sábado, junho 06, 2015

Dominique

Opinião

O preço da gestão desastrosa

Estadão
Ainda que consiga atenuar as perdas financeiras e de credibilidade causadas pelo esquema de rapinagem apurado pela Operação Lava Jato, a Petrobrás continuará tendo sérias dificuldades para executar seus programas de prospecção, produção, refino e distribuição, como ela própria reconhece oficialmente.

Os preços dos derivados de petróleo, bem como seu programa de investimentos, continuarão sujeitos a decisões de seu controlador, o governo federal, razão pela qual a estatal poderá ser forçada a colocar em segundo plano a busca de seus objetivos para atender aos interesses do Palácio do Planalto. Isso afeta suas projeções financeiras. A primeira consequência é que ela não conseguirá executar seu ambicioso programa de investimentos contando apenas com o fluxo operacional de caixa. Precisará de dinheiro de outras fontes, como aportes de seu controlador – o Tesouro Nacional – ou financiamentos internacionais.

Também em crise financeira, o Tesouro precisa cortar suas despesas e não terá como financiar os investimentos da estatal no volume e na velocidade requeridos pelo programa de pesquisa e exploração.

O mercado financeiro parece disposto a emprestar para uma empresa que, apesar de sua profunda crise no momento, tem boas perspectivas de crescimento. Mas só empresta a juros em que incorrem as empresas de baixa credibilidade, como é hoje a Petrobrás.

A surpreendente operação de US$ 2,5 bilhões com bônus de 100 anos que a empresa acaba de concluir mostra isso. É sua primeira captação internacional desde março do ano passado, quando o bilionário esquema de corrupção começou a ser conhecido. Mas o custo da operação, de 8,45% ao ano, é o de empresas com classificação ruim pelas agências de avaliação de risco. Empresas e governos confiáveis pagam bem menos, como fez o México, que em abril captou € 1,5 bilhão pagando 4,2% ao ano.

O imenso poço de problemas em que foi transformada por seu continuado uso político pelo governo petista e, sobretudo, pelo esquema de corrupção está em parte descrito com realismo no documento que a Petrobrás encaminhou na semana passada à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), relatando sua atual situação econômico-financeira e apontando os fatores de risco que podem comprometer seu desempenho no futuro próximo.

Trata-se do Formulário de Referência, documento que as empresas que emitem ações precisam entregar à CVM no prazo de cinco meses após o encerramento do exercício financeiro. Ele contém, entre outras, informações sobre mudanças na estrutura de capital, dados financeiros e fatores de risco sobre as operações e os resultados futuros.

No documento, a Petrobrás reconheceu que poderá “não ser capaz de compensar totalmente as perdas acumuladas” entre o fim de 2010 (fim do governo Lula e época da primeira eleição de Dilma Rousseff para a Presidência da República) e o terceiro trimestre do ano passado (já no fim do primeiro mandato de Dilma) por causa do controle do preço dos combustíveis, sempre menor do que o preço do mercado internacional. Estima-se que essas perdas alcancem US$ 80 bilhões.

Na área financeira, não só os novos financiamentos que a Petrobrás venha a obter ficarão mais caros. Nos próximos cinco anos vencerão US$ 76,8 bilhões das dívidas da estatal. Boa parte poderá ser refinanciada, mas a taxas flutuantes, que refletirão o rebaixamento da classificação de risco da empresa. Assim, o custo da dívida tende a aumentar. “A menos que haja aumento dos preços de venda dos produtos de modo a refletir a depreciação, a geração de caixa pode sofrer impacto negativo ao mesmo tempo em que se observa a elevação do endividamento”, alerta o documento encaminhado à CVM.

Em resumo, com fluxo de caixa insuficiente, a empresa precisa de financiamento; mas, tendo tido sua nota rebaixada, o financiamento fica cada vez mais caro. Por sua vez, o reajuste dos combustíveis ajudaria, mas alimentaria uma inflação já muito alta. Assim, investimentos e metas de produção estão ameaçados.

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U.V.

Manchetes do dia

Sábado 6 / 06 / 2015

O Globo
"CNJ faz mutirão para esvaziar cadeias do país"

Iniciativa, com apoio das Defensorias, prevê liberação de usuários de drogas

Autoridades serão obrigadas a levar acusados à presença de um juiz em até 24 horas após prisão

Contrariando o clamor por penas mais duras, o Conselho Nacional de Justiça e as Defensorias Públicas fazem uma ofensiva para tentar esvaziar as cadeias, que sofrem com a superlotação. A iniciativa mais polêmica foi da Defensoria do Rio, que orientou sua equipe a alegar que todas as prisões de usuários de droga no estado são inconstitucionais, informa CHICO OTAVIO. Para isso, considera que o consumo é decisão de foro íntimo. O CNJ lançou projeto que obriga autoridades a levar um acusado ao juiz em até 24 horas. Em oito anos, a população carcerária no país cresceu 87,7%. 

Folha de S.Paulo
"Dívidas de fornecedores da Petrobras crescem 1.400%"

Em quatro meses, débitos de construtoras e estaleiros subiram para R$ 412 mi 

As dívidas das empresas prestadoras de serviço da Petrobras cresceram1.424% em quatro meses. No final de abril, os débitos com cerca de cem fornecedores atingiram R$ 411,5 milhões. Em dezembro, eram de R$ 27 milhões, segundo associação da indústria d e máquinas.

A indefinição sobre o plano de investimento da estatal e a crise financeira das empreiteiras investigadas na Operação Lava Jato levaram ao aumento do endividamento dessas companhias, que são, em sua maioria, construtoras, empresas de engenharia e estaleiros.

Das 27 firmas impedidas de fazer contratos coma Petrobras por causa da Lava Jato, 21 constam da lista de devedores, entre elas Engevix, Galvão Engenharia e Odebrecht. Os passivos foram gerados nas principais obras da estatal, como refinarias e fábrica de fertilizantes.

Os principais credores são fabricantes de equipamentos como tubulações, caldeiras e compressores. Algumas empresas tiveram de alugar galpões para estocar a mercadoria parada. Outras foram obrigadas a demitir ou reduzir o turno de trabalho.

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sexta-feira, junho 05, 2015

Electra II


Coluna do Celsinho

Berço esplêndido

Celso de Almeida Jr.

Estados soberanos e autônomos.
Poder central limitado.
Respeito aos direitos do indivíduo.
Blindagem contra a tirania.
Nada de impostos sem a anuência do povo.
Cidadãos governados por quem tem legitimidade para tal.
Proteção de direitos e liberdades contra ações do próprio governo.
Defender o povo quando tais direitos são ameaçados.
Constituição para governar o governo, não para governar as pessoas.
Constituição limitadora de poderes do governo federal.
Respeito à autonomia dos estados membros.
Descentralização do poder para os estados membros.
Estados membros livres, competindo uns com os outros.
Competição econômica, cultural e social, estimulando e definindo competências.
Competição entre empresas, estados e cidades aumentando o nível de excelência.
Economia sofisticada.
Cidades líderes mundiais em setores diversos.
Diversificação de iniciativas.
Pois é...
Acima, frases que sintetizam o berço norte americano.
Esplêndido, saudável, promissor.

Visite: www.letrasdocelso.blogstpot.com

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Dominique

Opinião

A agonia de um segredo

Gabeira
Quando surgiu, achei grave e um pouco subestimado o veto de Dilma ao projeto de transparência nos negócios do BNDES. Ela entrou em conflito com o Congresso. Dias depois, o próprio Supremo autorizou o Tribunal de Contas a ter acesso aos empréstimos à Friboi, empresa que financia generosamente as campanhas do PT.

Em qualquer país onde o governo entre em choque com o Congresso e o Supremo o tema é visto como uma crise institucional. Como se não bastasse, Dilma entrou numa terceira contradição, desta vez consigo mesma: partiu dela a lei que libera o acesso aos dados públicos.

O ministro Luiz Fux (STF) sintetizou seu voto numa entrevista: num banco que move dinheiro público, o segredo não é a arma do negócio.

O PT tem razão para temer a transparência. Súbitos jatos de luz, como a denúncia do mensalão e, agora, do petrolão, abalaram seus alicerces. No caso do BNDES, não se trata da possibilidade de escândalos. É uma oportunidade para conhecer melhor a história recente.

Empresas amigas como a Friboi e a Odebrecht, governos amigos como os de Cuba e Venezuela, foram contemplados. Em ambos, a transparência vai revelar o viés ideológico dessa orientação. Um porto em Cuba, um metrô em Caracas são apenas duas escolhas entre mil possibilidades de usar o dinheiro. Para discutir melhor é preciso conhecer os detalhes. Na campanha Dilma mentiu sobre eles, ocultando o papel de fiador do Brasil.

O que sabemos da Friboi? Os dados indicam que destinou R$ 250 milhões a campanhas do PT. Teremos direito de perguntar sobre os detalhes do empréstimo do BNDES e até desconfiar de seus elos com campanhas eleitorais.

A análise da política do governo deverá estender-se à sua fracassada tentativa de criar empresas campeãs. Quem foram e quem são os parceiros, que tipo de transação? Como dizia Cazuza, mostre sua cara, qual é o seu negócio, o nome do seu sócio.

No momento do veto prevaleceu uma certa Dilma. Mas a outra Dilma, a que mandou a lei de acesso, é que estava no rumo certo da História. Não só porque a transparência é um desejo da sociedade, mas porque a tecnologia estreita o espaço do segredo.

Os debates nos EUA concentram-se hoje numa restrição à vigilância de indivíduos, sem licença judicial. Mas chegam a essa discussão graças a Edward Snowden, que revelou os próprios segredos do governo.

Ironicamente, Dilma foi espionada pelos EUA e decreta o sigilo nos dados de um banco que movimenta recursos públicos. Sou solidário com ela no primeiro episódio. Evidente que seria atropelada no segundo. Esta semana começou a ensaiar a retirada, via Ministério do Comércio, que vai disponibilizar dados das transações internacionais e algumas nacionais.

O PT deveria meditar sobre o segredo. Ele foi detonado pela quebra do segredo entre quatro paredes, no mensalão. Agora, no caso da Petrobrás, entraram em cena novos mecanismos de investigação, melhor tratamento dos dados.

Nos primeiros meses de governo, já tinha uma visão do PT. Nem todos a compartilhavam, pois o partido venceu três eleições depois de 2002. Aos poucos, os momentos de transparência sobre os escândalos foram criando uma percepção nacional sobre o tipo de governo que se implantou no Brasil.

Não há dúvidas de que os segredos do BNDES serão revelados. Sociedade, Congresso e Supremo caminham numa mesma direção. E o próprio governo começa a abri-los.

É um elo para a compreensão do papel do PT. Embora ainda não tenha os dados completos, já posso afirmar que o BNDES financiou pobres e ricos. Mas ambos, os pobres de socialismo, como os ricos aqui, do Brasil, são escolhidos entre os amigos do governo. De um modo geral, o processo foi de financiar amigos ricos para que construam para os amigos pobres.

Tanto a Friboi como a Odebrecht fazem parte dessa constelação política econômica que dominou o fluxo dos investimentos do BNDES. Isso teve repercussão nas campanhas eleitorais. De um lado, o Bolsa Família assegurava a simpatia dos eleitores: de outro, a bolsa dos ricos contribuía para as campanhas do tipo vivemos num paraíso. Contribuía, porque hoje sabemos que outras fontes menos sutis, como o assalto à Petrobrás, injetavam fortunas no esquema.

Falou-se muito no petrolão como o maior escândalo da História, mobilizando pelo menos R$ 6 bilhões. Quando todos os segredos, inclusive os do fundo de pensão, forem revelados, não importa a cifra astronômica que surgir daí: o grupo brasileiro no poder é o mais voraz em atuação no planeta. Não posso imaginar salvação depois da conquista desse título.

O PT e aliados podem continuar negando, na esperança de que o tempo amenize tudo. É uma tática de avestruz. Será que não se dão conta de que apenas um décimo da população os aprova hoje? O que será do amanhã, quando quase todos saberão quase tudo sobre o que fizeram com o País?

Nesta paisagem de terra arrasada, a economia é apenas uma das variáveis. O processo político degradou-se, os valores foram embrulhados por uma linguagem cínica, a credibilidade desapareceu já há tempo. O Brasil pode até conviver com esse governo, que tem mandato de quatro anos. Mas não creio que mude de opinião sobre ele, alternando momentos de um desprezo silencioso com as manifestações de hostilidade.

Um governo nasce morto e a lei nos determina um velório de quatro anos. Muito longos, até os velórios costumam ser animados. E algo que anima este velório é a revelação dos últimos segredos, como o sigilo do BNDES e tantas outras linhas de suspeita que foram indicadas nas investigações da Petrobrás. E daqui por diante nem o futebol será uma distração completa. A cúpula da Fifa transitou de um hotel cinco-estrelas para uma cela de prisão. Imprevisíveis roteiros individuais rondam os donos do poder. E essa história ainda será escrita com todas as letras.

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U.V.

Manchetes do dia

Sexta-feira 5 / 06 / 2015

O Globo
"Varejo tenta segurar reajustes da indústria"

Supermercados pressionam fornecedores para barrar aumento de até 15%

Pressão é maior em produtos afetados diretamente pelo dólar, como importados, higiene e limpeza

Com inflação e dólar em alta e vendas em baixa, supermercados pressionam fornecedores para barrar novos aumentos. A estratégia para não perder clientes num cenário de economia fraca inclui repasses escalonados e compras em volume maior. Indústrias de alimentos e produtos de limpeza tentam impor alta de até 15%. Para Aylton Fornari, presidente da Associação de Supermercados do Estado do Rio, momento é de "negociação acirrada”. 

Folha de S.Paulo
"Empreiteiras da Lava Jato querem pagar por perdão"

Empresas oferecem pagamento de indenização integral desde que se livrem de culpa

Empreiteiras envolvidas no esquema de corrupção da Petrobras tentam convencer o governo a perdoá-las da culpa pelos danos à estatal em troca do pagamento integral das indenizações.

Os acordos em negociação atualmente não devem prosperar porque as construtoras correm o risco de serem condenadas pela Justiça, ficando impedidas de fazer negócios com o governo —o que poderia levar muitas dessas empresas à falência

Pela proposta, as negociações de ressarcimento à estatal e à União seriam transferidas da CGU (Controladoria-Geral da União) para a AGU (Advocacia-Geral da União).

A vantagem é que na AGU as empreiteiras ficariam livres de culpa ao pagar seus débitos à vista. Só esse órgão tem autoridade para fazer esse tipo de acordo.

O projeto foi apresentado aos ministérios da Fazenda e Previdência Social.

O acordo garantiria o andamento de obras de infraestrutura e evitaria demissões. O governo, porém, tem reservas, já que pode passar a ideia de que Dilma salvará autores de delitos.

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quinta-feira, junho 04, 2015

Dominique

Opinião

Lições do Haiti

Estadão
Chegará ao fim no ano que vem a missão de paz da ONU no Haiti, chefiada pelo Brasil e cercada de ambiguidades ao longo de seus 11 anos. Vista desde o governo de Luiz Inácio Lula da Silva como uma oportunidade para demonstrar a capacidade do Brasil de atuar em importantes questões internacionais, a operação naquela nação caribenha acabou servindo como um foco de desgaste para o País, sem que isso aumentasse o cacife brasileiro para se apresentar, de fato, como protagonista geopolítico regional.

A iniciativa, chamada de Minustah (Missão para a Estabilização do Haiti), começou sua operação em julho de 2004, com duração prevista de seis meses. Seria o prazo ideal, pois a permanência de forças estrangeiras por tempo além do necessário tende a gerar na população ressentimentos difíceis de superar. Mas já se vai mais de uma década, com óbvios prejuízos para a imagem do Brasil.

Embora esteja apenas exercendo um mandato da ONU, o Brasil, além de ter o maior contingente de soldados (1.200) e de chefiar a missão, foi o país que mais se esforçou para se identificar com o Haiti, de modo a justificar o tamanho de seu engajamento. Não era apenas uma missão de paz – era um resgate histórico, segundo a narrativa lulopetista. Como tem acontecido desde que o PT chegou ao poder, o Brasil não se contenta em apenas cumprir as missões para as quais é convocado. É preciso cercá-las de importância transcendental.

O objetivo era facilitar que o Brasil fosse levado a sério como candidato a uma vaga no Conselho de Segurança da ONU. Na verdade, o País, impulsionado pela “diplomacia ativa e altiva” dos anos Lula, acabou ajudando a concretizar uma intervenção militar. Entrementes, o então chanceler brasileiro, Celso Amorim, declarava que a participação do Brasil era o preço a pagar para “viver num mundo pacífico”.

A missão da ONU surgiu depois que uma revolta derrubou o presidente Jean-Bertrand Aristide, em fevereiro de 2004. Dias antes da deposição, o Grupo do Rio emitiu um comunicado em que seus integrantes – entre os quais o Brasil – manifestavam “apoio ao presidente constitucionalmente eleito, Jean-Bertrand Aristide”. Pouco depois da queda de Aristide, no entanto, o Brasil, contrariando seus propalados princípios de não intervenção, ofereceu-se à ONU para integrar e chefiar a tropa que seria enviada ao Haiti para impor a paz.

Tal envolvimento – que tratou como uma questão de segurança internacional um complexo problema de disputa de poder local, e ademais se estendeu muito além do previsto inicialmente – causou mal-estar até mesmo entre alguns petistas, que não deixaram de apontar indícios de “imperialismo” na intervenção.

O objetivo dos pouco mais de 7 mil soldados da ONU, sob a chefia do Brasil, era, em princípio, restabelecer alguma forma de normalidade e garantir a transição democrática. Não tardou, porém, para que a missão fosse equiparada a uma força de ocupação estrangeira – especialmente porque a “estabilização” se resumiu basicamente a garantir a segurança em favelas e a ajudar a calar protestos da oposição e de movimentos populares.

O caráter humanitário, previsto como um dos objetivos do Brasil, ficou em segundo plano. “Cada vez que o povo se mobiliza contra a corrupção, a má governança e a fraude, a Minustah é usada para reprimir a população”, disse o senador haitiano Jean Charles Moise em denúncia apresentada ao Senado brasileiro no último dia 21.

Seria um erro considerar que a Minustah tenha sido um fracasso, especialmente se considerarmos seu papel na restauração das instituições do Estado haitiano, na recuperação do tecido social do país e na ajuda essencial após o terrível terremoto de 2010. No entanto, é lícito questionar, como fazem os haitianos, até que ponto se pode atribuir a missões militares como essa a capacidade de colocar um país como o Haiti no caminho da democracia plena, sem que isso acabe remetendo à histórica pretensão das potências de impor sua ordem em nações periféricas.

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U.V.

Manchetes do dia

Quinta-feira 4 / 06 / 2015

O Globo
"Número de presos subiu 87% em oito anos no país"

Déficit de vagas nas penitenciárias cresceu 139% entre 2005 e 2013

Quatro em cada dez detentos não estão condenados, o que agrava a superlotação

Enquanto o Congresso debate o endurecimento de penas, a superlotação nos presídios se agrava. Dados divulgados ontem pelo governo, sobre pesquisa feita em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, mostram que a população carcerária no Brasil cresceu 87,7% em oito anos. No mesmo período, o déficit de vagas aumentou 139%. A pior situação é a de Alagoas, onde há 3,7 presos para cada vaga.

No Rio, há dois detentos por vaga. Minas Gerais foi o estado em que o aumento do número de presos foi maior no país: 729%. No país, 40% das vagas são ocupadas por presos que ainda não foram condenados. 

Folha de S.Paulo
"Com taxa de desemprego em alta, BC eleva juros"

Selic sobe 0,5 ponto e vai a 13,75% ao ano; cresce parcela de desempregados

Apesar dos sinais de que a economia brasileira está em recessão, o Banco Central elevou mais uma vez a taxa básica de juros, a Selic, em 0,5 ponto percentual, para 13,75% ao ano. É o sexto aumento consecutivo desde a reeleição da presidente Dilma Rousseff, em outubro do ano passado.

Além disso, a instituição indicou que continuará a elevar a Selic para colocar a inflação na meta de 4,5% no final do próximo ano

Nos últimos 12 meses encerrados em abril, o IPCA (índice oficial da inflação) acumula alta de 8,17%.

Horas antes da decisão, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, afirmou que é importante que o Banco Central continue “vigilante”.

O aumento dos juros ocorre num momento de piora do mercado de trabalho. Segundo o IBGE, a taxa no país subiu para 8% no trimestre encerrado em abril —a maior da série histórica, iniciada em 2012. Em igual período do ano anterior, estava em 7,1%.

Com a queda da renda, mais pessoas passaram a procurar emprego, mas a geração de vagas não foi suficiente para absorver a demanda. 

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quarta-feira, junho 03, 2015

Dominique

Opinião

Aritmética

Delfim Netto
O grande problema da sociedade brasileira é a sua indisposição com as restrições impostas pelo mundo físico em que vive.

Não aceita que seja impossível violar as identidades da contabilidade nacional e que todas as tentativas de fazê-lo sempre terminarão numa dramática combinação: 1º) redução do crescimento econômico; 2º) dificuldade de prosseguir na necessária política de igualdade de oportunidades; 3º) aceleração da taxa de inflação e 4º) deficits exagerados do balanço em conta corrente. Tudo temperado por um bom desequilíbrio fiscal!

As consequências sempre chegam depois. Mais cedo ou mais tarde, uma correção será imposta por motivos internos (quando a visibilidade do desastre for incontornável) ou externos (quando a perda de confiança dos credores estancar o financiamento).

O grave é que ela começa com o pagamento do seu custo mais trágico: o aumento do desemprego do cidadão que confiou no poder incumbente e ganhava honestamente o seu sustento e o da sua família. O sofrimento é grande, mas não é terminal: o Brasil já passou por isso dezenas de vezes e está aqui, caminhando para ser a oitava economia do mundo em paridade do poder de compra. Vamos fazê-lo de novo.

Por outro lado, um grande número de nossos intelectuais recusa as lições de história.

Insiste na afirmação de que conhece um caminho alternativo para sair da crise "sem lágrimas". Acredito que eles não suspeitam, sequer, os problemas de coordenação de uma sociedade complexa, a despeito da tragédia em que terminou o generoso projeto inicial da construção do socialismo na URSS e de seus satélites.

Infelizmente, o socialismo "real" é muito inferior ao capitalismo "real" ao qual, aliás, não faltam defeitos...

Não há melhor prova do superficial entendimento da maioria dos deputados com relação ao "ajuste fiscal" (que é um instrumento, não um fim) do que o contrabando da emenda que restringiu o uso do "fator previdenciário". Ele revela a demagógica solidariedade eleitoral que despreza a aritmética elementar e que, no final do dia, acabará prejudicando àqueles a quem enganou enquanto fingia proteger.

É evidente que a Previdência Social é um fundo de solidariedade absolutamente necessário para dar alguma tranquilidade aos trabalhadores na sua velhice, com transferência de renda que mitigam as necessidades dos menos favorecidos. Mas é evidente, também, que o equilíbrio atuarial entre o seu valor presente tem que ser igual ao valor presente das aposentadorias futuras. E só há duas soluções para o desequilíbrio: 1ª) fixar uma idade mínima da aposentadoria ligada à expectativa de vida ou 2ª) aumentar a taxa de contribuição do trabalhador... 

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U.V.

Manchetes do dia

Quarta-feira 3 / 06 / 2015

O Globo
"Odebrecht obteve 70% do crédito à exportação"

Divulgação de dados mostra concentração para a empreiteira

Pressionado, banco detalha US$ 11,9 bilhões em operações no exterior e R$ 320 bilhões no Brasil

O BNDES tornou público, ontem, detalhes de 153 empréstimos à exportação de serviços de engenharia, ou seja, crédito subsidiado para empreiteiras brasileiras executarem obras públicas no exterior. O grupo Odebrecht concentra 70% dos valores contratados desde 2007. No total, o banco emprestou US$ 11,9 bilhões, sendo 99,4% para cinco grandes empreiteiras: além da Odebrecht, Andrade Gutierrez, Queiroz Galvão, OAS e Camargo Corrêa. O BNDES divulgou ainda dados de R$ 320 bilhões em créditos no Brasil. A iniciativa veio após pressão por transparência. Recentemente, o STF determinou que o banco detalhasse uma operação ao TCU. 

Folha de S.Paulo
"Escândalo derruba presidente da Fifa"

No cargo desde 1998, Blatter renuncia 4 dias após se reeleger e em meio a investigação sobre corrupção no futebol

Joseph Blatter, 79, renunciou à presidência da Fifa, entidade máxima do futebol , em meio ao maior escândalo de corrupção da história do esporte. “Sinto não ter o apoio do mundo do futebol.” (...) Na semana passada, operação policial na Suíça prendeu sete dirigentes ligados à Fifa, entre eles José Maria Marin, ex-chefe da CBF , acusados de crimes como fraude e lavagem de dinheiro. No Brasil, o presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, buscou apoio de aliados. Relatório dos EUA indica que ele dividiu propina com Marin ao negociar direitos sobre a Copa do Brasil. 

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terça-feira, junho 02, 2015

Dominique

Opinião

A Batalha de Um Homem Só

Mário Vargas Llosa
“Nos anos setenta teve lugar um extraordinário fenômeno de confusão política e delírio intelectual que levou um setor importante da inteligência francesa a apoiar e mitificar Mao e a sua “revolução cultural”, ao mesmo tempo que, na China, os guardas vermelhos faziam passar pelas forcas caudinas professores, pesquisadores, cientistas, artistas, jornalistas, escritores, promotores culturais, dos quais um bom número, depois de autocríticas arrancadas sob tortura, se suicidou ou foi assassinado. No clima de exacerbação histérica que, alentada por Mao, percorreu a China, destruíram-se obras de arte e monumentos históricos, cometeram-se abusos iníquos contra supostos traidores e contrarrevolucionários, e a milenar sociedade experimentou uma orgia de violência e histeria coletiva que resultou em cerca de 20 milhões de mortos.

Em um livro que acaba de publicar, Le Parapluie de Simon Leys (o guarda-chuva de Simon Leys), Pierre Boncenne descreve como, enquanto isso ocorria no gigante asiático, na França eminentes intelectuais, como Sartre, Simone de Beauvoir, Roland Barthes, Michel Foucault, Alain Peyrefitte e a equipe de colaboradores da revista Tel Quel. dirigida por Philippe Sollers, apresentavam “a revolução cultural” como um movimento purificador, que poria fim ao stalinismo, purgaria o comunismo da burocratização e do dogmatismo e instalaria a sociedade comunista livre e sem classes.

Um sinólogo belga chamado Pierre Ryckmans, que assinaria seus livros com o pseudônimo Simon Leys, até então desinteressado pela política – dedicou-se a estudar poetas e pintores chineses clássicos e a traduzir Confúcio –, horrorizado com o engodo em que sofisticados intelectuais franceses endeusavam o cataclismo que a China padecia sob a batuta do Grande Timoneiro, decidiu enfrentar aquele grotesco mal-entendido e publicou uma série de ensaios – incluindo Les Habits Neufs du Président Mao, Ombres Chinoises, Images Brisées,La Fôret en Feu – revelando a verdade do que ocorria na China e enfrentando, com grande coragem e conhecimento direto do tema, o endeusamento que faziam da “revolução cultural”, levados por uma mistura de frivolidade e ignorância, não isenta de certa estupidez, muitos ícones culturais da terra de Montaigne e Molière.

Os ataques de que Simon Leys foi alvo por atrever-se a ir contra a corrente e desafiar a moda ideológica reinante em boa parte do Ocidente, que Pierre Boncenne documenta em seu fascinante livro, dão vergonha alheia. Escritores de direita e de esquerda, nas páginas de publicações respeitáveis como Le Nouvel Observateur e Le Monde, cobriram-no de impropérios – entre os quais, obviamente, não faltou o de ser um agente e de trabalhar para os americanos –, e o que mais deve ter doído nele, por ser católico, foi que revistas franciscanas e lazaristas se negassem a publicar suas cartas e artigos explicando por que era uma ignomínia conservadores como Valéry Giscard d’Estaing e Jean d’Ormesson e progressistas como Jean-Luc Godard, Alain Badiou e Maria Antonietta Macciocchi considerarem Mao o “gênio indiscutível do século vinte” e “o novo Prometeu”. Nunca foi tão certa como naqueles anos a frase de Orwell: “O ataque consciente e deliberado contra a honestidade intelectual vem sobretudo dos próprios intelectuais”. Poucos foram os intelectuais franceses daqueles anos que, como um Jean-François Rével, mantiveram a cabeça fria, defenderam Simon Leys e se negaram a participar daquela farsa que via a salvação da humanidade na barafunda genocida da revolução cultural chinesa.

A silhueta de Simon Leys que emerge do livro do Pierre Boncenne é a de um homem fundamentalmente decente, que, contra sua vocação primeira – a de um estudioso da grande tradição literária e artística da China, fascinado pelas lições de Confúcio –, se vê empurrado a mergulhar no debate político em que, por sua limpeza moral, deve enfrentar praticamente sozinho uma corrente coletiva encabeçada por eminências intelectuais, para dissipar um emaranhado de mentiras que os grandes malabaristas da correção política tinham transformado em axiomas irrefutáveis. Terminaria por sair vitorioso daquele combate desigual, e o mundo ocidental acabaria aceitando que a “revolução cultural”, longe de ser o sobressalto libertador que devolveria ao socialismo a pureza ideológica e o apoio militante de todos os oprimidos, foi uma loucura coletiva, inspirada por um velho déspota que se valia dela para se livrar dos adversários dentro do próprio partido comunista e consolidar seu poder absoluto. Leys se atreveu a desafiar a moda ideológica que imperava em boa parte de Ocidente.

O que restou de tudo aquilo? Milhões de mortos, inocentes de toda índole sacrificados por jovens histéricos que viam inimigos do proletariado em toda parte, e uma China que, diametralmente oposta ao que queriam fazer dela os guardas vermelhos, é hoje uma sólida potência capitalista autoritária que levou o culto do dinheiro e do lucro a extremos vertiginosos.

O livro de Pierre Boncenne ajuda a entender por que a vida intelectual de nosso tempo foi empobrecendo e se afastando cada vez mais do resto da sociedade, sobre a qual agora quase não exerce influência, e que, confinada nos guetos universitários, monologa ou delira extraviando-se frequentemente em logomaquias pretensiosas desprovidas de raízes na problemática real, expulsas dessa história a que tantas vezes recorreram no passado para justificar alienações delirantes como esse fascínio pela “revolução cultural”.

Não há motivo para se alegrar com o desprestígio dos intelectuais e sua escassa influência na vida contemporânea. Porque isso significou a desvalorização das ideias e de valores indispensáveis como os que estabelecem uma fronteira clara entre a verdade e a mentira, noções que hoje andam confundidas na vida política, cultural e artística, algo perigosíssimo, pois a derrocada das ideias e dos valores, aliada à revolução tecnológica de nosso tempo, faz da sociedade totalitária fantasiada por Orwell e Zamiatin uma realidade possível em nossos dias. Uma cultura em que as ideias importam pouco condena a sociedade ao desaparecimento do espírito crítico, essa vigilância permanente sobre o poder, sem a qual toda democracia corre o risco de desmoronar.

É preciso agradecer a Pierre Boncenne por ter escrito essa reabilitação de Simon Leys, exemplo de intelectual honesto que nunca perdeu a vontade de defender a verdade e diferenciá-la das mentiras capazes de distorcê-la ou aboli-la. Já no livro que dedicou a Revel, Boncenne tinha demonstrado seu rigor e sua lucidez, que agora confirma com seu último ensaio.

Clique aqui e saiba quem é Mário Vargas Llosa.

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U.V.

Manchetes do dia

Terça-feira 2 / 06 / 2015

O Globo
"Congresso quer reduzir poder do Planalto sobre estatais"

Presidentes de empresas e bancos públicos poderão precisar do aval do Senado

Sem participação do governo, a proposta foi apresentada por Renan Calheiros e Eduardo Cunha, que anunciaram a intenção de tentar aprovar o texto nas duas Casas antes do recesso de julho

Os presidentes do Senado, Renan Calheiros, e da Câmara, Eduardo Cunha, ambos do PMDB, apresentaram projeto que torna mais rígidas as regras sobre as estatais, tirando poder da Presidência da República. O texto prevê, entre outras medidas, que indicados a presidir empresas e bancos públicos sejam submetidos a sabatina no Senado e proíbe ministros de integrarem conselhos de administração de estatais. A proposta também impede que dirigentes tomem decisões contrárias aos acionistas minoritários e exige de indicados para integrar conselhos e diretorias experiência prévia em gestão empresarial de pelo menos cinco anos em companhias do mesmo porte. Cunha e Renan anunciaram que pretendem aprovar o projeto, que chamaram de Lei de Responsabilidade das Estatais, nas duas Casas antes do recesso de julho. O Planalto não quis se pronunciar. 

Folha de S.Paulo
"EUA ligam o número 2 da Fifa a propina, afirma jornal"

Valcke transferiu US$ 10 mi usados em esquema de corrupção, segundo ‘NYT'

A Justiça dos EUA investiga o envolvimento de Jérôme Valcke, secretário-geral da Fifa, no esquema de corrupção no futebol que eclodiu na semana passada, após operação policial que prendeu na Suíça sete dirigentes ligados à entidade. Segundo o jornal “The New York Times”, funcionários do governo americano apontam Valcke como responsável pela transferência de US$ 10 milhões (cerca de R$ 32 milhões) usados para o pagamento de propinas. Valcke é o braço direito de Joseph Blatter, presidente da Fifa, reeleito na sexta (29) para seu quinto mandato. 

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segunda-feira, junho 01, 2015

Dominique

Opinião

Podridão

A edição internacional do “New York Times” publicou uma foto patética dos empregados do hotel estendendo lençóis para tapar os executivos sendo levados para a prisão

Luis Fernando Veríssimo
“Pourriture”, era o título do editorial de primeira página do “L’Equipe”, jornal de esportes francês, sobre esse escândalo da Fifa. “Porcaria” seria a tradução mais correta; “podridão”, a mais adequada. Da porcaria algo ainda pode ser resgatado: a história da Fifa está cheia de porcaria perdoada ou esquecida. Da podridão nada se salva.

O Blatter não esteve diretamente envolvido na ação policial que prendeu o Marin e os outros capos e subcapos da Fifa em Zurique e é possível que, como aconteceu em porcarias passadas, ele escape de novo. Mas em quase todos os jornais da França e da Inglaterra que vi, era sua a foto maior que ilustrava a matéria. É difícil que a investigação da pourriture generalizada não o atinja.

A edição internacional do “New York Times” publicou uma foto patética dos empregados do hotel de Zurique estendendo lençóis para tapar a cena dos executivos sendo levados para a prisão, o que não era menos que um hotel de luxo poderia oferecer a hóspedes ilustres, embora a cena fosse, provavelmente, inédita na sua história. E nenhum outro jornal que vi, além do “Times”, falou das mulheres e namoradas dos presos reunidas num salão, algumas chorando e recebendo apoio psicológico do staff.

A televisão francesa fez uma rápida pesquisa: para quantos a notícia de grossa sujeira na cúpula da Fifa chegava como uma surpresa, e quantos não esperavam outra coisa? Só uns três ou quatro por cento não suspeitavam de tamanha podridão. A pourriture era intuída, mesmo antes de ser tão espetacularmente flagrada. Pesquisa mais interessante seria para saber quantos acham que o caso é menos sobre moral e mais sobre política interna da Fifa.

Estou escrevendo sem saber o saldo das prisões e das notícias. O Blatter se aguenta ou cai? Aguardo as próximas manchetes.

Falha

O “L’Equipe” se orgulha de ser um dos jornais mais antigos da França e de cobrir os esportes, principalmente o futebol, do mundo todo, todos os dias. Mas procurei em vão por notícia da vitória do Internacional sobre o Santa Fé da Colômbia pela Libertadores na sua última edição, e nada. Outro escândalo!


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U.V.

Manchetes do dia

Segunda-feira 1 / 06 / 2015

O Globo
"Cunha propõe consulta popular sobre redução de maioridade"

Se emenda constitucional for aprovada no Congresso, questão deve ir a referendo em 2016

Ministro da Secretaria dos Direitos Humanos, Pepe Vargas é contra ideia do presidente da Câmara e defende penas maiores para adultos que usem adolescentes na prática de crimes

Depois da queda de braço em torno da re forma política e do ajuste fiscal, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, antecipou ontem o próximo embate que terá com o Planalto: colocará em pauta, este mês, a redução da maioridade penal. A proposta de emenda constitucional terá, segundo ele , a previsão de realização de consulta popular, já em 2016, sobre o tema. “O PT não quer a redução da maioridade e acha que todos têm de concordar com eles”, disse Cunha, via Twitter. O ministro da Secretaria de Direitos Humanos, Pepe Vargas, afirmou que a bandeira não é só do PT e defendeu punição maior para “adultos que têm utilizado adolescentes para atuarem nos crimes”. 

Folha de S.Paulo
"Governo corta verba de controle do Bolsa Família"

Atrasos prejudicam o monitoramento dos que devem receber o benefício

Prefeituras e Estados em todo o país não receberam em 2015 nenhum repasse para a gestão do Bolsa Família. Os atrasos estão comprometendo a checagem de dados como a frequência de crianças nas escolas e atualizações cadastrais. Embora os 14 milhões de famílias beneficiárias estejam com o recebimento em dia, os programas de acompanhamento nunca tinham sofrido atrasos dessa ordem. Em algumas prefeituras, funcionários foram desligados e serviços, cancelados. O Ministério do Desenvolvimento Social reconhece os atrasos e diz que a situação deve se normalizar quando receber repasses do Tesouro Nacional. Prefeituras reclamam que, com a exigência de mais fiscalização neste ano, o trabalho aumentou. O ministério envia aos municípios a lista das famílias que devem atualizar os cadastros, e as prefeituras organizam o processo. Com os dados, é possível avaliar se o beneficiário ainda atende às condições para continuar no programa. 

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domingo, maio 31, 2015

Dominique

Opinião

A lâmina cruel

Assim como uma faca/que sem bolso ou bainha/se transformasse em parte/de vossa anatomia;/qual uma faca íntima/ou faca de uso interno,/habitando num corpo/como o próprio esqueleto

Gabeira
Os versos de João Cabral podem ser lidos a qualquer momento. Mas agora, no Rio, com a sucessão de assaltos a facadas, soam como uma verdade mais profunda. A faca íntima, a faca de uso interno, é também um símbolo de como se arrasta a questão da segurança no Rio.

Compro bicicleta, perco bicicleta, caras e baratas se perdem, elas são levadas no caminho. Isso é de menos. O difícil é ver a situação se deteriorando, como se fosse esse o curso natural. A crise de segurança é tão grande que motivou pesquisadores, criou um grupo de especialistas altamente capazes, entre eles o próprio Beltrame.

Desde quando surgiram as UPPs como alternativa, formulei algumas críticas, embora achasse a experiência importante, depois do que vi em Bidonville e Cité Soleil, ocupadas pelas forças brasileiras no Haiti. No entanto, afirmava que não existem condições de ocupar todas as comunidades do Rio: precisaríamos do exército chinês. E ainda assim em algumas favelas, como na Guerra do Vietnã, assume-se o controle de uma área durante o dia sabendo que à noite muitas vielas estarão nas mãos dos adversários.

Uma política de segurança, creio eu, precisa levar em conta múltiplas variáveis. A mais evidente é a fuga de traficantes para outros pontos, onde não chegam as UPPs. Existem outras mais sutis. Nas áreas em que o tráfico é derrotado, surge um pequeno exército de adolescentes desempregados. Sem uma política para reduzir os danos, através de curso e inserção no mercado de trabalho, a tendência é aumentar o número de assaltos. As UPPs geram problemas quando perdem para o tráfico, mas também quando ganham. Por isso devem ser consideradas apenas um instrumento.

A situação para mim é simples: temos pouco dinheiro, precisamos de inteligência. Em primeiro lugar, no sentido técnico. Os assaltos na Lagoa foram em cadeia. Era possível uma tática de monitoramento e prisão. A Polícia de Nova York já fez isso no metrô, é um caso conhecido. Onde há muito assalto, há uma chance de prender todos os envolvidos. O que vamos precisar também é de inteligência política. As UPPs nasceram de uma convergência entre setores sociais, inclusive empresários, como Eike Batista, que por razões óbvias não pode continuar. O governo foi ficando sozinho consigo mesmo. E a verdade é que para dar um novo passo é preciso reafirmar a tese de que sem a sociedade, o governo não dará conta do problema, a barbárie tende a crescer. Para realizar uma política de segurança na qual a UPP seja apenas um instrumento, é preciso reativar os laços do governo não apenas com empresários, mas com a sociedade.

Concordo com aqueles que dizem que pagam impostos e têm direito à segurança, uma tarefa inequívoca do governo. Mas a realidade é esta: o problema está fora do alcance de um governo que conte apenas com as próprias forças. Não estou pensando num processo social que transforme o carioca num suíço que telefona para a polícia porque alguém faz barulho no apartamento ao lado. Penso num motorista de ônibus em Israel que nos levava para Tel Aviv e, ao ver uma pequena fogueira na estrada, parou o ônibus e foi apagá-la. Poderia se transformar em algo pior, disse ao retomar o volante. Ele tem a consciência de que se desloca numa área de perigo e passa a se comportar de acordo com ela.

Esse encontro governo-sociedade é muito difícil no Brasil de hoje. Mas quem sabe, num caso tão grave como o do Rio, não seja um primeiro passo decisivo. Isso não significa deixar de cobrar, inclusive do aparato montado para a Copa do Mundo e as Olimpíadas. Até que ponto contribuem de fato com os problemas cotidianos?

As bicicletas se vão, vidas desaparecem e com elas as ilusões de que o governo consiga sozinho conter a violência. As UPPs tremem e com elas treme a convicção de que exista uma bala de prata na política de segurança. É preciso superar o estado de choque e se perguntar, por exemplo, se toda essa dinheirama gasta na segurança dos jogos trouxe algum legado e se, realmente, influi no cotidiano. Enfim, é preciso dar um balance na maneira como se empregam os recursos na segurança e certificar-se de que estão sendo bem usados. E abrir uma discussão sobre a potencial ajuda da sociedade, em mudanças de comportamento necessárias.

Governador e prefeito apontaram para a Justiça, que solta demais. Mas isso é objeto de uma batalha nas próprias leis. Leva tempo. Por que não apresentar saídas para aqui e agora? Na Lagoa, por exemplo, por que não convocar os ciclistas e discutir com eles um projeto comum? Essa distância entre o universo político e a sociedade é algo que neutraliza nossas potencialidades. Infelizmente é também um fato nacional. Estranho viver num país em que os políticos falam uma linguagem e as ruas falam outra. Mundos paralelos.

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U.V.

Manchetes do dia

Domingo 31 / 05 / 2015

O Globo
"Pobreza extrema no Rio é a maior do Sul-Sudeste"

Estado tem 565 mil pessoas, 3,77% de sua população, vivendo na penúria

Renda per capita das famílias é inferior a R$ 140. Muitas não contam com programas sociais

O Estado do Rio tem 565.135 pessoas (3,77% da população) abaixo da linha da miséria, segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O percentual é o maior entre todos os estados do Sul e do Sudeste, superando apenas os do Norte-Nordeste e Mato Grosso no Centro-Oeste, relatam Maria Elisa Alves e Rafael Galdo. Com renda per capita inferior a R$ 140, essas famílias são marcadas pelo desemprego e pela fome. Sem documentos, uma legião de invisíveis tem acesso a programas sociais. Para especialistas, uma das explicações é o baixo desenvolvimento econômico do interior. 

Folha de S.Paulo
"Temer reconhece erros do governo e pede paciência"

Para vice-presidente e articulador do Planalto, 2015 deve ser um ano de ‘compreensão'

Responsável pela articulação política do Planalto, o vice-presidente, Michel Temei (PMDB), disse que o governo cometeu “equívocos” no primeiro mandato de Dilma e admitiu, em entrevista a Valdo Cruz e Natuza Nery, que isso pesou na decepção do eleitor com a presidente.

Confrontado com o fato de o governo da petista ser acusado de não admitir erros, declarou: "Eu sou governo e estou reconhecendo equívocos”. Citou entre eles as “pedaladas fiscais" -o uso de bancos públicos para pagar despesas e obter artificialmente superávit nas contas.

Temer, 74, pede às pessoas “compreensão" até que as medidas de correção de rumo do país surtam efeito. "O povo tem que aguardar essas decisões do ajuste, verificar como a economia e a política se comportam até o fim do ano para depois fazer uma avaliação definitiva.”

Ele afirmou que passou a dormir menos paia conseguir lidar com "certa desarticulação" na relação do Planalto com o Congresso. Disse que deixará a função se seus acertos não vingarem. E adiantou que o PMDB deve lançar candidato à Presidência em 2018. 

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