sábado, agosto 01, 2015

Dominique

Opinião

Viúvas, pescadores e desempregados

Gabeira
O chamado ajuste fiscal foi um ajuste no cinto das viúvas, dos desempregados e dos pescadores. O governo reduziu brutalmente seu alcance, sob o argumento de que a realidade é pior do que imaginava. Ou o governo não tinha uma ideia precisa da realidade ou contou mais uma mentirinha para embalar o País. A tática de Dilma é esta. Ela não muda jamais. Apenas conta uma nova mentirinha para ganhar tempo. Foi assim nas eleições, foi assim com o ajuste fiscal.

Sempre que as coisas complicam, Dilma chama o marqueteiro João Santana para buscar uma saída. A próxima tese a ser desenvolvida no programa do PT, certamente ao som das caçarolas, é a de que o Brasil foi pior no passado. Essa brecha é excelente como orientação aos ministros. No caso do crescimento da dengue, poderiam fazer um programa mostrando que a gripe espanhola foi muito pior, ou a peste bubônica, por exemplo.

Uma das razões que condenam o ajuste fiscal de Dilma é o seu isolamento político. Quanto mais isolada, mais gastará para sair da marca do pênalti. Um exemplo: as emendas parlamentares. Em épocas normais, o governo as libera a conta-gotas. No auge da crise, está liberando geral, para evitar novas derrotas no Congresso. E vai empregar em massa quadros de segundo e de terceiro escalões.

O destino de Dilma, que precisa gastar para sobreviver e morre um pouco mais quando gasta, é parecido com o de um personagem de Balzac no livro que se chamou aqui A Pele de Onagro. A cada desejo que um talismã mágico realiza, a pele se contrai e a morte do dono do talismã se aproxima.

Isso é uma interpretação pessoal de um dos elos entre política e economia. Num cenário de triunfo do populismo, sobraria algum caminho demagógico para trilhar. Mas o Brasil iria para o espaço, não necessariamente para Plutão ou o Kepler-452b, mas para a Grécia em ruína.

Não é golpismo pensar no Brasil sem Dilma. Na verdade, é uma das tarefas dos que procuram uma saída no horizonte. Uma saída que só pode ser constitucional. O que há de golpismo em pedir impeachment de um presidente? Está previsto em lei.

A democracia é tão elástica que absorve até projetos que mudem a lei, como, por exemplo, a legalização da maconha e a união gay. Se não é proibido tentar, democraticamente, alterar uma lei, por que o seria utilizar uma lei que já existe?

Toda essa gritaria sobre golpismo é um mecanismo para intimidar. Agora decidiram, além de intimidar, comover a plateia. Lula disse que os petistas são perseguidos como os judeus no nazismo, os cristãos em Roma, os italianos no fascismo.

Curitiba não é Dachau ou Auschwitz. E em Roma os cristãos eram entregues ao leão na arena. Num único momento eu me lembrei do leão, um cara de bigode da Receita Federal que disse que havia arrecadado parte do imposto que as empreiteiras devem no petrolão e esperava arrecadar mais. Cristãos estão sendo trucidados no Oriente Médio. E um dos seus algozes é o Estado Islâmico, com quem Dilma queria dialogar.

Ao recusar um encontro com Dilma, a oposição mostrou que não gosta mais de apanhar. Já é um passo. Muito pequeno, entretanto, para o árduo período de transição até 2018, quando esperamos, simultaneamente, um abrandamento da crise e novas eleições.

Essa transição não se fará excluindo partidos políticos. Mas é preciso encontrar uma fórmula em que tenham peso também forças sociais não diretamente envolvidas com o processo eleitoral.

A transição é dura. Possivelmente, os líderes da oposição temem consertar todos os estragos feitos pelo PT, que usaria este período para propor de novo o paraíso. Eles temem, creio, um cenário perverso: o PT desorganiza a máquina econômica, se afasta durante o conserto e volta, triunfalmente, para arrasá-la de novo.

É um cenário que ignora o aprendizado do povo brasileiro e supõe que ele vá se comportar sempre da mesma maneira, independentemente de sua experiência histórica.

São essas dificuldades do Brasil pós-Dilma Rousseff que inibem a oposição e outros atores democráticos. A opção de deixá-la sangrando, fazer com que pague por seus erros, tem a força da inércia.

O fiasco do ajuste fiscal indica o horizonte de crise que se estende até, pelo menos, 2017. Para quem está desempregado, a crise adia suas esperanças; para quem teme o desemprego, aprofunda sua angústia; para quem tem sonhos de progredir no próprio emprego, a saída é se conformar.

São dois caminhos claros para a escolha nacional: com ou sem Dilma.

Naturalmente, há os que ainda acham o governo bom e gostariam de vê-lo continuar. São poucos, segundo as pesquisas. Mas, ainda assim, é muito grande o número de pessoas que acham que o governo deve prosseguir, apesar de tudo. Ou por um discutível respeito à lei ou pelo prazer de ver o PT se queimando nos incêndios que o próprio partido provocou.

Existem frentes, relativamente autônomas, impulsionando uma saída. Uma dessas frentes é o Tribunal de Contas da União (TCU), que julgará as pedaladas fiscais. Outra é o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que julgará as denúncias sobre a campanha de Dilma.

As anotações de Marcelo Odebrecht falam em avisar ao Edinho, tesoureiro de Dilma, que as contas na Suíça poderiam chegar à campanha dela. As contas na Suíça foram, parcialmente, reveladas.

Tudo isso já não depende tanto de interferência, apenas de atenção. O problema é pensar um caminho até 2018 com um enfoque na economia.

A tendência, além do aumento do desemprego e das tensões sociais, é também da multiplicação de ruínas, por falta de investimento. O projeto de Dilma, assim como o de Lula, era o de um crescimento impulsionado pelo poderoso Estado brasileiro, hoje falido.

No fundo, aquelas pontes fantasmas do Tocantins que ligam o nada a lugar nenhum são a antevisão de alguns esqueletos com os quais vamos conviver nos próximos anos.

Original aqui

Twitter

U.V.

Manchetes do dia

Sábado 01 / 08 / 2015

O Globo
"Empreiteira admite cartel em obras de Angra 3"

Petrobras comemora recuperação de R$ 139 milhões roubados da estatal

Camargo Corrêa, primeira grande construtora a assinar acordo de leniência, deu ao Cade e ao Ministério Público informações sobre sua participação e de outras seis empresas em irregularidades

Primeira empreiteira a fechar acordo de leniência no âmbito da Lava-Jato, a Camargo Corrêa admitiu ter participado de cartel para obras de R$ 3 bilhões na usina nuclear de Angra 3. No documento que formaliza o acordo, a Camargo Corrêa afirma que, além dela, seis outras empreiteiras integravam o esquema. O "papel de destaque" no cartel, segundo a Camargo, era da Odebrecht e da UTC. E os "contatos políticos” informou, eram feitos pelo vice-almirante Othon Luiz Pinheiro, presidente licenciado da Eletronuclear, que está preso. A Petrobras comemorou a recuperação, pela Lava-Jato, de R$ 139 milhões desviados da estatal.

Folha de S.Paulo
"Construtora vai colaborar em apuração sobre cartel"

Com foco da Lava Jato no setor elétrico, Camargo Corrêa tenta escapar de multa

A Camargo Corrêa firmou um acordo com o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) e colaborará com investigações sobre um cartel na licitação das obras da usina nuclear de Angra 3, da Eletronuclear , subsidiária da Eletrobras. O acordo de leniência foi assinado em conjunto com o Ministério Público Federal do Paraná, que atua na Operação Lava Jato. A empreiteira vinha negociando com o Cade havia quatro meses. Os indícios fornecidos pela construtora apontam que, além dela, Andrade Gutierrez, Odebrecht, Queiroz Galvão, EBE, Technit e UTC fizeram um conluio para fixar preços e repartir o mercado. Em Angra 3, os contratos totalizam R$ 3 bilhões. Pelo acordo firmado, a empresa fornece provas. Em troca, pode escapar da multa. As empreiteiras citadas negaram agir fora da lei ou não quiseram se manifestara sobre ocaso.

O Estado de S.Paulo
"CPI insiste em ouvir advogada para esclarecer ameaças"

Para ministro da Justiça, Ministério Público Federal deve apurar denúncia

A cúpula da CPI da Petrobrás insistiu ontem na convocação da advogada Beatriz Catta Preta, um dia após ela se dizer ameaçada por integrantes da comissão. O presidente da CPI, Hugo Motta (PMDB-PB), exigiu que a ex-defensora de delatores da corrupção na estatal, diga "pessoalmente" aos deputados quem a está ameaçando. Também a acusou de se vitimizar e insinuou que ela pode estar se valendo desse recurso para ocultar "atos ilícitos". Já o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, considerou "grave" a denúncia de Catta Pretta e afirmou que o caso deve ser investigado. "Caberá ao Ministério Público Federal, que conduz a questão das delações premiadas, tomar as medidas cabíveis para apuração da situação." Segundo a advogada, a intimidação cresceu após Júlio Camargo, a quem defendia, dizer que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, exigiu propina de US$ 5 milhões.

sexta-feira, julho 31, 2015

VARIG - Sud Aviation Caravelle 1


Coluna do Celsinho

Cata treta

Celso de Almeida Jr.

Repita rápido, em voz alta:

"Tem treta a caixa preta da Catta Preta?"

Foi a frase que veio à cabeça depois da entrevista da advogada no Jornal Nacional.

Teve mais essa, fale depressa:

"Trollou com treta pro Tralli?".

Afinal, foi o repórter Cesar Tralli que colheu a declaração.

Beatriz Catta Preta, advogada criminalista que negociou várias delações premiadas na Operação Lava Jato, já havia abandonado estas causas.

Então, podemos mandar, sempre rápido, pra melhorar o efeito:

"Entra Catta Preta. Abre a caixa preta. Sai Catta Preta. Vire-se com a treta."

Beatriz alegou sentir-se intimidada pela CPI da Petrobras.

Falou de ameaças veladas, cifradas.

Não delatou quem ameaçou.

Curioso...

Desisitiu dos clientes, fechou o escritório, encerrou a carreira.

Alegou zelar pela segurança de sua família.

Cá entre nós...

Um dos deveres clássicos do advogado é reclamar contra a violação dos direitos humanos e combater os abusos de autoridade.

Especialista em delação, não delatou quem abusou das regras do estado democrático de direito.

Simplesmente jogou a toalha.

É seu direito, tudo bem...

Tudo bem?

Há uma engrenagem em movimento.

Visa confundir.

Desacreditar.

Tumultuar.

Quem ganha com isso?

Quanto se ganha com isso?

O que se ganha com isso?

Xô mutreta!!!!

Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com 

Twitter

Dominique

Crônica

The day after

Antonio Prata

ET - E acabou por quê?
Último Remanescente da Humanidade - Resumindo bem, a Terra esquentou muito e a gente, tipo, cozinhou.

ET - Ah... Foi meteoro? Vulcão? Gigante Vermelha?
ÚRH - Não, no caso, foi vacilo, mesmo. A gente queimou petróleo, muito petróleo, até o mundo virar uma sauna seca.

ET - E queimaram petróleo pra quê?
ÚRH - Pra se locomover, basicamente. A gente criou umas caixas de metal que queimavam petróleo e te levavam de lá pra cá, sem você ter que cansar as pernas.

ET - E vocês iam de lá pra cá, pra quê? Pra fugir de predadores?
ÚRH - Não, não. Os predadores viraram bolsa e tapete bem antes. A gente queimava petróleo pra ir e voltar do trabalho, da padaria, do posto, onde a galera ia encher a caixa de metal com mais petróleo e fazer uma social na lojinha, tomando Skol latão.

ET - E por que vocês não iam a pé pro trabalho, pra padaria, pro posto, fazer social na lojinha, tomando Skol latão?
ÚRH - Porque todo mundo se aglomerava numas cidades enormes e acabava ficando meio longe do trabalho, da padaria, do posto.

ET - E por que vocês não se dividiam em cidades menores, onde dava pra fazer tudo a pé?
ÚRH - Porque nas cidades enormes tinha mais possibilidade de trabalhar e de ganhar dinheiro pra poder comprar uma caixa de metal maior e mais cara, que gastasse mais petróleo.

ET - E por que alguém quereria isso?
ÚRH - Porque dava status e status era tudo. No trabalho, na padaria, no posto, neguinho via tua caixona de metal, capaz de ir a 240 km/h e dizia: "Pô, ó o cara!".

ET - Nossa, olhando esses escombros, agora, nem dá pra imaginar que por aqui passavam caixas de metal a 240 km/h.
ÚRH - Não, na verdade, não era assim, não: como eram muitas caixas de metal e todos queriam se locomover ao mesmo tempo, ficava tudo engarrafado. Nos horários de pico a média era de 8 km/h.

ET - Ué, até onde eu sei, com as pernas vocês podiam ir mais rápido que isso, não?
ÚRH - Poder, podia. Mas a gente preferia ir devagarinho na caixa de metal, com os vidros fechados, ar condicionado e insulfilm, de boa, ouvindo notícias sobre o trânsito e tirando meleca do nariz.

ET - Tirando meleca do nariz? Dava algum prazer físico, isso?
ÚRH - Dava um prazer medíocre. E uma culpinha, também. Prazer mesmo dava era o sexo, mas no fim ninguém mais tinha tempo pro sexo, porque tava ou trabalhando que nem louco pra comprar uma caixa de metal, ou parado dentro da caixa de metal, por horas, tentando chegar ao trabalho, onde trabalharia que nem louco pra comprar outra caixa de metal.

ET - Então vocês todos morreram porque gostavam de ficar parados em caixas de metal que queimavam petróleo pra levar vocês de lá pra cá a uma velocidade inferior à das próprias pernas?
ÚRH - É. Por causa disso, das bandejinhas de isopor e de umas pessoas que insistiram até o fim em empurrar folha na calçada com o esguicho.

ET - Oi?
ÚRH - Esquece. Podemos falar de outro assunto? E lá de onde cê vem, é bonito? Fresquinho? Tem praia? 

Original aqui

Twitter

U.V.

Manchetes do dia

Sexta-feira 31 / 07 / 2015

O Globo
"Governadores dão apoio ao ajuste fiscal de Dilma"

Todos os estados se unem contra propostas que aumentam gastos

Encontro também discutiu divisão de receitas e ações integradas na segurança e contra violência no trânsito

A quatro dias do fim do recesso do Congresso, a presidente Dilma conseguiu ontem apoio de todos os estados ao ajuste fiscal. Com a expectativa de votação de projetos que aumentam os gastos públicos, o Planalto obteve de 26 governadores e um vice-governador o compromisso de mobilizar as bancadas estaduais para aprovar o ajuste e derrubar propostas que elevam despesas. Três governadores chegaram a propor a defesa do mandato de Dilma, mas não conseguiram dar prosseguimento ao debate. Geraldo Alckmin (PSDB), de São Paulo, afirmou que o tem a não foi discutido e que o que ele defende é “investigação e investigação”.

Folha de S.Paulo
"Governo tem deficit inédito no 1° semestre, de R$ 1,6 bi"

Saldo negativo nas contas reflete queda da arrecadação e dificuldade de economizar para pagar dívida

O governo federal teve um deficit primário inédito em suas contas no primeiro semestre, o que reflete a dificuldade da União de economizar para pagara sua dívida em meio à queda da arrecadação de impostos. A diferença entre despesas e receitas foi de R$1,598 bilhão, no primeiro saldo negativo nas contas do governo federal para o período desde pelo menos 1997, quando começa a série do Tesouro Nacional. Para o governo, a queda da arrecadação é explicada pelo fraco desempenho da economia e também demonstra que, diante das incertezas, parte das empresas tem prorrogado o pagamento de seus impostos. Só em junho as contas tiveram um rombo de R$ 8,2 bilhões. No mês, a arrecadação da Receita Federal sofreu queda real (descontada a inflação) de 2,44% na comparação com o mesmo período do ano passado. Segundo o secretário do Tesouro, Marcelo Saintive, os meses de junho a agosto têm resultados menos expressivos e o saldo acumulado não indica que a meta de 0,15% do PIB deixará de ser atingida.

O Estado de S.Paulo
"Governo corta mais verba do PAC e da área social"

Saúde e Educação perderam R$ 2,18 bilhões; Cidades foi o mais atingido

O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) foi o principal alvo dos cortes adicionais do governo no Orçamento deste ano. Foram contingenciados mais R$ 4,66 bilhões do programa. Esse valor representa 55% do total do corte de despesas do Executivo, que soma R$ 8,47 bilhões. Emendas parlamentares também foram atingidas - R$ 327,1 milhões congelados. O ministério mais afetado foi o da Cidades, com R$ 1,32 bilhão contingenciado. Já as pastas da Saúde e da Educação perderam R$ 1,18 bilhão e R$ 1 bilhão, respectivamente. Segundo o governo, as duas áreas tiveram cortes abaixo da média geral. "O corte é preponderante em custeio, preservando investimento no máximo possível", disse o secretário do Tesouro Nacional, Marcelo Saintive. Nos demais Poderes, a tesoura foi de R$ 77 milhões no Judiciário, R$ 28 milhões no Ministério Público da União, R$ 16 milhões no Legislativo e R$ 2 milhões na Defensoria Pública da União, somando R$ 125, 4 milhões.

quinta-feira, julho 30, 2015

Dominique

Crônica

Sócrates e eu

Contardo Calligaris
Estudando a história da filosofia, acabei me interessando pelos transtornos mentais. O ensino era intenso (seis horas por semana durante os três anos do que se chamava, na época, liceu), e os professores, ótimos, mas a sucessão dos filósofos e dos seus pensamentos me seduziam como se fossem uma galeria de maluquices, mais ou menos graves.

Começava com os pré-socráticos naturalistas, discutindo para saber se o mundo era feito de água, de ar ou de um elemento invisível. Enquanto isso, Parmênides e Heráclito discutiam para saber se nada muda ou tudo muda.

Eu achava tão interessante quanto as conversas que escutava no refeitório de um hospital psiquiátrico que eu visitava, às vezes, com meu pai.

Com Platão, a coisa piorou. A ideia fundamental (ou o que eu entendia dela) me parecia propriamente delirante: existiria um mundo de formas perfeitas, graças às quais as coisas do nosso mundo (imperfeito) teriam qualidades.

Explico: imagine um parque, tipo Inhotim, com a Beleza, a Justiça, a Virtude, a Feiura, o Triângulo, o Caramba etc. Se as coisas aqui, fora de Inhotim, nos parecem belas, triangulares ou "do caramba" seria porque a gente, em alguma vida prévia e esquecida, passeou pelo jardim de Inhotim e viu as formas ideais.

O alívio foi encontrar, enfim, alguém razoável, como Aristóteles e, bem mais tarde, os empiristas. Eles, ao menos, achavam que a Beleza, o Triângulo e o Caramba não estavam num jardim de Inhotim, mas tinham surgido na nossa mente a partir da experiência. Tipo: à força de ver coisas que acho do Caramba (ou seu contrário), eu me faço uma ideia do que seria o Caramba.

Enfim, espero que dê para entender como a filosofia me introduziu à psicopatologia e, em particular, me deu vontade de estudar os caminhos pelos quais se formam (e se deformam) as ideias e as operações do pensamento humano. Fui estudar exatamente isso, com Jean Piaget.

Conto essa história como premissa para explicar que, na época do liceu e no começo dos estudos universitários, eu achava Sócrates um chato de galochas (claro, Sócrates não escreveu nada: o que eu conhecia dele era apenas como protagonista dos diálogos de Platão).

Digo isso porque acabo de ler "Sócrates: Pensador e Educador: a Filosofia do Conhece-te a ti Mesmo", de Paulo Ghiraldelli Jr. (ed. Cortez). Li prevenido contra Sócrates ("ele, de novo?"). Mas o livro me conquistou.

Claro, continuo não sendo um grande fã. Ainda me irrita o relato (por Platão) de que ele, condenado à morte, teria aceitado sua pena, embora a considerasse injusta.

Na época, em Atenas, isso devia fazer sentido (como Ghiraldelli explica perfeitamente), mas, para mim, moderno, é inaceitável que o respeito pelas leis seja mais importante do que o sentimento, que cada um tem, do que é justo ou não.

Mas tanto faz. O que importa é que Ghiraldelli, separando Sócrates de Platão, tornou Sócrates muito mais próximo de nós e mais interessante –ao menos para mim.

Um exemplo é o capitulo "O Cão e o Lobo ou da Falsidade".

Sócrates viveu tentando inventar e promover uma maneira de pensar que não era nem a defesa da tradição nem a luta de opiniões tentando persuadir ao maior número.

De um lado, algo era verdade porque estava em sei lá qual texto sagrado ou porque era assim que pensavam nossos avós. Do outro, a verdade era aquela opinião que prevalecia pela "habilidade" retórica de quem a defendia.

De fato, acho que essas duas modalidades do pensamento nunca cessaram de ser dominantes; de qualquer forma, elas são as modalidades dominantes hoje –como na Atenas de Sócrates.

Ou seja, entre quem invoca algum deus e quem grita (ou "escreve") mais alto e ganha mais "likes", resta um espaço exíguo para argumentar e procurar, aos poucos, algum fragmento de verdade. É nesse espaço que Sócrates se movimentava. É o espaço onde eu gostaria de morar.

Outro exemplo. Ghilardelli comenta repetidamente a ideia socrática de que, para valer a pena, uma vida precisa ser "examinada" (entenda-se: não examinada pelos outros, que a julgariam, mas pelo próprio indivíduo, que se interrogaria sobre ela, que tentaria contá-la para ele mesmo, em suma, que se examinaria).

Nesse sentido, a psicanálise tem um lado socrático: Cesare Pavese, o escritor italiano, não tinha simpatia por Freud & Co., mas reconhecia (quase a contragosto) que a psicanálise enriquece a vida interior.

Não é pouca coisa... 

Original aqui

Twitter

U.V.

Manchetes do dia

Quinta-feira 30 / 07 / 2015

O Globo
"Lava-Jato tem mais seis delatores e 13 novos réus"

Juiz aceita denúncia contra dirigentes da Andrade Gutierrez

Nomes de cinco testemunhas são mantidos em sigilo pela Justiça no Paraná

A Lava-Jato formalizou seis novos acordos de delação premiada nos últimos dias, cinco deles mantidos em sigilo. O consultor Mário Goes, intermediário de pagamento de propinas da corrupção na Petrobras, foi o primeiro desse novo grupo a ser ouvido. Ele confessou que repassava dinheiro de empreiteiras para ex-diretores da estatal por meio de contas na Suíça. O PT seria beneficiário do esquema. Ontem, o juiz Sérgio Moro aceitou a denúncia do Ministério Público contra o presidente da Andrade Gutierrez, Otávio Marques de Azevedo, e mais 12 acusados pelos crimes de corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro.

Folha de S.Paulo
"BC eleva juros a 14,25 % e diz ter encerrado o ciclo de altas"

Autoridade monetária deve manter taxa básica anual nesse patamar para levar inflação ao centro da meta

O Comitê de Política Monetária do Banco Central elevou a taxa básica de juros (Selic) em 0,5 ponto percentual, para 14,25% ao ano, o maior valor desde 2006. Foi o sétimo aumento consecutivo desde a reeleição da presidente Dilma Rousseff. Com a alta, o BC busca inibir o consumo para desacelerar a economia e evitar que os preços subam. A instituição indicou a suspensão do ciclo de altas, mas que será preciso manter a taxa nesse patamar por “período suficientemente prolongado.” O objetivo é trazer a inflação para o centro da meta (4,5%). A prévia do índice oficial (IPCA) atingiu, nos 12 meses terminados em julho, 9,25% — maior patamar desde dezembro de 2003. Para especialistas, o consumidor deve evitar fazer dívidas. A decisão do Copom foi anunciada em um momento em que a atividade econômica aprofunda a recessão e o dólar e o reajuste de tarifas pressionam a inflação. De acordo com analistas, o PIB (Produto Interno Bruto) recuará 1,76% em 2015. Os juros chegam ao mesmo nível de outubro de 2006, mas naquele momento estavam em queda — o BC, com um cenário de inflação contida, dava continuidade ao processo de redução da Selic. O IPCA naquele ano foi de 3,14 %.

O Estado de S.Paulo
"Juro sobe 0,5 ponto, para 14,25%, maior taxa em 9 anos"

BC diz que decisão é necessária para inflação atingir meta em 2016; um dos diretores deixou de votar

O Banco Central elevou a taxa básica de juros em 0,50 ponto porcentual. No sétimo aumento consecutivo, a Selic chegou a 14,25% ao ano, o maior nível desde agosto de 2006. A decisão foi unânime, mas não teve o voto do diretor Tony Volpon, que deixou de participar ontem. Na semana passada, ele disse que votaria de novo pelo aumento dos juros. O Comitê de Política Monetária (Copom) justificou a decisão dizendo que "a manutenção desse patamar da taxa básica de juros, por período suficientemente prolongado, é necessária para a convergência da inflação para a meta no final de 2016". Até a semana passada, parte dos analistas do mercado financeiro esperava alta de 0,25 ponto. Mas as apostas migraram para 0,50 depois da redução da meta de superávit pelo governo e de o diretor de Política Econômica do BC, Luiz Awazu, dizer que é preciso manter a cautela.

quarta-feira, julho 29, 2015

Dominique

Opinião

As boas e as más intenções

Ferreira Gullar
Numa coisa Karl Marx estava certo: o capitalismo é um regime de exploração. Mas daí partiu para uma conclusão errada: só o trabalhador produz riqueza e o capitalista só explora. Não é verdade, e essa conclusão errada foi responsável pelo fracasso dos governos comunistas, que excluíram a iniciativa privada –ou seja, o empreendedor– e puseram em seu lugar meia dúzia de burocratas do partido, incapazes de gerir até mesmo uma quitanda.

É curioso que ninguém se tenha dado conta disso, a começar pelo próprio Marx, homem culto e de rara inteligência. Talvez a razão de tal equívoco tenha sido o caráter selvagem do capitalismo do século 19, que explorava os trabalhadores sem qualquer escrúpulo.

Marx via os capitalistas, portanto, como cruéis exploradores que não mereciam participar da sociedade igualitária do futuro, a qual, segundo ele, seria governada pela ditadura do proletariado. O que, aliás, nunca aconteceu nem podia acontecer, uma vez que, a começar por ele, quase todos os líderes revolucionários de esquerda eram de classe média.

Chego a pensar que tampouco a classe operária sonhada por Marx era revolucionária. O operário não só não tinha conhecimento dos problemas da sociedade como temia perder o emprego, uma vez que não lhe restaria outro meio de sobrevivência.

Ele era pobre, o irmão era pobre, o pai era pobre. Já o cara de classe média, se perdia o emprego, tinha o pai para socorrê-lo ou algum outro parente. Por isso o operário pensava duas vezes antes de se meter em encrenca.

Tanto isso é verdade que, em nenhum país desenvolvido, a revolução operária aconteceu. Nos Estados Unidos, que possuíam a maior classe operária do planeta, o partido comunista nunca teve qualquer importância.

A verdade é que, se sem o trabalhador não há produção, sem o empresário também não há. Neste momento, aqui mesmo no Brasil, há milhões de pessoas inventando agora pequenas empresas, médias empresas, grandes empresas, que vão promover o crescimento econômico do país, gerar empregos e riqueza.

Mas não é o empresário que, sozinho, vai pôr sua empresa para funcionar; precisa do trabalhador. O problema é que a riqueza produzida assim é mal dividida: o patrão fica com a parte do leão. Daí a desigualdade que caracteriza a sociedade capitalista e que, se já não é a mesma que no século 21, tampouco conseguiu eliminar a pobreza, mesmo em países desenvolvidos.

Está errado, mas também não estaria certo todo mundo ganhar a mesma coisa, uma vez que as pessoas têm capacidades diferentes. Nem todo mundo é Bill Gates ou Pelé ou Picasso. Tampouco tem sentido alguém ganhar milhões de dólares por hora enquanto outros mal ganham para sobreviver.

A conclusão a tirar de tudo isso, conforme penso, é que, se o regime capitalista tem a virtude de produzir riqueza, é uma riqueza desigualmente dividida. A conclusão inevitável é que devemos batalhar por uma divisão menos injusta possível.

Inteiramente justa, jamais o conseguiremos, porque, como se viu, a própria natureza é injusta, cria pessoas com capacidades desiguais. A justiça é, portanto, uma invenção humana e, por isso mesmo, depende das pessoas e das instituições para acontecer de fato.

Mas não é assim que pensam certos políticos que decidiram pôr, no lugar do marxismo extinto, um populismo dito de esquerda, que se vale da referida desigualdade social para ganhar o apoio dos mais pobres para chegar ao poder e pôr em prática programas assistencialistas, que não resolvem os problemas; pelo contrário, os agravam, como ocorre hoje na Venezuela, na Argentina e no Brasil.

Não há exagero, portanto, em apontar o caráter demagógico do populismo que, chegado ao governo, faz o contrário do que prometeu.

É possível até que, em alguns casos, acreditem, na sua visão equivocada, que têm a solução dos problemas, mas, na hora de enfrentá-los, veem que, nesse campo, milagres não acontecem. O resultado é o desastre, de que é exemplo o governo Dilma no Brasil.

Mas esse populismo está sendo desmistificado pela realidade dos fatos, como ocorreu agora mesmo na Grécia, onde o premiê Alexis Tsipras teve que fazer exatamente o contrário do que prometeu para chegar ao poder: submeteu-se às imposições dos credores. 

Original aqui

Twitter

U.V.

Manchetes do dia

Quarta-feira 29 / 07 / 2015

O Globo
"Lava-Jato avança sobre o setor elétrico"

Força-tarefa faz devassa na Eletrobras, controlada por PT e PMDB

Em sua 16ª fase , operação prende presidente da Eletronuclear , que chefiou programa secreto e é acusado de receber R$ 4,5 milhões de propina

A Lava- Jato chegou de vez ao setor elétrico. Os contratos da Eletrobras e das empresas sob seu guarda-chuva, controladas por PT e PMDB, são investigados pelo TCU, pelo Ministério Público e pela PF. Um dos alvos é o presidente licenciado da Eletronuclear, Othon Luiz Pinheiro da Silva, preso ontem na 16ª fase da operação e acusado de receber R$ 4,5 milhões de propina em troca de um contrato de Angra 3. Othon foi responsável pelo programa nuclear secreto brasileiro.

Folha de S.Paulo
"Com 2 prisões, Lava Jato avança no setor elétrico"

Nova fase da operação investiga esquema de corrupção na Eletronuclear

A nova fase da Lava Jato, batizada de Radioatividade, agora avança sobre o setor elétrico do país, com investigações sobre contratos entre empreiteiras e a estatal Eletronuclear para construir a usina nuclear Angra 3. Para os procuradores, desvios identificados na Petrobras também ocorreram no setor. O almirante da reserva Othon Luiz Pinheiro da Silva, presidente licenciado da Eletronuclear , foi preso pela Polícia Federal acusado de receber R$ 4,5 milhões em propina de Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa, Engevix, Techint e UTC, envolvidas nas obras da usina, orçada em R$ 15 bilhões. O dinheiro teria sido pago a uma firma de consultoria que pertenceu a Othon. Um executivo da Andrade Gutierrez também foi preso. A apuração começou depois que Dalton Avancini, ex-presidente da Camargo Corrêa, relatou pagamento de propina para obter contratos em Angra 3 e Belo Monte. A nova frente da operação pode criar riscos para o PMDB, que controla o Ministério de Minas e Energia. A Eletrobras, que controla a Eletronuclear, afirmou que busca informações sobre a operação para defender seus interesses. Os advogados dos detidos não quiseram comentar as acusações.

O Estado de S.Paulo
"Lava Jato avança e prende criador do programa nuclear"

Operação atinge setor elétrico; Planalto e cúpula do PMDB temem que aliados de Renan sejam investigados

A Polícia Federal prendeu ontem o presidente licenciado da Eletronuclear, almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva, e o presidente da Andrade Gutierrez Energia, Flávio David Barra, na 16.a fase da Operação Lava Jato, batizada de Radioatividade. É a primeira vez que a operação investe sobre o setor elétrico. Considerado o pai do programa nuclear brasileiro, Pinheiro da Silva é acusado de receber propina para que o consórcio Angramon vencesse a licitação de construção da Usina Nuclear de Angra 3. O consórcio é formado por empreiteiras já investigadas: Andrade Gutierrez, Queiroz Galvão, Odebrecht, Techint, MPE, Camargo Corrêa e UTC. PF e Procuradoria da República rastrearam R$ 4,5 milhões que teriam sido pagos ao almirante desde 2011. O Planalto e integrantes do PMDB temem que a nova fase da Lava Jato atinja lideranças do partido no Senado, particularmente o grupo ligado ao presidente Renan Calheiros. Advogados do almirante e das empresas dizem colaborar com as investigações.

terça-feira, julho 28, 2015

Dominique

Opinião

Tereziiiiinhaaaaa

Janio de Freitas
Mais uma ideia original. A Secretaria de Comunicação Social da Presidência produz em série. Está em planejamento, por exemplo, um aplicativo em que os portadores de celular tanto poderão receber as novidades governamentais, como enviar ao Planalto suas opiniões sobre o governo e a presidente. Consideradas as sondagens da opinião pública sobre Dilma e seu atual mandato, constata-se que a adesão da Presidência à modernidade tecnológica terá utilidade científica, como prática atualizada de masoquismo, assunto de interesse para os estudos das ciências psicológicas.

É um avanço, sim, embora ainda à espera de definição. A Secretaria de Comunicação instalada com o primeiro mandato tinha a peculiaridade de rejeitar a comunicação. Com isso, contribuiu muito para vários dos conceitos que se disseminaram sobre a presidente e sobre o governo. Como pregava o personagem mais característico da TV Globo, o Velho Guerreiro, depois do seu lema cultural "Tereziiiiinhaaaaa!!!", "quem não se comunica se trumbica". Ou vira especialista em comunicação.

A nova Secretaria atua até em política. Sempre com originalidade, claro. Por exemplo, tivesse ou não tivesse Lula a intenção de conversar com Fernando Henrique sobre o momento brasileiro, como a Folha noticiou, o Instituto Lula negou tal pedido do ex-presidente à intermediação de amigos. Com razões desconhecidas, se existiam, o secretário Edinho Silva desprezou a escapatória dos seus correligionários e fez a opinião pública saber que ele vê "com bons olhos a possibilidade de diálogo entre Fernando Henrique e Lula, como vejo com naturalidade que o mesmo aconteça com a presidente". Dada a importante opinião dele, é apenas natural que a da presidente da República a siga.

Assim, sem informação do que se passava, inclusive com a dúbia resposta inicial de Fernando Henrique, o comunicador ofereceu o microfone e soprou o petardo humilhante que esse ex-presidente mandou ao outro e a Dilma. É incerto, no entanto, que na original Secretaria de Comunicação hajam deduzido, dessa mancada, que também quem comunicar pode se trumbicar.

Mas o gasto de dinheiro público nessas originalidades é pequeno. Menos tranquilizadora é a conclusão ao deparar outras e caras iniciativas originais. É o que se passa com a visão de anúncio a cores, em página nobre de jornal carioca, do financiamento agrícola. Nesse caso, quem se trumbica com a Secretaria de Comunicação é o pagador de impostos.

ERRO, SÓ

Sem salamaleques verbais para considerá-la, a alta redução feita agora no superavit previsto para 2015 pelo plano Levy é bem simples: a previsão foi um erro grosseiro. Atribuí-la a inesperada queda de arrecadação não é decente. Se as medidas do governo foram todas recessivas, a queda da atividade econômica, o desemprego e a redução de salário e renda só poderiam refletir-se em queda da arrecadação, como sabia todo o governo.

Se o eixo do plano estava errado, corrigir apenas ele não conserta coisa alguma. Economia são conexões sem fim. E os fios manipulados pela equipe econômica estão trocados e desencapados. Nela, estão todos perplexos.

DE CLASSE

Madame Isabela Odebrecht indignou-se, como registrado em celular investigado, com o convite do marido a uma sindicalista: "Se sujar minha toalha de linho ou pedir Marmitex...vou pirar" (transcrito por Mônica Bergamo).

A transferência de presos da Lava Jato, retirados de celas na Polícia Federal para um presídio, é muito vantajosa. Madame Isabela Odebrecht agora pode levar Marmitex para o marido, que emagreceu com a má alimentação na cadeia da PF. Tomara que não esqueça de levar uma das suas toalhas de linho.

Original aqui

Twitter

U.V.

Manchetes do dia

Terça-feira 28 / 07 / 2015

O Globo
"Dilma agora responsabiliza Lava-Jato por queda do PIB"

Presidente pede que ministros mobilizem aliados pela aprovação do ajuste

Para a petista, investigação sobre Petrobras já derrubou em um ponto o desempenho da economia

Em reunião com o vice, Michel Temer, e 12 ministros, a presidente Dilma afirmou ontem, segundo alguns presentes, que a Lava-Jato, que investiga corrupção na Petrobras, já provocou queda de um ponto percentual no Produto Interno Bruto (PIB), sem dar detalhes do cálculo. A pesquisa Focus, do BC, prevê queda de 1,76% do PIB este ano. Dilma fez o comentário após o ministro Nelson Barbosa (Planejamento) falar em perspectivas sombrias para a economia, caso o ajuste fiscal não seja aprovado. A presidente pediu que os ministros se empenhem para conseguir o apoio de aliados no Congresso.

Folha de S.Paulo
"Bolsas caem e dólar dispara por temor de bolha chinesa"

Desvalorização de papéis em Xangai poderá afetar exportações brasileiras

Após 20 dias, a China teve novo tombo nas bolsas, voltando a alimentar o medo entre investidores de que um estouro da bolha no mercado de ações esteja próximo. A Bolsa de Xangai caiu 8,48%, a segunda maior de sua história, e as principais Bolsas do mundo acompanharam a tendência. No Brasil, a Bovespa recuou 1%. Outra consequência foi a corrida de investidores pelo dólar. A moeda americana fechou a R$ 3,362, maior cotação desde março de 2003. O real foi a quarta moeda que mais se desvalorizou entre 24 economias emergentes. (...) A crise pode afetar as exportações brasileiras. Os chineses são grandes compradores de petróleo, soja e minério de ferro.

O Estado de S.Paulo
"Dilma cobra reação de ministros contra impeachment"

Cunha diz que, se houver base técnica, pedidos vão tramitar no Congresso 

A presidente Dilma Rousseff cobrou ontem, em reunião com 12 ministros, mobilização das bancadas partidárias para impedir que propostas pedindo o seu afastamento do cargo voltem à pauta do Congresso na próxima semana, quando termina o recesso parlamentar. Com receio de que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), admita a tramitação dos pedidos de impeachment antes mesmo dos protestos marcados para 16 de agosto, Dilma pediu empenho para garantir apoio no Congresso. Cunha disse ontem que vai tratar "de forma técnica e jurídica" os pedidos de impeachment que foram protocolados na Casa e que, nos casos em que houver fundamento, os pareceres serão acolhidos. Segundo ministros, a presidente mostrou-se preocupada com o possível agravamento da crise em agosto. Ela observou que a sucessão de escândalos revelados pela Operação Lava Jato provocou instabilidade política e econômica e levou à queda de um ponto porcentual no PIB.

segunda-feira, julho 27, 2015

Dominique

Opinião

As meninas de Santa Leopoldina

Elio Gaspari
Há algumas semanas, havia um pedágio na entrada da cidade de Santa Leopoldina (800 habitantes), na região serrana do Espírito Santo. Jovens pediam dinheiro aos motoristas para ajudar a pagar a viagem das trigêmeas Fábia, Fabiele e Fabíola Loterio ao Rio. Filhas de pequenos agricultores da zona rural próxima a Vitória, elas iriam a uma cerimônia no Theatro Municipal para receber as medalhas de ouro e prata que conquistaram na 10ª Olimpíada de Matemática das Escolas Públicas. Fábia e Fabiele empataram no primeiro lugar e Fabíola ficou em segundo entre os concorrentes capixabas.

Matematicamente, coisas desse tipo talvez aconteçam uma vez a cada milênio, mas as meninas de Santa Leopoldina ofenderam várias outras vezes a lei das probabilidades. O pai, Paulo, cursara até o 2º ano do ensino fundamental, a mãe, Lauriza, foi até o 4º. Vivem do que plantam, numa casa sem conexão com a internet. A roça de 18 hectares de hortaliças, legumes e eucaliptos da família fica num município de 12 mil habitantes, cujo PIB per capita está abaixo de R$ 1 mil mensais.

Numa época em que tudo parece dar errado, apareceram as meninas de 15 anos de Santa Leopoldina. Elas são um exemplo do vigor do andar de baixo de Pindorama e da eficácia de políticas públicas na área de educação.

Assim como o juiz Sergio Moro decifra a origem das petrorroubalheiras do andar de cima, pode-se pesquisar a origem de um sucesso do andar de baixo.

As trigêmeas de Santa Leopoldina tiveram o estímulo dos pais. Antes delas, educou-se Flávia, a irmã mais velha. Estudou na rede pública e formou-se em enfermagem com a ajuda de uma bolsa de estudos integral. (Aos 23 anos, ela hoje faz doutorado em Biotecnologia na Universidade Federal do Espírito Santo e trabalha no projeto de um equipamento robótico para pessoas que sofreram AVCs.) Ainda pequenas, as quatro brincavam de estudar. Flávia foi a primeira jovem da região a entrar para uma faculdade.

Há dez anos, o professor César Camacho, diretor do Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada, o IMPA, levou a ideia da olimpíada de escolas públicas ao então ministro de Ciência e Tecnologia, Eduardo Campos. Lula comprou-a e hoje ela é a maior do mundo, com 18 milhões de participantes. O programa administra não só o exame, como a concessão de bolsas aos medalhistas. Custa R$ 52 milhões por ano. Nunca foi tisnado por um fiapo de irregularidade, mas raramente recebe o devido reconhecimento.

As trigêmeas começaram a competir quando cursavam o 6º ano do ensino fundamental. Em 2012, Fabíola conseguiu uma medalha de bronze e uma vaga no Programa de Iniciação Científica, com direito a uma ajuda de R$ 1.200 anuais e reuniões periódicas em Vitória. No ano seguinte, Fabiele ganhou a bolsa do PIC e Fábia conseguiu a sua indo assistir às aulas com as irmãs. Viajavam no velho caminhão do pai.

Todas três ingressaram no Instituto Federal do Espírito Santo, onde cursam o ensino profissionalizante em agropecuária e vivem no campus da instituição, em Santa Teresa. Passam a maior parte do tempo na biblioteca e há pouco procuraram professores, interessadas em conhecer o currículo do ano que vem. Para receber suas medalhas, as irmãs entraram pela primeira vez num avião.

As trigêmeas de Santa Leopoldina são um produto da força de vontade de cada uma, do estímulo dos pais, do sistema público de ensino, de políticas bem sucedidas e de uma professora que estimula seus alunos, Andréia Biasutti.

Os larápios de Santa Leopoldina

Em 2010, Fábia, Fabiele e Fabíola estavam no 5º ano do ensino fundamental. O PIB do munícipio de Santa Leopoldina era de R$ 56,5 milhões de reais, ou US$ 34 milhões. Ou seja, tudo o que seus 12 mil habitantes (inclusive a família Loterio) produziam cabia nas propinas recebidas por Pedro Barusco e ainda sobravam ao petrocomissário US$ 12 milhões.

O andar de cima de Santa Leopoldina seguia os manuais das oligarquias. Em abril daquele ano, o promotor Jefferson Valente Muniz abriu uma investigação para apurar roubalheiras no município e denominou-a Operação Moeda de Troca. Em cinco meses, botou onze pessoas na cadeia. Eram políticos, empresários e servidores que haviam desviado cerca de R$ 28 milhões dos cofres públicos, ervanário equivalente a um ano de arrecadação municipal. Na cabeça da quadrilha, estava o poderoso empresário Aldo Martins Prudêncio, irmão de Ronaldo, o prefeito da cidade. Viciavam licitações e inventavam emergências para favorecer fornecedores. Mordiam onde podiam, de aluguel de carros a compras de material escolar, de rodeios a eventos do Carnaval. A apresentação de uma cantora contratada por R$ 5 mil custava à prefeitura R$ 15 mil. A certa altura a prefeitura chegou a ensaiar o aluguel de um carro de luxo, com computador a bordo.

Ronaldo Prudêncio foi afastado pela Câmara Municipal. Mesmo com sete ações por improbidade nas costas, manobra seu retorno ao cargo. O promotor Jefferson comeu o pão que o Tinhoso amassou, sendo obrigado a responder a um processo junto ao Conselho Nacional do Ministério Público. A defesa da quadrilha dizia que utilizara provas obtidas ilegalmente.

Em junho passado, o Tribunal de Justiça do Espírito Santo manteve as condenações da quadrilha, expandindo-lhe as penas. O doutor Aldo Prudêncio tomou sete anos. Outros nove pegaram de três a cinco anos. Como diria a doutora Dilma, "todos soltos", pois recorrem em liberdade.

Do jeito que estão as coisas, há gente pensando em fugir da crise brasileira para tentar a vida lá fora, talvez em Miami. Pode-se pensar em Santa Leopoldina. Além da Operação Moeda de Troca e das trigêmeas Loterio, o município tem um só carro para cada seis habitantes, clima de montanha e 12 cachoeiras.

Original aqui

Twitter

U.V.

Manchetes do dia

Segunda-feira 27 / 07 / 2015

O Globo
"Além da Lava-Jato: País tem 5,8 mil ações por crimes financeiros"

Em todo o Brasil, já existem 27 varas especializadas no assunto.

Suspeitas incluem lavagem de dinheiro, ocultação de bens, corrupção e desvio de verba pública; maioria dos casos está em SP.

A Operação Lava-Jato, que revelou o grande esquema de corrupção na Petrobras, não é a única a investigar os crimes do colarinho branco no país. Levantamento do GLOBO mostra que tramitam hoje 5.861 processos no Brasil relativos a crimes financeiros, parte deles em 27 varas federais especializadas. São Paulo concentra mais da metade das ações (2.968) de lavagem de dinheiro, desvio de recursos públicos e ocultação de bens, entre outros crimes. Depois vêm Mato Grosso do Sul (613), Ceará (314), Paraná (331) e Rio (302). As varas especializadas ficam em 14 estados e no Distrito Federal. Nos demais, os casos são levados a varas criminais comuns.

Folha de S.Paulo
"SP quer tirar agente federal das rodovias no Estado"

Secretário diz que criminalidade cai se polícia paulista cuidar de Dutra e Régis.

Alexandre de Moraes, secretário da Segurança Pública, defende que o Estado assuma o policiamento nas rodovias federais que passam por São Paulo. Segundo o advogado constitucionalista que assumiu a pasta em janeiro deste ano, estatísticas mostram que, Monde o policiamento não depende só de São Paulo, o homicídio é mais elevado. E a Dutra não é nosso policiamento”.

Moraes, na semana passada, divulgou a menor taxa de homicídios da série histórica no Estado, 938 casos por 100 mil habitantes, obtida em junho. Em ritmo de campanha, o governador Geraldo Alckmin anunciou a marca em uma delegacia.

“Eu não diria que o policiamento federal não é eficiente. Eu diria que, se pudermos também pegar isso [rodovias federais], é mais fácil para o nosso planejamento”, declarou Moraes em entrevista à Folha.

Segundo o secretário, as principais vias federais que atravessam o Estado são as mais usadas pelo tráfico de drogas e armas. No caso do roubo de cargas, a rota com mais ocorrências é a Régis Bittencourt. Assumindo-as. o secretário prevê nova queda nos índices de violência.

No primeiro trimestre, o número de mortes por PMs subiu 18%. “Temos que verificar por que estão ocorrendo.”  

O Estado de S.Paulo
"Dilma busca apoio de Estados para defesa no TCU"

Planalto avalia que 17 governadores poderão ser vítimas de ‘efeito cascata’ se contas forem rejeitadas.

Em busca de apoio político à presidente Dilma Rousseff, o Planalto vai buscar aproximação com os governadores. O governo detectou que, assim como a União, os Estados temem que suas contas de 2014 sejam rejeitadas pelo TCU, o que poderia resultar em uma série de processos de impeachment, informam Vera Rosa e João Villaverde. Levantamento do Planalto mostra que ao menos 17 governadores praticaram, em maior ou menor grau, operações semelhantes às manobras conhecidas como “pedaladas fiscais”, atrasando repasses de recursos a bancos públicos para conseguir cumprir programas sociais. A pressão dos governadores sobre o TCU, uma corte com forte vínculo com políticos, seria arma importante para o Planalto, que avaliou incluir em sua defesa a situação dos Estados, mas recuou para evitar desgaste com os governadores.

domingo, julho 26, 2015

Dominique

Opinião

Perdeu, príncipe

Anotações de Marcelo Odebrecht revelam corrupção e também muitos enigmas

Gabeira
Chamou-se “O jogo da imitação” o filme sobre a vida do criptoanalista Alan Turing, que desvendou os códigos nazistas durante a Segunda Guerra. O esforço coletivo será menor para desvendar as anotações no iPhone de Marcelo Odebrecht. Elas revelam algumas indicações contundentes e inequívocas de corrupção. Mas trazem muitos enigmas que nos impelem a devendá-los, pelo menos para saber o que, realmente, aconteceu com o Brasil. E, é claro, extrair as consequências.

Marcelo Odebrecht foi intitulado o Príncipe dos Empreiteiros. Jovem, rico e bem educado, adotou a tática petista de negar, encarou com desdém a investigação. Na cadeia, tropeçou pela primeira vez, enviando um bilhete determinando a destruição de um e-mail sobre venda de sondas. Mas agora, com as mensagens em seu telefone, eu diria: perdeu, playboy, na linguagem plebleia, mas o adequado é: perdeu, Príncipe.

São evidentes, mesmo com as barreiras de códigos, as relações íntimas entre a Odebrecht e o governo. Cúmplice na Lava-Jato, pede um contato ágil com o grupo de crise do governo. Esperar um contato ágil do grupo do governo é sonho de executivo. De todas as maneiras, isso demonstrava como estavam juntos, na tarefa de escapar da polícia.

Recados como este a Edinho Silva, tesoureiro da campanha de Dilma: avisa a ela que pode aparecer a conta da Suíça. Não é preciso grandes decifradores para supor que a campanha do PT foi feita com dinheiro que veio da Suíça. Bem que desconfiei. Uma campanha tão bem educada: a grana vinha da Suíça. Esse tópico é tão interessante que quase todos fingiram não notar, como se não olhar para a bomba impedisse que exploda.

Odebrecht usou métodos de máfia, ao mobilizar dissidentes da Polícia Federal para melar a Lava-Jato. Tudo indica que foram esses dissidentes, numa outra ação, que colocaram uma escuta clandestina na cela de Alberto Youssef, na esperança de anular o processo. Está quase tudo lá no telefone de Marcelo. Amigos poderosos, propinas, orientação para artigos. Numa dessas, ele reclama que o foco da Lava-Jato está sobre os empreiteiros e é preciso deslocá-lo para os políticos. Mas a tática está dando certo. Políticos são mais experientes e escorregadios. O grande material contra eles virá precisamente das delações, de anotações como essas do iPhone.

Marcelo Odebrecht optou pelo silêncio. Mas deixou pistas pelo caminho. Como se dissesse; se querem me pegar, trabalhem um pouco com a cabeça. Ele terá que se explicar ao juiz Sérgio Moro. Mas se usar a tática do bilhete, destruir/desconstruir, vai se dar mal. É hora de contar tudo ou então assumir as consequências. Até plano de fuga, saída Noboa, estava previsto em suas mensagens. Noboa é um dirigente equatoriano que fugiu do país para a República Dominicana.

Chega de esconde-esconde. Isso vale também para Dilma e o PT. Em Portugal, abriram-se investigações sobre o negócio entre telefônicas no Brasil. Uma equipe peruana vem investigar no país o caso Odebrecht, pois suspeita que houve corrupção. Os americanos monitoram a Odebrecht. O Brasil virou uma grande cena do crime. Qualquer dia vão nos cercar com aquelas fitas pretas e amarelas e chamar os turistas para filmarem o PT, aliados e a Odebrecht, dizendo que não roubaram nada. Foi tudo dentro da lei. Só pela cara de pau mereciam uma punição extra.

Hoje, Dilma, Renan e Eduardo Cunha constituem um triângulo das Bermudas. Nele desaparece toda a esperança. Cunha agora é contra Dilma, Renan também. Há quem ache que é preciso poupá-los porque são contra Dilma. Mas hoje quase todo mundo é. Cunha está sendo acusado de levar US$ 5 milhões da Toyo Setal. Um dos indícios era o requerimento que a deputada Solange Gomes apresentou para pressionar os empresários. O requerimento foi produzido no computador de Cunha.

Fui deputado com os dois, Cunha e Solange. Um dia, ela veio com um jabuti para acrescentar numa medida provisória: isentar a indústria nuclear de alguns impostos. Fui perguntar o que era aquilo e ela não sabia responder. Percebi que era apenas uma assinatura de aluguel. Trabalhava em sintonia com Eduardo Cunha. Quando surgiu essa pista do requerimento de Solange, mesmo antes de descobrirem que veio do computador de Cunha, na solidão do quarto hotel, soltei o grito da torcida do Atlético Mineiro:

— Eu acredito!

As próximas semanas devem ser decisivas contra essas forças que ainda dominam o Brasil mas estão em contradição com ele. Ministros, deputados, presidentes e ex-presidente, todos farão o esforço final para escapar da enrascada. Dilma contra Cunha, Renan contra Dilma, Dilma contra Renan, eles podem dançar à vontade o balé dos enforcados. Lembram-me uma canção da infância, nascida nas rodas de capoeira: “A polícia vem, que vem brava, que não tem canoa cai n’água. Pau, pau, peroba, foi o pau que matou a cobra.” Pelo menos cantávamos, naquela época.

Hora de recomeçar.

Original aqui

Twitter

U.V.

Manchetes do dia

Domingo 26 / 07 / 2015

O Globo
"Crise trava mercado de imóveis no Rio"

Número de lançamentos no primeiro semestre é o menor desde 2005

Construtoras fazem promoções e até antecipam o 13º. Em SP; estoque está 64% acima da média

A "Cidade Olímpica" não ficou imune à crise imobiliária. No primeiro semestre, foram lançadas 2.750 unidades no Rio, menor número desde 2005, informam Glauce Cavalcanti e João Sorima Neto. Com orçamento apertado e medo de perder o emprego, o consumidor adiou o sonho da casa própria. Uma família carioca leva, em média, 17 anos para pagar o financiamento de um imóvel de 70 metros quadrados. Em 2008, eram dez anos. As construtoras fazem promoções, oferecem financiamento direto e antecipam o 13º salário para o comprador. Em SP, o número de imóveis em estoque é 54% superior à média histórica.

Folha de S.Paulo
"Poder de compra das famílias recua R$ 16 bi neste ano"

Queda na capacidade de consumo é a primeira desde 2003; retração foi de 6,2% no período de janeiro a maio

Com a inflação em alta, o crédito restrito e o desemprego crescente, a capacidade das famílias brasileiras de consumir bens e serviços ao longo de um mês encolheu R$ 16 bilhões neste ano. O cálculo leva em conta massa de renda descontando a inflação, a oferta de crédito e os gastos com dívidas.

O Estado de S.Paulo
"Lava Jato vai aprofundar investigação sobre políticos"

Ontem, MPF denunciou cúpula da empreiteira e executivos da Andrade Gutierrez por crimes de corrupção

A força-tarefa da Operação LaAcordo com Suíça permite que força tarefa rastreie uso de contas secretas para pagamentos a PT e PMDB

A condenação de executivos da Camargo Corrêa e a denúncia formal contra os presidentes e ex-dirigentes de Odebrecht e Andrade Gutierrez abrem nova fase das investigações da Operação Lava Jato, que se aproximará de PT e PMDB como integrantes do esquema de corrupção em conluio com o comando do cartel empresarial - obras da Petrobrás eram fatiadas mediante pagamento de propina. Com a chegada de documentos da Suíça, a força-tarefa acredita ter aberto uma “janela” nas apurações que levará à comprovação do uso de contas secretas de empreiteiras, políticos, dirigentes da Petrobrás e operadores de propina. A devassa em contratos se estenderá a outras áreas dos governos Dilma e Lula, como o setor energético.
 
Free counter and web stats