sábado, janeiro 24, 2015

Dominique

Opinião

Amilcar de Castro e a magia

Ferreira Gullar
A exposição de Amilcar de Castro no MAM do Rio é um acontecimento cultural que merece destaque, pois se trata de um dos mais significativos nomes da arte brasileira construtiva. Amilcar, que estudou em Belo Horizonte com Franz Weissmann, no início da década de 1950, adotou, no começo, a opção concretista, cujo representante internacional era Max Bill. Esse escultor suíço foi de fato o inspirador da nova tendência adotada por Amilcar, uma vez que ele, a partir dela, inventou sua própria linguagem, reconhecida como uma contribuição original àquela tendência estética.

Isso se deve à interpretação que Amilcar de Castro imprimiu à nova linguagem escultórica, marcada pela eliminação da massa que caracterizava a escultura desde sua origem. Mesmo depois de abandonar a linguagem figurativa, a escultura manteve a massa como sua matéria essencial, conforme os exemplos de Constantin Brancusi e Hans Arp.

A exceção é Alexander Calder, com seus móbiles, que têm origem na pintura de Mondrian.

Max Bill, autor da "Unidade Tripartida", que ganhou o grande prêmio da 1ª Bienal de São Paulo, em 1951, buscou na matemática o elemento inspirador de suas esculturas que estão, por isso mesmo, distantes de qualquer alusão ao mundo real figurativo.

Não foi esse o caminho seguido por Amilcar. Ao contrário de Bill, ele parte da realidade material da placa metálica e de sua bidimensionalidade. Mas a escultura implica volume, portanto, tridimensionalidade. Para criá-la, sem retornar à massa, ao volume, corta a placa bidimensional e a dobra criando assim um volume virtual, que é apenas espaço. Esse procedimento o situa no polo oposto ao de Bill, pois está voltado para a materialidade da placa e, se lhe altera a bidimensionalidade, é por cortá-la e dobrá-la, num ato direto, material.

Essa relação de Amilcar de Castro com a placa metálica é, ao mesmo tempo, estética e ética, da qual está ausente qualquer fantasia, qualquer truque supostamente artístico. E é admirável que ele se tenha mantido neste rigor e nesta exigência durante toda a sua vida de escultor. Algumas outras experiências formais que realizou no campo da escultura, se fogem a essa problemática, não escapam ao mesmo rigor e economia expressiva que caracterizam sua criação.

Na referida exposição do MAM carioca, além das esculturas, há uma série de desenhos de grande formato, que Amilcar, a partir de certo momento de sua carreira, passou a realizar.

Lembro-me perfeitamente, já nos anos 1970, dele executando esses desenhos, não no tamanho gigante destes agora expostos, que realizaria mais tarde.

Embora esses desenhos não sejam considerados obras do mesmo nível que as suas esculturas, gostaria de me deter neles, para tentar compreender o que significam no conjunto da experiência expressiva do escultor. Levando-se em conta a coerência que sempre caracterizou a atitude de Amilcar em face da criação estética, seria difícil admitir que esses desenhos nada tenham a ver com suas demais obras.

Para realizá-los, Amilcar usava uma trincha larga, com que traçava, num gesto decisivo, uma linha vertical ou horizontal. Em seguida, substituía a folha de papel –sempre em posição horizontal e ele de pé– e repetia sobre ela, com o mesmo ímpeto, traços imprevisíveis. Isso se repetia duas, três, quatro ou mais vezes, como se estivesse em transe. Depois, escolhia os desenhos que lhe pareciam melhores.

Como não podia prever o que resultaria de tais gestos impulsivos, apostava mais no acaso gestual do que na forma elaborada. Isso me lembra da escrita automática dos surrealistas, que escreviam qualquer palavra no papel e, a partir dela, inventavam o poema, para, assim, fugirem ao controle da razão.

Descubro agora que Amilcar usava aquele mesmo procedimento para realizar as esculturas: o corte na placa equivalia ao gesto sobre o papel, pois o que daí resultava era igualmente imprevisível. Se tais observações são corretas, temos de admitir que a racionalidade de suas esculturas é apenas aparente. Ele aspirava à magia.

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U.V.

Manchetes do dia

Sábado, 24 / 01 / 2015

O Globo
"Crise hídrica- Governo pede a brasileiros economia de água e luz"

No Rio, que já usa volume morto, Pezão também apela contra desperdício

Secretário estadual do Ambiente diz que estiagem pode afetar funcionamento de indústrias, principalmente as que estão na ponta do sistema Guandu; Firjan afirma que 30% das fábricas já têm problemas no abastecimento. Em meio a uma seca histórica no sudeste, e a problemas de fornecimento de energia em todo o país, o governo federal fez ontem apelo para que os brasileiros economizem água e luz. Após reunião de seis ministros no Planalto, para discutir o problema, a ministra do Meio ambiente , Izabella Teixeira, admitiu que a situação é sensível e preocupante.

Folha de S.Paulo
"Geração de empregos em 2014 foi a pior dos anos PT"

Governo também registrou o maior déficit nas contas externas desde 2001

No ano passado, sob influência da desaceleração da economia, o saldo de
contratações com carteira assinada no Brasil foi de 396,9 mil vagas,um terço do que foi registrado em 2013. É o pior número desde 2002,último ano antes de o PT assumir o governo federal. O Brasil também encerrou 2014 com o maior rombo nas contas externas desde 2001.As despesas superaram as receitas em moeda estrangeira em US$ 90,9 bilhões, o equivalente a 4,17%do PIB.

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sexta-feira, janeiro 23, 2015

Coluna do Celsinho


Manolo, Celso Teixeira, Celsinho, Ricardo Gonzales e Flavius Neves 

Revoada

Celso de Almeida Jr.

Tachão, do Itaguá.

Pertinho do Aeroporto Estadual Gastão Madeira.

Local excelente para a nossa reunião.

Eu, representei o Núcleo Infantojuvenil de Aviação - NINJA.

O Celso Teixeira Leite, jornalista e ex-prefeito de Ubatuba, participou como Secretário Executivo do Instituto Salerno-Chieus.

O aviador Manuel Graña "Manolo", amigo querido, fez a apresentação de dois comandantes: Flavius Neves e Ricardo Gonzalez.

Flavius é o criador do belíssimo Condomínio Aeronáutico Costa Esmeralda, em Santa Catarina.

Ele e Ricardo foram os organizadores do 1º Raid Aéreo do Sul, em 2014, quando - em seis dias - dezenas de aviões pousaram em diversos aeródromos de Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná. 

Animados, explicaram que não se trata de uma competição aérea, mas uma bela confraternização entre pilotos e amantes da aviação.

A reunião, idealizada e articulada pelo Manolo, teve o seguinte objetivo:

Viabilizar Ubatuba como a primeira etapa do 2º Raid Aéreo Costa Esmeralda, com estimativa de mais de trinta aeronaves visitando a cidade no início de março.

Depois, avançarão até a região nordeste do país e gostariam, ao retornar, de pousar novamente em Ubatuba.

Prezado leitor, querida leitora...

Adivinhem o que respondemos?

Contem com a gente, claro!!!!!

Combinamos que relacionaremos as tarefas, buscaremos apoio local e faremos as interações com a Administração do Aeroporto, a Prefeitura, a Comtur e demais instituições que possam colaborar.

Criaremos, também, a condição segura e organizada para que crianças e jovens ubatubenses tenham a oportunidade de prestigiar o evento, saboreando com entusiasmo a cultura aeronáutica. 

Além disso, o Raid Aéreo será uma grande oportunidade para o Aeroclube de Ubatuba - em fase de implantação - atrair novos associados.

Nosso próximo Café Voador (2 de fevereiro, 19h) - encontro mensal que realizamos com entusiastas da aviação na Sala Gastão Madeira (Colégio Dominique) - já traz na pauta o detalhamento do evento.

Precisamos mobilizar um grande número de voluntários e apoiadores.

Quem sabe, caprichando na recepção, o encontro passe a integrar o calendário anual de eventos da cidade?

Vamos acreditar!!!

Venha participar com a gente!!!!

Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com

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Dominique

Opinião

Enterrar os #malditosfios

Leão Serva
Chegaram as chuvas de verão que tão desesperadamente desejamos nos últimos meses. E vieram com força descomunal, como já se tornou normal com as mudanças climáticas. E o que aconteceu? Árvores caíram, derrubaram fios, bairros ficaram sem luz.

Foi exatamente em um verão desse tipo que passei a publicar nas redes sociais fotos apontando a excrecência da manutenção, em pleno século 21, numa metrópole rica como São Paulo, de #malditosfios que maltratam a vegetação.

Árvores são fundamentais para a qualidade de vida: elas melhoram a composição do ar e o aspecto visual da cidade e produzem sombra nos dias quentes. A diferença de temperatura entre bairros mais arborizados e áreas com pouco verde chega a ser de 7°C no verão.

Mas para a Eletropaulo, distribuidora de energia, para as empresas de telefonia, como a Vivo, e para as de TV a cabo, como a Net e a TVA, as árvores são um estorvo. Seus galhos atrapalham a fiação.

Por isso, são feitas regularmente podas que criam monstrengos vegetais: árvores descaracterizadas, com a copa em V, para os fios passarem no meio; ou desequilibradas, quando os cabos passam todos por um lado só. No médio prazo, esses cortes matam as árvores.

O ideal para a distribuição de energia por fios aéreos é uma cidade sem árvores ou com plantas pequenas e baixas, dessas que cabem em vasos nos apartamentos.

Não é uma questão apenas estética ou ambiental. Estudo feito nos EUA pela associação de empresas de energia elétrica aponta que fios aéreos têm 13 vezes mais rompimentos que os enterrados. Com mais quedas no abastecimento, custam mais em manutenção.

Antes de tomar posse, o prefeito Fernando Haddad (PT) disse que era favorável a acelerar o enterramento dos fios. Em outubro de 2013, a Eletropaulo apresentou um plano. Mas, desde então, a prefeitura não fez nada sobre o assunto.

A cada ano, durante o verão, fica mais fácil entender por que é necessário enterrar os #malditosfios. Quando chega a estiagem, todos esquecem. E, assim, perdemos mais um ano. Nos últimos dias foram 250 mil pessoas sem luz, moradores "sequestraram" um caminhão da Eletropaulo para ter o abastecimento.

Quem sabe agora o prefeito ponha o processo a andar: nomear a comissão competente; estudar preços; formular um cronograma; submeter as donas dos fios a regras que atendam ao interesse público; harmonizar a legislação local à federal etc. São competências municipais.

A solução pode ser demorada. Mas quanto antes começar, mais cedo acabará.

DA BATATA PRA CIDADE

Moradores de Pinheiros, na zona oeste, deram um presente de aniversário antecipado para a cidade ao enfrentar a proibição da prefeitura e plantar 32 mudas de árvores no largo da Batata.

A praça foi devastada pela obra de reurbanização. Depois de muitos anos fechada, ao ser inaugurada revelou-se um deserto de cimento.

É excelente ver a população manifestando impaciência, além de bom gosto na escolha das espécies plantadas: aroeira, jacarandá, pau-ferro, ipê-roxo e jequitibá-rosa.

A comunidade já havia melhorado a mesma praça em 2013, quando exigiu que um bicicletário fosse inaugurado junto com a estação Faria Lima do Metrô. Pinheiros, um dos bairros mais antigos da cidade, dá assim sinal de que tem uma comunidade dinâmica, melhor do que as autoridades da região.

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U.V.

Manchetes do dia

Sexta-feira, 23 / 01 / 2015

O Globo
"Rio já usa água de volume morto"

Apesar de estiagem, Cedae descarta adotar racionamento no estado

Reserva técnica de Paraibuna, maior reservatório do Paraíba, dá só até julho

Pela primeira vez na História, o Rio passou a usar o volume morto do reservatório de Paraibuna, o maior do Paraíba do Sul, que abastece quase 12 milhões de pessoas no estado, incluindo capital e Baixada. Segundo especialistas, a reserva técnica só garante o fornecimento até julho. A Cedae, porém, negou que vá adotar racionamento. Com o volume d’água abaixo da captação, as turbinas da hidrelétrica de Paraibuna pararam de funcionar. Para meteorologistas, as chuvas previstas para os próximos dias não devem normalizar a situação. Em SP, a falta de luz em duas elevatórias da Sabesp deixou cerca de 1,2 milhão de pessoas sem água.

Folha de S.Paulo
"País cogita racionar energia; SP estuda subir tarifa de água"

Ministro de Minas e Energia afirma que haverá rodízio se nível de reservatórios chegar a 10%

O agravamento da situação dos reservatórios levou o governo federal a falar pela primeira vez em racionar energia. Pela mesma razão, São Paulo estuda novo aumento da tarifa de água, para desestimular o consumo. O ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, declarou que o rodízio ocorreria caso o nível “prudencial” dos reservatórios caia abaixo da marca de 10%. Na região Sudeste, atualmente esse índice é de 17,43%. No início da semana, Braga havia dito que o país tem oferta suficiente de energia e que “Deus é brasileiro” e ajudará a intensificar as chuvas. O governo federal também promoverá ações para reduzir o consumo. Em SP, o governo discute novo aumento na tarifa de água em abril, quatro meses após o último reajuste. Outra hipótese estudada é o endurecimento da cobrança de sobretaxa para quem gasta água em demasia. A Agência Nacional de Águas determinou restrição ao uso de reservatórios no interior do Estado. Falha no fornecimento de energia em estações da Sabesp deixou 1,2 milhão de pessoas sem água.

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quinta-feira, janeiro 22, 2015

Dominique

Opinião

Dilma sob fogo amigo

O ESTADO DE S.PAULO
Reportagem do Estado revela que, em defesa apresentada ao Tribunal de Contas da União (TCU) sobre sua participação no episódio da compra da Refinaria de Pasadena, no Texas, o ex-presidente da Petrobrás José Sérgio Gabrielli procura se eximir, e à Diretoria Executiva que comandava, de qualquer responsabilidade pelos azares da transação e argumenta que o Conselho de Administração da estatal, então presidido pela ministra-chefe da Casa Civil Dilma Rousseff, que autorizou a aquisição em 2006, deve ser responsabilizado pelos prejuízos decorrentes do contrato.

Gabrielli sugere ainda que todos os integrantes do Conselho em 2006 sejam ouvidos no processo e, a exemplo do que já ocorre com os membros da Diretoria Executiva, tenham seus patrimônios congelados. Trocando em miúdos, o ex-presidente da Petrobrás entende que Dilma Rousseff, na posição que então ocupava, foi a principal responsável pela compra sobrefaturada e pelo prejuízo de quase R$ 1 bilhão sofrido pela estatal apenas nessa ocasião.

Esse novo episódio do escândalo da Petrobrás é apenas mais um da intensa troca de fogo amigo dentro do lulopetismo, desde que se tornou inevitável que, a exemplo do que ocorreu com o mensalão, as investigações sobre a corrupção na maior estatal brasileira levem à barra dos tribunais, e certamente às grades, novo e seleto time de figurões do partido de Lula. Começou, portanto, a fase do salve-se quem puder.

O envolvimento da presidente da República no rumoroso escândalo da Petrobrás é mais do que provável. Não significa que Dilma Rousseff tenha entrado na partilha que beneficiou os sócios do enorme esquema de corrupção que a Operação Lava Jato do Ministério Público Federal (MPF), com apoio da Polícia Federal (PF), vem desvendando desde março do ano passado. A chefe do governo, infelizmente mais por palavras do que por atos, tem demonstrado repulsa pela ação de delinquentes travestidos de homens públicos que se dedicam à rapinagem do erário. Jamais seguiu o exemplo de seu antecessor e criador no tratamento complacente de notórios larápios, inclusive alguns investigados e presos pela Lava Jato.

Mas o fato é que a participação de Dilma na gestão da Petrobrás, pelo menos desde sua investidura no Ministério de Minas e Energia, nos primeiros dois anos e meio da era Lula, e depois na chefia da Casa Civil e na concomitante presidência do Conselho de Administração da estatal, até assumir seu primeiro mandato presidencial - toda essa experiência junto ao comando da petroleira, principalmente para uma "gerentona" considerada centralizadora, exigente e detalhista -, torna evidente duas coisas. A primeira é que é inconcebível que Dilma Rousseff não tivesse alguma noção do amplo, geral e irrestrito esquema de corrupção que atuava com desassombrado desembaraço nas entranhas da empresa tomada de assalto pelo PT e aliados. A segunda é que Dilma Rousseff, à luz fria da lei, é responsável pelos atos praticados sob sua gestão e supervisão.

É por isso que Dilma está envolvida no escândalo. Para fugir dessa evidência só lhe restaria o recurso - que a lei não acataria, por ser ela responsável por seus atos - de admitir publicamente que, como ministra, presidente do Conselho de Administração e presidente da República, jamais teve contato com a administração da maior estatal brasileira.

Não é apenas a chefe do governo que gostaria de ser acometida de miopia seletiva. Uma comissão interna de apuração da Petrobrás que se dedicou a investigar o episódio da suspeitíssima compra da Refinaria de Pasadena apresentou relatório, em março do ano passado (na mesma época em que a Lava Jato iniciava suas investigações), divulgado agora pela revista Veja, no qual apresenta uma lista de ações que resultaram em prejuízo para a empresa, mas limita-se a apontar "falhas" de gestão, sem jamais se referir a "irregularidades". São mencionados no relatório os diretores hoje presos no curso das investigações da Lava Jato, como Paulo Roberto Costa e Nestor Cerveró, mas em momento algum os auditores internos levantam qualquer suspeita sobre a motivação das "falhas". É munição para o fogo amigo.

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U.V.

Manchetes do dia

Quinta-feira, 22 / 01 / 2015

O Globo
"Ministro diz que não falta, mas Brasil importa energia"

Transferência ocorreu após apagão que afetou 11 estados e o DF

Governo também vai recorrer ao Paraguai para obter cota extra de eletricidade de Itaipu

No mesmo dia em que o ministro Eduardo Braga (Minas e Energia) afirmou que não há falta de energia no país, o Brasil importou 165 megawatts (MW) da Argentina, informam Ramona Ordoñez, Bruno Rosa e Danilo Fariello. A transferência ocorreu anteontem, no dia seguinte ao apagão que afetou 11 estados e o Distrito Federal. O governo também vai usar 300MW extras da cota do Paraguai na usina de Itaipu. Das 18 principais hidrelétricas do Brasil, 17 já estão com o nível de seus reservatórios abaixo do que estavam em 2001, quando o Brasil precisou fazer racionamento.

Folha de S.Paulo
"BC sobe juros para 12,25%, terceira alta desde a eleição"

Taxa Selic aumenta 0,5 ponto e atinge o maior patamar desde julho de 2011

Em sua primeira reunião deste ano, o Banco Central manteve, em decisão unânime entre os diretores, o ritmo de aperto monetário e aumentou a taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic, em 0,50 ponto percentual, de 11,75% para 12,25% ao ano. Foi a terceira alta consecutiva desde a reeleição da presidente Dilma, que criticou durante a campanha eleitoral o choque de juros e o corte de gastos como diretrizes econômicas. É o maior patamar da Selic desde julho de 2011, quando estava em 12,50% ao ano. O tamanho do aperto já era esperado pela maior parte dos analistas do mercado financeiro. O Banco Central não deu sinais em relação aos próximos passos e informou que a decisão foi tomada após avaliar o cenário macroeconômico e as perspectivas para a inflação. O aumento de impostos anunciado pelo governo e o reajuste na conta de luz vão pressionar ainda mais a inflação neste início de ano. A Selic é uma taxa referencial para o custo do crédito e remuneração de investimentos. O juro cobrado do consumidor é bem maior. 

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quarta-feira, janeiro 21, 2015

Dominique

Opinião

Um remédio perigoso

O ESTADO DE S.PAULO
Com o aumento de impostos começou a parte mais dolorosa do ajuste fiscal. O ideal seria cortar o gasto, mas essa hipótese está descartada. Seria muito difícil, ou mesmo impossível, segundo alguns analistas, arrumar as contas públicas, nesta altura, somente com a redução do dispêndio. O governo pode ter tido bons motivos e razões técnicas ponderáveis para sua decisão, mas uma ressalva é necessária. O aumento efetivo será maior do que pode parecer inicialmente. O assalariado, mais uma vez, terá de suportar uma elevação disfarçada do Imposto de Renda.

A mudança da tabela será insuficiente para compensar a inflação e os ajustes de salários. Muitos trabalhadores terão de pagar mais simplesmente porque conseguiram, em suas negociações, uma compensação para a alta de preços. A presidente Dilma Rousseff decidiu vetar a atualização de 6,5%. A correção defendida pelas autoridades, de 4,5%, será bem inferior à necessária - quase um confisco. Mas isso faz parte, há muito tempo, da política fiscal.

É mais fácil de defender os demais aumentos anunciados pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, mas com algumas condições. Além de buscar maior arrecadação, o governo deve fazer um esforço real e perceptível para conter e racionalizar gastos. Além disso, a elevação de tributos tem de ser provisória. No Brasil, os governos tendem a se acomodar e a tornar permanentes medidas justificáveis apenas como soluções de emergência. O exemplo mais notório é o da malfadada CPMF.

O aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) cobrado sobre empréstimos a pessoas físicas poderá reforçar a arrecadação, mas, ao mesmo tempo, funcionará como desestímulo à procura de crédito. A medida servirá para conter a demanda de consumo, reforçando a política de juros do Banco Central (BC), e para aumentar a arrecadação do Tesouro, porque, apesar do custo maior, parte dos consumidores continuará buscando financiamento.

A elevação da Cide sobre combustíveis deverá pressionar a inflação e, ao mesmo tempo, estimular maior parcimônia nos gastos com transporte pessoal. O aumento do diesel afetará também os custos de produção e de transporte de mercadorias e atingirá, portanto, a oferta de bens e serviços. É uma saída ruim, num país dependente do transporte rodoviário.

Num país com produtividade estagnada e baixo poder de competição, todo aumento de custos é especialmente prejudicial à economia - bem mais do que seria num cenário de muita eficiência produtiva e elevado poder de competição. Além disso, o problema da tributação mal aplicada é agravado, no Brasil, pelo peso do imposto estadual incidente sobre a circulação de combustíveis e de energia elétrica.

O aumento da tributação sobre cosméticos pode parecer pouco danoso, por afetar os preços de uma classe de produtos considerados supérfluos. Talvez se possa consolar o consumidor com esse argumento meio moralista, mas bens e serviços classificados como supérfluos também resultam de atividades produtivas e geradoras de emprego tanto nas fábricas quanto nos serviços de logística e de comercialização. Para o funcionário de uma fábrica de cosméticos, seu emprego e seu salário estão longe de ser dispensáveis ou menos importantes que quaisquer outros. De toda forma, pelo menos para o consumidor, essa elevação de imposto pode ser menos danosa do que outras.

A elevação de tributos sobre importados pode até ser aplaudida por uma parte do público, mas também produz importantes efeitos negativos. Torna mais fácil a majoração de preços e, se mantida por muito tempo, contribui para a acomodação dos setores mais protegidos. Tanto empresários quanto assalariados tendem a apoiar medidas protecionistas e a trabalhar por sua manutenção, pressionando o governo e os políticos capazes de influenciar a formulação da política econômica.

Promover o aumento da eficiência produtiva e favorecer os ganhos de competitividade foram objetivos anunciados pelo ministro Joaquim Levy logo depois de oficializada sua escolha pela presidente Dilma Rousseff. Será difícil de atingir essas metas com o atual sistema tributário. Sua reforma, adiada há muito tempo, é cada vez mais necessária. O quadro ficará bem mais complicado se as novas medidas forem mantidas por inércia ou por pressão e certos setores se incorporarem a um esquema já muito ruim.

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U.V.

Manchetes do dia

Quarta-feira, 21 / 01 / 2015

O Globo
"Atraso em obras contra apagões chega a 4 anos"

Governo agora vai remanejar energia para regiões Sudeste e Centro-Oeste

Usinas termelétricas da Petrobras também serão acionadas para reforçar o sistema. Ministro admite que houve falhas, negadas pelo ONS, que provocaram suspensão do fornecimento para ao menos 11 estados

As obras para aumentar a oferta de energia no país e evitar apagões como o de anteontem, que atingiu pelo menos 11 estados e o Distrito Federal, têm atrasos de até quatro anos por causa de planejamento falho, entraves jurídicos, ambientais ou de engenharia. Em outubro, 35% das obras já autorizadas pela Aneel ainda não tinham começado ou estavam paralisadas. Com esse cenário , e apesar de dizer que o apagão não foi provocado por falta de oferta, o governo anunciou remanejamento da energia existente para tornar mais seguro o fornecimento ao Sudeste e ao Centro-Oeste. Outra medida será recorrer a termelétricas da Petrobras. O ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, admitiu que falhas levaram ao apagão, o que o ONS negara.

Folha de S.Paulo
"Ministro diz que ‘Deus é brasileiro’ e não faltará energia"

Braga anuncia reforço de térmicas para o Sudeste; apagão ocorreu minutos após pico de consumo recorde

Apesar de negar que haja falta de energia no país, o ministro Eduardo Braga (Minas e Energia) disse que a Petrobras vai religar, até 18 de fevereiro, algumas de suas usinas térmicas para complementar a geração no Sudeste. As instalações estavam paradas para manutenção preventiva e voltarão antecipadamente ao sistema. Também serão tomadas medidas para elevar a transferência de Itaipu. Ao todo, serão 1.500 MW a mais à disposição do Sudeste. O ministro afirmou que é preciso contar com Deus para que os níveis dos reservatórios sejam recuperados. “Deus é brasileiro. Temos que contar que ele vai trazer um pouco de umidade e chuva.” Cerca de 30 minutos antes do apagão de segunda (19), o consumo de energia nas regiões Sudeste e Centro-Oeste atingiu o pico de 51.596 MW, novo recorde, segundo o ONS (órgão responsável pelo sistema elétrico). O diretor-geral do órgão afirmou que não houve blecaute, e sim “corte preventivo” no sistema. 

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terça-feira, janeiro 20, 2015

Dominique

Opinião

Diplomacia por impulso

O ESTADO DE S.PAULO
A presidente Dilma Rousseff tem dificuldades em distinguir os planos em que se travam os relacionamentos entre os Estados e acaba com isso causando diversos problemas. Uma coisa é que, como presidente da República, solicite clemência para um brasileiro condenado à pena de morte noutro país. É um gesto humanitário, que - sem desrespeitar a soberania do outro país - manifesta solidariedade com um brasileiro, sem que isso signifique qualquer aprovação aos atos criminosos desse brasileiro. Outra coisa, bem diferente, é o que fez a presidente Dilma Rousseff no caso envolvendo a Indonésia, que no sábado passado executou Marco Archer Cardoso Moreira, brasileiro condenado à morte por tráfico internacional de drogas.

Diante da negação do seu pedido de clemência, a presidente Dilma Rousseff disse que a execução do brasileiro "afeta gravemente" as relações entre os países e chamou o embaixador brasileiro em Jacarta para consultas. Mais uma vez, é o voluntarismo dilmista gerando problemas internacionais.

Em primeiro lugar, a Indonésia é um país soberano, e toda atuação diplomática do Brasil deve partir desse pressuposto. Chamar o embaixador para consultas como reação ao cumprimento de leis internas daquele país - que em nada afetou os interesses do Brasil - é fazer pouco-caso da soberania da Indonésia. Com esse ato, a presidente Dilma tangenciou, perigosa e desgovernadamente, os limites da diplomacia.

A reação de Dilma Rousseff no caso se assemelha à de uma pessoa que reage precipitadamente, sem medir consequências. É verdade que no Brasil não há pena de morte, e assim o garante a Constituição brasileira. Outra coisa é que a Indonésia, um país soberano, decida punir com a pena de morte o traficante internacional de drogas.

Dilma não pode se opor a isso a não ser no plano filosófico e humanitário. Não poderia ter criado um incidente diplomático que não atende aos interesses do Brasil.

Concorde-se ou não, é legítimo que a Indonésia tenha como política penal punir com a morte o tráfico de drogas, que é naquele país um gravíssimo problema. Simplesmente, não cabe ao Brasil discordar dessa política interna indonésia. Simplesmente, não cabe ao Brasil afirmar que as relações bilaterais ficaram estremecidas em razão de a Indonésia ter cumprido as suas leis internas.

Com os seus irrefletidos atos, a presidente Dilma também ignora os fatos envolvidos no caso. Marco Archer Cardoso Moreira foi preso por tráfico internacional de drogas, transportando 13 quilos de cocaína em 2003. Ou seja, era um traficante de drogas. A reação desproporcionada de Dilma minimiza a gravidade desse crime, transmitindo ao País e ao mundo inteiro uma mensagem absolutamente equivocada, incompatível com o cargo que exerce. O tráfico de drogas - com todas as mazelas que ele comporta - é um dos graves problemas que o Brasil enfrenta, e minimizar as consequências desse crime é uma irresponsabilidade.

Dilma tem todo o direito de desejar que um brasileiro não seja executado. E para manifestar esse desejo há um instrumento adequado - o pedido de clemência. Mas Dilma deveria saber que não tem o direito de impor o seu desejo à Indonésia, exigindo que esse pedido de clemência se cumpra. Como o nome indica, é um pedido, não uma ordem. Dessa forma, a negativa a esse pedido não pode provocar uma questão de Estado. No entanto, foi isso o que Dilma provocou, ao chamar o embaixador brasileiro e dizer que o cumprimento das leis da Indonésia estava afetando gravemente as relações com o Brasil.

É urgente que a presidente se aconselhe antes de agir, para que possa ter - ao menos em grandes linhas - noção das consequências de seus atos. Um chefe de Estado não pode atuar por impulso. Voluntarismo sempre causa estragos, especialmente nas relações diplomáticas, que exigem serenidade e conhecimento do protocolo. Não estão em jogo apenas os bons modos diplomáticos. Trata-se de respeitar a soberania de um país. E de não flertar com o tráfico de drogas.

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U.V.

Manchetes do dia

Terça-feira, 20 / 01 / 2015

O Globo
"Falhas no sistema e consumo podem causar novos apagões"

Pelo menos 11 estados e o Distrito Federal ficam sem luz durante a tarde

Blecaute ocorreu após pico de gasto de energia por consumidores. Especialistas preveem que, com calor intenso e falta de chuvas, verão terá novos cortes no fornecimento . Atraso nas obras do governo afeta 59% dos projetos de transmissão

Um apagão afetou ontem pelo menos 11 estados e o Distrito Federal por cerca de duas horas. Segundo o Operador Nacional do Sistema (ONS), o blecaute foi provocado por falhas no sistema de transmissão e por um recorde no consumo de energia, que foi superior à atual capacidade de geração do país. Onze usinas foram desligadas por causa da falha de transmissão, incluindo Angra 1. Especialistas alertam que a escassez de chuvas e os atrasos em projetos do governo devem levar os brasileiros a sofrerem com novos apagões neste verão. Mais de metade dos novos projetos de transmissão de energia está fora do cronograma. E, se a economia estivesse crescendo a um ritmo mais intenso, outros apagões já teriam ocorrido, afirmam analistas. Após o blecaute de ontem, as ações de empresas do setor elétrico tiveram queda de até 7,3% na Bolsa de Valores, diante do temor de um agravamento da crise de energia.

Folha de S.Paulo
"Apagão atinge 10 Estados e DF"

ONS corta energia após pico de consumo, e ministro cita falha em linha de transmissão; passageiros ficam presos em metrô de SP

O alto consumo pelo calor provocou apagão em dez Estados e no Distrito Federal. O ministro Eduardo Braga (Minas e Energia) diz que houve também falha em uma linha de transmissão. Com a demanda sobrecarregada, o sistema elétrico teve de ser desligado pelo ONS (órgão regulador) para evitar o risco de um blecaute de maiores proporções e de um colapso no sistema. Os cortes de energia duraram em média uma hora e meia. Congressistas da oposição cobraram explicações do governo Dilma e criticaram o aparelhamento político do setor elétrico. Analistas veem risco de novos cortes de energia nas próximas semanas. Segundo eles, o nível de água dos reservatórios está crítico, e o consumo de energia cresceu devido ao forte calor. Passageiros que estavam no metrô de São Paulo chegaram a ficar 50 minutos presos dentro do trem sem ar-condicionado. Muitos saíram e caminharam pelos túneis entre as estações. A capital paulista registrou ontem temperatura de 36,5°C, a maior deste verão e a sexta mais alta da história. 

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segunda-feira, janeiro 19, 2015

Dominique

Opinião

Na marra, não funciona

O ESTADO DE S.PAULO
A capacidade de manobrar politicamente não é o único atributo que se espera de um governante, até porque se o fosse, Luiz Inácio Lula da Silva seria o maior estadista da história deste país. Mas a falta dessa habilidade e, pior ainda, o soberbo desprezo por ela geralmente colocam a perder as melhores intenções de um governante. Dilma Rousseff parece incapaz de entender que existe uma enorme diferença entre convicção e teimosia, entre perseverança e voluntarismo. De que, numa sociedade democrática, governar é a arte de aliar meios a fins. Na marra, não funciona.

O desafio que a presidente da República precisa enfrentar nos próximos quatro anos é, para resumir, gigantesco. Não logrará superá-lo sozinha, isolada pelo cinturão de segurança que criou para si ao escalar para postos estratégicos de coordenação política pessoas cuja única qualificação notável é ser de sua estrita confiança. Até porque delegar poderes não é seu forte, muito menos numa área pela qual não tem grande apreço, como a do varejo político.

Todas as articulações para a formação do novo governo, agora concentradas nos escalões inferiores, são orientadas pela estratégia de dividir para governar. E no capítulo primeiro do manual usado por Dilma está escrito que é preciso reduzir o poder dos parceiros, a começar pelo seu maior aliado, o PMDB. E sobre o partido do vice-presidente Michel Temer aplicou-se então o golpe de trocar qualidade por quantidade. O PMDB tinha apenas cinco pastas, agora fica com seis, mas perde a maior parte das verbas que antes administrava. E, se depender do Planalto e do PT, o PMDB que não pense em manter a presidência da Câmara dos Deputados, ainda mais nas mãos de um notório criador de casos.

A divisão de poder não é uma tentativa de oxigenar o aparelho estatal com novas ideias, novas propostas, pois Dilma parece satisfeita com as que julga ter. Trata-se de sair à busca de novos e preciosos aliados que aumentem o plantel da "base governista", tornando cada um de seus componentes mais vulnerável ao poder central. E para viabilizar essa engenharia, que se materializa na mais pura e fisiológica distribuição de cargos, até o PT teve de se conformar em abrir mão do que não gostaria de perder.

Assim, foram carinhosamente acolhidos no regaço do poder, por exemplo, dois políticos derrotados das eleições de outubro: no rico Ministério das Cidades, o ex-prefeito paulistano e "dono" do PSD, Gilberto Kassab, um articulador político que já comprovou dominar duas grandes habilidades: não estar ligado nem à direita, nem à esquerda, nem ao centro e ser um bem-sucedido inventor de novas legendas partidárias, aquelas para as quais parlamentares podem se transferir à vontade, sem nenhum problema com a Justiça Eleitoral. E, no Ministério da Educação, Cid Gomes, chefão do PROS e, até onde se imagina, fiel aliado de Dilma, que entre as notáveis contribuições que deu ao ensino no País está a interessante declaração, feita quando era governador do Ceará, de que o professor "deveria trabalhar por amor, não por dinheiro".

Diante desse quadro, desenhado sem corte nem prudência, pouco mais de duas semanas foram suficientes para o esquema revelar sua vulnerabilidade. Como era previsível, na queda de braço com o maior aliado, o PMDB, o Planalto já sofreu um importante revés. Na quarta-feira passada Dilma foi convencida por Michel Temer, que também é presidente do PMDB, a suspender as nomeações para o segundo escalão até as eleições para o comando da Câmara e do Senado, marcadas para 1.º de fevereiro. Foi a reação à forte mobilização da máquina do governo contra a candidatura de Eduardo Cunha à presidência da Câmara. Na véspera, Temer havia presidido reunião da Executiva do PMDB que tornou oficial essa candidatura.

Em resumo, o maior aliado do governo, que se considera, por direito e posição, merecedor de mais prebendas típicas do "presidencialismo de coalizão", não parece disposto a ceder terreno conquistado para satisfazer os caprichos políticos da presidente. É como se o partido advertisse o comando da aliança: na marra, não funciona.

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U.V.

Manchetes do dia

Segunda-feira, 19 / 01 / 2015

O Globo
"TCU impede Caixa de usar empresa paralela"

Tribunal suspende contrato sem licitação de R$ 1,2 bi negociado pelo banco

Instituição criou empresa com IBM, virou sócia do empreendimento e depois contratou companhia

A criação de empresas paralelas para driblar licitações e facilitar o fechamento de contratos bilionários não é exclusividade da Petrobras. A Caixa Econômica Federal estruturou um empreendimento privado que tem como sócia majoritária a IBM Brasil e depois contratou, por R$ 1,2 bilhão, a empresa criada, para a prestação de serviços de tecnologia da informação. O Tribunal de Contas da União constatou irregularidades no negócio, e o contrato está suspenso há dois anos. Ontem, a Petrobras reconheceu que um plano elaborado por seu ex-diretor Paulo Roberto Costa, investigado por corrupção, elevou os custos da refinaria Abreu e Lima.

Folha de S.Paulo
"Ajuste fiscal gera impasse com setor de ensino privado"

Escolas particulares pressionam governo por revisão em regras que endurecem o financiamento estudantil

O ajuste fiscal do governo Dilma provoca reação do mercado de ensino superior privado, cuja expansão foi uma das marcas do primeiro mandato da presidente. Com ações despencando na Bolsa, empresas do setor pressionam o Ministério da Educação a rever portaria editada no fim de 2014 para endurecer as regras do financiamento a estudantes. Sem anúncio prévio ou justificativa oficial, a medida impôs uma pontuação mínima no Enem aos interessados em tomar recursos públicos para bancar mensalidades da rede privada. Também reduziu o fluxo de pagamentos do governo às empresas mantenedoras. Na primeira quinzena de 2015, houve empresa que perdeu 40,5% de seu valor. Nos últimos anos, alunos e receitas das instituições tinham se multiplicado com a ajuda da expansão dos gastos do Fies (Fundo de Financiamento Estudantil). Para a federação das escolas particulares, as novas regras terão implicação no orçamento das empresas. O MEC diz que o objetivo delas foi aprimorar a qualidade do ensino superior.

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domingo, janeiro 18, 2015

Dominique

Opinião

Nascer para a liberdade

Gabeira
O atentado ao “Charlie Hebdo” me colheu num trabalho no Maranhão. Tive tempo ainda de escrever um artigo geral sobre o tema. Deixei para domingo, dia mais ameno, algumas reflexões pessoais. Bruscas mudanças no mundo, às vezes, nos levam a examinar nosso lugar nele. Minha família veio do Líbano, um país com histórico de conflitos religiosos. Eram cristãos, minha avó tinha cruzes tatuadas na testa e no braço. Isso sempre me impressionou e, ao longo dos anos, novos conflitos religiosos me parecem uma tristeza que não tem fim.

Por várias razões criei uma certa resistência em estudar o Islã. Cheguei a discursar sobre o perigo do Islã político, porque, mesmo sem estudá-lo a fundo, sinto que a fusão do estado com a religião sempre termina em prisão, tortura e morte. Ainda mais com visão tão estreita sobre mulher e sexualidade. Agora vejo, de todos os lados, uma advertência para dissociar o Islã da violência, sob o perigo de parecer racista e islamofóbico.

Essa advertência se articula com outra, sutil: a de que as religiões não devem ser criticadas, que elas devem ficar fora do raio de alcance da liberdade de expressão. Esse é o problema. Vivemos num mundo democrático em que a blasfêmia não é um crime. O “Charlie Hebdo”, de uma certa forma, mostrava onde o terrorismo se nutria no Islã. Num dos desenhos na porta do paraíso, Maomé advertia: parem com as bombas, estamos em falta de virgens.

É uma maneira de enfatizar como a visão do martírio e suas recompensas inspiram homens-bomba. De todos os discursos, o que mais mexeu com minha intuição foi o do presidente do Egito, que não só denunciou as interpretações do Islã, mas afirmou que era necessária uma revolução religiosa para integrá-lo na pluralidade do mundo moderno. A capacidade do Islã de se rever no mundo, algo que os católicos fazem, sem traumas, com o Papa Francisco, pode ser uma luz no fim desse longo túnel.

Alguns sinais animadores existem tanto na Europa como nos Estados Unidos, onde parte da comunidade islâmica define o terrorismo como inimigo comum. O combate direto ao Estado Islâmico é dado por muçulmanos que arriscam suas vidas. O número de mortos em atentados é muito maior na região do que no Ocidente. Mesmo com a derrota do terrorismo ainda ficaria no ar um ponto em que é difícil separar o islamismo da violência. O total enlace do estado com a religião tende a transformar os infiéis em criminosos.

A fatwa, pena de morte para o escritor Salman Rushdie, foi decretada por autoridades religiosas. Na Arábia Saudita, o blogueiro Ralf Badawi foi condenado a mil chibatadas. Minha hipótese sobre o Islã é a mesma que tenho sobre o marxismo. Muita gente diz que o marxismo é perfeito, mas os equívocos foram obra do socialismo realmente existente. Não havia nada errado com o texto, mas sim com os intérpretes. Como textos corretos podem levar a interpretações tão violentas e autoritárias? Não haverá alguma coisa neles que, de certa forma, estimula massacres?

No passado, concordava com Sartre na sua benevolência com as ações terroristas na Argélia. E rejeitava a posição de Camus. Hoje, compreendo que errei. O próprio Camus, em “Os justos”, mostra que os terroristas que iam matar o arquiduque Francisco Ferdinando, há um século, adiaram o ataque porque havia crianças na carruagem. Agora, estamos diante de terroristas que não se importam com a presença de crianças, sob o argumento de que crianças são mortas no Oriente Médio.

Jornais americanos não publicaram os desenhos do “Charlie Hebdo”. Dizem que seu estilo é outro, não publicam material contra religião. Mas, depois do atentado, é um erro jornalístico. Aqui no Brasil, mesmo com a clavícula quebrada, saí exibindo o filme “Je vous salue, Marie”. Não gostava tanto do filme, no final estava até meio cansado dele. O que estava em jogo não era minha afinidade com o filme de Godard. Claro que uma coisa é o contexto de “Je vous salue, Marie”, Sarney e Igreja Católica. Outra, Maomé e os radicais islâmicos. Nesse sentido, tive sorte quando minha avó com a cruz na testa fez a mala e veio para o Brasil. Mas o Brasil, através do seu governo, me desaponta nesse drama de alcance mundial. Quando Dilma propôs um dialogo com o Estado Islâmico, na ONU, percebi que o governo vive numa outra época. A nota formal de condenação do atentado parece o exercício de um dever burocrático.

A família veio para o país certo, apesar do governo. Quantas vezes com o Minc e Sirkis fizemos manifestações pela paz com judeus e árabes juntos no Saara? Isso não quer dizer que não exista intolerância religiosa no âmbito nacional. Nem tentativas de associar o Estado à religião, o que enfatizei em artigo sobre as eleições no Rio. Olhando para trás, no momento de barbárie, vejo como a ideia da liberdade individual, livre de doutrinas políticas ou religiosas, é uma trincheira a se defender com todos os riscos. Embora os riscos não sejam tão altos aqui nos trópicos.

Original aqui

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U.V.

Manchetes do dia

Domingo, 18 / 01 / 2015

O Globo
"Indonésia executa brasileiro, e governo estuda retaliação"

Governo recorreu até ao Papa; instrutor de voo será fuzilado hoje

Carioca Marco Archer, de 53 anos, foi condenado à morte por entrar no país com 13 quilos de cocaína escondidos numa asa-delta

O presidente da Indonésia negou à presidente Dilma Rousseff pedido de clemência para o instrutor de voo livre carioca Marco Archer, de 53 anos, que será fuzilado às 15h de hoje (horário de Brasília) por ter entrado no país com 13,4kg de cocaína, em 2003. Dilma fez um apelo como "chefe de Estado e mãe" e, após a negativa, recorreu ao Papa Francisco, por meio da Santa Sé. Uma tia de Marco viajou para a Indonésia, levando cartas de amigos e bacalhau.

Folha de S.Paulo
"Petrobras terá perda de US$ 3,2 bi com refinaria"

Prejuízo resulta de aumento dos investimentos nas obras de Abreu e Lima

Alvo das investigações sobre o esquema de desvio de recursos na Petrobras, a refinaria de Abreu e Lima, em Pernambuco, dará um prejuízo de ao menos US$ 3,2 bilhões à estatal, segundo relatório de auditoria interna obtida pela Folha.

Estudos técnicos da petroleira já apontavam a perda bilionária quando integrantes do conselho de administração da Petrobras, entre eles a atual presidente da empresa, Graça Foster, aprovaram a continuidade das obras, em junho de 2012.

Um das principais delatores do esquema de corrupção na estatal, o ex-diretor Paulo Roberto Costa Foi acusado de ter superfaturado contratos da refinaria. Indícios apontam que parte do dinheiro cobrado a mais foi repassada a políticos.

A CVM, que fiscaliza o mercado financeiro, investiga o caso. Se for comprovada má-fé ou omissão, executivos podem ser multados ou impedidos de gerir empresas com ações em Bolsa. A estatal e os membros do conselho não comentaram.

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