sábado, setembro 05, 2015

Dominique

Opinião

Tapando o sol com a peneira

Estadão
O vice-presidente Michel Temer tem razão. Será difícil o governo resistir três anos e meio com o insignificante apoio de 7% da população, índice com viés de baixa. Mas Dilma Rousseff insiste nos mesmos erros que estão na raiz de seu enorme desprestígio popular. Continua tentando obstinadamente tapar o sol com a peneira quando se trata da grave crise econômica do País. Só consegue com isso agravar seu déficit de credibilidade, que despencou a partir da constatação de que ela havia mentido na campanha eleitoral, quando acusou os adversários de estarem dispostos a adotar, para o combate à crise, as medidas impopulares que ela própria passou a defender, simbolizadas pela surpreendente nomeação de um ministro da Fazenda “liberal” disposto a fazer austeros cortes de despesas para botar em ordem as contas do governo. Para sair do sufoco Dilma tem tentado de tudo, menos ser sincera.

A encenação com a qual a presidente pretendeu acabar com as especulações a respeito da permanência de Joaquim Levy foi apenas mais uma tentativa desastrada de disfarçar o conflito que existe no seio do governo – principalmente no Palácio do Planalto – envolvendo a natureza da crise econômica e o plano de ação para combatê-la. Esse conflito se tornou mais agudo nas últimas semanas por causa da proposta de Orçamento da União para 2016 que precisava ser apresentada ao Congresso até o fim de agosto.

Contra a opinião de Levy, que queria apresentar um orçamento equilibrado que exigiria cortes profundos de despesas, Dilma optou, com o apoio dos ministros com os quais tem afinidades, por uma peça deficitária em mais de R$ 30 bilhões. A clara intenção por detrás dessa iniciativa inédita de confessar que o governo não tem como pagar suas contas era forçar o Congresso a dividir com o Executivo a tarefa – e a responsabilidade – de descascar o abacaxi. Não colou, é claro, porque as velhas raposas que comandam as duas Casas do Parlamento imediatamente acusaram o golpe e Dilma se viu constrangida a declarar que não iria fugir da sua obrigação de resolver o problema.

A essa altura, depois de ter sido reiteradamente voto vencido, inclusive na infeliz ideia de ressuscitar a famigerada CPMF – quando não foi nem consultado –, a boataria corria solta e Levy já se via arrumando as malas. Assustada com a previsão de que eventual renúncia do ministro da Fazenda poderia deixar os petistas muito felizes, mas agravaria a repercussão da crise dentro e fora do País, Dilma ouviu a recomendação de cautela que lhe fez o presidente do Bradesco, que até então era o homem que maior influência exercia na formulação e na conduta da política econômica, pois não apenas recusara o cargo de ministro da Fazenda, mas para ele indicara o atual ministro. Depois de nova conversa com o presidente do Bradesco – que de pessoa mais influente passou naquele momento à condição de homem mais poderoso do País na condução da política econômica –, Dilma colocou na mesma sala Levy, Nelson Barbosa e Aloizio Mercadante. Ordenou que só saíssem de lá para anunciar que o titular da Fazenda é que estava com a razão e que o governo continua empenhadíssimo em cumprir a meta de superávit primário de 0,7% do PIB que ele propõe. Quer dizer: essa coisa de orçamento deficitário estava sendo muito mal interpretada por todo mundo.

Para fechar com chave de ouro mais esse episódio do vai e volta do orçamento e da operação “salva Levy”, Dilma designou o ministro Aloizio Mercadante para falar à imprensa. Com a arrogância e a prepotência habituais, Mercadante atirou contra quem ousasse imaginar que Levy sairia do governo: “Evidente que fica!”. E explicou, sem corar: “Há total unidade da equipe em relação a que nós precisamos continuar o esforço de cortar gastos, especialmente as despesas obrigatórias”. E destilou vitríolo: “Num momento de instabilidade, há uma aliança entre os mal informados e os mal-intencionados, gente especulando e tentando ganhar dinheiro com a turbulência”.

Enquanto isso, alheio às preocupações da presidente da República, o presidente do PT, Rui Falcão, dedica-se a convocar a militância do partido e de todas as entidades e organizações sócias “progressistas” – quer dizer, as que apoiam o PT – para debater, na próxima sexta-feira, a proposta de uma “nova política econômica”.
Assim, não há o menor risco de o Brasil sair do buraco em que o lulopetismo o meteu.

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U.V.

Manchetes do dia

Sábado 5 / 09 / 2015

O Globo
"Após prometer superávit, Dilma descarta cortar gastos"

‘Já foram feitos todos os cortes possíveis no Orçamento’, diz ela

Empresários se reuniram com ministro Levy e pediram compromisso do governo com economia de despesas, redução de subsídios e esforço para que país não perca grau de investimento

Um dia depois de prometer ao ministro Joaquim Levy (Fazenda) empenho do governo para obter superávit primário no ano que vem, a presidente Dilma afirmou ontem que já cortou tudo o que podia no Orçamento, enviado ao Congresso com previsão de déficit de R$ 30,5 bilhões. Em entrevista a rádios do Nordeste, Dilma voltou a defender a criação de novas fontes de receita. Num jantar com Levy na quarta, empresários apresentaram lista de reivindicações, depois levada a Dilma, que inclui compromisso com superávit de 0,7% do PIB, corte de subsídios e esforço para o país manter o grau de investimento.

Folha de S.Paulo
"Governo tenta minimizar impacto da fala de Temer"

Planalto evita mais desgaste com vice e destaca lealdade do peemedebista

O governo e setores do PMDB reprovaram o tom usado pelo vice-presidente Michel Temer ao declarar a empresários, na quinta (3), que, se a baixa popularidade da atual gestão se mantiver, será difícil para Dilma chegar ao fim do mandato. Congressistas do PMDB disseram que Temer cometeu um “sincericídio”, dando razões para o Planalto reclamar de que ele tem articulado para se posicionar como alternativa de poder. O Planalto, no entanto, decidiu não rebater Temer publicamente a fim de evitar mais desgaste em momento de rumores sobre a possível saída do ministro da Fazenda, Joaquim Levy. “O importante é que o vice-presidente tem sido leal”, disse Edinho Silva, ministro da Comunicação Social. Para interlocutores do vice, ele foi infeliz, não conspirador, em sua fala. 

O Estado de S.Paulo
"Planalto considera declarações de Temer 'desastrosas'"

Embora oficialmente governo diga que a fala do vice foi tirada de contexto, assessores questionam sua lealdade; para PMDB, discurso é de saída

O Planalto reagiu mal à afirmação do vice Michel Temer de que será difícil a presidente Dilma Rousseff resistir três anos no cargo sem apoio popular. Suas declarações foram classificadas como "surpreendentes", "assustadoras" e "desastrosas". A forma como Temer abordou o tema e o local escolhido - um evento organizado por movimento que defende impeachment de Dilma fizeram assessores questionar de que lado o vice-presidente está. No PMDB, a avaliação foi de que a fala dá início ao discurso de desembarque do governo. Apesar da irritação de Dilma, o discurso oficial do Planalto foi de que a frase foi "mal interpretada" e usada "fora do contexto". O ministro de Comunicação, Edinho Silva, ainda afirmou que Temer "é extremamente fiel à presidente". Diante da repercussão negativa, o vice usou entrevista ao Wall Street Journal para dizer que Dilma governará até 2018. "Tenho certeza absoluta que isso irá acontecer, que será útil ao País."

Embraer-EMB-145LR


sexta-feira, setembro 04, 2015

Coluna do Celsinho

Ao Renato, com carinho

Celso de Almeida Jr.

Tardei a mandar para o Sidney Borges o presente texto, minha 360ª coluna semanal no Ubatuba Víbora.

Geralmente, toda sexta-feira bem cedinho, desde outubro de 2008, sem interrupções, minhas letrinhas estão no e-mail do paciente editor.

Agora, compreendo que foi o universo que conspirou.

Explico...

Atrasar o envio, por razão desconhecida, permitiu que eu conferisse as palavras do arquiteto Renato Nunes.

Em texto publicado nesta sexta-feira a tarde, Renato comenta as citações sobre ele em meu último artigo e aprofunda a reflexão.

Com a franqueza e a competência que o caracterizam, mostra-nos a Ubatuba real.

Confira:

http://www.ubatubavibora.blogspot.com.br/2015/09/sobre-coluna-do-celsinho.html

Renato Nunes é um grande profissional.

Não custa registrar um pouco de seu currículo.

Graduado pela FAU-USP, foi professor na Faculdade de Santos, na Universidade de Mogi das Cruzes e no Centro Universitário Belas Artes de São Paulo.

Atuou como presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil-SP, diretor administrativo e vice-presidente do IAB Nacional e fundador e conselheiro da Fundação Vilanova Artigas.

Coordenou a Câmara de Arquitetura do CREA/SP e foi conselheiro estadual da gestão fundadora do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil/SP.

Por aqui, sempre procurou compartilhar seu conhecimento e sugerir alternativas para garantir melhor qualidade de vida para cidadãos ubatubenses e visitantes.

Por essas e outras, as reflexões e ações do Renato colhem respeito e admiração.

Com esta certeza, li e reli a conclusão de seu artigo, que reproduzo a seguir:

"Me dei conta naquele instante, que a cidade que sonhamos já não existe e que meu pensamento busca novas paragens. Acho que o mar, tão próximo, é uma boa opção."

Pois é...

Imaginei que sensação semelhante tenha dominado Ciccillo Matarazzo, quando do término de seu mandato como prefeito de Ubatuba, lá no distante final da década de 60.

Só assim posso compreender o porquê aquele grande mecenas - que contou com a assessoria dos mais notáveis administradores de sua época - tenha desistido de influenciar o jogo político local após o seu mandato.

Provavelmente, assistir as mazelas da política rasteira - e sofrer com elas - tenha sacramentado esta decisão, que tanto comprometeu o desenvolvimento da cidade.

Por isso, de olho no futuro, ciente da qualidade de seu pensamento, tenho o dever cidadão de sensibilizar o Renato Nunes para novos sonhos para Ubatuba.

Torcendo para que o mar desejado pelo estimado amigo guarde apenas ventos que não o afastem de nós.

Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com

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Embraer EMB-120(ER) Brasilia


Sobre a "Coluna do Celsinho"

A profundidade da superfície ou a clareza da escuridão, como queiram!

Amigo Celsinho, permita-me chamá-lo assim, no diminutivo, mas é uma questão de memória afetiva. Era assim quando nos conhecemos, você muito jovem, lidando com políticos de maneira muito mais adulta do que eles e foi dessa forma que você ficou no meu registro de memória, colocado no pedestal das minhas melhores lembranças.

Nosso encontro casual no espaço de espera do Banco do Brasil, relatado por você no VIBORA do nosso Sidney, foi tão rápido quanto um clique no interruptor de um holofote na escuridão. Iluminou subitamente tudo pelo qual juntos passamos no reino dos sonhos para o futuro desta cidade, e sua conversão ao pesadelo que é hoje.

A mais bizarra das constatações que me vieram à memória ao sair dali foi da mudança da qualidade de vida que os espaços públicos nos proporcionavam. Não a mim, a você ou a alguns poucos, mas a todos que circulavam pela cidade. Com naturalidade cumprimentavam-se espontaneamente pessoas que sequer sabia-se o nome.

Os bancos na praça eram pontos de encontro de amizade, hoje os bancos nas praças são pontos de encontro do terror, de juros, de filas de espera, de senhas. Criaram-se ali filas especiais para idosos, gestantes, deficientes físicos, para impor pela lei gestos de amizade, compreensão e solidariedade, como quem cria regras para os afagos anônimos entre as pessoas. Estranho valor de progresso.

Ocorreu-me também que os espaços públicos de Ubatuba foram devorados, roubados do cidadão pela omissão interesseira daqueles que deveriam defender a cidade. E pensei também que o cargo de prefeito, salvo uma ou outra intervenção mais bem intencionada mas de curto alcance, não foi efetivamente ocupado nesses últimos trinta anos, embora esse cargo tivesse remunerado alguns personagens a quem a população se deixou enganar para exercer tal tarefa. 

Nosso rápido encontro e brevíssimo diálogo motivou também outras considerações, por exemplo sobre a rapidez e a relatividade do tempo. Em segundos concluímos que a rapidez da passagem do tempo depende diretamente da profundidade e interesse de nosso próprio pensamento em determinado momento. Isso ficou claro quando comentei que eu havia notado que as viagens que há anos faço para São Paulo, com o pé no fundo do acelerador, eram muito mais demoradas do que as que faço atualmente acelerando leve. Nas duas circunstâncias, quase as mesmas três horas. Sem tensões e atenções aos riscos porque vou mais devagar, sinto que o destino chega logo. O que mudou? Nada, a distância é a mesma, apenas a sensação do tempo encurtou porque foi usado para as viagens do pensamento.

Nossa cabeça é uma usina, para o bem ou para o mal, a escolha também está ali dentro.

Obrigado por sua crônica e sua citação ao meu nome. Me dei conta naquele instante, que a cidade que sonhamos já não existe e que meu pensamento busca novas paragens. Acho que o mar, tão próximo, é uma boa opção.

Um forte abraço do seu amigo Renato Nunes

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Dominique

Opinião

A nova matriz moral

Essa velha moral família Soprano, da omertà odebrechtiana, é a confirmação de que vivemos numa cleptocracia, onde quadrilhas saqueiam o Estado para se manter no poder

Nelson Motta
Roubar, sempre se roubou, e muito, no Brasil. Na era Lula, a novidade foi a introdução de uma nova categoria moral, o “roubo pela causa”, que se justifica pela nobreza dos seus objetivos e faz de seus autores guerreiros do povo brasileiro. Antigamente, se roubava só por sem-vergonhice individual, mas com a tolerância, e até o estímulo, ao roubo pela causa popular (eternizar o partido no poder para levar os pobres ao paraíso) já não se sabe onde começa um e termina outro, resultando na certeza de que nunca na história deste país se roubou tanto.

Outra novidade, que ajudou a gestar a crise política e ética que nos assola, foi a institucionalização da corrupção, ocupando cargos importantes em todo o governo e usando-os para enriquecer o partido — e eventualmente alguns “guerreiros”, que ninguém é de ferro. Sim, quando se rouba para um partido, todos os outros são roubados, porque se concorre às eleições com mais recursos e com vantagens ilegais, para fraudar o processo eleitoral. Na nova matriz, lavar propina como doação no TSE é legal: o caixa três.

Talvez todos os partidos, se puderem, roubem, mas só quem está no governo tem o poder de nomear e dar as vantagens que resultam em propinas e extorsões para o partido. É muito pior para o país do que o roubo individual.

Uma parte dessa “nova moral” da era Lula certamente vem de suas origens sindicais, em que o certo, o direito e o justo é conseguir o melhor para seus companheiros, e o resto que se dane. A outra parte parece uma herança dos tempos da luta armada, quando a palavra de ordem era “O que é o roubo de um banco comparado à fundação de um banco?”, de Bertolt Brecht.

Hoje, Marcelo Odebrecht diz que fica mais zangado com a filha que entrega quem roubou do que com a filha ladra, mas eu ficaria muito mais decepcionado com uma filha que roubasse para um partido do que para si mesma, confessasse o erro e assumisse as consequências. Essa velha moral família Soprano, da omertà odebrechtiana, é a confirmação de que vivemos numa cleptocracia, onde quadrilhas disputam territórios e saqueiam o Estado para se manter no poder.

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U.V.

Manchetes do dia

Sexta-feira 4 / 09 / 2015

O Globo
"Temer diz que Dilma não resiste sem apoio popular"

‘Se continuar com 7%, 8% de popularidade, não dá para passar 3 anos e meio’

Para vice, aprovação só aumenta se a economia melhorar ; caso contrário, nada poderá ser feito

O vice-presidente Michel Temer disse ontem a empresários, em São Paulo, que será difícil a presidente Dilma Rousseff resistir até o fim do mandato se mantiver a baixa popularidade atual. Temer afirmou ainda que nada poderá fazer se a aprovação ao governo não subir. “Ninguém vai resistir três anos e meio com esse índice baixo. Se a economia melhorar, acaba voltando a um índice razoável. Mas, se ela continuar com 7%, 8% de popularidade, de fato fica difícil, não dá para passar três anos e meio assim.” Michel Temer disse ainda que não moverá “uma palha ” para assumir o lugar de Dilma por não ser oportunista.

Folha de S.Paulo
"Presidente recua do recuo e volta a defender superavit"

‘Levy fica’, afirma Mercadante (Casa Civil) após reunião com Dilma e Nelson Barbosa (Planejamento)

A presidente Dilma Rousseff montou operação para segurar Joaquim Levy no governo e acalmar o mercado após sinalizações dadas pelo ministro da Fazenda de que poderia deixar o cargo. Após uma reunião de emergência no Palácio da Alvorada para pacificar a equipe econômica, o chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, afirmou: “Levy fica”. No encontro que reuniu também o ministro Nelson Barbosa (Planejamento), a petista recuou de novo sobre a meta fiscal para 2016. Ela agora volta a defender um superavit primário de 0,7% do PIB, numa linha apoiada por Levy. Na segunda (31), o governo havia enviado projeto de Orçamento prevendo deficit de R$ 30,5 bilhões (0,2% do PIB). A mudança na estratégia do governo indica que o ministro da Fazenda não deve aceitar mais ficar isolado. O presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, foi a Brasília acalmar Levy e se reunir com Dilma. Para ele, insistir na meta deficitária alimentaria a disparada do dólar, que ficou estável em R$ 3,76. A notícia do novo recuo evitou outra alta. 

O Estado de S.Paulo
"Levy cobra de Dilma discurso por superávit e fica no cargo"

Ministro adia viagem para se reunir com presidente e exigir fim de 'sinais trocados' na política fiscal

A presidente Dilma Rousseff deflagrou ontem operação para mostrar apoio ao ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e garantir sua permanência no cargo após se comprometer com a manutenção da meta de superávit. Apesar de ter sido defendido no dia anterior, Levy dava sinais de desconforto à frente da economia. Dilma então convocou reunião de última hora com os ministros Nelson Barbosa (Planejamento) e Aloizio Mercadante (Casa Civil) para convencê-lo a ficar. Após adiar viagem para reunião do G-20 na Turquia, Levy aproveitou o encontro para apresentar condições: cobrou que se transforme em prática o apoio dado pela presidente e se mostrou incomodado com o que considera "sinais trocados". O ministro entende que a política fiscal "precisa ter uma cara só", sem contradições. No fim da reunião, com o endosso de Dilma, coube a Mercadante falar pelo governo e assegurar que Levy "está na equipe, ajuda muito e vai continuar ajudando".

quinta-feira, setembro 03, 2015

Dominique

Opinião

Sem rumo e sem liderança

Estadão
Mais um fiasco foi adicionado à coleção de tropeços políticos e econômicos da presidente Dilma Rousseff, com a recusa dos presidentes da Câmara e do Senado de consertar a pífia proposta de lei orçamentária apresentada pelo Executivo. “Não é papel do Congresso zerar déficit nem resolver questão de custos”, disse o senador Renan Calheiros.

“Sou favorável a que se aprove o Orçamento como o governo mandou”, manifestou-se o deputado Eduardo Cunha. Ao recusar o auxílio pedido pelos ministros do Planejamento e da Fazenda e pela presidente, os dois parlamentares evidenciaram, mais uma vez, o principal fator de risco para um país já afundado em recessão. Muito piores que o buraco de R$ 30,5 bilhões previsto no projeto orçamentário são os déficits de competência, de seriedade e de liderança de um governo sem rumo, sem credibilidade e sem apoio até do próprio partido. Como se fosse preciso deixar esse fato ainda mais claro, no mesmo dia o plenário da Câmara aprovou o texto-base do projeto de ampliação do programa Super Simples, contra a opinião da Receita Federal. 

O governo só conseguiu, nesse caso, uma alteração do texto original para transferir de 2016 para 2017 a vigência dos novos benefícios, com custo de R$ 11,43 bilhões pela estimativa da Receita. Mas a votação realçou de novo a fraqueza do Executivo. A aprovação foi garantida por 417 votos contra apenas 2. Foi uma vitória do ministro da Micro e da Pequena Empresa, Guilherme Afif Domingos, e mais uma derrota do Ministro da Fazenda, Joaquim Levy. O projeto poderá cair no Senado, mas essa aposta é arriscada. 

O governo poderá mandar um adendo e será possível mexer nos números da proposta de lei orçamentária, mas será preciso mais que isso para resolver o problema. A presidente Dilma Rousseff já assinou decretos e medidas provisórias para elevar alguns tributos. A taxação adicional de bebidas e de bens de informática poderá proporcionar R$ 11,3 bilhões, segundo se estima em Brasília, mas nem assim o buraco previsto para o próximo ano será fechado. Além do mais, já há quem considere subestimado o déficit de R$ 30,5 bilhões. Se a aritmética do projeto estiver correta, ainda sobrará a incerteza quanto ao dinheiro a ser obtido com a venda de terrenos e as concessões de infraestrutura. 

Mas a proposta orçamentária, mesmo com os defeitos já apontados, é muito mais articulada e funcional que o próprio governo. A vitória do ministro Guilherme Afif Domingos sobre a Receita Federal e, portanto, sobre o Ministério da Fazenda é só uma ilustração um tanto cômica da baderna administrativa e da qualidade da liderança no interior do Executivo. O ministro Joaquim Levy, ainda apresentado ao mundo como o fiador da política de ajuste, continua acumulando derrotas e humilhações e é difícil de dizer com alguma segurança, nesta altura, por que ele permanece no posto e a quem ele insiste em demonstrar lealdade. 

Embora sua fraqueza seja evidente, de alguma forma sua permanência parece ainda ser considerada um sinal positivo pelo pessoal do mercado. Sua substituição – este é o risco – poderá consagrar oficialmente o abandono de qualquer compromisso, mesmo fingido, com a seriedade na condução da política econômica. 

Mesmo com a permanência de Levy, tudo aponta, no entanto, para um agravamento dos problemas no próximo ano. Inseguro, o setor privado continua e continuará sem investir. Se as contas públicas continuarem esburacadas, ou se o buraco aumentar, o Banco Central dificilmente poderá cortar os juros no próximo ano, e isso retardará o início da reativação econômica.

O ajuste das contas públicas está longe de ser apenas uma questão fiscal. Ele faz enorme diferença para o combate à inflação, para a política de juros e, portanto, para a expansão do crédito, e é um passaporte para a retomada do crescimento. Para os financiadores e investidores, é um selo de qualidade da política brasileira. Seria ingenuidade tentar enganá-los com um selo falso.

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U.V.

Manchetes do dia

Quinta-feira 3 / 09 / 2015

O Globo
"Brasileiro já reduz até gastos com alimentos"

Setor encolhe 6,2% em julho e leva indústria a uma queda de 1,5%

Produção de açúcar , leite em pó e carne sofre com piora no emprego e na renda. Devido à retração na economia, BC mantém juros em 14,25%, após sete altas seguidas. 

Incerteza política leva dólar a R$ 3,762

A crise econômica já afeta a produção de alimentos. Os brasileiros cortaram seus gastos à mesa, e o setor de alimentação sofreu queda de 6,2% em julho, frente a junho, com produção menor de itens como açúcar, carne e leite em pó. A fabricação de alimentos foi a principal responsável pelo recuo de 1,5% da indústria. Em meio à retração, o BC manteve os juros básicos em 14,25% ao ano. As crises econômica e política levaram o dólar a R$ 3,762.

Folha de S.Paulo
"Sem apoio, Levy coloca a permanência em dúvida"

Em defesa pública, Dilma diz que ministro ‘não está isolado’

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, procurou a presidente Dilma Rousseff (PT) e o vice Michel Temer (PMDB) para reclamar de isolamento e da falta de apoio dentro do governo. Ele sinalizou, inclusive, que poderá deixar o cargo. Ele tem travado seguidos embates sobre a política econômica do governo, especialmente com Nelson Barbosa (Planejamento). Na maioria deles, saiu derrotado. O último foi sobre o envio do Orçamento de 2016 com déficit de R$ 30,5 bilhões. Levy defendia cortes drásticos, enquanto Barbosa preferia o que chamou de Orçamento realista. Dilma arbitrou em favor do último, mas, após críticas do Congresso, enviará adendos ao texto e assumiu a responsabilidade de resolver a questão. A presidente fez um desagravo público a Levy e disse que ele “não está desgastado” nem “isolado”. Para o senador Aécio Neves (PSDB), a defesa fragiliza “ainda mais o ministro”. 

O Estado de S.Paulo
"Dilma prepara novo tributo e promete rever Orçamento"

Plano é remodelar CPMF, enviá-la por projeto de lei ao Congresso e usá-la para abater déficit de R$ 30,5 bilhões

Após desistir de incluir a nova CPMF no Orçamento, o governo estuda nos bastidores a criação de novo tributo. A estratégia é que um parlamentar governista apresente projeto de lei para ressuscitar uma espécie de CPMF, mas associe a ela alguma "bondade" - estuda-se, por exemplo, abatimento no Imposto de Renda para quem tiver o imposto descontado. No Planalto, a presidente Dilma Rousseff disse ontem que, apesar de "não gostar da CPMF, não afasta a necessidade de criar fonte de receita". Também avisou que enviará adendo ao Congresso para alterar a peça orçamentária de 2016, que prevê déficit de R$ 30,5 bilhões. "Não fugiremos às nossas responsabilidades", afirmou Dilma, que havia sido cobrada pelos presidentes do Senado, Renan Calheiros, e da Câmara, Eduardo Cunha. O plano do governo é propor um imposto temporário e repartir a arrecadação com Estados e municípios.

quarta-feira, setembro 02, 2015

Dominique

Opinião

Levy saiu do prazo da garantia

A questão agora é saber se ele ou a sua relação com a doutora Dilma estourarão também o prazo de validade

Elio Gaspari
O Joaquim Levy “mãos de tesoura” não existe mais. Havia algo de fantasia na figura do banqueiro sorridente e severo que daria um novo rumo ao desastre econômico produzido pela doutora Dilma. Ele parecia o tal porque todo ministro da Fazenda que entra é o imperador Napoleão chegando a Moscou. Quando as coisas dão errado, a menos que vá embora porque não aguenta mais, sai como o general Bonaparte, ferrado, voltando para Paris.

Levy saiu do prazo de garantia. Não é mais o que seria, mas, na verdade, nunca chegou a sê-lo. Resta saber qual o prazo que lhe resta para sair do prazo de validade. Guido Mantega, seu antecessor, nunca teve certificado de garantia ou de validade e tornou-se o primeiro caso de ministro apreendido, publicamente dispensado em setembro para deixar o cargo em janeiro.

Levy sempre foi um estranho no bunker dos comissários. O que ninguém esperava é que fritassem a gestão da economia com episódios vulgares. O senador Renan Calheiros, genericamente abençoado pelo Planalto, propôs cobrar o atendimento no SUS. Dois dias depois, desistiu. O ministro Nelson Barbosa soltou a ideia do retorno da CPMF. Durou dois dias, e o recuo se deu enquanto Levy defendia a medida numa palestra em Campos de Jordão. Nesse episódio encapsula-se algo maior. Faltou alguém que lhe mandasse ao menos um tweet: “Saltamos da CPMF”. Coisas desse tipo só acontecem quando outras coisas já aconteceram. Mandar ao Congresso um Orçamento prevendo um déficit de R$ 30,5 bilhões sem dizer mais nada é uma cenografia irresponsável. O que o governo chama de uma peça realista e transparente significa apenas que parou de mentir.

Se um presidente e seu ministro da Fazenda caminham na mesma direção, as coisas podem funcionar. Isso sucedeu com Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso, ou com FH e Pedro Malan. Dilma e Guido Mantega mostraram que essa regra é falível, pois formaram uma inédita dupla de fracasso. Quando caminham em direções diferentes, não há a menor chance de dar certo.

Levy já se deu conta de que se meteu numa encrenca. Tendo perdido a garantia, fica diante do risco de uma característica dos ministros com validade vencida. Quando ela caduca, a iniciativa de ir embora sai das suas mãos. Transformado em lenço de papel, acaba voltando para casa e seu sucessor é homenageado pela Fiesp, com direito a um jantar no Alvorada com os empresários habituais. Entre esses dois momentos, todos os ministros vivem num dilema. Percebem que chegou a hora de ir embora, mas temem que isso piore a situação do país, o que nem sempre é verdade. A maioria fica, e pioram os dois.

Assim como Dilma nunca se associou à Operação Lava-Jato (“Não respeito delator”), ela nunca se associou a Levy. De certa maneira, nem ele a ela. Contudo, adotou o mantra rousseffiano da “crise transitória”. Isso não quer dizer nada, pois tudo é transitório, inclusive os dois e até mesmo a rainha Elizabeth II.

As pedaladas retóricas em que se meteram Dilma e Levy colocam o país diante de um retorno ao pesadelo que foi a Década Perdida. Não se sabe direito quando ela começou, mas terminou em 1993, quando o presidente Itamar Franco botou Fernando Henrique Cardoso no Ministério da Fazenda e os dois andaram juntos.

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U.V.

Manchetes do dia

Quarta-feira 2 / 09 / 2015

O Globo
"Rombo deve dobrar, e Congresso cobra solução"

Renan e Cunha dizem a Dilma que governo é que deve encontrar saída

Previsão de buraco de R$ 30,5 bilhões incluiu fontes de arrecadação que não estão garantidas e subestimou despesas

O rombo de R$ 30,5 bilhões previsto pelo governo no Orçamento de 2016 pode ser ainda maior e chegar a R$ 70 bilhões. O texto enviado ao Congresso prevê, por exemplo, receitas que ainda não estão garantidas, como as que seriam geradas pela venda de ativos (R$ 37,5 bilhões) e por nova s concessões, além de não incluir despesas como a destinada ao pagamento de emendas parlamentares (R$ 1,5 bilhão). Depois de reuniões separadas com a presidente Dilma, os presidentes da Câmara e do Senado, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e Renan Calheiros (PMDB-AL), disseram que cabe ao Executivo a responsabilidade de encontrar uma solução para o rombo. Mas os dois rejeitaram a hipótese, levantada pela oposição, de devolver ao governo a proposta orçamentária com déficit.

Folha de S.Paulo
"Dilma e Levy pedem ao Congresso saídas para o Orçamento"

Ministro diz que 'casa não está em ordem'; petista quer evitar que proposta para 2016 volte ao Executivo

Derrotado na definição do Orçamento de 2016, enviado ao Congresso com previsão de deficit de R$ 30,5 bilhões, o ministro Joaquim Levy (Fazenda) disse a deputados que há "um desafio para todo mundo". Citando governo, sociedade e políticos, pediu uma "casa em ordem". "A gente precisa crescer e ter a confiança para não ver o dólar disparar", afirmou. A fala de Levy pressionou ainda mais o mercado. O dólar já subia por causa da deterioração da situação fiscal do governo e de notícias ruins da China. A moeda norte-americana superou os R$ 3,70 e fechou em R$ 3,69. O discurso também voltou a alimentar rumores de que o ministro deixará o cargo. Sua equipe, porém, negou que isso possa ocorrer. Em paralelo à ação de Levy, Dilma Rousseff recorreu aos peemedebistas Renan Calheiros e Eduardo Cunha, presidentes do Senado e da Câmara, para achar saídas para o rombo no Orçamento. A petista quer evitar que a proposta volte ao Executivo e busca aprovação de medidas de alta de impostos que reduzam o tamanho do deficit. 

O Estado de S.Paulo
"Congresso rejeita pedido de Dilma para salvar Orçamento"

Cunha e Renan dizem não ser papel do Legislativo apontar saídas contra déficit nas contas; para relator, rombo é pelo menos R$ 3,4 bilhões maior 

O Congresso rejeitou ontem proposta de compartilhar com o Planalto responsabilidade pelo rombo de R$ 30,5 bilhões no Orçamento de 2016. Também se esquivou de sugerir novos impostos para cobrir o déficit e de apontar cortes em programas para equilibrar contas. À presidente Dilma Rousseff, os presidentes da Câmara, Eduardo Cunha, e do Senado, Renan Calheiros, deixaram claro não ser atribuição do Legislativo apontar saídas orçamentárias. "Não é papel do Congresso zerar déficit nem resolver questão de custos", disse Renan. "Cabe ao Executivo apontar suas limitações e capacidades", afirmou Cunha. O governo terá de lidar também com a desconfiança de parlamentares que acreditam que o déficit esteja subestimado. O relator do Orçamento, Ricardo Barros, apontou R$ 3,4 bilhões de despesas não computadas: R$ 45 bilhão de pagamento de emendas e R$ 1,9 bilhão de compensação a Estados pela Lei Kandir.  

terça-feira, setembro 01, 2015

Dominique

Opinião

A biruta

Estadão
A presidente Dilma Rousseff não sabe o que quer. Como uma biruta, vai para o lado que o vento sopra. Toma decisões de dia e recua delas à noite, quer porque se mostram inexequíveis, quer porque tendem a aprofundar seu isolamento político, ou quer simplesmente porque são estapafúrdias, fruto de sua já proverbial incompetência. A desastrada tentativa de restabelecimento da CPMF é apenas o último de uma imensa série de zigue-zagues de Dilma, incapaz de transmitir o mínimo de segurança e firmeza que se exige de quem ocupa a Presidência da República, especialmente em tempos de crise.

Não surpreende que esteja disseminada a sensação de que o governo petista é uma nau sem rumo. Às vezes bastam apenas algumas horas para que a presidente tresande, e aquilo que era líquido e certo se transforme em um retumbante nada. Exemplos não faltam.

No começo do ano, quando já estava claro que teria de mexer em benefícios sociais para conseguir fechar a conta, Dilma informou que pretendia endurecer a concessão do seguro-desemprego. Diante da gritaria das centrais sindicais e até de ministros petistas de raiz, Dilma achou melhor recuar, desfigurando uma das primeiras medidas do ajuste fiscal.

Na mesma toada, a presidente havia decidido recentemente adiar para dezembro o pagamento do 13.º salário dos aposentados, cuja primeira parcela há nove anos vinha sendo paga em agosto; poucos dias depois, ela voltou atrás e mandou pagar a parcela de uma só vez, em setembro. Incapaz de definir prioridades, Dilma não se viu em condições de enfrentar a chiadeira dos aposentados.

Há casos dignos de antologia, como o “recuo do recuo” em relação ao sigilo eterno de documentos oficiais – primeiro ela defendeu o fim do sigilo; depois, voltou atrás; em seguida, tornou a defender. Também é inesquecível sua defesa apaixonada de uma mirabolante Constituinte exclusiva para a reforma política, ideia rapidamente abandonada – para o bem do País, é bom que se diga.

A indefinição crônica de Dilma contamina suas decisões, das pequenas às grandes. Como esquecer que a presidente levou inacreditáveis oito meses e meio para indicar um ministro do Supremo Tribunal Federal? Como não notar que as regras para as concessões e privatizações mudam conforme as idiossincrasias de Dilma, gerando insegurança jurídica e desinteresse das empresas?

Dentre todas as lambanças, porém, a da CPMF é particularmente grave porque denota o desespero de uma governante diante do estrago que sua administração fez nas contas nacionais e também sua inaptidão para interpretar um cenário político totalmente avesso a iniciativas como essa. Como o governo não consegue cortar gastos para reequilibrar suas finanças, Dilma resolveu avançar ainda mais no bolso dos brasileiros, tungando-lhes um naco de cada transferência de dinheiro – uma óbvia aberração tributária, com a qual o País espera nunca mais ter de conviver.

Bem ao estilo dilmista, a ideia vazou antes da hora e, ao chegar ao conhecimento do distinto público, gerou as esperadas reações de repúdio por parte de empresários, políticos e contribuintes em geral. Bastaram três dias para que alertassem a presidente do óbvio: que a recriação da CPMF seria a pá de cal política em seu já cambaleante governo.

Nesse meio tempo, porém, Dilma – num grau de alheamento da realidade difícil de ser superado – acreditou que, mesmo tendo apenas um mísero dígito de popularidade, conseguiria convencer os governadores e o Congresso a dividir com ela o ônus do novo imposto, cuja única serventia era cobrir o rombo criado pelos delírios estatistas do lulopetismo.

Ao ser informada pelo vice-presidente Michel Temer de que a CPMF não passaria de jeito nenhum no Congresso, coisa que até os faxineiros do Planalto já intuíam, Dilma mandou dizer que desistiu do imposto. E anunciou o primeiro orçamento deficitário da história do Brasil. Parecia pirraça. Do episódio, restou a constatação, a esta altura já óbvia, de que a principal habilidade da presidente é piorar o que já está muito ruim.

Original aqui

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U.V.

Manchetes do dia

Terça-feira 1 / 09 / 2015

O Globo
"Governo eleva impostos, mas não evita rombo"

Proposta de orçamento para 2016 prevê buraco de R$ 30,5 bi

Pela primeira vez na História, o governo enviou ontem ao Congresso uma proposta de Orçamento em que prevê gastar mais do que deve arrecadar no ano que vem, deixando um 

déficit de R$ 30,5 bilhões. O texto propõe aumento de impostos sobre eletrônicos, bebidas e operações do BNDES.

Para o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, será necessário “enfrentar” os gastos obrigatórios, como Previdência e salários do funcionalismo. O vice-presidente 

Michel Temer disse que não há estratégia para conseguir receita. O relator-geral do Orçamento, deputado Ricardo Barros (PP), propôs reavaliar o reajuste dos servidores 

no próximo ano. A presidente Dilma se reuniu com líderes aliados na Câmara e disse que está disposta a ir ao Congresso para explicar o Orçamento. 

Parlamentares governistas elogiaram o que chamaram de transparência na proposta orçamentária, enquanto a oposição estuda tentar devolver o texto ao Executivo.

Folha de S.Paulo
"Governo prevê deficit de R$ 30 bilhões e aumento de tributos"

Dilma faz apelo a aliados para elevar receitas e evitar ‘rombo fiscal’

Após enviar proposta de Orçamento para2016 prevendo deficit inédito de R$ 30,5 bilhões, o governo conta com o aumento de tributos e vendas de ativos para tentar evitar que o buraco nas contas se aprofunde. A presidente Dilma Rousseff fez apelo a parlamentares aliados, pedindo “saídas para o rombo fiscal”. Para aumentar as receitas, sendo R$ 11 bilhões em tributos, o Planalto precisará convencer o Legislativo, aumentando assim sua dependência em relação ao PMDB. Em São Paulo, o vice-presidente Michel Temer (PMDB) disse a empresários que “ninguém suporta mais” a elevação da carga tributária no Brasil, evidenciando seu distanciamento do comando do governo. A oposição criticou o envio do Orçamento com previsão de deficit. Para PSDB e DEM, o governo deixou de fazer os cortes necessários e jogou no colo do Congresso a responsabilidade de encontrar fonte de receita que suporte o rombo nas contas. O mercado também reagiu mal ao anúncio. O dólar fechou em R$ 3,63 e a Bolsa teve baixa de 1,12% com o receio da perda do selo de bom pagador do país. 

O Estado de S.Paulo
"Dilma busca apoio para cobrir déficit de R$ 30,5 bi"

Proposta de Orçamento para 2016 inclui previsão de aumento de impostos e corte de gastos sociais, como PAC

Com déficit no Orçamento de R$ 30,5 bilhões e sem alternativa para bancar gastos públicos, a presidente Dilma Rousseff decidiu buscar no Congresso aval para o projeto de lei orçamentário de 2016 que eleva impostos de celulares e bebidas, entre outros, e corta gastos em programas sociais, como Ciência Sem Fronteiras, PAC e Minha Casa Minha Vida. O déficit pode pôr em risco o grau de investimento do Brasil avaliado por agências internacionais. Dilma se reuniu separadamente com líderes da base para pedir apoio. A oposição cogita recorrer ao STF contra a previsão, sob argumento de que fere a Lei de Responsabilidade Fiscal, ou pressionar o presidente do Congresso, Renan Calheiros, a devolver o projeto. Renan pediu mobilização de Congresso, governo e sociedade para encontrar saídas. A empresários, o vice-presidente Michel Temer afirmou que ninguém suporta mais imposto.  

segunda-feira, agosto 31, 2015

Dominique

Opinião

Me engana que eu gosto

Ferreira Gullar
Vou hoje comentar o discurso que Lula fez na abertura da Marcha das Margaridas, em Brasília, há algumas semanas. Apesar do atraso com que o faço, parece-me oportuno comentá-lo pelo caráter exemplar da maneira como, ele, ex-presidente da República, manipula os fatos da realidade nacional.

A tal marcha foi organizada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), certamente por iniciativa de Lula, visando pôr em prática o conselho que tem dado a Dilma para enfrentar sua crescente impopularidade.

Na sua opinião, ela deveria ir para as ruas mobilizar o povo contra os adversários. Sucede que onde ela aparece é vaiada. Logo, para "falar às massas", terá de fazê-lo em recinto fechado, como tem feito ultimamente.

A Marcha das Margaridas começou na rua quando Lula discursou –mas foi solidar-se com Dilma dentro do Palácio do Planalto, longe do povo. Ali, devidamente protegida, disse o que sempre diz, isto é, que as dificuldades são passageiras, pois se trata apenas de uma travessia.

Já o discurso de Lula merece ser comentado, por ser exemplo da versão que ele (e o PT também) apresenta dos fatos políticos e particularmente das sucessivas denúncias que têm vindo a público com as delações feitas pelos sócios do governo petista nas propinas.

Ele começou o discurso pedindo compreensão para os erros do governo, mas logo em seguida afirmou que a responsabilidade da crise não cabe à presidente Dilma Rousseff. Diz isso para depois admitir que ela erra, mas erra como todo mundo e, por isso, devemos ter compreensão com seus erros. A essa altura, quem o ouvia certamente se perguntava, afinal das contas, se Dilma errou ou não errou. Mas o objetivo era exatamente esse: confundir o pessoal.

Logo depois, mudou o tom de sua fala, alegando que "este é o momento de a gente levantar a cabeça e dizer para a companheira Dilma que o problema, pelo qual o país está passando, não é só seu, é nosso".

Ou seja, a culpa é de todos. Portanto, "se ela errar –porque todo mundo erra– temos de levar em conta que ela é nossa e temos de ajudá-la a consertar".

O discurso é uma descarada embromação. Se o país está em crise, a culpa não é de Dilma, mas teríamos todos de ajudá-la a consertar o erro, ou seja, como ela é nossa, "vocês terão de apoiá-la a qualquer custo". Sim, porque, se os próprios petistas se convencerem de que Dilma levou o país ao impasse por incompetência, a culpa será dele, Lula, que a fez presidente da República.

Por essa razão, mais uma vez, há que enganar os que ouvem seu discurso, deliberadamente confuso e embromatório. Mas nisso Lula é mestre, e o ensinou a seus auxiliares imediatos. A verdade, porém, é que essa conversa de Lula só engana quem quer ser enganado.

De qualquer modo, com a inflação crescente, os preços todos subindo e o desemprego aumentando a cada dia, não é possível, mesmo para Lula, descomprometido com a verdade, afirmar que está tudo bem. Por isso, forçado a reconhecer que a coisa vai mal, transforma Dilma em vítima. Mas sua desconsideração com a verdade não tem limites, pois chega a afirmar que ele também já passou por situação semelhante, em 2005, quando tentaram contra ele o impeachment e "só levantei a cabeça graças a vocês".

Tudo mentira, já que, naquela ocasião, ninguém tentou derrubá-lo, nem havia crise econômica ou política, como agora; o que havia era o escândalo do mensalão, quando ele e sua turma usaram dinheiro público para comprar deputados. A falcatrua foi comprovada e seus principais auxiliares –José Dirceu, Genoino e Delúbio Soares– foram condenados pelo Supremo Tribunal Federal.

Ele, Lula, esperto como sempre, escapou dessa e, apesar disso, em vez de se envergonhar do que fez, apresenta-se como vítima de uma conspiração que visava derrubá-lo.

Segundo ele, o mesmo se tenta agora com a Operação Lava Jato. Tudo conspiração da elite branca contra ele e seus comparsas, os defensores dos pobres que, de tanto defendê-los, ficaram ricos. 

Original aqui

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U.V.

Manchetes do dia

Segunda-feira 31 / 08 / 2015

O Globo
"Governo pressiona Congresso com Orçamento deficitário"

Planalto acha que expor rombo terá ‘efeito pedagógico’ entre parlamentares

Joaquim Levy, que defendia grande corte nas despesas públicas, saiu derrotado no embate interno e diz que há risco de agências rebaixarem a nota do Brasil, tirando o grau de investimento e agravando a situação econômica

A presidente Dilma Rousseff informou ao vice Michel Temer que vai enviar ao Congresso, hoje, o projeto de Orçamento de 2016 com uma previsão de déficit nas contas públicas. Com isso, ela transfere aos parlamentares a tarefa de decidir se cortam despesas ou propõem aumento de receita para cobrir o rombo. E espera que a exposição do déficit tenha “efeito pedagógico” sobre um Congresso que já aprovou pautas-bomba. O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, saiu derrotado porque era a favor do corte de gastos.

Folha de S.Paulo
"Dilma envia Orçamento ao Congresso com déficit"

Em atitude inédita, Planalto indica não ter como economizar para pagar juros

Depois de desistir de recriar a CPMF, ideia que durou apenas três dias, o governo decidiu neste domingo encaminhar ao Congresso sua proposta de Orçamento da União para o próximo ano com uma previsão de déficit primário.

O governo indica, assim, que não vê como economizar o bastante para pagar os juros da dívida pública e que terá de se endividar ainda mais para financiar suas despesas em 2016. A própria presidente Dilma Rousseff comunicou a decisão a líderes aliados, entre eles o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).

Será a primeira vez que o Orçamento é enviado ao Congresso com déficit primário desde que o governo passou a contabilizar seus números dessa maneira, na administração do ex-presidente Fernando Henrique.

Ao expor a fragilidade das suas finanças, o governo põe sob ameaça o grau de investimento do Brasil, garantia dada por agências internacionais de classificação de risco de que o país é seguro para investidores.

Para evitar reações negativas do mercado, o Planalto quer apresentar propostas de reformas que melhorem as contas públicas. 

O Estado de S.Paulo
"Sem CPMF, governo envia orçamento com déficit"

Ministro Joaquim Levy manifestou preocupação com a sinalização do rombo, estimado em R$ 30 bilhões

Um dia depois de desistir de recriar a CPMF, o governo decidiu ontem enviar a proposta de orçamento de 2016 para o Congresso com previsão de déficit primário – vai gastar mais do que arrecadar em 2016, mesmo sem levar cm conta as despesas com pagamento de juros. Segundo uma fonte ligada ao governo, o déficit deve ficar cm tomo de R$ 30 bilhões. Sem poder contar com os recursos do imposto do cheque, o governo decidiu admitir o déficit para não “mascarar” o orçamento, às vésperas de a presidente Dilma Rousseff enfrentar julgamento no Tribunal de Contas da União (TCU) pelas manobras com as contas públicas. O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, chegou a manifestar preocupação com a sinalização do rombo, por entender que se trata de um sinal negativo para o mercado, que teme o rebaixamento da nota do Brasil pelas agências de classificação de risco. Ontem de manhã, o vice-presidente Michel Temer conversou com Levy e recomendou “realismo”. É a primeira vez na história que o governo prepara um orçamento com previsão de déficit.  

domingo, agosto 30, 2015

Pitacos do Zé

Foto: canoadepau.blogspot.com

O Museu
b
José Ronaldo Santos
 O Iluminismo se caracterizou pela crença no poder da luz da razão para buscar o conhecimento. Na base desta corrente filosófica estão pensadores importantes para a Revolução Francesa (Diderot, Voltaire etc.) e para tantas outras revoluções. Os desdobramentos de suas reflexões estão nos processos de independência de muitos países, inclusive do Brasil. O grupo mineiro, os inconfidentes da região mineradora bebiam nesta fonte. Na verdade, a razão deveria ser desenvolvida ao máximo.

O Velho Kant repetia sempre: Sapere aude! (Ousai saber!).

No desejo de estar sempre buscando o conhecimento, vale recorrer a todas as dinâmicas de estudo, a todos os recursos tecnológicos e a todos os espaços de pesquisa. O importante nisso tudo, como ponto de chegada (meta), é alcançar a autonomia, o pensar por si próprio. Assim iremos nos esclarecendo.

O museu é um dos espaços de esclarecimento. Portanto, ao achar bom que o Museu Histórico (de Ubatuba) esteja reaberto para visitações, pensei primeiramente em nossos estudantes, no espaço privilegiado que abriga aspectos importantes da nossa história municipal. É um “prato cheio” para a Sociologia da Turismo, História, Folclore etc. Porém, achei muito salutar a crítica em relação ao horário de funcionamento. É isso mesmo! A nossa cidade é turística! É mais do que necessário que o espaço museológico esteja aberto também aos finais de semana para atender os visitantes e os moradores que ousam saber mais da nossa Ubatuba.

Ah! Há alguns anos, passando pela casa da finada Ivete Maciel, na Enseada, me deparei com lindas canoas em seu interior. Pensei na ocasião se não seria interessante um Museu das Canoas Caiçaras. Não seria legal?

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Dominique

Opinião

Dilma no teatro do absurdo

Não sei o que é pior: fingir que não viu ou levar tanto tempo para descobrir

Fernando Gabeira
RIO - Quando Dilma assumiu pela segunda vez, alguns analistas afirmaram que enfrentaria uma tempestade perfeita, tal a configuração de fatores negativos que a cercavam. Esses analistas não contavam ainda com a desaceleração chinesa nem com a tempestade das tempestades: o El Niño, que deve ser intenso este ano. Hoje, é possível dizer que Dilma enfrenta uma tempestade mais que perfeita. Além dos fatores habituais, economia e política, ela terá de se preparar para grandes queimadas no Norte e inundações no Sul do Brasil.

Como deputado, trabalhei no tema El Niño em 1998. Não se consegue impedir as consequências do aquecimento do Pacífico Sul. Com alguma preparação adequada é possível atenuá-las. Usando a velha tática petista, quando o El Niño chegar, o governo vai sair gritando: “toma que o filho é teu”.

Ela decidiu agora que seu próprio secretario pessoal será o articulador político. Isso me lembra uma peça de Harold Pinter: dois andarilhos entram numa cozinha de restaurante e, de repente, começam a surgir pedidos de pratos suculentos. Na magra mochila de viagem, tentam achar algo que possa pelo menos atenuar a pressão dos pedidos.

Dilma está tirando da sua mochila um secretário pessoal para ser a interface com as raposas do Congresso. Certamente vão devorá-lo, com o mesmo apetite dos índios que comeram o bispo Dom Pero Sardinha no litoral brasileiro. Dilma e o PT estão fazendo um aprendizado doloroso com as palavras. Em certos momentos criam uma nova língua; em outros, limitam-se a cortar as frases a machadadas. Dizem, por exemplo: “nunca um governo investigou tanto a corrupção”. Mas hesitam horrorizados diante da conclusão lógica: descobrimos que somos nós os culpados.

Pela primeira vez, Dilma mencionou o assalto à Petrobras, lamentando o envolvimento de algumas pessoas do PT. O tesoureiro do partido está preso. Tantos anos de assalto. Dilma custou a reconhecê-lo. Meses depois, está desapontada porque havia gente do PT. Não sei o que é pior: fingir que não viu ou levar tanto tempo para descobrir.

Dilma disse que não pode garantir que 2016 será maravilhoso. Claro que não pode. Primeiro porque os fatos econômicos apontam para um ano difícil. Segundo, porque em 2016 ninguém sabe onde ela estará. “Demorei a me dar conta da gravidade da crise”, disse ela. Era um governo de idiotas ou de mistificadores? Como não se dar conta de uma realidade ululante?

Valeria entrevistar agora aquela assessora do Santander que descreveu a crise. Perseguida pela campanha de Dilma e pelo próprio governo, acabou sendo demitida pelo banco. Como será que ela reagiu à desculpa esfarrapada? Naquele momento, Dilma não apenas demorava a se dar conta da crise. Considerava descrevê-la como um ato de terrorismo eleitoral.

Dilma recusou-se a reduzir ministérios. Agora, aparece um ministro dizendo que vão cortar dez, mas não menciona quais nem quando. O discurso do governo é apenas cascata. A própria Dilma é uma cascata, inventada por Lula. Dirigiu o setor de energia no Brasil, com fama de gerentona. Deu quase tudo errado, do preço da conta de luz à ruína da Petrobras.

Essa história de coração valente é um mito destinado a proteger a roubalheira de agora com o manto de uma luta pretérita. É uma versão atenuada dos braços erguidos de Dirceu ao ser preso pela primeira vez. Há varias razões para se respeitar o passado. Uma delas é realçar a necessidade da luta contra o governo militar, reconhecendo, no entanto, na luta armada um equivoco histórico. E no seu objetivo estratégico, a ditadura do proletariado, uma aberração que os tempos modernos desnudaram com absoluta nitidez.

Como um personagem do teatro do absurdo, Dilma vai continuar buscando na mochila vazia respostas patéticas para as demandas complexas que o momento coloca.

Muita gente acha que não há motivo para impeachment. Mas o Ministro Gilmar Mendes, pelo menos ele, teve o cuidado de examinar as irregularidades de campanha e propor um cruzamento com os dados da Lava-Jato.

O Brasil é dirigido por um governo que transformou a política numa delinquência institucional. O país acaba de descobrir o maior escândalo de corrupção da História. Gilmar Mendes apenas colocou o ovo de pé: houve um grande escândalo de corrupção que beneficiou o PT. Dilma fez uma campanha milionária. Depoimentos do Petrolão indicam que o dinheiro foi para a campanha. Empresas fantasmas já apareceram. Por que não investigar o elo entre a campanha de Dilma e as revelações da Lava-Jato?

Não se trata de ser contra ou a favor. Trata-se apenas de não sentar nos fatos, Como velho jornalista, sei que os fatos são como baioneta: sentando neles, espetam.

Original aqui

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U.V.

Manchetes do dia

Domingo 30/ 08 / 2015

O Globo
"Empresas-fantasmas movimentaram R$ 2,6 bi"

Pelo menos 84 empresas de fachada, usadas para desviar dinheiro de contratos de obras públicas, foram identificadas na Operação Lava Jata, revela Cleide Carvalho. Destas, 55 movimentaram R$ 2,6 bilhões entre 2009 e o início deste mês. As demais seguem sendo investigadas, ainda sem identificação dos valores envolvidos. As empresas são registradas em endereços residenciais ou em "escritórios virtuais' que servem apenas para receber correspondência.


Folha de S.Paulo
"PMDB dirá na TV que o Brasil quer e precisa mudar"

Em tom de saída do governo, o PMDB, principal partido da base aliada da presidente Dilma (PT), dirá em inserções na TV que “a nação quer e deve mudar” e que o Brasil sempre será maior do que o governo que o dirige. Os filmes terão participação de Michel Temer, Renan Calheiros e Eduardo Cunha, principais líderes da sigla. Frases do fundador do PMDB, Ulysses Guimarães, como “a nação quer mudar, a nação deve mudar, a nação vai mudar”, são utilizadas nas peças publicitárias.

Vice de Dilma, Temer diz em seu discurso que “o Brasil vive momentos difíceis”, mas já encarou crises maiores. “O momento pede equilíbrio, grandeza. E de todos.” Presidente do Senado, Renan diz: “Governos passam, e o Brasil sempre será maior do que qualquer governo”. O primeiro dos oito filmes vai ao ar nesta terça (1°). Nenhum cita a Operação Lava Jato, na qual Renan e Cunha são alvos —o presidente da Câmara já foi denunciado à Justiça pela Procuradoria-Geral da República. 

O Estado de S.Paulo
"Janot arquiva nova ação contra Dilma e faz crítica ao TSE"

Em resposta ao pedido feito pelo ministro Gilmar Mendes, vice-presidente do TSE, para investigar as contas de campanha da presidente Dilma Rousseff, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, falou na “inconveniência” de Justiça e Ministério Público Eleitoral se tornarem “protagonistas exagerados do espetáculo da democracia", Para ele, os atores principais do processo democrático devem ser “candidatos e eleitores", informam Talita Fernandes e Beatriz Bulla. As declarações constam em despacho no qual Janot decide arquivar notícia de fato que pede a apuração de eventuais ilicitudes na contratação de empresa de prestação de serviços da campanha. A decisão de arquivamento proferida por Janot é de 13 de agosto, dia em que Gilmar Mendes concedeu o primeiro de três despachos realizados nas últimas três semanas referentes à prestação de contas de Dilma, da qual é relator.  
 
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