sábado, julho 25, 2015

Dominique

Opinião

Uma Venezuela na Europa

João Pereira Coutinho
Querido leitor: você deseja tomar o poder e implementar uma política radical que o povo, em circunstâncias normais, jamais aceitaria? Fácil: aprenda com os grandes exemplos históricos e encontre "inimigos" expiatórios.

Para ficarmos nos casos mais extremos, Lênin e Hitler não converteram os respectivos países à revolução pelo "mérito" das suas "propostas". Antes disso foi preciso criar entre os russos e os alemães a sombra de um inimigo imaginário, capaz de justificar as ações mais extremas.

Lênin fez isso com a velha ordem czarista; e o seu sucessor, Stálin, apenas alargou o cardápio para incluir classes profissionais inteiras, tidas por "inimigas do povo". O campesinato russo (os "kulaks") foi o exemplo mais trágico da paranoia persecutória de Stálin.

Hitler agiu de igual forma com os judeus, a quem atribuiu todas as responsabilidades do mundo (um clássico). A própria derrota na Primeira Guerra Mundial tinha dedo judaico. O vexame do Tratado de Versalhes também.

É por isso que não compro a versão açucarada sobre a crise na Grécia. Segundo os relatos preguiçosos que leio por aí, o Syriza venceu as eleições com duas promessas meritórias: manter a Grécia na zona do euro (uma exigência da maioria do povo) e acabar com a austeridade dos últimos cinco anos.

Qualquer criança com um mínimo de instrução seria capaz de entender a natureza contraditória e até mentirosa dessas duas promessas. Continuar no euro sem austeridade significava, muito simplesmente, que alguém teria que pagar as contas dos gregos.

E esse "alguém" seria o resto da Europa, a começar por países como Portugal ou Irlanda, que também comeram o pão que o diabo amassou. Por outras palavras: os gregos, vergonhosamente iludidos, elegeram um partido que prometia o paraíso com o dinheiro dos outros.

Sem surpresa, a Europa disse não a tamanha generosidade. E foi pedindo, ao longo de meses de pura farsa grega –repito, a Europa foi pedindo–, que o governo de Atenas (composto pela extrema-esquerda mas também pela extrema-direita neonazista: convém não esquecer) apresentasse propostas credíveis para cortar gastos e fazer reformas. Só haveria ajuda financeira se, do lado grego, houvesse responsabilidade orçamental.

As propostas de Atenas, de um amadorismo confrangedor, nunca convenceram. E, em gesto melodramático, o governo de Alexis Tsipras abandonou as negociações para anunciar um referendo. O povo será convidado a responder se aceita (ou não) o chicote da austeridade europeia (cortes em aposentadorias, subida de impostos etc.).

O filme não precisa de grandes comentários, exceto para dizer duas coisas.

A primeira é que, ao contrário do que se pensa (e escreve), o Syriza nunca esteve interessado em "negociar" coisa nenhuma. O Syriza fingiu negociar. Mesmo a promessa de que o país continuaria na zona do euro foi uma concessão tática para ganhar votos e tomar o poder. Ficar no euro não fazia parte da DNA original do Syriza.

A segunda é que o Syriza acredita que, perante a recusa da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional em continuar a emprestar dinheiro sem contrapartidas sérias, estão encontrados finalmente os seus "inimigos do povo", a quem irão atribuir todas as culpas pelo fracasso das "negociações".

Identificados os inimigos, o Syriza imagina que poderá finalmente –e legitimamente!– transformar a Grécia numa espécie de Venezuela em pleno Egeu, cometendo o tipo de loucuras –nacionalizações, controle de preços etc. etc.– que fizeram moda em Caracas. Com os resultados conhecidos.

Fatalmente, o Syriza esquece-se do passado e do futuro.

No passado, existiu um povo inteiro a quem foi prometida a manutenção do país na zona do euro. Se isso não acontecer, e os gregos regressarem ao velho dracma (com uma desvalorização de 50% face ao euro, digamos), o caos social irá paralisar o país. Por mais "inimigos externos" que se inventem, a realidade é sempre mais forte que a fantasia.

Mas esse caos é a parte menor do problema. A parte maior é que, suspeita minha, o Exército não ficará de braços cruzados, assistindo à festa da arquibancada.

No momento em que escrevo, ainda ninguém sabe com rigor como irá terminar o filme grego. Mas se o país sair do euro e começar a ser governado por princípios bolivarianos, duvido que a Grécia sobreviva como democracia na Europa.

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U.V.

Manchetes do dia

Sábado 25 / 07 / 2015

O Globo
"Lava-Jato liga Odebrecht a propina paga na Suíça"

MP denuncia presidentes das duas maiores empreiteiras do país

Marcelo Odebrecht Otávio Azevedo são acusados de corrupção, organização criminosa e lavagem. Documentos indicam que recursos movimentados por offshores foram parar em contas de ex-diretores da Petrobras; empresas negam

O Ministério Público Federal denunciou à Justiça os presidentes da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, e da Andrade Gutierrez, Otávio Azevedo, além de outras 20 pessoas, entre executivos das empresas, operadores e os ex-diretores da Petrobras Paulo Roberto Costa e Renato Duque. Os procuradores apresentaram documentos obtidos por meio de cooperação internacional com a Suíça que, segundo eles, ligam recursos da Odebrecht a pagamentos feitos a ex-funcionários da estatal por meio de empresas offshores e contas secretas naquele país.

Com base nessas evidências, o juiz Sérgio Moro decretou nova prisão preventiva de Marcelo Odebrecht, o que atrasará a análise de habeas cor-pus pedidos pela defesa. Horas antes, o STJ tinha cobrado informações sobre a decretação das primeiras prisões. As duas empresas negam envolvimento em crimes. A Odebrecht diz que a Lava-Jato promove "estardalhaço midiático”.

Folha de S.Paulo
"Ministério Público denuncia presidentes de empreiteiras"

O Ministério Público Federal acusou os presidentes da Odebrecht e da Andrade Gutierrez de crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa no âmbito da Lava Jato, operação que apura corrupção na Petrobras.

O juiz Sergio Moro, responsável pelos processos, decidirá se aceita ou não a denúncia contra Marcelo Odebrecht e Otávio Azevedo. Em caso positivo, eles passam à condição de réus. Outras 20 pessoas também foram denunciadas ontem.

É a primeira acusação formal contra executivos dessas empresas. “A mensagem é que o Brasil não vai compactuar com a prática de crimes, por mais poderosos que sejam os autores. Ninguém está acima da lei”, disse o procurador Deltan Dallagnol.

A Procuradoria diz ter provas de que as empreiteiras integravam cartel que controlava licitações. Os envolvidos são suspeitos de desvio de R$ 632 milhões em obras. Parte era propina a ex-dirigentes da Petrobras e a operadores de PT, PMDB e PP.

Para o Ministério Público, o nível de participação de Odebrecht e Azevedo, presos em Curitiba desde junho, no dia a dia das empresas e o volume de propina movimentada mostram que o esquema tinha aval da alta cúpula das companhias.

O Estado de S.Paulo
"Suíça rastreia US$ 13,7 mi de propina da Odebrecht"

Ontem, MPF denunciou cúpula da empreiteira e executivos da Andrade Gutierrez por crimes de corrupção

A força-tarefa da Operação Lava Jato apresentou dados enviados pela Suíça sobre a movimentação de contas da Odebrecht e sustentou que documentação constitui um conjunto robusto de provas que incriminam executivos e o dono da maior empreiteira do País, Marcelo Odebrecht. Segundo extratos bancários, a empresa pagou US$ 13,7 milhões e 1,9 milhões de francos suíços para contas de offshores dos ex-diretores da Petrobras, Paulo Roberto Costa, Pedro Barusco e Renato Duque abertas na Suíça ou em Mônaco.

sexta-feira, julho 24, 2015

Avro - Varig


Coluna do Celsinho

Carochinha

Celso de Almeida Jr.

As anotações cifradas extraídas pela Polícia Federal do celular de Marcelo Odebrecht estão dando o que falar.

Mais um triste capítulo destes últimos escândalos de corrupção.

O Juiz Sérgio Moro, responsável pelos processos da Operação Lava Jato em primeira instância, já definiu prazo para os esclarecimentos.

Estou curioso para as justificativas da defesa.

Vamos imaginar as respostas da carochinha?

Mensagem: Higienizar apetrechos de MF e RA

Dedução da Polícia: esvaziar arquivos/mensagens de celulares de colaboradores de Odebrecht.

Carochinha: Limpar penicos e lavar meias, cuecas e mochilas dos meninos.

Mensagem: Vacarezza e Zarattini 3% (aprox 27M)

Dedução da Polícia: 3% de algum contrato para a dupla distribuir, equivalentes a 27 milhões.

Carochinha: A chance deles ganharem a corrida de 27 metros é de 3%.

Mensagem:Risco cta Suíça chegar campanha dela?

Dedução da Polícia: Prova-se que o dinheiro na Suíça abasteceu a campanha feminina?

Carochinha: O contrato dos chocolates suíços acontece antes da promoção do dia das mães?

Mensagem: Trabalhar para parar/anular (dissidentes PF...)

Dedução da Polícia: Atrapalhar o andamento da operação Lava Jato; desqualificar ações  da Polícia Federal.

Carochinha: Combater os dissidentes do Prato Feito, patrimônio do Brasil tão importante quanto a Mandioca.

Não falta imaginação...

Vai esquentar.

Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com

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Dominique

Crônica

In vino veritas

João Pereira Coutinho
Entro no restaurante, sento-me, consulto o cardápio. E então reparo que alguns dos presentes, nas mesas em volta, não comem. Fotografam. O prato está pronto e eles, antes de usarem os talheres, tiram fotos da refeição com os celulares –de todos os ângulos, como se tivessem uma Gisele Bündchen na frente.

Por momentos, penso que o problema é médico: pessoas com primeiros sintomas de demência que gostam de registrar o que comeram ao almoço para não repetirem ao jantar.

Depois sou informado que não: é moda fotografar os pratos e enviá-los para as "redes sociais". Se os "amigos" sabem onde estamos e o que fazemos 24 horas por dia, é inevitável saberem também o que comemos. Desconfio até que existem competições gastronômicas em que os pratos são usados como exibição de classe. Se as férias em família já servem para isso –esqui na Suíça, praia em Bali– por que não o almoço ou o jantar?

Mas o pasmo não termina com os fotógrafos. Continua com os enólogos amadores que tomaram conta do espaço público. Entendo pouco de vinhos. Fiz umas provas aqui e ali –mas, honestamente, o meu principal talento é saber se o vinho está estragado ou não.

Ninguém se fica por papéis tão modestos. No mesmo restaurante, os clientes giram os copos, cheiram, conferem a cor. Depois provam, fecham os olhos e invariavelmente convidam o empregado a servir. Quando foi que o mundo distribuiu diplomas de enologia pelo pessoal? E por que motivo eu não fui convidado?

Um colega meu é exímio nessas cenas. Saímos para almoçar, ele escolhe o vinho e, quando o empregado verte as primeiras gotas, inicia um ritual que dura minutos. Sempre com uma concentração digna de um monge tibetano. E, antes do inevitável "pode servir", gera-se um "suspense" de filme policial, como se a salvação do planeta dependesse da qualidade do líquido.

Várias vezes bebi vinhos medonhos, escolhidos por ele em estado de êxtase. "Está boa essa bosta?", deveria ser a pergunta. Não é. "A colheita desse Malbec é muito apurada, não?" Digo que sim e depois penso em vinganças mil.

Uma dessas vinganças foi preparada dias atrás. Convidei uns amigos para jantar. O meu camarada enólogo incluso. E eu, antes dos convidados chegarem, fui ao supermercado do bairro comprar o vinho mais barato em exibição. Por menos de € 4, trouxe três garrafas de um tinto alentejano cujo nome omito por razões judiciais.

Quando cheguei a casa, abri as garrafas e verti tudo em jarro de cristal. Os convidados chegaram. Primeiras conversas, primeiros coquetéis. E quando o jantar soou, eu anunciei aos presentes que tinha ganho de presente de aniversário três garrafas de Château Lafite que gostaria de partilhar com os comensais.

Ouviram-se aplausos. O jarro veio para a mesa e, quando enchi os copos, um deles murmurou sem demoras: "Esse odor é inconfundível". Fizeram-se brindes. E quando o líquido escorreu pela goelas, o meu colega enólogo olhou para mim, rosto sério, e eu temi que a pegadinha tinha chegado ao termo.

Ilusão. Ele sorriu, grato, e depois arrumou o assunto com uma frase solene: "É o melhor Bordeaux que bebi neste ano".

Todos concordaram. Um deles, mais humilde, ainda disse: "João, você não deveria desperdiçar vinho desse com a gente". Fiz cara de desagrado e concluí: "Se não partilhamos o melhor que temos com os amigos, partilhamos com quem?".

Ora, com quem: com as redes sociais. No fim do jantar, quando havia uma alegria leve sobre a mesa, propus um brinde de despedida –e uma foto do vinho para partilhar no Facebook.

Fez-se o brinde e eu fui buscar uma garrafa do meu alentejano vira-lata. Ninguém tirou fotos para mostrar. Só o especialista enólogo, razoavelmente sóbrio, murmurou um "filho da puta" que despertou gargalhadas gerais.

Eu, com cara séria, tranquilizei as manadas: "Calma, pessoal. Mas vocês acham que eu faria uma sacanagem dessas?". E depois plantei na mesma mesa uma garrafa vazia de Château Lafite, que o empregado de um restaurante que frequento em Lisboa me emprestou só para impressionar os incréus.

Os ânimos acalmaram-se. E as fotos vieram logo a seguir. 

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U.V.

Manchetes do dia

Sexta-feira 24 / 07 / 2015

O Globo
"Renda tem maior queda em 11 anos e desemprego sobe"

O rendimento real do brasileiro (já descontada a inflação) caiu 2,1% de janeiro a junho em relação ao mesmo período de 2014, no pior primeiro semestre desde 2004, mostram números do IBGE relativos às seis maiores regiões metropolitanas. 

Economistas já preveem piora, com a renda encerrando o ano em baixa de 4%. A queda está diretamente ligada ao aumento do desemprego. Com ganhos menores, mais gente nas famílias procura vagas. O desemprego subiu para 6,9% em junho. E a taxa entre a população de 18 a 24 anos deu um salto em um ano, de 12,3% para 17,1%. O número total de desocupados subiu 44,9%, para 1,7 milhão.

Folha de S.Paulo
"Governo tenta conter reação negativa após recuo no ajuste fiscal"

No primeiro dia de negócios após o governo admitir a possibilidade de deficit nas contas públicas em 2015, o dólar chegou a R$ 3,29, maior nível desde março.

A redução do superavit primário de 1,1% para 0,15% do PIB (Produto Interno Bruto) também derrubou a Bolsa, que passou a registrar baixa de 0,4% no ano, destoando dos outros mercados de ações do mundo.

Diante da dificuldade do governo em controlar os gastos, investidores cogitam rebaixar a avaliação de risco do país, que pode perder o selo de bom pagador da dívida. A agência Fitch informou que revisará novamente a classificação do país.

A reação negativa do mercado levou a equipe econômica a tentar reverter o clima adverso ao Brasil entre economistas e investidores.
Assessores dos ministérios do Planejamento e da Fazenda tentaram passar a mensagem de que a redução da meta não se traduz em “abandono do ajuste fiscal”.

Em conferência com economistas e investidores brasileiros e estrangeiros, Joaquim Levy (Fazenda) justificou a medida e frisou que ela não alterará de forma significativa a dinâmica da dívida do país.

O Estado de S.Paulo
"Mercado reage mal à meta fiscal; Dilma defende Levy"

A redução da meta de superávit de 1,13% para 0,15% do PIB provocou ontem disparadado dólar, derrubou a Bolsa e abalou a confiança de investidores. O dólar avançou 1,98%, para R$ 3,291, e atingiu a cotação mais elevada desde 19 de março. 

A Bolsa de São Paulo recuou 2,18%, o menor nível desde 16 de março. Para agentes econômicos, a mudança no cenário fiscal fez subir o risco de a nota do País ser rebaixada. Também causou apreensão a redução do superávit dos próximos anos - prevista para 2016, a meta de 2% só deverá ser cumprida em 2018. 

No Planalto, a preocupação foi com a imagem de enfraquecimento do ministro da Fazenda, Joaquim Levy. A presidente Dilma Rousseff telefonou para assessores pedindo que destacassem a importância de Levy como avalista da política econômica. 

No Congresso, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, disse que a nova meta fiscal não será cumprida. Já os tucanos afirmaram que o Executivo ressuscitou a "alquimia fiscal" dos últimos anos.

quinta-feira, julho 23, 2015

Dominique

Opinião

A cabeça dos oligarcas

Elio Gaspari
Marcelo Odebrecht está preso e foi indiciado pela Polícia Federal. Em sua cela no Paraná, mantém um diário do cárcere. Os barões da Camargo Corrêa foram condenados e, na oligarquia política, fabrica-se uma crise institucional. Houvesse ou não uma Lava Jato, a desarticulação do Planalto envenenaria as relações com o Congresso. Ademais, essa crise tem um aspecto inédito. De um lado, estão servidores a respeito dos quais não há um fiapo de restrição moral ou mesmo política. São os magistrados e os procuradores. Do outro lado está o outro lado, para dizer pouco. Nunca aconteceu isso na vida pública brasileira.

O presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha, estaria retaliando o governo ao permitir a criação de uma CPI para investigar os empréstimos dos BNDES. Há uma armadilha nessa afirmação. Ela pressupõe uma briga de quadrilhas, com Cunha de um lado e o Planalto do outro. Ou há esqueletos no BNDES ou não os há. Se os há, a CPI, bem-vinda, já deveria ter sido criada há muito tempo. Se não os há, nada haverá.

A verdadeira crise institucional está nas pressões que vêm sendo feitas sobre o Judiciário. Quem conhece esse mundo garante que nunca se viu coisa igual. Se as pressões forem bem sucedidas, avacalha-se o jogo. Cada movimento que emissários do governo fazem para azeitar habeas corpus de empresários encarcerados fortalece a ideia de que há um conluio entre suspeitos presos e autoridades soltas. Ele já prevaleceu, quando triturou-se a Operação Castelo de Areia.

Em 2009, a Camargo Corrêa foi apanhada numa versão menor da Lava Jato. Dois anos depois, ela foi sedada pelo Superior Tribunal de Justiça e, há meses, sepultada pelo Supremo Tribunal Federal. Agora o ex-presidente da empresa e seu vice foram condenados (com tornozeleira) a 15 anos de prisão. O ex-presidente do conselho de administração levou nove. Desta vez a Viúva foi socorrida por dois fatores. O efeito Papuda, resultante da ida de maganos e hierarcas para a cadeia, deu vida ao mecanismo da colaboração de delinquentes em busca de penas menores. Antes, existiam acusações, agora há confissões. Já são 17. A Castelo de Areia não foi uma maravilha técnica, mas a sua destruição será um assunto a respeito do qual juízes não gostarão de falar.

Quem joga com as pretas tentando fechar o registro da Lava Jato sabe que a Polícia Federal e o Ministério Público estão vários lances à frente das pressões. Da mesma forma, quem se meteu nas petrorroubalheiras sabe que suas pegadas deixaram rastro. Curitiba dribla como Neymar. Quando baixa uma carta, já sabe o próximo passo.

Afora os amigos que fazem advocacia auricular junto a magistrados, resta a ideia da fabricação da crise institucional. Ela seria tão grande que a Lava Jato passaria a um segundo plano. É velha e ruim. Veja-se por exemplo o que aconteceu ao vigarista americano Bernard Maddoff: Na manhã de 11 de setembro de 2001, ele sabia que seu esquema de investimentos fraudulentos estava podre. (Era um negócio de US$ 65 bilhões.) Quando dois aviões explodiram nas torres gêmeas de Nova York e elas desabaram, matando três mil pessoas, ele pensou: "Ali poderia estar a saída. Eu queria que o mundo acabasse".

Madoff contou isso na penitenciária onde, aos 77 anos, cumpre uma pena de 150 anos. 

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U.V.

Manchetes do dia

Quinta-feira 23 / 07 / 2015

O Globo
"Preços sobem, e inflação já passa de 10% no Rio’"

Em 12 meses, IPCA-15 foi pressionado por energia e refeição fora de casa

No país, índice subiu 9,25% em um ano, a maior alta acumulada desde dezembro de 2003. Especialistas agora preveem que a taxa poderá encostar nos dois dígitos nacionalmente em agosto

Nas regiões metropolitanas do Rio e de Curitiba, a inflação alcançou a marca de dois dígitos nos últimos 12 meses. O IPCA-15, uma espécie de prévia da inflação oficial do país — que é medida pelo IPCA, subiu 10,04% no Rio e 10,73% em Curitiba. A energia elétrica respondeu por quase um quinto da inflação fluminense. Já o custo da refeição fora de casa subiu 13,77% em um ano. Outras fontes de pressão no Rio foram as tarifas de ônibus urbanos e o aluguel residencial. Especialistas já preveem que, no país, o IPCA vai se aproximar dos 10% anuais em agosto. Nos 12 meses acumulados até julho, a alta do IPCA-15 no país foi de 9,25%, a maior desde dezembro de 2003. Heron do Carmo, professor da USP, espera uma desaceleração da inflação no país depois do mês que vem, ficando no patamar de 9% no fim do ano.

Folha de S.Paulo
"Nova meta fiscal admite até deficit nas contas deste ano"

O governo Dilma anunciou a redução da meta fiscal de 1,1% para 0,15% do Produto Interno Bruto neste ano. Caso as medidas para ampliar receitas não sejam aprovadas, ou ganhos previstos não ocorram, osetor público pode fechar 2015 com deficit primário de 0,3% do PIB.

Os ministros Joaquim Le-vy (Fazenda) e Nelson Barbosa (Planejamento) usaram os termos “realista” e “factível” para classificar a nova meta e afirmaram que ela prolongará o ajuste e atrasará o objetivo de conter a alta da dívida pública.

Levy disse que a mudança ocorreu porque a evolução da receita inviabilizaria o cumprimento da meta.

O governo prevê superavit de 0,7% do PIB no próximo ano, de 1,3% em 2017 e de 2% em 2018. Nesse cenário, a dívida só começará a se estabilizar em 2017.

A meta fiscal passou de R$ 66,3 bilhões para R$ 8,7 bilhões. Mas pode haver deficit de R$ 17,7 bilhões (0,3% do PIB) caso ações como repatriação de recursos e recuperação de débitos tributários não rendam o esperado.

O afrouxamento da meta não evitou novo corte, de R$ 8,6 bilhões, em despesas orçamentárias.

O Estado de S.Paulo
"Governo reduz meta de superávit e afrouxa política fiscal"

Com receita menor, meta cai de 1,1% do PIB para 0,15%; mercado reage mal

O governo Dilma Rousseff cortou a meta fiscal prometida para o ano e alimentou incertezas no mercado financeiro sobre a capacidade de o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, pôr as contas em trajetória sustentável. A meta de superávit fiscal caiu de 1,13% do PIB (R$ 66,3 bilhões) para 0,15% (R$ 8,74 bilhões) em 2015. O governo também anunciou corte de R$ 8,6 bilhões nas despesas. Mesmo com a redução da meta, o Planalto resolveu mandar ao Congresso projeto de lei que flexibiliza apolítica fiscal e permite que as contas fechem o ano no vermelho em até R$ 17,7 bilhões, se receitas extraordinárias não se realizarem. (...) O mercado reagiu mal à mudança, com alta de dólar, juros e queda das bolsas.

quarta-feira, julho 22, 2015

Dominique

Opinião

A vez de Lula

Estadão
A Procuradoria da República do Distrito Federal (DF) está investigando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo crime de “tráfico de influência em transação comercial internacional”. Lula teria intercedido pessoalmente em benefício da construtora Odebrecht, a partir de 2011, junto aos governos de Portugal e de Cuba, países nos quais esteve em viagens patrocinadas pela empresa, de acordo com documentos oficiais obtidos no Itamaraty pelo jornal O Globo. A investigação dos procuradores do DF é a primeira ação oficial a levantar uma ponta do véu que encobre a notória ligação de Lula com empreiteiros poderosos, principalmente contratantes de obras públicas, envolvidos até o pescoço no escândalo da Petrobrás.

A revelação do jornal carioca não chega a ser surpreendente porque entre os amigos do peito de Lula nos altos escalões empresariais está exatamente Marcelo Odebrecht, presidente da maior construtora do País, preso em Curitiba pela Operação Lava Jato. Lula não esconde que depois de deixar a Presidência da República tem proferido palestras pagas no exterior a convite de grandes empresas brasileiras com interesses no mercado internacional. Nega peremptoriamente, porém, que faça lobby em benefício dessas corporações. Admite, no máximo, que aproveita essas oportunidades para divulgar e defender os “interesses comerciais do Brasil” no exterior.

Afirmam os áulicos do ex-presidente que, se eventualmente se dispusesse, em nome dos interesses nacionais, a fazer lobby para grandes construtoras brasileiras, Lula estaria apenas seguindo o exemplo de ex-chefes de governo americanos. Ocorre que há uma grande diferença entre o que fazem os lobistas nos EUA e no Brasil. Lá o lobby é legalmente reconhecido e regulamentado como atividade para promover interesses corporativos legítimos. Aqui é uma atividade informal, quase sempre sub-reptícia, que não raro se confunde com a advocacia administrativa. O lobby, no Brasil, frequentemente é entendido como uma chave usada para abrir portas que a burocracia fecha para disso ter algum proveito. Isso não significa que todo lobista seja desonesto. Existem, como em tudo, as exceções. 

Essa diferença de entendimento do que seja o lobby é o que explica o fato de Bill Clinton praticar lobby abertamente para as corporações que o contratam, enquanto Lula nega categoricamente fazer a mesma coisa. Além disso, nos EUA um ex-presidente se afasta da militância político-partidária e fica legalmente impedido de voltar a se candidatar a qualquer cargo eletivo. Aqui, Lula só pensa em 2018.

Lula aprendeu, enquanto trabalhava no Palácio do Planalto, a cultivar a amizade de muitos prósperos empresários. Era então voz corrente em palácio que apenas duas pessoas tinham acesso irrestrito a seu gabinete: a primeira-dama, Marisa Letícia, e o pecuarista José Carlos Bumlai, a quem é atribuída, entre outras, a proeza de ter viabilizado a promoção da então desconhecida construtora UTC, de Ricardo Pessoa, à condição de uma das grandes empreiteiras de obras públicas do País. Pessoa é o ex-presidente da UTC, delator premiado da Lava Jato, que acaba de entregar o deputado Eduardo Cunha como beneficiário de US$ 10 milhões de propina paga pela BR Distribuidora.

Consta ainda da lista de melhores amigos de Lula outro frequentador da carceragem da PF em Curitiba: Leo Pinheiro, da construtora OAS, que generosamente concluiu as obras tanto do magnífico tríplex do ex-presidente num edifício no Guarujá como do sítio familiar em Atibaia. E ainda Otávio Marques de Azevedo, presidente da Andrade Gutierrez, que acaba de ser indiciado pela PF em um dos inquéritos da Lava Jato.

Diante das clamorosas evidências de que por detrás de relações estreitas com poderosos empreiteiros há muito mais do que Lula se permite admitir – afinal, desde que deixou a Presidência ele vive para baixo e para cima no Brasil e no mundo a bordo de jatos executivos, hospedando-se em hotéis de luxo, sempre às expensas dos financiadores de seu Instituto –, as revelações contidas em documentos diplomáticos que o Itamaraty foi obrigado a divulgar por força da Lei de Acesso à Informação constituem-se certamente num primeiro passo para que, mais cedo ou mais tarde, venha à luz toda a verdade sobre a prodigiosa transformação de Lula e sua família em beneficiários privilegiados dos programas de ascensão social dos governos do PT. 

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U.V.

Manchetes do dia

Quarta-feira 22 / 07 / 2015

O Globo
"Dilma mobiliza governo para se defender de ‘pedaladas’"

Planalto vai alegar que Caixa acabou tendo resultado positivo

Defesa sobre suspeitas de maquiagem nas contas de 2014 será entregue hoje ao TCU pelo ministro da Advocacia-Geral da União, Luiz Inácio Adams, e não vai ser assinada pela presidente

Em mais de mil páginas, o Planalto vai negar formalmente hoje, no Tribunal de Contas da União (TCU), a prática das 'pedaladas fiscais'. O documento, montado por uma tropa de choque formada por ministros e presidentes de bancos públicos, apresenta respostas a 13 indícios de irregularidades nas contas de 2014 do governo Dilma. Um dos pontos centrais será a informação de que a Caixa teve saldo positivo em 2014, apesar de o Tesouro ter suspendido repasses ao banco para fechar as contas públicas.

Folha de S.Paulo
"Dilma decide reduzir meta fiscal e debate novos cortes"

A presidente Dilma Rousseff decidiu reduzir a meta fiscal prevista para este ano e discute um novo corte provisório de gastos no Orçamento da União para melhorar o desempenho das contas públicas em 2015.

A decisão de rever a meta fiscal foi tomada pelo governo diante da queda real (descontada a inflação) de 2,9% da arrecadação no primeiro semestre deste ano, provocada pela desaceleração da economia do país.

Há também uma disputa no governo sobre tamanho do bloqueio das despesas. A equipe de Joaquim Levy (Fazenda) defendia novo corte, enquanto a de Nelson Barbosa (Planejamento) não queria redução de gastos.

Com uma meta menor, o governo federal tem mais liberdade para elevar despesas ou reduzir a arrecadação. A dívida pública, entretanto, pode crescer, o que traz riscos como inflação e crise financeira.

A meta atual prevê superavit primário de R$ 66,3 bilhões, ou 1,1% do PIB. A nova mudança será anunciada nesta quarta (22), quando o governo divulgará sua programação orçamentária bimestral.

O Estado de S.Paulo
"EUA apontam corrupção em negócios da Odebrecht"

Telegramas falam de obras em 4 países e dizem que Lula ajudou a concluir acordo em Angola

A diplomacia americana monitorou negócios da Odebrecht no exterior e levantou suspeitas de corrupção em obras pelo mundo na segunda gestão de Luiz Inácio Lula da Silva. Telegramas confidenciais do Departamento de Estado americano revelados pelo grupo Wikileaks relatam relações da empreiteira com governantes estrangeiros. Lula é citado em iniciativas para defender interesses da Odebrecht no exterior. Em outubro de 2008, a embaixada americana em Quito descreve a pressão imposta sobre empresas brasileiras pelo presidente Rafael Correa e alerta que Alfredo Vera, chefe da Secretaria Anti-corrupção do Equador, levantara "questões sobre preços e financiamento de contratos da Odebrecht". Um ano antes, outro telegrama mencionou que a viagem de Lula a Angola ajudou a concluir acordo entre a Odebrecht e as angolanas Sonangol e a Damer para construir uma usina de etanol e eletricidade.

terça-feira, julho 21, 2015

Dominique

Opinião

Triste fim de Lula, o garoto levado das empreiteiras

Ricardo Noblat
Na eleição presidencial do ano passado, a campanha da presidente Dilma Rousseff e o PT bateram duro, muito duro na candidata Marina Silva (PSB) porque uma de suas amigas e conselheiras, Neca Setúbal, era um dos herdeiros do Banco Itaú. E daí? Pois é...

Em alguns sites chapa branca, Neca foi apresentada como “a bilionária que comanda a campanha de Marina”. Em outros como “a fada madrinha de Marina”. O que se pretendeu foi atingir a imagem de Marina de candidata de origem pobre e independente.

Pouco importava que Neca, especialista em Educação, tivesse assessorado Fernando Haddad quando ele se candidatou e se elegeu pelo PT prefeito de São Paulo. Naquela ocasião, o PT fez que não viu a condição econômica de Neca. Como se a condição a condenasse.

O PT, a começar por sua filiada mais ilustre, Dilma, subiu nos tamancos revoltado com a ligação que se faz de Lula com a construtora Odebrecht. Ontem, por sinal, o presidente da Odebrecht acabou indiciado por vários crimes – um deles o de corrupção.

Nos dois governos de Lula, a Odebrecht foi a construtora que mais tomou dinheiro público emprestado pelo BNDES. Foi também, com a ajuda de Lula, a que mais conseguiu bons negócios em outros países. A princípio, nada demais.

O que parece excessivo: ao deixar a presidência, Lula tornou-se palestrante preferencial da Odebrecht e lobista dela aqui dentro e lá fora, coisa que ele teima em negar. E isso é muito diferente do que fazem ex-presidentes americanos e ex-primeiros-ministros ingleses.

Porque Lula não é um ex-presidente qualquer. Depois de Dilma, ninguém é mais influente no governo dela do que Lula. Qualquer sugestão que ele faça tem tudo para ser aceita. E em outros países se sabe disso. Daí o tapete vermelho que lhe estendem.

Ex-presidentes americanos não podem concorrer a nenhum cargo público. Ex-presidente brasileiro pode. E Lula não esconde a ambição de suceder Dilma. De resto, é pouco crível que construtoras envolvidas aqui em corrupção se comportem muito bem lá fora.

A associação com gente mal comportada não recomenda Lula, não é mesmo? Imaginem se o Itaú tivesse reformado a casa de Marina no Acre sem lhe cobrar um tostão... A OAS reformou um tríplex de Lula e um sítio dele sem nada lhe cobrar. Pura bondade!

Marina está em paz no canto dela. Neca, também. Lula está sendo investigado por tráfico de influência. A condução da economia no segundo e malfadado governo Dilma segue nas mãos de um banqueiro, Joaquim Levy.

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U.V.

Manchetes do dia

Terça-feira 21 / 07 / 2015

O Globo
"Dirigentes de empreiteira são condenados a 15 anos"

PF indicia Marcelo Odebrecht, dono da companhia, por cinco crimes

Na primeira sentença que atinge empreiteiros envolvidos no escândalo da Petrobras, três ex-executivos da Camargo Corrêa cumprirão pena por corrupção, organização criminosa e lavagem de dinheiro

Numa sentença emblemática, por ser a primeira a punir ex-dirigentes de empreiteiras pelo escândalo de corrupção na Petrobras, o juiz Sérgio Moro, da Justiça Federal em Curitiba, condenou o ex-presidente e o ex-vice presidente da Camargo Corrêa, além de outro ex-executivo da empresa, a 15 anos de prisão por corrupção, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Dois deles, porém, terão a pena reduzida porque fizeram acordo de delação premiada. A PF indiciou o presidente da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, por cinco crimes. Para o procurador Deltan Dallagnol, da Lava-Jato, a condenação mostra que "ninguém é intocável na República'.’

Folha de S.Paulo
"Justiça condena primeiros empreiteiros na Lava Jato"

O juiz Sergio Moro condenou à prisão três ex-executivos da Camargo Corrêa, por corrupção, lavagem de dinheiro e atuação em organização criminosa.É a primeira condenação de pessoas ligadas a empreiteiras na operação que investiga desvios na Petrobras.Cabe recurso.

As penas de Dalton Avancini, ex-presidente, e Eduardo Leite, ex-vice, são de 15 anos e 10 meses em regime semiaberto —ambos são delatores na Lava Jato. A de João Ricardo Auler, ex-presidente do Conselho de Administração, é de 9 anos e 6 meses, em regime fechado.

Segundo a sentença, houve pagamento de R$ 50 milhões de propina para conseguir contratos em obras de refinarias da Petrobras. Moro defendeu que a Camargo faça acordo de leniência com a Controladoria-Geral da União a fim de se livrar de punições administrativas.

Os réus ainda foram condenados a devolver dinheiro à Petrobras e a pagar multas criminais e civis. Como a condenação foiem primeira instância, o advogado de Auler disse que recorrerá. A defesa de Avancini e Leite afirmou não ver razão, por ora, para fazer o mesmo.

O Estado de S.Paulo
"Justiça condena 3 da Camargo; PF indicia dono da Odebrecht"

A Justiça condenou ex-executivos da Camargo Corrêa por corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa


Também ontem, a Polícia Federal indiciou o empresário Marcelo Odebrecht, presidente da maior empreiteira do País, e mais cinco funcionários e ex-funcionários. As duas decisões são desdobramentos da Operação Lava Jato. Foi a primeira condenação de construtora, ainda em primeira instância. Os crimes se referem à refinaria Abreu e Lima. Dalton Avancini, que presidiu a Camargo Corrêa, e Eduardo Leite, ex-diretor vice-presidente, foram condenados a 15 anos e 10 meses. Como fizeram delação premiada, receberam prisão domiciliar. João Ricardo Auler, ex-presidente do Conselho de Administração, pegou 9 anos e 6 meses. A Camargo Corrêa diz que “tem empreendido esforços para identificar e sanar irregularidades” e reforçado sistemas de controle. A Odebrecht disse que, “embora sem fundamento sólido”, o indiciamento já era esperado.

segunda-feira, julho 20, 2015

Dominique

Opinião

As meninas entram em cena

Gabeira
Você poderia chamá-las de petroputas ou prostipetro, mas não seria preciso. As meninas aparecem em quase todo grande escândalo em Brasília. Não são especializadas. Finalmente, deram as caras no escândalo do Petrolão. Documentos da PF indicam que houve gastos com garotas de programa, mencionadas em rubricas como Jô 132 e 3 Monik nas planilhas de Alberto Youssef, um dos grandes nomes do caso.

Lembro-me de que uma das grandes cafetinas de Brasília uma vez me perguntou no aeroporto o que pensava das garotas de programa nesses escândalos. Disse que não as incriminava. Os políticos e empresários gostam de Rolex, compram sapatos Labutin para suas mulheres. Não se podem culpar as marcas, muito menos os vendedores que não costumam perguntar sobre a origem do dinheiro.

Mas a presença das meninas dá um tom global ao escândalo. O ex-dirigente do FMI Dominique Strauss-Kahn foi preso em Nova York por assédio. Mas na França, onde a prostituição é criminalizada, teve de responder a processo. O mesmo se passa com Silvio Berlusconi, com suas famosas bunga-bungas. Também foi processado.

Num contexto de prostituição legalizada, as coisas seriam mais fáceis. Aos documentos da Lava-Jato seriam incorporados recibos de prestação de serviços. Papai e mamãe, blow jobs e o caríssimo beijo na boca seriam especificados.

A Lava-Jato já tem inúmeros componentes cinematográficos. Mas a entrada das meninas nas festas dos poderosos assaltantes da Petrobras era uma espécie de elo que faltava. Gurus, políticos e empresários costumam revelar nesses episódios o desejo de uma satisfação sexual ilimitada. É uma espécie de calcanhar de Aquiles.

Leio que as garotas de programa já apareceram em revistas e talvez por isso cobrem mais caro. São contratadas como os ricos compram quadros, não pelas formas, mas pela fama do pintor.

Outro dia, um grupo de São Paulo me convidou para contribuir com o roteiro de um filme sobre Brasília. Respondi com uma ideia tão maluca que nunca mais voltaram ao assunto.

Era uma nave de outra galáxia que se aproximava de Brasília com a missão de ocupar alguns prédios habitados por duas tribos de cabelos pintados: os Acaju e os Graúna. Na medida em que eles se aproximavam, acompanhavam pela tela da nave o comportamento da sociedade que ainda não conheciam em detalhes.

Agora vejo que caberia nesse argumento cinematográfico uma garota de programa infiltrada que mandaria mensagens constantes para o big data; crescimento dos implantes de pênis, baixa da tesão nos dias em que o Banco Central anuncia a taxa de juros.

Sempre me interessei pela economia libidinal de Brasília. No passado, escrevi sobre as prostitutas que faziam um cordão em torno do setor de hotéis. Cheguei a propor uma cartilha para os prefeitos do interior distinguirem uma travesti de uma garota de programa.

Um equívoco. Creio hoje que para todos é melhor uma dose de ambiguidade. Uma travesti que conheço, talentosa técnica administrativa, me contou que ao descobrirem o que se trata, alguns políticos fingem que não viram.

Talvez no futuro vejamos um livro do tipo “Memórias de uma cafetina em Brasília”. Espero também que não tenha nomes. Apenas elementos que nos ajudem a descortinar o universo libidinal do poder. Se não servir para a história, no sentido mais amplo, servirá para os roteiristas que buscam histórias de gente de carne e osso.

As meninas custaram a aparecer no Petrolão. Parecia um escândalo baseado em fortunas, compra de apartamentos, obras de arte. Elas apelam não só para um sentido universal, o sexo, mas também para o fugaz reencontro com o doce pássaro da juventude.

Com a entrada da Polícia Federal na casa de Fernando Collor, constatei que, além de seu carro oficial, ele tem três carros de luxo na garagem que devem valer juntos R$ 6 milhões. São apenas três de sua coleção de 14.

Qual o sentido disso, exceto garantir a Collor que ele tem carros de luxo na garagem, que é o bambambã?

Com a grana da corrupção, compram um sopro de juventude, transando com as meninas: com a coleção carros compra-se uma infância de brinquedos de luxo.

A nave se aproxima horrorizada.

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U.V.

Manchetes do dia

Segunda-feira 20 / 07 / 2015

O Globo
"A quem representam?: Dirigentes sindicais se eternizam no poder"

Cerca de 8.500 comandam categorias há mais de 10 anos.

Somente no ano passado, entidades arrecadaram R$ 3,18 bi com Contribuição Sindical. Há denúncias até de assassinatos.

Sindicatos que deveriam olhar por suas categorias se tornaram feudos de dirigentes que cumprem mandatos de até 12 anos e são usados para fins particulares. Dados oficiais mostram que, em 2014, havia 8.518 sindicalistas com mais de dez anos de mandato. Alguns estão no poder há 25. Eles administram orçamentos inflados pela Contribuição Sindical, que, ano passado, arrecadou R$ 3,18 bilhões. Sobram denúncias de desvio de verbas, falta de transparência e até assassinatos, conta série que O GLOBO começa a publicar hoje.

Folha de S.Paulo
"Sabesp, em crise, decide vender bens e cobrar dívidas"

Após perdas com a escassez hídrica, empresa tenta arrecadar a curto prazo.

O prejuízo financeiro causado pela crise hídrica em São Paulo vai obrigar a Sabesp, empresa de água e saneamento do Estado, a adotar medidas para arrecadar dinheiro a curto prazo.

A empresa do governo Alckmin (PSDB) colocará terrenos e imóveis à venda, oferecerá condições atraentes para que devedores públicos e privados renegociem débitos e forçará prefeituras a quitar dívidas, colocando-as em cadastro de insolventes.

“Como estamos enfrentando a crise financeira circunstancial? Vendendo as joias da avó”, disse o engenheiro Jerson Kelman, presidente da estatal desde janeiro, em entrevista à Folha.

Kelman afirma que, apesar do aperto, a Sabesp é uma empresa “sadia” e que o problema econômico será solucionado assim que a crise hídrica passar, o que não tem prazo para acontecer.

Com a escassez, a companhia vende menos água ao consumidor e, ao mesmo tempo, precisa investir em obras emergenciais para evitar corte do fornecimento de água na Grande São Paulo.

No último balanço, o lucro da empresa caiu de R$ 1,9 bilhão, em 2013, para R$ 903 milhões, no ano passado.

Kelman não diz quanto estima arrecadar com as medidas nem qual será o tamanho da anistia na renegociação das dívidas.

O Estado de S.Paulo
"PMDB atua no Congresso para liderar CPI do BNDES"

Partido reivindica presidência ou relatoria de comissão criada após Cunha romper com o governo

Partido do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, o PMDB vai reivindicar o comando da recém-criada Comissão Parlamentar de Inquérito que investigará empréstimos concedidos pelo BNDES desde a gestão de Luiz Inácio Lula da Silva. A comissão foi criada sexta-feira, horas após Cunha romper com o governo Dilma Rousseff. O PMDB tem interesse na presidência ou relatoria da CPI. Um dos cargos ficaria com o partido e o outro, com a oposição. No mesmo dia em que a CPI foi criada, o PSDB indicou dois nomes. O bloco dos tucanos pode apresentar mais quatro titulares. Já o bloco liderado pelo PMDB, que inclui mais 13 partidos, como PP, DEM e PTB, tem direito a 11 vagas. Apenas oito vagas serão destinadas ao grupo encabeçado pelo PT e outras duas ficarão com PDT e PSL. Além da CPI do BNDES, Cunha autorizou a criação da CPI dos fundos de pensão, outra área delicada para o governo.

domingo, julho 19, 2015

Dominique

Opinião

Para sair dessa maré

Gabeira
A BR-020 é uma estrada radial de longas retas que liga Brasília ao Piauí. Aproveitei o percurso para refletir sobre o rumo dos meus artigos. Vale a pena insistir nos erros de Dilma e do PT, ambos no volume morto? A maioria do povo brasileiro já tem uma visão sobre o tema.

Num hotel do oeste baiano, abri uma revista na mochila e me deparei com uma frase do escritor argelino Kamel Daoud: “Se já não há vida antes da morte, por que se preocupar com a vida após a morte?”. Ele se referia à sorte do septuagenário presidente argelino Abdelaziz Bouteflika, internado num hospital de Paris. Mas sua frase é uma pista para buscar outro rumo.

Visitei a cidade de Luís Eduardo Magalhães (BA), um polo do agronegócio. Ali se tornaram campeões mundiais da produtividade nas culturas do milho e da soja. Construíram um aeroporto com uma pista de 2 mil metros, quase o dobro da pista do Aeroporto Santos Dumont. Numa só fazenda, vi uma lagoa artificial maior que a Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio. O número de habitantes ali cresceu 300% em 15 anos. Tudo marchou num progresso acelerado, em níveis chineses – pelo menos os do passado recente. Mas a crise começa a afetar até mesmo essas áreas do agronegócio, que exporta e se favorece com o preço do dólar. Somos todos interligados.

A região depende de um Estado e de um governo federal mergulhados numa grave crise. Mesmo para os que estão bem situados há um desejo de achar o caminho do desenvolvimento, sair dessa maré.

É possível que alguma forma de unidade nacional possa ser alcançada pelos que querem superar a crise. E o ajuste na economia deve ser a base de seu programa. Quando digo alguma forma de unidade nacional, deixo de fora aqueles que ainda creem que um ajuste seja o caminho errado. Gostaria de incluir aqueles que acham o ajuste um caminho certo, mas agem no Parlamento como se não houvesse amanhã: gastos e mais gastos.

O fator Grécia continua perturbando os que romanticamente acham possível desafiar as leis do capitalismo: aqui se faz, aqui se paga. Admiradores de Cuba e Venezuela se voltam, agora, para a Grécia democrática, sem perceber que estão apenas trocando de fracasso econômico.

A realidade impôs à esquerda grega uma tarefa mais árdua do que seus antecessores. O governo teve de passar no Congresso um projeto mais draconiano do que a direita tentou, sem êxito, aprovar. O plebiscito disse não, o próprio governo de Alexis Tsipras disse não e, no entanto, o acordo com a Europa diz sim às condições dos credores.

O que o exemplo mostra também é que, às vezes, saídas românticas podem conduzir a um processo de humilhação nacional. No caso grego, creio, houve uma diferença de tom entre a França latina e a Alemanha. Os franceses acham que os alemães têm um enfoque vingativo. William Waack, que foi correspondente na Alemanha, lembra do fator cultural. Num país de formação calvinista, a palavra dívida é a mesma de culpa: Schuld.

Não creio que as coisas sejam as mesmas entre países tão diferentes como a Grécia e o Brasil. Mas um colapso econômico, com bancos fechados, é sempre uma lição.

Não existe necessariamente uma catástrofe no horizonte brasileiro. Mas seria bom que houvesse uma discussão sobre as premissas para sair da crise e algum compromisso com elas.

A oposição tem seus objetivos eleitorais. Precisa combater o PT. Mas o combate erradamente, quando usa os mesmos métodos do adversário, falando uma coisa, fazendo outra. Buscar uma saída estratégica não jogaria a oposição no volume morto. Muitas pessoas que encontro pelo País estão ansiosas não pela solução imediata da crise, mas por um sentimento de que o barco anda no rumo certo. O grande motor seria a política. A crise econômica depende do impulso favorável do processo político.

Hoje, o quadro é caótico. Dilma, escorregando na rede, na Itália, ilustrou sua própria situação. Meio à Guimarães Rosa, ela disse: “Quando você está lá em cima, você inclina para um lado e, imediatamente, para o outro, você fica balançando mesmo, você consegue se equilibrar. Eu não caí, mas para não cair é preciso ser ajudada”. Quem ajudará Dilma a não cair? Por que ajudá-la a não cair? Em respeito aos seus eleitores? Mas eles já a rejeitam há algum tempo.

Há três frentes acossando o Planalto: TCU, TSE e Operação Lava Jato. Isso tem uma certa autonomia, não depende de ajuda. Dilma se encontrou com Lewandowski em Portugal. Supremo e Planalto se encontram, discretamente, em Porto. Não vou especular sobre o que disseram. Lembrarei apenas que se encontraram em Porto no auge da crise.

Mesmo neste caos, é preciso encontrar saídas. Na política, ela passa pela punição dos culpados de corrupção e campanhas pagas por ela. Simultaneamente, precisava surgir algo no Parlamento e na sociedade, um desejo real de superar a crise, uma unidade nessa direção. No momento, estamos saudando a mandioca e vivendo num parlamentarismo do crioulo doido.

Se estivéssemos vendo o Brasil de uma galáxia distante, até nos divertiríamos. Mas eles estão entre nós.

É preciso pensar o pós-Dilma. Ela fala muito em queda, parece preocupada com isso. Não deve doer tanto. Collor caiu e reaparece – como coadjuvante, é verdade – no maior escândalo do século. E muito mais rico: do Fiat Elba ao Lamborghini.

É preciso, pelo menos, pensar o País sem Dilma, deixá-la balançar na etérea sala do palácio, criar uma unidade em torno de um ajuste possível, recuperar o mínimo de credibilidade no sistema político.

Nas eleições, os políticos gostam da imagem de salvador. Isso não existe. Mas, no momento, ao menos poderiam dar uma forcinha criando um pequeno núcleo suprapartidário buscando uma saída, apontando para o futuro. Seria ignorado? Por que não experimentar? Um dos piores efeitos da crise são o desânimo e a paralisia. Por onde ando, vejo um compasso de espera. A maioria sabe que uma pessoa que mal se equilibra não consegue liderar o Brasil durante a tempestade. É preciso extrair as consequências dessa incômoda constatação.

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U.V.

Manchetes do dia

Domingo 19 / 07 / 2015

O Globo
"Documentos mostram que Lula fez lobby no exterior"

Telegramas diplomáticos relatam atuação a favor da Odebrecht

Em viagens a Portugal e Cuba, ex-presidente tratou de privatização e negócios em energia 

Em pelo menos duas ocasiões, o ex-presidente Lula atuou como lobista da construtora Odebrecht no exterior, mostram telegramas diplomáticos trocados entre 2011 e 2014. Lula pediu ao primeiro-ministro português, Pedro Passos Coelho, atenção aos interesses da empresa num processo de privatização, revelam Chico de Gois, Eduardo Bresciani e Francisco Leall. Em Cuba, onde se encontrou com o presidente da empreiteira, Marcelo Odebrecht, preso na Lava-Jato, tratou de negócios no setor energético. Lula sempre alegou que apenas fazia palestras. Ele nega lobby ou tráfico de influência, pelo qual já é investigado.

Folha de S.Paulo
"Reduzir a meta fiscal irá agravar arrocho, diz Levy"

Para ministro da Fazenda, prolongar ajuste é ‘ilusão’ que trará mais danos à economia

Em meio a uma disputa interna no governo sobre o tamanho do aperto nas contas públicas neste ano, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, disse que reduzir a meta fiscal é uma “ilusão”. Ele considera “equivocado” o raciocínio de que a diminuição trará alívio à economia.

Para Levy, o recuo pode gerar aprofundamento do arrocho. “Os observadores às vezes têm uma ilusão. ‘Baixou a meta porque acabou o ajuste.’ Na verdade, se tiver de baixar é porque o ajuste tem de continuar, tem de se aprofundar”, afirmou em entrevista a Valdo Cruz.

O que trava a economia, segundo o ministro, não é o ajuste, mas as incertezas em torno dele, que deixam as empresas reticentes e os consumidores retraídos. Ele evitou criticar o Congresso, que aprovou medidas que vão de encontro ao equilíbrio dos gastos do governo.

Levy disse ser necessário concluir o ajuste para evitar que agências de classificação de risco rebaixem a nota de bom pagador do Brasil. O ministro elabora medidas para bancar a meta, de 1,1% do PIB. A ala política quer baixá-la para 0,6%, a fim de gastar mais.

O Estado de S.Paulo
"Lava Jato liga contas secretas a investigação sobre Cunha"

Autoridades da Suíça enviaram extratos bancários com movimentação supostamente vinculada a propinas

Para tentar comprovar as denúncias do lobista Julio Camargo contra o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), a Operação Lava Jato está rastreando documentos sobre contas secretas que seriam mantidas no exterior pelo ex-diretor da Petrobrás Nestor Cerveró e o também lobista Fernando Falcão Soares, o Fernando Baiano. Os dois são apontados como braços do PMDB no esquema de corrupção na estatal, informam Ricardo Brandt e Julia Affonso. Um dos delatores da Lava Jato, Camargo declarou à Justiça Federal na quinta-feira que Cunha exigiu dele US$ 5 milhões em propina em 2011. Também disse que Fernando Baiano relatou na época que estava sendo pressionado por Cunha a pagar US$ 10 milhões “atrasados” de um total de US$ 30 milhões - dos quais US$ 5 milhões seriam para o peemedebista. Extratos com movimentações das contas foram enviados por autoridades da Suíça e anexadas ao processo que envolve Cunha.
 
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