sábado, fevereiro 21, 2015

Dominique

Opinião

O tíbio e a cara de pau

O que o PT tem de cara de pau o PSDB tem de tíbio. Daí a desastrosa equação histórica a que o país está submetido

Ruy Fabiano
A rejeição crescente ao governo petista – e que gerou 51 milhões de votos para Aécio Neves nas eleições presidenciais - não se traduz necessariamente na escolha do PSDB como seu antípoda.

Aécio, que não é neófito em política, sabe que foi beneficiário de uma circunstância. O PSDB, idem. Saber aproveitá-la pode somar à carreira de ambos, mas, até que isso aconteça, o descrédito do sistema partidário coloca a todos no mesmo balaio.

Recente pesquisa do Datafolha mostrou que mais de 80% da população não se sentem representados por nenhuma sigla - e desconfiam de todas. Romper esse estigma depende de algo mais do que contar com a incompetência e o desgaste do adversário.

Depende de determinação e audácia, que têm faltado aos tucanos. Desde as eleições de outubro, o personagem que com mais firmeza enfrentou o PT é da própria base governista: Eduardo Cunha, do PMDB, que tem sido bem mais audaz que Aécio.

O PSDB, ao contrário, tem se mostrado negligente. No imediato pós-eleição, pôs em dúvida o sistema de apuração (chegou a ingressar no TSE com um pedido de auditagem das urnas) e denunciou o uso indevido (criminoso, diga-se) dos Correios em Minas Gerais, comprovado por diversos vídeos e pela confissão do deputado Durval Ângelo (PT-MG), na presença do presidente daquela estatal, Wagner Pinheiro, numa reunião do partido.

Nenhuma dessas denúncias, gravíssimas, prosperou. Não mais delas se falou, o que leva muitos a crer que, mesmo fundamentadas, talvez não o estivessem o suficiente. Ou, então, pior, teriam sido objeto de negociação com os infratores.

Há dias, Aécio disse: "Olha, eu não sou golpista, sou filho da democracia. (...) Não acho que exista nenhum fato específico que leve ao impeachment”. E condenou as manifestações de rua, que bradavam por aquela causa, deixando implícito que eram golpistas.

Os depoimentos até aqui conhecidos da Operação Lava-Jato mostram que a Petrobras não apenas foi saqueada numa escala sem precedentes, como seus recursos teriam financiado a campanha da presidente reeleita nas duas eleições (2010 e 2014).

Mesmo assim, o PSDB mede as palavras para se posicionar diante do escândalo. Com isso, os petistas ficam mais ousados – e, reconheça-se, jamais pecaram por tibieza. 

São peritos, ao contrário dos tucanos, em tomar iniciativas e em exercer o descaro.

Um exemplo: o ex-gerente da Petrobras, Pedro Barusco – o tal que se dispôs a devolver 100 milhões de dólares que recebeu como propina ao longo dos governos Lula e Dilma -, informou que o PT, pelas mãos de seu tesoureiro, João Vaccari Neto, levara 200 milhões de dólares de comissão em algumas obras.

Barusco era assessor de Renato Duque, diretor de Serviços da Petrobras, nomeado por indicação de José Dirceu. Os três – Vaccari, Duque e Dirceu - estão soltos.

O PT negou, ameaçou processá-lo e desqualificou-o moralmente como informante. Mas bastou que Barusco dissesse que também recebeu propina da empresa holandesa SBM Offshore ao tempo em que o PSDB era governo – mesmo ressalvando que se tratava de transação direta entre ele e a empresa corruptora - para que, subitamente, o PT e a presidente da República passassem a lhe dar crédito.

Dilma, depois de um longo sumiço, valeu-se da declaração de Barusco para afirmar, com uma cara de pau espantosa, que a culpa do que hoje ocorre na Petrobrás – com seus 88,6 bilhões de rombo decorrentes da corrupção, em 12 anos de petismo (Graça Foster diz que é mais) – é responsabilidade, vejam só, dos tucanos.

Se o PSDB, disse ela, tivesse investigado em 1997 aquela gorjeta de que falou Barusco, nada disso teria ocorrido. Ora, e o que, quanto a isso, fez o PT, em seu 12º ano no governo?

Não apenas não investigou, como montou uma estrutura criminosa, sistêmica e explícita, que sugou a empresa numa escala inédita na história humana, segundo o The New York Times.

O que o PT tem de cara de pau o PSDB tem de tíbio. Daí a desastrosa equação histórica a que o país está submetido.

As ruas já o perceberam. Já constataram que, se o país depender da virilidade tucana, nada acontecerá. Vencerá mais uma vez a cara de pau, como aconteceu ao tempo do Mensalão.

A ideia de que impeachment é golpe decorre de um de dois fatores: ou inapetência política em arrostá-lo ou ignorância jurídica - ou ambas. Não pode ser golpe algo que está previsto na Constituição e circunstanciado na legislação ordinária, já tendo sido acionado pelo próprio PT e PSDB contra o governo Collor, sem que o país tenha abdicado da democracia.

Aécio parece mais preocupado em zelar pela imagem de bom moço, rejeitando apoio conservador – embora desse segmento tenha recebido grande parte de seus votos -, que em correr os riscos que o momento histórico impõe. Não só ele, mas seu partido.

A História é implacável com os que não a percebem. Oferece oportunidades, mas é cruel com os que não as aproveitam. 

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U.V.

Manchetes do dia

Sábado 21 / 02 / 2015

O Globo
"Petrobras adia mais de R$ 11 bi em projetos"

Licitações previstas para este semestre não têm data para ocorrer

Dificuldades de caixa após descoberta de esquema de corrupção levam estatal a suspender construção de plataformas para o pré-sal e obras em refinarias. Em janeiro, produção de petróleo caiu 0,9%

Com os escândalos de corrupção investigados na Lava-Jato, dificuldades de caixa e troca na sua presidência no início deste mês, a Petrobras adiou licitações previstas para este primeiro semestre. Segundo fontes de estaleiros e fornecedores, projetos como a construção de plataformas para o pré-sal, obras em refinarias e numa unidade de fertilizantes foram suspensas. São ao menos R$ 11,8 bilhões (cerca de US$ 4,1 bilhões) em licitações adiadas, e sem data para retomada, informa Bruno Rosa. A produção de petróleo e gás da empresa caiu 0,9% em janeiro, após ter subido em quase todos os meses de 2014. A Petrobras disse que "revê sistematicamente os projetos" para "preservar o caixa". Nos EUA, a Justiça decidirá em 4 de março quem será o líder no processo contra a estatal movido por investidores.

Folha de S.Paulo
"Procuradoria cobra R$ 4,5 bi de 6 empresas da Lava Jato"

Ministério Público quer punir propina para ex-diretor da Petrobras; companhias contestam acusações

O Ministério Público federal (MPF) apresentou à Justiça cinco ações civis em que cobra RS 4,5 bilhões de seis empresas e de executivos acusados de improbidade administrativa por participação no esquema de desvio de recursos da Petrobras.

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sexta-feira, fevereiro 20, 2015

Eles estão chegando. Tremei terráqueos...


Coluna do Celsinho

Dúvidas

Celso de Almeida Jr.

Somos crianças?

A pergunta é para adultos, claro, já que dificilmente alguma criança visite estas linhas.

Repito:

Somos crianças?

Explico:

Vejo as reações nas apurações das escolas de samba.

Avalio os comportamentos após as partidas de futebol.

Confiro as publicações variadas nas redes sociais.

Espio os fuxicos nas mídias diversas.

Confronto o poder de encantamento das novelas com o nível do conteúdo.

Analiso reações para notícias impactantes.

Pois é...

Há crianças inocentes, ingênuas, birrentas, manhosas.

Tudo muito normal, afinal, estão crescendo, amadurecendo.

E nós, adultos?

Temos nos comportado como inocentes, ingênuos, birrentos, manhosos?

O que, afinal, acontece?

Nossa educação é para um mundo de fantasias?

Somos programados para não refletir?

Repudiamos o equilíbrio; preferimos a corda bamba?

Travamos, em determinado estágio do crescimento?

Nosso cérebro prefere sensações quentes, fugindo de raciocínios?

Ai, ai, ai, prezado leitor, querida leitora...

No pós carnaval, rendendo-me a marchinha, imploro:

"Dá a chupeta pro bebê não chorar..."

Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com

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Dominique

Opinião

O Brasil no divã

Como dizia o psicanalista Hélio Pellegrino, um dosfundadores do PT, a inteligência voltada para o mal é pior do que a burrice

Nelson Motta
Já experimentei várias vezes e funciona: é preciso sair do Brasil para vê-lo melhor, para o bem e para o mal. O distanciamento permite uma visão mais clara e com menos interferência da cegueira das paixões de momento, endurece sem perder a ternura por nossa gente e nossos sonhos de país.

No inverno de Lisboa, faço sessões informais de psicanálise política e econômica do Brasil com amigos lusos: à medida em que lhes relato o que está acontecendo, ouço minha própria voz me dizendo os sintomas de nossas doenças, que, ao contrário da psicanálise, não se “curam” por serem nomeadas e aceitas, exigem terapia intensiva de valores, intenções e ações.

Não que os enredos sejam tão estranhos aos portugueses, que estão com um ex-primeiro ministro socialista preso e com seu maior grupo empresarial, o onipresente Espirito Santo, quebrado e sob investigação que envenena outros grupos políticos e econômicos.

No caso do Brasil, tamanho é documento, porque amplia as potencialidades de reação mas dificulta consensos para 200 milhões de pessoas.

Mesmo assim, eles ficam meio incrédulos diante da minha narrativa dos fatos. Especialmente a criação de um novo modelo de negócios em que a empreiteira ganha a concorrência superfaturada e faz da propina uma contribuição legal ao partido, lavando dinheiro sujo no Tribunal Superior Eleitoral.

Como dizia o psicanalista Hélio Pellegrino, um dos fundadores do PT, a inteligência voltada para o mal é pior do que a burrice.

Há anos em penosa recuperação, Portugal está começando a se reerguer, mais uma vez, como vem fazendo há séculos e séculos. Mas aqui as misérias do severo arrocho econômico não provocaram aumento da criminalidade, as ruas de Lisboa seguem tranquilas noite e dia, às vezes cortadas por passeatas de protesto, raivosas mas pacíficas.

Com a crise econômica, o mercado de imóveis despencou. Uma cobertura de cem metros quadrados com salão e dois quartos no Chiado (a Ipanema deles) vale um quarto e sala em Copacabana. Come-se em bons restaurantes por menos do que em botecos cariocas. Não é por acaso que tantos brasileiros estão pensando em dar um tempo em Lisboa.

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U.V.

Manchetes do dia

Sexta-feira 20 / 02 / 2015

O Globo
"Inflação alta já reduz consumo da classe C"

Pesquisa mostra que 47% diminuíram as compras nos supermercados

Juros altos e perspectiva de piora no emprego podem fazer grupo encolher de tamanho

Quase metade das famílias da classe C reduziu suas compras nos supermercados nos últimos seis meses, segundo pesquisa do Instituto Data Popular, informa João Sorima Neto. A inflação alta, com elevados reajustes na conta de luz, nos aluguéis e no transporte público, que pesam mais no bolso da classe C, estão deixando as famílias com orçamento apertado. Outra pesquisa, da Nielsen, mostra que a classe média baixa gasta em média 15% mais que sua renda mensal. Segundo analistas, a situação pode se agravar ao longo do ano, com a piora no mercado de trabalho, o que levará parte dessas famílias a perder a ascensão social recém-conquistada.

Folha de S.Paulo
"SP ameaça trocar empresa de obra atrasada do metrô"

Governo Alckmin (PSDB) questiona ritmo de trabalhos na linha 4-amarela

O governador Geraldo Alckmin (PSDB) anunciou a intenção de rescindir o contrato com o consórcio da segunda fase da linha 4-amarela do metrô de São Paulo devido à lentidão das obras. Até o momento apenas foi entregue a estação Fradique Coutinho, em novembro. Os dois lotes vencidos pelo grupo espanhol Isolux Córsan-Corviam incluem as paradas Higienópolis-Mackenzie, Oscar Freire, São Paulo-Morumbi, Vila Sônia e a extensão dos trilhos em direção à cidade de Taboão da Serra. O valor dos contratos é de R$ 559 milhões. Segundo o governo, faltam equipamentos e material, além de não haver funcionários em número suficiente para as obras. Se houver nova licitação, as estações Higienópolis e Oscar Freire, que têm inauguração prevista para 2015, ficarão prontas só no ano que vem. Financiador da obra, o Banco Mundial precisa aprovar a rescisão. Na próxima semana, haverá reunião de conciliação coma empresa, que recebeu duas multas e 30 notificações do governo estadual. Os espanhóis dizem que se manifestarão após o encontro.

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quinta-feira, fevereiro 19, 2015

Dominique

Opinião

O contexto maior

Mais do que em qualquer outro confronto, na luta pela Petrobras, e por tudo que ela simboliza além da exploração de uma riqueza, se definem os lados com nitidez

Luis Fernando Veríssimo
Recomenda-se a desiludidos com a atualidade em geral e com o PT em particular a procurar refugio no contexto maior. O contexto maior não absolve, exatamente, o contexto imediato, a triste realidade de revelações e escândalos de todos os dias, mas consola.

Nossa inspiração deve ser o historiador francês Fernand Braudel, que — principalmente no seu monumental estudo sobre as civilizações do Mediterraneo — ensinou que, para se entender a Historia, é preciso concentrar-se no que ele chamava de la longue durée, que é outro nome para o contexto maior.

Braudel partia do particular e do individual para o social e daí para o nacional e o generacional, se é que existe a palavra, e na sua história da região, o indivíduo e seu cotidiano eram reduzidos a “poeira” (palavra dele também, que incluía até papas e reis) em contraste com a longue durée, o longo prazo da história verdadeira.

Assim na sua obra se encontram as minúcias da vida diária nos países do Mediterrâneo mas compreendidas sub specie aeternitatis, do ponto de vista da eternidade, que é o contexto maior pedante.

Do ponto de vista da eternidade nada do que está sendo revelado, em capítulos diários, sobre o propinato na Petrobras e os partidos políticos que beneficiou deixa de ser grave, mas é impossível não ver o cerco à estatal do petróleo no contexto maior da velha guerra pelo seu controle, que já dura quase 70 anos, desde que a Petrobras venceu a primeira batalha, a que lhe permitiu simplesmente existir, quando diziam que nunca se encontraria petróleo no Brasil.

Mais do que em qualquer outra frente de confronto entre conservadores e progressistas e direita e esquerda no Brasil, na luta pela Petrobras, e por tudo que ela simboliza além da exploração de uma riqueza nacional, se definem os lados com nitidez.

A punição dos responsáveis pelos desvios que enfraqueceram a estatal deve ser exemplar e todos os partidos beneficiados que se expliquem como puderem, mas que se pense sempre no contexto maior, no qual a sobrevivência da estatal como estatal, purgada pelo escândalo, é vital.

Fernand Braudel viveu e lecionou no Brasil. Não conheço nenhum texto dele sobre sua experiência brasileira. Seria interessante saber como ele descreveria, ou preveria, hoje, a longue durée da nossa História.

O que significaria, na sua avaliação, o longo dia no poder do PT? O contexto maior tudo perdoaria ou tudo justificaria? Enfim, o contexto maior de todos é o Universo, que, no fim, engole todos os significados. O que também não é um consolo.

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U.V.

Manchetes do dia

Quinta-feira 19 / 02 / 2015

O Globo
"Brasil deve ter dois anos seguidos de queda do PIB"

Os economistas do mercado financeiro estimam que o PIB brasileiro sofrerá uma queda de 0,42% este ano, segundo pesquisa semanal do Banco Central. Foi a primeira vez que os analistas projetaram uma retração em 2015. E, em Nova York, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, admitiu que o PIB de 2014 pode ter encolhido. Os números oficiais só serão divulgados pelo IBGE no fim de março. Em palestra a investidores, Levy prometeu que conseguirá fazer o ajuste fiscal sem “cortes draconianos” e afirmou que as medidas de aperto são necessárias para criar um “novo ciclo de crescimento”.

Folha de S.Paulo
"Dilma atrasa repasses para cursos técnicos"

Bandeira eleitoral de petista, Pronatec não recebe por aulas dadas desde outubro

Desde o fim de 2014, a União não paga por volta de 500 escolas privadas responsáveis por aulas do Pronatec, programa que oferece cursos técnicos gratuitos e uma das bandeiras da campanha da presidente Dilma Rousseff. Segundo representantes das instituições, o último repasse do governo ocorreu em novembro, pelas aulas dadas em setembro. Estão atrasados os pagamentos referentes de outubro a janeiro, informa Fábio Takahashi. Donos das instituições dizem estar recorrendo a empréstimos bancários e atrasando salários por causa da interrupção dos pagamentos. Se a situação persistir, afirmam que podem ter de sair do programa federal. O Ministério da Educação prevê o pagamento de parcela dos repasses pendentes a partir de agora, passado o Carnaval. A pasta não informou quando a situação estará regularizada nem por que houve o atraso.

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quarta-feira, fevereiro 18, 2015

Dominique

Opinião

O galinheiro de ovos Fabergé

O problema é outro, quando se acredita em grandes lorotas empacotadas pela sabedoria de governantes e opiniões de sábios. Eike Batista foi uma delas, mas há outras

Elio Gaspari
Numa de suas operações espetaculosas, a Polícia Federal apreendeu na casa de Eike Batista um ovo do joalheiro Fabergé, o queridinho dos czares russos. Valeria US$ 2 milhões e revelou-se uma cópia barata, daquelas que se compram no eBay por R$ 60.

Cão danado, todos a ele. Essa seria mais um prova das mistificações megalomaníacas do empresário. Problema: não há registro de que Eike tenha dito que aquele ovo era verdadeiro. Era apenas um momento de sonho.

Uma pessoa poderia acreditar que ele tinha um Fabergé e sua vida não pioraria. Ferraram-se aqueles que acreditaram no seu império de portos, minas e campos de petróleo. Os Fabergé de R$ 60, bem como os pinguins de geladeira e as reproduções da Mona Lisa, não fazem mal a ninguém.

O problema é outro, quando se acredita em grandes lorotas empacotadas pela sabedoria de governantes e opiniões de sábios. Eike Batista foi uma delas, mas há outras.

Veja-se o caso do que se chama de polo da indústria naval. Nos últimos 60 anos, os contribuintes brasileiros patrocinaram outros dois. A ideia é banal. Assim como sucedeu com a indústria automobilística, o Brasil poderia produzir navios.

Primeiro veio o polo de Juscelino Kubitschek. Quebrou. Depois veio o da ditadura. Também quebrou. Com uma diferença: nele, os maganos transformaram seus papéis micados em moedas da privataria.

Assim, um banqueiro que poderia ter quebrado investindo em estaleiros trocou o papelório pelo valor de face e comprou a Embraer.

Agora está aí o polo do Lula, com suas petrorroubalheiras. Nenhum dos três polos navais deu certo porque, ao contrário de projetos similares de Japão, Coreia e Cingapura, no Brasil não se respeitaram metas, prazos ou custos.

Uma pessoa pode ter um Fabergé de R$ 60 em casa, mas jamais acreditará que pelo tempos afora se poderá produzir navios que custam mais caro que os do mercado internacional.

Tome-se outro exemplo, noutra área. O governo criou o programa Fundo de Financiamento Estudantil, o Fies. Grande ideia: financia jovens que entram para universidades privadas, como se faz pelo mundo.

Mexe pra cá, mexe pra lá, os empréstimos passaram a ser tomados sem fiador, a juros de 3,4% ao ano e entra quem pede. A Viúva paga e os donos das escolas recebem o dinheiro na boca do caixa. Uma beleza, o comissariado petista estatizou o financiamento das universidades privadas.

Uma faculdade de São Caetano do Sul tinha 27 alunos em 2010, todos pagando suas mensalidades. Hoje tem 1.272 e só quatro pagam do próprio bolso. Essa conta está hoje em R$ 13,4 bilhões.

O governo propôs duas mudanças singelas: só terão acesso ao Fies os jovens que tiverem conseguido 450 pontos no exame do Enem e as faculdades com bom desempenho. 

Sucedeu-se uma gritaria.

Os repórteres José Roberto de Toledo, Paulo Saldaña e Rodrigo Burgarelli informam que, entre 2012 e 2013, o número de estudantes diplomados do setor público cresceu 2%, enquanto no setor privado caiu 7%.

Já a evasão dos estudantes beneficiados pelo Fies cresceu 88%. Pergunta óbvia: um garoto que abandonou a faculdade vai devolver o empréstimo que tomou sem fiador?

Resposta, também óbvia: para o dono da escola, não faz diferença, pois ele já recebeu o dinheiro da Viúva e sabe mexer seus pauzinhos no governo, o grande galinheiro de ovos Fabergé.

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U.V.

Manchetes do dia

Quarta-feira 18 / 02 / 2015

O Globo
"Consumidor paga por linha não inaugurada"

Concluída em outubro, ao custo de R$ 4,9 bilhões, a segunda linha de transmissão das usinas do Rio Madeira ainda não traz energia ao Sudeste. Mas as empresas responsáveis pela obra e pela usina de conversão vão receber R$ 400 milhões por ano, o que pressiona as tarifas, já que o custo é repassado ao consumidor, mesmo sem a energia ser entregue.

Folha de S.Paulo
"Impunidade é regra em briga de torcidas em SP"

Em 10 anos, 11 pessoas morreram após confrontos, e ninguém foi condenado

Nos últimos dez anos, pelo menos 11 pessoas morreram em decorrência de brigas e confusões envolvendo torcidas organizadas de clubes paulistas de futebol. Não houve no período, entretanto, nem sequer uma condenação judicial por violência. Para especialistas, falta vigor. Ao deter o torcedor em uma briga, a praxe entre os policiais é fazê-lo assinar um documento e liberá-lo. Sem ser responsabilizado, ele "se sente livre para fazer o que quiser", diz o pesquisador da Unicamp Felipe Lopes.

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terça-feira, fevereiro 17, 2015

Dominique

Opinião

Um Cordeiro inquieto

Ferreira Gullar
Considerar-se dono da verdade é, sem dúvida, uma tolice. Constato isso com relativa frequência ao me dar conta de que certas coisas que me pareciam indiscutíveis, não o eram.

Isso aconteceu comigo, recentemente, quando descobri que o que ao longo dos anos afirmara sobre a escultura de Amilcar de Castro, não era bem aquilo: de repente, percebi que, por trás da aparente racionalidade de sua arte, há uma exploração do casual, do imprevisível.

Pois bem, na semana seguinte, fui visitar a retrospectiva de Waldemar Cordeiro no Paço Imperial, no Rio de Janeiro, e descubro que o que frequentemente afirmara a respeito de sua personalidade e de sua arte estava errado.

Embora sem má-fé, fui injusto com ele todas as vezes em que me referia à sua atuação como artista plástico: atinha-me exclusivamente ao que ele fez e disse naqueles anos da década de 1950, quando o concretismo teve início no Brasil.

É sabido que o movimento concretista, que se implantou naquela época no Rio e em São Paulo, dividiu-se, em dado momento, por divergências teóricas. Basicamente, a divisão decorreu do fato de que os concretistas paulistas eram mais teóricos e racionalistas do que os cariocas, preponderantemente intuitivos.

Era eu o teórico do grupo carioca e, por isso, assumi a defesa de nossa posição, usando como principal argumento uma afirmação de Waldemar Cordeiro, segundo a qual a cor deveria ser eliminada da pintura por ser racionalmente incontrolável.

Ele fez essa afirmação descabida e eu a tomei como a expressão de seu sectarismo estético. Não por acaso, os poetas concretistas do grupo paulista, naquela ocasião, também adotaram postura semelhante ao afirmar que a poesia deveria ser feita segundo equações matemáticas.

Essa ruptura, ocorrida em 1957, afastava-me do grupo paulista, tanto dos pintores quanto dos poetas, inviabilizando qualquer diálogo. Pois bem, esta retrospectiva de sua obra mostrou-me que minha opinião sobre ele era equivocada.

Ao contrário do que escrevi e repeti muitas vezes, Waldemar Cordeiro não era um artista sectário, submisso a uma concepção estreita da arte.

Esta exposição no Paço, em cartaz até 1º de março, mostra-nos um artista inquieto, inconformado com as teorias e tendências que marcaram estas últimas décadas da arte ocidental. A minha primeira surpresa, na segunda sala da mostra, foi deparar-me com pequenos esboços coloridos, em que a forma geométrica já perde a precisão. 

Cordeiro, que pregara a eliminação da cor na pintura, pintara quadros belamente coloridos.

Mas, já antes, observara certas composições geométricas, de simples linhas traçadas com compasso, muito criativas. Comecei a me dar conta de um outro Waldemar Cordeiro, diferente daquele que eu julgava conhecer. E essa constatação foi se confirmando à medida que percorria a exposição.

Agora, deparo-me com uma tela intensamente colorida, com uma grande circunferência cujas bordas se diluem em luz e cor, que nos arrebata e fascina. Estava ali evidente que, em vez de eliminar a cor, ele a explorou em sua materialidade essencial, como luz.

Àquela altura, lembrei-me dos quadros do início da mostra, dos começos do pintor, que nada tinham a ver com a etapa posterior: começara expressionista soturno e dramático e saltou para o concretismo objetivo e racional.

Ao ver, agora, as sucessivas buscas experimentais de Cordeiro, compreendo melhor a sua personalidade artística, que se revela ou se inventa a partir daquela ruptura inicial. No curso dessas novas buscas, ele passa a valer-se do computador para compor desenhos figurativos surgidos do uso repetitivo de uns mesmos sinais gráficos, numa demonstração de que seu compromisso não era com nenhuma estética e, sim, com a inventividade.

Os trabalhos da fase final nada têm a ver com a arte concreta, nem mesmo com a arte pictórica, qualquer que seja ela. São montagens de elementos mecânicos ou restos de móveis juntados aleatoriamente.

A visita a essa exposição mostrou-me um Waldemar Cordeiro que, ao contrário do que pensava eu, foi um artista inquieto e experimentalista. 

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U.V.

Manchetes do dia

Terça-feira 17 / 02 / 2015

O Globo
"Receita investiga empresas da Lava-Jato por sonegação"

Doleiros e ex-diretores da Petrobras também na mira por valores não declarados ao Fisco

A Receita Federal começou a investigar empreiteiras, doleiros e funcionários públicos envolvidos no esquema de corrupção na Petrobras com o objetivo de comprovar sonegação fiscal e outros crimes tributários, informa Jailton de Carvalho. Além de responder às ações penais, empresas e pessoas investigadas na Operação Lava-Jato deverão receber multas pesadas por valores expressivos não declarados ao Fisco. A fiscalização poderá atingir partidos políticos beneficiados com verbas desviadas de contratos da estatal.

Folha de S.Paulo
"Chuva de fevereiro supera média do mês no Cantareira"

Precipitação soma 206 mm, 7 mm além do valor mensal; nível das represas sobe a 7,8%, mas não alivia escassez

As chuvas do final de semana no sistema Cantareira fizeram os primeiros 16 dias de fevereiro superarem a média histórica mensal. A precipitação acumulada está em 206 mm, contra média de 199 mm para todo o mês. O volume dos reservatórios do sistema, que abastece 6,2milhões de pessoas na Grande SP, subiu para 7,8%. O sistema Alto Tietê também totaliza chuvas acima da média mensal (197 mm e 192 mm, respectivamente). O nível de suas cinco represas aumentou para 14,6%. Nos outros quatro grandes sistemas produtores de água da região metropolitana, a média histórica mensal de pluviosidade não chegou a ser ultrapassada. A situação crítica de escassez, entretanto, está longe de ser superada. Em 16 de fevereiro de 2014, o Cantareira tinha 18,5%, quase 11 pontos além do nível atual, mas sem contar duas cotas de volume morto já em uso. O governador Geraldo Alckmin (PSDB) conta com mais chuvas até março para evitar um rodízio. 

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segunda-feira, fevereiro 16, 2015

Pitacos do Zé


Mesmo depois de tanto tempo...

José Ronaldo Santos
O loteamento da Estufa, em Ubatuba, aprovado pela prefeitura em 1952, por determinação do investidor Licurgo Querido, tem o nome de Gurilândia Caiçara. Só aos poucos, com o crescimento da cidade, esse lugar foi se consolidando de fato, com ruas que receberam nomes de times de futebol. Num apêndice, divisando com os herdeiros do Marigny, surgiu o loteamento denominado Parque Paris, onde os pioneiros se estabeleceram em terrenos de características muito próximas de brejo. Prova disso você constata a cada chuva forte, com moradores passando agruras, ficando isolados e tendo perdas materiais. Ah! Nessas condições, em casas de blocos bem características, foram trazidos os caiçaras da Praia da Trindade e adjacências, por ocasião do êxodo forçado, envolvendo interesses multinacionais! Era o início da década de 1980 quando esses caiçaras foram enxotados daquele paraíso do extremo sul fluminense.

Agora, me recordando da jornalista Priscila Siqueira, do frei Valdir Oswaldo e de tantos jovens que se engajaram na causa dos trindadeiros, faço questão de celebrar a vitória dos caiçaras. Era muita gente graúda contra os roceiros-pescadores! Veja esta passagem do livro da Priscila (Genocídio caiçara):

“Em 1977, numa declaração à imprensa, John Sillers, então representante da empresa na praia, afirmava que ‘a vastidão da área propiciava a ação de grileiros’. Devido a isso foram enviados homens armados a Trindade, ‘armamento convencional como revólveres, rifles e metralhadoras’. Sillers dizia ter procurado acordo com os trindadeiros, mas não admitia terceiros nas posses’. Um dos terceiros a que se referia era o senador Severo Fagundes Gomes, que em 1973, através de Ivete Maciel, conhecida neste litoral pela alcunha de ‘Loba do Mar’, adquire as praias de Baixo, Cepilho, de Fora e Cachadaço, revendendo-as posteriormente”. A afirmação dos jagunços e do representante era: “contra a companhia nada se pode fazer”. No entanto, a luta valeu! A companhia perdeu! E “a maioria dos caiçaras que se mudou para o Parque Paris, na periferia de Ubatuba, voltou para Trindade. A companhia não lhes forneceu a escritura definitiva de suas casas e muitas delas apresentavam péssimas condições desde o início da construção”. O que vem a seguir se passou nesse loteamento, trinta e cinco anos depois da saga dos trindadeiros.

Dias atrás, andando nas cercanias procurando localizar a nova moradia do primo Zé Roberto, avistei uma quadra tomada por mato alto. No meio de tanto capim, avistei um banco de concreto. Deduzi: “Isto é uma praça! Mas assim?”.

Pois é! Lá está uma mostra muito negativa de civilidade! Nem as pessoas, nem a prefeitura cuidam do espaço reservado como praça. Isso fez com que eu procurasse uma passagem no livro Incidente em Antares, de Érico Veríssimo:

“Como toda cidade pequena que se preza, Antares tem a sua rua do Comércio e a sua Voluntários da Pátria. E duas praças, uma delas a ‘enteada’ da família, a gata borralheira, fica na extremidade norte, é malcuidada, cercada de casas velhas e baixas, o chão de terra entregue às formigas, às urtigas e à guanxumas”.

Bem... pode ser que a nossa cidade tenha muitas outras ‘enteadas’ em condições bem mais precárias!

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Dominique

Opinião

Dilma, Lula e a rua

Elio Gaspari
Com 39 ministros ao alcance de um telefonema, Dilma foi a São Paulo conversar com Lula, buscando os conselhos de Nosso Guia. Magoada e inconformada com os números da pesquisa do Datafolha que expôs o estilhaçamento de sua imagem, ela busca uma saída. Sabe-se lá o que Lula teve a oferecer, mas em menos de dois meses a doutora ficou na avenida com um desfile caótico. Seu enredo, anunciado durante a campanha eleitoral, está vencido e algumas de suas alas desfilam com as fantasias da escola de Aécio Neves. Seu samba, com dois puxadores –Joaquim Levy na Fazenda e o PT no Planalto– está atravessado. Isso tudo e mais uma arquibancada cética.

Essa bola rolará para o marqueteiro João Santana. Em 2013, quando o "monstro" foi para a rua ele expôs uma corajosa ideia, segundo a qual a doutora estava blindada em relação aos protestos. Nas suas palavras, ao repórter Luiz Maklouf Carvalho:

"É honesta? Tem comando? O governo está gerindo bem? A economia está bem? (...) Os protestos não podiam ser em relação a Dilma. (...) Era emoção –e não sentimento".

De fato, as pesquisas indicavam que a doutora passava em todos os quesitos, e Santana acertou na mosca. E agora?

"É honesta?" Pode ser, mas 77% dos entrevistados pelo Datafolha acham que ela sabia o que acontecia na Petrobras.

"Tem comando?" Pode ter, mas 44% acham seu governo ruim, ou péssimo, contra 23% em dezembro.

"A economia está bem?" Não. Tudo indica que não houve crescimento em 2014, nem haverá neste ano, com a inflação estourando a meta.

Se em 2013 havia mais emoção que sentimento, agora o que há é sentimento. Se houver emoção, será a do travo de quem foi iludido na campanha eleitoral, percebendo que Dilma Rousseff tem uma relação agreste com a verdade.

A doutora corre o risco de ouvir de novo o ronco da rua. Isso acontecerá quando os organizadores de protestos pedirem proteção da polícia para afastar mascarados e desordeiros que se infiltram nas manifestações. Afinal, a polícia não é paga para testemunhar o desvirtuamento de protestos pacíficos.

E a saída? Talvez Nosso Guia saiba onde ela está, mas tanto ele como a doutora estão aprisionados pela mentalidade do sítio. Acreditam que o mundo está contra eles.

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U.V.

Manchetes do dia

Segunda-feira 16 / 02 / 2015

O Globo
"De promessas vãs fez-se o desengano"

Ricardo Noblat

O Grêmio Escola de Samba O Povo Unido Jamais Será Vencido saúda este mui nobre e tropical ajuntamento e pede passagem. Não esperem um desfile de luxo, não mesmo. 

Afinal, foi- se o tempo do carnaval patrocinado por bicheiros, empresas privadas e estatais. Tem ditador africano capaz de meter a mão no bolso e financiar escola que cante as belezas do seu país. Mas isso é como acertar a mega-sena acumulada.

Folha de S.Paulo
"No vermelho, maioria dos Estados terá ano de aperto"

Entre 27 governos, 18 fecharam 2014 com déficit, fato inédito desde 2000

Levantamento da Folha revela que 18 dos 27 governadores fecharam 2014 com as contas no vermelho, sem receitas suficientes para pagar pessoal, custeio, programas sociais e investimentos. Desde a aprovação da Lei de Responsabilidade Fiscal, em 2000, nunca houve tantos Estados nessa condição. Em 2011, apenas dois deles tiveram saldos negativos. O deficit total foi de R$ 13,2 bilhões, segundo metodologia do Banco Central (ou R$ 11,7 bilhões, de acordo com os balanços locais). Os maiores deficits são de Rio de Janeiro (governo do PMDB), com R$ 7,3 bilhões negativos, e Paraná (PSDB), deficit de R$ 4,6 bilhões. Pelo programa do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, para reequilibrar as contas públicas os Estados deveriam obter neste ano superavit de R$ 11 bilhões. Isso equivale a 17% dos R$ 66 bilhões de ajuste previstos para o setor governamental. Planalto e governos estaduais temem que aumente a resistência aos cortes, como ocorreu no Paraná.  

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domingo, fevereiro 15, 2015

Dominique

Opinião

Valdirene Aparecida

Gabeira
Os jornalistas, às vezes, chamam a atenção para os nomes estranhos que surgem nos escândalos políticos. Surgiu agora o de Valdirene Aparecida, que, apesar de inadimplente, teria recebido um empréstimo do Banco do Brasil, com dinheiro do BNDES. Os nomes parecem estranhos no noticiário, porque são nomes de batismo, de modo geral, como é comum na Bahia, uma fusão dos nomes do pai e da mãe.

Valdirene, por exemplo, muito provavelmente, é filha de Valdir com Irene. Tornou-se Val Marchiori, participou de um reality show, “Mulheres ricas”, e é apresentada como socialite. Vi alguns fragmentos do reality show. Valdirene não parecia apenas uma mulher rica, mas alguém fugindo intensamente dos hábitos da população mais humilde, marcados inclusive no seu nome composto: Valdirene, de Valdir e Irene, e Aparecida, talvez em homenagem à padroeira do Brasil.

Suas matérias de viagem eram custeadas por ela, que viaja em jatinho próprio. Val ofuscou Valdirene e conseguiu um espaço como apresentadora, repórter, blogueira e celebridade. Além disso, tinha grana para produzir as próprias matérias. Dizem os jornais que Valdirene e Aldemir eram amigos, viajavam juntos, e, juntos, decidiram pelo empréstimo no BB, onde Aldemir era presidente.

Ele é um dos executivos ligados ao PT. Chegou ao máximo da carreira ao ser indicado para a presidência de uma Petrobras em transe. E teve esse caso na vida, uma loira como cliente bancária.

A senadora Marta Suplicy já registrou o problema da cor do cabelo no PT, ao afirmar que havia três candidatas mulheres à presidência, Dilma, Marina e ela. Mas observou que não tinha nenhuma chance, pois era a única loira.

No auge da crise internacional, Lula acusou os loiros de olhos azuis de terem arruinado a economia mundial. Se falou isso é porque, em alguma camada de seu inconsciente, acredita na maldade intrínseca dessa gente branca.

Valdirene também é loira. Sua trajetória de fuga da pobreza e a adoção entusiástica de um consumo de luxo aparentemente são sinais de afastamento da galáxia petista. 

No entanto, no fundo, têm tanto ela como o PT o mesmo deslumbramento com a riqueza. A passagem de Lula pelo Copacabana Palace, no período eleitoral, mostra que ele tem os mesmos e talvez mais caros hábitos que a própria socialite.

A sensação que tenho é de que Lula gostaria de ter a mesma trajetória de Val Marchiori. Sua fúria contra os ricos e os loiros de olhos azuis esconde um grande desejo de imitá-los.

No Brasil, há quem ganhe Bolsa Família, há quem ganhe bolsa Louis Vuitton do BNDES. A diferença, como tenho acentuado, é o sigilo do BNDES.

Sinceramente, espero que ela não se ofenda, mas a bolsa de Val Marchiori é uma mixaria perto do que os outros ricos empresários estão levando. E revela algo característico da burguesia brasileira, sobretudo aquela que o PT considera a elite do B porque o apoia, incondicionalmente. Eles esbanjam dinheiro.

Val tem dinheiro para viajar no próprio jatinho e financiar suas aventuras jornalísticas. Mas, quando precisa de uma graninha extra, vai ao Banco do Brasil, que, por sua vez, aciona o crédito do BNDES. Os donos da Friboi buscam dinheiro no BNDES e, ao mesmo tempo, destinam R$ 250 milhões à campanha do PT.

A trajetória de Aldemir e Valdirene passaria em branco para mim. Não me importo com a vida dos outros nem me disponho a patrulhar gastos alheios quando não se originam em dinheiro público.

No entanto, há uma trajetória comum dos ricos que orbitam em torno dos governos petistas e bolivarianos. Prosperam num discurso de amor à pobreza, mas, no fundo, querem apenas mais dinheiro.

Valdirene é uma exceção. Nunca a vi elogiar a pobreza, nos poucos minutos em que a ouvi, jamais manifestou amor pelos pobres, algo que é muito comum nos nossos salvadores populistas.

Ao contrário, encarna apenas um espírito elitista, que quer se diferenciar através do consumo de luxo e escolhas sofisticadas.

O PT ama os pobres, tão falsamente como é possível amar os pobres, a Humanidade e outras grandes abstrações.

Mas Valdirene e Lula navegam no mesmo transatlântico de luxo que está se afundando e não nos deixam outra saída, exceto seguir tocando nosso piano, humildemente, enquanto a farsa não se revela em toda a sua amplitude.

O ideal seria tocar a sirene enquanto o drama se precipita sem as máscaras do carnaval. Mas isso é uma tarefa para se pensar na Quarta-feira de Cinzas.

As últimas pesquisas sobre Dilma confirmam minhas intuições de repórter de rua. A confiança está desabando, e o edifício pode cair. Só nos resta repetir em escala nacional o conselho do prefeito do Rio aos moradores de área de risco: acreditem na sirene quando ela tocar.

Original aqui

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U.V.

Manchetes do dia

Domingo 15 / 02 / 2015

O Globo
"Força do dinheiro é que faz a campeã do Sambódromo"

Levantamento de quase 4 mil notas dos júris de carnaval desde 2004 revela que o quesito alegorias, um dos mais caros para as escolas, é o que leva a vitórias.

Nada influencia tanto o resultado do carnaval carioca quanto as alegorias e os adereços, um dos custos mais altos das escolas. Levantamento inédito do Núcleo de Jornalismo de Dados do GLOBO mostra que, nos últimos 11 anos, venceram as escolas que tiveram as melhores notas nesse quesito, informam Fábio Vasconcellos e Rafael Galdo. A Unidos da Tijuca, atual campeã, lidera o ranking com 97% dos pontos possíveis.

Folha de S.Paulo
"Brasil vira problema para firmas estrangeiras"

Levantamento da Folha aponta que, de 85 multinacionais, 54 estão insatisfeitas

O Brasil se tornou uma preocupação para multinacionais, que se queixaram da economia fraca, do aperto no crédito, da inflação e do câmbio durante a divulgação de seus resultados nas últimas semanas.

Levantamento da Folha baseado nessas apresentações identificou que 85 empresas estrangeiras citaram o Brasil. Do total, 54 apresentaram reclamações. Para 12 delas, a atual situação econômica do país não está impactando os resultados, enquanto 19 veem boas oportunidades no país.

O setor de veículos se destaca entre as reclamações. Para as montadoras, a alta do dólar prejudica a conversão dos lucros em reais para a moeda norte-americana. 

A crise na Petrobras afeta os fornecedores de equipamentos para a indústria de óleo e gás. Uma fabricante de sondas relatou atrasos de pagamentos para estaleiros.

As medidas econômicas baixaram a confiança de empresas que atuam no mercado de consumo, e o setor agrícola reclama do aperto no crédito.  

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