sábado, novembro 14, 2015

Sonho de primavera


Juízo final...

Sidney Borges
Aguardo enquanto um ajudante de São Pedro confere meus pecados. Esse é apenas o primeiro de muitos livros. Estou suando, acho que suarei mais quando a leitura terminar, o inferno é quente. Felizmente a portaria do paraíso é parecida com a Justiça brasileira, meu processo só vai terminar em cinco bilhões de anos. Até lá o Sol deverá extinguir seu combustível e apagar. Acordei assustado. Viver é levar sustos...

Dominique

Opinião

O PT secou

Estadão
Diferentes sondagens de opinião vêm atestando o desgosto generalizado dos brasileiros em relação aos políticos e aos partidos, como reflexo não apenas da corrupção e da incompetência do governo e de seus apoiadores no Congresso, mas da incapacidade da oposição de apresentar-se como alternativa a tudo isso que está aí. Em meio a tal desencanto, contudo, destaca-se a decadência irresistível do Partido dos Trabalhadores (PT), que hoje assiste, aparvalhado, a uma debandada de seus quadros e, principalmente, à construção de uma unanimidade em torno de seu nome: o PT se tornou o partido mais detestado do País.

Uma pesquisa do Ibope antecipada por José Roberto de Toledo, colunista do Estado, mostra que 70% dos brasileiros têm opinião desfavorável sobre o PT. Já o PSDB, partido com o qual o PT costuma rivalizar, é malvisto por 50% dos entrevistados.

Além disso, apenas 12% disseram que são simpáticos ao partido – o porcentual mais baixo desde 1989. A decadência do PT fica ainda mais evidente quando se oferece ao entrevistado uma lista com os nomes de todos os partidos e se pergunta de qual deles o eleitor “menos gosta”: o PT aparece bem à frente, com 38% das menções; seguido do PSDB, com 8%; e do PMDB, com 6%.

É claro que o PT está muito longe de se transformar em um nanico. Trata-se, ainda hoje, de uma muito bem estruturada e agressiva máquina eleitoral, como comprova seu crescimento desde que chegou à Presidência, em 2002. Até recentemente, apenas o PMDB ostentava capilaridade nacional tão robusta como a do PT, que invadiu nos últimos anos até mesmo os grotões onde os peemedebistas reinavam absolutos.

Ao mesmo tempo que se expandiu, no caminho de se tornar o maior partido do País, o PT procurou manter seu discurso fundador, segundo o qual sua missão era mudar o modo de fazer política e de governar, empreendendo a tal “justiça social” assim que chegasse ao Planalto.

Em nome dessa missão redentora, a companheirada, sob a liderança do guia genial Luiz Inácio Lula da Silva, prometeu mundos e fundos aos eleitores. O carisma de Lula, que só diz o que a plateia quer ouvir, foi suficiente para convencer uma grande parte do País de que era possível realizar o sonho do Brasil potência sem fazer força – bastava que o Estado abrisse as burras e pronto, o milagre da multiplicação dos empregos e do crediário para os pobres se realizaria.

A estratégia do partido funcionou tão bem que Lula sobreviveu ao mensalão, reelegeu-se, fez de uma completa desconhecida sua sucessora e saiu do governo com popularidade na casa dos 80%. Mas o conto de fadas petista começaria a se transformar em história de horror quando estiolou a bonança que permitia a irresponsabilidade fiscal de Lula e da presidente Dilma Rousseff.

Dilma ainda se reelegeu, à base de mentiras e pedaladas, mas já no primeiro minuto de seu triunfo ficou claro que as promessas nas quais milhões de brasileiros acreditaram não valiam o papel em que foram escritas. Além disso, escancarou-se o pérfido esquema de aparelhamento e de assalto ao Estado liderado pelo PT e seus coligados, resultando não apenas no maior esquema de corrupção da história, mas também na completa paralisia do governo, vítima de interesses inconfessáveis.

Como consequência, a popularidade do PT desintegrou-se em velocidade espantosa. Em 2014, segundo o Ibope, apenas 11% dos eleitores disseram ter uma opinião “muito desfavorável” ao PT; neste ano, esse índice saltou para 30%. Enquanto isso, a opinião “muito favorável” caiu de 7% para 3%, e a “favorável”, de 34% para 20%. Já o PSDB teve variação muito menor – os que disseram ter opinião “muito desfavorável” aos tucanos passaram de 10% para 14%, e os que tinham opinião “desfavorável” passaram de 35% para 36%.

Conclui-se que, hoje, o PT encarna o que há de pior na política. Diante da corrupção, do desgoverno e da frustração das expectativas que o partido arrogantemente criou, não se pode dizer que foi por acaso.

Original aqui

U.V.

Manchetes do dia

Sábado 14 / 11 / 2015

O Globo
"Massacre em Paris"

Homens-bomba e atentados a tiros em 6 locais deixam mais de 140 mortos

Cem pessoas foram assassinadas em casa de shows. Hollande é retirado do Stade de France, onde ocorreram explosões, e pede união contra o terrorismo. Dois brasileiros são feridos. Para Obama, foi ataque contra a Humanidade

Os maiores atentados terroristas da história de Paris paralisaram a capital francesa e mergulharam a França em estado de choque na noite de ontem. Ataques a tiros em seis locais, incluindo uma casa de shows com mais de cem jovens, e três explosões no Stade de France, onde jogava, França e Alemanha, deixaram ao menos 140 mortos, segundo a Agência France Presse.      

Folha de S.Paulo
"Tiros e explosões coordenados matam ao menos 45 em Paris"

Presidente da França decreta emergência e fecha fronteiras. Atentado terrorista é o maior no Ocidente em 10 anos. Grupo mantinha cem reféns. Há 2 brasileiros feridos

Uma série de ataques simultâneos em Paris deixou ao menos 45 mortos e dezenas de feridos na noite desta sexta (13). Houve tiroteios e explosões em diversos pontos da capital francesa. É o maior atentado terrorista no ocidente em uma década. Uma bomba explodiu fora do estádio de futebol onde ocorria um amistoso entre as seleções francesa e alemã. Retirado às pressas do local, o presidente da França, François Hollande, decretou estado de emergência e fechou as fronteiras do país.     

O Estado de S.Paulo
"Atentados simultâneos em Paris matam ao menos 40 e ferem dezenas"

Restaurante, casa de espetáculos e estádio onde jogava a seleção francesa sofreram ataques terroristas. Presidente Hollande decreta estado de emergência e fecha as fronteiras. Obama oferece ajuda para reação. Segundo embaixada, dois brasileiros foram atingidos

Em noite de pânico e terror, atentados simultâneos atingiram diferentes locais de Paris e mataram ao menos 40 pessoas. Dezenas ficaram feridas, incluindo dois brasileiros. Um dos alvos foi o Stade de France, onde duas explosões foram ouvidas no fim do primeiro tempo de amistoso entre França e Alemanha. O presidente francês, François Hollande, estava no estádio e foi retirado às pressas. Em pronunciamento na TV, ele declarou estado de emergência e anunciou o fechamento das fronteiras para impedir a fuga dos terroristas. 
           

sexta-feira, novembro 13, 2015

Red Wings / Tupolev Tu-204-100B


Coluna do Celsinho

Será o Benedito?

Celso de Almeida Jr.

Após o rompimento da barragem da mineradora Samarco, em Mariana-MG, a lama atingiu o rio Doce, inviabilizando a captação de água no município de Governador Valadares, leste de Minas Gerais, a mais de 300 quilômetros do acidente.

Por coincidência, eu terminava de ler Tempos Idos e Vividos, Memórias de Benedicto Valladares, ex-governador mineiro que deu nome à cidade.

Um texto leve, simples, cheio de "causos" narrados por este grande aliado do presidente Getúlio Vargas, que o tinha nomeado interventor em Minas na década de 30, quando os políticos esperavam outras indicações.

Diz a lenda  que o impacto da notícia cunhou a famosa pergunta: Será o Benedito?

Apicável para situações inesperadas, a antiga frase ainda tem força.

Especialmente, em função das sucessivas surpresas que o dia-a-dia no Brasil nos proporciona.

Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com

Dominique

Opinião

Protagonismo tardio

Estadão
Os tucanos não se podem queixar da sorte. No mesmo dia em que decidiram descer do muro e definir uma posição clara pelo afastamento de Eduardo Cunha da Presidência da Câmara e até mesmo pela cassação de seu mandato, por artimanhas do próprio Cunha cerca de uma dúzia de legendas partidárias que compõem a base de apoio ao governo – a metade, partidos nanicos – divulga documento em que manifesta “total apoio e confiança” no parlamentar peemedebista e na forma como tem comandado a Casa de representação dos brasileiros. O PT, por razões óbvias, não subscreve o documento, mas participou das articulações para sua elaboração: foi redigido no gabinete do líder do governo na Câmara, o petista José Guimarães (CE) – aquele que diz que nada entende de transporte de valores.

O êxito de iniciativas de protagonismo político depende em boa medida do contraponto estabelecido pelo eventual antagonista. A imagem negativa de Eduardo Cunha resulta de um amplo consenso, é praticamente unanimidade nacional, de modo que o conchavo urdido para oferecer-lhe “total apoio e confiança” é tudo de que os tucanos necessitavam para respaldar e valorizar aos olhos da opinião pública sua decisão tardia de posicionar-se contra os interesses de um político mendaz e autoritário que para escapar da Justiça tem usado e abusado de todo o poder que sua investidura lhe confere.

A atribulada experiência vivida nos últimos meses pelo PSDB – maior partido da oposição – na ânsia de acelerar um processo de cassação do mandato da presidente Dilma Rousseff talvez tenha ensinado aos tucanos que, embora a política seja considerada a arte de aliar meios a fins, os fins jamais justificam os meios. É o que demonstra na prática, aliás, o retumbante malogro do projeto lulopetista de promover justiça social e prosperidade por decreto governamental.

O PSDB perdeu precioso tempo, desde o início deste ano, perseguindo a ideia do impeachment – que, certamente, cabe na agenda política, mas não pode ser preocupação obsessiva – em vez de cumprir o verdadeiro papel da oposição, que é não apenas denunciar e combater os erros do governo, mas, principalmente, propor ao País projetos alternativos de condução política e recuperação econômica. Foi o PMDB, ainda formalmente aliado do governo, que tomou a iniciativa de propor um projeto assim. Enquanto isso, os tucanos votavam no Congresso para derrubar propostas com as quais sempre se identificaram, apenas para causar embaraços ao Planalto. Felizmente, esse surto de voluntarismo amador vai sendo superado.

O confronto do PSDB com a base de apoio do governo – reforçada pelo “oposicionista” Solidariedade, do notório deputado Paulinho da Força – revela também a absurda contradição em que se debate o lulopetismo: aliar-se por baixo do pano com seu maior adversário para tentar salvar a pele de uma presidente da República que, na verdade, não apoia efetivamente. Também fica exposta a indecorosa atitude do amontoado de legendas politicamente insignificantes que se dispõem a apoiar Eduardo Cunha pelo que ele verdadeiramente representa: um modo de fazer política inescrupuloso, autoritário, amoral e retrógrado como visão de mundo.

O nível de hipocrisia dos petistas mal disfarçados sob o manto da neutralidade e de seus aliados na luta inglória pela preservação – pelo menos momentânea – do status e do mandato de Eduardo Cunha está claramente expresso nos termos do documento apresentado em nome de PMDB, PR, PSC, PP, PSD, PTB, PEN, PMN, PRP, PHS, PTN, PT do B e, de quebra, do Solidariedade: “As denúncias apresentadas (contra Cunha) seguirão o curso do devido processo legal, onde haverá condições de defesa e julgamento por instâncias próprias e o princípio da presunção da inocência. (...) Eventuais disputas políticas não podem prevalecer para paralisar o funcionamento da Casa”. Lido em plenário pelo líder do PSC, André Moura, esse documento foi subscrito pelos 13 partidos que representam mais de 230 parlamentares. Não se trata de simples coincidência o fato de expressões como “devido processo legal”, “condições de defesa”, “julgamento por instâncias próprias” e, muito especialmente, “presunção de inocência” serem truísmos frequentes nas manifestações do PT a respeito da corrupção que malbarata suas fileiras.

Original aqui

U.V.

Manchetes do dia

Sexta-feira 13 / 11 / 2015

O Globo
"Procuração mostra que Cunha geria conta suíça"

Documentos contradizem versão do presidente da Câmara

Deputado tinha amplos poderes para fazer aplicações e investimentos

Documentos do MP da Suíça mostram que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, podia aplicar e fazer investimentos com recursos de conta no banco Merrill Lynch naquele país. Investigado no Conselho de Ética, Cunha sustenta que não era dono de contas no exterior e que não podia movimentá-las. O MP suíço identificou procuração da trust Orion, em nome de quem está a conta, para o deputado.     

Folha de S.Paulo
"Levy pressiona, e Dilma recua em corte da meta"

Petista desiste de desconto de R$ 20 bi no superavit primário de 2016

Na semana em que se viu pressionada a tirar Joaquim Levy da Fazenda, a presidente Dilma cedeu ao ministro e autorizou aliados no Congresso a reforçar a meta fiscal prevista para 2016. Com a decisão, a comissão de Orçamento abandonou proposta de permitir descontos no superavit primário (poupança para reduzir a dívida pública) e aprovou manter a meta do setor público em R$ 43,8 bilhões. A presidente, após ideia do Planejamento, concordara em aprovar um desconto de R$ 20 bilhões na meta do governo. Levy foi contra, argumentando que o Planalto não poderia passar nova mensagem de descrédito. Dilma, então, recuou, fortalecendo o ministro. O ex-presidente Lula, porém, voltou a defender Henrique Meirelles, ex-chefe do Banco Central, na Fazenda. Para ele, o “prazo de validade” de Levy venceu.    

O Estado de S.Paulo
"Dólar pressiona e Petrobras tem prejuízo de R$ 3,76 bi"

Balanço do terceiro trimestre da estatal foi pior do que o previsto pelo mercado; mesmo assim, diretor financeiro se disse 'muito satisfeito' com os resultados

Com um resultado pior que o esperado pelo mercado, a Petrobrás teve prejuízo de R$ 3,76 bilhões no terceiro trimestre. Segundo balanço divulgado ontem, a estatal foi fortemente afetada pela desvalorização do real, que elevou seu endividamento e os custos operacionais. É o terceiro prejuízo da companhia nos últimos cinco trimestres, o que indica dificuldade em solucionar a crise financeira. Apesar do prejuízo, o diretor financeiro da Petrobrás, Ivan Monteiro, se disse "muito satisfeito" com os resultados e ressaltou que a recuperação da estatal não se dará com "uma varinha mágica". "Tudo que fazemos é para que a companhia melhore estruturalmente, não seja algo pontual. Estamos muito satisfeitos com o resultado alcançado até agora, mas estamos vigilantes", disse ele, que substituiu o presidente Aldemir Bendine no comando da entrevista coletiva sobre os resultados.
           

quinta-feira, novembro 12, 2015

Dominique

Opinião

Arreganhos do desespero

Estadão
Enquanto Lula corre contra o tempo e age nos bastidores na tentativa de convencer Dilma a adotar uma “nova política econômica” que preserve o potencial eleitoral do PT – quer dizer, dele próprio –, seu partido decide, a pretexto de se defender, partir para o ataque a tudo e a todos que representam ameaça a seu projeto de poder. 

Recorrendo ao velho hábito de usar as palavras para obter efeito exatamente contrário ao que elas significam, a direção nacional do partido está distribuindo milhares de cópias de um texto intitulado Em defesa do PT, da Verdade e da Democracia, que já é mentiroso a partir do título porque não defende coisa alguma. Ao contrário, dedica-se, em suas 34 páginas, a atacar ferozmente a Operação Lava Jato, o juiz Sergio Moro, o ministro do STF Gilmar Mendes, os tucanos, a imprensa, acusando a todos de, com base em óbvias mentiras, estarem empenhados numa campanha para “eliminar o partido da vida pública brasileira”.

O PT chegou ao poder mitificando sua identificação com os pobres e os estratos sociais marginalizados da vida econômica, de modo a, por meio de marota simbiose, compartilhar o papel de vítima numa sociedade dominada por opressores perversos, as famosas elites. E foi assim que ressurgiu – exumado dos despojos da luta de classes retratada pela ótica do marxismo-leninismo – o argumento central do discurso lulopetista, o do “nós” contra “eles”. Um discurso que não mudou nem com a ascensão de Lula à Presidência e que, como se vê, é revigorado no momento em que o PT, tendo malogrado na tentativa de criar o Paraíso na Terra com seu voluntarismo vesgo, percebe toda a extensão de sua vulnerabilidade política, social e, acima de tudo, moral.

É hora, portanto, de dramatizar o papel de vítima exposta à sanha demolidora daqueles que “mentem sob a proteção da toga, nos mais altos tribunais, afrontando a consciência jurídica da nação em rede nacional de TV. Mentem sob a impunidade parlamentar, disseminando o ódio nas redes sociais. Mentem sob a proteção da autonomia funcional, forjando procedimentos investigatórios sem base alguma, apenas para produzir manchetes”.

O tom do documento é patético. Essa chamada “cartilha” destinada a fornecer argumentos à militância petista afirma que “desde a campanha eleitoral de 2014 adversários escolheram as investigações da Operação Lava Jato para insistir em criminalizar” o PT, com o objetivo de “cassar o registro do partido” por temerem “a quinta derrota consecutiva nas eleições”. Como se a vitória petista nas eleições municipais do próximo ano e na presidencial de 2018 fosse favas contadas.

Descontados os exageros que devem ser debitados ao desespero, concretamente motivado pela decadência do apoio popular ao PT, não se pode relevar a gravidade do flagrante desrespeito às instituições democráticas embutido no discurso da liderança petista. Sente-se o PT, com sua vocação autoritária, no direito de julgar o Poder Judiciário de acordo com suas próprias conveniências, chegando ao absurdo de afirmar que seus dirigentes que respondem a denúncias de corrupção têm sido condenados “sem provas”. Disseram isso por ocasião do julgamento do mensalão e repetem agora. Ora, se é o PT quem sabe quais culpas resultam provadas ou não perante os tribunais, para que servem os tribunais? Seria, então, o caso de o partido que está no governo criar um comissariado para substituir um dos Três Poderes da República, integrado por magistrados incompetentes ou mal-intencionados que não sabem distinguir inocentes de culpados?

Para o PT está tudo errado no trabalho dos delegados, procuradores e juízes federais – em especial Sergio Moro, a personificação de Satanás –, porque os petistas pegos com a boca na botija estão sendo mandados para a cadeia. E tudo isso é consequência – ataca o PT – da forma como procuradores, delegados e juízes manipulam a “autonomia funcional de que dispõem”. Em sua enorme soberba e arrogância, os sobas petistas creem que, só pelo fato de estarem no poder, tudo podem e jamais deveriam ser contrariados por “subalternos”. Subestimaram a força de instituições enraizadas na consciência democrática da Nação.

Original aqui

U.V.

Manchetes do dia

Quinta-feira 12 / 11 / 2015

O Globo
"Microcefalia leva país a decretar emergência"

No Nordeste, 141 bebês nasceram com a malformação

Principal suspeita recai sobre vírus zika transmitido pelo ‘Aedes’ e causador de surto na região. Decretada pela primeira vez, medida aumenta vigilância no país e realocação de verbas. Governo descarta epidemia

A descoberta de 141 casos de microcefalia — nascimento de bebês com mal formação do crânio — em 44 municípios de Pernambuco levou o Ministério da Saúde a decretar estado de emergência sanitária nacional. Estão em investigação também casos na Paraíba e no Rio Grande do Norte. Criada em 2011 e decretada agora pela primeira vez, a medida aumenta a vigilância sanitária e permite realocar recursos. A principal suspeita é que os casos tenham sido provocados pelo vírus zika, transmitido pelo mosquito da dengue.     

Folha de S.Paulo
"Papéis contradizem versão de Cunha sobre conta suíça"

Extratos mostram movimentação de recursos; PSDB formaliza rompimento

A Procuradoria-Geral da República recebeu documentos de autoridades suíças que contrariam aversão de Eduardo Cunha de que não movimentou dinheiro depositado em uma de suas contas na Suíça por lobista investigado na Lava Jato. Diferentemente do que declarou o peemedebista, extratos bancários mostram que ocorreu movimentação de recursos duas vezes no primeiro semestre do ano passado, informam Graciliano Rocha, Mario Cesar Carvalho e Flávio Ferreira. Cunha diz que não mexeu no 1,3 milhão de francos suíços transferidos em 2011para se defender da acusação de se beneficiar no petrolão. Processo para cassá-lo corre em comitê da Câmara. O deputado disse que só se pronunciará de novo na Justiça. O PSDB, principal sigla de oposição, formalizou o rompimento com Cunha e indicou que votará por sua cassação. O peemedebista afirmou que “cada um se posiciona como quer”. Em nota, 13 partidos manifestaram apoio a Cunha.   

O Estado de S.Paulo
"Abandonado pelo PSDB, Cunha recebe apoio de 13 partidos"

Tucanos rompem com presidente da Câmara, mas líderes da base de Dilma Rousseff divulgam documento defendendo uso de todos os prazos para a defesa

O PSDB formalizou ontem seu rompimento com o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Os dois representantes do partido no Conselho de Ética prometem votar pela cassação do mandato do deputado acusado de se beneficiar da corrupção na Petrobrás. Pela primeira vez, o líder tucano, Carlos Sampaio (SP), subiu à tribuna para cobrar afastamento do peemedebista. Até então, o partido havia apenas divulgado nota. Apesar do revés, Cunha recebeu apoio de 13 partidos. O documento que defende sua permanência na chefia da Casa foi assinado pela base do governo - PR, PMDB, PSC, PP, PSD, PTB, PEN, PMN, PRP, PHS, PTN e PT do B - e pelo Solidariedade. O líder do PSC na Câmara, André Moura (SE), leu em plenário o texto de apoio em que líderes dos partidos que representam mais de 230 parlamentares dizem ter total confiança na condução dos trabalhos por Cunha e defendem o uso de todos os prazos legais de defesa.
           

quarta-feira, novembro 11, 2015

Sukhoi Superjet 100


Pitacos do Zé

Apesar do tempo, as mesmas mentalidades

José Ronaldo Santos

Tenho circulado regularmente pela rodovia entre Caraguá e Ubatuba. Fazendo observações de ataques gritantes à natureza, fico imaginando o que não é perceptível. Trata-se de falta de educação, de desrespeito a um espaço natural que se constituiu em milhões de anos, de crueldade com os outros seres vivos e com os próprios humanos que continuam nascendo. Falo da poluição de nossos córregos e valas, dos pequenos e grandes rios. É notório o tipo de “tratamento” oficial que recebe o esgoto despejado no rio Acaraú. O cheiro e a cor confirmam tal procedimento! Outro ponto cruel é a barra da Praia Dura: tem esgoto in natura saindo por ali. De onde estão vindo as contribuições? Deseja ir sentir o fedor? No entanto, o rio e a praia sempre estão lotados de gente de toda idade. Muitos pescam, caçam siris e se deliciam no espaço que é muito bonito. Depois, na mesma rodovia, passando no canto da Mococa/Cocanha, em outra estação de tratamento de esgoto, novamente o cheiro de algo que é despejado em grande volume no mangue-rio e que vai desaguar nas águas límpidas, defronte ao ilhote onde os mexilhões são cultivados por bravos trabalhadores do mar. Que roteiro turístico exótico!

Em seu livro Capitão mouro, Georges Bourdoukan, se referindo ao mal-de-bicho, numa cidade importante do litoral nordestino, o personagem constata onde está a origem deste mal. Assim escreve:

- Fique calmo. O pouco que sei é mais do que eles sabem. Aliás, não é preciso muito para descobrir a razão do mal. Viu como as ruas estão sujas de fezes? Vou recomendar higiene, mais nada. Acredite, a falta de higiene é a principal causadora de doenças.

Por pouca não foram atingidos por fezes pastosas atiradas de uma janela.

- Ainda bem que vou embora desta terra – falou o governador.

- Quando o senhor parte? – perguntou Bem Suleiman.

- Dentro de quinze dias volto a Portugal. Espero que o meu sucessor tenha mais sorte. Eu só encontrei problemas.

Saifudin jamais vira tanta sujeira em tão pouco espaço. Era quase impossível andar pelas ruas daquela cidade sem correr o risco de pisar nos dejetos. Fezes humanas e de animais tomavam conta de todo espaço vazio. Era prática comum fazer as necessidades ao redor das casas, atrás dos muros ou sob árvores. As casas não possuíam latrinas. Banheiros, então, nem pensar, já que o banho era raríssimo, mesmo na Europa.

Quando isso? No século XVII!

Dominique

Opinião

O PT prova do próprio veneno

Estadão
O Partido dos Trabalhadores (PT) nasceu para ser do contra. Até 2002, a legenda fez de tudo para firmar-se no cenário político nacional como a mais aguerrida organização na luta contra qualquer iniciativa que não fosse de sua lavra. O PT ausentou-se da transição do regime militar para o governo de Tancredo Neves, votando nulo na eleição indireta; votou contra a Constituição de 1988 por considerá-la apenas “reformista” e “conservadora” em relação aos direitos sociais; votou contra o Plano Real e também contra a Lei de Responsabilidade Fiscal, pilares do controle da inflação e do equilíbrio das contas públicas. Nesse período, os sindicatos petistas infernizaram a vida de todos os governos com manifestações e greves cujas reivindicações trabalhistas mal disfarçavam sua evidente natureza política.

Mas eis que o PT chegou ao poder e, passado o período de ilusória prosperidade experimentada durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, que deu ao chefão petista e a seus companheiros a sensação de pairarem acima do bem e do mal, o partido começa a provar do próprio veneno.

Na segunda-feira passada, o ministro da Comunicação Social, Edinho Silva, queixou-se de que uma greve de caminhoneiros iniciada naquele dia era contrária aos “interesses da sociedade brasileira” porque nada pretendia além de provocar o “desgaste político do governo”. Foi uma referência ao fato de que, sem apresentar reivindicações específicas, o grupo anunciou que sua única exigência era a renúncia da presidente Dilma Rousseff, já que ela descumpriu promessas feitas à categoria em março passado.

De forma didática, Edinho explicou: “Uma greve apresenta questões econômicas, sociais, geralmente é propositiva. Nunca vi uma greve cujo único objetivo é gerar desgaste ao governo. É uma greve que não busca melhorias da categoria, mas desgaste de governo”.

Nem seria preciso que o petista Edinho fizesse grande esforço de memória para lembrar que, há pouco mais de 20 anos, entre maio e junho de 1995, o governo de Fernando Henrique Cardoso enfrentou violenta e irresponsável greve dos petroleiros, comandados pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), braço sindical do partido ao qual pertence o ministro. A paralisação foi julgada ilegal pela Justiça do Trabalho, porque em seu espírito ela nada reivindicava senão uma pauta puramente política, como a retirada de propostas que acabavam com o monopólio da Petrobrás e a revogação da lei que instituiu o programa de privatizações. Os petroleiros, secundados por outras categorias, ignoraram a decisão judicial e partiram para a desobediência civil, sofrendo, como consequência, os rigores da lei e uma firme resposta do governo.

Aquela greve histórica mostrou até que ponto os petistas estavam dispostos a ir para desgastar um governo ao qual se opunham de forma tão renhida. Mais tarde, logo no início do segundo mandato de FHC, o PT e a CUT voltariam a atormentar o presidente, deflagrando pedidos de impeachment e de renúncia. Esse era o padrão petista quando estava na oposição.

Agora no governo, o PT se queixa do radicalismo do qual o próprio partido se serviu à beça. Não que os caminhoneiros tenham razão em sua reivindicação. Muito ao contrário: ao exigirem a cabeça de Dilma, bloqueando estradas e prejudicando todo o País, esses manifestantes deixaram de ter qualquer legitimidade como representantes em negociações com o governo ou com quem quer que seja, pois sua reivindicação nada tem que ver com questões trabalhistas – e são apenas essas questões que garantem o direito dos trabalhadores à greve. Tudo o mais certamente é abusivo.

Pode-se dizer que esse momento de crise profunda, do qual se aproveitam forças extremistas – como o próprio PT um dia foi –, está sendo muito didático para o partido que agora tem sob sua responsabilidade a condução do País. Espera-se do governo firmeza para lidar com os irresponsáveis que, aproveitando-se da democracia, nada pretendem a não ser causar tumulto para impor suas causas radicais.

Original aqui

U.V.

Manchetes do dia

Quarta-feira 11 / 11 / 2015

O Globo
"Governo endurece contra bloqueio de estradas"

‘Paralisar abastecimento é crime’, alerta a presidente Dilma

Medida provisória fixa punição de até R$ 38 mil para quem organizar paralisação nas rodovias e amplia penalidade por interdições para até R$ 11.492. Greve perde força, mas já afeta produtores agropecuários

No segundo dia de greve de caminhoneiros, os protestos afetaram oito estados, contra 12 na véspera. Ainda assim, o governo baixou medida provisória fixando multa de R$ 19.154 para quem organizar bloqueios. No caso de reincidência, a punição é de R$ 38.308. A multa inicial para o motorista que perturbar a circulação nas vias foi ampliada de R$ 1.915 para R$ 5.746, podendo chegar a R$ 11.492. A presidente Dilma criticou as interdições: “Há muito tempo que se manifestar no Brasil não é crime. Mas atrapalhar a economia popular e paralisar o abastecimento de uma cidade é crime.” Em São Paulo, produtores de laranja não receberam fertilizantes. E exportadores de carnes temem dificuldades para o embarque.     

Folha de S.Paulo
"Filho de ex-deputado nega ordem de repasse a Cunha"

Para procuradores, depósito do equivalente a R$ 4,8 mi foi pagamento de propina

Em depoimento na Lava Jato, o economista Felipe Diniz negou que tenha ordenado repasse de 1,3 milhão de francos suíços para o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). A declaração, antecipada nesta terça (10) pela Folha, contradiz versão de um lobista preso pela Polícia Federal e lança dúvidas sobre a narrativa apresentada pelos investigadores do caso. Para a Procuradoria-Geral da República, o montante equivalente a R$ 4,8 milhões (valores atuais) representa o pagamento de propina pela aquisição de campo de exploração no Benin, na África. O lobista João Augusto Rezende Henriques afirmou que fez a transferência para uma conta na Suíça a pedido de Felipe Diniz, filho de ex-deputado morto em 2009. O pagamento, segundo ele, se refere ao negócio no Benin. Ouvido em 20 de outubro, o economista disse que não participou da negociação na África nem indicou conta de Cunha na Suíça ao lobista. Denunciado sob acusação de elo com o petrolão, Cunha disse supor que o depósito foi a quitação de empréstimo feito ao ex-deputado, já que não sabe a origem dos recursos. O presidente da Câmara nega as acusações de ligação com esquema de corrupção na Petrobras.   

O Estado de S.Paulo
"Governo reage e multa para caminhoneiro sobe para até R$ 19 mil"

Punição por bloqueio de estradas passa de R$ 1.915 para R$ 5.746 e valor máximo será para quem organizar protesto; para Dilma Rousseff, 'obstruir tráfego é crime'

O governo decidiu endurecer para tentar conter o protesto de caminhoneiros iniciado anteontem em estradas do País e evitar que ele engrosse a manifestação pró-impeachment da presidente Dilma Rousseff marcada para domingo. Ontem, um dia após falar em multa de R$ 1.915 para quem interdita estradas, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, anunciou medida provisória que eleva a punição para R$ 5.746 e introduz no Código Nacional de Trânsito multa de R$ 19.154 para os organizadores. Nos dois casos, a reincidência dobra o valor e as autuações têm de ser pagas no momento do licenciamento do veículo. O ministro reforçou a avaliação de que a paralisação é política, rechaçou negociação com a categoria e informou que a Força Nacional de Segurança Pública foi autorizada a auxiliar a Polícia Rodoviária Federal na desobstrução de rodovias. Outra medida prevista na MP impede que durante dez anos o infrator receba crédito para compra de veículos. Mais cedo, a presidente Dilma Rousseff disse que a paralisação de estradas por caminhoneiros é "criminosa", pois priva setores da economia e a população.  
           

terça-feira, novembro 10, 2015

Dominique

Opinião

O guru manda cuidar da eleição

Estadão
Guiada por seu chefe e guru, Luiz Inácio Lula da Silva, a presidente em exercício, Dilma Rousseff, corre atrás da popularidade perdida sem ter cuidado para valer, até agora, dos grandes problemas imediatos do País, o enorme desarranjo das contas públicas, um dos maiores do mundo, e a devastadora mistura de estagnação com inflação.

O buraco financeiro do setor público, superior a 9% da produção anual de bens e serviços, é o triplo da média dos 34 países-membros da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). A inflação beira os 10% e a meta de 4,5% será atingida, na melhor hipótese, só no fim de 2017, mas até isso é duvidoso. Mas o governo, orientado por Lula, deve cuidar desde já do pós-ajuste, uma noção mal definida, mas claramente relacionada, nesta altura, aos interesses eleitorais do PT e, muito particularmente, do político mais influente nos Palácios da Alvorada e do Planalto.

Esse político, empenhado em voltar oficialmente ao governo federal na eleição de 2018, comandou uma reunião no Alvorada, na sexta-feira, para dar instruções à presidente nominal do País, Dilma Rousseff, e a alguns ministros mais vinculados ao gabinete presidencial e mais identificados com as principais estratégias do PT. Lula criticou a incapacidade do governo de enfrentar o desgaste associado à crise econômica.

“A gente precisa dar um sinal de que está governando o País. Não podemos mais ficar na mesmice do economês”, disse o guru, segundo um participante citado em reportagem do Estado.

Pelo estilo, a reprodução das declarações parece fiel tanto à linguagem quanto ao comportamento costumeiro do líder espiritual da presidente. A escolha dos sujeitos – “a gente” e “nós” – está longe de ser casual. Nada mais natural que o uso dessas palavras, quando ele fala do governo.

Afinal, quem garantiu a Dilma Rousseff dois períodos consecutivos como inquilina do Alvorada? E quem deve intervir para mostrar a saída da crise, quando o governo está acuado, com a popularidade arrasada e abandonado pelos aliados mais importantes?

A “mesmice do economês” só pode significar a conversa interminável, e sem sucesso, a respeito das medidas necessárias para o ajuste das contas públicas e para a superação dos problemas associados. Lula insiste na liberação de créditos pelos bancos oficiais, como se isso bastasse para a retomada do crescimento.

A presidente, segundo fontes próximas do Planalto, mostra-se cada vez mais inclinada a aceitar a ideia, mesmo contra a resistência da equipe econômica, ou pelo menos de alguns de seus componentes. A ideia obviamente é arriscada. A expansão do crédito por um longo período gerou inflação, enquanto a produção industrial ficou estagnada e o investimento produtivo declinou.

Mais crédito poderá animar um pouco o comércio e dar um respiro à indústria, se os consumidores estiverem dispostos a se endividar, mas isso é duvidoso, e, de toda forma, a economia continuará sem potencial de crescimento.

Em busca de apoio, o governo estuda a reativação do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, um instrumento de cooptação política de grandes empresários e de sindicalistas. O Conselhão funcionou durante os mandatos de Lula e nada produziu de útil para o País e serviu para facilitar o lobby empresarial. Reativado, será tão inútil quanto antes e talvez mais perigoso para a economia nacional.

Se o governo cuidar da eleição de Lula sem resolver os grandes nós econômicos, fará o País afundar mais no atoleiro. De fato, o governo já tem recuado das tentativas de ajuste. Acaba de recuar mais uma vez, ao revogar a data final, 31 de outubro, para os pedidos de financiamento da linha Finame PSI, operada pelo BNDES. O anúncio foi antecipado pelo presidente da associação das montadoras de veículos, Luiz Moan, no Salão Internacional do Transporte Rodoviário de Carga. Recuar já é ruim. Descuidar da compostura é um exagero.

Original aqui

U.V.

Manchetes do dia

Terça-feira 10 / 11 / 2015

O Globo
"Governo ameaça multar caminhoneiros parados"

Polícia Rodoviária aplicará punição de R$ 1.900 por bloqueio em estradas

No primeiro dia de greve, houve interdições em 48 trechos de rodovias em 12 estados, inclusive na Via Dutra

Após um dia de bloqueios de 48 trechos de rodovias em 12 estados do país, o Ministério da Justiça determinou ontem à noite que a Polícia Rodoviária Federal multe em R$ 1.900 os motoristas de caminhões que impedirem a circulação nas estradas. A greve está sendo organizada via redes sociais pelo Comando Nacional de Transporte (CNT), mas não tem o apoio de outros sindicatos de caminhoneiros. Para o governo, a greve é política. Produtores de aves e suínos temem que a paralisação afete as exportações.    

Folha de S.Paulo
"Política do BC perde eficácia e afeta apenas 51% do crédito"

Intervencionismo estatal com subsídios leva ao aumento da taxa de juros oficial

A parcela dos financiamentos e empréstimos bancários afetados diretamente pelos juros definidos pelo Banco Central atingiu o seu menor índice desde 2008. Hoje, a fatia representa pouco mais da metade do volume de crédito do país. A queda, iniciada no final do governo Lula (2003-2010), põe em xeque a eficácia da política monetária. Há sete anos, período mais antigo das estatísticas disponíveis, 67,5% do crédito nacional se originava das decisões dos bancos, que usam como referência os juros oficiais (taxa Selic). Em setembro de 2015, esse índice ficou em 50,9%. O restante corresponde ao crédito direcionado, sujeito a regras e taxas impostas pela legislação, que é imune à atuação do BC. Uma das consequências desse cenário é a necessidade de taxas mais altas para controlar o crédito, a demanda e a inflação. O volume sensível encolheu à medida que crescia o intervencionismo econômico da administração petista. Essa tendência foi impulsionada por programas subsidiados como o Minha Casa, Minha Vida.   

O Estado de S.Paulo
"Contra Dilma, caminhoneiros bloqueiam 43 estradas"

Governo classifica manifestação de 'política' e anuncia que vai multar motorista que obstruir as rodovias

Caminhoneiros fecharam ontem 43 pontos de rodovias em 15 Estados. Em São Paulo, também chegaram a parar o trânsito na Marginal do Tietê. Sem apoio dos principais representantes da categoria, o protesto foi organizado pelo grupo Comando Nacional do Transporte e tem como principal objetivo a renúncia da presidente Dilma Rousseff. O governo classificou a manifestação como "política" e o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, anunciou multa de R$ 1.915 a quem obstruir estrada. "Não podemos admitir que um movimento político, sem nenhum viés de reivindicação corporativa, possa trazer prejuízos à sociedade." Embora a aposta no Planalto seja a de que o protesto perderá força nos próximos dias, há o temor de que ele possa engrossar a manifestação pró-impeachment marcada para domingo. Além da saída de Dilma, os caminhoneiros pedem a criação de um valor mínimo de frete e a redução do preço do diesel, dois pleitos que, na avaliação do governo, não têm condição de ser atendidos e corroboram a tese de que a greve é de quem quer "fazer ação política".  
           
 
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