sábado, novembro 07, 2015

Dominique

Opinião

Cunha e a Velhinha de Taubaté

Estadão
O deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) deve achar que os brasileiros somos uma versão coletiva da crédula e ingênua Velhinha de Taubaté. Não pode ser outra a explicação para a fantástica história que ele pretende contar ao Conselho de Ética da Câmara para tentar justificar os vultosos recursos, a ele vinculados, que foram descobertos na Suíça e que até outro dia ele jurava que não existiam.

Os “dólares” que foram jogados sobre ele por um manifestante na quarta-feira passada eram de mentirinha, mas o dinheiro que abasteceu as contas relacionadas a Cunha no exterior – e que ele não declarou à Receita Federal – é bem real. E, se esse numerário não foi declarado, é porque o nobre deputado, que preside a Câmara e é o segundo na linha sucessória da Presidência da República, talvez tenha algo a esconder.

Em 12 de março deste ano, Cunha foi à CPI da Petrobrás, por sua própria vontade, e declarou que não tinha nenhuma conta no exterior. Seus colegas na comissão, muitos deles seus fiéis correligionários, acreditaram na versão e aplaudiram o deputado ao final de seu depoimento. Mas, em setembro, o Ministério Público da Suíça informou que Cunha era beneficiário – ou seja, dono – de três contas abertas entre 2007 e 2008 em nome de empresas offshore no banco Julius Baer. Há ainda uma quarta conta, esta em nome de Cláudia Cruz, mulher do deputado. Em abril do ano passado, pouco depois do início da Operação Lava Jato, duas delas foram encerradas.

Em inquérito aberto no Supremo Tribunal Federal, Cunha é acusado de receber US$ 5 milhões em propina do esquema de corrupção na Petrobrás. Parte desses recursos, cerca de 1,3 milhão de francos suíços, teria sido depositada em 2011 pelo lobista João Henriques, ligado ao PMDB e preso no âmbito da Lava Jato.

Diante dessas evidências escandalosas, Cunha desistiu de negar a propriedade do dinheiro depositado no exterior. Mas vai dizer ao Conselho de Ética da Câmara que esses recursos jamais foram públicos – seriam resultado de negócios privados realizados na década de 1980, quando Cunha, que ainda não era parlamentar, vendia carne processada e enlatada para a África. Também fazia operações no mercado de capitais, para as quais, segundo ele mesmo conta, orgulhoso, sempre teve “mão boa”.

Cunha vai dizer ainda que não tem contas no exterior, e sim “trustes” – quando os recursos ou bens são confiados a uma instituição que os administra para o depositante ou para um beneficiário indicado por este. Segundo o deputado, foram abertos dois desses fundos, mas com montantes bem inferiores ao informado pelas autoridades suíças. Ele negou ainda o relato do Ministério Público da Suíça segundo o qual o dinheiro depositado em seu nome circulou por 23 contas bancárias de quatro países, uma das maneiras de ocultar a origem.

Finalmente, Cunha disse que desconhece o depósito de 1,3 milhão de francos suíços que o lobista João Henriques fez em um dos tais “trustes” do deputado. À Justiça, Henriques afirmou que o dinheiro era propina relativa a um negócio da Petrobrás no Benin, paga a pedido do economista Felipe Diniz, filho de Fernando Diniz, deputado peemedebista morto em 2009.

A versão de Cunha apela para o sobrenatural. Diz o deputado que, em 2007, ele emprestou a Fernando Diniz US$ 1,5 milhão para ajudar o colega a se recuperar de negócios feitos fora do País. Como Diniz morreu, Cunha considerou que a dívida havia morrido junto com o amigo. Agora, o deputado diz acreditar que o dinheiro seja uma espécie de pagamento post-mortem daquele empréstimo, feito pelo filho do amigo, à sua revelia. É um bom roteiro para um filme de horror.

Cunha disse que tratará o caso “com calma, tranquilidade e riqueza de detalhes”. Detalhes decerto suficientes para rivalizar até mesmo com a imaginosa carochinha. Um deputado fiel a Cunha resumiu, ao jornal O Globo, a intenção do deputado: “Não interessa se vai colar ou não. O que importa é ter algo a dizer”.

Original aqui

U.V.

Manchetes do dia

Sábado 7 / 11 / 2015

O Globo
"Inflação pode chegar a 11% e já penaliza os mais pobres"

Combustíveis e alimentos elevam IPCA em outubro

Analistas preveem que, com reajuste na conta de luz e provável aumento da Cide, preços terão este ano maior alta desde 2002

A inflação medida pelo IPCA, índice usado nas metas do governo, subiu 0,82% em outubro e, em 12 meses, acumula alta de 9,93%. Analistas preveem que a inflação fechará em 11% este ano, com o reajuste da conta de luz no Rio e um provável aumento na Cide, tributo sobre os combustíveis que deve ser usado para reforçar a arrecadação do governo . O descontrole das contas públicas dificulta o combate à inflação, dizem os economistas. Para as famílias mais pobres, a inflação foi maior. O INPC, que mede os preços para quem ganha até 40 salários mínimos, subiu 10,33% em 12 meses.   

Folha de S.Paulo
"Inflação acelera e fica perto de 10% em 1 ano"

IPCA não registra 2 dígitos no período de 12 meses desde 2003

Pressionada por alimentos, bebidas e combustíveis, a inflação medida pelo IPCA acelerou em outubro para 9,93% no intervalo de 12 meses. O índice oficial deve chegar neste mês a dois dígitos pela primeira vez em 12 anos. É a maior taxa acumulada desde novembro de 2003 (11 %), quando a alta do câmbio afetou a inflação. A última vez que outubro teve um IPCA tão alto (0,82%) foi em 2002. Desde janeiro, ele é de 8,52%, o maior em 19 anos. Na Grande SP, a gasolina subiu 6,2% no mês passado. O reajuste do frango foi de 6%. Segundo analistas, o IPCA deve desacelerar em novembro, mas isso não evitará que, em 12 meses, acumule alta superior a 10%. O teto da meta de inflação estipulada para 2015 é 6,5% — o governo caminha para descumpri-la, o que não se vê desde 2003, na primeira gestão Lula.   

O Estado de S.Paulo
"MP suíço contesta defesa; Cunha diz que não mentiu a colegas"

Para investigadores europeus, documentos indicam lavagem de recursos ilícitos; presidente da Câmara afirma que não tinha conta no exterior, mas sim 'trustes'

O Ministério Público da Suíça aponta inconsistências na defesa apresentada pelo deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e sustenta que as movimentações financeiras realizadas por ele indicam lavagem de dinheiro e origem ilícita. De acordo com as autoridades suíças, a decisão de bloquear as contas de Cunha ocorreu depois que as investigações mostraram depósitos incompatíveis com sua função como presidente da Câmara. O peemedebista pretende fazer uma defesa concisa no processo por quebra de decoro parlamentar que corre contra ele no Conselho de Ética da Casa. Ele sustenta que não mentiu à CPI da Petrobrás quando disse não ter contas no exterior. Segundo ele, o que existem são trustes, que administram ativos que ele adquiriu entre 1985 e 1989. Mas, depois que os ativos foram aplicados nos trustes, ele alega que deixou de ter ingerência sobre os recursos. "Passou a ser o proprietário dos ativos o truste e não eu", justifica. "Eu sou o beneficiário em vida." 
           

sexta-feira, novembro 06, 2015

PZL Wilga


Coluna do Celsinho

Carla

Celso de Almeida Jr.

Pense numa guerreira.

Certamente, o prezado leitor e a querida leitora conhecem mulheres assim.

No meu caso, não é diferente.

Convivi e convivo com algumas.

Uma, entretanto, tem frequentado mais intensamente o meu pensamento e o meu coração nos últimos tempos.

Conheci a Carla Nassif nas rodadas em Rondônia, no segundo semestre de 2014.

Produções para tv, rádio, jornais, redes sociais, ritmo intenso.

Jornalista com elaborado poder de síntese, estudiosa, dedicada, fiquei admirado com a sua energia.

Aparentemente frágil, logo percebi que tratava-se de uma mulher fortíssima, muito competente, corajosa, determinada.

Com trinta e poucos anos, já tinha enfrentado três diferentes tipos de câncer.

Na região norte, em trabalho ininterrupto por várias semanas, revelava a saudade da filha e da companheira, que aguardavam no interior de São Paulo o retorno da mulher amada.

Lado a lado, conheci um pouco da sua história.

Trabalho terminado, rumos diferentes, as melhores lembranças.

Setembro de 2015.

Vejo nas redes sociais que a Carla sofre um AVC.

Trinta dias na UTI.

Mobilização maravilhosa dos amigos em orações.

Talento de médicos dedicados.

E, em certo instante, confiro aliviado a notícia de que saiu do coma.

Passados 42 dias do AVC, emociona a equipe médica ao conseguir levantar da cadeira e dar novos primeiros passos.

O neurocirurgião afirmou que de cada dez pacientes, um sobrevive ao inevitável procedimento cirúrgico adotado neste caso.

Agora, a batalha diária, a fisioterapia; o estímulo da filha, da companheira, dos amigos de todas as horas.

Curioso, fui atrás do significado do nome, mania que nunca tive mas que não resisti em pesquisar.

Aí está:

Carla: mulher livre, mulher forte, mulher guerreira.

Sob medida, não é mesmo?

Vamos em frente, querida Carla Nassif!!

Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com

Dominique

Opinião

Memórias da salvação

Gabeira
Outro dia, escrevendo sobre o comício das diretas em Caruaru, lembrei-me de que no palanque estavam Collor e Lula, entre outros. Naquele momento não poderia prever ainda a importância que ambos teriam no processo democrático. Collor, o caçador de marajás, preparava sua cruzada contra a corrupção. Lula, encarnando a esquerda, falava de ética na política. Ambos os projetos, destinados a combater a corrupção, foram tragados por ela, sem distinção ideológica.

Leio no New York Times que dois políticos do Estado de Albany serão julgados nos próximos dias: Dean Skelos e Sheldon Silver. As acusações soam familiares: enriquecimento ilícito, propinas mascaradas em doações legais, parentes envolvidos. A matéria diz que a cultura da corrupção em Albany será julgada com os dois políticos. Acredito que sim, mas acho difícil suprimir uma cultura apenas com um veredicto.

Albany ainda tem uma pressão corretiva nacional. No caso brasileiro, não se trata apenas da cultura de um Estado da Federação: é de todo um país.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso conseguiu administrar a corrupção em seu governo, no sentido de que não evitou os escândalos; mas realizou seus objetivos. Ele próprio, porém, admite um problema sistêmico, a julgar pela sugestão que fez a Dilma e Lula numa viagem à África do Sul. Argumentando com a rejeição popular ao processo político tradicional, propôs uma urgente mudança.

Hoje, confrontados com todo o material que a Operação Lava Jato e outras investigações revelaram, estamos diante de uma situação singular: corrupção alarmante e grave crise econômica.

Diante da inflação e do desemprego crescente, que afetam todos nós, os políticos responsáveis acham que é preciso conversar, buscar uma saída antes que tudo seja engolfado por uma crise social. No entanto, nenhuma conversa, por mais produtiva que seja, pode deixar de lado que a cultura da corrupção está sendo julgada no Brasil. O veredicto final não resolverá o problema, mas certamente será um passo decisivo, tão importante para completar a democracia brasileira como foi aquele momento na década de 1980, quando lutávamos por eleições presidenciais diretas.

Embora a corrupção fosse tema de Collor em 1988 e de Lula em 2002, a revolução nas comunicações, a presença da internet, o avanço dos órgãos investigativos, a cooperação internacional, tudo isso converge agora para fortalecer a transparência. E enfraquecer os salvadores.

Diante da experiência fracassada de Collor e do PT, talvez fosse oportuno refletir sobre a frase de Cioran: a certeza de que não existe salvação é uma forma de salvação, é mesmo a salvação. As pesquisas, todavia, indicam um ângulo favorável aos salvadores. O PT é naturalmente rejeitado pela maioria, mas os opositores também registram altos índices negativos. Uma terceira força, vinda de fora, teoricamente, poderia derrotar a todos.

Na minha opinião, os políticos estão sendo julgados por todos esses anos de democratização, mas também, e sobretudo, por como se comportam no momento em que escândalos e crise econômica se entrelaçam.

Um exemplo da luta contra a cultura da corrupção se dá em torno de um instrumento legal, a delação premiada. É apenas uma lei que reduz penas se a pessoa disser a verdade e reparar seu crime, no caso, devolvendo o dinheiro.

Dilma combateu a delação premiada com uma emoção de esquerda. Lembrou-se dos que delataram os militantes nos anos de chumbo. Suprimiu um pequeno detalhe: que foram torturados para dizer a verdade.

Lula chamou a delação premiada de mentira premiada. Responde com uma piada nervosa diante de tantas evidências de que os depoimentos são verdadeiros. Ignorou que a Lava Jato, com 33 delações premiadas e três acordos de leniência, devolveu R$ 2,4 bilhões ao País.

Existe nas ruas uma certa hesitação em colaborar com a polícia. As expressões alcaguete e dedo-duro têm uma conotação negativa. Tiradentes, com a figura parecida com a de Cristo, teve seu Judas em Joaquim Silvério dos Reis. Para quem vê a democracia apenas como uma etapa é fácil confundir a polícia com repressão política; afinal, todas as instituições visam a preservar o sistema.

Com um viés de esquerda, foi possível transitar de uma luta pela ética na política para defesa da cultura da corrupção. Os empresários querem business as usual, as figuras que sobraram do palanque das diretas ainda devem ter conversas necessárias e a própria crise econômica pode ser superada num par de anos. Mas a sociedade, além das aflições da crise econômica, sente-se lesada por um governo quadrilheiro, desapontada com uma oposição hesitante.

A fratura não se fechará enquanto o problema em torno do crime e castigo não for resolvido. Isso pode consolidar os laços da sociedade com as instituições e, quem sabe, capacitá-la a empurrar os políticos para a frente, apesar deles.

Das diretas para cá o clima se degradou. Hoje vemos Lula movimentando fortunas na conta bancária, casa de campo, tríplex, exigindo menu de travesseiro. Ninguém imagina que tudo aquilo daria tanto dinheiro aos salvadores: Collor com seus carros de luxo, Lula faturando milhões com suas aulas magnas e, no fundo, a sirene do camburão.

Collor e o PT são dois momentos do processo. Seu fracasso precisa ser levado em conta na tentativa de recomeçar. Mais do que discursos e promessas e uma certa ingenuidade diante da fraqueza humana, será importante a transparência, apoiada em novas leis e no fortalecimento das instituições que investigam o poder político.

O governo elegeu-se com verba de corrupção, descumpriu a Lei de Responsabilidade Fiscal, manteve um esquema de rapina na Petrobrás. Enquanto estiver no poder, o relógio do recomeço está desligado. Não adianta tocar para a frente, como se não tivesse acontecido. Nem mantê-lo desligado até 2018. Não se para o tempo. No máximo, é possível ganhar horas com o fuso horário, como o deputado do PT que virou dono de um apartamento em Miami.

Original aqui

U.V.

Manchetes do dia

Sexta-feira 6 / 11 / 2015

O Globo
"Cunha dirá que dinheiro na Suíça é da venda de carne"

Presidente da Câmara vai alegar que não tem contas, mas offshores

Escolhido como relator do processo contra o peemedebista no Conselho de Ética, deputado Fausto Pinato (PRB-SP) disse que tende a aceitar denúncia

Em sua defesa no Conselho de Ética, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, admitirá que tinha dinheiro na Suíça, mas que era originário de trabalho como “corretor internacional” e que exportava carne nos anos 80, segundo revelou a aliados . Cunha dirá ainda que as contas na Suíça pertencem a offshores e não a ele. O relator do processo no Conselho de Ética, Fausto Pinato, disse que tende a aceitar a denúncia.    

Folha de S.Paulo
"Lula afirma que não tem medo de ser preso pela PF"

Em entrevista a telejornal, ex-presidente nega ter tido qualquer conversa ilícita

O ex-presidente Lula (PT) afirmou nesta quinta (5) que não tem medo de ser preso pelas operações Lava Jato ou Zelotes, que investigam esquemas de desvios na Petrobras e denúncias de suposta compra de medidas provisórias, respectivamente. “Duvido que tenha alguém nesse país —do pior inimigo meu ao melhor amigo meu, qualquer empresário pequeno ou grande — que diga que um dia teve alguma conversa comigo ilícita.” A declaração foi dada em entrevista ao telejornal “SBT Brasil”. Lula disse também estar disposto a ser candidato à Presidência em 2018 para defender o projeto de governo das gestões petistas. O ex-presidente negou as acusações de estelionato eleitoral para reeleger Dilma Rousseff no ano passado. “Depois da campanha, percebeu-se que estava saindo mais dinheiro do que entrando”, afirmou. Ele admitiu erros do governo, como o tamanho da política de desonerações e a manutenção do preço da gasolina em 2012.   

O Estado de S.Paulo
"Pacto com Cunha e Renan poupa Lula e filho em CPIs"

Acordo de não agressão com peemedebistas foi negociado por ex-presidente e também blindou ex-ministros

Aliados dos presidentes da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), atuaram ontem em duas CPIs para evitar convocação de ex-ministros e do filho do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A ação coordenada ocorre uma semana após Lula pedir ao PT para poupar Cunha de críticas. A blindagem a Lula é resultado de conversas dele e de outros petistas com aliados de Cunha e Renan nas últimas semanas. Os dois grupos firmaram pacto de não agressão que envolve interesses de PT, PMDB e de políticos investigados na Operação Lava Jato. Ontem, na CPI do Senado que apura irregularidades no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), governistas liderados por PT e PMDB derrubaram requerimento de convocação de Luís Cláudio Lula da Silva e impediram que os ex-ministros Erenice Guerra e Gilberto Carvalho fossem chamados. Na Câmara, aliados de Cunha ajudaram o PT a rejeitar convocação do ex-ministro Antonio Palocci na CPI do BNDES.
           

quinta-feira, novembro 05, 2015

Dominique

Opinião

Salvados da enchente

Estadão
Estropiado por denúncias de corrupção e pelo desgoverno da presidente Dilma Rousseff, o PT pretende usar os palanques municipais em 2016 para tentar salvar o pouco que resta da outrora glamourosa imagem do partido. Nesse cenário de terra arrasada, os petistas acham que uma vitória em São Paulo, com a reeleição de Fernando Haddad, é crucial. “Se ganharmos em São Paulo, ganhamos a eleição”, resumiu o ex-presidente Lula num encontro do partido em setembro passado. Com isso, o chefão petista quer dizer que um eventual triunfo de Haddad, dadas as condições muito adversas que o partido e o prefeito enfrentam, será suficiente para compensar as previsíveis derrotas País afora.

Para que essa estratégia funcione, o Politburo lulista espera que Haddad seja mais petista do que nunca, isto é, que ele suba no palanque vestindo figurino completo de militante – com estrelinha e tudo – para dizer, contra todas as evidências, que o PT ainda merece a confiança dos eleitores. É isso, aliás, o que a direção do partido espera de todos os seus candidatos em 2016. O PT terá o maior número possível de postulantes para que participem dos debates eleitorais e, neles, defendam a legenda com unhas e dentes, mesmo que isso reduza ainda mais as já escassas chances de vitória. O que interessa, de acordo com essa visão, é combater o sentimento antipetista para tentar melhorar o cenário para a disputa presidencial em 2018.

O caso de Haddad, no entanto, constitui um desafio e tanto para o plano petista de salvação da lavoura. Em primeiro lugar, é preciso constatar o óbvio: poucas vezes São Paulo foi administrada por alguém que trata uma parte da população tão acintosamente como inimiga. Ele considera rematados selvagens aqueles que ousam discordar de sua política destrambelhada de pintar faixas para ônibus e bicicletas sem nenhum planejamento. Para Haddad, o transporte coletivo e os ciclistas seriam símbolos de uma certa “modernidade”, enquanto os carros e seus motoristas representariam o atraso. Mais de uma vez, o prefeito declarou-se um “agente da civilização contra a barbárie”.

Não bastasse a sua arrogância, Haddad é também um mau administrador. Vivendo à base de factoides, o prefeito, que se apresentou na campanha eleitoral como “um homem novo para um tempo novo” e que prometia “um projeto revolucionário para o futuro”, deixou especialmente desatendida a população mais pobre. Com sua atenção voltada basicamente para a Avenida Paulista, Haddad esqueceu-se ou foi incapaz de dar conta de inúmeras outras demandas da cidade, e isso se reflete nas pesquisas de opinião: segundo o Datafolha, o prefeito é reprovado por nada menos que 49% dos paulistanos. Entre os mais pobres, Haddad é aprovado por apenas 12%, ante 23% entre os mais ricos. Tal diferença explica quais são as prioridades do prefeito.

Por fim, mas não menos importante, Haddad é mal avaliado porque é petista. Vincular-se ao PT, hoje, é receita certa para fracassar nas urnas, razão pela qual o partido vem registrando uma crescente debandada de políticos que pretendem ter alguma chance na eleição do ano que vem. Haddad mesmo cogitou da possibilidade de migrar para o Rede, de Marina Silva, mas parece que, por ora, decidiu ficar onde está – afinal, ele tem uma dívida com Lula, que o inventou como “poste” em 2012.

Isso não significa que Haddad pretende subir no palanque como petista. Ao contrário: consta que o prefeito planeja esconder o PT e Dilma durante a campanha, pois em São Paulo a rejeição a ambos é imensa. Assim, o PT e Haddad encontram-se numa sinuca de bico: o partido vai jogar todas as suas fichas numa vitória do prefeito na esperança de dar algum sinal de vida, mas a única chance de Haddad de superar a hostilidade dos paulistanos e se reeleger é repelir a legenda à qual está filiado desde 1983. É uma embrulhada e tanto, que resume a falta de perspectivas de um partido cujos líderes julgavam-se capazes até de fazer chover, mas que, hoje, se limitam a tentar salvar o sofá e a geladeira da enchente.

Original aqui

U.V.

Manchetes do dia

Quinta-feira 5 / 11 / 2015

O Globo
"Falhas obrigam governo a adiar Simples Doméstico"

Pagamento da guia única de FGTS e INSS agora pode ser feito até dia 30

Em 4 dias, só 265 mil conseguiram imprimir documento, de total de 1,2 milhão cadastrados. Patrões relatam valores diferentes a cada tentativa de emitir guia, além de dificuldade para pagar em bancos

Depois de quatro dias em que milhares de empregadores sofreram para tentar imprimir a guia de pagamento dos novos direitos dos domésticos, o governo adiou o prazo de vencimento, que terminaria amanhã, para o dia 30. As falhas no sistema eram diversas, com relatos de patrões que encontravam cálculos diferentes a cada tentativa de emitir o documento. E quem conseguiu imprimir a guia enfrentou dificuldades para pagá-la. Alguns bancos ainda não aceitam o agendamento pela internet e outros, como a Caixa, dizem que por enquanto só recebem o pagamento no guichê.    

Folha de S.Paulo
"Cunha admite elo com contas secretas"

Alvo do Conselho de Ética e denunciado na Lava Jato, deputado diz a aliados que recursos de suas empresas são lícitos

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha, adiantou a aliados pontos de sua defesa da acusação de envolvimento com o petrolão, entre eles admitir elo com contas na Suíça, relata Ranier Bragon. Segundo deputados ouvidos pela Folha, o peemedebista manterá a afirmação de que não mentiu à CPI da Petrobras, em março — ele afirmou não possuir “qualquer tipo de conta” no exterior. Em sua defesa, Cunha diz ter sido perguntado se era o titular das contas — na prática, são suas offshores (empresas fora do país). Questionado sobre se possuía offshores, ele não respondeu. O peemedebista argumentará ainda ter descoberto, anos depois, que o 1,3 milhão de francos suíços depositados por um lobista se referia à devolução de empréstimo para um deputado, já morto. Ocultar parte relevante do patrimônio é listado no Código de Ética da Câmara como quebra do decoro. Cunha responde a um processo no Conselho de Ética, mas o relator ainda não foi indicado. O deputado já foi denunciado pela Procuradoria sob a acusação de ligação com desvios na Petrobras. Cinco delatores na Lava Jato que dizem que ele recebeu dinheiro do petrolão.   

O Estado de S.Paulo
"TCU mantém pressão sobre Dilma ao fiscalizar Petrobras"

Tribunal analisa se Conselho da petroleira, sob comando da presidente, foi responsável por prejuízos em obras

O Tribunal de Contas da União (TCU) vai apurar a responsabilidade do Conselho de Administração da Petrobrás em atrasos e decisões que prejudicaram as obras e levaram a prejuízos bilionários nas Refinarias Premium I e II, que seriam construídas no Nordeste. Também serão fiscalizados a Refinarias Abreu e Lima, em Pernambuco, e o Complexo Petroquímico Comperj, no Rio. A decisão foi anunciada ontem pelo ministro-relator José Múcio e implica diretamente a presidente Dilma Rousseff, que presidiu o conselho da estatal entre 2003 e 2010. Segundo o TCU, a primeira vez que o projeto de investimento nas refinarias Premium apareceu no plano de negócios da Petrobrás foi no período de 2007-2011. A nova investida do TCU ocorre justamente no momento em que o Planalto tenta aprovar no Congresso as contas de Dilma de 2014, reprovadas pelo tribunal no mês passado e que podem levar à abertura do processo de impeachment. Em seu balanço do ano passado, a Petrobrás registrou prejuízo de R$ 2,8 bilhões com os projetos previstos para o Maranhão (Premium I) e o Ceará (Premium II).
           

quarta-feira, novembro 04, 2015

Dominique

Opinião

Um legado do lulopetismo

Estadão
Não deveria espantar a projeção, publicada pelo Estado, de que 3,3 milhões de famílias que haviam chegado à classe C entre 2006 e 2012 farão o caminho de volta para a base da pirâmide até 2017. Também não deveria causar surpresa a previsão segundo a qual o PIB per capita brasileiro terá em 2020 o mesmo nível de 2010, afetando drasticamente o padrão de vida da festejada “classe média emergente”. Trata-se da confirmação das advertências que há tempos vêm sendo feitas a respeito da fragilidade dessa ascensão social, tratada na última década pelo governo petista como a prova do acerto de sua política econômica.

Em meio a uma recessão que promete ser longa e dolorosa, ficaram claros os erros grosseiros dessa política, em especial aqueles que arrebentaram as contas públicas em nome do assistencialismo travestido de redistribuição de renda e que construíram a tal “nova classe média” com base exclusivamente no aumento do poder de consumo, garantido pelo crédito farto que só existia em razão da conjuntura externa favorável. Na época de ouro do lulopetismo, no entanto, quem quer que ousasse apontar a vulnerabilidade dessa nova classe média era logo classificado de “pessimista” – ou, pior, inimigo do povo.

No décimo aniversário do Bolsa Família, em outubro de 2013, quando a tempestade que se aproximava ainda era confundida com chuva de verão, o ex-presidente Lula caprichou na retórica divisiva, atribuindo as críticas à política petista a uma certa “elite” incomodada pela “ascensão do pobre”. “O cidadão vai para o aeroporto, chega lá e vê a empregada dele com a família no avião, pegando o lugar dele. Eu sei que é duro”, discursou Lula. No mesmo embalo, durante a campanha de 2014, a presidente Dilma Rousseff disse que “33 milhões viajaram de avião em 2002, hoje são 113 milhões e, em 2020, serão 200 milhões” – algo que, segundo ela, “incomoda muita gente”.

Ao final de 2015, o sonho da classe C que viaja de avião se transformou no pesadelo dos pobres que mal conseguem pagar a passagem de ônibus para ir atrás de um emprego. “Estamos vivendo, infelizmente, o advento da ex-nova classe C”, resumiu o economista Adriano Pitoli, responsável pelo estudo da Tendências Consultoria Integrada que mediu o impacto da crise nessa faixa socioeconômica.

A pesquisa levou em conta uma projeção segundo a qual a economia deverá recuar 0,7% ao ano entre 2015 e 2017 e a massa real de rendimentos cairá 1,2% ao ano, ao mesmo tempo que o desemprego deverá chegar a quase 10%. Nesse cenário de dificuldades, emergem os problemas estruturais que tornam difícil para os que chegaram à classe C lá permanecer: baixa escolaridade, que limita a possibilidade de obter empregos de melhor remuneração; acesso a trabalho apenas no mercado informal, com escassa proteção social; e nenhuma poupança, já que, graças ao estímulo oficial ao consumo, a pouca renda acabou sendo comprometida integralmente na aquisição de bens, geralmente por meio de forte endividamento.

A situação calamitosa da economia afeta especialmente a base da pirâmide, mas será sentida em quase todas as outras faixas de renda. “É uma década perdida em termos de padrão de vida”, disse ao jornal Valor o pesquisador Armando Castelar, do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre-FGV).

E a perspectiva é sombria para os próximos anos: segundo o economista Antonio Corrêa de Lacerda, também ouvido na reportagem, o PIB per capita em dólares deve cair de US$ 11.566 em 2014 para US$ 8.490 neste ano e para US$ 7.900 em 2018. Isso significa que a renda dos brasileiros estará cada vez mais distante do padrão de países desenvolvidos – mesmo aqueles que enfrentam brutais dificuldades, como a Grécia, cujo PIB per capita é de US$ 21.682.

Esse é, pois, em resumo, um dos grandes legados do lulopetismo, que será sentido por gerações, e que só poderá ser superado por meio de uma grande mobilização nacional em torno de um projeto de país radicalmente distinto das fantasias irresponsáveis criadas por Lula e companhia bela.

Original aqui

U.V.

Manchetes do dia

Quarta-feira 4 / 11 / 2015

O Globo
"Sistema de R$ 6,6 milhões para domésticos falha"

Receita descarta adiar prazo, que termina depois de amanhã

Do total de 1,2 milhão de empregadores cadastrados, só 134 mil conseguiram imprimir guia
A Receita Federal e o Serpro — que desenvolveu o site eSocial a um custo de R$ 6,6 milhões —reconheceram ontem que o sistema para emitir a guia do FGTS dos domésticos apresentou falhas e instabilidade. Mesmo assim, a Receita descartou adiar o prazo de vencimento, que termina depois de amanhã. O Serpro recomendou aos patrões insistir em: “Sugiro tentar novamente. Não vou mentir para vocês. Estamos com instabilidade no sistema e sabemos que o desgaste é grande”, afirmou Andre de Césero, diretor do órgão.    

Folha de S.Paulo
"Rombo no fundo de pensão da Petrobras dispara 60%"

Deficit deve exigir aporte de 23 mil contribuintes, 55 mil aposentados e da estatal

O deficit da Petros, fundo de pensão da Petrobras, atingiu R$ 10 bilhões em julho deste ano —aumento de 60% em apenas sete meses. Esse montante representa o que falta para pagar todos os benefícios previstos até o último participante vivo. Os investimentos do segundo maior fundo do país renderam 5,8% neste ano, abaixo da meta de 10,3%. Conselheiros fiscais da Petros citam fatores como a queda do valor de ações e retorno negativo em empresas nas quais o plano participa. Os 23 mil contribuintes e 55 mil aposentados podem ser obrigados a fazer novas contribuições a partir de 2017. O resgate deve ocorrer porque a Petros caminha para fechar com o terceiro deficit seguido e ter rombo equivalente a 10% do patrimônio. A Petrobras, que enfrenta grave crise financeira e é patrocinadora do plano, teria também que pagar R$1 para cada R$ 1do participante. Procurada pela reportagem, a Petros disse que não comenta resultados parciais da fundação.  

O Estado de S.Paulo
"Candidatos a relator dizem que há 'evidências' contra Cunha"

Conselho de Ética define hoje nome para o cargo a partir de lista tríplice com deputados do PT, PR e PRB

O Conselho de Ética da Câmara sorteou ontem os parlamentares Zé Geraldo (PT-PA), Vinícius Gurgel (PR-AP) e Fausto Pinato (PRB-SP) para a lista da qual será escolhido o relator do processo por quebra de decoro parlamentar contra o presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Os três defendem que há evidências suficientes para levar adiante o processo que pode resultar na cassação do peemedebista. O presidente do colegiado, José Carlos Araújo (PSD-BA), prometeu anunciar hoje sua decisão. Para deputados ouvidos pelo Estado, Pinato é o favorito. A interlocutores, ele disse entender que as provas contra Cunha são fortes. Mas, em público, esquivou-se: "Tem de fazer avaliação das provas, garantir direito de ampla defesa e contraditório. Não posso fazer juízo de valor para não incorrer em suspeição". Os outros sorteados foram mais incisivos. "As evidências são muitas. Isso quem está dizendo não somos nós, membros da comissão. São os delatores", afirmou Zé Geraldo. "Vou pedir auxílio à Procuradoria-Geral da República, a órgãos que estão com documentos contra Eduardo", afirmou Gurgel, que foi cabo eleitoral de Cunha no início do ano. 
           

Dominique

Opinião

A fábrica de trapalhadas da doutora

Elio Gaspari
Quando o governo da doutora Dilma parece ter esgotado seu arsenal de encrencas, ele inventa uma nova. A última chama-se "Cadastro de Empregados Domésticos" e atende pelo apelido de "Simples Doméstico". Os çábios de burocracia da Receita Federal e do Ministério da Previdência puseram no ar um sistema de cadastramento que obriga as vítimas a padecer num processo com pelos menos 15 etapas, lidando com siglas como CPF, CEP, NIT, GRF, DIRF, DAE, PIS e FGTS.

Se o CPF de um empregado estiver suspenso, ele deverá ir a uma agência do Banco do Brasil, da Caixa ou dos Correios, e a audiência custará R$ 7. As agências do Poupatempo não fazem esse serviço. Claro, o cidadão não tem o que fazer e, portanto, não há por que lhe poupar o tempo.

O empregador deve ter à mão suas declarações de Imposto de Renda de 2014 e 2015. O empregado que já estiver registrado no FGTS deve informar a data em que se inscreveu. Para os çábios, essa é uma data inesquecível, como o 7 de setembro.

Mesmo que o infeliz tenha a sua vida organizada, ao preencher os formulários pode receber a seguinte mensagem:

"Ocorreu um erro, informe o ticket do erro aos administradores."

Afora o mau português, o tal ticket podia ser o seguinte:

"2015110113714DU1WTPZGE4"

Noutra travada, a mensagem disse: "Não foi possível efetuar a operação. Por favor, tente de novo mais tarde. Anote o número do ticket, ele será solicitado pela Central de Atendimento."

Em muitas ocasiões a Central simplesmente não atendia.

O sistema encrencou desde o primeiro dia. O sujeito fazia tudo direito, recebia uma senha, e ela era imprestável.

Toda essa burocracia derivou da inépcia, da megalomania e do autoritarismo. Da inépcia porque trava. Da megalomania porque embutiram um censo socioeconômico dos trabalhadores domésticos no que deveria ter sido um simples cadastro. Do autoritarismo porque os çábios tiveram 18 meses para organizar o site e deram seis dias aos cidadãos para cadastrar os empregados. (Se alguém estiver de férias, dançam todos.) A doutora já deixou 28 embaixadores estrangeiros na fila para a cerimônia de entrega de credenciais. Alguns esperaram por mais de um ano, mas na hora de botar os outros para trabalhar, os prazos do seu governo são curtos, com direito a multa.

Encrencas com sistemas fazem parte da vida. Em 2013, o presidente Barack Obama passou pelo vexame de ter colocado no ar um site bichado. Humildemente, pediu desculpas.

O governo não pode dizer que a lambança é coisa da elite ou de Eduardo Cunha. Não se deve esperar que a doutora peça desculpas, mas seria razoável que já na segunda-feira (2) tivesse estendido o prazo para preenchimento do cadastro. Só um doido poderia pensar que os çábios trabalham num feriado.

Dilma Rousseff deve reler o que diz. Em junho de 2014 (ano eleitoral), ela informou:

"A burocracia distorceu as necessidades do Estado Brasileiro por mais de 50 anos. Para avançarmos, é necessário tornar o Estado brasileiro não um Estado mínimo, como querem alguns, mas um Estado eficiente, transparente e moderno".

Eleita, retomou o tema em janeiro passado. Prometia ação:

"Lançaremos um Programa de Desburocratização e Simplificação das Ações do Governo. Menos burocracia representa menos tempo e menos recursos gastos em tarefas acessórias e secundárias". 

Original aqui

terça-feira, novembro 03, 2015

U.V.

Manchetes do dia

Terça-feira 3 / 11 / 2015

O Globo
"Barulho é a queixa que mais ocupa 190 da PM"

Problema é tão grave que será atacado por força-tarefa reunindo polícia, Ministério Público e órgão de fiscalização

O barulho tem dado trabalho à Polícia Militar, que recebeu entre janeiro e maio, 51.405 reclamações no serviço 190, o equivalente a 15% do total, ficando em primeiro lugar no ranking de queixas. O problema é tão grande que o Instituto de Segurança Pública fez um levantamento mostrando que a poluição sonora e a perturbação do sossego ficam à frente até de denúncias mais graves como crimes contra a mulher.    

Folha de S.Paulo
"Russomanno lidera com folga corrida à Prefeitura de SP"

A um ano da eleição, deputado do PRB tem 34 % das intenções de voto e Haddad, 12%, mostra Datafolha

O apresentador de TV e deputado federal Celso Russomanno (PRB) lidera, com 34%, as intenções de voto para a Prefeitura de São Paulo, segundo o Datafolha. Nos dois cenários da pesquisa, Russomanno, terceiro colocado no pleito de 2012, ostenta boa vantagem sobre o segundo pelotão. A ex-petista Marta Suplicy (PMDB) tem 13%, o apresentador José Luiz Datena (PP), 12% ou 13%, e Fernando Haddad (PT), 12%. A gestão do atual prefeito é rejeitada por 49% dos paulistanos. Russomanno lidera entre gêneros, faixas etárias, regiões e níveis de escolaridade. No grupo dos mais ricos, fica atrás de Haddad. O deputado Marco Feliciano (PSC) tem 4%, quando o candidato tucano é o empresário João Dória Jr. (com 3%), e 5%, se é o vereador Andrea Matarazzo (4%). Realizada em 28 e 29 de outubro, a pesquisa ouviu 1.092 pessoas. A margem de erro é de três pontos. 

O Estado de S.Paulo
"Conselho facilita escolha de relator aliado de Cunha"

Decisão de órgão da Câmara amplia chance de sorteio para a relatoria favorecer políticos ligados ao presidente da Casa

Uma decisão do Conselho de Ética ampliou a possibilidade de aliados de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) ocuparem a relatoria do processo por quebra de decoro parlamentar. O procedimento, que será instaurado hoje, poderá levar à cassação do mandato do presidente da Câmara. Cunha é acusado de ter mentido à CPI da Petrobrás ao negar ter contas no exterior. Ontem, o presidente do Conselho de Ética, José Carlos Araújo (PSD-BA), definiu como será a escolha do relator do caso. Havia uma dúvida sobre quais partidos poderiam participar do sorteio. Pelo Código de Ética da Câmara, não podem assumir a relatoria deputados do bloco partidário do acusado. Araújo decidiu que os únicos partidos do bloco de apoio a Cunha são o PMDB e o PEN. Deputados de outros 11 partidos foram liberados para concorrer à vaga de relator. "Vai valer o bloco atual. O inicial acabou, eles desmancharam", disse Araújo. A decisão amplia a probabilidade de aliados de Cunha serem sorteados. 
           

segunda-feira, novembro 02, 2015

Dominique

Opinião

O gambito do PMDB

Estadão
Nem parece que o PMDB tem o vice-presidente da República e é o principal parceiro do PT na coligação que elegeu duas vezes a presidente Dilma Rousseff. O programa que o partido divulgou na última quinta-feira, que ainda será debatido internamente neste mês, demarca de forma definitiva a ruptura peemedebista com o ideário mais caro aos petistas e à própria Dilma. Pode ser lido como sua carta de intenções para o caso de assumir o poder se a presidente for afastada - e elenca, como solução para os profundos problemas do País, uma série de medidas que, se adotadas, representariam um compromisso com o bom senso administrativo e a responsabilidade fiscal.

É evidente que um partido como o PMDB, que há décadas trafega à vontade pelas vielas do poder graças à sua inesgotável capacidade de adaptação às circunstâncias, sabe quando é o momento de desembarcar de navios que estão a pique. A novidade, neste momento, parece ser a disposição do partido de sair da confortável posição de coadjuvante e apresentar-se, ele mesmo, como alternativa para comandar o País.

Para isso, adotou como discurso a necessidade de reformular de alto a baixo o modo de governar e de abandonar a fantasia nacional-desenvolvimentista do PT, invocando, nas 19 páginas em que trata de suas propostas para a economia, medidas de forte caráter liberal. Assim, o PMDB age como oposição - assumindo o mesmo discurso adotado pelos adversários na última eleição presidencial - e se apresenta como a antítese de um governo que amarga menos de 10% de aprovação, é incapaz de administrar o País, não consegue propor nada além de medidas paliativas para a crise e segue apegado à ilusão estatista.

Intitulado Uma ponte para o futuro, o texto adverte que o Brasil “encontra-se em uma situação de grave risco” e caminha “para um longo período de estagnação”. Sem meias-palavras, diz que o desajuste fiscal ocorreu porque “o governo federal cometeu excessos, seja criando novos programas, seja ampliando os antigos, ou mesmo admitindo novos servidores ou assumindo investimentos acima da capacidade fiscal do Estado”.

Para solucionar esses e outros problemas, o partido prega reformas urgentes. Defende, entre outras coisas, que se estabeleça uma idade mínima para a aposentadoria (60 anos para mulheres e 65 anos para homens); que os gastos com saúde e educação deixem de ter patamares mínimos, definidos pela Constituição; que se deixe de indexar ao salário mínimo o reajuste dos benefícios sociais e previdenciários; que o regime para a exploração de petróleo não seja mais de partilha, que onera a Petrobrás; e que as convenções coletivas de trabalho prevaleçam sobre as normas legais, salvo quanto aos direitos básicos.

Além disso, o PMDB propõe que se execute “uma política de desenvolvimento centrada na iniciativa privada”, com privatizações e concessões em logística e infraestrutura, e também defende uma “inserção plena” do Brasil no comércio internacional, com acordos “em todas as áreas econômicas relevantes”, como Estados Unidos, Europa e Ásia, “com ou sem a companhia do Mercosul”.

É claro que o PMDB - que não só está no governo, como também preside a Câmara e o Senado, onde possui numerosa bancada - já poderia ter ajudado a aprovar essas reformas há muito tempo. Não o fez porque nunca lhe foi conveniente. Especialmente risível é a ênfase, no documento, à necessidade de “regras estritas” para preencher os cargos de direção nas estatais - como se o PMDB não fosse campeão de indicações políticas para esses cargos.

Mas não se deve procurar coerência entre as raposas peemedebistas. O que importa é observar a intenção clara de se distanciar da massa falida de Dilma e do PT e de se apresentar como alternativa para destravar o governo em meio ao “aprofundamento das divisões” e - numa nada sutil referência ao afastamento de Dilma - liderar “a formação de uma maioria política, mesmo que transitória ou circunstancial”, capaz de tirar o País da crise.

Original aqui
 
Free counter and web stats