sábado, março 14, 2015

Dominique

Opinião

Domingo é dia

Gabeira
Se em três meses de governo Dilma já enfrenta uma crise de credibilidade, com vaias e panelaços, o que imaginar para quatro anos de governo? Em outras palavras: é possível perguntar pela saída num túnel tão longo e agitado?

Se fosse cirurgião político e a crise fosse um corpo humano, minha proposta seria desconectar alguns nervos que entrelaçam economia e política. Isso é quase impossível. Mas não deixa de ser a tarefa correta. Se a crise política continuar interferindo na frágil situação econômica, será mais longo o caminho da retomada, todos sofreremos mais.

O cenário ideal seria aquele em que o Congresso Nacional discutisse as medidas econômicas de manhã e, ao longo do dia e da noite, quebrasse o pau em torno da política, sobretudo da corrupção. Esse idealismo esbarra em obstáculos intransponíveis, como a divergência entre quem manda no Congresso e quem manda no governo.

Na discussão econômica, não seriam escamoteadas as questões políticas. Estamos cortando os gastos de forma adequada? Quais são as correções necessárias no movimento da tesoura?

Quem apenas torce pela recuperação econômica tem medo de que as teses do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, sejam contestadas e prefere não apontar correções. Mas elas podem enriquecer o estreito caminho.

Os cortes terão de ser feitos por um governo de esquerda, é o que temos no momento. Na Grécia, a esquerda chegou ao poder com um projeto de rever o plano de austeridade. Aqui, ela ainda precisa reverter a gastança. É uma etapa anterior, para a qual está pouco preparada.

Mesmo se conseguirmos isolar, parcialmente, a economia, é impossível acreditar que Dilma iria muito longe. O desgaste cotidiano, acabará reduzindo seu horizonte.

A conjugação das crises política, econômica e social é uma das mais sérias que conheci nos últimos anos. Dilma acha que não, que estamos exagerando.

Ela afirma que o aumento no preço da energia se deve à seca e omite seus equívocos. Ela diz que a Petrobrás foi assaltada, mas não consegue vislumbrar, pelo menos no seu discurso, como se produziu esse assalto.

Dilma não reconhece as mentiras da campanha. E acredita que as pessoas vão esquecer-se delas com um pouco de manipulação marqueteira.

O PT não reconhece o direito legítimo de protestar contra o governo. Prefere atacar os que protestam: são ricos, são da classe média, burgueses manipulados pela imprensa golpista.

A tática da negação e do confronto alimenta os protestos. É possível que alguém deles saiba disso. Saber alguma coisa dentro do PT é extremamente perigoso. Seguir a cartilha é mais seguro.

Nesse quadro, não vejo outro caminho a não ser uma crise prolongada. Sem capacidade de autocrítica e conciliação, Dilma marcha para uma rejeição mais ampla nas pesquisas.

A manifestação de domingo, com o tema “Fora Dilma”, é uma tentativa de desatar um dos grandes nós da crise: a incapacidade da presidente mais despreparada do período democrático para liderar o processo mais difícil que o Brasil enfrentou nesses 30 anos.

Os teóricos do PT afirmam que a saída de Dilma é um golpe, pois foi eleita para governar até 2018. Nem toda saída é um golpe. Collor, com a ajuda do próprio PT, sofreu impeachment. No período anterior à democratização, Jânio simplesmente renunciou.

Os tucanos rejeitam a tese do impeachment. Não gostam de conflito. Nem os previstos na lei. Argumentam que a sustentação política do governo sofreu um colapso. E mencionam vagamente uma abertura para a sociedade.

Impeachment e renúncia são diferentes de golpe. Intelectuais ligados ao governo têm falado de um ódio contra o PT. De fato, os ânimos se exaltaram. Fala-se de um ódio contra o PT, como se o partido fosse de anjos imaculados. Ninguém analisa o comportamento dos seus quadros no governo ou tenta entender as causas da rejeição.

Segundo alguns deles, o ódio dos ricos existe porque os pobres consomem mais, vão às universidades e viajam de avião. Em outras palavras, a razão do ódio é a nossa virtude solidária.

O máximo que conseguem é isto: circunscrever o processo à oposição ricos e pobres. Se os ricos estão protestando, os pobres deveriam celebrar.

As lentes da ideologia queimam muitos neurônios. Eles supõem que os pobres são ressentidos e darão razão a qualquer governo ao qual os ricos se oponham.

São incapazes de reconhecer a importância do ajuste econômico e apresentar, dentro dele, um viés que realmente atenue o impacto negativo nos setores menos favorecidos. 

Um programa de cortes teria mais credibilidade se envolvesse alguns gastos do governo, passando pela publicidade, pelas viagens irracionais, pela demissão em massa dos companheiros agregados à máquina do Estado.

Dilma não tem condições de enfrentar a crise. Os intelectuais perderam-se na defesa do governo, foram atropelados, como tantos na História, pelo fascínio da chapa branca.

Não há dentro do PT a energia suficiente para pensar uma saída. Apenas reflexos defensivos, baseados nos instintos mais básicos da esquerda autoritária. Essa estrutura mental, que projeta nos outros a causa do próprio fracasso, é um dos pontos que me deixam pessimista em torno de um diálogo quando a crise for sentida como insuportável.

O PT acredita que está sofrendo uma conspiração dos ricos e da classe média. Mas poucos movimentos na História fizeram tantos líderes ricos e elevaram tantos militantes à classe média.

O problema do momento não é o choque de ricos contra pobres. Gostaria de ver seu espanto quando descobrirem isso. Ou, pelo menos, constatarem que existem milhões de ricos no Brasil.

Domingo ainda não vai revelar tudo. Mas será uma espécie de passagem de ano, um réveillon político de 2015.

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U.V.

Manchetes do dia

Sábado 14 / 03 / 2015

O Globo
"Manifestantes pró-Dilma vão às ruas em 24 estados"

Atos pacíficos foram realizados por centrais sindicais e movimentos como o MST

Na antevéspera de protestos contra o governo, manifestações pelo país defenderam a gestão da petista, a Petrobras e a reforma política, criticando, porém, mudanças em benefícios trabalhistas

Dois dias antes das manifestações marcadas para protestar contra o governo Dilma, CUT, Federação dos Petroleiros e movimentos sociais conseguiram levar milhares de pessoas às ruas de 23 estados e do Distrito Federal, em atos públicos de apoio à presidente, à Petrobras e à democracia, mas em alguns casos contra o ajuste fiscal. O maior ato aconteceu em SP e reuniu 12 mil manifestantes, Segundo a PM, ou 100 mil, de acordo com a CUT. O Planalto ficou aliviado porque não houve incidentes.

Folha de S.Paulo
"Atos criticam governo, mas defendem Dilma"

Os protestos organizados pela central sindical CUT, pelo MST e por outros movimentos sociais em ao menos 23 capitais nesta sexta (13) fizeram críticas à política econômica do governo Dilma, mas defenderam a presidente em relação aos atos por seu impeachment marcados para amanhã (15).

As principais bandeiras foram a defesa da Petrobras, em razão dos desvios de recursos da estatal, e a oposição ao ajuste fiscal do Planalto, que restringe parte dos benefícios trabalhistas. 

Os manifestantes protestaram contra o que chamaram de “golpe da direita” - atos pela saída de Dilma.

O apoio à presidente, porém, não excluiu cobranças pelas reforma agrária e política. Em alguns Estados, a defesa de Dilma e da estatal contou com a presença de lideranças petistas locais.

O partido preferiu não apoiar oficialmente os atos, que ocorreram de forma pacífica, sem incidentes.

Policiais estimam a participação de ao menos 26 mil pessoas. Os organizadores falam em 170 mil. Em São Paulo, o Datafolha calculou que 41 mil pessoas foram ao maior protesto no país.

Em rede social, o presidente do PSDB, Aécio Neves, incentivou a participação nos atos de amanhã. 

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sexta-feira, março 13, 2015

Voando em silêncio


Coluna do Celsinho

Trombone

Celso de Almeida Jr.

Um amigo com mais de 70 anos confirmou participação nos protestos de rua programados para o 15 de março.

Disse que estará na Avenida Paulista, com a cara pintada, nas cores do Brasil.

Confessou que será a primeira vez que se manifestará desta forma.

Pois é...

Tudo indica que 2015 promete grandes embates.

Que assim seja, se o foco for o avanço democrático e o saneamento da gestão pública.

A torcida é para que a violência seja contida e que a ordem Constitucional prevaleça.

Sou da geração que viu a inflação draconiana brasileira ser domada.

Naquele momento, além de contar com um plano econômico eficaz, a população brasileira decidiu que não toleraria mais aquela realidade e abraçou a causa.

E, com tamanho apoio e muita competência, as autoridades brasileiras pilotaram a transição para uma nova moeda, forte e estável.

Agora, sinto que a sociedade chegou no limite quanto a tolerância a esta outra praga, tão enraizada no país, que é a corrupção.

Se o Brasil quiser, se o povo brasileiro quiser, também combateremos mais este mal, com altivez, com determinação.

Querer é poder e, tudo indica, estamos saindo da letargia.

Descobriremos que, na vida cidadã, em qualquer fase da vida, por a boca no trombone é saudável.

E pode dar boa música.

Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com

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Dominique

Opinião

O calendário do MST

O ESTADO DE S.PAULO
Como organização ilegal que é, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) sempre fez das ações criminosas a principal ferramenta para manifestar sua pauta de reivindicações. Mas agora, desfrutando como nunca da cumplicidade do governo petista, chega a anunciar com antecedência a agenda das invasões de prédios públicos, fechamento de estradas e avenidas e ocupação de terras e empresas privadas.

Tal nível de organização e de transparência dispensa até mesmo o trabalho dos serviços de inteligência do governo, cuja função é antecipar-se a ameaças ao Estado Democrático de Direito, pois esses serviços se tornaram desnecessários diante da espantosa sem-cerimônia do MST.

Antigamente, quando eram movimentos considerados danosos ao Estado, o MST e seus comparsas tinham de atuar sem aviso prévio, usando o fator surpresa para pegar as forças de segurança desprevenidas. Mas hoje esses grupos têm status de associados do governo petista - ainda que eventualmente possam ser críticos da administração -, e isso explica a tranquilidade com que o MST torna público o seu "calendário de lutas".

Como se pode ler no site do movimento, o tal calendário previa, para o mês de março, a "Jornada Nacional de Lutas das Mulheres Camponesas", que se estendeu do dia 4 ao dia 9. Depois, começou a "Jornada Unitária do Campo", entre os dias 10 e 13.

As exigências do MST vão desde a já conhecida "reforma agrária popular" - que sempre foi o pretexto para uma revolução com o objetivo de solapar a ordem econômica e social do Brasil - até o fim do machismo, que o movimento atribui, ora vejam, ao "capitalismo neoliberal".

Nas tais "jornadas", como noticia o MST com riqueza de detalhes, os sem-terra ocuparam fazendas, obras públicas, agências bancárias e empresas privadas, além de prédios do Ministério da Agricultura e da Companhia Nacional de Abastecimento. Segundo o movimento, a baderna se estendeu por 22 Estados, com o fechamento de avenidas e rodovias na maioria deles. Um dos bloqueios resultou em tragédia: na BR-101, perto de Aracaju, uma carreta bateu nos carros que estavam parados, matando dois adultos e uma criança.

"Marchas, ocupações de terra e prédios públicos e trancamento de rodovias foram algumas das ações utilizadas pelos trabalhadores rurais para denunciarem o modelo do agronegócio no campo brasileiro e apresentarem a agroecologia como alternativa ao capital estrangeiro na agricultura", descreveu o MST em sua página na internet. Não se tem conhecimento de que o governo tenha tomado alguma providência para dar um basta a essa desinibida exibição de truculência.

O MST atua, portanto, com a certeza da impunidade. Mas não é apenas isso. O MST é hoje uma espécie de milícia lulopetista. Não surpreende que, em meio a toda a balbúrdia protagonizada pelo movimento País afora, seu principal líder, João Pedro Stédile, tenha sido recebido pelo ex-presidente Lula em reunião que incluiu o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Miguel Rossetto. Do que conversaram, pouco se sabe. Mas não é preciso muita perspicácia para supor que boa coisa não foi - ainda mais considerando-se que Lula considera o MST um "exército" pronto para defender seu legado.

E esse exército, que está fazendo estragos em vários Estados, será acionado nesta sexta-feira para fazer o que dele se espera, isto é, promover uma mobilização que crie um clima de confronto que intimide aqueles que pretendem, no domingo, manifestar-se contra a presidente Dilma Rousseff.

Enquanto isso, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que não reservou uma única palavra de censura ou de preocupação em relação às ações violentas do MST, achou por bem pedir que aqueles que farão protestos contra o governo evitem "ações de ódio" e se manifestem "dentro da lei, dentro da ordem". Segundo Cardozo, esses atos serão considerados legítimos somente se forem pacíficos e demonstrarem "respeito às regras democráticas".

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U.V.

Manchetes do dia

Sexta-feira 13 / 03 / 2015

O Globo
"Crime organizado tinha dinheiro na Suíça"

Bicheiro Capitão Guimarães e traficante estão entre os correntistas

Ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo diz que espera receber lista de clientes do HSBC ‘em alguns dias’ para investigar os 8.667 brasileiros donos de contas numeradas no paraíso fiscal

Dinheiro do crime organizado também circulou pelas contas bancárias atribuídas a brasileiros no HSBC da Suíça. Na lista de 8.667 correntistas residentes no Brasil, obtida pelo GLOBO e pelo portal UOL, estão o bicheiro Capitão Guimarães, apontado como chefe da máfia dos caça-níqueis no país, e o traficante internacional Gustavo Durán Bautista, que, apesar de colombiano, era radicado no Brasil. Ambos dizem desconhecer as contas . O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, afirmou que espera ter a lista em “alguns dias” da França, país que recebeu os documentos do ex-funcionário do banco suíço que vazou os dados. A relação será investigada pela PF, pela Receita e por uma CPI na Câmara. 

Folha de S.Paulo
"Cuba ameaça profissionais do programa Mais Médicos"

Governo da ilha diz que irá repatriar aqueles que vivem com parentes no Brasil

Cuba pressiona profissionais do programa Mais Médicos, vitrine da gestão Dilma Rousseff (PT), para que seus parentes que estejam no Brasil voltem à ilha. Se isso não ocorrer, ameaça trocá-los por outros médicos, relata Cláudia Collucci. O principal argumento para a ameaça de repatriamento é que o contrato entre governo cubano e médicos permite visitas de cônjuge e filhos no Brasil, mas a falta de restrições para essas viagens não pode abrir brecha para uma migração temporária. A vice-ministra da Saúde de Cuba, Estela Cristina Morales, tem visitado cidades para dar o aviso. Há relutância. Uma das médicas diz que o marido está empregado há meses, com carteira assinada. Outra tem o filho matriculado em uma escola. O governo brasileiro, que dá aos parentes dos médicos visto de permanência de três anos, diz não poder interferir nessa questão. Até dezembro, 11.429 dos 14.462 profissionais atuando no Mais Médicos eram cubanos (79% do total).

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quinta-feira, março 12, 2015

Dominique

Opinião

Dias difíceis para Dilma e o PT

O ESTADO DE S.PAULO
Dilma e o PT vivem seu inferno astral. Enquanto em Brasília, em depoimento à CPI da Petrobrás, o delator Pedro Barusco desarmava a artimanha petista de transferir a responsabilidade pela corrupção na estatal para o governo de Fernando Henrique Cardoso, em São Paulo funcionários dos estandes do 21.º Salão da Construção, no Anhembi - faxineiros, marceneiros, recepcionistas, assistentes administrativos, etc. - recebiam com estrepitosa vaia a presidente Dilma Rousseff, que antes da abertura do pavilhão de exposições ao público tentava percorrer os estandes da mostra e viu-se constrangida a mudar de ideia.

O episódio na Câmara frustrou as expectativas petistas de trazer a oposição tucana para o centro do escândalo da Petrobrás e revelou a medida do isolamento a que os companheiros de Lula no Congresso Nacional foram relegados pelos próprios "aliados". Quando vazou o depoimento do ex-gerente da petroleira, prestado à força-tarefa da Operação Lava Jato, em que admitiu que desde 1997 - durante o governo FHC, portanto - recebera propina das empreiteiras, o PT animou-se com a oportunidade de colocar em prática a velha tática: quando não se consegue sair do buraco, atrai-se o inimigo para dentro dele. Barusco manteve-se coerente com seu depoimento anterior, garantindo que em 1997 agiu por conta própria e que o amplo esquema do propinoduto só foi criado a partir do início do governo Lula, "em 2003 ou 2004".

Ninguém da "base aliada" se deu ao trabalho de dar uma ajuda aos petistas, que chegaram quase à histeria na patética tentativa de convencer Barusco a incriminar o governo FHC. Foi mais uma demonstração do alto preço que o governo Dilma e o PT estão pagando por terem imaginado que, respaldados pelo resultado das eleições presidenciais, poderiam tratar os partidos aliados como subalternos a seu serviço.As vaias do Anhembi, por sua vez, desmontaram o argumento petista de que a oposição a Dilma Rousseff se restringe à "burguesia" e à "classe média alta" - aos brasileiros ricos, enfim. A visita de Dilma ao Salão da Construção foi planejada com cuidado, exatamente para evitar a exposição da presidente a um público hostil em território francamente antipetista. Para evitar contato com os visitantes, agendou-se a visita presidencial para antes da abertura do pavilhão ao público. Mas não contavam os especialistas do Planalto com a reação das centenas de funcionários das empresas expositoras que já se encontravam no recinto. O resultado foi que Dilma permaneceu apenas cerca de cinco minutos no local e foi levada rapidamente de volta ao carro oficial, que a levou para o auditório onde se realizaria, apenas para convidados, a solenidade de abertura oficial do evento. E depois de ter sido vaiada pelos empregados no pavilhão, a presidente foi elogiada no auditório pelos patrões que se dispuseram a fazer declarações aos jornalistas.

No discurso de meia hora que fez diante de um público que ocupava apenas metade da plateia, Dilma fez uma pequena concessão à vida real, ao admitir que "é verdade que o Brasil passa por um momento difícil", mas voltou rapidamente a sua visão onírica do País para garantir que "nem de longe vivemos uma crise das dimensões que alguns estão dizendo". E não se estendeu sobre a gênese da crise, preferindo atribuí-la, como de hábito, a circunstâncias "conjunturais".

O episódio do Anhembi deixou alarmada a equipe que acompanhava Dilma. O ministro Thomas Traumann, chefe da Secretaria de Comunicação Social, não disfarçou a irritação ao afirmar que Dilma tinha caído "numa armadilha".

Se armadilha houve, a culpa é dos estrategistas do governo e do PT, entre eles Lula e o marqueteiro João Santana, que recomendaram à presidente que ativasse a agenda de compromissos fora do palácio e de Brasília, para "entrar em contato" com o povo. Pelo jeito esse contato não voltará a ser feito tão cedo em São Paulo. Na reunião convocada às pressas para aquela noite em Brasília, com a presença de Lula, chegou-se à conclusão de que o episódio do Anhembi foi um fenômeno "paulista". É o novo rótulo inventado para desqualificar as manifestações antigoverno e antipetistas, já que "burgueses" e "classe média alta" não combinam com as fotos do Anhembi fartamente estampadas na mídia.

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U.V.

Manchetes do dia

Quinta-feira 12 / 03 / 2015

O Globo
"SwissLeaks - Lista de contas secretas tem acusados de fraudes"

Entre os 8.687 brasileiros correntistas do HSBC há envolvidos nos escândalos da Lava-Jato, Alstom e máfia da Previdência

Alista de brasileiros que mantiveram contas secretas na Suíça inclui personagens envolvidos em ao menos dez escândalos recentes de corrupção no Brasil, como a Operação Lava-Jato e o caso Alstom, sobre a suspeita de propina na obra do metrô de São Paulo. Eles estão entre os 8.687 brasileiros que constam da relação de correntistas do HSBC em Genebra, entre 2006 e 2007, vazada por um ex-funcionário, revelam Chico Otavio, Ruben Berta e Cristina Tardáguila. O caso, conhecido como SwissLeaks, é tema de uma série de reportagens que O GLOBO começa a publicar hoje em parceria com o portal UOL. Também fazem parte da lista, investigada pela Polícia Federal, personagens-chave da máfia da Previdência, que desviou US$ 310 milhões em indenizações trabalhistas. As pessoas localizadas negaram ter conta na Suíça. 

Folha de S.Paulo
"Governo limitará nova concessão de crédito estudantil"

Alvo de críticas de alunos e faculdades, financiamento federal mostrará quantidade de vagas para cada escola

O governo federal decidiu reformular o Fies, maior programa de financiamento estudantil do país, que tem sido alvo de críticas de faculdades privadas e alunos. Haverá um sistema unificado on-line que mostrará o número máximo de financiamentos para cada curso de cada instituição. Hoje essas informações não são públicas. A medida deve vigorar no segundo semestre. O Ministério da Educação definiu que a oferta de vagas considerará, primeiro, a verba disponível para os créditos. Em seguida, adotará critérios de qualidade (a nota do curso) e proporcionalidade (interesse pelo curso). O Fies foi reformulado em 2010, com juros menores. Os beneficiados passaram de 76 mil em 2010 para 1, 9 milhão em 2014 e o custo, de R$ 1 bilhão para R$ 14 bilhões. Só que, em crise orçamentária, o governo endureceu regras para conceder o crédito e conter gastos. Assim, estudantes não têm conseguido se inscrever ou renovar o Fies. A criação de um teto para o reajuste de mensalidades, por exemplo, tem dificultado as matrículas. O aluno que adere ao Fies tem a mensalidade paga pela União, restituindo o valor após se formar.

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quarta-feira, março 11, 2015

Dominique

Opinião

É hora de cair na real

O ESTADO DE S.PAULO
Depois de ter feito no Dia da Mulher um pronunciamento infeliz que provocou forte reação negativa da classe média em todo o País, Dilma Rousseff apressou-se a procurar a imprensa - o que vinha evitando ultimamente - para defender-se e dizer que não há razões para seu impeachment. A presidente da República deveria se poupar dessa preocupação, pois não lhe faltam problemas reais muito mais graves. Apesar de haver setores radicais propondo a deposição legal da chefe do governo, está claro que a maior parte da oposição a Dilma, na política e nas ruas, entende, sensatamente, que não é hora de falar em impeachment. O argumento de que a oposição está tentando promover o "terceiro turno" das eleições presidenciais é risível, retórica apelativa, própria da maneira singular de o PT pensar e fazer política.

É assim que o PT pensa e age: a direção do partido, reunida na noite de domingo para avaliar a repercussão dos protestos contra Dilma, chegou à conclusão de que se tratou de uma "orquestração de viés golpista" protagonizada por setores da "burguesia e da classe média alta", que se transformou num "movimento restrito que não se ampliou como queriam seus organizadores".

São legítimas e democráticas, para o PT, apenas as manifestações populares por ele próprio orquestradas, ou pelas organizações sociais, sindicais e estudantis que manipula. Fora disso está tudo politicamente desqualificado, por vício de origem: ser contra o PT é o mesmo que ser contra o povo.

Para o comando petista, classe média não é povo, apesar de Dilma gabar-se, como voltou a fazer no domingo, de os governos do PT terem "promovido" à classe média mais de 40 milhões de brasileiros.

A virulência dos ataques dos dirigentes petistas aos protestos de domingo está em contradição com a posição adotada por Dilma. Apesar de ter tentado sair pela tangente com a história do "terceiro turno", a presidente admitiu que o protesto foi legítimo, democrático, e que é preciso "conviver com a diferença". Não tentou, como os dirigentes de seu partido, pura e simplesmente desqualificar os manifestantes.

O que disse Dilma foi reiterado pelo ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, escalado para falar sobre os protestos. Para ele, toda manifestação pacífica é "um direito da população". E repetiu a tese do "terceiro turno", contando vantagens pelo fato de o PT ter vencido eleições presidenciais quatro vezes seguidas. Mas Mercadante carrega o peso de ser petista histórico e não resistiu à tentação de dar lições que jamais aprendeu: "Precisamos construir uma cultura de tolerância, de diálogo e respeito. Uma agenda de convergência é fundamental para o País poder superar as dificuldades conjunturais o mais rápido possível".

Tolerância, diálogo e respeito é tudo o que o PT jamais praticou em mais de 20 anos de oposição e 12 de governo. Muito menos convergência. O lulopetismo sempre tratou os adversários como inimigos a serem eliminados e primou exatamente por divergir em momentos cruciais da vida nacional, como a discussão e aprovação da Constituição de 1988, do Plano Real, da Lei de Responsabilidade Fiscal e muitos outros episódios. É estranho que agora, mergulhado na crise provocada pela incompetência de seu governo, a elite do PT se julgue com autoridade moral e credibilidade para pregar "convergência". Mas insiste no descaramento de fazê-lo.

Essa gente que agora reclama e exige "convergência" nem parece a mesma que exigiu "Fora FHC" como bandeira de sua luta contra a bem-sucedida política de privatização de estatais durante os governos tucanos. Nem por isso foram então acusados de estar tentando promover um "terceiro turno". Até porque isso seria tecnicamente impossível: Lula perdeu logo no primeiro turno as duas eleições que disputou contra Fernando Henrique.

Antes de investir de novo contra quem ousa questioná-los, a presidente e os integrantes da elite do PT precisam cair na real e se dar conta de que há menos de cinco meses quase metade da população brasileira os repudiou nas urnas do segundo turno. De lá para cá, esse número não parou de aumentar.

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U.V.

Manchetes do dia

Quarta-feira 11 / 03 / 2015

O Globo
"Governo cede, negocia com PMDB e faz acordo sobre IR"

Levy se reúne com Renan e aceita reajuste escalonado
Na Câmara, manutenção de regra do mínimo é aprovada

Para evitar nova derrota, o governo cedeu à pressão do Congresso e concordou com proposta de reajuste escalonado da tabela do Imposto de Renda. O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, se reuniu com os presidentes do Senado, Renan Calheiros, e da Câmara, Eduardo Cunha, ambos do PMDB e que estão em atrito com o Planalto por causa da Lava Jato. O acordo prevê a correção da tabela do IR com reajustes que variam de 4,5% a 6,5%. Com isso, nova MP será editada hoje, quando o governo deveria ser derrotado na votação do veto da presidente Dilma à correção de 6,5% para toda s as faixas. Na Câmara, o projeto que mantém a atual regra de correção do salário mínimo foi aprovado.

Folha de S.Paulo
"Governo recua e amplia a faixa de isenção do IR"

Após derrota no Congresso, Fazenda aceita correção maior na tabela do imposto

O governo Dilma recuou e fechou acordo com o Congresso sobre a correção na tabela do Imposto de Renda. A presidente quis evitar que seu veto ao reajuste fosse derrubado no Senado, e representasse nova derrota—a medida que taxava empresas foi devolvida ao Executivo. A presidente defendia correção linear de 4,5%, e o Congresso, de 6,5% (por isso o veto). O Planalto resistia à mudança por não querer reduzir sua arrecadação. Pelo acordo, o ajuste da tabela do IR será escalonado, com correção de 6,5% para os salários mais baixos. Dessa forma, a faixa de isenção foi ampliada de R$ 1.787,77 para R$ 1.903,98. Já a fatia de renda mais alta, que paga alíquota de 27,5% do imposto, passará de R$ 4.463,81 para R$ 4.664,68. A mudança começa a valer em abril e será publicada no “Diário Oficial” de hoje. A correção da tabela é mais um capítulo da disputa política entre base aliada e governo, que tenta aprovar seu ajuste fiscal. Mesmo com o recuo, o ministro Joaquim Levy (Fazenda) disse que a União encontrará recursos para a correção sem deixar a meta fiscal de lado.

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terça-feira, março 10, 2015

Pitacos do Zé


De onde vem a chuva

José Ronaldo Santos
Em outras ocasiões eu já comentei do regime chuvoso de outros tempos no nosso município de Ubatuba. O normal era ter muita água no ano todo, os córregos estavam sempre correndo e eram piscosos. Quando essas águas límpidas passavam pelos terreiros, era a alegria da criação, principalmente dos patos. Dificilmente se via um lugar  – praia, sertão ou bairro – que não tivesse sua vargem, sua área alagada que fornecia taboa, junco, caxeta, traíras, acarás, bagres etc. para o nosso viver, para a nossa existência cultural.

Pelos caminhos abundavam olhos d’águas, onde saciávamos a sede. Era água cristalina a brotar entre sapê, nos bananais e nos aceiros das roças. Quantos camarões (cafula, tamanqueira, vadio, lagosta listrada etc.) a gente perseguia nesses regatos!?! O Nhonhô Armiro, tomando um caminho na restinga, andava até uma bica e enchia mais de uma vez por dia a sua talha de barro que ficava num canto da cozinha. Eu, criança ainda, mesmo sem sede, toda vez que passava pela sua casa, fazia questão de pegar a caneca de ágata e tomar um gostoso gole daquela água sempre fresca. Dele ouvi pela primeira vez: “A água é a nossa melhor bebida, menino!”.

Por estes dias, lendo um texto do Antonio Donato Nobre, um renomado pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, me  recordei dos cuidados do Nhonhô com a água nossa de cada dia. “Não quero, crianças, que vocês fiquem passando pela grota da bica. Entenderam?”. O assunto era a água, a ausência de chuvas que está assustando muita gente. De acordo com esse cientista, “a não chegada da umidade amazônica é uma das causas da forte seca na Região Sudeste. O que sustenta esta afirmação é o conteúdo de 200 trabalhos científicos publicados nas melhores revistas científicas”. E continua: “É vital fazer com que os fatos científicos sobre o papel determinante da floresta para o clima amigo e o efeito do desmatamento na geração do clima inóspito cheguem à sociedade e tornem-se conhecimento corrente”.

O que este cientista disse reforça o que escrevi em outras ocasiões: o modelo dominante de agricultura, de pecuária e de silvicultura (pinus, eucalipto, seringueira...) praticado no país precisa ser revisto. Senão... de que adiantará supersafras, recordes na produção de celulose, de borracha etc. se não houver chuva suficiente para as regiões produtoras?

Há um déficit de cobertura vegetal e as queimadas estão crescendo no Brasil. Não se forma umidade suficiente em mato ralo, em pastagens e canaviais. Ainda existe o agravante das ilhas de calor - nas cidades e zonas industrializadas -  que impedem a chegada de massas úmidas de outros pontos mais distantes. O resultado só pode ser este: a crise hídrica medonha.

Por etapa, caso pudesse determinar em lei, eu faria o seguinte: primeiro revisaria o desmatamento desregrado. Depois, retomaria as margens dos rios para garantir o máximo de mata ciliar. Isto a gente pode fazer em nossa cidade!

Também podemos acusar os destruidores dos nossos rios. São atos criminosos, ainda mais agravantes em tempo de rios secando. Trata-se de incoerência de governos, incoerência de turistas e incoerência de moradores que não valorizam a riqueza da nossa terra.

Naquele tempo não tão distante, sentado no banquinho da cozinha do Nhonhô Armiro, lá na Praia da Fortaleza, a fala era esta: “Preste reparo no que vou dizer, menino: a chuva vem da água que sobe pro céu. E de onde ela sobe? Sobe das águas que  tem aqui em baixo. Por isso carece de muito zelo tudo isso”. E continuava a lição que se repetiu por tantas ocasiões. Eu aprendi assim.

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Dominique

Opinião

A grande mentira

O ESTADO DE S.PAULO
"A questão central é a seguinte: estamos na segunda etapa do combate à mais grave crise internacional desde a grande depressão de 1929." Foi com essa estarrecedora desculpa que Dilma Rousseff jogou no lixo todos os indicadores econômicos e se eximiu de qualquer responsabilidade pela grave crise nacional que o Brasil enfrenta depois de quatro anos de seu desgoverno. Falando em rede de rádio e de televisão sob o pretexto de comemorar o Dia da Mulher, a presidente garantiu que, "como temos fundamentos sólidos", as "dificuldades conjunturais" são passageiras e começarão a ser superadas "já no final do segundo semestre deste ano". Os brasileiros não têm, portanto, com o que se preocupar, porque todas essas dificuldades "conjunturais" significam "apenas a travessia para um tempo melhor, que vai chegar rápido e de forma ainda mais duradoura". Oxalá!

A encenação mendaz de Dilma foi mal recebida. Seu discurso foi saudado por um panelaço em bairros de classe média das cidades mais importantes do País, mas também em suas periferias. Pronunciou-se a mesma classe média para a qual, segundo Dilma, os governos do PT contribuíram com um novo contingente de 44 milhões de brasileiros.

Parte importante da crise de governança que está levando o Planalto ao desespero e a população a se manifestar ruidosamente decorre da absoluta incompetência de Dilma que, para completar o desastre, entrou em rota de colisão com o maior partido de sua base de sustentação, o PMDB, praticamente jogando-o na oposição. Como se não bastasse, os antigos parceiros do Planalto na farsa do "Novo Brasil", vendo-se agora enredados até o pescoço no propinoduto da Petrobrás, resolveram criar uma farsa toda sua.

O PMDB acusa o governo de manipular o Ministério Público (MP) para desmoralizar alguns dos seus principais líderes, como Renan Calheiros e Eduardo Cunha, incluindo-os no pedido de investigação apresentado ao STF pelo procurador-geral Rodrigo Janot. Ora, pelo menos esta acusação não se pode fazer ao governo petista. Se tivesse o poder de manipular o MP e a Polícia Federal o governo Dilma teria forçado a exclusão de figurões petistas da lista de suspeitos do procurador-geral e também, obviamente, a inclusão de nomes de oposicionistas tucanos e democratas. O que o PMDB pretende é criar confusão para comprometer os resultados da Operação Lava Jato. 

Para tal recorre sem nenhum constrangimento às acusações a Dilma e ao PT, com os quais os peemedebistas estão circunstancialmente de mal. Mas são todos farinha do mesmo saco - ou seja, do mesmo governo - tentando salvar-se do naufrágio de uma parceria que faz água por todos os lados.

O PMDB tem culpa no cartório, mas não é o principal responsável pela crise. A grande responsável pelo desastre é a presidente da República, como ficou claro em seu patético discurso do Dia das Mulheres. Atrás da sua soberba assoma a absoluta incapacidade de admitir os próprios erros, uma característica marcante de Lula e do PT que ela se encarregou de levar a extremos e que a torna uma governante medíocre.

Não reconhecendo os próprios erros, ela escamoteia a verdade, dissimula. E como uma mentira puxa outra, Dilma encontra-se hoje refém das fabulações com que tem insultado a inteligência dos brasileiros. Como a de afirmar, como fez no domingo à noite, que o seu é "um governo que se preocupa com a população", como se isso fosse uma exclusividade petista; ao dizer que "às vezes temos que controlar mais os gastos para evitar que o nosso orçamento saia do controle", exatamente o que ela nunca fez e que levou o País ao descontrole fiscal e à recessão econômica; ou então ao garantir que o País pode confiar no governo para controlar a crise econômica porque "queremos e sabemos como fazer isso", afirmação desmentida pela desconfiança com que os agentes econômicos encaram sua administração.

E é assim que, de mal um com o outro e cada um dissimulando, encenando, fabulando à sua maneira e de acordo com suas conveniências, o PT da desnorteada Dilma Rousseff e o ressentido PMDB de Michel Temer protagonizam a cena política que começa a abrir espaço para a participação das classes médias, sempre mais efetivas em momentos críticos do que os "exércitos do Stédile".

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U.V.

Manchetes do dia

Terça-feira 10 / 03 / 2015

O Globo
"Dilma diz que é preciso razão para impeachment"

Presidente, ministros e PT atribuem panelaço a ‘terceiro turno eleitoral’

FH se diz contra impedimento: “Não adianta nada tirar a presidente”

Após ter sido alvo de um panelaço em pelo menos 13 capitais na noite de domingo por causa de seu pronunciamento na TV, a presidente Dilma ontem defendeu o direito de manifestação, mas afirmou que o “terceiro turno” não é motivo para um pedido de impeachment contra ela: “Há que caracterizar razões para o impeachment.” Mais cedo, o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, também condenou o que chamou de terceiro turno. O PT acusou a oposição de financiar o panelaço, que considerou um fracasso e coisa da burguesia. O ex-presidente Fernando Henrique afirmou que “não adianta nada tirar a presidente”.

Folha de S.Paulo
"Não há razões para pedido de impeachment, afirma Dilma"

Presidente diz que ‘3º turno’ seria ‘ruptura democrática’; PT teme repetição de protestos de 2013

Um dia após seu discurso na TV ter sido alvo de vaias e “panelaço” em pelo menos 12 capitais, a presidente Dilma (PT) disse que “há que caracterizar razões para o impeachment” e que tentar fazer um “terceiro turno” seria “ruptura democrática”. Num cenário de crise econômica e política, com o petrolão envolvendo a sua base de apoio, o governo teme o aumento dos protestos. Há o receio de que atos marcados para o próximo domingo contra a petista repitam as manifestações de 2013. A repercussão negativa do pronunciamento presidencial, usado por Dilma para defender o ajuste fiscal e pedir paciência da população, pode servir de munição para o ato antigoverno. Dilma disse apoiar o direito de protesto, mas sem violência. Grupos contra a presidente esperam levar 100 mil às ruas. Em evento, o ex-presidente FHC (PSDB) disse não ver o impeachment como uma saída, mas que “a continuidade dos acontecimentos, aí sim, desafiará as lideranças a sentir o momento”. A PM de SP dividirá os manifestantes do ato marcado para a av. Paulista em blocos, segundo a reivindicação de cada movimento. A partida do Palmeiras foi antecipada das 16h para as 11h para evitar coincidência de horário com o protesto.

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segunda-feira, março 09, 2015

Dominique

Opinião

O xadrez do impeachment

DENIS LERRER ROSENFIELD - O ESTADO DE S.PAULO
O contexto político está cada vez pior no País, com reflexos que já atingem e atingirão ainda mais o cenário econômico e as medidas de austeridade fiscal. A recusa da MP da desoneração da folha salarial pelo presidente do Senado, Renan Calheiros, é só uma de suas expressões. Outras certamente virão. A lista dos políticos envolvidos na Lava Jato, finalmente apresentada pelo procurador-geral da República ao Supremo, abre uma nova etapa de investigação e de acirramento dos ânimos.

Convém, preliminarmente, ressaltar alguns fatores imponderáveis, cuja presença ou não podem influenciar diretamente esse quadro. O primeiro deles diz respeito ao desdobramento das investigações da Lava Jato, que podem vir a implicar a presidente Dilma no desvio de recursos da Petrobrás. Não se trata, aqui, de se estabelecer uma questão de ordem criminal. Todas as informações disponíveis indicam ser ela uma pessoa honesta. O problema é outro e essencialmente político. Ela pode vir a ser investigada por responsabilidade nos desmandos da Petrobrás tanto por ação quanto por omissão. Da mesma maneira, podem os recursos desviados da Petrobrás ter sido usados para financiamento de sua campanha eleitoral, o que seria muito grave. O segundo fator imponderável são as manifestações de rua, como a prevista para dia 15, pedindo o impeachment da presidente e assumindo firme posição contra a corrupção instalada pelo PT no aparelho de Estado.

As consequências de um impeachment são, constitucionalmente, de dois tipos. Se o impeachment for individual, não atingindo sua chapa, o vice-presidente assume normalmente, completando seu mandato. Ao contrário do que vem sendo veiculado pelas redes sociais, não haveria nova eleição. Nova eleição só ocorre se houver vacância simultânea da presidente e do vice. A eleição seria direta se a vacância simultânea ocorrer nos dois primeiros anos do mandato e indireta se nos dois últimos anos.

Cenário 1: impeachment da presidente, responsabilizada individualmente. O início do processo, independentemente de chegar a seu término, já lançaria o País num processo de profunda instabilidade, pois a substituição de um presidente por impeachment é altamente traumático. O País ficaria em suspenso e medidas econômicas dificilmente seriam tomadas.

Algumas condições:

1) O PMDB seria o principal beneficiário, pois o vice-presidente, Michel Temer, assumiria. A governabilidade seria garantida sem nenhuma dificuldade, pois o vice goza de prestígio e é conhecido por suas posições moderadas e institucionais. Certamente o PMDB nada faria para segurar a presidente.
2) As oposições certamente terminariam aderindo a esse processo de impeachment, pois se não o fizessem ficariam em completa dissintonia com a sociedade.
3) O PT, por sua vez, seria contra o impeachment, que tornaria completamente inviável o seu projeto de poder.
4) Note-se que a nomeação de Aldemir Bendine para a presidência da Petrobrás pode ser vista como tendo o objetivo de blindar internamente a instituição de qualquer investigação séria, que poderia envolver a atual presidente, o seu antecessor e o PT.

Cenário 2: vacância simultânea. Neste caso haveria a vacância simultânea da presidente e do seu vice. Para isso seriam necessárias provas que envolvessem também o vice-presidente. A possibilidade de um cenário desse tipo residiria em ser provado que os recursos desviados da Petrobrás haviam sido utilizados no financiamento da campanha de 2014. Seria necessário, ainda, provar o envolvimento do vice-presidente no caixa da campanha, o que não é uma hipótese das mais prováveis.

Algumas condições:

1) Mesmo que fosse aberto um processo de impeachment que abarcasse tanto a presidente quanto o vice, seria muito difícil implementá-lo, dada a força do PMDB no Congresso Nacional. O mais provável seria o partido desvincular o vice da presidente, individualizando os processos, deixando a presidente à sua própria sorte.
2) Observe-se que seria de interesse do PT a vacância simultânea da presidente e do vice, com o partido, sob a liderança de Lula, partindo para uma eleição direta tendo o ex-presidente como candidato. Essa hipótese não desagradaria ao partido, que mesmo tendo o ônus do impeachment tentaria reabilitar-se eleitoralmente com Lula.
3) Eis a razão, como plano B, de Lula já ter-se lançado candidato a presidente. As urnas acabaram de ser contadas e já surgiu um candidato para 2018. Será mesmo para 2018? Acontece que não houve precipitação, mas um cálculo de que Dilma poderia não cumprir a totalidade de seu mandato.
4) Tal cenário de vacância simultânea seria o pior para o País, pois os movimentos sociais estão sendo desde já mobilizados e instrumentalizados. Lula está adotando uma posição provocativa a respeito, apoiando explicitamente o MST e os sem-teto.
5) Em recente declaração incendiária, Lula afirmou que Stédile poderia pôr seu "exército" na rua. Isso significaria invasões no campo e na cidade, assim como obstrução de vias nas grandes cidades, tudo com a complacência do governo. Dilma não teria muito o que fazer, pois já renunciou ao controle desses movimentos sociais, que respondem a Lula e às alas mais radicais do PT.
6) Observe-se a estratégia extremamente arriscada adotada por Lula, podendo levar o País a uma crise institucional. Como muito bem se manifestou o Clube Militar, há somente um Exército, o brasileiro, o de Caxias.
7) Entretanto, esse cenário tem uma condição suplementar, a de Lula não estar envolvido nos escândalos da Lava Jato. Note-se que a maioria dos desmandos na Petrobrás se deu sob sua gestão presidencial, envolvendo pessoas próximas a ele.
A percepção correta dessas condicionantes se torna fundamental para que possamos entender a situação atual, que está muito mais para fino jogo de xadrez do que para futebol.

*Denis Lerrer Rosenfield é professor de Filosofia na UFRGS. E-mail: denisrosenfield@terra.com.br 

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U.V.

Manchetes do dia

Segunda-feira 9 / 03 / 2015

O Globo
"Na TV, Dilma defende ajuste; nas ruas, panelaço"

Enquanto presidente pede paciência em pronunciamento, população reage

Em meio à crise por conta da lista de políticos na Operação Lava-Jato, Planalto apela a vice Michel Temer para conter reação de Renan Calheiros e Eduardo Cunha no Congresso e conseguir aprovar medidas econômicas

Numa tentativa de conter a maior crise política de seu governo, a presidente Dilma Rousseff usou o pronunciamento pelo Dia Internacional da Mulher para pedir o apoio da população às medidas de ajuste fiscal. Enquanto, na TV, ela exortava “paciência e compreensão”, nas ruas de Rio, São Paulo, Brasília e em algumas cidades de Santa Catarina, houve panelaço. O movimento espontâneo ocorreu, sobretudo, em bairros de classe alta e teve repercussão nas redes sociais. Pouco antes, em reunião com ministros da articulação política no Planalto, Dilma decidiu apelar para o vice-presidente Michel Temer, que será chamado a conter as retaliações do PMDB de Renan Calheiros e Eduardo Cunha no Congresso.

Folha de S.Paulo
"Fala de Dilma na TV gera panelaço em várias cidades"

Enquanto presidente defendia seu governo, protestos ocorriam nas ruas

Em pronunciamento de rádio e TV neste domingo (8), a presidente Dilma Rousseff defendeu o ajuste fiscal, pediu apoio da população e do Congresso na implementação de medidas que afetam a “todos” e disse que as críticas contra o governo são “injustas”. De acordo com a petista, o ajuste das contas públicas é uma medida tomada “corajosamente”. “Mesmo que isso signifique alguns sacrifícios temporários para todos e críticas injustas e desmesuradas ao governo”, afirmou a presidente. Durante o pronunciamento, motoristas fizeram buzinaços em São Paulo, Brasília e Belo Horizonte. Nas janelas dos prédios, mor adores batiam panelas, xingavam a presidente, enquanto piscavam as luzes dos apartamentos. Dilma chamou o ajuste de travessia. Negou que irá trair a classe média e os trabalhadores, mas anunciou que todos pagarão pelas medidas. “Absorvemos a carga negativa até onde podíamos e agora temos de dividir parte deste esforço com todos os setores.”  

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domingo, março 08, 2015

Dominique

Opinião

Tudo bloqueado

Gabeira
Um amigo no exterior me perguntou se no Brasil estava tudo dominado. Referia-se ao habeas corpus dado por Teori Zavascki a Renato Duque, indicado do PT na Petrobras. Dominado não sei, respondi. Mas, naquele momento, estava tudo bloqueado: as estradas, pelos caminhoneiros, as contas bancárias, pela Justiça. Tantos bloqueios que a conta do ex-governador petista de Brasília, Agnelo Queiroz, foram bloqueadas duas vezes na mesma semana. Há bloqueio na relação Dilma- Congresso, e bloquearam o juiz que bloqueou os bens de Eike Batista.

O bloqueio se estendeu às cabeças: Washington Quaquá, um dirigente do PT fluminense, afirmou que daria porradas nos burgueses. Lula disse que chamaria o exército dos sem-terra para as ruas.

Às vezes temo que minha visão também fique bloqueada. Mas encaro esse movimento como a busca do golpe perfeito. O governo do PT arruinou a Petrobras, quer que os empreiteiros fiquem presos e que os sem-terra levem e deem porrada para defendê-lo. Em ruas indignadas com a corrupção, será difícil evitar os conflitos.

Bloqueados os caminhos para entender o assalto à casa do procurador Janot nas vésperas de apresentar a denúncia. Ele se limitou a dizer que os assaltantes estiveram por oito minutos em sua casa. Nada levaram de valor, apenas o controle remoto do portão. Se um grupo entra na casa de um procurador e não rouba nada, está apenas querendo dizer que entra quando quiser. E se leva o controle remoto do portão é apenas para mostrar como é inútil, pois conseguiram entrar sem ele. Ou será que seriam tolos o suficiente para acreditar que o controle remoto continuaria a abrir o portão depois do assalto?

O bloqueio mental se estende a Dilma. Ela despachou o embaixador da Indonésia pela porta lateral, como se fosse o entregador de pizza. O homem estava vestido com roupas típicas de seu país e compareceu na data marcada para apresentar credenciais.

Ninguém do Itamaraty percebeu essa grosseria. Ninguém no Congresso foi à embaixada da Indonésia pedir desculpas. Apagão diplomático. A política foi conduzida, nesse caso, por reflexos de uma dona de casa estressada. E ainda temos um brasileiro no pelotão da morte na Indonésia, compras de avião da Embraer que podem ser suspensas.

O bloqueio maior é na convivência política. A filósofa Marilena Chaui disse uma vez que odiava a classe média. Quaquá vai dar porrada em burgueses. Onde vai encontrá-los? Nos restaurantes de luxo nas ilhas do litoral de Angra? Quem é classe média? Vão atacar as lojas de conveniência nas noites de sábado, as academias de pilates?

Tudo muito confuso. CGU e TCU, provavelmente mais alguma coisa terminada em u, preparam um acordo de leniência. Os empreiteiros pagam multa e voltam a realizar obras públicas.

Enquanto isso, o BNDES estuda um empréstimo de R$ 31 bilhões para as empreiteiras. Com essa grana, pagam a multa e ainda podem mandar um pouco para os partidos do governo. E essa grana vai para os marqueteiros, que inventarão outros heróis do povo brasileiro, corações valentes e outras babaquices eleitorais. É assim que a banda vai tocar? Desta vez não só há um grande volume de informações como também a reação externa.

Romper com a opinião pública interna e com financiadores internacionais não é uma boa tática. Sobretudo no momento em que vivemos uma crise em que a falência do modelo aparece a cada novo indicador econômico.

Avançamos, desde o fim da ditadura. Houve confrontos, como o dos petistas com Mário Covas, operações extremas, como a dos aloprados em 2006. Em vez de se abrir para reparar os graves erros na economia e na política, Lula convoca um exército, como se acabassem os argumentos e o confronto fosse a única saída para o impasse que o próprio PT criou.

Transformar adversários políticos em inimigos significa uma regressão. Nosso processo democrático já havia superado esse estágio. O insulto a pessoas em busca de ajuda médica, como foi o caso da mulher de Mantega, é injustificável. Mas partiu de pessoas sem responsabilidades com o processo político. Assumir um tom de guerra à frente de um partido, como fizeram Lula e Quaquá, parece-me um ato de desespero. É uma ilusão intimidar para se defender.

Domingo que vem é 15 de março. Manifestações de protesto estão marcadas. O PT marcou a sua para defender o governo e a Petrobras que ele mesmo arruinou. Mas vai fazê-lo dois dias antes. Melhor assim. Vamos deixar que tudo aconteça, sem ameaças, sem porradas. Que o país se expresse em paz e que seja honrado o legado coletivo desses anos de democratização.

Falaram tanto na campanha eleitoral: filmes, lendas, imagens de um Brasil paradisíaco que fabricaram. Agora é hora de ouvir um pouco o que pensam as pessoas. Guardem exército e porradas para o videogame. Desbloqueiem o caminho do país real.

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U.V.

Manchetes do dia

Domingo 8 / 03 / 2015

O Globo
"Documento reforça acusação de Youssef contra Cunha"

Presidente da Câmara acusa Janot de atuar a serviço do governo, que nega; Renan ameaça criar CPI para investigar Ministério Público

Documentos do Congresso reforçam as acusações feitas pelo doleiro Alberto Youssef contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Youssef afirmou em sua delação premiada que Cunha pressionou a empresa Mitsui, que tinha contratos com a Petrobras para o aluguel de um navio-plataforma, depois de ela suspender o pagamento de propina ao PMDB. A pressão, segundo o delator, foi feita por meio de requerimentos de informações apresentados por aliados do peemedebista, o que efetivamente ocorreu. Em 2011, a então deputada Solange Almeida (PMDB-RJ), aliada de Cunha, apresentou pedidos de informações na Comissão de Fiscalização e Controle sobre investigações contra a Mitsui, informa Paulo Celso Pereira. Cunha negou relação com os requerimentos. Mais cedo, o presidente da Câmara insinuou que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, atua em conluio com o governo Dilma, como se "todos fossem partícipes da mesma lama". O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, disse que é "inverossímil" que o governo tenha interferido na investigação. O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), também investigado, articula uma CPI sobre o Ministério Público.

Folha de S.Paulo
"PMDB acusa governo de interferir na investigação"

Presidente da Câmara, Eduardo Cunha diz que Planalto quer "sócio na lama"

Um dia após ser implicado na investigação da Operação Lava Jato, o comando do PMDB no Congresso Nacional partiu para o ataque contra o governo da presidente Dilma Rousseff (PT).

Peemedebistas afirmam que o Planalto interferiu na lista de 34 parlamentares que serão investigados pelo Supremo Tribunal Federal a pedido da Procuradoria-Geral da República.

Acusado pelo doleiro Alberto Youssef de receber propina por um contrato com a Petrobras, o deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara, negou as irregularidades e disse que "o governo quer sócio na lama".

Para Cunha, integrantes do governo se mobilizaram para incluir tanto ele como nomes da oposição na lista.

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), foi citado como integrante do núcleo político de uma quadrilha formada para desviar recursos da estatal. Ele afirma que "tudo é inconsistente e frágil".

Segundo Alberto Youssef, operador do esquema, políticos teriam recebido propina para facilitar negócios com outras estatais federais, além da Petrobras. 


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