sábado, novembro 29, 2014

Tem um pote de ouro...


Coluna do Celsinho

Palavras e origens

Celso de Almeida Jr.

Gabriel Perissé, mestre em Literatura Brasileira e doutor em Filosofia da Educação, é autor de vários livros.

Um, em especial, Palavras e origens, visito com frequencia.

Publicado pela Editora Saraiva, trata-se de uma coletânea de curiosidades etimológicas, revelando as origens de diversas palavras de nosso cotidiano.

A bela apresentação é de Jean Lauand, Professor Titular da Faculdade de Educação da USP.

Nela, Lauand revela gratidão a Perissé por nos conduzir "ao frescor da força viva com que a palavra surgiu" e "por dar-nos este remédio dos deuses para a doença tipicamente humana: o esquecimento!"

Perissé sinaliza: "Ler bem é ouvir o que as palavras nos dizem".

E, de forma lúdica, seleciona centenas de palavras, tornando agradável e leve este aprendizado.

Como exemplo - adequado para a ocasião - trago sua explicação para FIM DO ANO LETIVO:

"O que termina com o ano letivo? Letivo provém do verbo latino legere, que significa ler. Ano letivo é o período em que há leitura, ou, em sentido amplo, estudo."

Também é propício - ao final de mais um ano eleitoral - reproduzir uma explicação que Perissé classificou na categoria Política e Vida Jurídica, O PURO DEPUTADO:

"O adjetivo latino putus significa puro, sem mistura. O verbo putare indicava atos de purificação, o que pressupõe reflexão e escolha. A expressão argentum putum, dinheiro honesto, era muito usada na antiguidade romana. O deputado depurado é o escolhido pela sua idoneidade para realizar uma missão que requer honestidade e fidelidade ao mandato recebido."

Uma boa lembrança, em tempos de mensalão e petrolão.

Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com 

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Dominique


Opinião

Joaquim 2º (ou A Capitulação)

Alexandre Schwartsman
Já houve um ministro da Fazenda com o mesmo nome no período republicano (Joaquim Murtinho, o responsável pela estabilização da economia depois do Encilhamento), mas a numeração aqui não se refere a isso, e sim ao fato de Joaquim Levy ter sido a segunda opção da presidente após a constrangedora recusa de Luiz Carlos Trabuco na semana passada.

Obviamente não me escapa (nem a ninguém) a deliciosa ironia de a presidente que demonizou banqueiros durante sua campanha -ladrões de comida de criancinhas, lembram-se?- não apenas chamar um deles para gerir a economia mas também, depois de rejeitada, insistir no tema (e na instituição financeira!) para atrair para seu governo um economista identificado com precisamente o oposto do que praticou (e pregou) nos últimos quatro anos.

Trata-se, sujeito ainda a algumas considerações, de reconhecimento explícito do fracasso épico da "nova matriz macroeconômica". A combinação de frouxidão fiscal, descaso com a inflação e voluntarismo, seja nas tentativas de intervenção na taxa de câmbio, seja na repetida intromissão do governo no domínio econômico, teve como resultado crescimento medíocre, inflação alta, desequilíbrios externos consideráveis e redução do ritmo de expansão da produtividade, uma rara combinação de incompetência.

Muito embora o futuro ex-ministro da Fazenda e sua arrebatadora equipe tenham responsabilidade direta pelo insucesso, deve ser claro que esta se limita à execução da malfadada política econômica, ou seja, à de fantoches que jamais almejaram virar meninos de verdade. Não há dúvida de que a formulação do fiasco emanou diretamente da presidente, cujas opiniões equivocadas sobre a economia são de conhecimento geral e amplamente comentadas neste espaço.

Em razão disso a presidente enfrenta um problema difícil: como convencer o distinto público acerca de sua firmeza de propósito no que se refere à mudança de rumo do país?

Bom, para começar, precisa de um ministro da Fazenda que não se sujeite ao papel de marionete, mensagem que lhe parece ter sido passada de forma insistente pelo ex-presidente. Nesse sentido, podemos entender a escolha de executivos do setor financeiro indicados por Lula: a provável reação negativa do mercado, assim como possivelmente do próprio ex-presidente, tornaria muito custosa uma eventual demissão, ou seja, a "autonomia operacional" (perdão pela gargalhada íntima) do novo ministro seria, de alguma forma, assegurada pela ameaça de "destruição mútua".

Posto de outra forma, falamos do equivalente a amarrar as mãos da presidente para que ela não possa mais gerir a economia da mesma forma desastrada que fez de 2011 para cá.

Resta, porém, saber se a presidente realmente entendeu a extensão do problema e, se for o caso, tem mesmo a disposição para limitar de forma radical seu próprio poder.

A rejeição de Luiz Carlos Trabuco, quando boa parte da imprensa dava por certa sua indicação, oferece pistas importantes. Não há como se convencer de que derive das questões corporativas alegadas naquele momento. Esse problema já existia antes da conversa com a presidente e é difícil acreditar que seja a causa para a desistência já aos 44 minutos do segundo tempo.

Parece-me que o cerne da discussão -como não poderia deixar de ser- refere-se à real extensão do poder ministerial. Trabuco, no meu entender, teria recusado o cargo por não ter garantias suficientes quanto à sua autonomia.

Caso esteja certo a esse respeito, seriam também remotas as chances de que a presidente tenha oferecido condições mais vantajosas a Levy do que as apresentadas a Trabuco. A autonomia do ministro, no caso, terá mesmo que se equilibrar no delicado balanço da "destruição mútua", base muito frágil para assentar o futuro do país, considerados os estragos dos últimos anos.

Há muito a fazer para corrigir o rumo, mas tudo indica que a presidente ainda não se deu conta do tamanho da encrenca.

Original aqui

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U.V.

Manchetes do dia

Sábado, 29/ 11 / 2014

O Globo
"PIB sobe só 0,1%, e país sai da recessão técnica"

Em queda, PIB reagiu e entre julho e outubro cresceu 0,1%

A indústria e os investimentos puxaram a recuperação, com alta de 1,7% e 1,3%. A agropecuária porém teve perda de 1,9% por causa da seca. O consumo das famílias caiu 0,3%. Na comparação com 34 países que já divulgaram seus resultados, o Brasil só não cresceu menos que a Ucrânia, Japão e Itália no 3º trimestre. Com a economia fraca, ficará mais difícil o ajuste fiscal prometido pela nova equipe econômica. No acumulado de 12 meses até outubro, o superávit foi só de 0,56% do PIB.

Folha de S.Paulo
"Consumo das famílias vai mal, e PIB cresce só 0,1%"

Resultado tira país de recessão técnica, mas indica estagnação às vésperas de cortes de gastos públicos

Às vésperas da implantação de um programa de redução de gastos públicos, o PIB (Produto Interno Bruto, soma de riquezas do país) mostra estagnação, com alta de somente 0,1% no período de julho a setembro. Essa variação quase imperceptível bastou para tirar o país da recessão técnica, após os recuos do PIB no primeiro e no segundo trimestre. O número indica que 2014 deve fechar com crescimento próximo a zero. Motor da economia nos últimos anos, o consumo das famílias recuou 0,3% no terceiro trimestre em relação aos três meses anteriores. Foi a maior queda desde o fim de 2008. Época da crise Internacional. A demanda cedeu com preços em alta, juros maiores e crédito restrito. Indústria (1.7%) e investimentos (13%) reagiram, mas esses dois indicadores acumulam no ano queda de l,4% e 7,4% respectivamente. Com a economia frágil, o início de 2015 deve ter a marca do ajuste prometido pela nova equipe econômica. Mas analistas acham que essa correção pode levar o país a crescer a partir do segundo semestre. 

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sexta-feira, novembro 28, 2014

Pitacos do Zé


Educação e Cidadania

José Ronaldo Santos
Ninguém discorda que a educação melhora a vida em sociedade. Todos os aspectos, desde a questão do lixo até a política, deveriam passar pelo sistema educacional. Só assim teremos novas mentalidades, inclusive nas famílias (atuais e futuras). É urgente que haja a transformação de mentalidades e práticas, caso contrário de nada bastarão as leis.

Mesmo apresentando um quadro escolar feio (13% de analfabetos e 35% de analfabetos funcionais), o Brasil é capaz de despertar, de valorizar as boas práticas. Neste dia, 28/11/2014, um grupo de alunos do 1º ano do ensino médio, da E.E. Florentina Martins Sanches, sob o incentivo da professora Sandra Begotti, no bairro do Perequê-mirim (Ubatuba-SP), numa parceria com a associação de moradores, estará em mutirão de limpeza do rio e entorno, indo do sertão até a praia. Desde já parabenizamos a todos.

Esperamos  que, nos próximos anos, mais escolas aperfeiçoem a cidadania partindo de gestos bem concretos, tão essenciais à vida. Assim reduziremos a estupidez humana que vai causando tantas destruições.

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Dominique


Opinião

Agronegócio e a morte da Amazônia

Leão Serva
É comum ver nos discursos de empresários e políticos o pensamento ufanista sobre as maravilhas de nosso agronegócio, dizendo que a produção brasileira "alimenta o mundo" e que nosso gado é "verde". É um discurso que lembra a propaganda do Brasil Grande, de triste memória, e tenta pôr uma grande sujeira para baixo do tapete.

Os estrangeiros já sabem: nossa exploração agrícola, soja à frente, já destruiu 4 de cada 10 hectares de cerrado. Nesse ritmo, esse ecossistema estará extinto em 20 anos. Não é à toa, visto que o nosso gado tem a pior produtividade do mundo: uma vaca ocupa, para engordar, um hectare de terra, cada vez mais frequentemente roubado à Amazônia. Com os mesmos metros quadrados, um agricultor europeu produz alimentos nobres e caros, para alimentar e enriquecer seres humanos. Enquanto isso, nossa soja alimenta porcos na China.

Se computarmos o dano irreversível ao meio ambiente, bem público que destrói com a devastação da terra, e o somarmos aos subsídios e às generosas rolagens de dívidas dos grandes produtores, o cálculo revelará um agronegócio insustentável. Em vez de alimentar o mundo e enriquecer os brasileiros, ele se tornou uma destrutiva usina de insumo industrial barato.

É um modelo que ameaça (ao invés de garantir) o objetivo de dobrar a produção mundial de alimentos em 35 anos para receber 2 bilhões de novas bocas. Para fazer sua parte, alimentar os brasileiros e ganhar dinheiro exportando comida de gente, não de suínos, é necessário mudar a escandalosa cultura de desperdício do campo brasileiro.

Quando se trata de plantar para dar de comer a rebanhos, a chamada "taxa de conversão" é muito baixa: uma vaca dá três calorias de carne para cada cem calorias de grãos que come para engordar (sim, 3%); o porco produz dez calorias, e o frango, 12, para cada cem que consome. É melhor o aproveitamento da vaca leiteira (40 calorias no leite) e da galinha poedeira (12 no ovo, para cada cem consumidas). Em outras palavras, gerar proteína animal é sempre um péssimo negócio, e o boi é o pior de todos.

E como funciona o agronegócio brasileiro? Metade de nossa produção agrícola é ração de animais a preços irrisórios. E a estrela de nossa pecuária é exatamente a carne de vaca. Enquanto isso, importamos feijão e outros alimentos pagando mais caro.

O Brasil viveu até hoje com a falsa impressão de que a água e a terra eram bens infinitos. Essa visão está em xeque com a crise hídrica, causada em parte pelo desmatamento da Amazônia e do cerrado. Num país em que a água escasseia, quase 70% de seu consumo é para irrigação de áreas de cultivo. A pecuária é um mata-borrão: suga 11% de nossa água -mesmo consumo dos 200 milhões de humanos do Brasil.
Com o desmatamento para abrir pastos, fontes de água são destruídas e o regime de chuvas muda. O gado não somente consome verdadeiras cachoeiras em seu processo de engorda, como já produz escassez antes mesmo de ocupar os extensos hectares de floresta que destrói.

Gastamos água, que falta a humanos, para matar a sede infinita das vacas e regar a soja que vai ser exportada a preços irrisórios. Enquanto isso, continuamos a nos ufanar de uma opção econômica que está nos consumindo a todos, com a água e a terra fartas que um dia este Brasil ganhou de presente.

Original aqui

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U.V.

Manchetes do dia

Sexta-feira, 28/ 11 / 2014

O Globo
"Levy anuncia meta fiscal para três anos"

Nova equipe econômica promete transparência e ajuste gradual

Superávit será de 1,2% do PIB em 2015 e de ao menos 2% em 2016 e 2017, disse novo ministro da Fazenda. Barbosa, do Planejamento, afirmou que vai adequar Orçamento. Tombini, mantido no BC, falou em redução da inflação

Ao ser anunciado oficialmente ontem, o futuro ministro da Fazenda, Joaquim Levy, indicou que mudará a política econômica. Anunciou metas fiscais para os próximos três anos e prometeu transparência nas contas públicas, com ajustes graduais, sem pacotes. Futuro ministro do Planejamento, Nelson Barbosa disse que vai adequar o Orçamento à nova política fiscal. Reconduzido ao cargo, Tombini, presidente do BC, prometeu voltar com a inflação para o centro da meta. Levy e Barbosa despacharão no Planalto até a posse, com os atuais ministros Mantega e Míriam Belchior ainda nos cargos. Para a oposição, a presidente Dilma mostra que mentiu na campanha. O mercado reagiu de forma positiva. Em evento mais tarde, Dilma disse que continuará a 'priorizar a inclusão social e o emprego'.

Folha de S.Paulo
"Levy promete aperto nas contas e transparência"

Confirmado na Fazenda, ele diz que Tesouro não vai mais repassar recursos para bancos públicos

Oficializada nesta quinta-feira (27), a nova equipe econômica afinou o discurso ao defender ajuste gradual das contas públicas, fim de repasses do Tesouro a bancos públicos e reequilíbrio da economia para manter políticas sociais do governo. Substituto de Guido Mantega na pasta da Fazenda, Joaquim Levy anunciou a meta de economizar 1,2% do PIB para o pagamento da dívida pública, o chamado superavit primário, em 2015. Em 2016 e 2017, esse índice passará a no mínimo 2%. Segundo Levy, alcançar essas metas é essencial para obter confiança, criar a base para o país crescer e consolidar avanços sociais. A política de repasses do Tesouro para bancos públicos com o objetivo de atrair investimentos acabou, disse. (...) Questionado sobre se Dilma Rousseff garantiu à nova equipe autonomia de trabalho, Levy ressaltou que ele, Barbosa e Alexandre Tombini, que continua no comando do Banco Central, contam com a "confiança" da presidente.

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quinta-feira, novembro 27, 2014

Dominique


Opinião

PT apela ao capitalismo, de novo

Sérgio Malbergier
O governo gastou como se não existisse amanhã, confundindo o futuro do Brasil com o futuro do governo. Mas quanto mais gastou, menos o país cresceu, menos o governo arrecadou. O país voltou ao fundo do poço com estagnação, inflação, fragilidades externas e agora o constrangedor calote da meta fiscal seguido pelo casuísmo tramitando no Congresso para legalizá-lo.

O fracasso retumbante, se não esclareceu quem não quer ser esclarecido, ao menos expôs o capitalismo de Estado, ou, na versão nacional, o desenvolvimentismo em toda a sua debilidade.

A crise do capitalismo no final da década passada ressuscitou o ímpeto estatista principalmente nas economias emergentes. Deu no que deu.

O ex-presidente americano Ronald Reagan dizia, como lembrou a revista "Economist", que as nove palavras mais assustadoras da língua inglesa eram "I'm from the government and I'm here to help" –sou do governo e estou aqui para ajudar.

A frase apareceu num artigo da revista sobre o ocaso do capitalismo de Estado como gestor de empresas, mostrando como estatais desses países foram as que mais perderam valor de mercado nos últimos anos.

O governo russo dizia que a estatal Gazprom seria a primeira empresa do mundo a valer US$ 1 trilhão. Hoje vale no mercado cerca de US$ 75 bilhões. Já a Apple nesta semana chegou a US$ 700 bilhões, um reluzente recorde mundial.

Em 2007, a China "comunista", locomotiva do capitalismo de Estado, cresceu mais de 14% contra 1,8% dos EUA, locomotiva do capitalismo capitalista. Hoje, a China cresce perto de 7%, com dúvidas sobre a consistência do modelo chinês, enquanto os EUA crescem perto de 4%, com confiança no vigor da economia americana.

O Brasil desde a crise pendeu para o estatismo, apesar de ter florescido justamente depois de o intuitivo Lula abraçar o capitalismo como quem abraça a salvação.

Conta-se hoje como piada o alívio de Lula recém-eleito presidente ouvir do desenvolvimentista Aloizio Mercadante, recém-eleito senador, que não poderia assumir o Ministério da Fazenda e trair os 10 milhões de votos que teve em São Paulo, abrindo caminho para o time Palocci consolidar a virada "neoliberal" do PT.

Apesar de todo o sucesso, com o país crescendo mais de 7% em 2010, Dilma resolveu dar uma guinada estatizante-intervencionista que parou o país. Nunca crescemos tão pouco nas últimas décadas. Perdemos quatro anos preciosos e vamos perder mais alguns para botar o país de novo nos trilhos.

Mas governo novo, ideias novas. É chocante e animador Dilma ter renegado tudo o que pensa e fez no seu primeiro mandato e vociferou na campanha para de novo abraçar a salvação do PT encarnada desta vez num ministro da Fazenda ortodoxo e fiscalista –pensamento oposto da presidente e da turma do sim que a cercou até aqui.

Só o capitalismo salvará o PT (e o Brasil), de novo. Se o PT deixar. 

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U.V.

Manchetes do dia

Quinta-feira, 27/ 11 / 2014

O Globo
"Derrota do governo adia pacote e posse de ministros"

Aliados não conseguem quorum para aprovar projeto que altera meta fiscal

Escolhas de Joaquim Levy para o Ministério da Fazenda e de Nelson Barbosa para o Planejamento serão oficializadas hoje, mas sem data de posse. Os dois, porém, passarão a despachar no Planalto

Sem apoio da base aliada e pressionado pela oposição, o governo foi derrotado no Congresso ao não conseguir votar ontem o projeto que altera a meta de superávit fixada para este ano. Houve violentos bate-bocas, e a sessão foi suspensa por falta de quorum. A derrota irritou o Planalto, que esperava anunciar hoje a nova equipe econômica já com a mudança aprovada. Com isso, os futuros ministros da Fazenda, Joaquim Levy, e do Planejamento, Nelson Barbosa, serão confirmados oficialmente , mas sem data de posse, e falarão apenas das diretrizes para 2015, sem detalhar medidas.

Folha de S.Paulo
"Justiça autoriza Haddad a aumentar IPTU em 2015"

Reajuste será de 15% a 30%, diz Prefeitura de SP ; Fiesp e PSDB vão recorrer

O Tribunal de Justiça de São Paulo julgou constitucional o reajuste de IPTU previsto pela gestão Fernando Haddad (PT), permitindo à prefeitura paulistana aplicar aumentos nos impostos de imóveis residenciais e comerciais no ano que vem. O reajuste foi aprovado em dezembro do ano passado, mas não entrou em vigor por causa de uma liminar obtida pelo PSDB e pela Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo). O tribunal derrubou essa decisão nesta quarta (26). O teto do aumento será de 15% (para imóveis residenciais) e 30% (comerciais). Haverá abatimento da inflação do período e reembolso para quem ficou isento com a nova lei, mas que, por causa da liminar, havia voltado à condição de pagante. Fiesp e PSDB, que apresentaram ação de inconstitucionalidade com a alegação de que o aumento era abusivo, devem recorrer da decisão judicial.

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quarta-feira, novembro 26, 2014

Pitacos do Zé


Lixo

José Ronaldo Santos
A imagem, num rio não tão distante da minha casa, mas que se repete em qualquer outro, é uma mostra de quanto ainda temos para crescer na educação. Todo esse lixo está apenas esperando uma forte chuva para ir rio abaixo e chegar na praia de Iperoig. É mole?

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Dominique


Opinião

Governo novo, ideias velhas

Ricardo Melo
Nem no seu nascimento o PT se pretendia um partido revolucionário, na acepção clássica do termo. Nem sequer reformista, nos moldes da social democracia do século passado. No máximo poderia ser caracterizado como um partido reformador.

Espaço existia, como prova a história: num país com desigualdades tão acentuadas como o Brasil, uma legenda reivindicando ser porta-voz dos trabalhadores e tendo em seu programa a luta, mesmo genérica, contra abismos sociais, conseguiu a proeza de emplacar quatro mandatos seguidos na direção do Planalto. Mas a fórmula não é eterna.

Impossível escapar. A política de agradar a Deus e ao Diabo encontra seus limites no sistema capitalista –embora no Brasil nem tarefas democráticas básicas, como a reforma agrária, ainda tenham sido cumpridas.

Mesmo com todas estas condicionantes, o triunvirato econômico que se dá como fechado para o próximo governo extrapola os limites da moderação. Na fase final da campanha, Dilma Rousseff abraçou o slogan de governo novo, ideias novas. Nada mais velho e cheirando a mofo do que os nomes aparentemente indicados para o núcleo duro da economia.

Não por acaso Joaquim Levy, Nelson Barbosa e Alexandre Tombini são comemorados pelo chamado mercado –aquele ente supostamente imaterial que afogou o planeta numa das maiores crises da história contemporânea.

Levy tem uma história vinculada ao "caixa": sua obsessão confessa é fazer o azul superar o vermelho, seja em que sentido for. Sua visão dispensa maiores preocupações com os custos sociais das fórmulas matematicamente "elegantes", capazes de levar a banca, grande capital e um setor da academia ao êxtase e ao mesmo tempo disseminar o desespero na maioria que possui pouco ou quase nada.

Barbosa e Tombini têm pouco a apresentar aos milhões que votaram na presidenta. São figuras miúdas, ideais para compor um time suscetível à pressão do mais forte. Moldáveis ao gosto do freguês.

Como brinde, anuncia-se a nomeação de Kátia Abreu para a Agricultura. Ainda não se sabe direito se é apenas um balão de ensaio ou um fato consumado. Confirmada a segunda hipótese, a coisa assume ares de provocação para uma parcela destacada dos que reconduziram Dilma ao Planalto.

Esta é a questão de fundo, aliás. Nos seus primeiros sinais, a administração vindoura parece ignorar as condições de sua vitória. Na eleição mais disputada dos últimos anos, o PT teve que recorrer às raízes profundas do partido, mantidas sob sedativos por anos de adaptação de fatias da legenda a benesses do poder. O apelo foi respondido com um triunfo inquestionável sobre a ofensiva conservadora.

Era de se esperar dos vencedores medidas no mesmo sentido. Todos percebem que a economia anda aos trancos e barrancos, fruto de uma crise mundial que não poupa ninguém e também da timidez do governo em aprofundar um caminho de ruptura com modelos vigentes. Some-se a isto o pessoal que aposta na profecia que se autorrealiza, entre os quais um setor importante do empresariado. A turma do "não investimos porque o país não vai crescer, e não crescemos porque deixamos de investir".

Longe de qualquer observador equilibrado esperar rupturas bruscas, mas sim de enxergar um horizonte que mantenha e aprofunde as conquistas sociais. Salvo pela existência de uma bem guardada carta na manga, impossível de se vislumbrar até agora, o novo governo vem andando na contramão do que prometeu. Um jogo mais do que perigoso.

Original aqui

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U.V.

Manchetes do dia

Quarta-feira, 26 / 11 / 2014

O Globo
"Levy deverá assumir logo para iniciar corte de gastos"

Anúncio de novo ministro da Fazenda está previsto para amanhã

Nelson Barbosa, escolhido para o Planejamento , também será empossado na sexta. Governo estuda fixar limite para o aumento de despesas a fim de mostrar compromisso com ajuste fiscal de longo prazo

A presidente Dilma deve anunciar amanhã os novos ministros da Fazenda, Joaquim Levy, e do Planejamento, Nelson Barbosa, que passaram a tarde ontem reunidos com ela. Ambos assumirão os cargos na sexta-feira, para iniciar logo um ajuste fiscal. O governo estuda fixar um limite para o aumento dos gastos correntes. Essa proposta chegou a ser defendida pela equipe econômica do primeiro mandato de Lula, mas, na ocasião, foi criticada por Dilma.

Folha de S.Paulo
"Governo prepara volta de tributo de combustíveis"

Cobrança da Cide, que vigorou até 2012, integra pacote fiscal em elaboração

O pacote fiscal do governo para ajustar as contas públicas inclui a volta da Cide, tributo para regular preços de combustíveis que vigorou até 2012. O plano seria apresentado ontem à presidente Dilma pelo ministro Guido Mantega (Fazenda). A decisão final sobre a medida depende do aval de Dilma e da nova equipe econômica. Joaquim Levy e Nelson Barbosa, convidados para a Fazenda e o Planejamento, foram a Brasília para fechar com a presidente as linhas gerais do pacote. As mudanças devem ser divulgadas no anúncio oficial dos ministros, previsto para amanhã. O plano propõe ainda gasto menor com seguro-desemprego, abono salarial e pensão pós-morte. As duas primeiras despesas somam R$ 45 bilhões anuais. Segundo técnicos do governo, a Cide pode gerar R$ 14 bilhões por ano se cobrada em seu maior valor, atingido em 2008, de R$ 0,28 por litro de gasolina e R$ 0,07 por litro de diesel.

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terça-feira, novembro 25, 2014

Pitacos do Zé


Nossas tradições

José Ronaldo dos Santos
Agora mesmo, no último domingo, fui à Praia da Barra Seca para rever os amigos caiçaras e assistir a uma regata de canoas. Que belas canoas!

A acolhida, preparada pelos moradores, era um legítimo café caiçara incrementado. As pessoas se empenharam na diversidade (frutas, bananas, batata doce cozida, bolos...). No cerimonial, logo que pisei na areia, encontrei o Élvio, o narrador oficial dessas provas mestre da dança-da-fita do Itaguá. As “feras do remo”, inclusive os veteranos, estavam ansiosos: Higino, Carneirinho, Nélio, Neco, Paulo e tantas outras feições familiares. Rapidamente, os poucos turistas também se aculturaram. De outras praias vieram outros remadores com muita disposição de mostrar seus talentos. Afinal, era uma genuína confraternização. Estevan, meu filho, mesmo tendo de pedalar muito, adorou esse dia.

O mar da Barra Seca, na regular calmaria, deixava em evidência o “peito de areia”, onde uma arrebentação distante mostrava o quanto as águas invadiram, no último século, esse local. “A caiçarada teve de correr”.

As provas tiveram início: canoa de um, de dois e de três remos; prova para as crianças, mulheres e casais... Todos eram atores principais sob aprovação dos mais antigos. Conforme a tradição, em dia de festa, vestidos a rigor eles apuravam a vista e não perdiam as emoções dos momentos. Que graça vê-los contentes, engrandecidos pela tradição que as novas gerações se esmeram em atualizar!

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Dominique


Opinião

Um projeto de extorsão contra a patuleia

Elio Gaspari
Dois diretores de empreiteiras disseram à Justiça que foram extorquidos pelo ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e seu operador financeiro, Alberto Youssef. Se não pagassem, teriam seus contratos prejudicados ou até mesmo cancelados. A tese é engenhosa. Pressupõe que empresas angelicais que fazem negócios com a Petrobras tornaram-se vítimas de dois demônios. Para que a pizza fosse ao forno, faltaria só o orégano.

A primeira denúncia da extorsão veio de Sérgio Mendes, vice-presidente e herdeiro da tradicional Mendes Junior, fundada em 1953 por seu avô. Ele contou que em 2011, a mando de Paulinho, pagou R$ 8 milhões a Youssef. Se não fizesse isso, estariam fechadas as portas e os guichês da Petrobrás. A Mendes Junior opera com o governo brasileiro há três gerações e com a Petrobras há pelo menos duas. Teve negócios bilionários (em dólares) com a cleptocracia de Saddam Hussein no Iraque. Admita-se que jamais molhou mãos alheias. Tendo sido obrigada, em 2011, não denunciou o malfeito. Seria tudo coisa do Paulinho e do Youssef.

A segunda denúncia de extorsão veio do diretor de óleo e gás da Galvão Engenharia, doutor Erton Medeiros. Seu advogado, José Luis de Oliveira Lima, explicou porque a Galvão ficou calada: "Se ele denunciasse o que estava acontecendo, era ameaçado de perder os contratos. Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef estão longe de serem Madres Teresas de Calcutá".

Bingo, "Paulinho" e Youssef são delinquentes, mas colaboram com a Viúva. Madres Teresas seriam a Galvão Engenharia e suas colegas. Segundo o doutor Erton, na origem de tudo estaria o deputado José Janene (morto um ano antes) e o dinheiro do achaque iria para o Partido Progressista. Bingo de novo, e surge mais uma Madre Teresa: o PT.

Durante a última campanha eleitoral a Galvão Engenharia deu R$ 1,4 milhão ao diretório nacional do PT, partido da doutora Dilma. Portanto, a empresa foi achacada por dois delinquentes, não se queixou, e fez uma bela doação ao partido que, governando o país, nomeou Paulinho para uma diretoria da Petrobras. Entre 2006 e 2012 as grandes petroempreiteiras torraram R$ 856 milhões em doações para campanhas eleitorais. O PT ficou com R$ 266 milhões.

Nessa batida a coisa fica assim: os dois delinquentes que estão colaborando com a Viúva achacavam empresas e uma delas entrou na dança levada por um deputado que morreu, em benefício de um partido subsidiário. Tudo o mais seria golpismo, terceiro turno e coisa de uma elite contrariada. Já a elite lubrificada, à qual ascendeu o comissariado petista, vai bem, obrigado.

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U.V.

Manchetes do dia

Terça-feira, 25 / 11 / 2014

O Globo
"Corrupção na Petrobras teve até recibo de propina"

Notas fiscais provam que empreiteira pagou R$ 8,8 milhões a operador do esquema

Dinheiro foi entregue ao empresário Shinko Nakandakari, novo personagem do escândalo. Segundo a PF , ele é ligado a Renato Duque, ex-diretor de Serviços da estatal acusado de operação criminosa para políticos do PT

A empreiteira Galvão Engenharia apresentou à Polícia Federal uma série de notas fiscais que, segundo a empresa, comprovam o pagamento de propinas no valor total de R$ 8,8 milhões à Diretoria de Serviços da Petrobras, ligada ao PT. Pelos recibos, os pagamentos foram feitos entre 2010 e 2014 à empresa de consultoria de Shinko Nakandakari, braço-direito de Renato Duque, ex-diretor de Serviços da estatal, acusado de operar o esquema junto a políticos petistas. O repasse mais recente é de 25 de junho deste ano, dois meses após a Operação Lava-Jato ter sido deflagrada pela PF. Os depósitos variam de R$ 115 mil a R$ 750 mil, e as notas indicam que sobre o valor da propina foram até recolhidos impostos. Erton Medeiros Fonseca, da Galvão Engenharia, alega que cedeu à pressão de Nakandakari porque a empreiteira vinha sendo preterida nas licitações da Petrobras. Ontem, dois procuradores da Lava-Jato viajaram à Suíça para tentar recuperar parte do dinheiro enviado para lá por envolvidos no escândalo.

Folha de S.Paulo
"Irmão de ex-ministro das Cidades se entrega à PF"

Adarico Negromonte é acusado de levar valores para doleiro; defesa pede soltura

Irmão do ex-ministro das Cidades Mário Negromonte (PP), que chefiou a pasta de janeiro de 2011 a fevereiro de 2012, o último foragido da sétima fase da Operação Lava Jato, Adarico Negromonte Filho, se entregou nesta segunda-feira (24) à Polícia Federal em Curitiba. Segundo a apuração sobre o esquema de desvios na Petrobras, Adarico foi apontado como “encarregado de transporte de valores em espécie” e “subordinado” do doleiro Alberto Youssef. A advogada Joyce Roysen afirmou que Adarico “prestou esclarecimentos à Justiça”, mas sem detalhar o que disse em depoimento de uma hora e meia nem rechaçar as suspeitas. A defesa pediu a revogação da prisão. A empreiteira Galvão Engenharia apresentou à Justiça comprovantes de que pagou R$ 8,8 milhões do que considera propina para um emissário da diretoria de serviços da estatal, na época em que era chefiada por Renato Duque.

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segunda-feira, novembro 24, 2014

Dominique


Opinião

Nonsense

Ferreira Gullar
Tenho escrito muito sobre política, aqui, neste meu espaço, quando poderia estar falando de outros assuntos mais agradáveis. Sucede, no entanto, que são tantos os fatos ocorridos ultimamente, envolvendo os interesses dos cidadãos, que me sinto obrigado a comentá-los. Como já se previa, Dilma, depois de reeleita, arcaria com a herança maldita que ela própria criou.

Durante a campanha eleitoral, essa questão foi levantada durante os debates, mas ela negava que houvesse qualquer problema maior a ser enfrentado, pois tudo o que diziam era mera invenção. Todos, sobretudo ela, sabiam que não era, e a prova disso é que ainda não começou o seu segundo mandato, e a encrenca já está aí escancarada.

Na crônica anterior, me referi à derrota que ela sofreu na Câmara ao propor a criação de conselhos populares e ao aumento da taxa Selic que, durante a campanha, ela afirmava que não aumentaria. Houve aumento da gasolina e do óleo diesel, da energia elétrica e outros virão inevitavelmente, contrariando tudo o que ela prometeu.

A verdade, porém, é que a encrenca recrudesceu mais cedo do que se esperava, com o avanço da Operação Lava Jato, que já mandou prender 23 implicados no escândalo da Petrobras, quase todos eles executivos de grandes empreiteiras que prestam serviços a essa empresa. O montante das propinas ultrapassa os R$ 59 bilhões.

E os propineiros estavam tão à vontade que chegaram a criar um clube para assaltar a empresa. Um dos integrantes desse clube era Renato Duque, diretor de Serviços da Petrobras, indicado para o cargo pelo então ministro da Casa Civil, José Dirceu. Ao Duque cabia de 2 a 3 % do montante da propina, que ele passava para o PT e partidos aliados.

Como se trata de uma empresa de porte internacional, tem a Petrobras ações em bolsas de países, como os Estados Unidos, de modo que esse escândalo tende a ganhar escala internacional, comprometendo gravemente o prestígio da nossa maior empresa.

Diante disso o governo, no início, se fez de surdo e não respondeu aos jornalistas. Mas não dá para fazer de conta que não tem nada com isso, como, aliás, é o jeito dos petistas de sair pela tangente.

Numa entrevista a Miriam Leitão, o ministro Mercadante adotou o mesmo procedimento que Dilma durante a campanha eleitoral: quando lhe perguntavam alguma coisa inconveniente, ela respondia outra, e quase sempre aludindo ao governo de Fernando Henrique Cardoso. Aécio, diante daquilo, pedia que ela deixasse de lado o passado e falasse do presente e do futuro. Pois bem, lembrei-me dela ao ouvir as respostas de Mercadante.

À pergunta sobre a situação atual da economia brasileira, que não cresce, o ministro respondeu: "A China também reduziu o crescimento". Não adiantou a Miriam dizer que não queria saber sua opinião sobre a China e, sim, sobre o Brasil. Claro, a China reduziu seu crescimento de 14 para 7,5 %, enquanto o Brasil caiu de 2 para 0,2 %.

Parece piada. Mas não é. Esse é o truque de que se valem os petistas para fugir às perguntas inconvenientes.

No dia seguinte, quem apareceu falando na televisão foi o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo.

No caso dele, não se tratava de responder a perguntas de jornalistas, mas de tentar convencer a opinião pública de que esses escândalos todos não têm maior importância, uma vez que o governo está dando todo apoio à apuração da verdade.

Já a oposição, que perdeu as eleições –disse ele– está querendo reabrir a campanha eleitoral, como se houvesse um terceiro turno. E acrescentou: "Quem perdeu perdeu; quem ganhou ganhou. E quem ganhou governa". E quem perdeu, faz o quê? pergunto eu. Fica caladinho, porque, se falar, está querendo um terceiro turno, ou seja, dar um golpe?

Um ministro da Justiça não pode dizer uma coisa dessas, porque dá a entender que não deve haver oposição a quem ganhou. Ou seja, só quem ganhou tem o direito de falar, opinar, mentir à vontade. Já os derrotados, uma vez que perderam, não podem criticar o governo porque, se o fizerem, estarão querendo derrubá-lo. É bem o PT, que sempre fez feroz oposição a governos adversários. De minha parte, defendo a legitimidade do mandato de Dilma Rousseff.

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U.V.

Manchetes do dia

Segunda-feira, 24 / 11 / 2014

O Globo
"EUA ameaçam com cadeia envolvidos em corrupção"

Governo americano aperta cerco a executivos ligados a esquemas ilícitos

Procuradora que investiga casos como o da estatal diz que ‘perspectiva de prisão é muito real’

As autoridades americanas estão empenhadas em prender executivos de empresas estrangeiras envolvidas em escândalos de corrupção e que tenham ativos ou ações em Bolsa nos EUA, caso da Petrobras. O alerta foi dado pela procuradora-geral assistente do Departamento de Justiça, Leslie Caldwell. “Se eles participam de atos de corrupção, terão perspectiva muito real de ir para a prisão”, disse, sem citar uma investigação em particular. Cresceu nos EUA a pressão para que, além de empresas, altos funcionários sejam punidos. Nos últimos cinco anos, 50 pessoas sofreram processos desse tipo, metade delas em 2013.

Folha de S.Paulo
"Empreiteiro deu propina de R$ 5 mi para operador"

O pagamento seria entregue à diretoria de serviços da Petrobras, ligada ao PT

Um empresário recolheu propina de R$ 5 milhões, paga pela Galvão Engenharia, dizendo-se representante da diretoria de serviços da Petrobras. O relato foi feito à Polícia Federal pelo presidente da divisão industrial da empreiteira, Erton Fonseca. Fonseca, que está preso, afirmou ter pago o suborno ao empresário Shinko Nakandakari, novo personagem a surgir no escândalo. Ele atuaria ao lado do ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco, que já prometeu devolver US$ 9 7 milhões à União. Tanto Barusco quanto Renato Duque, ex-diretor de serviços também preso na Operação Lava Jato, foram indicados para a Petrobras pelo PT — que ficava com 3% dos valores dos contratos dessa área, segundo o ex-diretor Paulo Roberto Costa. Erton Fonseca disse que Nakandakari teve, na diretoria de serviços na gestão de Duque, papel semelhante ao do doleiro Alberto Youssef na diretoria de abastecimento. Duque nega participação no esquema. Nakandakari não foi localizado.

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domingo, novembro 23, 2014

Dominique


Opinião

Macunadilma

Gabeira
Dois dias depois do Juízo Final, fui nadar como de costume. Um grupo de torcedores do Flamengo desceu do ônibus e bloqueou o passeio. Eram do Espírito Santo, vieram num ônibus especial. Um deles me olhou com raiva e disse que eu tinha cara de vascaíno. Ele vestia uma camisa vermelha e preta com o símbolo da Alemanha. Um alemão me aporrinhando, pensei, e deixei para cuidar disso, como faço com toda irritação matinal, depois dos 400 metros na água.

A ideia da divisão emergiu na minha cabeça. Estamos divididos. O olhar que me lançou era um olhar de desdém ao vascaíno. O outro dele era o vascaíno com uma série de defeitos que se atribui a ele. Eu mesmo, ao pensar num alemão, no sentido em que se usa nos morros do Rio, fortalecia a ideia de divisão, entre mim e o outro, nós e eles. Passamos por uma campanha eleitoral pesada. O outro do petista era o tucano e vice-versa. Todos falamos em superar a divisão, depois de outubro, e achar saídas para os grandes problemas nacionais.

Entre o lugar onde estamos agora e a ilha onde nos reconciliaremos há um oceano de petróleo, na verdade um petrolão, o maior escândalo de nossa História.

Dilma afirmou na Austrália que seu governo foi o primeiro a combater a corrupção. Jogou o Lula na fogueira, tentando, como um canguru, driblar a tempestade que a ameaça.

Dilma não quis investigar. O que apareceu no escândalo surgiu de um trabalho autônomo da polícia e da Justiça.

Nesse período, Dilma brincou de esconde-esconde. Orientou sua base a boicotar a CPI. Abriu-se um inquérito na Petrobras para apurar denúncias de suborno na compra de plataformas, e constatou-se que nada houve de errado. Inocentes. Na Holanda, a empresa SBM confessou ao governo de seu país que pagou US$ 139 milhões a diretores da Petrobras.

Milhões pra cá, milhões pra lá, um diretor indicado pelo partido na cadeia, o tesoureiro do partido denunciado na delação premiada, a cunhada do tesoureiro levada à PF, tudo isso acontecendo, Dilma e o PT fazem cara de paisagem, como se não fosse com eles.

Nos depoimentos até agora, mais de R$ 200 milhões foram entregues ao homem do PT na Petrobras. O homem é amigo do tesoureiro. Talvez Dilma acredite que esse dinheiro todo foi doado à Africa para combater o surto do ebola. Mas a lógica indica que tenha sido usado nas campanhas políticas. Campanhas caras, de líderes e postes, estes mais caros ainda, porque demandam profissionais para redesenhá-los da cabeça aos pés, passando, naturalmente, pelo cérebro.

Estamos entrando numa tempestade, e a única forma de atravessá-la é admitir as evidências e aceitar que o bloco no poder assaltou a Petrobras.

Isto vale também para as empresas. Os advogados vão orientá-las a negar, embora já existam tantos depoimentos incisivos. No exterior, o conselho óbvio seria admitir o erro, pagar por ele, reformular sua estratégia. A visão macunaímica de que não importam os fatos, mas sim as versões, certamente será superada pelo realismo.

O bloco no poder pensou que isso poderia ser apenas do tamanho do mensalão. Ignorou que estava assaltando uma empresa com vínculos internacionais. Investigam na Holanda, nos Estados Unidos: o cerco está fechado. Dilma e o PT não perceberam que estão no fim da linha. E acabaram de ganhar as eleições. Será preciso muita humildade para sobreviver.

E isso não é o forte de quem quer dobrar a aritmética nas contas públicas, esconde o salto de 122% no desmatamento da Amazônia, põe para baixo do tapete números da redução da miséria.

Tudo por um modelo que preserva o emprego, dizia Dilma. Enquanto isso, 30.283 pessoas perderam seus postos de trabalho no mês em que ela se reelegeu. E como não bastasse o domínio dos números, querem o domínio das mentes: o ministro da Justiça diz à oposição como ela deve se comportar diante do escândalo. Todo um complexo político-empresarial que atrasa o Brasil foi por terra no dia do Juízo Final. Nem precisava de um impulso tão grande: estava podre.

Quando Dilma se distanciou, olimpicamente, do escândalo da Petrobras, lembrei-me do primeiro artigo que escrevi sobre o tema: “Passa passa Pasadena, quero ver passar”. Era o seu título. E veio o petrolão como uma onda gigantesca.

Dilma aprovou a compra de Pasadena “sem ter os dados”. Isso cola no Brasil. Nos Estados Unidos, onde a negociata está sendo investigada, a responsabilidade alcança também os dirigentes. Ao se distanciar do escândalo da Petrobras, Dilma parece acreditar que nasceu de novo nas eleições e vai enfrentar a tempestade com guarda-chuva e galochas do marketing.

Vai se molhar. Há uma crise econômica pela frente. Investidores estrangeiros observam cautelosos. Precisamos deles, inclusive no pré-sal. Não dá para enganar mais e erguer o punho cerrado entrando na cadeia. Já era patética a performance de José Dirceu no mensalão. No petrolão, seria um gesto, num certo sentido, libertador: sair dali para uma clínica psiquiátrica.

Original aqui

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U.V.

Manchetes do dia

Domingo, 23 / 11 / 2014

O Globo
"Escândalos em série - Fundos de pensão também têm clube para negócios suspeitos"

Interferência política direciona investimentos de entidades em negócios duvidosos que geram prejuízos milionários

O esquema de aparelhamento político — que alimentou a rede de corrupção na Petrobras envolvendo empreiteiras — também tem levado fundos de pensão de estatais a investirem em negócios suspeitos, informam Alexandre Rodrigues e Daniel Biasetto. Assim como as empresas investigadas na Operação Lava-Jato são acusadas de formar um cartel, funcionários e segurados dessas fundações de previdência denunciam a existência de um grupo, apelidado de "Clube do Amém" composto por dirigentes de entidades indicados por partidos. Eles recebem orientações para investir nos mesmos negócios duvidosos, que com frequência levam a prejuízos milionários.

Folha de S.Paulo
"Rombo de R$ 100 bilhões desafiará novos ministros"

Para recuperar credibilidade, equipe terá de rever Orçamento para 2015

É da ordem de R$ 100 bilhões o rombo no Orçamento de 2015 que os novos ministros econômicos da presidente Dilma Rousseff terão o desafio de equacionar. O montante resulta de receitas superestimadas pelo Executivo e pelo Congresso. Com inflação de 6,5% e uma expansão econômica estimada em 0,8%, a receita em 2015 chegaria a algo como R$ 1,123 trilhão. Mas o projeto de Orçamento conta com R$ 1,217 trilhão, e o Congresso já recalculou o valor para R$ 1,236 trilhão. R$ 100 bilhões equivalem a cerca de quatro anos de Bolsa Família. A discrepância é grande o bastante para inviabilizar a meta fiscal de 2015, que prevê poupar pelo menos RS 86 bilhões para o abatimento da dívida pública (o superavit primário). No projeto de Orçamento de 2015 também há despesas que precisarão ser revistas para cima, se o governo federal quiser recuperar a credibilidade fiscal. É o caso de benefícios previdenciários, seguro-desemprego e abono salarial.

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