sábado, agosto 08, 2015

Dominique

Opinião

Circunstância e essência

Estadão
Se alguém ainda as tinha, o programa político do PT levado ao ar na noite de quinta-feira acabou com quaisquer dúvidas: o governo debate-se em agonia e seu partido perdeu completamente a noção de realidade. A impressão que fica é a de que, perdido por perdido, truco. E foi ao ar uma reedição caprichada das peças de ficção marqueteira sem nenhum compromisso com a verdade que levaram Dilma Rousseff à vitória nas urnas de outubro. Permitiram-se ainda os desmoralizados e ressentidos salvadores da Pátria uma manifestação de indecoroso desrespeito à maciça maioria dos brasileiros que desaprovam o desempenho da presidente da República, com uma tentativa torpe de ridicularizar os panelaços eleitos por um segmento dessa maioria – a classe média – como meio de demonstrar insatisfação com a situação do País.

É inacreditável que, no fundo do poço de uma impopularidade inédita na história recente da República, Lula, Dilma e o PT tenham a desfaçatez de minimizar os estragos de uma crise pela qual são os principais responsáveis e que atinge, principalmente, aqueles de quem dizem ser defensores exclusivos: os brasileiros pobres, cujo escasso bem-estar se deve – é o que dizem esses populistas irresponsáveis – unicamente à concessão de um governo generoso, alimentado por fontes inesgotáveis de recursos.

É inacreditável que, para o PT, “não acertar em cheio” seja sinônimo dos graves erros que precipitaram a atual crise econômica e que os brasileiros devem se consolar, como afirmou Lula, com o fato de que “nosso pior momento ainda é melhor para o trabalhador do que o pior momento dos governos passados”.

É inacreditável que Dilma ainda se iluda com a possibilidade de retomar o controle do governo com reforma ministerial, quando sabe muito bem que ampliar o “toma lá” não é garantia nenhuma do “dá cá”, porque o Planalto está à mercê do controle que o deputado Eduardo Cunha e o senador Renan Calheiros exercem sobre a “base de apoio” no Congresso.

É inacreditável que a oposição, especialmente o PSDB, excitada com a possibilidade de Dilma ser mandada para casa mais cedo do que se imaginava, e apreensiva com a aparente disposição de Michel Temer de se viabilizar como a solução para a sucessão, passe a digladiar-se internamente, cada cacique tentando fazer prevalecer a solução que melhor atenda a suas ambições.

É inacreditável que Michel Temer – menos por ele próprio e mais pelo que representa, ou seja, o consórcio de aproveitadores do poder denominado PMDB – possa vir a compor um governo com os correligionários que se têm notabilizado no protagonismo político da atual crise.

É inacreditável – se não pelo fato de que existe, mas pela extensão que se revela – que as investigações do escândalo da Petrobrás estejam hoje mostrando ao País que o partido que nasceu com o compromisso de lutar contra “tudo isso que está aí” e impor rigorosos padrões éticos e morais à gestão da coisa pública seja o principal responsável e beneficiário do assalto generalizado ao dinheiro que falta para aprofundar conquistas sociais.

Tudo isso seria, de fato, inacreditável se não fosse a situação real e concreta que deprime diariamente o ânimo dos brasileiros honestos. O enorme repertório de mazelas e contradições que compõem o quadro triste de uma crise que não tem saída previsível é a versão eventual – porque em outras circunstâncias poderia ser diferente – do País que nós, brasileiros, criamos e sustentamos. É preciso não ceder ao ufanismo patriótico de que somos os tais, apenas o que está aí não nos representa. Como não? Este governo foi democraticamente eleito. É óbvio que foi um erro e hoje 7 em cada 10 brasileiros estão convencidos disso. Mas não será um conchavo político, qualquer que seja a forma de que venha a se revestir, que resolverá a crise.

Por paradoxal que possa parecer, a mesma Constituição que garante estabilidade institucional para a realização de eleições livres e a apuração de crimes praticados por protagonistas da vida nacional dificulta e constrange outros aspectos da vida política e administrativa do País. Essa contradição é parte fundamental – mas não única – da crise brasileira, que só será debelada de vez se for erradicada da vida nacional.

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U.V.

Manchetes do dia

Sábado 08 / 08 / 2015

O Globo
"Isolada, Dilma sofre pressão para reduzir espaço do PT"

Presidente diz que aguenta ameaças e que o voto é a fonte de sua legitimidade

Aliados pedem diminuição do número de petistas no Ministério, um dia após panelaço de protesto contra o governo e ao partido

Isolada, sem apoio parlamentar, a presidente Dilma Rousseff enfrenta agora a pressão dos partidos aliados para realizar uma reforma que reduza o espaço do PT no Ministério. Ao fim da mais conturbada semana de seu segundo mandato, Dilma reagiu. Em discurso enfático, na entrega de casas populares em Boa Vista (RR), disse que aguenta ameaças: "Ninguém vai tirar a legitimidade que o voto me deu." Já os petistas traçaram um quadro de desalento, em reunião com o ministro Ricardo Berzoini (Comunicações). "Estamos no fio da navalha", disse um parlamentar do partido. O vice-presidente Michel Temer, que defendera união para sair da crise, pediu para deixar a coordenação política do governo, após críticas de petistas. Dilma, porém, não aceitou. O vice conversou com empresários ontem.

Folha de S.Paulo
"'Ninguém tira a legitimidade que o voto me deu’, diz Dilma"

Temer colocou cargo de coordenador político à disposição da presidente, mas ela rejeitou saída

Em meio ao pior momento da crise política que atinge seu governo, a presidente Dilma Rousseff afirmou em Roraima que aguenta pressões e ameaças. Ela clamou por estabilidade e respeito ao processo eleitoral. “Podem ter certeza de que honrarei o voto que me deram. Ninguém vai tirar essa legitimidade que o voto me deu”, disse durante entrega de casas populares. Dilma defendeu o governo e falou abertamente sobre a crise. No discurso, a presidente voltou a fazer referências ao seu passado de perseguida política durante a ditadura militar, menção que tem sido recorrente. “[O Brasil hoje] é uma democracia que respeita a eleição direta.” Anteontem (6), o vice Michel Temer (PMDB) deixou à disposição de Dilma seu cargo de coordenador político do governo, mas ela rechaçou a saída. Em rede social, o peemedebista confirmou que continua na função. As tensões políticas afetaram o mercado. O Ibovespa desvalorizou 2,87% e a Bolsa teve o menor patamar desde março. Para especialistas, esse cenário deve levar a uma maior desvalorização do real.

O Estado de S.Paulo
"Dilma diz que 'ninguém vai tirar legitimidade do voto'"

Em seu discurso mais duro em defesa do mandato, presidente cobra do Congresso respeito à democracia

A presidente Dilma Rousseff fez ontem seu discurso mais duro contra a ameaça de impeachment que ronda seu governo e cobrou do Congresso respeito à democracia. Ao entregar casas do Programa Minha Casa, Minha Vida em Boa Vista, ela aproveitou a plateia favorável para defender seu mandato. "Ninguém vai tirar essa legitimidade que o voto me deu", disse. "Este país é uma democracia. E uma democracia respeita, sobretudo, a eleição direta pelo voto popular. Eu respeito a democracia do meu país. Eu sei o que é viver numa ditadura. Por isso, respeito a democracia e o voto. Podem ter certeza de que, além de respeitar, eu honrarei o voto que me deram." Num recado ao Congresso e oposição, cobrou compromisso com a "estabilidade institucional, econômica, política e social do País". "Nós devemos respeito entre os Poderes. Eu me disponho a trabalhar incansavelmente para assegurar a estabilidade política. Eu me dedicarei com grande empenho a isso nos próximos meses e anos do meu mandato."

sexta-feira, agosto 07, 2015

Electra


Coluna do Celsinho

Segurança viária

Celso de Almeida Jr.

Ontem, em Indaiatuba-SP, conheci José Aurélio Ramalho, Diretor Presidente do Observatório Nacional de Segurança Viária - ONSV.

O OBSERVATÓRIO desenvolve um sério trabalho enfatizando que "o trânsito não é uma simples questão de mobilidade, mas sim de verdadeira cidadania".

Foi uma grata surpresa descobrir que o Brasil conta com uma entidade não governamental da área de segurança viária e veicular que produz subsídios técnicos de tão alta qualidade.

E, ainda, muito dedicada na mobilização dos brasileiros para o tema.

Afinal, a sociedade não pode ficar impassível com a terrível realidade: os acidentes de trânsito matam uma pessoa a cada 12 minutos em nosso país.

Atuando em estudos e pesquisas; dados e informação; educação e desenvolvimento de argumentos para influenciar no aprimoramento da legislação, o OBSERVATÓRIO merece o apoio de todos.

Visite o site www.onsv.org.br , confira os motivos de minha satisfação e cadastre-se para receber as novidades.

Focado, dinâmico e muito bem informado, José Ramalho fortalece o OBSERVATÓRIO, provoca o exercício da cidadania e convida a todos para repetir a frase:

"Eu posso e vou fazer mais por um trânstio seguro".

Vamos juntos!!!

Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com

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Dominique

Opinião

O País à matroca

Estadão
A quarta-feira, 5 de agosto de 2015, selou o fim, de fato, do modelo de governo que Dilma Rousseff vinha tentando sustentar. Sobre o pano de fundo de uma crise econômica e social – além de moral – sem perspectiva de solução a curto prazo, configura-se agora o fator político aparentemente decisivo: a base de apoio ao Planalto no Congresso Nacional desintegrou-se, ao que tudo indica de modo irreversível, a ponto de o habitualmente cauteloso vice-presidente Michel Temer proclamar que “é preciso que alguém tenha a capacidade de reunificar” o País, deixando mais que óbvia a convicção de que a presidente da República não tem condições de fazê-lo. E como a convalidar o diagnóstico do crepúsculo do governo petista, no fim da tarde da quarta-feira pesquisa do Datafolha revelou que o índice da reprovação popular a Dilma Rousseff atingiu a marca recorde de 71%.

Michel Temer falou aos jornalistas depois de se ter reunido, na manhã daquele dia, com os líderes da base aliada no Senado e na Câmara e com os ministros Joaquim Levy, da Fazenda; Eliseu Padilha, da Aviação Civil – seu braço direito na articulação política do governo –; Luis Inácio Adams, da Advocacia-Geral; e José Eduardo Cardozo, da Justiça. Depois, em tom emocionado, afirmou: “Eu queria fazer uma declaração precisamente em face das várias autoridades do Legislativo e do Executivo que passaram aqui pelo meu gabinete. A declaração eu quero fazer, na verdade, aos vários setores da sociedade brasileira”. E, contrariando o que dissera recentemente sobre a existência de uma “crisezinha”, emendou: “Não vamos ignorar que a situação é razoavelmente grave, não tenho dúvidas de que é grave, porque há uma crise política se ensaiando, uma crise econômica que está precisando ser ajustada”.

O vice-presidente da República tem sido o aliado em quem mais Dilma tem podido confiar nesse tormentoso início de segundo mandato. É particularmente grave, portanto, o sentido de suas palavras: “É preciso que alguém tenha a capacidade de reunificar, reunir a todos e fazer este apelo e eu estou tomando esta liberdade de fazer este pedido porque, caso contrário, podemos entrar numa crise desagradável para o País”.

Poucas horas depois do apelo de Temer pela “reunificação”, dois partidos da base aliada, PDT e PTB, declaravam posição de “independência” – sem nenhuma referência a deixar os Ministérios que comandam –, o que contribuiu para outra fragorosa derrota do governo na Câmara, que aprovou mais um golpe no ajuste fiscal: o reajuste de salário de várias carreiras que resultará em impacto de R$ 2,45 bilhões anuais para a União.

Enquanto isso, em mais uma demonstração do desespero do governo, o ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, em depoimento numa comissão da Câmara, fez afagos à oposição, especialmente ao PSDB, e propôs um “pacto suprapartidário” para controlar a crise econômica. Para surpresa de quem conhece a habitual agressividade de Mercadante com os “inimigos”, ele chegou até a elogiar o programa de estabilidade econômica do governo FHC, do qual sempre foi um crítico rigoroso. Na véspera, em jantar na casa do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), com a presença do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e de Aécio Neves (PSDB-MG), tucanos e peemedebistas discutiram o desenvolvimento da crise política e a possibilidade do impeachment de Dilma Rousseff.

Por sua vez, em reunião com deputados estaduais e dirigentes do Partido dos Trabalhadores (PT) em São Paulo, Lula manifestou pessimismo com as perspectivas políticas. De acordo com participantes do encontro, fazendo uma comparação da situação atual do PT com a reviravolta conquistada em 2005 depois do escândalo do mensalão, ele teria declarado não acreditar que nem mesmo uma repentina e milagrosa recuperação econômica aliviaria a impopularidade do governo e do partido, porque, se antes se levantavam recursos para um “projeto político”, agora isso é feito para enriquecimento pessoal dos envolvidos nas denúncias de corrupção. Essa, é claro, é uma visão muito peculiar do processo dito político. A obra de Lula é mais complexa do que isso. Para chegar onde chegou, ele olhou para os lados enquanto seus lugares-tenentes inoculavam a máquina estatal e agentes econômicos que a ela serviu com o germe da corrupção. O contágio foi de tal ordem que hoje o Brasil se vê à matroca.

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U.V.

Manchetes do dia

Sexta-feira 07 / 08 / 2015

O Globo
"Panelaço silencia PT; Dilma recorre a Renan"

Durante programa do partido, houve protestos em ao menos 21 capitais e no DF

Firjan e Fiesp divulgam nota de apoio ao pedido de união feito pelo vice-presidente Michel Temer: ‘O momento é de diálogo’

O programa político do PT insuflou ontem protestos em pelo menos 21 capitais e no Distrito Federal. Com ironias ao panelaço e críticas ao PSDB, o partido provocou reações país afora, num dia em que pesquisa Datafolha mostrou que a popularidade da presidente Dilma Rousseff chegou ao pior nível registrado pelos institutos de pesquisa no período democrático. Na TV, Dilma disse que “sabe suportar pressões e injustiças”. Ela passou o dia tentando contornar a crise política que se agravou nesta semana. Diante do clima bélico com a Câmara, apelou por um pacto com o Senado, em reunião com o presidente da Casa, Renan Calheiros. A Firjan e a Fiesp apoiaram em nota o pedido de união política feito na véspera pelo vice-presidente Michel Temer.

Folha de S.Paulo
"PT pede ajuda contra crise e é alvo de novo panelaço"

Por governabilidade, Dilma reúne ministros; oposição quer novas eleições

No momento em que Dilma Rousseff tem seu pior índice de aprovação —8%, segundo o Datafolha—, o PT admitiu no programa do partido que foi ao ar ontem que o governo errou na condução da economia e pediu ajuda à população para evitar que a crise política piore. Durante a inserção, houve panelaços em pelo menos 14 capitais e no DF. Com a piora nos quadros político e econômico, parlamentares de PSDB e DEM defendem que a população desista de pedir o impeachment nas manifestações do dia 16 e clame por novas eleições. Parte da oposição rejeita se alinhar ao eventual governo de Michel Temer, que assumiria. Após o peemedebista dizer que alguém precisa reunificar o país, Dilma reuniu-se com ministros para buscar uma solução de governabilidade. Falou-se em reforma ministerial. Uma estratégia definida pelo Planalto é recorrer a líderes empresariais. Dilma quer encontro com executivos dos principais grupos privados do país a fim de obter apoio para influenciar o Congresso a não aprovar projetos que afetem as contas públicas.

O Estado de S.Paulo
"Sob pressão, Dilma mobiliza aliados para mudar governo"

Planalto começa a negociar mudanças em ministérios e pretende reforçar articulação com Congresso

Pressionada por partidos da base e com queda de popularidade, a presidente Dilma Rousseff começou a negociar uma reforma ministerial. O plano é reforçar a articulação política do governo. Ministros dão como certo rearranjo na participação do PMDB. Também devem entrar na dança de cadeiras o PDT e o PTB, que anunciaram independência do governo. O presidente do Senado, Renan Calheiros, esteve com Dilma. Seu discurso é o de que o governo precisa cortar cargos, revisar contratos, anunciar medidas para aquecer economia e mudar a relação com a base. Uma ala do PMDB diz aceitar abrir mão de cargos, desde que o PT faça o mesmo. A Casa Civil estuda redução do número de ministérios - hoje são 38. Parte do governo, porém, acha difícil enxugar a máquina quando Dilma precisa de cargos para agradar a aliados e está com baixíssima popularidade - segundo o Datafolha, 71% avaliam seu governo como "ruim" ou "péssimo".

quinta-feira, agosto 06, 2015

Dominique

Opinião

Os fatos se impõem

Estadão
Em sua coluna de ontem no Estado Dora Kramer colocou o dedo na chaga: “Vamos ao ponto: José Dirceu só fez o que os investigadores da Operação Lava Jato dizem que ele fez na Petrobrás e cercanias da máquina pública porque a instância superior a ele deixou que fizesse”. De fato, o conjunto de evidências e provas fartamente apresentadas pelo juiz Sergio Moro na decretação da prisão preventiva do ex-ministro e ex-presidente do PT estimula a suspeita – que perdura há 10 anos, desde o estouro do escândalo do mensalão – de que José Dirceu não agiu por conta própria ao arquitetar e executar a trama criminosa pela qual foi condenado. Com a cautela que se exige de um profissional de imprensa responsável, Kramer observa: “Resta saber – e comprovar – se a instância superior a José Dirceu, a Presidência da República, à época ocupada por Luiz Inácio da Silva, detinha o domínio daqueles fatos”.

Domínio do fato – este é o ponto crucial da questão. Essa teoria, que embasou várias decisões no julgamento do mensalão, consagra, simplificadamente, o princípio de que, em determinadas circunstâncias, quando existe uma relação hierárquica, mesmo que não seja o mandante, é impossível que o hierarca superior ignore o delito praticado por seu subordinado, o que o torna corresponsável pela infração.

Até cair nas malhas da Justiça José Dirceu era o segundo no comando do governo e do PT. Foi ele, com a ousadia e o destemor que sempre marcaram sua atuação política, o articulador da estratégia de alianças que quebraram as resistências da ortodoxia petista e abriram caminho para a vitória nas urnas em 2002. Chegou ao governo com uma autoridade incontrastável que desde logo o guindou à condição de herdeiro presuntivo da coroa. Razão mais do que suficiente para que o rei do pedaço se mantivesse sempre muito atento a seus passos, até porque o elevara à condição de primeiro-ministro de fato.

Cabe, então, a pergunta: é plausível a hipótese de que Lula – que, definitivamente, de tolo não tem nada – não se tenha dado conta de que José Dirceu tramava sob seu nariz aquela que se revelou ser apenas a primeira fase de um processo de corrupção que evoluiu para o petrolão e ainda não se sabe onde vai chegar? Tratava-se, afinal, de uma conspiração para dar respaldo financeiro ao ambicioso projeto político do PT e, já que o dinheiro estava à mão, engordar a poupança de políticos, empresários e agentes inescrupulosos.

O retrospecto do episódio do mensalão demonstra que era de natureza essencialmente política o principal motivo pelo qual as investigações de então passaram ao largo da Presidência da República. A chefia do governo era exercida por um líder popular de origem humilde, com prestígio em ascensão dentro e fora do País, envolto pela aura de construtor de uma nova era de justiça social e de prosperidade. Até por conta de seu carisma, qualquer ameaça ao poder de Lula poderia ser interpretada pela maior parte dos brasileiros como golpismo da “elite” e pôr em risco o equilíbrio das instituições. A oposição partidária se deu conta desse risco e aliviou a pressão sobre o Planalto. Lula saiu ileso e fortalecido, mas hoje não é mais o mesmo.

Como comprovam as investigações da Lava Jato, o esquema criminoso ensaiado no mensalão ampliou-se em proporções gigantescas com o propinoduto da Petrobrás e, ao que tudo indica, espalhou-se pelo setor público numa extensão ainda desconhecida. De quebra, José Dirceu, o herói popular “injustiçado” pelo STF, surge desse enredo como um tipo muito diligente também quando se trata de encher o próprio bolso.

Reagindo à nova prisão do desmoralizado “guerreiro do povo brasileiro”, intelectuais “de esquerda”, alheios aos fatos, recorrem a qualquer argumento na tentativa de desmoralizar as investigações do Ministério Público e da Polícia Federal, bem como a integridade do juiz Sergio Moro. Um deles “denunciou” que a intenção dissimulada da “direita” é atingir Lula. É difícil de saber se a “direita” terá esse poder. Mas hoje a Justiça certamente o tem, se houver provas que o incriminem. E não há nada de sub-reptício nisso.

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U.V.

Manchetes do dia

Quinta-feira 06 / 08 / 2015

O Globo
"Planalto faz apelo por união, mas até base começa a ruir"

Temer diz que alguém deve reunificar país
Mercadante elogia PSDB e pede pacto
PDT e PTB se rebelam; PMDB quer reforma

Em um dia que começou com apelos em série do Planalto à sociedade, à oposição e ao Congresso, dois partidos da base aliada, PDT e PTB, anunciaram rompimento com o governo na Câmara dos Deputados, enquanto PMDB e PCdoB subiram o tom e cobraram reforma ministerial. O vice-presidente da República, Michel Temer, pediu pela reunificação do país. A senadores, ele disse que, diante da crise política e econômica, é preciso ter o apoio da sociedade civil, dos movimentos sociais e do Congresso. Já o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, elogiou o PSDB e defendeu um “acordo suprapartidário ” para questões como o controle da inflação. O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, pediu “conversa, paciência e persistência” para encontrar soluções para a situação econômica.

Folha de S.Paulo
"Dilma passa a ser presidente mais impopular, diz Datafolha"

Reprovação de petista supera a de Collor pré-impeachment e é a maior da série histórica do instituto, iniciada em 87

Pesquisa Datafolha realizada em 4 e 5 de agosto revela que Dilma Rousseff (PT) é a presidente mais reprovada pelos brasileiros na série histórica do instituto, iniciada em 1987. No levantamento, que ouviu 3.363 pessoas em 201 municípios, a reprovação a Dilma — avaliação do governo como ruim ou péssimo—subiu novamente e chegou a 71%, o maior índice desde a sua posse, em 2011. A taxa de aprovação (os que consideram o governo ótimo ou bom) também bateu recorde negativo, de 8%. Na última pesquisa, a reprovação era de 65% e a aprovação, de 10%. Até hoje, o posto de presidente mais impopular cabia a Fernando Collor, que, em setembro de 1992, pouco antes de sofrer impeachment, teve 68% de ruim/péssimo. Para 66% dos brasileiros, o Congresso Nacional deveria abrir processo de impeachment contra Dilma — em abril eram 63%. Entretanto, a maioria dos entrevistados (53%) avalia que a presidente não será afastada — o índice era de 64% em abril.

O Estado de S.Paulo
"MP referenda Janot no comando da Lava Jato"

Com 81% dos votos, atual procurador-geral deve ser indicado por Dilma, mas sofre resistência no Senado

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, foi o candidato mais votado na eleição do Ministério Público Federal e lidera a lista tríplice que será enviada à presidente Dilma Rousseff. Dos 983 procuradores que foram às urnas, 799 - ou 81,2% - votaram nele. Em segundo lugar, ficou o subprocurador Mario Bonsaglia, visto como aliado de Janot, e em terceiro a subprocuradora Raquel Dodge, tida como opositora moderada. Dilma deve indicar o primeiro nome da lista. Mas, para permanecer no cargo, Janot terá de passar por sabatina na Comissão de Constituição e Justiça do Senado e votação secreta no plenário da Casa. A Operação Lava Jato é vista como obstáculo à aprovação de Janot, já que 13 senadores são investigados. Na avaliação do Planalto, o clima político esquentará nos próximos dias pois Janot deve pedir punição do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, e incluir senadores na denúncia ao STF.

quarta-feira, agosto 05, 2015

Dominique

Opinião

Desfaz-se o mito do ‘guerreiro’

Estadão
O decreto da prisão de José Dirceu assinado pelo juiz Sergio Moro é devastador. Farto conjunto de provas documentais e testemunhais, coletadas também por meio do instituto da delação premiada, aponta aquele que é, ainda hoje, considerado um dos mais importantes líderes do PT como o principal artífice dos esquemas de corrupção dos governos petistas. Está mais do que claro que o mensalão foi o escândalo introdutório da pilhagem da Petrobrás, investigada pela Operação Lava Jato. Esse eloquente conjunto probatório desfaz definitivamente a aura de herói das causas populares, “guerreiro do povo brasileiro”, maquinada pelo ex-presidente do PT, principal articulador político da campanha presidencial de Lula em 2002 e poderoso ex-ministro-chefe da Casa Civil da Presidência da República. De acordo com as evidências que fundamentaram o decreto de sua prisão preventiva, depois de seu afastamento do governo, da cassação de seu mandato de deputado federal pela Câmara e de sua condenação pelo STF no julgamento da Ação Penal 470, José Dirceu dedicou-se a se tornar um homem rico à custa de propinas milionárias – de que se beneficiaram familiares e amigos – provenientes do esquema de corrupção na Petrobrás, regularmente pagas por grandes empreiteiras a título de remuneração por “serviços de consultoria”. Homem assim não pode ser herói de um povo honesto e trabalhador.

Ao ser preso preventivamente por tempo indeterminado, José Dirceu já cumpria, em regime domiciliar – depois de ter passado quase um ano recolhido ao presídio da Papuda –, pena por corrupção ativa. Já era um criminoso apenado. No que diz respeito às infrações que lhe são agora imputadas no âmbito da Lava Jato, permanecerá na condição de investigado enquanto o juiz Sergio Moro não acolher a denúncia do Ministério Público e transformá-lo em réu da ação penal.

Por uma questão de rigor ético e processual, portanto, será necessário aguardar o veredicto da Justiça para que José Dirceu se torne, mais uma vez, ou não, culpado de corrupção. Mas a decretação de sua prisão preventiva produz um efeito essencialmente político, simbólico, já que a percepção pública se forma independentemente do curso jurídico-processual da ação. Por exemplo, a condenação de José Dirceu pelo STF não foi suficiente, junto a seus admiradores fanáticos, para transformar o herói em vilão. Hoje, num contexto em que o forte clamor popular contra a corrupção coloca políticos na berlinda, as evidências apontadas pela Lava Jato contra José Dirceu são certamente mais do que suficientes para condená-lo à incontrolável execração pública, mesmo na hipótese improvável de que passe ileso pela barra dos tribunais.

Pesa em tudo isso o comportamento desabusado de José Dirceu, na fase final do processo do mensalão, quando recorreu à subscrição pública para levantar recursos para pagamento da multa a que fora condenado pelo STF. Fez-se de vítima desvalida e poupou-se, à custa da boa-fé de seus apoiadores, de mexer nos milhões que já àquela altura amealhara com seus muitíssimo bem remunerados serviços de “consultoria”.

É difícil de acreditar, portanto, que fora do círculo mais íntimo de familiares e de amigos remanesça um contingente significativo de apoiadores de José Dirceu, acusado de ser um dos principais articuladores do esquema de corrupção urdido para dar base de sustentação financeira ao projeto de poder do PT – e, de quebra, enriquecer servidores públicos, políticos, empresários e profissionais dos crimes financeiros.

O sepultamento do mito do “guerreiro do povo brasileiro” agrava e acelera o processo de esvaziamento político do PT, cuja direção, ao tomar conhecimento da prisão de seu ex-presidente, preferiu olhar para o outro lado e divulgar uma nota na qual repete que todas as doações ao partido estão legalmente registradas. Rui Falcão, por dever de ofício, continua fingindo acreditar que os brasileiros não entendem a diferença entre origem ilegal e registro legal de doações a partidos políticos.

No âmbito do governo – como se pode imaginar, apesar de não surpreender –, a prisão de Dirceu foi recebida com indisfarçável preocupação. Até porque essa foi apenas a primeira de uma série de más notícias que agosto promete para Dilma Rousseff.

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U.V.

Manchetes do dia

Quarta-feira 05 / 08 / 2015

O Globo
"Cunha arma novas ‘bombas’ para o governo"

Presidente da Câmara articula contra Planalto até com base aliada

O comando de comissões que preocupam o governo, como a que investigará os fundos de pensão, ficará nas mãos dos partidos oposicionistas; pauta de votações pode afetar ainda mais as contas federais

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha, no primeiro dia da volta do recesso parlamentar, mostrou disposição para incomodar o governo. Numa articulação com líderes da base e da oposição, conseguiu excluir o PT do comando das CPIs do BNDES, dos Fundos de Pensão e dos Crimes Cibernéticos — as duas últimas ficaram nas mãos da oposição — e limpou a pauta para votar o quanto antes o projeto que corrige o FGTS pela poupança. Também na contramão do que queria o Planalto, ele manteve na fila de votações a proposta que aumenta o teto salarial de advogados públicos e procuradores. O governo, ainda sob o efeito da prisão do ex-ministro José Dirceu, ficou frustrado com a reação de Cunha, com quem tentava restabelecer diálogo.

Folha de S.Paulo
"Cunha e oposição discutem impeachment e isolam PT"

Deputado excluiu sigla do comando das CPIs dos fundos de pensão e do BNDES

Rompido com o governo Dilma, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), discutiu com a oposição e com parte da base governista uma forma de fazer avançar um pedido de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff (PT). Esse encontro ocorreu na mesma noite em que a petista se reuniu com seus aliados no Palácio da Alvorada. A Folha apurou com quatro deputados presentes que Cunha introduziu proposta na qual ele rejeitaria dar sequência a pedidos de impeachment já apresentados e, em seguida, um deputado recorreria de sua decisão. Com isso, a abertura do processo seria decidida pela maioria simples dos presentes. O objetivo seria minimizar os riscos políticos para Cunha e constranger publicamente os aliados de Dilma. Procurado, o deputado negou ter discutido o tema. No encontro, Cunha também acertou a exclusão do PT do comando de duas CPIs com grande potencial de desgaste para o governo: as que vão investigar irregularidades no BNDES (que será presidida pelo DEM) e nos fundos de pensão (PMDB). Isso só foi possível com a adesão de PR e PSD, partidos aliados formalmente ao PT mas cujos deputados têm manifestado nos bastidores insatisfação com o governo Dilma Rousseff.

O Estado de S.Paulo
"Cunha isola PT em CPIs e manobra pelo impeachment"

Presidente da Câmara exclui partido do governo da chefia de Comissões Parlamentares de Inquérito e age para acelerar votação de contas de Dilma

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), excluiu o PT do comando de todas as Comissões Parlamentares de Inquérito que serão instaladas até a próxima semana para investigar o governo e iniciou conversa com a oposição sobre pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Cunha também trabalhou para votar com urgência nesta semana as contas dos governos Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva e abrir caminho para apreciar a contabilidade da gestão Dilma que pode, no limite, levar a crime de responsabilidade fiscal e facilitar discussão de seu impedimento. As articulações começaram anteontem. Enquanto a presidente reunia líderes da base para tentar reaglutinar apoios, Cunha conversava com a oposição e aliados não petistas do Planalto. O líder do governo, José Guimarães, condenou a manobra. "Era só o que faltava, a segunda maior bancada ficar fora da CPI."

terça-feira, agosto 04, 2015

Dominique

Opinião

FHC e a tormenta petista

Estadão
Há raros momentos, nos períodos de tormenta que ciclicamente afetam a vida de um país, em que um gesto de serenidade e de lucidez ilumina o cenário para expor, aos que têm olhos para ver, o melhor caminho para a bonança. Em artigo publicado domingo no Estado, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso rejeitou qualquer conversa com o PT que “cheire a conchavo ou, pior, que permita a suspeita de que se deseja evitar a continuidade nas investigações em marcha” sobre corrupção no governo. E acrescentou: “Para dialogar, não adianta se vestir em pele de cordeiro. Fica a impressão de que o lobo quer apenas salvar a própria pele”. “Será que chegou o tempo”, diz o texto, “de rezar pela sorte de alguns setores da vida empresarial e política? Talvez. Mas a hora para agir já não é mais, de imediato, do Congresso e dos partidos, mas, sim, da Justiça.” É o caminho.

Com esse artigo, o líder tucano desmonta a ardilosa tentativa lulopetista de envolver o maior partido da oposição num “diálogo” capaz de neutralizar politicamente tanto a possibilidade de eventualmente o Congresso votar o impeachment de Dilma Rousseff – por conta, por exemplo, da rejeição das contas do governo pelo TCU – como de a Operação Lava Jato resultar na condenação dos líderes do PT e da base aliada por envolvimento com o escândalo da Petrobrás e outros, como do setor elétrico, a que as investigações levem.

O lulopetismo é conhecido pela soberba com que despreza opiniões que não sejam as suas próprias e pela falta de cerimônia com que procura o apoio dos adversários – que normalmente trata como inimigos – nos momentos de apuro. Foi assim que, por ocasião do estouro do escândalo do mensalão, no primeiro mandato de Lula, sob o argumento da necessidade de preservar o equilíbrio institucional, a oposição foi persuadida a aliviar a pressão sobre o Planalto. A partir daí, contando com a sólida base de apoio popular de que então dispunha, Lula logrou dar a volta por cima e reeleger-se em 2006.

Em seu artigo, Fernando Henrique recorda que tomou a iniciativa, em 2013, quando Dilma e os ex-presidentes da República brasileiros viajaram à África do Sul para o funeral de Nelson Mandela, de sugerir, diante “do tamanho da crise em gestação”, que todos se unissem para “propor ao País um conjunto de reformas para fortalecer as instituições políticas”. Mas a sugestão não prosperou. Mais do que isso: “Naquela ocasião, como em outras, a resposta do dirigente máximo do PT foi ora de descaso, ora de reiteração do confronto, pela repetição do refrão autorreferente de que antes dele tudo era pior”.

O líder tucano afirma que a recusa de entrar num mero “conchavo” com os petistas “não implica dizer um não intransigente ao diálogo”. Mas é essencial que os donos do poder adotem uma postura realmente democrática: “Tomara que as aflições pelas quais passam o PT e seus aliados lhes sirvam de lição e os afastem da arrogância e do contínuo desprezo pelos adversários, até agora tratados como inimigos. É hora de reconhecerem de público que a política democrática é incompatível com a divisão do País entre ‘nós’ e ‘eles’”.

Com a hipocrisia de travestir de intenções altruísticas uma descarada tentativa de pedir socorro num momento de desespero, Lula botou seus porta-vozes em campo para sondar a possibilidade de colocar a autoridade moral e o prestígio político de Fernando Henrique Cardoso – que sempre contestou e tentou destruir – a serviço da sobrevivência de seu periclitante projeto de poder. O PT é um partido que “chegou nitidamente ao fim de um ciclo” porque “não se autorreformou, não capitaneou uma grande mudança pela reforma política”. E este diagnóstico não é de FHC, mas de um fundador e importante líder do partido, o ex-governador gaúcho Tarso Genro, em entrevista ao Estado publicada no domingo.

Do líder tucano é a recomendação de que “cabe aos donos do poder o mea culpa de haver suposto sempre serem a única voz legítima a defender o interesse do povo”. A crise em que o lulopetismo mergulhou o País parece estar ensinando ao povo brasileiro que é preciso escolher melhor quem tem a missão de defender seus interesses.

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U.V.

Manchetes do dia

Terça-feira 04 / 08 / 2015

O Globo
"Nova prisão de Dirceu une Lava-Jato e mensalão"

Petista teria recebido pelo menos R$ 90 milhões em propinas e imóvel para filha

Procuradores acusam o ex-ministro de sistematizar a corrupção na Petrobras já no primeiro governo Lula com o objetivo de financiar campanhas eleitorais e enriquecer; Ministério Público não descarta investigar ex-presidente

Nove meses depois de deixar a cadeia, o ex-ministro José Dirceu foi preso novamente ontem, agora acusado pela Operação Lava-Jato de receber propina de pelo menos R$ 90 milhões e idealizar o esquema que desviou recursos da Petrobras. O juiz Sérgio Moro disse que ele exibiu “profissionalismo na prática do crime”. Segundo o Ministério Público, o petista é responsável por sistematizar a corrupção na empresa já no primeiro governo Lula, quando chefiava a Casa Civil, nos moldes do mensalão, que se destinava à compra de apoio político no Congresso. Para os investigadores, na estatal os objetivos eram outros: financiamento eleitoral e enriquecimento pessoal. O lobista Milton Pascowitch contou ter comprado apartamento para a filha de Dirceu e pagado despesas, como táxi aéreo e reformas de imóveis. A 17ª fase da operação foi batizada de “Pixuleco”, referência ao termo para designar propina atribuído ao ex-tesoureiro do PT João Vaccari. Dirceu, de 69 anos, ficará preso por tempo indeterminado. A Lava-Jato não descarta investigar Lula.

Folha de S.Paulo
"Dirceu é preso na Lava Jato"

Procuradoria afirma que ex-ministro de Lula, condenado no mensalão, instituiu o petrolão e se beneficiou dele

Em nova etapa da Lava Jato,a Polícia Federal prendeu José Dirceu (PT), ex-ministro de Lula, na fase batizada de Pixuleco, como, segundo relato de um delator, o ex-tesoureiro petista João Vaccari Neto referia-se à propina. Para os investigadores, Dirceu é um dos responsáveis por criar o esquema de corrupção na Petrobras e teve papel de comando nas operações. Condenado no processo do mensalão, ele cumpria prisão domiciliar. “Chegamos a um dos líderes, que instituiu o esquema, permitiu que ele existisse e se beneficiou dele”, afirmou o procurador Carlos Fernando Lima. Além do ex-ministro da Casa Civil, mais sete pessoas foram presas ontem. O juiz Sergio Moro justificou a prisão afirmando que a liberdade de Dirceu representava ameaça à ordem pública. Segundo procuradores, ele recebeu propina de fornecedores da Petrobras mesmo após ser condenado. As acusações contra Dirceu são sustentadas pelo lobista Milton Pascowitch, responsável por aproximara empreiteira Engevix do PT e da estatal. Delator na Lava Jato, ele disse ter repassado R$ 3,8 milhões a Dirceu. A defesa do ex-ministro afirma que os pagamentos foram por serviços de consultoria. Assessores do Planalto e dirigentes petistas dizem que a prisão abala o partido devido ao peso histórico de Dirceu no PT.

O Estado de S.Paulo
"Dirceu é preso na Lava Jato; propina pagou imóvel e táxi aéreo"

Força-tarefa diz que papel de ex-ministro foi de 'instituidor' da corrupção na Petrobras

Ele é acusado de receber R$ 21,3 milhões entre 2009 e 2014
Pagamentos de propina repetem esquema do mensalão
Defesa classifica prisão de 'injusta e desnecessária'

A Polícia Federal prendeu ontem o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu e outras oito pessoas na 17ª. fase da Operação Lava Jato. Entre elas, seu irmão e sócio na JD Assessoria, Luiz Eduardo de Oliveira e Silva, o ex-assessor Roberto Marques e o lobista Fernando Antônio de Moura. Segundo os investigadores, Dirceu foi o "instituidor" da corrupção na Petrobras e, para enriquecimento pessoal, repetiu na estatal o esquema do mensalão. Só entre 2009 e 2014, teria recebido R$ 21,3 milhões em pagamentos mensais de empresas e "presentes", como uma reforma de R$ 1,3 milhão em sua casa em Vinhedo, no interior paulista, e fretes de jatinhos. Condenado por corrupção em 2012, ele cumpria pena em regime domiciliar. A operação foi batizada de Pixuleco - termo que, segundo o dono da UTC, Ricardo Pessoa, era usado pelo ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, para designar propina. Para o juiz Sérgio Moro, há "indícios de profissionalismo e habitualidade na prática do crime". A defesa de Dirceu diz que a prisão é injusta e desnecessária.

segunda-feira, agosto 03, 2015

Dominique

Opinião

Viúvas, pescadores e desempregados

Gabeira
O chamado ajuste fiscal foi um ajuste no cinto das viúvas, dos desempregados e dos pescadores. O governo reduziu brutalmente seu alcance, sob o argumento de que a realidade é pior do que imaginava. Ou o governo não tinha uma ideia precisa da realidade ou contou mais uma mentirinha para embalar o País. A tática de Dilma é esta. Ela não muda jamais. Apenas conta uma nova mentirinha para ganhar tempo. Foi assim nas eleições, foi assim com o ajuste fiscal.

Sempre que as coisas complicam, Dilma chama o marqueteiro João Santana para buscar uma saída. A próxima tese a ser desenvolvida no programa do PT, certamente ao som das caçarolas, é a de que o Brasil foi pior no passado. Essa brecha é excelente como orientação aos ministros. No caso do crescimento da dengue, poderiam fazer um programa mostrando que a gripe espanhola foi muito pior, ou a peste bubônica, por exemplo.

Uma das razões que condenam o ajuste fiscal de Dilma é o seu isolamento político. Quanto mais isolada, mais gastará para sair da marca do pênalti. Um exemplo: as emendas parlamentares. Em épocas normais, o governo as libera a conta-gotas. No auge da crise, está liberando geral, para evitar novas derrotas no Congresso. E vai empregar em massa quadros de segundo e de terceiro escalões.

O destino de Dilma, que precisa gastar para sobreviver e morre um pouco mais quando gasta, é parecido com o de um personagem de Balzac no livro que se chamou aqui A Pele de Onagro. A cada desejo que um talismã mágico realiza, a pele se contrai e a morte do dono do talismã se aproxima.

Isso é uma interpretação pessoal de um dos elos entre política e economia. Num cenário de triunfo do populismo, sobraria algum caminho demagógico para trilhar. Mas o Brasil iria para o espaço, não necessariamente para Plutão ou o Kepler-452b, mas para a Grécia em ruína.

Não é golpismo pensar no Brasil sem Dilma. Na verdade, é uma das tarefas dos que procuram uma saída no horizonte. Uma saída que só pode ser constitucional. O que há de golpismo em pedir impeachment de um presidente? Está previsto em lei.

A democracia é tão elástica que absorve até projetos que mudem a lei, como, por exemplo, a legalização da maconha e a união gay. Se não é proibido tentar, democraticamente, alterar uma lei, por que o seria utilizar uma lei que já existe?

Toda essa gritaria sobre golpismo é um mecanismo para intimidar. Agora decidiram, além de intimidar, comover a plateia. Lula disse que os petistas são perseguidos como os judeus no nazismo, os cristãos em Roma, os italianos no fascismo.

Curitiba não é Dachau ou Auschwitz. E em Roma os cristãos eram entregues ao leão na arena. Num único momento eu me lembrei do leão, um cara de bigode da Receita Federal que disse que havia arrecadado parte do imposto que as empreiteiras devem no petrolão e esperava arrecadar mais. Cristãos estão sendo trucidados no Oriente Médio. E um dos seus algozes é o Estado Islâmico, com quem Dilma queria dialogar.

Ao recusar um encontro com Dilma, a oposição mostrou que não gosta mais de apanhar. Já é um passo. Muito pequeno, entretanto, para o árduo período de transição até 2018, quando esperamos, simultaneamente, um abrandamento da crise e novas eleições.

Essa transição não se fará excluindo partidos políticos. Mas é preciso encontrar uma fórmula em que tenham peso também forças sociais não diretamente envolvidas com o processo eleitoral.

A transição é dura. Possivelmente, os líderes da oposição temem consertar todos os estragos feitos pelo PT, que usaria este período para propor de novo o paraíso. Eles temem, creio, um cenário perverso: o PT desorganiza a máquina econômica, se afasta durante o conserto e volta, triunfalmente, para arrasá-la de novo.

É um cenário que ignora o aprendizado do povo brasileiro e supõe que ele vá se comportar sempre da mesma maneira, independentemente de sua experiência histórica.
São essas dificuldades do Brasil pós-Dilma Rousseff que inibem a oposição e outros atores democráticos. A opção de deixá-la sangrando, fazer com que pague por seus erros, tem a força da inércia.

O fiasco do ajuste fiscal indica o horizonte de crise que se estende até, pelo menos, 2017. Para quem está desempregado, a crise adia suas esperanças; para quem teme o desemprego, aprofunda sua angústia; para quem tem sonhos de progredir no próprio emprego, a saída é se conformar.

São dois caminhos claros para a escolha nacional: com ou sem Dilma.

Naturalmente, há os que ainda acham o governo bom e gostariam de vê-lo continuar. São poucos, segundo as pesquisas. Mas, ainda assim, é muito grande o número de pessoas que acham que o governo deve prosseguir, apesar de tudo. Ou por um discutível respeito à lei ou pelo prazer de ver o PT se queimando nos incêndios que o próprio partido provocou.

Existem frentes, relativamente autônomas, impulsionando uma saída. Uma dessas frentes é o Tribunal de Contas da União (TCU), que julgará as pedaladas fiscais. Outra é o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que julgará as denúncias sobre a campanha de Dilma.

As anotações de Marcelo Odebrecht falam em avisar ao Edinho, tesoureiro de Dilma, que as contas na Suíça poderiam chegar à campanha dela. As contas na Suíça foram, parcialmente, reveladas.

Tudo isso já não depende tanto de interferência, apenas de atenção. O problema é pensar um caminho até 2018 com um enfoque na economia.

A tendência, além do aumento do desemprego e das tensões sociais, é também da multiplicação de ruínas, por falta de investimento. O projeto de Dilma, assim como o de Lula, era o de um crescimento impulsionado pelo poderoso Estado brasileiro, hoje falido.

No fundo, aquelas pontes fantasmas do Tocantins que ligam o nada a lugar nenhum são a antevisão de alguns esqueletos com os quais vamos conviver nos próximos anos.

Original aqui

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U.V.

Manchetes do dia

Segunda-feira 03 / 08 / 2015

O Globo
"Traficantes controlam lixões clandestinos"

Bando cobra R$ 40 de cada caminhão que despeja resíduos em Gramacho.

Cinco aterros sanitários ilegais funcionam às margens da Baía de Guanabara, na mesma região que abrigou o maior depósito de lixo da América Latina, desativado em 2012.

Esquecida pelo poder público, a área do Jardim Gramacho, em Caxias, que recebia lixo de vários municípios fluminenses, inclusive do Rio, está sob poder de traficantes, revela Emanuel Alencar. Eles cobram R$ 40 para liberar a passagem de um caminhão com até dez toneladas de resíduos, que são despejados em cinco aterros clandestinos, onde trabalham cerca de 500 catadores. "É uma fortificação do crime nos fundos da Baía de Guanabara',' reconhece o tenente-coronel João Busnello, comandante do 15º BPM.

Folha de S.Paulo
"Programas para pedestre perdem força sob Haddad"

Orientação em cruzamento é extinta; prefeitura diz que reduziu velocidade.

Se por um lado implantou faixas de ônibus e ciclovias e reduziu a velocidade das marginais, a gestão do prefeito Fernando Haddad (PT) em São Paulo esvaziou ações voltadas a pedestres.

O programa de orientadores em cruzamentos da cidade foi encerrado, e a lei que punia a má conservação de calçadas foi afrouxada.

Isso ocorreu enquanto as faixas de ônibus foram expandidas, o que aumentou a velocidade destes veículos e, para especialistas, influenciou a alta de 31% das mortes por atropelamento por coletivos em 2014.

Os agentes que orientavam a travessia na faixa integravam programa implantado em 2011, na gestão Gilberto Kassab (PSD). Naquele ano, foram registradas 617 mortes de pedestres. Em 2012, o número caiu 12%.

O programa foi mantido no primeiro ano de Haddad, quando houve nova queda dos óbitos de pedestres, de 5%. Em 2014, sem o programa, as mortes subiram 8%.

A prefeitura diz atuar para melhorar a segurança de pedestres ao reduzir os limites de velocidade e que lançará programa para ampliar a largura das calçadas.

O Estado de S.Paulo
"Dilma decide reduzir o número de ministérios"

Governo prepara reforma administrativa para atender a cobranças pelo corte de gastos

A presidente Dilma Rousseff decidiu cortar o número de ministérios, para atender a cobranças pelo enxugamento da máquina pública. Hoje, o governo tem 38 ministérios. Não se sabe quantos serão extintos ou fundidos, mas já foi definido que pastas como a da Pesca e Agricultura (sic) e o Gabinete de Segurança Institucional, além das secretarias de Assuntos Estratégicos, Portos e da Micro e Pequena Empresa, devem ser alvo da reforma. Os ministérios da área social, ligados ao PT, devem ficar de fora. Há resistência entre auxiliares da presidente a fazer cortes quando o governo tenta reduzir as tensões no Congresso para aprovar o ajuste fiscal. Partidos da base aliada perderiam cargos e influência. A redução é cobrada pelos presidentes da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), como um gesto político do governo em um momento em que tenta aprovar medidas impopulares.

domingo, agosto 02, 2015

Dominique

Opinião

Piração interna bruta

Petistas se sentem perseguidos, mas são incapazes de refletir profundamente sobre as causas

Gabeira
O início de agosto vai me colher numa viagem pelo interior do Tocantins. Precária conexão por telefone e internet. Em outros momentos, mergulhar no interior é mais fácil. Mas agora, surpresas acontecem com muita rapidez. Como será o Brasil quando voltar? Minha ligação emocional com o país não me abre alternativas. Plutão? Pequeno, redondinho, uma lua chamada Charon, mas um coração de planícies geladas. Kepler 452-B? Muito longe, e os endereços seriam complicados: Kepler 452-B, SQS, QI 4 casa 2.

Ouço entre os mais jovens e competentes que a alternativa é o aeroporto. Permitam-me lembrar que daqui a pouco os aeroportos podem estar tomados pela Polícia Federal. As concessões para sua exploração foram entregues às empresas do Lava-Jato. Imaginem o que aconteceu?

Agosto talvez coloque algumas coisas no eixo, com a volta das manifestações. Lula e Dilma estão pisando em brasas, e isso ferve seus neurônios. Lula afirmou que os petistas são perseguidos no Brasil como os judeus na Alemanha, os cristãos em Roma, os italianos sob o fascismo. E Dilma garantiu que a operação Lava-Jato é responsável pela queda de 1% no PIB. O restante foi derrubado pelo suspeito de sempre: a situação lá fora.

Não basta contestar Lula mostrando que Curitiba não é Dachau. Nem tentar ajudá-lo mostrando que os leões comiam cristãos na arena, mas aqui o leão é apenas um cara de bigode, anunciando que a Receita Federal já recuperou mais de R$ 200 milhões em impostos das empresas da Lava-Jato.

Compreendo que se sintam perseguidos e queiram buscar aliados confortantes na história: judeus, cristãos, democratas italianos. Ninguém diz abertamente: estamos sendo perseguidos como Al Capone ou a Máfia Siciliana. De um ponto de vista objetivo, gângsteres e a máfia são o melhor exemplo. Foram simultaneamente perseguidos pela polícia e fisco, dentro das normas democráticas que, por sinal, inexistiam no nazismo, no fascismo e na própria Roma antiga.

Dilma resolveu que a Lava-Jato provocou uma queda de 1% no PIB. Como calculou isso? Nunca se devolveu tanto dinheiro roubado, nem se arrecadou tanto com impostos sonegados. Ela queria bater de frente com a operação que desvendou os mistérios das campanhas milionárias. Não teve coragem.

Na opinião dela, o Brasil está devastado por juízes, procuradores e policiais que cumprem sua missão com eficácia. Se deixassem soltos e intocados os empreiteiros e políticos, a magia do crescimento, via corrupção, estaria garantida. Pelo menos 1% do PIB.

Não retomo argumentos de Lula e Dilma para criticá-los. O Lula, para mim, tem habeas-língua, pode dizer qualquer bobagem. E Dilma simplesmente não é do ramo, apesar da juventude na luta armada. Ou talvez por causa dela: muitos na luta armada desprezavam a política.

Retomo apenas para, modestamente, sugerir a mudança de foco. Eles reconhecem que são detestados, petistas se sentem perseguidos, mas são incapazes de refletir profundamente sobre as causas. Comparar militantes de um partido acusado de corrupção e incompetência com seis milhões de judeus mortos nas câmaras de gás só faz aumentar a raiva das pessoas que têm um mínimo de conhecimento do mundo. Atribuir a queda do PIB à mais séria das investigações sobre assaltos que, inclusive, arruinaram a Petrobras significa admitir que a corrupção é o dínamo do crescimento, e quanto mais bandido for o governo, mais chance tem de levar o Brasil ao seu destino glorioso.

Tanto Lula e Dilma estão preocupados com a tolerância e querem reduzir a tensão na política brasileira. No entanto, seus passos são provocativos. Quanta tinta não vai se gastar para mostrar que Dilma agiu de má fé ao atribuir a queda do PIB à operação Lava-Jato? No caso de Lula, sua frase é de uma ignorância tão contundente que ninguém vai se dar ao trabalho de escrever sobre ela.

De qualquer maneira, o essencial está aí: Dilma, Lula e o PT, através da negação do assalto e das críticas aos procuradores e PF, são uma das causas da rejeição ao governo e ao PT. O interessante é que se vestem de laranja, sujam as mãos de óleo, enrolam-se na bandeira para defender a Petrobras, mas quando se revela como ela foi aniquilada pelos saqueadores, colocam-se contra a polícia que investiga.

É difícil transmitir a eles a ideia de que truques do PT não colam mais. Dilma vai fritar ovo na televisão, sujar o avental, pedalar, beijar o netinho, abraçar Lula no dia do amigo e estranhar a rejeição a uma presidente “tão humana”. A mulher do empreiteiro talismã do PT, Marcelo Odebrecht, diz num bilhete ao marido, sobre o jantar com sindicalistas: “Espero que não suje minhas toalhas de linho. Vou pirar”.

Não se preocupe cara Odebrecht. Caiu um PIB mas aumentou um outro: Piração Interna Bruta. Vocês já piraram lá atrás, no começo de tudo.

Original aqui

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U.V.

Manchetes do dia

Domingo 02 / 08 / 2015

O Globo
"Crise atinge até setor que nunca parou de crescer"

Operadoras de celular devem ter 1ª queda na receita desde o ano 2000

Empresas recorrem a promoções. Analistas preveem recuo inédito na venda de smartphones

Nem mesmo a telefonia celular, setor que quase quadruplicou suas receitas desde o ano 2000 com crescimento ininterrupto, ficou imune à crise econômica. Projeções indicam que, com inadimplência em alta e renda do consumidor mais apertada, as operadoras fecharão o ano com queda de 3,8% a 6% na receita, informa BRUNO ROSA. Analistas estimam que a venda de smartphones cairá no ano, o primeiro recuo na história.

Folha de S.Paulo
"Líderes da Câmara rejeitam o afastamento de Cunha"

Maiores bancadas defendem que presidente fique no cargo ainda que se torne réu

A maioria dos deputados federais que lideram as bancadas de seus partidos na Câmara declara ser contra o afastamento do presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), mesmo que o STF abra processo contra ele na Operação Lava Jato.

Cunha foi acusado pelo lobista Júlio Camargo de ter recebido US$ 5 milhões em propina no escândalo de corrupção na Petrobras.

Desde a denúncia, alguns parlamentares têm pedido o afastamento do peemedebista do comando da Casa.

Segundo o levantamento da Folha, com 20 dos 22 líderes das maiores bancadas, os deputados também dizem não ver motivo para que colegas tomados réus na Lava Jato respondam a processo de cassação no Conselho de Ética.

O Estado de S.Paulo
"Planalto aposta no Senado para barrar crise política"

Governo põe ministros e líderes petistas para tentar melhorar relação com Renan Calheiros após recesso

Tratado pelo Planalto como peça-chave para impedir o agravamento da crise política, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), tem sinalizado que pode voltar a colaborar com o governo Dilma Rousseff a partir desta semana, na volta do recesso parlamentar. Mas cobrará “faturas” nas áreas política e econômica em troca da ajuda. Há duas semanas, logo após o anúncio do rompimento do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o governo decidiu reforçar operação envolvendo ministros e lideranças petistas para cortejar Renan. O objetivo é recriar a relação do primeiro mandato, quando ele foi o principal interlocutor do governo no Congresso. O afastamento ocorreu na esteira da Lava Jato. Nos bastidores, Renan acusa o Planalto de ter atuado para incluí-lo entre os investigados. Dilma também tenta neutralizar efeitos de provável decisão desfavorável do TCU no julgamento das contas.
 
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