sábado, novembro 21, 2015

Dominique

Opinião

Tolerância com a corrupção

Estadão
Não é raro ouvir vozes críticas à Operação Lava Jato, como se ela fosse uma das responsáveis pela atual crise econômica brasileira. Até mesmo integrantes do governo culpam as investigações policiais pelo mau ambiente de negócios no Brasil dos dias de hoje. A nova investida agora, segundo reportagem do Estado, parte de centrais sindicais e empresários, que se mobilizam para evitar a “quebradeira” de construtoras envolvidas em denúncias de corrupção.

O plano seria restringir a punição penal e administrativa aos diretores das companhias, para que as empresas possam continuar operando nos mercados. Segundo o presidente da Força Sindical, Miguel Torres, o movimento de trabalhadores e empresários não é “pró-corrupção”, e sim “pró-empregos e investimentos”.

Tal movimentação está longe de ser imune a riscos. Punir apenas as pessoas físicas, livrando as empresas, não é um bom caminho para combater a corrupção. O que tem sido investigado até agora não são atos de corrupção de determinados funcionários, que contrariaram as diretrizes das empresas. Investigam-se negócios escusos, nos quais as chefias dessas empresas tiveram ativa participação e que muito engordaram os seus resultados financeiros. Nesse cenário, impõe-se punir também as pessoas jurídicas pelos crimes. É o que manda a lei.

As críticas à Lava Jato têm como pano de fundo a equivocada ideia de que é impossível punir as grandes empreiteiras sem causar uma catástrofe nacional. Caso elas sejam responsabilizadas, o País ficará paralisado, as empresas quebrarão, milhares de empregos serão extintos. Diante de tantos efeitos indesejados, a prudência aconselharia a tolerar a corrupção. Ela seria um mal menor.

Esse sombrio panorama não é real. A legislação brasileira prevê a possibilidade de se realizar acordos de leniência, nos quais as empresas admitem seus equívocos, param de delinquir, restituem o que é devido, pagam compensações e multas e, cumpridas essas necessárias condições, voltam a operar – também com o poder público e as estatais.

Esse caminho, no entanto, está sendo evitado. Parece que algumas empresas nutrem a expectativa de encontrar um atalho menos custoso, como se ainda pudessem operar impunemente à margem da lei. Ignoram a Lei Anticorrupção, que prevê a punição para pessoas jurídicas. E continuam apostando numa solução que não implique vultosas indenizações e, especialmente, não exija uma mudança do comportamento que até o momento lhes foi tão benéfico.

No empenho por não alterar os costumes da impunidade, as empreiteiras têm contado com valiosa ajuda do Palácio do Planalto. Sem qualquer receio de alimentar essa enviesada esperança, o governo assume o discurso das empreiteiras e diz que é preciso muito cuidado na investigação e punição dos atos de corrupção, para não levar à quebradeira de empresas que geram empregos e fazem tanto bem ao País.

Esse discurso pode dar a entender que o governo, mais do que combater a corrupção, desejaria manter a impunidade. Afinal, os malfeitos das empreiteiras são também malfeitos do poder público e das estatais. Os negócios escusos envolvem os dois lados, e não apenas a parte privada. Talvez seja essa a razão para que o governo feche os olhos à realidade de que é possível punir as grandes empreiteiras e o Brasil seguir em frente, sem qualquer drama adicional. Há muitas médias e pequenas empresas no País com capacidade técnica e operacional para levar adiante as obras de infraestrutura. São elas – as médias e pequenas empresas – que já realizam boa parte das obras, como subcontratadas das grandes empreiteiras.

Para o País sair da crise, não é preciso tolerar a corrupção. Basta cumprir a lei. Caso uma ou outra grande empreiteira não consiga sobreviver num ambiente sem corrupção, há muitas outras empresas que podem ocupar com competência esse espaço.

Original aqui

U.V.

Manchetes do dia

Sábado 21 / 11 / 2015

O Globo
"Terror leva Europa a rever acordo de fronteiras"

Ataque no Mali mata 27 e indica expansão de jihadistas na África

Controle de passaportes será rígido. Ministro francês admite que UE já perdeu muito tempo na guerra contra o terrorismo

Movida pelos atentados que mataram 130 pessoas em Paris, a União Europeia vai rever ainda este ano um de seus princípios fundamentais - o da livre circulação de pessoas pelos 26 países que compõem o Tratado de Schengen. (...) Jihadistas tomaram um hotel na capital do Mali e mataram 27 pessoas, evidenciando a presença cada vez mais ampla do terror em países africanos. 

Folha de S.Paulo
"Emprego formal cai em ritmo recorde"

Outubro registra pior resultado desde 1992; no ano, país perde 819 mil vagas

Em outubro, mês em que o mercado de trabalho normalmente está aquecido, o Brasil teve o pior resultado para o emprego desde1992. De acordo com dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) divulgados nesta sexta-feira pelo Ministério do Trabalho, o ritmo de fechamento de vagas no mês já é o maior da série histórica. Foram eliminados 169.131 empregos com carteira assinada, uma alta de 458,5% ante o resultado do mesmo período do ano passado. No período de janeiro a outubro deste ano, o país acumula perda de 818,9 mil postos de trabalho formais. Construção civil e indústria de transformação seguem como os dois setores em que há maior corte. A taxa de desemprego registrada no mês passado foi de 7, 9% nas seis principais regiões metropolitanas do país, maior nível para outubro desde 2007 (8,7%), segundo dados do IBGE. Já a renda média do trabalhador caiu 7% em relação a outubro de 2014.

O Estado de S.Paulo
"Oposição recorre à Justiça para afastar Cunha do cargo"

PPS e Rede entram com ação no STF contra presidente da Câmara; Conselho de Ética também estuda medida

Partidos de oposição preparam ofensiva judicial para afastar Eduardo Cunha (PMDB-RJ) da presidência da Câmara. O PPS anunciou que vai encaminhar na terça-feira ao STF mandado de segurança sob o argumento de que o peemedebista usa prerrogativas do cargo para postergar o andamento de processo no Conselho de Ética. A deputada Eliziane Gama (Rede-MA) vai protocolar representação na Procuradoria-Geral da República como mesmo objetivo. O movimento ganhou força após manobras de aliados de Cunha anteontem na Câmara para evitar a leitura de um relatório no conselho. A ação do PPS pode ganhar apoio de PSDB e DEM. No Conselho de Ética, colegiado onde Cunha é alvo de ação por quebra de decoro parlamentar, a medida também está sendo estudada pelo presidente José Carlos Araújo (PSD-BA). A OAB anunciou que vai exigir do colegiado celeridade no julgamento.
           

sexta-feira, novembro 20, 2015

Futuro do pretérito!


Coluna do Celsinho

Povo

Celso de Almeida Jr.

É noite.

Sem tv, internet, rádio, celular.

No silêncio, escrevo.

Não ouço vozes.

Penso no povo adormecido.

Ricos, pobres, patrões, empregados.

Interesses tão distintos unidos por uma mesma causa?

Qual causa?

Sabe o povo que é bem comum?

Sabe o povo o que é República?

Sabe o povo que é ética?

Afinal, quem é o povo?

Silêncio...

Silêncio?

Não!

Ouço ruídos, sons distantes.

Estou delirando?

Gritos.

Não consigo compreender.

O povo acordou?

Som aumentando. 

O povo reagiu?

Fogos de artifício.

Buzinas.

Cantoria.

Será possível?

Agora, compreendo.

Doce ilusão.

Corinthians campeão...

Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com

Imperial Airways Handley Page H.P.42 em Malakal, Sudão


Pitacos do Zé

Resistência em nosso chão

José Ronaldo Santos
O Alcides Inocêncio, o “Arcide Bambá”, descendente de negros da Ilha do Mar Virado, terminou seus dias na Praia do Perequê-mirim, em Ubatuba. Em qualquer momento que a gente se encontrava ele cumprimentava: “Olá, primo! Tudo bem?”. Os laços vinham de longe, da Tia Gaidinha, a segunda esposa do Nhonhô Armiro.

Sempre nos demos muito bem. O “Bambá” adorava contar histórias da ilha onde nasceu, das prosas e dos causos escutados nas rodas de conversas, sobretudo a respeito dos ancestrais negros. Foi dele que, pela primeira vez, ouvi a referência ao “cucochila fuá” (será que não era fué? nem sei se é assim mesmo que se escreve), um recurso para avisar que alguém tinha morrido no porão do navio tumbeiro, na travessia da África para o Brasil. “E era muito recorrente isso!”.

- Mas que palavra é essa? Quem lhe ensinou? O que quer dizer?

- Era dizer da mamãe e de mais gente que era a nossa parentalha. Diziam que era palavra da língua da terra deles, de Angola, na África. Pelo que contavam, o porão do navio ficava entulhado de gente que era trazida para ser escravo nas fazendas dos portugueses. Era muito sofrimento!  Só poucas horas por dia a claridade entrava naquele lugar. E sempre morria alguém naquele amontoado de coitados. E o que faziam então? Começavam a cabecear na madeira da embarcação, no calado. Ouvindo o barulho, sentindo a trepidação, os vigias abriam o alçapão, retiravam o defunto, entregando-o às águas do mar, onde “Calunga” era quem dominava. O rumor causado pelas cabeçadas, a manifestação, era “cucochila fuá”. Mamãe, de vez em quando, quando tinha a impressão de alguma coisa batendo perto de casa ou mesmo na parede, exclamava: “É cucochila fuá! É morte chegando! Todos nós vamos passar por ela!”.

Nesta ocasião, celebrando o tema da Consciência Negra, vamos refletir, dar muitos passos para refazer nossos conceitos e rever nossas ações para um mundo mais justo e fraterno. No dia 20 de novembro de 1694, quando Zumbi foi morto, algo ficou e se tornou motivação para que os negros lutassem por inclusão social. Nessas raízes modificadas, misturadas e recriadas está a matriz do samba, da capoeira, da cocada, do vatapá, do candomblé, do samba de roda e de tantas outras maravilhas que compõem o Brasil, que se compõem nos brasileiros.

Aos descendentes do Alcides, do Eugênio e de tantos outros caiçaras que se originaram no Mar Virado só desejo que sintam muito orgulho das barreiras que venceram desde que deixaram a Mãe África. A consciência caiçara deve muito aos sobreviventes da Rota dos Orixás.

Dominique

Opinião

Pasadena não passará

Gabeira
Passa, passa, Pasadena. Não passou. A refinaria no Texas que deu prejuízo de US$ 700 milhões reaparece agora com novo nome: Ruivinha.

Ninguém faria um negócio desses, tão prejudicial ao lado brasileiro, se não gastasse alguns milhões de dólares com propina. Agora, está comprovado que houve corrupção. 

Há até uma lista preliminar de quem e quanto recebeu para aprovar a compra de uma refinaria enferrujada, docemente tratada pelos próprios compradores como a Ruivinha.

A Operação Lava Jato tem elementos para pedir a anulação da compra e o dinheiro de volta. Acontece que Pasadena está no Texas. Foi uma transação realizada na esfera da legislação americana. Necessariamente, a Justiça dos EUA terá de analisar todos os dados enviados pelas autoridades brasileiras e, eventualmente, pedir outros.

Existe uma questão cultural e política no caminho. Os americanos não conseguirão ver a compra de Pasadena só como uma conspiração criminosa de quadros intermediários da empresa que comprou. A tendência natural será verticalizar a investigação. Quem eram os responsáveis pela Petrobrás, como deixaram que isso acontecesse?

Não só nos EUA, como em outros países, os dirigentes máximos são responsáveis, mesmo quando alegam que não sabiam de nada. Numa empresa privada, se uma direção fizesse um negócio tão desastroso, renunciaria imediatamente e responderia aos processos legais fora do cargo. O caso de Pasadena, se internacionalizado, como na verdade tem de ser, vai pôr em choque a tolerância brasileira com os dirigentes que alegam não saber de nada.

A própria Petrobrás deveria pedir a anulação da compra de Pasadena. No entanto, isso é feito pela Lava Jato. A empresa assim mesmo, parcialmente, só reconhece que Pasadena foi um mau negócio. Ainda não caiu a ficha de que foi uma ação criminosa, que envolve também os vendedores belgas. Por isso é bom internacionalizar Pasadena. 

A Justiça americana poderá cuidar do vendedor belga, mais fora de alcance da brasileira.

Uma pena a Petrobras ainda não ter percebido seu papel. É uma questão político-cultural. A própria Dilma diz que não sabia de nada porque teria sido enganada por um relatório. Esse impulso de jogar para baixo toda a culpa já aparecia no mensalão, quando Lula se disse traído.

Duas grandes empresas brasileiras vivem um inferno astral. Petrobrás e Vale: o maior escândalo de corrupção no País, o maior desastre ambiental de uma associada.

No caso do mar de lama lançado no Rio Doce, com mortes e destruição pelo caminho, os dados técnicos e científicos ainda não foram divulgados. Mas já se sabe que os mecanismos de contenção, filtragem e escoamento nas barragens mineiras já não são usados em alguns países do mundo. Há métodos mais modernos, possivelmente mais caros. 

Isso questiona toda uma política de investimento, no meu entender, de forma semelhante ao que ocorre no setor público.

O Brasil ainda não universalizou o saneamento básico porque são obras que não aparecem, não rendem votos.

Nas empresas privadas, como na Vale e na própria Samarco, existem políticas ambientais, mas também uma preocupação com a margem de lucro. A sustentabilidade nem sempre responde rápido ao quesito lucro.

Muitas pessoas veem o princípio de precaução – um dos temas que a ecologia política levantou – como um exagero de ambientalistas apocalípticos. Em termos econômicos, a precaução revela a sua importância no longo prazo: quanto custa um desastre ambiental? Quanta custa a renovação dos equipamentos?

Uma semana nas margens do Rio Doce, pontuada por um atentado terrorista em Paris, me entristece. No entanto, fica cada vez mais claro que é o mundo que temos e é preciso encará-lo. Não há como escapar.

As coisas só pioram na economia e o País se limita a contemplar o próprio declínio. Não há uma resposta política. O Congresso é um pântano. Só haverá um pouco de esperança no ar se discutirmos um caminho para depois desse desastre. O PT propõe apenas entrar no cheque especial e continuar entupindo o País com carros e eletrodomésticos.

Além dos passos políticos e econômicos, será preciso considerar algo que ainda não foi acrescentado à corrente descrição da crise. Não é só econômica, política e ética. Vivemos também numa crise ambiental. No cotidiano, documento problemas agudos de falta d’água, cachoeiras reduzidas a fios, rios secando e, agora, o Doce levando este golpe lamacento. Há uma seca prolongada em grandes regiões do País, queimadas aparecem em vários lugares, algumas em áreas teoricamente protegidas.

Políticos convencionais tendem a subestimar a importância que as pessoas dão hoje à crise ambiental. Não é preciso percorrer os lugares atingidos pela lama. As cidades ameaçadas por barragens vivem em tensão.

A oposição, homens e mulheres que foram eleitos e ganham para isso, deveriam estar propondo alguma coisa para superar essa crise, que tem muitas cabeças. Se eles não têm ideia do que propor, pelo menos poderiam sair perguntando, sentir os anseios de renovação e deduzir algo deles.

Muito se falou de pauta-bomba nesse Congresso. Essa etapa está quase passando. Eles inauguraram a pauta-míssil: repatriar dinheiro suspeito e uma patética lei sobre a imprensa.

Neste momento da História do País, apesar de morto politicamente, o governo, que tem seus tentáculos na Justiça, agora pode brandir uma espada sobre a cabeça dos jornalistas. Começam dizendo que você não viu o que está acontecendo porque sofre de miopia ideológica. Em seguida, tomam precauções para que os juízes de linha justa os liberem: agora, preparam o caminho para punir quem divulga a verdade que os ofende.

É o tipo de lei que, mantida com esse texto, acaba sendo um convite a desobedecer. Lembro-me de que escrevi uma apresentação da edição brasileira do Desobedeça, de Henry David Thoreau. Voltarei ao livro em busca de inspiração.

Original aqui

Manchetes do dia

Sexta-feira 20 / 11 / 2015

O Globo
"Cunha manobra com ajuda do PT e atrasa processo"

Planalto apoiou articulação, que revoltou deputados

Tropa de choque usa arsenal de artimanhas para evitar leitura de parecer no Conselho de Ética

Investigado na Lava-Jato e acusado de quebra de decoro no Conselho de Ética, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB), com sua tropa de choque e a ajuda do PT, usou ontem uma série de manobras para adiar decisão do colegiado e atrasar o processo. Com isso, o Conselho de Ética não conseguiu ler o relatório do deputado Fausto Pinato (PRB) pela abertura da investigação. Mas o jogo foi tão pesado que acabou enfraquecendo Cunha, pois as ações de seus aliados foram recebidas como uma afronta à independência do Conselho e provocaram reações indignadas, com gritos e uma rebelião de pelo menos cem deputado, que se retiraram do plenário depois de acusarem Cunha de utilizar o cargo em benefício próprio. Um dos apelos partiu da deputada Mara Gabrilli (PSDB-SP). Em cadeira de rodas, a deputada silenciou o plenário ao dizer que Cunha está perdendo a legitimidade. O presidente da Câmara negou as manobras.  

Folha de S.Paulo
"Cunha manobra e adia processo, mas vira alvo de ataques"

Oposição ao presidente da Câmara esvazia o plenário em protesto e se articula para obstruir as votações

Com a ajuda de aliados e de manobras regimentais, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, atrasou a tramitação de seu processo de cassação. Paralelamente, o peemedebista tornou-se alvo de deputados de vários partidos, que ampliaram a pressão pela sua saída. Nesta quinta (19), o Conselho de Ética da Câmara se reuniria para apresentar parecer do relator, favorável a investigar Cunha, acusado de participação no petrolão. Não conseguiu. Primeiro, aliados do deputado recorreram a manobra protelatória para atrasar a reunião. Depois, Cunha abriu a “ordem do dia”, o que impede a sessão do Conselho. Opositores reagiram e deixaram o plenário —eles se articulam para obstruir votações. Cunha afirmou que as pressões não o constrangem. 

O Estado de S.Paulo
"Cunha age e evita sessão do Conselho de Ética"

Aliados manobram para impedir reunião que daria continuidade a processo de cassação; deputado nega

Uma série de manobras da tropa de choque do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), adiou para a próxima semana leitura do relatório preliminar pelo prosseguimento do processo de cassação do peemedebista no Conselho de Ética da Casa. Cunha é acusado de mentir à CPI da Petrobrás, em março, ao afirmar que não tem contas no exterior. O relator Fausto Pinato (PRB-SP) já adiantou que pedirá a abertura de processo contra ele por quebra de decoro parlamentar. Adversários acusam o presidente da Câmara de usar o cargo para protelar a sessão. Numa das manobras ontem, o deputado Felipe Bornier (PSD-RO) assumiu a presidência no lugar de Cunha e anulou a sessão do conselho em resposta a uma questão de ordem de André Moura (PSC-SE). Ambos são aliados do peemedebista. Após bate-boca e protestos, num plenário esvaziado, Cunha voltou atrás e suspendeu a decisão de Bornier.
           

quinta-feira, novembro 19, 2015

Dominique

Opinião

O PMDB como ele é

Estadão
Nada é mais tristemente representativo da realidade política brasileira do que esse poderoso partido-ônibus – porque nele cabem todos – chamado PMDB. Sua liderança mais expressiva – Michel Temer, não por acaso vice-presidente da República – é a figura emblemática desse fenômeno político-partidário que sintetiza a lógica segundo a qual o que justifica a existência de um partido político é a luta pelo poder. No caso peculiar do PMDB, contudo, é preciso esclarecer: qualquer poder. Não há outra explicação, por exemplo, para a legenda comandada por Michel Temer ser há anos a principal aliada de um governo fortemente estatizante – no qual ocupa hoje nada menos do que sete ministérios – e simultaneamente defender um programa de governo, a “ponte para o futuro” proposta pela Fundação Ulysses Guimarães, que, entre outras coisas, contém propostas para reduzir o papel do Estado.

Essa é uma contradição admissível no caso de coalizões de emergência destinadas a superar crises graves que colocam em risco a estabilidade institucional. Poderia até ser o caso no Brasil. Mas não é – pelo menos por enquanto – seja porque as instituições fundamentais de nosso sistema democrático se têm demonstrado suficientemente sólidas, seja porque as principais lideranças políticas, especialmente as que estão no poder, revelam-se incapazes de compartilhar de fato esse poder para tirar o País do impasse político e do atoleiro econômico. Ninguém demonstra desprendimento ou disposição de colocar em risco seus ativos políticos em favor do bem comum.

E foi exatamente isso que fez o PMDB no curioso encontro que promoveu na terça-feira em Brasília, no qual foi tudo montado para mostrar que o partido é exatamente aquilo que cada uma de suas muitas facções quer que ele seja. Na fala principal, Michel Temer exercitou a retórica da conciliação do inconciliável, colocando-se suficientemente distante de Dilma Rousseff para manter animados os defensores do rompimento com o governo petista, mas também minimamente fiel à aliança com o Planalto para tranquilizar os muitos correligionários que desfrutam das benesses do poder.

Temer recorreu a uma sucessão de clichês: “Nós estamos juntos procurando soluções para o País. Não é de hoje que temos falado em reunificar o pensamento nacional e pacificar a Nação. Não é da índole do brasileiro a disseminação do ódio”. E ainda se permitiu um rasgo de modéstia – “por enquanto não, obrigado” – quando grupos entoaram o coro “Brasil/Pra frente/Temer presidente”. E estendeu-se na explicação: “Vamos esperar 2018. Vamos lançar um grande nome do PMDB. Estou encerrando minha vida pública”. Acredite quem quiser, até porque ele já contratou um advogado especialista em legislação eleitoral para tentar desvincular sua candidatura a vice em 2014 da candidatura de Dilma Rousseff, de modo a impedir que eventual cassação do mandato da presidente pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) atinja também seu mandato de vice-presidente, impedindo-o de assumir a chefia do governo.

Em resumo, o “congresso” peemedebista, que chegou a ser visto como primeiro passo para a formalização do rompimento com Dilma, resumiu-se a uma encenação da qual o PMDB saiu exatamente como entrou: confortavelmente instalado no governo e à espera da melhor oportunidade para assumir o papel político a que se considera destinado diante da falência do projeto de poder do PT. Essa oportunidade parece estar reservada para o meio do próximo semestre, quando os previsíveis agravamentos da crise econômica e do enfraquecimento político de Dilma e do PT coincidirão com a Convenção Nacional do PMDB, agendada para o mês de março.

Até lá – certamente Temer torce também para isso – o partido pode ter-se livrado do constrangimento de ostentar como uma de suas principais lideranças o mendaz presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, alvo de hostilidades na reunião de Brasília. E, acima de tudo, o País estará a apenas sete meses das eleições municipais, estratégicas para o fortalecimento da hegemonia política de um partido que fará o possível para poupar seus candidatos de qualquer tipo de associação com tudo o que o PT representa.

Original aqui

U.V.

Manchetes do dia

Quinta-feira 19 / 11 / 2015

O Globo
"Coalizão ataca poços de petróleo do Estado Islâmico"

França investiga se matou mentor de massacre

Operação com cem agentes em subúrbio de Paris deixou dois mortos e oito presos

EUA e Rússia intensificaram ataques a campos de petróleo, refinarias e caminhões tanque do Estado Islâmico na Síria e no Iraque para cortar as principais fontes de financiamento do grupo terrorista. Em Paris, a polícia desarticulou uma célula terrorista que se preparava para novo ataque na capital francesa. Uma mulher-bomba e um extremista morreram, e oito pessoas foram presas. Um exame de DNA indicará se Abdelhamid Abaaoud, mentor do massacre de sexta- feira passada, é o homem morto.  

Folha de S.Paulo
"França diz que operação policial evitou novo ataque"

Mentor de atentados em Paris pode ser um dos mortos na ação

Em uma megaoperação que resultou em ao menos duas mortes e oito prisões, autoridades francesas afirmam ter desmantelado um grupo terrorista que planejava novos ataques, relatamos enviados Leandro Colon e Vinicius Torres Freire. A ação ocorreu no centro de Saint-Denis, cidade ao norte de Paris, e a menos de dois quilômetros do Stade de France, um dos locais dos atentados da sexta (13). A sequência de explosões e cerca de 5.000 tiros levaram um clima de pânico à região, que enfrenta pobreza e tem concentração significativa de migrantes. Um dos alvos era o belga Abdelhamid Abaoud, 27, suposto mentor dos ataques que mataram 129 pessoas. O jornal “Washington Post” chegou a noticiar que ele morreu na ação. Investigadores, porém, esperam a identificação dos corpos. Apesar da tensão dos últimos dias, o presidente François Hollande fez apelo para que a população não “ceda ao medo”. Ele propôs ao Parlamento que estenda por três meses o estado de emergência no país.

O Estado de S.Paulo
"Ação da polícia francesa pode ter matado líder de atentados"

Operação teve pelo menos duas mortes; autoridades esperam comprovação por DNA; belga continua em fuga

O mentor dos ataques que mataram 129 pessoas em Paris pode ter morrido numa operação policial ontem no subúrbio de Seine-Saint-Denis, informa Andrei Netto. Após intenso tiroteio, com metralhadoras e granadas, policiais chegaram a uma quarta célula terrorista que estaria pronta para mais atentados. Duas ou três pessoas - incluindo uma mulher-bomba - morreram e oito foram presas. Segundo o jornal The Washington Post, o "cérebro" do massacre de sexta-feira, Abdelhamid Abaaoud, estaria entre os mortos. Polícia e governo francês esperavam, à noite, a confirmação da identidade por exame de DNA. Salah Abdeslam, outro terrorista belga, continua desaparecido. Um celular jogado no lixo perto do Bataclan ajudou nas investigações. Mensagem enviada instantes antes dos ataques em Paris dizia: "Vamos lá. Vai começar".
           

quarta-feira, novembro 18, 2015

Dominique

Opinião

Um país sem heróis

Estadão
O despudor de Eduardo Cunha só é comparável à maneira abusiva com que usa o poder que a Presidência da Câmara dos Deputados lhe confere, na tentativa de livrar-se das sólidas acusações de que é alvo, especialmente a de falta de decoro parlamentar por ter mentido perante a CPI da Petrobrás, quando negou a evidência de que mantém contas bancárias no exterior. Diante do anúncio feito na segunda-feira pelo relator do processo a que responde perante o Conselho de Ética da Câmara, de que já tinha dado parecer favorável ao prosseguimento da ação, Cunha deixou a cargo de seus advogados sustentar o insustentável argumento de que a atitude do relator “representa o cerceamento do direito de defesa”. O argumento – como quase tudo nesse caso – insulta a inteligência de qualquer pessoa que se informe sobre o caso. Baseia-se exclusivamente na suposição marota de que, na falta de outro recurso, o ataque é a melhor defesa. Não é por outra razão que Cunha preferiu transferir para seus advogados o encargo desse papel ridículo.

O relatório preliminar do deputado Fausto Pinato (PRB-SP) limita-se a considerar “apta” a denúncia contra Cunha e a admitir, portanto, o prosseguimento do processo no Conselho de Ética. O relator tomou a precaução de não adiantar nenhum juízo de valor sobre o objeto da investigação. Diante disso, o presidente do Conselho, deputado José Carlos Araújo (PSD-BA), contestou a alegação dos advogados de Cunha explicando que na manifestação preliminar do relator “não tem acusação, então não cabe defesa”. E se não cabe defesa, como esta pode ter sido cerceada?

Esperava-se que Pinato apresentasse seu relatório preliminar apenas amanhã, quinta-feira. A antecipação para segunda-feira – decidida pelo relator em comum acordo com o presidente do Conselho – teve o objetivo de compensar a dilatação dos prazos de tramitação do processo, recurso que os aliados de Cunha já anunciaram que utilizarão fartamente. Tudo considerado, a expectativa é de que, sendo finalmente recomendada pelo Conselho de Ética, a cassação do mandato de Cunha será submetida a voto aberto no plenário da Câmara, na melhor das hipóteses, em abril do próximo ano.

Nos círculos políticos de Brasília é praticamente unânime a convicção de que dificilmente Eduardo Cunha ficará impune neste caso – está envolvido ainda em outras investigações de corrupção –, dada a fragilidade dos argumentos com que pretende contestar a evidência de que mantém contas no exterior. Mesmo que possa alegar que não é o “titular” dos trustes administrados por agências de investimento, ele e sua família são inegavelmente – nem ele próprio o nega – os beneficiários das contas. Assim, considerando a tendência extremamente desfavorável aos políticos que reina no País neste momento de profunda crise, é de imaginar que os parlamentares, seja no âmbito do Conselho de Ética, seja posteriormente no plenário da Câmara, não se exporão ao desgaste de absolver Eduardo Cunha, até porque 2016 é ano eleitoral – e a opinião pública já formou juízo sobre as bandalheiras que envolveram esse caso.

A alternativa que se aponta naqueles círculos é uma negociação in extremis, por meio da qual Eduardo Cunha barganhe a manutenção de seu mandato parlamentar pela renúncia à Presidência da Câmara. Foi o que Renan Calheiros fez quando presidia o Senado em 2007 e foi pilhado num escândalo de corrupção. Isso não o impediu de retornar ao comando do Senado. Para variar, Renan também está sendo investigado no caso do petrolão.

Enquanto isso, Eduardo Cunha se defende como pode, garantindo o apoio encabulado da bancada petista e de outros aliados do governo com a manipulação da pauta de votação das matérias de interesse do Planalto e, principalmente, dos pedidos de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Na mesma segunda-feira em que se irritou com a atitude do relator de seu processo no Conselho de Ética, Cunha anunciou ter indeferido mais quatro pedidos de impeachment por falta de pré-requisitos técnicos e jurídicos. Mas ainda tem um bom estoque dessas poderosas armas para neutralizar qualquer gesto de hostilidade do Planalto.

Há quem tenha pena de um país que precisa de heróis. O que se dirá de um país cujos próceres protagonizam aviltantes inquéritos policiais e processos criminais?

Original aqui

U.V.

Manchetes do dia

Quarta-feira 18 / 11 / 2015

O Globo
"Acordo militar une Rússia e França"


Países fazem ataques aéreos coordenados na Síria

Polícias da Europa agora procuram dois foragidos do massacre em Paris; Alemanha detém sete suspeitos; e Bélgica eleva alerta

As Forças Armadas de França e Rússia lançaram ontem os primeiros ataques aéreos coordenados entre os dois países contra posições do Estado Islâmico em Raqqa, Idlib e Aleppo, na Síria. Em Londres, o premier David Cameron anunciou que consultará o Parlamento sobre a possibilidade de se juntar à ofensiva no país. Na França, sob estado de emergência, mais 16 pessoas foram detidas em batidas policiais.  

Folha de S.Paulo
"França e Rússia se unem contra o Estado Islâmico"

Presidentes dos dois países selam acordo para ações conjuntas na Síria que enfraqueçam terroristas

Os ataques terroristas que mataram 129 pessoas em Paris, na sexta (13), e a queda de um avião russo no Egito, há 19 dias, que deixou 224 mortos, uniram França e Rússia no combate ao Estado Islâmico (EI) na Síria. Os presidentes François Hollande e Vladimir Putin selaram acordo para os países realizarem ações conjuntas contra a facção, informa o enviado Leandro Colon. Moscou afirmou que uma bomba derrubou a aeronave russa e considerou o acontecimento um ato terrorista. Ontem, enquanto a França voltou a fazer bombardeios em Raqqa, apontada como a “capital” do EI na Síria, a Rússia disse que seus mísseis atingiram 14 posições militares do inimigo.    

O Estado de S.Paulo
"Alemanha detecta novo ataque e cancela jogo de futebol"


Polícia encontrou 'dispositivo para explodir dentro de estádio' em hannover; investigadores franceses procuram um segundo foragido de ataques em Paris

Quatro dias após os atentados em Paris, um amistoso entre Alemanha e Holanda foi cancelado em Hannover, no oeste alemão, depois que policiais descobriram que "havia um dispositivo destinado a explodir dentro do estádio". Segundo o porta-voz da polícia de Hannover, Volker Kluwe, toda a cidade estava sob ameaça. A IDH Arena foi esvaziada a pouco mais de uma hora do início do jogo. A chanceler alemã, Angela Merkel, assistiria à partida. Uma arena de shows também foi evacuada. O clima de pânico fez vários países reforçar o policiamento. Em Londres, o jogo Inglaterra x França ocorreu sob forte segurança. Por meio de vídeo gravado por uma testemunha, a polícia francesa descobriu um segundo participante dos ataques foragido, relata Andrei Netto. 
           

terça-feira, novembro 17, 2015

Dominique

Opinião

Nosso Guia está fritando a doutora Dilma

Elio Gaspari
A fritura de Joaquim Levy mudou de qualidade. Habitualmente, presidentes fritam ministros, mas, no caso do doutor, um ex-presidente (Lula) está fritando ao mesmo tempo o ministro da Fazenda e a inquilina do Planalto (Dilma Rousseff).

Quando circula a informação de que Nosso Guia sondou Henrique Meirelles para o cargo e que ele pediu carta branca para assumir o cargo, a coisa muda inteiramente de figura. Quem está sendo frita é a doutora Dilma. Neste caso surge uma novidade: seu impeachment pelo PT.

Isso tudo poderia ser fabulação, mas o ex-presidente do Banco Central soprou o fogo ao dizer que não recebeu um convite "concreto". O que vem a ser um convite abstrato, só ele pode explicar.

Certo mesmo é que Levy ainda não chamou o caminhão da mudança, como fez Mário Henrique Simonsen em 1979, porque não quer ser responsável pelo pandemônio que provocaria.

Com Lula convidando ministros e o seu preferido admitindo cripticamente que há algo no ar além aviões de carreira, os escrúpulos de Levy tornam-se despiciendos. O pandemônio já está criado.

Lula e sua teoria do retrocesso político

Lula disse na Colômbia que sente "um cheiro de retrocesso político na América Latina e na América do Sul" e pediu à plateia que não acreditasse "nas bobagens da imprensa". Nosso Guia tinha ao seu lado o ex-presidente do Uruguai, José Mujica.

Falta explicar o que Lula considera "bobagens da imprensa".

Certamente não são as notícias sobre a honorabilidade de Pepe Mujica, um ex-guerrilheiro que presidiu seu país de 2010 até março passado e elegeu seu sucessor. Ele não teve mensalón, nem petrolón. Continuou morando na mesma casa, com o mesmo carro e a mesma cachorra Manuela. Ao assumir, anunciou que doaria 70% de seu salário para a construção de casas para os pobres. Segundo a Transparência Internacional, o Uruguai, junto com o Chile, têm os menores índices de corrupção da América Latina.

Talvez Lula esteja falando das "bobagens da imprensa" em relação à Argentina, que vai eleger seu novo presidente no dia 22. Lá, 14 anos de domínio do casal Nestor e Cristina Kirchner levaram a economia para o buraco e a família da presidente para a fortuna. O país tornou-se conhecido pelos escândalos envolvendo as relações do governo e seus amigos com empreiteiros, petrogatunos e exportadores.

Uma banda da esquerda latino-americana acumula duas marcas sinistras. Tem a mais longeva das ditaduras em Cuba e os dois países mais corruptos do continente: a Venezuela narcobolivariana, seguida pela Nicarágua sandinista da família Ortega. A Bolívia, Equador e Argentina têm índices de corrupção piores que o Brasil.

O que há por aí não é um cheiro de retrocesso político, mas a verificação de que existem países assolados pela corrupção e têm governos que se dizem de esquerda. O Chile e o Uruguai estão na outra ponta.

Bolivarianos, sandinistas e petistas chegaram ao poder com a bandeira da moralidade. O que há no ar não é um cheiro de retrocesso político, mas de repúdio aos pixulecos.

Roubalheira não tem ideologia. O general Augusto Pinochet tinha o apoio de grande parte da população chilena enquanto torturava e matava opositores. Quando se descobriu que ele e sua família tinham US$ 15 milhões em 125 contas secretas, a direita chilena jogou sua memória no mar.

Quando o filho da presidente chilena Michelle Bachelet foi apanhado em traficâncias, ela demitiu-o e disse que enfrentava "momentos difíceis e dolorosos como mãe e presidente". Não culpou a elite nem viu conspiração, muito menos "retrocesso político". Viu apenas realidade: Seu filho metera-se numa roubalheira.

Original aqui

U.V.

Manchetes do dia

Terça-feira 17 / 11 / 2015

O Globo
"Hollande quer mais poder na guerra contra o terror"


Francês se reunirá com Putin e Obama, que descarta tropas terrestres

França envia porta-aviões nuclear Charles de Gaulle ao Mediterrâneo para triplicar sua capacidade ofensiva contra o Estado Islâmico na Síria; polícia francesa faz 168 operações e prende 23 suspeitos

Em resposta ao massacre de 129 pessoas por jihadistas em Paris, na sexta-feira, o presidente François Hollande propôs a uma chocada França a reforma da Constituição para dar mais poderes ao Executivo, conta DEBORAH BERLINCK. No terceiro discurso de um chefe de Estado em sessão conjunta do Parlamento desde 1848, ele disse que o país enfrenta “um novo tipo de guerra” e precisa de outros instrumentos para combater os extremistas. Hollande afirmou que vai se reunir com os presidentes Obama, dos EUA, e Putin, da Rússia, na busca da união contra o terrorismo. Na Turquia para a reunião do G-20, Obama voltou a descartar o uso de forças terrestres contra o EI. Na frente militar, a França enviou um porta-aviões nuclear ao Mediterrâneo para reforçar o ataque ao terror na Síria. Ontem, a polícia francesa prendeu 23 suspeitos.  

Folha de S.Paulo
"França amplia caça a terroristas pelas ruas"

Hollande quer coalizão única para conter Estado Islâmico

A ofensiva policial nas ruas da França e da Bélgica foi intensificada para identificar os responsáveis pelos atentados em Paris, que provocaram 129 mortes na sexta- feira (13). Apenas na França, foram pelo menos 168 ações policiais de busca, detenção e apreensão. Os investigadores, informa o enviado Leandro Colon, acreditam que o mentor dos ataques foi o belga Abdelhamid Abaaoud, 27, que está foragido. Em Bruxelas, as ruas de Molenbeek, bairro que concentra uma grande comunidade islâmica, foram bloqueadas, com relatos de bombas e tiros. Em discurso no Parlamento francês, o presidente François Hollande afirmou que o país está em guerra. Ele defendeu um endurecimento dos bombardeios contra posições do Estado Islâmico na Síria e mudanças na Constituição — incluindo a destituição da nacionalidade francesa de condenados por terrorismo. Em tom bélico, Hollande pediu que os parlamentares prolonguem o estado de emergência por três meses. O presidente também propôs uma coalizão “única” de forças aliadas para atuar contra o Estado Islâmico nos terrenos ocupados no Iraque e na Síria.    

O Estado de S.Paulo
"França aponta mentor de ataques e Hollande diz que país está em guerra"


'Cérebro' dos atentados seria jovem belga, refugiado na Síria. Cinco terroristas identificados foram treinados pelo Estado Islâmico. Presidente francês pede coalizão para aniquilar grupo. Escolas, museus e prédios públicos reabrem. EI ameaça fazer novo ataque

As polícias belga e francesa identificaram ontem o suposto mentor e financiador dos atentados de sexta-feira em Paris que, mataram 129 pessoas e feriram 350. É Abdelhamid Abaaoud, de 28 anos, nascido em Bruxelas e de origem marroquina, que atualmente estaria vivendo na Síria. Como ele, os outros quatro terroristas já identificados foram treinados em áreas ocupadas pelo Estado Islâmico. Em sessão no Parlamento, o presidente François Hollande declarou que a França está em guerra, reiterou sua determinação de aniquilar o grupo radical e apelou por uma coalizão incluindo Estados Unidos e Rússia para erradicá-lo. Também propôs a ampliação para três meses do estado de emergência que ele decretou na sexta-feira. 
           

segunda-feira, novembro 16, 2015

Dominique

Opinião

Cheiro de queimado

Estadão
Ao som do tango Volver, que Gardel canta cada vez melhor, o ex-presidente Lula foi a estrela da abertura da 7.ª Conferência Latino-Americana e Caribenha de Ciências Sociais, em Medellín (Colômbia). Ovacionado por uma claque de jovens estudantes colombianos - plateia simpática a slogans terceiro-mundistas que o chefão do PT usa como ninguém e decerto desinformada a respeito da extensão do desastre lulopetista que se abateu sobre o Brasil -, Lula alertou que o projeto populista que ele tão bem encarna está sob sério risco de ser desalojado do poder na América Latina.

Em tom de advertência, ao final de uma hora de discurso em que fez um histórico das alegadas conquistas sociais das quais ainda se jactam vários governantes irresponsáveis no continente, Lula disse que está sentindo um “cheiro de retrocesso” na América Latina. “Retrocesso”, nesse caso, é o desmonte do circo que encantou os incautos nos últimos dez anos, fazendo-os crer que, pela mágica do voluntarismo estatista, as desigualdades seriam superadas, inaugurando-se um período de desenvolvimento igualitário sem precedentes.

Mas a prestidigitação populista, um embuste por natureza, não tinha lastro na realidade - como sabem hoje muito bem as classes desfavorecidas no Brasil, na Argentina, na Venezuela e em outros países que tiveram a infelicidade de ser governados por esse esquerdismo corrupto e inconsequente.

Como resultado, os eleitores - antes meros clientes de políticas assistencialistas em larga escala e, portanto, vistos apenas como referendários do modelo dito “progressista” - passaram a indicar rejeição a esses governos, pois ficou claro que as promessas que lhes foram feitas não apenas eram falsas, como também foram usadas como pretexto para um assalto ao Estado. Assim, os pobres perceberam que não havia nenhum coelho na cartola estatal - ou porque o animal nunca existiu ou porque fora surrupiado por algum larápio governista.

Na Argentina, ao fim do tresloucado governo de Cristina Kirchner, o kirchnerismo parece fadado a sair como o grande derrotado na eleição presidencial do próximo dia 25. Mesmo o candidato de Cristina, Daniel Scioli, não se esforça para ser visto como herdeiro da desgastada presidente, que passará à história como aquela que, enquanto maquiava dados para inflar conquistas sociais e econômicas, convocava redes de rádio e de TV até para falar das fraldas de seu filho.

Já na Venezuela, berço do “bolivarianismo”, são conhecidos os apuros pelos quais passa o autocrata Nicolás Maduro. A eleição parlamentar do mês que vem, se não houver uma fraude monumental, deverá decretar o fim da hegemonia chavista. Maduro já mandou avisar, sem meias-palavras, que não aceitará outro resultado que não seja a vitória de seus correligionários. Ou seja, não lhe restou alternativa senão ameaçar o país com um banho de sangue.

Finalmente, no Brasil de Lula, tem-se uma chefe de governo que nem governa mais, refém que é dos arranjos de seu padrinho para sobreviver à tormenta que açoita o Planalto. Sem dinheiro para continuar a fazer redistribuição de renda por decreto e com seu partido afogado em corrupção, a presidente Dilma Rousseff talvez seja hoje o principal símbolo do fiasco que ameaça o projeto de poder de Lula et caterva na América Latina.

Lula, que não é bobo, já percebeu o risco. Se fosse um democrata de verdade, o petista aceitaria a derrota como parte do jogo político. Mas não - ele prefere insistir na ladainha segundo a qual as agruras dos governos “progressistas” resultam da campanha dos inimigos. Lula repetiu em Medellín que “a grande oposição” quem faz é a imprensa - quando esta critica governos que, na concepção do petista, só pensam no bem do povo. Para ele, a “elite” não aceita “que a gente frequente as mesmas praças que ela frequenta, ou que a gente frequente o mesmo teatro” - logo Lula, que se aliou ao que há de pior na oligarquia nacional e que se tornou milionário como lobista de empreiteiras. Mas Lula tem razão: hoje, ele e seus companheiros não podem mesmo ir a praças e teatros - mas porque serão estrepitosamente vaiados.

Original aqui
 
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