sábado, abril 18, 2015

Dominique

Opinião

Desinteresse dos europeus

O ESTADO DE S.PAULO
Cansada de esperar propostas aceitáveis, a União Europeia (UE) retirou de sua lista de assuntos prioritários as negociações do acordo de livre-comércio com o Mercosul. Dos temas comerciais relevantes a que o bloco europeu dedicará atenção neste ano fazem parte as negociações de acordos com os Estados Unidos e países da Ásia e o aprofundamento das relações com Geórgia, Moldávia, Ucrânia, Canadá e Cingapura, como mostrou o Estado em reportagem do correspondente em Genebra, Jamil Chade. O Mercosul não é mencionado.

Não se trata de desprezo ou desfeita aos países do Cone Sul. Talvez seja simples cansaço com a demora dos países integrantes do Mercosul - Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai e Venezuela - em se entender a respeito de uma proposta minimamente aceitável pelos europeus. Se for isso, sua decisão está plenamente justificada. Afinal, as negociações entre os dois blocos para a celebração de um acordo de livre-comércio foram lançadas em 1999.

Pouco se avançou desde então. Entre 2004 e 2010, as negociações ficaram totalmente bloqueadas, sem nenhuma iniciativa das partes. Foram retomadas em 2010, tendo sido realizadas diversas reuniões para a discussão de temas como acesso a mercado de bens, defesa comercial, solução de controvérsia, concorrência, investimentos, serviços, barreiras técnicas e sanitárias, entre outros, informa o Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Em 2014, os entendimentos pareciam evoluir, com o compromisso dos países do Mercosul de apresentar proposta conjunta do grau de abertura de seus mercados para bens e serviços europeus.
Não têm faltado discursos e declarações de autoridades europeias e brasileiras a respeito da necessidade de concluir os entendimentos, para afinal assinar o acordo que, indiscutivelmente, beneficiaria as duas partes, estimulando o comércio e a integração entre elas.

O interesse da União Europeia no estreitamento das relações com os países latino-americanos é evidenciado pelo fato de o bloco já possuir acordos de livre-comércio com 11 dos 19 países da região. Com os acordos, os países latino-americanos têm mais oportunidades de acesso a um dos maiores mercados do mundo. Na falta de acordo com o Mercosul, a UE fica sem acesso facilitado a países que respondem por cerca de 60% do PIB latino-americano.

Dirigentes europeus em passagem pelo Brasil nos últimos meses enfatizaram a importância da conclusão do acordo entre o Mercosul e a UE. Em junho do ano passado, a chanceler alemã, Angela Merkel, por exemplo, garantiu que "nós temos muito interesse" em alcançar um acordo entre os dois blocos e, após encontro com a presidente Dilma Rousseff, garantiu: "Farei o que for possível para que possamos avançar e superar os obstáculos".

No mês seguinte, o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, disse esperar que o movimento para a conclusão do acordo ocorresse ainda no ano passado. "O Mercosul e a União Europeia andam a namorar já há 15 anos", afirmou. "Não será altura de dar um passo em frente e dizer que 'sim'?" Ao mencionar a hipótese de um acordo direto da UE com o Brasil, Barroso identificou o grande obstáculo à conclusão dos entendimentos - a resistência de outro membro do Mercosul, a Argentina, à redução das tarifas de importação - e irritou o governo argentino.

A oferta do Mercosul está em exame em Bruxelas, sede da União Europeia. Em fevereiro, o ministro do Exterior da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier, disse - ao lado chanceler brasileiro, Mauro Vieira - que seu país tem interesse em acelerar as negociações e que "vamos tentar o possível para que o processo seja acelerado".

Não parece ter tido êxito. O novo presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, da Letônia, tem outras preocupações. Isso deve retardar ainda mais o avanço das arrastadas negociações entre os dois blocos. O Brasil, amarrado às regras do Mercosul que o impedem de negociar acordos comerciais, vai perdendo oportunidades de obter acesso mais fácil a seus principais mercados e de ampliar suas exportações.

Original aqui

Twitter

U.V.

Manchetes do dia

Sábado, 18 / 04 / 2015

O Globo
"Petrobras recebe socorro de R$ 9 bi e vende plataformas"

Empréstimo saiu do BB, Caixa e Bradesco. Unidades serão vendidas para banco inglês.

Mesmo antes de publicar seu balanço do ano passado por causa do escândalo de corrupção investigado na Lava Jato, a Petrobras conseguiu captar cerca de RS 9,5 bilhões com dois bancos públicos — Banco do Brasil e Caixa — e o Bradesco, além de R$ 9,1 bilhões com a venda de plataformas uma instituição britânica, que vai alugá-las de volta à estatal. No início do mês, a Petrobras já havia obtido R$ 10 bilhões com um banco chinês. Petrobras e BB alegam que a empresa tem empresa tem capacidade de pagamento. A oposição viu na operação uma manobra do governo e fala em "maquiagem” dos números da estatal. O balanço deve ser divulgado na quarta. 

Folha de S.Paulo
"Impeachment é desespero da oposição, diz governo"

Dilma monta operação para negar irregularidades em manobras fiscais

A presidente Dilma Rousseff fez uma operação para contra atacar a ofensiva da oposição, que tenta justificar eventual impeachment contra a presidente, em manobras fiscais do primeiro governo da petista. Ela escalou o ministro da Justiça, o advogado-geral da União e o procurador-geral do Banco Central para negar que tenha havido crime em recorrer a bancos públicos para fazer repasses de responsabilidade do Tesouro, conforme interpretou o Tribunal de Contas da União. O relatório do TCU será analisado com as contas de Dilma. Se rejeitadas, pode haver margem para processo contra a presidente. “Há um desespero compulsivo para justificar pedido de impeachment. Não há fato jurídico que justifique isso”, disse o ministro José Cardozo (Justiça). Para o PSDB, Cardozo agiu “à beira de ataque de nervos" e militou para o PT.

Twitter  

sexta-feira, abril 17, 2015

Sadia - 1970


Coluna do Celsinho

Prefeito e Vice

Celso de Almeida Jr.

Soube do rompimento do vice prefeito Caribé com o prefeito Maurício.

Lamento, claro.

Prefiro não entrar no mérito.

Vale lembrar, porém, que estamos em ano pré-eleitoral.

Nestas horas, os possíveis candidatos avaliam a conveniência de manter alianças.

Estar abraçado ao prefeito Maurício Moromizato - hoje - é uma boa opção?

No caso de Caribé, caso decida disputar a prefeitura de Ubatuba, o desligamento precisaria ocorrer em algum instante.

Afinal, Maurício possivelmente tentará a reeleição e há muito já tínhamos sinais de que a dobradinha não se repetiria.

Sérgio Caribé, portanto, entra em voo solo.

Seus movimentos, daqui para frente, permitirão ao grande público avaliar com mais clareza os seus métodos de articulação.

Acostumado com a política e com os políticos, vou assistir de binóculos.

Talvez, até, de luneta.

Gato escaldado nestes casos, a experiência ensina - assim como em briga de marido e mulher - a não meter a colher.

Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com.br

Twitter

Dominique

Opinião

A crise não dá trégua

O ESTADO DE S.PAULO
Água morro abaixo e fogo morro acima, diz a sabedoria popular, ninguém segura. É o que se pode dizer também da crise política em que a soberba e o sentimento de impunidade do PT mergulharam o País ao longo de 12 anos em que a gestão da coisa pública foi colocada prioritariamente a serviço de um projeto de poder. Dia após dia, novas revelações sobre desmandos do governo e investigações criminais no âmbito público explicitam as razões pelas quais os índices de avaliação popular da administração petista e do desempenho pessoal da presidente Dilma Rousseff situam-se em níveis baixíssimos.

A gravidade da situação fica evidenciada, do ponto de vista político-institucional, pelo fato de que o efeito bola de neve da crise está levando ao fortalecimento da demanda popular pelo "fora Dilma", reiteradamente apoiada por pesquisas de opinião e pelas manifestações de rua. E a novidade é que essa reivindicação, até agora tratada com a indispensável cautela pela representação política institucional, começa a ser adotada como bandeira pelos partidos de oposição.

Isso significa que o debate sobre o impeachment passa a fazer parte da pauta política do Congresso Nacional e poderá resultar, talvez mais brevemente do que se possa imaginar, no pedido formal de afastamento da presidente da República.

Conforme já foi mais de uma vez dito neste espaço, impeachment não é golpe, como deseja fazer crer o PT. Trata-se de recurso constitucional, remédio amargo para situações extremas, sempre com as cautelas legais e políticas necessárias para minimizar o inevitável impacto da deposição de um governante que tenha perdido a legitimidade com que foi eleito.

Estabelece a Constituição que o presidente da República pode ser acusado, no exercício de suas funções, tanto por infrações penais comuns quanto por crimes de responsabilidade. Em ambos os casos a acusação formal deve ser submetida à Câmara dos Deputados, que a aceitará ou recusará pela maioria qualificada de dois terços de seus integrantes. Aceita a acusação pelos deputados, quando se tratar de crimes comuns, o julgamento será feito pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Nos crimes de responsabilidade, a decisão cabe ao Senado, também com quórum qualificado de dois terços.

Os crimes de responsabilidade do presidente da República, previstos no artigo 85 da Constituição, são, entre outros, aqueles praticados contra a existência da União, o livre exercício dos Poderes da República, o exercício dos direitos políticos e a probidade na administração. Nesses casos, o julgamento assume caráter essencialmente político, pelo simples fato de a decisão caber não a magistrados, mas aos senadores da República. Essa certamente é uma condição que será levada em conta pelos partidos de oposição ao propor à Câmara um pedido de impeachment de Dilma Rousseff.

Até agora as investigações da Operação Lava Jato não levantaram nenhuma prova direta do envolvimento de Dilma Rousseff no escândalo da Petrobrás. Mas, como afirmou o procurador-geral, Rodrigo Janot, as investigações que envolvem políticos serão necessariamente demoradas. No mesmo dia o Tribunal de Contas da União (TCU) decidiu, por unanimidade, que as manobras que foram realizadas pelo Tesouro com dinheiro de bancos públicos para maquiar as contas públicas constituem crime de responsabilidade. Essa decisão não atinge Dilma, mas envolve 17 ministros, ex-ministros ou altos executivos de seu governo, como Guido Mantega, Luciano Coutinho, Nelson Barbosa, Alexandre Tombini e Aldemir Bendine, este hoje presidente da Petrobrás. Todos têm 30 dias para se explicar junto do TCU.

Na mesma quarta-feira, estimulados pelos últimos acontecimentos, os partidos de oposição - PSDB, PPS, DEM, PSB, SD e PV - reuniram-se em Brasília e decidiram que apresentarão à Câmara, em conjunto e em breve, pedido de abertura de processo de impeachment contra a presidente. Pelo jeito, depois de mais de 12 anos os tucanos, no embalo da água que desce e do fogo que sobe, parecem ter descoberto que formam o principal partido da oposição e só serão levados a sério se seus atos tiverem alguma contundência.

Original aqui

Twitter

U.V.

Manchetes do dia

Sexta-feira, 17 / 04 / 2015

O Globo
"Uso político agrava rombo de fundos de pensão"

Petros, da Petrobras, teve R$ 6,2 bi de prejuízo em 2014

Situação se repete em fundos de outras estatais, com cargos ocupados por sindicalistas ligados ao PT e também ao PMDB, como o Postalis

Como os principais cargos divididos entre petistas, a Petros, fundo de previdência da Petrobras, deverá repetir este ano o resultado negativo de 2014, de R$ 6,2 bilhões, segundo relatório de conselheiros independentes da entidade. A situação se repete em fundos de pensão de outras estatais, como o Postalis, dos Correios, e o Funcef, da Caixa, também administrados por indicados políticos. A Petros entrou na mira da Lava Jato depois que um dos delatores afirmou que o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, preso anteontem, intermediou um negócio da fundação que teve propina de R$ 500 mil. Caso o rombo se repita em 2015, funcionários e aposentados terão que cobri-lo com uma contribuição extra.

Folha de S.Paulo
"Decisão do TCU cria risco de rejeição de contas para Dilma"

Eventual reprovação pelo Congresso pode justificar abertura de processo de impeachment contra presidente, diz Aécio

Manobras fiscais do primeiro governo Dilma (PT), consideradas crime de responsabilidade pelo Tribunal de Contas da União, serão analisadas com as contas de 2014. Para o órgão, houve descumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal. A Folha apurou que ministros e técnicos do TCU pretendem recomendar ao Congresso a rejeição dessas contas, um fato inédito. O tribunal aprovou relatório considerando que o governo violou a lei ao usar bancos públicos para cobrir despesas a serem bancadas pela União — são as chamadas “pedaladas fiscais”. O senador Aécio Neves (PSDB-MG) diz que a decisão pode justificar um processo de impeachment, que poderia afastar Dilma para que ela responda por crime de responsabilidade. O advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, disse que vai recorrer contra do relatório do TCU e criticou os que já falam em possibilidade de afastamento de Dilma. “Desde 2001 essa sistemática de pagamentos acontece. Por que só agora estão questionando isso?” Nunca um presidente teve as contas rejeitadas, nem Collor , alvo de processo de impeachment em 92.

Twitter  

quinta-feira, abril 16, 2015

Dominique

Opinião

A polícia mais perto do PT

O ESTADO DE S.PAULO
Uma enorme lacuna no quadro das investigações da Operação Lava Jato, que saltava aos olhos diante da esmagadora evidência dos fatos, foi corrigida ontem com a prisão preventiva, pela Polícia Federal, daquele que é o principal responsável na direção nacional do PT pelo abastecimento do caixa do partido com os recursos provenientes do propinoduto montado na Petrobrás em cumplicidade com o cartel de grandes empreiteiras de obras: o secretário de Finanças João Vaccari Neto, também conhecido entre a tigrada como "Moch", por causa da inseparável mochila que leva até para reuniões de negócios.

A prisão vai permitir que Vaccari reencontre em Curitiba aquele que as investigações apontam como um de seus cúmplices mais importantes, o então diretor de Serviços da petroleira, Renato Duque, acusado de ser o principal representante do PT no esquema de assalto à Petrobrás.

A prisão preventiva de Vaccari foi determinada pelo juiz Sergio Moro, para quem manter o investigado em liberdade "ainda oferece um risco especial, pois as informações disponíveis na data desta decisão são no sentido de que João Vaccari Neto, mesmo após o oferecimento contra ele de ação penal pelo Ministério Público Federal (...), remanesce no cargo de tesoureiro do Partido dos Trabalhadores. Em tal posição de poder e de influência política, poderá persistir na prática de crimes ou mesmo perturbar as investigações e a instrução da ação penal".

Na semana passada, chamado a depor na CPI da Petrobrás, na Câmara dos Deputados, Vaccari negou-se a responder a quase todas as perguntas, escudando-se em liminar da Justiça que o desobrigava de fornecer informações que pudessem comprometê-lo nas investigações do escândalo. Vaccari só ousou se manifestar para repetir que todas as "doações" recebidas pelo PT das empreiteiras envolvidas na Lava Jato foram "legais" e "devidamente registradas no TSE". O que provavelmente é verdade, mas não elide o fato de que a origem do dinheiro pode ser criminosa, produto de propina, como a Lava Jato tem comprovado sem sombra de dúvidas.

Resta saber agora a atitude que será assumida pelo PT: tomar a precaução tardia de afastar seu tesoureiro das funções que exerce no Diretório Nacional ou promovê-lo ao Panteão dos "guerreiros do povo brasileiro", como fez com seus dirigentes condenados no processo do mensalão.

A prisão de Vaccari Neto, no entanto, foi apenas mais um espinho na coroa que o escândalo da Petrobrás representa para o PT e o governo. No mesmo dia, a Folha de S.Paulo publicou denúncia do executivo da empresa holandesa SBM Offshore Jonathan Taylor, que acusou a Controladoria-Geral da União (CGU) de ter esperado três meses para - somente depois das eleições presidenciais - tomar providências, em novembro do ano passado, em relação às denúncias detalhadas, apresentadas em agosto, de que a empresa teria pago propina de US$ 31 milhões à Petrobrás para poder fazer negócios com a estatal. A SBM tem com a petroleira contratos de locação de plataformas de exploração de petróleo.

Taylor revelou ter encaminhado à CGU documentos que comprovam depósitos feitos, entre 2008 e 2011, na conta de uma empresa com sede nas Ilhas Virgens e controlada pelo lobista brasileiro Júlio Faerman, apontado como o intermediário da operação de suborno. Essas informações integram o dossiê enviado por Taylor à CGU via e-mail, no dia 27 de agosto do ano passado. Depois de confirmar o recebimento, no início de outubro a CGU enviou três funcionários a Londres, onde Taylor reside, para tomar seu depoimento, o que foi feito no dia 3. Somente em 12 de novembro, após o segundo turno da eleição presidencial e o anúncio de um acordo com o Ministério Público holandês, a CGU decidiu abrir processo contra a SBM. E explicou que somente naquele momento conseguira identificar elementos de "autoria e materialidade" para tomar providências legais.

A denúncia de Jonathan Taylor envolve duas questões graves: o pagamento de propina por um fornecedor da Petrobrás e, muito pior, a suspeita de que a CGU protelou suas ações para poupar a candidata à reeleição de graves constrangimentos. O governo brasileiro, é claro, nega tudo. Mas Dilma Rousseff parece estar envolvida em mais uma grossa encrenca.

Original aqui

Twitter

U.V.

Manchetes do dia

Quinta-feira, 16 / 04 / 2015

O Globo
"TCU aprova relatório que vê crime em manobras fiscais"

Tribunal vai ouvir 17 pessoas, entre elas Mantega, Tombini e Bendine

Autoridades terão 30 dias, não prorrogáveis, para prestar esclarecimentos sobre atrasos em repasses

O Tribunal de Contas da União aprovou, por unanimidade, o voto do ministro José Múcio Monteiro que considerou ilegais as manobras da equipe econômica do governo Dilma, as chamadas “pedaladas fiscais” de 2013 e 2014. O Tesouro atrasou repasses de recursos a bancos públicos, ferindo a Lei de Responsabilidade Fiscal. Múcio vai ouvir 17 pessoas, entre elas o ex-ministro Guido Mantega, o titular do BC, Alexandre Tombini, e o então presidente do Banco do Brasil e atual comandante da Petrobras, Aldemir Bendine. A decisão do TCU deve reforçar pressão da oposição sobre o governo. Aécio Neves disse que “haverá consequências”.

Folha de S.Paulo
"PF prende Vaccari, tesoureiro do PT"

Para Justiça, suspeito de corrupção na Lava Jato poderia continuar a cometer crimes se ficasse solto; PT critica decisão

A Polícia Federal prendeu em São Paulo o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto. Ele é acusado, entre outras irregularidades, de usar uma gráfica para recolher ilegalmente doações de empreiteira com negócios na Petrobras. O Ministério Público Federal aponta o dirigente petista como o operador da sigla nos desvios de verba apurados na Operação Lava Jato na estatal. Cinco delatores relataram envolvimento dele no esquema de propinas. Um deles, li gado à empresa Toyo Setal, disse que foi orientado por Vaccari a repassar propina devida ao PT para gráfica ligada a sindicatos da CUT. Os pagamentos, entre 2010 e 201 3, totalizaram R$ 1, 5 milhão. O tesoureiro foi detido pela polícia em casa, de manhã, pouco antes de sair para uma caminhada. Depois disso, o PT anunciou seu afastamento da função. Sem algemas, ele foi levado para a sede da PF em Curitiba. O juiz Sergio Moro justificou a prisão ao dizer que, se ficasse solto, Vaccari teria influência para continuar praticando crimes ou atrapalhar investigações. Moro apontou operações suspeitas envolvendo parentes do petista. Parlamentares da oposição avaliam que a prisão comprova a relação do PT com o esquema de corrupção. Os advogados de Vaccari e de sua família não foram localizados. O PT criticou a decisão judicial.

Twitter  

quarta-feira, abril 15, 2015

Dominique

Opinião

Direita e esquerda

Delfim Netto
Há algum tempo tudo era simples e claro. De "direita" era o sujeito antiquado, pouco imaginativo, resistente ao "progresso", defensor da "ordem", que acreditava na produtividade do trabalho e desconfiado da democracia. Estava preocupado com a sua "liberdade", que, a história mostra, costuma ser morta pelo excesso de "igualdade". Acreditava em Deus e que, no mundo que Ele criou, 2+2=4, o que ele comprovava, empírica e diariamente.

De "esquerda" era o sujeito "progressista", que defendia a "igualdade" da qual emergiria, naturalmente, a "liberdade". Supunha-se portador do futuro e, portanto, saber para onde iria o mundo. Os intelectuais do século 20, inclusive no Brasil, lhe haviam ensinado a "verdade": o mundo caminha para o socialismo e ele está sendo construído por Lenin e Stalin, no paraíso soviético...

O fantástico paradoxo é que os mesmos intelectuais, na mais plena ignorância das limitações sociais e físicas que sofriam a construção daquele paraíso, reforçavam a certeza que Deus já tinha morrido e, consequentemente, a restrição 2+2=4 era apenas mais uma imposição autoritária da injustiça social construída pelos interesses do miserável "capitalismo".

A mensagem generosa e libertária da "esquerda" (o "eu posso" dos 20 anos sem ter sofrido a vida), aliada ao sentimento natural de solidariedade do ser humano, era um atrativo irresistível. Ainda mais quando apoiada na lógica implacável de Marx sobre as injustiças ínsitas na organização capitalista, principalmente na sua vulgata para consumo nas batalhas juvenis dos diretórios acadêmicos.

Hoje tudo é confuso e complicado. "Direita" e "esquerda" perderam o seu vigor e a sua graça. Estão mais para sinal de trânsito do que ferramentas na batalha para construir uma sociedade civilizada, onde o lugar de cada cidadão não dependerá do acidente do seu nascimento e a transmissão geracional da riqueza acumulada, pelo mérito ou pelo acaso, será mitigada.

Um dos mais respeitados e insuspeitos intelectuais de esquerda, o economista e professor Robert Heilbroner reconheceu que "há menos de 75 anos do começo da competição entre capitalismo e socialismo (o 'real', digo eu), ela terminou: o capitalismo venceu... Tivemos a mais clara prova que o capitalismo organiza os problemas materiais da humanidade mais satisfatoriamente do que o socialismo" ("New Perspectives Quarterly", Fall, 1989).

Perdemos a clareza, mas aprendemos que quem civiliza o capitalismo é o sufrágio universal que os trabalhadores inventaram no século 19 para defenderem-se do poder do capital que se exprime nos mercados. 

Original aqui

Twitter  

U.V.

Manchetes do dia

Quarta-feira, 15 / 04 / 2015

O Globo
"Obama decide tirar Cuba de lista do terror"

Congresso dos EUA, porém, tem de aprovar recomendação do presidente

Desde 1982, inclusão na relação de países que apoiam terrorismo dificulta o acesso da ilha a financiamentos internacionais

Três dias após o histórico encontro no Panamá com o líder cubano Raúl Castro, o presidente dos EUA, Barack Obama, informou ontem ao Congresso que decidiu retirar o país da lista de Estados que apoiam o terrorismo. Por seu apoio às Farc, na Colômbia, e ao ETA, na Espanha, Cuba faz parte da relação, que leva à imposição de sanções por Washington e dificulta o acesso a financiamentos internacionais, desde 1982. A lista tem hoje apenas três outros integrantes: Irã, Sudão e Síria. O Congresso americano tem agora 45 dias para aprovar ou não a recomendação do presidente. Caso seja rejeitada, Obama pode usar o veto para fazer valer sua decisão. O governo cubano elogiou a medida, que qualificou de justa. A iniciativa é mais um passo na reaproximação dos dois países, iniciada em dezembro, e remove o principal entrave para a reabertura das embaixadas.

Folha de S.Paulo
"Dilma indica ministro ao STF depois de 8 meses"

Para assumir , Luiz Edson Fachin precisa de aprovação do Senado

Depois de quase oito meses de protelação, a presidente Dilma Rousseff (PT) decidiu indicar o advogado Luiz Edson Fachin, do Paraná, para vaga de ministro do Supremo Tribunal Federal. O STF trabalhava com dez ministros desde a aposentadoria de Joaquim Barbosa, o que provocou desconforto entre a corte e o Planalto. Para poder assumir, Fachin, 57, precisa ser sabatinado em comissão do Senado e ter o nome aprovado pelo plenário da Casa. Peemedebistas afirmam que Fachin tem ligações históricas com PT e CUT e já empunhou bandeiras próximas da esquerda. Ele é chamado por integrantes do PMDB de “candidato do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra)”. Vídeo de 2010 mostra Fachin pedindo votos para a então candidata do PT à Presidência. Ele não foi localizado para comentar.

Twitter  

terça-feira, abril 14, 2015

Dominique

Opinião

Um desafio e tanto

O ESTADO DE S.PAULO
Estudo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre as concentrações urbanas, que não param de crescer, com destaque para os deslocamentos de seus habitantes entre as cidades que as compõem, chama outra vez a atenção para a necessidade de implementar as regiões metropolitanas, que são o quadro institucional dentro do qual devem ser resolvidos os graves problemas criados por essa realidade. Esse é um desafio que vem de longe e só faz aumentar, mas nem por isso o poder público se decidiu a enfrentá-lo como deveria.

O trabalho que acaba de ser divulgado, feito com base nos dados do Censo de 2010, mostra que nas 26 grandes concentrações urbanas do País viviam naquele ano 79 milhões de pessoas, ou 41,3% da população brasileira. Mais de 7,4 milhões de pessoas se deslocavam diariamente entre as cidades desses aglomerados para trabalhar ou estudar. Como sabidamente os investimentos em transporte público ficaram muito aquém do que era preciso, e como a população continuou a crescer, os problemas só se agravaram desde então.

São Paulo ocupa uma posição especial nesse quadro, pois tudo, para o bem e para o mal, é superlativo no Estado. Ele é o único que tem mais de uma daquelas concentrações. São 5, a começar pela da capital e outros 35 municípios, com 19, 6 milhões de habitantes, seguindo-se as regiões de Campinas (1,8 milhão), Baixada Santista (1,5 milhão), São José dos Campos (1,4 milhão) e Sorocaba (779 mil). Outros estudos indicam que essas concentrações - que formam a já chamada Macrópole Paulista, com 153 das 645 cidades do Estado - têm 30 milhões de habitantes (72% do total de São Paulo) e respondem por 27% do PIB do País e 80% do PIB do Estado.

Outro dado importante referente ao Estado - daqueles 7,4 milhões de pessoas que se deslocam dentro das 26 concentrações, 1,7 milhão o faz na região metropolitana de São Paulo. Um número bem maior que o da segunda colocada, a do Grande Rio, com 1 milhão. O principal fator de integração entre os municípios, de acordo com o conceito de concentração adotado pelo IBGE, são esses deslocamentos. Eles mostram, com maior clareza que outros elementos, a interligação que ultrapassa as divisas territoriais dos conglomerados.

O principal desafio colocado por esse fenômeno de intensa urbanização continua sendo aumentar a oferta de transporte público de qualidade - rápido e confortável - nas capitais, única forma de levar mais pessoas a desistir do transporte individual e desafogar o trânsito. Isso significa um esforço, por parte do poder público, muito maior do que feito até aqui para melhorar o serviço de ônibus, único meio de transporte coletivo no qual se podem conseguir avanços significativos no curto prazo. E, pensando a médio e longo prazos, aumentar os investimentos em metrô e trens de subúrbio.

Mas a ele veio se juntar um outro - o do transporte intermunicipal para servir às cidades que integram conjuntos cada vez maiores e, portanto, mais distantes umas das outras. Nesse ponto, São Paulo tem feito alguns avanços, pelo menos no que se refere ao planejamento. Há projetos de trens regionais prontos para serem executados, como o do expresso que vai ligar São Paulo a Jundiaí, que terá conexões com linhas do Metrô e da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). Ele deverá transportar 20 mil passageiros por dia e se prevê que 40% das pessoas que hoje usam carro para o trajeto São Paulo-Jundiaí optarão pelo expresso.

Mas dificilmente se avançará, pelo menos não na velocidade necessária, se não se tornarem realidade as regiões metropolitanas, que criam mecanismos necessários para levar os municípios e os Estados a agirem de forma conjunta na solução de problemas que ultrapassam as fronteiras entre eles e que não se limitam aos transportes. A integração dos serviços de saúde e o combate às enchentes são alguns exemplos disso.

Já se estudou e se discutiu exaustivamente tudo sobre essa questão, inclusive levando em conta a experiência de outros países. É mais do que hora de agir.

Original aqui

Twitter

U.V.

Manchetes do dia

Terça-feira, 14 / 04 / 2015

O Globo
"Políticos investigados faziam romaria à Petrobras"

Foram 202 visitas de 26 suspeitos à estatal entre 2004 e 2014

O ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa recebeu 17 políticos, em 82 encontros

De 48 políticos investigados pelo Supremo Tribunal Federal a pedido da Lava-Jato, 26 frequentaram a Petrobras de 2004 a 2014, num total de 202 visitas. Até 2012, quando era diretor de Abastecimento, o agora delator Paulo Roberto Costa foi o que mais recebeu os políticos: 17 deles, em 82 encontros na estatal, relata EDUARDO BRESCIANI, que fez a apuração via Lei de Acesso à Informação. O deputado Aníbal Gomes (PMDB-CE) foi quem mais esteve com Costa na Petrobras — 30 vezes. O ex-deputado Pedro Corrêa, condenado pelo mensalão do PT e agora preso na Lava-Jato, foi transferido do Recife para Curitiba.

Folha de S.Paulo
"CGU esperou eleição de Dilma para abrir processo, diz delator"

Ex-executivo de firma holandesa relata entrega em agosto de dossiê sobre corrupção na Petrobras; órgão nega irregularidade

A Controladoria-Geral da União recebeu durante a eleição de 2014 provas sobre corrupção entre a Petrobras e a SBM, relatou Jonathan Taylor ex-executivo da empresa holandesa e delator do caso, a Leandro Colon. O órgão do governo só abriu processo contra a firma estrangeira em novembro, após a vitória de Dilma (PT). Delator na Holanda, Taylor afirma ter entregado, em 27 de agosto, dossiê incluindo contratos com o lobista Julio Faerman, elo da propina entre SBM e Petrobras. O órgão só divulgou o processo em 12 de novembro. Para ele, o atraso da CGU foi deliberado a fim de evitar danos à campanha de reeleição da presidente petista. A firma pagará US$ 240 milhões à Holanda para evitar punição naquele país. No Brasil, negocia com a CGU para auxiliar investigações. O órgão nega irregularidade e diz que abriu o processo em novembro porque foi quando encontrou “indícios mínimos” do caso.

Twitter  

segunda-feira, abril 13, 2015

Goggomobil


Pitacos do Zé

Insatisfação moral

José Ronaldo Santos
Todos se sentem inconformados com os grandes escândalos divulgados nas mídias, mas poucos se atém aos pequenos deslizes e corrupções que preenchem o nosso cotidiano. 

Os infratores até chegam ao cúmulo de se fazerem de vítimas de se acharem nos seus direitos.

Um exemplo: há algum tempo, já tem mais de um ano,  escutei  seguidamente um canto de passarinho que vinha da minha calçada. Sei que não é normal isso, sobretudo onde tem sempre gente circulando. Saí para ver e constatei a minha desconfiança: o vizinho se achou no direito de pendurar a gaiola no meu canteiro, no galho de resedá. 

Imediatamente eu pedi que a retirasse. “Eu não admito isso. Vai fazer o que você quiser no seu espaço”.

Nesta semana que passou, depois de muito tempo, novamente a coisa se repetiu. De novo eu chamei o fulano e pedi que retirasse a gaiola. Agora, preste atenção à sua fala: “Ó, me desculpe, eu não sabia que estava atrapalhando”.

É lógico que está! Está porque sou eu quem cuida  e quem paga pelo espaço da calçada. Está porque foi reincidência; já sabia que eu não compactuo com pássaros engaiolados. Está porque nem sequer imaginou que precisava solicitar o uso de espaço que não é dele. Na verdade, as árvores que mantenho na calçada, são símbolos de resistência após tantos passantes que as maltratam no cotidiano.

São essas “pequenas corrupções” que me causam maior insatisfação moral. Então está certo o Walcyr Carrasco ao dizer que “a corrupção maior é apenas a expressão de um tipo de vida que achamos até normal”.

Twitter

Dominique

Opinião

'É apenas o começo'

O ESTADO DE S.PAULO
A Operação Lava Jato já dura um ano. Nesse período, graças ao depoimento de ex-executivos da Petrobrás, de doleiros e de donos de empreiteiras presos, se descobriu um gigantesco esquema de corrupção que sangrou a estatal numa dimensão ainda desconhecida, favorecendo partidos e políticos a mancheias. A sensação, passado todo esse tempo, é de que o País já sabia tudo o que havia para saber a respeito do maior escândalo de sua história. Mas eis que, no mais recente capítulo desse drama, anunciado na sexta-feira pela Polícia Federal (PF) e pelo Ministério Público, o Brasil foi informado, pela boca do procurador Carlos Fernandes Santos Lima, de que tudo isso é "apenas o começo".

Isso significa que o escândalo ficará a pairar, por muito tempo ainda, sobre o mundo político, como espada de Dâmocles a ameaçar de decapitação vários daqueles que hoje se movimentam para ganhar centímetros de poder em meio ao esfacelamento do governo. A situação torna também potencialmente inútil todo o esforço da presidente Dilma Rousseff e de seus (poucos) fiéis defensores para superar a crise política e econômica que engolfa a sua desastrosa administração. O mar de lama - é essa a expressão adequada - tende a tragar tudo o que encontrar pela frente.

O procurador Santos Lima se referiu ao futuro da Operação Lava Jato em termos épicos. Ele disse que a investigação adentrará "mares nunca dantes navegados" - uma referência ao fato de que o escândalo é muito mais amplo do que até agora se sabe. "Há indícios de fraudes além da Petrobrás", afirmou o delegado da PF Márcio Anselmo, coordenador da investigação, confirmando recorrentes suspeitas de que a quadrilha que tomou de assalto a petroleira agiu em outras estatais e também em Ministérios.

A 11.ª fase da Lava Jato apura indícios de irregularidades em contratos publicitários da Caixa Econômica Federal e do Ministério da Saúde. Foram presas sete pessoas, entre elas três ex-deputados - André Vargas, que foi do PT; Luiz Argôlo, do Solidariedade; e Pedro Corrêa, do PP. A operação foi apelidada de "A Origem" porque atinge os políticos cujo envolvimento no esquema do doleiro Alberto Youssef, pivô do escândalo, foi o estopim de toda a Lava Jato.

Segundo a PF, uma agência de publicidade comandada por Ricardo Hoffmann, também preso, tinha contratos com a Caixa e o Ministério da Saúde. A agência então subcontratava fornecedores de material publicitário. Na hora de receber desses fornecedores a comissão de 10% sobre o contrato - o chamado "bônus de volume" -, a agência os orientava a fazer o pagamento a empresas controladas por André Vargas e seu irmão Leon, que também foi preso.

O padrão é semelhante ao do mensalão, em que as agências de Marcos Valério desviavam dinheiro de contratos publicitários com estatais para financiar políticos da base aliada de Luiz Inácio Lula da Silva. A Polícia Federal suspeita que o esquema tenha se repetido com o mesmo objetivo, sem ter necessariamente vinculação com o escândalo da Petrobrás, mas com ao menos um ponto em comum: o doleiro Youssef.

As conexões não param aí. Outro personagem que aparece tanto no escândalo do mensalão quanto no atual é o ex-deputado Pedro Corrêa (PP-PE). Segundo o juiz Sérgio Moro, que conduz o caso da Petrobrás, Corrêa recebeu propinas oriundas dos cofres da estatal no mesmo período em que estava sendo julgado pelo Supremo Tribunal Federal no caso do mensalão. Para Moro, Corrêa demonstrou "profissionalismo" na prática de crimes, além de evidente "desprezo" pela Justiça.

Sempre que novas revelações como essas são feitas nessa aparentemente interminável série de malfeitos, fica claro que a agenda do governo - e do País - está à mercê dos imprevisíveis desdobramentos das investigações que, conforme disse o delegado Anselmo, "ainda vão prosseguir por muito tempo". Assim, pode-se prever que o pouco que resta da capacidade de Dilma de governar, neste momento de crise cada vez mais aguda, não será suficiente para se impor ante a vaga de escândalos da qual, segundo seus investigadores, se conhece apenas a superfície.

Original aqui

Twitter

U.V.

Manchetes do dia

Segunda-feira, 13 / 04 / 2015

O Globo
"Novos protestos contra governo têm adesão menor"

PM calcula 700 mil nas manifestações. Organização fala em 1,5 milhão

Mobilização chegou a 252 cidades de 24 estados e do Distrito Federal, mas ficou aquém da que reuniu 2 milhões de pessoas em 15 de março

Pela segunda vez em menos de um mês, brasileiros saíram às ruas de todo o país para protestar contra a presidente Dilma Rousseff e contra os escândalos de corrupção. Desta vez, as manifestações tiveram adesão menor e mobilizaram cerca de 700 mil pessoas, de acordo com a Polícia Militar, contra 2 milhões que foram às ruas em 15 de março. Mas os organizadores dos protestos comemoraram o aumento de 147 para 252 no número de cidades que fizeram atos, o que, para eles, indica uma disseminação do sentimento de insatisfação com o governo. Como em 15 de março, os políticos de oposição preferiram não participar, e foram criticados pelos organizadores. Muitos manifestantes pediram o impeachment de Dilma e pequenos grupos voltaram a pedir intervenção militar. Desta vez, o governo não deu entrevistas para comentar a mobilização, mas a presidente usou uma página nas redes sociais, administrada pelo PT, para afirmar que o combate à corrupção é uma “ação permanente da sua gestão”.

Folha de S.Paulo
"Manifestantes voltam às ruas com menos força; ato em SP tem 100 mil"

Protestos ocorreram em diversas cidades; organizadores cobraram da oposição empenho pelo impeachment de Dilma

Grupos de oposição ao governo voltaram às ruas neste domingo (12) para protestar contra a corrupção, a presidente Dilma Rousseff e o PT. Os atos atraíram milhares de pessoas, mas foram menores que os realizados no dia 15 de março.

Houve movimentos em pelo menos 92 cidades, incluindo as capitais de 24 Estados e Brasília. A maior concentração foi registrada mais uma vez em São Paulo.

Cem mil pessoas se reuniram na avenida Paulista, de acordo com o Datafolha. Em março, 210 mil manifestantes estiveram na Paulista, segundo o instituto.
Pelas estimativas da Polícia Militar e de organizadores, os atos atraíram 275 mil pessoas em São Paulo e 268 mil nas outras capitais. No dia 15, segundo a PM, haviam reunido 1,7 milhão.

Em algumas capitais, líderes culparam a chuva pelo esvaziamento, caso de Salvador, Belém, Manaus e Porto Alegre. Em Macapá e em Boa Vista não houve ato.

Impedidos de falar nos protestos de março, os políticos mantiveram distância desta vez. Líderes dos grupos à frente dos atos cobraram dos partidos de oposição empenho pelo impeachment de Dilma.

Twitter  

domingo, abril 12, 2015

Dominique

Opinião

Hora e vez de Sibá Machado

Gabeira
Mais uma vez, o povo na rua. Grande parte de nossa esperança está depositada na sociedade. Ela é quem pode dinamizar a mudança. A maioria vai gritar “Fora Dilma”, “Fora PT”. Não há espaço agora para outras palavras. No entanto, a saída de Dilma é apenas o começo. Vai ser preciso um ajuste econômico. Todos deveriam se informar e tomar posição sobre ele. O governo Dilma não se mexe na redução de ministérios e cargos de confiança. Não há um projeto sério de contenção de gastos com a máquina. E sem isso, o impacto do ajuste, aumentando impostos e cortando benefícios sociais, dificilmente será digerido pelo Congresso e pela própria sociedade.

O Congresso é passível de suborno com verbas e cargos. A sociedade, não. Mas um simples ajuste econômico merecia um pouco mais de reflexão para além deste domingo.

Vale a pena retomar um crescimento apoiado no consumo de carros e eletrodomésticos? É possível superar a limitação do voo da galinha na economia brasileira, achar um caminho sustentável?

Os rios brasileiros estão exauridos. Vamos continuar a destruição? A Califórnia luta há anos com a escassez de água. É um estado que sempre soube se reinventar. Abriga a indústria do cinema, o Vale do Silício. Apesar de toda a experiência, a crise atual ameaça seu futuro.

Cada vez que um grande movimento vai às ruas pedindo a saída de Dilma, ela, na realidade, vai saindo aos pouquinhos. Hoje não controla a política, nem a economia. 

Inaugura, faz discursos para a claque. Apegado à negação de seus erros, o PT é quase um fantasma. Seu líder na Câmara é Sibá Machado. Ele acha que as manifestações do dia 15 e também as de hoje são organizadas pela CIA. E foi ao ministro da Fazenda pedir novos financiamentos para as empreiteiras do Lava-Jato.

A tendência é achar que o Sibá Machado não existe, que é criação de algum escritor dedicado ao realismo fantástico. Mas Sibá existe e ocupa a liderança de um partido com 64 deputados na Câmara. Como foi possível Dilma ser presidente do Brasil? Como foi possível Sibá Machado tornar-se o líder de um partido que está no poder há 12 anos?

Não há espaço para explicar tudo. Mas Dilma é fruto da vontade de Lula, que detesta a ideia de surgirem outros líderes no partido. Sibá é o fruto da disciplina de quem espera na fila a hora do revezamento. Todos podem ser líderes, independentemente de estarem preparados. É a hora e a vez de Sibá Machado.

Estamos atravessando uma atmosfera de “Cem anos de solidão”. Sibá pede mais dinheiro público para quem nos roubou. Dilma afirma que sua tarefa é recuperar a Petrobras, que ela e o PT destruíram. Não acredito que sejam cômicos por vocação, embora o Sibá leve muito jeito. Isaac Deutscher, o grande biógrafo de Trotsky, demonstra que muitas vezes os governos fazem bobagem porque já não têm mais margem de manobra.

O buraco em que o PT se meteu é mais grave do que a estreiteza da margem de manobra. É a escolha de quem se agarra à negação para fugir da realidade. Por isso é que, além dos incômodos da crise, do assalto às estatais e fundos de pensão, o PT irrita. São muitas as pessoas simples que se sentem não apenas assaltadas como contribuintes, mas desrespeitadas pelo cinismo oficial.

Já é um lugar comum afirmar que vivemos a maior crise dos últimos tempos. Nela, entretanto, há um dado essencial: aparato político burocrático segue afirmando que a realidade é a que vê e não a compartilhada por milhões de pessoas na rua.

O que pode acontecer numa situação dessas? Collor saiu de nariz empinado e submergiu alguns anos. Ele chamava verde e amarelo, aparecia preto. O PT chama vermelho, aparecem verde e amarelo.

O curto circuito pictórico parece não dizer nada para eles. No fundo, havia em Collor uma espécie de orgulho pessoal. No PT, há uma confiança na manipulação. O partido no poder escolheu o caminho mais espinhoso. Seu líder na Câmara parece delirar, mas apenas quer cumprir suas tarefas elementares de negação.

O assalto à Petrobras não existiu. As manifestações foram arquitetadas pela CIA, e as empreiteiras, coitadinhas, precisam de grana oficial para financiar nossas campanhas. E os marqueteiros nos observam como jacarés tomando sol. Daqui a pouco vão entrar em ação para convencer a todos que o Brasil é maravilhoso e vai ficar melhor ainda.

É assim que a negação se reflete numa alma simples como a de Sibá Machado. Ele vem de uma região marcada pelas experiência místicas com a ayahuasca, planta que provoca visões. Um pouco distante dali, mas também na Amazônia, o pastor Jim Jones comandou um suicídio coletivo.

Na hora e vez de Sibá, o próprio inferno será refrigerado. Ganha-se muito dinheiro quando se passa pela cadeia, como fez José Dirceu. E há sempre Cuba e Venezuela para um recuo estratégico.

Vamos para a rua fingindo que os agentes da CIA nos organizam. No fundo, sabemos que se dependêssemos deles, correríamos o risco de uma grande trapalhada.

Mas pra que contrariar Sibá Machado e o PT na sua fase tardia ? De uma certa forma, já não estão entre nós. Morreram para o debate racional.

Original aqui

Twitter

U.V.

Manchetes do dia

Domingo, 12 / 04 / 2015

O Globo
"Aeroportos privatizados sofrem atraso em obras"

Crise financeira da Infraero e envolvimento de construtoras na Lava-Jato freiam melhoria de serviços nos terminais leiloados

A promessa era de serviços de Primeiro Mundo, mas a falta de fôlego da Infraero para investir e os problemas de caixa de construtoras citadas na Lava-Jato resultaram em atraso nas obras em aeroportos privatizados. Há problemas em Galeão (Rio), Confins (Minas Gerais) e Viracopos (Campinas), relatam Henrique Gomes Batista, Geralda Doca e Lino Rodrigues. A concessionária do Galeão promete assumir neste mês as obras que ficaram a cargo da lnfraero. A estatal diz que as empresas contratadas atrasaram a execução de serviços.

Folha de S.Paulo
"Reprovação a Dilma estaciona; maioria apoia o impeachment"

Datafolha aponta que o vice Temer é figura desconhecida e que 75% são favoráveis a protestos

A presidente Dilma Rous-seff (PT) enfrenta hoje (12) novas manifestações pelo país com seis de cada dez brasileiros reprovando sua gestão. A mesma proporção defende um processo de impeachment contra a petista. 
É o que aponta pesquisa nacional do Datafolha com 2.834 entrevistados realizada na quinta (9) e na sexta (10). A margem de erro é de dois pontos percentuais.
Em relação ao levantamento anterior, a reprovação à petista oscilou de 62%, em março, para 60%. A insatisfação com apresidente é majoritária em todos os segmentos pesquisados.
Com base no que se sabe sobre a Operação Lava Jato, 63% dizem que o Congresso deve instaurar o processo que pode culminar na saida de Dilma da Presidência.
Na hipótese de ela ser afastada, assumiria Michel Temer (PMDB), desconhecido pela maioria —64% dou brasileiros não sabem quem é o atual vice-presidente.
Os protestos antigovemo têm o apoio de 75% dos entrevistados. Em 15 de março, manifestação reuniu 210 mil na avenida Paulista, segundo O Datafolha.

Twitter  
 
Free counter and web stats