sábado, dezembro 27, 2014

Dominique

Opinião

Paz e presentes na terra

Contardo Calligaris
Sempre tem alguém para se queixar de que o espírito do Natal teria sido roubado pelo comércio. Os presentes e a gastança teriam nos distraído de algo bem mais importante, e o significado "profundo" da festa se perderia na orgia de compras.

É bom lembrar, aliás, que essas compras são para os outros (especialmente as crianças), mas também (uma parte significativa) são presentes que a gente se dá.

Natal nos torna generosos com os outros e indulgentes com nós mesmos. De repente, eu também sou uma criança com direito absoluto ao sorriso; portanto, autorizo-me a comprar aquela coisa que quero tanto, que realmente não cabe no meu orçamento e a qual, no fundo, sei que não usarei nunca.

Na mesma veia da indulgência temporária, no Natal me autorizo a engordar. Não é preciso (e é difícil) achar alguma graça gastronômica na comida tradicional do Natal, mas, de antemão, estou disposto a ganhar dois quilos, pelo prazer de interromper aquele regime ao qual me submeto há meses.

Enfim, não pretendo que o Natal se confunda com decoração de shopping, presentes e tempo de engorda. E, sem dúvida, mais de uma vez, no passado, critiquei o consumismo natalino. Mas, desta vez, fiquei a fim de discutir com os que criticam os presentes e a ceia de Natal.

Tudo bem, concordo: Natal é uma festa de sentimentos e afetos (solidariedade, amor ao próximo etc.). Uma espécie de candor talvez fosse a disposição mais desejada quando eu era criança –isso, e a sinceridade na hora de escrever a cartinha ao menino Jesus.

Agora, às vezes suspeito que a história dos sentimentos seja uma desculpa para evitar passar algumas tardes cansativas procurando (ou inventando) presentes.

A grande dificuldade não está em gastar com os presentes; a dificuldade está em ter que se perguntar qual seria o presente certo para cada amigo e parente. O que ela gostaria mesmo de receber? Como surpreender o outro por termos adivinhado o que ele queria?

Prova disso, estou muito a fim de fazer um presente quando tenho uma ideia clara do que poderia ser.

Neste ano, por exemplo, pensei num porta-pílulas de bolso para um amigo que usa medicação diária, num suporte para teclar confortavelmente para uma amiga que só usa computador na cama e, ironicamente, num binóculo para teatro destinado a um amigo que sempre escolhe assentos de onde eu mal consigo enxergar onde está o palco.

Mas voltemos à pergunta anterior: será que o presente desvirtua o afeto? Por que oferecer presentes e não sentimentos?

Como disse, sou sensível a esse argumento, mas também pergunto: será que essa história de afeto não é uma desculpa para sermos avaros, do dinheiro para comprar presentes e, sobretudo, do tempo necessário para escolher e procurar o presente certo?

Na polêmica contra os presentes, alguns lembram que a origem do hábito seriam os reis magos, que homenagearam o menino Jesus no dia 6 de janeiro.

Eu acho que a ideia do presente está no Natal cristão mesmo. Afinal, Deus teria nos oferecido o filho dele, sacrificando-o para nossa salvação. Quer presente maior?

Não se alarme, não virei crente. Continuo achando a história bizarra, mesmo no Natal. 1) Nunca entendi a gravidade do pecado original, que teria tornado necessária a vinda do Messias; 2) nunca entendi por que, para redimir a gente, era preciso que o filho de Deus passasse por tamanho sofrimento. A única explicação que encontro é que foi de propósito, para que a gente se sentisse culpado para sempre.

Justamente, para não me sentir culpado, no Natal, dou e me ofereço presentes. Para mim, comprei: "On Symbols and Society", de Kenneth Burke, que queria ler há tempos, um telescópio (para usar em Nova York, que é uma cidade em que uma infinidade de janelas sem cortinas parecem palcos permanentes do cotidiano). Também me ofereci "Humans of New York", de Brandon Stanton (retratos de nova-iorquinos comuns), pela mesma razão pela qual me ofereci o telescópio.

Para mais um amigo, comprei "O Estranho Caso do Cachorro Morto" (Record), de Mark Haddon, que é um livro que adoro e que se tornou uma peça de teatro em Londres e agora em Nova York (onde estou agora também para ver a dita peça).

Bom, vou a Amy's Bread, na Nona Avenida, para o melhor pão de Nova York.

Feliz Natal a todos, com ou sem presentes. Mas melhor com.

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U.V.

Manchetes do dia

Sábado, 27 / 12 / 2014

O Globo
"Escândalos derrubam ações da Petrobras em 6,19%"

Papel da empresa volta a valer menos de R$ 10

Risco de rebaixamento da petrolífera e novo processo nos EUA assustam investidores

No primeiro pregão da Bolsa de Valores após os feriados do Natal, as ações da Petrobras tiveram forte queda, devido ao anúncio, feito pela agência Moody’s, de que poderá rebaixar a empresa. Os papéis ON caíram 6,19%, para R$ 9,85, reagindo também ao novo processo contra a empresa na Justiça americana, iniciado no dia 24, pela prefeitura de Providence, em Rhode Island. A cidade, que comprou mais de US$ 1 milhão em títulos da Petrobras, perdeu 60% dos investimentos. Analistas acreditam que a crise na Petrobras vai dificultar a captação de recursos por outras empresas brasileiras no mercado.

Folha de S.Paulo
"Conta de luz ficará 8,3% mais cara em janeiro"

Reajuste ocorre devido ao aumento do custo de produção da energia

A conta de luz começará o próximo ano com o valor 8, 3% mais alto, informou a Aneel, agência reguladora do setor. A partir do dia 1º, os clientes das distribuidoras de energia elétrica vão pagar mais R$ 3 a cada 100 kilowatts-hora consumidos. O consumo médio de uma casa com quatro pessoas é de 170 KWh/mês. Nesse caso, a fatura da conta de energia, em média de R$ 60, subirá para cerca de R$ 65. A alta vale para todo o país em janeiro, exceto Amazonas, Amapá e Roraima, Estados abastecidos por sistemas elétricos isolados. O aumento se deve ao início do método de bandeiras tarifárias, que usa cores para indicar a evolução do custo de produção da energia. Vermelho mostra um patamar elevado. Amarelo, alta moderada. Verde, normal. A entrada em vigor do sistema, testado ao longo deste ano sem a aplicação de cobranças, se dará com o vermelho, daí a cobrança extra de R$ 3 a cada 100 kilowatts-hora consumidos. Se o sistema apontar amarelo, será R$ 1, 50 adicional. Com o verde, não há cobrança extra em relação às tarifas usuais.

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sexta-feira, dezembro 26, 2014

Aos amigos do Blog


Coluna do Celsinho

Guia Turístico

Celso de Almeida Jr.

Na última segunda-feira, pré-Natal, o amigo Ricardo Pimentel lançou oficialmente o Guia Turístico Ubatuba.

O evento na Associação Comercial serviu, também, para a auditoria que confirmou a tiragem de 20 mil exemplares.

Em 140 páginas, o guia turísitico tem o formato de bolso, é apresentado em português-inglês e relaciona 108 praias ubatubenses.

Um criterioso inventário com belas fotografias, breve histórico de locais a visitar, num acabamento gráfico excelente.

O potencial cultural, histórico, antropológico de Ubatuba - sinalizado no guia - confirma, de forma organizada, o muito que o município tem a oferecer.

A publicação leva o selo da Ideias - Estúdio Sustentável de Comunicação, pilotada pelo Ricardo, que formou uma equipe dinâmica e dedicada.

Testemunhei o esforço para viabilizar este produto editorial.

Buscando apoio no comércio local, desafios de toda ordem foram superados pelo estúdio para tornar real este belo projeto.

Valeu o empenho.

Ficou lindo!

Uma boa sugestão para presentear amigos queridos.

Ganha Ubatuba, com uma publicação de alta qualidade.

Ganham os turístas, que passam a ter um referencial seguro e prático.

Ganhamos nós, moradores desta bela cidade, que aprendemos, através do exemplo do empreendedor Ricardo Pimentel, que é possível fazer mais pelo desenvolvimento deste território magnífico.

Uma realização que entusiasma e renova nossa fé em Ubatuba, nas vésperas de um novo ano.

Feliz 2015!

Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com

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Dominique

Opinião

Os vilões do filme

João Pereira Coutinho
Li em tempos que Kim Jong-un, o famoso ditador da Coreia do Norte, tinha um gosto pantagruélico por "westerns" norte-americanos. Aliás, não apenas por "westerns": John Ford ocupava um lugar especial no panteão do demente.

O amor de Kim era tão intenso pelo cinema clássico americano que, nas horas vagas, quando não estava a matar a família para proteger o seu poder, essa última relíquia stalinista era o crítico de cinema oficial no jornal oficial de Pyongyang.

Quando soube da paixão de Kim Jong-un por Ford (sim, também é o meu diretor favorito), confesso que senti uma certa simpatia. Ah, se o homem não fosse um psicopata, com o corte de cabelo mais ridículo do mundo e uma estranha obsessão com brinquedos nucleares, talvez isso fosse o início de uma bela amizade.

Mas o gosto de Kim por John Ford talvez ajude a explicar a grande polêmica do momento.

Segundo se sabe, os estúdios da Sony foram alvo de ciberataques. Tudo porque a empresa, prolongando o seu gosto por comédias débeis, produzidas por débeis e consumidas por débeis, tencionava lançar o filme "A Entrevista". No referido filme, Kim Jong-un era assassinado no final.

Os terroristas cibernéticos ameaçaram retaliar com dureza se o filme fosse para as salas. A Sony, em gesto de grande coragem, decidiu jogar o filme no lixo.

Barack Obama está "consternado". E acusa a Coreia do Norte de exercer censura sobre Hollywood. A Coreia do Norte responde: propõe um inquérito conjunto ao incidente e pede que as acusações de Obama sejam retiradas, caso contrário haverá "sérias consequências". Não é de excluir que Kim Jong-un mude radicalmente de penteado.

Não pretendo perturbar as relações tensas entre Washington e Pyongyang. Mas pergunto, com humildade cristã, se Kim e os seus pigmeus não terão feito um favor à sétima arte.

Pelas críticas que li ao filme, "A Entrevista" prometia ser atroz. E qualquer cinéfilo respeitável não pode deixar de pensar o que teria sido do cinema americano se, nos últimos anos, Kim Jong-un tivesse exercido preventivamente a sua função de crítico sobre filmes como "American Pie", "Todo Mundo em Pânico" ou "Sex and the City". O cinema americano teria saído a ganhar.

Sem falar do óbvio: Kim talvez considere um desrespeito que a sua Coreia do Norte seja tratada em tom de comédia. Tem inteira razão. Um regime comunista que aprisiona, tortura e mata o seu povo como nos melhores tempos da União Soviética ou da Alemanha nazista não é assunto para rir.

Finalmente, o argumento favorito dos paladinos da liberdade de expressão, plasmado com seriedade pelo insuspeito "The Guardian": o Ocidente não pode vergar-se aos caprichos de um tirano da mesma forma que não se vergou quando Salman Rushdie foi condenado à morte pelo aiatolá Khomeini depois da publicação de "Os Versos Satânicos".

Lamento, mas essa indignação já vem tarde: em 1989, o Ocidente não foi unânime na defesa de Rushdie. Que me lembre, e só de memória, escritores como Roald Dahl ou John Le Carré (imediatamente expulsos da minha biblioteca para sempre) até "compreenderam" a "fatwa" do aiatolá. Deu no que deu.

Exatamente como a Sony "compreendeu" a "fatwa" dos terroristas, cancelando o filme e concedendo uma vitória para eles.

Se pensarmos bem, não é Kim Jong-un quem censura ou ameaça. Ele não é, metaforicamente falando, o vilão deste filme.

Os verdadeiros vilões somos nós, ocidentais, que nos censuramos e silenciamos voluntariamente.

De igual forma, não é Kim Jong-un quem desrespeita a liberdade de expressão. Somos nós, ocidentais, que fazemos dela uma paródia, suspendendo princípios que deveriam ser sagrados em democracias pluralistas.

Uma cultura saudável, perante a ameaça de terroristas cibernéticos ou do inconfundível Kim Jong-un, avançaria com o filme na mesma –de preferência, com uma grande festa de lançamento– e aconselharia o ditador da Coreia do Norte a mudar de barbeiro. Ou de psiquiatra.

Pateticamente, Hollywood ajoelha-se perante um tirano e depois Barack Obama promete "investigar" o sucedido.

Eis uma tragédia que nem John Ford seria capaz de retratar. 

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U.V.

Manchetes do dia

Sexta-feira, 26 / 12 / 2014

O Globo
"Empreiteiras serão julgadas com lei mais rigorosa"

Parte da propina foi paga já com legislação anticorrupção em vigor

Engevix fez depósito a doleiro um mês após texto entrar em vigência; dissolução compulsória da empresa é uma das sanções previstas

Notas fiscais apreendidas pela Polícia Federal na Operação Lava-Jato comprovam que a empreiteira Engevix pagou propinas ao esquema de corrupção na Petrobras em fevereiro de 2014, um mês depois de a rigorosa Lei Anticorrupção entrar em vigor. Com isso, segundo a força-tarefa do Ministério Público, poderá ser julgada com base na nova lei, que prevê a dissolução compulsória ou a suspensão das atividades das empresas envolvidas, a perda de bens e o pagamento de multas milionárias, entre outras sanções. Os procuradores devem enquadrar outras construtoras na lei, além de processar seus executivos criminalmente.

Folha de S.Paulo
"SP nunca registrou tanto roubo como neste ano"

Mesmo sem dezembro, 2014 tem o maior número desse tipo de crime em 13 anos

Apesar de ainda faltar um mês para o fechamento anual das estatísticas de violência, 2014 já é o ano que teve mais roubos no Estado de São Paulo nos últimos 13 anos. De janeiro a novembro, foram 286. 523 crimes desse tipo, o maior desde 2001, início da atual metodologia. Os dados da Secretaria da Segurança mostram que o mês passado foi o novembro mais violento da série histórica, com 23. 507 roubos. Foi também o 18º aumento consecutivo desse tipo de crime, tanto no Estado como na capital. Procurado, o governo não quis comentar. A gestão do governador Alckmin (PSDB) costuma dizer que parte do resultado se deve à possibilidade de registrar pela internet os casos de roubo. Os números ruins explicam a queda do secretário Fernando Grella, que dará lugar, em janeiro, ao advogado Alexandre de Moraes. Na cidade de São Paulo, os homicídios dolosos (com intenção) caíram 14% no mês passado em relação ao mesmo período de 2013. A queda no número de vítimas foi maior, de 19%. No entanto, em todo o Estado, houve aumento de 2% nos casos de homicídio. 

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quinta-feira, dezembro 25, 2014

Dominique

Opinião

Cada macaco no seu galho

Elio Gaspari
A doutora Dilma podia ter a melhor das intenções quando anunciou que pediria ajuda ao Ministério Público na escolha de seus ministros. Ou a pior. Na hipótese benigna, não queria correr o risco de nomear um larápio. Na maligna, queria transferir para o Ministério Público uma responsabilidade que é inteiramente sua. Nomearia o sujeito, ele apareceria numa petrorroubalheira e ela tiraria o corpo fora, pois a Procuradoria nada tivera contra o magano. O ex-ministro Joaquim Barbosa disse muito bem: "Que degradação institucional! Nossa presidente vai consultar um órgão de persecução criminal antes de nomear um membro de seu governo!!! Du jamais vu'." Barbosa vocalizou em francês a expressão de Nosso Guia: "Nunca na história deste país...".

Os "nunca na História..." são muitos, mas nem um oposicionista delirante seria capaz de supor que um comissário do segundo escalão entesourasse US$ 100 milhões. Em benefício da doutora, reconheça-se que ela conhece mal o funcionamento das instituições. Só isso explica a insistência com que propõe pactos e plebiscitos. Se falasse sério, no caso dos petrocomissários, consultaria a Agência Brasileira de Inteligência, mas esse ectoplasma palaciano do falecido Serviço Nacional de Informações ainda não mostrou a que veio. Se a Abin não colocou sobre sua mesa uma análise das petrorroubalheiras, é melhor fechá-la. Afinal, em 2013 custava R$ 500 milhões. Se a agência acendeu algum tipo de luz amarela e não conseguiu atenção, o problema é da doutora.

Durante a campanha eleitoral, o comissariado repetia um bordão, segundo o qual não se poderia prejulgar pessoas acusadas de envolvimento nas petrorroubalheiras. O próprio ministro da Fazenda despediu-se do "amigo Paulinho" agradecendo os "relevantes serviços" prestados à Petrobras. O líder do governo no Senado considerou "satisfatório" seu primeiro depoimento à CPI, anterior à decisão de colaborar com a Viúva. Era uma coleção de lorotas. Há no Planalto quem saiba bastante sobre a Petrobras. Sabem até mais que os procuradores. O que eles não sabem, e aí está o problema dos comissários, é o caminho das pedras para sair da enrascada.

Pela blindagem do Ministério Público, pelo silêncio do ministro Teori Zavascki e pelo naufrágio das primeiras patranhas dos maganos, esse caminho das pedras pode não existir. De alguma maneira, o comissariado precisa se recompor com a verdade. A doutora já se disse "estarrecida" com os malfeitos e considerou "absurdas" as quantias desviadas. É pouco. Precisa despir o manto da surpresa. Esse vem sendo o erro do PT desde que estourou o mensalão.

Noutro dia, num debate na Corte Suprema dos Estados Unidos, o juiz Antonin Scalia foi confrontado por uma colega por ter votado numa posição contrária à que tomara noutro caso. Meter-se com a rapidez de raciocínio de Scalia é arriscado. Ele defendeu-se citando o grande juiz Robert Jackson: "Não vejo por que eu deva ficar conscientemente errado hoje porque, inconscientemente, estive errado ontem". Retirando-se o "inconscientemente" da frase de Jackson, a lição pode ser um presente de Natal para o comissariado. 

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U.V.

Manchetes do dia

Quinta-feira, 25 / 12 / 2014

O Globo
"Varejo tem pior ano desde 2004"

Setor prevê alta de só 2%, a menor dos últimos 10 anos

Consumidor endividado reduz compras e opta por presentes baratos. Shoppings ficam vazios

Na véspera de Natal, os shoppings e as lojas populares da Saara tiveram movimento fraco ontem. A Confederação Nacional do Comércio estima uma alta de 2% nas vendas, no pior resultado em 10 anos. Os shoppings calculam que venderam 3% a mais, após ter registrado avanço de 5% em 2013. Endividado e com o orçamento apertado pela inflação, o consumidor optou por presentes mais baratos e lembrancinhas. Em São Paulo, o valor médio de compras caiu de R$ 55 para R$ 42. Grandes redes de eletrodomésticos já preparam saldões para os próximos dias.

Folha de S.Paulo
"Prefeitura vai 'deslizar' metas, afirma Haddad "

Petista culpa redução de receitas pelo não cumprimento de parte de promessas

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), disse à Folha que terá de "deslizar para a frente" algumas das 123 metas de seu mandato, que termina em 2016. Entre elas está a entrega de parte dos 150km de corredores exclusivos para ônibus. Haddad atribui o adiamento à redução de receitas. A prefeitura não pôde usar R$ 2,5 bilhões que viriam dos reajustes do IPTU, que a Justiça bloqueou, e da tarifa do transporte, congelada desde as manifestações de junho de 2013.

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terça-feira, dezembro 23, 2014

Dominique

Opinião

O garoto de Ipanema

Ferreira Gullar
Infelizmente, não convivi tanto com Tom Jobim quanto convivi com Vinicius de Moraes. Mas, sempre que nos encontrávamos –não por acaso em algum bar, na companhia de amigos– reinava entre nós um bom astral.

De minha parte, porque curtia tudo o que ele compunha e pela simpatia natural que sua personalidade irradiava. Ele era, sem dúvida alguma, gente boa, frequentemente sorridente e sempre afetuoso.

O convívio não foi maior por várias razões e uma delas é que frequentávamos bares diferentes: o dele, de Vinícius e sua turma, entre outras figuras da noite carioca, era o Plataforma, enquanto o meu e de minha patota era o La Fiorentina, ali no Leme; e, depois, o Luna Bar, em Ipanema.

E não por acaso: enquanto o nosso grupo era gente de teatro e do teatro político, o de Tom era de compositores e músicos, ou seja, a geração bossa nova, que acabara de nascer. Fora isso, e talvez principalmente, eles bebiam uísque, nós bebíamos chope.

Pode parecer que não, mas a verdade é que o bebedor profissional de uísque não bebe em qualquer lugar. Necessita de silêncio, penumbra e maior privacidade. Quase digo que eles são a elite, ao contrário da turma do chope, menos profissional e mais perto do povão.

Mas isso é brincadeira, já que nem Tom nem Vinicius, cariocas de origem, nada tinham ou pretendiam ter de elite. Talvez a razão seja mesmo a sua ligação com a música –uma música que, embora popular, era sofisticada, que é o caso da bossa nova.

Digo isso porque nem Vinicius nem Tom alimentavam pretensões elitistas. Basta lembrar que Vinicius, diplomata de carreira, terminou a vida em mangas de camisa, cantando em shows de samba.

É certo que tinha sido cassado pela ditadura, mas nem por isso tinha que virar boêmio. Tom Jobim também fez shows, mas, pela natureza de sua música e por sua personalidade especial, havia nele uma sofisticação que independia de seus propósitos.

Diga-se também que Tom era um compositor no mais puro sentido desse termo, de um talento excepcional, apoiado no conhecimento profundo da arte musical, a qual pôs a serviço da música popular. Daí a mistura de erudito e popular, de simplicidade e sofisticação, que faz o encanto de suas composições, chamem-se elas "Garota de Ipanema", "Samba do Avião" ou "Águas de Março".

O nosso grupo –o Grupo Opinião– também era chegado à música, particularmente à música das escolas de samba, com seus cantores e compositores dos subúrbios cariocas.

Isso se deve a Thereza Aragão, carioca da Tijuca, que se formou frequentando os ensaios das escolas e os desfiles carnavalescos.

Por isso mesmo, ao nos instalarmos no teatro Opinião (a que demos o nome), ela criou "A Fina Flor do Samba", encontro de sambistas às noites de segunda-feira, onde se revelaram nomes como o de Zé Keti e Martinho da Vila, entre tantos outros, além de cantores e passistas.

Foi assim que o samba das escolas ganhou a zona sul do Rio e a gente dessa área passou a ir aos ensaios e até mesmo a desfilar no Salgueiro, na Mangueira, na Portela...

Tom nunca se apresentou no Teatro Opinião; Vinícius, sim, num espetáculo que revelou, para o público carioca e para o país, a nova geração musical da Bahia: Gracinha (que se chamaria mais tarde Gal Costa), Caetano Veloso e Gilberto Gil. Maria Bethânia já havia sido revelada no show Opinião, em que substituiu Nara Leão, cantando com Zé Keti e João do Vale.

Todas essas coisas me vieram à lembrança ao saber que Tom Jobim estava de volta a Ipanema.

Ele, nascido na Tijuca, criara-se ali nas areias daquela praia, que se tornaria a mais famosa do planeta, graças à música que compôs com Vinicius de Moraes. Mas, a certa altura, trocou o marulho das ondas pelo soar das copas e o cantar dos passarinhos do Jardim Botânico. Agora, esculpido em bronze, mais jovem, com o violão no ombro, está de volta, como um garoto de Ipanema.

E de repente lembro-me de ele, no centro da cidade –o lugar menos apropriado para encontrá-lo–, na avenida Graça Aranha, de paletó desabotoado e uma pasta na mão, acenando para mim efusivamente e sorrindo. Disse algo que não deu para ouvir, mas também acenei para ele, com o mesmo entusiasmo. Foi a última vez que o vi. Era março de 1994.

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U.V.

Manchetes do dia

Terça-feira, 23 / 12 / 2014

O Globo
"Dilma pedirá aprovação do MP para novos ministros"

Presidente sai em defesa de Graça Foster e diz que vai mantê-la no cargo

Para ela, não há ‘nenhum indício de irregularidade na conduta da atual diretoria da Petrobras’. Na mesma entrevista, afirmou ainda que tomará ‘medidas drásticas’ na economia, mas não disse quais

Na tentativa de evitar desgastes em caso de escolha de ministros acusados de corrupção, a presidente Dilma Rousseff afirmou ontem que consultará o Ministério Público antes de nomear alguém para seu ministério: “Vou perguntar o seguinte: há alguma coisa contra fulano que me impeça de nomeá-lo? Só isso que vou perguntar . Não quero saber o que ele não pode me dizer .” Na conversa com jornalistas, Dilma saiu em defesa da presidente da Petrobras, Graça Foster , e disse que a manteria no cargo por não ver “nenhum indício de irregularidade” na conduta da atual diretoria . “A quem interessa tirar a Graça Foster? O que que tem por trás disso?” , perguntou. Ela também afirmou que tomará “medidas drásticas” na economia, mas não disse quais. Apenas reafirmou que os programas sociais não serão afetados pelos ajustes.

Folha de S.Paulo
"Dilma diz que manterá diretoria da Petrobras"

Presidente define como ‘absurdo’ desvio em estatal, mas prestigia Graça Foster

A presidente Dilma Rousseff afirmou nesta segunda (22) que não pretende alterar a diretoria da Petrobras, apesar de considerar um “absurdo” o montante de dinheiro desviado por funcionários da estatal. Ela disse, porém, que fará trocas no Conselho de Administração. A petista defendeu a presidente da Petrobras e insinuou haver interesse por trás das acusações da ex-gerente Venina Velosa, que disse ter avisado sobre irregularidades antes do início da Operação Lava Jato. “A quem interessa tirar Graça Foster? Sei da lisura dela.” No Rio, a chefe da Petrobras disse que se encontrou pessoalmente com Venina “poucas vezes”, mas negou que tenha sido omissa na apuração de supostos desvios apontados por ela. “Tenho feito mudanças sucessivas na companhia na busca de melhores controles.” Dilma declarou ainda que consultará o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, antes de empossar ministros para saber se os indicados por partidos estão na mira da PF. 

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segunda-feira, dezembro 22, 2014

Pitacos do Zé


Ah! Eles são muitos, minha senhora!

José Ronaldo dos Santos
Ela vivia assim, pisada mais intensamente apenas em época de coleta, de caça e de pesca, quando as tainhas apareciam vindas do sul frio. Mas não se importava com isso.

A Minha Senhora, pouco tempo depois do “achamento” por aquele que descendia de criadores de cabras, foi descoberta e disputada e até serviu de base aos antigos habitantes confederados. E ficou triste pela Traição de Iperoig.

Nas terras da Minha Senhora, as matas caíram para ceder espaços aos canaviais, aos cafezais e outras culturas. Vieram as fazendas e os sobrados dos mais ricos. As moradias dos pobres de outros tempos deixaram marcas apenas pelas frutíferas plantadas pelos terreiros.

Mais recentemente, novos colonizadores chegaram cobiçosos pelas paisagens da Minha Senhora. Os pobres trabalhadores também são novos colonizadores. Desses, uma mínima parcela não são depredadores. Prova disso é a sujeira que arruína as vestes e os enfeites da Minha Senhora. “Até no rio do Félix está acontecendo descargas”. Os outros seres agregados também estão se esvaindo, morrendo indefesos.

Hoje, na ânsia de levar vantagem em tudo, o descaso e a corrupção grassam em todos os níveis. “É a grande miséria cultural!”. E o pior: cada aproveitador – pequeno ou grande! -  se apresenta com falsa humildade, tal como no romance quixotesco, dizendo: “Eu, Senhora, sou o gigante Caraculambro, senhor da ilha Malindrânia”.

Ah! Ia me esquecendo: eles são muitos, Minha Senhora!

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Dominique

Opinião

Uma nova auditoria para distrair o povo

Leão Serva
Na semana passada a Prefeitura de São Paulo anunciou o resultado de uma auditoria que demorou quase um ano e meio para avaliar a gestão do sistema de transportes coletivos da cidade de São Paulo. Imediatamente a secretaria de Transportes anunciou que vai contratar uma nova auditoria, desta vez para estabelecer "origem e destino" dos usuários dos ônibus da cidade.

A medida só servirá para distrair a opinião pública e adiar o início da concorrência que vai iniciar a reorganização do sistema de transportes coletivos do município. Uma boa quantidade de dinheiro público será gasta desnecessariamente, uma empresa de auditoria receberá para fazer um trabalho irrelevante e o prazo de junho de 2015 para as conclusões do trabalho não será cumprido, como não foi o tempo estimado para a Ernst Young terminar o seu.

Ao final, talvez daqui a um ano, diante do cenário político e econômico, a Prefeitura poderá escolher entre adiar novamente a licitação, diante da iminência do ano eleitoral, ou, moralmente pior, poderá tentar repetir o feitiço de 2004, quando lançou o bilhete único seis meses antes da eleição, com imenso impacto positivo para a imagem da prefeita Marta Suplicy e graves defeitos estruturais atribuídos à pressa da implantação.

A mágica de 2004 custou caro aos cofres públicos. O melhor exemplo da improvisação foi o fato de que o contrato assinado entre as empresas ganhadoras e a Prefeitura tinha um adendo (chamado algo como "anexo para a fase de transição") com termos e medidas que não estavam previstos no edital da concorrência e ocupavam mais páginas do que o contrato licitado em si...

As inúmeras fraudes (como a famosa "janelinha") criadas imediatamente por usuários e malandros eram fruto da pressa com que o sistema foi implantado, sem uma análise atenta das fragilidades. O coração do sistema de totalização das passagens, preparado pela multinacional Microsoft, não estava pronto na inauguração do Bilhete Único. É por isso que o sistema concebido para ser totalmente hitec conviveu por muito tempo com um controle manual de saídas, completamente afeito a fraudes, como se viu agora.

Quando anunciou a nova licitação do sistema logo depois de tomar posse, o Prefeito Haddad e o secretario Jilmar Tatto puseram a mão em um vespeiro do qual devem ter se arrependido em seguida. Por isso o anúncio agora, ao final do segundo ano da administração, de uma nova auditoria para levantar dados que já estão nos computadores da SPTrans.

Embora seja popularmente chamada de Pesquisa Origem e Destino "do Metrô", o levantamento feito de dez em dez anos pela secretaria estadual de Transportes é público e envolve diversas órgãos, desde logo do município de São Paulo. Além disso, depois de plenamente implantado o bilhete único permite saber exatamente a origem e o destino de todos os usuários do sistema de ônibus de São Paulo, não como uma pesquisa por amostragem, mas como um resultado objetivo. Se o prefeito quiser, pode saber exatamente que roteiro faz diariamente o senhor José da Silva e qualquer um dos mais de 4 milhões dos usuários do bilhete único.

Por isso, declaro para os devidos fins que vou constituir uma empresa de auditoria, chamada DataLion, que fará a auditoria anunciada esta semana pelo valor de R$ 30,00 (custo do motoboy para pegar o contrato e devolver assinado) e no prazo de duas semanas, aproveitando o período de Natal. Como dizia nesta Folha o falecido colunista Tarso de Castro, "cheques para a Redação"!

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U.V.

Manchetes do dia

Segunda-feira, 22 / 12 / 2014

O Globo
"Emissão de títulos no exterior despenca"

Captações de empresas brasileiras caem 77% no 2º semestre

Operação Lava-Jato agrava cenário econômico. Queda é quase o triplo da registrada em outros países emergentes

As investigações de corrupção na Petrobras, somadas às eleições e à desaceleração da economia, derrubaram as emissões de títulos por empresas brasileiras no exterior . Usadas para captar recursos destinados a novos projetos, elas caíram 77,4% do primeiro para o segundo semestre do ano, ficando em US$ 6,256 bilhões. O percentual é quase o triplo do recuo de 29% registrado em outros países emergentes. Para analistas, os escândalos prejudicam todas as empresas brasileiras porque elas são avaliadas em bloco pelos investidores estrangeiros.

Folha de S.Paulo
"Maior resistência contra Levy virá de aliados, diz Aécio"

‘Ele sabe que é um corpo estranho nesse processo’, afirma tucano, que promete lutar contra o aumento de impostos

O senador Aécio Neves (PSDB-MG), derrotado pela presidente Dilma Rousseff (PT) nas eleições deste ano, prevê que o próximo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, enfrentará mais resistência da própria base do governo do que da oposição. “Ele sabe que é um corpo estranho nesse processo”, afirmou o tucano para Valdo Cruz e Daniela Lima. “Vamos conhecer o neoliberalismo petista”, diz. Para ele, as medidas da nova equipe econômica não conterão o clima de desconfiança. “O governo vai provar do próprio veneno”, declara Aécio, que promete não apoiar aumentos de impostos. O senador afirma não ver motivos para impeachment de Dilma, mas defende investigação da campanha. O tucano desconversa sobre candidatura presidencial em 2018 e cita o governador Geraldo Alckmin ( SP) como opção do PSDB. Em relação a seu desempenho, diz: “Perdi a eleição, não perdi a luta política”. “Vamos estimular as pessoas a ter uma militância pós-eleição. Esse é o maior ativo. É isso que assusta o PT.” 

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domingo, dezembro 21, 2014

Dominique

Opinião

‘Antes de morir me quiero’

Gabeira
Com o reatamento das relações entre os EUA e Cuba, cumpre-se não só um desejo de cubanos, americanos, do Papa, mas também da maioria dos brasileiros. Nossa política externa sempre foi contra o bloqueio econômico. No governos Lula-Dilma, é verdade, esse desejo foi mais intenso e profundo, culminando com a construção do Porto de Mariel, que deverá ter um papel estratégico.

Alguns cubanos e parlamentares americanos não gostaram da decisão.

Interpretaram como uma vitória do castrismo. No momento, a reaproximação é um jogo em que todos ganham, sobretudo o povo cubano, que precisa, urgentemente, dessa abertura para o mundo.

Algumas vozes do governo brasileiro sonham com uma China no Caribe. Um regime autoritário mas com grande atividade econômica. Começam aí nossas divergências.

O acordo entre Obama e Raúl Castro não prevê mudanças políticas na ilha. Mas concentra suas esperanças na difusão da internet, um instrumento que tem um enorme potencial, sobretudo num povo alfabetizado como o cubano.

A posição sobre Cuba no Brasil tem uma linha divisória clara: apoiar ou condenar o regime autoritário. Acompanho o drama dos intelectuais dissidentes no país, li sobre 

como uma geração de poetas e escritores foi dizimada por uma burocracia truculenta e impiedosa. Cheguei a criar um comitê virtual para defender a libertação de Raúl 

Rivero, um poeta e escritor, que acabou deixando a prisão e rumando para a Espanha.

Gostaria de visitar Cuba. Assim como gostaria de visitar os Estados Unidos e a China. Os americanos me bloqueiam por um sequestro no século passado. Os diplomatas chineses sabem que sou simpático ao Tibet e ao Dalai Lama.

Antes de morrer, gostaria de rever as paisagens cubanas, onde vivi um ano e meio de minha vida. Gostaria de levar a câmera e buscar os vestígios de uma geração de artistas talentosos esmagados pelo regime.

Não será ainda numa China do Caribe que esse sonho poderá se realizar. Aliás, os burocratas petistas não sonham apenas em reproduzir as características da China em Cuba. Se pudessem, também instalariam aqui um regime autoritário com crescimento econômico. É o seu sonho de consumo.

No Brasil, o buraco é mais embaixo, creio eu. Um fator essencial para isso é a liberdade de expressão. Considerando nossa tradição diplomática contra o bloqueio, a construção do Porto de Mariel é inteligível. No entanto, as verbas foram mantidas em sigilo.

A transparência é outro fator vital como a liberdade de expressão. Alberto Youssef, o doleiro, foi a Cuba em missão oficial. Nas suas anotações apreendidas pela PF, há uma cifra, 3,2, ao lado da palavra Porto de Mariel.

São apenas detalhes de pé de página, num grande acontecimento histórico — diriam os defensores do governo. Mas são esses detalhes, liberdade de expressão e transparência, que nos dividem. Assim como nos divide a tese de que a corrupção é legítima, diante do crescimento da renda.

A mais duradoura das divisões ainda se refere à natureza do regime cubano. Cantada em prosa e verso pelos intelectuais brasileiros, a revolução cubana maravilhou poetas e escritores por aqui, enquanto lá aniquilava poetas e escritores.

Nunca houve em nosso país um protesto articulado de intelectuais contra a repressão em Cuba. A ilha é um paraíso congelado na fantasia da esquerda. Lula chegou a comparar os prisioneiros políticos em Cuba aos bandidos do PCC presos em São Paulo.

Cada um celebra à sua maneira uma vitória da tolerância e da coexistência pacífica. Os que sonham com uma China no Caribe sonham também com um regime capitalista dominado por uma burocracia comunista.

Antes de morrer, gostaria de ver uma Cuba livre, passear pelo Malecón acreditando que, pelo menos, tanto sofrimento, tanta tortura e tanta perseguição tiveram um sentido histórico.

Claro que um sonho também importante era ver a esquerda brasileira reconhecer o descaminho do regime castrista e centrar sua energia na solidariedade com o povo cubano.

Sei que estou pedindo muito. A vida não é tão longa assim. Mas o processo inaugurado nesta semana é, no fundo, uma esperança para todos, não só para os que desejam um próspero regime autoritário.

A blogueira Yoani Sánchez considerou o reatamento uma vitória do castrismo. A própria Yoani, que obteve tanta repercussão com um fio de internet na ilha, poderá alcançar os cubanos com mais facilidade, conectar-se melhor com o mundo.

Ao ver o adversário festejando, temos uma certa dificuldade em festejar também. É difícil reconhecer o tema em que todos ganham. O fim do bloqueio a Cuba é um deles.

Uma vez no exílio, para justificar a luta democrática, escrevi que o melhor na contradição não é a supressão de um dos polos. O mais fascinante é mudar o quadro em que ela se move. E não é que se moveu?

Original aqui

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U.V.

Manchetes do dia

Domingo, 21 / 12 / 2014

O Globo
"Lava-Jato já conta com 12 acordos de delação"

Nomes de cinco investigados que aceitaram colaborar ainda estão sob sigilo

O número de acordos de delação premiada no âmbito da Operação Lava-Jato já chega a 12, informam Carolina Benevides e Letícia Fernandes. Desses, cinco nomes ainda não foram divulgados até agora. Em entrevista ao GLOBO, o procurador que lidera as investigações do caso, Deltan Dallagnol, afirma que, sem o procedimento, dificilmente o esquema bilionário de corrupção na Petrobras teria sido desvendado, e as investigações estariam restritas ainda a “poucos milhões”. Ele explica as condições do acordo: “Você não vai fazer a colaboração para trocar um peixe grande por um pequeno. Faz a colaboração para trocar um peixe pequeno por um grande ou para trocar um peixe por muitos”. 

Folha de S.Paulo
"Bancos desafiam Justiça e seguram fundos da Lava Jato"

Instituições rejeitam transferir recursos de investigados; argumento é que mexer no dinheiro afetará outros clientes

Bancos privados têm resistido a transferir para contas judiciais recursos milionários bloqueados na Operação Lava Jato, segundo documentos obtidos pela Folha. O juiz do caso, Sérgio Moro, adotou a medida para evitar que os investigados usufruam “do produto suas atividades criminosas”. O bloqueio atinge, entre outros, executivos de construtoras, doleiros, lobistas e ex-dirigentes da Petrobras. A Polícia Federal estima que o valor movimentado ultrapasse os R$ 10 bilhões. Uma parte desse montante foi desviada de obras da estatal e, posteriormente, aplicada em instituições financeiras. Os bancos argumentam a Moro que o dinheiro está em aplicações de longo prazo, como CDBs e fundos, e querem esperar o vencimento dos títulos para evitar redução nos ganhos - deles e de clientes não relacionados ao escândalo. Procuradas, as instituições não comentaram, alegando sigilo.

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