sábado, novembro 28, 2015

Dominique

Opinião

A quem interessa?

Sandro Vaia
Que o Brasil não é para principiantes já tínhamos sido avisados por Tom Jobim.

Mas nem o genial autor de “Garota de Ipanema” seria capaz de imaginar que chegaríamos a tanto, mesmo num país que segundo ele, costuma estar “de cabeça para baixo”.

A história da prisão do senador Delcídio do Amaral e do banqueiro André Esteves, mais a ordem de prisão de Edson Ribeiro, advogado de Nestor Cerveró, envolve capítulos desconcertantes que passam pela tragédia grega, com lances da Commedia dell’Arte e passando pela velha comédia pastelão, com pitadas de Buster Keaton, Chaplin até o escracho de Oscarito e Grande Otelo.

Senão vejamos:

1) Reúnem-se num quarto de hotel o líder do governo no Senado, Delcídio do Amaral, o advogado de Nestor Cerveró, Edson Ribeiro, e o filho do ex-diretor da Petrobras, Bernardo Cerveró. O grande ausente porém muito presente, é o banqueiro André Esteves, jovem gênio das finanças, dono de um prestigiadíssimo banco, o BTG Pactual, amigo e financiador de muitas figuras importantes da República.

2) Bernardo, ator de teatro, dribla o esquema “antigravações” que Delcídio costumava montar e com um simples smartphone grava mais de uma hora e meia de conversa.

3) O tema da reunião: arrumar um habeas corpus para Cerveró, para evitar a sua delação premiada, e a partir de sua libertação arrumar uma fuga dele rumo à Espanha, via Paraguai ou Venezuela, num avião Citation, um Falcon 50 ou um veleiro. Um dos temas da discussão: o que fazer com a tornozeleira durante a fuga?

4) Outro tema: como arrumar o habeas corpus? Delcidio promete papos com os ministros do Supremo Teori Zavazcki, Toffoli, Gilmar Mendes e Nelson Fachin. “Importante é centrar fogo no STF”.

5) Mas o foco mesmo é tirar Cerveró da cadeia. Delcídio promete a Cerveró e família 50 mil por mês. André Esteves, o banqueiro, está disposto a “ajudar” na questão do dinheiro.

O que se vê nesse cenário? Suspeitas contra o Supremo, que se vinga, decretando, por unanimidade, a prisão do senador em pleno exercício do mandato (primeira vez desde 1985); um advogado que em vez de defender seu cliente lhe indica uma rota de fuga pelo Paraguai, ainda por cima insinuando que já fez muita gente sair do País por ela:  um Senado, constrangido pela opinião pública, que decide em votação aberta e por 59 a 13 (nove votos do PT) manter a prisão do colega.

No emaranhado dessa inacreditável teia, ainda sobram suspeitas de vazamento de documentos da delação premiada (o banqueiro Esteves disse que tinha uma cópia), e até novas suspeitas sobre a conta de Romário na Suíça (ele trouxe um documento de lá desmentindo a conta, mas o banco tinha sido comprado pelo BCG Pactual - o que reavivou a suspeita).

Como coadjuvantes desse emocionante thriller pastelão aparecem ainda o PT (partido do qual Delcídio era líder no Senado) que em uma nota assinada pelo presidente Ruy Falcão simplesmente o entrega aos leões (afinal Delcídio não é companheiro de nascença), e o sempre equilibrado e ponderado ex-presidente Lula, que considerou o comportamento de Delcídio uma “coisa de imbecil”, e chamou próprio senador de “idiota”.

Ruy Falcão justificou a diferença de tratamento dado a Delcídio e outros acusados petistas dizendo que “existe uma diferença clara entre atividade partidária e atividade não partidária” -  o que faz supor que juntar pixulecos para a legenda é “uma atividade partidária”.

Na torrente de palavras gastas com essa perturbadora novela, faltou o esclarecimento essencial: quem tem tanto medo - e por que - da delação premiada de Cerveró a ponto de querer gastar 4 milhões e mais 50 mil por mês para abafá-la?

Aguarde os próximos capítulos. Há muita Pasadena pela frente. Cerveró disse que Dilma sabia de tudo. E Janot já tinha arquivado a investigação sobre Delcídio. Qui prodest? A quem interessa?

Original aqui

U.V.

Manchetes do dia

Sábado 28 / 11 / 2015

O Globo
"Governo vai parar"

Sem meta fiscal aprovada, decreto bloqueará R$ 10 bi / Dilma cancela viagem para não descumprir lei / Na terça-feira, pagamentos serão suspensos

Sem a nova meta fiscal deste ano aprovada pelo Congresso, a presidente Dilma decidiu seguir a orientação do TCU, fazer novo corte no Orçamento e suspender, a partir de terça-feira, todos os pagamentos não obrigatórios do governo. Com isso, pela primeira vez, o país entrará numa situação de paralisia administrativa. Apenas gastos constitucionais, como saúde e educação, serão mantidos. A presidente teve de cancelar a viagem que faria ao Japão na quarta-feira porque até despesas com diárias serão suspensas. O Congresso tentará votar a nova meta na terça.

Folha de S.Paulo
"Andrade Gutierrez vai pagar R$ 1 bi de multa na Lava Jato"

Em busca de pena menor, empreiteira admite propina em obras da Copa e de usinas

Segunda maior empreiteira do país, a Andrade Gutierrez fechou acordos com autoridades da Lava Jato e pagará a maior multa da operação que apura desvios na Petrobras: R$ 1bilhão.

A empresa admitirá, informam Mario Cesar Carvalho e Bela Megale, ter pago propina em obras da estatal, da Copa do Mundo de 2014 e das usinas de Angra 3 e Belo Monte, entre outras.

Com a confissão, a empreiteira e executivos — três deles estão presos — terão a punição reduzida. A empresa também espera se livrar da proibição de fazer contratos com o poder público.

Executivos afirmaram ao negociar a delação que o senador Edison Lobão e o ex-governador do Rio Sérgio Cabral, ambos do PMDB, receberam suborno. Os dois não se pronunciaram.

A multa visa ressarcir empresas prejudicadas por acertos do cartel que agiu no petrolão. A maior indenização paga na Lava Jato até agora foi da Camargo Corrêa: R$ 700 milhões. 

O Estado de S.Paulo
"Presidente da Andrade vai delatar 2 senadores; empresa pagará R$ 1 bi"

Otávio Marques de Azevedo negocia acordo com a Lava Jato para falar sobre desvios e pagamento de propina em contratos da Petrobrás e obras do setor elétrico e da Copa

O presidente do Grupo Andrade Gutierrez, Otávio Marques de Azevedo, vai apontar desvios que envolvem a empresa em contratos da Petrobrás e pagamento de propina a pelo menos dois senadores, além de irregularidades em obras do setor elétrico e da Copa do Mundo no Brasil. A segunda maior empreiteira do País e a Procuradoria-Geral da República negociam delação premiada do executivo e um acordo de leniência da empresa, além de pagamento parcelado de multa de R$ 1 bilhão, a maior a ser aplicada a uma empresa investigada pela Operação Lava Jato até agora. Azevedo está preso desde 19 de junho. As negociações dele e da Andrade Gutierrez com a força-tarefa do Ministério Público Federal já duram cerca de dois meses. O executivo citará nomes de “autoridades com foro privilegiado” que teriam recebido valores ilícitos para, de alguma forma, abrir caminho para a empreiteira fechar contratos com a Petrobrás.  
           

sexta-feira, novembro 27, 2015

P2V-5F Neptune VP-8 - 1959


Coluna do Celsinho

Ciência e Tecnologia

Celso de Almeida Jr.

Novembro terminando...

Tradicionalmente, neste mês, o Colégio Dominique realiza a sua Feira de Ciências.

Anote aí:

Nesta segunda-feira, 30/11/2015, a garotada estará demonstrando as mais diversas atividades nos campos da ciência e tecnologia.

O destaque deste ano vai para o principal tema transversal do colégio: a Cultura Aeronáutica.

Não faltarão, porém, os clássicos: dinossauros; corpo humano; química, enfim, um mundo de curiosidades.

A Feira de Ciências e Tecnologia do Colégio Dominique tem entrada franca e é aberta para visitantes de todas as idades.

Tem dois momentos:

Manhã, das 9h às 12h: atividades dos alunos do 6º ao 9º ano do fundamental e das séries do ensino médio.

Tarde, das 15h às 17h30: atividades dos alunos da educação infantil e do 1º ao 5º ano do fundamental.

Participe, prestigiando nossos jovens cientistas.

Durante o evento, estarão abertas as inscrições para as Atividades 2016 do NINJA-Núcleo Infantojuvenil de Aviação e do Clube de Ciências José Reis.

Estes são núcleos administrados pelo Instituto Salerno-Chieus, abertos gratuitamente para alunos de escolas públicas e particulares.

Incentive a participação de seu filho!

Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com

Dominique

Opinião

República de bandidos

Estadão
Ninguém melhor do que a ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal, para expressar o sentimento de frustração que atinge em cheio os brasileiros: “Na história recente da nossa pátria, houve um momento em que a maioria de nós acreditou no mote segundo o qual a esperança tinha vencido o medo. Depois, nos deparamos com a Ação Penal 470 (o mensalão) e descobrimos que o cinismo tinha vencido aquela esperança. Agora constata-se que o escárnio venceu o cinismo”. Nessa síntese está toda a trajetória dos embusteiros petistas que, desde a primeira eleição de Luiz Inácio Lula da Silva, prometeram fazer uma revolução ética e social no Brasil e agora, pilhados em escabrosos casos de corrupção, caçoam da Justiça e da própria democracia.

O mais recente episódio dessa saga indecente, ao qual Cármen Lúcia aludia, envolveu ninguém menos que o líder do governo no Senado, Delcídio do Amaral. Em conluio com o banqueiro André Esteves, o petista foi flagrado tentando comprar o silêncio do ex-diretor da Petrobrás Nestor Cerveró, que ameaçava contar o que sabia sobre a participação de ambos no petrolão.

As palavras de Delcídio, capturadas em áudio gravado por um filho de Cerveró, são prova indisputável da naturalidade com que políticos e empresários se entregaram a atividades criminosas no ambiente de promiscuidade favorecido pelo governo do PT. Como se tratasse de uma situação trivial – a conversa termina com Delcídio mandando um “abraço na sua mãe” –, um senador da República oferece dinheiro e uma rota de fuga para que o delator que pode comprometê-lo e a seu financiador suma do País. Os detalhes são dignos de um arranjo da Máfia e desde já integram a antologia do que de mais repugnante a política brasileira já produziu.

Delcídio garantiu a seus interlocutores que tinha condições de influenciar ministros do Supremo Tribunal Federal e políticos em posições institucionais destacadas para que os objetivos da quadrilha fossem alcançados. O senador traficou influência. Mas o fato é que, hoje, as ramas corruptas que brotam do sistema implantado pelo PT se insinuam por toda a árvore institucional – com raras e honrosas exceções, entre elas o Supremo, que vem demonstrando notável independência.

Exemplo do contágio é que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), estão sendo investigados pela Lava Jato. A nenhum dos dois ocorreu renunciar a seus cargos para que não sofressem a tentação de usar seu poder para interferir no processo, como já ficou claro no caso de Cunha. Renan, desta vez, tentou manobrar para que fosse secreta a votação do Senado que decidiria sobre a manutenção da prisão de Delcídio, na presunção de que assim os pares do petista o livrariam, criando uma blindagem para os demais senadores – a começar por ele próprio. Temerosos da opinião pública, os senadores decidiram votar às claras e manter Delcídio preso.

Enquanto isso, o PT, com rapidez inaudita, procurou desvincular-se de Delcídio, dizendo que o partido “não se julga obrigado a qualquer gesto de solidariedade”, já que o senador, segundo a direção petista, agiu apenas em favor de si próprio. Se Delcídio tivesse cometido seus crimes para abastecer os cofres do PT, seria mais um dos “guerreiros do povo brasileiro”, como os membros da cúpula do partido que foram condenados no mensalão e no petrolão.

O PT e o governo não enganam ninguém ao tentar jogar Delcídio aos leões. O senador era um dos principais quadros do partido, era líder do governo no Senado e um dos parlamentares mais próximos da presidente Dilma Rousseff e de Lula. Sua prisão expõe a putrefação da política proporcionada pelo modo petista de governar.

Também ninguém melhor do que a ministra Cármen Lúcia, que resumiu a frustração dos brasileiros de bem, para traçar o limite de desfaçatez e advertir a canalha que se adonou da coisa pública sobre as consequências de seus crimes: “O crime não vencerá a Justiça” e os “navegantes dessas águas turvas de corrupção e das iniquidades” não passarão “a navalha da desfaçatez e da confusão entre imunidade, impunidade e corrupção”. É um chamamento para que os brasileiros honestos não aceitem mais passivamente as imposturas dos ferrabrases que criaram as condições para que se erigisse aqui uma desavergonhada república de bandidos.

Original aqui

U.V.

Manchetes do dia

Sexta-feira 27 / 11 / 2015

O Globo
"Prisão de Delcídio pode paralisar o governo"

Com votação de meta fiscal adiada, máquina corre o risco de parar

Na segunda-feira, vence prazo para o Executivo apresentar o último decreto de receitas e despesas do ano. Para não sofrer sanções do TCU, opção é fazer corte de R$ 107 bi e suspender gastos não obrigatórios

O agravamento da crise política, com a prisão do senador Delcídio Amaral (PT), líder do governo no Senado, pode levar à paralisação da máquina pública. Após a prisão de Delcídio, anteontem, a votação da nova meta fiscal de 2015 foi adiada. O governo, porém, só tem até segunda-feira para editar decreto sobre suas receitas e despesas neste ano. Se optar por meta ainda não aprovada pelo Congresso, o governo ficará sujeito a sanções do TCU. Mas, se adotar a meta antiga, terá de cortar R$ 107 bilhões, suspendendo todos os gastos não obrigatórios. Ao depor ontem na PF, onde está preso, Delcídio negou ter tentado obstruir investigações da Lava-Jato.   

Folha de S.Paulo
"Dilma ignorará regra que manda cortar Orçamento"

Crise política adia votação no Congresso sobre meta fiscal

Acrise gerada pelas prisões do senador petista Delcídio do Amaral e dobanqueiro André Esteves inviabilizou o plano do Planalto de aprovar nesta semana no Congressos ua proposta de mudança da meta fiscal.

Mesmo com o prazo expirado, o governo Dilma não fará um corte adicional no Orçamento deste ano para cumprir a meta em vigor, o que exigiria, por lei, bloqueio de R$ 105 bilhões. A votação ficou para terça (1º).

A decisão pode dar mais munição para a oposição pleitear o impeachment da presidente. Além disso, aliados de Dilma avaliam que a situação política fragiliza ainda mais o poder de ação do Planalto no Congresso.

O ex-presidente Lula disse que Delcídio, então líder do governo no Senado, fez uma “coisa de imbecil”, e o PT deve expulsá-lo. O PSDB almeja a cassação do senador, acusado de tentar obstruir a Lava Jato.

O Estado de S.Paulo
"'Foi questão humanitária', diz Delcídio sobre oferta a Cerveró"

Ex-líder do governo no Senado nega à PF ter procurado ministros do Supremo para tentar obter habeas corpus

O senador Delcídio Amaral (PT-MS) disse ontem que pretendia “ajudar” o ex-diretor da Petrobrás Nestor Cerveró a sair da prisão “por uma questão humanitária”. Em depoimento à Polícia Federal em Brasília, onde está preso desde anteontem, o ex-líder do governo afirmou que na conversa com Bernardo Cerveró, filho do ex-diretor da Petrobrás Nestor Cerveró, seu intuito foi “dar uma palavra de esperança e conforto para o familiar de um réu preso”. Ele negou, porém, ter falado com ministros do STF sobre o assunto – na gravação, Delcídio promete interceder no Supremo Tribunal Federal para conseguir habeas corpus para Cerveró. O tratamento dado pela direção do PT ao senador, ameaçado de expulsão do partido, desencadeou crise com as bancadas do partido. 
           

quinta-feira, novembro 26, 2015

Dominique

Opinião

O Mercosul melhora sem a Venezuela

Elio Gaspari
A vitória de Mauricio Macri na Argentina ajudará o Brasil a sair da encrenca da diplomacia Fla-Flu inaugurada por Lula e parcialmente congelada pela doutora Dilma. Quem quiser pode achar que no domingo houve apenas uma vitória da direita, mas o que sucedeu foi o velho e bom exercício da alternância no poder. Depois de 12 anos de governo do casal Kirchner, com o país em crise, empesteado por roubalheiras, venceu a oposição. Se essa hipótese não existisse, seria o caso de se admitir que uma aliança que se diz de esquerda jamais pode ser desalojada do palácio. É o raciocínio bolivariano, vigente na Venezuela.

Macri, ex-presidente do Boca Juniors, entrou em campo com uma agenda diplomática agressiva. Quer acelerar as negociações de um acordo comercial do Mercosul com a União Europeia (o que é bom para o Brasil) e negociar a aproximação com o Tratado Transpacífico, formado por 12 países, entre os quais Estados Unidos, Japão e Austrália, Chile, Colômbia, México e Peru (o que pode ser inevitável para o Brasil). Esquentando a agenda, quer afastar a Venezuela do Mercosul, sustentando que o governo de Nicolás Maduro viola a cláusula democrática do bloco.

A solidariedade que o comissariado dá ao bolivarianismo é uma pedra no sapato da diplomacia brasileira. Em 2012, quando o presidente do Paraguai foi deposto pelo Congresso, a doutora Dilma meteu-se numa estudantada, excluindo o novo governo do Mercosul. Deu em nada e, discretamente, ele foi readmitido. O precedente ampara a exclusão da Venezuela. Sem Nicolás Maduro e sua Polícia Nacional Bolivariana, o Mercosul melhora.

Esse caminho agrada ao governo dos Estados Unidos, que cozinha o bolivarianismo na crise econômica em que está a Venezuela. Lá faltam fraldas e sabão em pó nos supermercados e abundam oposicionistas da cadeia.

É comum que a Argentina e os Estados Unidos dancem o mesmo tango. Em 1976, quando o almirante-chanceler argentino disse ao secretário de Estado Henry Kissinger que o terrorismo era o maior problema do país, ele aconselhou: "Se há coisas a serem feitas, façam-nas rapidamente, mas voltem depressa à normalidade". Morreram cerca de 30 mil pessoas. Restabelecida a democracia, o chanceler Guido di Tella anunciou que seu país deveria ter "relações carnais" com os Estados Unidos. Teve-as, dolarizou a economia e anos depois o Fundo Monetário Internacional cortou o oxigênio do governo de Fernando de la Rúa, levando-o a fugir do palácio.

Macri entrou em campo com o pique de um centroavante, à la Lula. À primeira vista, será um campeão, mas diplomacia e futebol são coisas diferentes, e sua chegada chega a ser um presente para o Brasil.

Como? Seguindo o exemplo e o ensinamento do Barão do Rio Branco. Em 1895, ele era apenas um cônsul em Liverpool e negociou uma questão de limites com a Argentina, arbitrada pelo presidente americano Grover Cleveland.

Ganhou, dando a Pindorama metade do que hoje é o estado de Santa Catarina, mais um pedaço do Paraná. Triunfo total, mas, em vez de ir para o Rio, onde seria festejado como um campeão, voltou para Liverpool e explicou: "Nada mais ridículo e inconveniente do que andar um diplomata a apregoar vitórias". 

Original aqui

U.V.

Manchetes do dia

Quinta-feira 26 / 11 / 2015

O Globo
"‘O crime não vencerá a Justiça’"

Pela primeira vez na História, senador e líder do governo é preso no cargo por ordem do STF

Delcídio e banqueiro são acusados de oferecer mesada a delator da Lava-Jato / Supremo reage com veemência, PT lava as mãos e Senado mantém prisão

Numa decisão inédita, um senador foi preso no exercício do mandato. O líder do governo Dilma, Delcídio Amaral (PT-MS), e o presidente do banco BTG Pactual, André Esteves, foram presos por ordem do ministro do STF Teori Zavascki sob a acusação de obstruir as investigações da Lava-Jato ao tentar comprar o silêncio do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, que fez acordo de delação. Delcídio foi gravado por Bernardo Cerveró, filho do delator, planejando a fuga dele para a Espanha. Segundo Bernardo, Delcídio e Esteves também ofereceram pagar R$ 4 milhões a Cerveró para que ambos fossem poupados. Os cinco ministros do STF da turma responsável pela Lava-Jato referendaram a prisão por unanimidade. “O crime não vencerá a Justiça”, declarou a ministra Cármen Lúcia. A decisão foi confirmada pelo Senado por 59 votos a 13. A liderança do PT recomendou voto contra a prisão, enquanto o presidente do partido declarou que “não se julga obrigado a gesto de solidariedade”.  

Folha de S.Paulo
"STF prende senador e banqueiro acusados de sabotar a Lava Jato"

SENADO MANTÉM PRISÃO DE DELCÍDIO DO AMARAL (PT) / EMPRESÁRIO ANDRÉ ESTEVES E PETISTA CONSPIRARAM PARA EVITAR DELAÇÃO DE CERVERÓ, DIZ PROCURADORIA / ELES NEGAM

O líder do governo no Senado, Delcídio do Amaral (PT-MS), foi preso, acusado de tentar obstruir as investigações da Lava Jato, como antecipou a Folha. É a primeira vez desde 1985 que o Supremo ordena a detenção de um senador no exercício de seu mandato.

Sob a mesma acusação, foi detido o banqueiro André Esteves, do BTG Pactual, um dos homens mais ricos do país. Segundo a Procuradoria, ele seria o financiador de um plano articulado por Delcídio para impedir que Nestor Cerveró, ex-diretor da Petrobras preso desde janeiro, fechasse um acordo de delação premiada, que poderia incriminar o senador e o banqueiro.

Conversa gravada por um filho de Cerveró indica que o parlamentar ofereceu R$ 50 mil mensais ao ex-executivo e ajuda para que fugisse do país.

Nos diálogos, o petista promete influenciar o STF a soltar Cerveró. A descoberta provocou reação da Corte. “Criminosos não passarão sobre juízes”, disse a ministra Cármen Lúcia na sessão que avaliou o caso.

A defesa de Delcídio se disse inconformada. Em depoimento, Esteves negou as acusações. O presidente do PT se eximiu de prestar solidariedade ao senador.
Por 59 a 13, o Senado votou por manter Delcídio preso. Pela Constituição, cabe à Casa referendar ou não ordens de prisão de um senador. 

O Estado de S.Paulo
"PF prende Delcídio, líder do governo no Senado, e banqueiro André Esteves"

STF autorizou e Senado manteve decisão sobre prisão de Delcídio; ele é acusado de oferecer esquema de fuga para silenciar Cerveró

A Polícia Federal prendeu na manhã de ontem o líder do governo no Senado, Delcídio Amaral (PT-MS), e o banqueiro André Esteves, por tentarem obstruir investigações da Operação Lava Jato, que apura corrupção na Petrobrás. A pedido da Procuradoria-Geral da República, as prisões foram autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e tiveram forte impacto nos meios político e econômico. À noite, a primeira prisão de um senador no exercício do mandato desde a Constituição de 1988 foi ratificada em votação aberta no Senado. A base para as detenções foi uma conversa de Delcídio, Esteves, o advogado Edson Ribeiro, o chefe de gabinete do senador, Diogo Ferreira, e Bernardo Cerveró, filho do ex-diretor da Petrobrás Nestor Cerveró, preso em Curitiba. Além de discutirem como influenciar ministros do Supremo para obter habeas corpus para Cerveró, eles planejaram rotas de fuga para o ex-diretor rumo à Espanha e ofereceram R$ 50 mil mensais em troca de silêncio. Para o relator da Lava Jato no STF, Teori Zavascki, foi comportamento digno de mafioso. 
           

quarta-feira, novembro 25, 2015

Dominique

Opinião

A felicidade dos terroristas

João Pereira Coutinho
Serão os terroristas felizes? Estranha pergunta, essa. E, no entanto, não tenho pensado em mais nenhuma depois dos ataques de Paris.

Os especialistas elaboram todas as teorias sobre o autoproclamado Estado Islâmico. E depois procuram explicar as metástases que o grupo espalhou pela Europa.

Escuto tudo como um aluno aplicado e retorno à primeira pergunta: serão os terroristas felizes? Há vídeos que passam na TV. Todos eles sorriem. Existe até um filme no qual um alegado terrorista de origem portuguesa disserta sobre o prazer da matança. Não tenho dúvidas. Esses homens são felizes.

Um pensamento bizarro e fútil? Não creio. Li bastante sobre a origem do EI e os "objetivos" da organização. A culpa é dos Estados Unidos, dizem uns, que destruíram a estrutura sunita no Iraque e entregaram o país ao sectarismo dos xiitas.

A culpa é da Arábia Saudita, dizem outros, que financia e exporta o wahabismo para a Síria e outros territórios na vizinhança.

Ou então a culpa é do Islã, ou de uma interpretação radical do Islã, que exige a morte dos "infiéis" e a conquista de território para a causa do Profeta.

E, quando se fala da Europa e dos milhares de jihadistas que estarão dentro das fronteiras, encontramos os mesmos modelos de explicação. A culpa é do multiculturalismo, que permitiu o crescimento de corpos estranhos dentro das sociedades pluralistas europeias.

A culpa é da pobreza e da marginalização, que conduziu os filhos de emigrantes muçulmanos para a "guerra santa" contra os "cruzados".

Ou então a culpa é das fronteiras abertas da Europa, um convite para que os novos bárbaros invadam o Ocidente.

Admito que todas essas explicações sejam verdadeiras (ou falsas). Mas, quando olho para o rosto dos terroristas, o que vejo é a felicidade da matança. Eles não matam apenas por uma religião (que mal estudaram) ou por razões geopolíticas (que nem sequer entendem).

Eles matam porque gostam de matar. Como dizia Ernst Jünger, eles estão tomados pela "vermelha embriaguez do sangue".

Talvez seja injusto convocar Jünger, um dos grandes escritores do século 20, para tão más companhias. Mas um livro dele tem merecido releitura nos últimos tempos.

O título é "A Guerra como Experiência Interior". Trata-se do relato do autor da sua experiência na Primeira Guerra Mundial. Verdade: a Guerra de 1914 foi feita por soldados, não por terroristas. E o alemão Jünger tem pelo inimigo (francês) a admiração que só a bravura merece.

Mas o que me interessa no relato é a dimensão de êxtase que o combatente sente na batalha. A sociedade pode refrear "a pulsão dos apetites e dos desejos", escreve ele (como escreveu Freud). Mas a parte bestial do ser humano não pode ser abolida da nossa natureza.

Somos feitos de razão e sentimento. Mas também de fúria e instinto. E, quando provamos a loucura da guerra, emergimos como "o primeiro homem", "o homem das cavernas".

Existe uma passagem do livro que ilustra essa terrível verdade. Acontece em 1917, quando o soldado Jünger passeia pelas ruas de Bruxelas e olha para uma vitrine onde estão pequenas peças de porcelana.

O autor comove-se com a beleza da arte –uma espécie de "intermezzo" da carnificina; ou então a memória nostálgica de um outro Jünger, que existiu antes das cinzas.

Ao lado da vitrine, dois soldados conversam. E um deles, olhando também para a vitrine, confessa: "Gostava de ver um canhão 380 acertar nisto em cheio." Entendemos que a pulsão destrutiva é tudo que resta na alma daquele homem. E, quando assim é, os medos mais primordiais –como o medo da morte– tornam-se "pequenos e desprezíveis".

O Ocidente pode pensar em todas as estratégias para combater o terrorismo. Algumas delas –vigilância, ação militar etc.– podem ser incontornáveis.

Mas existe uma "dissonância cognitiva" que continua a existir entre "nós" e "eles": embalados pelo conforto da paz, somos incapazes de entender, muito menos aceitar, a felicidade dos terroristas. A felicidade de homens como nós que provaram e gostaram do sangue. E que exatamente por isso querem mais e mais e mais –até que a morte nos separe. 

Original aqui

U.V.

Manchetes do dia

Quarta-feira 25 / 11 / 2015

O Globo
"Reajustes do mínimo e de servidor podem ser adiados"

Governo estuda postergar aumento do piso de janeiro para maio

Funcionalismo não seria reajustado em agosto, mas só em dezembro de 2016

O governo estuda adiar o reajuste do salário mínimo e dos servidores no ano que vem para compensar a queda de receitas e cumprir a meta de superávit fiscal de 0,7% do PIB

No caso do mínimo, o aumento passaria de janeiro para maio e, no dos servidores, de agosto para dezembro. A medida, em análise pela equipe econômica, não é consensual porque técnicos alertam para o grande desgaste político que ela provocaria, já que a previsão de retração da economia é de 3,1% este ano e de 1,95% em 2016.  

Folha de S.Paulo
"Amigo de Lula é preso, acusado de fraude para financiar o PT"

Juiz Moro diz que não há evidências de que ex-presidente ‘estivesse de fato envolvido nesses ilícitos’

A força-tarefa da Operação Lava Jato, que investiga o esquema de corrupção na Petrobras, prendeu ontem em Brasília o pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente Lula (PT).

Ao ordenar a prisão, o juiz Sergio Moro disse que houve testemunhos segundo os quais Bumlai invocou o nome de Lula para obter vantagens em negócios da estatal.

O depoimento do lobista e delator Fernando Baiano, que intermediou contrato de R$ 1,6 bilhão do grupo Schahin com a petroleira, foi um dos citados por Moro. Baiano disse que pressionou Bumlai para ele acionar Lula, em 2006, a fim de que o negócio fosse fechado.

Moro ressalvou não haver indícios de que Lula tenha envolvimento no esquema.

Bumlai foi preso no mesmo dia em que deporia na CPI do BNDES. A Polícia Federal recolheu ontem na sede do banco, no Rio, cópias de contratos feitos de 2009 a 2012, a fim de averiguar possíveis irregularidades.

Além disso, um empréstimo de R$ 12 milhões do Banco Schahin a Bumlai, feito em 2004, é considerado atípico por órgãos de controle.

Delatores disseram que o dinheiro foi uma operação de cobertura para pagar dívidas de campanhas do PT.

Para o Planalto, a prisão abre nova frente de investigação, com foco em Lula, podendo gerar desdobramentos políticos para Dilma.
A defesa de Bumlai nega as acusações e considera que houve prejulgamento. Lula não comentou. 

O Estado de S.Paulo
"PF prende amigo de Lula e investiga créditos do BNDES"

Com acesso livre ao Planalto, Bumlai recebeu R$ 518 milhões em empréstimos; parte do dinheiro teria ido para PT

A Polícia Federal prendeu ontem o pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente Lula, na 21ª fase da Operação Lava Jato. Chamada de Passe Livre – em referência a seu acesso ao Planalto -, a ação partiu de apuração de fraude na Petrobrás e chegou ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Ministério Público Federal e PF investigam R$ 518 milhões de empréstimos do banco a empresas de Bumlai. Só a São Fernando Açúcar e Álcool teria recebido R$ 350 milhões em 2008, mesmo já tendo sido alvo de pedido de falência. Ainda obteve outros R$ 64 milhões quando estava inativa – o BNDES diz que foi em 2009; a força-tarefa da Lava Jato, em 2005. O nome de Bumlai também foi citado por dois delatores. O lobista Fernando Baiano declarou ter dado a ele quase R$ 2 milhões que seriam destinados a uma nora de Lula. Já Eduardo Musa, ex-gerente da Petrobrás, disse que Bumlai intermediou pagamento de conta de R$ 60 milhões do PT, da campanha à reeleição de Lula em 2006. Além de Bumlai, foram conduzidos coercitivamente ontem para prestar depoimento seus dois filhos, uma nora, duas pessoas ligadas ao Grupo Bertin e um policial. 
           

terça-feira, novembro 24, 2015

Utopia capitalista

Fordlândia

A Ruína de um complexo industrial moderno no coração da Amazônia

Esta fotografia de homens sem camisa, cercados por longas folhas da fauna da selva e uma cabana de palha para trás foi capturado em uma remota região da Amazônia brasileira. O ano era 1934 e estes eram homens da utopia de Henry Ford. Seis anos antes o industrial americano lançou uma grande operação com a finalidade de libertar-se do estrangulamento dos importadores asiáticos de borracha. A falta do produto afetou a ele e a sua indústria. Ford escolheu um local às margens do rio Tapajós, contratou uma grande força de trabalho e arrasou vastas extensões de floresta para iniciar uma plantação de borracha. Mas os sonhos da Ford eram maiores. Ele queria construir uma comunidade utópica para servir como experiência nos negócios e na civilização. Infelizmente Ford foi apenas um homem de negócios. No momento em que a fotografia foi tirada, o sonho estava quebrando.


Foto: Greg Grandin

Henry Ford tinha idéias rígidas de como a sua utopia deveria ser. Sendo americano por excelência, isso significava comer comida americana, viver em casas de estilo americano, participar de sessões de poesia e engajar-se em danças onde apenas canções em Inglês eram permitidas. Ele começou a impor essas ideias importadas de alimentos e estilo de vida sobre a população que trabalhava lá - coisas a que eles não estavam acostumados. O mais irritante de suas regras foi a proibição de álcool, tabaco e até mesmo mulheres e famílias. Negados desses prazeres simples, os forlandianos fugiam para um assentamento próximo que eles chamavam de 'Ilha da Inocência ", onde havia boates, bares e bordéis.

Como muitas vezes acontece na história, os sinais de um desastre iminente são semeados de arrogância. Ford não gostou dos palpites de especialistas e o que se seguiu foi um ir em frente com projetos e execução sem quaisquer considerações científicas e, finalmente, de negócios reais. As plantas murchavam atacadas pela ferrugem e outras doenças. Incomodado pela cultura local Ford reprimia os trabalhadores que se rebelaram, culminando em uma revolta que teve de ser sufocada com a ajuda do exército brasileiro, em 1930. O desastre resultante da falta de bom senso que foi o projeto Fordlândia é hoje uma paisagem abandonada, cheia de boas intenções, mas na prática um inútil desperdício de energia e recursos humanos, naturais e financeiros. A aventura viria a custar ao neto de Ford, Henry Ford II, um prejuízo de 20 milhões de dólares, em 1945, quando da venda ao governo brasileiro.

Construída com a intenção de que fosse durar, Fordlândia foi equipada com comodidades de uma moderna cidade americana, incluindo campo de golfe, hospital com todos os recursos disponíveis, uma grande casa de força e um hotel. Hoje é possível visitar as ruínas que ainda estão de pé, verdadeiros monumentos ao fracasso e que são esteticamente atraentes para fotógrafos contemporâneos.


Imagem aérea da Fordlândia em 1934. Foto: theoldmotor.com

Avenida Riverside, Fordlândia, perto do rio Tapajós. Foto: Greg Grandin

Mudas de seringueiras no viveiro, em 1935. Foto: theoldmotor.com

Fordlândia em 2009. Foto: Guido D'Elia Otero / Flickr

Eletrobras / Eletronuclear

Eletronuclear renova convênio com projeto de repovoamento da Baía da Ilha Grande

As sementes de vieira se desenvolvem numa fazenda marinha (como disposta na parte inferior da foto, em amarelo)

Release
A Eletronuclear renovou o contrato com o Instituto de Ecodesenvolvimento da Baía da Ilha Grande (IED-BIG). O objetivo é dar prosseguimento ao projeto POMAR, que promove o repovoamento marinho da Baía da Ilha Grande através da produção de vieiras (Coquilles Saint-Jacques – pequenos moluscos que vivem em conchas). O novo convênio, assinado na última quinta-feira (19/11) pelo valor de R$ 12 milhões, atende à uma das condicionantes do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) para o licenciamento ambiental da Usina Angra 3.

De acordo com o coordenador de Responsabilidade Socioambiental e Comunicação da Eletronuclear, Paulo Gonçalves, o projeto POMAR incentiva a economia da região e contribui para o monitoramento ambiental da Baía da Ilha Grande. “Um dos benefícios desta atividade é a capacitação de maricultores da região. Outra vantagem é a possibilidade de verificarmos a qualidade da água do mar do entorno das usinas de Angra pela instalação de uma fazenda marinha em frente à central nuclear”, destacou Gonçalves.

A parceria entre o IED-BIG e a Eletronuclear começou em 1994 com o intuito de preservar as vieiras do litoral sul fluminense, quase extintas por causa da pesca de arrastão. Hoje, o molusco é comercializado pelos maricultores de Angra para várias outras regiões do país.

Imagem de uma vieira (um pequeno molusco que vive em conchas) comercializada por maricultores de Angra

Dominique

Opinião

A aula do professor Lula

Estadão
No 30.º Congresso Nacional da Juventude do PT, o ex-presidente Lula revelou qual é seu sonho: “O ideal de um partido é que ele pudesse ganhar a Presidência da República, 27 governadores, 81 senadores e 513 deputados sem se aliar a ninguém”.

Eis aí, sem meias-palavras, aquele que diz ter sido o “mais republicano” de todos os presidentes e que reiteradas vezes declara que “ninguém fez mais pela democracia do que nós (os petistas) na história deste país”. Não se tratou de um ato falho. A esta altura, já está claro para todos, a começar pelos próprios aliados do PT no governo, que o desejo de Lula foi, é e sempre será governar sozinho, sem ter de dar satisfação a quem quer que seja, numa negação do próprio espírito da democracia.

Foi essa a aula de autoritarismo que o professor Lula ministrou para a turma jovem do PT. Mestre em descaramento, o ex-presidente admitiu que, como existem outros partidos políticos que também ganham votos, então é o caso de “aceitar o resultado e construir a governabilidade”. Assim, Lula tentou justificar a aliança com o PMDB, repudiada pelos militantes petistas no encontro.

Por “construir a governabilidade”, como comprovam os escândalos envolvendo o PT e seus aliados, entenda-se dividir o butim estatal para financiar a perpetuação no poder e, de quebra, enriquecer a tigrada. “Entre a política e o sonho, entre o meu desejo ideológico partidário e o mundo real da política, tem uma distancia enorme. 
Precisamos aceitar e fazer alianças, em nome da governabilidade”, pontificou Lula, sugerindo que o PT não teve alternativa senão juntar-se à escumalha do Congresso para governar, já que não ganhou a eleição sozinho.

O Lula que articulou esse presidencialismo de cooptação, corrupto por definição, é o mesmo Lula que exortou os jovens militantes petistas a acreditarem na política. Ele se disse preocupado com a “tentativa de setores dos meios de comunicação e da sociedade de induzir a sociedade brasileira a não gostar de política”. Para o chefão petista, a imprensa “trabalha para mostrar que a política está apodrecida”.

Mais uma vez, Lula atribui a terceiros – os tais “setores dos meios de comunicação e da sociedade” – a responsabilidade pelo colapso moral que se abateu sobre a política nacional, para a qual o mensalão, o petrolão e outros tantos escândalos contribuíram de forma decisiva. Lula quer fazer o País acreditar que a corrupção que carcome a política – resultado direto do jogo sujo lulopetista – só existe porque a imprensa a noticia e porque parte da sociedade contra ela se revolta.

Além disso, Lula também quer fazer acreditar que a desastrosa situação política e econômica do País é resultado não da incompetência da presidente Dilma Rousseff, mas de sabotagem de oposicionistas, que “perderam e não souberam perder”. Sem corar, ele exortou os correligionários a “ajudar a Dilma a sair da encalacrada em que a oposição nos colocou”.

É com lições desse tipo que Lula pretende formar uma nova geração de petistas, à sua imagem e semelhança – isto é, gente que aceita a ruína da política como um fato da vida, que se aproveita disso da melhor maneira possível para conquistar e preservar o poder e que, se flagrada dilapidando o erário por corrupção ou inépcia, culpa a imprensa que, ora vejam, insiste em investigar os malfeitos e torná-los públicos.

Os ensinamentos do mestre Lula já começam a dar frutos. No tal congresso da juventude petista, havia um cartaz em que José Dirceu, José Genoino, João Vaccari Neto, Delúbio Soares e João Paulo Cunha, todos condenados por corrupção, foram retratados como “guerreiros do povo brasileiro”, injustamente condenados graças à pressão da mídia.

“São presos políticos”, disse Maria Beatriz da Silva Sato Rosa, de 20 anos, neta de Lula, mostrando que quem sai aos seus não degenera e que os novos petistas aprenderam direitinho a principal lição do líder: fingir-se de vítima de um sistema feito para criminalizar o PT. E tudo porque, segundo a jovem herdeira de Lula, “eles têm medo de que ele volte”.

Original aqui

U.V.

Manchetes do dia

Terça-feira 24 / 11 / 2015

O Globo
"Dilma deve se opor a Macri sobre Venezuela"

Presidente eleito da Argentina defende punição para Maduro

Por ser aliado do governo de Caracas, porém, Brasil deve rejeitar a aplicação da ‘cláusula democrática’ contra aquele país por causa de torturas e perseguições a opositores venezuelanos

Mal foi proclamado o resultado das eleições na Argentina, o presidente eleito, Mauricio Macri, deverá ter um embate diplomático com o Brasil. Macri anunciou ontem que pedirá a suspensão da Venezuela do Mercosul por “abusos e perseguições”. Segundo autoridades do governo brasileiro, a presidente Dilma deverá se opor a essa punição. A duas semanas das eleições legislativas na Venezuela, a oposição a Maduro celebrou o fim do ciclo de 12 anos do kirchnerismo, relata Janaína Figueiredo. 

Folha de S.Paulo
"Macri enfoca economia e aproximação com o Brasil"

Presidente eleito da Argentina quer criar força-tarefa contra crise no país

Um dia após vitória apertada, com51,4% dos votos no segundo turno, o presidente eleito da Argentina, Mauricio Macri, anunciou mudanças no controle da economia e a intenção de estreitar a relação com o Brasil e grandes blocos internacionais, como a União Europeia.

As medidas são vistas de forma positiva pelo governo Dilma, que espera a diminuição do protecionismo e mais estabilidade no país vizinho.

Em sua primeira entrevista após a eleição, o centro-direitista afirmou que escalará integrantes de seis ministérios, como finanças, trabalho e agricultura, para compor um gabinete econômico.
Macri também confirmou a promessa de propor ao Mercosul ação contra a Venezuela em razão da prisão de políticos pelo governo Nicolás Maduro. O tema pode causar atrito com o Brasil. 

O Estado de S.Paulo
"Macri diz que pedirá suspensão da Venezuela do Mercosul"

O presidente eleito argentino, Mauricio Macri, disse ontem que pedirá ao Mercosul a suspensão da Venezuela, informa Rodrigo Cavalheiro. A solicitação será feita na cúpula do bloco, marcada para dia 21, com base na cláusula que exige que integrantes respeitem a democracia. A proposta, porém, só será feita se o chavismo não aceitar o resultado da eleição legislativa do dia 6, na qual a oposição é favorita. Com a manobra, Macri -que venceu o governista Daniel Scioli -começa a pressionar o líder venezuelano Nicolás Maduro antes mesmo de assumir o poder, no dia 10. O novo presidente argentino também se mostrou disposto a destravar negociação com a União Europeia e defendeu aproximação do Mercosul com a Parceria Transpacífica. Na política interna, Macri obteve sinal positivo do ex-kirchnerista Sergio Massa, que ficou em terceiro lugar e deve ajudar a compor sua base na Câmara. No Senado, em minoria, terá de negociar com o kirchnerismo. A presidente Dilma Rousseff cumprimentou o vencedor e pediu que ele venha ao Brasil antes da posse. Sobre a Venezuela, o governo avalia que é um parceiro importante no Mercosul.
           
 
Free counter and web stats