sábado, dezembro 20, 2014

Dominique

Opinião

Uma encenação patética

O ESTADO DE S.PAULO
O escândalo da Petrobrás revela agora sua face patética, protagonizada pela presidente Graça Foster: "A gente não queria que nada disso tivesse acontecido. Para não acontecer, teria que ter criado barreiras anteriormente. Mais fortes do que as barreiras que foram criadas". Se isso não for uma confissão de incompetência diante de sua obrigação de evitar que "tivesse acontecido", só pode ser uma mensagem cifrada para quem tinha poder para "não querer" que acontecesse. Ou seja, no olho do furacão no qual ninguém mais no governo parece se entender, Graça Foster pode ter-se permitido um singelo ato de penitência... ou o desabafo, na forma de um chute no pau da barraca. Ou as duas coisas juntas. A esta altura, não faz muita diferença.

Esse espetáculo foi oferecido aos jornalistas que, na quarta-feira passada, compareceram a um café da manhã com toda a diretoria da Petrobrás, um encontro de confraternização de fim de ano ao qual faltou, por razões óbvias, o caráter festivo. Graça Foster aproveitou a ocasião para esclarecer que já procurou Dilma Rousseff "três, quatro" vezes para demitir-se.

A presidente da estatal, em declarações que podem ser definidas também como inacreditáveis, deu a entender que ela e a diretoria da empresa só começaram a desconfiar da farra da propina depois da Operação Lava Jato, deflagrada em março último, que levou para o cotidiano da empresa "outras palavras" como "lavagem de dinheiro, organização criminosa, crime de corrupção, peculato". "Tivemos que aprender a viver dessa forma, com tantas palavras tão incomuns na nossa vida. E tudo ficava na expectativa de que podia não ser verdade. Mas no dia 8 de outubro, com o acesso ao depoimento do ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa, veio a confirmação dessas palavras que a gente queria negar." Definitivamente, patético.

Persistindo nessa linha, Foster defendeu a importância de auditorias internas diante do impasse criado pela hesitação dos auditores externos em avalizar o último balanço trimestral da empresa: "Nós deveremos ter uma sinalização positiva de que a diretoria está em condições, do ponto de vista de suas práticas de governança, de assinar o balanço. Para isso, precisamos dessas auditorias". E acrescentou, nesse contexto: "Eu preciso ser investigada; eu e os diretores precisamos ser investigados". Os auditores externos que o digam.

Na área política, a colaboração para enriquecer o repertório do escândalo ficou por conta do deputado Marco Maia (PT-RS), relator da CPI mista da Petrobrás. Na semana passada, Maia apresentou seu relatório se eximindo de recomendar o indiciamento de quem quer que fosse entre os envolvidos na investigação. Pressionado pela repercussão negativa da decisão, reconsiderou os termos do relatório original e decidiu pedir o indiciamento de 52 pessoas, a maior parte delas já transformada em réus em decorrência da Operação Lava Jato. E fez mais: engrossou o coro dos que pedem a demissão de Graça Foster e de toda a diretoria da empresa. O novo relatório foi aprovado pela CPI.

E para coroar o desempenho petista em dias que contribuíram fartamente para enriquecer, digamos, as excentricidades dessa fase negra da história da Petrobrás, Lula entrou em cena. Depois de participar de solenidade no Ministério da Justiça, durante a qual tentou minimizar a importância da Operação Lava Jato fazendo críticas ao "julgamento midiático" e ao "vazamento seletivo" de denúncias, o ex-presidente foi questionado pelos jornalistas sobre a permanência ou não de Graça Foster no comando Petrobrás. "Eu não acho nada. É um problema da presidenta Dilma." E arrematou, sem corar: "Eu não posso dar palpite".

Como a roda do maior escândalo da era petista não para, ainda na quinta-feira o jornal Valor revelou informações contidas em documentos da Petrobrás, de acordo com os quais a diretoria da estatal, da qual Graça Foster fazia parte, ignorou, em 2009, recomendações de áreas técnicas internas e permitiu que o prejuízo nas obras da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, com contratos de várias naturezas e propostas para licitações, inicialmente previstos em US$ 836 milhões, aumentasse mais de 10 vezes, para US$ 10,5 bilhões. Vem mais por aí.

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U.V.

Manchetes do dia

Sábado, 20 / 12 / 2014

O Globo
"Ex-gerente entrega ao MP e-mails de alerta a Graça"

Em depoimento, funcionária diz que cúpula da estatal sabia de desvios

Ex-gerente da Petrobras Venina Velosa da Fonseca reafirmou ontem, em depoimento de cinco horas a procuradores da Lava Jato que a presidente da Petrobras Graça Foster, e teda a diretoria da empresa, sabiam de irregularidades nos contratos da Diretoria de Abastecimento, chefiada por Paulo Roberto Costa Venina, segundo seu advogado, ainda entregou cópias de documentos e e-mails que diz ter enviado a integrantes da cúpula da companhia alertando sobre desvios em contratos de comunicação e nas obras da Refinaria Abreu e Lima. A Petrobras afirmou que não teve acesso ao conteúdo do depoimento e, por isso, não comentou.

Folha de S.Paulo
"Governo aumenta juro de longo prazo para as empresas"

Meta é reduzir despesas do Tesouro e reequilibrar contas públicas; alta da TJLP para 5,5% é a primeira desde 2003

O governo Dilma elevou as principais taxas de juros para empréstimos de longo prazo a empresas no país. A medida faz parte da nova estratégia da equipe econômica de reduzir as despesas do Tesouro Nacional com os subsídios de financiamentos realizados por meio do BNDES. Em reunião com a presidente, o ministro Guido Mantega (Fazenda) e seu sucessor Joaquim Levy aumentaram a TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo) de 5% para 5,5% ao ano. É a primeira alta desde outubro de 2003, início do governo Lula. Essa taxa é adotada em 90% dos empréstimos do BNDES. O governo também subiu a faixa de juros nas taxas do PSI (Programa de Sustentação do Investimento) de 4% a 8% para 6,5% a 10% ao ano. O objetivo é reequilibrar as contas públicas e reduzir o tamanho da dívida, num esforço para recuperar a credibilidade da política fiscal do governo.

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sexta-feira, dezembro 19, 2014

Baixinho de bico grande


Coluna do Celsinho

Mecânico

Celso de Almeida Jr.

Amanhã, 20 de dezembro, comemora-se o dia do Mecânico.

Tenho carinho especial pela profissão.

Afinal, o Celso - pai - seguiu este caminho.

Em meu pensamento, sua oficina, suas ferramentas.

Lembro de um curso que fez na fábrica da General Motors em São Caetano do Sul.

Usava um guarda pó branco.

Falava da limpeza e da organização da oficina-escola.

Eu, criança, achava mais bacana me lambuzar na graxa.

Lavar peças imundas.

Sujar a calça jeans.

Hoje, entendo as exigências técnicas.

Ambiente de trabalho muito limpo, ferramentas sofisticadas, atualização permanente.

Uma carreira promissora.

A compreensão das novas tecnologias, a especialização e o treinamento integram a rotina de quem faz esta escolha.

Cursos em diversos níveis facilitam o acesso a este mundo fascinante.

Os desdobramentos são fantásticos.

Manutenção de automóveis, aeronaves, motocicletas, máquinas diversas.

Avançar para engenharia mecânica, mecatrônica...

Perspectivas excelentes.

Desafios permanentes.

É isso!

Para os mecânicos, este sabadão é de comemoração.

Parabéns, Celsão!

Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com

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Dominique

Opinião

A educação na América Latina

O ESTADO DE S.PAULO
Divulgado durante a XXIV Cúpula Ibero-Americana, realizada no México, o relatório da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) sobre o comportamento da economia da região avalia que, em 2014, ela crescerá somente 1,5% - bem menos da média dos países filiados à entidade. Foi a primeira vez, em uma década, que isso ocorreu. A diminuição do ritmo de crescimento é atribuída à queda do valor das commodities, à desaceleração da economia chinesa, ao aumento do custo dos financiamentos e à menor entrada de capitais.

Com relação a 2015, o relatório também é pessimista. Ele prevê que a região crescerá só 2,5%. O relatório aponta ainda que a perda de dinamismo da economia latino-americana está comprometendo a produtividade da região, causando desemprego e, por consequência, ampliando a exclusão social. Segundo a OCDE, a única saída para assegurar a inserção dos trabalhadores da região na economia formal é aumentar sua qualificação, uma vez que têm um nível de escolaridade muito abaixo dos padrões necessários a uma economia competitiva e capaz de ocupar mais espaços no mercado mundial.

Formação de capital humano é condição indispensável para que a América Latina consiga passar a níveis mais sofisticados de produção, adverte o relatório. "Se quisermos evitar uma década de baixo crescimento na região, devemos melhorar os padrões educacionais, as competências da força de trabalho e impulsionar a inovação tecnológica", disse o secretário-geral da OCDE, Ángel Gurría, durante o lançamento do relatório.

A riqueza das nações, o sucesso das empresas e a prosperidade dos indivíduos dependem dos investimentos em educação. Não se trata apenas da riqueza material trazida por maior produtividade, e sim de maior bem-estar. E isso exige um sistema educacional de melhor qualidade, especialmente no âmbito do ensino básico, capaz de preparar os alunos para lidar com as novas tecnologias de produção.

No Brasil, o acesso ao ensino fundamental aumentou significativamente nas duas últimas décadas. Mas, por causa de políticas educacionais ineficientes, a formação dos estudantes tem ficado longe de resultados aceitáveis. Segundo as avaliações nacionais, como a Prova Brasil, a maioria dos estudantes recebe uma formação defasada. O tempo de estudo é menor que o de países com maior presença no comércio mundial. Muitas crianças e adolescentes estão atrasados na escola, não cursando as séries correspondentes à sua idade. O número de alunos do ensino fundamental incapazes de ir além das operações aritméticas e de textos simples é preocupante. As avaliações internacionais - como o Pisa, promovido pela OCDE - mostram que quase dois terços dos estudantes de 15 anos não dominam conceitos básicos de ciência nem conseguem resolver problemas práticos da vida real.

Lançado em 2010, o Plano Nacional de Educação (PNE) para a atual década foi aprovado com mais de quatro anos de atraso. O plano trata de tudo, mas falha nas definições de premissas básicas. Também não enfatiza a importância do mérito na avaliação do desempenho de alunos e de professores. E, além de prever metas ambiciosas, muitas delas irrealistas, o PNE aumentou de 7% para 10% do Produto Interno Bruto os gastos obrigatórios do País com educação.

O problema é que a ineficiência do sistema educacional brasileira não decorre da insuficiência de recursos, mas de gestão inepta, sem qualquer compromisso com padrões mínimos de qualidade. Por isso, desde sua aprovação, especialistas em educação deixaram claro que o PNE não cumprirá suas metas e que o aumento dos investimentos no setor não resultará em mais qualidade, já que os recursos adicionais provavelmente serão apropriados pelas corporações de docentes e servidores.

O relatório da OCDE traz uma advertência importante. Ao apontar a educação como o motor do desenvolvimento, ele lembra que a diferença no desempenho dos estudantes da região e os dos países desenvolvidos equivale a 2,4 anos de escolaridade. E, com exceção do Chile, os países latino-americanos não têm políticas claras para reduzir essa diferença.

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U.V.

Manchetes do dia

Sexta-feira, 19 / 12 / 2014

O Globo
"Na diplomação, Dilma diz que vai renovar Petrobras"

Em cerimônia no TSE, presidente defende estatal e pacto anticorrupção

Petista promete implantar na empresa uma nova estrutura de controle e governança e defende modelo de partilha dos campos de petróleo; oposição afirma que não basta falar e que é preciso agir

Em meio à crise que atinge a Petrobras por causa das denúncias de corrupção, a presidente Dilma aproveitou a cerimônia de sua diplomação no TSE do segundo mandato para sair em defesa da estatal. Apesar de manter Graça Foster no comando da petroleira, disse que a estatal será renovada e que é preciso apurar com rigor “tudo de errado que foi feito”, prometendo implantar a estrutura de governança e controle “mais eficiente que uma estatal já teve” e defendendo o modelo de partilha dos campos de petróleo. “Temos de punir as pessoas, não destruir as empresas”, afirmou ela, que agora propôs um pacto nacional contra a corrupção. A oposição pôs em dúvida as medidas moralizadoras anunciadas por Dilma. “Não basta só falar, é preciso agir e renovar toda a diretoria”, reagiu o deputado Mendonça Filho, líder do DEM.

Folha de S.Paulo
"Alckmin mira 'gastão' com taxa extra na conta de água"

Consumidor da Grande SP que superar a sua média terá ônus de até 50%

Em meio à estiagem e com os principais reservatórios sob risco de colapso, Geraldo Alckmin (PSDB) cobrará sobretaxa na conta de água dos "gastões", como o governador paulista chama as que desperdiçam. A medida vale a partir de janeiro para 31 cidades da Grande SP. Se a alta no consumo foi igual ou menor e 20% em relação à média de fevereiro de 2013 a janeiro de 2014, o contribuinte terá 20% de acrésdmo na conta. Aquele que gastar acima de 20% em relação à média pagará 50% a mais. O bônus para quem economizar foi prorrogado. Para tentar reduzir o consumo, o governo distribuirá kits de economia de água, com válvulas para diminuir a vazão das torneiras. Have-á também a entrega de caixas-d'água de 500 litros para 10 mil casas, a fim de que não dependam mais só do abastecimento da rua. Alckmin declarou que a sobretaxa não rem "caráter punitivo, mas educat ivo". "Queremos que rodos colaborem." Para a Proteste, entidade de defesa do consumidor, a medida é punitiva. A OAB-SP diz que ela pode ser abusiva e avalia acionar a justiça. 

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quinta-feira, dezembro 18, 2014

Dominique

Opinião

A segunda morte de Celso Daniel

O ESTADO DE S.PAULO
Celso Daniel foi prefeito de Santo André e coordenava o programa da campanha, que seria vitoriosa, de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República quando, em 18 de janeiro de 2002, foi sequestrado ao sair de uma churrascaria em São Paulo na companhia de Sérgio Gomes da Silva. Dois dias depois, seu corpo foi encontrado em Juquitiba com sinais de tortura e sete tiros. Na terça-feira passada, 12 anos e 300 dias depois do sequestro, uma turma de quatro ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) aceitou habeas corpus impetrado pela defesa de Sérgio e anulou julgamentos realizados na Justiça sobre o caso. Serão suspensas as penas dos corréus condenados e feitos novos interrogatórios. Da turma, dois ministros, Marco Aurélio Mello, relator, e Dias Toffoli, votaram a favor, e dois, contra. O acusado foi beneficiado porque, em caso de empate, a defesa vence.

Este empate é uma das muitas controvérsias neste processo sempre polêmico. O caso foi aberto na jurisdição da delegacia de Itapecerica da Serra, cujo titular, Romeu Tuma Júnior, reconheceu o cadáver. A pretexto de impedir uso político da investigação, o então governador Geraldo Alckmin encarregou do caso o Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP). Em 6 de março de 2002 o adolescente L. S. N. confessou ter matado Celso a tiros. Em 1.º de abril o delegado Armando de Oliveira Costa Filho apresentou o relatório final da investigação policial concluindo que sete criminosos sequestraram Celso Daniel por engano. Tê-lo-iam confundido com outra pessoa, um comerciante que seria o verdadeiro alvo do sequestro e cuja identidade jamais seria revelada.

Esta conclusão tem sido contestada com veemência pela família da vítima e por membros do Ministério Público Estadual (MPE), que nunca acreditaram na hipótese de crime banal e estabeleceram ligação entre o assassinato e um esquema de corrupção existente na gestão de Celso Daniel na prefeitura de Santo André. Seu irmão mais velho, o oftalmologista João Francisco Daniel, denunciou que eram cobradas propinas para financiar campanhas do PT. Segundo ele, o atual secretário-geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, que era secretário de governo de seu irmão, lhe teria contado que chegou a transportar malas de dinheiro de Celso para o então presidente do PT, José Dirceu. Com base nisso, ele e outro irmão, Bruno José Daniel, professor universitário e militante de esquerda, pediram reabertura do caso, alegando que a motivação do crime pode ter sido política. Em 5 de dezembro de 2003, Sérgio Gomes da Silva foi denunciado pelo MPE sob a acusação de ter sido o mandante. De acordo com essa versão, o prefeito teria sido executado após descobrir o propinoduto montado por Sérgio.

Em 18 de novembro de 2010 a Justiça condenou a 18 anos de prisão Marcos Bispo dos Santos. Dois anos depois, seriam condenados Ivan Rodrigues a 24 anos, Rodolfo de Oliveira a 18, José Edison da Silva a 20, Elcyd Brito a 21 e Itamar Messias da Silva dos Santos a 20. Durante esses processos, o juiz de Itapecerica da Serra, Antônio Galvão, não permitiu que o advogado de Sérgio, Roberto Podval, participasse do interrogatório dos corréus. Em 4 de dezembro de 2012 o STF suspendeu a ação criminal, que tinha julgamento previsto para ocorrer no primeiro semestre de 2013. E, nessa terça-feira, a Primeira Turma do STF acolheu a queixa da defesa de Sérgio.

Do sequestro de Celso até a decisão de terça-feira muitos fatos estranhos se somaram ao caso. O sequestrador Dionísio Aquino Severo foi morto no parlatório do presídio. Outras seis pessoas que testemunharam fatos correlatos ao crime tiveram o mesmo destino.

Em dezembro de 2014 o operador do mensalão, Marcos Valério Fernandes, contou que deu R$ 6 milhões ao empresário Ronan Maria Pinto para evitar que ele chantageasse Lula e outros petistas revelando o que sabia sobre o caso. Federais e procuradores encontraram no escritório de Meire Poza, contadora de Alberto Youssef, documento que comprovaria esta denúncia. Agora a reabertura dos inquéritos sobre a morte de Celso Daniel ocorrerá simultaneamente à devassa do Petrolão.

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U.V.

Manchetes do dia

Quinta-feira, 18 / 12 / 2014

O Globo
"EUA e Cuba reatam relação; ‘isolamento não funcionou’"

Obama diz que acordo após 53 anos ‘inicia novo capítulo nas Américas’

Raúl Castro afirma que gesto do presidente americano merece o respeito e o reconhecimento dos cubanos, mas pede o fim definitivo do embargo, que depende do Congresso. 

‘Somos todos americanos’, disse presidente dos EUA

Em pronunciamentos simultâneos, nos EUA e em Cuba, os presidentes Barack Obama e Raúl Castro fizeram História ontem ao anunciarem o reatamento das relações diplomáticas entre os dois países, pondo fim a 53 anos de hostilidades e ao último capítulo da Guerra Fria. O acordo foi negociado por 18 meses, em encontros secretos no Canadá e no Vaticano, e culminou com telefonem a de uma hora e meia entre os dois presidentes. A base da negociação foi a libertação de dois americanos e de três espiões cubanos. Os dois presidentes acertaram a abertura de embaixadas em Washington e Havana, a libertação de 53 prisioneiros políticos e a retirada da Ilha da lista americana de países que apoiam o terrorismo, abrindo espaço para o governo cubano tom ar financiamentos no exterior. Obama disse que 50 anos mostraram que o isolamento não funcionou: “Todos somos americanos”, disse, em espanhol. Já Raúl reconheceu o gesto de Obama, mas alertou que o acordo ainda não solucionou o fim do embargo, que depende do Congresso americano.

Folha de S.Paulo
"EUA e Cuba libertam presos e reatam relações após 53 anos"

'TODOS SOMOS AMERICANOS', DIZ OBAMA EM ESPANHOL 
RAÚL CASTRO AFIRMA QUE DECISÃO MERECE 'RESPEITO' 
FIM DO EMBARGO À ILHA TERÁ DE SER APROVADO PELO CONGRESSO DOS EUA

Em discursos históricos e simultâneos nesta quarta-feira (17), o presidente Barack Obama (EUA) e o ditador Raúl Castro (Cuba) anunciaram que os dois países vão reatar relações diplomáticas, após período de 53 anos de hostilidades. Obama citou o "fracasso" da política americana de isolar o governo socialista da ilha vizinha. Em espanhol, disse: "Todos somos americanos". Raúl afirmou que a decisão merece "respeito". Em 1961, no auge da Guerra Fria, a tentativa dos EUA de invadir Cuba levou ao rompimento entre os países. Agora os americanos planejam reabrir a embaixada em Havana e irão retirar o status de "patrocinador do terrorismo" da ilha. Com o anúncio de Obama, foram amenizadas restrições sobre remessas e viagens, mas o fim completo do embargo econômico, que Raúl exigiu, depende de aprovação do Congresso dos EUA. Num gesto de reaproximação, o governo Obama liberou três cubanos presos no país, e Cuba soltou dois americanos que mantinha detidos. O anúncio desta quarta veio após 18 meses de negociações intermediadas pelo Canadá e apoiadas pelo papa Francisco. Obama e Raúl conversaram por telefone por 45 minutos na terça. A presidente Dilma descreveu o reatamento como "uma mudança na civilização".

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quarta-feira, dezembro 17, 2014

Dominique

Opinião

Não quero ter razão

Ferreira Gullar
Não resta dúvida de que tenho muitos defeitos, mas se há uma coisa que não sou é ressentido. Aliás, não só não sou como acho bobagem ser, porque o ressentido fica sofrendo, com raiva do outro que já nem pensa nele. Ou seja, o ressentido é, no fundo, um masoquista, sofre porque gosta de sofrer.

Mas é claro que não é só por pensar desse modo que não me deixo levar pelos ressentimentos; é meu jeito apenas, não tenho vocação para ficar remoendo mágoas.

Não obstante, de vez em quando, alguém me entrevista, entende mal o que digo, passa ao leitor a ideia de que odeio artistas contemporâneos e que não esqueço a discordância com o grupo concretista de São Paulo, ocorrida há mais de 50 anos, e por aí vai. E, veja bem, esse desentendimento ocorreu há mais de 50 anos, em torno de questões de que ninguém mais se lembra.

Pois bem, é o cara que, no curso da entrevista, puxa esse assunto porque deseja pôr um pouco de pimenta na conversa. Respondo a suas perguntas e ele, quando escreve o que eu disse, imprime a minhas palavras um tom exacerbado que foi ele que inventou.

Se eu não me ressinto da ofensa que alguém me tenha feito há uma semana, vou estar furioso com um fato ocorrido há meio século? Só se eu fosse doente mental.

Mas a vida é assim mesmo, tem de tudo. Confesso que até já me habituei a esse tipo de desconsideração e, se agora a isso me refiro, é porque uma amiga me telefonou irritada com a tal entrevista e surpresa com o tom das frases a mim atribuídas. Tratei de tranquilizá-la, dizendo-lhe que continuo o mesmo cara bem-humorado que não se enfurece à toa, muito menos com esse tipo de assunto.

Sucede, porém, que o tal entrevistador não se limitou à ruptura com os concretistas, não; procurou retratar-me como um inimigo dos artistas contemporâneos, alterando o que costumo afirmar.

Enfim, para quem não me conhece, a imagem que fica é a de um velho ultrapassado, contra tudo o que é novo. Ainda mais agora, quando acabo de entrar para a Academia Brasileira de Letras.

Com isso, claro, deixo um flanco aberto. Mas pouco me importa o que pensam pessoas sem isenção. Nunca pretendi ser uma unanimidade nem me considero acima de qualquer crítica. Errar, errei muito; a diferença talvez esteja no fato de que costumo reconhecer meu erro, quando é o caso, e trato de buscar o caminho certo. E posso errar de novo, claro. Mas o que fazer? Por isso, afirmei certa vez: não quero ter razão, quero ser feliz.

No entanto, embora não pretenda ter sempre razão, não abdico do direito de opinar. Por exemplo, acho que o que se chama hoje de arte contemporânea nem sempre pode ser considerado arte. Certamente, todo mundo tem o direito de fazer o que deseja fazer, só que não sou obrigado a gostar do que fazem.

Por exemplo (como citou o tal repórter), enviar urubus numa gaiola para a Bienal, como se fosse obra de arte, pode ser, no máximo, uma piada. Não obstante, acho que o cara tem o direito de fazê-lo e eu, o direito de achar que não é arte.

Mas não o faço zangado, embora me diga respeito, já que dediquei grande parte de meu tempo a ler e a refletir sobre arte.

Admito, mesmo que às vezes o faça de gozação, tal o disparate que tais coisas implicam. Acrescente-se que o surrealismo e o dadaísmo fazem parte de minha formação, e Breton e seus companheiros me ensinaram que o humor e a irreverência são parte da criação artística.

Se quer saber o que penso de tais manifestações, lhe digo: o cara está dizendo que a arte acabou, que tanto faz pintar um quadro como mandar urubus para uma exposição. Só que esse tipo de atitude antiarte é coisa velha, uma vez que o tal urinol de Marcel Duchamp, que foi a primeira manifestação desse tipo, completará um século daqui a três anos.

Não é por acaso que as bienais estão morrendo, como a atual Bienal de São Paulo, cuja visitação é uma melancólica perda de tempo.

Enquanto isso, os artistas de verdade continuam criando obras de arte, obras que não têm que ser obrigatoriamente pintura, escultura ou gravura. Pode ser, por exemplo, uma instalação, mas deve mostrar criatividade e comover as pessoas. 

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U.V.

Manchetes do dia

Quarta-feira, 17 / 12 / 2014

O Globo
"CVM cobrou explicação de Graça sobre denúncia"

Apesar de e-mails, estatal diz que presidente só foi informada de desvios este ano

Ex-gerente Venina Velosa enviou mensagens a diretores e a Graça desde 2009, mas empresa agora afirma que textos ‘não explicitaram irregularidades ’; ministro da Justiça e vice-presidente saem em defesa de dirigente

Foi um pedido de informações feito pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que levou a Petrobras a negar, quatro dias depois da denúncia, que a presidente Graça Foster tenha sido informada sobre irregularidades na estatal antes da Operação Lava-Jato. Em nota, a Petrobras afirmou que, só em 20 de novembro deste ano, Graça recebeu da geóloga e ex-gerente da petroleira Venina Velosa e-mails relatando desvios na estatal. E-mails, porém, foram enviados desde 2009, como revelara o jornal “Valor Econômico” na sexta-feira. A resposta da Petrobras foi divulgada na madrugada de ontem à imprensa, duas horas depois de chegar ao sistema de comunicados da CVM. Uma das mensagens que Venina enviou a Graça, segundo o “Valor”, data de 7 de outubro de 2011. Nela, Venina disse sentir vergonha de trabalhar na empresa e se põe à disposição para enviar documentos a ela. Ontem, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, voltou a defender a presidente da Petrobras dizendo que “não há (contra ela) nenhum ato ilícito que possa implicar juízo de valor”. Também o vice-presidente Michel Temer defendeu Graça.

Folha de S.Paulo
"Gasto de estatais com publicidade cresce 65%"

De 2000 a 2013, empresas ligadas ao governo investiram R$ 15,7 bi em propaganda

De 2000 a 2013, as estatais federais elevaram suas despesas com publicidade em 65%, já descontada a inflação. No ano passado houve gasto recorde de R$ 1,48 bilhão. Nesses 14 anos, a despesa com propaganda das empresas controladas pelo governo somou R$ 15,7 bilhões em valor atualizado. Petrobras, Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil responderam por 86% dessas verbas. A lista de veículos que acessaram esses recursos só foi liberada após ação movida pela Folha. Os dados mostram pulverização no destino das verbas. De 4.398 veículos em 2000, foram 10.817 em 2013. Com R$ 4,2 bilhões, a Rádio Globo foi a empresa que mais recebeu recursos em 14 anos — segundo o governo, a maior parte deste dinheiro foi usada para pagar anúncios veiculados pela Rede Globo de Televisão. Estatais dizem que distribuem as verbas com o objetivo de fortalecer a marca.

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terça-feira, dezembro 16, 2014

Dominique

Opinião

Situação insustentável

O ESTADO DE S.PAULO
Durante a campanha eleitoral, já com a Operação Lava Jato em curso, o marketing lulopetista gastou tempo e muito dinheiro para denunciar a "falta de patriotismo" de quem fazia qualquer tipo de restrição à administração da Petrobrás. Criticar a Petrobrás era o mesmo que agredir o Brasil. Hoje, com a empresa sangrando copiosamente, perdendo valor de mercado, prestígio nacional e internacional e a confiança dos investidores; contemplando a perspectiva de ver dívidas gigantescas terem seu vencimento antecipado porque não consegue ao menos apresentar balanços financeiros rotineiros; enfim, mergulhada na maior e mais grave crise de sua história - diante de tudo isso, antipatriótico é fingir acreditar que os gestores da Petrobrás não tenham nenhuma responsabilidade pelo escândalo.

A substituição de Graça Foster e equipe seria, no mínimo, o atendimento de uma satisfação devida ao público, muito especialmente aos credores e investidores, além de demonstrar que a presidente da República está disposta a agir para ajudar a Petrobrás a sair do buraco cada vez mais fundo em que foi enterrada pela irresponsabilidade das administrações lulopetistas.

No entanto, uma das características mais marcantes da personalidade de Dilma Rousseff é sua dificuldade de reconhecer os próprios erros. Há quem chame isso de teimosia, mas certamente é um comportamento que tem mais a ver com um certo fundamentalismo ideológico. Um viés identificável também, por exemplo, na irredimível desconfiança que a criatura de Lula nutre em relação à iniciativa privada nas atividades econômicas. Há também quem credite a resistência da presidente em mexer no comando da estatal à sua fidelidade à amiga e antiga colaboradora que colocou na presidência da empresa.

Essas, contudo, seriam as versões indulgentes para o comportamento de Dilma Rousseff no escândalo da Petrobrás. Pois não se pode descartar a possibilidade de que a chefe do governo esteja pura e simplesmente procurando criar uma cortina de fumaça em torno da responsabilidade que ela própria tem nessa história toda. Afinal, Dilma, economista que se tornou especialista no setor energético, participa da vida da Petrobrás desde a inauguração do governo Lula, em 1.º de janeiro de 2003, como ministra de Minas e Energia, depois como ministra-chefe do Gabinete Civil da Presidência e também presidente do Conselho de Administração da estatal. E nos últimos quatro anos como presidente da República. Diante desse currículo se pode dizer que, em 12 anos de governo petista, nenhuma autoridade governamental esteve mais estreitamente ligada à Petrobrás do que Dilma Rousseff.

A presidente da República conhece suficientemente os meandros e o funcionamento da maior estatal do País para saber que Graça Foster e toda a diretoria da Petrobrás não reúnem mais condições de permanecer em seus cargos, por menores que sejam suas responsabilidades na farra da propina. A preservação do que ainda resta da boa imagem da empresa e sua recuperação exigem providências drásticas. Trocar a diretoria, até para preservar os empregados, comissionados ou não, que não tenham culpa no cartório, é uma das providências imediatas ao alcance de Dilma.

O clamor pela substituição da atual diretoria da Petrobrás tem aumentado nos últimos dias. Foi defendida na semana passada, em duas oportunidades, pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que, como chefe do Ministério Público Federal (MPF), a esta altura já tem uma boa noção da profundidade e da abrangência do escândalo investigado pela Operação Lava Jato.

No último fim de semana, Marina Silva, candidata derrotada do PSB à Presidência, e o governador paulista Geraldo Alckmin engrossaram o coro. "Essa diretoria", afirmou Marina, "foi mantida durante todos esses anos e não teve a competência e o compromisso para evitar o que foi feito." Alckmin, por sua vez, preconizou "não só mudança de pessoas, mas mudança de métodos". Está mais do que na hora de Dilma começar a ouvir.

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U.V.

Manchetes do dia

Terça-feira, 16 / 12 / 2014

O Globo
"Ações da Petrobras desabam e são suspensas na Bolsa"

Após queda de 10%, Bovespa tenta acalmar investidores com leilão

Negociação foi interrompida por 15 minutos, e valor de mercado da estatal já caiu 25% em seis pregões seguidos; para o Planalto, saída de Graça da presidência da companhia é questão de tempo

A queda de 10% nas ações da Petrobras, no sexto pregão seguido de recuo, fez a Bovespa interromper três vezes a negociação de papéis da estatal ontem, por 15 minutos no total. A Bolsa usou um mecanismo de leilão, na tentativa de acalmar o mercado e elevar o valor das ações. Mesmo assim, os papéis perderam quase 10% do valor. As ações da Petrobras, afetadas pelos escândalos de corrupção, pelo atraso na divulgação do balanço financeiro e pela queda do preço internacional do petróleo, caíram 25% no acumulado dos seis pregões. Auxiliares da presidente Dilma dizem que a saída de Graça Foster da presidência da Petrobras é questão de tempo. E que isso deve ocorrer se alguma agência de classificação de risco retirar o selo de grau de investimento da estatal. Ontem, a S&P disse que não prevê mudar a nota da Petrobras.

Folha de S.Paulo
"Ações da Petrobras têm o menor valor em mais de 10 anos"

Papéis da estatal desabam e levam Bolsa ao pior nível em nove meses; ex-diretor Cerveró é denunciado à Justiça

A decisão da Petrobras de adiar mais uma vez a divulgação do balanço do terceiro trimestre, na sexta (12), derrubou os papéis da estatal, que romperam a barreira dos R$ 10 pela primeira vez em mais de dez anos. As ações preferenciais, as mais negociadas, caíram 9,2%, para R$ 9,18, o menor valor desde junho de 2004. Já os papéis ordinários (direito a voto) caíram 9, 9%, para R$ 8, 52, no menor valor desde novembro de 2003. Durante o pregão da Bolsa, as ações deixaram de ser negociadas da maneira habitual e entraram no chamado leilão, mecanismo que entra em vigor quando um papel tem forte queda para evitar desvalorização maior. A derrocada das ações da Petrobras pesou no Ibovespa, o principal índice da Bolsa brasileira, que fechou em queda de 2,05%, ao menor nível desde março. Ontem (15), a Procuradoria apresentou denúncia criminal à Justiça contra o ex-diretor da área internacional da Petrobras Nestor Cerveró. 

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segunda-feira, dezembro 15, 2014

Dominique

Opinião

Assim é se lhe parece

O ESTADO DE S.PAULO
Contas de campanha eleitoral podem ser rejeitadas, aprovadas com restrições ou simplesmente aprovadas pela instância competente da Justiça Eleitoral. A não ser para efeito de exploração política, no entanto, essas opções não chegam a fazer muita diferença. Afinal, o próprio sistema eleitoral brasileiro é objeto frequente de rejeição, muitas vezes aprovado com restrições e dificilmente aprovado pura e simplesmente por parte daqueles que são os maiores interessados, os agentes políticos, para não falar no eleitorado, que mal faz ideia de como esse jogo é jogado. A bem da verdade, todo o ritual em torno da prestação de contas eleitorais é exercício de ficção, para não dizer uma farsa pura e simples, no melhor estilo pirandelliano. Até as maçanetas dos tribunais eleitorais sabem que, qualquer que seja o partido político, a verdade sobre as finanças de campanhas eleitorais permanece cuidadosamente ao abrigo do Caixa 2 velho de guerra.

Dessa perspectiva, a aprovação com restrições das contas de campanha da presidente Dilma Rousseff pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e a rejeição das contas da campanha do governador Geraldo Alckmin pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de São Paulo devem ser consideradas na dimensão que merecem. Elas são exemplares, principalmente, do espírito de faz de conta com que os partidos políticos vão tocando o assunto. Mas também, o que é igualmente lamentável, da falta de cerimônia com que alguns juízes, talvez cientes da importância muito relativa da tarefa específica que lhes incumbe, preferem transformar o tribunal em proscênio para a exibição de seus talentos performáticos.

A aprovação com restrições da prestação de contas do PT e a rejeição daquela do PSDB paulista são consequência dos erros, omissões, imprecisões, inconsistências e muitas outras irregularidades apontadas pelos técnicos de ambos os tribunais. Quando se sabe que tudo não passa de uma enorme encenação, lambança desse porte só pode ser o resultado da pouca importância que os "profissionais" por ela responsáveis atribuem à tarefa de prestar contas das campanhas eleitorais. Tudo bem que os relatórios, cálculos, planilhas e toda a parafernália à sua disposição sirvam, no caso, apenas para disfarçar uma realidade que não é segredo para ninguém. Mas esse trabalho poderia, pelo menos, ser levado a sério, com um mínimo de competência, para salvar as aparências.

Por outro lado, a controvérsia em torno do episódio da designação do ministro Gilmar Mendes para relatar o processo do PT no TSE e toda a exposição midiática à qual ele se submeteu, fazendo suspense sobre o teor de seu voto, confirmam outro aspecto do papel imposto à Justiça Eleitoral. Não se pode, é claro, desmerecer o elogiável empenho do TSE e dos tribunais regionais em conduzir com eficiência o complexo processo da realização de eleições em todo o País a cada dois anos. Mas quando se trata de fiscalizar, dentro de um sistema completamente viciado, os aspectos financeiros das campanhas eleitorais, a Justiça Eleitoral acaba tornando-se refém da exploração política, por parte tanto de seus próprios integrantes, quanto da militância partidária ávida por recolher pelo caminho pedras que possam ser atiradas contra os adversários.

Minutos após a aprovação, com restrições, mas por unanimidade, pelo TSE das contas de campanha de Dilma Rousseff e do anúncio quase simultâneo da rejeição das contas de Geraldo Alckmin pelo TRE paulista, a militância petista, aliviada e fiel ao princípio de que o PT está absolvido de todos os pecados que os "inimigos" também cometem, inundou as redes sociais com manifestações de júbilo pelo que consideram um atestado de idoneidade concedido aos protagonistas da mais antirrepublicana campanha presidencial do último quarto de século.

O PT estava, na verdade, tão preocupado com o julgamento do TSE, que chegou a contratar uma auditoria independente na tentativa de confrontar a análise dos técnicos daquela corte que recomendavam a rejeição das contas da campanha de Dilma. Como se viu, não precisava tanto.

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U.V.

Manchetes do dia

Segunda-feira, 15 / 12 / 2014

O Globo
"Petrobras assinou contrato em branco"

Cláusula para construção de plataforma, pela holandesa SBM, não indicava valor

Relato feito à CPMI mostra que o mesmo ocorreu com primeiro aditivo à obra

A diretoria da Petrobras subscreveu um contrato sem valor estimado para a construção do navio-plataforma P-57, em janeiro de 2008. Os valores foram preenchidos apenas sete meses depois. A P-57 foi vendida por US$ 1,2 bilhão à Petrobras pela empresa holandesa SBM, que pagou US$ 36,3 milhões em propinas. Entre 2005 e 2011, segundo confessou a SBM, foram distribuídos US$ 102,2 milhões em subornos a dirigentes da estatal. O agente da empresa holandesa no Rio repassava informações sigilosas da estatal para a sede, incluindo o “Plano Diretor do Pré-Sal”, classificado como confidencial.

Folha de S.Paulo
"Países pobres também terão de reduzir CO2, decide cúpula"

Conferência prevê que nações terão até março para apresentar metas

Após impasse sobre a divisão de responsabilidades e com dois dias de atraso, a Cúpula do Clima da ONU em Lima terminou com um consenso entre os países. Pela primeira vez na história, todas as nações ficam obrigadas a se comprometer com ações para conter o aquecimento global — antes, eram só os países ricos. O texto final da conferência, “Chamado de Lima para a Ação sobre o Clima”, aponta os elementos principais do próximo acordo global do clima, a ser assinado no final do ano que vem em Paris. Os países industrializados concordaram que sua responsabilidade pelos cortes de CO2 é maior. As promessas devem ser divulgadas até março de 2015. As nações terão de dizer o que farão para conter o aquecimento após 2030. Porém, não se conseguiu estabelecer quais parâmetros guiarão tais declarações, como padronização sobre quais serão os anos-base utilizados. Além disso, os países ricos devem oferecer compensações aos que sofrem impactos do aquecimento, como tempestades. 

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domingo, dezembro 14, 2014

Dominique

Opinião

Maconha revisitada

Gabeira
Foi lançada nos EUA a primeira marca global de maconha: a Marley. É uma homenagem a Bob Marley. Os empresários prometem honrar Marley com um produto à altura de seu passado e talento. É um caminho diferente do uruguaio. Em Montevidéu, senti que a posição do governo era a de controlar o comércio. Algo como os suecos fazem com o álcool, distribuindo-o em armazéns estatais. Sinto saudade do velho deputado mineiro Elias Murad. Ele é contra a legalização e fizemos centenas de debates sobre o tema, estimulados pelo governo que queria sentir o pulso da sociedade.

Tanto discutimos que ficamos amigos. Se Elias faltasse a um debate, seria capaz de substitui-lo com todos os seus argumentos. Da mesma forma, ele sabia de cor o meu discurso. Lembro-me do período com certa ironia, por acreditar, naquela época, que debates como os nossos iriam abrir caminho para uma decisão nacional. Preocupado com a produção do café em Minas, Elias fez um projeto determinando uso do café na merenda escolar. A pequena concessão à cafeína foi a única brecha que encontrei na sua cruzada antidroga.

A cafeína na virada do século XX ainda era vista com suspeição. A própria Coca-Cola só conseguiu superar as reservas, quando num genial golpe de marketing associou seu produto ao Papai Noel. Olho para trás sorrindo por algumas razões pessoais. Quase todos os problemas que levantamos acabam sendo engolfados pelo capitalismo. Na década dos 60, rasgaram-se muitos sutiãs, mas o que estava destinado a revolucionar o sexo no planeta era a pílula anticoncepcional.

De novo, no início da década dos 80, toda a pregação sobre a política do corpo também acabou absorvida pelo capitalismo, através de centenas de academias de ginástica, produtos esportivos, complementos alimentares, cirurgias plásticas e tantas coisas mais. O próximo passo é a conquista do cérebro com implantes que ampliem a inteligência e uma entrada de USB na nossa nuca.

A maconha, depois de anos de proibição, também cai no circuito capitalista. A legalização em sucessivos estados americanos acabou propiciando a exploração industrial. O próprio milionário Warren Buffet mostrou-se disposto investir na cannabis. O financista George Soros financiou uma campanha pela maconha legal, na Califórnia. A maioria do povo brasileiro é contra a legalização. Disso, Elias e eu, sabemos bem. Recentemente, uma pesquisa indicou que a maioria é contra até o uso medicinal, o que não deveria impedir o curso da legalização, nesse caso particular.

Se perguntássemos à maioria se é contra o uso medicinal da morfina, talvez respondesse sim, exceto aqueles que sentiram muita dor ou viram entes queridos sofrendo. Tenho grande respeito pelos que defendem a proibição da maconha e, em certos casos, como o do velho Elias, mais que respeito, admiração. No entanto, as coisas tornam-se mais complexas com o tempo. A Marley será exportada para países que permitem o uso. Provavelmente chegará ao Uruguai. O Paraguai já exporta maconha ilegal tanto para o Brasil como para os próprios uruguaios.

O cenário dos próximos anos indica que a Marley pode chegar ao Brasil, escondida, como chegam tantos produtos legais fugindo dos impostos. Pode continuar chegando via Paraguai de forma ilegal como chega hoje, ou mesmo surgir numa versão falsificada, como tantas marcas de uísque.

A maconha legal abre também o campo para a produção do cânhamo, uma canabis com baixo teor de THC, usada hoje em centenas de aplicações industriais. Resistir à legalização além da posição moral ganhará os contornos românticos da resistência à abertura de um novo campo ao capitalismo.

No fim do século passado, escrevi um livro sobre a maconha. É apenas um rascunho. O processo evoluiu tanto que se me encontrasse hoje com Elias iria propor um café bem forte para avaliar o quadro. Gostaria de escrever a história da maconha, como acho que deveria ser escrita a história da cafeína e da nicotina que, combinadas, deram um grande impulso à fase industrial. Um cafezinho e um cigarro sempre foram um estímulo ao trabalho. No caso do cigarro, com um grande preço em vidas humanas e recursos materiais. A ignorância é uma droga pesada. Embora existam muitos livros, o impacto dessas substâncias na história humana ainda precisa estudos detalhados. A cocaína, por exemplo, é elemento vital para a compreensão da trajetória da Colômbia.

Mas o tempo passou, outros temas capturaram minha atenção. A marcha do capitalismo não depende tanto de minha energia intelectual. Toda vez que escrevo sobre maconha, lembro-me de Elias Murad que, no passado, me deu um livro sobre a toxicidade silenciosa da erva, com uma carinhosa dedicatória. Os males que a maconha traz ainda são discutíveis. Elias talvez se recorde de meu esforço para convergir: a maconha mata, certamente, se um pacote de cinco quilos cair do décimo andar na cabeça de quem passa.

Original aqui

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U.V.

Manchetes do dia

Domingo, 14 / 12 / 2014

O Globo
"Propinas para plataformas chegaram a até 10%"

Empresa holandesa pagou US$ 102 milhões de suborno a dirigentes

Repasses ilegais foram feitos entre 2005 e 2011. Para que Lula pudesse inaugurar um navio no meio da campanha presidencial de 2010, a SBM antecipou a entrega e recebeu por isso mais US$ 25 milhões da estatal brasileira. A empresa holandesa SBM confessou. Em acordo Judicial, pagamentos de até 1% em propinas para fechar 13 contratos de aluguel e venda de plataformas marítimas com a Petrobras. Foram US$103 milhões em subornos pagos a dirigentes entre 2005 e 2011. Agente da SBM no Rio, Julio Faerman fez os repasses através de empresas em paraísos fiscais, A investigação lista 13 nomes de funcionários da Petrobras, entre eles, o do ex-diretor Renato Duque, Ele e seu gerente Pedro Barusco que de delação premiada na Operação Lava Jato, assinaram um aditivo de US$ 25 milhões com a SBM antecipando a entrega de um navio-plataforma que o então presidente Lula pudesse inaugurá-lo em outubro de 2010 em plena campanha presidencial.

Folha de S.Paulo
"Corrupção na Petrobras afasta investidor dos EUA"

Levantamento mostra que 15% dos grandes fundos venderam todos os papéis da estatal

O escândalo de corrupção na Petrobras afugenta grandes investidores da companhia no mercado norte-americano. A Operação Lava Jato da Polícia Federal revelou um esquema de desvios de dinheiro e fraudes em contratos da empresa. Levantamento da Folha mostra que 25% dos investidores institucionais (fundos de pensão e de investimento) reduziram em ao menos um terço o número de papéis da estatal negociados em Nova York que possuíam desde o início do semestre. Já 15% dos fundos venderam todos os papéis que constavam em seu portfólio. O cenário para a empresa no mercado norte-americano se agrava. A Petrobras é investigada pelas autoridades regulatórias americanas e processada por investidores. Analista de mercado em Nova York afirma que “é arriscado manter as aplicações, porque ninguém sabe dizer se já chegou ao fundo do poço. Procurados, os Fundos afirmaram que não comentam movimentações em seus portfólios. 

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