sábado, agosto 15, 2015

Dominique

Opinião

Entre o Brasil e o Bananão

Gabeira
Estamos meio perdidos no Brasil. Como se estivéssemos no mato discutindo entre veredas que podem nos levar de novo ao campo aberto. São três saídas que nos mobilizam no curto prazo: continuidade, o impeachment ou a renúncia de Dilma Rousseff.

Muitos temem o desconhecido. Há opiniões respeitáveis contra o impeachment. Fernando Henrique o considera uma bomba atômica. Marina Silva confessou, numa entrevista, que sofreu muito por ser contra o impeachment. Sofrimento por sofrimento, ela também sofreu nas mãos do PT. O de agora vem da pressão da maioria que apoia o caminho do impeachment.

Evitar o desconhecido tem uma enorme força entre as pessoas preocupadas com os rumos do Brasil. Mas para quase todas com que falei essa própria noção de continuidade se abala com a presença de Dilma. A pergunta difícil de responder: o que será do Brasil com três anos e meio de um governo fraco, desorientado, acossado pelo maior escândalo político da história?

Não nos enganemos: o Brasil não será o mesmo, navegando sem rumo por mais três anos e meio de Dilma. Será muito pior.
A outra vereda é o impeachment. Na experiência vivida em 1992 foi possível constituir um governo de unidade em torno de Itamar Franco. Lembro-me de tê-lo entrevistado uma semana antes da queda de Collor. Ele não disse nada publicável. Mas, informalmente, sua experiência apontava para um governo de unidade destinado a transitar até as eleições.

Itamar e Temer têm temperamentos diferentes. Itamar foi ousado o bastante para encampar o Plano Real de seu ministro Fernando Henrique. Foi um momento de grande instabilidade o impeachment, mas acabou levando o Brasil a encontrar o instrumento mais estável de nossa história econômica recente.

Itamar era praticamente independente. Temer é ligado ao PMDB, que tem Eduardo Cunha e Renan Calheiros na marca do pênalti na Operação Lava Jato.

Para conduzir uma tarefa nacional, era preciso admitir que presidentes do Senado e da Câmara não podem seguir no cargo na condição de investigados no petrolão. O PMDB não pode tentar, após o fracasso do PT, controlar a Operação Lava Jato.

É sempre bom acentuar que o cenário de impeachment está previsto na Constituição. Não é um caminho ilegal, golpista e tudo isso que os defensores do governo dizem. Um dos caminhos legais é investigar a campanha de Dilma com base no depoimento do empresário Ricardo Pessoa e nas anotações de Marcelo Odebrecht. São muito fortes os indícios de caixa 2, com dinheiro de propina inclusive vinda de contas na Suíça.

A terceira vereda é a renúncia. Os que conhecem Dilma dizem que ela não renuncia. Ela mesma afirmou que suporta pressões, já passou pela ditadura. Parece que não sabe a diferença entre panelaço e pau de arara. Talvez seja sensível ao argumento da grandeza. Pode voltar contra ela, como um bumerangue, seu discurso no Maranhão: o País está acima dos projetos pessoais.

Não acredito em militantes com vontade de ferro. Isso é um mito stalinista que perpassou a luta armada no continente, feita em condições de extrema dificuldade.

Somos todos humanos. No domingo há manifestação. A maioria do povo brasileiro saberá encontrar, além desta, inúmeras formas de expressar seu descontentamento.

A quase totalidade dos analistas não a acha capaz de controlar o Congresso, onde não tem maioria. Governar com minorias? Só com muitas ideias na cabeça e gente capaz de defendê-las. Isso o governo não tem. A popularidade de Dilma cai à medida que a crise avança. Ela está próxima da unanimidade, o que talvez possa ser sentido como uma forma enviesada de grandeza: a presidente mais impopular do período democrático.

A situação do PT não é das mais confortáveis na opinião pública. Lula reclama de que não pode mais frequentar restaurantes. Diante do cerco social, líderes conhecidos reduzem seus movimentos. Os de José Dirceu se estreitaram para alguns metros de uma cela.

Tanto Dilma como seu partido, a julgar pelos discursos e programa de TV, resolveram enfrentar a maioria e ironizá-la. É uma tática suicida. A Operação Lava Jatos ainda reserva ao partido algumas surpresas, com as delações premiadas em curso. Nem precisa mais de revelações bombásticas. Basta comprovar as que foram feitas e o PT pode ter o destino dos partidos italianos que desapareceram com a Operação Mãos Limpas.

Entre quase todas as visões de saída da crise o pressuposto é de que um projeto político morreu. Nossas discussões sobre saída, no fundo, convergem para essa constatação. O problema, como em muitos velórios, é o momento do enterro. Há sempre um parente vindo do sul, alguém que não conseguiu passagem, enfim, prazos diferentes.

Vivemos uma crise econômica, perdendo 100 mil empregos por mês. Logo poderemos sentir o reflexo em convulsões sociais. Pessoalmente, descarto a inércia por achar que é a pior das soluções. Mas não estou perdido sozinho.

Estamos todos no mesmo impasse. O PT e o governo afirmam que cassar o mandato de Dilma levará o País ao caos.

Domingo, as pessoas saem às ruas para dizer o que querem. Os políticos costumam fingir de mortos, esperando passar o calor das manifestações. Acho muito difícil marcá-las com tanta antecedência, pois movimentos sociais têm fluxo e refluxo e um nível de espontaneidade. Mas novas formas de protesto surgirão.

Não creio que o Brasil vá se curvar a um esquema criminoso por medo ou apenas delicadeza. Alguns adversários apanharam muito do PT e, agora, dão a outra face. Há muita elegância e beleza nesse gesto de Cristo. Mas, como lembra um personagem de Beckett, naquela época se crucificava depressa. Ou o Brasil encontra energia e forma de se livrar de um sistema de dominação criminoso ou amargará anos de atraso e desânimo.

De qualquer forma, estaremos juntos. E, de certa forma, separados. A nacionalidade não é uma segunda pele. Bolsões criativos podem surgir aqui e ali, mesmo vivendo num país medíocre e assustado, um Bananão, como dizia Ivan Lessa.

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U.V.

Manchetes do dia

Sábado 15 / 08 / 2015

O Globo
"Governo bloqueia novos empréstimos para estados’"

Governadores e prefeitos contavam com recursos externos para investir

Tesouro suspende aval para financiamento de administrações estaduais e municipais

Apesar da pressão de governadores e prefeitos, o governo federal decidiu suspender o aval a pedidos de empréstimo de estados e municípios a organismos internacionais. O Tesouro determinou à Comissão de Financiamentos Externos a retirada de pauta de todas as solicitações. Em reunião 15 dias atrás, governadores cobraram da presidente Dilma Rousseff mais rapidez na liberação desses empréstimos, que serviriam para investimentos em infraestrutura e logística. Segundo o Tesouro, essas operações de crédito somaram R$ 44 bilhões entre 2011 e 2014 e “cresceram fortemente nos últimos anos”. 

Folha de S.Paulo
"Chacina mata 18 em SP; governo suspeita de PMs"

Ataques ocorreram em 9 locais de Osasco e Barueri, em menos de três horas

O governo Geraldo Alckmin (PSDB) suspeita que PMS estejam ligados a ataques que deixaram 18 mortos na noite de quinta (1 3), a mais violenta do ano na Grande SP. As mortes, 15 em Osasco e três em Barueri, aconteceram em menos de três horas, em nove locais. (...) Nas cinco principais chacinas na capital paulista desde 2013, nas quais morreram 42 pessoas, há suspeita de participação policial. Segundo a polícia, 12 dos18 mortos anteontem não tinham antecedente criminal. A Corregedoria da PM investiga o caso.

O Estado de S.Paulo
"Maior chacina de SP tem 18 mortos; PMs são suspeitos"

Vingança pelo assassinato de cabo que patrulhava área dos ataques, em Osasco e Barueri, é principal hipótese

A morte de um policial militar num posto de gasolina há oito dias pode ter sido a razão da onda de ataques na noite de anteontem em Osasco e Barueri que acabou com 18 mortos e 6 feridos e levou pânico a moradores da região.(...) O governador Geraldo Alckmin classificou a série de execuções como "gravíssima" e prometeu esclarecer e identificar os assassinos. "A prisão deles é o mais importante", disse.

sexta-feira, agosto 14, 2015

Curtiss Commando C-46


Coluna do Celsinho

Pedagogia e Cultura Aeronáutica

Celso de Almeida Jr.

No último 8 de agosto - no Colégio Dominique - o Instituto Salerno-Chieus, através do Núcleo Infantojuvenil de Aviação,  promoveu o Workshop Pedagogia e Cultura Aeronáutica.

O encontro envolveu professores da escola e profissionais especializados em inglês aeronáutico, meteorologia e controle de tráfego aéreo.

Após as atividades, em decisão colegiada, o Dominique adotou a cultura aeronáutica como principal tema transversal, comprometendo-se a produzir conteúdo em linguagem adequada para crianças e jovens.

Assim, o mundo da aviação, setor de alta tecnologia e que gera diversificadas atividades profissionais, passará a integrar o dia-a-dia dos alunos da escola.

Este é mais um fruto dos esforços do NINJA - Núcleo Infantojuvenil de Aviação, que oferece atividades gratuitas para estudantes da rede pública e particular e que, entre outras conquistas, já contribuiu para o renascimento do Aeroclube de Ubatuba.

Saiba mais: www.ninja-brasil.blogspot.com

Vale citar que os professores do Colégio Dominique definiram, como rotina, encaminhar todo o conteúdo produzido para análise prévia de especialistas em aviação, certificando que o material unirá:

- Conteúdo específico para cada disciplina escolar.

- Linguagem correta para as diferentes faixas etárias.

- Chancela de profissionais da aviação.

E, o mais gratificante:

Todo o conteúdo didático gerado, aplicável a alunos da educação infantil ao ensino médio, será disponibilizado em portal interativo do NINJA, que está em fase de implantação.

Assim, tudo poderá ser acessado por estudantes de qualquer escola, pública ou particular, gratuitamente.

A repercussão do encontro também garantiu que a próxima Feira de Ciências do Colégio Dominique, prevista para novembro, terá a aviação como tema central.

Vamos prestigiar!

Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com

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Dominique

Opinião

A obra de Dilma

Estadão
No afã de salvar o mandato da presidente Dilma Rousseff e, por tabela, juntar os cacos do que resta de sua própria imagem, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva adotou a estratégia de fazer os brasileiros acreditarem que a crise pela qual o País atravessa não é produto da desastrosa administração de sua pupila. Lula admite que há dificuldades, pois negá-las seria demais até para um ilusionista como ele, mas agora deu para falar de Dilma como se ela presidisse outro país – ou, pior, como se ela fosse inimputável.

Falando em Brasília a uma plateia composta apenas por simpatizantes arregimentados por centrais sindicais e movimentos de sem-terra, com farto patrocínio estatal, Lula sentiu-se em casa para expor sua nova teoria. “Nós não vivemos o momento mais extraordinário do nosso país”, concedeu o ex-presidente. Para ele, no entanto, “não é uma dificuldade da presidenta Dilma” – isto é, a crise não resulta de sua incompetência. Ora, se a presidente da República não é a responsável pelo que acontece no País que governa, quem seria então? Lula responde: “É daquelas dificuldades que a gente não sabe quem criou”.

Como se sabe, a vitória tem muitos pais, enquanto a derrota é órfã. Quando o País apresentava bom desempenho, Lula e seus marqueteiros tratavam de reivindicar a paternidade do aparente progresso, como se fosse resultado apenas de seus eventuais acertos, inéditos “na história deste País”, e não de uma conjuntura internacional totalmente favorável ao Brasil. Agora que a economia nacional dá sinais de forte retração, com inflação em alta e desemprego crescente, os petistas querem fazer acreditar que a responsabilidade por esse estado de coisas é apenas de uma alegada deterioração no cenário externo, e não do festim fiscal patrocinado pelos delírios estatistas do PT.

Embora possa ser útil para a mitologia lulopetista, tal narrativa encontra sérias dificuldades quando confrontada com a realidade. Os Estados Unidos, epicentro da crise de 2008, já se recuperaram, enquanto a Europa, embora ainda enfrente o desafio de fazer sua economia deslanchar, voltou a crescer. A expansão média da economia mundial deve superar 3% neste ano. A China, embora sem o mesmo vigor de antes, deve crescer mais de 6%. Já no Brasil a perspectiva é de uma retração da ordem de 2% neste ano e de 1% no ano que vem, desempenho que vai totalmente na contramão da tendência mundial – e que levou as agências de classificação de risco a rebaixar a nota de crédito do Brasil, deixando o País sob o sério risco de perder o título de bom pagador.

“A crise não nasceu em Quixeramobim, não nasceu em Maceió, não nasceu em Brasília. A crise nasceu no coração dos Estados Unidos e hoje tem muita gente pagando por isso”, discursou Lula – aquele mesmo que, em outubro de 2008, disse que essa crise, se chegasse ao Brasil, viria apenas na forma de uma “marolinha”, e se dispôs até a telefonar ao então presidente americano, George W. Bush, para “prestar solidariedade”.

Para Lula, portanto, Dilma é apenas mais uma vítima dessa conjuntura – embora esteja já em seu segundo mandato e tenha ocupado Ministérios poderosos nos dois mandatos de seu padrinho – e se queixou de novo daqueles que, segundo ele, não se conformam que a eleição acabou e não descem do palanque. “Tem gente que joga a responsabilidade em cima da Dilma, dizendo que ela é culpada, mas essas mesmas pessoas que se apresentam como se tivessem a solução para os problemas do mundo esquecem que, quando eu cheguei à Presidência, esse País estava quebrado, dependia do FMI”, afirmou Lula, mais uma vez lançando mão de mistificação histórica para desmoralizar a oposição. De quebra, desmerece os mais de 70% que consideram o governo de Dilma ruim ou péssimo, conforme mostram as últimas pesquisas.

Já se vão mais de 12 anos de governos petistas, quatro e meio dos quais com Dilma na Presidência, mas Lula acha que ainda é cedo para julgar a administração de sua sucessora. “Não julguem a Dilma por seis meses de mandato, porque ele é de quatro anos”, disse o chefão do PT, sugerindo que a “obra” de Dilma ainda não está completa. Pobre Brasil!

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U.V.

Manchetes do dia

Sexta-feira 14 / 08 / 2015

O Globo
"Ministros do TCU manobram para perdoar ‘pedaladas’"

Estratégia é votar , antes das contas de Dilma, ação que condenou o drible fiscal

Integrantes do tribunal querem analisar recurso da AGU à votação que considerou ilegais as manobras nas finanças. Medida ajudaria governo a se livrar de parte das acusações, que integram processo sobre as contas de 2014

Uma nova estratégia, em curso no Tribunal de Contas da União, pode ajudar a presidente Dilma Rousseff na votação das contas de 2014 do governo e considerar legais as “pedaladas fiscais”, revela VINICIUS SASSINE. Ministros do tribunal, ligados a PT e PMDB, pretendem retomar a votação do processo que, em abril, condenou os dribles financeiros. A Advocacia-Geral da União, em seguida, contestou o pedido de explicações feito pelo TCU ao governo, que lista 30 itens . O ministro Vital do Rego, relator do recurso, é um dos que articulam para que a análise da ação sobre as irregularidades contábeis ocorra antes da apreciação das contas da presidente. A manobra é confirmada por três ministros ouvidos pelo GLOBO. Dilma ganhou anteontem prazo extra de 15 dias para responder aos questionamentos do TCU. Vital do Rego já aceitou rever oito deles, num indicativo de que as principais acusações do processo das “pedaladas” poderão ser anuladas.

Folha de S.Paulo
"TSE suspende ação do PSDB que pede cassação de Dilma"

Tucanos pediram apuração de possível uso de recursos do Esquema de corrupção na Petrobras em campanha do PT

Após ganhar tempo para explicar irregularidades nas contas do governo ao TCU, a presidente Dilma conseguiu a suspensão de ação movida pelo PSDB que pede ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) a cassação de seu mandato. Os tucanos pedem investigação de abuso de poder econômico e político na campanha petista e possível financiamento pelo esquema de corrupção da Petrobras. Os ministros Gilmar Mendes e João Otávio de Noronha votaram a favor da abertura da ação, mas o julgamento foi interrompido ontem (13) por um pedido de vista de Luiz Fux. Ele disse que pediu mais tempo para analisar o caso para que o tribunal possa chegar a um entendimento sobre a tramitação das quatro ações que pedem a cassação do mandato de Dilma. O ministro Henrique Neves não chegou a votar, mas indicou que é a favor da investigação. Para que a ação prossiga, são necessários votos de 4 dos 7 ministros. Gilmar Mendes afirmou que o tribunal “não pode permitir que o país se transforme num sindicato de ladrões”. O comando da campanha da presidente Dilma nega as acusações de irregularidades.

O Estado de S.Paulo
"Mendes vota por investigar campanha de Dilma no TSE"

Julgamento de ação que pede afastamento da presidente acabou suspenso

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) retomou, e em seguida suspendeu por tempo indeterminado, a votação sobre reabertura de uma das quatro ações que pedem impugnação do mandato de Dilma Rousseff e seu vice, Michel Temer. A ação, protocolada pela Coligação Muda Brasil, cujo candidato era Aécio Neves (PSDB-MG), acusa a chapa Dilma-Temer de usar estruturas públicas e abusar de poder econômico e diz que propinas do esquema de corrupção da Petrobrás podem ter sido misturadas às doações oficiais. O caso havia sido arquivado pela ministra Maria Thereza de Assis Moura por, segundo ela, basear-se em "ilações" e acusações "genéricas". Mas ontem os ministros Gilmar Mendes e João Otávio de Noronha votaram pela continuidade. Para a ação seguir, mais dois devem votar a favor. O julgamento, porém, foi interrompido por pedido de vista do ministro Luiz Fux. 

quinta-feira, agosto 13, 2015

Dominique

Opinião

Pura encenação política

Estadão
O governo, que nas últimas semanas vinha em desabalada carreira a caminho do brejo, logrou fazer um pit stop no Senado. Renan Calheiros ofereceu a Dilma Rousseff um tempo para respirar, em mais uma guinada esperta em sua interessante trajetória política, onde há de tudo – menos altruísmo. Depreende-se daí qual seja o verdadeiro significado da Agenda Brasil, o mais recente episódio da trepidante crise em que o País está mergulhado. Crise, aliás, que nada tem a ver com Dilma, mas é todinha culpa dos Estados Unidos, como Lula constatou após percuciente análise das maquinações do imperialismo ianque feita diante da plateia da 5.ª Marcha das Margaridas, promovida pela Contag em Brasília.

Consubstanciada num pacote de 27 propostas de reformas – 19 das quais já estavam em tramitação – apresentadas pelo presidente do Senado como contribuição ao ajuste fiscal e ao aperfeiçoamento da economia e da administração pública, a Agenda Brasil é a ação mais visível do conjunto de medidas articuladas pelo governo e pelo PT para aliviar a pressão sobre o Planalto e afastar a possibilidade de impeachment de Dilma.

Lideranças do governo e do PT, inclusive o ex-presidente Lula, têm mantido contato com lideranças civis em busca de apoio para ações imediatas que favoreçam, além da defesa do mandato de Dilma, o controle da crise política e econômica. Da crise moral – ou seja, da roubalheira pilhada pela Operação Lava Jato – eles preferem não falar. São claros resultados dessas iniciativas as manifestações dos presidentes das federações da indústria de São Paulo e do Rio de Janeiro, bem como as entrevistas concedidas à Folha de S.Paulo e ao Globo pelo presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco. A tônica dessas manifestações foi, como era de esperar, o apelo à união dos brasileiros para a pacificação política e o combate à crise econômica. A ironia dessa situação é o fato de os petistas, em desespero de causa, se verem na contingência de terem de se valer do socorro “deles”, os representantes da “elite”.

A negociação que resultou na Agenda Brasil, na qual o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, teve papel relevante, garantiu benefícios imediatos tanto para a presidente da República e, consequentemente, para o governo, quanto para Renan Calheiros, que vinha disputando com seu correligionário presidente da Câmara, Eduardo Cunha, um torneio de maldades contra o Planalto.

Para alegria geral dos novos parceiros, o acordo com Dilma provoca desde logo o potencial enfraquecimento político de Eduardo Cunha, a partir da constatação de que os senadores passam a figurar como beneficiários prioritários das benesses governamentais, em prejuízo dos deputados. Afinal, é disso que se trata quando se coloca o que é verdadeiramente mais importante para os parlamentares em geral. Ponto, portanto, para Calheiros, que a partir de agora volta a desempenhar um protagonismo político do qual estava cada vez mais afastado. Além disso, o senador alagoano contabiliza mais dois bônus: a boa vontade do poder central para com seu filho, que governa as Alagoas, e pelo menos a torcida de Dilma para que a Operação Lava Jato o mantenha fora da mira.

Para Dilma, por sua vez, a encenação da Agenda Brasil oferece desde logo a garantia do apoio do Senado à aprovação das medidas restantes do ajuste fiscal e de um contraponto, na Câmara Alta, à “pauta-bomba” que Eduardo Cunha com toda certeza intensificará agora na Casa que preside. Se os tais 27 pontos deixarem de ser meras ementas de projetos, e se isso acontecer em tempo oportuno, a jogada poderá contribuir para a recuperação da confiança dos agentes econômicos. De qualquer maneira, Dilma deverá contar agora com a recondução de Rodrigo Janot à chefia do Ministério Público Federal. Esse ponto do entendimento com Calheiros teria sido facilitado pela verificação de que a Operação Lava Jato não teria apurado contra ele nada que deva ser processado imediatamente. O mesmo já não ocorre em relação a Eduardo Cunha, que ao que tudo indica integrará a primeira lista de políticos denunciados pelo Ministério Público ao STF.

Essa Agenda Brasil que o governo tão festivamente comemora representa, portanto, um alívio para Dilma. O problema é que acordos com Renan não resolvem as graves questões que a presidente tem pendentes no Tribunal de Contas da União e no Superior Tribunal Eleitoral e que podem lhe custar o mandato.

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U.V.

Manchetes do dia

Quinta-feira 13 / 08 / 2015

O Globo
"Dilma ganha tempo no TCU com ajuda de Temer e Renan"

Peemedebistas atuam para garantir prazo maior na votação das contas

Presidente terá mais 15 dias para dar explicações ao tribunal sobre as ‘pedaladas fiscais’. Cunha afirma que análise final cabe ao Congresso e recorre ao STF contra anulação de votações sobre finanças de governos anteriores

Bombeiros da crise que atinge o governo Dilma, o vice-presidente Michel Temer (PMDB) e o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), atuaram para garantir mais tempo à presidente Dilma no TCU. O tribunal deu ontem 15 dias para o governo prestar novos esclarecimentos sobre as contas de 2014. Nos últimos três dias, Temer e Renan conversaram, separadamente, com três ministros do TCU. O senador chegou a avisá-los que não colocará em pauta o julgamento sobre as finanças do governo. O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), reafirmou que a palavra final cabe ao Congresso, e que o tribunal é apenas uma “passagem”. Ele ainda recorreu ao STF para garantir a validade da votação das contas dos ex-presidentes, realizada semana passada, que abriu caminho para apreciar as de Dilma. A presidente esteve ontem na Marcha das Margaridas, que reuniu 15 mil pessoas no Estádio Mané Garrincha, em Brasília, e virou palco de protesto contra Cunha. “Envergo, mas não caio”, disse a presidente.

Folha de S.Paulo
"Após acordo com senadores, Dilma ganha fôlego no TCU"

Tribunal estende prazo para presidente explicar irregularidades nas contas de 2014

Dois dias após o Planalto aceitar uma agenda de propostas econômicas do Senado em troca de apoio da Casa, a presidente Dilma ganhou do Tribunal de Contas da União, após ação de senador aliado junto ao tribunal, mais prazo para se defender de acusações de irregularidades nas contas de 2014. O TCU, que esperava votar as contas neste mês, agora deve fazê-lo só em outubro. Caso o tribunal rejeite as contas, a oposição ganha um argumento para a abertura de um processo de impeachment contra a petista. Ao comentar as manifestações que pedem sua saída, Dilma disse em entre vista ao SBT ainda haver no país uma “cultura do golpe”, mas que não há “condições materiais” de isso ocorrer. “O passado não se coaduna com a democracia moderna”. Após reunião com Lula, o vice Michel Temer tentou obter o apoio de Eduardo Cunha para a aprovação da agenda anticrise. Disse ser necessário que Senado e Câmara “estejam juntos”. Mas o presidente da Câmara, rompido com o governo, resiste. Diz que a agenda é um “jogo de espuma sem conteúdo concreto”.

O Estado de S.Paulo
"Com ajuda de Renan, Dilma ganha mais 15 dias no TCU"

Julgamento das contas em que foram apontadas distorções como pedaladas fiscais não tem mais prazo

O Tribunal de Contas da União (TCU) deu ontem mais 15 dias para a presidente Dilma Rousseff se pronunciar sobre novas irregularidades apontadas nas contas de 2014. A proposta foi aprovada por unanimidade em plenário após Pressão sobre ministros da corte feita pelo Planalto e pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que se realinhou com Dilma. O governo aposta num esfriamento da crise política que permita a análise das contas num contexto mais favorável. A reprovação dos números, por causa das pedaladas fiscais e outras distorções, poderia dar início a um processo de impeachment. A nova notificação do TCU deve ser enviada até amanhã à presidente e o prazo começa a contar na segunda-feira. Com o tempo extra, a apreciação das contas prevista para setembro deve ser empurrada por prazo indeterminado. Após receber a defesa de Dilma, técnicos do TCU analisarão os argumentos e elaborarão relatório. Só depois disso o relator do processo, ministro Augusto Nardes, levará o caso a plenário. 

quarta-feira, agosto 12, 2015

Dominique

Opinião

A artilharia de Eduardo Cunha

No jogo das pautas-bomba há a oposição a Dilma, mas um pedaço da contrariedade vem do trabalho da Lava-Jato

Elio Gaspari
A Câmara deverá votar em segundo turno a emenda constitucional que vinculou proporcionalmente os salários do quadro da Advocacia-Geral da União e dos procuradores estaduais e municipais ao dos vencimentos dos ministros do Supremo Tribunal Federal (R$ 33,7 mil mensais). Segundo o Ministério do Planejamento, as diversas pautas-bomba que tramitam no Congresso custarão aos contribuintes R$ 9,9 bilhões, dinheiro equivalente a um mês da arrecadação federal.

Iniciativas desse tipo num momento em que a economia do país está aos pandarecos destinam-se a inviabilizar o governo. São bombas porque servem apenas para destruir. Os grão-tucanos Aécio Neves e Geraldo Alckmin dizem, com razão, que não lhes cabe apontar saídas para a crise. Todavia, com o apoio tácito dos dois e com votos do PSDB, Eduardo Cunha tem jogado gasolina na fogueira.

No tempo em que os militares falavam, um hierarca disse ao marechal Castello Branco que seus adversários estavam unidos contra o inimigo comum.

— E quem é o inimigo comum? — perguntou Castello.

— É o senhor.

— Eu, não. É o Erário.

O presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha, provavelmente será denunciado ao Supremo Tribunal pela Procuradoria-Geral da República. Ele acredita que há nisso o dedo do Planalto. Difícil, pois pode-se dizer tudo da doutora Dilma, menos que tenha interferido nos trabalhos do Ministério Público.

Para quem não gosta do PT, de Lula e muito menos de Dilma, Eduardo Cunha dá a impressão que lhes faz oposição, mas suas iniciativas agravam a crise econômica e radicalizam a crise política. É verdade que a doutora enfrenta a própria ruína exercitando uma megalomania do fracasso, mas uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa,

Tudo bem: Fora Dilma. Para botar Michel Temer no lugar, “alguém que tenha a capacidade de reunificar a todos”? Olhando-se para a oposição, nem a alma de Dom Eugenio Sales seria capaz disso. Um pedaço do PSDB quer Temer. Outro quer anular o pleito que o elegeu. Um terceiro quer novas eleições. Isso deixando-se de lado a facção interessada em tirar o parlamentarismo da tumba em que foi colocado por dois plebiscitos.

Há dois fenômenos em curso. O primeiro, visível, é a rejeição a Dilma Rousseff e ao PT. O segundo, encapuzado, é uma tentativa de botar fogo num circo onde o Ministério Público e o Judiciário estão na jugular da oligarquia política e empresarial do país. Donos das grandes empreiteiras financiadoras dos grandes partidos foram para a cadeia, a Lava-Jato prendeu 112 pessoas e 23 delinquentes colaboram com as investigações. Nem todas as roubalheiras nasciam e desaguavam no PT. João Augusto Henriques, por exemplo, era um operador do PMDB e indicou Jorge Zelada para uma diretoria da Petrobras. O juiz Sérgio Moro aceitou a denúncia oferecida contra ele pelo Ministério Público. Henriques estava no radar da investigação há pelo menos sete meses.

Bater panela ou ir para a rua pedindo que Dilma vá embora pode fazer bem à alma, até porque o instrumento do impeachment está previsto na Constituição. Ele precisa de dois terços dos votos da Câmara e do Senado. Para se chegar a esse número será preciso identificar o inimigo comum. Para milhões de pessoas, é Dilma. Umas poucas incomodam-se com a lógica do marechal Castello Branco.

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U.V.

Manchetes do dia

Quarta-feira 12 / 08 / 2015

O Globo
"Governo aposta em Renan, mas Cunha renova desafio"

Dilma diz que pacote de medidas é ‘agenda positiva para o país’

Presidente da Câmara reage a aproximação do Planalto com o colega do Senado, afirma que não é incendiário, mas lembra que as propostas apresentadas também precisam da aprovação dos deputados

Depois do isolamento dos últimos dias, a presidente Dilma Rousseff tratou com entusiasmo a Agenda Brasil, pacote de 28 medidas anticrise propostas pelo presidente do Senado, Renan Calheiros: “Essa sim é a agenda positiva para o país.” Em discurso, Renan disse que os parlamentares precisam “ser vistos como facilitador es e não como sabotadores da nação”. Já o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), reagiu à aliança do Planalto com o senador. Ele afirmou ontem que não é um “incendiário” e lembrou que nada pode ser aprovado sem o voto dos deputados: “Não adianta achar que tramitou no Senado, acabou, que não existe Câmara.” A constitucionalidade de projeto que muda a correção do FGTS foi aprovada ontem pela CCJ da Câmara. A proposta, que gera novos gastos para o governo, precisa passar pelo plenário.

Folha de S.Paulo
"Dilma abraça pacote contra crise, que deve gerar atritos"

Ao aceitar agenda de reformas do Senado, Planalto tenta isolar Cunha

Abalada pela crise política e econômica, a presidente Dilma Rousseff (PT) encampou o pacote de reformas apresentado pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Com isso, ganhou fôlego dentro da base, apesar da falta de consenso em vários pontos. Ao aceitar a chamada “Agenda Brasil”, o governo obteve do Senado a promessa de barrar projetos aprovados pelos deputados que aumentam os gastos públicos, além da sinalização de que um possível processo de impeachment está fora de discussão, ao menos por ora. Aos olhos do Planalto, a iniciativa dos senadores, além da relativa reaproximação com Renan, isola o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), patrocinador de sucessivas derrotas do Executivo. O peemedebista criticou as negociações entre governo e Senado. Muitos dos 27 itens do documento, porém, não terão tramitação fácil no Congresso, já que desagradam à base aliada. O ministro da Saúde, Arthur Chioro, se manifestou contra a proposta de cobrança no SUS por faixa de renda. Para ele, esse modelo não seria viável.

O Estado de S.Paulo
"Cunha resiste à pauta de Renan e Dilma contra crise"

Presidente do Senado diz que pacote não é para salvar governo, mas não verá 'Titanic afundar de camarote'

Tratada pelo governo como forma de conter a crise, a agenda de 29 propostas apresentada pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), foi elogiada por Dilma Rousseff, mas incomodou o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Também desorientou líderes da base, que procuram não perder espaço nas negociações com o Planalto. "Essa, sim, é a agenda positiva para o País. Mostra, por parte do Senado, disposição em contribuir para o Brasil", disse Dilma. Já Cunha classificou a iniciativa como tentativa de criar constrangimento para a Câmara. "Não dá para se achar que só o Senado funciona ou só a Câmara funciona." No primeiro discurso após apresentar o pacote, Renan disse que a agenda não tem objetivo de ajudar a petista. "Não vamos assistir ao Titanic afundar de camarote. O navio está indo na direção do iceberg e o que eu puder fazer para evitar vou fazer", afirmou. "Se salvar a Dilma, salvou. O povo que vai dizer se vai jogá-la para fora do navio." 

terça-feira, agosto 11, 2015

Ilyushin Il-76TD


Pitacos do Zé

Os Menestréis

José Ronaldo Santos
Eu fui, juntamente com a família, ao espetáculo dos Menestréis no teatro de Caraguatatuba. Eu fui!

O teatro Mário Covas lotou. Quase que a totalidade era de gente de Ubatuba, que queria prestigiar seus filhos e conhecidos. O pessoal fez bonito, o público amou toda aquela energia que pulsava da turma que se esmerou muito. Aquela moçada, na sua maioria, são alunos de escolas públicas. Dentre eles vi vários caiçarinhas: Jônatas, filho da prima Edilene e do Guido, os primos Rassany e Sarah, gente dos Ferreti da antiga colônia italiana da Praia da Fazenda. Na percussão, caprichando no ritmo, fez bonito a Ludimila, da prima Neide e do saudoso Dito. Outros tantos rostos estavam naquele rodopiar de energia. Coisa boa!

Agradeço as escolas que abriram suas portas aos divulgadores desse projeto. Infelizmente, conforme afirmou a coordenadora do grupo, algumas diretoras não quiseram dar essa chance aos seus alunos.

A Oficina dos Menestréis de Ubatuba desta vez apresentou “Lendas e tribos” como reflexão sobre a diversidade humana (fadas, duendes, surfistas, hippies etc.), merecendo destaque a história da resistência dos negros no Brasil e na África do Sul. Posso afiançar que, depois deste espetáculo, novas mentalidades desalojarão antigos preconceitos. A  arte também serve para isto.

Da página própria dos Menestréis, retirei:

Em 1981, o cantor e compositor Oswaldo Montenegro, passou a trabalhar com um novo método para dirigir seu elenco, com o intuito de atingir maior agilidade, noção de conjunto e atenção dos atores. Essa metodologia foi adaptada por Deto Montenegro, irmão de Oswaldo, com o fim de levar um treinamento artístico para profissionais de todas as áreas. Em 1993, Deto estabeleceu sociedade com o ator e diretor Candé Brandão, criando a Oficina dos Menestréis, uma empresa de Teatro Musical.

Em Ubatuba, a Oficina dos Menestréis iniciou seus trabalhos em 2010 com a professora de dança e produtora Luciana Chaer, que já havia participado de várias peças da Oficina em São Paulo, juntamente com o Diretor Candé Brandão.

O meu desejo é que essa juventude voe muito, enxergue outros horizontes, muito além da atuais formas de mesquinhez,  de corrupção, do egoísmo, de ganância...Enfim, de tanta falta de amor, sobretudo ao meio ambiente e à cultura que herdamos.

Parabéns ao pessoal que preparou essa imensa turma. Muita força, muita garra para o que vem por aí. Tudo de bom mesmo!

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Dominique

Opinião

Tarde demais

Estadão
Dilma Rousseff parece que não está realmente entendendo nada: 7 em cada 10 brasileiros (71%) reprovam sua atuação como presidente da República; 2 em cada 3 (66%) apoiam a abertura de um processo de impeachment; no próximo domingo prevê-se que uma multidão de proporções inéditas sairá às ruas em todo o País para ilustrar com o peso de sua indignação o que contam as pesquisas de opinião. E Dilma faz uma reunião dominical de emergência no Alvorada com o vice-presidente Michel Temer, 13 ministros e líderes do PT para tratar da crise política e discutir medidas para minimizar o impacto das manifestações. Ao final, uma importante decisão foi anunciada: Dilma vai dialogar, dialogar muito, para superar a crise. Para resolver o problema da desintegração da base de apoio parlamentar, agendará encontros em palácio com os presidentes e principais lideranças dos partidos “aliados”. Para mostrar que não está sitiada pelos manifestantes antigoverno, chamará para conversar dirigentes de entidades e organizações sociais identificadas com “causas populares”. Tarde piaste, como se dizia antigamente.

É louvável que Dilma esteja disposta a dialogar para tirar o País da crise. Pena que tenha esperado sete meses para se dispor a tanto. Politicamente, começou muito mal o segundo mandato. Em vez de dialogar, dialogar muito na hora certa, mergulhou numa tentativa desastrada de garantir a hegemonia política do PT alijando seu principal aliado, o PMDB, do comando da Câmara. Está pagando um preço altíssimo pelo erro crasso. Mas, mesmo tendo feito do incontrolável Eduardo Cunha um inimigo, Dilma ainda podia contar com uma enorme base de apoio parlamentar. Era uma simples questão de dialogar para acomodar todo mundo no gigantesco aparelho estatal. Passados sete meses, está na cara que, apesar de, em desespero de causa, ter colocado o experiente Michel Temer no comando das articulações do toma lá dá cá, alguma coisa acabou não dando certo. Há quem suspeite de que tem a ver com isso a conhecida soberba petista, que sempre dificultou relações de respeito e cooperação mútua com aliados.

O fato é que, mesmo que esteja agora realmente disposta a dialogar, já que procura a qualquer custo uma tábua de salvação, Dilma dificilmente logrará um entendimento satisfatório para recompor a base aliada. E a razão é simples e óbvia: o preço a ser pago por apoio político aumentou na proporção do enfraquecimento da presidente e ela, na atual conjuntura, não tem muito a oferecer. Afinal, o momento impõe um mínimo de austeridade com os recursos públicos e os ventos gelados da crise sopram na direção do enxugamento do aparelho estatal. Além disso, o precedente do descompromisso com os acordos de aliança já está escancarado: as bancadas de partidos que comandam Ministérios têm votado repetidamente contra o governo, numa demonstração clara de que a influência política do Planalto no Congresso é inexistente. Nas mãos de Dilma, o tal “presidencialismo de coalizão” foi pelos ares.

Também no que diz respeito à questão essencial do relacionamento entre governo e sociedade, o diálogo não vai resolver nada, por outra razão simples e óbvia: Dilma Rousseff perdeu a credibilidade entre os brasileiros, entre os quais, nunca é demais repetir, 7 em cada 10 desaprovam seu governo e 2 em cada 3 são a favor da abertura do processo de impeachment. A credibilidade de Dilma é um cristal estilhaçado pela crise econômica que atinge a todos e cada um dos brasileiros e pela revelação do estelionato eleitoral de outubro. O pano de fundo de tudo isso é a Operação Lava Jato, cujas revelações provocam a revolta dos brasileiros não apenas pela grave questão ética que implica, mas também pela dolorosa constatação de que enquanto a população sofre com inflação e desemprego os donos do poder e seus cúmplices se locupletam pilhando o patrimônio nacional.

É patética a tentativa de engabelar a sociedade chamando para dialogar entidades que nos últimos 12 anos foram cooptadas pelo lulopetismo e contaminadas pela sua perda de credibilidade. A crise escapou do controle de um governo democraticamente eleito, mas que, por seus próprios erros, agoniza no pântano da impopularidade.

Original aqui

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U.V.

Manchetes do dia

Terça-feira 11 / 08 / 2015

O Globo
"Renan se opõe a Cunha e acerta pauta com governo"

Presidente do Senado diz que dar prioridade a impeachment é pôr fogo no país

Dilma afirma que Brasil deve estar acima de projetos partidários ou pessoais e pede a todos que repudiem o vale-tudo na política

Em um sinal de trégua, diante do clima bélico para o governo na Câmara, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB), disse ontem que não considera prioridade a análise das contas da presidente Dilma Rousseff pelo Congresso. Para ele, seria colocar “fogo no país”. Em conversa com os ministros da Fazenda, Joaquim Levy, e do Planejamento, Nelson Barbosa, Renan apresentou um pacote de 28 medidas para a retomada do crescimento, após o ajuste fiscal. Há propostas polêmicas, como a adoção da idade mínima para a aposentadoria ou a cobrança do SUS por faixa de renda. O documento, chamado de Agenda Brasil, sugere ainda re formas em impostos e a criação de mecanismos rápidos para licenciamento ambiental de grandes obras. No Maranhão, a presidente pediu aos brasileiros que repudiem o vale-tudo na política e que coloquem o país à frente de projetos partidários e pessoais. Tucanos disseram que não cabe à oposição buscar solução para a crise.

Folha de S.Paulo
"Senado condiciona apoio ao governo a agenda pós-arrocho"

Dilma critica 'vale-tudo' para atingi-la; para lideranças do PSDB, não é papel da oposição apontar saídas

Liderados pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), congressistas entregaram a ministros de Dilma uma agenda que vincula o aval deles às medidas do ajuste fiscal à aprovação de projetos para desburocratizar a economia do país. Na lista constam a regulamentação da terceirização e a reforma da lei de licitações. Outro item é a exigência de o governo não mais recorrer às "pedaladas fiscais". Sem força na Câmara, torna-se crucial para o Executivo aproximar-se da Casa chefiada por Renan para manter a governabilidade. O ministro Joaquim Levy (Fazenda) falou em "convergência" para "encontrar uma pauta de longo prazo". Em São Luís (MA), Dilma criticou o que chamou de "vale tudo", em recado a oposicionistas que falam em impeachment, e disse ser preciso pensar "no Brasil". Em resposta, líderes do PSDB, como Aécio Neves e Geraldo Alckmin, afirmaram não ser papel da oposição apontar a saída para as crises do governo.

O Estado de S.Paulo
"Dilma ataca 'vale-tudo'; saída não cabe à oposição, diz PSDB"

Presidente faz apelo para que adversários e seus partidos pensem no País; Aécio e Alckmin rebatem acusações

A presidente Dilma Rousseff fez um apelo ontem para que líderes oposicionistas e seus partidos "pensem no Brasil". Ela criticou o "vale-tudo" para desestabilizar sua gestão e a "torcida do quanto pior, melhor". Em evento em São Luís, condenou também a chamada "pauta-bomba" do Congresso. O senador Edison Lobão (PMDB-MA), investigado na Operado Lava Jato, estava no palanque. "No vale-tudo, quem acaba sendo atingido pela torcida do quanto pior, melhor é a população do País, do Estado e do município." No Recife, onde participava de homenagem ao ex-governador Eduardo Campos, o presidente do PSDB, Aécio Neves (MG), disse que não cabe a seu partido escolher o melhor desfecho para a crise. Endossando as críticas, o governador Geraldo Alckmin lembrou que a oposição não governa" (O governo federal) não pode responsabilizar os outros por seus problemas."

segunda-feira, agosto 10, 2015

Dominique

Opinião

Classe média global

Estadão
Na primeira década do século 21, houve forte redução da pobreza global. Em 2001, 29% da população mundial estava nessa faixa de renda. Em 2011, o porcentual havia diminuído para 15%, com a saída de 669 milhões de pessoas dessa situação. No entanto, recente estudo do Pew Research Center indica que o surgimento de uma massiva classe média global ainda é uma realidade distante. A maioria da população do planeta (56%) continua sendo de baixa renda. Atualmente, apenas 13% da população mundial está na faixa de renda média.

A partir de dados de 111 países, que em 2001 representavam 88% dos habitantes do planeta, o estudo examina as mudanças na distribuição da renda pela população mundial entre 2001 e 2011, com especial foco na classe média global. A análise divide a população mundial em cinco grupos a partir da renda diária per capita - pobre (até US$ 2), baixa renda (US$ 2 a US$ 10), renda média (US$ 10 a US$ 20), renda média alta (US$ 20 a US$ 50) e alta renda (acima de US$ 50).

O foco na classe média deve-se ao reconhecimento de sua importância para o desenvolvimento econômico e social dos países, tanto os desenvolvidos quanto os que estão em desenvolvimento. Quando as pessoas são capazes de consumir e economizar mais, elas estão mais aptas a promover mudanças sociais e políticas de longo prazo. O estudo menciona também a evidência empírica de que, juntamente com a educação, a renda é um dos fatores determinantes para a qualidade das instituições políticas. E segundo o Pew Reserach Center, é a partir da renda de US$ 10 por dia que as pessoas ficam numa situação de segurança econômica mínima, que as protege de retornar com facilidade à pobreza.

Na primeira década do século 21, 385 milhões de pessoas ingressaram na faixa de renda média. Esse crescimento, no entanto, se concentrou em três regiões - China, América Latina e Europa Oriental. Entre 2001 e 2011, 203 milhões de chineses ultrapassaram a linha de US$ 10 de renda por dia. Já na América Latina, foram 63 milhões de pessoas a mais nessa faixa de renda, aumento este proporcionado - segundo o estudo - pela valorização das commodities e pelas políticas de redistribuição de renda. Em relação ao Brasil, constatou-se um aumento da população com renda média de 18% para 28%.

O Pew Research Center destaca que a Índia viveu processo distinto. Ainda que, entre 2001 e 2011, o porcentual da população pobre tenha se reduzido de 35% para 20%, o crescimento da classe média foi de apenas 2 pontos porcentuais - de 1% para 3%. Semelhante transformação foi observada em países africanos, como, por exemplo, a Etiópia. Lá, houve declínio de 27 pontos porcentuais na parcela de pessoas pobres, mas no grupo de pessoas com renda média houve um aumento de apenas 1%.

O estudo relata também que a Europa e a América do Norte continuam abrigando maciçamente as faixas de renda mais altas, com leve diminuição da diferença existente entre o restante do planeta na virada do século. Em 2001, 76% da população mundial de renda média alta (US$ 20 a US$ 50) vivia na Europa e na América do Norte. Em 2011, esse porcentual caiu para 63%. Em relação à população de alta renda, a taxa variou de 91% para 87%. O Pew Research Center reconhece, no entanto, que os países desenvolvidos também enfrentam problemas de desigualdade de renda e de pobreza, ainda que em cenários diferentes do das nações em desenvolvimento.

Certamente, possibilitar que as pessoas saiam da pobreza é um importante passo para o desenvolvimento social. Mas é apenas o primeiro passo, já que na faixa de baixa renda continua-se num estado de vulnerabilidade social. Não basta “subsistir”, é preciso “viver”, dispondo ao menos de um mínimo de segurança econômica, que proporcione condições de realizar escolhas vitais básicas, ter acesso a uma educação de qualidade, etc. Para tanto, um olhar sobre o crescimento da classe média pode ser um instrumento muito útil na formulação de políticas públicas adequadas. Há ainda, como se vê, muito a fazer.

Original aqui

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U.V.

Manchetes do dia

Segunda-feira 10 / 08 / 2015

O Globo
"Governo estuda flexibilizar regras de privatizações"

Crise e Lava-Jato levam área econômica a defender ajustes para garantir concorrência 

União já recebeu 414 propostas de manifestação de interesse por projetos. Deste total, 316 foram aprovadas, mas não asseguram participação de investidores em leilões

Diante da crise econômica e dos impactos da Operação Lava-Jato no setor de infraestrutura, o governo federal estuda reduzir exigências a investidores em privatizações de rodovias e aeroportos na segunda etapa do Programa de Investimento em Logística (PIL 2). Já foram enviadas 414 propostas de manifestação de interesse pelas obras. Deste total, 316 foram aprovadas. Na prática, porém, os pedidos não asseguram a participação dos potenciais investidores nos leilões. Para a área econômica, é preciso fazer ajustes que garantam um nível mínimo de concorrência. Uma das mudanças em análise é diminuir de 10% para 5% o percentual do trecho da estrada a ser duplicado antes que a empresa possa começar a cobrar pedágio.

Folha de S.Paulo
"Demitido espera até 3 meses para receber direitos"

Alta do desemprego leva sindicatos a aumentarem equipes para atender demanda por homologações

Com aumento das demissões, trabalhadores têm esperado até três meses para fazer a homologação da rescisão contratual, necessária para sacar verba rescisória e obter documentos que dão acesso a benefícios como seguro-desemprego e FGTS. 

No período anterior à crise, o tempo de espera era de 15 a 20 dias, em média, segundo sindicatos que prestam o serviço a demitidos.

Na região metropolitana de SP, a taxa de desemprego em junho foi de 7,2% — um ano antes, havia sido de 5,1%. No país, avançou de 4,8% para 6,9% no período. 

A procura para dar baixa na carteira cresceu até quase 700% em julho na comparação com o mesmo mês de 2014. Para atender os demitidos, entidades contratam mais funcionários e organizam mutirões aos sábados.

São exemplos os sindicatos dos metalúrgicos e da construção de São Paulo, dois dos maiores do país. O primeiro fez até julho 18.487 rescisões, 260% mais que no mesmo período de 2014.

As superintendências do Ministério do Trabalho também realizam as homologações, mas servidores de algumas unidades estão em greve. Procurada, a pasta não respondeu.

O Estado de S.Paulo
"Dilma busca líderes em esforço para refazer base"

Após reunião com coordenação política, presidente decide manter encontros individuais com dirigentes partidários

A presidente Dilma Rousseff deve iniciar nesta semana uma ofensiva para reagrupar a base aliada no Congresso, cujo esfacelamento tem exposto seu governo ao risco de derrotas na votação das “pautas-bomba”, que ameaçam o ajuste fiscal apresentado pelo Planalto. No novo esforço, numa semana em que o governo busca reagir a manifestações contra ele previstas para domingo, Dilma prevê conversar com presidentes e líderes de cada um dos partidos que até o começo da crise lhe davam sustentação no Legislativo. Na semana passada, políticos do PTB e do PDT disseram que não mais seguiriam as orientações do governo, alegando falta de diálogo. A decisão do Planalto se deu horas depois de o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), por meio de sua conta no Twitter, eximir-se da responsabilidade pela crise política. “A verdade nua e crua é que não existe base do governo.”

domingo, agosto 09, 2015

Dominique

Opinião

Sem faxina, Dilma arruinará o país

‘Limpeza’ de 2011, agora se vê, era de mentirinha

Elio Gaspari
Em 2011, a doutora Dilma mostrou-se disposta a fazer uma faxina no governo. Bons tempos aqueles, tinha 47% de aprovação, um índice superior ao de todos os seus antecessores em início de governo. Quatro anos depois, com 71% de reprovação, tem a pior marca desde 1990. A doutora arruinou-se porque a faxina era de mentirinha.

José Sergio Gabrielli levou um ano para ser tirado da presidência da Petrobras, e sua sucessora, Graça Foster, achou que resolvia o problema afastando parte da quadrilha que operava na empresa. Mexer com empreiteiras, nem pensar. Como se Barusco corrompesse o “amigo Paulinho”, que corrompia Renato Duque, o corruptor de Barusco. Se fosse assim, o dinheiro sairia do bolso de um gatuno para o de outro, sem maiores consequências. As doutoras Dilma e Graça viam o baile, mas não ouviam a orquestra.

O doutor Eduardo Cunha gostaria muito de criar uma grave crise política e tem boas razões para isso, mas a crise que corrói o governo vem de Curitiba e só vai piorar. Renato Duque, o ex-diretor de Serviços da Petrobras, negocia sua colaboração com a Viúva. O comissariado sabe que ele vale dez Baruscos. Não é à toa que o programa do PT de quinta-feira falou de tudo, menos das petrorroubalheiras.

A doutora Dilma está diante de um fenômeno histórico: a Lava-Jato feriu o coração da oligarquia brasileira. Tanto burocratas oniscientes como empresários onipotentes estão encarcerados em Curitiba. Enquanto isso, prosseguem as investigações em torno da lista de Rodrigo Janot, e não há razões para supor que o Supremo Tribunal Federal seja bonzinho com a turma do foro especial. Quando a doutora se comporta como se a Lava-Jato fosse coisa de marcianos, pois “não respeito delatores”, ela atravessa a rua para se juntar à oligarquia ameaçada. Essa oligarquia é muito mais esperta que ela. Fabricou Fernando Collor e entregou-o aos caras-pintadas. Dispensou os militares e aplaudiu Tancredo Neves.

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U.V.

Manchetes do dia

Domingo 09 / 08 / 2015

O Globo
"PT avalia reconhecer erros éticos para estancar crise"

Sobrevivência política depende da medida, dizem petistas influentes

Rui Falcão, presidente do partido, no entanto, é contra admitir responsabilidades

Para que o PT sobreviva em meio à crise política, às denúncias da Lava-Jato e à dificuldade de a presidente Dilma governar, petistas influentes cogitam que o partido admita publicamente que cometeu erros e reconheça que desvios éticos foram praticados por alguns de seus integrantes, revelam Catarina Alencastro, Tatiana Farah e Jeferson Ribeiro. Dilma reúne hoje ministros de PMDB e PT no que aliados chamam de “hora da verdade".

Folha de S.Paulo
"Subsídio ao BNDES vai consumir R$ 184 bi"

Governo cobra juros reduzidos por verba repassada ao banco para empréstimos

A Fazenda estima que a União arcará com um custo de R$ 184 bilhões pelos próximos 40 anos com os empréstimos subsidiados concedidos ao BNDES a partir de 2009, sendo R$ 97,5 bilhões até 2018, quando termina o governo Dilma Rousseff (PT). A projeção mede a diferença entre os juros reduzidos pagos pelo banco estatal ao Tesouro e a taxa média que o governo paga ao mercado ao tomar recursos emprestados. O valor contribui para o aumento da dívida pública.

Os repasses ganharam força há seis anos, quando o então ministro Guido Mantega decidiu conceder crédito barato a empresas para estimular a atividade econômica. Os empréstimos do Tesouro ao BNDES passaram de R$ 40 bilhões para R$ 455 bilhões desde então. 

Joaquim Levy, atual titular da Fazenda, encerrou os repasses em esforço para ajustar as Contas.

O Estado de S.Paulo
"Em meio à crise, Temer assume papel de fiador do governo"

Vice-presidente defende que caminho de recuperação do País passa pelo PMDB

O vice-presidente Michel Temer decidiu assumir o papel de fiador da gestão Dilma Rousseff. A empresários e aliados políticos, ele mostrou estar convicto de que qualquer caminho de saída da crise passa necessariamente por ele e pelo PMDB. É uma inflexão na maneira com que vinha encarando a questão. Até meados de julho, Temer acreditava que Dilma tinha condições de enfrentar o desgaste e não aceitava nem sequer falar sobre a possibilidade de um processo de impeachment. Em público, continua mudo em relação à possibilidade de afastamento da presidente, mas, reservadamente, diz estar convencido de que o perigo é real e precisa ser combatido imediatamente. Nos últimos dias, ele atuou para emergir como uma espécie de fiador. Mas, segundo um aliado, a movimentação também é uma tentativa de se “preservar” como alternativa de poder caso Dilma seja impedida de acabar o mandato.
 
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