sexta-feira, agosto 28, 2015

Lockheed Tristar


Coluna do Celsinho

Senha

Celso de Almeida Jr.

No banco, num banco, esperava a minha vez.
Gosto do sistema de senhas disponível na maioria das agências.
Sentado, quietinho, basta aguardar com paciência.
Distraído, demorei a retribuir o cumprimento do Renato Nunes.
Desculpei-me, dizendo a verdade: eu viajava em pensamento.
Ele, generoso, amenizou a situação citando uma experiência.
Disse-me que, em viagens por longas estradas, percebia o quanto demorava a chegar.
Notou, então, que ao voar em pensamento, sem comprometer a segurança, passou a ter a impressão de que o tempo ia mais rápido, chegando logo.
Despedimo-nos e continuei viajando, esperando.
A rápida conversa com o amigo me fez lembrar o paradoxo dos gêmeos.
Aquele efeito da física, ilustrado por Einstein, onde um dos gêmeos é colocado em uma espaçonave que viajará numa velocidade muito próxima a da luz, enquanto o seu irmão ficará na Terra.
Passados alguns anos terrestres, a nave retorna.
Como objetos acelerados a velocidades próximas da luz têm uma dilatação temporal menor que os objetos parados, o gêmeo que viajou estaria mais novo do que aquele que ficou na Terra, pois sofreu menor ação do tempo.
Com estas coisas na cabeça, simplificando, forçando a barra, imaginei que ao viajar em pensamento eu beire a velocidade da luz.
Idealizei, assim, o pensamento que voa e o pensamento que fica.
Nestas circunstâncias, ao voltar para o corpo - a minha Terra! - o pensamento viajante estaria mais jovem.
Mais otimista.
Mais esperançoso.
Mais dinâmico.
Mais arejado.
Com mais energia para convencer o pensamento velho de que sempre é tempo de mudar, acreditar, inovar.
No auge deste delírio, o painel chamou minha senha.
Encarei o caixa, paguei contas, contei moedas.
Preciso viajar mais...

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Dominique

Opinião

Fim de semana no Rio

Contardo Calligaris
No fim de semana passado, um casal foi nosso hóspede, em São Conrado, Rio de Janeiro. A secretaria de Estado de Segurança afirma que "no Rio ainda há áreas com guerra"; não sei se São Conrado é uma delas.

Na sexta, às 21h30, o casal foi assaltado na frente da portaria do condomínio. Cenário tradicional: dois caras de moto, um desce e aponta a arma.

No caso, o ladrão pediu a senha dos celulares: meia hora mais tarde, nossos amigos entraram on-line para apagar seus celulares pelo aplicativo de busca (no iCloud) e descobriram que um dos telefones já tinha sido retirado da lista dos aparelhos que eles podiam controlar.

Os seguranças do prédio só intervieram para evitar que outros moradores saíssem na rua naquela hora e fossem também assaltados. Não estranhei: eles não estão armados.

Mas estranhei, sim, que os seguranças não chamassem a polícia –nem na hora, enquanto assistiam a um assalto que durou minutos (pedindo a mochila, escrevendo as senhas dos celulares etc.), nem depois, quando as vítimas entraram no prédio.

O estranhamento continuou ao constatar que nossos amigos, uma vez em casa, não se precipitaram para telefonar para o 190. Aliás, descobri na ocasião que ninguém sabia qual era o número certo: 190? 192? 193? Por que memorizar um número de emergência no qual ninguém confia?

Não sei qual é o tempo de resposta médio nas áreas urbanas do Brasil. Suponho que exista uma meta de tempo para emergências e uma luta para alcançá-la. Com um tempo de resposta maior do que cinco minutos, é melhor comprar uma arma ou sair buzinando com o doente no banco traseiro de seu carro.

Agora, na noite de sexta, a 150 metros do lugar do assalto, havia uma viatura. E há uma delegacia a 300 metros da porta do condomínio. Talvez o problema não seja o tempo de resposta, mas nossa certeza generalizada de que a resposta a um apelo será inadequada ou nula.

Os amigos não ligaram, a portaria do prédio não ligou, eu não liguei: ninguém achou que valesse a pena.

Se eles não precisassem de um boletim de ocorrência para refazer seus documentos, nossos amigos sequer denunciariam o crime no dia seguinte.

Na 11ª DP (Rocinha), nossos amigos souberam que a coisa poderia ter sido pior: houve mortes na área na noite anterior. Também a portaria do prédio nos informou que, às 22h da noite do assalto, os mesmos bandidos estavam no mesmo lugar, assaltando de novo. Se alguém tivesse ligado, isso não aconteceria.

Os amigos quiseram antecipar sua volta a São Paulo. Para remarcar a passagem, a companhia aérea pediu R$ 800 para cada um, apesar de o B.O. atestar que tinham perdido dinheiro e cartões de crédito.

Se eles fossem estrangeiros, sem amigos no Rio, esperariam sua embaixada abrir na segunda? Será que as companhias aéreas não deveriam ter uma política amigável com quem veio visitar a cidade e levou uma arma na cara?

Enfim, no sábado à noite, nossos amigos voltaram para a delegacia (eles precisavam de uma cópia do B.O.). Eu os acompanhei, às 23h30.

A delegacia (24h) estava trancada, fizemos gestos pela porta de vidro, no meio da qual uma mão ensanguentada deixara um rasto sinistro; um policial civil de plantão veio abrir, com a arma enfiada no bolso da calça, bem ao alcance da mão –gentil, mas desconfiado, como alguém que não exclui a possibilidade de um ataque.

No Rio, no primeiro semestre de 2015, o número de mortos por policiais aumentou 22,8%. É muito. No mesmo período, em São Paulo, o número de policiais mortos em serviço aumentou de 9, em 2014, para 11 (quase a mesma percentagem). Também é muito.

Última hora. A 11ª delegacia acaba de contatar nossos amigos, pedindo para eles reconhecerem um dos bandidos.

A milícia, corrupta e violenta, é uma organização criminosa de bandidos de farda. Os exterminadores (como os da recente chacina de Osasco) também são. Esses grupos eternizam o sentimento de que nossa ordem ainda seria administrada pelos jagunços e capangas dos coronéis da colônia.

Seria mais fácil a polícia preencher sua função se confiássemos nela –se conseguíssemos transmitir a nossos jovens e adolescentes a ideia de que, num estado democrático, a polícia não é a que te impede de fumar um baseado ou de fazer festa depois da meia-noite, a polícia é a primeira garantia de tua liberdade, a começar pela liberdade de circular pelas ruas sossegado, pensando na vida.

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U.V.

Manchetes do dia

Sexta-feira 28 / 08 / 2015

O Globo
"Congresso e empresários repudiam volta da CPMF"

Pezão e outros governadores apoiam tributo, desde que recebam recursos

Proposta do governo prevê alíquota de 0,38% e cobrança por quatro anos. Objetivo é arrecadar R$ 84 bilhões anuais. Para especialistas, porém, volta do imposto do cheque provocaria mais inflação

O governo decidiu enviar ao Congresso na segunda-feira proposta para recriar a CPMF, que vigoraria por quatro anos com alíquota de 0,38%. A volta do imposto sobre transações bancárias sofreu duras críticas de parlamentares e empresários. O presidente do Senado, Renan Calheiros, disse que é “um tiro no pé”. Eduardo Cunha, da Câmara, também condenou. Para Paulo Skaf, da Fiesp, se for para subir impostos, o ministro Levy deveria “arrumar a mala e ir para casa”. Entidades repudiaram a proposta. O governo espera arrecadar R$ 84 bilhões, a serem divididos com estados e municípios. Com isso, conseguiu apoio de governadores como Pezão e do prefeito do Rio, Eduardo Paes.

Folha de S.Paulo
"Volta da CPMF é condenada por políticos e empresários"

Para Renan, ideia é ‘tiro no pé’, e para indústria, ‘absurda’

O governo Dilma montou uma operação para convencer economistas, empresários e governadores a apoiar a volta da CPMF, após o Congresso e o setor privado reagirem contra a recriação do imposto sobre transações bancárias, extinto em 2007. A estratégia é reduzir a resistência no Legislativo. O governo pretende resgatar o tributo para tentar equilibrar as contas no ano que vem. Os presidentes do Senado, Renan Calheiros, e da Câmara, Eduardo Cunha, criticaram a ideia. Renan a considera um “tiro no pé”. Para empresários, é “absurda”. “Num momento de retração da economia, aumento de imposto é péssima ideia”, afirmou o presidente da Confederação Nacional da Indústria, Robson Andrade. A equipe econômica prevê que a CPMF tenha a mesma alíquota de antes: 0,38%. Se ela vigorar, pode gerar R$ 80 bilhões anuais. 

O Estado de S.Paulo
"Empresários e Congresso rejeitam volta da CPMF"

Tributo sobre movimentação financeira pode ter alíquota de 0,38%

O governo vai propor a recriação da CPMF com alíquota de 0,38%, a mesma que vigorava em 2007 quando foi extinta, e já enfrenta resistência de parlamentares e empresários. Os presidentes da Câmara, Eduardo Cunha, e do Senado, Renan Calheiros, avisaram que são contra. A decisão foi tomada por ministros da equipe econômica e pela presidente Dilma Rousseff. A expectativa é de que o tributo sobre movimentações financeiras renda aos cofres públicos cerca de R$ 70 bilhões por ano. A renda seria destinada exclusivamente à saúde e o valor arrecadado, dividido entre governo federal, Estados e municípios. O Planalto está convencido de que, com a queda na arrecadação, o imposto anunciado pelo ministro Arthur Chioro como Contribuição Interfederativa da Saúde é a única saída no horizonte. De janeiro a julho deste ano, as contas de Tesouro Nacional, INSS e Banco Central registraram déficit de R$ 9,05 bilhões,o pior resultado para o período em 18 anos.  

quinta-feira, agosto 27, 2015

Dominique

Opinião

O olho da crise está no bunker

Elio Gaspari
Tendo produzido uma crise econômica e política, a doutora Dilma e o PT mostram-se dedicados a agravá-la. Chamaram Joaquim Levy para cuidar das contas e puxaram-lhe o tapete. Chamaram Michel Temer para cuidar da articulação política e cortaram-lhe as asas. Nos dois casos, os doutores contribuíram para a própria fritura. Levy esqueceu-se de traçar a linha da qual não recuaria. Temer saiu-se com a sibilina declaração de que se precisava de "alguém que tenha capacidade de reunificar a todos". (Ele?) Por mais que esses episódios tenham feito barulho, não justificam a encrenca que deles resultou.

Antagonismos fazem parte da rotina de qualquer governo, em qualquer época. O que distingue a barafunda da doutora Dilma é a sua capacidade de criar novos problemas magnificando os velhos. O governo não demorou para perceber a gravidade da crise econômica que alimentou, tentou negá-la e deu no que deu.

A crise política tem duas peculiaridades. Uma vem do PT, a outra é de Dilma. O PT não faz alianças, recruta súditos ou sócios. Dilma, por sua vez, chegou à Presidência da República sem jamais ter vivido o cotidiano de um Parlamento.

A experiência parlamentar parece uma trivialidade, até um desdouro. Não é bem assim. Tome-se o exemplo de dois hierarcas do Executivo: Delfim Netto e Roberto Campos. Como czares da economia, mandaram como ninguém. Foram para o Congresso e viraram outro tipo de pessoa, mais tolerantes, livres de algumas certezas que o poder lhes dera. No Executivo, o sujeito acha uma coisa, manda fazer e ponto final. O Trem-Bala, por exemplo. No Congresso, o mesmo sujeito vai para uma reunião, expõe seu ponto de vista e é contraditado por outro parlamentar, um idiota, talvez ladrão. Deverá ouvi-lo respeitosamente e habituar-se a perder calado, caso seu adversário consiga mais votos que ele. No palácio, manda quem pode e obedece quem tem juízo. No Congresso, manda quem tem maioria.

A falta de experiência parlamentar (o caso de Dilma) ou a incapacidade de preservar alianças (o caso do PT) influi no metabolismo dos palácios, transformando-os em bunkers: "Nós estamos certos e todos os outros estão errados". Em seguida, dentro do bunker, estabelece-se uma competição de egos. "Eu estou certo e meu rival dentro do governo é a causa de todos os males."

Desgraçadamente, uma vez criada a mentalidade do bunker, o mundo em volta deixa de ter importância. Briga-se pela briga. O exemplo extremo dessa patologia pode ser encontrado no bunker mais famoso de todos os tempos, o da Chancelaria do 3º Reich, em 1945. Aquilo é que era bunker, a oito metros de profundidade. Hitler e seu "núcleo duro" enfurnaram-se nele em janeiro e de lá o Führer comandava sua guerra, tendo Martin Bormann como seu braço direito. Velho rival do espalhafatoso marechal Herman Goering, Bormann teve o seu momento de esplendor no dia 25 de abril e conseguiu demiti-lo de todos os cargos, expulsando-o do partido.

Os russos estavam a poucos quarteirões de distância. No dia 30 de abril, o Führer matou-se e, uma semana depois, o poderoso Bormann deixou o bunker. Enfim, vencera e fora designado testamenteiro de Hitler e chefe do partido nazista. Morreu na rua, a pouca distância do bunker.

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U.V.

Manchetes do dia

Quinta-feira 27 / 08 / 2015

O Globo
"Senado aprova Janot e dá respaldo à Lava-Jato"

Procurador-geral teve 59 votos a favor de sua recondução e 12 contra

Por 59 votos a 12, o Senado aprovou ontem a recondução de Rodrigo Janot ao cargo do procurador-geral da República, dando respaldo às investigações da Lava-Jato. Antes da votação em plenário, a Comissão de Constituição e Justiça tinha sido quase unânime: 26 votos a favor de Janot e apenas um contra. A sabatina durou mais de dez horas, com elogios à atuação do procurador-geral na apuração do escândalo e ataques do senador Fernando Collor (PTB), um dos 11 investigados pela Lava-Jato que compareceram à sessão.

Folha de S.Paulo
"Reconduzido, Janot nega "acordão" com Planalto"

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, foi reconduzido ao cargo pelo plenário do Senado por 59 votos a 12. A indicação precisava de aprovação de 41 dos 81 senadores. Em sabatina na Casa, que durou mais de dez horas, a votação foi secreta, mas todos os 27 titulares da comissão votaram a favor, entre eles oito senadores alvos de inquéritos na Lava Jato, conduzidos pelo procurador. 

O Estado de S.Paulo
"Em sabatina no Senado, Janot nega 'acordão' com governo"

Indicado por Dilma à recondução ao cargo de procurador-geral, ele diz que acusação é 'ilação impossível'

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, negou durante sabatina de 10 horas no Senado ter feito "acordão" com o governo Dilma Rousseff para, em troca de ser reconduzido ao cargo, livrar a presidente das investigações da Operação Lava Jato. "Se eu tivesse condição de fazer um acordão desses, teria de combinar com os russos (outros investigadores). Vamos convir que isso é uma ilação impossível", afirmou. Apesar de longa, a sabatina foi tranquila graças a um acordo do governo com a cúpula do PMDB no Senado, que tem o presidente, Renan Calheiros, e mais ia senadores investigados. Indicado por Dilma após ser aprovado pela maioria dos procuradores, Janot disse jamais ter visto algo parecido com o "megaesquema" de corrupção na Petrobrás em 31 anos de carreira e que as investigações vão "até onde as pessoas foram".

quarta-feira, agosto 26, 2015

Dominique

Opinião

Coisas essenciais

Luiz Felipe Pondé
É sempre bom lembrar que não tenho causa alguma, nem estou preocupado em agradar você, nem ninguém. Aliás, querer agradar na profissão de intelectual público é signo de mau-caratismo. Isso não significa que não tenha com você, caro leitor, uma relação de parceria sincera e atenta. Apenas considero essa "fúria do bem" um tédio, além de tornar grande parte do pensamento público um "marasmo de amor".

Vejo-a, refiro-me a essa "fúria do bem", como uma forma de puritanismo. Os puritanos clássicos eram obcecados pela saúde da alma, mas pelo menos tinham perto de seus corações a agonia do pecado. Os novos puritanos têm apenas a certeza da própria pureza. São imperdoáveis por isso.

Percebe-se o puritanismo na medida em que hoje se busca de modo obsessivo a vida limpa e saudável. Imagino que em breve o sexo, como conhecemos, acabará, porque descobrirão, por exemplo, que mulheres que gostam de fazer sexo oral terão tantos por cento a mais de câncer bucal. Bons tempos aqueles em que se misturava sexo com trabalho, dando à vida profissional cotidiana uma certa leveza.

Mas, dito isso, vamos ao que interessa hoje. Recentemente, o mundo inteligentinho ficou estarrecido porque a maior parte dos egípcios está feliz com a ditadura do presidente Sissi. Esse comportamento da maioria dos egípcios parece uma heresia para muitos de nós, quando devia, na verdade, soar como a coisa mais normal do mundo.

Onde estão os "especialistas" que em 2011 afirmavam existir uma Primavera Árabe em curso? Foram acometidos pelo mesmo tipo de cegueira que acomete os religiosos fanáticos em geral: negam a realidade para afirmar um mundo que só existe nas suas cabeças e nos livros escritos em meio a queijos e vinhos.

E quando tudo que falaram não aconteceu, com a cara mais limpa do mundo, fingem que não disseram besteiras. Os profissionais da utopia de hoje são como gente que vende crack para os desgraçados.

As pessoas querem casa, comida e lazer. E dane-se o resto. A soberania popular, na sua intimidade invisível aos olhos de quem é cego, é exatamente essa. Se as pessoas conseguem andar na rua sem serem mortas (como estava acontecendo no Egito), elas fazem qualquer negócio. Minha tese é que aqueles que escreveram sobre "a utopia da Primavera Árabe" têm poucos compromissos com a vida real.

Na maioria dos casos, têm poucos ou nenhum filho, não têm casamentos longos e comprometidos com as famílias dos cônjuges (por isso jovens, normalmente, são aqueles que mais engrossam as fileiras das ideias descoladas da realidade); enfim, trata-se de uma moçada que raramente teme ficar sem salário ou sem grana para o supermercado ou para a escola das crianças.

O Oriente Médio é um inferno. Volátil, instável e com baixíssima institucionalidade. Quando ocorreu uma eleição após a dita Primavera Árabe no Egito, subiu ao poder a Irmandade Muçulmana. Proponho que todo mundo que acha que fundamentalistas islâmicos são aliados da plataforma do PSOL (amor, liberdade e revolta contra o capitalismo), esse partido de semi-celebridades libertárias, vão passar um tempo com eles.

Para grande parte da população que vive no Oriente Médio, se não matarem seu filho ou violentarem sua filha na rua, quando ela volta da escola, é um ganho civilizador. Se para isso eles precisam de alguém que cerceie as liberdades, que nós ocidentais tanto amamos (menos a moçada que admira Cuba e o bolivarianismo), eles topam sorrindo.

Porque a liberdade de pensamento é uma coisa tão cara quanto uma bolsa Chanel, e, na maioria da vezes, ninguém esta nem aí para ela, mesmo.

Também gosto da democracia (sem entrar nos problemas que ela tem), mas pensar que a democracia seja um regime universal é a mesma coisa que pensar que o cristianismo pode servir para gregos e troianos. O filósofo Montesquieu, que viveu entre os séculos 17 e 18, dizia que grandes regiões povoadas por muita gente, sem uma ordem institucional mínima, precisavam de regimes autocráticos.

Uma pergunta que me ocorre é: as mulheres de lá gostarão mais de fazer sexo oral do que as nossas? 

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U.V.

Manchetes do dia

Quarta-feira 26 / 08 / 2015

O Globo
"Dilma volta a liberar verba para conter crise política"

Apesar do ajuste, presidente autoriza R$ 500 milhões para parlamentares

Para ministro, ‘esse é o dinheiro mais barato que tem’; petista agora admite que a situação da economia também não será maravilhosa em 2016

Em meio às crises econômica e política e após anunciar o corte de dez ministérios, a presidente Dilma autorizou ontem o pagamento de R$ 500 milhões em emendas de parlamentares. “Ganhou o governo como um todo, principalmente os parlamentares, que tinham essa ânsia”, comemorou o ministro da Aviação Civil, Eliseu Padilha. A liberação tenta conter rebelião na base do governo. Depois de admitir que errou, ano passado, na avaliação da gravidade da crise na economia, Dilma ontem reconheceu que a situação também “não será maravilhosa” em 2016.

Folha de S.Paulo
"Dólar vai a R$ 3,60 com agravamento da crise política"

Campanha de Dilma na mira do TSE e previsão sobre economia em 2016 geram corrida à moeda

Sob influência do panorama interno, o dólar disparou e fechou a R$3,60. Para analistas, as razões são a piora dos cenários político, com nova possível investigação sobre a campanha de Dilma e a saída de Michel Temer da articulação, e econômico, com alta na taxa de desemprego e previsão pouco otimista da petista para2016. O ministro Gilmar Mendes, do Tribunal Superior Eleitoral, pediu ao Ministério Público que apure irregularidades em firma de Sorocaba (SP) que recebeu R$ 1, 6 milhão da campanha à reeleição da presidente. A coordenação da campanha disse que teve as contas aprovadas pelo TSE. Ninguém da empresa foi localizado. Também ontem (25), Dilma disse que “provavelmente” a situação econômica em 2016 não será “maravilhosa”, e o IBGE divulgou que o desemprego chegou a 8,3% no segundo trimestre. Na segunda (24), Temer entregou o cargo de articulador político, o que tende a distanciar Dilma do seu maior aliado, o PMDB. 

O Estado de S.Paulo
"Saída de Temer abre disputa por cargos e pode paralisar governo"

Aliados temem agravamento da crise política; governo estuda incorporação da pasta de Relações Institucionais à Casa Civil e PT quer emplacar Jaques Wagner

A reforma ministerial e administrativa planejada pela presidente Dilma Rousseff causou apreensão em aliados. Parlamentares da base temem que a discussão sobre corte de ministérios paralise o governo, aumente a disputa por cargos e agrave a crise política. A discussão também fez ressurgir no governo a ideia de incorporar a Secretaria de Relações Institucionais à Casa Civil - que voltaria a cuidar da liberação de cargos e emendas. A cúpula do PT defende a mudança do ministro da Defesa, Jaques Wagner, para a Casa Civil, no lugar de Aloizio Mercadante. O argumento é que Mercadante não tem habilidade política. Desde que o vice-presidente Michel Temer decidiu se afastar da interlocução com o Congresso, sob queixas de "articulação paralela" feita por Mercadante, além de embates com o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, os problemas na coordenação política ganharam holofotes. Ontem, o governo liberou R$ 500 milhões em emendas parlamentares, uma das reivindicações da base.

terça-feira, agosto 25, 2015

Dominique

Opinião

A culpa é da lei

Ferreira Gullar
O nível de criminalidade no país é assustador, tanto no âmbito das empresas estatais, nos diversos setores da administração pública, quanto nas áreas urbanas das grandes e pequenas cidades.

Por isso mesmo, os jornais de televisão se tornaram um tormento para quem os assiste, a ponto de que já muitos telespectadores, ao começar o noticiário, mudam de canal.

É uma atitude compreensível, porque a sensação que passa ao público é de que as autoridades responsáveis pela segurança dos cidadãos não têm capacidade de deter a ação dos bandidos.

Não resta dúvida de que as polícias dos diferentes Estados têm agido contra os criminosos. Não obstante, a ação dos bandidos parece crescer, apesar da repressão policial. É que o problema é mais complexo, envolvendo questões que vão além da repressão policial.

Por isso mesmo, o secretário de segurança do Rio de Janeiro, José Maria Beltrame, declarou outro dia: "É como enxugar gelo. A gente prende os bandidos e, no dia seguinte, eles estão soltos".

Às vezes não é no dia seguinte, mas a verdade é que raramente algum condenado cumpre na totalidade a pena que lhe foi imposta.

A razão disso é que a nossas leis penais têm como um de seus objetivos ressocializar o criminoso, isto é, dar-lhe a possibilidade de voltar a ser um cidadão integrado no meio social e ganhar seu sustento trabalhando honestamente, como as demais pessoas.

Trata-se, sem dúvida, de um propósito louvável. Resta saber, no entanto, se, na prática, ele funciona, se efetivamente os criminosos se regeneram. A experiência demonstra que em alguns sim e em outros, não.

Um exemplo dos que não se regeneraram foi o traficante conhecido pelo apelido de Playboy, morto pela polícia no dia 8 deste mês na casa de sua namorada, no morro da Pedreira, no Rio de Janeiro. Ele era o criminoso mais procurado pela polícia do Estado.

Playboy estava foragido desde 2009, quando foi beneficiado pela progressão de pena, que lhe garantiu o direito ao regime semiaberto. Esse regime consiste em permitir que o preso saia da prisão durante o dia para trabalhar e volte à noite para dormir. Playboy saiu e, claro, não voltou, nem naquela noite nem nunca mais.

Diante disso, cabe perguntar: alguém, em sã consciência, acreditaria que um bandido como Playboy, condenado por tráfico de drogas, assalto a mão armada e homicídio, chefe de diversas quadrilhas de várias favelas do Rio, iria de fato sair livremente da cadeia e voltar para ela todas as noites?

A concessão da prisão semiaberta pressupõe que o preso saia para trabalhar e, com isso, uma vez recuperada a liberdade plena, já tenha uma possibilidade de abrir caminho na vida. Com esse objetivo, foi solto Playboy para trabalhar. Mas trabalhar em que, senão traficando drogas, que era a sua ocupação?

Esse não foi o primeiro exemplo de bandido que, beneficiado pelo semiaberto, saiu da prisão e não voltou mais. Os exemplos são muitos e continuarão a repetir-se, porque assim manda a lei.

Faz poucas semanas, a polícia prendeu seis traficantes, sendo que dois deles, como Playboy, tinham sido beneficiados pela progressão da pena, saíram da cadeia e voltaram a atuar no tráfico de drogas, que havia sido o motivo de sua prisão.

Há quem, equivocadamente, culpe os juízes pela libertação desses bandidos e por sua volta ao tráfico. Mas, de fato, a culpa não é deles, que apenas cumprem a lei. Se, nesses casos, o criminoso é beneficiado, isso se deve ao dispositivo legal que não discrimina, entre os presos que teriam direito ao regime semiaberto, quais o merecem e quais não.

A conclusão inevitável, em face disso, é que a lei necessita ser mudada, a fim de que aqueles que efetivamente estão dispostos a se reintegrarem na sociedade tenham a oportunidade de fazê-lo, enquanto os irrecuperáveis fiquem obrigados a cumprir integralmente a pena que lhes foi imposta. 

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U.V.

Manchetes do dia

Terça-feira 25 / 08 / 2015

O Globo
"China deve prolongar crise no Brasil"

Levy diz que país está preparado para turbulências, mas não descarta aumentar impostos

Temor de que a economia chinesa pise no freio derruba mercados. Ações caem 8,5% em Xangai, arrastando Europa e EUA. No mundo, pregões perdem US$ 4,8 trilhões. No Brasil, Bovespa recua 3,03%. Recessão, juros altos e déficit fiscal reduzem blindagem brasileira

O temor de que a economia chinesa vá sofrer um freio mais intenso do que o previsto derrubou os mercados globais. A Bolsa de Xangai caiu 8,5% e arrastou os pregões europeus, que sofreram perdas de mais de 4%. Nos EUA, a Bolsa de Nova York despencou 6,6% na abertura do pregão, e fechou em queda de 3,94%, num dia apelidado de “segunda-feira de pesadelo”. No mundo, evaporaram US$ 4,8 trilhões das Bolsas. Analistas afirmam que a piora no cenário global deve agravar a crise no Brasil, pois ocorre num momento em que o país enfrenta recessão, inflação elevada, juros altos e fragilidade fiscal. A Bovespa fechou em queda de 3,03%, após chegar a cair até 6,5% de manhã. O dólar subiu 1,63%, para R$ 3,552. Em Washington, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, disse que o Brasil “está preparado” para enfrentar turbulências. Mas não descartou aumento de impostos em 2016.

Folha de S.Paulo
"Governo demorou a perceber gravidade da crise, diz Dilma"

Para reduzir gastos, presidente autorizou o corte de dez ministérios e de cargos de confiança

A presidente Dilma Rousseff (PT) ensaiou um mea culpa e afirmou que, se houve erro do governo, foi o de não ter percebido antes das eleições de 2014 que a crise econômica era muito maior do que se esperava. Em entrevista a três jornais brasileiros, a petista afirmou que as dificuldades só ficaram mais claras entre novembro e dezembro. Pressionada a responder à crise, ela autorizou o corte de 10 dos 39 ministérios até setembro e a redução de 1.000 dos cerca de 22 mil cargos de confiança na administração pública federal. O anúncio foi feito sem detalhes sobre quais pastas serão suprimidas ou da economia que isso trará. Na campanha de 2014, a petista havia criticado as propostas de adversários de reduzir ministérios e dito que quem defendia fazê-lo possuía “imensa cegueira tecnocrática”. A presidente também disse que foi surpreendida com o envolvimento de petistas no esquema de desvios na Petrobras e atacou aqueles que, segundo ela, tentam envolver o ex-presidente Lula na Lava Jato. 

O Estado de S.Paulo
"Dilma:'Governo demorou a perceber a gravidade da crise econômica'"

Em entrevista a convite do Planalto, ela prometeu cortar 10 ministérios e mil cargos. Sobre Temer, disse que 'tem sido de extrema lealdade'

A presidente Dilma Rousseff anunciou ontem o corte de dez ministérios, sem especificar quais, a redução de cerca de mil dos 22,5 mil cargos comissionados e a extinção de secretarias ministeriais. Numa entrevista a jornais a convite do Planalto, Dilma justificou a decisão como parte dos movimentos para melhorar a gestão do País. "Vamos passar os ministérios a limpo." Também reconheceu que o governo demorou a perceber a gravidade da situação econômica, especialmente no exterior, e "levou muitos sustos", como a queda dos preços internacionais dos barris de petróleo e das commodities. Sobre a Previdência Social, avisou que não será possível evitar discussões sobre uma reforma. "Nós não queremos a Grécia. Queremos?" Ainda elogiou a atuação do vice-presidente Michel Temer: "Ele tem sido de extrema lealdade comigo. E o resultado da primeira fase de sua articulação foi um sucesso", disse.

domingo, agosto 23, 2015

Dominique

Opinião

La nave va

O governo disse, após as manifestações, que o grande problema do Brasil é a intolerância. Discordo: acho que é a corrupção

Gabeira
O governo disse, após as manifestações, que o grande problema do Brasil é a intolerância. Discordo: acho que é a corrupção. Milhares de pessoas que foram às ruas acham o mesmo. A resposta do governo não me surpreende. É tão previsível que poderia reduzi-la a um programa de computador, quem sabe uma fórmula matemática. Sempre acusa, nunca erra, nunca se desculpa. Prefere o papel de vítima da intolerância do que assumir suas responsabilidades no buraco em que meteu o Brasil.

De fato, a tolerância, essa que o governo usa como cortina de fumaça, é uma qualidade vital. Bertrand Russel dizia que, além de respeito aos fatos, é preciso aprender a ouvir coisas que não gostamos de ouvir.

A memória me ajuda a exercitar a tolerância. Quando o presidente da CUT disse que resistiria com armas na mão ao impeachment de Dilma, consegui sorrir.

Lembrei-me de um episódio em 1964. Éramos cinco jornalistas morando num conjugado do 200 da Barata Ribeiro. Um de nós foi buscar as armas que o Almirante Aragão distribuiria para resistir ao que, na época, era um verdadeiro golpe.

Aragão comandava os fuzileiros navais, tinha armas verdadeiras. Quando lançou a ordem de entregar as armas, ela foi se deformando e chegou lá na porta como um aponte as armas. Pessoinha, José Pessoa, esse era o seu nome, voltou com olhos arregalados e de mãos vazias.

Dos cinco daquela época, morreram três, sobramos Moacir Japiassu e eu. Vivo, Pessoinha também riria das armas do presidente da CUT. E muito mais do desfecho: em vez de armas, o presidente da CUT ofereceu churrasco e cerveja.

As crises trazem muita ansiedade, sobretudo em nossa época. Toda hora ir ao computador à espera de algo que você não sabe bem o que é, algo que impulsione uma saída.

Com as memórias de muitos anos de manifestação de rua, fui ver de perto, depois assisti com tranquilidade às análises, coberturas de tevê, enfim todas as possíveis interpretações. Uma das coisas que me pareceram meio cômicas foi a obsessão com os números. Era uma manifestação oceânica, grande para qualquer democracia ocidental e mesmo para a Índia. Mas era preciso esquadrinhar a Avenida Paulista em busca de um número.

Como disse Bertrand Russel, é preciso respeitar os fatos. Os números devem ser levados em conta, mas não são a única variável. As manifestações revelaram um foco: o impeachment. E marcaram uma aliança entre os manifestantes e a Operação Lava-Jato. E se fixaram na rejeição de Dilma, Lula e o PT.

As coisas ficaram mais claras. E manifestações nunca se esgotam nelas mesmas. Elas são transmitidas para milhões de pessoas que não foram às ruas. Por causa disso, independentemente de pequenas diferenças numéricas, as manifestações produzem um enorme efeito num índice que não para de crescer: o da rejeição a Dilma.

Agarrados a números como um contador atarefado, muitos não sentiram a dimensão do protesto, a proeza de unir um movimento nacional em torno de uma só aspiração. Se isso não tem foco, recomendo levar a lente para um especialista. Ao contrário das manifestações do século passado, nas de agora agora são famílias inteiras que vão para as ruas. Não houve ocorrências policiais ao longo de todo o país. Não havia comícios, mas microfones abertos.

Outro dia, num encontro do PT, um dos oradores pediu a volta dos black blocks. Onde estão eles que não nos ajudam? Nas vésperas da manifestação, o presidente da CUT vem com essa história de armas, transfiguradas em chope e churrasco.

É verdade que surgiram ao longo do Brasil algumas faixas pedindo intervenção militar. Mas quem acredita mesmo que situação histórica se resolve num conflito das Forças Armadas com os sindicalistas armados de Vagner Freitas? É preciso muito chope para considerar esta hipótese.

Manifestações nem sempre têm o condão de resolver sozinhas as crises. Elas as dramatizam e empurram os atores para assumirem seu papel em cena. Na verdade, embora a palavra de ordem fosse impeachment, vi mais esperança no curso da Operação Lava-Jato do que no processo político.

O que ficou claro no domingo é que as multidões não aceitam sabotagens à Operação Lava-Jato. Esperam que se desdobre, pois veem nela o elemento mais dinâmico nessa pasmaceira. De um lado um governo que não governa, apenas tenta sobreviver; de outro a necessidade de abrir uma brecha no impasse político, premissa para se recuperar a economia.

Impossível não perceber o movimento da multidão: seus clamores não foram ouvidos pelos políticos, ela se volta para a polícia. E está funcionando. É algo que funciona, e a própria oposição decidiu se opor. Sei que esta frase pode parecer arriscada mas é a conclusão que tirei nas ruas: la nave va.

Original aqui

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U.V.

Manchetes do dia

Domingo 23 / 08 / 2015

O Globo
"EXCLUSIVO/RIO EM TRANSFORMAÇÃO: Prefeitura muda regras para uso de imóveis"

Objetivo é ocupar áreas abandonadas e facilitar construções

Prédios fechados no Centro e nas zonas Sul e Norte terão IPTU maior

Exigências para novos edifícios residenciais vão ser menores

Casarões tombados poderão virar lojas ou apartamentos

Famílias carentes terão ajuda para o aluguel na região central da cidade

Um pacote de sete projetos de lei enviados pelo prefeito Eduardo Paes à Câmara Municipal, onde de tem apoio da maioria dos vereadores, prevê incentivos fiscais e mudanças nas regras urbanísticas do Rio para ocupar áreas degradadas ou em processo de revitalização. Uma das mudanças é a construção de prédios de até seis andares sem a exigência de elevadores. Entre os pomos polêmicos, está a corança de IPTU progressivo, com alíquota de até 15% do valor venal do imóvel, de construções subutilizadas, revela Selma Schmidt. Para evitar que moradores sejam expulsos de áreas que são foco de especulação, grandes empreendimentos serão obrigados a construir casas populares na mesma região.

Folha de S.Paulo
"Saída da presidente traria instabilidade, diz Setúbal"

Para o presidente do Itaú-Unibanco, não há motivo para tirar Dilma do cargo

Uma das vozes mais influentes do empresariado brasileiro, o presidente do Itaú-Unibanco, Roberto Setubal, afirma, em entrevista a David Friedlander, que a saída da presidente Dilma traria instabilidade ao país.

Para o banqueiro, as "graves" manobras fiscais, questionadas pelo TCU, não são motivos para um processo de impeachment. Ele diz não ter visto indícios de envolvimento da petista com esquemas de corrupção.

Setúbal reclama da "grande discussão sobre poder e da pouca discussão sobre o país". Na semana passada, entidades econômicas, como a Confederação Nacional da Indústria, fizeram defesas públicas da estabilidade.

O presidente do maior banco privado do Brasil também defende mudanças profundas para a economia voltar a crescer, como a redução do número de partidos políticos e a reforma trabalhista.

O Estado de S.Paulo
"EUA colhem provas da Lava Jato em ação contra Petrobrás"

EXCLUSIVO: Documentos vão sustentar caso na Suprema Corte de NY; Gabrielli e Graça Foster devem ser citados

Investigadores dos EUA recolheram durante a semana, no Brasil, cópias de documentos da Lava Jato para sustentar ação coletiva milionária, ou class action, em curso na Suprema Corte de Nova York. O grupo reclama perdas milionárias causadas pelo esquema de corrupção na Petrobrás após compra de ações da estatal que sofreram baixas na Bolsa de Valores de Nova York, informam Julia Affonso e Ricardo Brandt. Os ex-presidentes da estatal José Sérgio Gabrielli e Graça Foster devem ser citados. Por negociar papéis, a empresa é obrigada a comunicar fatos relevantes que possam influenciar decisão de investidores. Para eles, a estatal não comunicou apropriadamente ao mercado o esquema de corrupção. A Petrobrás informou que não se manifestaria.
 
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