido, era necessário mobilizar o governo de forma permanente para as eleições. Toda e qualquer medida administrativa ou articulação no Congresso deveria necessariamente visar ao pleito seguinte e todos os recursos disponíveis – legais e ilegais – deveriam ser canalizados para o esforço de campanha. Com isso, o PT pretendia tornar-se imbatível e, com o passar do tempo, cristalizar-se no Estado a tal ponto de se confundir com ele. Num cenário assim, a oposição é necessariamente inimiga do Estado.

Para que esse projeto funcionasse, era preciso “fazer o diabo”, como a própria Dilma declarou certa feita. Não podia haver limites morais e éticos. O mesmo PT que, quando estava na oposição, prometia enforcar o último político fisiológico nas tripas do último empresário corrupto é o mesmo que franqueou a administração pública a diversas quadrilhas, em troca do pedágio que irrigaria os cofres petistas.

Além disso, os governos do PT transformaram a irresponsabilidade fiscal em política de Estado, com evidentes propósitos eleitoreiros. Mais uma vez, todos os que ousassem questionar a gastança eram imediatamente qualificados de demófobos, incapazes de compreender a missão social petista.

Tome-se aleatoriamente qualquer um dos discursos de Lula, na Presidência ou fora dela, nos quais ele acusou “as elites” de sabotar seus projetos redentores, e surgirão abundantes exemplos dessa estratégia perniciosa. Lula chegou a dizer que as “pedaladas fiscais” – graças às quais Dilma pode ser afastada do cargo – foram necessárias “para pagar o Bolsa Família”. Isso significa que, para o chefão petista, um crime se torna algo virtuoso quando é cometido por um governante do partido que obviamente faz tudo com a melhor das intenções e só está interessado nos pobres. Portanto, quem quer que conteste as “pedaladas” e as considere suficientes para embasar um processo de impeachment – punição prevista na Constituição – deve ser qualificado como “golpista”. As pedaladas, diga-se a bem da verdade – que Lula despreza –, não foram usadas para aqueles “nobres fins”.

Foi assim, transformando a política em um jogo de soma zero, aquele em que o triunfo de um se dá necessariamente à custa da aniquilação do outro, que os petistas, julgando-se capazes de tudo e dispensados de dividir o poder, colaboraram decisivamente para o fortalecimento de um Eduardo Cunha – hoje o mais bem acabado exemplo do abastardamento do Congresso, onde o interesse nacional foi sufocado pelos mesquinhos interesses pessoais. Representante de si mesmo, Cunha, tal como se apresenta hoje, é criação da arrogância petista. Agora, que Dilma e o PT o embalem. Todos eles se merecem. Quem não os merece é o povo brasileiro, honesto e trabalhador, que quer vê-los longe da vida pública.

Original aqui

Manchetes do dia

Sábado 5 / 12 / 2015

O Globo
"Para o Planalto, parte do PMDB atua contra Dilma"

Braço-direito do vice Michel Temer, Padilha entrega carta de demissão

Presidente convoca ministros para reunião de emergência com o objetivo de analisar comportamento do partido aliado; ministro Henrique Eduardo Alves é pressionado a deixar a pasta do Turismo

Após a abertura do processo de impeachment da presidente Dilma, o ministro mais próximo do vice Michel Temer, Eliseu Padilha (A viação Civil), pediu demissão depois de tentar, sem sucesso, audiência com a presidente e o ministro Jaques Wagner (Casa Civil). A aliados, Padilha disse que saiu por lealdade a Temer, cuja relação com Dilma se deteriorou. A presidente convocou ministros para reunião de emergência ontem à tarde. O Planalto considera que parte do PMDB age contra Dilma e teme que Padilha trabalhe pelo impeachment para favorecer Temer.

Folha de S.Paulo
"Alckmin recua e suspende a reorganização escolar em SP"

Com popularidade em baixa, tucano volta atrás; crise derruba secretário de Educação

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), anunciou a suspensão do processo de reorganização da rede estadual de ensino. Com o recuo, o secretário de Educação, Herman Voorwald, pediu demissão. “O ano de 2016, que seria o da implementação, será o de aprofundarmos o diálogo”, afirmou Alckmin, que ostenta o seu pior nível de popularidade — aprovação de 28%, segundo pesquisa Datafolha publicada ontem. O anúncio vem quase um mês após as primeiras ocupações de colégios e na semana em que alunos passaram a protestar nas ruas. Na avenida Paulista, estudantes festejavam, mas prometiam manter as ocupações até a decisão ser publicada no “Diário Oficial”. O projeto de Alckmin fecharia 92 colégios e transferiria 311 mil alunos, para melhorar a gestão e obter ganhos econômicos. 

O Estado de S.Paulo
"Alckmin recua de fechamento de escolas e secretário cai"

Decisão ocorre após 25 dias de protestos e ocupações; nenhum colégio estadual será fechado em 2016

O governador Geraldo Alckmin (PSDB) suspendeu ontem a reorganização da rede estadual de ensino de São Paulo. Também aceitou o pedido de demissão de Herman Voorwald, que ocupava o cargo de secretário da Educação desde 2011. O recuo ocorre após 25 dias de ocupações em escolas – até ontem, eram 196 –, protestos de estudantes dispersados a bombas de gás pela polícia e batalhas judiciais. Segundo o governo, nenhuma escola será fechada em 2016, ano em que a proposta deve ser debatida. A decisão foi anunciada no mesmo dia em que pesquisa Datafolha apontou queda de popularidade de Alckmin. Segundo o levantamento, seis em cada dez paulistas são contra a reorganização e 55% apoiam as ocupações. Anunciada em 23 de setembro, a reorganização da rede incluía fechamento de 94 escolas e transformação de 754 unidades em ciclos únicos.
           

sexta-feira, dezembro 04, 2015

De Havilland Comet


Coluna do Celsinho

Pós lama

Celso de Almeida Jr.

Ao que parece, caminhamos para o fim do governo Dilma.

No processo de impeachment é previsível que, do embate, o lamaçal político escorrerá para todos os lados.

Dias difíceis.

Serão superados.

Pelo posicionamento - até aqui - do vice presidente Michel Temer, já é possível vislumbrar um futuro governo de coalização.

Seria a repetição da fórmula Itamar Franco, que gerou certa paz política quando do afastamento do então presidente Collor.

Penso que a diferença daqueles tempos é que até alguns integrantes do PT comporiam uma gestão Temer.

O partido precisará se reinventar.

Neste sentido, demonstrar boa vontade num novo arranjo poderá ser a sua única saída.

No governo Itamar, Lula nunca indicou para a administração federal alguém genuinamente dos quadros do PT.

Pensava nas eleições de 1994, imaginando que Itamar não vingaria.

O PSDB abraçou o velho político mineiro, viabilizou o Plano Real e acabou fazendo o sucessor.

Num eventual governo Temer, o PT sobrevivente seguirá com Lula?

Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com

Dominique

Opinião

Uma luz no fim do túnel

Estadão
Dilma Rousseff e Eduardo Cunha selaram seus próprios destinos na quarta-feira, quando romperam o impasse político que vinha paralisando o País desde o início do ano. Fizeram a catarse de suas angústias em dois pronunciamentos que justificam o aforismo que pontuou boa parte das análises e comentários publicados ontem nos meios de comunicação: a hipocrisia é a homenagem que o vício presta à virtude. Por seus próprios meios e méritos, a presidente da República e o presidente da Câmara dos Deputados, a partir de posições antagônicas, caminharam na direção do mesmo e merecido fim: o banimento da vida pública.

Cunha chega ao ocaso obrigado a lançar mão do valioso trunfo com que vinha hipocritamente chantageando o governo: o poder de decidir sobre o início do processo de impeachment da presidente. Daqui para a frente pouco lhe resta, senão usar sua influência minguante para a consecução da vendetta contra Dilma e o PT. O Conselho de Ética, onde seu destino político será decidido, está fora de seu alcance, até porque seus bajuladores agora começarão a se afastar. E a política brasileira estará virando uma página que nada de louvável acrescenta à História.

Com Dilma Rousseff a questão é mais complexa, porque se trata da presidente da República, reeleita por 51,64% dos eleitores. O fato de ter sido reeleita com a margem mais estreita das quatro vitórias do PT era sintoma de que o governo já não vinha bem. E Dilma fez tudo para piorar as coisas. Desde ter mentido sobre a situação econômica do País e prometido o que sabia que não teria condições de cumprir, até a tentativa desastrada de diminuir a influência do PMDB no governo e opor-se à candidatura de Eduardo Cunha à presidência da Câmara.

Em resumo, a partir da posse no segundo mandato o País começou a acumular más notícias na economia, as páginas policiais se multiplicaram com as revelações do escândalo do petrolão e de outras maracutaias e, com a crise política, instalou-se um impasse que paralisou de vez a já incompetente administração federal.
O desastre repercutiu nas ruas e o apoio popular à presidente despencou vertiginosamente, levando junto a imagem do PT. Hoje, de acordo com o Datafolha – é essencial ter esses índices em mente –, 67% dos brasileiros reprovam o governo Dilma e 66% são favoráveis à abertura de processo de impeachment. Ou seja 2 em cada 3 brasileiros querem ver Dilma pelas costas.

Desqualificada como chefe de governo, Dilma só pode exibir a seu favor a imagem de administradora pública idônea. Incompetente e desajeitada, mas honesta. Conforme ela própria destacou ao se pronunciar sobre o processo de impeachment, não há suspeita séria de que se tenha enriquecido na política. É o contrário do que ocorre com Lula. No entanto, ela é a chefe de um governo que, como os fatos demonstram, permitiu e até favoreceu o abastardamento da vida pública, contaminada por uma corrupção sem precedentes. Por isso, há quem diga que, a rigor, a reputação de Dilma não sairá limpa, já que a roubalheira se deu com ela ocupando cargos de chefia e responsabilidade, condição que não lhe permite alegar o inocente desconhecimento da bandalheira. E Dilma diz que, em todos esses casos, nunca viu nada, ouviu nada, fez nada que violasse as leis, a moral e os bons costumes.

Seja como for, o comportamento ilibado que se espera de um chefe de Estado não se limita ao respeito ao dinheiro público. Também escorreito deve ser seu comportamento político. Pois em seu rápido discurso de quarta-feira Dilma não teve o menor pudor de comprometer sua credibilidade – o que havia feito à farta na campanha reeleitoral – ao mentir sobre sua tentativa de barganhar com Eduardo Cunha, negando-a com o maior caradurismo bem ao lado dos ministros Jaques Wagner, da Casa Civil, e Ricardo Berzoini, da Secretaria de Governo, que até poucas horas antes pressionavam a bancada petista para apoiar Cunha na Comissão de Ética.

O que o Brasil espera agora é que uma faxina política exemplar seja feita a partir do afastamento de Dilma e de Cunha da vida pública. Isso depende do Congresso, que é o foro constitucionalmente adequado para decidir, politicamente, uma questão essencialmente política. E certamente será levada em conta a vontade amplamente majoritária dos brasileiros, que sabem ser necessária a restauração da moralidade para que os outros graves problemas do País se resolvam.

Original aqui

U.V.

Manchetes do dia

Sexta-feira 4 / 12 / 2015

O Globo
"Dilma quer pressa para evitar julgamento em cenário pior"

Planalto defende suspensão de recesso parlamentar; oposição fica contra

Governo, que precisa de 172 votos na Câmara, tenta evitar que pressão das ruas aumente com agravamento da crise econômica; partidos aliados recorrem ao STF questionando legitimidade de Cunha para conduzir processo
Com a criação da Comissão Especial que analisará o pedido de impeachment da presidente Dilma na Câmara, o governo mobilizou ontem ministros e parlamentares aliados para tentar apressar a votação do processo. O temor do Planalto é que, com mais tempo e a espera da piorado cenário econômico, a popularidade da presidente caia ainda mais, a crise se agrave e as manifestações de rua voltem com força. Ministros e o ex-presidente Lula pediram que o Congresso suspenda o recesso, que deveria começar dia 22, para agilizar o processo. A oposição, porém, não tem pressa porque conta com a “tempestade perfeita”, que inclui cenário econômico ainda mais adverso, para fragilizar Dilma. Para sepultar o impeachment no plenário, a presidente precisará de 172 dos 513 votos da Câmara. Ontem, 17 líderes dos maiores partidos da Casa, ouvidos pelo GLOBO, calcularam que Dilma teria hoje ao menos 258 votos a seu favor. O PT e o PCdoB re correram ao STF questionando a legitimidade do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), para conduzir o processo.

Folha de S.Paulo
"Planalto quer apressar o rito do impeachment"

Governo acredita ter mais chance de vitória com votação rápida

O Planalto tentará apressar o desfecho do processo de impeachment da presidente Dilma. O objetivo de adiantar a votação é manter vivo o discurso de que a aceitação do pedido foi um revide de Eduardo Cunha. O presidente da Câmara acatou a solicitação de deposição no dia em que perdeu apoio do PT na ação que pede sua cassação. Dilmistas querem que o Congresso adie o recesso, previsto para começar no dia 23. Ontem, o ministro Jacques Wagner (Defesa) rebateu Cunha, que disse que Dilma “mentiu à nação” ao negar que tenha negociado troca de favores com o Congresso. Wagner afirmou que quem mente é o deputado. O mercado reagiu positivamente à possibilidade de impeachment. Nesta quinta-feira (3), o dólar caiu 2,24%, para R$3,7 49, e a Bolsa subiu 3,29%. 

O Estado de S.Paulo
"Planalto se arma contra impeachment; oposição quer decisão só em 2016"

Governo trabalha para suspender recesso de fim de ano no Congresso e acelerar trâmite do processo Aliados de Cunha querem ganhar tempo para buscar apoio de movimentos contra a presidente Ações contra a abertura de ação de impedimento são protocoladas no STF

O Planalto pediu apoio de ministros, governadores, sindicatos e movimentos sociais contra o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff,iniciado formalmente ontem na Câmara. Entre as estratégias estão afirmar que a “ação foi por vingança de Eduardo Cunha” e acelerar o trâmite do processo. O governo articula para que o Congresso suspenda o recesso parlamentar de fim de ano para votar o impeachment. A oposição é contra. “Vamos para o enfrentamento. Está chegando ao fim a estratégia de não deixar o governo governar”, afirmou Dilma. Oposição e aliados de Cunha querem ganhar tempo para desgastá-la e buscar apoio nos movimentos pró-impeachment, que anunciaram protestos. Cunha reagiu ao pronunciamento de anteontem de Dilma e acusou a presidente de “mentir à Nação”. Segundo ele, a petista queria “barganhar” apoio no Conselho de Ética com a CPMF. O ministro Jaques Wagner rebateu. O PCdoB entrou com ação no Supremo questionando a abertura do processo de impeachment. Ela ainda será analisada. Outras duas ações já foram rejeitadas. 
           

quinta-feira, dezembro 03, 2015

Boeing 787 Dreamliner


Eletrobras - Eletronuclear

Eletronuclear assina convênio para construção do novo Hospital de Paraty

Divulgação
Na tarde de ontem (02/12), a Eletronuclear e a prefeitura de Paraty firmaram um Termo de Compromisso para construção do novo Hospital de Paraty, que funcionará no endereço onde está situada a Santa Casa do município. Os recursos do convênio, no valor de R$ 15 milhões, começarão a ser repassados pela empresa assim que for equacionado o financiamento da Usina Angra 3 e suas obras retomadas - conforme acordado com o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), que determina as ações a serem executadas para se obter a licença ambiental do empreendimento.

Com a assinatura do convênio, a prefeitura de Paraty tem garantias para iniciar as obras do Hospital, já que o contrato avaliza o Poder Municipal a acessar linhas de crédito que cubram os gastos com a construção, antes mesmo de serem retomadas as atividades na Usina Angra 3. Por parte da Eletronuclear, assinaram o Termo de Compromisso: o presidente em exercício, Edno Negrini; o diretor de Planejamento Gestão e Meio Ambiente, Leonam dos Santos Guimarães; e o coordenador de Responsabilidade Socioambiental e Comunicação, Paulo Gonçalves.

O presidente em exercício da Eletronuclear, Edno Negrini (centro), assina o convênio do Hospital de Paraty, observado pelo prefeito de Paraty, Carlos José Gama Miranda (à esquerda) e pelo coordenador de Responsabilidade Socioambiental e Comunicação da Eletronuclear, Paulo Gonçalves (à direita).

O prefeito de Paraty, Carlos José Gama Miranda-Casé (PT-RJ), destacou que a nova unidade poderá manter o mesmo nível de atendimento em toda a região. “Poderemos contratar os mesmos profissionais que trabalham no Hospital de Praia Brava”, afirmou.

Já o coordenador de Responsabilidade Socioambiental da Eletronuclear, Paulo Gonçalves, enalteceu o processo que viabilizou o convênio . “O acordo só foi concretizado porque a prefeitura respeitou o modelo de gestão da Eletronuclear para cumprimento das exigências do Ibama”, declarou.

Dominique

Opinião

O custo da recuperação

Estadão
É preciso pôr o Brasil novamente de pé, disse o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, uma semana antes de confirmado com números oficiais o desastre econômico do terceiro trimestre. Não se conseguirá reativar a economia, acrescentou, “deixando o Orçamento folgado, à deriva”, como se a solução estivesse no gasto público. Não havia dúvida, nesse momento, sobre a persistência da recessão, mas o balanço veio pior que as previsões: Produto Interno Bruto (PIB) 1,7% menor que o do segundo trimestre, quando o mercado estimava uma redução de 1,2% e o Ministério da Fazenda, de 1,1%. Autoridades preferiram silenciar, mas uma nota da Fazenda, sóbria, técnica e sem subterfúgios, mais uma vez destacou o recado essencial do ministro: o ajuste fiscal é indispensável para o País vencer a recessão e voltar a crescer, assim como o combate à inflação é necessário para a manutenção do poder de compra das famílias e, portanto, para a recuperação da atividade.

As duas afirmações – sobre o conserto das contas públicas e sobre a contenção da alta de preços – aparecem na discretíssima nota distribuída na terça-feira passada, depois de publicados os novos dados da economia nacional pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Num breve parágrafo, os autores da nota mencionam, entre as causas do péssimo desempenho, “a incerteza de natureza econômica e não econômica”, a queda dos preços internacionais das commodities e o “fraco nível da atividade econômica mundial, com a decorrente queda da confiança de empresas e consumidores”. Não se insiste, no entanto, nesses tópicos, especialmente nos últimos dois, embora fosse essa a tendência mais previsível num governo chefiado pela presidente Dilma Rousseff, habituada a culpar o mundo exterior pelas consequências de seus erros.

Relevante, naquele conjunto, é a “incerteza de natureza econômica e não econômica”. A “não econômica” é obviamente política, um detalhe também mencionado de forma eufemística em relatórios do Banco Central. Mas toda essa incerteza é claramente resultante de problemas internos e o foco da nota está mesmo nos desacertos made in Brazil, como a inflação elevada, o desarranjo das contas públicas e a queda dos investimentos, medidos pela formação bruta de capital fixo. Ao mencionar esse dado, a nota destaca a redução dos investimentos da Petrobrás “e situações específicas de alguns de seus fornecedores, notadamente na área da construção civil”.

Há um reconhecimento, portanto, de efeitos colaterais da Operação Lava Jato, embora sem citação direta da investigação. Não caberia, naturalmente, atribuir esse episódio político-policial e seus desdobramentos judiciais à conjuntura internacional. A bandalheira é rigorosamente nacional, mesmo com o episódio da compra da Refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos.

A queda do investimento, segundo a nota, “persiste desde 2013”. Não há, portanto, como exportar as culpas do grande fiasco econômico brasileiro. Sem se estender na busca de culpados, nacionais ou estrangeiros, a nota ainda menciona o risco de perda do grau de investimento. Esse risco só pode ser relativo a algum novo rebaixamento, porque uma agência, a Standard & Poor’s, já reduziu o País ao grau especulativo. O ajuste é dado como indispensável para atenuar esse perigo e para “recuperar a confiança dos agentes econômicos”.

A proposta de alguns parlamentares de um superávit primário zero em 2016, com abandono da meta equivalente a 0,7% do PIB, vai, portanto, na direção contrária àquela defendida pelo Ministério da Fazenda como necessária à reconquista da confiança de empresários, investidores e consumidores e da recuperação da economia nacional. 

Insistir numa política orçamentária frouxa apenas fortalecerá as piores expectativas em relação à política federal e às perspectivas econômicas do País. O Brasil terá, como já se espera, mais um ano de baixa atividade, e o sacrifício, em vez de marcar a transição para uma fase melhor, será totalmente perdido.

Original aqui

U.V.

Manchetes do dia

Quinta-feira 3 / 12 / 2015

O Globo
"Cunha retalia PT e abre impeachment de Dilma"

Presidente reage, diz que não cometeu atos ilícitos e ataca adversário

Processo é deflagrado 23 anos depois de o Congresso analisar ação contra Fernando Collor ; pedido, feito pelo ex-petista Hélio Bicudo, argumenta que governo continuou a recorrer às “pedaladas” fiscais em 2015

Menos de cinco horas depois de ser abandonado pelo PT no Conselho de Ética, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), retaliou e cumpriu as ameaças ao governo, anunciando ter acolhido pedido de abertura de processo de impeachment contra a presidente Dilma, 23 anos após o Congresso analisar a ação contra o então presidente Fernando Collor. Em pronunciamento, Dilma disse que não há qualquer ato ilícito praticado por ela e atacou o adversário, investigado na Lava-Jato e no Conselho de Ética. “Não possuo conta no exterior. Nunca coagi ou tentei coagir instituições ou pessoas”, disse ela, apesar de o pedido de impeachment se basear nas chamadas “pedaladas” fiscais de seu governo. A presidente também afirmou que jamais aceitaria barganhas, embora o Planalto tenha pressionado o PT a apoiar Cunha no Conselho em troca da não aceitação do pedido de impeachment. Governistas disseram acreditar ter ao menos 200 votos, suficientes para barrar o impeachment. 

Folha de S.Paulo
"Cunha retalia PT e acata pedido de impeachment contra Dilma"

Presidente se disse indignada e atacou peemedebista : "Não paira contra mim suspeita de desvio"

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), aceitou pedido de impeachment contra Dilma Rousseff. Rompido com o governo, a quem acusa de tentar incriminá-lo na Lava Jato, Cunha acatou a solicitação protocolada pelos advogados Hélio Bicudo, Miguel Reale Jr. E Janaína Paschoal. Para eles, Dilma cometeu crime de responsabilidade fiscal ao recorrer às chamadas “pedaladas” — o uso de bancos públicos para pagar dívidas e maquiar as contas. Dilma disse ter recebido a notícia com “indignação” e atacou, ainda que sem citá-lo, o presidente da Câmara: “Não paira contra mim suspeita de desvio de dinheiro público, não possuo conta no exterior nem ocultei do conhecimento público a existência de bens pessoais”. A decisão ocorreu no dia em que os deputados do PT no Conselho de Ética decidiram autorizar o processo de cassação de Cunha. Ele é acusado de mentir sobre contas no exterior. Para que o processo de deposição de Dilma seja aberto, é necessário o apoio de dois terços da Câmara. Com 171 votos, ela se salva. É a quarta vez que um presidente sofre a ameaça de impeachment. Getúlio Vargas, em 1954, e FHC, em 1999, conseguiram bloquear a tentativa no Congresso. Fernando Collor, em 1992, não. Na iminência de perder o mandato, renunciou.

O Estado de S.Paulo
"Cunha perde apoio do PT e aceita impeachment; Dilma se diz ‘indignada’"

Decisão foi tomada logo após partido anunciar que votaria contra o presidente da Câmara no Conselho de Ética

Processo contra Dilma se baseia no uso de pedaladas fiscais, consideradas irregulares pelo TCU, no atual mandato

Planalto vai recorrer ao STF

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), abriu ontem processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff horas depois de o PT ter anunciado que não apoiaria o peemedebista no Conselho de Ética. A decisão tem como base pedido que acusa a petista de ter cometido crime de responsabilidade fiscal no exercício do atual mandato, iniciado em janeiro, ao recorrer a manobras contábeis, chamadas pedaladas fiscais. O governo vai recorrer ao Supremo Tribunal Federal. Em pronunciamento no Planalto, Dilma se disse “indignada” e fez duros ataques ao presidente da Câmara. “Não paira sobre mim nenhuma suspeita de desvio de dinheiro público. Não possuo contas no exterior. Nunca coagi ou tentei coagir instituições ou pessoas na busca de satisfazer meu interesse”, disse a presidente. Hoje deverá ser lido em plenário o relatório em que Cunha justifica a abertura do impeachment. Será criada comissão com parlamentares de todos os partidos para analisar o pedido. O presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves (MG), disse que o processo é ancorado na Constituição. “Nós apoiamos a proposta do impeachment, isso não é golpe”, afirmou. Líderes do PMDB e emissários do vice Michel Temer planejam intensificar as costuras para que o peemedebista tenha respaldo político caso venha a assumir o mandato de Dilma. O presidente do Senado, Renan Calheiros (AL), é considerado fundamental nessa estratégia.  
           

quarta-feira, dezembro 02, 2015

Dominique

Opinião

O amigo oculto

Quando é que Eduardo Cunha vai chegar ao mar?

Gabeira
Aqui, em Regência, na foz do Rio Doce, não consigo entender como não rompem certas barreiras em Brasília. Gastamos muito latim e nada resolvemos. Um ministro do supremo aconselhou Cunha a renunciar. O mesmo fez o ex-presidente Fernando Henrique. Preferia que se encontrassem oposição e Supremo, que um decidisse provocar o outro e tivesse resposta. O Supremo cassaria Cunha e, finalmente, ele seria arrastado para o mar.

Como presidente, Cunha barra a investigação. Além disso tem muitos adeptos na Câmara e um sólido núcleo de bandidos que acreditam ter sequestrado a instituição. Por muito menos, gente sem mandato foi presa e está em Curitiba. Bumlai, por exemplo, finalmente dançou. Ele conseguiu quase meio bilhão de empréstimos no BNDES. É amigo de Lula. Um dos empréstimos de R$ 12 milhões ele teria saldado com sêmen de boi. Porran, Bumlai. Não costumo escrever essa palavra. Mas depois de ouvi-la de uma travesti num vídeo de sucesso na rede, decidi adotá-la. Ao incluir o ene, creio, ela deu uma força exclamativa à palavra.

Sérgio Moro e alguns procuradores afirmam que não há nada contra Lula. Bumlai pode ter usado seu nome. Por que então a operação se chama Passe Livre e não Amigo Oculto? Ele conseguiria R$ 12 milhões para o PT sem que Lula soubesse? Felizmente, a hesitação que existe em torno de Eduardo Cunha caiu no caso Delcídio Amaral. Pasadena está atravessada na garganta de todos os brasileiros conscientes. Deu um prejuízo de US$ 700 milhões ao país.

Com a prisão de Delcídio, o braço político de Pasadena sofre o primeiro golpe. E mostrou o que se afirma em alguns artigos: a quadrilha não quer controlar apenas o governo, mas o Congresso e o Supremo. Mas as prisões do meio de semana levaram também o banqueiro André Esteves. Um importante banqueiro, que, ao lado de Marcelo Odebrecht, coloca uma importante questão sobre o capitalismo brasileiro. Esteves e Odebrecht são dois homens de sucesso, símbolos dos empresários que tocam o Brasil. Mas os fatos estão mostrando que a associação criminosa com o governo é um método comum a ambos. Naturalmente, não expressam a posição de todos os empresários. Assim como a maioria dos bandidos não sintetiza as aspirações políticas do país.

Bumlai, Esteves, Delcídio na cadeia ajudam a compreender a decadência da vida pública no Brasil, incluindo os empresários que se associam ao crime, sem hesitação, para impulsionar suas carreiras.

Chegamos a um momento decisivo. O caso Pasadena é muito emblemático. Não só porque é uma operação debochada que tratou os brasileiros como idiotas e quase conseguiu escapar sem nenhum julgamento. Pasadena é importante também porque é um daqueles momentos em que o elenco está reunido. Não preciso fazer ilações. Creio que a própria delação premiada de Nestor Cerveró vai demonstrar isto. Dilma está calada porque Pasadena explode no seu pé. Lula está calado porque a prisão de Bumlai explodiu no seu. A de Esteves cai, como a de Odebrecht, nos pés de um governo que sempre preferiu empresários ambiciosos e capazes de tudo para crescer.

É razoável aqui em Regência perguntar quando todos eles chegarão ao mar. Não desejo essa carga tóxica para o oceano. Pelo contrário, queria que não existisse. Encalhada no cotidiano, atraindo mais ratos, empesteando a vida do país, é muito mais perigosa para a saúde da democracia.

Cunha vai pedir todos os carimbos, atestados e reconhecimento de firmas necessários para sua cassação. Lula certamente dirá que Bumlai agia sem que ele soubesse, apesar do passe livre. Os atores continuarão representando seu papel. Mas o ritmo da peça mudou. Talvez Pasadena, pela sua extraordinária nitidez, pela possibilidade de internacionalização, pelo desespero dos seus agentes, possa ser o fator que nos arranque do marasmo, e finalmente, produza alguma coisa de novo em 2016. Sem grandes ilusões. O plano de liberar Cerveró caiu porque apareceu uma gravação. Ele tinha componentes importantes para o êxito da fuga, sobretudo a grana de um banqueiro e o poder de um líder do governo.

A Operação Lava-Jato é um grande momento do processo democrático no Brasil. As tentativas de neutralizá-la não mobilizam apenas bandidos de quinta categoria. Será necessária uma conspiração digna da importância. A tentativa de livrar os compradores de Pasadena está cheia de ferrugem, como as instalações da refinaria. Outras audaciosas virão e, dificilmente, polícia e justiça aguentarão sozinhas. É um tipo de batalha que vai depender da atenção de cada um. Pasadena não passará, mas não se trata apenas disso. É a viabilidade de um país decente que está em jogo.

Lula continuará dizendo que nada sabe. Cunha continuará exigindo todos os papéis, carimbos e reconhecimento de firma para que seja processado. Chega um dia em que os federais batem à porta. O problema é demorar muito, e os quadrilheiros assaltam o país e acabam nos tentando a ir buscar a justiça pelas próprias mãos. Felizmente resistimos a essa tentação. Tomara que tenha valido a pena.

Original aqui

U.V.

Manchetes do dia

Quarta-feira 2 / 12 / 2015

O Globo
"PIB sob risco de depressão"

Economia tem queda generalizada no 3º tri
Resultado só não é pior que o da Ucrânia
Crise pode ser a mais grave em 35 anos


O PIB caiu 4,5% no terceiro trimestre, em relação ao mesmo período de 2014, o pior resultado da série do IBGE, iniciada em 1996. Investimentos e consumo das famílias tiveram queda recorde. E a indústria de transformação não amargava resultado tão ruim desde a crise global, em 2009. Muitos analistas já veem a economia em depressão, que é uma recessão mais profunda e duradoura. A atual recessão, iniciada em 2014, poderá durar 11 trimestres e representar, no período, um tombo de 8,1% do PIB, segundo a FGV. Caso confirmada, será a pior crise em 35 anos.

Folha de S.Paulo
"Economia afunda em crise histórica"

Em meio a descontrole político e pessimismo de empresários e consumidores, PIB encolhe 1,7% no terceiro trimestre

Em meio à prolongada crise política e à desconfiança crescente dos empresários e consumidores, a recessão brasileira se aprofundou. No terceiro trimestre, o PIB do país encolheu 1,7% em relação ao segundo. A retração é de 4,5% ante o mesmo período de 2014. Analistas e investidores esperavam que a queda anual fosse menor, de 4,1%. O terceiro trimestre evidenciou o fracasso do ajuste fiscal do governo, que sem apoio do Congresso não apresentou projeto de Orçamento para 2016 com receita suficiente para os gastos. A derrocada econômica caminha para ser uma das mais graves da história do Brasil. Segundo estimativas, a contração da economia em 2015 ficará perto de -4%. A recessão é a mais duradoura desde que o Plano Real, de 1994, conteve a inflação e as crises nacionais. Com a alta dos índices de inflação, da dívida pública e dos juros, os investimentos caem há nove trimestres, e o consumo diminuiu pela terceira vez neste ano. Economistas afirmam que o cenário de deterioração deve continuar no ano que vem.

O Estado de S.Paulo
"PIB cai 1,7% no trimestre e recuperação fica para 2017"

Investimento e consumo das famílias determinaram o resultado; previsão para o ano é de queda de 3,7%

O Produto Interno Bruto (PIB) encolheu 1,7% no terceiro trimestre em relação ao anterior e 4,5% sobre igual período de 2014, informou o IBGE. A queda, generalizada, foi marcada por retração nos investimentos e no consumo das famílias, num quadro que combina crise política e econômica. O investimento teve um tombo de 4% sobre o trimestre anterior e de 15% sobre o mesmo período de 2014. Como resultado de julho a setembro, o PIB registra seis trimestres consecutivos de recuo, superando a recessão de 1998 a 1999, segundo a Fundação Getúlio Vargas. Analistas já preveem prolongamento da recessão até meados de 2017. Em março, a média das projeções apontava uma redução de 1% no PIB deste ano – e, agora, alcança 3,7%. Para 2016, a previsão é de queda de 2,9%. O economista Samuel Pessôa afirma que “a crise chegou para valer ao consumo das famílias”. O relatório do banco de investimentos Goldman Sachs cita que a economia brasileira passou da recessão para a depressão.  
           

terça-feira, dezembro 01, 2015

Dominique

Opinião

Diagnóstico sombrio

Estadão
Um em cada três brasileiros entende que a corrupção é o maior problema do País, de acordo com a pesquisa Datafolha divulgada no último fim de semana. Cerca de um ano atrás esse índice oscilava em torno dos 10%. De lá para cá, explodiu, deixando muito para trás as marcas relativas a questões estruturais, como saúde e educação, ou conjunturais, como o desemprego, que interferem diretamente na vida dos cidadãos. Como se explica isso?

O que parece estar ocorrendo é que os brasileiros começam a se dar conta de que nenhuma prioridade nacional será séria e eficientemente atacada enquanto a energia política do País estiver concentrada na corrupção, seja para praticá-la, seja para livrar seus agentes da responsabilização penal. A conclusão é óbvia: o Brasil precisa urgentemente de rigorosa faxina política. A ação saneadora depende em boa medida da Polícia, do Ministério Público e do Judiciário, além de outros órgãos de controle, que têm funcionado. Mas a bala de prata capaz de acabar com o predomínio de corruptos e corruptores na vida pública está na arma que as instituições democráticas colocam ao alcance de cada cidadão: o voto. E urge que a cidadania exercite com eficiência esse poder, antes que algum aventureiro messiânico use em benefício próprio a indignação nacional para se legitimar no papel de salvador da Pátria, missão cujo cumprimento começa quase sempre pela supressão da liberdade.

A pesquisa comprova que os brasileiros debitam aos políticos os males da corrupção. O resultado pode ter sido influenciado pelo fato de ela ter sido realizada logo após o anúncio das prisões do amigo do peito de Lula, o empresário José Carlos Bumlai, do líder do governo no Senado, Delcídio Amaral, e do banqueiro André Esteves. Os três são acusados de envolvimento em esquemas de corrupção relacionados com a gestão da coisa pública e são, por isso, “figurões” da política. Mais do que isso, as ilicitudes de que são acusados têm todas o DNA do lulopetismo e de seu projeto de poder e de favorecimento de suas principais lideranças. Isso tem a ver, certamente, com o fato de que a avaliação de Lula como presidente da República despencou significativamente desde que ele deixou o Planalto: na resposta ao quesito “quem foi o melhor presidente” os 71% que Lula teve em 2010, último ano de seu segundo mandato, caíram para 39% agora – o que ainda o mantém na imerecida posição de ex-presidente mais bem avaliado, com mais do dobro do índice obtido por Fernando Henrique Cardoso.

Mas em eventual disputa em 2018, em cenários diferentes tanto para o primeiro quanto para o segundo turno, Lula não está à frente em nenhum. No primeiro turno, quaisquer que sejam os adversários, teria apenas 22% dos votos. No segundo turno, perderia também, sempre por larga margem, para Aécio Neves (51% a 32%), Geraldo Alckmin (45% a 34%) e Marina Silva (52% a 31%). Tanto Lula quanto Aécio marcaram menos pontos que na pesquisa anterior; o desempenho de Marina foi um pouco melhor.

Ainda em termos individuais, a pesquisa revela que 2 em cada 3 brasileiros entendem que Dilma Rousseff deveria ser afastada de suas funções ou renunciar à Presidência. E um contingente maior ainda, 81% dos entrevistados, apoia a cassação do mandato do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Como instituição, o Congresso teve sua pior avaliação desde 1993: 53% dos brasileiros consideram ruim/péssimo o desempenho dos parlamentares, contra 34% que cravaram a avaliação de regular e 8% de ótimo/bom (5% não têm opinião formada).

Não existe democracia sem o exercício da atividade política e da representação popular. O fato de os brasileiros estarem insatisfeitos com os representantes que eles próprios escolheram dá uma ideia da insatisfação geral com a chamada classe política. A indignação contra a corrupção explica apenas parte dessa indisposição. Os defeitos flagrantes do sistema partidário e eleitoral e as deficiências da representação política pesam muito na composição do estado de espírito do povo.

N. da R. Ao contrário do que afirmamos no editorial Os empresários diante da lei publicado na edição de domingo (29/11), o empresário Marcelo Odebrecht não foi condenado. Preso preventivamente desde junho no âmbito da Operação Lava Jato, o empresário ainda não foi julgado.

Original aqui

U.V.

Manchetes do dia

Terça-feira 1 / 12 / 2015

O Globo
"Microcefalia se espalha, e Rio já tem 21 casos"

No país, registros da doença saltaram de 739 para 1.248 em 1 semana

Rápido aumento do número de bebês com a malformação atinge principalmente o Nordeste, mas, segundo o Ministério da Saúde, ocorrências já foram registradas em 13 estados e no Distrito Federal

O número de recém-nascidos com microcefalia no Estado do Rio já chega a 21, sendo que 15 dos casos ocorreram a partir de julho, cerca de três meses depois dos primeiros registros de zika. O Ministério da Saúde confirmou a relação entre o vírus e a epidemia da malformação cerebral. No país, os casos de microcefalia saltaram de 739 para 1.248 em apenas uma semana. A epidemia se espalha pelo país, atingindo 13 estados e o Distrito Federal, embora a maior concentração ocorra em Pernambuco, com pelo menos 646 crianças nascidas com a doença contra 487 na semana passada. Os números são preocupantes, mas o balanço divulgado pelo Ministério da Saúde pode ser pior, pois algumas secretarias estaduais, como a de Mato Grosso, ainda não repassaram seus dados. Lá, até ontem, havia 58 recém-nascidos com microcefalia.  

Folha de S.Paulo
"Cunha ameaça o PT, que reavalia apoio à cassação"

Deputado fala em deflagrar processo de impeachment de Dilma

Pressionado pela ameaça de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) de deflagrar processo de impeachment contra Dilma Rousseff, o PT considera a chance de enterrar a ação que pode cassar o mandato do presidente da Câmara. O Conselho de Ética vota hoje o relatório preliminar, de Fausto Pinato (PRB-SP), pela continuidade do processo. São 21 votos, e o placar tende a ser apertado. O PT vota com três deputados, que devem fazer a diferença. O Planalto age para convencer os três a não entrar em conflito com Cunha. Há receio de que a instabilidade política no Congresso impeça a votação da meta fiscal de 2015 e contribua para o avanço do impeachment. Cunha é acusado de participar do esquema de corrupção na Petrobras e de esconder contas na Suíça. Ele nega as acusações.

O Estado de S.Paulo
"Janot pede inquéritos para investigar Delcídio e Renan"

Decisão caberá ao Supremo; senador Jader Barbalho e deputado Aníbal Gomes também devem ser alvo

A Procuradoria-Geral da República pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) abertura de mais dois inquéritos na Operação Lava Jato. Em um deles, o procurador-geral, Rodrigo Janot, quer investigar os senadores Delcídio Amaral (PT-MS), preso na semana passada, Renan Calheiros (PMDB-AL) e Jader Barbalho (PMDB-PA). No outro, Renan, Jader e o deputado Aníbal Gomes (PMDB-CE). Parlamentares devem ser investigados por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. As peças são mantidas em segredo de justiça. Em Paris, a presidente Dilma Rousseff declarou ter ficado “perplexa” com a prisão de Delcídio. Ela voltou a afirmar que não indicou Nestor Cerveró para a Petrobrás e “não sabia de tudo” sobre a Refinaria de Pasadena.  
           

segunda-feira, novembro 30, 2015

Dominique

Opinião

A deslegitimação de um sistema político

Elio Gaspari
Estava tudo planejado. Nestor Cerveró conseguiria um habeas corpus, atravessaria a fronteira com o Paraguai, tomaria um jatinho Falcon e desceria na Espanha. Deu errado porque Bernardo, o filho do ex-diretor da Petrobras, gravou a trama do senador Delcídio do Amaral e a narrativa de sua conversa com o banqueiro André Esteves. Depois do estouro, estava tudo combinado. Em votação secreta, o plenário do Senado mandaria a Justiça soltar Delcídio, ou talvez o transferisse para prisão domiciliar num apartamento funcional de Brasília. Deu errado porque a conta política ficou cara e sobretudo porque o ministro Luiz Fachin ordenou que a votação fosse aberta.

A Operação Lava Jato, com seus desdobramentos, está chegando ao cenário descrito há 11 anos pelo juiz Sergio Moro num artigo sobre a "Operação Mãos Limpas" italiana. Ela deslegitimou um sistema político corrupto.

É isso que está acontecendo no Brasil. Na Itália, depois da "Mãos Limpas", o partido Socialista e o da Democracia Cristã simplesmente desapareceram. Em Pindorama parece difícil que a coisa chegue a esse ponto, mas o Partido dos Trabalhadores associou sua imagem a roubalheiras. Já o PMDB está amarrado ao deputado Eduardo Cunha, com suas tenebrosas transações. O PSDB denuncia os malfeitos dos outros, mas os processos das maracutaias ocorridas sob suas asas estão parados há uma década.

A Lava Jato criou o primeiro embate do Estado brasileiro com a oligarquia política, financeira e econômica que controla o país. Essa oligarquia onipotente vive à custa de "acordões" e acreditava que gatos gordos não iam para a cadeia. Foram, mas Marcelo Odebrecht não iria. Foi, mas os políticos seriam poupados e a coisa nunca chegaria aos bancos. Numa mesma manhã foram encarcerados o líder do governo no Senado e o dono do oitavo maior banco do país. Desde o início da Lava Jato a oligarquia planeja, combina e quando dá tudo errado ela diz que a vaca vai para o brejo. Talvez isso aconteça porque ela gosta do brejo, onde poderá comer melhor.

Eduardo Cunha ainda acredita que terminará seu mandato. Sua agenda de fim do mundo desandou. A doutora Dilma Rousseff continua achando que não se deve confiar em "delator". Lula diz que Delcídio fez uma "grande burrada", mas não explica qual foi a "burrada".

Nunca é demais repetir. O artigo do juiz Moro está na rede. Chama-se "Considerações sobre a Operação Mani Pulite". Lendo-o, vê-se o que está acontecendo e o que poderá acontecer.


COINCIDÊNCIAS

Lula é amigo de José Carlos Bumlai, pai de Fernando, marido de Neca, filha de Pedro Chaves dos Santos, o suplente que deverá assumir a cadeira de senador de Delcídio do Amaral, que discutiu o resgate de Nestor Cerveró com André Esteves, que comprou a fazenda Cristo Rei, de José Carlos Bumlai, que tomou R$ 12 milhões no banco de Salim Schahin, cuja empreiteira associou-se à Sete Brasil, presidida por João Carlos Ferraz, que era amigo de Lula.

TRINCA

É difícil acreditar que Delcídio e o banqueiro André Esteves estivessem numa operação solo.

Esteves não entrou na aventura da Sete Brasil porque estava distraído. Delcídio, por sua vez, sempre foi um suavizador de encrencas petistas.

Em 2006 ele contou a Lula que Marcos Valério, o tesoureiro do mensalão, ameaçava fechar um acordo com o Ministério Público. Lula ficou calado. Delcídio voltou ao assunto e desta vez Nosso Guia falou: "Manda ele falar com o Okamotto".

Paulo Okamotto é o fiel escudeiro de Lula.

VEM MAIS

Em setembro o empresário Fernando de Moura, amigo do comissário José Dirceu, passou a colaborar com as autoridades. Seus depoimentos deverão provocar o aparecimento de um novo colaborador que teria se prontificado a contar o que sabe.

O companheiro sabe bastante. Tinha uma empresa de construção em São Paulo e escritório vizinho a uma sede do PT. Juntou-se a um projeto de gasoduto da Petrobras e associou-se a uma grande empreiteira. Como não podia deixar de ser, foi chamado pela Sete Brasil para operar navios-sonda.

Seria um caso exemplar de colaboração oferecida.

Original aqui
 
Free counter and web stats