sábado, julho 11, 2015

Dominique

Opinião

Império da lei

Estadão
Cada vez mais, as investigações da Polícia Federal (PF) em torno da operação Lava Jato aproximam-se de personagens mais graúdos, tanto da esfera pública quanto do mundo empresarial – no caso, das empreiteiras. Como era previsível, esse avanço encontra não pequenas resistências, já que há muita gente insatisfeita com as investigações e com o que elas podem revelar. Preferem que tudo fique como está, com as maracutaias ocultas, bem longe dos olhos do público e gozando a costumeira impunidade.

Nesse cenário de forte pressão contra a atuação independente da Polícia Federal, é alentador ouvir a posição firme do diretor-geral da Polícia Federal, Leandro Daiello. Em entrevista ao Estado, publicada no domingo, Daiello foi claro: “Nós investigamos fatos, aonde os fatos vão chegar é consequência da investigação, doa a quem doer”.

É oportuno que o diretor-geral utilize a expressão “doa a quem doer”, tão frequente nos lábios da presidente Dilma Rousseff para se referir à independência da PF em seu governo. Oportuno porque, a cada dia que passa, o partido da presidente parece combater com mais vigor a independência da PF. O PT movimenta-se contra toda e qualquer investigação da PF que possa atingir os seus membros. 

Os petistas parecem não suportar a ideia de que também eles estão sujeitos à lei e que, portanto, quando estão envolvidos em denúncias de corrupção, eles devem ser investigados. E, ainda por cima, o partido não tem qualquer pudor em explicitar que essa mentalidade não republicana – de pretender uma imunidade criminal para os amigos – é alimentada pela própria cúpula. O ex-presidente Lula, por exemplo, é o primeiro a manifestar sua preocupação pelo fato de a PF não ser “controlada” pelo ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, dando a entender que preferiria ver em Cardozo outra atitude – ou que então deixe o cargo.

Diante dessas nefastas pressões, Daiello foi enfático na entrevista ao Estado: “A PF é controlada pela lei. Nós cumprimos a lei e ninguém vai aceitar ingerência política aqui”. Recordava, assim, que a subordinação da PF ao Ministério da Justiça é apenas administrativa, reafirmando, ao mesmo tempo, uma importante realidade institucional – a PF é uma polícia de Estado, e não de governo.

Isso significa que a PF se subordina à lei, e não aos interesses do governo. “O diretor-geral da PF tem como prioridade o cumprimento da lei. Ele vai cumprir a lei e fazer as investigações que a lei determina e dentro do limite que a lei determina”, esclareceu Daiello.

Ao ser questionado se a PF tem um viés político nas investigações, o diretor-geral voltou a afirmar a postura republicana da corporação: “A PF não investiga pessoas, mas fatos. Se existem indícios de que um fato pode ser crime, a PF vai investigar dentro de suas atribuições, que são o desvio de recursos da União, contrabando e tráfico de drogas”. Somente assim a PF poderá cumprir o seu papel, que é investigar com isenção as denúncias que lhe chegam.

Nunca antes na história deste país foi tão importante o papel da PF, em razão da gravidade das denúncias que trazem à tona o maior esquema de corrupção até então conhecido e que envolvem a maior empresa estatal brasileira e poderosos personagens, do setor público e do privado. O País precisa, mais do que nunca, de uma polícia independente, que atue com os olhos postos apenas na lei, e não em critérios políticos.

E do mesmo modo que é alentador ouvir o credo republicano do diretor-geral da PF, é triste tomar conhecimento da reles reação petista à entrevista ao Estado. O deputado Assis Carvalho (PT-AC) quer providências da PF já que, segundo ele, o diretor-geral “extrapolou”. Outro deputado petista, Carlos Zarattini, também mostrou o seu descontentamento com o fato de a PF cumprir a lei: “Não gostei. Esse diretor da PF acha que ali é um quarto poder, que não tem que se submeter a quem foi eleito, a quem tem voto”.

Pelo que se vê, os deputados petistas consideram que o voto lhes dá o direito de passar por cima da lei e querem ver a PF encabrestada. Numa democracia, o único cabresto da PF deve ser a lei. Nem mais nem menos.

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U.V.

Manchetes do dia

Sábado 11 / 07 / 2015

O Globo
"Reforma aprovada dificulta fiscalização de doações"

Prazo para a análise de contas de campanha é reduzido pela Câmara

Texto prevê apenas uma prestação de contas de despesas durante o período eleitoral

O texto-base da reforma política, aprovado pela Câmara, em vez de endurecer o controle sobre as campanhas eleitorais reduz o poder de fiscalização do Tribunal Superior Eleitoral, informam Isabel Braga e Júnia Gama. Alguns pontos chamaram a atenção de técnicos do TSE. Hoje, o Ministério Público tem até junho do ano seguinte à eleição para representar contra os acusados. Pela nova regra, esse prazo iria para dezembro do ano eleitoral. O texto exige apenas uma prestação de contas de despesas durante a campanha e acaba com a mais grave sanção a partidos com contas rejeitadas, o bloqueio de cotas do Fundo Partidário.

Folha de S.Paulo
"Planejamento propõe flexibilizar meta fiscal"

Objetivo é criar margem para absorver queda de receita, que supera 3% neste ano

No momento em que grupos no governo disputam o tamanho do ajuste nas contas públicas, o Ministério do Planejamento proporá ao Planalto uma margem de flutuação para a meta de superavit primário. O objetivo é absorver o efeito da queda na arrecadação de tributos.

O mecanismo a ser proposto é semelhante ao adotado para a meta de inflação, no qual há tolerância para cima e para baixo. Mas, para para dar credibilidade ao sistema, o governo teria de tomar medidas concretas para manter a meta fiscal nos limites a serem fixados.
Enquanto o Planejamento avalia em quanto terá de ser reduzida a meta, para um valor “realista e crível”, a Fazenda prepara medidas para aumentar a arrecadação em mais de R$ 35 bilhões, buscando a menor redução possível e até mesmo manter a atual, de 1,1% do PIB.
Outro grupo dentro do governo, o de ministros políticos, quer reduzir a meta para 0,6%, o que permitiria enfrentar ciclos de desaceleração da economia como o atual. Países desenvolvidos como Alemanha e EUA adotam um sistema de bandas para a meta fiscal.

O Estado de S.Paulo
"Congresso impõe a Dilma R$ 77 bi em novas despesas"

Presidente terá de decidir se veta medidas de impacto, o que pode derrubar ainda mais sua popularidade

A presidente Dilma Rousseff terá de decidir nos próximos dias se veta medidas de impacto aprovadas pelo Legislativo, o que pode derrubar ainda mais sua aprovação, informa Ricardo Brito. Se não recorrer aos vetos, ela terá de incorporar à sua gestão despesas de pelo menos R$ 77,4 bilhões até 2018 - mais do que a meta de economia que o País faz para pagar os juros da dívida em 2015, o superávit primário, que é de R$ 66,3 bilhões. 

O levantamento se refere apenas às propostas que aguardam sanção ou veto de Dilma. A medida de maior impacto é a que concede isenção de PIS e Cofins para o óleo diesel, com impacto de R$ 13,8 bilhões por ano. O segundo maior valor é o do reajuste dos servidores do Judiciário, uma despesa extra calculada em R$ 25,7 bilhões. O reajuste de aposentadorias e pensões pelo índice do salário mínimo custaria cerca de R$ 3,4 bilhões entre 2016 e 2018.

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sexta-feira, julho 10, 2015

DC-4


Coluna do Celsinho

Fazer e Agir

Celso de Almeida Jr.

Passados 10 anos da revelação do mensalão, ganhamos o petrolão.

Passados 30 anos da eleição indireta de Tancredo, testemunhamos a presidente Dilma saudando a mandioca.

Passados 23 anos das estrepulias de PC Farias, que derrubou Collor, assistimos - agora - ao maior escândalo de corrupção já visto em uma democracia.

Passados 15 anos da lei de responsabilidade fiscal, conhecemos as pedaladas que driblam a lei saneadora.

Passado um ano do 7 a 1 para a Alemanha - sofrido em nossa casa - encaramos o ex-presidente da CBF preso na Suiça.

Prezado leitor, querida leitora...

Aprendemos na escola que é preciso estudar o passado para compreender o presente.

E, também, que é preciso agir no presente para aprimorar o futuro.

Neste sentido, há um conceito que admiro.

Ele diz que os critérios dirigidos ao FAZER pertencem aos conhecimentos técnicos específicos da atividade profissional.

E, que àqueles dirigidos ao AGIR emanam de princípios éticos, que prevê fins de qualidade empregando meios de qualidade.

Com este alicerce, não se aceita o "rouba mas faz".

Assim, pautado nestas referências, é razoável concluir:

O Brasil fez muito nas últimas décadas.

O Brasil agiu mal nas últimas décadas.

O resultado colhemos hoje.

O que pretendemos colher amanhã?

Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com

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Dominique

Opinião

O preço da tolerância à inflação

Estadão
Mais uma façanha negativa poderá ser inscrita, nas próximas semanas, no currículo já robusto da presidente Dilma Rousseff. A economia continua anêmica e o desemprego aumenta, mas a inflação de 6,17% no primeiro semestre quase igualou a de todo o ano passado – de 6,41%, já um despropósito. Se os preços ao consumidor subirem mais 0,4% em julho, o limite anual de tolerância, 6,5%, será estourado em apenas sete meses. Mas uma taxa de 0,4% neste mês será um milagre, ou quase, porque nada indica, neste momento, uma redução tão significativa das pressões inflacionárias. Para quem gosta de preços em disparada – há gosto para tudo, segundo dizem – as perspectivas de 2015 continuam muito promissoras. Até agora, nenhum motivo de queixa. Mais que isso: a taxa do mês passado, de 0,79%, foi a mais alta em junho desde 1996.

Em julho, a inflação acumulada em 12 meses poderá ultrapassar também a previsão do mercado financeiro para este ano. Na semana passada chegou a 9,04% a mediana das projeções coletadas semanalmente pelo Banco Central (BC), em consulta a cerca de 100 economistas de instituições financeiras e consultorias.

Nos 12 meses terminados em junho, a inflação oficial, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), chegou a 8,89%. Como em julho do ano passado a variação foi nula, um pequeno aumento do índice bastará para elevar o acumulado e levá-lo, quase certamente, a ultrapassar 9%. O governo também já elegeu este número como sua aposta para o resultado final de 2015. Mas só será alcançado se a variação mensal de preços, no segundo semestre, for bem mais suave, em média, do que foi até junho.

É muito difícil, diante dos últimos indicadores de inflação, afastar a hipótese de novos aumentos da taxa básica de juros, a Selic, elevada para 13,75% na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). Alguns analistas já falam sobre uma alta para 14,25% na próxima reunião, ainda neste mês. Na semana passada a projeção do mercado indicava 14,5% como taxa final deste ano.

A elevação de juros e o aperto do crédito continuam sendo as armas disponíveis para o controle da inflação, ainda muito alta e resistente, apesar da retração econômica, do desemprego e da perda de renda real dos trabalhadores. Um aperto mais severo das contas públicas tornaria mais eficaz a ação anti-inflacionária, mas o ajuste das contas públicas tem sido mais difícil do que o governo indicou no começo do ano. Nem os petistas, companheiros da presidente, estão dando ao governo apoio suficiente para a execução dos ajustes programados.

Apesar das dificuldades, o mercado continua projetando menores pressões inflacionárias para 2016. A expectativa de alta de preços até diminuiu, nas últimas semanas, para 5,45% no próximo ano – ainda muito acima da meta oficial de 4,5%, mas bem abaixo de qualquer resultado previsto para 2015.

Como sempre, é um equívoco ficar procurando, na lista de itens cobertos pela pesquisa de preços, um vilão para a inflação. Tem-se falado muito sobre os aumentos de tarifas de eletricidade e de outros serviços de utilidade pública.

Depois de represados politicamente por um longo período, esses valores cresceram rapidamente nos últimos meses.

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U.V.

Manchetes do dia

Sexta-feira 10 / 07 / 2015

O Globo
"E-mails mostram poder da Odebrecht na Petrobras"

Mensagens têm indícios de acesso a informações sigilosas da estatal

Documentos oficiais revelam que empreiteira conseguiu vencer licitação para terraplanagem em Abreu e Lima pelo preço pretendido por ela; visita de Lula ao canteiro de obras é tratada como 'teatro'

E-mails de um diretor da Odebrecht apreendidos pela Lava-Jato reforçam indícios de que a empresa tinha acesso a informações privilegiadas na Petrobras. Em troca de mensagens de 2007, o diretor Rogério Araújo, que está preso, menciona informações sigilosas da estatal e combina com outros executivos da empresa estratégia para aumentar o preço de obra de terraplanagem da Abreu e Lima. Documentos oficiais da Petrobras, consultados pelo GLOBO, mostram coincidência entre os e-mails, a escolha da Odebrecht e o aumento do valor da obra, como pretendia a empreiteira. Em outra mensagem, o diretor trata da visita do então presidente Lula ao canteiro de obras como "um teatro'.

Folha de S.Paulo
"Papa critica capitalismo em sua fala mais política"

Na Bolívia, Francisco diz a ativistas que sistema é uma 'ditadura sutil'

No discurso mais político em pouco mais de dois anos de pontificado, o papa Francisco defendeu na Bolívia "mudança de estruturas" mundial, informa o enviado Fabiano Maisonnave.

"Reconhecemos que este sistema impôs a lógica dos lucros a qualquer custo, sem pensar na exclusão social ou na destruição da natureza?", indagou o papa a representantes de movimentos sociais de vários países, entre eles sem-teto e indígenas.

Ele afirmou ver no capitalismo uma "ditadura sutil".

Apesar da análise dura, Francisco advertiu contra o excesso de pessimismo e exortou os movimentos sociais a protagonizar as mudanças. Para isso, afirmou, são necessárias "três grandes tarefas": pôr a economia a serviço das pessoas, unir os povos "no caminho da paz" e preservar a natureza.

O Estado de S.Paulo
"Cardozo vai a CPI para poupar o PT e o governo"

Planalto articulou ida do ministro; PMDB e PSDB miravam Mercadante, Edinho Silva e José Dirceu

Com a anuência do Planalto, o ministro José Eduardo Cardozo (Justiça) foi convocado a depor na CPI da Petrobras. Ele deverá dar explicações sobre a atuação da PF nas investigações do esquema de corrupção na estatal. A presença de Cardozo tem como objetivo poupar ministros mais próximos da presidente Dilma Rousseff, como Aloizio Mercadante (Casa Civil) e Edinho Silva (Comunicação Social), e livrar da exposição o ex-ministro José Dirceu, o PT e o governo. Insatisfeitos com a condução dos trabalhos da PF, petistas não devem blindar Cardozo no depoimento, previsto para o próximo mês. Entre os 79 requerimentos aprovados estão as convocações do empresário Marcelo Odebrecht, do executivo da Andrade Gutierrez Otávio Marques de Azevedo e de Beatriz Catta Preta, advogada de investigados que fizeram delação. Também havia requerimentos contrários aos interesses do ex-presidente Lula, mas a oposição decidiu não convocá-lo.

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quinta-feira, julho 09, 2015

Dominique

Opinião

Chumbo trocado

Estadão
A reação de forças governistas e oposicionistas aos desdobramentos da crise política está virando bate-boca de botequim e ameaçando descambar para o perigoso campo da galhofa. Foi a própria presidente da República quem definiu a nova matriz do Festival de Besteiras que Assola o País, com as sandices que verteu abundantemente em entrevista à Folha de S. Paulo, tais como chegar à beira do chilique – “Não vou cair! Não vou cair!” – ao negar a possibilidade de seu afastamento do cargo, ou quando, numa tentativa canhestra de posar de heroína, voltou a tratar como se fossem a mesma coisa a delação obtida por tortura física praticada nos porões da repressão ditatorial e a delação premiada que está ajudando a Justiça a desvendar o escândalo de corrupção na Petrobrás.

Todo mundo sabe que nas desarticuladas manifestações de improviso de Dilma Rousseff nem sempre impera a lucidez, para não falar em senso de oportunidade política. Assim, somente a irreprimível autossuficiência da chefe do governo é capaz de explicar a desastrada entrevista. Desastrada porque forneceu munição aos oposicionistas, conforme as queixas off the record colhidas dentro do próprio PT. Também lamentável porque rebaixou o parâmetro do debate político, como se pode constatar pelo nível dos ataques com que governistas e oposicionistas passaram a se contemplar mutuamente. 

Um bom exemplo de que o cenário político começa a descambar para o vale-tudo é dado por um notório adepto da política do porrete, o líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), em declaração registrada pelo Globo: “Baixar a bola? Nós vamos é para cima deles. Não tem essa de amenizar. Vamos para a beligerância”. É o caso de perguntar: partir “para cima” como, se a tigrada não dá conta nem mesmo de defender o governo instalado no Planalto?

Na tarde de terça-feira, os dirigentes dos partidos da falida base aliada – menos PP e PTB – reuniram-se na Vice-Presidência, convocados por Michel Temer, para, a pedido do Planalto, divulgar uma nota de apoio à presidente da República diante das ameaças de afastamento do cargo. Para não perder o hábito dos tempos em que podia tratar os aliados como subordinados, o presidente do PT, Rui Falcão, chegou ao encontro com o documento pronto, vazado em termos de vigoroso repúdio ao “golpismo” da oposição e à tendência do Tribunal de Contas da União (TCU) de rejeitar as contas do governo relativas a 2014, o que abriria a possibilidade de o Congresso colocar em pauta o impeachment de Dilma. A pouca disposição dos demais partidos de comprar briga defendendo a presidente obrigou Falcão a mexer no texto, que acabou se transformando numa nota de apoio pro forma, na qual se registra o “respeito à Constituição e seu inarredável compromisso com a vontade popular expressa nas urnas e com a legalidade democrática”.

Por parte da oposição, coube ao senador Aécio Neves rebater a acusação de golpismo, em nota na qual afirma que “discurso golpista é o do PT, que não reconhece os instrumentos de fiscalização e de representação da sociedade em uma democracia”, para arrematar: “Tudo o que contraria o PT é golpe”.

Com o tiroteio entre governistas e oposicionistas ganhando intensidade, chamaria a atenção o silêncio atrás do qual Lula se tem protegido nos últimos dias, não fosse exatamente esse o padrão de comportamento do ex-presidente nos momentos mais agudos de qualquer crise que lhe possa trazer prejuízos políticos. A radicalização que domina o cenário só permitiria a Lula tomar o partido de Dilma, algo que decididamente não lhe interessa no momento, já que aparentemente ele não tem ainda clara a melhor estratégia para preservar sua ambição de voltar ao Planalto em 2018.

Para Lula, o melhor cenário é aquele que lhe permita assumir o comando da oposição a um governo desmoralizado. De preferência, se a mão do gato se encarregar de tirar Dilma da frente.

A atitude de Lula é a maior evidência de que a possibilidade de afastamento de Dilma – o “golpismo”, como acusa o PT – não é a causa, mas a consequência da atual crise política que, por sua vez, é o resultado da incompetência de uma presidente que apenas 9% da população apoia e do mar de lama em que chafurda parte da elite do PT e aliados.

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U.V.

Manchetes do dia

Quinta-feira 9 / 07 / 2015

O Globo
"Bolsa desaba na China e gera temor de crise global"

Pregão de Xangai cai 31% em um mês. Dólar sobe a R$ 3,23 no Brasil

Analistas veem risco de estouro de bolha financeira. BC chinês adota medidas extremas e proíbe venda de ações por grandes investidores. Exportadores de matérias-primas, como o mercado brasileiro, sofrem maior contágio

As bolsas de valores da China sofreram ontem fortes quedas, o que elevou o temor, entre analistas, de estouro de uma bolha financeira no mercado chinês, provocando crise global. Até o início de junho, a de Xangai acumulava alta de 150% em 12 meses. Mas, nos últimos 30 dias, despencou 31%. Ontem, a queda foi de 5,9%. No Brasil, os temores com a China fizeram o dólar subir para R$ 3,23. A Bolsa de Nova York caiu 1,47%. Analistas afirmam que um colapso nas bolsas chinesas afetaria de forma mais intensa grandes exportadores de matérias-primas, como Brasil. Pequim adotou medidas extremas para tentar segurar as cotações, restringindo a venda e destinando US$ 41,8 bilhões para a compra de ações.

Folha de S.Paulo
"Queda em Bolsa na China acende alerta para crise mundial"

Em 20 dias, mercado chinês perde um terço do valor, levando o minério de ferro à pior retração em sete anos

Um novo dia de pânico no mercado de ações da China acendeu mais um sinal de alerta na economia global, que já sofre com indefinições sobre a crise grega e os juros norte-americanos.

O índice geral de Xangai teve desvalorização de 5,9%, e os negócios de mais da metade dos papéis de empresas negociadas na Bolsa foram suspensos.

O pânico ocorreu em meio à preocupação crescente de que os preços das ações tenham atingido patamares injustificáveis. Desde 12 de junho, quando atingiu seu ápice, a Bolsa de Xangai já recuou 32%, perdendo uS$ 3,5 trilhões de valor de mercado.

Para conter o derretimento de preços, o governo chinês ampliou seu programa de compra de ações.

A crise na Bolsa chinesa atingiu a Bovespa, que recuou 1,1%. Já o dólar subiu para R$ 3,23, o maior desde março. Os mercados de commodities foram afetados. O minério de ferro, maior produto de exportação do Brasil, teve a pior queda em sete anos.

O Estado de S.Paulo
"Senado dá reajuste do mínimo a aposentados; Dilma vetará"

Medida provisória é considerada bomba fiscal pelo Planalto; governistas veem represália de Renan Calheiros

Em mais uma derrota do governo no Legislativo, o Senado aprovou ontem medida provisória que estende a política de valorização do salário mínimo aos aposentados. A decisão foi tomada sobre o texto aprovado pela Câmara. A proposta é vista pelo Planalto como uma bomba fiscal e será vetada pela presidente Dilma Rousseff. O veto, no entanto, poderá ser derrubado pelo Congresso. Além da oposição, petistas como Paulo Paim (RS) e Walter Pinheiro (BA) votaram a favor da proposta. Apesar da aprovação, os senadores alteraram a redação e separaram a aprovação da política do reajuste do salário mínimo até 2019 do aumento dos aposentados que recebem acima desse valor. Com isso, Dilma poderá vetar apenas a parte referente aos aposentados. Há no governo quem acredite que a aprovação foi mais uma represália do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), contra a presidente.

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quarta-feira, julho 08, 2015

Dominique

Opinião

Dilma desperta e tenta reagir

Estadão
Ao reagir ao posicionamento do PSDB, em sua convenção no domingo, sobre a possibilidade de seu afastamento da Presidência, Dilma parece ter finalmente descoberto que seu mandato corre risco. Em consequência, adotou uma decisão que pode ser, para ela mesma, uma armadilha fatal: convocou os partidos da base aliada para uma ação conjunta em defesa de sua permanência na chefia do governo. Não é, porém, a faixa presidencial no peito que confere a Dilma o poder de articular forças políticas ao seu redor. É a autoridade política de fato. E isso ela não tem nem mesmo para manter unido em sua defesa seu próprio partido, o PT. Que dizer das demais legendas, a começar pelo PMDB, que integram a desmilinguida “base aliada”, cada uma mais preocupada em salvar a própria pele e não afundar junto com o governo mais mal avaliado pelos brasileiros na história recente da República.

Os tucanos, como partido de oposição, fizeram o que deles era esperado, declarando-se prontos a assumir o poder caso se consume o afastamento da presidente da República, por decisão do Legislativo ou do Judiciário. Os mesmos petistas que durante o governo tucano saíam às ruas berrando “fora FHC” agora acusam a oposição de estar armando um “golpe”. Mas as condições para que o desfecho da atual crise seja o afastamento da presidente são dadas pelo próprio governo, devido à incompetência e à falta de respeito à lei com que tem governado; e pelas forças políticas que teoricamente o apoiam, por causa da falta de pudor com que transformaram em prática usual e corriqueira a malversação de recursos públicos. Uma prática, aliás, à qual lamentavelmente não se têm revelado estranhos nem mesmo membros da oposição. A banalização da desonestidade e da intrujice – esse é o verdadeiro golpe, cometido contra o povo brasileiro pelo lulopetismo.

Se Dilma confia que o PT mergulhará de cabeça em sua defesa, unido e coeso, vai se decepcionar. Basta que atente para o fato de que na reação à convenção dos tucanos ouviu-se – pelo menos até o dia seguinte – o ruidoso silêncio de seu padrinho, que em circunstâncias normais estaria, desde o primeiro minuto, de borduna em punho, malhando os “inimigos”. Além disso, a habitual soberba petista levou o partido a que Dilma é filiada a olhar seus aliados de cima para baixo, com prepotência, desconfiança ou desinteresse. Não é preciso lembrar o que Dilma e a tigrada tentaram fazer com os peemedebistas Eduardo Cunha e Renan Calheiros para constatar que não há de ser por amor ao PT ou a uma chefe de governo que sempre desdenhou da chamada classe política que sairão agora em sua defesa os políticos “aliados”, muitos dos quais têm manifestado ruidosamente sua insatisfação com a demora da Casa Civil no atendimento de seus pleitos.

Para piorar a delicada posição em que se encontra aparentemente sem dela se dar conta, Dilma afeta um excesso de confiança absolutamente sem sentido. Em entrevista à Folha de S.Paulo, a fragilizada presidente tentou fazer jus à sua reputação de “durona”: “Eu não vou cair. Eu não vou, eu não vou. Isso é moleza, isso é luta política”. E minimizou, com uma ponta de ironia, tanto o papel do PMDB na criação de dificuldades para o governo – “O PMDB é ótimo” – como a importância das críticas que tem recebido de Lula: “Podem querer, mas não faço crítica ao Lula. Não preciso. Deixa ele falar. O presidente Lula tem direito de falar o que quiser”.

Condenada à sina dos desesperados, que em defesa própria lançam mão de qualquer argumento, mais uma vez Dilma apelou, na entrevista, para a imagem de heroína que tem de si mesma pelo fato de ter sido presa e torturada durante a ditadura militar. Desperdiçou mais uma oportunidade de dizer à Nação e garantir aos políticos que tem soluções viáveis para as crises (política, econômica e moral) em que meteu o Brasil. Ao contrário, fez um fútil exercício de vontade: não cai porque não quer cair. E todo mundo que se conforme com isso. Quanto à crise econômica em que seu governo mergulhou o País, Dilma não caiu no ridículo de negar sua existência, mas esbanjou otimismo: “É difícil prever (quando vai começar a recuperação). (...) A mais otimista é que nós já saímos (da crise) no fim do ano”. Resta saber se até lá ela não terá saído do Palácio do Planalto.

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U.V.

Manchetes do dia

Quarta-feira 8 / 07 / 2015

O Globo
"Plano já sofre resistência de empresas e sindicatos"

Trabalhadores querem manter ganho; indústria vê negociação difícil

Analistas alertam que, sem recuperação da economia, demissões devem continuar

O plano lançado pelo governo para evitar demissões, que prevê redução de jornada e de salário, já enfrenta resistência. Montadoras como GM e Fiat informaram que não vão aderir. Os sindicatos de metalúrgicos do ABC e de Betim também se mostraram céticos. A indústria de máquinas e equipamentos prevê dificuldades para negociar com os trabalhadores. Especialistas avaliam que a medida do governo vai na direção correta.
Alertam, no entanto, que diante da atual crise, mesmo podendo reduzir os salários, muitas empresas devem manter seus planos de demissões porque não têm, ainda, perspectiva de retomada da economia.

Folha de S.Paulo
"Para a oposição, Dilma tenta inibir ação de tribunais"

Um dia após presidente desafiar quem quiser tirá-la do cargo, PSDB diz que ela tenta ‘constranger’ órgãos que a investigam

Um dia após a entrevistada presidente Dilma Rousseff à Folha, na qual ela desafiou a oposição a tentar tirá-la do cargo, líderes de PSDB e DEM reagiram. Os partidos acusaram a petista de adotar uma atitude “imperial” e de tentar “constranger” instituições que conduzem investigações sobre suas contas (Tribunal de Contas da União) e sua campanha à reeleição (Tribunal Superior Eleitoral).

O Estado de S.Paulo
"Oposição reage a Dilma; para Aécio, 'discurso golpista é do PT'"

A ofensiva da presidente Dilma Rousseff para tentar conter a crise política provocou reações entre governistas e oposição, que trocaram acusações de “golpismo” e colocaram o tema do impeachment na agenda do Planalto e do Congresso 

Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, Dilma afirmou: “Eu não vou cair, eu não vou. Isso é moleza, é luta política. As pessoas caem quando estão dispostas a cair. Não estou. Não tem base para eu cair”. O Estado informou ontem que Dilma prometeu defender seu mandato “com unhas e dentes”. Em nota, o senador Aécio Neves, presidente do PSDB, reagiu: “Na verdade, o discurso golpista é o do PT, que não reconhece os instrumentos de fiscalização e de representação da sociedade em uma democracia”. Segundo ele, o objetivo de Dilma é “constranger” e “inibir” a ação de instituições como o TCU e o TSE. O governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP) disse que “ela (Dilma) foi infeliz (nas declarações)”. O PSDB espera que grupos que organizaram protestos nas ruas ajudem a pressionar o TSE por novas eleições.

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terça-feira, julho 07, 2015

Dominique

Opinião

Os novos dados do jogo grego

Estadão
Passada a euforia do plebiscito, a realidade prosaica novamente se impõe ao governo grego, negociador de uma dívida considerada impagável por muitos analistas. Mas os fatos impõem-se também aos credores externos, interessados tanto em manter a integridade do clube do euro quanto em evitar o custo geopolítico de uma aproximação maior entre a Grécia e a Rússia. Na Grécia, o povo rejeitou a austeridade e os sacrifícios cobrados pelos governos da zona do euro e pelos dirigentes do Fundo Monetário Internacional (FMI). Contados os votos, a multidão festejou. O recado foi transmitido e as autoridades europeias responderam quase com frieza: desejam manter íntegra a união monetária, mas os gregos terão de fazer os ajustes e reformas necessários à restauração de sua economia. O ministro das Finanças da Espanha, Luis de Guindos, declarou-se disposto a apoiar um novo resgate, mas sem dispensar as “múltiplas e inevitáveis” mudanças cobradas do governo grego.

A manifestação do ministro espanhol é especialmente significativa: os cidadãos de seu país enfrentaram ajustes muito duros, viveram uma recessão e ainda sofrem com o desemprego, mas o país voltou a crescer e recuperou acesso ao mercado financeiro. Por todos esses fatores, o recado de Guindos é mais expressivo do que qualquer manifestação da chanceler alemã Angela Merkel. Mas as primeiras declarações dos ministros europeus são apenas parte da movimentação inicial para a nova fase das negociações.

Já na segunda-feira, líderes governistas e da oposição assinaram em Atenas um documento de apoio a uma nova etapa de negociações. Uma das cláusulas condiciona qualquer acordo a uma reestruturação da dívida. O governo grego volta à presença dos credores com um novo mandato para negociar. Esse mandato foi definido em parte no plebiscito e em parte na reunião de sete horas dos líderes partidários com o Executivo.

Mas a renegociação será retomada com pelo menos uma concessão aos credores. Pressionado por seu governo e pelos credores, Yanis Varoufakis deixou o posto de ministro das Finanças. Foi substituído pelo economista Euclid Tsakalotos, braço direito de Tsipras nas negociações. Os europeus consideravam Varoufakis um obstáculo ao entendimento. A mudança realça o propósito de ficar na zona do euro.

Do outro lado, as declarações foram quase repetitivas, com insistência em dois pontos – a disposição de renovar o apoio financeiro e a reiterada cobrança de ajustes e de reformas. Algumas autoridades adotaram um tom mais brando. O primeiro-ministro da Itália, Matteo Renzi, defendeu uma solução urgente, porque a Grécia “está em condições econômicas e sociais muito difíceis”. Autoridades alemãs, como sempre, foram as mais duras. Mas o ministro das Finanças da Alemanha, Sigmar Gabriel, mencionou a hipótese de uma ajuda humanitária à Grécia, se houver escassez de bens essenciais, como remédios.

Para os gregos, a manifestação mais importante pode ter sido a do presidente russo, Vladimir Putin. Ele telefonou ao primeiro-ministro Tsipras depois do plebiscito para declarar apoio à população grega. Se for derrotado nas negociações, o governo grego contará muito provavelmente com o apoio russo. Mesmo com dificuldades econômicas, Putin poderá representar para a Grécia isolada o papel de salvador. Esse papel foi representado pelo venezuelano Hugo Chávez quando se dispôs a financiar o Tesouro argentino. Mas a semelhança entre os dois casos é limitada.

A Grécia poderá oferecer à Rússia, no caso de uma aproximação estratégica, vantagens consideráveis do ponto de vista geopolítico. Nenhum governo ocidental ignora essa possibilidade. Os negociadores gregos provavelmente nem mencionarão essa possibilidade. Mas o risco será quase com certeza levado em conta. Para os gregos, depender financeiramente das potências ocidentais e do FMI é mais confortável e menos custoso que assumir uma relação subordinada com a Rússia. Mas a nova etapa do jogo apenas começa. O impasse atual foi produzido por erros cometidos pelos dois lados. Não há seguro contra novos erros.

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U.V.

Manchetes do dia

Terça-feira 7 / 07 / 2015

O Globo
"Medida do governo prevê redução de salário e jornada"

Corte no rendimento será compensado, em parte, com recursos do FAT. Gasto do Fundo de Amparo ao Trabalhador poderá chegar a R$ 112,5 milhões em um ano. Proposta, cujo objetivo é garantir empregos, tem apoio das centrais sindicais, mas ministro da Fazenda foi contra

Para tentar evitar uma alta ainda maior do desemprego, a presidente Dilma editou medida provisória que permite a redução da jornada de trabalho em até 30%. As empresas poderão diminuir o salário pago ao trabalhador na mesma proporção. Mas, para evitar um desconto maior no contracheque, recursos do FAT serão usados para bancar até 50% do rendimento cortado. Com isso, na prática, a redução no salário recebido pelo trabalhador será de no máximo 15%. O gasto estimado com o programa é de R$ 112,5 milhões ao longo de um ano. A medida ganhou o apoio das centrais sindicais e dos empresários, sobretudo os do setor automobilístico, que vive forte crise, com a produção de carros encolhendo 18,5% este ano. Nos bastidores, porém, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, foi contra.

Folha de S.Paulo
"'Eu não vou cair', diz Dilma"

Em entrevista à Folha, presidente afirma que oposição é golpista e que não há base para pedido de impeachment

No auge da pior crise do seu governo, a presidente Dilma Rousseff (PT) desafiou aqueles que defendem sua saída a tentar tirá-la e a provar que ela "pegou um tostão" de dinheiro sujo.
"Eu não vou cair. Eu não vou. Isso aí é moleza, é luta política", afirmou em entrevista a Maria Cristina Frias, Valdo Cruz e Natuza Nery, a primeira desde que críticos voltaram a defender seu afastamento. Dilma chamou adversários para a briga.
"Não tem base para eu cair, e venha tentar", disse, acusando setores da oposição de serem "golpistas".
A petista tirou o PMDB da lista dos que tentam derrubá-la. "O PMDB é ótimo", afirmou, esquivando-se de responder sobre o flerte de figuras do partido aliado com a tese do impeachment.
Dilma rebateu fala do ex-presidente Lula. "Não me sinto no volume morto", referindo-se a avaliação do antecessor sobre sua popularidade (10% de bom ou ótimo).
A presidente disse que "vai fazer o diabo" para que a recessão econômica seja a menor possível e revelou que prepara medidas fiscais para compensar mudanças feitas pelo Congresso.

O Estado de S.Paulo
"Dilma diz que defenderá mandato com 'unhas e dentes'"

Presidente convoca reunião de emergência do Conselho Político e chama de 'golpe' articulações da oposição.

A presidente Dlma Roussef classificou como "golpistas" articulações por sua saída do governo e disse que defenderá "com unhas e dentes" o mandato para o qual foi eleita. Um dia após a convenção do PSDB, na qual, tucanos apostaram em novas eleições antes de 2018, Dilma convocou reunião de emergência do Conselho Político e orientou ministros, presidentes de partidos, deputados e senadores da base aliada a afastar movimentação de adversários pelo impeachment, carimbando a iniciativa como "golpe". Foi uma referencia a depoimentos de empreiteiros que, presos na lava Jato, disseram ter dado dinheiro desviado da Petrobras ao PT e ás campanhas de Dilma e do ex presidnete Lula. "Vou defender o meu mandato com unhas e dentes. Nada ficará sem respostas", afirmou. Mais cedo o vice-presidente Michel Temer, que comandará o PMDB e é articulador político do Planalto, disse que o impeachment é "algo impensável para o momento".

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segunda-feira, julho 06, 2015

Dominique

Opinião

O dever da oposição

Estadão
Diante da crise econômica, política, social e moral que assola o País, são muito oportunas as observações do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso a respeito do papel da oposição no atual cenário brasileiro. Em artigo publicado ontem no Estado (A responsabilidade das oposições), ele condensa, com clarividência, o sentimento da população: “Espera-se mais das oposições. Espera-se que apresentem sua visão de futuro, apontando um rumo para o País”.

O papel da oposição vai muito além de simplesmente se opor a quem está no poder. Antes de mais nada, seu objetivo deve ser a definição e a defesa dos interesses do País. A conquista do poder, em eleições livres, é o meio para atender àqueles interesses.

Por essa razão, mais do que se opor ao que está aí – numa agenda negativa ou simplesmente reativa –, cumpre à oposição propor uma alternativa viável que contribua de fato para que o País saia da crise e possa realizar seu destino de grandeza.

A lógica do “tanto pior, melhor” é absolutamente inadequada, como lembra Fernando Henrique. “Nada justifica arruinar ainda mais o futuro”, afirma o ex-presidente, recordando, por exemplo, o erro de extinguir o fator previdenciário.

É óbvio que a degradação do governo facilita o trabalho dos partidos de oposição nas eleições seguintes, mas tal degradação tem um alto custo para o País. Não se pode simplesmente deixar o governo sangrar, pois nessa hemorragia vão-se também muitos bens que dizem respeito a toda a sociedade, e não apenas aos inquilinos do poder.

É um equívoco pensar que a crise dificulta apenas o trabalho do governo. Ela também aumenta, em igual medida, as responsabilidades da oposição. O cenário de difíceis condições políticas e econômicas – como é o do Brasil de hoje – não comporta soluções fáceis e indolores nem muito menos slogans que apenas expressam uma posição ideológica, mas são incapazes, por si sós, de promoverem a saída da crise.

A oposição deve atuar no plano prático – político – e não apenas no ideológico – moral. Esse é o seu papel, que se configura como verdadeiro dever institucional. Não fazê-lo seria uma grave omissão, verdadeira cumplicidade com os desmandos que tanto prejudicam o País.

Assistir passivamente à crise gera um nefasto círculo vicioso, já que distancia a sociedade também da oposição. Todos – governo e oposição – passam a sofrer da mesma desconfiança da população, o que faz agravar ainda mais os problemas econômicos, políticos, sociais e morais. Nesse momento, não se pode permitir que, à crise de confiança que desmoraliza o governo, se junte a indiferença da Nação às coisas da política e às coisas públicas. A anomia não é saída para crises. Por isso, urge que a oposição se faça presente, oferecendo, mais do que esperanças, caminhos viáveis e confiáveis para o País.

Nessa empreitada, a oposição tem de ser forte, mas isso não significa nem pode significar nenhum viés antidemocrático. É equivocada a ideia de que uma forte oposição deve levar, em último termo, à derrubada de quem está no poder. A força da oposição não reside nesse tipo de radicalismo. Está, isso sim, na sua capacidade propositiva.

É compreensível a insatisfação da população com o que está aí. Diariamente, ela assiste ao cínico desmazelo com que o País é tratado por um governo incompetente e está à espera de uma alternativa. Compete à oposição oferecer uma resposta a esses legítimos anseios – uma arrojada resposta, que convença, motive e desperte o melhor de cada um.

Quando aqui se fala em destino de grandeza do País, não se faz referência apenas a seu tamanho continental e a suas riquezas naturais. É antes de tudo a convicção de que o seu povo é capaz de realizar um projeto de crescimento econômico e de justiça social que coloque o Brasil, definitivamente, entre as maiores potências do mundo.
Mais que nunca é necessário que a oposição tenha uma visão de futuro factível e audaciosa, que ofereça soluções reais aos problemas do presente. A crise é séria, mas pode ser vencida com o trabalho sério, honesto e competente dos brasileiros – e a oposição tem a missão de guiá-los.

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U.V.

Manchetes do dia

Segunda-feira 6 / 07 / 2015

O Globo
"Gregos dizem não ao acordo: Líderes europeus convocam reunião de emergência"

BCE discute hoje se mantém liquidez para o sistema bancário da Grécia

Resultado do referendo será analisado em cúpula da zona do euro amanhã. Governo quer retomar negociações com credores imediatamente, e aposta sobre saída da moeda única divide economistas

Com 61,31% de votos “não” para novas medidas de austeridade, o premier grego, Alexis Tsipras, é considerado o vitorioso político do referendo. “Provamos que a democracia não pode ser chantageada”, disse na TV A chanceler alemã, Angela Merkel, e o presidente francês, François Hollande, se encontram hoje para articular uma estratégia para a reunião de cúpula da zona do euro, marcada para amanhã. Além disso, o Banco Central Europeu (BCE) decide se mantém ou não uma linha de crédito emergencial para o sistema bancário grego, que deve reabrir amanhã. Atenas prevê rápida retomada das negociações. Analistas de mercado elevam apostas numa possível saída da Grécia da zona do euro, enquanto economistas brasileiros veem solução pelo diálogo.

Folha de S.Paulo
"Gregos rejeitam acordo europeu"

Em plebiscito, 61% da população diz ‘não’ à austeridade imposta por credores; Europa convoca reunião para amanhã

Em votação histórica, a Grécia rejeitou os termos da proposta dos credores internacionais, relatam os enviados Leandro Colon e Fernanda Godoy.

Com 62% de taxa de comparecimento ao plebiscito, 6l% votaram pelo “não”, contra os credores, e 39% optaram pelo “sim”, a favor do resgate europeu.

A diferença surpreendeu analistas e contrariou as pesquisas, que indicavam uma disputa apertada.

O resultado é uma mensagem contra as medidas de austeridade aos líderes da zona do euro. Ao mesmo tempo, cria uma série de incertezas no país e na Europa.

O primeiro-ministro, Alexis Tsipras, que fez campanha pelo “não”, sai fortalecido. O Conselho Europeu convocou uma reunião para amanhã (7), em Bruxelas.

O Estado de S.Paulo
"Em desafio à União Europeia, gregos votam contra acordo"

Mais de 60% população votou ‘não’ em plebiscito e rejeitou as medidas de austeridade propostas pelos credores

Os gregos votaram em massa ontem pelo ‘não’ ao pacote de ajuda financeira ao país, em uma derrota histórica dos líderes europeus. Mais de 60% da população rejeitou, em plebiscito, as medidas de austeridade propostas pela União Europeia (UE) e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), mesmo correndo o risco de agravar sua situação financeira e ter de deixar a zona do euro. Com a decisão, a Grécia coloca em risco o projeto da UE, que teme que outros países questionem as políticas de austeridade. À noite, uma multidão se reuniu na frente do Parlamento para comemorar o resultado. Em discurso transmitido pela TV, o primeiro-ministro Alexis Tsipras disse que a decisão não deve ser interpretada como uma rejeição à permanência na UE. “Estou ciente de que a missão que vocês me deram não é a de romper com a Europa, mas de fortalecer nossa posição de negociação para achar uma solução viável.”

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domingo, julho 05, 2015

Dominique

Opinião

O passado como esconderijo

Gabeira
Passei a semana navegando pela costa do Maranhão, caprichosamente desenhada pelo mar. São as Reentrâncias Maranhenses, e as percorri já dentro dos limites da Amazônia Oriental. Meu objetivo era o arquipélago de Maiau. Ao chegar mais próximo dele, o nome das cidades já tem um traço indígena: Cururupu, Apicum Açu. Deixei para trás uma grande crise política. Na Ilha dos Lençóis, consegui ver com os nativos alguns noticiários de tevê. Impressionou-me o impacto da Bolsa Família nessas ilhas maranhenses: a maioria dos habitantes ganha salário do governo.

Quando as notícias eram sobre corrupção na Petrobras eles associavam seu lamento à situação da saúde pública: tanta gente precisando, os hospitais caindo aos pedaços. A tese de Dilma de que não respeita os delatores, comparando-os aos que trocaram de lado no período da ditadura, entrou por um ouvido e saiu pelo outro.

O que penso sobre isso ficou claro num artigo que escrevi, criticando a má-fé dos que comparam os delatores premiados a Judas e Joaquim Silvério dos Reis.

Na Ilha dos Lençóis não existe polícia, nem uma cultura antipolicial. Os problemas são resolvidos pela comunidade. Um criminoso jamais pode fugir porque da ilha só se sai de barco e, passando a voz, os barqueiros se recusam a tirá-lo de lá.

Considero uma farsa comparar um empresário que enriquece com a Petrobras com os militantes que deserdaram na luta armada. Naquela época havia tortura. A denúncia, por mais condenável, visava à preservação física. E havia também um compromisso coletivo de tudo fazer para preservar a vida e a liberdade dos companheiros soltos. Será que Dilma considera o grupo de empresários que manobrava as licitações na Petrobras companheiros que devam resistir a tudo para salvar os outros e o projeto do socialismo? Será que considera que o grupo mafioso formado por políticos e milionários tinha nosso mesmo objetivo pretérito: o socialismo, a ditadura do proletariado? Não acredito que ela coloque os interesses nacionais de uma investigação no mesmo nível das torturas e prisões do período militar.

Ela não é tão pouco inteligente assim. Como comparar um sonho, ainda que equivocado, de transformação social, com o propósito puro e simples de roubar a maior empresa estatal? Será que ela considera todo o núcleo desbaratado e preso pela Polícia Federal uma célula transformadora, com outros objetivos além de enriquecer e se perpetuar no poder? Não acredito que ela confunda a VAR-Palmares com o Clube dos Empreiteiros. Nem que ela considere o Ricardo Pessoa aquele Bom Burguês, um homem rico que ajudava o MR8.

O lugar onde estou é muito louco. Dunas intermináveis, o vento forte, a crença de que o Rei Dom Sebastião, morto em 1578, em Alcacer Quibir, está enterrado aqui com seu cavalo branco e todas as joias que conseguiu trazer. No entanto, pareceu-me uma loucura maior uma presidente do Brasil dizer, nos EUA, com todas as letras, que não respeita delator, assim de forma abstrata, como se colaborar com a polícia fosse uma das maiores baixezas humanas. Se a mensagem que Dilma e o PT querem transmitir de que o roubo na Petrobras se equivale à resistência armada e de que a corrupção é apenas uma continuidade no combate ao capitalismo, tenho razões para protestar.

Escrevi muita coisa criticando a luta armada. Estou cansado de tocar no assunto. Infelizmente, tenho de voltar a ele por uma questão de justiça: a resistência era feita por idealistas. Mesmo quando se assaltava um banco, arriscava-se a vida. O dinheiro, ao que me consta, não era tocado por indivíduos mas destinado à organização. Os assaltos eram feitos com declarações políticas inequívocas. Ninguém enriqueceu. Pelo contrário: os que não aderiram ao PT têm grandes dificuldades, como todos os brasileiros.

Dilma atua, nesse caso, talvez inspirada pelos marqueteiros, como uma cafetina da luta armada. Tenta justificar um assalto aos cofres públicos desqualificando os assaltantes que se arrependeram e querem devolver o dinheiro ao país. No seu discurso, acusados pelo rombo na Petrobras, ela, Lula e os tesoureiros que ainda estão soltos substituem os idealistas da resistência.

Ninguém deve ter acreditado no argumento de Dilma. Vejo que seu índice de rejeição está nas alturas. Não pretendia voltar ao tema, mas ele introduz uma novo atalho para a impunidade. Sabe com quem está falando? No passado, descobertas no crime, autoridades se escudavam no poder. Na versão atual, mistificadores escondem-se atrás do próprio passado.

Alguns presos do mensalão entraram de punho erguido na cadeia. Eles queriam dizer que a prisão era apenas a continuidade de sua luta. Dilma achou a maneira simbólica de erguer o punho, ao ser revelado o elo do petrolão com sua campanha. Foi traída pela delação. Mesmo quando arruínam o país, querem passar por incompreendidos salvadores.

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U.V.

Manchetes do dia

Domingo 5 / 07 / 2015

O Globo
"Estado do Rio gasta R$ 1 bi por ano com vereadores"

Exclusivo/O que eles fazem com seu voto

No legislativo da capital, muitas medalhas para poucos projetos de lei

Parlamentar que faz prova para policial tem 61 faltas; 11 câmaras realizam apenas uma sessão por semana

As 92 câmaras municipais do estado custaram aos cofres públicos R$ 1,06 bilhão em 2013, revelam Elenilce Bottari, Selma Schmidt e Sérgio Ramalho. O custo médio de cada gabinete de vereador foi de R$ 897 mil, e 76,2% foram para o pagamento de salários e benefícios de 13 mil pessoas. Investigação do Tribunal de Contas do Estado (TCE) descobriu gastos excessivos com viagens. Na Câmara do Rio, a pauta legislativa é criticada por privilegiar a concessão de medalhas em vez de projetos de lei. Vereador de Pinheiral que presta exame para a Polícia Civil acumula 61 faltas, e 11 câmaras fazem apenas uma sessão por semana.

Folha de S.Paulo
"Setor energético ainda tem rombo de R$ 4 bi"

Consumidor terá de cobrir déficit acumulado pelas distribuidoras em 2014

Depois de arcar com um aumento extra de R$ 3,9 bilhões na conta de luz nos primeiros quatro meses do ano, gerado pelas bandeiras tarifárias, o consumidor pagará por mais um rombo neste ano. É o que projeta a Aneel, a agência reguladora do setor de energia elétrica.

O sistema de bandeiras, que eleva mensalmente as contas, não cobriu os gastos extras das distribuidoras com uso de térmicas e compra extra de energia. Até abril, houve despesas de R$ 5,5 bilhões. A diferente, de R$ 1,6 bilhão, foi bancada pelo caixa das empresas.

Cálculos do setor apontam déficit maior, acima de R$ 4 bilhões, que inclui quase R$ 2,5 bilhões com gastos em aberto de 2014. A consequência deve ser o repasse de custos. Em SP, a conta para o cliente residencial da Eletropaulo já subiu, em média, quase 75% neste ano.

A Aneel diz que a redução do calor e campanhas pelo uso racional de energia contribuirão para que o déficit gerado pelas bandeiras seja eliminado até o fim do ano. Sobre as pendências de 2014, a agência confirmou que haverá reflexo nas contas ainda em 2015.

O Estado de S.Paulo
"Corrupção cria indústria de lavagem de dinheiro no País"

Valor apreendido cm esquemas é oito vezes maior do que no tráfico de drogas; só a PF apura desvios de RS 43 bi

O volume de recursos públicos desviados no País fez surgir uma sofisticada indústria de lavagem de dinheiro a serviço de políticos, empresários e servidores públicos. Ela tem estrutura profissional e métodos cada vez mais difíceis de serem descobertos. Na avaliação de investigadores, os crimes contra a administração pública direcionam mais recursos para a lavagem que o tráfico de drogas. No momento, só a PF apura desvios de RS 43 bilhões dos cofres da União. Desse total, RS 19 bilhões se referem às perdas da Petrobrás investigadas na Operação Lava Jato. O montante é 0 triplo do admitido até agora pela estatal. O valor recuperado ou bloqueado somente nessa operação é, por ora, de R$ 2,5 bilhões - oito vezes mais que 0 valor dos bens apreendidos de traficantes em todo 0 ano passado. Novas formas de “reciclar” dinheiro sujo surgem com a inovação tecnológica.

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