sábado, outubro 03, 2015

Histórias de Boxe


Nino Benvenuti

A década de 1960 pertenceu a Nino Benvenuti. O cronista de boxe Norman Marcus diz que ele atravessou a década como uma faca quente atravessa muçarela.

Sidney Borges
Quem gostava de boxe na década de 1960 respeitava Nino Benvenuti, medalhista de ouro nos Jogos Olímpicos de Roma. Em 20 de janeiro de 1961 Nino venceu sua primeira luta como profissional. E continuou vencendo, foram sessenta e cinco vitórias consecutivas. Dezesseis a mais do que Floyd Mayweather.

Ele foi um excelente boxeador. Tinha um gancho de esquerda fantástico. Batia forte e resistia muito, tinha queixo de aço. Ao mesmo tempo era rápido, seu movimento fluido o tornava difícil de ser tocado.

Em 18 de junho, 1965, ele venceu o também italiano Sandro Mazzinghi no Sport Palazzetto dello em Milão. Nocaute no sexto round. Nino Benvenuti era agora campeão do mundo. Em uma revanche, em 17 de dezembro de 1965, no Palazzetto dello Sport em Roma, Nino reteve o título com uma decisão unânime em 15 assaltos.

No ano seguinte Benvenuti enfrentou Ki Soo Kim Chang Chung no Gymnasium, em Seul, na Coréia do Sul. Surpreendentemente, ele perdeu seus cinturões Welterweight Super WBC e WBA para o coreano canhoto em decisão dividida.

Em seguida vieram três lutas que fariam de Nino uma estrela mundial do boxe. Em 17 de abril de 1967, no Madison Square Garden, em Nova York, Benvenuti superou Emile Griffith e tornou-se proprietário dos cinturões dos médios da WBA e WBC. Griffith foi derrubado no segundo round, Benvenuti no quarto. A conceituada revista The Ring considerou a luta como “luta do ano”. Na revanche, alguns meses mais tarde, em 29 de setembro de 1967, Nino perdeu o cinturão de volta para Griffith.

Os dois homens voltaram ao Madison Square Garden para a “negra” em 4 de março de 1968. Benvenuti derrubou Griffith no nono assalto e venceu a luta em decisão unânime ao final de 15 rounds.

Nino finalmente perdeu o título pela última vez para Carlos Monzon, em Roma em 7 de Novembro de 1970. Nocaute no décimo segundo round. Benvenuti perdeu para Monzon novamente na revanche em Mônaco, em 08 de maio de 1971. Nocaute no terceiro round. O grande pugilista Nino Benvenutti aposentou-se naquela noite. Nunca mais subiu num ringue.

Nino, em seguida, passou a residir em sua cidade de Trieste, uma cidade portuária no nordeste da Itália. Ele abriu um restaurante elegante e tinha um programa nacional de entrevistas na televisão. Benvenuti tinha interesses em arte, música e literatura. Em alguns aspectos, ele poderia ser comparado aos ex-campeões James Corbett e Gene Tunney, ou aos irmãos Klitschko. Nino passou um tempo trabalhando para os pobres na missão de Madre Teresa na Índia!

O público amava Nino Benvenuti. Ele ganhou vários títulos mundiais durante os anos 1960, a década pertenceu a ele. Muitos o consideram o melhor peso médio italiano da história.

Seus maiores rivais acabaram se tornando grandes amigos, Carlos Monzon e Emile Griffith. Os dois já morreram. Monzon partiu jovem, aos 53. Emile Griffith morreu aos 75.

Nino Benvenuti está vivo e muito bem em Trieste. Os anos não o afetaram, talvez porque ele ainda dirija a Ferrari vermelha com a rapidez de sua juventude. (Adaptado do texto de Norman Marcus)

Dominique

Opinião

A hora da verdade para Cunha

Estadão
O jogo político, especialmente na ambiência em que objetivos e regras não são ditados pelo interesse coletivo e por valores morais, mas por conveniências pessoais e corporativas, oferece aos militantes ampla margem de manobra para a consecução de seus desígnios. Mas em contrapartida alarga também o espaço para o imponderável, expondo ao risco de serem pegos com a boca na botija aqueles que ousam se arriscar além do “tolerável” na transgressão de limites legais ou recomendados pelo senso comum. É exatamente o que está acontecendo com o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ): a Justiça suíça informou às autoridades brasileiras que ele e familiares controlam pelo menos quatro contas secretas naquele país, num valor total de US$ 5 milhões já devidamente congelados.

Interpelado na CPI da Petrobrás, em março, Eduardo Cunha foi categórico: “Não tenho qualquer tipo de conta em qualquer lugar que não seja a conta declarada no meu Imposto de Renda. E não recebi qualquer vantagem ilícita ou qualquer vantagem com relação a qualquer natureza nesse processo”. Mentiu, portanto, o que configura, para começar, quebra de decoro parlamentar.

A denúncia é incontestável, porque procede da Justiça suíça, a partir de suspeitas levantadas pela auditoria do banco em que as contas são mantidas, cujo nome não foi revelado. O encaminhamento dessas suspeitas à Justiça provocou a abertura de ação criminal naquele país para apurar crimes de lavagem de dinheiro e corrupção passiva. Foi o resultado da política de complience do sistema bancário suíço, agora atento a movimentações financeiras suspeitas. No caso de Cunha, descobriram que a titularidade das quatro contas era de empresas de fachada por ele abertas em paraísos fiscais, o que configura o padrão da operação de lavagem de dinheiro.

Cunha recusou-se, na quinta-feira, a responder às interpelações que lhe foram dirigidas por seus pares na Câmara. Limitou-se a argumentar com alguns interlocutores que seguia a orientação de seu advogado para se manter calado sobre o assunto. E cancelou viagem que faria à Itália para participar do Fórum Parlamentar Itália-América Latina e Caribe, alegando que pretendia comparecer à cerimônia de casamento do senador Romero Jucá, no sábado.

Por causa de denúncias muitas vezes menos graves do que aquelas que atingem hoje Eduardo Cunha, muitos líderes parlamentares foram cassados ou forçados a renunciar a seus mandatos. Em 2007, Renan Calheiros, que como hoje ocupava a presidência do Senado, renunciou ao cargo por causa de denúncias envolvendo seus negócios pessoais em Alagoas, mas conseguiu salvar o mandato. O falecido Antônio Carlos Magalhães renunciou ao mandato de senador em 2001, acusado de violação do placar eletrônico de votação da Casa. Também à presidência do Senado renunciou Jader Barbalho (PMDB-PA) em 2001, acusado de desvios no Banco do Estado do Pará. Em 2014, o então deputado petista João Paulo Cunha, réu do mensalão e condenado por irregularidades cometidas na presidência da Câmara entre 2003 e 2005, renunciou ao mandato para escapar da cassação. Casos similares ocorreram ainda com o deputado Severino Cavalcanti, que presidiu a Câmara em 2006, e, mais remotamente, em 1994, com o deputado Ibsen Pinheiro.

Eduardo Cunha tem-se destacado pela determinação e ousadia com que se dedica à sua carreira política. No início deste ano enfrentou e derrotou o lulopetismo na disputa pela presidência da Câmara. A partir de então adotou uma atuação independente que evoluiu para a postura oficial de oposicionista quando acusou o governo de envolvê-lo na Operação Lava Jato. Com esse perfil, é altamente improvável que comece a pensar em renúncia antes que esta se torne inapelavelmente a derradeira opção para salvar a carreira política que tanto preza. Mas essa é uma daquelas questões que, quanto mais cedo for resolvida, maior contribuição dará para amenizar a crise política.

Original aqui

U.V.

Manchetes do dia

Sábado 3 / 09 / 2015

O Globo
"Dilma muda Ministério para ganhar fôlego"

Presidente corta oito pastas, mas amplia poder do PMDB e de Lula

Reforma para garantir maior apoio ao governo no Congresso prevê também o corte de 30 secretarias e de 3 mil cargos comissionados, além da redução de salários do primeiro escalão
Em meio às crises política e econômica, a aposta no que chamou de “governo de coalizão” levou a presidente Dilma a anunciar ontem o corte de oito ministérios, mas contemplando o PMDB com todas as pastas pleiteadas e ampliando o poder do grupo ligado ao ex-presidente Lula no governo. Dilma deixou claro o pragmatismo de sua decisão ao falar sobre a necessidade de pacificar sua base no Congresso: “Trata-se de articulação política que respeita os partidos que fizeram parte da coalizão que me elegeu e que têm direito e dever de governar comigo. ” O corte atingiu duas pastas a menos do que a presidente havia anunciado — os 39 ministérios foram reduzidos para 31. Ela anunciou ainda a extinção de 30 secretarias e de 3 mil cargos. E também que os salários dela, do vice Michel Temer e dos ministros serão cortados em 10%. 

Folha de S.Paulo
"Reforma de Dilma fortalece PMDB e ex-presidente Lula"

Após nove meses de governo, petista corta salários e oito ministérios para tentar evitar o impeachmentPassados nove meses do começo de seu segundo mandato, a presidente Dilma Rousseff anunciou a composição de seu novo ministério. Para melhorar a governabilidade e evitar abertura de processo de impeachment, ela fortaleceu o PMDB e o ex-presidente Lula, seu aliado. “Meu governo busca apoio do Congresso, e a reforma faz parte desse contexto”, disse. A petista admitiu que as mudanças compõem a estratégia para aprovar as medidas econômicas no Legislativo que, segundo ela, ajudarão o Brasil a superar a crise. Na nova configuração da Esplanada, o PT ficou com nove ministérios (tinha 13), e o PMDB, que controlava seis, agora tem sete, incluindo o de maior orçamento (Saúde). Lula terá em pastas de peso três nomes de sua confiança: Jaques Wagner (Casa Civil), Ricardo Berzoini (Secretaria de Governo) e Edinho Silva (Comunicação Social). Dilma também anunciou o corte de oito ministérios e de 10% do salário dos ministros, do próprio e do seu vice, Michel Temer. 

O Estado de S.Paulo
"Dilma corta 8 ministérios e PMDB já apoia nova CPMF"

Presidente reduz 10% de seu salário e do vencimento dos ministros. Promessa é extinguir 30 secretarias e 3 mil cargos em comissão. Plano prevê gastos com custeio e contratação de terceiros 20% menores

Com atraso, a presidente Dilma Rousseff anunciou ontem sua reforma administrativa. Cortou oito ministérios - em vez de dez prometidos -, prometeu extinguir 30 secretarias nacionais e 3 mil dos 22,5 mil cargos comissionados e anunciou que reduzirá em 10% seu salário, o do vice-presidente e o dos ministros, que passarão a ganhar R$ 27.841,23. Disse ainda que cortará em até 20% os gastos com custeio e serviços de terceiros. O pacote foi anunciado junto com novo arranjo político - sete ministros mudaram de pasta e três entraram no governo. Durante o anúncio, Dilma admitiu que o objetivo das mudanças foi ampliar a base do governo no Congresso e garantir "estabilidade política". O plano é evitar abertura de processo de impeachment e aprovar o ajuste fiscal. Após ampliar seu peso político no governo e conquistar sete ministérios, o PMDB já defende a recriação da CPMF. Para o novo ministro da Saúde, Marcelo Castro, o imposto deve ser permanente e cobrado no "crédito e débito". 
    

sexta-feira, outubro 02, 2015

Ryan Navion


Coluna do Celsinho

Visionário
 
Celso de Almeida Jr.
 
No último Café Voador, encontro de entusiastas em aviação, o Polé - Paulo Lafer de Jesus - fez uma explação sobre a história do ultra leve.
 
Traçando didática linha do tempo, mostrou-nos os avanços conceituais e tecnológicos.
 
No início de sua história, lá estava Santos-Dumont e o Demoiselle, seu melhor modelo de avião, considerado o primeiro ultra leve do mundo.
 
Queria Dumont que esta aeronave fosse fabricada em larga escala, popularizando a aviação.
 
Para tanto, deixava disponível, gratuitamente, o projeto.
 
O tempo passou...
 
Outros modelos foram surgindo, agregando novas tecnologias, novos materiais.
 
Ao concluir sua linha do tempo, Polé citou que com tantos avanços, os atuais ultra leves desenvolvem altas velocidades, exigindo rigorosa capacitação para a pilotagem.
 
Curiosamente, porém, começa a surgir nesta área o interesse por um "retorno às origens".
 
Muitos apaixonados por aviação buscam aproveitar as qualidades dos novos materiais e toda a segurança agregada para, ao mesmo tempo, saborear e fortalecer a aviação de recreio, menos burocrática, mais barata.
 
Velocidades mais suaves e custos menores, tornando a prática mais acessível, mais simples.
 
Nas palavras do Polé, um retorno à "aviação mais romântica".
 
Passados mais de cem anos do surgimento do Demoiselle (1907), a visão de Santos Dumont permanece atual e forte.
 

Dominique

Opinião

Lula volta a ser ‘o cara’

Estadão
Tudo indica que Lula da Silva conseguiu finalmente subjugar sua criatura e assumir o comando político do governo. Não chega a surpreender, diante da mais do que comprovada incompetência política de Dilma Rousseff, que vinha comprometendo o futuro de seu frustrado preceptor e do PT. Assim, volta ao proscênio da política nacional o maior responsável pela crise política, econômica e moral que infelicita o País.

Quanto mais em evidência estiver, tanto mais serão cobradas de Lula explicações sobre seu papel no mar de lama que inundou a administração pública federal sob seu comando direto e, depois, sob o desgoverno do poste que inventou para, deliberadamente, desmoralizar as instituições e o regime. A notícia revelada ontem com exclusividade pelo Estado, de que o governo Lula estaria envolvido num cabuloso esquema de lobby para favorecer a indústria automobilística com a edição, em 2009, de MP que prorrogou o desconto do IPI sobre veículos, é apenas mais um elemento a fortalecer a evidência de que o então presidente da República, a exemplo de José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares, tem explicações a dar à Justiça e ao País. Até porque aponta um dedo acusador para Lula a recomendação de que quem enriquece na política deve ser observado sempre com alguma desconfiança.

A partir de agora Lula deixa de ser apenas um líder partidário generosamente determinado a dar sua contribuição para tirar o Brasil do buraco para se tornar o protagonista da ação governamental. Ninguém mais se dará ao trabalho de cobrar soluções para a crise de uma presidente da República que foi forçada a abdicar de seu poder político, que transferiu em comodato. Agora mandam Lula e as raposas peludas do PMDB, por intermédio de homens de confiança colocados em postos-chave do governo. É claro que, por uma questão até de bons modos, a Dilma será sempre oferecida a opção de concordar com as medidas adotadas pelo governo que ela não pode mais chamar de seu. E o que isso significa?

A julgar pelo que o dono do PT tem dito a interlocutores e proclamado ao distinto público, é preciso impor rapidamente uma “agenda positiva” para o governo, o que significa, na linguagem lulopetista, dizer coisas que as pessoas gostam de ouvir. Lula deve continuar imaginando que o brasileiro é idiota. Como ainda não inventou nada de novo e interessante para anunciar, gastou todo o tempo de uma inserção publicitária do PT na TV dias atrás jactando-se de ter tirado o Brasil do “mapa da miséria da ONU”, de ter promovido à classe média “mais de 40 milhões de brasileiros” e criado fantásticos programas sociais. O que havia de verdade em toda essa jactância populista está se dissipando com a crise, pois o que Lula e Dilma fizeram foi assistencialismo elementar, sem as medidas adicionais que de fato promovem a ascensão social. Um discurso populista requentado não renderá aplausos.

Pior é o fato de que, para manter coerência com a determinação de criar uma “agenda positiva”, será necessário reduzir ao mínimo as medidas de austeridade do ajuste fiscal, quase todas elas impopulares. Isso acabará inviabilizando o ajuste, que é precondição para a adoção de qualquer medida eficaz para a retomada do crescimento econômico. Pois o que o chefão do PT está propondo é a pura e simples repetição da “nova matriz econômica” que funcionou enquanto o Brasil surfava nas águas tranquilas da bonança econômica mundial. Uma fórmula cuja overdose acabou resultando na crise que colocou a economia brasileira na beira do precipício.

O estado atual da economia não permite que o “novo governo” vá simplesmente empurrando a situação com a barriga. Diante da enorme incoerência representada pela promessa de conciliar o inconciliável, a pergunta inevitável é a seguinte: afinal, o que Lula tem de fato em mente? Agravar um impasse que, no limite, o libere para chutar o balde, botar toda a culpa em Dilma e no PMDB e virar oposição? É razoável supor que ele tenha fortes razões pessoais para obter as imunidades que imagina devidas a um salvador da Pátria. De quebra, presidiria o País, de novo, a partir de 2018. Que os céus nos protejam!


Original aqui

U.V.

Manchetes do dia

Sexta-feira 2 / 09 / 2015

O Globo
"Dilma dará ministério a ‘pau-mandado’ de Cunha"

Presidente da Câmara teria US$ 5 milhões na Suíça

Cobrado em plenário, deputado se cala, embora em março, na CPI da Petrobras, ele tenha negado ter dinheiro no exterior ; Celso Pansera, seu aliado, assumirá a pasta de Ciência e Tecnologia
Enquanto o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), era cobrado em plenário sobre suas contas na Suíça e se recusava a explicá-las, a bancada do PMDB conseguiu ontem da presidente Dilma a garantia de que o deputado Celso Pansera (PMDB-RJ) será nomeado ministro de Ciência e Tecnologia. Pansera foi acusado pelo doleiro Alberto Youssef, preso na Lava-Jato, de atuar como “pau-mandado” de Cunha na CPI da Petrobras para tentar intimidar delatores do esquema de corrupção. As negociações com Dilma foram conduzidas pelo líder do PMDB na Câmara, Leonado Picciani (RJ). O MP da Suíça informou que, nas contas que seriam movimentadas por Cunha, sua mulher e uma filha, o presidente da Câmara tinha cerca de US$ 5 milhões. Em março, na CPI da Petrobras, Cunha negou ter dinheiro no exterior. Ontem ele cancelou viagem à Itália alegando que irá ao casamento do senador Romero Jucá. 

Folha de S.Paulo
"Cunha controla 4 contas secretas, diz investigação suíça"

Presidente da Câmara e sua mulher são beneficiários de uma delas; questionado, ele se recusou a comentar

Procuradores da Suíça informaram autoridades brasileiras que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), tem o controle de ao menos quatro contas secretas. Uma delas tem como beneficiários Cunha e sua mulher, a jornalista Claudia Cruz. Após a denúncia, ele cancelou viagem à Itália. As contas foram abertas em nome de empresas offshores, que ficam em paraísos fiscais para dificultar as investigações, mas têm Cunha como beneficiário final. O deputado foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República sob acusação de receber propina do esquema descoberto na Lava Jato. Em depoimento à CPI da Petrobras, em março, o peemedebista disse que não tinha conta fora do país. A omissão pode ser punida com a perda do mandato. Ontem (1º), ele foi questionado sobre o caso no plenário da Casa, mas se recusou a responder. Sua defesa não quis comentar. 

O Estado de S.Paulo
"Cunha esconde conta na Suíça com empresas de fachada"

Acusado de criar estrutura para tentar ocultar seu nome, presidente da Câmara tem cerca de US$ 5 milhões congelados

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), abriu empresas de fachada em paraísos fiscais para esconder seu nome em contas registradas na Suíça, informa Jamil Chade. A informação foi repassada à Procuradoria-Geral da República pelo Ministério Público do país europeu, que também encaminhou anteontem autos da investigação. Suíços congelaram cerca de US$ 5 milhões em quatro contas bancárias cujos beneficiários são Cunha e parentes. Em março, ele negou na CPI da Petrobrás que tivesse conta no exterior. Deputados avaliam que ele pode ser cassado por quebra de decoro em razão dessa declaração. Auditoria do banco suíço levou à abertura no país de ação criminal por suspeita de lavagem de dinheiro e corrupção passiva. A instituição achou disparidades entre a renda declarada por Cunha e valores transferidos e detectou que parte dos depósitos vinha de contas já rastreadas. 
    

quinta-feira, outubro 01, 2015

Dominique

Opinião

O fim do ‘milagre petista’

Estadão
Quando uma consultoria britânica informou, em dezembro de 2011, que o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil medido em dólar havia superado o do Reino Unido e se tornado o sexto maior do mundo, o governo petista não conteve seu entusiasmo. O então ministro da Fazenda, Guido Mantega, vaticinou: “O Fundo Monetário Internacional prevê que o Brasil será a quinta economia em 2015, mas acredito que isso ocorrerá antes”. Mantega disse considerar “inexorável” que o País superasse a França e, “quem sabe”, até a Alemanha.

Na época, o País vinha de um crescimento de 7,5% em 2010 e, mesmo diante da crise que abalava a Europa, o governo estimava uma expansão entre 4% e 5% em 2012. Consolidava-se no imaginário lulopetista a sensação de que bastava o voluntarismo estatista, tão caro ao PT, para impulsionar o desenvolvimento brasileiro como “nunca antes na história deste país”, conforme gabava-se o messias Lula da Silva.

Hoje, ruiu o edifício sobre o qual se assentavam as certezas da turma petista. Não passou de uma miragem a perspectiva, tantas vezes anunciada por Lula nos palanques dos quais nunca desceu, de que o Brasil estava finalmente prestes a atingir o Primeiro Mundo – e ainda, de lambujem, promover a “justiça social”. Esse fracasso da política econômica lulopetista ficou ainda mais evidente quando a agência de classificação de risco Austin Rating informou, há dias, que o Brasil, hoje a oitava economia do mundo, passará a ser a nona no ano que vem.
Pode-se explicar essa queda no ranking das maiores economias como consequência da forte desvalorização do real ante o dólar, reduzindo o PIB medido na moeda americana. Mas essa é apenas a causa imediata. A razão de fundo, salientada pela Austin, é que ficou claro que o Brasil “não consegue sustentar seu crescimento econômico”.

Mesmo a alta do dólar não é apenas conjuntural. Ela se dá em razão, principalmente, da grave deterioração das contas nacionais, cuja origem está no segundo mandato presidencial de Lula, agravando-se no primeiro mandato de sua pupila, Dilma Rousseff. O desastre causado pela irresponsabilidade fiscal da dupla Lula-Dilma ainda está por ser inteiramente contabilizado, mas é certo que a ilusão da época em que tudo era possível, desde que houvesse “vontade política”, já pode ser medida pela decadência do Brasil entre as maiores economias do mundo.

O País deverá ser ultrapassado pelo Canadá, que, embora também esteja em recessão, certamente não é visto pelo mercado com a mesma desconfiança reservada ao Brasil. O problema brasileiro é que o crescimento, quando houve, resultou muito mais de uma conjuntura externa favorável do que dos méritos da administração petista. Ficou claro que o Brasil não aproveitou as chances que teve para transformar aquela expansão episódica em crescimento sustentável, especialmente por causa das idiossincrasias de Dilma em relação aos investimentos privados e ao apego da petista à ideia de que o Estado deve ser o motor do desenvolvimento.

O fim do “milagre petista”, que não durou nem três anos, terá especial impacto justamente sobre os mais pobres. A violenta deterioração da economia, traduzida pela desvalorização do real, eleva a inflação, reduz a atividade produtiva e aumenta o desemprego, fatores que afetam mais aqueles que não têm reservas. Uma pesquisa recente da Federação do Comércio de São Paulo informou que, nos últimos 12 meses, 2% das famílias brasileiras regrediram socialmente – ou passaram da classe C para a D, ou da classe D para a E.

Mesmo que o PIB brasileiro se mantivesse entre os maiores do mundo, isso não significaria necessariamente que as grandes deficiências do País estariam superadas, pois a concentração da riqueza ainda é muito acentuada. No entanto, quando o PIB despenca, as chances de resgatar os mais pobres ficam ainda mais remotas. Esse é o grande legado do modo petista de governar.

Original aqui

U.V.

Manchetes do dia

Quinta-feira 1 / 09 / 2015

O Globo
"Suíça confirma contas de Cunha e familiares"

Dados são repassados para a Procuradoria-Geral no Brasil

Presidente da Câmara é suspeito de lavagem de dinheiro e corrupção passiva naquele país; investigação é transferida para o MP brasileiro, que já apura acusações contra o deputado na Lava-Jato

Uma investigação criminal por suspeita de corrupção e lavagem de dinheiro contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), foi aberta pelo Ministério Público da Suíça em abril e transferida ontem para a Procuradoria-Geral da República no Brasil, que já investigava o deputado por acusações relacionadas à Lava-Jato. O MP suíço confirmou a existência das contas em nome de Cunha e familiares. Parte do dinheiro já foi bloqueada. Por ser brasileiro nato, Cunha não pode ser extraditado, informou a Procuradoria em nota. Semana passada, um preso pela Lava-Jato revelara ter feito depósito numa conta de Cunha na Suíça.


Folha de S.Paulo
"Dilma cede a Lula e retira Mercadante da Casa Civil"

Jaques Wagner (Defesa) assume pasta; presidente faz reforma para evitar impeachment

A presidente Dilma Rousseff cedeu às pressões do ex-presidente Lula e do PMDB e substituirá Aloizio Mercadante na Casa Civil por Jaques Wagner (Defesa). A mudança no cargo mais importante do governo e a ampliação do espaço do PMDB de seis para sete ministérios devem garantir a Dilma os votos necessários para evitar a abertura de um processo de impeachment. Mercadante, que vai reassumir a Educação no lugar de Renato Janine Ribeiro, era apontado como desagregador no Planalto, contribuindo para dificultar a relação da presidente no Congresso. Fundador do PT, Jaques Wagner é classificado como um petista mais habilidoso na articulação política e sempre foi o candidato de Lula para a Casa Civil. Assim, o ministro repete trajetória de dez anos atrás, quando, no auge da crise do mensalão, assumiu a articulação política e ajudou a pavimentar a reeleição de Lula. O ex-presidente pediu aos dirigentes petistas que aceitem a perda de cargos do primeiro escalão para ajudar no enfrentamento da crise política. Ele ressaltou que “Dilma fez agora o que deveria ter feito em novembro”, ao se reeleger. 


O Estado de S.Paulo
"Documentos apontam 'compra' de medida provisória no governo Lula"

Mensagens revelam que montadoras pagaram a lobistas para obter prorrogação de desconto do IPI Documentos obtidos pelo Estado indicam que medida provisória editada em 2009 pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva teria sido "comprada" por meio de esquema de lobby e corrupção para favorecer montadoras, revelam Andreza Matais e Fábio Fabrini. Empresas do setor são acusadas de negociar pagamentos de até R$ 36 milhões a lobistas para conseguir do Executivo um ato normativo que prorrogasse incentivos fiscais de R$1,3 bilhão por ano. Mensagens de envolvidos no negócio citam oferta de propina a agentes públicos, sem falar em nomes, para viabilizar a MP 471, que ampliou de 2011 até 2015 a política de descontos do IPI de carros produzidos nas Regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Uma delas, de 15 de outubro de 2010, diz que um dos envolvidos pactuou a entrega de R$ 4 milhões a "pessoas do governo, PT", mas faltou com o compromisso. Para ser publicado, o texto passou pela então ministra da Casa Civil Dilma Rousseff. Anotações de um envolvido descrevem reunião com o então ministro Gilberto Carvalho para tratar da MP quatro dias antes de ser editada.    

quarta-feira, setembro 30, 2015

VFW-Fokker 614


Energia

Pedro Figueiredo é o novo presidente da Eletronuclear

O engenheiro eletricista Pedro José Diniz de Figueiredo foi eleito pelo Conselho de Administração da Eletronuclear presidente da empresa. De família sergipana, nascido em Barra do Rio Grande (BA), com 70 anos, e formado pela UFRJ, Pedro Figueiredo foi Diretor de Operação desde a fundação da Eletronuclear, em 1997. Atualmente ocupa, também, a posição de Chairman no Centro da World Association of Nuclear Operators (WANO), em Paris – unidade que congrega as usinas europeias e argentinas.


Pedro Figueiredo tem 70 anos e foi eleito presidente pelo Conselho de Administração da Eletronuclear

Começou sua vida profissional como Chefe de Turno da Usina Termelétrica de Santa Cruz. Após percorrer todas as posições de carreira - sendo, inclusive, Operador Sênior de Reator - foi nomeado Chefe de Angra 1, em 1982; Superintendente de Produção Termonuclear em 1989; e eleito Diretor de Produção Termonuclear de Furnas em 1994.

Participou pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e pela WANO de diversas missões de avaliação de usinas nucleares na Europa, Ásia e Estados Unidos. Presidente da seção latino-americana da American Nuclear Society (ANS), no biênio 1994/95, Pedro Figueiredo foi uma das seis personalidades mundiais do setor nuclear, agraciada com o Prêmio de Excelência Nuclear da WANO, em 2003. É, também, membro da Junta dos Governadores da WANO, desde 1991, e da Ordem Nacional do Mérito Científico, na categoria Comendador, desde 1998.

Sobre a Eletronuclear

Subsidiária da Eletrobras, a Eletronuclear é a responsável por operar e construir as usinas termonucleares do país. Conta com duas unidades em operação na Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto (CNAAA), com potência total de 1990 MW. Hoje, a geração nuclear corresponde a aproximadamente 3% da eletricidade produzida no país e o equivalente a um terço do consumo do Estado do Rio de Janeiro. Angra 3, que está em construção, será a terceira usina da Central. Quando entrar em operação comercial, em 2018, a unidade (1.405 MW) será capaz de gerar mais de 10 milhões de MWh por ano – energia limpa, segura e suficiente para abastecer as cidades de Brasília e Belo Horizonte durante o mesmo período.

Dominique

Opinião

A agenda antipetista de Levy

Estadão
Sem mencionar o PT uma única vez, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, apontou dois dos maiores estragos causados pela política petista como os principais entraves à retomada do crescimento. Primeiro ponto: todos os demais problemas só serão resolvidos quando se avançar no conserto das contas públicas, hoje a principal fonte de incertezas. Segundo: para conduzir o País a uma nova etapa de crescimento seguro será preciso cuidar da capacidade de oferta, isto é, do potencial de produção. Sem isso, qualquer esforço de reanimação da economia será interrompido quando a demanda bater no muro da oferta e a colisão gerar mais inflação e novos desequilíbrios. O problema do Brasil é a capacidade de oferta. Não é a demanda, insistiu, numa clara negação de um dos pilares do chamado “modelo” consolidado no segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e mantido teimosamente nos primeiros quatro anos da presidente Dilma Rousseff. Levy discursou ontem na premiação das Empresas Mais, uma classificação elaborada pelo Estado.

A política de ajuste apresentada pelo governo é mera imposição da realidade, sustentou o ministro quase no fim de sua exposição. Pode-se discutir se o cardápio de medidas proposto pelo governo é o mais adequado, menos custoso e mais equilibrado na composição. Pode-se debater, por exemplo, a conveniência de recriar o imposto do cheque, a CPMF. Mesmo com prazo de vigência, nada garante sua extinção em dois ou quatro anos, especialmente se os governos estaduais tiverem acesso a uma parte do dinheiro. Pode-se criticar o alcance das medidas programadas para a obtenção do resultado fiscal pretendido para 2016. Mas a precedência do ajuste fiscal, como condição indispensável a todo o resto, é indiscutível.

Não haverá controle da inflação sem melhora financeira do setor público, nem será possível baixar os juros sem risco de maior desarranjo nos preços. O voluntarismo na política monetária foi mais uma vez testado entre 2011 e 2013. O resultado foi aquele previsto por qualquer pessoa sensata. As pressões inflacionárias manifestaram-se mais livremente, os preços dispararam e a insegurança cresceu.

A reparação desse erro impôs um enorme aperto na política de juros, com efeitos muito ruins sobre a atividade econômica e sobre a evolução da dívida pública.

Seria uma enorme tolice repetir esse teste, mas parte dos críticos da política, incluídos, naturalmente, os petistas e seus aliados, insiste nesse ponto, como se eles fossem impermeáveis à experiência.

Mesmo sem citar esses críticos, o ministro foi claro em seu recado. Não haverá, insistiu, redução de juros antes de avanço na política anti-inflacionária e – como condição – no conserto das contas públicas.

Mas a arrumação fiscal, advertiu, envolve a liquidação de atrasos e, portanto, a realização de gastos postergados. “Nós estamos pagando mais de R$ 20 bilhões em subsídios de 2012, 2013... 

No ano passado só foram pagos R$ 4 bilhões.” O governo, explicou, está pondo a casa em ordem, pagando coisas do passado – como despesas do Programa de Sustentação do Investimento e do apoio à agricultura. Traduzindo: além da gastança e do uso irresponsável de recursos do Tesouro, houve a acumulação de compromissos pendurados. O ministro poderia ter apontado um interessante e instrutivo paralelo entre as contas públicas e a inflação. Para ajustar a parte fiscal é preciso, inicialmente, dar um jeito nos esqueletos deixados pela administração anterior. Isso exige despesas. Da mesma forma, o combate à inflação é ainda dificultado, nesta altura, pela alta dos preços politicamente represados numa fase anterior – como os da eletricidade.

Retomar a política do famigerado modelo, como cobram os companheiros da presidente, é reeditar toda essa esbórnia. Para contornar esse risco, o governo tem de vencer pressões de seu partido, de parte do empresariado e de grande parte dos congressistas. Cada aumento do dólar e cada susto dos investidores e credores são um reflexo dessa insegurança.

Original aqui

U.V.

Manchetes do dia

Quarta-feira 30 / 09 / 2015

O Globo
"‘O PR fez o lobby’"

E-mail de ex-ministro revela que Lula atuou em favor da Odebrecht

Documentos apreendidos pela Polícia Federal mostram tentativas do presidente da empreiteira de influenciar ações do Planalto. Instituto Lula diz que atuação foi ‘lícita, ética e patriótica’

E-mails apreendidos pela Polícia Federal na sede da Odebrecht, no âmbito da Lava-Jato, detalham a relação entre a empreiteira e o Palácio do Planalto nos governos Dilma Rousseff e Lula. Nas mensagens, Marcelo Odebrecht, presidente da construtora, hoje preso em Curitiba, sugere o que deveria ser dito por Lula e Dilma a chefes de Estado, em viagens oficiais. Em pelo menos um caso, o ex-presidente repete em discurso o tema proposto pelo empresário. Em email a executivos da construtora, em 2009, o então ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Miguel Jorge, confirma que Lula atuou em favor da empresa junto a líderes estrangeiros. “O PR fez o lobby”, diz o texto. O ex-ministro disse que presenciou Lula, ao menos “meia dúzia de vezes”, vendendo empresas brasileiras a outros chefes de Estado, de forma “transparente”. O Instituto Lula disse que a atuação foi “lícita, ética e patriótica”.


Folha de S.Paulo
"Estatais culpam Dilma por crise no setor elétrico"

Eletronorte diz a agência reguladora que governo federal não tomou medidas necessárias em 2014 por ser período eleitoral

Estatais federais culpam o governo Dilma Rousseff (PT) pelo prejuízo de R$ 20 bilhões que usinas hidrelétricas estão sofrendo com a crise do sistema elétrico. A Eletronorte chega a afirmar que medidas deixaram de ser tomadas pelo Executivo em 2014 devido ao período eleitoral, informam Dimmi Amora e Julia Borba. A Eletrobras, principal estatal do setor, diz que o problema não se deve a “condições hidrológicas adversas”, mas a decisões tomadas por agentes do governo. A argumentação das empresas faz parte do debate sobre quem pagará a conta pelo prejuízo quando a geração de energia for suspensa para que se poupe água. O problema é hidrológico e as empresas fizeram “precificação equivocada”, diz a agência reguladora Aneel. Caso a posição das estatais prevaleça, o rombo de R$ 20 bilhões será repassado ao consumidor. O governo quer compensar o setor com concessões mais longas, evitando o aumento da conta de energia. 


O Estado de S.Paulo
"Dilma demite Chioro por telefone e propõe 7° ministério ao PMDB"

Plano é dar outra pasta, além da Saúde, para aprovar ajuste e barrar impeachment

Para mostrar ao PMDB que está disposta a sacrificar o PT em troca de apoio no Congresso, a presidente Dilma Rousseff demitiu ontem por telefone o ministro da Saúde, Arthur Chioro, e já admite a possibilidade de ampliar o espaço dos peemedebistas na equipe. Dilma foi aconselhada a oferecer sete ministérios ao PMDB para contemplar todas as alas, incluindo a do vice-presidente Michel Temer. O plano é tentar barrar pedidos de impeachment na Câmara e aprovar o ajuste fiscal. Com o maior orçamento da Esplanada (R$ 121,2 bilhões), a Saúde é considerada a 'loja da coroa". Na curta conversa com Chioro, Dilma disse que ele deve ficar no cargo só até amanhã. O mais cotado para substituí-lo é o deputado Marcelo Castro (PMDB-PI). Dilma também avalia tirar da Controladoria-Geral da União o status de ministério e redistribuir as funções do órgão.   

terça-feira, setembro 29, 2015

Dominique

Opinião

Confissões na ONU

Estadão
As pessoas otimistas e de boa vontade podem apontar pelo menos um sinal de progresso nas palavras da presidente Dilma Rousseff em Nova York. Desta vez ela se absteve de falar em negociação com o Estado Islâmico. Não se pode ter complacência, disse ela em discurso na Organização das Nações Unidas (ONU), com atos de barbárie tais como “aqueles perpetrados pelo chamado Estado Islâmico e por outros grupos associados”. Inegável o avanço nesse quesito. Mas nenhum grau de boa vontade é suficiente para encontrar algo positivo em seus comentários sobre a economia nacional. Ela continua atribuindo o desastre brasileiro – recessão, desemprego em alta, inflação disparada e contas públicas em frangalhos – à crise iniciada em 2008 nos países mais avançados e ao fim da euforia no mercado internacional de commodities. Nada disso entra na conta de qualquer erro do governo. O discurso, nessa parte, seria até divertido, se fosse menos preocupante.

Se a presidente se mostra ainda incapaz de entender as barbaridades cometidas na política econômica, especialmente a partir de 2011, como confiar em sua capacidade para consertar os danos e levar o País de volta ao crescimento? “Por seis anos”, disse ela, “buscamos evitar que os efeitos da crise mundial que eclodiu em 2008, no mundo desenvolvido, se abatessem sobre nossa economia e nossa sociedade.” Seus críticos sempre souberam disso e ela confirma, com suas palavras, a própria incapacidade e a de seus ministros de perceber os fatos.

O mundo começou a vencer a recessão em 2010, a economia americana voltou a crescer, Alemanha e Reino Unido logo se aprumaram e até os países com maiores problemas fiscais conseguiram avançar nos anos seguintes. Os mais dinâmicos da Ásia mantiveram alto ritmo de expansão e vários latino-americanos progrediram mais rapidamente que o Brasil.

Enquanto isso, o governo brasileiro insistiu em políticas de estímulo ao consumo e de benefícios carimbados para alguns setores e empresas. “Aumentamos os empregos, aumentamos a renda nesse período”, disse a presidente.

Mas o emprego cresceu principalmente em serviços de baixa produtividade. Na indústria, o nível de ocupação diminuiu seguidamente durante o primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff.
O investimento, também citado como item positivo no discurso presidencial, de fato nunca deslanchou. Bateu em 20,7% do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre de 2013. Um ano depois estava em 19,5%. No segundo trimestre deste ano ficou em 17,8%. Mesmo a mais alta dessas taxas seria insuficiente para sustentar uma sólida expansão. Entre 2011 e 2014 o PIB brasileiro cresceu à taxa média anual de 2,1%. Na vizinhança, houve taxas médias de 4,3% no Chile, 5% na Colômbia, 5,2% no Peru e 5,4% no Paraguai.

Desempenho pior que o do Brasil, entre os sul-americanos, só na Venezuela e na Argentina, também submetidas ao populismo e ao mais tosco intervencionismo.

Esse esforço chegou agora ao limite, tanto por razões fiscais internas quanto por aquelas relacionadas ao quadro externo. A lenta recuperação da economia mundial e o fim do superciclo das commodities incidiram negativamente sobre nosso crescimento”, explicou a presidente, num patético esforço de justificação. Não tem sentido falar da “lenta recuperação da economia mundial”, quando até os países mais danificados pela crise iniciada em 2008 crescem mais que o Brasil. A contração de 2,7% projetada pelo Banco Central para este ano é um dos piores desempenhos previstos para 2015. Para 2016 as projeções do mercado indicam um novo recuo de 1%. Nos dois anos a produção industrial, segundo estimativas do setor privado, deve continuar encolhendo.

Quanto à excessiva dependência da exportação de commodities, é consequência dos erros econômicos e diplomáticos dos governos petistas. A menção ao fim do “superciclo das commodities”, longe de ser uma justificativa, é uma confissão de incompetência.

Original aqui 

U.V.

Manchetes do dia

Terça-feira 29 / 09 / 2015

O Globo
"Bolsa cai 42% em dólar, e empresas fecham capital"

Este ano, 12 companhias pediram cancelamento de registro na Bovespa

Estratégia visa a reduzir danos em meio à queda no valor das ações. Cenário nos mercados piorou depois que Brasil perdeu grau de investimento. Governo deve adiar abertura de capital da Caixa Seguradora para 2016
A recessão e a perda do grau de investimento pelo Brasil levaram empresas de diferentes setores a desistirem de negociar suas ações na Bolsa de Valores. Este ano,12 companhias já pediram para cancelar seu registro na Bovespa e, assim, fechar o capital, informa Ana Paula Ribeiro. Com as ações baratas, os controladores aproveitam para recomprá-las e evitar uma depreciação maior da empresa. O grupo inclui o BicBanco, a Souza Cruz e a Vigor. Este ano, a Bolsa brasileira perdeu 42% de seu valor em dólar. O mau momento no mercado deve levar o governo a adiar para 2016 a abertura de capital da Caixa Seguradora, prevista para novembro. O governo pretendia arrecadar R$ 4 bilhões com a operação. 

Folha de S.Paulo
"Modelo de crescimento do país se esgotou, diz Dilma"

Nos EUA, presidente admite dificuldades e defende ajuste

Em discurso na Organização das Nações Unidas, em Nova York, Dilma Rousseff disse que o modelo que ajudou a economia brasileira a crescer nos últimos anos se esgotou e que problemas internos contribuíram para as dificuldades atuais do país. A presidente defendeu as medidas adotadas para estimular a economia desde a crise internacional de 2008, com o objetivo de preservar empregos e investimentos. Ressaltou, contudo, que não há mais como mantê-las. “Esse esforço chegou a um limite, tanto por razões fiscais internas como por aquelas relacionadas ao quadro externo”, afirmou. A petista defendeu o pacote fiscal apresentado ao Congresso, com um corte de R$ 26 bilhões em despesas e alta de impostos, que, segundo ela, reorganizará as contas e reduzirá a inflação. Dilma enfatizou a estabilidade política do Brasil em uma tentativa de combater a desconfiança estrangeira, ampliada devido à retirada, pela agência de risco Standard & Poors, do selo de bom pagador da dívida. Ela disse também que o país continuará “trilhando o caminho democrático”, em frase que aliados consideraram um recado aos que querem abertura de processo de impeachment.
 

O Estado de S.Paulo
"Lobista diz ter depositado propina para Cunha na Suíça"

Suposta transferência estaria ligada a contrato da Petrobras; presidente da Câmara não comenta declaração

O empresário João Henriques, lobista ligado ao PMDB, afirmou à PF ter aberto conta na Suíça para pagar propina ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Henriques não especificou valores e datas. Segundo ele, a suposta transferência para Cunha está ligada a contrato da Petrobrás relativo à compra de campo de exploração em Benin, na África. As declarações ampliam as suspeitas sobre o deputado, que já foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República por corrupção e lavagem de dinheiro. Outros dois alvos da Lava Jato, o executivo Júlio Camargo e Fernando Falcão Soares, o Fernando Baiano, também apontado como operador do PMDB no esquema, relataram que Cunha recebeu US$ 5 milhões em propinas na contratação de navio-sonda da Petrobrás é m 2006. O deputado nega ter recebido dinheiro ilícito e tem dito que "não é comentarista de delação".   

segunda-feira, setembro 28, 2015

Dominique

Opinião

Democracia de resultados

Estadão
Apenas 15% dos brasileiros se dizem satisfeitos com a democracia, segundo recente pesquisa do Ibope. Trata-se de um resultado que não condiz com a solidez alcançada pelas instituições democráticas do País três décadas após o fim da ditadura militar. Não faz nem um ano houve eleições no País, em que todos puderam exercer livremente seu direito de escolha, conforme os padrões aceitos nas democracias mais avançadas. Bem ou mal, temos um Judiciário independente e uma imprensa livre. Há problemas, e eles são muitos, mas nada que justifique tamanha insatisfação da maioria absoluta da população com o regime democrático, inédita na história desse levantamento do Ibope, feito desde 2008.

A explicação pode estar no fato de que os brasileiros em geral confundem democracia com prosperidade. Se o País vai bem, se há estabilidade, emprego e aumento da renda, cresce muito o nível de satisfação com a democracia. Foi o que se constatou no final do ano passado, quando ainda se vivia a fantasia criada pelos marqueteiros petistas a respeito do estado da economia.

Na ocasião, a pesquisa do Ibope indicou que 39% dos brasileiros se diziam satisfeitos com a democracia, o maior nível desde 2010. Estava claro que parte desse entusiasmo podia ser atribuído aos eleitores da presidente Dilma Rousseff, que havia sido reeleita fazendo uma campanha em que prometia mundos e fundos, uma continuação do logro lulopetista para iludir os mais pobres. Tanto que o maior porcentual de satisfeitos com a democracia estava no Nordeste (50%) e entre os que estudaram até o ensino fundamental (44%).

Em contraste, a pesquisa feita após as manifestações de 2013 indicou que apenas 26% estavam satisfeitos com a democracia. Eram tempos em que políticos e governantes em geral estavam sendo responsabilizados pela má qualidade dos serviços públicos - ou seja, nada a ver com a qualidade da democracia em si, mas com a incapacidade da classe política de inspirar confiança nos eleitores no que diz respeito à administração do Estado.

Agora, no entanto, encontramo-nos em outro patamar de desencanto com a democracia.

Passam de 80% os brasileiros que se dizem pouco ou nada satisfeitos com esse regime. Como lembra José Roberto de Toledo, que divulgou a pesquisa em sua coluna no Estado, trata-se de um porcentual desconhecido mesmo em nações com imenso déficit de democracia na América Latina, como a Venezuela. No país governado pelo aprendiz de caudilho Nicolás Maduro, em que as eleições servem somente para legitimar o autoritarismo chavista, apenas 22% se dizem insatisfeitos com a democracia, segundo a mais recente pesquisa do Latinobarômetro (ver abaixo o editorial Desencanto generalizado). Na Bolívia, onde Evo Morales também tudo faz para se perpetuar no poder, os críticos da democracia são 10%.

A insatisfação dos brasileiros com a democracia é certamente um reflexo da imensa crise moral que se abateu sobre a classe dirigente, especialmente a partir do mau exemplo dado por aqueles que, quando estavam na oposição, diziam ser o antídoto para a corrupção e os desmandos, e que, quando chegaram ao poder, há uma década, estabeleceram um novo patamar de rapina.

Mas isso não explica tudo. Lula foi reeleito presidente no auge do escândalo do mensalão, e a petista Dilma Rousseff elegeu-se duas vezes mesmo depois que vários dirigentes de seu partido foram presos por corrupção. A questão, portanto, é outra: a decepção com os políticos, com a política e com a democracia aumenta quando se deteriora o cenário econômico e se constata que o governo e o Congresso não entregaram o que prometeram. A democracia tem sido vista pelo eleitor, portanto, como um meio para garantir ganhos pessoais; se os ganhos não aparecerem, culpe-se a democracia.

“É sinal de que os valores democráticos não estão arraigados”, disse Marcia Cavallari, do Ibope. O problema é claro: aceita-se a democracia como a melhor forma de governo, desde que os eleitos garantam emprego, renda e benefícios. Trata-se de uma forte vocação para o populismo.

Original aqui

U.V.

Manchetes do dia

Segunda-feira 28 / 09 / 2015

O Globo
"País fixa meta de cortar 37% de gases"

Ambientalistas dizem, porém, que promessa não traz grandes avanços

Plano apresentado por Dilma faz do Brasil o primeiro emergente a adotar objetivos oficiais para toda a economia

A presidente Dilma Rousseff apresentou ontem na ONU a meta brasileira de cortes de emissões de gases do efeito estufa. Porém, elas são menos ambiciosas do que o esperado por ambientalistas. O objetivo é reduzi-las em 37% até 2025 e chegar a 43% em 2030. Segundo Dilma, isso será feito com a eliminação do desmatamento ilegal e investimento em energia renovável. O plano tem impacto político porque toma o Brasil o primeiro emergente a ter metas.


Folha de S.Paulo
"Recessão empurra classe média para trabalho autônomo"

Brasil em crise: Modalidade já representa 20% da população ocupada e inclui mão de obra mais qualificada atrás de renda

Quatro milhões e meio de brasileiros se enquadraram em agosto no trabalho por conta própria, segundo dados do IBGE colhidos nas principais regiões metropolitanas. Isso equivale a 19,8% da população ocupada, maior patamar registrado desde dezembro de 2006.

O aumento do desemprego no país explica a alta.

Grande parte dos autônomos tem entre 25 e 49 anos, sustenta a família e não pode esperar uma oportunidade de vaga. Essa é justamente a faixa etária em que a taxa de desocupação mais cresceu: 65% em um ano.

Quem atua por conta própria sente, em média, queda menor no rendimento que o empregado contratado.

Em agosto, o primeiro grupo teve redução de 1,7%, nos ganhos, metade da sentida por trabalhadores CLT. A entrada no grupo autônomo de mão de obra mais qualificada, como advogados e engenheiros, eleva a média de rendimentos, ainda que eles ganhem menos agora do que quando empregados. 


O Estado de S.Paulo
"Brasil quer cortar em 37% emissão de gás estufa até 2025"

Especialistas consideram meta ambiciosa, mas avaliam que poderia ser maior

A presidente Dilma Rousseff apresentou ontem o plano do País para combater as mudanças climáticas. Até 2025, as emissões brasileiras de gases de efeito estufa devem cair 37% e, até 2030, 43% - os valores são relativos aos níveis registrados em 2005. A meta, considerada ambiciosa ante às de outros países, será levada à Conferência do Clima, em dezembro. O encontro tem o objetivo de fechar acordo global de redução das emissões de gases de efeito estufa. Em discurso na Conferência da ONU para o Desenvolvimento Sustentável, em Nova York, Dilma afirmou que “a ambição continuará a pautar nossas ações”, após lembrar que em 10 anos o desmatamento da Amazônia caiu 82%. Se a meta for cumprida, as emissões brasileiras devem passar de 2,04 gigatoneladas de CO2 – equivalente, registradas em 2005, para 1,30 Gt em 2025 e 1,16 Gt em 2030. Ambientalistas e pesquisadores elogiaram a proposta, mas fizeram ressalvas e disseram que a meta poderia ser mais ousada. 
  
 
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