sábado, setembro 12, 2015

Dominique

Opinião

Corda em casa de enforcado

Gabeira
Temer falou que Dilma não se mantém no governo com o baixo índice de popularidade. Foi um deus-nos-acuda. Não se fala em corda em casa de enforcado.

O governo só pensa em sobreviver, e paradoxalmente, cava seu próprio abismo. Não me refiro apenas às notícias ruins que os dados econômicos nos transmitem. Refiro-me à performance autodestrutiva do governo. Dilma viveu um 7 de Setembro isolada por placas de ferro, não teve condições de se dirigir ao País, com hora marcada na televisão.

No entanto, na véspera, acordou com uma ideia genial: vou sacanear os militares. Eles estão muito quietos. E assinou um decreto reduzindo os poderes dos comandos das Forças Armadas. Às vezes fico pensando se não é uma tática. Mas não consigo entender sua lógica. Como Dilma não é uma articuladora diabólica, prefiro pensar que é só incapacidade. 

Levy, em Paris, disse que a elevação do Imposto de Renda pode ser um caminho para cobrir o rombo fiscal. É ou não é um caminho?

Ele vai apanhar muito por sua ideia. E talvez nem chegue a apresentá-la. Qualquer Maquiavel de botequim o aconselharia ou a fazer de uma vez ou, então, silenciar.

O erro de Levy ainda se pode explicar pelo desespero de buscar recursos para um Orçamento estourado. Mas é um erro que encobre outro maior: a ideia de aumentar impostos depois de o governo ter perdido a credibilidade.

O raciocínio de Temer, que deu inúmeras explicações sobre a frase, completava-se com a expectativa de que a crise seria superada e Dilma iria recuperar um nível de popularidade”razoável”. Mas é a própria expectativa de Temer que não é razoável. Como Dilma vai recuperar a popularidade? Como vai conduzir a recuperação econômica? Como uma presidente sem experiência política vai fazer a travessia, uma vez que a maioria a considera mentirosa e responsável pelo buraco em que nos metemos?

As raposas do PMDB diriam: para bom entendedor meia palavra basta. Não é bem assim. Carlos Lacerda, no livro República das Abelhas, dizia que o Brasil parecia um homem que foi bêbado para a cama, dormiu pouco e mal, mas precisa acordar bem cedo pela manhã. Você tem de sacudi-lo, estapeá-lo. Se ficar fazendo festinha, ele não se levanta.

Lacerda apoiou alguns socos abaixo da linha da cintura, como o golpe militar de 64. Mas sua frase me fez refletir um pouco sobre esse possível despertar do Brasil.

Os fatos negativos se sucedem. Essa incrível quantidade levará a um salto de qualidade por si própria? Ou vai surgir da esfera da política, no sentido mais amplo, o impulso para que o salto se dê?

As manifestações de 16 de agosto indicaram uma grande confiança na Operação Lava Jato. Uma confiança merecida. No entanto, será que ela basta?

Estamos entrando numa crise de longa duração. Quanto mais tempo perdermos, mais vamos impor ao País, inclusive às novas gerações, grandes dificuldades futuras.

Será preciso uma intervenção maior da sociedade. De todas as maneiras. Em Nova York o cantor Fábio Junior denunciou a quadrilha que domina o Brasil. Alguns discutiram os termos do protesto, o público do cantor, seus recursos estéticos. Mas o cantor e os brasileiros que estavam lá, não importa sua opção estética, são morenos como nós, pagam impostos, têm sonhos e gostam do Brasil. Eles se manifestaram como inúmeros outros o fazem aqui, dentro do País.

Essa pressão social sobre um governo incapaz funciona como algumas sacudidas para o País acordar. Mas como um homem que dormiu tarde e precisa acordar cedo, será preciso ainda mais.

Já está ficando ridícula essa história de Dilma se desculpar pela metade. O governo não tem de responder apenas pelos seus erros, que ela nem admite completamente, usando o condicional: se cometi erros, é possível... Ora, os governos de Dilma e Lula estão na iminência de responder por crimes, no petrolão e nas campanhas presidenciais.

Nesse emaranhado de problemas, há os que, como Temer, têm uma expectativa de que Dilma faça a travessia. Ninguém, no entanto, é capaz de analisar desafio por desafio e nos convencer de como ela vai superá-los.

Da crença num suposto respeito à legalidade eleitoral, desloca-se rapidamente para a crença num milagre. Esperam que Dilma acorde renovada e conduza a grande travessia. Aí, ela acorda invocada e vai mexer com os militares – que, por sinal, foram bastante discretos na reação.
A cada semana inventam um novo imposto. A cada semana fracassam. O governo é um Sísifo ao contrário. Sísifo pelo menos, segundo a lenda, levava a pedra até o alto da montanha e a recolocava incessantemente. O governo está no alto da montanha jogando pedra para baixo. Quebrou o País, dirigi-lo tornou-se uma responsabilidade tão áspera que a própria oposição hesita em assumi-la.

Então, como vamos sair dessa? As pessoas na rua pedem impeachment, de uma forma que as vezes me preocupa. Acham que o impeachment vai resolver todos os problemas. Na verdade, é só um passo. Se as forças políticas não conseguem discutir nem o impeachment, abertamente, o que dirá de um programa nacional para se sair da crise?

Muitos analistas concordam que a crise pode levar-nos a um retrocesso, dependendo da maneira como a enfrentamos. O problema é que nem sequer a estamos enfrentando de forma coordenada. Essa lentidão pode nos custar alguns anos a mais de sufoco.

Dilma naufragou no oceano de suas mentiras, nas correntes geladas da crise, na trajetória de delinquência institucional do PT. No momento, somos como um barco de refugiados à deriva no Mediterrâneo. 

Não podemos naufragar, nem esperar resgate. Somos grandes demais para a Europa, ou qualquer outro continente. Ou nadamos ou afundamos.

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U.V.

Manchetes do dia

Sábado 12 / 09 / 2015

O Globo
"Dilma cortará gastos para conseguir criar imposto"

Planalto tenta conter resistência do Congresso, mas volta a cogitar CPMF

Ideia é aprovar novo tributo nos moldes da antiga taxa sobre movimentação financeira; ao falar publicamente pela primeira vez após rebaixamento do país, presidente disse que é preciso repudiar quem quer a catástrofe

Por exigência de líderes do Congresso, como o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB), o governo Dilma anunciará propostas de criação e aumento de impostos apenas depois de divulgar cortes na máquina administrativa. A previsão é que um plano para reduzir gastos seja divulgado na semana que vem. O governo pretende cortar despesas com viagens, diárias e serviços terceirizados. Também está sendo estudada uma reforma ministerial. A defesa da volta da CPMF, descartada provisoriamente pelo governo há duas semanas depois de ser rechaçada por políticos e empresários, cresceu novamente no governo. Ao falar pela primeira vez depois de o Brasil perder o selo de bom pagador da Standard & Poor’s, a presidente Dilma disse, no Piauí, que é preciso “repudiar os que querem sempre o desgaste e a catástrofe”. O Planalto entregou ontem ao Tribunal de Contas da União (TCU) sua defesa no processo sobre as “pedaladas fiscais”. O ministro da Advocacia Geral da União (AGU), Luís Inácio Adams, disse que o governo não tinha como prever a crise econômica no final de 2014 porque ela evoluiu de “maneira imprevisível”.


Folha de S.Paulo
"Polícia Federal pede ao STF que Lula seja ouvido na Lava Jato"

Para delegado, é preciso investigar se ex-presidente foi beneficiado; procurador-geral analisará a solicitação

A Polícia Federal pediu ao Supremo Tribunal Federal que o ex-presidente Lula seja ouvido no inquérito que trata de parlamentares como desdobramento da Lava Jato, que investiga esquema de corrupção na Petrobras. A solicitação, que foi feita nesta quinta-feira (10) pelo delegado Josélio Azevedo de Sousa, será analisada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Se o procurador não concordar, Teori Zavascki, ministro relator dos processos da Lava Jato no STF, não vai autorizar o depoimento. Em seu relatório, o delegado da PF reconhece que não há provas do envolvimento direto de Lula, mas considera que a investigação “não pode se furtar” a descobrir se o petista foi ou não beneficiado “pelo esquema em curso” na estatal. Segundo ele, o doleiro Alberto Youssef e o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, delatores na Lava Jato, “presumem que o ex-presidente tivesse conhecimento” do desvio de dinheiro. Em Buenos Aires, onde esteve ontem, Lula afirmou que não tinha conhecimento do pedido da PF.


O Estado de S.Paulo
"PF pede ao Supremo que Lula seja ouvido na Lava Jato"

Ex-presidente é apontado como suposto beneficiário de corrupção na Petrobras; ex-ministro são citados

A Polícia Federal pediu autorização ao Supremo Tribunal Federal (STF) para tomar o depoimento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em inquérito da Operação Lava Jato. Ele é apontado como possível beneficiário da corrupção na Petrobrás. Relatório da PF diz que desvios da estatal possibilitaram a formação da base de apoio da gestão Lula no Congresso e o ex-presidente pode ter se beneficiado do esquema, "obtendo vantagens para si, seu partido, o PT, ou mesmo para seu governo". Além de Lula, a PF solicitou oitiva dos ex-ministros Ideli Salvatti, Gilberto Carvalho e José Dirceu. O pedido se baseia em depoimentos dos delatores Alberto Youssef, Paulo Roberto Costa e Pedro Barusco e foi encaminhado ao STF por se tratar de inquérito aberto na Corte envolvendo políticos com foro privilegiado. Mas Lula só será investigado no STF se houver pedido da Procuradoria e envolver outros acusados com foro. 

sexta-feira, setembro 11, 2015

EMB 821 Carajá


Coluna do Celsinho

Ninja na Ubatuba Expo Macchine

Celso de Almeida Jr.

A participação do Núcleo Infantojuvenil de Aviação (NINJA) na 1ª Ubatuba Expo Macchine, realizada no feriado da Independência, rendeu frutos.

Apesar do mau tempo, que inviabilizou a visita de aeronaves, o evento contou com a presença de muitos moradores e turistas, ajudando os integrantes do núcleo a levar a cultura aeronáutica para mais crianças e jovens.

Confira algumas fotos:

http://www.ninja-brasil.blogspot.com.br/2015/09/especial-de-domingo.html

Outra boa nova decidida por lá foi programar para o final de outubro uma exposição de aeromodelos no Centro de Convenções - coincidindo com a Semana da Asa e o aniversário de Ubatuba - novamente com o apoio da Companhia Municipal de Turismo - Comtur. A data exata e os detalhes serão divulgados em breve.

Foi combinado, também, que no 40º Café Voador (encontro mensal de entusiastas da aviação promovido pelo NINJA e que deu origem ao novo Aeroclube de Ubatuba) será inaugurada uma série de mini-palestras, iniciando com a História do Ultra Leve, em apresentação do Polé Lafer de Jesus.

O NINJA já tinha comemorado no mês passado a decisão do Colégio Dominique de adotar a cultura aeronáutica como principal tema transversal - da educação infantil ao ensino médio - produzindo atividades que despertem os estudantes para as questões tecnológicas que o mundo da aviação contempla. Todo o material produzido no colégio será disponibilizado posteriormente em um portal - em fase de estruturação (www.nav10.com.br) - que poderá ser acessado gratuitamente por alunos de outras escolas, públicas e particulares.

Coroando tantas boas notícias sobre o tema, o Aeroclube de Ubatuba iniciará pesquisa para mapear o interesse de estudantes de Ubatuba no curso de Comissário de Voo.

Constatada a viabilidade econômica, este será o próximo desafio: estruturar uma escola de aviação civil na cidade.

Assim, aos poucos, com paciência, sempre buscando mais apoiadores, novas opções profissionais para os jovens ubatubenses serão consolidadas.

Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com

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Dominique

Opinião

A Poliana desajeitada

Estadão
"Temos uma clara estratégia econômica.” Dita em entrevista ao jornal Valor, a propósito do rebaixamento da nota de crédito do Brasil pela Standard & Poor’s (S&P), essa inacreditável frase da presidente Dilma Rousseff resume por que razão devemos temer pelo futuro do País enquanto estiver sendo governado pela petista. Pois foi justamente em razão da falta de uma estratégia clara para enfrentar a crise, na qual o Brasil se encontra graças basicamente à incompetência de Dilma e a uma administração populista que se pautou apenas por interesses eleitoreiros, que a agência americana decidiu tirar do País o selo de bom pagador. Se alguém ainda tinha alguma dúvida sobre como chegamos a esse ponto, Dilma, nessa entrevista, tratou de explicar tudo de forma bem didática.

A respeito da decisão da S&P, que muito provavelmente será seguida pelas demais agências de classificação de risco, Dilma tentou demonstrar que, para o País, não faz nenhuma diferença ter ou não ter o grau de investimento. Ela explicou que, entre 1994 e 2015, o Brasil só teve esse grau durante sete anos, a partir de 2008, e portanto a classificação negativa “não significa que o Brasil esteja em uma situação em que não possa cumprir as suas obrigações”. Negando toda a fragilidade constatada pela S&P e o fato de que a perda do grau de investimento acarretará dificuldades ainda maiores para reequilibrar as contas públicas, Dilma garantiu: “Vamos continuar nesse caminho”.

O “caminho” a que ela aludiu é o de fazer cortes superficiais nas despesas – pois ela não tem coragem nem capital político para realizar os cortes realmente necessários – e pisar no acelerador da arrecadação, algo que, em meio a uma economia em plena marcha à ré, só será possível com uma brutal elevação de impostos. Ou seja, no fim do caminho espera-nos um abismo.

Dilma deu uma pista do tamanho da conta a ser jogada no colo dos contribuintes ao informar que seu governo mantém a meta de obter um superávit fiscal de 0,7% do PIB em 2016 – uma ficção na qual nem mesmo a ingênua Poliana, se presidente fosse, conseguiria acreditar. “Nós temos hoje um déficit de 0,5%. Assim sendo, é preciso tomar medidas de gestão de contenção da despesa. Mas é sobretudo das (despesas) obrigatórias. Mantidos os compromissos que assumimos no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e olhando as demais, você não tem margem para cumprir 0,7%. Então, inequivocamente, teremos de ter ampliação da receita”, explicou Dilma. E, para ninguém ficar em dúvida, ela deixou claro que, na sua visão, a obrigação de cobrir o rombo criado por sua desastrosa gestão é do conjunto dos brasileiros: “(A conta) não fecha sem aumento de receitas, a não ser que o pessoal queira ficar com o 0,5% do PIB de déficit”. O “pessoal” a que ela se refere são os contribuintes e o Congresso.

Quando questionada se o governo não deveria se esforçar um pouco mais antes de aumentar os impostos, Dilma disse que ainda pretende fazer cortes, “enxugar mais um pouco”. Confrontada com o fato de que, ao contrário, a despesa apresentada pelo governo para 2016 crescerá em termos reais, Dilma limitou-se a dizer: “Vamos olhar tudo direitinho”.

Diante da insistência da entrevistadora, que lhe lembrou que a despesa pública cresce acima do PIB há tempos e, portanto, há muito ainda o que cortar, a presidente disse que há diversas variáveis que influenciam o equilíbrio fiscal e, para tranquilizar os brasileiros, disse: “Para cada uma dessas variáveis, vamos olhar como é que fica”. Mais bem explicado, impossível.

Esses são os planos da presidente para enfrentar a maior crise econômica dos últimos tempos. Não surpreende que as agências de classificação de risco duvidem da capacidade da administração petista de reverter o quadro no curto prazo. Enquanto essas agências são obrigadas por seus clientes a fazer avaliações realistas sobre a economia brasileira, Dilma continua fiel à visão lulopetista de que basta “vontade política” para que o País supere o que ela definiu, singelamente, como um “problema momentâneo”. Graças a esse estado de negação, a S&P já avisou que são grandes as possibilidades de rebaixar a nota do Brasil ainda mais.

Original aqui

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U.V.

Manchetes do dia

Sexta-feira 11 / 09 / 2015

O Globo
"Governo reage com resposta improvisada"

Dilma reúne ministros, mas não anuncia medidas concretas

Titular da Fazenda, Levy prometeu enviar propostas de ajuste fiscal ao Congresso até o fim deste mês e disse que os brasileiros deveriam encarar aumento de impostos como investimento

Um dia após a Standard & Poor's rebaixar a nota do Brasil, tirando o selo de bom pagador, a presidente Dilma convocou reunião de emergência para tentar unificar a reação e pediu pressa aos ministros nas sugestões de cortes de gastos, mas não anunciou medidas concretas. O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, disse que até o fim deste mês serão enviadas ao Congresso novas propostas para equilibrar as contas e apelou aos brasileiros para que aceitem aumentos de impostos como investimento. Pouco antes da entrevista de Levy, a Bolsa subiu e a alta do dólar perdeu fôlego, na expectativa de que o ministro anunciasse medidas para viabilizar o ajuste fiscal. Mas, diante da falta de ação do governo, o dólar voltou a subir, refletindo a frustração dos investidores.

Folha de S.Paulo
"Dilma busca nome fora do PT para substituir Mercadante"

Petista avalia que precisa de ‘movimento de impacto’ para retomar governabilidade

Para tentar sair da crise que paralisa o governo, a presidente Dilma Rousseff (PT) estuda substituir o ministro Aloizio Mercadante (Casa Civil) por um nome que atue como um primeiro-ministro e que não seja filiado ao PT, informa Marina Dias. Segundo assessores próximos à presidente, a petista percebeu que precisa fazer um “movimento de impacto”, com ressonância política, para retomar a governabilidade e diminuir o número de derrotas que vem sofrendo no Congresso. A própria presidente avalia, segundo a Folha apurou, que Mercadante falhou nas principais negociações estratégicas no início de seu segundo mandato. (...) Ministros afirmam que o Mercadante deve ser transferido para outra pasta na reforma da Esplanada que a presidente vê como uma das saídas para o déficit fiscal de R$ 30,5 bilhões previsto na proposta orçamentária para o ano que vem.


O Estado de S.Paulo
"Governo reage com resposta improvisada"

Levy chama de 'política' ação da S&P e sugere mais imposto
Para ministro, rebaixamento da nota do Brasil foi 'precipitado' e não se pode ter 'miopia' em relação a tributos

Um dia após o Brasil perder o selo de bom pagador, o ministro Joaquim Levy (Fazenda) tentou tranquilizar o mercado e disse que haverá um pacote de medidas até o fim do mês. O governo quer evitar que as agências Fitch e Moody's sigam a Standard & Poor's no rebaixamento da nota brasileira. Para ele, a decisão da S&P foi "precipitada" e "política". Sem apresentar medidas concretas, o ministro afirmou que o governo cortou R$ 80 bilhões neste ano e sugeriu alta de tributos. "Não devemos ser vítimas de miopia na questão dos impostos porque vamos fazer esforço adicional. Precisamos garantir que o País seja seguro para empresas investirem." Apesar da pressão do Planalto, Levy teria convencido ministros de que agora é cedo para novo pacote e o mercado "não se tranquiliza com palavras, mas ações". Após o dólar disparar, o Banco Central interveio e a moeda fechou a R$ 3,862.
 

quinta-feira, setembro 10, 2015

Dominique

Opinião

Lula na oposição

Estadão
A clara improbabilidade de a atual crise econômica ser satisfatoriamente superada a tempo de permitir ao PT disputar com um mínimo de competitividade a eleição presidencial de 2018 sugere que a opção politicamente mais conveniente para o lulopetismo seria passar para a oposição, livrar-se da responsabilidade de consertar o estrago que fez no País e retomar com vigor o discurso populista que tem sustentado seu projeto de poder. Isso só seria possível, é claro, se o mandato de Dilma viesse a ser abreviado a tempo de Lula assumir, na oposição, seu papel predileto – o de salvador da Pátria em luta de peito aberto contra “eles”, os inimigos do povo. Inimigos que seriam responsabilizados por Lula pelo “golpe” contra Dilma que ele próprio, na intimidade, estaria comemorando.

Essa hipótese, mais de uma vez objeto de análise neste espaço, é claramente reforçada pelo pronunciamento feito por Lula na capital paraguaia, quando contestou declaração feita na véspera por Dilma Rousseff sobre a necessidade de aplicar o “remédio amargo” do corte de gastos – inclusive em programas sociais –, para o ajuste fiscal necessário para debelar a crise econômica. Segundo Lula, a falta de dinheiro é mera “desculpa”, porque “é muito difícil encontrar alguém dos setores da Fazenda e do Tesouro” disposto a contribuir “para ajudar os que vêm de baixo”. As orelhas de Levy arderam.

Com essa manifestação marota que escamoteia o fato de que a atual crise econômica foi provocada, não apenas, mas principalmente, pela gastança descontrolada do governo petista, Lula procura descolar sua imagem da arrasadora impopularidade do poste que colocou na Presidência da República. O ex-presidente brindou a plateia paraguaia com uma exaltação a sua iniciativa de, em seu primeiro mandato, investir em programas sociais: “Era um momento em que a economia brasileira não estava bem (...) em que qualquer ministro da Fazenda (...) iria dizer que não poderia fazer o programa porque não tinha dinheiro. Eu, então, resolvi que era exatamente naquele instante que nós tínhamos que dar o exemplo da inclusão dos mais pobres no Orçamento da União”.

Lula se considera, como se vê, o primeiro e único governante brasileiro a se preocupar com os pobres, aos quais prestou sua homenagem: “O pobre ajudou a salvar o Brasil (ao se beneficiar das políticas de incentivo ao consumo). Eu sempre digo que, antes de eu chegar à Presidência, os pobres eram tratados como se fossem problemas. E hoje eu digo que cuidar dos pobres é a solução”.

Generosamente, Lula compartilhou com o presidente paraguaio, Horácio Cartes, a seu lado na solenidade, a fórmula do sucesso: “Nunca antes tinha acontecido um fenômeno que fizesse com que a economia começasse a girar com tamanha rapidez, e a gente percebeu isso: política pública, crédito e comida para as pessoas”. E acrescentou uma observação que deliberadamente desqualifica do ponto de vista social o governo de sua sucessora: “Eu, portanto, acho que nós estamos em um momento de voltar a acreditar nos pobres outra vez”. 

Lula vinha sendo ambíguo em relação ao programa de ajuste fiscal de Dilma, tendo afirmado várias vezes que o PT precisa apoiar, no Congresso, os projetos apresentados pela equipe do ministro da Fazenda, Joaquim Levy. Era até uma questão de coerência, considerando que foi ele próprio quem sugeriu a Dilma colocar um economista “liberal” no comando da equipe econômica. Só que, agora, o pragmático chefão do PT chegou à conclusão de que é praticamente impossível o governo recuperar a economia em tempo de viabilizar sua própria candidatura à Presidência em 2018. E tem manifestado aos mais próximos a convicção de que, como já não se pode salvar o governo, pelo menos que se salve o PT – ou seja, ele próprio.

Isso explica a situação surreal em que se encontra a presidente da República, que não se decide se conserta ou não o estrago por ela mesma provocado nas contas do governo e na economia nacional e, qualquer que seja a situação, não pode contar sequer com o apoio do partido que a elegeu.
Lula aguarda ansioso, dia após dia com menor discrição, o momento de passar oficialmente para a oposição mirando as eleições de 2018. Para isso é preciso tirar Dilma do caminho. Por razões diferentes, Lula quer o mesmo que a imensa maioria do povo.

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U.V.

Manchetes do dia

Quinta-feira 10 / 09 / 2015

O Globo
"Perda de selo de bom pagador agrava crise"

‘S&P rebaixa Brasil e cita déficit no Orçamento
Levy: projeto será alterado para incluir superávit
Oposição vê ‘desastre’ e empresários lamentam

A agência de classificação de risco Standard&Poor’s rebaixou a nota do Brasil, que, agora, não tem mais o selo de bom pagador e é considerado investimento especulativo. A decisão surpreendeu o governo e economistas porque foi tomada apenas dois meses após a agência ter piorado suas perspectivas para o país. Pesou na decisão, segundo a S&P, o déficit fiscal de R$ 30,5 bilhões previsto no Orçamento de 2016, que, se confirmado, levará o país a registrar três anos seguidos de rombo nas contas públicas. Analistas temem que as agências Fitch e Moody’ s repitam a S&P e alertam que o rebaixamento vai agravar a crise econômica no país. O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, prometeu ajustar o Orçamento de 2016 para obter superávit fiscal de 0,7% do PIB. Para a oposição, a decisão da S&P é “desastre anunciado”.

Folha de S.Paulo
"País perde selo de bom pagador"

Ao rebaixar nota, S&P questiona capacidade do governo de se articular politicamente e ajustar contas

A agência de classificação de risco Standard& Poor’s cortou ontem (9) a nota de crédito do Brasil. Com a decisão, o país perdeu o selo de bom pagador da dívida. O Brasil teve a nota rebaixada de BBB- para BB+. A S&P ainda colocou a nota em perspectiva negativa, o que indica a possibilidade de novos rebaixamentos. Para a S&P, a incapacidade da gestão Dilma de equilibrar as contas e as divergências de membros do governo foram motivos para a perda do grau de investimento, concedido em 2008. A agência ressaltou que a proposta do Orçamento de 2016 enviada ao Congresso inclui revisão da meta de superavit primário menos de seis semanas após o governo ter anunciado redução. Para o ministro Nelson Barbosa (Planejamento), a decisão foi uma surpresa. Com a notícia, o Brasil passa a ter risco maior de perder investidores, e o dólar deve ser ainda mais pressionado. Nas duas outras principais agências de classificação de risco, a Fitch e a Moody’s, o Brasil mantém o status de bom pagador.

O Estado de S.Paulo
"Brasil perde grau de investimento; agência cita déficit no Orçamento"

Standard & Poor's foi a primeira a retirar selo de bom pagador obtido pelo País em 2008

Mercado trabalhava com possibilidade, mas em um prazo maior
Além da recessão e da falta de perspectiva nas contas públicas, crise política também pesou na decisão

Nove dias depois de o governo Dilma Rousseff enviar ao Congresso projeto de Orçamento com déficit inédito de R$ 30,5 bilhões, a agência internacional de classificação de risco Standard & Poor's retirou do Brasil o grau de investimento - uma espécie de selo de bom pagador que dá confiança a investidores para aplicar dinheiro em um país. O rating brasileiro caiu de BBB- para BB+, com manutenção da perspectiva negativa de nota. A perda ocorre sete anos após a S&P pôr o Brasil num seleto grupo de nações. O País, porém, ainda mantém grau de investimento das agências Fitch e Moody's. Além da recessão e da falta de perspectiva nas contas públicas, pesou a crise política - sem sinais de melhora. Para a agência, a mudança da meta de 0,7% do PIB de superávit para 0,3% de déficit "reflete divergências internas sobre a composição e a magnitude das medidas necessárias para corrigir a derrapagem nas finanças públicas".

quarta-feira, setembro 09, 2015

Embraer E170


Eventos

Eletronuclear participa de seminário sobre física nuclear

Divulgação
O diretor de Planejamento, Gestão e Meio Ambiente da Eletronuclear, Leonam dos Santos Guimarães, participa amanhã (10 de setembro), da 38ª Reunião sobre Física Nuclear no Brasil, no Portobello Resort & Safari, em Mangaratiba.

No evento, promovido pela Sociedade Brasileira de Física, Guimarães é um dos convidados da mesa redonda que discutirá a criação da Agência Nacional de Segurança Nuclear. Além dele, participam: Ayrton José Caubit da Silva (ABDAN), Ivan Pedro Salati (CNEN), José Marcus Godoy (Sociedade Brasileira de Proteção Radiológica) e Ricardo Magnus Osório Galvão (Sociedade Brasileira de Física).

Evento: 38ª Reunião sobre Física Nuclear no Brasil

Horário: 16h30

Data: 10 de setembro de 2015

Local: Portobello Resort & Safari - Rodovia Rio Santos, Km 434 - Mangaratiba - RJ

Mais informações:

http://www1.sbfisica.org.br/

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Dominique

Opinião

O petrolão chega ao Planalto

Estadão
O escândalo do petrolão chegou ao núcleo duro do governo de Dilma Rousseff. Estão sendo investigados dois dos principais ministros da presidente, os petistas Aloizio Mercadante, da Casa Civil, e Edinho Silva, da Comunicação Social – responsáveis diretos pela chamada “cozinha” do Planalto, onde todos os passos políticos do governo são decididos. Com o escândalo instalado na sala ao lado, Dilma, se tiver bom senso, pode afastar os dois imediatamente e proteger o mínimo que lhe resta de governabilidade ou então pode mantê-los e aceitar as consequências de ter assessores tão próximos sob o escrutínio da Justiça e da opinião pública, correndo o risco, ela mesma, de se ver salpicada de lama.

A pedido da Procuradoria-Geral da República, o ministro do Supremo Tribunal Federal Teori Zavascki autorizou a abertura de investigação contra Edinho, que foi tesoureiro da campanha de Dilma Rousseff à reeleição. Ele teria recebido R$ 7,5 milhões em propinas da UTC Engenharia, segundo declarou o dono da empreiteira, Ricardo Pessoa, em delação premiada.

Em seu depoimento, Pessoa afirmou que deu o dinheiro a Edinho depois que o tesoureiro fez ameaças veladas sobre a possibilidade de perder contratos com a Petrobrás caso a campanha de Dilma não recebesse os recursos. “Você tem obras na Petrobrás. O senhor quer continuar tendo?”, perguntou Edinho a Pessoa, segundo a revista Veja. O empreiteiro também informou que, entre 2010 e 2014, repassou dinheiro ao tesoureiro da campanha de Dilma em 2010, José de Filippi, e ao então tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, além de ter dado recursos para a campanha de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência em 2006. Por esse motivo, a Procuradoria-Geral da República pediu que fossem investigadas todas as campanhas presidenciais petistas desde aquela de 2006.

Já Mercadante será investigado por ter recebido R$ 250 mil de Pessoa para sua campanha ao governo de São Paulo em 2010. Ele sustenta que a doação foi legal, mas Pessoa alega que se tratou de propina disfarçada de doação eleitoral, para lhe garantir contratos com a Petrobrás.

Tornou-se recorrente a suspeita de que as campanhas eleitorais petistas receberam dinheiro ilegal, fruto de pagamentos de suborno no escândalo da Petrobrás. Há tempos multiplicam-se as evidências de que toda a arquitetura da roubalheira na estatal foi pensada para financiar os esforços do PT para se manter no poder e, de quebra, abastecer os cofres de partidos aliados e os bolsos dos chamados “operadores” do esquema.

O PT, como resposta-padrão, insiste em que o dinheiro é resultado de doações devidamente registradas em suas prestações de contas. Para os procuradores e policiais que trabalham para desvendar o esquema, porém, as doações “legais” nada mais são do que truque para branquear o dinheiro da propina. O empreiteiro Pessoa chegou a dizer que depositava o dinheiro da propina “oficialmente numa conta do Partido dos Trabalhadores”.

Para uma presidente que precisa desesperadamente de alguma tranquilidade e que procura demarcar seu governo como um terreno a salvo da corrupção, é no mínimo imprudente manter Edinho e Mercadante como ministros. Os dois poderiam pedir licença de seus cargos enquanto se desenvolvem as investigações, a exemplo do que fez, em 1993, o então chefe da Casa Civil, Henrique Hargreaves, citado na CPI que apurava o escândalo do Orçamento. Amigo do então presidente, Itamar Franco, Hargreaves poupou-o do constrangimento de se ver investigado enquanto exercia uma importante função de Estado. Três meses depois, quando ficou claro que ele nada tinha a ver com a história, Hargreaves foi reconduzido à Casa Civil.

Já os ministros petistas parecem dispostos a permanecer exatamente onde estão, na presunção de que um eventual afastamento seria como uma confissão de culpa. Ao alegarem que investigado não é o mesmo que culpado, eles preferem acrescentar ainda mais desgaste ao cotidiano de uma presidente que vive o inferno da queda de popularidade combinada com uma profunda crise econômica. Para que a tempestade ficasse perfeita, faltava apenas que as ondas do mar de lama quebrassem no Planalto. Agora não falta mais.

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U.V.

Manchetes do dia

Quarta-feira 9 / 09 / 2015

O Globo
"Contra crise, Levy não descarta aumentar IR"

‘Governo planeja elevar Cide, IOF e IPI; Temer volta a divergir de Dilma

Ministro da Fazenda disse que aumento do tributo sobre a renda pode ser um caminho e precisa ser debatido rapidamente

O ministro Joaquim Levy (Fazenda) admitiu ontem a possibilidade de aumentar o Imposto de Renda “sobre rendas mais altas”. “Pode ser um caminho”, disse ele, para quem a discussão precisa ser amadurecida “rapidamente no Congresso”. A equipe econômica estuda elevar as alíquotas de três tributos (IPI, Cide e IOF) para arrecadar mais R$ 18 bilhões. Um dia depois de a presidente Dilma admitir ter de adotar “remédios amargos” contra a crise , o vice Michel Temer usou a mesma expressão, mas para descartar esse receituário.

Folha de S.Paulo
"Governo estuda aumentar Imposto de Renda, diz Levy"

Elevação do tributo ajudaria a reduzir deficit e reequilibrar contas

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, afirmou, após reunião na OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico), em Paris, que o aumento de alíquotas do Imposto de Renda está em estudo pelo governo federal para reequilibrar as contas. Levy não deu mais detalhes sobre a proposta. Segundo assessores do governo ouvidos pela Folha, há ao menos duas ideias em discussão. Uma delas seria a criação de uma quarta faixa de cobrança para pessoas de renda mais alta,com alíquota entre 30% e 35%. Além do aumento do IR, o governo pode definir na próxima semana outras propostas para cobrir o rombo em sua proposta de Orçamento para 2016.

O Estado de S.Paulo
"Governo estuda aumento do Imposto de Renda, diz Levy"

Para ministro, elevar tributo ‘pode ser um caminho’ e brasileiro paga pouco em relação a países desenvolvidos

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, disse ontem em Paris que o governo estuda aumento do Imposto de Renda de pessoa física para melhorar a arrecadação, informam Ricardo Leopoldo e Andrei Netto. Dilma Rousseff enviou ao Congresso peça orçamentária para 2016 com déficit inédito de R$ 30,5 bilhões. A declaração vai ao encontro de pronunciamento da presidente sobre a necessidade de “remédios amargos” para corrigir erros do primeiro mandato. Segundo Levy, o Brasil tem uma das menores cargas de IR dentro da OCDE (organização que reúne países desenvolvidos) e elevar o imposto “pode ser um caminho”. Para ele, esta discussão tem que “amadurecer no Congresso”. Relator do Orçamento, o deputado Ricardo Barros (PP-PR) disse não ver saída para o rombo que não seja aumento de tributos.

terça-feira, setembro 08, 2015

Dominique

Opinião

O regresso dos neoconservadores

João Pereira Coutinho
Quando os Estados Unidos sofreram os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001, uma palavra erudita ocupou as atenções da mídia. "Neoconservadorismo". George W. Bush era influenciado pelos "neoconservadores" na resposta aos criminosos. E que resposta seria essa?

Simplificando uma ideologia complexa, o "neoconservadorismo" sempre defendeu que os interesses estratégicos dos Estados Unidos podem estar fora das suas fronteiras. De igual forma, as ameaças a esses interesses também.

Irving Kristol, um dos nomes mais importantes do movimento, gostava de lembrar que a participação americana na Segunda Guerra Mundial espelhava essa verdade: a rigor, o nazismo não era uma ameaça direta para Washington. Mas era uma ameaça para a Europa. E a segurança da América –econômica, estratégica, civilizacional– estava também no velho continente.

Igual raciocínio levou Bush para o Afeganistão e para o Iraque. Sobre o Afeganistão, nada a dizer: se o 11 de Setembro fora patrocinado pela Al Qaeda, era necessário destruir os campos de treino que Osama Bin Laden instalara no país do Taliban.

Mas o Iraque era um caso diferente: primeiro, porque a história das "armas de destruição em massa" cheirava mal para qualquer observador atento.

E, além disso, a remoção de Saddam Hussein significava a destruição da estrutura sunita do país e, pormenor importante, transformava o próprio Iraque em território de vinganças sectárias, sobretudo para a população xiita longamente oprimida pelo carniceiro de Bagdá.

Todos conhecemos o resto da história. Mas Patrick Cockburn, em "The Jihadis Return: ISIS and the New Sunni Uprising", relembra alguns pormenores: entre 2006 e 2014, quando Nouri al-Maliki foi o premiê (xiita) do país, o Iraque poderia ter trilhado um caminho diferente –menos corrupção e alguma brandura para a população sunita.

Não aconteceu. Com a Síria em guerra civil, a mediocridade dos governos de Maliki foi permitindo que um grupo terrorista sunita –hoje conhecido pelo pomposo nome de "Estado Islâmico"– começasse uma luta em duas frentes: contra Bashar al-Assad, sim; mas também contra os xiitas do Iraque. As vitórias foram assinaláveis.

No livro de Patrick Cockburn, acompanhamos essas vitórias: Fallujah, primeiro; Mosul, depois. Mas acompanhamos mais: a total incapacidade dos Estados Unidos (e da Europa, claro) para evitar o desastre.

Barack Obama, convém lembrar, tinha a ambição caridosa de corrigir os erros do seu antecessor, retirando-se o mais depressa possível da região. Patético. A retirada apenas amplificava esses erros, entregando o território à selvajaria dos jihadistas.

Hoje, milhares de refugiados da Síria (mas não só) tentam abandonar o caos e entrar na Europa. Muitos morrem pelo caminho. E os que chegam encontram um continente atônito, que não sabe o que fazer com milhares de pessoas doentes e famintas.

O "Daily Telegraph", em tom sério, até publicou um artigo no qual relembra aos incréus as soluções que têm sido pensadas para a crise dos refugiados.

Anote, leitor: espalhar 160 mil pela Europa inteira; comprar uma ilha no Mediterrâneo só para acomodar os infelizes; enviá-los para o Cambodja (uma ideia australiana); despejar dinheiro sobre o problema; ou transportá-los de avião para a Europa, de forma a evitar naufrágios e outros infortúnios.

Curiosamente, ninguém falou em alugar uma nave espacial e colonizar a Lua com eles. Entendo. Na Lua já habitam os líderes ocidentais, que preferem não ver o "óbvio ululante": a crise dos refugiados só terá solução na origem. Ou, sem eufemismos, com novas ações militares contra o terrorismo jihadista.

A filosofia "neoconservadora" levou Bush para o Afeganistão (certo) e arrastou-o inutilmente para o Iraque (errado). E esse erro alimentou em Barack Obama o mesmo sentimento que os americanos tiveram depois da Primeira Guerra Mundial: um sentimento isolacionista, próprio de quem está cansado de ser a polícia do mundo.

Infelizmente, o mundo não tira férias quando os Estados Unidos decidem regressar para a toca. E não deixa de ser irônico que a filosofia "neoconservadora", depois de todos os erros, seja hoje a única proposta realista para o problema: quando não tratamos dos problemas fora das fronteiras, eles acabam por cruzá-las com fúria e estrondo.

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U.V.

Manchetes do dia

Terça-feira 8 / 09 / 2015

O Globo
"Dilma admite reavaliar até mesmo gastos sociais"

‘‘Se cometemos erros, e isso é possível, vamos superá-los’, diz presidente

Para evitar panelaços, pronunciamento só foi divulgado na internet, em vez de usar cadeia de rádio e de TV; cortes poderão atingir também investimentos e programas para emprego e renda

Com a popularidade em baixa, a presidente Dilma evitou ontem usar uma cadeia de rádio e televisão para o pronunciamento do Dia da Independência. Lançou mão, como no 1º de Maio, de discurso em vídeo, divulgado na internet, em que abriu a possibilidade de que programas sociais sejam “reavaliados”. Os projetos para garantir emprego, renda e investimentos também poderão ser reduzidos, segundo ela. “Temos que reavaliar todas essas medidas e reduzir as que devem ser reduzidas”, afirmou. Dilma ressaltou ainda que, se cometeu erros (“ e isso é possível”, disse ela), vai superá-los. Também reconheceu que as soluções necessárias para vencer a crise serão duras. “Alguns remédios para esta situação, é verdade, são amargos, mas são indispensáveis”, disse.

Folha de S.Paulo
"‘Remédio amargo’ é necessário, diz Dilma"

Presidente ensaia novo ‘mea-culpa’, dizendo que é preciso superar os erros

A presidente Dilma Rousseff afirmou nesta segunda-feira (7) que as dificuldades econômicas obrigaram seu governo a administrar “remédios amargos, mas indispensáveis” para superar a crise que o país atravessa. Isolada politicamente, e agora com dois ministros palacianos investigados sob suspeita de envolvimento com o escândalo de corrupção na Petrobras, a petista pediu que as forças políticas colaborem para a superação da crise colocando em segundo plano “interesses individuais ou partidários”. Mais uma vez, Dilma ensaiou um “mea-culpa”, ao dizer: “Se cometemos erros, e isso é possível, vamos superá-los e seguir em frente”. Ao admitir que políticas adotadas no primeiro mandato contribuíram para as dificuldades, a presidente afirmou que seu objetivo era preservar empregos.

O Estado de S.Paulo
"Dilma admite que ações do 1º mandato levaram à crise"

Em discurso pela internet, presidente fala da necessidade de ‘remédios amargos’, mas ‘indispensáveis’

A presidente Dilma Rousseff disse, em vídeo divulgado ontem na internet, que o governo vai reavaliar investimentos em programas sociais e “é possível” que tenha cometido erros. Também reconheceu o esgotamento de políticas adotadas no primeiro mandato e não descartou “remédios amargos”, mas “indispensáveis”. A gravação foi divulgada após desfile da Independência na Esplanada dos Ministérios, palco de manifestações contra e pró-governo.

segunda-feira, setembro 07, 2015

Dominique

Opinião

Nó de marinheiro

Luiz Werneck Vianna
Deram um nó de marinheiro na política e na economia brasileiras e, ao que parece, ninguém se mostra capaz de desatá-lo. Quem se tem arriscado na empresa, longe de afrouxar o aperto excruciante que ele exerce, logo é obrigado a reconhecer a vanidade dos seus esforços, ao constatar que, malgrado seu empenho, ele o deixou ainda mais ajustado. O vice-presidente da República, Michel Temer, é o caso mais recente, e pelo andar da carruagem, não será o ultimo.

Amarrada por esse nó que compromete as esperanças de dias melhores que vinha acalentando desde a democratização do País, a sociedade, em movimentos contraditórios, recorre às ruas em manifestações de protesto, quando clama pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff – solução que depende da ação de um Parlamento a que quase todos dão as costas –, sem que faltem atos de massa em defesa do mandato presidencial, que, por sua vez, são críticos das políticas governamentais.

Há de tudo nessa barafunda em que fomos envolvidos por nossos atuais governantes. Persiste entre eles a influência da social-democracia, embora ninguém a defenda abertamente, assim como a do neoliberalismo – o programa Bolsa Família tem aí sua inspiração – e a do nacional-desenvolvimentismo do regime militar com seu capitalismo politicamente orientado, em certas versões sob maquiagem chinesa.

Nas ruas, quando ocupadas por movimentos sociais externos ao mundo do trabalho, designados pelo prefixo sem – sem-terra, sem-teto –, medra em surdina um pasticho do nacional-popular no estilo dos anos finais do regime de 1946, cujo cerne, como notório, foi ocupado pelo sindicalismo operário – hoje, a uma boa distância dele. Suas vozes são acolhidas nos palácios apenas pelo motivo de que provêm de um alegado exército de reserva, mesmo que dissonantes do discurso e das práticas dos dirigentes do partido hegemônico no governo, como se faz exemplar nas políticas oficiais reinantes no agronegócio e na construção civil, joias da coroa de suas administrações. Embora marginais, seu ruído ainda mais extrema a barafunda.

O pragmatismo sem princípios, característico da era Lula em seus momentos de fastígio, que flertou com todos esses sistemas de orientação, encontrou seu limite neste começo do segundo mandato da presidente Dilma. Sem as escoras dessa referência, antes considerada como obra de talento do seu fundador, e na ausência de qualquer outra, o espírito tateia entre as trevas. Em meio a ruínas do nosso sistema político, devastado pela Operação Lava Jato, ainda em curso, vive-se um cotidiano de sobressaltos à sombra de uma guilhotina que ameaça as chefias dos nossos Poderes republicanos, sem que se possa prever como nascerá o dia de amanhã.

Antes que se diga que mais vale um fim com terror do que um terror sem fim, com as esperanças ao chão, uma economia em recessão e que nos alcance a ameaça de uma crise com a gravidade da grega, em nome da defesa da democracia política, que tanto nos custou, a política e os políticos não podem mais retardar uma intervenção saneadora que somente pode vir deles. Não é à toa que em lugares obscuros da nossa sociedade, à direita e à esquerda, já se fale a linguagem das armas e no recurso a exércitos.

Não caminhamos até aqui, que foi muito, para morrer na praia. O sistema judiciário, em particular nas suas bases, mais do que investigar e punir crimes contra a administração pública tem exercido, ao longo destes meses, uma ação pedagógica no sentido de valorizar a República e suas instituições, cujos resultados já são tangíveis e sem retorno. Mas estaremos perdidos se acreditarmos que juízes são portadores de uma missão messiânica de salvação dos nossos males nacionais e não procurarmos na política os remédios que permitam que a sociedade se anime a buscar novos rumos.

Inclusive porque, como advertia o bardo, a vida não para, os indicadores econômicos disparam estridentes sinais de alarme e, no próximo ano, estão agendadas eleições municipais, terreno fértil para os cavaleiros da fortuna que ambicionem se aproveitar desse deserto de ideias e de homens de valia a que se tem reduzido nossa vida política. O nó que nos ata, na emergência em que nos encontramos, desaconselha a atitude daqueles lavradores que, sem amanhar a terra, mantêm o olhar fito no céu esperando pelas chuvas, como temos ficado com as notícias que nos vêm dos tribunais. O obituário desse presidencialismo de coalizão bastardo que temos praticado não pode mais demorar a ser lavrado, e com ele essa parafernália de partidos políticos sem vida própria, cartórios, a maior parte deles, de interesses particularistas.

Sem uma prévia remoção do entulho que trava o processo de formação de uma vontade democrática, em vez de cortar o nó que nos imobiliza, pode-se livrar o caminho para que velhos e mal resolvidos antagonismos, equilibrados secularmente por elites políticas treinadas, mesmo sem o saber, como Monsieur Jordan fazia prosa, nas artes conservadoras de uma clássica revolução passiva – o ex-presidente Lula incluído –, entrem em desequilíbrio. Foi-se o tempo, de infausta memória, de “quem sabe faz a hora, não espera acontecer”.

Para o relógio da política democrática a hora é a da Carta de 88, pois é a partir dela e do aperfeiçoamento de suas instituições que se pode divisar uma saída para a gravidade da crise atual, não apenas política, mas também econômica, ético-moral e de rumos para o País. Fernando Gabeira, em recente e brilhante artigo neste jornal, utilizou-se da metáfora do ciclista que, para não cair, precisa manter seu veículo em movimento. Sem movimento não se escapa desse nó que nos constrange, e o mais seguro é o que ganhar impulso no campo da política. Pedalar é preciso, mas pedaladas em falso podem desequilibrar não apenas o ciclista, como também o País.

Luiz Werneck Vianna é sociológo da PUC-Rio

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U.V.

Manchetes do dia

Segunda-feira 7 / 09 / 2015

O Globo
"Temer nega conspirar contra Dilma e prega união"

‘Vice tenta minimizar impacto de previsão sobre risco para o governo

Apesar da declaração, auxiliares da presidente continuam a desconfiar da atuação do peemedebista nos bastidores

Após afirmar que dificilmente a presidente Dilma Rousseff chegará ao fim do mandato se mantiver baixa popularidade, o vice-presidente Michel Temer divulgou nota ontem para negar as "teorias" de que conspire contra a petista. O peemedebista disse que "a hora é de trabalho e de união" e que atua para o Brasil chegar em 2018 em melhores condições do que as de hoje. Apesar da manifestação de Temer, auxiliares de Dilma mantêm desconfiança sobre as atitudes do vice, que recentemente deixou a articulação política do governo.

Folha de S.Paulo
"Em discurso de 7 de Setembro, Dilma defende 'remédios amargos' na crise"

A presidente Dilma Rousseff disse nesta segunda-feira (7) que as dificuldades econômicas que o país enfrenta obrigaram o governo a administrar "remédios amargos" e exigem que as forças políticas ponham de lado "interesses individuais ou partidários".

Em pronunciamento divulgado nas redes sociais da internet para celebrar o 7 de Setembro, a presidente admitiu que políticas adotadas em seu primeiro mandato contribuíram para as dificuldades atuais, mas disse que seu objetivo era preservar empregos e investimentos.

"As dificuldades e os desafios resultam de um longo período em que o governo entendeu que deveria gastar o que fosse preciso para garantir o emprego e a renda do trabalhador, a continuidade dos investimentos e dos programas sociais", disse. "Agora, temos que reavaliar todas essas medidas e reduzir as que devem ser reduzidas."

O Estado de S.Paulo
"Temer diz que não age 'nas sombras' e 'intriga' agrava crise"

Vice nega conspiração, fala em união e promete seguir trabalhando com Dilma

Após ter dito quinta-feira que a presidente Dilma Roussef não resistirá mais três anos e meio de governo com popularidade de 7%, o vice-presidente Michel Temer divulgou nota ontem repudiando a tese de que é conspirador. No texto, diz que o momento é de "união" e a "divisão" e a "intriga" agravam as crises política e econômica.

domingo, setembro 06, 2015

Dominique

Opinião

Boneco inflado, país quebrado

Reação ao boneco inflável Pixuleco mostra que o PT perdeu senso de humor

Gabeira
Um boneco inflado chamado Pixuleco tornou-se um ator da política nacional. Ele representa Lula com uniforme de presidiário. A prefeitura petista de São Paulo pensa em proibi-lo por ser “uma poluição visual”. Nem todos pensam assim. Como muitos símbolos vitoriosos, o Pixuleco ganhou contornos múltiplos, desempenha outros papéis além dos projetados por seus criadores. Nas redes sociais, o Pixuleco tornou-se um brinquedo fofo. Aparece ao lado das princesas da Disney e no jogo Onde Está Wally.

O Pixuleco, como tantos outros símbolos fortes, sofreu um atentado. Foi algo bem suave, comparado com a ação dos radicais muçulmanos. Uma jovem o furou com um estilete, em São Paulo. O boneco foi para a mesa de operações, de onde já saiu para reaparecer no dia 7 de setembro.

Nos atentados para valer nem sempre se atacam os símbolos, mas seus criadores. Os assassinatos no “Charlie Hebdo” foram o episódio mais trágico dessa tradição. Felizmente, no Brasil, a jovem atacou a caricatura, e seu Maomelula desinflou na calçada.

É divertido as pessoas brigarem com um boneco inflado, tentando proibi-lo, ou mesmo apunhalar seu ventre macio. E ver o PT atacar o Pixuleco.

Entre as muitas perdas do PT ao longo de sua trajetória está a do senso de humor. Parece que isso é meio inevitável: ao virar governo, a pessoa sempre leva muito a sério as bobagens que nos reservam diariamente. O Pixuleco vai flutuar nos ares de um país oficialmente quebrado. O desgoverno de Dilma é o seu combustível.

Ela anuncia que vamos ter um rombo de R$ 30 bilhões em 2016. E os amigos do governo dizem: “vocês deviam reconhecer que, dessa vez, estamos falando a verdade”. Como se reconhecer a própria incompetência a absolvesse dos problemas que criou na vida real. O pior é que fala mentira mesmo quando afirma ter aderido à verdade. O rombo não será apenas de R$ 30 bilhões. Seu projeto orçamentário prevê crescimento em 2016 contra todas as previsões. Só esse detalhe significa alguns bilhões a mais no rombo de R$ 30 bilhões que ela já admite.

Na semana passada, Rodrigo Janot tirou a máscara: resolveu blindar Dilma. Recusou investigar suas contas de campanha. Disse que o pedido era choro de perdedores. E que a sociedade não se interessa mais por esse tema eleitoral. Simultaneamente, ironizou a oposição e disse que deu lições ao TSE sobre como conduzir o exame das contas.

Janot é um homem de coragem. Jogou a reputação num só lance, comprometeu sua imparcialidade blindando um governo moribundo. Será mais um rubro boneco inflado, com o número 13 no peito.

A tática de deixar Dilma sangrar até 2018 tem prevalecido até agora. Se durar até o Natal, como dizer “Feliz ano novo”? Acordaremos em 2016 saudando a mandioca, com um rombo bilionário no orçamento. Nem todos percebem a ação corrosiva da crise na nossa vida cotidiana. Muita gente perdendo o emprego. Das janelas do Planalto, voam passaralhos em todas as direções. Claro que alguns se adaptam, inventam seus trabalhos. Vi um filme sobre a crise americana, e nele as pessoas ganhavam a vida em maratonas dançantes. Viravam a noite dançando.

Dilma ainda pensou em lançar um novo imposto, a velha CPMF. Desistiu em 48 horas porque anteviu uma derrota por 7 a 1. Mas ela tentará de novo. Num esforço desesperado para sobreviver no cargo, vive o dilema de um Hamlet de shopping center: gastar ou não gastar. Como todos os dilemas não resolvidos, será transformado em não gastar, gastando. Se admitiu um rombo de R$ 30 bilhões, sabendo que será muito maior, o que lhe resta senão encenar o teatro da austeridade?

Dilma quer o apoio do Congresso para cortar despesas. Antes, liberou R$ 500 milhões de verbas parlamentares. “O de vocês está garantido, agora vamos cortar o dos outros”. Toda essa farsa vai acabar desmoronando. Os que querem apenas sangrar Dilma comemoram: ela continua. Sem nenhum horizonte. O próprio Michel Temer reconheceu que o governo não tem estratégia.

A cada dia alguém tem razões para celebrar ou lamentar a presença de Dilma. Mas a continuidade a partir de um grande acordo que envolva procuradores, juízes do STF, políticos, empresários e banqueiros é um caminho perigoso. Sérgio Moro levantou a questão da dignidade nacional, um pouco perdida com os escândalos de corrupção. Um país em crise tem tudo para se rebelar com um destino medíocre que se desenha para ele.

Uma jovem prefeita do Maranhão foi estrela na imprensa internacional. Ela está foragida depois de desvios de verba da merenda escolar. Era ativa nas redes sociais e aparece numa foto diante do espelho, muito maquiada, com o rosto esculpido pela cirurgia plástica, lábios pintados de um intenso vermelho. Foi a cara do Brasil esta semana. Um Brasil de pequenos e grandes cafajestes, um Brasil apodrecido, prestes a ser mandado para os ares, inclusive na forma de centenas de bonecos inflados.

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U.V.

Manchetes do dia

Domingo 6 / 09 / 2015

O Globo
"Em seis anos, 40% dos professores vão se aposentar"

‘Responsável por estudo, secretário do MEC diz que quadro é preocupante

Quantidade de alunos se formando para dar aulas caiu 16% entre 2010 e 2012, segundo dados oficiais

Um relatório inédito feito pelo Ministério da Educação mostra que, ao longo dos próximos seis anos, 40% dos cerca de 507 mil professores do ensino médio brasileiro atingirão as condições de idade e tempo de contribuição para se aposentar, revela RENATA MARIZ. Responsável pelo estudo, o secretário de Educação Superior, Jesualdo Pereira Farias, diz que o governo deve se preocupar com a previsão. O quadro é agravado pela diminuição no número de formandos nos cursos de licenciatura em disciplinas da educação básica: segundo o Censo do MEC, houve uma queda de 16% entre 2010 e 2012.

Folha de S.Paulo
"Governo precisa de mais tempo, diz Mercadante"

Ministro da Casa Civil credita grande parte da crise à economia mundial, mas reconhece que governo foi além do que podia na política anticíclica

O ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante (PT), diz que fatores como a economia internacional não permitiram ao governo “realizar suas expectativas” e pediu tempo para resolver a crise. “Temos quatro anos para cumprir”, disse à Folha.

Ele reconhece, porém, que a gestão Dilma "foi além do que podia” na política anticíclica, na desoneração de impostos e que o governo errou no diagnóstico, no final do ano passado, do impacto da crise internacional na economia brasileira.

Para Mercadante, 2014 é um “ano que não acabou para a oposição” e que, “se melhorar o ambiente político, sairemos mais rápido [da crise]”. Em sintonia com a estratégia do governo, defendeu Joaquim Levy como chefe da equipe econômica.

Braço direito de Dilma, ele disse ainda que a fala de Michel Temer sobre o risco de o governo não resistir até 2018 com baixo prestígio estava “fora de contexto”.

O Estado de S.Paulo
"PF diz que doação de campanha serviu para lavar propina"

Relatório indica que parlamentares sob suspeita na Operação Lava Jato receberam dinheiro do esquema da Petrobrás como contribuição eleitoral legal

A Polícia Federal afirma que deputados sob suspeita na Operação Lava Jato lavaram propina do esquema de corrupção da Petrobrás por meio de doações oficiais para suas campanhas. A conclusão reforça a tese de que mesmo contribuições legais feitas por empreiteiras a políticos possam ter sido usadas para drenar recursos oriundos de desvios na estatal para corromper agentes públicos e desequilibrar o processo eleitoral. No relatório em que acusa de corrupção passiva e lavagem de dinheiro o ex-deputado e ex-líder dos governos Lula e Dilma na Câmara Candido Vaccarezza (PT-SP) e os deputados Nelson Meurer (PP-PR) e Vander Loubet (PT-MS), a PF assinala que eles receberam dinheiro do esquema “em razão de suas funções parlamentares”. Segundo os policiais, as propinas para os três somaram R$ 3,65 milhões. Parte do montante, sustenta a PF, foi repassada como “doação eleitoral”.
 
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