sábado, março 21, 2015

Acontece em Ubatuba







Sábado de revoada

A festa aérea foi um sucesso. Nas fotos alguns aspectos do evento que atraiu as atenções da cidade na manhã de hoje. Amanhã tem mais...  

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Dominique

Opinião

Como cego em tiroteio

O ESTADO DE S.PAULO
Promover uma reforma ministerial menos de três meses depois do início do mandato equivale a uma confissão de incompetência comprovada pelo malogro da tarefa política elementar de montar uma equipe de governo. Esta é provavelmente a razão principal pela qual a presidente Dilma Rousseff se recusa a admitir que a demissão de Cid Gomes do Ministério da Educação tenha sido o primeiro passo na promoção, mais do que de uma reforma ministerial, de um realinhamento político indispensável à conquista de condições mínimas de governabilidade. Mas o fato é que a presidente da República, embora não possa ignorar que precisa agir rápida e eficientemente para se livrar da crise da qual se tornou refém, parece não ter a menor ideia do caminho a seguir. Está perdida como cego em tiroteio.

Dilma Rousseff é teimosa, mas é impossível que já não tenha desconfiado de que cometeu um erro gravíssimo ao imaginar que a reeleição lhe assegurava força política suficiente para reunir em torno de si, no círculo mais íntimo da equipe de governo, uma turma selecionada com base no critério de identificação, mais de que com as suas crenças, com o seu modo autossuficiente, autoritário e arrogante de fazer política. E foi assim que, abraçada a Aloizio Mercadante, Miguel Rossetto e Pepe Vargas, 

Dilma cometeu a supina imprudência de confrontar o PMDB na eleição para o comando da Câmara dos Deputados.

A partir desse desastre, a relação de Dilma com o Congresso deteriorou-se por completo. Imediatamente Lula entrou em cena para recomendar à sua pupila o óbvio: a substituição do time de trapalhões da articulação política que a cerca e, num plano mais amplo, a abertura de espaço no Ministério para a composição com o PMDB.

A essa altura dos acontecimentos Dilma se encontrava, no plano político, diante do mesmo desafio que já enfrentara no âmbito da gestão econômico-financeira: fazer concessões. Antes mesmo de tomar posse do segundo mandato, a presidente já se convencera de que a gravidade da crise econômica no País impunha a adoção de medidas duras para atacar o descontrole das contas públicas. E, desmentindo tudo o que afirmara na campanha eleitoral, escalou uma equipe econômica "neoliberal" para enfrentar o desafio.

Agora, diante de um enfraquecimento geral do Executivo que ameaça comprometer seu programa de governo, Dilma encara a necessidade de fazer concessões também na área política. Mas resiste a estas muito mais do que resistiu àquelas na área econômica. Talvez pelo fato de a política ser mais suscetível do que a economia à influência de fluxos biliares. Também porque, se o temperamento da presidente não ajuda em tempos normais, que dirá quando ela se sente acuada pelo clamor das ruas e pela vertiginosa queda de popularidade.

Como também na política a toda ação corresponde uma reação em sentido contrário, as lideranças políticas com que Dilma contava estão se dispersando. O próprio PT tem-se comportado, no Congresso e nas ruas, mais como oposição do que como partido do governo, principalmente quando se opõe às medidas de ajuste fiscal. O descontentamento - de natureza variada - já leva alguns petistas ilustres, como os senadores Paulo Paim e Marta Suplicy, a cogitar deixar o partido. Paim disse que tomará essa decisão se o governo insistir no que chama de "arrocho" do ajuste fiscal. Marta decidiu há mais tempo e está a caminho do PSB.

Chama a atenção também o distanciamento progressivo do governo do vice-presidente da República, Michel Temer, que se cansou de ver-se marginalizado das decisões políticas mais importantes do Planalto, sendo também presidente nacional do PMDB, e recentemente tem intensificado contato com líderes da oposição, como os tucanos Fernando Henrique Cardoso, José Serra e Aécio Neves e o democrata ACM Neto, prefeito de Salvador.

É sintomático também da completa desorientação a que Dilma parece entregue o fato de que até seu criador, o ex-presidente Lula, tem dado mostras de impaciência e irritação com o fato de que ela apenas "finge que escuta" seus conselhos. A presidente teima. Mas não escapará de brevemente anunciar mais uma troca "pontual" de ministros.

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U.V.

Manchetes do dia

Sábado 21 / 03 / 2015

O Globo
"Pacote do MP propõe até extinção de partido"

Entre as iniciativas, está a classificação de corrupção como crime hediondo

Conjunto de sugestões foi anunciado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, dois dias depois de a presidente Dilma Rousseff divulgar detalhes do projeto anticorrupção elaborado pelo governo

Na próxima semana, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, apresentará ao Congresso uma série de propostas contra o desvio de dinheiro público. As medidas, anunciadas ontem, dois dias depois de Dilma lançar um pacote com o mesmo objetivo, incluem a tipificação da corrupção como crime hediondo e até a extinção de partidos políticos. As sugestões poderão virar lei se houver iniciativa do Legislativo. O líder do PT, Sibá Machado, classificou o gesto de provocação. 

Folha de S.Paulo
"Empreiteira firma acordo para delatar cartel na Petrobras"

Conluio de 23 empresas começou nos anos 90 (gestão FHC) e ficou mais frequente a partir de 2003 (Lula), afirma Setal

A empreiteira Setal assumiu, em acordo firmado com o Cade (órgão de defesa da livre concorrência), que participou de um cartel com outras 22 empresas em obras da Petrobras. A construtora deu detalhes sobre o esquema. 
Como é a primeira delatora, a Setal terá o benefício da redução maior de sua multa.
A existência do cartel foi revelada pela Operação Lava Jato, que investiga pagamento de propina a funcionários da Petrobras e a políticos.
Segundo a empresa, o conluio para fraudar licitações começou a operar no final dos anos 1990 (gestão FHC) e se tornou frequente a partir de 2003 (Lula).
O esquema definia preços, condições e vencedores. Na maioria das vezes, apenas as integrantes do cartel recebiam convites da Petrobras para as licitações.
Procuradas, empreiteiras citadas no acordo negaram a formação de cartel.

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sexta-feira, março 20, 2015

Lá vamos nós...


Coluna do Celsinho

Fiz

Celso de Almeida Jr.

Um amigo, recém conquistado, lembrou-me que em poucas décadas não estaremos mais aqui.

Isto, se nenhuma surpresa desagradável antecipar a partida.

Falou de sua idade.

Estimou a minha, errando para mais, confirmando o alerta diário do espelho.

Sua abordagem sobre a contagem regressiva foi uma provocação.

Queria sensibilizar-me para um projeto magnífico.

Concluiu o pensamento com três frases:

"Não quero me arrepender por algo que não fiz."

"Faço o que precisa, pode e deve ser feito hoje."

"Não deixo para amanhã."

Insistiu para o fato de que em alguns momentos tudo conspira para a tomada de decisão, para a ação imediata.

Gostei.

Farei.

Fiz.

Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com

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Dominique

Opinião

O ruim consegue ficar pior

O ESTADO DE S.PAULO
A demissão de Cid Gomes do Ministério da Educação exibe a uma nação perplexa o teatro do absurdo em que se transformou o governo Dilma Rousseff, o da "Pátria Educadora", na qual se aprende que numa crise política fora de controle a situação nunca é tão ruim que não possa ser piorada.

É tão absurda a cena protagonizada pelo agora ex-ministro de Dilma na tarde de quarta-feira no plenário da Câmara dos Deputados, que a respeito dela qualquer especulação é válida. Desde que se tratou de uma encenação previamente combinada com o Palácio do Planalto para marcar posição na queda de braço de Dilma com os parlamentares, até de que foi simplesmente a melhor maneira encontrada pelo encrenqueiro ex-governador do Ceará para, sob a aura de destemor no combate à corrupção, pular fora do barco que soçobra.

De qualquer forma, o bate-boca no plenário da Câmara prestou ao País o desserviço de estimular o descrédito nas instituições democráticas. Mas há, como sempre, quem tenha contabilizado lucro. Aproveita o PMDB, porque, afinal, Cid Gomes ministro era uma peça na armação palaciana para enfraquecer politicamente o maior partido aliado do governo. E lucra, em particular, Eduardo Cunha, que capitaliza mais uma derrota do governo e fortalece sua posição de herói do baixo clero.

Chama também a atenção neste mais recente escândalo da República - o que ajuda a torná-lo ainda mais surreal - o fato de, a bem da verdade, todos os envolvidos terem razão. Cid Gomes cometeu a deliberada provocação de falar de corda em casa de enforcado, mas não há como negar - até porque a Operação Lava Jato não deixa - que entre os nobres deputados há um número expressivo de suspeitos de se enquadrarem na categoria de achacadores. Não há espírito de corpo que possa contestar essa evidência.

Por outro lado, não se pode confundir a instituição parlamentar com o eventual desregramento de alguns de seus integrantes, por maior que seja o número deles. Ou seja, o ex-ministro cometeu o pecado de não dar nomes aos achacadores. Por fim, Cid Gomes subiu à tribuna da Câmara na condição de ministro de Estado, representante do Poder Executivo, e, por uma questão de decoro, tinha a obrigação de tratar com respeito a instituição que naquele momento o convocava a prestar esclarecimentos sobre declarações desabonadoras que fizera sobre deputados. É legítima, portanto, a indignação dos parlamentares com o comportamento de Cid Gomes, mesmo por parte daqueles que possam ser moralmente vulneráveis.

O enredo desse teatro do absurdo é tão antigo quanto a história da humanidade - a luta pelo poder -, a encenação é farsesca no pior sentido, até porque não tem direção, e o elenco de canastrões é péssimo. Não é à toa que a plateia dá clara demonstração de não gostar do que está assistindo.

Dilma Rousseff - que não tem vocação para a cena pública nem consegue aprender o métier - tenta prestar atenção nas deixas e dizer sua fala. Mas só consegue provar que não é do ramo: quando alguém mete um caco no texto, dá-lhe um branco e ela não consegue emendar um improviso aceitável. O resultado tem sido desastroso.

Mas, quando o gênero em cartaz é o absurdo, o que é atentar contra a lógica e o bom senso? Um bom exemplo é o caso do senador Romero Jucá, que tem participação especial nesta e em qualquer outra peça - já foi devotado tucano no governo FHC e hoje presta sua fidelidade não ao governo do PT, pois ele é governista, mas não é tolo, mas ao espírito corporativo da chamada classe política.

No momento em que se discute a reforma política, o que pode implicar a proibição de doações de pessoas jurídicas para a atividade partidária; em que o escândalo da Petrobrás inibe os grandes doadores privados; e em que o governo tenta cortar gastos como condição essencial ao ajuste fiscal, nesse momento Romero Jucá, relator da proposta orçamentária, se apresenta como o providencial salvador dos políticos. Triplicou o Fundo Partidário e aumentou a dotação para as emendas parlamentares. A Pátria, entristecida, lamenta.

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U.V.

Manchetes do dia

Sexta-feira 20 / 03 / 2015

O Globo
"Dilma fará mudanças no Ministério"

As trocas, no entanto, serão pontuais

Petrobras demite gerente de Comunicações; para seu lugar deve ir o ministro Thomas Traumann

No dia seguinte à saída de Cid Gomes da Educação, a presidente Dilma admitiu ontem mudanças pontuais na equipe de governo e rejeitou a ideia de uma reforma ministerial ampla. Um dos gerentes mais influentes da Petrobras, Wilson Santarosa, de Comunicações, foi demitido ontem. Para seu lugar, deve ir o ministro Thomas Traumann (Comunicação Social). Aliados pressionam por novas trocas. Sob forte esquema de segurança, Dilma participou de uma inauguração do PAC em Goiânia.

Folha de S.Paulo
"Dilma frustra mercado e aliados ao negar reforma"

Dólar fecha no maior valor em quase 12 anos, e Bolsa cai com crise política

A presidente Dilma (PT) frustrou setores do governo e do PMDB, seu principal aliado, ao negar que a queda de Cid Gomes iniciaria uma reforma ministerial. Ela é pressionada a fazer mudanças que diminuam a crise política e acalmem o mercado. A negativa foi mal recebida por investidores, preocupados com prejuízos que a crise política possam causar ao ajuste fiscal do governo. O dólar subiu 1,2% e fechou a R$ 3,305, o maior valor desde abril de 2003. A Bolsa caiu 1,1% após três dias de alta. Em evento no Palácio do Planalto um dia após ser obrigada a aceitar a saída de Cid por pressão do PMDB, a petista disse que irá promover “alterações pontuais”. Para ela, reforma ministerial não é uma “panaceia” que resolve todos os problemas. Dilma negou que usará um critério partidário para a pasta da Educação. Mais tarde, num evento em Goiânia, a presidente pediu tolerância e diálogo depois de ser defendida pelo governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB).

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quinta-feira, março 19, 2015

Dominique

Opinião

A manipulação da comunicação

O ESTADO DE S. PAULO
É intrigante que no mesmo dia em que uma devastadora rodada da pesquisa Datafolha revela que 62% dos brasileiros reprovam o governo Dilma, o Palácio do Planalto tenha deixado vazar um documento de circulação interna, elaborado pela Secretaria de Comunicação Social (Secom) e divulgado com exclusividade na tarde de terça-feira pelo portal do Estado na internet, contendo duras críticas à política oficial de comunicação e propondo como solução investimentos pesados em publicidade, inclusive por parte da administração municipal paulistana.

E é preocupante observar a coincidência dos argumentos levantados pelo documento da Secom com aqueles de setores ideológicos do petismo que partem do princípio de que, entre outras iniciativas manipuladoras da opinião pública, “investimentos pesados” em publicidade são capazes de moldar a percepção que as pessoas têm da realidade de acordo com a vontade dos detentores do poder.

Sem minimizar o papel da comunicação, imaginar que se pode construir uma imagem da realidade com base no princípio de que uma versão repetida ad nauseam acaba aceita como verdadeira só é possível em regimes autoritários que suprimem o contraditório impondo, por exemplo, o “controle social da mídia”. Numa sociedade livre, a realidade acaba prevalecendo.

Afirma a análise da Secom que “Dilma e Lula são acusados pela corrupção na Petrobrás e por todos os males do País”. Ora, desde que chegaram ao poder, Lula e o PT se empenharam em propagar a versão de que “nunca antes na história deste país” houve governos tão maravilhosos. Enquanto tinha algum lastro na realidade, com investimentos sociais fortemente propagandeados e crescimento econômico baseado em fundamentos sólidos e favorecido pela conjuntura internacional, o “nunca antes” funcionou bem a ponto de garantir mais três eleições presidenciais para o lulopetismo.

Aí Dilma Rousseff entrou em cena e se encarregou de fazer tudo errado. O País piorou a olhos vistos e bolsos esvaziados. Enquanto tudo corria bem, o PT atribuía a bonança a suas próprias qualidades; já o desastre é culpa alheia. O problema é que, segundo o Datafolha, apenas 13% dos brasileiros, que já foram 65%, consideram o governo petista ótimo/bom. E não foi a propaganda que fez isso.

Na verdade, o documento da Secom tem muito mais a ver com o partido do governo do que com o próprio governo. Fossem outros os tempos, os funcionários que o redigiram seriam responsabilizados pelo uso delituoso de dinheiro público com finalidade típica e exclusivamente partidária, ou seja, particular. São setores ideológicos do PT, encastelados na administração, que continuam defendendo o “controle social da mídia”, projeto que a presidente da República engavetou nos primeiros dias de seu primeiro mandato, mantendo-se firme nessa postura louvável. Trata-se, portanto, de mais um ponto de conflito entre Dilma e o PT, como também acontece no momento em torno das medidas por ela propostas para promover o ajuste fiscal.

O trabalho da Secom extrapola os limites da comunicação para fazer duras críticas de natureza política ao governo e ao PT, no que endossa muitos dos argumentos que têm sido usados por Lula em seus mais recentes e espinhosos contatos com a presidente, inclusive o de que ela precisa se expor mais para defender sua administração, “não importa quantos panelaços eles façam”.

O documento considera altamente negativo o fato de o governo ter praticamente abandonado as redes sociais e os blogueiros que lhe são fiéis e lamenta o fato de que “as páginas dos deputados e senadores do PT pararam de defender o governo”. E propõe a reformulação do núcleo de comunicação social, que passaria a concentrar sob a mesma coordenação a Voz do Brasil, as páginas oficiais na internet e a Agência Brasil, de modo a potencializar o noticiário oficial favorável ao governo.

Cada um sabe onde lhe aperta o calo, por isso é compreensível que o ministro da Secom, Thomas Traumann, esteja preocupado com o desempenho da área sob sua responsabilidade nesta crise. Deveria preocupar-se com outras coisas. Fossem estes tempos de vergonha na cara, funcionários públicos não dilapidariam a Fazenda Pública com o tempo que devem ao serviço público, produzindo documentos para orientar ação partidária.

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U.V.

Manchetes do dia

Quinta-feira 19 / 03 / 2015

O Globo
"PMDB ameaça sair da base, e Cid Gomes deixa governo"

Ministro bate boca na Câmara; crise ofusca pacote anticorrupção

Primeira baixa na equipe de Dilma deve desencadear uma reforma ministerial, considerada inevitável num momento em que a popularidade da presidente despenca; segundo Datafolha, 62% reprovam governo

O ministro da Educação, Cid Gomes (PROS), pediu demissão logo após sair in tempestivamente do plenário da Câmara, onde bateu boca com parlamentares e reforçou declaração anterior de que há na Casa 400 achacadores. Referindo-se ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB), Cid afirmou: “Prefiro ser acusado de mal-educado do que ser como ele, acusado de achaque.” O PMDB ameaçou abandonar a base do governo se Cid não fosse demitido. E a demissão foi comunicada a Cunha, e anunciada em plenário, antes mesmo de Cid chegar ao Planalto. A crise ofuscou a divulgação do pacote anticorrupção de Dilma, que prevê a criminalização do caixa 2 de campanha. A baixa deve desencadear reforma ministerial, vista como indispensável para a super ação da crise, que derrubou a popularidade da presidente: 62% consideram o governo ruim ou péssimo, segundo o Datafolha.

Folha de S.Paulo
"Após bate-boca na Câmara, Eduardo Cunha anuncia queda de ministro"

Demissão de Cid Gomes (Pros) pode ser o início de uma reforma ministerial para contemplar interesses do PMDB

Em situação inédita e constrangedora para o governo, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), desafeto da presidente Dilma, anunciou antes do Planalto a demissão do ministro da Educação, Cid Gomes (Pros-CE). A saída de Cid ocorreu após sessão na Câmara para que ele explicasse sua frase de que há “400, 300 achacadores” na Casa. Em vez de se desculpar, Cid criticou deputados infiéis e o PMDB, que, segundo ele, quer mais espaço no governo. O partido avisou Dilma que deixaria a base se Cid não saísse. Alvo de protestos de rua e reprovada por 62% da população, segundo o Datafolha, Dilma pode iniciar uma reforma ministerial para recompor sua base aliada. Parte do PT e do PMDB defende a volta de Mercadante (Casa Civil) para a Educação, liberando espaço para Jaques Wagner (Defesa) cuidar da articulação política. Para auxiliares de Dilma, Cid poderá sair bem do episódio, como quem enfrentou deputados, deixando o ônus para a ex-chefe. 

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quarta-feira, março 18, 2015

Dominique

Opinião

Cheque em branco para Maduro

O ESTADO DE S.PAULO
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, obteve da Assembleia Nacional poderes "especiais" para governar. Com isso, Maduro amplia ainda mais o controle sobre o país em um ano de eleições parlamentares - que, a se confiar nas pesquisas de opinião mais recentes, podem resultar em duro revés para o regime chavista. O cheque em branco dado pelo Congresso permite que Maduro atue como ditador de direito (porque de facto ele já é) num momento crucial para a sobrevivência de seu governo.

É evidente que nada disso aconteceu por acaso, pois a Venezuela há tempos está entregue a um regime de exceção, que se empenha em dar verniz legal a seus atos arbitrários. Tal estado de coisas já deveria ter motivado alguma forma de censura por parte do Mercosul e da Unasul, blocos que a Venezuela integra e que têm entre suas cláusulas fundadoras o respeito às normas democráticas. No entanto, o que se tem observado é que essas entidades - das quais o Brasil deveria ser um líder natural - observam o autoritarismo de Maduro com uma complacência que beira a cumplicidade.

Para justificar o mais recente ataque à ordem democrática venezuelana, Maduro explorou uma decisão do governo dos Estados Unidos de punir sete integrantes do governo venezuelano acusados de corrupção, violações de direitos humanos e envolvimento em atos antidemocráticos. Esses funcionários tiveram seus bens congelados e não podem acessar o sistema financeiro americano.

Ao baixar essa ordem, o presidente americano, Barack Obama, classificou a Venezuela como "ameaça à segurança nacional" dos Estados Unidos. Tal classificação é uma exigência técnica da legislação americana que regula o poder do presidente de impor sanções por decreto a determinados países. Na prática, portanto, não é possível dizer que Obama realmente considere a Venezuela um perigo para a segurança americana.

Mas o momento escolhido pelo presidente dos Estados Unidos para rotular a Venezuela chavista como "ameaça", a fim de castigar alguns funcionários de Maduro, não poderia ter sido mais inconveniente. O gesto permitiu que Maduro, acuado por grave crise econômica e sob real ameaça de perder o controle da Assembleia Nacional, tivesse a chance de virar a mesa e aparecer como vítima do "imperialismo" americano.

Com isso, obteve licença para interferir no processo eleitoral como bem entender, além de manter encarcerados alguns dos principais líderes da oposição e intimidar todos os demais.

Com a pompa de quem se dizia estar pronto para declarar guerra aos Estados Unidos, em meio a salvas de tiros de canhões em homenagem ao falecido caudilho Hugo Chávez, Maduro recebeu de Diosdado Cabello, presidente da Assembleia Nacional e um dos principais chefes do regime, a "Lei Habilitante Anti-imperialista".

Leis habilitantes estão previstas na Venezuela desde os anos 50 e servem para dar poderes excepcionais ao Executivo em momentos de grande comoção ou crise, mas os chavistas as transformaram em instrumento para legalizar o exercício autoritário do poder.

A "Lei Habilitante Anti-imperialista" autoriza Maduro a editar decretos com força de lei para a defesa dos "direitos de soberania e proteção do povo venezuelano e da ordem constitucional da república". Pode-se dar a esse texto qualquer interpretação, e Maduro deixou claro que o usará para redobrar o vigor de sua ofensiva contra a oposição, apresentada ao público como braço do "imperialismo americano".

A escalada chavista contra uma ameaça exagerada ou mesmo inexistente, criada apenas para justificar a ditadura, foi respaldada vergonhosamente pela Unasul. Em nota, o bloco classifica a ordem executiva de Obama como "ameaça de ingerência à soberania" venezuelana e não reserva uma única palavra que expresse mal-estar com a prisão arbitrária de opositores do regime. Na semana passada, aliás, um deles foi encontrado morto em sua cela.

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U.V.

Manchetes do dia

Quarta-feira 18 / 03 / 2015

O Globo
"Acusado de coletar propina era cliente de Dirceu"

Quebra de sigilo revela que petista recebeu de operador da Lava-Jato

Empresas investigadas no escândalo pagaram R$ 9,5 milhões ao ex-ministro

Condenado no mensalão do PT e cumprindo prisão em regime aberto, o ex-ministro José Dirceu recebeu R$ 9,5 milhões, de 2006 a 2013, de empresas hoje investigadas na Lava-Jato. Uma delas pertence a Milton Pascowitch, apontado por Gerson Almada, da Engevix, como operador de pagamento de propinas ao PT. Dirceu, segundo o delator, prestou ser viço de “lobby internacional” para a empreiteira em Cuba e na África. Almada disse ainda que negociava o pagamento de propinas com o tesoureiro do PT, João Vaccari. Em nove anos, a consultor ia de Dirceu recebeu R$ 29,2 milhões, de 42 empresas. Os dados constam de inquérito aberto na Lava-Jato.

Folha de S.Paulo
"62% reprovam governo Dilma"

Segundo Datafolha, aprovação da petista caiu de 23% para 13% desde 5 de fevereiro; avaliação é a pior após Collor

O governo Dilma atingiu a mais alta taxa de reprovação desde setembro de 1992, pouco antes do impeachment de Collor. Para 62% da população, a gestão da presidente é ruim ou péssima. Segundo pesquisa Datafolha realizada nos dois dias seguintes aos protestos de domingo (15), a desaprovação de Dilma subiu 18 pontos desde 5 de fevereiro. A pior taxa de Collor foi 68%. Com 76 dias de segundo mandato, a aprovação da petista chegou a 1 3%, queda de dez pontos em seis semanas. O Datafolha apurou que o pessimismo sobre a economia continua elevado. O desemprego deve crescer para 69% dos entrevistados e a inflação, para 77% (contra 81 % em fevereiro). A nota média dada a Dilma é 3,7 , a menor desde a sua chegada à Presidência, em 2011. Com dois pontos percentuais de margem de erro, o levantamento do Datafolha mostra deterioração da popularidade de Dilma em todos os segmentos sociais analisados pelo instituto. A maior taxa de ruim/péssimo está no Centro-Oeste (75%) e no Sudeste (66%), nas cidades mais populosas, entre eleitores com escolaridade média e entre quem ganha de 2 a 5 mínimos. 

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terça-feira, março 17, 2015

Dominique

Opinião

Os brasileiros falaram

O ESTADO DE S.PAULO
O recado é muito claro. Os brasileiros saíram às ruas - cerca de 1 milhão só em São Paulo - para dizer que não aceitam os caminhos pelos quais a presidente Dilma Rousseff e o PT estão conduzindo o País. Foi uma contundente manifestação espontânea, com o predomínio da classe média - assalariados, profissionais liberais, pequenos empreendedores, jovens e idosos - a exigir dos governantes probidade e competência na gestão da coisa pública.

O desprezo pela probidade por parte do partido que dirige o País há mais de 12 anos está cruamente exposto na sucessão de dois grandes escândalos de corrupção: o mensalão e o da Petrobrás. Com a agravante de que o PT, depois de mais de 20 anos de oposição implacável a "tudo o que está aí", chegou ao poder jurando acabar com a corrupção na administração pública.

Por outro lado, nos quatro anos de seu primeiro mandato, na tentativa desastrada de combater os efeitos da crise econômica internacional com medidas "anticíclicas" - orientadas, na verdade, por uma visão econômica anacrônica de viés ideológico -, entre outras proezas Dilma Rousseff conseguiu provocar a redução do investimento produtivo e a estagnação da indústria nacional, enquanto promovia uma gastança descontrolada que estourou as contas públicas e devastou as contas externas. Em resumo, conseguiu terminar seu primeiro mandato com o País em situação econômica pior do que a que encontrou em 2011.

Os brasileiros que saíram às ruas em 15 de março disseram basta a tudo isso, inclusive à teimosia da presidente da República em não admitir seus erros. Dilma concede, no máximo, como fez semana passada no Rio de Janeiro, que "esgotamos todos os nossos recursos de (sic) combater a crise que começou lá em 2009". E agora não tem nem disposição pessoal nem força política para adotar as medidas de correção que a vida real impõe.

Nesse sentido, embora as manifestações de protesto tenham sido focadas em Dilma e no PT, abrangeram como um todo o ente governamental - ou "a política" - e podem por essa razão produzir no Congresso o efeito positivo de facilitar a aprovação das medidas de ajuste fiscal propostas pelo Executivo. Afinal, os parlamentares estão empenhados em afirmar diante do Executivo a autonomia do poder que representam, mas sabem perfeitamente de onde vêm os votos que os elegem.

A teimosia de Dilma e sua pouca disposição para dar ouvidos ao que o povo exige ficou mais uma vez evidente nas palavras de dois ministros - José Eduardo Cardozo, da Justiça, e Miguel Rossetto, da Secretaria-Geral da Presidência - escalados para, em entrevista coletiva, dar a resposta do governo à voz das ruas.

Cardozo falou para o público em geral e Rossetto, para os petistas. O primeiro repetiu todas as obviedades sobre manifestações democráticas e requentou as promessas de um pacote de medidas contra a corrupção e outro sobre reformas políticas. E logo depois de Cardozo ter afirmado que protestar é "um direito de todos", Rossetto contradisse-o, desqualificando as manifestações com o argumento de que quem saiu às ruas foi principalmente quem "não votou em Dilma". E fez questão de valorizar, mencionando-as duas vezes, as manifestações realizadas dois dias antes - com público significativamente menor do que as de domingo - organizadas pela CUT e outras entidades sobre as quais o PT exerce influência.

O grave é que não ouviram o que o povo falou.

E o povo falou que Dilma - reeleita há quatro meses - já não merece sua confiança. Falou que não quer mais, encastelada no governo, uma quadrilha que assalta sistematicamente a Fazenda Pública. Falou que não mais tolera uma administração que não trabalha para benefício de todos, e sim para a perpetuação de um projeto de poder que repudia, por antidemocrático e divorciado do interesse nacional. Falou, enfim, que não quer sustentar com seu suado trabalho uma oligarquia que se refestela no engodo, na corrupção e na desmoralização das instituições.

Nada disso a presidente Dilma Rousseff e seus asseclas ouviram. Até quando continuará esse descompasso com a realidade? 

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U.V.

Manchetes do dia

Terça-feira 17 / 03 / 2015

O Globo
"Protestos fazem Dilma admitir erro na economia"

Presidente agora fala em humildade e diz que ajuste fiscal é essencial

Petista afirma que está aberta ao diálogo e que manifestações mostraram que país está mais forte do que nunca; sobre escândalos, disse que a corrupção é ‘senhora bastante idosa ’, que não nasceu hoje e não poupa ninguém

Um dia depois de cerca de dois milhões de pessoas saírem às ruas contra o governo Dilma, o PT e a corrupção, a presidente, num tom mais brando que o habitual, saiu da defensiva, pregou humildade e até admitiu erros: “É possível que a gente tenha cometido algum erro de dosagem (na economia).” E fez defesa enfática da necessidade agora de um ajuste fiscal, que chamou de essencial, explicando detalhadamente a necessidade de cortes, já que as medidas usadas até o ano passado não fizeram a economia reagir. Perguntada sobre a condenação aos escândalos pelas ruas, disse que a corrupção é “uma senhora bastante idosa”, que não nasceu hoje. Em discurso antes da coletiva, Dilma disse que “valeu a pena lutar pela democracia” e que o Brasil está mais forte do que nunca.

Folha de S.Paulo
"Após protestos, Dilma pede trégua para aprovar ajuste"

Presidente exalta democracia, admite erros de dosagem na economia, mas defende medidas

No dia seguinte aos protestos em todo o país que pediram sua saída da Presidência, Dilma Rousseff (PT) pediu trégua aos críticos: “Vamos brigar depois, agora vamos fazer o que tem de ser feito pelo bem do Brasil”. Em entrevista ontem (16) em Brasília, ela admitiu erros de dosagem em seu primeiro mandato, mas defendeu as medidas econômicas adotadas. Disse ainda que o Brasil está “impermeável ao golpismo e ao retrocesso”. O Planalto tem sido pressionado a explicar medidas de arrocho lançadas após a vitória na eleição, e Dilma ensaiou um mea-culpa na condução da economia. “É possível que a gente possa ter cometido algum [erro]”. Na educação, a presidente admitiu que o governo errou ao passar “para o setor privado” o controle dos cursos do Fies, programa de crédito estudantil que está sendo reformulado para se adequar às finanças do governo. Sobre comentário do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB), de que a corrupção está no Executivo, não no Legislativo, Dilma disse que “a corrupção é uma senhora idosa e não poupa ninguém”. 

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segunda-feira, março 16, 2015

Dominique

Opinião

O descompasso de Dilma

O ESTADO DE S.PAULO
Com cinco anos de atraso, um mandato desperdiçado e um monte de problemas acumulados, incluída uma inflação à beira de 8% ao ano, a presidente Dilma Rousseff admitiu: sua política de combate à crise de 2008-2009 está esgotada. Esse reconhecimento foi feito, publicamente, como justificativa do arrocho necessário para arrumar a economia brasileira.

Não houve, nessa declaração, o mínimo sinal de autocrítica. A presidente parece acreditar, sinceramente, no acerto da ação "anticíclica" de seu primeiro governo, apesar do amplo fiasco apontado pelos dados oficiais da produção, do investimento, dos preços, do comércio exterior e também do emprego. Ela já havia tentado transmitir essa mensagem, mas nunca se havia esmerado como no discurso de quinta-feira passada no Porto do Futuro, no Rio de Janeiro: "Nós, e eu digo isso porque passamos por uma conjuntura... eu vou repetir isso: uma conjuntura é um momento. Esse momento significa o seguinte: nós esgotamos todos os nossos recursos de combater a crise que começou lá em 2009, e que nós combatemos contra todas as características que são próprias da crise internacional deste período".

Segundo a presidente, essas características - "elevadíssimo desemprego" e "redução violenta da taxa de crescimento" - se prolongaram por seis anos, mas o Brasil, graças à política econômica, foi poupado desses males. A economia brasileira foi, portanto, uma ilha de estabilidade, talvez até de prosperidade, num vasto oceano de crise. Mas há um abismo entre a fala presidencial e os fatos.

Em 2011, quando o dilmês se tornou o idioma oficial da Presidência da República, a economia mundial cresceu 3,9%. O crescimento americano ficou em 1,6% e nos anos seguintes ganharia impulso, com firme redução do desemprego, agora em torno de 5,5%. A Alemanha nunca deixou de crescer nos últimos seis anos, com desemprego abaixo de 6%. A expansão chinesa foi sempre superior a 7% ao ano. A Índia e outras potências da Ásia se mantiveram dinâmicas. A América Latina cresceu em média, nesses anos, sempre mais que o Brasil, com inflação bem mais baixa.

Pela velha contabilidade nacional, a economia brasileira cresceu 2,7% em 2011, 1% em 2012 e 2,5% em 2013. O resultado de 2014 deve ter ficado muito próximo de zero. Os novos números devem sair no fim de março, mas nenhuma alteração metodológica mudará alguns fatos bem estabelecidos: a indústria ficou estagnada nesse período, o investimento fixo declinou, a infraestrutura continuou deficiente, as contas públicas pioraram muito e houve uma devastação das contas externas, com redução do saldo comercial e aumento do buraco em transações correntes.

O desemprego brasileiro, de 6,8% no trimestre de novembro a janeiro, é maior que o de 19 dos 34 países-membros da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Mas o discurso oficial normalmente compara os números do Brasil com os de alguns países com taxas muito altas, como França, Itália e Espanha, sem levar em conta os dados de outras grandes economias, como Estados Unidos, Alemanha, Coreia, México, Japão e Austrália.

Muitos desses países têm crescido mais que o Brasil, embora tenham sido afetados mais seriamente pela crise de 2008-2009. Têm conseguido melhorar suas condições de emprego, suas indústrias permanecem mais competitivas que a brasileira e, de modo geral, suas contas públicas têm melhorado de forma significativa. Além disso, na maior parte do mundo civilizado, inflação tão alta quanto a do Brasil é raridade.

O mundo percebido pela presidente Dilma Rousseff - e revelado em suas falas - tem sido muito distinto daquele mostrado pela observação do dia a dia e pelas melhores fontes de informação. Esse descompasso entre a realidade e seu registro pela presidente é evidenciado também quando ela descreve as condições do Brasil. Mas, apesar de tudo, vale a pena ouvi-la. "O Brasil, senhoras e senhores, precisa de trabalhadores que tenham oportunidade de trabalho", disse a presidente no Rio. É preciso reconhecer: quem mais diria algo semelhante com o mesmo ar de seriedade?

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U.V.

Manchetes do dia

Segunda-feira 16 / 03 / 2015

O Globo
"Democracia tem novo 15 de março"

Em todo o país, 2 milhões vão às ruas contra o governo
Surpreendido, Planalto reage com promessas
Panelaço nas cidades vira resposta à fala de ministros

No dia em que o Brasil completou 30 anos da redemocratização, pelo menos 2 milhões de pessoas foram às ruas em todos os estados protestar contra o governo Dilma e o PT, defendendo a democracia em manifestações pacíficas e marcadas pelo verde e amarelo . O maior ato ocorreu em São Paulo, onde cerca de um milhão de pessoas tomou a Avenida Paulista. Os protestos, que também se espalharam por municípios pequenos, aconteceram exatamente 30 anos depois da posse do primeiro presidente civil, que encerrou 21 anos de ditadura. Em São Paulo, superaram as passeatas pelo impeachment de Collor, em 1992. Ontem, as ruas ficaram verde e amarelas, diferentemente das marchas de centrais sindicais e movimentos sociais na sexta-feira, quando o vermelho do PT predominou. Em todas as capitais nordestinas, região onde Dilma venceu as eleições com folga, também houve protestos. O governo reagiu com antigas promessas, como reforma política e um pacote contra a corrupção, mas reconheceu o caráter democrático das manifestações pacíficas. No momento em que ministros faziam pronunciamento no Planalto, em muitas cidades a população reagiu com um panelaço.

Folha de S.Paulo
"Fora, Dilma’ reúne 210 mil em São Paulo e multidões no país"

Ato político é o maior registrado na capital paulista após Diretas Já
Protestos se espalham por todos os Estados e DF
Governo diz estar disposto a ouvir 'voz das ruas'

O protesto contra o governo de Dilma Rousseff (PT) na avenida paulista atraiu 210 mil pessoas no domingo (15), na maior manifestação política já medida pelo Datafolha após as Diretas Já, em 1984, quando 400 mil tomaram a praça da Sé. Segundo a Polícia Militar , os atos reuniram 1,7 milhão de pessoas no Brasil, 1 milhão delas em São Paulo. Concentrações pró-Dilma, na capital paulista, na sexta (13) somaram público de 41 mil. Multidões saíram às ruas em 26 Estados e no Distrito Federal. (...) Políticos que tentaram participar foram impedidos e vaiados, caso dos deputados Paulinho da Força ( Solidariedade), em São Paulo, e Jair Bolsonaro (PP), no Rio. Já o senador Aécio Neves (PSDB) divulgou vídeo na internet dizendo: “Não vamos nos dispersar”. O alcance dos protestos surpreendeu o Planalto. Os ministros Eduardo Cardozo (Justiça) e Miguel Rossetto ( Secretaria-Geral) se pronunciaram pela TV , o que provocou um novo panelaço em várias cidades. Cardozo ressaltou o aspecto “não golpista” do evento e disse que o governo está disposto “a ouvir a voz das ruas”. Já Rossetto afirmou que grande parte dos que protestaram não votaram na presidente nas eleições. Como fez no passado, o governo acenou com reforma política e um pacote anticorrupção.

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domingo, março 15, 2015

Dominique

Opinião

O quinze

Gabeira
Tranquilo como a manhã de domingo. Cantávamos isso nos anos 1980. Espero que todo dia de domingo seja tranquilo. No domingo passado, lia revistas quando ouvi panelaços e gritos de “fora Dilma”. Não sabia que ela apareceu na tevê. Pensei: esses caras estão errando de domingo, o protesto é dia 15. Rapidamente, percebi que era manifestação espontânea da elite branca, como diz o PT. Em Ipanema, com tanto sol, a elite é morena, mas bateu panelas com a mesma intensidade.

O problema das manifestações de hoje não é a leveza do domingo, nem mesmo ter números expressivos. O problema, como em 2013, é evitar a violência e isolar os desordeiros, que se aparecerem agora serão, claramente, uma força auxiliar do governo.

Muita gente pede o impeachment de Dilma. Dizem que é golpismo. Não é. Está previsto em lei e passa por um ritual democrático: existem razões concretas? E por uma reflexão política: se cai o presidente, o que virá depois? Vivemos a mais complexa crise dos últimos 30 anos. Não vejo capacidade em Dilma para liderar o país na sua retomada. Nem vejo o PT com instrumentos para entender a realidade.

Conheço as lentes ideológicas. Elas se tornam mais poderosas quando está em jogo o próprio emprego. O PT tende a afirmar que os protestos vêm dos ricos. Tudo o que vem dos ricos é suspeito, logo deve ser rejeitado pelos pobres. Com o tempo, vão se assustar com o número de ricos no país, ou, finalmente, admitir que rejeição ao PT é um fato nacional. Os intelectuais acham que há um ódio contra o PT. Não se perguntam nunca se o partido fez alguma coisa errada. Pelo contrário, criam a seguinte imagem: os ricos nos odeiam porque os pobres passaram a consumir, frequentar universidades e viajar de avião.

De todos os processos mentais, um dos mais eficazes é esse: localizar uma virtude, no caso a distribuição de renda, e atribuir a ela as razões do ódio ao PT, suprimindo nesse processo mágico a roubalheira, o cinismo e a incompetência. Presidente incapaz, partido corrompido até a medula não têm condições de conduzir o país para fora do buraco em que nos meteram.

As manifestações de hoje não vão resolver sozinhas esta parada. Mas podem discutir direções. Impeachment, renúncia? Os tucanos não gostam de saídas conflitivas. Querem que Dilma sangre quatro anos. Pra que tanto sangue, meu Deus? Se os tucanos querem isso, imaginem os vampiros.

Os meandros da política tendem a desidratar os pedidos de impeachment. Em muitos lugares do mundo o povo dispensou a oposição e os políticos nesta fase. Ao invés de impeachment, que passa por um rosários de crivos necessários, simplesmente adotou “o pede para sair”.

Por mais profunda que seja a crise, agarrado aos cargos e ao poder, o PT jamais aceitaria uma renúncia. E que valor ela teria se no seu lugar fosse instalado o PMDB? Todas as certezas vão passar por uma prova. Como diz o poeta, segunda-feira ninguém sabe o que vai acontecer. Não me refiro apenas ao dia de amanhã, 16 de março. Se a crise se aprofundar, se as pessoas sacudirem a árvore com intensidade, eles acabam saltando por uma questão de sobrevivência. Aí, sim, nesse momento, será possivel falar de união nacional, de trazer as forças da sociedade para contribuir com a ideia de renovar.

Desde adolescente participo de manifestações. Aprendi a vê-las como algo não linear. Elas têm fluxo e refluxo, como o movimento da marés. Não salvaremos o país neste domingo. É só o começo de um novo processo. Será longo e difícil, porque a crise econômica vai roubar também muitos dos nossos sonhos. E não são apenas sonhos de consumo. Sonhos de crescimento, atualização, competividade profissional. Sacudir a árvore é um antídoto à ideia que as vezes nos assalta: meu país fracassou, logo também sou um fracasso.

Domingos são tranquilos e às vezes repetitivos. Desde a macarronada da infância ao futebol, os programas de auditório. Nos domingos, às vezes morremos, pelo menos esta é a sensação que a mesmice nos traz. O panelaço de domingo passado e as manifestações de hoje abrem uma nova fase. Não estamos em 2013. Naquela época, havia apenas uma sensação difusa de revolta contra todo o sistema político.

Nesse momento, as pessoas têm um foco. Sentiram-se enganadas na campanha. Exigem reparos. Estão conscientes de que a Petrobras foi assaltada: querem investigação e cadeia para os culpados. Em 2013, o objetivo parecia apenas exigir serviços públicos decentes em troca dos impostos. Agora o buraco é mais embaixo. Parece que as pessoas perceberam que isso só é possível com uma sacudida maior e focalizada. Não estamos em 2013 simplesmente porque a crise não nos deixará viver essa ilusão.

Não se trata apenas de desabafar num domingo tranquilo. Eles acreditam que esqueceremos tudo durante a semana. Sempre jogaram com o esquecimento. Mas a crise nos dará a memória de um elefante.

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U.V.

Manchetes do dia

Domingo 15 / 03 / 2015

O Globo
"Políticos investigados multiplicaram bens"

Declarações à Justiça Eleitoral mostram variação de até 22.000%

Em 20 de 45 casos analisados, patrimônio pelo menos dobrou no intervalo de 12 anos

A lista de políticos investigados na Operação Lava-Jato inclui 20 que pelo menos dobraram seu patrimônio no período em que, segundo os delatores, vigorou o esquema de corrupção na Petrobras. Análise das declarações de bens na Justiça Eleitoral mostra a compra de mansões, carros de luxo, lanchas e fazendas, revelam Sérgio Roxo e Tiago Dantas. Para justificar crescimentos de até 22.000%, os políticos citam a valorização de imóveis, investimentos bem-sucedidos e até herança. Entre 2002 e 2014, o índice Ibovespa teve valorização de 61% e o ouro, de 49%. A análise foi feita nas contas de 45 políticos em declarações apresentadas a partir de 2002.

Folha de S.Paulo
"Governo recua de fortunas e propõe tributar herança"

Fazenda estudava formas de aumentar contribuição dos mais ricos: mudança frustra bancada do PT no Congresso

O Ministro Joaquim Levy(Fazenda) informou ao Planalto que um tributo sobre heranças é a melhor das opções para que os mais ricos contribuam no ajuste Fiscal.

Ele pediu à Receita que acabe estudos sobre mecanismos legais para criar medida de alíquotas que podem ser aplicadas, informara Leonardo Souza e Valdo Cruz.

A equipe econômica analisava taxar grandes fortunas e altas somas doadas em dinheiro —hoje praticamente isentas de impostos.

A medida não foi totalmente descartada. Até agora, as iniciativas anunciadas pelo governo para tapar o rombo nas contas públicas atingem sobretudo o trabalhador de renda mais baixa.
A mudança frustra a bancada do PT no Congresso, que quer ações mais duras.

A tributação sobre herança é realizada hoje pela esfera estadual. Mudá-la para a federal pode exigir alteração da Constituição. O imposto tem baixo impacto de arrecadação: em 2013, somou RS 4,4 bilhões, só 0,24°/o dos tributos no ano.

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