sábado, fevereiro 07, 2015

Dominique

Opinião

A herança da inflação

O ESTADO DE S.PAULO
Mais uma vez o Brasil deixa americanos, europeus e japoneses para trás, conseguindo em apenas um mês uma inflação muito maior que a exibida no mundo rico em um ano. A vida terá voltado ao normal nos países avançados quando os preços no varejo subirem no ritmo anual de 2% - pelo menos segundo os padrões de avaliação dos bancos centrais. A zona do euro tem sido assombrada pelo espectro da deflação, bem conhecido na economia japonesa. Pelo menos desse problema os brasileiros continuam muito distantes, graças à gastança, aos erros e aos truques de circo mambembe de seus governantes. No mês passado, os preços de bens e serviços comprados pelas famílias subiram em média 1,24%, de acordo com dados incluídos no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Em 12 anos, foi a maior alta desse indicador num mês de janeiro. Em 12 meses, a variação acumulada chegou a 7,14%, número superado apenas pela alta de 7,31% no período até setembro de 2011, primeiro ano da presidente Dilma Rousseff.

A meta anual de 4,5% foi sempre superada com folga nos últimos quatro anos. O desvio para cima, em 2015, deverá ser bem maior, segundo as previsões correntes. No mercado financeiro, a mediana das apostas era uma alta de 7,01% neste ano, de acordo com a sondagem realizada pelo Banco Central (BC). Para isso será necessário, naturalmente, garantir de agora em diante resultados bem menores que o de janeiro. É muito difícil de imaginar esse quadro sem pelo menos mais uma alta, provavelmente de 0,5%, dos juros básicos.

A inflação do mês passado refletiu, como se previa, a correção ainda parcial de preços contidos politicamente nos últimos anos. O item habitação, com alta de 2,42% e impacto de 0,35 ponto porcentual na formação do IPCA, foi fortemente influenciado pelo aumento médio de 8,27% do custo da energia elétrica. Em 9 das 13 áreas metropolitanas cobertas pela pesquisa o aumento das contas de luz ficou acima de 7,6%. A maior alta, de 11,66%, ocorreu em Porto Alegre. A segunda maior, de 11,46%, ocorreu em São Paulo. As tarifas de eletricidade foram congeladas há pouco mais de dois anos por decisão da presidente Dilma Rousseff e começaram a ser liberadas em 2014. A correção continua incompleta. Além disso, novos ajustes foram anunciados durante a semana pelo ministro de Minas e Energia, porque a seca se prolonga e será preciso continuar usando a energia mais cara das termoelétricas.

Também a correção das tarifas de transporte coletivo, contidas por influência do governo federal, afetou o IPCA em janeiro. No grupo transportes, o aumento médio ficou em 1,83% e foi determinado principalmente pelos ajustes das passagens de ônibus urbano e de metrô.

Esses ingredientes bastam para tornar indigesta uma sopa de números, mas servem para evidenciar, mais uma vez, o esforço do governo para disfarçar as pressões de custos e maquiar os índices de preços. Apesar desse esforço, os índices de inflação foram sempre ruins nos últimos anos e a variação anual do IPCA sempre esteve próxima - e algumas vezes acima - de 6,5%, limite superior da margem de tolerância.

A correção de preços contidos politicamente é inevitável e mais dolorosa quanto mais prolongado tenha sido o artifício. Além de inútil no combate à inflação, essa ação distorce a operação dos mercados. Ao transmitir um sinal errado sobre os preços, estimula o consumo, quando o correto seria o incentivo à economia. Ao mesmo tempo, a intervenção nos preços afeta a situação de caixa, a saúde financeira e a capacidade de investimento das empresas fornecedoras do bem ou serviço. O caso da Petrobrás, com a contenção política dos preços de combustíveis, era bem conhecido. O das empresas do setor elétrico ampliou o histórico e as consequências das intervenções desastradas.

Mas os preços administrados são uma pequena parte da história. Mesmo sem aumento desses preços, a inflação tem sido sustentada por outros fatores, como a gastança pública e o incentivo maior ao consumo que a produção. A herança dos erros é muito mais ampla.

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U.V.

Manchetes do dia

Sábado 07 / 02 / 2015

O Globo
"Troca na Petrobras - Bendine tem carta-branca, mas ações despencam"

Presidente do BB comandará estatal e planeja maior controle financeiro

Dilma fez convite na quarta-feira e nome foi aprovado pelo Conselho de Administração da estatal por 7 votos a favor e 3 contra; escolhido já se envolveu em polêmicas como empréstimo a amiga investigado pelo MP. Convidado pela presidente Dilma na quarta-feira, o presidente do Banco do Brasil, Aldemir Bendine, ligado ao Planalto e ao PT, vai substituir Graça Foster na presidência da Petrobras. Funcionário de carreira do BB e com bons resultados no comando do banco, ele recebeu carta-branca de Dilma para agir e até reformular o estatuto da companhia, informa Gabriela Valente. Bendine já traçou plano para blindar a estatal dos efeitos da corrupção apurada na Lava-Jato, com três metas imediatas. A missão mais urgente que tem, disse a assessores, é resolver a questão contábil, avaliando perdas e fortalecendo a área financeira, que será comandada por Ivan Monteiro, até ontem vice-presidente financeiro do BB. O mercado reagiu mal à escolha de Bendine, e as ações da estatal despencaram, fechando com queda de quase 7%. O MPF abriu investigação sobre empréstimo do BB a uma amiga de Bendine, Val Marchiori, quando ele presidia o banco.

Folha de S.Paulo
"Dilma põe presidente do BB na Petrobras, e ações caem"

Aldemir Bendine assume vaga de Graça Foster; conselho da estatal não é unânime na aprovação

A presidente Dilma Rousseff nomeou Aldemir Bendine, que dirigia o Banco do Brasil, para o lugar de Graça Foster no comando da Petrobras. Ele assume a empresa na maior crise de sua história com o objetivo de rever seu plano de negócios. Bendine deve se dedicar a resolver os problemas de caixa da petroleira e a apresentar, em breve, números confiáveis sobre o tamanho dos desvios de verba por corrupção, meta crucial para que o balanço da companhia possa ser auditado. Dos dez membros do Conselho de Administração da estatal, três votaram contra o nome de Bendine: os que representam os acionistas minoritários e o eleito pelos trabalhadores. Os outros sete, escolhidos pelo governo federal, foram favoráveis.Funcionários da companhia dizem que Bendine não conhece o setor de petróleo, e o mercado interpretou a nomeação como sinal de que o governo continuará interferindo nas decisões internas da Petrobras. As ações caíram quase 7%. Assim como ocorreu com Graça Foster, Bendine é nome da estrita confiança de Dilma e terá como objetivo adicional blindar o Palácio do Planalto diante de nova CPI da Petrobras.

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sexta-feira, fevereiro 06, 2015

Glasnost


Coluna do Celsinho

Fumaça e fogo

Celso de Almeida Jr.

Não é novidade, eu sei.

O propinoduto que desidratou o caixa da Petrobras escoou bilhões.

É o que conferimos, diariamente, nas manchetes.

No pensamento voltam os fatos de 2013, com as intensas manifestações nas ruas do Brasil.

Aquelas que levaram o povo à protestar, inicialmente, contra o aumento das passagens de ônibus.

Os vinte centavos majorados no transporte público.

Na ocasião, outros temas como a péssima qualidade dos serviços públicos e o combate a corrupção também estiveram em alta.

Ferveu.

Esfriou.

E agora?

Os bilhões surrupiados inflamarão as massas?

As prisões de corruptos e corruptores confortarão o povão?

O que veremos?

O que faremos?

Em política, sempre há o fato novo.

O imponderável, nestas horas, também desponta.

Os próximos meses prometem...

Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com

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Dominique

Opinião

O escândalo lulopetista

O ESTADO DE S.PAULO
Seria considerado lunático ou alarmista mal-intencionado quem tivesse afirmado, dois ou três anos atrás, que o espírito do mensalão baixaria novamente, ampliado a ponto de colocar em risco o futuro da maior estatal brasileira e complicar gravemente a situação político-institucional do País. Pois o escândalo da Petrobrás está aí para comprovar que, na espantosa surrealidade fomentada pelo lulopetismo, nada é impossível.

O assalto à Petrobrás não é o resultado da associação casual de eventos de geração espontânea. Tampouco é apenas o produto da cumplicidade de funcionários corruptos com empresários inescrupulosos. O escândalo da Petrobrás é o efeito de uma fria e ousadamente elaborada estratégia de consolidação de hegemonia política. Uma armação urdida à sombra do poder, com muitos protagonistas - os mais importantes ainda ocultos. É, enfim, a obra do lulopetismo na ocupação do aparelho estatal por uma nomenklatura a serviço de si mesma.

A Petrobrás, que antes de ter seu valor de mercado reduzido a menos da metade ostentava o porte de uma das maiores corporações do planeta, sempre teve uma enorme importância estratégica não apenas no campo vital da energia, mas para o desenvolvimento econômico do País. Como empresa de economia mista e capital aberto de grande prestígio internacional, a petroleira propiciava ao País, além de tecnologia de ponta criada por seu quadro técnico, importantes investimentos privados, nacionais e estrangeiros, provenientes das mais variadas fontes.

Ao assumirem o poder com planos de não mais largar o osso, Lula e o PT rapidamente se deram conta de que a riqueza da Petrobrás teria um importante papel a desempenhar nesse ambicioso projeto. E trataram logo de aumentar o poder de fogo da empresa, trocando o sistema de concessão para a exploração de petróleo - até então vigente - pelo controvertido sistema de partilha, que aumentou o controle estatal sobre a extração e assim a perspectiva de lucros mirabolantes provenientes dos campos do pré-sal.

O pré-sal, aliás, foi politicamente apropriado e explorado por Lula. O então presidente da República vestiu um macacão da Petrobrás, sujou as mãos de óleo e saiu a anunciar a nova era de prosperidade como resultado da autossuficiência energética do país que se tornaria grande exportador de petróleo, e da cornucópia que a partir daí se abriria para realizar todos os sonhos dos brasileiros. Prognósticos que também a incompetência de gestão, no governo e na empresa, se encarregou de frustrar.

Além da falta de cerimônia com que a Petrobrás foi colocada a serviço da promoção da imagem do lulopetismo, a empresa, já no primeiro mandato de Dilma Rousseff, foi descaradamente usada como instrumento de apoio ao controle da inflação, mediante a contenção artificial do preço dos derivados de petróleo. Esse desrespeito às regras do mercado - mas, principalmente, às leis das sociedades anônimas e de criação da Petrobrás - resultou, obviamente, em prejuízos bilionários para a companhia, para seus acionistas e para o Tesouro Nacional.

Mas nada se compara à sangria a que a Petrobrás foi submetida pelo esquema de propinas implantado para captar recursos destinados a financiar as atividades político-eleitorais do PT e de seus aliados, de acordo com a estratégia de perpetuação no poder da qual o mensalão tinha sido a primeira experiência. Depois de um curto período de aparente recuo em que Lula chegou a se declarar traído pelos mensaleiros, a reeleição de 2006 surgiu como que um sinal verde para a continuidade do projeto e os petistas se adonaram completamente da Petrobrás, contando com a muito bem recompensada colaboração de diretores da empresa e de um bando de empreiteiros desonestos.

Os envolvidos no escândalo - todos, enfim, que urdiram e deram aval à trama criminosa - brevemente estarão enfrentando as consequências de seus atos. Um a um, eles vão aparecendo. Sua identificação é fácil: no histórico da corrupção e dos desmandos administrativos que ameaçam o futuro da Petrobrás ficaram, indeléveis, as impressões digitais do lulopetismo.

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U.V.

Manchetes do dia

Sexta-feira 06 / 02 / 2015

O Globo
"PT recebeu US$ 200 milhões, diz delator; Câmara cria CPI"

Agentes pulam muro para levar Vaccari
Ex-diretor, Duque recebia ‘quinzenada’
Planilha detalha comissões em 87 obras

A PF deflagrou ontem a nona fase da Lava-Jato, com base em depoimento do ex-gerente executivo da Petrobras Pedro Barusco, braço-direito do ex-diretor de Serviços Renato Duque. Após delação premiada, Barusco detalhou a corrupção na companhia e afirmou que o PT recebeu, de 2003 a 2013, de US$ 150 milhões a US$ 200 milhões de propina. Acusado de receber diretamente US$ 50 milhões, o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, foi levado para depor na PF, e policiais tiveram de pular o muro de sua casa. Barusco apresentou planilha da corrupção, com percentuais pagos sobre 87 contratos e as diretorias envolvidas, inclusive a de Gás e Energia, que foi comandada por Graça Foster, hoje presidente demissionária. Contou ainda que levava quinzenalmente R$ 50 mil a Duque, que nega. O PT disse que as doações foram legais. A operação foi batizada de My Way, apelido de Duque. Nova CPI para apurar o escândalo foi criada na Câmara. 

Folha de S.Paulo
"PT recebeu até US$ 200 mi de propina, afirma delator"

Ex-gerente da Petrobras cita envolvimento de Vaccari Neto, tesoureiro do partido, que nega

O PT recebeu de US$ 150 milhões a US$ 200 milhões de propina, entre 2003 e 201 3, de empresas que detinham os 89 maiores contratos da Petrobras. É o que disse em depoimento o ex-gerente da estatal Pedro Barusco, delator na Operação Lava J ato, que apura desvio de dinheiro na companhia. Segundo ele, o tesoureiro do partido, João Vaccari Neto, participou pessoalmente de acerto entre funcionários da Petrobras e estaleiros, referente a 21 contratos, no valor total de US$ 22 bilhões. Cerca de 1 % dessa quantia destinava-se a pagamento de propina. Na di visão, disse Barusco, um terço ia para operadores do esquema e o resto, para Vaccari Neto. A Polícia Federal ouviu nesta quinta (5) o tesoureiro para esclarecimento de doações ao PT. Tanto ele como a sigla declararam não ter recebido nada ilegalmente. O ex-gerente afirmou ainda que recebeu US$ 1 milhão da Odebrecht, que nega pagamento de propina.

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quinta-feira, fevereiro 05, 2015

Dominique

Opinião

'Isso não está provado'

O ESTADO DE S.PAULO
Entrevista recente de José Sérgio Gabrielli ao jornal Valor revela a extensão da impostura petista quando se trata de explicar o maior escândalo de corrupção da história do Brasil. A versão apresentada pelo ex-presidente da Petrobrás para comentar a hemorragia de dinheiro público dos cofres da estatal é tão cândida quanto estupefaciente. Para Gabrielli, a corrupção na Petrobrás não tem a dimensão que se lhe atribui - logo, o escândalo serve somente àqueles que têm interesse em enfraquecer a Petrobrás.

Se há alguém que sabe, ou deveria saber, exatamente o que aconteceu na última década nos porões da Petrobrás, que já foi um orgulho nacional e que hoje frequenta as páginas policiais e os relatórios depreciativos das agências de classificação de risco, esse alguém é Gabrielli. Petista histórico, ele chegou à estatal no mesmo ano em que o PT assumiu o poder, em 2003, instante em que se deflagrou o formidável aparelhamento da máquina pública que, agora se sabe, ensejou imperdível oportunidade para a rapinagem em escala nunca vista.

Sem experiência no setor de petróleo, Gabrielli ganhou de seus padrinhos políticos, logo de cara, a função de diretor financeiro. Dois anos depois, já era presidente da estatal, cargo do qual saiu somente em 2012. Portanto, Gabrielli tem todo o interesse em fazer pouco do escândalo, ainda mais porque a Justiça começa a rondá-lo perigosamente - ele acaba de ter o sigilo fiscal e bancário quebrado em um caso de superfaturamento de uma obra da Petrobrás no Rio. O problema é que sua versão é um insulto à inteligência alheia - e prova que a especialidade do cacicado petista é a transformação da história em empulhação.

"Isso não está provado", disse Gabrielli, por exemplo, ao comentar na entrevista a acusação de que empreiteiras pagaram comissão de 3% a diretores da Petrobrás ligados ao PT, ao PP e ao PMDB. Para ele, a alegada dimensão da propina - que pode chegar a R$ 4 bilhões - é suficiente para classificar a denúncia como inconsistente.

Gabrielli considera que tudo não passou de uma simples "relação entre um doleiro e um fornecedor", algo que não foi detectado pelos rigorosos "procedimentos internos" da Petrobrás. Já o grande pivô do escândalo, o ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa, atuou "fora da Petrobrás", razão pela qual, disse Gabrielli, "não tem como descobrir". E o petista ainda se mostrou indignado - chamou Costa de "dissimulado, uma pessoa extremamente fria", porque "fazia isso e ninguém sabia".

Quando confrontado com o fato de que um mero gerente, Pedro Barusco, admitiu ter recebido cerca de US$ 100 milhões em propinas, Gabrielli teve o desplante de dizer que se trata de um valor "pequeno" perto do volume de transações da Petrobrás.

Em seguida, disse que Barusco e Costa eram apenas dois corruptos "em uma empresa que tem 3 mil gerentes de primeira linha". É claro que não se pode atribuir o comportamento imoral da quadrilha que se instalou na Petrobrás a todo o quadro de gerentes, mas o que Gabrielli está tentando fazer é minimizar os valores envolvidos e vincular todo o escândalo a um punhado de indivíduos que teriam agido por conta própria - isentando tanto os funcionários quanto, principalmente, a direção da empresa.

Gabrielli sugere, portanto, que a dimensão do caso é exagerada e que é graças a isso que a capacidade de investimento da Petrobrás está agora seriamente ameaçada, inclusive na exploração do pré-sal - que, na narrativa petista, é cobiçado por petroleiras estrangeiras. Na fantástica versão de Gabrielli, a depauperação da Petrobrás não resultou da política suicida de preços nem dos gastos bilionários em refinarias que não saíram do papel ou que não valiam o investimento, como a de Pasadena. Tudo parece se resumir a uma conspiração da oposição para "dizer que a Petrobrás é uma empresa corrupta".

O esforço retórico de Gabrielli mostra que a Petrobrás que ele e seus companheiros se esforçam em defender não é a empresa que está a serviço do País, mas sim aquela que durante anos serviu aos interesses do PT e de seus associados.

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U.V.

Manchetes do dia

Quinta-feira 05 / 02 / 2015

O Globo
"Rebelião de diretores antecipa saída de Graça"

Tentativa de Dilma de manter cúpula até análise de balanço fracassa

Novo presidente e diretores deverão ser escolhidos amanhã, na reunião do Conselho de Administração; governo tem 24 horas para encontrar substituto, que terá a missão de apontar o rombo causado pela corrupção

Numa decisão surpreendente e contrariando o Planalto, a presidente da Petrobras, Graça Foster, e cinco dos sete diretores da companhia anunciaram renúncia coletiva. Na véspera, após acerto com a presidente Dilma, Graça aceitar a permanecer no cargo até março, quando será divulgado o balanço de 2014 com o tamanho do rombo causado pela corrupção descoberta na Lava-Jato. Mas na mesma terça à noite, ao saber do acordo no Planalto, os diretores se rebelaram e decidiram sair imediatamente. Sem apoio, Graça ligou para Dilma e avisou que todos estavam deixando os cargos. Questionamento da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) sobre os rumores de queda da cúpula também pesou. A nova diretoria deve ser eleita amanhã, em reunião do Conselho de Administração.

Folha de S.Paulo
"Graça deixa a Petrobras; nome do substituto divide governo"

Diretores da estatal se recusam a aceitar prazo combinado com Dilma e saída é antecipada

Um dia após acertar a saída coletiva da diretoria da Petrobras com a presidente Dilma para o final deste mês, Graça Foster renunciou à presidência da estatal diante da recusa de diretores de aceitarem a prazo. Cinco dos sete executivos não concordaram com o cronograma. Graça telefonou para a presidente na mesma noite do acordo para dizer que não conseguia controlar os colegas e que a mudança teria de ser antecipada. Em comunicado, a estatal informou que o conselho de administração se reunirá na sexta (6) para eleger a nova diretoria. Com a decisão, cresce a pressão para que o Planalto encontre rapidamente o substituto de Graça. O objetivo de Dilma é definir ainda hoje o novo presidente. Integrantes do governo, no entanto, se dividem na escolha do substituto. O ministro Aloizio Mercadante (Casa Civil) defende Murilo Ferreira, da Vale. O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, apoia um nome do mercado financeiro, como Paulo Leme, da Goldman Sachs. Já Graça aprova um que faça parte do conselho, como Luciano Coutinho, do BNDES. 

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quarta-feira, fevereiro 04, 2015

Dominique

Opinião

O 'diálogo' com os black blocs

O ESTADO DE S.PAULO
O ex-senador Eduardo Suplicy estava com a corda toda na cerimônia em que assumiu a Secretaria de Direitos Humanos e Cidadania da Prefeitura de São Paulo. Bem a seu estilo, fez um discurso em que defendeu o diálogo com todos os "movimentos" que têm participado de protestos na cidade, inclusive com os notórios black blocs - arruaceiros cuja única reivindicação é ter a liberdade irrestrita de causar o maior dano possível ao patrimônio alheio.

Talvez seja o caso de não se levar a sério o que diz Suplicy - a menos, é claro, que se considere normal e sadio que uma autoridade municipal entre em negociação formal com quem deveria estar na cadeia.

No entanto, caso o agora secretário de Direitos Humanos resolva levar adiante sua esdrúxula promessa, será apenas mais um entre tantos atos irresponsáveis de uma Prefeitura que se apequenou diante de grupelhos radicais. Quem não se lembra do prefeito Fernando Haddad em cima de um carro de som, em março do ano passado, estimulando os baderneiros do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto a pressionar a Câmara Municipal a aprovar projetos de seu interesse? Diante disso, não surpreende que, em São Paulo, a truculência tenha se tornado o atalho preferido dos oportunistas para o encaminhamento de reivindicações ditas "sociais".

Ao "conclamar todos os movimentos" para "dialogar", Suplicy elencou diversos grupos, como os que defendem o passe livre, os homossexuais, os imigrantes e os negros, e entre eles incluiu os black blocs - como se fossem legítimos representantes de uma minoria.

Não foi a primeira vez que Suplicy considerou os black blocs dignos de serem ouvidos. Em 2013 ele leu, na tribuna do Senado, um manifesto daquele grupo. Dizendo que os black blocs eram, na verdade, "a sociedade civil, a juventude, os trabalhadores indignados por trás de um capuz negro", o texto, de um cinismo exemplar, informava que os vândalos "estão apenas se defendendo de uma polícia que carrega em seu cerne o autoritarismo assassino do regime militar". O manifesto exigia assim o "fim da Polícia Militar e de sua mentalidade fascista".

Não surpreende que a leitura de Suplicy tenha sido recebida com espanto e protestos por seus colegas no Senado. Mas o petista não se deu por vencido. Respondeu que os black blocs tinham de ser ouvidos, pois, embora eventualmente recorram à violência, apenas "buscam justiça" e têm "boas intenções".

O paulistano já conhece bem as "boas intenções" dos black blocs. Desde que foram apresentados a eles, nas manifestações de junho de 2013, os moradores de São Paulo sabem que, a qualquer momento, durante qualquer protesto do Movimento Passe Livre (MPL), esses mascarados estarão presentes para atacar estações do metrô, pontos de ônibus, agências bancárias e o que mais aparecer pela frente. Em sua tática, a esperada reação da Polícia Militar é sempre bem-vinda, pois assim os baderneiros podem posar de vítimas da repressão policial.

Neste ano, já foram seis os protestos promovidos pelo Movimento Passe Livre na cidade, e em todos eles os black blocs deram o ar da graça, sem que o MPL os censurasse nem tentasse deles se desvincular. Pelo contrário, a turma do passe livre tratou de criticar a Polícia Militar, que apenas fez seu trabalho ao prender alguns vândalos.
Mas o secretário não parece se importar com os transtornos que o MPL e seus parceiros truculentos estão sistematicamente causando à cidade. O que importa é "dialogar" - e Suplicy se disse animado até mesmo a participar de uma das manifestações do MPL, se isso ajudar a negociação.

Quando um secretário municipal se dispõe a esse tipo de atitude, que subverte totalmente o papel de um gestor da coisa pública, é sinal de que a crise que a cidade vive não é apenas administrativa, mas moral. Mas, como o secretário em questão é Eduardo Suplicy - aquele que, no Senado, já imitou Bob Dylan e vestiu cueca sobre as calças -, resta a esperança de que tudo não passe de uma grande blague.

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U.V.

Manchetes do dia

Quarta-feira 04 / 02 / 2015

O Globo
"Dilma decide tirar Graça e toda a diretoria da Petrobras"

Troca somente ocorrerá, porém, após a publicação de balanço auditado

Divulgação de perdas de R$ 88 bilhões da estatal, na semana passada, deixou a presidente irritada e foi a gota d’ água para a demissão; Levy e Tombini ajudam Planalto na procura de substituto para Graça

Sob pressão e irritada com a divulgação de perdas de R$ 88 bilhões no balanço não auditado da Petrobras, a presidente Dilma decidiu demitir Graça Foster da presidência da estatal e trocar toda a diretoria. Há quase um ano, desde que a operação Lava-Jato começou a revelar enorme esquema de corrupção na empresa com envolvimento de partidos aliados do governo, Dilma resistia a afastar a amiga, diretora da companhia de 2007 a 2012, quando assumiu o comando por escolha da presidente. Graça e toda a diretoria serão substituídas até março, quando deverá ser divulgado o balanço de 2014. Desde setembro, em meio a uma série de escândalos, a Petrobras perdeu R$ 205 bilhões em valor de mercado. O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e o presidente do BC, Alexandre Tombini, estão encarregados de procurar, no mercado, nomes para substituir Graça. 

Folha de S.Paulo
"Dilma decide que cúpula da Petrobras sai até o fim do mês"

Presidente acerta demissão de Graça Foster e de diretores; notícia faz ações da estatal dispararem

Após meses de resistência, a presidente Dilma Rousseff decidiu trocar o comando da Petrobras e acertou com a chefe da estatal, Graça Foster, a demissão de toda a diretoria. Dilma e Graça se reuniram nesta terça-feira (3) em Brasília, após a Folha revelar a decisão presidencial. No encontro, foi combinado que a saída deve acontecer até o fim deste mês. A substituição só não ocorreu ainda por falta de um sucessor imediato para a presidência. Alguns dos cotados resistem a assumir o cargo antes de urna solução para os problemas do balanço. 

Enquanto a presidente tenta encontrar novos nomes, Graça buscará concluir o cálculo do impacto dos desvios de recursos investigados na Operação Lava Jato. O Planalto procura um sucessor de fora da companhia que dê um choque de credibilidade à estatal. O ex-presidente Lula deve sugerir à Dilma o nome de Henrique Meirelles para a vaga. Outro que está no radar de auxiliares presidenciais é Murilo Ferreira, da Vale. Oficialmente, o Palácio do Planalto nega que a saída de Graça tenha sido definida durante o encontro

As ações preferenciais (sem direito a voto) da Petrobras subiram 15,5%, a maior alta desde setembro de 1998. A estatal teve a sua nota mais uma vez rebaixada, desta vez pela Fitch. 

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terça-feira, fevereiro 03, 2015

Dominique

Opinião

Derrota acachapante

O ESTADO DE S.PAULO
A presidente Dilma Rousseff levou uma derrota acachapante na eleição do presidente da Câmara dos Deputados. Mas há algo de positivo a comemorar na eleição do peemedebista Eduardo Cunha? Até onde a vista alcança é possível prever maior equilíbrio entre os Poderes Executivo e Legislativo, com a autonomia deste minimamente preservada. Isso é bom para a consolidação das instituições democráticas. Mas é preciso levar em conta que esse episódio não altera, ao contrário, ratifica, a natureza do presidencialismo de coalizão fisiológica consagrado pelo lulopetismo. A diferença é que essa coalização pode custar mais caro para o Executivo, prejuízo que também poderá ser maior para o País. Desse ponto de vista, portanto, nada a comemorar.

Por outro lado, ao meter os pés pelas mãos na tentativa truculenta de impor aos parlamentares da "base aliada" o seu candidato à presidência da Casa - o petista Arlindo Chinaglia -, Dilma deu mais uma demonstração de incompetência política, de sua incapacidade de enfrentar situações adversas com um mínimo de habilidade para, na pior das hipóteses, preservar a imagem e a liturgia do cargo que ocupa.

A incompetência da articulação política do governo foi tal que o PT acabou perdendo até o que não precisava perder. Ficou sem os três cargos na Mesa a que teria direito pelo acordo de lideranças, bem como o comando de comissões permanentes importantes, como a de Constituição e Justiça, porque ofereceu esses cargos a aliados numa tentativa desesperada, e afinal inútil, de dissuadi-los de apoiar o desafeto da presidente. E acabou tendo de amargar a traição de pelo menos meia centena de deputados com os quais contava.

Esse circo de horrores aconteceu porque Dilma Rousseff não aprendeu a mais elementar lição de seu astuto mestre: quando o perigo ronda, finja-se de morto. Que esperar dela, então, diante do desafio muito maior de reconduzir o País à trilha do crescimento, reajuste fiscal, controle eficaz da inflação, incremento qualificado do índice de emprego, recuperação da indústria, tudo isso convergindo para a consolidação e ampliação das conquistas sociais - tarefa eminentemente política impossível de ser cumprida sem uma liderança competente? Afinal, foi para isso que os brasileiros elegeram um presidente da República.

A chefe do governo se torna ainda mais vulnerável politicamente quando seus áulicos tentam argumentar que seu empenho em derrotar Eduardo Cunha deveu-se ao fato de se tratar de um parlamentar pelo qual Dilma Rousseff nutre enorme ojeriza, por considerá-lo fisiológico. Ora, como o Palácio do Planalto comprovou repetidas vezes - inclusive ao adiar para depois da eleição das Mesas do Senado e da Câmara a nomeação para os cargos de segundo e terceiro escalões da nova equipe de governo -, a prática do toma lá dá cá é generalizada na república petista. Qual então a autoridade moral dos petistas para acusar um desafeto de fazer exatamente aquilo que Lula ensinou que deve ser feito para garantir a "governabilidade" e que Dilma vem repetindo fielmente?

A partir de agora Dilma Rousseff terá de se haver com um presidente da Câmara dos Deputados que, se é suficientemente hábil para não ostentar hostilidade ao Palácio do Planalto - até porque pertence ao partido que continua sendo o maior aliado do governo, o PMDB do vice-presidente Michel Temer -, com toda certeza não deixará de marcar posição de independência em relação ao Executivo. Eduardo Cunha, já em seu rápido pronunciamento ao assumir o cargo para o qual foi eleito, garantiu que, cumpridas as preliminares legais, imediatamente colocará na pauta de votação da Câmara um projeto de lei em relação ao qual a Presidência da República já manifestou clara objeção: o do chamado orçamento impositivo, que impõe ao Executivo prazo para o pagamento de emendas parlamentares à peça orçamentária.

Há ainda muitas outras matérias relevantes de interesse do governo sobre as quais Eduardo Cunha poderá exercer seu poder de presidente da Câmara dos Deputados. E ele passa a ser a segunda pessoa na linha de sucessão da Presidência da República. Só resta esperar que disso tudo não saia perdendo o Brasil.

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U.V.

Manchetes do dia

Terça-feira 03 / 02 / 2015

O Globo
"Cunha já estreia com desafios ao governo"

Novo presidente levará a votação projetos que desagradam ao Planalto

Reforma política e emenda que institui o orçamento impositivo estão entre as prioridades do peemedebista; Dilma ligou para o adversário , depois do desgaste causado pela interferência na eleição da Casa

A tentativa do governo de pacificar a relação com o novo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), se mostrou complicada para a presidente Dilma já no dia seguinte à vitória do peemedebista. Cunha afirmou ontem que porá em pauta projetos que enfrentam resistência do Planalto e do PT, como o orçamento impositivo e um texto sobre reforma política que, entre outras medidas, inclui a possibilidade de doação de empresas privadas para campanhas eleitorais, que desagrada aos petistas. O requerimento para aprovar a reforma, parada por ação do PT na Comissão de Constituição e Justiça, será apresentado hoje por Cunha. O Planalto teme ainda que o novo presidente da Câmara leve a votação projetos que aumentam gastos do governo. Dilma ontem ligou para Cunha, tentando acenar com uma trégua.

Folha de S.Paulo
"Governo planeja adiar pagamento de abono salarial"

Se medida para conter gastos for aprovada, parte dos trabalhadores receberá benefício apenas no ano que vem

No pacote de mudanças nos direitos trabalhistas para aliviar os gastos públicos neste ano e tentar equilibrar as contas, o governo decidiu diluir o pagamento do abono salarial de PIS/Cofins em 12 meses, informa Leonardo Souza. Hoje, o benefício é concedido em quatro datas, no segundo semestre. Com a medida, que precisa de aprovação de conselho federal, os pagamentos a parte dos beneficiados seriam alongados até junho do ano seguinte — cerca de 21 milhões de pessoas recebem o abono. Se a proposta passar a vigorar neste ano, a economia do governo pode superar os RS 5 bilhões.

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segunda-feira, fevereiro 02, 2015

Dominique

Opinião

Refinarias de papel

O ESTADO DE S.PAULO
A dramática situação a que a Petrobrás chegou não é resultado apenas de sua espoliação por parte de uma quadrilha de corruptos. É consequência de anos de uma administração que desrespeitou critérios técnicos e tomou decisões controversas, de altíssimo custo, somente para atender a interesses políticos. Não há contabilidade que resista a tanta prevaricação, razão pela qual a companhia se viu agora na contingência de abandonar projetos que já custaram bilhões à empresa.

Conforme revelado no balanço não auditado da Petrobrás divulgado na madrugada de quarta-feira passada, a empresa, "diante dos resultados econômicos alcançados até o momento", desistiu de construir as refinarias Premium I, no Maranhão, e Premium II, no Ceará. A estatal diz ter levado em conta também as "taxas previstas de crescimento dos mercados interno e externo de derivados", isto é, a queda internacional dos preços dos combustíveis e a provável desaceleração da demanda interna em razão do ajuste econômico. Além disso, diz a Petrobrás, não apareceu nenhum parceiro disposto a entrar como sócio da companhia nas refinarias, condição tida como essencial pela atual administração, dado o estado lamentável de suas contas.

Trocando em miúdos, isso quer dizer que não há mais dinheiro para os projetos. Somente a Premium I estava orçada em R$ 41 bilhões e seria a maior obra do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Abandonar esses empreendimentos significa, simplesmente, jogar fora R$ 2,7 bilhões, que é o total investido desde 2010. Esse valor supera em R$ 700 milhões as perdas calculadas com a compra da Refinaria de Pasadena, no Texas, um dos símbolos da incúria administrativa na Petrobrás.

No caso da Premium I, cuja operação deveria começar em 2016, foram gastos R$ 2,1 bilhões - e a obra não passou da fase da terraplanagem. Também estava nesse estágio a Premium II, em que foram despendidos quase R$ 600 milhões e que deveria começar a operar em 2017 ou 2018.

Esse descalabro já era previsível quando ficou claro que as refinarias foram projetadas para funcionar como moeda de troca política entre o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o coronelato do Maranhão e do Ceará. Como resultado desse modo de proceder, característico das gestões lulopetistas, os projetos foram tocados aos trambolhões, sem o necessário cuidado - a pressa respeitou o calendário das inaugurações políticas, e não as limitações de engenharia.

No caso da refinaria do Maranhão, por exemplo, o Tribunal de Contas da União constatou irregularidades na terraplanagem e informou que "a gênese de todo o problema parece estar na decisão de iniciar-se uma obra desse porte sem um planejamento adequado, passível de toda sorte de modificações".

O critério técnico, portanto, sempre foi irrelevante. "Se dependesse da Petrobrás, ela não gostaria de fazer refinarias", disse Lula em entrevista ao jornal Valor em 2009, deixando claro, no seu linguajar voluntarista, que o investimento nas refinarias era uma imposição que não poderia ser contornada por restrições de projeto.

O mesmo padrão presidiu a construção da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, que deveria selar a sociedade entre Lula e o caudilho venezuelano Hugo Chávez - que nunca pagou sua parte no negócio. O custo desse mimo a Chávez saltou de US$ 2,5 bilhões para US$ 20 bilhões, graças à corrupção e aos erros do projeto. Poucas vezes a irresponsabilidade de um governo custou tão caro ao País.

Deve-se salientar que um dos grandes problemas do setor de combustíveis no País é a falta de refinarias, o que torna o Brasil dependente da importação de derivados do petróleo. A construção desses complexos industriais, portanto, é uma necessidade. No entanto, como as administrações lulopetistas são especialistas em transformar necessidade em oportunidade, o projeto agora abandonado de construção de refinarias serviu somente para que alguns ganhassem muito dinheiro e para que Lula brilhasse no palanque, de onde nunca sai.

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U.V.

Manchetes do dia

Segunda-feira 02 / 02 / 2015

O Globo
"Cunha derrota Planalto e se elege presidente na Câmara"

PT fica sem cadeira na nova Mesa Diretora
No Senado, Renan vence e vira ‘fiador’ do Executivo

Com 49 traições de última hora da base governista, o deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ) venceu ontem a eleição para a presidência da Câmara dos Deputados. O resultado —267 votos contra 136 do petista Arlindo Chinaglia (SP) — deixou clara a dimensão da derrota do governo, que nos últimos dias promoveu uma mobilização pesada para evitar a vitória de Cunha. Apesar de peemedebista, o deputado é visto como um inimigo da presidente Dilma no Congresso. No discurso de posse, reclamou da tentativa do Executivo de interferir no resultado da eleição. No Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), aliado fiel do governo, foi eleito para seu quarto mandato como presidente.  

Folha de S.Paulo
"Câmara elege Cunha e derrota Dilma"

Deputado do PMDB-RJ vence disputa pela presidência da Casa no primeiro turno; Renan (PMDB-AL ) comandará Senado

O governo da presidente Dilma Rousseff (PT) sofreu uma dura derrota na noite deste domingo (1º), quando os deputados escolheram Eduardo Cunha (PMDB-RJ) para comandar a Câmara pelos próximos dois anos. Apesar da intensa mobilização do Planalto contra o peemedebista, Cunha obteve 267 votos e superou com facilidade o candidato do PT, Arlindo Chinaglia (SP), que terminou com 136 votos. Júlio Delgado (PSB-MG), nome que tinha o aval do PSDB, chegou a 100 votos, enquanto Chico Alencar (PSOL-RJ) ficou com 8. Como presidente da Câmara, Cunha tem poderes para dar seguimento a CPIs incômodas para o governo e até a eventual processo de impeachment contra Dilma, por exemplo. Ele já declarou que apoiará investigações sobre o escândalo de corrupção da Petrobras. No Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), apoiado pelo governo, foi reeleito por margem menor que a esperada. Ele bateu Luiz Henrique da Silveira (PMDB-SC) por 49 a 31 e presidirá a Casa pela quarta vez.

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domingo, fevereiro 01, 2015

Dominique

Opinião

Deus das chuvas e dos apagões

Gabeira
Nos últimos dias, Deus entrou na minha vida algumas vezes. A primeira foi quando o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, disse que nossa situação hídrica dependia de Deus. E Deus é brasileiro. Na segunda foi ouvindo uma conferência do psicanalista Joel Birman. Ele falava precisamente do eclipse de Deus no mundo moderno: fomos lançados à nossa própria sorte, tendo que definir os caminhos sem lei divina que nos oriente. Citou até Dostoievski: se Deus não existe, tudo é permitido.

Birman nos conta que vivemos uma angústia básica uma vez que nosso sistema defensivo é incapaz de prever todas as variáveis que nos ameaçam. Logo, um certo nível de paranoia é normal e comum a todos os habitantes do mundo moderno.

Para quem vive no Rio, como eu, bota paranoia nisso. Quer dizer, o nível normal de paranoia é, naturalmente, um pouco acima da média. Doze pessoas foram atingidas por balas perdidas em dez dias. Duas crianças morreram. A bala perdida é indefensável. Aliás, não gosto do adjetivo perdida. É uma bala que encontrou um alvo errado. É uma vida perdida, e quando ouço em casa os tiroteios no morro, não penso nelas, nas balas perdidas, mas nas vidas que podem encontrar pelo trágico caminho que suas trajetórias descrevem.

No caso da água e energia, vivemos também na incerteza: elas vão acabar, teremos racionamento, apagão? No momento em que escrevo quem apagou para nós foi Dilma. Ainda não deu as caras para dizer qual o estado de nossos reservatórios e usinas, que projeto tem para o duro período que se abre.

Uma terceira dose de paranoia vem da crise econômica. Há uma revoada de passaralhos, chegando como aves de arribação. Vejo empregos se derretendo aqui e ali e uma crescente preocupação com a perda do trabalho. É necessário colocar Deus entre parênteses para enfrentar o imenso desafio que temos pela frente, com nossa capacidade de avaliar e escolher.

Às vezes olho a crise de água que se abate sobre 45 milhões de brasileiros como um pesadelo. Sentia-me assim lendo sobre a Guerra das Malvinas, aquela gente fazendo guerra num mar escuro e revolto. Gostaria de acordar e constatar que aquilo só existe na minha imaginação. Muita gente na rua pensa que o governo não tem culpa nesse processo. Que era impossível fazer novos reservatórios; como realizar isso num período de chuvas?

Os rios brasileiros e o próprio mar são um saco de pancadas. Muitos estão em decadência, alguns agonizam. Chegamos a construir instrumentos para atenuar a devastação: comitês de bacia e cobrança pelo uso da água, reinvestindo quase 100% dos recursos na própria conservação do rio.

Existe um edifício legal, mas quase desabitado. Perdemos muita água no processo de distribuição. Jamais nos aventuramos, talvez por questões culturais, a reaproveitar o esgoto, transformá-lo em água pura. Fizemos uma série de audiências sobre a dessalinização, mostrando as diversas técnicas que existem e poderiam ser disseminadas pelo litoral brasileiro.

Nada disso foi usado adequadamente para conter a crise. Além do mais, ela chegou mais cedo do que minhas previsões pessimistas. Ao percorrer o rio Piracicaba, disse num documentário que grande parte dos especialistas considerava que a água teria no século XXI todo o potencial de conflitos que o petróleo trouxe ao século passado. Ironicamente, parto agora para Apodi, onde andei trabalhando sobre a morte dos jumentos no Nordeste. A pequena cidade do Rio Grande do Norte é rica em água, encontrada facilmente no subsolo. Depois de quatro anos de seca, nunca faltou água na cidade que exporta, para dez outras, em carros-pipas, e como água mineral vende para outros estados do Nordeste.

Num momento como este, Apodi não sonha com petrodólares, mas aquadólares. No meio do caminho, faço minhas contas. Uma simples garrafa de água mineral custa R$ 4 reais no aeroporto. Em alguns lugares do interior ainda a compro por R$ 2. Pelos meus cálculos, portanto, mesmo o mais barato litro de água mineral custa mais caro que o de petróleo.

É inevitável que a economia se ocupe da água como recurso decisivo. Na Califórnia, inúmeros mecanismos financeiros cuidam de lembrar ao consumidor de como se comportar num universo de escassez de água. Israel não só conseguiu sobreviver na escassez como fez dela uma riqueza, através da exportação de tecnologia.

No romance de Amós Oz “Judas”, o personagem principal é um jovem marxista romântico que usa aqueles casacos de inverno com uma cordinha e botões de madeira. A namorada o deixou por um engenheiro hídrico. O livro se limita a registrar apenas que a mulher trocou o herói por um engenheiro hídrico. Mas deve ser uma profissão de prestígio no país.

Até o momento, no Brasil, contamos apenas com Deus, que ainda pode terceirizar a responsabilidade para São Pedro. No sertão bravo, um personagem de Guimarães Rosa diz: “Deus, mesmo, se vier, que venha armado”. No Sudeste brasileiro, Deus, mesmo, se vier, que venha com uma garrafinha de água mineral.

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U.V.

Manchetes do dia

Domingo 01/ 02 / 2015

O Globo
"Descontrole e atrasos ameaçam moradia popular"

CGU diz que, de 1,3 milhão de unidades contratadas, 83% ainda estão no papel

Com insolvência de banco encarregado de gerenciar obras em 13 estados, União perdeu R$ 11,8 milhões

Principal programa habitacional do governo, o Minha Casa Minha Vida esbarra em atrasos, obras de má qualidade e graves problemas gerenciais e patrimoniais em cinco mil municípios com menos de 50 mil habitantes, segundo auditoria da Controladoria Geral da União (CGU). De 1,3 milhão de unidades contratadas de 2012 até abril de 2014, 83% nem haviam começado até dezembro passado, revela José Casado. Um dos agentes financeiros que deveria gerenciar obras, o Banco Morada quebrou, e R$ 11,8 milhões da União sumiram. No Rio, apenas 23 de 66 casas previstas em Silva Jardim foram iniciadas, mas estão abandonadas no meio do mato. 

Folha de S.Paulo
"Doleiro tem mais do que declarou, afirma ex-sócio"

Segundo ex-parceiro, Youssef escondeu patrimônio no acordo de delação

O empresário Leonardo Meirelles, ex-sócio de Alberto Youssef, afirma que no acordo de delação premiada que foi feito com procuradores, o doleiro deixou de declarar patrimônios e sociedade com empreiteiras. Se isso for comprovado, o acordo pode ser anulado. Em entrevista a Mário César Carvalho, Meirelles sustenta que Youssef possui na verdade de R$ 150 milhões a R$ 200 milhões, e não cerca de R$ 50 milhões.

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