sábado, maio 30, 2015

Dominique

Opinião

A (quase) confissão de culpa de Putin

A reação do presidente russo, Vladimir Putin, ao escândalo da Fifa é quase uma confissão de culpa, a respeito da concessão da Copa do Mundo de 2018 à Rússia

Clovis Rossi
Diz Putin sobre as investigações lançadas conjuntamente pelas autoridades norte-americanas e suíças: "É outra tentativa clara dos Estados Unidos de disseminar sua jurisdição sobre outros Estados".

O normal, em chefes de Estado/governo, é que festejem o fato de ter sido lancetada uma ferida purulenta como é a corrupção no futebol.

Putin prefere, ao contrário de outros governantes, usar o caso Fifa para sua guerra aos Estados Unidos, como parte do renascido nacionalismo russo.

Usa, para tanto, um alvo geopolítico, talvez para desviar a atenção das suspeitas sobre a escolha da Rússia para a Copa de 2018 (e do Qatar para a seguinte).

É uma espécie de habeas-corpus preventivo para a possibilidade de que a concessão à Rússia seja revista, o que seria uma verdadeira declaração de guerra ao orgulho nacional.

Putin usou, primeiro, os Jogos Olímpicos de Inverno, realizados em Sochi, em 2014, como propaganda do renascimento russo. Não poupou gastos para dar brilho à competição, que foi de fato um êxito. Sediar a Copa de 2018 seria o momento seguinte nessa estratégia.

No intervalo entre uma e outra competição, a Rússia anexou a Crimeia, território ucraniano, e usa interpostas pessoas para ocupar a região, também ucraniana, conhecida como Donbas.

Essas ações levaram a um conflito com as potências ocidentais, lideradas pelos Estados Unidos.

É por isso que Putin não pode permitir que a outorga à Rússia da Copa-2018 seja posta sob suspeição - e, menos ainda, possa ser cancelada. 

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U.V.

Manchetes do dia

Sábado 30 / 05 / 2015

O Globo
"Melhor só em 2017?"

PIB recua 0,2% e pode cair até 1,6% no próximo trimestre
Agropecuária avança 4,7% e evita resultado pior
Com ajuste, gasto público tem maior queda em 15 anos

O PIB brasileiro caiu 0,2% entre janeiro e março, na comparação com o último trimestre do ano passado. O número ficou ligeiramente melhor do que o previsto, mas economistas acreditam que o pior da crise ainda está por vir e preveem recuo de até 1,6% no PIB no segundo trimestre. Com a demora para aprovar o ajuste fiscal, o aumento do desemprego e o cenário externo desfavorável, muitos analistas só veem recuperação em 2017. Os gastos das famílias caíram pela primeira vez em mais de 11 anos, como reflexo da inflação alta e do endividamento dos consumidores. Investimentos recuaram 1,3% frente ao fim do ano passado, no sétimo trimestre seguido de queda, a pior sequência de resultados negativos desde 1996. 

Folha de S.Paulo
"PIB cai 0,2% e aponta ciclo recessivo no país"

Indicadores da atividade econômica já sinalizam piora do cenário no 2° trimestre

A economia brasileira encolheu 0,2% no primeiro trimestre deste ano, na comparação com os últimos três meses de 2014, segundo o IBGE. A queda do PIB, aliada ao aumento do desemprego e da inflação, indica para um ciclo de recessão.

Uma das marcas da gestão petista, o consumo das famílias caiu 1,5%, a maior queda desde 2008. Os investimentos recuaram 1,3%, na sétima retração seguida, um fato inédito. A queda do PIB só não foi maior porque a agropecuária cresceu 4,7%.

Indicadores da atividade econômica de abril já mostram que o segundo trimestre deve ser ainda pior. Caíram, por exemplo, consumo de energia, pedidos para indústria de embalagens, circulação de caminhões e confiança da indústria.

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, disse que o resultado “é aquilo que a gente já sabia”. Segundo ele, “de lá para cá, a confiança mudou”.

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sexta-feira, maio 29, 2015

Taylorcraft


Coluna do Celsinho

Padrão Fifa

Celso de Almeida Jr.
Sempre gosto de rememorar passagens de nossa escola.
Refiro-me ao Colégio Dominique, onde trabalho há décadas.
Idealizada e dirigida pela Prô Aninha - mulher de muita fibra - a instituição superou e supera desafios extraordinários em sua trajetória.
Todos enfrentados com a certeza de que muito esforço é válido para garantir educação num ambiente em que crianças e jovens sintam-se valorizados, respeitados.
Participo disso e, com a ajuda de amigos, funcionários e pais de alunos, continuamos avançando.
Tive, entretanto, em muitas situações, que adotar posicionamentos ásperos para enfrentar barreiras diversificadas, incluindo as de certa graça.
Numa destas, repreendi uma professora que mobilizou estudantes para questionar a direção sobre a opção de pintar as paredes da escola com cal.
A reclamação se dava pelo inconveniente de marcar a roupa de quem, porventura, encostasse em alguma parte de parede onde a nata teve fixação ruim.
Nada que não saísse com algumas batidinhas.
O discurso juvenil agressivo, inflamado, manipulado, pressionava:
- Onde já se viu, escola particular pintada de cal?
- Que absurdo, economizar na tinta com uma mensalidade dessas?
- Este é o padrão da escola?
Minhas respostas nasciam das dificuldades enfrentadas no dia a dia:
- A questão não é ser particular ou pública. A questão é: o que o orçamento permite?
- Economizar na tinta aspira justamente evitar uma mensalidade mais elevada, minimizando a inadimplência.
- O preço da cal garante o branco constante, a limpeza contínua.
- Há zelo de todos em não rabiscar as paredes nem deixar marcas de sapatos?
Para a professora muito crítica, eu questionava:
- Um padrão simples, econômico, modesto, influencia no processo de aprendizagem?
Esta história me ocorreu após as notícias desta semana sobre os escândalos milionários da Fifa.
Lembrei-me das exigências deste organismo internacional quando dos preparativos de nossa Copa do Mundo, em 2014.
O rigoroso Padrão Fifa.
Modelo de um mundo plasticamente perfeito.
Tão ambicionado.
Tão desejado e caro.
Muito caro, por sinal.
Qual o preço deste mundo?
Quem paga por este mundo?
Com a palavra, o FBI...

Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com

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Dominique

Opinião

O e-mail bomba

A vantagem de expressar por escrito as suas razões tem como contrapartida a responsabilidade de ser cobrado por cada palavra

Nelson Motta, O Globo
“Nunca é fácil separar, então vamos fazer o seu trabalho sujo. Por que se preocupar dizendo adeus ao seu amor? Quem precisa de dor e quem tem tempo? Por que olhar nos olhos dela ou dele? Ninguém quer lidar com toda a gritaria, choro e apelos emocionais de ‘apenas mais uma chance’”.

É chocante, mas tem gente que acredita e paga por isso: um site da Austrália se oferece para acabar namoros por e-mail, SMS ou telefone, por módicos cinco dólares.

Pensando bem, o e-mail não é uma ideia tão absurda assim. Homens têm muita dificuldade de acabar namoros, têm medo de enfrentar mulheres chorando e gritando, ou tomadas por fúria infernal, e vão empurrando com a barriga, arriscando relações paralelas, e às vezes são eles que acabam levando um pé na bunda.

E aí, com o orgulho macho ferido, o otário descobre que aquela é a mulher que quer, e que vai reconquistá-la a qualquer preço, numa receita segura de infelicidade absoluta.

Por que não escrever um e-mail sincero e educado, pensado e refletido, lido e relido, cortado e reescrito, usando a razão para expressar os sentimentos e os motivos que levam àquela decisão? Quanto menor e mais conciso, melhor.

Você tem vários dias para escrever e para pensar antes de mandar, e pode até não mandar. Tem a segurança de ler e reler o que escreveu, de “ouvir” o que você mesmo está dizendo, de poder mudar, de escolher e pesar bem cada palavra para evitar mal-entendidos ou dar margem a dúvidas e ambiguidades que complicam e esticam ainda mais a história.

E, por incrível que pareça, sim, tudo isso pode ser feito com emoção.

A vantagem de expressar por escrito as suas razões tem como contrapartida a responsabilidade de ser cobrado por cada palavra. A pessoa pode ler mil vezes, analisar, entender e sentir o que você diz, e dar o caso por encerrado. Fim de jogo.

Claro, escrever bem ajuda a otimizar o método, o que dá certa vantagem a profissionais da escrita, mas não garante o sucesso: você pode ser acordado no meio da madrugada por telefonemas ameaçadores ou com alguém esmurrando a sua porta e gritando que você é um cafajeste que acaba namoro por e-mail.

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U.V.

Manchetes do dia

Sexta-feira 29 / 05 / 2015

O Globo
"Câmara rejeita limites à farra dos partidos"

Coligação proporcional é mantida, e verba para nanicos fica garantida

Aprovado por deputados, fim da reeleição também deverá passar no Senado, na avaliação de líderes

Um dia após aprovar o fim da reeleição para cargos executivos, a Câmara decidiu, num acordo entre partidos grandes e nanicos, manter as coligações proporcionais. E instituiu cláusula de barreira bastante branda, o que também favorece pequenas legendas. Com isso, dois dos principais problemas do sistema brasileiro não devem mudar: o número elevado de partidos e o acesso deles a verbas públicas. Já o Senado protestou contra os chamados jabutis (inclusões em MPs), que permitiram, por exemplo, a aprovação de um shopping na Câmara. Patrocinador da proposta, o presidente da Casa, Eduardo Cunha, chamou a reação de palhaçada. 

Folha de S.Paulo
"Chefe da CBF deixa a Suíça após eclosão de escândalo"

Del Nero abandona evento da Fifa depois da prisão de 8 suspeitos de corrupção

Um dia após uma operação policial deflagrar o maior escândalo de corrupção da história do futebol, que resultou na prisão de oito dirigentes ligados à Fifa, o presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, abandonou o congresso da entidade, na Suíça, para voltar ao Brasil.

O cartola deixou o país europeu no mesmo dia em que a Folha publicou que há indícios na investigação do Departamento de Justiça dos EUA que podem relacioná-lo a esquema de propina. José Maria Marin, vice de Del Nero na CBF e suspeito de envolvimento, foi preso.

Documento indica que Marin dividiu com Del Nero e Ricardo Teixeira, também ex-presidente da CBF, R$ 2 milhões para fechar a venda de direitos sobre a Copa do Brasil para duas empresas de marketing. A defesa de Marin não se pronunciou. Teixeira não foi localizado.

Segundo a Fifa, Del Nero não explicou os motivos de ter deixado o Congresso. Ele votaria hoje (29) na eleição presidencial da entidade. A CBF informou que seu presidente “é uma pessoa inquieta e quer estar no Brasil, próximo da sua diretoria, neste momento”.

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quinta-feira, maio 28, 2015

Dominique

Opinião

Os americanos estão chegando

Americanos desempenharam mais uma vez o papel de polícia do mundo, e dessa vez foram aplaudidos.

Sérgio Malbergier
Há décadas se fala de corrupção na Fifa. Há décadas se fala de corrupção na CBF. Mas nada de efetivo aconteceu. Quando a corrupção exposta segue impune, ela aumenta. Ricardo Teixeira foi sucedido por José Maria Marin, que dá o nome do novo prédio da CBF no Rio.

Agora o jogo mudou. O país mais poderoso do mundo, que nunca deu muita bola para o futebol, lhe deu contribuição inestimável com uma ação hollywoodiana.

Em plena Suíça, dias antes da eleição do presidente da FIFA, policiais suíços a pedido dos EUA invadiram os quartos de alguns dos homens mais poderosos do futebol mundial e os levaram para o xadrez. Uma jogada espetacular –a espetacularidade do combate ao crime faz parte do combate ao crime.

Pouco depois, do outro lado do Atlântico, o mundo acompanhou a entrevista coletiva do "dream team" da investigação americana, a começar pela secretária (ministra) da Justiça do país, seguida pelo diretor-geral do FBI (polícia federal), o chefe do IRS (receita federal), entre outros. Um a um, eles se revezaram no microfone anunciando as razões da prisão e prometendo punições severas à elite do futebol mundial, inclusive o nosso Marin.

Quando vi a notícia, lembrei do ex-ministro do Supremo Joaquim Barbosa, que na semana passada disse em palestra em São Paulo que a legislação americana é a base do combate internacional à corrupção, no qual o Brasil vem se inserindo.

Essa legislação, conhecida como FCPA (Foreign Corrupt Practices Act), permite investigar e punir qualquer empresa do mundo por corrupção caso tenham algum tipo de registro ou operação nos EUA. Mesmo transações entre duas empresas não-americanas podem ser investigadas.

A enorme maioria dos detidos e investigados até aqui no caso FIFA não é de americanos. A grande corrupção tende a ser um crime transnacional. E os olhos e os ouvidos dos EUA são poderosos.

O Departamento de Justiça chegou ao caso por acaso, quando uma força-tarefa do FBI em Nova York investigava o crime organizado russo. Desde então, foram quatro anos de investigação até as prisões em Zurique, que as autoridades disseram ser "o começo, não o fim" dos esforços americanos.

Por aqui, a Lava-Jato tem progredido com rapidez, vigor e audácia jamais vistos nas operações locais contra a corrupção —apesar da artilharia pesada todos os dias, de várias frentes.

O que mais me espanta são comentaristas de esquerda que sempre atacaram a corrupção ferozmente hoje atacarem ferozmente quem investiga a corrupção. Um sectarismo cego que não se vê nos países mais desenvolvidos ao menos quando o assunto é corrupção.

Mas a CBF parece que ninguém vai defender. Nem o fato de um importante dirigente do futebol brasileiro, político e ex-governador de São Paulo, ter sido preso na Suíça a mando dos Estados Unidos comoveu os nacionalistas de plantão.

Fico imaginando se um dia veremos os intocáveis combatentes do crime americanos anunciando ações contra brasileiros em outras áreas do país infeccionadas pela corrupção. Pode isso, Arnaldo? 

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U.V.

Manchetes do dia

Quinta-feira 28 / 05 / 2015

O Globo
"Senado muda aposentadoria, mas Dilma deverá vetar"

Ajuste está quase concluído, com alterações na concessão de pensões

Presidente sai em defesa dos ministros Joaquim Levy (Fazenda) e Nelson Barbosa (Planejamento); portaria a ser publicada hoje prevê corte de 15% dos gastos do governo com custeio da máquina pública

Contrariando o governo, o Senado confirmou ontem mudança no fator previdenciário, já aprovada na Câmara, mas que deverá ser vetada pela presidente Dilma. Renan Calheiros (PMDB), presidente do Senado, porém, já fala em derrubada do veto. Mas, na queda de braço que trava desde o começo do segundo mandato com o Congresso, Dilma conseguiu vitória decisiva para o ajuste fiscal, pois o Senado também aprovou regras mais duras para a concessão de pensões e auxílio-doença. 

Folha de S.Paulo
"Corrupção no futebol põe na prisão ex-presidente da CBF e mais sete"

Operação na Suíça deflagra maior escândalo da história do esporte
EUA dizem que Marin recebia propina ao negociar competições
Autoridades apontam crimes de US$ 150 milhões

José Maria Marin, ex-presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), e sete dirigentes estrangeiros ligados à Fifa foram presos em Zurique (Suíça), no maior escândalo de corrupção da história do futebol. Eles são investigados nos EUA por supostos crimes de corrupção envolvendo cerca US$ 150 milhões, principalmente na negociação de direitos comerciais de competições. Bancos norte-americanos eram utilizados na transferência de dinheiro. Segundo autoridades dos EUA, Marin recebia montantes anuais para privilegiar as empresas de marketing esportivo Traffic e Klefer. Outros brasileiros citados na investigação são J. Hawilla, dono da Traffic, e José Lazaro Margulies, intermediador de contratos com emissoras de televisão. Todos os detidos na Suíça foram banidos provisoriamente do futebol e estão sujeitos à extradição para os EUA, para julgamento. Se condenados, podem pegar até 20 anos de cadeia. Joseph Blatter, presidente da Fifa e candidato à reeleição no pleito desta sexta (29), disse ser “um momento difícil para o futebol”. A presidente Dilma defendeu a investigação: “Permitirá maior profissionalização do futebol”.

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quarta-feira, maio 27, 2015

Dominique

Opinião

O juiz Sérgio Moro joga xadrez

No 17º lance, Bobby Fischer entregou a rainha e, como tinha 13 anos, pensaram até que ele não sabia jogar

Elio Gaspari, O Globo
Há alguns meses o juiz Sérgio Moro perdeu uma parada feia. O caso das propinas pagas na Petrobras pelos holandeses da SBM saiu de sua jurisdição e, pelo que se teme, foi dormir. A SBM é a maior operadora de unidades flutuantes de petróleo do mundo.

No ano passado, pagou uma multa de US$ 240 milhões de dólares por propinas que distribuiu mundo afora. No Brasil, despejou US$ 139 milhões de “comissões legítimas”. Moro e a força-tarefa do Ministério Público não disseram uma palavra. Pareciam Bobby Fischer entregando a rainha na partida de xadrez que mais tarde veio a ser chamada de “o jogo do século”.

Nas petrorroubalheiras das sondas e unidades flutuantes estão imersos contratos de US$ 25,5 bilhões. Desde que começou a Lava-Jato, esse braço das operações vem sendo protegido por um manto de empulhações. Em Curitiba, o jogo foi outro.

Entre os empreiteiros presos em novembro estava Gerson Almada, vice-presidente da Engevix, dona de um lote de contratos para a construção de sondas. Na sexta-feira, Moro prendeu preventivamente Milton Pascowitch, o Cupido das boas relações do PT com a Engevix.

Almada reconhecera que pagava comissões a Pascowitch. Entre 2004 e 2014, foram R$ 80 milhões. Segundo Pedro Barusco, Pascowitch era um dos 11 operadores que molhavam suas mãos e as de Renato Duque, ex-diretor de engenharia e serviços da Petrobras. Se há uma grande conexão entre as petrorroubalheiras e o PT, ela passa também por aí. Um dos clientes da empresa de consultoria do comissário José Dirceu era o doutor Pascowitch.

Quando Bobby Fischer entregou a rainha, sabia o que estava fazendo. Ao fim do jogo, a rainha do adversário ficou sem ter o que fazer e o garoto ganhou a partida. Moro sabe que dois bancos japoneses já jogaram a toalha em relação a seus créditos com estaleiros nacionais.

Um terceiro ameaça vir com a faca nos dentes, querendo saber se o seu dinheiro foi usado para pagar propinas. Almada já contou alguma coisa. Duque e Pascowitch estão em copas, mas há razões para se supor que Moro esteja mais um lance à frente, com um novo canário interessado em cantar para o Ministério Público.

Em fevereiro o juiz Moro negara um pedido de preventiva contra Pascowitch, agora deferiu-o. Mais: o Ministério Publico está puxando o fio da meada das relações financeiras de empreiteiros com alguns escritórios de advocacia.

Até agora a iluminação da Lava-Jato favoreceu casos como os das refinarias onde rolavam licitações fraudadas, aditivos e superfaturamentos. A mãe de um empreiteiro sempre poderá sustentar que o trabalho de seu filho resultou em obras visíveis, reais.

No caso de algumas unidades flutuantes, o buraco é mais em cima, pois há equipamentos alugados, prontos. O dinheiro vai de uma caixa para outra sem empregar viv’alma.

Os investigadores de Curitiba começaram a mostrar o que sabem a respeito dos contratos do pré-sal. Logo depois de sua posse na presidência da Petrobras, o comissário Aldemir Bendine lembrou que num novo plano de investimentos “talvez você pegue a SBM, que é uma importante fornecedora”.

Tão importante que foi proibida de fazer negócios com a empresa e, mesmo negociando um acordo de leniência, ainda não chegou a um acordo com a Controladoria-Geral da União.

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U.V.

Manchetes do dia

Quarta-feira 27 / 05 / 2015

O Globo
"Só ajuste fiscal avança"

Senado dá vitória a Dilma e muda seguro-desemprego

Agora é hora de fazer o dever de casa, diz a presidente

Com dissidências na base aliada do governo, o Senado aprovou ontem medidas decisivas para o ajuste fiscal. Por margem apertada, com 39 votos a favor e 32 contra (sendo dois do PT), os senadores apoiaram regras mais rígidas para o seguro-desemprego e o abono salarial, como queria o governo. Em visita ao México, a presidente Dilma disse que está realizando grande esforço para mudar a economia e que agora é hora de fazer o dever de casa. 

Folha de S.Paulo
"Senado aprova restrição de abono e seguro-desemprego"

Com margem apertada e traição de petistas, governo obtém vitória em medida do pacote fiscal

Em semana decisiva para o governo, que tem enfrentado resistência de sua própria base ao pacote de ajuste fiscal, o Senado aprovou, com margem apertada, a primeira das medidas provisórias editadas para cortar os gastos públicos federais. Foram 39 votos a favor e 32 contra (três da bancada do PT, partido da presidente Dilma Rousseff ) a medida provisória 665, que dificulta a concessão de seguro-desemprego, de abono salarial e de seguro ao pescador em tempos de pesca proibida. Governistas disseram que houve resistência porque Dilma sinalizou que não vetaria trecho da MP que define pagamento proporcional ao tempo de trabalho do abono. O argumento é que a Constituição prevê o benefício, de um salário mínimo. A expectativa do governo é reduzir em R$ 5 bilhões os gastos com esses benefícios neste ano. A sessão no Senado chegou a ser suspensa quando membros da Força Sindical, com máscaras de Dilma, protestaram contra a presidente e o PT.

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terça-feira, maio 26, 2015

Dominique

Opinião

Levy sob pressão do PT e da omissão de Dilma

Diante de um Planalto que não crê em ajustes e um PT em conspiração contra sua permanência no governo, o ministro se firma como o fiador da estabilidade

Editorial O Globo
Não deve haver pessoas providenciais em governos na democracia. O personalismo é característica de regimes autoritários. Mas há momentos em que projetos estratégicos podem ou não naufragar em função de pessoas.

Neste sentido, foi péssimo sinal para o governo Dilma e o próprio país o gesto do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, de não comparecer à entrevista coletiva do anúncio do contingenciamento de R$ 69,9 bilhões no Orçamento, deixando vazia a cadeira ao lado do ministro do Planejamento, Nelson Barbosa.

Levy, devido a todos os desacertos existentes em torno do “cavalo de pau” dado por Dilma na política econômica do primeiro mandato, se tornou o único símbolo de sensatez no governo. A própria presidente não demonstra convicção no ajuste, prefere dar a entender que se trata de alguns reparos periféricos na sua política, para logo voltar a abrir os cofres do Tesouro desregradamente, com a ressurreição do malfadado “novo marco macroeconômico”. Perigoso engano.

Consta que a razão da cadeira vazia na entrevista de sexta seria o desgosto de Levy por não ter conseguido um contingenciamento de R$ 80 bilhões, para compensar concessões já feitas nas negociações no Congresso e com o PT sobre as medidas provisórias do ajuste.

Dos estimados R$ 18 bilhões de economia, para ajudar na obtenção do superávit primário de 1,2% do PIB, a esta altura existiriam apenas R$ 5 bilhões. Mas o problema parece ser maior que a diferença de bilhões no contingenciamento. A questão estaria nas fortes pressões contra Levy deflagradas dentro do PT, estimuladas pelo próprio ex-presidente Lula.

A ação do principal líder petista contra a política econômica do governo Dilma é denunciada, por exemplo, pela presença do senador petista Lindbergh Farias (RJ) num abaixo-assinado contra Levy. Um desatino neste momento de crise e de instabilidade no Congresso, onde até o PSDB resolveu aliar-se a petistas e votar contra o que sempre defendeu, a responsabilidade fiscal.

O desvario é tal que até o lulopetismo não entende que desestabilizar Levy é conspirar contra os próprios projetos eleitorais para 2018. Pois se o país chegar às eleições em frangalhos, o candidato petista entrará na disputa derrotado.

E tudo transcorre diante de uma Dilma omissa. Ontem, Levy procurou desfazer rumores. Considerou “adequado” o contingenciamento, enquanto o ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, afirmou, ao lado de Levy, que o governo “intensificará esforços” para garantir a aprovação das MPs no Congresso. Assim terá de ser, porque elas perdem o efeito em 1º de junho.

Todas essas contingências tornaram Levy um “homem providencial”. Sua saída do governo, nessas circunstâncias, sinalizará o recuo na política de estabilização, com a consequente debacle da própria economia, deflagrada pelo rebaixamento da nota de risco do país por agências internacionais. Este roteiro está escrito. Cabe a Dilma e companheiros decidirem ou não encená-lo.

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U.V.

Manchetes do dia

Terça-feira 26 / 05 / 2015

O Globo
"Planalto desiste de unir PT e monta tropa pró-ajuste"

Em semana decisiva para o governo, Levy avisa que dinheiro acabou

Depois de divergências entre ministros da área econômica, Dilma tenta unificar discurso em torno do pacote fiscal e corre contra o tempo; ministro da Fazenda reclamou que receita prevista no Orçamento era irreal


Na última semana para a aprovação das medidas provisórias do ajuste fiscal, a presidente Dilma convocou ontem nove ministros para pedir empenho na votação, no Congresso, das propostas que alteram regras de seguro-desemprego e pensões. O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, fez um apelo pela aprovação, afirmou que é hora de reorganizar o financiamento público de longo prazo e avisou que “acabou o dinheiro”. Sobre os cortes no Orçamento, afirmou que eles foram necessários porque a receita prevista era irreal. O PMDB e o Planalto pressionam, mas a bancada do PT no Senado desistiu de fechar questão em torno do ajuste e deve ter pelo menos três votos contra. 

Folha de S.Paulo
"Governo tenta tranquilizar o mercado com ação pró-Levy"

Rumor de saída do ministro afeta Bolsa e dólar, mas operação acalma investidor

Depois da ausência do ministro Joaquim Levy (Fazenda) no anúncio do corte de R$ 69,9 bilhões no Orçamento, gerando especulações sobre o seu futuro no cargo, o governo Dilma tentou acalmar o mercado. A estratégia incluiu entrevistas do ministro, uma delas ao lado do colega Aloizio Mercadante (Casa Civil), e contatos de integrantes do governo com analistas para garantir que Levy ainda tem o apoio da presidente e não pretende deixar o ministério. Na abertura dos negócios, o mercado financeiro foi influenciado pelos rumores da saída, mas as cotações se ajustaram no final do dia, após a operação do governo. (...) Pela manhã, Levy afirmou que o “contingenciamento foi no valor adequado”, apoiando o corte que ficou abaixo do que ele defendia, de até R$ 80 bilhões. Mais tarde, o ministro participou da reunião de coordenação política com Dilma. Seu colega Nelson Barbosa (Planejamento) não foi. Os dois divergiram em relação ao tamanho do bloqueio. Levy pediu agilidade ao Senado para votar o pacote fiscal. “Delonga não favorece o crescimento.”

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segunda-feira, maio 25, 2015

Dominique

Opinião

O papel do jornalismo na polêmica da xenofobia ideológica

As redes sociais não são a causa mas sim meras facilitadoras do discurso do ódio

Carlos Castilho    
Um debate sobre o ódio ideológico nas redes sociais recentemente realizado numa dependência da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul foi interrompido por um grupo de manifestantes porque o evento, do qual participavam vários jornalistas, foi promovido pela deputada estadual Manuela D’Ávila, do PC do B.

A suspensão do debate marcou o grande paradoxo da situação que estamos vivendo: o radicalismo e a xenofobia impediram a discussão sobre as causas e consequências da radicalização ideológica que tomou conta das redes sociais na internet e ameaça contaminar toda a sociedade.

As redes sociais são hoje a principal arena da batalha ideológica no Brasil, mas o problema ndiscurso do ódioão está na internet, ao contrário do que deixam transparecer muitos órgãos da imprensa e diversos formadores de opinião. A internet é apenas a plataforma na qual se expressam as tendências políticas e a xenofobia ideológica. O problema está nas pessoas, e não na plataforma por onde circulam as mensagens.

Jornais, revistas e telejornais jogam a responsabilidade sobre a internet tentando não assumir um papel proativo na questão que envolve toda a sociedade, pois as consequências de uma radicalização política serão sentidas por todos. As páginas noticiosas online adotam a tradicional atitude de “olhar para o outro lado”, tentando não se meter numa polêmica que envolve os seus usuários.

O problema é grave porque envolve questões conjunturais e estruturais. A margem de tolerância ideológica que caracterizou a politica nacional e a cobertura da imprensa entre 2002 e 2013 ( períodos Lula e primeiro governo Dilma) acabou em 2014 por conta da possibilidade de o Partido dos Trabalhadores ganhar a eleição presidencial de 2018, na mais longa dinastia partidária desde a redemocratização do país.

A conjuntura política criada pelo temor de um continuísmo do PT sacudiu a estrutura ideológica do país onde as diferenças sociais e políticas continuam tão profundas quanto a desigualdade econômica. O ambiente de tolerância evaporou-se quando o segmento conservador da sociedade brasileira se deu conta que o populismo reformista de Lula poderia entranhar-se na estrutura governamental do país.

A partir daí criaram-se as condições para que o discurso do ódio e da xenofobia ganhasse corpo tanto num lado como no outro do espectro político-ideológico. A imprensa acabou refém desta polarização. Ora participa dela apoiando um lado, ora lamenta, mas não examina as causas e consequências. Os poucos jornais e jornalistas que decidem tocar no problema acabam pagando o preço da radicalização. Começamos a reviver parcialmente o clima prévio e posterior ao golpe de 1964.

O ódio nas redes sociais é protagonizado por segmentos sociais que integram a mesma audiência de veículos como a televisão e o público leitor da imprensa escrita. A xenofobia aparece nas redes sociais porque o ambiente virtual facilita a manifestação do discurso do ódio ideológico. Mas a causa do fenômeno não está na internet, que é apenas um facilitador. Levado ao pé da letra, o problema poderia reviver a metáfora da eliminação do mensageiro para acabar com as más notícias.

As consequências também não serão restritas ao terreno cibernético. Todos nós acabaremos pagando a conta da radicalização, por meio de um eventual novo retrocesso na busca de uma justiça social no país. A imprensa e os jornalistas precisam tomar consciência de que o avanço da radicalização leva ao agravamento do impasse ideológico que, por sua vez, tende a gerar situações extremas, em que o jornalismo quase sempre é uma das primeiras vitimas. Não importa qual q plataforma em que ele é exercido, online ou offline.

Já foi assim em 1964, no Brasil. Acabou se repetindo na versão oposta, na Venezuela. A sobrevivência do que chamamos de jornalismo depende de que os profissionais assumam hoje o seu papel de patrulheiro (watchdog) da preservação de tolerância como condição essencial para a sobrevivência da profissão.

O episódio do debate em Porto Alegre mostrou que uma eventual tomada de posição de jornais e de jornalistas pode acabar sendo associada a um dos lados envolvidos na polarização ideológica. Este é o risco histórico de uma profissão que, aqui e no resto do mundo, sempre teve que enfrentar opções pouco confortáveis.

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U.V.

Manchetes do dia

Segunda-feira 25 / 05 / 2015

O Globo
"Bancos investem menos na casa própria"

Os bancos privados destinam a linhas de crédito do Sistema Financeiro da Habitação (SFH) 36% do saldo total de suas cadernetas de poupança, em vez dos 65% previstos originalmente. As instituições aproveitaram mudanças na legislação, feitas pelo governo para estimular a indústria da construção, e passaram a aplicar 48% desses recursos em Fundos de Investimento Imobiliário e títulos, em que os juros são maiores, mostra levantamento da pesquisadora da USP Cláudia Magalhães Eloy. Nos bancos públicos, a fatia do SFH é de 67%, mas a Caixa, por exemplo, tem amargado falta de recursos devido aos fortes saques da poupança.


Folha de S.Paulo
"Temer cobrará do Planalto adesão do PT ao ajuste fiscal"

Com receio que governo seja derrotado no Senado, vice e articulador político pediu encontro com Dilma hoje

Articulador político do governo, o vice-presidente Michel Temer (PMDB) vai cobrar que o Palácio do Planalto enquadre o PT na votação das medidas do pacote fiscal, que têm uma semana decisiva no Senado.

Temer pediu uma conversa hoje com a presidente Dilma Rousseff, na qual vai questionar, segundo disse a interlocutores, “para onde o governo deseja ir, para o lado do PT ou do ajuste fiscal”.

O vice teme derrota na votação de medidas provisórias que restringem benefícios trabalhistas e previdenciários —aprovadas na Câmara.

Temer dirá a Dilma que nãodápara exigir que a base aliada aprove as medidas sem ter o apoio do PT, que na semana passada reagiu contra as propostas, forçando o adiamento das votações no plenário do Senado.

Além do vice, o ministro Joaquim Levy (Fazenda) também manifestou no fim de semana insatisfação com o rumo das votações.

As medidas precisam ser aprovadas nesta semana, sob a pena de caducarem.

Levy, que na última sexta faltou ao anúncio do corte de R$ 70 bilhões no Orçamento e gerou mal-estar no Palácio do Planalto, está preocupado com a desidratação das medidas do pacote fiscal.

O ministro segue, porém, defendendo Dilma e Temer nos bastidores.

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domingo, maio 24, 2015

Dominique

Opinião

Flamengo e Brasil

Gabeira
Sou Flamengo e brasileiro. Nos últimos tempos, tenho sentido em relação ao clube as mesmas divisões que sinto em relação ao governo do Brasil. O Flamengo tem um time de uma mediocridade tão desoladora que me faz hesitar entre torcer para que não caia para a Segundona ou torcer para que caia de uma vez e aprenda com o choque da realidade. Da mesma maneira, a situação econômica me faz desejar que Dilma dê os passos corretos, mas sua performance me faz desejar que caia de uma vez, para recomeçarmos de outro patamar.

O Flamengo não consegue vencer um adversário sem um goleiro de fato. A Pátria Educadora, lembram-se da solenidade com que Dilma anunciou o slogan?, deixou as universidades federais do Rio em estado de miséria. Algumas foram tomadas pelo lixo, outra ameaça desabar. Como dar aulas e estudar numa atmosfera de decadência tão acentuada? O Flamengo fez um ajuste fiscal em 2013, mas até hoje não se viram os resultados no futebol, sua interface com milhares de torcedores. Além da terceirização, algumas medidas idênticas às de Joaquim Levy foram tomadas: aumento das taxas, redução de gastos. E no, entanto, na hora do gol, nada.

No caso do plano de ajuste brasileiro, o gol é a retomada do crescimento. Até o momento, só pensões e salários de pescadores foram atingidos. Esperam-se o corte do governo e aumento de impostos. Como fazer gols com pernas de pau? Como retomar o crescimento, aumentando a carga das pessoas que produzem e consomem? Mesmo deixando barato esse tipo de ajuste fiscal que não enxuga a gigantesca máquina do governo, observamos que as universidades estão assim antes dos cortes orçamentários. A partir de agora, será mais difícil criticá-las porque a incompetência vai se escudar num argumento poderoso: não há dinheiro. Assim como é difícil ganhar um certame nacional sem formar um time, será muito difícil retomar o crescimento com tanta gente mamando nas tetas do governo, uma pesada carga fiscal inibindo empreendedores e o absoluto desprezo pelo conhecimento, vital nas economias modernas.

Não mudo de time nem de país, mas entendo a impaciência de alguns jovens que veem a saída nos aeroportos. Está tudo muito confuso. As grandes expectativas do movimento de rua não têm correspondência no universo político. A oposição que propunha cortes de gastos aumentou as despesas votando o fim do fator previdenciário. E no front da luta contra a corrupção, deixou passar um bom momento para questionar o candidato ao Supremo Luiz Edson Fachin: todos os seus líderes expressivos trocaram a sabatina por uma homenagem a Fernando Henrique em Nova York.

O governo é um monstro de muitas cabeças batendo umas nas outras. A tática de deixar Dilma sangrar não funciona. Ela já perdeu vários quilos e continua dizendo bobagens com a maior tranquilidade. Uma delas é a decisão de manter uma política de partilha no pré-sal. Os chamados defensores da Petrobras criaram uma cláusula que obriga a empresa a participar de todos os projetos da Petrobras, inclusive as canoas furadas. Poderiam criar uma cláusula de preferência, deixando com a empresa a decisão de escolher os projetos em que deva participar, de acordo com seus recursos e a análise de risco.

A própria Petrobras, em documento enviado aos investidores americanos, admite que tem limitações para investir no pré-sal. E agora? Com preços baixos no mercado internacional e imagem negativa da empresa, como o pré-sal vai carimbar nosso passaporte para o futuro? É apenas mais uma promessa da pátria educadora com universidades em ruína. Quando você pondera sobre a política de partilha, a reação mais comum é considerar sua posição reacionária e entreguista. Se pudessem dissipar os véus da ideologia, escolheriam o melhor para o país.

Norberto Bobbio disse no seu livro definindo a esquerda hoje que um sistema estatal de aposentadoria digna é um marco divisor com a direita. No Brasil, sinto que o respeito aos que trabalharam é universal no espectro político: direita, esquerda e centro.

Ideias generosas como aumentar os gastos com os aposentados precisam respeitar as leis do capitalismo. De onde virá o dinheiro para nossas bondades? Joaquim Levy tem uma ideia: impostos que sobrecarregam empresas e trabalhadores ativos.

Tanto essa história do papel da Petrobras no pré-sal como a do fim do fator previdenciário estão cheias de boas intenções: defender a economia nacional, proteger nossos simpáticos velhinhos. Mas, na prática, conseguem o contrário do pretendem: prejudicam a Petrobras e colocam em xeque o fundamento de um sistema previdenciário digno: sua sustentabilidade.

Quando volto da estrada, aos domingos, vejo um futebol. Vou trocar o hábito por um vídeo de clássicos europeus. Você pode dar um tempo na relação com seu time, mas não com o país. Talvez por estar viajando, não conheça bem todos as variáveis em jogo. Mas sempre que paro para ler e pensar, pergunto-me para onde estamos indo como país. Penso na Segundona, aqueles campos meio pelados, a luz fraca dos estádios. É isso que nos espera?

Original aqui

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U.V.

Manchetes do dia

Domingo 24 / 05 / 2015

O Globo
"Apenas um quarto das privatizações foi adiante"

Falhas fizeram maioria dos projetos lançados em 2012 ficar só no papel

Governo prepara novo pacote, mas dos R$ 241 bi previstos no anterior só R$ 55 bi foram contratados

Prestes a anunciar uma série de concessões para a área de transportes, o governo sofre com falhas de planejamento que fizeram a maioria das obras previstas no último programa de privatizações, lançado em 2012, ficar só no papel. Dos R$ 241 bilhões em projetos para portos, rodovias e ferrovias, apenas R$ 55 bilhões foram adiante, informa Danilo Pasuello. Para especialistas em infraestrutura, inconsistências em projetos e estados insuficientes reduziram a interesse do setor privado. Com a piora do cenário econômico, o governo terá agora condições de crédito bem mais restritivas a oferecer.

Folha de S.Paulo
"Governo prevê um rombo 28% maior na Previdência"

Déficit esperado para o INSS neste ano passou a ser de R$ 73 bi, ante os R$ 57 bi registrados no ano passado

Com a deterioração do mercado de trabalho e as derrotas do pacote de ajuste fiscal no Congresso, o governo passou a projetar um salto do déficit da Previdência Social neste ano.

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