sábado, abril 25, 2015

Dominique

Opinião

Saudades de Waldomiro

Nelson Motta

Da crise das empreiteiras surgiu um peculiar nacionalismo petista: é melhor ser roubado por patrícios do que pagar a estrangeiros por bons serviços

Por onde anda Waldomiro Diniz, braço-direito do Zé Dirceu na Casa Civil e o anjo anunciador do mensalão, flagrado em vídeo pedindo a Carlinhos Cachoeira propina para o PT — e 1% para ele mesmo? O flagrante está comemorando dez anos, os mensaleiros já foram julgados e condenados, mas nunca mais se ouviu falar do histórico Waldomiro. Não escreve, não telefona, não manda WhatsApp, estamos com saudades. Até seu chefe já puxou cadeia, mas ele continua livre, leve e solto. Que borogodó tem Waldomiro? O que ele sabe que não sabemos?

Saudades de Fernando Cavendish e sua pequena Delta, dos Vedoin, da máfia das ambulâncias, dos sanguessugas, desses ladrõezinhos dos tempos pré-petrolão, que disputavam trocados enquanto os profissionais armavam e operavam na Petrobras uma máquina monstruosa de corrupção e um projeto de manutenção do poder que nem canalhas megalomaníacos ousariam imaginar.

A crise das empreiteiras brasileiras fez surgir um peculiar nacionalismo petista: é melhor sermos roubados por compatriotas do que pagar a estrangeiros por serviços (bem) prestados.

Toda vez que Dilma diz que os malfeitos de alguns indivíduos são fatos isolados na devastação da Petrobras, debocha da inteligência alheia, fingindo que não sabe que o petrolão não tinha só ladrões vocacionais, que roubariam em qualquer governo, para qualquer partido e, principalmente, para eles mesmos, mas eram parte de uma organização criminosa formada por empreiteiras, partidos, funcionários e políticos, para saquear a empresa e os seus acionistas — o povo brasileiro — e sustentar um projeto de poder que desmoraliza a democracia e as instituições.

Se fossem só “alguns individuos”, seriam uns Waldomiros, estariam soltos por aí, ninguém repararia. Mas em dez anos a arguta Dilma nunca desconfiou de nada, de como eram feitas as nomeações para diretorias, como funcionavam as concorrências e os aditivos contratuais. Como quem nunca tivesse comido melado, se lambuzava no óleo do pré-sal.

Dos 1% de Waldomiro aos 260 milhões de dólares de Pedro Barusco e Renato Duque, se passaram dez anos. Crescemos muito, mas para baixo.

Original aqui

Twitter

U.V.

Manchetes do dia

Sábado 25 / 04 / 2015

O Globo
"Dilma vai leiloar mais 3 aeroportos e 4 rodovias"

Pacote de infraestrutura prevê também concessão de trecho da Norte-Sul

Em reunião com ministros hoje, presidente vai discutir novo modelo de financiamento para projetos do setor . Objetivo é preservar ajuste fiscal, usando menos recursos públicos e com menor participação do BNDES

A presidente Dilma se reúne hoje com pelo menos 14 ministros e presidentes de bancos públicos para definir um novo pacote de investimentos em infraestrutura. Serão leiloados os aeroportos de Porto Alegre, Florianópolis e Salvador, quatro trechos de rodovias e uma extensão da Ferrovia Norte- Sul, informam Geralda Doca e Danilo Fariello. Também haverá mudanças no financiamento dos projetos. O governo quer criar uma agenda positiva e tirar o foco do ajuste fiscal, que não será, porém, abandonado.

Folha de S.Paulo
"Itália decide extraditar condenado no mensalão"

Ex-diretor do BB, Henrique Pizzolato fugiu em 2013 para evitar ser preso

O governo da Itália decidiu extraditar Henrique Pizzolato, ex-diretor de marketing do Banco do Brasil. Ligado ao PT, ele tem cidadania italiana e fugiu para o país europeu em 2013, após ser condenado a 12 anos e sete meses no mensalão. No começo de 2014, a polícia o prendeu por uso de passaporte falso. Pela primeira vez, a Itália extraditará um cidadão para o Brasil. Prevaleceram na decisão haver uma condenação definitiva e o compromisso italiano contra a corrupção. Não cabe recurso, e a Polícia Federal enviará uma equipe a Módena, onde Pizzolato está preso, para trazê-lo de volta. A defesa do ex-executivo do BB diz que a decisão foi política e que as prisões brasileiras oferecem risco à sua integridade. Diplomatas afirmam que a extradição não significa que a Itália esqueceu a recusa do então presidente Lula, em 2010, de devolver o ex-terrorista Cesare Battisti. Para eles, o resultado deve-se a forte ação de bastidores em Roma e Brasília.

Twitter  

sexta-feira, abril 24, 2015

Para recortar e pintar


Coluna do Celsinho

Assombro

Celso de Almeida Jr.

Encarei "A menina que roubava livros".

Markus Zusak, o autor.

Intrínseca, a editora.

Que bela história.

Inusitada narradora: a Morte.

Sim, é ela quem conta sobre Liesel Meminger, a menina.

O ambiente é a Alemanha nazista, entre 1939 e 1943.

Diferentes personagens desfilam nas quase quinhentas páginas, comoventes.

Leia também.

Releia, se for o caso.

Verá que são as palavras que salvam a garota.

Palavras que fazem seres humanos oscilar da beleza à brutalidade.

Assombrando a própria Morte.

Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com

Twitter

Dominique

Opinião

Um governo para esquecer

Gabeira
Recebi dois livros interessantes: Submissão, de Michael Houellebecq, e Ordem Mundial, de Henry Kissinger. Aproveito uns dias de resfriado para lê-los, mas só vou comentá-los adiante. Não sei se o resfriado turvou minhas expectativas, mas vejo o mundo caindo ao redor: empresas fechando, gente perdendo emprego e, como se não bastasse, estúpidos feriados.

Mas será que estar envolvido numa situação tão pantanosa me obriga a fazer as mesmas perguntas, tratar dos mesmos personagens, dona Dilma e seus dois amigos, Joaquim e Temer?

Nas últimas semanas deixei de perguntar apenas sobre o ajuste econômico, que nos promete uma retomada do crescimento. Começou enriquecendo os partidos e apertando as pessoas. Disso já suspeitava. Cheguei a indagar se não era possível superar o voo da galinha, achar um caminho seguro e sustentável. Constatei que lá fora também se faz a mesma pergunta, não a respeito do Brasil, mas do próprio capitalismo. O sistema tem um futuro, deságua em outra via de expansão?

Quanto à minha expectativa de um crescimento equilibrado, encontrei respostas desconcertantes. Como a do economista australiano Steve Keen, para quem o equilíbrio é uma ilusão e a economia tende a viver num desequilíbrio constante, sem jamais afundar.

Existem muitas previsões sobre o que vai acontecer mais adiante. A de Jeremy Rifkin pelo menos me agrada mais porque é a que mais se aproxima das minhas toscas expectativas. E de uma ponta de otimismo que nunca me deixa, mesmo no resfriado. Rifkin fala da internet dos objetos, da produção descentralizada de energia alternativa, das impressoras 3D e dos cursos online. Tudo pode fazer de cada um de nós um proconsumidor. Da produção em massa haveria um trânsito para a produção das massas, descentralizada e cooperativa.

Aqui acompanhei, por exemplo, a prisão de Vaccari, o tesoureiro do PT. Cheguei à conclusão de que foi motivada pela decisão do partido de mantê-lo no cargo. Quando foi depor na CPI, todas as acusações já estavam postas, incluídas as que revelam nexo entre propinas e doações. O despacho do juiz Sergio Moro fala em quebrar a continuidade dos crimes, evitando que o acusado mantenha uma posição em que, desde o caso da cooperativa dos bancários (Bancoop), desvia dinheiro para os cofres do partido.

Bastava ao PT afastá-lo enquanto durassem as investigações. Falou mais alto a fraternidade partidária. Tanto que os intérpretes oficiais diziam com orgulho que o partido não abandonaria Vaccari na estrada.

Citado por Kissinger, o cardeal Richelieu, comparando a sorte da pessoa com a de uma entidade política secular, afirma que o homem é imortal, sua salvação está no outro mundo. Já o Estado não dispõe de imortalidade, sua salvação se dá aqui ou nunca.

A maior interrogação ao ver o mundo desabando é esta: como chegaremos a 2018, com um governo exaurido, crise aguda e um abismo entre as aspirações populares e o sistema político?

A primeira pergunta é esta: com ou sem Dilma? O ministro José Eduardo Cardozo diz que a oposição é obcecada pelo impeachment. Disse isso ao defendê-la das pedaladas fiscais. Com a maioria dos eleitores desejando que Dilma se afaste, sempre haverá um motivo. Hoje é pedalada, amanhã é pênalti e depois de amanhã, escanteio, lateral, impedimento – enfim, é uma constante no jogo.

Os 12 anos de governo do PT foram marcados por uma extensa ocupação partidária da máquina pública. O Estado foi visto não só como o grande empregador, mas também como o espaço onde os talentos individuais iriam florescer.

Ao lado disso se construiu também a expectativa de que grande parte dos problemas dependia da interferência estatal. Da Bolsa Família aos empréstimos do BNDES, do patrocínio às artes à salvação do Haiti, da construção de uma imprensa “alternativa” ao soerguimento econômico de Cuba – tudo conduzido pelo Estado.

Com a ruína desse modelo, a oposição popular ao governo tem a corrupção como alvo, mas revela também uma profunda desconfiança do papel econômico do Estado, a ponto de alguns analistas a verem como réplica do movimento Tea Party, uma ala radical do Partido Republicano nos EUA. Se olhamos um pouco mais longe, para o colapso do socialismo, vamos encontrar algo mais parecido com a realidade nacional. Foi muito bem expresso por um ministro húngaro na aurora da reconstrução pela via capitalista: no passado havia uns fanáticos que diziam que o Estado resolve tudo, agora aparecem outros dizendo que o mercado resolve tudo.

Além da corrupção, sobrevive ainda uma expectativa num Estado bálsamo, que cura todas as dores, resolve todos os problemas, traz de volta as pessoas amadas. É compreensível que surja uma resistência apontando para um Estado mínimo e que as esperanças se reagrupem em torno do mercado.

O que resultará disso tudo ainda é muito nebuloso. Tenho consciência de escrever sentado numa cadeira ejetável. Mas, e daí? Quando você mostra que a experiência do governo petista se esgotou, muitos protestam. Com que ideias vão dinamizar a nova fase? Com que grana vão inventar um novo ciclo de bondades balsâmicas?

Se Dilma sobrevive como um fósforo frio, isso é só um problema imediato. É hora de começar a desvendar o futuro. Não tenho dúvida de que todos os exageros, os erros patéticos, a arrogância, a desmesura, tudo será cobrado até que se restabeleça um certo equilíbrio.

Viveremos o teatro fúnebre de um governo que não é mais governo, de uma esquerda oficial petrificada, de jornalistas de estimação analisando minúsculos movimentos mentais de um poder lobotomizado. Como diz um personagem de Beckett, acabou, acabamos. Resta ao governo sonhar com um domingo ideal em que, finalmente, voltadas para suas atividades normais, as pessoas o esqueçam. Imagino a discreta festa palaciana: mais um domingo, ninguém se lembrou de nós, viva!

Original aqui

Twitter

U.V.

Manchetes do dia

Sexta-feira, 24 / 04 / 2015

O Globo
"Petrobras admite até vender fatias do pré-sal"

Empresa diz que pretende ‘compartilhar riscos’ para gerar caixa rapidamente

Diretores afirmam que objetivo é reduzir endividamento da empresa, adiando projetos que tenham baixo retorno

Para tentar sanear as finanças, após anunciar prejuízo de R$ 21,6 bilhões em 2014, a Petrobras já admite buscar sócios até mesmo para o valioso pré-sal. Segundo Solange Guedes, diretora da estatal, a ideia é “compartilhar riscos”. A empresa quer reduzir o endividamento e aumentar geração de caixa rapidamente, adiando projetos que tenham baixo retorno.

Folha de S.Paulo
"Haddad vai à Justiça para reduzir dívida com União"

Prefeito de São Paulo quer cumprimento de lei que muda cálculo de débito

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), entrou na Justiça para obrigar o governo da também petista Dilma Rousseff a cumprir a lei que reduz o pagamento de dívidas da cidade com a União, informa Mônica Bergamo. A ação corre na Justiça Federal, em Brasília. A dívida de São Paulo é de R$ 62 bilhões, e até a semana passada Haddad negociava com o ministro Joaquim Levy (Fazenda) uma alternativa para evitar um embate com o Planalto. Não houve evolução no ritmo desejado pelo prefeito, que decidiu acionar os tribunais. O prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), já havia recorrido à Justiça para fazer o governo corrigir a dívida conforme lei aprovada pelo Congresso em novembro, segundo a qual Estados e cidades pagam juros mais baixos sobre os empréstimos. Obteve liminar favorável. A proposta da Fazenda, a fim de não prejudicar o cumprimento da meta de ajuste fiscal, que os pagamentos neste ano continuassem a ser feitos pelo modelo anterior. No cálculo do governo, a adoção das novas regras reduzirá a dívida paulistana para R$ 36 bilhões.

Twitter  

quinta-feira, abril 23, 2015

Dominique

Opinião

A guerra do PT

O ESTADO DE S.PAULO
O PT julga que está em guerra. É o que está escrito, com todas as letras, nas "teses" apresentadas pelas diversas facções que compõem o partido e que serão debatidas no 5.º Congresso Nacional petista, em junho.

De que guerra falam os petistas? Contra quem eles acreditam travar batalhas de vida ou morte, em plena democracia? Qual seria o terrível casus belli a invocar, posto que todos os direitos políticos estão em vigor e as instituições funcionam perfeitamente?

As respostas a essas perguntas vêm sendo dadas quase todos os dias por dirigentes do PT interessados, antes de tudo, em confundir uma opinião pública crescentemente hostil ao "jeito petista" de administrar o País. O que as "teses" belicosas do partido fazem é revelar, em termos cristalinos, o tamanho da disposição petista em não largar o osso.

"Precisamos de um partido para os tempos de guerra", conclama a Articulação de Esquerda em sua contribuição para o congresso do partido. Pode-se argumentar que essa facção está entre as mais radicais do PT, mas o mesmo tom, inclusive com terminologia própria dos campos de batalha, é usado em todas as outras "teses". Tida como "moderada", a chapa majoritária O Partido que Muda o Brasil avisa que "é chegado o momento de desencadear uma contraofensiva política e ideológica que nos permita retomar a iniciativa".

A tendência Diálogo e Ação Petista conclama os petistas a fazer a "defesa dos trabalhadores e da nação", como se o Brasil estivesse sob ameaça de invasão, e diz que as "trincheiras" estão definidas: de um lado, a "direita reacionária"; de outro, os "oprimidos". A chapa Mensagem ao Partido quer nada menos que "refundar o Estado brasileiro", por meio de uma "revolução democrática" - pois o "modelo formal de democracia", este que vigora hoje no Brasil, com plena liberdade política e de organização, "não enfrenta radicalmente as desigualdades de renda e de poder".

Da leitura das "teses" conclui-se que o principal inimigo dos petistas é o Congresso, pois é lá que, segundo eles dizem, se aglutinam as tais forças reacionárias. O problema - convenhamos - é que o Congresso representa a Nação, o povo. Se o Congresso resiste a aceitar a agenda do PT, então a solução é uma "Constituinte soberana e exclusiva", cuja tarefa é atropelar a vontade popular manifestada pelo voto e mudar as regras do jogo para consolidar o poder das "forças progressistas" - isto é, o próprio PT.

Uma vez tendo decidido que vivem um estado de guerra e estabelecidos quem são os inimigos, os petistas criam a justificativa para apelar a recursos de exceção - o chamado "vale-tudo". O principal armamento do arsenal petista, como já ficou claro, é o embuste. O partido que apenas nos últimos dez anos teve dois tesoureiros presos sob acusação de corrupção, que teve importantes dirigentes condenados em razão do escândalo da compra de apoio político no Congresso e que é apontado como um dos principais beneficiários da pilhagem da Petrobrás é o mesmo que diz ter dado ao País "instrumentos inéditos" para punir corruptos. Há alguns dias, o ex-presidente Lula chegou ao cúmulo de afirmar que os brasileiros deveriam "agradecer" ao PT por "ter tirado o tapete que escondia a corrupção".

É essa impostura que transforma criminosos em "guerreiros do povo brasileiro", como foram tratados os mensaleiros encarcerados. Foi essa inversão moral que levou o governador petista de Minas, Fernando Pimentel, a condecorar o líder do MST, João Pedro Stédile, um notório fora da lei, com a Medalha da Inconfidência, que celebra a saga libertária de Tiradentes. A ofensiva dos petistas é também contra a memória nacional.

Ao explorar a imagem da guerra para impor sua vontade aos adversários - inclusive o povo -, o PT reafirma seu espírito totalitário. A democracia, segundo essa visão, só é válida enquanto o partido não vê seu poder ameaçado. No momento em que forças de oposição conseguem um mínimo de organização e em que a maioria dos eleitores condena seu modo de governar, então é hora de "aperfeiçoar" a democracia - senha para a substituição do regime representativo, com alternância no poder, por um sistema de governo que possa ser totalmente controlado pelo PT, agora e sempre.

Original aqui

Twitter

U.V.

Manchetes do dia

Quinta-feira, 23 / 04 / 2015

O Globo
"Estatal admite corrupção de R$ 6 bi e prejuízo de R$ 21 bi"

Desvios representaram 3% de contratos de quase R$ 200 bilhões. Presidente da empresa assume ‘vergonha’ pelo que se presenciou

Com atraso que chegou a cinco meses, a Petrobras divulgou os balanços do terceiro trimestre e do ano de 2014 fechado, admitindo perdas de R$ 6,2 bilhões com a corrupção em contratos de R$ 199,6 bilhões, 3% do total. Também revelou baixas de R$ 44,6 bilhões com a desvalorização de ativos, sendo R$ 31 bilhões relativos ao Comperj e à Refinaria Abreu e Lima. As duas unidades foram as mais envolvidas no esquema investigado pela Operação Lava-Jato, e os projetos sofreram muitas revisões. No fim, o prejuízo da estatal foi de R$ 21,6 bilhões no ano, o primeiro desde 1991. “A gente está com sentimento de vergonha por tudo o que presenciou”, afirmou o presidente da Petrobras, Aldemir Bendine. Ele garantiu que a auditoria PwC assinou o balanço sem ressalvas, mas o documento completo não tinha sido divulgado até o fim da noite, apenas a versão mais condensada.

Folha de S.Paulo
"Petrobras registra prejuízo de R$ 22 bi; corrupção tira R$ 6 bi"

Em 2014, estatal tem o primeiro resultado negativo em 23 anos, sob impacto da Lava Jato

Impactada pelo escândalo de corrupção investigado pela Operação Lava Jato, a Petrobras teve prejuízo de R$ 21,6 bilhões em 2014 — o primeiro desde 1991. A estatal reconheceu perda de R$ 6,2 bilhões com corrupção. A companhia fez uma baixa de R$ 44, 6 bilhões em seu patrimônio, devido à desistência de alguns projetos. A maior perda foi a do Comperj (R$ 22 bilhões). Em 2013, a empresa havia registrado lucro de R$ 23,4 bilhões. “Os valores da corrupção são recuperáveis. À medida que forem sendo pagos, entrarão no balanço”, disse o presidente da estatal, Aldemir Bendine. Os resultados auditados foram divulgados com cinco meses de atraso. Menor e mais endividada, a Petrobras segue distante das grandes petrolíferas e pode deixar o grupo das empresas com finanças consideradas saudáveis, chanceladas pelo selo de bom pagador das agências de risco. Com dívida de R$ 351 bilhões, a estatal precisaria de 4,8 anos para quitá-la. Para analistas, o patamar aceitável seriam 2,5 anos. A Petrobras suspendeu o pagamento de dividendos para os acionistas.

Twitter  

quarta-feira, abril 22, 2015

Dominique

Opinião

Oposição é para se opor – não para ajudar o governo

A oposição existe para disputar o poder. E para isso ela precisa se opor. Confrontar suas ideias com as ideias postas em prática pelo governo

Ricardo Noblat

O vice-presidente Michel Temer (PMDB-SP) é um político experiente, sensato, equilibrado, e um jurista que acumulou vasto conhecimento.

É por isso que estranho as declarações que os jornais de hoje lhe atribuem a propósito do papel que a oposição deve exercer.

Temer visitou Portugal. E ali, em reunião com a Comissão de Negócios Estrangeiros do parlamento português, teria dito:

- A cultura política do Brasil é a seguinte: quando alguém perde uma eleição, seja para a prefeitura, seja no Estado, seja na União, ele necessariamente se coloca na posição de antagonista. Ou seja, eu sou oposição porque devo me opor àquele que venceu as eleições, quando, na verdade, a ideia de oposição no sistema democrático é para ajudar a governar.

E teria dito ainda:

- Quando a oposição fiscaliza, questiona, pondera, quando ela coloca contestações e objeções, ela está ajudando a governar. Este é o papel da oposição, especialmente para que não haja um sistema de controle absoluto por um único setor da sociedade, ou seja, aquele que venceu as eleições. Isso seria muito próximo de um Estado absolutista, um Estado ditatorial.

Ora, em países democráticos, e é o caso do nosso, a oposição fiscaliza, questiona, pondera e se opõe ao que acha errado. Portanto, ela ajuda, sim, a governar, como pede Temer.

Mas esse, aqui e em parte alguma, é o único papel da oposição. Não é mesmo nem o principal.

A oposição existe para disputar o poder. E para isso ela precisa se opor. Confrontar suas ideias com as ideias postas em prática pelo governo.

Uma oposição que acima de tudo colabore com o governo desfigura a democracia e enfraquece um de seus bens mais preciosos – o conflito.

Original aqui

Twitter

U.V.

Manchetes do dia

Quarta-feira, 22 / 04 / 2015

O Globo
"Verba para fundo partidário cresce 490%"

Desde 96, foram gastos R$ 2,6 bi; este ano, estão previstos R$ 867 milhões

Diário Oficial de hoje publica novo orçamento, que triplica recurso para legendas

O crescimento da dotação orçamentária para partidos políticos, de 2014 para 2015, será o maior dos últimos 20 anos: 171,1%. De 1996, quando foi regulamentada a criação do fundo partidário , até o final deste ano, o aumento da verba chegará a 490%. Os partidos já receberam R$ 2,6 bilhões em verbas do governo. O Diário Oficial da União de hoje publica o novo orçamento com a emenda, sancionada pela presidente Dilma, que triplica o valor — será de R$ 867 milhões. O reajuste foi aprovado pelo Congresso. Em viagem a Portugal, o vice-presidente Michel Temer diz que verba deste ano pode ser contingenciada.

Folha de S.Paulo
"Risco de perda do selo de bom pagador atinge oito empresas"

Pressões macroeconômicas no país pioraram a valiações, diz Moody’s

A agência de classificação de risco Moody’s elevou de três para oito o número de companhias brasileiras que podem perder o grau de investimento — espécie de selo de “bom pagador”. O país empatou com os EUA na primeira posição em número de empresas em vias de rebaixamento. A avaliação da agência baliza decisões de investidores. No último relatório, foram incluídas cinco empresas nacionais: AES Tietê, Bandeirante Energia, Espírito Santo Centrais Elétricas, Energest (do setor elétrico) e a construtora Odebrecht. Elas continuaram com nota Baa3, a mais baixa antes do grau especulativo (risco maior de calote). A diferença é o viés de baixa para as avaliações. Braskem, Eletrobras e Sabesp atingiram esse mesmo patamar em dezembro. O documento da Moody’s cita pressões macroeconômicas e mudanças regulatórias, “que resultaram em um ambiente de negócios mais desafiador”, entre os principais fatores que levaram à piora da avaliação dessas companhias.

Twitter  

terça-feira, abril 21, 2015

Dominique

Opinião

As promessas de Dilma

O ESTADO DE S.PAULO
As últimas pesquisas de opinião já deixaram claro que a maioria dos brasileiros finalmente se deu conta do tamanho do embuste que lhe venderam os magos da marquetagem petista - aqueles que prometeram uma gerentona capaz de fazer o País saltar de dois em dois os degraus do desenvolvimento e chegar, sobranceiro, ao cobiçado Primeiro Mundo. A decepção fica ainda mais acentuada quando se compara a situação atual com as bravatas da presidente Dilma Rousseff nos idos tempos do início de seu primeiro mandato. Os exemplos são muitos, mas há um, lembrado recentemente pelo Estado, que serve para ilustrar bem o nível da impostura ora desmascarada. Trata-se do prometido investimento da Foxconn no Brasil.

Em abril de 2011, com apenas quatro meses de Presidência, Dilma fez em Pequim o anúncio do primeiro grande investimento internacional no Brasil em seu governo. A empresa taiwanesa Foxconn, gigante da área de tecnologia da informação, levaria adiante um projeto de incríveis US$ 12 bilhões, ao longo de seis anos, para fazer produtos da Apple no País. Essa cifra equivalia a quase todo o investimento da China no Brasil no ano anterior.

Não era apenas o volume de dinheiro que chamava a atenção. O então ministro de Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, que acompanhara Dilma em sua viagem à China, informou aos jornalistas que o empreendimento criaria nada menos que 100 mil novos empregos, dos quais 20 mil apenas para engenheiros. Previa-se ainda a construção de uma "cidade do futuro" para abrigar 400 mil pessoas envolvidas direta e indiretamente com o projeto. Coisa de ficção científica.

Ademais, o governo festejava o fato de que, pela primeira vez, o investimento chinês no Brasil seria voltado não apenas para a exploração de commodities, e sim para a produção na área tecnológica, com maior valor agregado. O Brasil ingressaria em um seleto clube de países fabricantes de telas para tablets e celulares - seria o primeiro no Ocidente a ter plantas voltadas para esse fim. Com isso, o preço de um iPad, o tablet da Apple, cairia cerca de 30%, segundo calculava Mercadante.
Passados quatro anos, nada disso aconteceu - salvo o fato de que a Foxconn realmente se instalou no Brasil, aproveitando as inúmeras vantagens fiscais que lhe foram oferecidas pelo governo, mas produzindo resultados muito mais modestos do que fazia supor a fanfarra da dupla Dilma-Mercadante.

Sua linha de montagem no País, instalada em Jundiaí (SP), não emprega nem um décimo do que foi anunciado, tampouco envolve empregos de qualidade - os funcionários que lá trabalham se queixam das condições que lhes são oferecidas e da falta de perspectivas, já que desempenham tarefas meramente repetitivas e que exigem formação simples.

Em lugar da prometida revolução, que deveria incluir transferência de tecnologia "sem condições" e nacionalização de peças, segundo informou Mercadante na época, a Foxconn dedicou-se a fabricar produtos mais baratos, explorando tecnologia ultrapassada para economizar custos, em vez de usar o que havia de mais avançado.

Além disso, a empresa - sempre em linha com a prática do governo de criar expectativas grandiosas que mais tarde não se confirmam - comprometeu-se em 2012 a levantar uma fábrica em Itu (SP), com um investimento de R$ 1 bilhão. Até agora, no terreno da tal indústria não há nada - e a prefeitura local se queixa das "promessas vazias".

A principal dificuldade alegada pela Foxconn para ampliar seus investimentos, assim como ocorre na indústria brasileira em geral, é a baixa produtividade no País, dado que teria sido subestimado pela empresa quando se comprometeu com Dilma. Ademais, o governo esperava arranjar um parceiro brasileiro para a Foxconn - Eike Batista era um dos cotados -, mas não apareceram interessados, restando apenas o BNDES como sócio. Como o BNDES não pode ter mais de 30% de participação acionária, o grandioso projeto da empresa taiwanesa - festejado por Dilma como a prova da confiança dos investidores no Brasil e na competência dos petistas para desenvolver o País - acabou engavetado.

Original aqui

Twitter

U.V.

Manchetes do dia

Terça-feira, 21 / 04 / 2015

O Globo
"Levy - balanço marcará a reconstrução da Petrobras"

Ministro defende mais participação do setor privado no conselho

'Quando você tem chefes de empresas indo para a cadeia porque violaram a lei, isso é bom,' afirmou o titular da Fazenda, em Nova York, quando perguntado sobre a apreensão do mercado com a corrupção na estatal

Em evento em Nova York, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, afirmou ontem que a divulgação do balanço auditado da Petrobras, prevista para amanhã, vai “acabar com as preocupações" dos investidores. "Marca um novo passo na reconstrução da Petrobras", disse. Ele defendeu ainda a renovação do Conselho de Administração da estatal com profissionais do mercado, em detrimento de indicados políticos. Perguntado sobre a apreensão do mercado com a corrupção na companhia, Levy respondeu: "Quando você tem chefes de empresas indo para a cadeia porque violaram a lei, isso é bom."

Folha de S.Paulo
"Dilma aprova proposta que triplica verba para partido"

Por apoio político, presidente sanciona Orçamento com R$ 868 milhões a siglas

Em um momento de ajuste fiscal para reequilibrar as contas, a presidente Dilma Rousseff sancionou o Orçamento Geral da União de 2015 sem vetar a proposta que triplica os recursos públicos ao fundo partidário.

O instrumento é uma das principais fontes de arrecadação dos partidos políticos, cuja verba minguará em decorrência da Lava Jato.

Empreiteiras já avisaram a lideranças partidárias que não devem fazer doações nos pleitos municipais de 2016.

No projeto original, o governo destinava R$ 289,5 milhões ao fundo, mas o relator do Orçamento no Congresso, senador Romero Jucá (PMDB-RR), subiu o valor para R$ 867,5 milhões.

A decisão de Dilma é política, a fim de agradar à base aliada. A presidente precisa desse apoio para aprovar medidas do ajuste fiscal.

Financiado com recursos públicos, o fundo serve para custear gastos dos partidos. Cabe a cada um definir como usar a verba.

Twitter  

segunda-feira, abril 20, 2015

Dominique

Opinião

Que bicho é esse?

Gabeira
Na fronteira do Piauí com o Ceará, onde está o cânion do Rio Poti, as pedras são a grande atração. Suas formas nos desafiam, as composições derrotam nosso desejo de classificá-las. A exceção são as pedras que lembram bichos. Nesse caso ganham um nome: Pedra da Baleia, da Tartaruga. Na última viagem a Brasília, examinando a configuração que o governo tomou ao longo da crise, senti-me desafiado a descrevê-lo: que bicho é esse? Como muitas pedras no cânion do Rio Poti, não é nada parecido com imagens familiares.

Acuado pela pressão das ruas, o PT lançou mão de Joaquim Levy para tocar a economia e do PMDB para tocar a política. Na Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha reina, às vezes, com um enfoque autoritário. Proibiu que presos fossem à CPI, mas blindando o intermediário do PMDB, Fernando Baiano. Como o PMDB se dispõe a fazer avançar a agenda do capitalismo e suas metamorfoses e promete garantir a liberdade de imprensa, abriu um crédito, senão de simpatia, pelo menos de tolerância.

Outro dia, uma emissora de TV, extremamente crítica ao governo, ressaltava a habilidade de Temer em bloquear a CPI do BNDES. A locutora não queria entrar no mérito, apesar de destacar essa qualidade. Acontece que é impossível dissociar a habilidade do objetivo de sua ação: desvendar a atuação do banco é algo importante para o momento, e fundamental quando se escrever a história desses anos de governo petista.

Numa conferência, Fernando Henrique Cardoso afirmou que a sociedade não pode viver em guerra e que, em algum momento, haveria um acordo. Fernando Henrique está equivocado sobre a necessidade de seu partido manter distância do movimento das ruas. E está equivocado quando diz que impeachment é uma bomba atômica. O impeachment pedido pelas multidões não é uma bomba atômica. É uma batata quente nas mãos de um grupo que não gosta de combater, que sonha em cruzar as estradas enlameadas sem sujar o guarda-pó.

Se houver algum tipo de acordo, sem consulta às ruas, será apenas uma tentativa de esvaziar o movimento. E confirmar, como dizem tantos jornalistas próximos ao governo, que as multidões não têm foco e vão se dispersar.

Como fazer um acordo com Joaquim Levy sobre o ajuste fiscal? Ou com Temer sobre a paz política? Um influencia a economia, outro, a política, mas o PT continuará dominando a máquina.

Que sentido tem um esforço fiscal com a máquina dominada pelo PT? Eles não aceitam cortes nem admitem a corrupção em todos os níveis do governo. Vamos poupar para que a máquina continue sendo assaltada? Estamos falando com intermediários do PT, Levy e Temer.

Que tipo de horizonte político o PMDB pode garantir? Renan Calheiros e Eduardo Cunha estão sendo investigados pela PF. Mas não deixam o cargo enquanto o processo se desdobra. Uma demanda desse tipo pode ser quixotesca agora. Mas não no futuro, quando o país amadurecer. O máximo que o PMDB pode fazer é segurar uma das alças do caixão da Nova República. Isto é participar de uma fase de transição que leve a 2018.

A configuração que se criou em Brasília, com o PMDB ocupando espaços do PT e Joaquim Levy negociando o ajuste, libera Dilma para uma atuação simbólica, de rainha da Inglaterra. Enquanto Levy trabalha e o PMDB tranquiliza, o PT apenas hibernará. Se o ajuste econômico for um fracasso, será um fracasso da política dos adversários.

Nunca vi uma situação como essa, ou mesmo um partido tão rejeitado nas ruas. Ao perder a iniciativa na economia e na política, só lhe resta se apegar aos cargos no governo. E esperar um momento para levantar a cabeça. Este momento para mim é muito remoto. Milhões de brasileiros acompanham os escândalos. É uma ilusão pensar que esquecem. O ano que vem vai mostrar aos candidatos municipais do PT o tamanho da conta a pagar.

Não adianta construir um esconderijo perfeito. Pouco se avançará sem a punicão dos assaltantes da Petrobras e outras empresas do governo. E nada se avançará sem que os partidos assumam sua responsabilidade nos escândalos de corrupção.

Fernando Henrique tem razão: a sociedade não pode viver em guerra permanente. Mas também não pode ser vítima de um assalto permanente.

Esse é o grande nó a ser desatado. Alguns conhecidos de esquerda acham que a corrupção é secundária, angústia de pequenos burgueses. Outros me chamam de velho conservador e dizem que se viver mais dez anos vou defender a monarquia absolutista. Eles esperam que viva mais. Fico agradecido. Teremos tempo para cuidar de nossas divergências.

Mesmo porque agora o poder, de uma certa maneira, se deslocou. Vamos cuidar do PMDB, do ajuste fiscal e esperar que a esquerda oficial saia da toca. Muitos dos seus quadros não andam nas ruas, não sabem o que os espera. 

Original aqui

Twitter

U.V.

Manchetes do dia

Segunda-feira, 20 / 04 / 2015

O Globo
"Petrobras paga por equipamento inútil"

Empresa gasta US$ 3 milhões por ano com material sem uso

Itens comprados em 2010, em caráter emergencial, perderam a função após mudança no projeto do complexo petroquímico, em Itaboraí; hoje estão armazenados em dois pátios, ao custo médio de U$$ 360 por hora

Mudança no projeto do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), em Itaboraí, tornou inútil metade do equipamento comprado pela Petrobras, em caráter emergencial, em 2010. Todo esse material permanece há cerca de três anos em pátios na Ilha do Governador e em Itaguaí, onde o armazenamento custa em média US$ 360 por hora. A despesa anual com o depósito é de US$ 3 milhões contam José Casado, Bruno Rosa e Ramona Ordonez.

Folha de S.Paulo
"PT teme multa milionária por desvios na Petrobras"

Punição, estimada em US$ 200 mi, pode inviabilizar partido, dizem dirigentes

A cúpula do PT teme que o funcionamento do partido seja inviabilizado pela multa “astronômica” que deve receber para ressarcir os cofres públicos pelos desvios na Petrobras. O valor deve ficar entre US$ 150 milhões e US$ 200 milhões, calcula.

A quantia equivale ao total citado em delação por Pedro Barusco, ex-gerente da petrolífera, como propina paga à sigla e ao seu então tesoureiro, João Vaccari Neto, entre 2003 e 2013. O dinheiro saiu dos 90 maiores contratos da empresa.

O Ministério Público já sinalizou que pedirá punições às legendas envolvidas na Lava Jato, mas não detalhou quais serão. Para petistas, a sanção financeira “destruirá” o partido porque a fonte de arrecadação de recursos para pagá-la “secou”.

Mesmo antes de decidir, na sexta (17), suspender o recebimento de doações de empresas privadas, o PT já avaliava que as contribuições desapareceriam. Em caso de punição, o acesso ao fundo partidário também pode ser suspenso.

Twitter  
 
Free counter and web stats