sexta-feira, setembro 25, 2015

Breguet 763 Provence


Coluna do Celsinho

Iluminar

Celso de Almeida Jr.

Nos jornais, recheados de notícias ruins, procuro as boas novas.
Difícil...

Nesta semana, entretanto, senti o coração e o pensamento confortados.
Arte do Papa Francisco.

Sim, ele mesmo, nosso argentino mais querido.

Que bonito o seu desempenho no Congresso Americano!!!

Como é agradável ver um ser humano inteligente, educado e sereno tratar de temas tão intensos.

Selecionei algumas de suas frases:

"Não tenhamos medo dos estrangeiros".

"Nós americanos não tememos os estrangeiros porque muitos de nós já fomos um dia os imigrantes que aqui chegaram".

"O correto uso de recursos naturais, a apropriada aplicação da tecnologia e a capacidade de orientar o empreendedorismo são elementos essenciais para uma economia que tenta ser moderna, inclusiva e sustentável".

“Nenhuma religião é imune a diversas formas de aberração individual ou de extremismo ideológico”.

"O sonho de Luther King ressoa em nossos corações”.

"Diante do silêncio vergonhoso e cúmplice, é nosso dever enfrentar o problema e acabar com o tráfico de armas”.

"Uma nação é considerada grande quando defende a liberdade, como fez Abraham Lincoln”.

“Tratemos os demais com a mesma paixão e compaixão com que queremos ser tratados".

Frases simples, diretas, necessárias.

Iluminando o bom caminho.

Dominique

Opinião

Imposto em Cascata

Gabeira
Joaquim José da Silva Xavier. Foi traído e não traiu jamais a inconfidência de Minas Gerais. Dentro e fora do Brasil, impostos sempre geram conflitos. Tiradentes que o diga. Pagou em parcelas de carne e osso a ousadia de combatê-los no Brasil Colônia. Vivi quase uma década na Suécia, país de impostos altos. Algumas pessoas reclamavam de tarifas progressivas.

Argumento: trava o estímulo para produzir mais. Nunca vi, entretanto, alguém negando a qualidade dos serviços que o governo prestava. Era uma evidência cotidiana.

Em 2013, milhões de pessoas foram às ruas no Brasil exatamente pedindo melhores serviços públicos. De lá para cá nada mudou, exceto a descoberta do maior escândalo do século na Petrobras. Com ele surgiram também outros escândalos menores. E a conclusão expressa até por ministros do Supremo: o sistema de poder que dominou o Brasil é na verdade uma organização criminosa. Hoje, as pessoas têm muitas razões para achar que seus impostos são tragados pela incompetência e pela corrupção.


O governo quer que elas se esforcem mais. Se as consultasse sobre a proposta, receberia um maciço “não”. Ainda assim, as pessoas perguntam na rua: vai passar? Em termos puramente teóricos seria rejeitada pelo Congresso. Afinal, os representantes devem expressar a vontade de seus eleitores. Mas todos sabemos que o buraco é mais embaixo.


O governo, no momento, não domina a maioria dos votos. Mesmo entre seus aliados, o instinto de sobrevivência política costuma falar mais alto. O que um governo decadente pode oferecer em troca da execração dos próprios eleitores?


Creio que muitas decisões vão depender desse cálculo. No Brasil de hoje é possível difundir com muita rapidez a lista com o voto de cada deputado.


Perto da CPMF, os outros improváveis cortes do pacote do governo são secundários. É este imposto que vai ser o centro da batalha nas próximas semanas. De um lado, Dilma Rousseff já nas cordas, de outro a grande rejeição ao novo imposto. Ouso dizer que a sociedade é a favorita nessa luta.


No debate, vai aparecer muita gente dizendo como o imposto é importante para fazer o bem. No passado, o bem da saúde, agora o bem dos velhinhos. Por convicção, não tenho resistência a impostos. Pagaria tudo sorrindo se soubesse que o dinheiro está sendo bem aplicado. Não é o caso.


Então o que fazer? O CPMF é um imposto em cascata cobrado automaticamente nas transações financeiras. Podemos protestar, mas lembro que já se protestou contra a incompetência, em 2013, e mais especificamente contra a corrupção em 2015.


Não creio apenas em grandes manifestações. Alguns jornalistas as medem com avidez e podemos ter menos de 300 pessoas: vão concluir que a CPMF triunfou. O governo trata as grandes manifestações como populações de risco tratam as tempestades. Se a casa não caiu, o dia seguinte é de alívio.


Agora será preciso também uma pressão cotidiana sobre os deputados. Pelo menos em tese, dificilmente uma sociedade que tenha passado por um governo incapaz e um pesado esquema de corrupção será obrigada a pagar a conta sozinha.


Dilma decreta o aumento zero para o funcionalismo. Semanas atrás foi aos Estados Unidos e gastou cerca de US$ 100 mil só com aluguel de carros, e, naturalmente, uma limusine.


É toda uma cultura do próprio governo que precisa mudar. Além da incompetência e da corrupção, os governantes se comportam como nababos.


Mesmo na Suécia, onde se prestam serviços eficazes, as pessoas cairiam de susto se vissem uma conta de US$ 100 mil em aluguel de carro por um passeio oficial na Califórnia. Pode-se argumentar: o dinheiro não foi gasto, o governo deu o cano. Então vamos adiante: se os suecos soubessem que o governo contratou os serviços por US$ 100 mil e ainda por cima deu o cano, o próprio gabinete cairia.


Já vivo no Brasil há muitos anos, para não confundir realidades diferentes. Mas existem aspirações universais numa democracia. Uma delas é receber serviços decentes em troca dos impostos. A outra é exigir competência dos que se dispõem a dirigir o país. A ideia de que os governantes devam imitar o padrão de vida dos milionários é uma ilusão, embora a cena política tanto aqui como nos EUA seja povoada de celebridades e fortunas.


Quando me perguntam se a CPMF vai passar, respondo que pela lógica não. Mas não devemos apenas confiar na lógica. A CPMF é apenas um imposto. É toda uma visão de mundo que está em jogo.


Instale-se um governo confiável, eficaz e austero, aí então podemos conversar. O estrago foi muito grande. Se temos de pagar alguma coisa, é razoável que não seja pago exatamente aos responsáveis pelo prejuízo.


A CPMF é um processo kafkiano que se abre contra uma sociedade que não cometeu nenhum crime. Apenas escolheu mal numa eleição que, no fundo, era um tecido de mentiras.


Artigo publicado no Segundo Caderno do Globo em 20/09/2015


Original aqui

U.V.

Manchetes do dia

Sexta-feira 25 / 09 / 2015

O Globo
"Dólar bate recorde e cai a R$ 3,99 após BC ameaçar usar reserva"

Cotação da moeda americana chegou a R$ 4,25

Declaração do presidente do Banco Central, que também avisou que a taxa básica de juros deve ficar estável, fez mercado reduzir aposta contra o real

Depois de cinco altas consecutivas, o dólar fechou ontem em forte baixa, de 3,69%, a R$ 3,992. Pela manhã, a moeda americana bateu novo recorde e chegou a R$ 4,249, levando o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, a declarar que poderia usar as reservas cambiai s do país para conter a volatilidade do mercado. Ele também afirmou que a taxa de juros do país ficará estável. Com isso, os investidores diminuíram suas apostas contra o real, e o dólar caiu com força. O Brasil tem o sexto maior volume de reservas cambiais do mundo, com US$ 370 bilhões. Analistas divergem se a forte pressão sobre a moeda brasileira nos últimos dias foi resultado de ação especulativa ou se é mais um reflexo do agravamento da crise política e econômica.


Folha de S.Paulo
"Impasse com PMDB faz presidente adiar reforma ministerial"

Distribuição de pastas a partido aliado é vista no PT como última cartada contra o impeachment

Com dificuldades para agradar às diferentes alas do PMDB, que iniciaram uma queda de braço pelo controle de ministérios importantes, a presidente Dilma viajou sem fazer o anúncio da reforma ministerial. Ficou para a semana que vem, quando ela voltar dos EUA. A distribuição de cargos de peso a peemedebistas é considerada por petistas a última cartada para desmobilizar a deflagração de processo de impeachment contra Dilma patrocinado pelo principal partido de sustentação do governo. O PMDB preside Câmara e Senado. Para o Planalto, entregar ministérios estratégicos ao PMDB, que já controla seis pastas, dará fôlego a Dilma. Eduardo Cunha discorda. “Ocupação ou menos ocupação de cargos jamais vai resolver as divergências de base que existam”, disse o presidente da Câmara.
 

O Estado de S.Paulo
"Divisão do PMDB faz Dilma adiar reforma"

Com apoio de Cunha, parte do PT usa fase de mudança para pedir saída de Levy, Mercadante e Cardozo

A tentativa de Dilma Rousseff de fazer uma reforma ministerial que lhe permita aprovar o ajuste fiscal e barrar pedidos de impeachment sofreu revés ontem e a presidente teve de adiar o anúncio das mudanças para a próxima semana, após viagem a Nova York. O principal entrave está no PMDB, dividido em grupos que não se entendem quanto às indicações a cargos oferecidos pelo Planalto. Outro foco de preocupação são setores do PT, que, com apoio do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), aproveitam o momento de mudança no primeiro escalão para pedir a troca dos ministros Aloizio Mercadante (Casa Civil), Joaquim Levy (Fazenda) e José Eduardo Cardozo (Justiça). Em nota, o Planalto disse que Dilma adiou a reforma porque partidos aliados queriam mais tempo para consultas internas. Nos bastidores, porém, a informação é de que o PMDB na Câmara exige dois ministérios e não aceita incluir na cota nomes ligados ao vice-presidente Michel Temer.
  

quinta-feira, setembro 24, 2015

Dominique

Opinião

Maconha legal

Ferreira Gullar
A legalização do consumo da maconha tornou-se, sem qualquer dúvida, uma questão importante em vários países, inclusive no Brasil. Em alguns outros países essa legalização ou descriminalização já se deu, como no Uruguai e em Portugal, respectivamente. Aqui no Brasil, o Supremo Tribunal Federal debate descriminalizar o consumo da maconha.

No meu ponto de vista, não é que essa descriminalização esteja errada, já que não me parece justo prender e muitos menos condenar quem consome drogas, seja maconha ou qualquer outra. No meu entender, a providência correta é a ajuda terapêutica para livrar o viciado do vício e uma campanha de esclarecimento pelos meios de comunicação e nas escolas.

Há quem afirme que a maconha não provoca nenhum mal e, portanto, não é necessário tratar o usuário dela. Minha experiência pessoal, nesse terreno, é o contrário: a maconha é um alucinógeno e, portanto, conforme seja o indivíduo que a fume, as consequências tanto podem ser insignificantes como desastrosas.

Conheço os dois tipos de consequências: gente que, fumando-a, sente-se relaxada, como outros, que perdem o controle e fazem qualquer coisa, como tentar estrangular a irmã ou jogar-se da janela do apartamento. Como tenho o mau hábito da sensatez, acho que o melhor mesmo é não arriscar.

Digo isso porque, quando era garoto, levaram-me a experimentar a maconha. Dei uma tragada, achei-a desagradável e não aderi. Meu colega Esmagado, também não aderiu, mas o Maninho, que compunha a nossa trinca, achou um barato.

Depois de tantos anos, eu estou aqui, modéstia à parte, saudável e trabalhando. Esmagado tornou-se craque de futebol, enquanto Maninho passou da maconha para a cocaína (o que costuma ocorrer), sumiu de casa e morreu, antes dos 40, depois de várias internações para livrar-se da droga.

Quem defende a legalização da maconha alega que, como os muitos anos de repressão ao tráfico não acabaram com ele, a solução não é essa. Isso me parece mais um sofisma do que um argumento porque, se o aceitarmos, teríamos que desistir de combater a corrupção, uma vez que, após séculos de combate, ela continua.

Por outro lado, nada indica que a legalização da maconha (ou das drogas em geral) acabará com o tráfico. Um exemplo: a venda de cigarros é legal mas o tráfico de cigarros continua apesar disso. O mesmo pode-se dizer do tráfico de pedras preciosas, cuja venda clandestina se mantém apesar da repressão. Por que, então, o tráfico de drogas, que movimenta milhões de reais, iria acabar? Não vejo razão para acreditar nisso.

Mas tudo bem, a maconha vai ser legalizada, de modo que, a partir daí, o consumidor da erva poderá portar, sem problema, a porção de maconha necessária a seu consumo. Mas não uma quantidade que indique ter ele a intenção de vendê-la. Ou seja, consumo pode, venda não pode.

Aí tenho certa dificuldade de entender: se a lei admite o uso da droga, por que então proíbe sua venda? Como justificar-lhe a proibição se a mesma lei considera seu consumo legal? Parece-me contraditório ou sou eu que estou pensando errado?

Vejamos: se o Estado admite o uso da maconha, ele está inevitavelmente assegurando que ela não provoca mal algum ao usuário, mesmo porque seria um absurdo permitir o livre consumo, pela população, de algo que lhe prejudique a saúde física ou mental. Logo, para todos os efeitos, se o uso da maconha é legalmente permitido será porque nenhum mal ela causa. Mas, se é assim, proibir-lhe a venda não tem explicação.

Ou tem? Uma explicação possível seria que os próprios legisladores não estejam certos de que o amplo consumo da maconha nenhum mal provoque à sociedade e especialmente ao pessoal mais jovem.

Já imaginou se dezenas de milhões de jovens passarem a se drogar e, em vez de cuidar do futuro,de estudar e buscar uma profissão –entreguem-se ao barato da maconha que tem, como principal característica, deixar o cara desligadão dos problemas da vida?

Não resta dúvida de que dói menos viver nas nuvens do que encarar a realidade. Sim, dói menos até o cara cair na real.

Original aqui

U.V.

Manchetes do dia

Quinta-feira 24 / 09 / 2015

O Globo
"Supremo fatia inquérito da Lava-Jato e esvazia Moro"

Por 7 votos a 3, ministros tiram de juiz apuração sobre empresa paulista

Decisão abre caminho para que outros casos que não envolvem diretamente a Petrobras saiam da jurisdição do Paraná ; advogados já preparam recursos para levar inquéritos para outros estados

Pela primeira vez, o Supremo Tribunal Federal mudou a condução das investigações da Lava-Jato, abrindo caminho para que casos que não envolvam diretamente a Petrobras deixem de ser julgados pela Justiça Federal no Paraná. Por 7 votos a 3, o STF tirou das mãos do juiz Sérgio Moro o poder de conduzir apuração sobre supostos pagamentos de propina pela Consist, de São Paulo, num inquérito que envolve a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR). A Justiça Federal em São Paulo cuidará do caso. Um novo delator da Lava-Jato afirmou que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB), dava a palavra final nas indicações na área Internacional da Petrobras. Ele nega.


Folha de S.Paulo
"Dilma promete Saúde e mais 4 pastas ao PMDB"

Presidente tenta evitar impeachment e garantir apoio no Congresso

Em uma tentativa de estancar a crise política, a presidente Dilma (PT) prometeu ao PMDB o comando de cinco ministérios, entre eles o da Saúde, para garantir o apoio da sigla a seu governo. Ela tenta evitar que dissidentes apoiem a abertura de processo de impeachment. O Planalto também precisa reconquistar seu principal aliado, que tem 67 deputados, para conseguir a aprovação dos projetos do pacote fiscal e evitar a votação de propostas que gerem impacto negativo nas contas. O partido atualmente controla seis ministérios. No desenho da reforma, o PMDB comandará cinco ministérios, que somam mais recursos. O nome mais cotado para a Saúde, hoje na cota do PT e com o maior orçamento da Esplanada, é o do deputado Manoel Júnior (PB), médico e aliado de Eduardo Cunha. A cautela para não desagradar às principais alas peemedebistas na reforma — a de Michel Temer e as das bancadas da Câmara e do Senado, lideradas por Eduardo Cunha e Renan Calheiros —, porém, pode adiar para semana que vem o anúncio oficial das mudanças. 


O Estado de S.Paulo
"Supremo decide fatiar inquérito e reduz poder de Moro na Lava Jato"

Caso envolvendo a senadora Gleisi Hoffmann (PT) é separado das investigações sobre desvios na Petrobras; decisão abre brecha para outros desmembramentos

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu ontem "fatiar" um dos desdobramentos da Operação Lava Jato. A maioria dos ministros entendeu que a investigação não deve ficar apenas sob relatoria de Teori Zavascki, responsável pelo caso na Corte, e sob julgamento de Sérgio Moro, que conduza operação na primeira instância, em Curitiba. A decisão foi tomada quando o STF analisava o envolvimento da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) em suspeita de fraude no Ministério do Planejamento. Com a decisão, apurações sobre a petista ficarão com o ministro Dias Toffoli e a parte do caso que envolve o ex-vereador do PT Alexandre Romano, que não tem foro privilegiado, será enviada á Justiça de São Paulo. A medida abre brecha para que advogados de defesa tentem tirar das mãos de Moro "braços" da Lava Jato, cujo núcleo central é o esquema de desvios na Petrobrás. Para Gilmar Mendes, a decisão pode confundir as investigações. "Espalhar processos certamente estará contribuindo para esse grau de confusão que se quer." 
  

quarta-feira, setembro 23, 2015

Bristol 175 Britannia 307


Energia

Eletronuclear inicia reabastecimento da Usina Nuclear Angra 2

No próximo dia 26 de setembro, a 0h, a Eletronuclear vai desconectar a Usina Nuclear Angra 2 do Sistema Interligado Nacional (SIN) para reabastecimento de combustível. Trata-se de uma parada programada (*) com duração estimada de 30 dias. Durante o período, o Operador Nacional do Sistema (ONS) realizará manobras no sistema elétrico de forma a garantir o abastecimento seguro de energia.

Cerca de 1/3 do combustível nuclear será recarregado, além de serem realizadas atividades de inspeção e manutenção periódicas e também instalações de diversas modificações de projeto, que precisam ser feitas com a usina desligada.

Foram contratadas firmas nacionais e internacionais – entre elas a Areva, Siemens e Tecnatom – que irão disponibilizar cerca de 1.300 profissionais (sendo 250 estrangeiros) para dar suporte aos técnicos da Eletronuclear.

Dentre as quase 3.500 tarefas planejadas para o período, destacam-se:

Ø  Recarregamento do combustível do reator;
Ø  inspeção no vaso de pressão do reator;
Ø  inspeção no secundário de um dos geradores de vapor;
Ø  substituição do motor de uma das bombas de refrigeração do reator;
Ø inspeção das tubulações do Sistema de Refrigeração de Serviço de Segurança;
Ø  substituição da tubulação do Sistema de Refrigeração do Circuito Fechado Convencional;
Ø  troca de selo do gerador principal;
Ø  testes de correntes parasitas e inspeção nas palhetas da turbina;
Ø  substituição do transformador de 525 kV;
Ø  modernização do sistema medição de nível do vaso do reator;
Ø  instalação de redundância de alimentação para circuito de controle da turbina.

(*) As paradas para reabastecimento ocorrem a cada 12 meses, aproximadamente, e são programadas com pelo menos um ano de antecedência, levando-se em consideração a duração do combustível nuclear e as necessidades do SIN. Neste ano, em especial, o planejamento também precisou considerar a realização das Olimpíadas em 2016, de modo a não comprometer o fornecimento de energia durante o período dos Jogos.

Sobre a Eletronuclear

Subsidiária da Eletrobras, a Eletronuclear é a responsável por operar e construir as usinas termonucleares do país. Conta com duas unidades em operação na Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto (CNAAA), com potência total de 1990 MW. Hoje, a geração nuclear corresponde a aproximadamente 3% da eletricidade produzida no país e o equivalente a um terço do consumo do Estado do Rio de Janeiro. Angra 3, que está em construção, será a terceira usina da Central. Quando entrar em operação comercial, em 2018, a unidade (1.405 MW) será capaz de gerar mais de 10 milhões de MWh por ano – energia limpa, segura e suficiente para abastecer as cidades de Brasília e Belo Horizonte durante o mesmo período.

Dominique

Opinião

A redefinição dos currículos

Estadão
Encerrado o impasse político entre o ministro da Educação e o chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos, com a exoneração deste último, o governo finalmente divulgou a minuta da Base Nacional Comum Curricular (BNC), que define o conteúdo das disciplinas que devem ser ensinadas nas salas de aula de todo o País, da educação infantil ao ensino médio.

Previsto pelo Plano Nacional de Educação aprovado em 2014 e elaborado por uma equipe de pedagogos e professores de diferentes universidades, o documento será submetido a consulta pública até dezembro, podendo receber sugestões de docentes, escolas, instituições e entidades do setor. No primeiro semestre de 2016, a nova versão será encaminhada ao Conselho Nacional de Educação, responsável por sua aprovação.

Entre outras inovações, a BNC permite a regionalização do ensino básico. A ideia é que 60% do currículo seja comum, obrigando os alunos a aprender os mesmos conhecimentos, ficando a definição dos 40% restantes a critério das escolas, com base nas especificidades sociais, econômicas e culturais de suas respectivas regiões. O texto também define os objetivos do aprendizado em cada área do conhecimento – ciências da natureza, ciências humanas, linguagens e matemática. E flexibiliza o currículo do ensino médio, considerado pelo MEC o mais anacrônico e problemático de todos os ciclos de ensino.

A adoção de uma base curricular comum para todos os alunos do ensino infantil, fundamental e médio é uma prática adotada na Coreia do Sul, Finlândia, Estados Unidos, Canadá, Austrália e Reino Unido, países considerados bem-sucedidos em matéria de educação. O governo acertou ao pôr essa experiência em prática no Brasil. Uma base curricular mínima orienta a definição de políticas educacionais. Permite uma formação mais adequada de professores. E norteia a preparação do material didático. “Quando não se tem clareza do que precisa ser ensinado, não há como se formar o professor e cada faculdade de educação decide como quiser. O mesmo ocorre com os livros didáticos. Como se escolhe o que tem de estar nesses livros? Fazer escolhas é muito importante, porque o livro didático é hoje uma enciclopédia, com 60 ou 70 objetivos, tudo definido de maneira rasa”, diz o diretor da Fundação Lemann, Denis Mizne.

Contudo, a minuta divulgada pelo MEC deixou a desejar em vários pontos. Ela não incluiu o conteúdo relativo à disciplina de História. Pecou pela falta de clareza na questão da alfabetização. Professores das escolas públicas reclamaram que os autores da minuta teriam cedido a pressões de grupos educacionais privados. Dirigentes de ONGs, como Priscila Cruz, do Movimento Todos pela Educação, queixaram-se da falta de objetividade na questão da transversalidade das disciplinas. Por fim, os 40% concedidos para a regionalização do ensino básico foram considerados insuficientes. “Temos um país muito grande, com muitas diferenças e grande diversidade cultural. Quando colocamos 60% de conteúdo fixo comum, estamos tirando parte da autonomia das escolas e dos professores. Vivemos um caos educacional e ele tem como um dos grandes equívocos a retirada da autonomia das instituições de ensino”, afirma Marcia Sigrist Malavasi, professora da Faculdade de Educação da Unicamp.

Nos países que a adotaram, a definição de uma base curricular nacional comum foi um processo lento e complexo. Entre os pedagogos e os técnicos do MEC, o temor é de que a consulta pública resulte em propostas irrealistas, corporativas ou ideologicamente enviesadas – como já se viu na discussão relativa a questões de gênero em matéria de ensino. Além disso, apesar de as inovações trazidas por essa política exigirem grandes investimentos para serem implementadas, o governo não dispõe de recursos por causa do ajuste fiscal, como reconhece o MEC. Por melhores que sejam as intenções das autoridades educacionais, vai demorar tempo para que a definição de uma base curricular comum mínima seja concluída – e mais tempo ainda para que apresente resultados concretos.

Original aqui

U.V.

Manchetes do dia

Quarta-feira 23 / 09 / 2015

O Globo
"Governo muda estratégia e aposta na manutenção de vetos"

Crise e dólar nas alturas levam Planalto a apelar até à oposição

Presidente Dilma e ministros passaram o dia pressionando líderes aliados, e Levy pediu apoio aos tucanos Aécio Neves e José Serra; PMDB recebeu oferta de dois novos ministérios, inclusive o da Saúde

No dia em que o dólar atingiu patamar histórico, o governo mudou a estratégia anunciada na véspera e jogou todas as fichas para tentar garantir a manutenção de vetos a projetos que elevariam ainda mais os gastos públicos. A presidente Dilma e ministros pressionaram aliados e, por telefone, falaram com líderes da oposição em busca de apoio. O ministro Joaquim Levy (Fazenda) ligou para o presidente do PSDB, Aécio Neves, e o também tucano José Serra pedindo colaboração. Entre os projetos vetados está o que dá aumento de até 78% ao Judiciário e o que amplia a todos os aposentados do INSS as regras de reajuste do mínimo. Para agradar ao PMDB, Dilma ofereceu os ministérios da Saúde e de Infraestrutura. 


Folha de S.Paulo
"Crise leva dólar a R$ 4,05, maior valor da era do real"

Governo estima recessão maior que a prevista, mas prevê alta da arrecadação

Os conturbados cenários político e econômico causaram nova disparada do dólar, que rompeu, pela primeira vez na história do real, a barreira dos R$ 4. Fechou a R$ 4,05. A elevação da moeda americana tende a pressionar a inflação. Para economistas, as incertezas intensificaram a cautela de investidores e ampliaram o risco de rebaixamento da nota de crédito. A agência de risco Standard&Poors já tirou do país o selo de bom pagador da dívida. Moody’s e Fitch mantêm o grau de investimento, porém o governo foi avisado de que também será rebaixado por elas se não der sinais concretos de que aprovará o novo pacote fiscal. Apesar de já reconhecer uma recessão maior que a prevista, a equipe econômica fez projeções otimistas de receita para garantir o cumprimento da meta fiscal em 2015 — os cálculos estão bem acima dos do mercado. Com a decisão, o governo se desobriga de promover nova redução de gastos. O Orçamento já teve corte de R$ 78,6 bilhões neste ano. A equipe econômica atribui a alta da arrecadação esperada para a Previdência (R$ 4,1 bilhões) à expectativa de menos gastos com benefícios até julho — o número de concessões caiu em razão da greve de funcionários do INSS.


O Estado de S.Paulo
"Dólar atinge R$ 4,05, maior cotação da história do real"

Crise política e medo de novo rebaixamento motivam alta; escalada complica situação de empresas endividadasO dólar subiu ontem 1,84% e atingiu R$ 4,050, a cotação mais alta da história do real, lançado em 1° de julho de 1994. A disparada foi influenciada pela turbulência política e pelo receio de que o Brasil volte a ser rebaixado por agência de classificação de risco. Preocupada com a alta, a presidente Dilma Rousseff montou operação para tentar emitir sinais de austeridade ao mercado e pediu ajuda ao Congresso. Apenas em 2015, a moeda americana subiu 52,54% em relação ao real. Com a desvalorização dos últimos 12 meses, a moeda brasileira só perde para o rublo russo. A expectativa de especialistas é de que a cotação continue a aumentar, complicando a situação de empresas com dívidas em moeda estrangeira. A disparada do dólar agravou ainda mais a situação financeira da Petrobrás. Desde junho, a estatal já contabilizou uma alta de cerca de R$ 100 bilhões nas dívidas em moeda estrangeira, de acordo com estimativas feitas pela consultoria Economática.  

terça-feira, setembro 22, 2015

Dominique

Opinião

O jogo que prolonga a crise

Estadão
A crise econômica em que o populismo petista afundou o País continua sem perspectiva imediata sequer de algum alívio, porque a área política, nomeadamente o Congresso Nacional, do qual depende a viabilização de qualquer estratégia de combate à causa principal dos problemas – o caos que impera nas contas do governo –, não consegue romper o impasse decorrente da dificuldade de conciliar os interesses pessoais e partidários em jogo. Dito de forma mais clara: enquanto os políticos – do governo, da oposição e do muro – não conseguirem se entender a respeito do que é melhor para eles próprios, dificilmente dedicarão parte de seu precioso tempo à busca do entendimento a respeito do que é melhor para o País.

Esse quadro lamentável é produto do fisiologismo predominante, com raríssimas exceções, nas bancadas parlamentares. Afinal, o toma lá dá cá é a matéria-prima do “presidencialismo de coalizão” concebido por Lula. O surgimento, nos últimos dias, de novas hipóteses para o desfecho da crise naquilo que diz respeito ao mandato da presidente parece ter estimulado as diferentes correntes políticas a buscar caminhos em que corram menos riscos.
Ninguém se atreve a fazer uma aposta que pode dar errado.

O PMDB, maior partido do Congresso e teoricamente ainda aliado do governo, é o maior exemplo das incertezas que imobilizam os grupos políticos. Isso quanto à tomada de decisões oficiais pelos partidos, uma vez que nos bastidores os conchavos correm soltos. A grande alternativa em relação à qual mais cedo ou mais tarde as posições serão definidas é clara: se o que vem pela frente virá com ou sem Dilma Rousseff na Presidência da República. E essa alternativa dependerá dos parlamentares, aos quais compete, estabelecidos os pré-requisitos constitucionais, aprovar ou rejeitar o processo de impeachment.

Os peemedebistas estão divididos. Uma ala na qual se destaca o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, aposta no afastamento de Dilma. Outra, que segue a liderança de Michel Temer, permanece numa expectativa cautelosa, até porque o vice-presidente é o mais provável beneficiário do impedimento da presidente. Só não o será se tiver o próprio mandato também cassado, a partir de uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral. E há também os governistas de carteirinha, como a ministra Kátia Abreu, amiga de Dilma.

Para complicar o quadro, ganharam intensidade em Brasília os rumores sobre a possibilidade de Dilma renunciar. É uma hipótese descartada por quem conhece o temperamento e a história política da presidente, mas que ganha plausibilidade quando se leva em conta que o Congresso pode deixá-la sem condições de governar. E há ainda a influência e o posicionamento de Lula. Oficialmente, o PT continuará apoiando a proposta do governo para o ajuste fiscal. 

Contraditoriamente, porém, na voz de Lula e de lideranças expressivas, continuará também defendendo a mudança da política econômica. Quer dizer: fingirá que aprova as medidas impopulares de austeridade – corte de despesas e aumento de tributos – indispensáveis ao reequilíbrio e à consequente tentativa de retomada do crescimento, mas não abrirá mão do discurso populista de que o ajuste não pode ser feito “nas costas dos pobres”.

Nos últimos dias Lula intensificou suas idas a Brasília para, de acordo com interlocutores habituais, tomar a frente das articulações políticas, principalmente com as lideranças do PMDB e especialmente no Senado, para liquidar qualquer possibilidade de impeachment de sua pupila.

Pode ser apenas jogo de cena, no que Lula é mestre. Dentre as três hipóteses de desfecho da crise política – Dilma garantir-se na Presidência até 2018, ser afastada do cargo por um processo de impeachment ou renunciar –, Lula tem sólidos motivos para, na intimidade, tentar evitar a primeira e a última.

A crise econômica é praticamente impossível de ser debelada até 2018, o que significa que a permanência de Dilma no poder faria o PT sangrar até lá, tornando dificílima uma vitória de Lula. A renúncia seria uma confissão de culpa que respingaria no partido e, principalmente, no criador de Dilma. Com o impeachment, Lula estará livre para assumir oficialmente o comando da oposição, tendo quase três anos para exercer seus dotes de encantador de multidões e tentar recuperar, com as acusações e as promessas de sempre, a aura de salvador da Pátria.

Original aqui

U.V.

Manchetes do dia

Terça-feira 22 / 09 / 2015

O Globo
"Dilma faz apelo a Congresso para adiar votação de vetos"

Cunha diz que seria pôr ‘gasolina na fogueira’ manter reajuste do Judiciário

Planalto comanda ofensiva para evitar elevação de gastos em mais de R$ 127 bilhões; Temer e líderes do PMDB se recusam a indicar nomes para a reforma ministerial que a presidente prepara

Por temer uma derrota que agravaria ainda mais a situação das contas públicas, o Planalto trabalhou ontem para adiar a votação dos vetos presidenciais a medidas que elevariam os gastos do governo em R$ 127,8 bilhões até 2019. Novo articulador político, o ministro Ricardo Berzoini levou a líderes aliados o apelo da presidente Dilma. O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB), afirmou que seria colocar “gasolina na fogueira” derrubar o veto ao projeto que dá aumento de até 78% a servidores do Judiciário. A votação está prevista para hoje. O PMDB ontem se recusou a indicar nomes para a reforma ministerial em preparação por Dilma.


Folha de S.Paulo
"Justiça condena ex-tesoureiro do PT e outros 9 na Lava Jato"

Vaccari Neto foi acusado de corrupção e lavagem de dinheiro; partido considerou sentença ‘injusta’

O ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, o ex-diretor da Petrobras Renato Duque — indicado ao cargo pelo partido — e outras oito pessoas foram condenadas pela Justiça Federal no Paraná por envolvimento em desvios da estatal no âmbito da Lava Jato. É a primeira sentença de Vaccari e Duque em ações ligadas ao caso. Cabe recurso. O ex-tesoureiro recebeu pena de 15 anos e 4 meses de prisão por corrupção, lavagem de dinheiro e associação criminosa. Renato Duque foi condenado a 20 anos e 8 meses. Ambos estão presos. Há cinco delatores entre os dez condenados: o doleiro Alberto Youssef, Pedro Barusco, ex-gerente da Petrobras, Augusto Mendonça, executivo da Toyo Setal, o lobista Julio Camargo e o operador Mario Goes. Na sentença, o juiz Sergio Moro criticou o PT e disse que o elemento “mais reprovável” da corrupção na Petrobras talvez seja a consequência na“ esfera política”. A condenação de Vaccari ocorre três anos após a de seu antecessor no cargo, Delúbio Soares, por corrupção no esquema do mensalão. O PT considerou a sentença “injusta”. A defesa de Duque não foi localizada pela reportagem. 


O Estado de S.Paulo
"Moro condena ex-tesoureiro do PT a 15 anos por corrupção"

Além de Vaccari, decisão da Lava Jato contra núcleo político atinge Duque; juiz vê 'impacto da democracia'

O juiz federal Sérgio Moro condenou ontem o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto a 15 anos de prisão e o ex- diretor da Petrobrás Renato Duque a 20 anos e oito mese s – maior pena da Operação Lava Jato até agora –, por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e associação criminosa. As primeiras condenações do chamado núcleo político do PT no esquema de desvios da estatal incluem ainda outras oito sentenças. Na decisão, Moro afirmou que repasses ao PT entre 2008 e 2012 interferiram no processo eleitoral. “A corrupção gerou impacto no processo político e democrático, contaminando-o com recursos criminosos, o que reputo especialmente reprovável”, escreveu. Em nota, o presidente nacional do PT, Rui Falcão, classificou como um “equívoco” a condenação “sem provas” de Vaccari. Disse ainda que ele deve conseguir reverter a sentença em instâncias superiores. 

Pitacos do Zé


Dia da árvore

José Ronaldo Santos
Hoje, 21 de setembro, comemora-se o Dia da Árvore. É uma data especial à educação escolar.

Afirmo isso porque,  a cada comemoração acompanhada de reflexão e ato concreto, uma nova mentalidade se forma. Foi assim comigo. Na minha escola primária, na Praia do Perequê-mirim, essas comemorações sempre foram marcantes. Ainda me lembro muito bem de cantarmos o Hino Nacional, escutarmos uma preleção e ajudarmos no plantio de mudas por ali mesmo.

Quem levava as mudas era um japonês bem idoso, mas altamente disciplinado e amante da natureza. Ele morava sozinho;  a sua minúscula moradia era na margem da rodovia, vizinho do saudoso Dito Santo. Hoje, ao passar naquele local cheio de casarões, me recordo dessas pessoas tão boas, que marcaram a minha infância com seus bons exemplos. Na verdade, em todos os momentos marcantes da nossa escola ele estava presente, se orgulhando de fazer parte da nossa vida comunitária.

segunda-feira, setembro 21, 2015

Dominique

Opinião

Atração do abismo

Estadão
O desespero – e o desatino – parece ter tomado conta de vez do governo de Dilma Rousseff. Depois de reconhecer que não tem um “plano B” para o caso de ver rejeitadas no Congresso suas medidas apelidadas de “ajuste fiscal” e depois de avisar que o País não aguentará as consequências de novos gastos, o governo informa agora que pretende apelar até mesmo à legalização da jogatina para arrecadar dinheiro e, assim, tentar fechar suas contas.

Isso demonstra que a presidente Dilma Rousseff perdeu o pudor de cogitar soluções irresponsáveis para a violenta crise que ela mesma criou – e a legalização dos jogos de azar, vista há não muito tempo pelo próprio governo petista como temerária, certamente seria uma delas.

Na última vez que o Congresso debateu a legalização dos jogos de azar, em 2010, não faltou quem advertisse que se trata de uma atividade que facilita a ação do crime organizado, pois serve para a lavagem de dinheiro. Além disso, os empresários do jogo disporiam de um grande poder para corromper administradores públicos e integrantes do Poder Judiciário.

Convém lembrar, a esse propósito, que o primeiro escândalo dos governos petistas, ocorrido em fevereiro de 2004, estourou quando se soube que Waldomiro Diniz – então subchefe de assuntos parlamentares da Presidência da República, subordinado a José Dirceu, ministro da Casa Civil na época – fora flagrado em vídeo gravado em 2002 pedindo propina a Carlinhos Cachoeira, notório bicheiro goiano. Diniz queria o dinheiro para si mesmo e para financiar a campanha eleitoral do PT.

Era apenas o primeiro ano da Presidência de Luiz Inácio Lula da Silva, mas estava claro já ali que os projetos para a expansão do poder petista não respeitariam limites morais – perto do petrolão e do mensalão, o caso Waldomiro Diniz é coisa de amadores.

Na estratégia de redução de danos, que incluía baixar a poeira de uma CPI instalada para apurar o escândalo, Lula editou uma medida provisória para proibir bingos e caça-níqueis. Mas a ideia de legalizar o jogo não foi abandonada – o lobby dos empresários da jogatina conseguiu levar à votação na Câmara, em 2010, um projeto de lei específico sobre os bingos.

Na ocasião, os parlamentares governistas, com o apoio das bancadas cristãs e do Ministério Público, conseguiram impedir a aprovação. O governo Lula, a princípio ambíguo em relação ao assunto, tratou de empenhar-se na reta final para barrar o projeto porque temia que novos casos como o de Waldomiro Diniz pudessem complicar ainda mais uma administração que já enfrentava grandes escândalos.

Às vésperas da votação, a assessoria jurídica da Casa Civil emitiu um parecer segundo o qual o projeto poderia fortalecer o crime organizado no País. Ao mesmo tempo, a equipe econômica considerava que as casas de bingo poderiam ser usadas para delitos como sonegação fiscal e lavagem de dinheiro de contrabando e narcotráfico, além de caixa dois.

Na ocasião, o então deputado petista e futuro ministro da Justiça de Dilma Rousseff, José Eduardo Cardozo, argumentou que a legalização do jogo “traria mais malefícios do que benefícios para o País”. Mas eis que o mundo dá voltas e agora, cinco anos depois, o lobby dos jogos de azar ganhou uma inusitada simpatizante – a própria presidente da República.

Seduzida pelos argumentos de que a jogatina pode reforçar o caixa do governo com recolhimento de impostos já no ano que vem, Dilma autorizou os governistas a sondar o Congresso sobre a legalização de bingos, cassinos e até do jogo do bicho. Como resultado dessa articulação, uma proposta do senador Ciro Nogueira (PP-PI) sobre o tema já foi anexada à chamada “Agenda Brasil”, conjunto de medidas para reaquecer a economia. Na justificativa, Nogueira, que é investigado pela Operação Lava Jato, chama de “discurso demagógico” a oposição aos jogos de azar.

Assim, incapaz de superar a crise por meios claros e diretos, Dilma começa a chapinhar em terreno movediço, cedendo à tentação das soluções mágicas – e nocivas – para o País. É brincar com a sorte.

Original aqui

U.V.

Manchetes do dia

Segunda-feira 21 / 09 / 2015

O Globo
"Brasil é líder em número de impostos"

Se a CPMF voltar, país terá o recorde de 93 tributos em vigor

Numa lista de 30 nações, país é o que oferece menor bem-estar à população em relação ao peso da tributação, de 35,42% do PIB
Se a proposta do governo de recriar a CPMF for aprovada, o Brasil passará a ter 93 impostos em vigor, a maior quantidade de taxas e contribuições do mundo, mostra levantamento de especialista da consultoria KPMG. Estudo do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT) revela que, de 30 nações pesquisadas, o país oferece o menor retorno em bem-estar aos cidadãos, mesmo com uma carga tributária de 35,42% do PIB. 

Folha de S.Paulo
"Aliado de vice critica excesso de erros da gestão Dilma"

Ex-ministro Moreira Franco diz que PMDB não trai governo

Ex-ministro da presidente Dilma Rousseff (PT) e aliado do vice, Michel Temer, Moreira Franco (PMDB) afirma que é impossível prever desdobramentos da crise pela sucessão de erros do governo. “O acúmulo de equívocos é uma coisa bárbara”, disse em entrevista à Folha.

Para o ex-ministro, a relação entre PT e PMDB foi minada porque “o governo não confia em ninguém”. Ele sustenta que “o PMDB não trai” e que a queda de Dilma “não é uma meta” da sigla.

Segundo o peemedebista, a legenda busca soluções para o país. Ele defende a movimentação de Temer. “Michel tem sido cauteloso e incompreendido”, apesar de ter feito “milagres” na articulação política.

Moreira Franco alertou ainda para as consequências de desidratar o PMDB, maior partido da base. “Sabemos nos defender. Estamos aqui há 50 anos. Somos o partido que derrubou a ditadura sem matar ninguém, só com a política”.


O Estado de S.Paulo
"Governo reduz ritmo de execução do PAC"

Desembolso para o programa de janeiro a agosto é de menos de 60% do registrado no mesmo período de 2014

A paralisação generalizada de obras federais está refletida nos desembolsos feitos ao longo de 2015 pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), principal vitrine política do governo. Entre janeiro e agosto, a execução orçamentária do PAC atingiu apenas R$ 27 bilhões, dos quais, mais de R$ 19 bilhões referem-se a dívidas de anos anteriores que não foram quitadas, chamadas de “restos a pagar”.

O resultado não chega a 60% do registrado no mesmo período do ano passado, quando os pagamentos alcançaram R$ 46 bilhões, um desempenho já considerado ruim, segundo dados da organização Contas Abertas levantados a pedido do Estado. O cenário atual mostra a crescente desidratação dos investimentos federais. O perfil dos pagamentos realizados revela ainda a dificuldade do governo em quitar suas contas.
 

domingo, setembro 20, 2015

Dominique

Opinião

Imposto em cascata

Perto da CPMF, os outros improváveis cortes do pacote do governo são secundários

Fernando Gabeira
Joaquim José da Silva Xavier. Foi traído e não traiu jamais a inconfidência de Minas Gerais. Dentro e fora do Brasil, impostos sempre geram conflitos. Tiradentes que o diga. Pagou em parcelas de carne e osso a ousadia de combatê-los no Brasil Colônia. Vivi quase uma década na Suécia, país de impostos altos. Algumas pessoas reclamavam de tarifas progressivas.

Argumento: trava o estímulo para produzir mais. Nunca vi, entretanto, alguém negando a qualidade dos serviços que o governo prestava. Era uma evidência cotidiana.

Em 2013, milhões de pessoas foram às ruas no Brasil exatamente pedindo melhores serviços públicos. De lá para cá nada mudou, exceto a descoberta do maior escândalo do século na Petrobras. Com ele surgiram também outros escândalos menores. E a conclusão expressa até por ministros do Supremo: o sistema de poder que dominou o Brasil é na verdade uma organização criminosa. Hoje, as pessoas têm muitas razões para achar que seus impostos são tragados pela incompetência e pela corrupção.

O governo quer que elas se esforcem mais. Se as consultasse sobre a proposta, receberia um maciço “não”. Ainda assim, as pessoas perguntam na rua: vai passar? Em termos puramente teóricos seria rejeitada pelo Congresso. Afinal, os representantes devem expressar a vontade de seus eleitores. Mas todos sabemos que o buraco é mais embaixo.

O governo, no momento, não domina a maioria dos votos. Mesmo entre seus aliados, o instinto de sobrevivência política costuma falar mais alto. O que um governo decadente pode oferecer em troca da execração dos próprios eleitores?

Creio que muitas decisões vão depender desse cálculo. No Brasil de hoje é possível difundir com muita rapidez a lista com o voto de cada deputado.

Perto da CPMF, os outros improváveis cortes do pacote do governo são secundários. É este imposto que vai ser o centro da batalha nas próximas semanas. De um lado, Dilma Rousseff já nas cordas, de outro a grande rejeição ao novo imposto. Ouso dizer que a sociedade é a favorita nessa luta.

No debate, vai aparecer muita gente dizendo como o imposto é importante para fazer o bem. No passado, o bem da saúde, agora o bem dos velhinhos. Por convicção, não tenho resistência a impostos. Pagaria tudo sorrindo se soubesse que o dinheiro está sendo bem aplicado. Não é o caso.

Então o que fazer? O CPMF é um imposto em cascata cobrado automaticamente nas transações financeiras. Podemos protestar, mas lembro que já se protestou contra a incompetência, em 2013, e mais especificamente contra a corrupção em 2015.

Não creio apenas em grandes manifestações. Alguns jornalistas as medem com avidez e podemos ter menos de 300 pessoas: vão concluir que a CPMF triunfou. O governo trata as grandes manifestações como populações de risco tratam as tempestades. Se a casa não caiu, o dia seguinte é de alívio.

Agora será preciso também uma pressão cotidiana sobre os deputados. Pelo menos em tese, dificilmente uma sociedade que tenha passado por um governo incapaz e um pesado esquema de corrupção será obrigada a pagar a conta sozinha.

Dilma decreta o aumento zero para o funcionalismo. Semanas atrás foi aos Estados Unidos e gastou cerca de US$ 100 mil só com aluguel de carros, e, naturalmente, uma limusine.

É toda uma cultura do próprio governo que precisa mudar. Além da incompetência e da corrupção, os governantes se comportam como nababos.

Mesmo na Suécia, onde se prestam serviços eficazes, as pessoas cairiam de susto se vissem uma conta de US$ 100 mil em aluguel de carro por um passeio oficial na Califórnia. Pode-se argumentar: o dinheiro não foi gasto, o governo deu o cano. Então vamos adiante: se os suecos soubessem que o governo contratou os serviços por US$ 100 mil e ainda por cima deu o cano, o próprio gabinete cairia.

Já vivo no Brasil há muitos anos, para não confundir realidades diferentes. Mas existem aspirações universais numa democracia. Uma delas é receber serviços decentes em troca dos impostos. A outra é exigir competência dos que se dispõem a dirigir o país. A ideia de que os governantes devam imitar o padrão de vida dos milionários é uma ilusão, embora a cena política tanto aqui como nos EUA seja povoada de celebridades e fortunas.

Quando me perguntam se a CPMF vai passar, respondo que pela lógica não. Mas não devemos apenas confiar na lógica. A CPMF é apenas um imposto. É toda uma visão de mundo que está em jogo.

Instale-se um governo confiável, eficaz e austero, aí então podemos conversar. O estrago foi muito grande. Se temos de pagar alguma coisa, é razoável que não seja pago exatamente aos responsáveis pelo prejuízo.

A CPMF é um processo kafkiano que se abre contra uma sociedade que não cometeu nenhum crime. Apenas escolheu mal numa eleição que, no fundo, era um tecido de mentiras.

Original aqui

U.V.

Manchetes do dia

Domingo 20 / 09 / 2015

O Globo
"União incha quadro de pessoal de 18 estatais"

Grupo inclui da empresa do inexistente trem-bala à bem-sucedida Embrapa

Número de funcionários cresce 11 mil desde 2009, e gasto com folha dobra em cinco anos. Tesouro desembolsa R$ 15 bi, mas companhias destinam menos de um terço desse orçamento a investimentos

As 18 estatais que dependem de recursos da União têm 47.333 funcionários e dobraram seus gastos com a folha de pagamentos nos últimos cinco anos. Juntas, receberam R$ 15 bilhões do Tesouro Nacional em 2014, mas destinaram apenas 28% desse orçamento a investimentos, informam RUBEM BERTA, CÁSSIA ALMEIDA e MARCELLO CORRÊA. O grupo inclui desde a Embrapa, referência em pesquisa agropecuária, até a Empresa de Planejamento Logístico (EPL), criada para planejar o trem-bala, que não saiu do papel.
 


Folha de S.Paulo
"Congresso cobra cortes, mas aprova despesas bilionárias"

Governo tenta manter vetos de Dilma a projetos da pauta-bomba

O Congresso, que tem cobrado do Planalto redução de despesas, aprovou projetos que gerarão, caso vigorem, gastos anuais de R$ 22 bilhões. O montante se aproxima dos R$ 26 bilhões que o governo quer cortar para equilibrar as contas em 2016.

A presidente Dilma apresentou vetos às propostas que oneram os cofres, mas o Congresso pode derrubá-los nesta semana. Deve haver pressão de aposentados e funcionários públicos, beneficiados pelos projetos, sobre deputados e senadores.

O Executivo busca resgatar sua base para manter os vetos aos textos da chamada pauta-bomba: reajuste de salários do Judiciário, extensão a todos os aposentados da política de valorização do salário mínimo e criação de opção ao fator previdenciário.

Segundo o deputado oposicionista Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP), na Câmara já há votos para derrubar os vetos. Delcídio do Amaral (PT-MS), líder do governo no Senado, afirmou que, sem convicção de vitória, a estratégia será esvaziar o plenário.


O Estado de S.Paulo
"Planalto aposta no Senado para barrar impeachment"

Governistas mapeiam votos pró e contra e iniciam corpo a corpo com aliados para salvar mandato de DilmaDiante do apoio na Câmara ao movimento pró-impeachment de Dilma Rousseff, o Planalto passou a apostar no Senado como a última e mais segura barreira para garantir o mandato da presidente. Além de mapearem o apoio a Dilma na Casa, governistas iniciaram corpo a corpo com a base aliada. Pelas contas da articulação política, haveria 43 votos a favor do impedimento no Senado – menos do que os 54 necessários. “Não podemos brincar. Está todo mundo atento ao andamento na Câmara”, disse o líder do governo no Senado, Delcídio Amaral. A avaliação de integrantes da cúpula da Casa e até de líderes de oposição é de que o processo no Senado ainda não “está maduro” e não cabe no momento incentivar o “rompimento democrático”. Também há entendimento no PMDB de que, em meio à falta de solução para a crise, assumir o País com o vice Michel Temer traria desgaste ao partido. 
 
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