sábado, março 07, 2015

Dominique

Opinião

O Congresso nas mãos da CPI

O ESTADO DE S.PAULO
A CPI da Petrobrás recém-instalada na Câmara dos Deputados é uma excelente oportunidade para os representantes do povo se redimirem do vexaminoso desempenho das duas comissões de inquérito formadas no ano passado com o mesmo objetivo e que terminaram em pizza. Diante de uma opinião pública escandalizada com a corrupção na maior estatal brasileira - desvio que presumivelmente se estende a outras unidades do aparelho estatal - e descrente da capacidade e do interesse de certos setores do poder público de reprimir a bandidagem e punir os culpados, uma terceira CPI da Petrobrás que mostre serviço pode ser um primeiro passo importante deste renovado Congresso Nacional para a recuperação de uma imagem desgastada e da credibilidade perdida perante a sociedade brasileira.

A nova CPI, instalada no dia 25 de fevereiro, vai atuar num cenário político completamente distinto daquele que, no fim da Legislatura passada, permitiu que as duas comissões anteriores, atadas aos interesses políticos de um governo petista recentemente consagrado nas urnas e desinteressado de levar a fundo a apuração do escândalo na petroleira, transformassem o trabalho de investigação numa encenação que nem se deu ao trabalho de disfarçar seu caráter farsesco.

Hoje o cenário é muito diferente. Sem a marquetagem populista e apelativa que garantira sua suada vitória nas urnas, bastou Dilma Rousseff tomar posse do segundo mandato e colocar em perspectiva os quatro anos pela frente - a partir do devastador desempenho político, administrativo e moral do que realizou nos quatro anos anteriores - para que a Nação despertasse de uma profunda letargia. O prestígio e a credibilidade da chefe do governo despencaram a níveis até então inimagináveis, contando para isso também com a decisiva cooperação de sua inata incompetência política e com a desmedida ambição de hegemonia perpétua do PT.

A presidente Dilma Rousseff começou a afundar seu governo numa séria crise política a partir do instante em que, em vez de acatar a astúcia e a experiência de Lula - que a inventou politicamente e com quem costumava se aconselhar em momentos difíceis -, cometeu a insensatez de tentar reduzir o poder e a influência política de seu principal aliado, o PMDB. Se até o fim do ano passado o Planalto podia contar com a docilidade quase servil de um Congresso cujas Casas eram presididas pelo mesmo PMDB, agora ali enfrenta o poder incontrastável desse partido que não se cansa de marcar posição de independência, impondo-lhe a humilhação de derrotas sucessivas.

Assim, se meses atrás a atuação de uma CPI que deveria investigar a corrupção na Petrobrás dependia em grande medida do interesse político do Planalto, agora depende mais de um "aliado" que, em dois meses, lhe causou mais dissabores do que toda a oposição em quatro anos.

É claro que os líderes peemedebistas atribuem o novo comportamento do partido à disposição de cumprir os princípios constitucionais de independência e autonomia dos poderes da República. E o desempenho da nova CPI da Petrobrás, traduzindo aquela independência e tendo grande visibilidade, será decisivo para a reconstrução da imagem da política e dos políticos. Para o bem ou para o mal.

Pois as regras vigentes do jogo político abrem grande espaço para a atuação de doadores ou financiadores de campanhas eleitorais. E entre esses os campeões são, exatamente, as empreiteiras de obras públicas.

Em sua primeira reunião de trabalho, na quinta-feira passada, de 340 requerimentos apresentados a CPI aprovou 109, que envolvem, entre outras questões, a convocação de ex-presidentes e de ex-diretores da Petrobrás, doleiros e pessoas investigadas como operadoras do esquema de propina. Nenhum político. Nenhum empreiteiro.

É claro que os trabalhos da CPI estão apenas começando. Mas seria muito ruim para a imagem do Congresso se a opinião pública viesse a ter a impressão de que o espírito corporativo dos nobres deputados os estaria levando a proteger a si próprios e a seus potenciais financiadores.

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U.V.

Manchetes do dia

Sábado 7 / 03 / 2015

O Globo
"Inquéritos contra 49 políticos investigam até propina semanal"

Renan é acusado de fazer reunião em casa para receber dinheiro; Cunha, de achacar empreiteiros

Ministro Teori Zavascki, do STF, abre investigações pedidas pela Lava-Jato contra seis partidos. Dos que responderão, 31 são do PP, oito do PT, sete do PMDB, um do PSDB, um do PTB e um do Solidariedade. Para procuradores, corrupção na estatal era sistêmica

Após um dia de muita tensão, o ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou ontem à noite investigação contra 50 pessoas acusadas no escândalo de corrupção na Petrobras apurado na Lava-Jato, entre elas 49 políticos e um operador, Fernando Baiano. A lista enviada ao STF pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, detalha até pagamentos semanais de propina a investigados no esquema e inclui, entre os que responderão a inquérito, os presidentes do Senado, Renan Calheiros, e da Câmara, Eduardo Cunha, ambos do PMDB. Segundo a acusação, Renan chegou a fazer reuniões em casa para tratar do esquema e "receber valores". Já Cunha é acusado de achacar empreiteiros. Os dois negam. As investigações autorizadas ontem são baseadas ainda apenas nas delações do ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa e do doleiro Youssef. Por isso, a maioria dos acusados é do PP (31), seguidos por PT (8) e PMDB (7). O PTB tem o senador Fernando Collor. E há dois nomes da oposição: o senador Antonio Anastasia (PSDB) e Luiz Argôlo (Solidariedade). Não foi aberta ação penal nem feita denúncia. Os políticos ainda serão investigados. 

Folha de S.Paulo
"Lava Jato atinge 34 parlamentares e campanha de Dilma em 2010"

SUPREMO ABRE INQUÉRITO SOBRE CUNHA, SUSPEITO DE ACHAQUE, E RENAN, DE QUADRILHA 

JUIZ MORO DECIDIRÁ SE INVESTIGA PALOCCI POR DOAÇÃO AO PT

LISTA DE JANOT INCLUI ANASTASIA

1. Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado
2. Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara
3. Antonio Anastasia (PSDB-MG), senador e ex-governador
4. Fernando Collor (PTB-AL), ex-presidente e senador
5. Roseana Sarney (PMDB), ex-governadora do MA
6. Romero Jucá (PMDB-RR), senador
7. Gleisi Hoffmann (PT-PR), senadora e ex-ministra
8. Lindbergh Farias (PT-RJ). senador
9. Humberto Costa (PT-PE), senador e ex-ministro
10. Edison Lobão (PMDB-MA) senador e ex-ministro
11. Aníbal Gomes (PMDB-CE) deputado federal
12. Valdir Raupp(PMDB-RO), senador
13. José Mentor (PT-SP), deputado federal
14. Luiz Fernando Faria (PP-MG), deputado federal
15. Vander Loubet (PT-MS), deputado federal
16. Antonio Palocci (PT-SP), ex-ministro
17. Cândido Vaccarezza (PT-SP). ex-deputado federal
18. Ciro Nogueira (PP-PI), senador
19. Gladson Cameli (PP-AC), senador
20. Nelson Meurer (PP-PR), deputado federal
21. Mário Negromonte (PP-BA), ex-ministro das Cidades
22. Benedito de Lira (PP-AL), senador
23. Arthur Lira (PP-AL). deputado federal
24. Simão Sessim (PP-RJ),deputado federal
25. José Otávio Germano (PP-RS). deputado federal
26. Eduardo da Fonte (PP-PE). deputado federal
27. Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), deputado federal e ex-ministro
28. Carlos Magno Ramo (PP-RO). ex-deputado federal
29. Dilceu Sperafico (PP-PR), deputado federal
30. Jerônimo Goergen (PP-RS), deputado federal
31. João Leão (PP), vice-governador da BA
32. Luiz Argôlo (SD-BA. ex-PP). ex-deputado federal
33. Sandes Júnior (PP-GO). deputado federal
34. Afonso Hamm (PP-RS), deputado federal
35. José Linhares Ponte (PP-CE). ex-deputado federal
36. José Olímpio (PP-SP), deputado federal
37. Lázaro Botelho Martins (PP-TO). deputado federal
38. Luiz Carlos Heinze (PP-RS), deputado federal
39. Pedro Corrêa (PP-PE). ex-deputado federal
40. Pedro Henry (PP-MT), ex-deputado federal
41. Renato Moiling (PP-RS). deputado federal
42. Roberto Balestra (PP-GO), deputado federal
43. Roberto Britto (PP-BA), deputado federal
44. Vilson Covatti (PP-RS). ex-deputado federal
45. Waldir Maranhão (PP-MA), deputado federal
46. João Alberto Pizzolatti (PP-SC). ex-deputado federal
47. Aline Corrêa (PP-SP), ex-deputada federal
48. Roberto Teixeira (PP-PE), ex-deputado federal
49. Fernando Baiano, lobista
50. João Vaccari Neto, tesoureiro do PT

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sexta-feira, março 06, 2015

Coluna do Celsinho


Abrem-se os portões!

Celso de Almeida Jr.

Gosto de abrir o pensamento.

Contar, vez ou outra, nesta coluna despretensiosa, algumas passagens de meu cotidiano para amigos ou anônimos.

Nesta semana, relato os avanços de uma empreitada coletiva.

Em janeiro deste ano, combinamos com um grupo de aviadores - participantes de um Raid Aéreo de Santa Catarina até o Rio Grande do Norte - que, na passagem por Ubatuba, a primeira cidade da região sudeste incluída no percurso, organizaríamos uma "Festa Aeronáutica".

Naquela ocasião, lembrei-me do início do Núcleo Infantojuvenil de Aviação-NINJA, há 5 anos.

A criação do NINJA, que procura levar a cultura aeronáutica para crianças e jovens, ocorreu logo após estudarmos o belo trabalho desenvolvido na cidade americana de Oshkosh, que organiza anualmente a maior feira de aviação do mundo.

Além do fascínio das milhares de aeronaves que participam por lá, há núcleos voltados exclusivamente para os jovens, além de um espetacular exercício de mobilização dos moradores, que atuam como voluntários no evento.

Pois é...

Do início do NINJA para cá, já tivemos muitas conquistas.

Dentre elas, implantamos o Café Voador - encontro mensal com entusiastas da aviação - e, também, o Aeroclube de Ubatuba, ambos, frutos do esforço de muitos voluntários, amantes da causa.

Avançamos, mas ainda faltava a presença mais intensa desta equipe no Aeroporto Gastão Madeira, uma jóia magnífica no centro do município.

De repente, o 2º Raid Aéreo Sudeste-Nordeste Costa Esmeralda - que pousará em Ubatuba no próximo 21 de março - desencadeou uma ampla adesão de apoio ao projeto.

Entidades públicas e privadas estenderam as mãos, facilitando a organização do receptivo aos aviadores, viabilizando, simultaneamente, a realização de uma exposição aeronáutica.

Destaco aqui a excelente retaguarda da Comtur que - entre outras iniciativas - cedeu o Centro de Convenções para a montagem dos estandes, onde crianças, jovens e adultos poderão conhecer mais sobre aviação, desfrutando do conforto destas amplas instalações, com entrada gratuita.

Outra notícia importante foi a autorização para a construção de um portão que liga o Centro de Convenções à área gramada do aeroporto situada atrás dos hangares.

Este acesso permitirá aos visitantes a aproximação das aeronaves, visualizando os detalhes, colhendo explicações com os pilotos, num espaço seguro, monitorado, suficientemente afastado da área de manobras do aeroporto.

Além dos participantes do Raid Aéreo, escoteiros, escolas de aviação, associações, aeroclubes e especialistas do setor já confirmaram presença nesta festa que começará às 9h30m, do dia 21 de março, sábado, com término previsto para as 17h.

A primeira atividade será a inauguração da rua Lia de Barros, que dá acesso ao Centro de Convenções, representando uma justa homenagem a esta pioneira da organização e da valorização do turismo em Ubatuba.

Os aviadores partem no dia seguinte, domingo, após às 12h, garantindo, portanto, mais uma manhã para visitar as aeronaves.

Aumentando as boas notícias, recebemos nesta semana os aviõezinhos do KEROVOAR - projeto parceiro do NINJA - que garantem muita diversão para meninos e meninas e darão um brilho especial para a exposição aeronáutica.

Tudo está sendo possível graças a um empenho conjunto da companhia de turismo, da prefeitura e suas diversas secretarias, da administradora do aeroporto, do aeroclube de Ubatuba, do departamento aeroviário do governo do estado de São Paulo, da universidade de Taubaté e outros generosos colaboradores.

É isso, prezado leitor, querida leitora.

Agora, faltando duas semanas para a festa, é torcer para o tempo ajudar e, também, arregimentar voluntários, abrindo mentes e corações para a causa.

Vamos juntos?

Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com

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Dominique

Opinião

A fome de Dilma

É um apetite que nunca passa, que justifica as explosões de fúria dos mais serenos e multiplica a ira dos enfezados

Nelson Motta, O Globo

Na mentira, o que mais ofende e enfurece é o mentiroso achar que somos idiotas para acreditar nela. E quando a maioria da população acredita que a presidente é mentirosa, não há campanha publicitária que restaure a confiança perdida.

Mas omissões podem ser piores do que mentiras, quando reveladas. Quem pode acreditar que a presidente do conselho que mandou na Petrobras durante tanto tempo nunca desconfiou de nada errado?

Como uma economista formada não percebeu a deterioração das contas públicas e foi enganada durante quatro anos pela contabilidade criativa do secretário do Tesouro, Arno Augustin? Ou pior: ele cumpria ordens dela?

Eles não imaginaram as consequências? Quando os acionistas americanos lesados pela Petrobras ganharem suas indenizações na Justiça dos Estados Unidos, vão acusá-los de ataque à nossa soberania.

Enquanto isso, os acionistas brasileiros da Petrobras não vão ser indenizados em nada, embora vítimas da mesma incompetência e corrupção que fizeram o valor da empresa desabar. E nem serão: se forem, a empresa quebra. Aí vão dizer que é uma conspiração para sucatear a Petrobras e vendê-la a preço de banana para os gringos.

No Rio de Janeiro, Dilma parecia grogue num córner, dizendo frases desconexas... O destino da cidade é ligar o morro ao litoral... Eduardo Paes é o melhor prefeito das galáxias... e inventando uma canção em que o Centro histórico se desdobra para dentro do mar. Talvez fosse a fome.

Todo mundo sabe que poucas abstinências, depois do tabaco e do álcool, irritam mais do que passar fome numa dieta severa, meses a fio. Não há humor que resista, é uma fome que nunca passa, uma inveja mortal dos que comem, que justifica as explosões de fúria dos mais serenos, e multiplica a ira dos enfezados.

Mas uma pessoa tomar decisões graves, arbitrar disputas complexas e dialogar com interesses conflitantes, em busca de soluções urgentes, nesse estado, é uma temeridade. OK, Dilma quer ficar mais saudável e bonita, mas o melhor para o país é que ela volte a comer. O dulce de leche de Montevidéu deve ter adoçado seu café da manhã com o PMDB. Come, Dilma!

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U.V

Manchetes do dia

Sexta-feira 6 / 03 / 2015

O Globo
"PMDB isola PT na CPI; lista de Janot tem oito senadores"

Procurador-geral pediu ao STF inquéritos contra 45 parlamentares

Ministério Público já decidiu também que enviará ao STJ, provavelmente na semana que vem, pedidos de investigação sobre dois governadores: Pezão, do Rio, e Tião Viana, do Acre

Com autorização do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o presidente da CPI da Petrobras, Hugo Motta (PMDB-PB), determinou a criação de quatro sub-relatorias e entregou uma delas para o PSDB. Na prática, a manobra isolou o PT e enfraqueceu o trabalho do relator, o petista Luiz Sérgio. Os sub-relatores irão funcionar de maneira autônoma e paralela ao petista. A criação de sub-relatorias causou bate-boca e troca de acusações na CPI. Oito senadores com mandato (10% do total) estão confirmados na lista de 45 parlamentares contra os quais o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu a abertura de inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF): Lindbergh Farias (PT-RJ), Gleisi Hoffmann (PT-PR), Humberto Costa (PT-PE), Romero Jucá (PMDB-RR), Edison Lobão (PMDB-MA), Ciro Nogueira (PP -PI) e Fernando Collor (PTB-AL), além do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). O procurador-geral também pedirá abertura de inquéritos no STJ contra os governadores do Rio,  Luiz Fernando Pezão (PMDB), e do Acre, Tião Viana (PT). 

Folha de S.Paulo
"Para Levy, volta do crescimento exige rapidez em ajuste"

Ministro da Fazenda descarta reduzir meta de superavit e agora diz que desoneração da folha ainda é importante

O ministro da fazenda, Joaquim Levy, pediu rapidez na definição das medidas de ajuste fiscal no Congresso ao destacar a gravidade da situação financeira do país. No entanto, afirmou que "o Brasil não está doente". A declaração ocorre em meio à crise política com aliados do governo e à piora de indicadores econômicos. O ministro defendeu suas medidas numa comparação indireta com o regime da presidente Dilma. Para ele, "dieta efetiva requer comer menos e melhor". Assim, disse, "resultados aparecem" apesar do ceticismo de alguns. Levy agora afirma que a desoneração da folha ainda é importante para alguns setores da economia.

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quinta-feira, março 05, 2015

Dominique

Opinião

Dilma é refém do petrolão

O ESTADO DE S.PAULO
Os acontecimentos dos últimos dias em Brasília dão a medida da gravidade da crise à beira da qual a incompetência do governo Dilma Rousseff coloca o País. Por um lado, o encaminhamento ao Supremo Tribunal Federal (STF), pelo procurador-geral Rodrigo Janot, dos pedidos de investigação do envolvimento de figurões da República no escândalo da Petrobrás destampa a panela de pressão da crise política embutida no episódio, como se viu pela reação do presidente do Senado, Renan Calheiros, tido como nome certo na lista: devolveu ao Planalto a Medida Provisória (MP) 669, peça importante do pacote de ajuste fiscal, e adiou mais uma vez a votação do Orçamento da União.

O andar da carruagem aponta para a perigosa senda da instabilidade institucional, na medida em que abre a perspectiva de um confronto entre o Executivo e o Legislativo, num contexto que cria também estímulos para o envolvimento do Judiciário na melée - haja vista que ministros do Supremo reclamam da demora de Dilma para completar os quadros da Corte. Uma crise de tal complexidade e abrangência poderá ser o teste mais importante para a solidez das instituições democráticas desde o advento da Constituição dita Cidadã.

A atitude do presidente do Senado, ao devolver ao Palácio do Planalto a MP 669, foi acertada no mérito e criticável na motivação. Não há dúvida de que agiu movido tanto pela disputa de poder entre seu partido, o PMDB, e o governo e o PT como pelo fato de estar pessoalmente contrariado por uma série de razões: a convicção de que por detrás da provável inclusão de seu nome na lista de suspeitos do petrolão está o dedo do Planalto; o não atendimento de seus pleitos na composição dos quadros governamentais e da Petrobrás; a falta de apoio federal ao governo de Alagoas, comandado por Renan Filho.

É claro que as razões de ordem pessoal, ainda que travestidas de políticas, foram decisivas. Dias atrás, Renan Calheiros havia demonstrado sua disposição de ânimo ao não comparecer a jantar oferecido no Palácio da Alvorada pela presidente Dilma. Mas não há dúvida de que a devolução da MP 669 corresponde ao exercício legítimo de uma prerrogativa constitucional, especialmente porque a medida provisória estava sendo usada para fins tributários - o que compete a projeto de lei, como de resto reconheceu o Executivo ao remeter ao Congresso, incontinenti, a devida proposta. Nisso, a presidente da República seguiu o conselho gratuitamente concedido por Renan Calheiros.

Quase sempre, o uso de MPs resulta da autossuficiência que leva o chefe do Executivo a ignorar que a responsabilidade constitucional de legislar cabe prioritariamente ao Parlamento. É comum a queixa, entre senadores e deputados, de que a presidente Dilma Rousseff nem se dá ao trabalho de, nesses casos, fazer uma comunicação prévia à base de apoio parlamentar, quando mais não seja para demonstrar consideração e respeito pelos aliados.

A atitude de Renan Calheiros não movimentou apenas o governo. Por incrível que pareça, a oposição acordou da letargia em que parece ter mergulhado desde que a administração lulopetista completou a devastação das contas públicas e da economia nacional e a tigrada foi descoberta pilhando a Petrobrás.

Os últimos acontecimentos deixam claro que o governo terá de balizar sua ação política pelo andamento dos processos do petrolão. Ou seja, por sua incapacidade de colocar-se adequadamente diante do escândalo da Petrobrás, Dilma tornou-se refém dos acontecimentos.

O melhor que nessas condições ela tem a fazer, no que diz respeito à corrupção na estatal, é prevenir efetivamente a repetição dos desmandos - na Petrobrás, nas demais estatais e na administração direta. E deixar que a equipe econômica do governo crie condições para o restabelecimento da austeridade das contas públicas e a volta do crescimento. Quanto ao prosseguimento das investigações e o julgamento dos acusados, o que de melhor Dilma tem a fazer é não tentar interferir no curso dos inquéritos e na autonomia do Poder Judiciário. Assim, talvez impeça que a crise se agrave. 

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U.V.

Manchetes do dia

Quinta-feira 5 / 03 / 2015

O Globo
"Derrota tira poder de Dilma para indicações no STF"

Câmara aprova ampliação da idade de aposentadoria de ministros de tribunais

Incluído junto com Eduardo Cunha na lista da Lava-Jato enviada ao STF , Renan Calheiros avisa ao Planalto que correção menor da tabela do IR não será aprovada

O descompasso entre o governo e o Congresso, agravado com a inclusão de Renan Calheiros e Eduardo Cunha, presidentes do Senado e da Câmara, na lista de políticos enviada ao STF para investigação da Lava-Jato, impôs ontem nova derrota ao Planalto. Apesar dos esforços do governo para evitar a votação, a emenda constitucional que amplia a idade máxima para a aposentadoria de ministros de tribunais superiores de 70 para 75 anos foi aprovada por 318 votos a 131. Com isso, se confirmada em outras votações, a presidente Dilma só fará mais indicações para o STF se algum ministro se aposentar voluntariamente. Renan avisou ao Planalto que, se insistir no veto à correção de 6,5% no Imposto de Renda, sofrerá outra derrota. Relator da Lava-Jato no Supremo, o ministro Teori Zavascki deve abrir o sigilo da lista de políticos até amanhã. 

Folha de S.Paulo
"Janot rejeita inquéritos sobre Dilma e Aécio"

Procurador sugere que petista e tucano não sejam investigados na Lava Jato

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, recomendou ao STF (Supremo Tribunal Federal) que não seja aberta investigação sobre a presidente Dilma Rousseff (PT), informam Severino Motta, Andréia Sadi e Gabriel Mascarenhas. Janot fez o mesmo em relação ao senador Aécio Neves (PSDB-MG), rival de Dilma na última eleição. Ambos foram citados em delação premiada na operação que apura desvios na Petrobras. O ministro do STF Teori Zavascki analisará os pedidos. Como os documentos enviados ao STF são sigilosos, não se sabe o teor das citações a Dilma e Aécio. Na terça (3), a Procuradoria pediu abertura de 28 inquéritos sobre 54 pessoas suspeitas de envolvimento no caso, incluindo políticos. Aécio afirmou que “setores do governo” tentaram envolvê-lo nas investigações. Janot também recomendou que o ex-presidente da Câmara, Henrique Alves (PMDB-RN), não seja investigado — ele pode assumir a pasta do Turismo.

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quarta-feira, março 04, 2015

Dominique

Opinião

Governo do PT privatiza parte da Petrobras

Dilma atravessou a campanha eleitoral do ano passado fustigando o PSDB por advogar privatizações. E negando que a Petrobras enfrentasse sérios problemas

Ricardo Noblat

Como maior acionista da Petrobras, o governo se prepara para vender à iniciativa privada ativos da empresa no valor estimado de R$ 39,5 bilhões.

Foi a única saída encontrada para fazer face à má administração da Petrobras do início do segundo governo de Lula para cá, e ao rouboe do qual ela foi vítima.

Ainda não se sabe ao certo quanto saquearam da empresa para financiar partidos e enriquecer políticos e aliados do PT.

Sabe-se que o PT sempre acusou o PSDB de ter pretendido privatizar a Petrobras.

Não é irônico, pois, que seja um governo do PT a vender bens da empresa para saldar parte de sua bilionária dívida?

O PT saiu às ruas no período de Fernando Henrique Cardoso para se opor à privatização do Sistema Telebras. Na época, o governo arrecadou R$ 22 bilhões com a privatização.

Aqui se faz, aqui se paga.

Lula se reelegeu em 2006 ao derrotar Geraldo Alckmin, candidato do PSDB. Acusou-o de ser favorável à privatização de quase todas as empresas do governo. Alckmin negou, mas em vão.

Dilma atravessou a campanha eleitoral do ano passado fustigando o PSDB por advogar privatizações. E negando que a Petrobras enfrentasse sérios problemas.

Original aqui

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U.V.

Manchetes do dia

Quarta-feira 4 / 03 / 2015

O Globo
"Investigação agrava crise"

Renan e Cunha na lista de 54 nomes da Lava-Jato
Renan devolve MP e Dilma envia projeto
PMDB se alia à oposição e isola Dilma

Avisados de que constam da lista de políticos envolvidos na Operação Lava-Jato enviada ao STF, os presidentes do Senado, Renan Calheiros, e da Câmara, Eduardo Cunha, reagiram retaliando o governo Dilma e acirrando a crise entre seu partido, o PMDB, e o Palácio do Planalto . Renan devolveu ao governo a medida provisória que anula os efeitos da desoneração da folha de pagamento das empresas, um dos pilares do ajuste fiscal de Dilma, e disse ter se arrependido de não ter feito o mesmo com outros projetos. Imediatamente, a presidente enviou um projeto de lei com o mesmo conteúdo ao Congresso, com urgência constitucional de 90 dias. Cunha disse ter sido vítima de “alopragem”, em referência a petistas envolvidos no escândalo dos aloprados, em 2006. Na noite de ontem, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, enviou ao STF 28 pedidos de abertura de inquérito contra 54 suspeitos de participar dos desvios na Petrobras. No grupo há políticos com foro especial, mas também pessoas que não ocupam cargos públicos. Janot pediu o arquivamento de sete petições por falta de provas suficientes para abertura de investigação. Por enquanto, todos os procedimentos estão em segredo. Em Curitiba, dois executivos da Camargo Corrêa que fecharam acordo de delação premiada se comprometeram a detalhar fraudes em contratos de Belo Monte e Angra 3.

Folha de S.Paulo
"Alvo da Lava Jato, Renan retalia e derrota governo no ajuste fiscal"

Senador rejeita medida que elevaria tributo de empresa; pedido de investigação inclui Cunha, presidente da Câmara

Incluído na lista de políticos que podem ser investi gados por suposto envolvimento com a Lava Jato, o presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), retaliou o governo Dilma ao devolver uma medida provisória que faz parte do ajuste fiscal. O aumento da tributação de empresas tramitará agora como um projeto de lei prioritário. Se antes a mudança passaria a valer 90 dias após a publicação da medida provisória, agora precisará respeitar a noventena após a aprovação no Congresso, caso ela ocorra. Esse foi o primeiro efeito político da lista enviada pela Procuradoria-Geral ao Supremo com 54 nomes, políticos incluídos. Investigadores pedem autorização para apurar a suposta ligação dos suspeitos listados com a corrupção na Petrobras. Aliados atribuem ao governo influência sobre o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, para enfraquecer o duplo comando do PMDB no Congresso —com Renan no Senado e Eduardo Cunha (RJ) na presidência da Câmara. Após retaliar o governo, Renan foi aplaudido no plenário pela oposição.

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terça-feira, março 03, 2015

Dominique

Opinião

PT hesita entre governo e oposição

O ESTADO DE S.PAULO
O PT não consegue decidir se é o partido do governo ou se faz oposição a Dilma Rousseff. Se suas bancadas no Congresso Nacional estão lá para dar apoio aos projetos do governo, como o pacote de ajuste fiscal, ou para "marcar posição" junto ao eleitorado, como tentou explicar o líder do partido no Senado, Humberto Costa (PE), quando interpelado sobre o fato de boa parte da bancada petista no Parlamento estar se alinhando contra as medidas de austeridade fiscal propostas pela equipe econômica. Os petistas, por exemplo, são os autores da maior parte das emendas às Medidas Provisórias (MPs) 664 e 665, que se propõem a corrigir distorções na regulamentação de alguns direitos trabalhistas.

A atitude do senador Humberto Costa é típica do lulopetista diante de situações críticas: dizer uma coisa e fazer outra. Foi exatamente o que fez Dilma Rousseff como candidata à reeleição, quando garantiu a intocabilidade dos direitos trabalhistas "nem que a vaca tussa". Logo depois de assumir o segundo mandato, deu o dito por não dito e anunciou "correções" que tornam mais rigoroso o acesso a benefícios como seguro-desemprego, abono salarial, pensão por morte e auxílio-doença. É exatamente o que, segundo o senador pernambucano, os parlamentares petistas estariam fazendo agora: acenar publicamente com críticas às propostas impopulares do governo e depois votar pela aprovação delas.

Essa ambiguidade - ou mendacidade, para sermos mais precisos - está criando problemas sérios no relacionamento já complicado do governo e do PT com o maior partido da base aliada, o PMDB, que se recusa a arcar sozinho com o ônus político das medidas impopulares enquanto o PT posa de defensor intransigente dos direitos trabalhistas. 

Vários parlamentares peemedebistas têm declarado que só votarão a favor das medidas de ajuste fiscal depois que os petistas manifestarem claramente sua disposição de votar a favor delas no Congresso. Essa intenção foi informada à equipe econômica do governo que se reuniu com os peemedebistas na semana passada para fornecer informações e esclarecer dúvidas a respeito das medidas que estão sendo propostas.

Se essa situação incomoda o PMDB, causa inquietação muito maior ao governo. Levantamento feito pelo jornal O Globo revela que uma surpreendente quantidade de senadores e deputados petistas está disposta a pura e simplesmente votar contra as propostas impopulares de ajuste que precisam ser aprovadas pelo Congresso.

Segundo o levantamento, entre 59 parlamentares petistas consultados de um total de 79 - 12 dos 14 senadores e 47 dos 65 deputados -, 40 desaprovam as propostas do governo consubstanciadas nas duas medidas provisórias e, entre eles, 20 votarão contra em qualquer circunstância, desobedecendo a orientação do Palácio do Planalto e da direção do partido. Apenas 18 dos consultados se manifestaram a favor e 1 se recusou a declarar seu voto. Entre os 40 que desaprovam as medidas, 10 poderiam se tornar favoráveis a elas "dependendo de modificações".

De qualquer modo, os parlamentares petistas consideram praticamente impossível a aprovação das MPs 664 e 665 sem modificações que atenuem as restrições a direitos trabalhistas. O próprio líder do PT no Senado, tomando a precaução de tirar a responsabilidade das costas de sua bancada e transferi-la ao conjunto do Congresso, foi categórico: "Algumas coisas têm que mudar; se o governo não negociar, o Congresso vai fazê-lo".

Pronunciaram-se na mesma linha, segundo O Globo, o senador petista Lindbergh Farias (RJ) e o deputado Vicentinho (SP). Para o primeiro, "ninguém vai faltar ao governo, mas temos que alterar essas medidas, colocar a conta também para os mais ricos pagarem". Para o deputado paulista, "tem que haver um limite entre a economia que o governo quer fazer, o combate às fraudes e assegurar os direitos dos trabalhadores".

Na verdade, as bancadas petistas no Senado e na Câmara ressentem-se, principalmente, da falta de articulação política do Planalto com o Parlamento. As duas MPs que tanta controvérsia têm provocado dentro do próprio PT foram enviadas ao Congresso sem consulta ou entendimento prévio entre a equipe econômica e a bancada governista. 

É por essas e outras que os petistas não conseguem decidir se são governo ou oposição.

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U.V.

Manchetes do dia

Terça-feira 3 / 03 / 2015

O Globo
"É preciso seguir dinheiro para chegar ao chefe, diz juiz"

Procurador-geral afirma que ‘quem tiver de pagar (na Lava-Jato) vai pagar’

Moro defende rigor nas investigações para se descobrir cúpula de organizações criminosas ; Janot envia hoje ao Supremo Tribunal Federal a lista de políticos envolvidos no escândalo de corrupção na Petrobras

Em aula ontem para alunos de Direito, o juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, defendeu que se “siga o dinheiro” para descobrir “o último beneficiário da atividade criminosa”. “Não é o chefe que vai sujar as mãos”, disse Moro, sem se referir à operação Lava-Jato, mas afirmando que as investigações contra políticos devem ser feitas como as contra traficantes de drogas. A declaração de Moro foi dada na véspera de o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, enviar a o Supremo Tribunal Federal (STF) a lista dos políticos investigados na Lava-Jato. As petições do procurador-geral devem ser analisadas pelo ministro Teori Zavascki antes de os nomes dos políticos serem divulgados, o que causa apreensão em Brasília. Em encontro com manifestantes que pediam a divulgação da lista, Janot afirmou que “quem tiver de pagar vai pagar”. 

Folha de S.Paulo
"Dívida externa privada dobra em cinco anos"

Endividamento de empresas e bancos atinge US$ 208 bi, maior valor desde 1989

A dívida externa de empresas e bancos privados do país dobrou entre o terceiro trimestre de 2009 e o mesmo período do ano passado, atingindo US$ 208 bilhões, o maior valor da série histórica do Banco Central, que teve início em 1989. A explosão do endividamento foi facilitada por juros baixos em países ricos para estimular suas economias após a crise global de 2008. Além disso, empréstimos de filiais no exterior para matrizes no Brasil foram recorde em 2014 (US$ 28 bilhões). O BIS, espécie de Banco Central dos BCs, e o mercado estão preocupados com o alto volume de dívidas no Brasil e em outros emergentes em razão da perspectiva de aumento dos juros nos EUA — o que causaria a fuga de recursos desses países. Também preocupa o volume recorde de parcelas da dívida que serão pagas neste ano: US$ 102, 5 bilhões. Esses pagamentos podem aumentar a pressão sobre o real, contribuindo para desvalorizar ainda mais a moeda diante do dólar. 

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segunda-feira, março 02, 2015

Dominique

Opinião

Tráfico classe alta

O novo perfil da criminalidade é o resultado acabado da crise da família, da educação permissiva e do consumismo compulsivo

Carlos Alberto Di Franco
Engana-se quem pensa que tráfico de drogas é exclusividade dos morros, das favelas e das periferias excluídas. Não é de hoje que jovens de classe média e média alta frequentam o noticiário policial.  O novo mapa do crime transita nos bares badalados, vive nos condomínios fechados, estuda em colégios e universidades da moda e desfibra o caráter no pântano de um consumismo descontrolado.

O tráfico oferece a perspectiva do ganho fácil e do consumo assegurado. E a sensação de impunidade – rico não vai para a cadeia- completa o silogismo da juventude criminosa. A delinquência bem-nascida mobiliza policiais, psicólogos, pais e inúmeros especialistas. O fenômeno, aparentemente surpreendente, é o reflexo de uma cachoeira de equívocos e de uma montanha de omissões. O novo perfil da criminalidade é o resultado acabado da crise da família, da educação permissiva e do consumismo compulsivo.

Os pais da geração transgressora, em geral, têm grande parte da culpa. Choram os desvios que cresceram no terreno fertilizado pela omissão. É comum que as pessoas se sintam atônitas quando descobrem que um filho consome drogas. Que dirá, então, quando vende. O que não se diz, no entanto, é que muitos lares se transformaram em pensões anônimas e vazias. Há, talvez, encontros casuais, mas não há família. O delito não é apenas o reflexo da falência da autoridade familiar. É, frequentemente, um grito de revolta. Os adolescentes, disse alguém, necessitam de pais morais, e não de pais materiais.

Teorias politicamente corretas no campo da educação, cultivadas em escolas que fizeram a opção preferencial pela permissividade, também estão apresentando um perverso resultado.  A despersonalização da culpa e a certeza da impunidade têm gerado uma onda de infratores e criminosos. A formação do caráter, compatível com o clima de verdadeira liberdade, começa a ganhar contornos de solução válida. É pena que tenhamos de pagar um preço tão alto para redescobrir o óbvio: é preciso saber dizer não!

O erro, independentemente dos argumentos da psicologia da tolerância, deve ser condenado e punido. Chegou para todos, sobretudo para os que temos uma parcela de responsabilidade na formação da opinião pública, a hora da verdade. É necessário ter a coragem de dar nome aos bois.

O consumismo desenfreado, tolerado e estimulado pelas famílias, produz uma geração sem limites. O desejo deve ser satisfeito sem intermediação do esforço e do sacrifício. As balizas éticas vão para o espaço. A posse das coisas justifica tudo. É uma juventude criada de costas para trabalho. O fim da história não é nada bom.

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U.V.

Manchetes do dia

Segunda-feira 2 / 03 / 2015

O Globo
"Petistas no Congresso rejeitam ajuste fiscal"

De 59 parlamentares ouvidos, 40 são contra as medidas de Dilma

Vinte deputados e senadores estão dispostos a desobedecer à orientação do Planalto na votação de medidas que necessitam de aval do Congresso

Levantamento feito pelo GLOBO entre parlamentares do PT revela que a grande maioria deles é contra o ajuste fiscal do governo Dilma Rousseff, o que pode dificultar a aprovação das medidas que precisam de aval do Congresso. De 59 deputados e senadores ouvidos (do total de 79), 40 disseram não concordar com as propostas, sendo que 20 deles estão dispostos a desobedecer à orientação do Planalto. Outros dez disseram que só votarão a favor caso os projetos sofram alterações. O PMDB cobra o apoio dos petistas ao ajuste, para não ter de carregar sozinho o ônus de defender medidas impopulares.

Folha de S.Paulo
"CPI da Petrobras deverá investigar só gestão do PT"

PMDB quer enfraquecer planos de incluir período FHC nos trabalhos da comissão

Uma operação articulada nos bastidores entre o PMDB na Câmara dos Deputados e o presidente da CPI da Petrobras, Hugo Motta (PMDB-PB), quer isolar o PT na nova comissão. O principal objetivo é limitar os trabalhos de investigação aos governos Lula e Dilma (2005-2015), como quer a oposição. A estratégia é desidratar os planos do relator Luiz Sérgio (PT-RJ ) de investigar desvios desde o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). O relator se baseia no depoimento do ex-gerente da estatal Pedro Barusco à PF, em que diz ter começado a receber propina entre 1997 e 1998. Peemedebistas firmaram um cronograma para a CPI, onde também ficou decidido que será criada uma sub-relatoria para recuperar ativos da Petrobras no exterior. Segundo a Folha apurou, Motta irá propor a criação de quatro sub-relatorias no total — uma delas terá o auxílio de consultoria privada. A alegação de parlamentares ouvidos pela reportagem é que investigações da estatal sob a gestão tucana fogem do escopo da CPI. J unto com a oposição, os peemedebistas prometem convocar todos os ex-diretores da empresa que foram indicados pelo PT desde o início do governo Lula.

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domingo, março 01, 2015

Dominique

Opinião

Nosotros que tanto nos queremos

Gabeira
Sonhei que iria para a Guiné, a trabalho. Fui buscar meu visto no Copacabana Palace. O vice-cônsul estava na piscina, com as mãos apoiadas na borda. Estendi meu passaporte e ele sacudiu as mãos para se certificar de que estavam secas. — Eo carimbo? — perguntei. — Primeiro, examino os papéis — respondeu. — O carimbo, o garçom traz na bandeja. Se for o caso.

Enquanto olhava minha foto no passaporte, disse que gostava muito da piscina do Copa. Era preciso ser gentil: — Temos boas piscinas em toda parte. É de nossa autoria a ideia de uma piscina de feijoada.

O vice-cônsul me olhou de cima a baixo, como se estivesse falando outra língua que não o espanhol.

Comentário inútil. A piscina de feijoada só existia na imaginação do autor de “Macunaíma”. E foi encenada uma só vez, no Parque Lage, por Joaquim Pedro de Andrade, com Grande Otelo no papel do herói sem caráter.

A informação só serviria para eles se tivessem uma escola de samba e fizessem um enredo sobre o Brasil. Uma piscina de feijoada daria um bom carro alegórico. É tudo.

O vice-cônsul fechou o passaporte, um dedo atravessado na página do retrato.

— O senhor acha que posso entrevistar o presidente Obiang?

— Sente-se aqui na borda da piscina — disse ele, com um sorriso benevolente.

Puxei a cadeira e o garçom me tomou como hóspede e me trouxe uma água de coco.

— O senhor deve ter um programa de tevê. Espero que seja decente, não vejo essas coisas. Por que imaginar que o presidente falaria com um repórter de tevê?

Nada mais natural, respondi: presidentes falam. O vicecônsul disse que leu nos jornais que o segredo da presidente Dilma era fechar a boca. Foi minha vez de olhá-lo com um sorriso superior. A presidente referia-se ao segredo de sua dieta alimentar.

— Nossa presidente fala. Sujeito, predicado, verbos se atropelam como uma manada correndo do incêndio nas savanas. Mas fala.

O vice-cônsul deixou o passaporte na borda, mergulhou a cabeça para se refrescar. Emergiu com um rosto iluminado pelo reflexo do sol nas gotículas no seu rosto.

— Nosso presidente fala diretamente com Deus. Ouve conselhos, até críticas. Por que falar com os homens?

Subitamente tocou uma canção ao longe: “Nosotros que tanto nos queremos”. Mas não havia música na pérgula. Tomei como uma luz interna e voltei à carga:

— Nicolás Maduro fala com os pássaros. Cristina Kirchner fala no Twitter. Se Obiang fala com Deus, isso não é um absurdo em nuestra América. Ainda assim, podemos conversar.

O vice-cônsul chamou o garçom e me encheu de esperança. Vai pedir o carimbo, pensei. — Uma água de coco, por favor. Visto negado. — Em tese, poderia conceder o visto. Mas é inútil. Alguns países mais liberais concedem o visto e estampam uma frase: “Deixai de fora toda a esperança”. Não é o nosso caso. Sabemos que as pessoas não se desgarram de suas ilusões.

— Não merecemos recusa — afirmei. — Prendemos opositores em Caracas, suicidamos promotores em Buenos Aires, mas circulamos com alguma liberdade.

— Hermano, cada um escolhe seu caminho. Onde é que você estava quando mataram Patrice Lumumba? — Era apenas um garoto — respondi. — Também eu era — disse ele. — Só estou mostrando a você como seria a Guiné se optássemos por discutir com as pessoas. Aqui no Brasil, não se prende nem se suicida, acho eu. Apenas se lança uma culpa no coração do opositor. Onde é que você estava quando Nero queimou Roma, quando Hitler aniquilou milhões de judeus? Não seja hipócrita.

Percebi que acabaram as chances do visto. O próprio passaporte na borda da piscina transformava-se numa sandália Havaiana azul-marinho.

— Tente no próximo ano, estaremos na mesma piscina, no mesmo carnaval, com o mesmo garçom, o Osvaldo. — Arnaldo — respondi. — Ok , o mesmo Arnaldo, desfiles, alegorias polêmicas. Quem sabe o tempo não te anime a mergulhar na imensa feijoada que é a história real?

Três esplêndidas mulheres da comitiva se aproximavam da piscina. Surfistas preparavam-se para a manhã de ondas. Não sei se de mim, do passaporte ou da sandália, surgiu um drone, e juntos sobrevoamos a límpida manhã de Copacabana. Na medida em que subíamos, via os vestígios do carnaval nas ondas e voava velozmente para o Nordeste em busca dos cânions e escarpas que lembram o tempo em que éramos um só bloco com a África.

Na cabine do drone, ainda ressoava a última advertência do vice-cônsul:

— Alguns anos de espera e o senhor se hospedará num prédio construído por brasileiros. Era para estar pronto, mas o senhor sabe, os atrasos, os aditamentos… ____ Alguma coisa no drone anunciava a hora de voltar. Excesso de altura e velocidade, descemos suavemente no caminho de volta. Sobrevoamos os rios de xixi que desaguavam no mar e, de mansinho, acordei para a manhã real.

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U.V.

Manchetes do dia

Domingo 1 / 03 / 2015

O Globo
"450 anos de Rio"

A cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, a segunda fundada no país em 1565 - a primeira foi Salvador -, completa hoje 450 anos. Da chegada de Estácio de Sá a um trecho da praia entre os morros de Pão de Açúcar e Cara de Cão aos dias de hoje, a terra natal do povo que é símbolo do Brasil mundo afora nunca deixou de se desenvolver, mas em poucos momentos de sua história ocorreram transformações tão profundas como as que os cariocas estão vendo hoje. A metrópole 6.4 milhões de habitantes se prepara para o futuro com 31 grandes obras, cujo custo total deverá chegar à casa dos R$ 30 bilhões. Em um Caderno Especial, O Globo lembra momentos cruciais para a formação do Rio atual, como desmonte do Morro do Castelo, e mostra quais são os projetos de mobilidade urbana e infraestrutura, entre outros, que pretendem solucionar boa parte de seus problemas. A expectativa é que, em 2016, ano das Olimpíadas, a cidade tenha uma nova cara e conte com serviços mais eficientes. Especialistas em arquitetura, paisagismo e urbanismo explicam as mudanças e apontam desafios e soluções.


Folha de S.Paulo
"Concessões de aeroportos trava após a Lava Jato"

Com empreiteiras enfraquecidas por investigações, governo adia planos

Efeito da operação Lava Jato, que investiga denúncias de corrupção na Petrobras, o programa de concessões de aeroportos travou.

Num cenário otimista, os leilões de concessão dos terminais de Porto Alegre e Salvador, por exemplo, previstos inicialmente para este ano, deverão acontecer no início de 2016.

Na avaliação do Planalto, não há ambiente para realizar as concorrências por causa do envolvimento das maiores empreiteiras do país no escândalo de desvio de recursos na petroleira.

O governo teme ainda que as empresas sejam proibidas de assinar contratos públicos. Nas duas principais fases das concessões, em 2012 e 2013, elas integraram consórcios que levaram os aeroportos de Guarulhos, Brasília, Galeão, Confins e Viracopos - obras no aeroporto de Campinas já têm nove meses de atraso.

Para driblar o impasse, o ministro Eliseu Padilha (Aviação Civil) aposta numa expansão anual de 7% no setor aéreo para atrair parceiros estrangeiros.

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