sábado, junho 27, 2015

Dominique

Opinião

Falso herói por conveniência

Estadão
José Rainha Júnior, tido como dissidente do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), mas que ainda lidera invasões de fazendas no interior paulista em nome deste, foi condenado a 31 anos de prisão pela 5.ª Vara da Justiça Federal de Presidente Prudente. Ele e Claudemir Silva Novaes, condenado a 5 anos e 6 meses, são investigados na Operação Desfalque, da Polícia Federal (PF), acusados dos crimes de extorsão, formação de quadrilha e estelionato.

Em 2011, os dois foram acusados de liderar um esquema de extorsão de empresas e desvios de verbas para assentamentos rurais. E respondem em liberdade mercê de habeas corpus obtido por advogados da Rede Social de Justiça e Direitos Humanos. Rainha foi expulso do MST em 2007 por divergir do dirigente nacional João Pedro Stédile. Em 2014, ajudou a fundar a Frente Nacional de Luta Campo e Cidade (FNL), mas usa bandeiras e símbolos do MST, como se fizesse parte de seus quadros.

Desde 2011, o Ministério Público Federal (MPF) o acusa de ter manipulado trabalhadores rurais para exigir pagamentos de contribuições em benefício de sua organização. Rainha é acusado, por exemplo, de ter cobrado e recebido R$ 50 mil e R$ 20 mil de duas empresas para não liderar a invasão de fazendas e a queima de canaviais no Pontal do Paranapanema e na região de Paraguaçu Paulista. Ainda de acordo com os promotores que participam das investigações da Operação Desfalque, ele teria exigido R$ 112 mil de uma concessionária de rodovias a título de “ajuda solidária”. Em troca, suas praças de pedágio não seriam depredadas pelos sem-terra.

Há quatro anos, a prisão temporária de Rainha, Novaes e mais oito cúmplices foi decretada pela Justiça Federal e mantida pelo Tribunal Regional Federal (TRF), mas habeas corpus depois obtido permitiu que respondessem ao processo em liberdade. Em 2011, quando Rainha ainda estava preso na Cadeia Pública de Presidente Venceslau, no Pontal do Paranapanema, sua mulher, Diolinda Souza, foi recebida pelo ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, para apelar por sua libertação. “A reunião com o ministro foi muito positiva”, contou ela, que se fez acompanhar do deputado Valmir Assunção (PT-BA), cuja ligação com o MST nacional é notória, e pelo chefe do gabinete de Paulinho da Força, presidente da Força Sindical. Na ocasião, Gilberto Carvalho, que era secretário-geral da presidente Dilma Rousseff e considerado interlocutor dos movimentos sociais, divulgou nota em que, mesmo garantindo não desejar “imiscuir-se” no processo da Polícia Federal, não se eximiu de lamentar a prisão do líder, pois, na opinião dele, esta “tumultuava” o processo da reforma agrária. O deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS), atuante em CPIs que investigaram ações ilícitas do MST, criticou o ministro e lembrou que aquela não era a primeira vez, mas a quarta, em que Rainha era condenado. “Defender Rainha agora é conivência”, disse.

De fato, Rainha não é réu primário há muito tempo. Acusado de coautoria de um homicídio na invasão de uma propriedade em Pedro Canário (ES), em 1989, foi condenado a 26 anos e 6 meses de prisão e, depois, absolvido em novo julgamento, feito sob pressão de políticos de esquerda. Em 2000, liderou o saque da Fazenda São João, onde foram mortas 13 reses, e, por isso, foi apenado em 4 anos e 1 mês. Em 2002, foi detido 23 dias por vandalismo. Em 2005, pegou 10 anos por incêndio, furtos e danos à propriedade na invasão da Fazenda Santana de Alcídia, em Teodoro Sampaio (SP), em 2000.

Todo este prontuário não impede que ele reaja às acusações da PF e do MPF como vítima heroica. Em nota, afirmou: “Essa condenação reforça minhas convicções de continuar minha luta em defesa da reforma agrária, em defesa dos povos oprimidos, índios, negros, sem-terra e trabalhadores”. Assim, fica claro o pretexto com que obtém a conivência de autoridades que, para ganharem apoio e voto de grupos que desafiam o Estado Democrático de Direito em nome de reivindicações tidas como portadoras do condão da justiça social, fazem dele o condenado mais impune do País.

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U.V.

Manchetes do dia

Sábado 27 / 06 / 2015

O Globo
"Dia de terror"

Turistas europeus são alvo em praia tunisiana

Homem-bomba em mesquita no Kuwait

Decapitação leva França a reviver trauma

Três atentados terroristas com poucas horas de diferença na Tunísia, na França e no Kuwait deixaram peio menos 67 mortos e centenas de feridos ontem de manhã e fizeram vários países elevarem seus níveis de alerta. O Departamento de Estado dos EUA indicou não existirem, ainda, evidências de algum tipo de coordenação. Entretanto, o grupo extremista Estado Islâmico reivindicou o ataque a turistas europeus no balneário tunisiano de Sousse e a explosão de um homem-bomba numa mesquita xiita no Kuwait, os dois atentados mais sangrentos. Na França, um homem foi decapitado e uma usina, atacada. Ao lado da cabeça foi encontrada uma bandeira com uma inscrição da shahada — a profissão de fé islâmica — em árabe. O presidente François Hollande, que estava numa reunião de cúpula da União Europeia em Bruxelas, retornou às pressas a Paris e disse que o país "não cederá ao medo". 

Folha de S.Paulo
"Delação de empreiteiro eleva pressão sobre Dilma e o PT"

Alvo da Lava Jato, dono da UTC relata repasses a políticos de seis partidos, que negam irregularidades

A delação premiada do presidente da UTC, Ricardo Pessoa, aumentou a pressão sobre o PT e o governo Dilma. Ele afirmou a procuradores da Lava Jato que fez contribuições para a campanha da presidente em 2014.

Pessoa disse que doou R$ 7,5 milhões por temer prejuízos em negócios na Petrobras. Ele afirmou ainda que contribuiu para a campanha de Aloizio Mercadante, atual ministro-chefe da Casa Civil, ao governo de SP, em 2010.

Na revista “Veja” deste fim de semana, o empreiteiro cita repasses de R$ 15 milhões ao ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto e R$ 750 mil ao ex-deputado petista José de Fillipi, tesoureiro da campanha de Dilma em 2010.

A revista apresenta uma lista de beneficiários de repasses que inclui políticos de seis partidos, entre eles o ex-presidente Fernando Collor (PTB), o senador Aloysio Nunes (PSDB) e o prefeito de SP, Fernando Haddad (PT).

O Planalto não comentou a delação de Pessoa, mas, internamente, avalia que a popularidade da presidente pode piorar mais. Os políticos citados negam irregularidades e dizem que as doações foram legais. 

O Estado de S.Paulo
"Dono da UTC diz que repassou R$ 3,6 mi a tesoureiros petistas"

Ricardo Pessoa entregou a investigadores planilha com valores que teriam sido pagos ilegalmente em 2010 e 2014

O empresário Ricardo Pessoa, dono da empreiteira UTC, citou em depoimento de delação premiada o suposto repasse ilegal de R$ 3,6 milhões para o tesoureiro da campanha da presidente Dilma Rousseff em 2010, José de Filippi, e o ex-tesoureiro nacional do PT João Vaccari Neto. Ele entregou aos investigadores uma planilha intitulada “pagamentos ao PT por caixa dois”, informam Andreza Matais e Fábio Fabrini. O documento relaciona os dois petistas aos valores que teriam sido repassados ilegalmente em 2010 e 2014. Pessoa também mencionou o ministro Edinho Silva (Comunicação Social), tesoureiro da campanha de Dilma em 2014, a quem teria repassado R$ 7,5 milhões. Segundo o site da revista Veja, o empresário também citou outros beneficiários do esquema, entre eles os senadores Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), Fernando Collor (PTB-AL), o deputado Julio Delgado (PSB-MG) e o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT). Atual secretário de Saúde de Haddad, Filippi é próximo ao ex-presidente Lula, de quem também foi tesoureiro de campanha em 2006. Foi Lula quem o indicou para cuidar das contas de campanha de Dilma em 2010. O empreiteiro também apresentou documento que cita repasse de R$ 250 mil à campanha de Aloizio Mercadante ao governo de São Paulo em 2010.

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sexta-feira, junho 26, 2015

Embraer EMB-121A Xingu


Coluna do Celsinho

Hábitos

Celso de Almeida Jr.

Mais de uma vez, flagro passageiros e motoristas jogando lixo nas ruas.

Latas, papeis, cigarros, voando por janelas de automóveis.

Confiro as placas.

Cidades diversas, Ubatuba incluída.

No balcão, saboreando um café, ouço a atendendente comentar o mesmo assunto.

Disse que, certo dia, viu um carro parar no acostamento da rodovia.

Desceu uma senhora com um saco de lixo lotado nas mãos.

Jogou tudo no gramado, rente a pista.

Ficou com o saco vazio, voltou para o veículo e partiu, tranquila.

Incrível, né?

Quanta falta de educação!

Quantos maus hábitos!

Combatendo isso, as escolas sempre trabalham o tema.

Mesmo assim, pergunte aos funcionários da limpeza e descobrirá que nem todos os alunos colaboram.

Nacionalmente, via televisão e outras mídias, campanhas institucionais deveriam ocorrer ininterruptamente.

É claro que o poder público deve fazer a sua parte, coletando e tratando os resíduos de forma correta.

Mas a responsabilidade por manter a cidade limpa é de todo o povo.

Infelizmente, pelo que se vê, nem só de brava gente é composta a nação brasileira.

Há uma parcela muito grande de mal educados, levianos e inconsequentes.

Haja vassoura e creolina...

Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com

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Dominique

Opinião

Aperta-se o cerco a Dilma

Estadão
A clara disposição de Luiz Inácio Lula da Silva de se descolar de sua própria criatura aparentemente está sendo interpretada como um sinal de liberação geral da campanha de isolamento político de Dilma Rousseff e do consequente confinamento do governo aos estreitos limites de sua incompetência para lidar com a crise em que ele próprio mergulhou o País. A se confirmar essa tendência bem expressa no clima de salve-se quem puder em que a chamada classe política se debate, os desdobramentos da crise no plano político – no econômico é outra história – são imprevisíveis, uma vez que Dilma tem ainda três anos e meio de mandato pela frente, o que torna praticamente impossível empurrar a crise com a barriga até que nova eleição presidencial acomode a situação.

A conjugação de duas iniciativas cujos primeiros movimentos já se tornaram visíveis anuncia o quadro sombrio que se desenha para o Planalto. De um lado, forças de esquerda reunidas numa aliança de pequenos partidos ideológicos com a ala autoproclamada “progressista” do PT articulam a formação de uma “frente ampla” de combate ao ajuste fiscal e à política econômica “liberal” personificada na figura do ministro Joaquim Levy. De outro lado, dentro do PMDB ganha corpo a disposição de devolver a Dilma Rousseff a coordenação política por ela delegada, em desespero de causa, ao vice-presidente da República, Michel Temer, o que implicaria, pelo menos tacitamente, o rompimento da combalida aliança dos peemedebistas com o governo petista.

De acordo com o jornal Valor, a oportunidade – na verdade, o pretexto – para que Michel Temer devolva a articulação política ao Planalto seria o fim da votação do ajuste fiscal no Congresso, que deverá ocorrer provavelmente em agosto. Com isso, estaria cumprida a missão confiada por Dilma ao vice-presidente da República. A essa intenção dos caciques peemedebistas – estimulada tanto pelo fato de Lula estar procurando se descolar de Dilma quanto pela crescente deterioração da credibilidade e da popularidade da presidente – não estaria alheio Michel Temer, um político geralmente cauteloso, cuja preocupação maior seria a de calibrar o avanço na direção do descolamento de Dilma para não comprometer gravemente o projeto de ajuste fiscal do qual o PMDB se tornou avalista. De resto, muitos peemedebistas – que consideram pacífica a opção de lançar candidato próprio no pleito presidencial de 2018 – entendem que o PMDB deve se apresentar já para as eleições municipais do próximo ano livre da conotação eleitoralmente negativa de uma aliança com Dilma e o PT.

De qualquer forma, a articulação da tal “frente ampla” contra a política econômica “liberal” avança a cada dia, tendo à frente, entre outros líderes das correntes de esquerda do PT, o fundador do partido, ex-ministro de Lula e ex-governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, que seria um dos responsáveis pela redação do manifesto do grupo, a ser divulgado no início de julho. Especula-se que por detrás desse movimento estaria o próprio Lula, embora essa possibilidade seja desmentida pelos articuladores. Afinal, não é despropositado imaginar que o ex-presidente se anime com a possibilidade de contar com o apoio de algo parecido com uma aliança de forças “progressistas” para embalar sua candidatura à Presidência em 2018 empunhando a bandeira do combate ao “liberalismo”. Isso se até lá Dilma e sua incompetência política e administrativa já não tiverem desmoralizado definitivamente o “progressismo” esquerdista aos olhos de um eleitorado que, na verdade, almeja condições dignas de vida representadas pela garantia de acesso a bens sociais e de consumo num ambiente de plena liberdade.

Esses dois movimentos – o do PMDB e o dos “progressistas” –, produtos de uma mesma circunstância, mas sem nenhuma relação um com o outro, significariam o cerco do Palácio do Planalto pela direita e pela esquerda, deixando pouco espaço para a ineficiente oposição partidária, representada pelo PSDB.

O risco desse tipo de jogo partidário é o de seus principais personagens se entredevorarem, deixando sozinho na cena algum ousado aventureiro.

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U.V.

Manchetes do dia

Sexta-feira 26 / 06 / 2015

O Globo
"Governo reduz teto da inflação para 6% em 2017"

É a primeira vez, em dez anos, que meta para alta dos preços é alterada

Contas públicas têm o pior resultado em 17 anos, e União obtém superávit fiscal de apenas R$ 6,62 bilhões de janeiro a maio. Crise também afeta mercado de trabalho, e desemprego vai a 6,7%, com queda de 5% na renda

Depois de dez anos sem mudar o teto da meta para a inflação, o governo reduziu de 6,5% para 6% o limite para 2017, numa sinalização de que atuará mais fortemente para segurar a alta dos preços. Para este ano, a previsão do Banco Central já é que a inflação ficará em 9%, acima do teto atual. A meta central continuará 4,5%. Em maio, o governo não conseguiu economizar para pagar juros da dívida pública. Tesouro, Previdência e BC tiveram déficit de R$ 8,05 bilhões no mês passado. De janeiro a maio, a União economizou R$ 6,62 bilhões, o equivalente a só 12% de sua meta fiscal para o ano, que é de R$ 55,3 bilhões. A crise também teve impacto no mercado de trabalho, e o desemprego subiu para 6,7% nas principais regiões metropolitanas do país. A renda encolheu 5%. 

Folha de S.Paulo
"PF apura repasses para a mulher do governador de MG"

Firma da primeira-dama obteve R$ 3,6 mi de empresas que negociam com BNDES, ligado à pasta então chefiada por Fernando Pimentel ( PT)

A Polícia Federal investiga repasses feitos a empresa da mulher do governador mineiro, Fernando Pimentel (PT), por companhias com contratos com o BNDES quando ele chefiava o Ministério do Desenvolvimento. O banco é vinculado à pasta. A Oli Comunicação e firmas parceiras levaram R$ 3, 6 milhões entre 2012 e 2014. O objetivo da PF é descobrir se o ex-ministro era o destinatário dos pagamentos feitos à empresa da mulher. A investigação aponta os grupos Marfrig e Cassino (do Pão de Açúcar ) como autores de repasses. A Polícia Federal fez busca e apreensão de documentos em um dos escritórios da campanha do governador. Não foi autorizada pelo STJ a entrada de agentes na residência oficial de Pimentel nem em seu gabinete. Segundo o governo de MG, a “investigação prossegue eivada de irregularidades”. Marfrig e Casino negam ter pago à empresa da primeira-dama. A defesa do casal diz que os repasses não foram feitos à firma dela.

O Estado de S.Paulo
"Governo reduz para 6% teto da meta de inflação em 2017"

CMN decidiu baixar a margem de tolerância de 2 para 1,5 ponto porcentual

O Conselho Monetário Nacional (CMN) manteve a meta de inflação em 4,5% e decidiu reduzir de 2 para 1,5 ponto porcentual a margem de tolerância para 2017. Com isso, o teto da meta cai de 6,5% para 6%. Para o próximo ano foram mantidas a meta de 4,5%e a banda de dois pontos porcentuais, que estão em vigor desde 2006. O recado do governo foi mostrar menos tolerância com a inflação, o que exigirá maior esforço do Banco Central na condução da política monetária. A mudança não era consenso no governo, mas ao final os ministros que integram o CMN – Joaquim Levy (Fazenda), Alexandre Tombini (BC) e Nelson Barbosa (Planejamento) – decidiram pela alteração por unanimidade. Barbosa saiu antes do término da reunião para um compromisso no STF, mas deixou seu voto a favor da mudança. Levy foi um dos principais defensores da medida. Ele encomendou um estudo para mostrar os benefícios da mudança para o ajuste macroeconômico.

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quinta-feira, junho 25, 2015

Dominique

Opinião

A desconfiança impera

Estadão
É risível a repercussão, no centro do poder e nos quadros do partido, dos recentes pronunciamentos de Luiz Inácio Lula da Silva com críticas devastadoras ao governo Dilma e ao PT. Enquanto a presidente da República mal disfarçava seu constrangimento com a declaração de que “todo mundo tem direito de fazer críticas, principalmente o presidente Lula”, a bancada petista no Senado divulgava uma nota de “desagravo” ao ex-presidente, que estaria sendo vítima de uma “sórdida campanha” por parte dos adversários políticos, que usam a luta contra a corrupção como pretexto para “tentar destruir um projeto nacional e popular”.

Por parte de Dilma não se poderia esperar mais do que uma encabulada contemporização, pois cabe à comandante da nau que soçobra fazer o possível para manter a água abaixo do queixo. E, oficialmente, a postura de toda a equipe de governo é a mesma. Por exemplo, para o palavroso ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, um quadro petista à esquerda de Lula, este está assumindo uma posição “de vanguarda” e suas palavras “induzem todos os petistas e simpatizantes a refletirem”. No máximo, os ministros de Dilma se permitem manifestar alguma surpresa diante das manifestações de Lula, como Jaques Wagner, da Defesa, que admitiu não estar “entendendo” e considerar “estranho” o discurso do chefe.

Já no PT e no Congresso ninguém se preocupa muito em ficar em cima do muro. As reações variaram desde o desagravo ao agravador promovido pelos próprios agravados – como foi o caso da bancada petista no Senado –, até a manifestação de cauteloso repúdio feita pelo líder do PT na Câmara, José Guimarães (CE): “Quem fica apregoando essa história do PT estar no fundo do poço, estar no volume morto... vamos esperar as eleições”. O presidente nacional do PT, Rui Falcão, refugiou-se na ironia: “Prefiro quando o Lula diz que os que acham que o PT vai acabar darão com os burros n’água”.

Em resumo, no clima de salve-se quem puder que domina o governo e, muito mais ainda, o PT, Lula, com suas críticas, colocou todo mundo na defensiva e reitera seu protagonismo na cena política. E é claro que não vai ficar só no discurso. A ridícula nota de “desagravo” não surgiu espontaneamente na bancada de senadores, mas foi o resultado da mobilização que Lula promove entre seus correligionários no Congresso para reforçar sua imagem de líder e preparar a blindagem de que ele precisa diante do avanço das investigações da Operação Lava Jato.

Do ponto de vista estratégico há um certo consenso, entre os observadores e os agentes da cena política, de que Lula está preparando o terreno para um gradual afastamento de Dilma e de seu pessimamente avaliado governo. E esse prognóstico decorre da avaliação de que a economia dificilmente dará sinais sólidos de recuperação em tempo de não prejudicar a candidatura à Presidência, em 2018, de um nome apoiado pela presidente. O “puxão de orelha” que Lula está dando no PT demonstraria que é hora de mais uma reviravolta na trajetória do partido para garantir a continuidade de seu projeto de poder. E essa guinada só ele próprio tem condições de liderar, como já fez uma vez com sucesso ao adotar um programa econômico “neoliberal” para vencer a eleição de 2002. Mas para tanto é necessário desvencilhar-se da notória identificação com Dilma e ferretear em seu governo o estigma de “dissidência” do PT. Essa nova metamorfose não parece impossível para um político que não tem nenhum compromisso com a coerência e já demonstrou grande capacidade de seduzir as massas.

Essa estratégia incorre, porém, na imprudência de subestimar o discernimento dos brasileiros, inclusive os que vivem nos mais tradicionais redutos eleitorais do lulopetismo, que estão sofrendo em seu cotidiano os amargos efeitos de uma “nova matriz econômica” irresponsavelmente imposta pela combinação de miopia ideológica com oportunismo eleitoral e indignados com o assalto aos cofres públicos que se tornou marca registrada dos governos petistas.

Afinal, se Lula demonstra não confiar em Dilma e esta certamente já não confia em seu criador, por que os brasileiros hão de confiar em qualquer um dos dois?

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U.V.

Manchetes do dia

Quinta-feira 25 / 06 / 2015

O Globo
"Câmara estende reajuste do mínimo a aposentados"

Medida que tem impacto anual de R$ 9,2 bi ainda será votada no Senado

Pela proposta aprovada, benefícios também passarão a ser corrigidos de acordo com o crescimento do PIB

Em mais uma ação contra o ajuste fiscal, a Câmara aprovou por 206 votos a 179 proposta que estende a todos os aposentados e pensionistas do INSS as regras de reajuste do salário mínimo, prorrogadas até 2019. Hoje, o aposentado que ganha acima do mínimo tem o benefício corrigido apenas pela inflação. Se o Senado também aprovar a medida, ele passará a ter aumento real de acordo com o crescimento da economia. O governo estima impacto anual de R$ 9,2 bilhões. Governistas ajudaram na aprovação, apesar dos apelos do Planalto. 

Folha de S.Paulo
"Deputados estendem reajuste do mínimo a todos os aposentados"

Texto ainda passará pelo Senado; se aplicada em 201 5, medida elevaria em R$ 9 bilhões gastos da Previdência

Em um momento em que enfrenta dificuldades para reequilibrar suas contas públicas, o governo Dilma sofreu nova derrota na Câmara que pode aumentar os gastos da Previdência. Apesar dos apelos do Palácio do Planalto, os deputados aprovaram por 206 a 179 votos a extensão para todos os aposentados e pensionistas da regra de reajuste do salário mínimo. (...) O texto seguirá para o Senado. Caso aprovado, Dilma deverá vetá-lo. O PMDB ajudou na derrota (12 dos 53 deputados foram a favor). No PT, só 2 dos 51 traíram o Planalto. O PSDB votou em peso pela mudança.

O Estado de S.Paulo
"Câmara dá reajuste do mínimo aos aposentados"

Ministro da Previdência diz que decisão coloca ‘em alto risco’ as contas de sua pasta; texto vai agora ao Senado

Em derrota do governo, a Câmara aprovou emenda que vincula a correção dos benefícios da Previdência à política de valorização do salário mínimo. A correção deve levar em conta a inflação dos últimos 12 meses e o crescimento do PIB do País nos dois anos anteriores. Como aposentados e pensionistas que ganham o mínimo já têm benefícios reajustados com base na fórmula, a vinculação beneficiará quem ganha acima desse valor. O ministro Carlos Gabas (Previdência) disse que a decisão coloca “em alto risco” as contas de sua pasta. Pelos cálculos do governo, o impacto da medida em 2015 seria de R$ 4,6 bilhões. O texto ainda vai para o Senado. O líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), afirmou que a presidente Dilma Rousseff deve vetar a emenda. O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), também se disse contrário à indexação, alegando que “não é um bom momento” para essa discussão.

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quarta-feira, junho 24, 2015

Dominique

Opinião

Lula e o partido da boquinha

Estadão
Lula cruzou o Rubicão. Depois de ter, na semana passada, criticado pesadamente Dilma Rousseff e seu governo, na segunda-feira ele dirigiu sua devastadora artilharia contra o PT, que “precisa, neste momento, construir uma nova utopia”. Ao incorporar a seu discurso os argumentos básicos dos opositores do lulopetismo – inclusive a mídia independente –, o ex-presidente da República lançou a sorte para si mesmo: não poderá, senão a um custo político altíssimo, voltar atrás na condenação de seu próprio legado e terá de sobreviver politicamente, de agora em diante, por conta exclusiva de sua condição de “metamorfose ambulante”. Mas, o que quer que pense fazer doravante, continuará sendo exatamente o mesmo. Só mudará o figurino talhado no desespero da sobrevivência.

Em seu pronunciamento improvisado – assistia, em seu instituto, a uma palestra do ex-primeiro-ministro espanhol Felipe González que, ao final, o convidou para a mesa e ele resolveu então falar –, Lula fez uma crítica radical ao PT, declarando que “é chegada a hora de se fazer uma revolução interna”. “Temos que decidir se queremos salvar nossa pele e nossos cargos ou salvar nosso projeto.” Os petistas, afirmou, “perderam a utopia”: “A gente acreditava em sonhos. Hoje a gente só pensa em cargo, em emprego, em ser eleito. Ninguém hoje trabalha mais de graça”.

Essa “autocrítica” – se é que se pode chamar assim uma crítica quase que exclusivamente dirigida a terceiros – só não foi completa porque o chefão do PT evitou cuidadosamente qualquer referência explícita ao mar de lama em que o lulopetismo transformou a administração pública. Em nenhum momento Lula mencionou o mensalão ou o escândalo da Petrobrás, nem mesmo para se defender ou ao PT. Mas a denúncia dos desvios de conduta dos correligionários que “perderam a utopia” e agora só pensam em eleger-se e em manter seus cargos inclui, implicitamente, a condenação da corrupção. Pois, se o idealismo já não mais existe, qual a razão pela qual os petistas lutam para manter seus cargos ou se eleger? Lula dá razão ao ex-governador fluminense Anthony Garotinho quando, com inegável conhecimento de causa, definiu o PT como o “partido da boquinha”.

O que Lula ainda não admitiu é que o abandono da utopia começou em seu primeiro ano de governo, em 2003, quando o Fome Zero – um programa complexo de inclusão social, que além de prover auxílio financeiro aos mais necessitados preparava para eles a chamada “porta de saída” de sua condição de miséria – foi trocado pelo Bolsa Família, pragmaticamente destinado, sem maiores complicações e a custo bem menor, a botar o cabresto em “40 milhões de votos”, como proclamava com orgulho o então ministro José Dirceu.

Desde que se deu conta, nos últimos meses, de que Dilma Rousseff, com sua desastrada gestão econômica e as mentiras que disse para se reeleger, acabou por precipitar o País numa grave crise política, econômica e social, levando de arrastão sua própria credibilidade e o prestígio do PT em todos os estratos sociais – diante, enfim, desse panorama devastador para o futuro do lulopetismo –, Lula deu início a uma escalada de críticas à sucessora que ele mesmo escolheu. Críticas públicas e, principalmente, privadas, no âmbito de seu relacionamento mais íntimo e em reuniões com a própria Dilma. Há poucos dias deixou passar a oportunidade de fazer essas críticas no local mais apropriado, o 5.º Congresso do partido reunido em Salvador. A corrente partidária majoritária que lidera houve por bem “dar um tempo” e salvar as aparências num documento oficial anódino e conciliador. 

Mas agora, talvez movido por sua proverbial intuição, Lula dá uma guinada significativa em sua trajetória política, abrindo caminho para descolar sua imagem do governo Dilma e reunir em torno de si uma militância partidária pelo menos temporariamente disposta a trocar o manso desfrute das delícias do poder pelo antigo aguerrimento em desafios eleitorais. E já no ano que vem haverá eleições municipais, que poderão ser um esclarecedor teste para 2018.

Como não poderia deixar de ser, em sua “autocrítica” Lula voltou a atacar a imprensa. Sem liberdade de opinião, Lula não teria chegado onde chegou – e ele sabe disso. Ato falho?

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U.V.

Manchetes do dia

Quarta-feira 24 / 06 / 2015

O Globo
"Exclusivo/devagar quase parando: Investimentos do PAC já caíram 33% no ano"

Governo deixa de divulgar balanço; estatais também reduzem desembolso.

Ministério das Comunicações não fez qualquer gasto com o programa de janeiro a abril

O balanço quadrimestral do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que era feito desde 2011, ainda não foi divulgado este ano. Mas, mesmo sem um balanço oficial, as despesas do Orçamento com o PAC mostram corte significativo: de janeiro a abril, os gastos do governo com o programa tiveram queda de 33%, para R$ 13,3 bilhões, informa Danilo Fariello. O Ministério das Comunicações, que toca o Programa Nacional de Banda Larga, não desembolsou um centavo sequer até abril. Petrobras e Eletrobras, estatais responsáveis por muitas obras do PAC, reduziram seus investimentos totais em 15%. 

Folha de S.Paulo
"USP adotará Enem para 13% das vagas, com sistema de cota"

Reserva para alunos da rede pública será de 10,5%; seleção pelo vestibular da Fuvest preencherá as 86,6% restantes.

A USP decidiu reservar, pela primeira vez, vagas na seleção de calouros utilizando nota do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio).

A melhor universidade do país destinará à iniciativa 13,4% de suas 11.057 vagas em 2016 —10,5% delas só para alunos do ensino público.

As 86,6% restantes continuarão disponibilizadas pelo vestibular da Fuvest.

Haverá uma cota (2%), nas vagas para o ensino público, para pretos, pardos e indígenas autodeclarados.

A reserva de vagas ocorre devido à entrada da USP no Sisu, sistema federal em que alunos disputam a entrada em universidades com base em suas notas no Enem.

Cada faculdade pôde decidir se entraria no sistema e quantas vagas ofertaria.

Não oferecerão reserva de vagas cursos tradicionais da capital paulista como medicina e engenharia. Mas outros, como direito, sim.

Para o reitor da USP, Marco Antonio Zago, a decisão é “histórica”. Mas há em setores da instituição o temor de dar espaço a alunos menos preparados.

O Estado de S.Paulo
"Costa diz que negociou propina com executivo da Odebrecht"

À PF, ex-diretor da Petrobrás detalhou pagamento de US$ 5 mi por ano intermediado por Alexandrino Alencar

Em depoimento à Polícia Federal, ontem, o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa detalhou o pagamento de propina de US$ 5 milhões por ano pela petroquímica Braskem – empresa que tem a Odebrecht como sócia da Petrobras – intermediado pelo diretor da Construtora Norberto Odebrecht Alexandrino Ramos de Alencar. Primeiro delator da Operação Lava Jato, Costa revelou que o doleiro Bernardo Freiburghaus, acusado de operar propina para a empreiteira, foi quem cuidou dos depósitos em contas secretas na Suíça. Alencar trabalhou na Braskem de 2002 a 2007, quando foi transferido para a holding da Odebrecht. Segundo Costa, ele, Alencar e o ex-deputado José Janene (morto em 2010) negociaram o pagamento das propinas. Ontem, Alencar deixou o cargo de diretor de Relações Institucionais da empreiteira e teve prisão temporária prorrogada por mais um dia pelo juiz Sérgio Moro, que conduz os processos da Lava Jato em Curitiba. Em nota, a Braskem afirmou que os pagamentos e contratos com a Petrobras seguiram preceitos legais.

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terça-feira, junho 23, 2015

Dominique

Opinião

De volta

Janio de Freitas
A instabilidade que atinge o governo mudou de lugar. Mudou também de motivação, de forma e de intensidade.

O impeachment calou, por pressão dos mais lúcidos do PSDB contra o rock pauleira de Aécio e sua banda. Enquanto soou, Dilma Rousseff pôde ter noção do volume e da natureza do adversário. Joaquim Levy não tem como fazê-lo: a seu respeito, tudo se passa em sussurros.

Em áreas que esperavam regozijar-se com a nova política econômica do governo, aumentam muito os sinais confiáveis de uma inquietação já vista em ocasiões um tanto distantes, quase esquecidas, mas de fins conhecidos. Foram as fases em que movimentações sub-reptícias corroíam o chão de Delfim Netto, Dilson Funaro, Bresser-Pereira, e tantos outros a quem estiveram atribuídos apoios amplos e a imagem de representatividade de fortes setores empresariais. O capítulo final dessas movimentações foi sempre o mesmo.

Distante de percepções públicas, dissemina-se entre empresários importantes a desconfiança –se não mais– de que Joaquim Levy não é o homem certo no lugar certo. Não falta nem a opinião de que não o é apenas na situação atual de agravamento, mas já não era ao ser escolhido –o que se teria mostrado na ausência de efusividade empresarial quando apresentado por Dilma para a Fazenda.

A aceleração dos indicadores negativos está vista, na inquietação, como evidência de que nada se passa conforme o previsto e dito por Levy, faltando-lhe portanto controle sobre o fundamental. Dessa visão decorrem vários temores, dos quais um dos maiores ainda não teve, por cautela, nem simples menção: o temor de que não se esteja longe de uma quebradeira, que se insinua nas demissões em massa, na redução dos turnos de trabalho e já no encerramento de comércios e indústrias.

O desemprego crescente traz consigo o temor empresarial de reativação do movimento sindicalista, com agitações mais propensas às violências hoje comuns à maioria das manifestações reivindicatórias. Com as próprias previsões da Fazenda, do Planejamento e do Banco Central adiando para o final de 2016 o que Levy anunciava para este ano, tudo já fora de controle –como o desemprego e a inflação– só pode agravar-se e agravar os riscos temidos. E nem ao menos o grande objetivo do "ajuste fiscal" foge à regra da falta de controle, já reduzida a previsão de superávit à metade daquele mínimo que justificou toda a nova política econômica. E a nomeação do próprio Levy.

Não se notam sinais de que o mal-estar com a condução do "ajuste" esteja percebido na Presidência. Se já está, Dilma, ainda que possa querer, não tem muito o que fazer em proteção a Joaquim Levy, por falta de condições políticas e de quaisquer outros possíveis apoios.

Situações como a atual são, às vezes, como jogo de paciência. Às vezes. 

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U.V.

Manchetes do dia

Terça-feira 23 / 06 / 2015

O Globo
"Luiz Inácio falou de novo: Lula diz que PT só pensa em cargos; petistas não reagem"

‘A gente acreditava em sonhos, hoje a gente só pensa em emprego’

Integrantes do partido, que evitaram rebater publicamente as declarações, apostam que o ex-presidente tenta se descolar da presidente Dilma, que ficou irritada com as críticas, segundo relato de um ministro.

Após disparar contra a presidente Dilma e o PT num encontro fechado com religiosos, o ex-presidente Lula atacou publicamente o partido em seminário organizado por seu instituto, em São Paulo, com a presença do ex-primeiro-ministro espanhol Felipe González. “A gente acreditava em sonhos. Hoje a gente só pensa em cargo, em emprego”, disse. Lula afirmou que o partido “perdeu a utopia”: "O PT está velho. Já estou com 69. lá estou cansado, já estou falando as mesmas coisas que falava em 1980."

Segundo um ministro, a declaração de que ele e Dilma já estão “no volume morto” e que o PT está abaixo do “volume morto” chateou a presidente. Alguns petistas, que só comentaram sob anonimato, acham que Lula tenta se descolar de Dilma. 

Folha de S.Paulo
"Só 30% dos brasileiros são a favor da reeleição"

Nos governos Lula, mais da metade apoiava o sistema, diz Datafolha.

Somente três de cada dez brasileiros são hoje favoráveis ao sistema que permite a reeleição para presidente.

É o que mostra pesquisa Datafolha realizada nos dias 17 e 18, que apontou a maior rejeição até agora registrada por Dilma Rousseff: 65%.

Na era do também petista Lula, antecessor de Dilma no cargo, a população dava maior apoio à possibilidade de reconduzir o presidente ao cargo: 65% no primeiro mandato e 58% no segundo.

Na Câmara, a extinção da reeleição foi aprovada em maio por 452 votos a 19.

Para entrar em vigor, a regra precisa passar por nova votação dos deputados e, depois, pelo crivo do Senado.

A pesquisa ainda mostrou que a maioria dos brasileiros reprova a obrigatoriedade do voto: 66%, um recorde — há um ano, eram 61% Mas a Câmara discorda. A proposta de voto facultativo não passou por 311 votos a 134.

O Datafolha perguntou ao eleitor se ele votaria caso não fosse obrigado. De cada dez, seis disseram não. Os mais pobres e menos escolarizados são os que mais deixariam de ir às urnas.

O Estado de S.Paulo
"Diretor da Odebrecht diz ter recebido assessor de doleiro"

O ex-vice-presidente da Braskem e atual diretor da Odebrecht Alexandrino Alencar disse em depoimento ã PF. no dia 12 de maio, que “em quatro ou cinco oportunidades” recebeu Rafael Ângelo Lopez, apontado pela força-tarefa da Operação Lava-Jato como “carregador de malas” de dinheiro do doleiro Alberto Youssef. 

A Braskem é uma sociedade da Petrobras e da Odebrecht no setor petroquímico. Alencar foi preso sexta-feira por ordem do juiz Sérgio Moro, em mais uma etapa da Lava Jato. Ele afirmou que as reuniões com Lopez ocorreram em sua sala na sede da Odebrecht, em São Paulo.

No depoimento à PF – no inquérito que investiga o ex-deputado João Pizzolatti (PP-SC). Alencar contou que se reuniu em pelo menos duas ocasiões em hotéis da capital paulista com o ex-deputado José Janene (PP-PR), morto em 2010 e com o ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa.

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segunda-feira, junho 22, 2015

Dominique

Opinião

Alô Terra, vocês me escutam?

Gabeira
Leio nos jornais que os marqueteiros decidiram humanizar Dilma. Se somos todos humanos, o que significa humanizar Dilma? A chamada humanização foi uma trajetória ascendente, na qual vencemos intempéries naturais, construímos ferramentas, resolvemos complexos problemas da vida social.

Como Dilma é considerada uma das mulheres mais poderosas do mundo, a humanização pretendida pelos marqueteiros é uma espécie de saída do Olimpo. Ela vai parecer agora uma pessoa comum, uma filha de Deus na nossa imensa canoa furada que é o Brasil de hoje. Ao vê-la no seu passeio de bicicleta, convenci-me de que era humana. Deuses não usam capacete. Não se importam em se esborrachar no asfalto com seus etéreos cérebros. Dilma, como todos nós, sabe que um choque pode embaralhar os já congestionados circuitos mentais.

O processo de humanização se desdobrou numa entrevista a Jô Soares, na qual, no Dia dos Namorados, Dilma discorreu sobre o ajuste fiscal e suas preferências de leitura. Ela ainda não se humanizou como Obama, que vai aos programas de televisão. Dilma só dá entrevistas no seu habitat, com os tapetes, livros e, possivelmente, um leve cheiro de mofo do palácio.

O trânsito do divino ao humano é sempre muito complicado. Os islamitas moderados sabem disso. O Corão (surata 9, versículo 5) aconselha matar os politeístas onde quer que se encontrem. Os moderados afirmam que isso é um texto do século VII, vale para um contexto da Península Árabica em guerra. Mas a religião disse que o texto foi ditado por Deus, onisciente e eterno, superior a todas as conjunturas históricas. Afirmar que o texto foi escrito por seres humanos, falíveis, sujeitos às limitações de seu tempo, é assumir o risco da heresia. Não creio que os marqueteiros queriam apenas mostrar a descida de Dilma ao mundo dos humanos, que desfilam em suas bicicletas Specialized cercados de seguranças de terno escuro.

Podemos imaginar outro caminho da humanização. Ele não envolve a relação divino-humano, mas sim a relação entre pessoa e máquinas. Humanizar, nesse caso, seria mostrar que Dilma não é a máquina de processar números e tomar decisões. Ela tem as mesmas preocupações que todos nós e, inclusive, leu a Bíblia na cadeia.

Nesse ponto, acho que o caminho dos marqueteiros não me convence. Se Dilma é vista como máquina de decisões, o aparato precisa de conserto, não de traços humanos. Grande parte de suas análises e decisões foi para o buraco: a máquina nos trouxe a uma das maiores crises da História do país.

Se aceitassem minhas ponderações, o problema dos marqueteiros não seria humanizar Dilma, mas trans-humanizá-la, transformando-a em máquina mais eficiente. Em vez da conversa com Jô que, na cadeia, quando não estamos lendo a Bíblia, chamamos de cerca-lourenço, Dilma deveria estar implantando chips em muitas partes do corpo. Seria capaz de acionar o aparato do governo sem tantos ministros, detectar desvios antes que cheguem a R$1 bilhão, emitir ondas sonoras que acalmem o Congresso.

O projeto de trans-humanizar Dilma não significa que não possa ir ao programa de culinária e mostrar como fritar um ovo. Há chips para isso. Mas todos saberíamos que Dilma não é apenas humana. Como ela quase arruinou nosso sistema energético, vamos confiar apenas no Sol para alimentar os seus dispositivos. Cada vez que ela se aproximar do astro, como o robô europeu Philae, saberemos que busca contato conosco:

— Alô Terra, vocês estão me ouvindo?

Nietzsche escreveu “Humano, demasiadamente humano”, para analisar a morte de Deus e a solidão humana ao decidir sobre o certo e o errado.

Seres humanos andam de bicicleta e aparecem no programa do Jô, pessoal. Mas os marqueteiros de Dilma deveriam considerar aberto o debate sobre sua humanização. Afinal, ela apenas desceria do Olimpo, apenas se distanciaria da máquina?

O Deus bíblico é capaz de fazer perguntas, de ter curiosidade, ao criar os bichos, sobre o nome que Adão daria a eles. Aparentemente, a curiosidade é um dado contraditório num Deus que sabe tudo. Contradição e curiosidade são dados humanos. Se até o Deus bíblico é curioso, por que Dilma não faz perguntas aos seres humanos: o que achamos dela, do seu governo e de seu próprio projeto de humanização. Mesmo uma eficaz máquina trans-humana está arriscada a dizer “Olá Terra, vocês me escutam?”, e ser respondida com um ensurdecedor panelaço.

O que os marqueteiros fariam ainda com Dilma para que pareça humana? Pedalar não vale mais, porque ela está sendo questionada no TCU exatamente por pedalar. Não precisamente na bicicleta, mas nas contas do governo.

A história recente já produziu outro gesto de humanização: o general Garrastazu Médici fazendo embaixadas num campo de futebol. Aprendemos com o marketing político que os seres humanos praticam o futebol e o ciclismo. Chega de humanizar, vamos trans-humanizar, encher os políticos de chips e antenas. Prefiro encontrar Dilma e, ao invés de “bom dia, presidente”, saudá-la com um lugar-comum nos encontros de terceiro grau: “Por favor, leve-me ao seu líder”.

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U.V.

Manchetes do dia

Segunda-feira 22 / 06 / 2015

O Globo
"PF indiciará presidentes de empreiteiras presos"

Delegado diz que provas incriminam executivos de Odebrecht e Andrade Gutierrez

Preocupados, governo e PT discutirão em reuniões esta semana os impactos das investigações

O delegado Igor Romário de Paula, da Operação Lava-Lato, disse que os presidentes da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, e da Andrade Gutierrez, Otávio Azevedo, além de outros dez executivos presos, serão indiciados pela PF esta semana, após serem interrogados. Segundo ele, as provas colhidas já os incriminam. As prisões preocupam o governo e o PT, que discutirão os efeitos da Lava-Jato em reuniões. A Odebrecht pediu habeas corpus para seus funcionários. 

Folha de S.Paulo
"Dilma faz 'pedalada' fiscal mesmo sob a contestação do TCU"

Tesouro mantém neste ano manobra questionada nas contas de 2014 e amplia em R$ 2 bi dívida com bancos

Contestada pelo Tribunal de Contas da União, a "pedalada" fiscal continua em uso pelo governo Dilma, informa Eduardo Cucolo. Uma das manobras para cobrir rombos consiste em atrasar repasse de verba do Tesouro para gastos com programas sociais e financiamento de investimentos a juros baixos.

O represamento melhora o desempenho do gasto oficial, mas Caixa e Banco do Brasil precisam usar recursos próprios. No primeiro trimestre, a dívida com os bancos cresceu R$ 2 bilhões.

O TCU criticou prática parecida nas contas de 2014 e exigiu explicação de Dilma antes de iniciar julgamento. Uma eventual e inédita rejeição dessas pode embasar impeachment da presidente.

A Secretaria do Tesouro não contesta as informações, mas diz que os repasses seguem a programação do orçamento.

O Estado de S.Paulo
"Americanos vão ajudar a investigar Odebrecht"

EUA rastrearão, a pedido de procuradores da Lava Jato, eventuais pagamentos de propina no exterior

O Ministério Público Federal terá ajuda de autoridades dos Estados Unidos – onde está a mais eficiente rede de combate à corrupção do mundo – para tentar desmontar a complexa engrenagem que teria sido usada pela Construtora Norberto Odebrecht para pagar propinas via empresas offshore em nome de terceiros e contas no exterior. A empreiteira é um dos alvos da 14ª fase da Operação Lava Jato, que levou para a cadeia na sexta-feira seu presidente, Marcelo Odebrecht, e outros 11 executivos do grupo e da construtora Andrade Gutierrez – incluindo o presidente, Otávio Azevedo. A pedido dos procuradores brasileiros, órgãos americanos atuarão na triagem de depósitos de propina feitos nas contas do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa. Delator da Lava Jato, ele devolveu US$ 23 milhões, que são uma das provas materiais que o MPF acredita ter do envolvimento da Odebrecht no esquema.

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domingo, junho 21, 2015

Dominique

Opinião

A Lava-Jato no topo do andar de cima

A Odebrecht e a Andrade Gutierrez não são acusadas só pelo "amigo Paulinho" mas também por três dirigentes de empreiteiras

Elio Gaspari
Em outubro passado, quando o “amigo Paulinho” (expressão carinhosa atribuída a Lula) jogou a Odebrecht na frigideira da Lava-Jato, o presidente da empresa, Marcelo Odebrecht, soltou uma nota oficial dizendo o seguinte:

“Neste cenário nada democrático, fala-se o que se quer, sem as devidas comprovações, e alguns veículos da mídia acabam por apoiar o vazamento de informação protegida por lei, tratando como verdadeira a eventual denuncia vazia de um criminoso confesso que é ‘premiado’ por denunciar a maior quantidade possível de empresas e pessoas”.

Passados oito meses, o doutor, bem como Otávio Azevedo, presidente da empreiteira Andrade Gutierrez, estão na carceragem de Curitiba. Ao expedir a ordem de prisão contra eles, o juiz Sérgio Moro deu uma demonstração parcial da quantidade de provas acumuladas pela Polícia Federal e pelo Ministério Publico.

A Odebrecht e a Andrade Gutierrez não são acusadas só pelo “amigo Paulinho” mas também por três dirigentes de empreiteiras, que descreveram o funcionamento do cartel de roedores da Petrobras. Rastreamentos internacionais de depósitos bancários, anotações e mensagens eletrônicas documentaram a ordem de prisão expedida pelo juiz Moro. Diante de tanto material, a nota de outubro parece ter sido produto de um destempero de Odebrecht.

Na lista de presos da Lava-Jato entrou João Antonio Bernardi, que trabalhou na empreiteira e também na Camargo Corrêa. Durante algum tempo ele esteve na empresa Hayley, que mimou o diretor da Petrobras Renato Duque com R$ 500 mil em obras de arte. Talvez Bernardi tenha algo a contar. A polícia e os procuradores certamente têm o que perguntar.

Por mera curiosidade, ele poderá esclarecer um episódio. Há algum tempo, carregando uma maleta na avenida Chile, a caminho da Petrobras, teria sido assaltado. O pivete levou a maleta e ele teria apresentado queixa à polícia. O que carregava, não se sabe.

No meio de tanta gente boa metida nas petrorroubalheiras, o ladrão da maleta pode ter sido o único que, como o J. Pinto Fernandes do poema “Quadrilha”, de Carlos Drummond, “não tinha entrado na História”.

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U.V.

Manchetes do dia

Domingo 21 / 06 / 2015

O Globo
"Cardozo rebate Moro e diz que é ‘descabido’ punir empresas"

Um dia após as prisões dos presidentes da Odebrecht e da Andrade Gutierrez, o ministro da Justiça José Eduardo Cardozo, afirmou que seria “descabido" impedir a participação das empresas em licitações antes do fim das investigações. 

Foi uma resposta ao juiz Sérgio Moro, para quem a inclusão das construtoras no programa de concessões lançado pela presidente Dilma representa risco de continuidade do esquema de corrupção. Cardozo disse que as prisões não preocupam o ex-presidente Lula e Dilma, que, segundo ele, “é reconhecidamente honesta”. O presidente da Andrade Gutierrez, Otávio Azevedo, pediu habeas corpus à Justiça. 

Folha de S.Paulo
"Rejeição a Dilma atinge nível de Collor pré-impeachment"

Índice da petista sobe para 65%; reprovação de ex-presidente era 68% em 1992

Perto de completar seis meses, o segundo mandato da presidente Dilma Rousseff é considerado ruim ou péssimo por 65% dos brasileiros. Segundo pesquisa Datafolha, trata-se da maior taxa de impopularidade da petista desde o início de 2011. A rejeição recorde ocorre em meio a ajustes que afetam patrões e empregados; desemprego e inflação em alta e risco de não aprovação das contas de 2014 pelo Tribunal de Contas da União. Na pesquisa anterior, de abril, a rejeição era de 60%. A taxa de reprovação de Dilma se aproxima da de Fernando Collor em setembro de 1992. Os 68%, pouco antes de ele ser afastado por impeachment, são o pior índice de um presidente na série de levantamentos do Datafolha, iniciada em 1990.

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