sábado, novembro 08, 2014

Dominique


Opinião

Trapalhada bolivariana

O ESTADO DE S.PAULO
Quem tem amigos do peito como a Venezuela não precisa de inimigos. Em circunstâncias nebulosas, sem o conhecimento de Brasília, o governo de Caracas firmou com o MST, na cidade paulista de Guararema, convênios pelos quais se compromete a ensinar o povo brasileiro a "seguir avançando na construção de uma sociedade socialista". Muitos dias depois, na última quarta-feira, o governo brasileiro finalmente protestou junto aos muy amigos. Não necessariamente pelo conteúdo dos tais convênios, mas porque o ex-chanceler e, desde setembro, ministro do Poder Popular para as Comunas e os Movimentos Sociais, Elías Jaua, veio ao Brasil para assiná-los sem informar o Itamaraty. E ainda andou se metendo em confusão policial. Uma típica trapalhada bolivariana.

É de imaginar que os petistas tenham ficado aborrecidos com a falta de consideração dos venezuelanos, que, se tivessem sido menos egoístas e mais solidários, teriam possibilitado a realização de um magnífico evento popular em Guararema, talvez até com a presença de Lula com o boné do MST e falando mal da elite.

Mas, diante de uma desfeita que não se pode ignorar nem quando se trata de amigos fraternos, o chanceler brasileiro, Luiz Alberto Figueiredo, depois de ouvir a presidente Dilma Rousseff, convocou o encarregado de negócios da Venezuela no Brasil, Reinaldo Segovia (o embaixador está viajando), para comunicar a "estranheza" do governo brasileiro com o comportamento de Jaua, reclamar que o lamentável episódio pode significar uma "interferência nos assuntos internos do País" e cobrar explicações do governo de Caracas. Para Figueiredo, "o fato não se coaduna com o excelente nível das relações entre os dois países".

Os convênios foram assinados no fim do mês passado, numa escola do MST onde são ministrados cursos de formação política para militantes de movimentos sociais. 

Segundo a organização, os tais convênios com os venezuelanos objetivam apenas "a troca de experiências na área da agroecologia". O governo venezuelano, porém, conta uma história diferente.

No dia 28, antes mesmo do regresso de Jaua a Caracas, o governo bolivariano anunciou aquilo que nem o Palácio do Planalto sabia: "No marco da visita ao Brasil do vice-presidente de Desenvolvimento do Socialismo Territorial, Elías Jaua, foram assinados (...) vários acordos nas áreas de formação e desenvolvimento da produtividade comunal entre o Governo Bolivariano" e o MST. E a nota acrescentava que, segundo Jaua, os convênios têm como objetivo incrementar o intercâmbio de experiências para "fortalecer o que é fundamental em uma revolução socialista, que é a formação, a consciência e a organização do povo para defender suas conquistas e seguir avançando na construção de uma sociedade socialista".

Não bastasse a desfeita ao Itamaraty, a estada de Jaua no Brasil envolveu um constrangedor episódio policial. O ministro viajou acompanhado da mulher, que foi submetida a uma cirurgia de emergência em São Paulo. Talvez com a agenda tomada por assuntos mais importantes, Jaua chamou, para fazerem companhia à paciente, a sogra, os filhos e a babá destes. Ao desembarcar em Guarulhos, a babá foi presa em flagrante pela PF e permaneceu detida por quatro dias pelo porte de uma arma que, depois ficou esclarecido, estava numa maleta com documentos que Jaua encomendara à funcionária.

Apurou-se em Brasília que o Itamaraty ficou sabendo da presença de Jaua no Brasil pela PF. E ninguém foi capaz de explicar o que estava acontecendo, até porque o governo brasileiro faz questão de manter "um excelente nível de relações entre os dois países", mas, de repente, viu-se surpreendido por um episódio que contraria os protocolos diplomáticos.

O fato de o Itamaraty ter demorado pelo menos uma semana para se manifestar sobre uma inadmissível interferência nos assuntos internos do País sugere que o governo petista estendeu até o limite a possibilidade de botar panos quentes na situação. Era só o que faltava para quem assistiu passivamente ao calote que o finado Hugo Chávez deu no contrato de parceria na construção da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. Gente fina.

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U.V.

Manchetes do dia

Sábado, 08 / 11 / 2014

O Globo
"Estado do Rio alerta para risco de faltar água"

Secretário do Ambiente admite que seca prolongada pode afetar capital

Ofício enviado à agência reguladora chama a atenção para redução no nível da água no Paraíba do Sul

Preocupado com a redução de água nos quatro reservatórios do Rio Paraíba do Sul que abastecem o estado, hoje no menor nível dos últimos 36 anos, o secretário do Ambiente, Carlos Portinho, enviou ofício à Agência Nacional de Águas (ANA) alertando para a necessidade de medidas que evitem o desabastecimento, inclusive na Região Metropolitana, caso a estiagem se prolongue por mais algumas semanas. A situação da seca no estado é classificada como "severa". E a ANA ainda analisa proposta de São Paulo, que atravessa grave crise, para captar 5m³ por segundo de água de um dos reservatórios do Paraíba do Sul.

Folha de S.Paulo
"Governo agora divulga alta no desmate na Amazônia"

O governo federal liberou informações represadas no período das eleições que confirmam que o desmatamento da Amazônia disparou em agosto e setembro 

Foram devastados 1.626 km² de florestas, um crescimento de 122% na comparação com os mesmos dois meses do ano passado. As análises do sistema de alertas de desmatamento Deter estavam prontas ao menos desde 14 de outubro no Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).

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sexta-feira, novembro 07, 2014

Besouro congelado


Coluna do Celsinho

Colégio, Instituto, Memória

Celso de Almeida Jr.

Um dos núcleos do Instituto Salerno-Chieus é o Memória da Gente.

Trata-se de uma das mais recentes criações culturais desta instituição que funciona no Colégio Dominique.

A estreia do núcleo foi neste ano, com uma bela exposição sobre Lia de Barros, pioneira da organização do turismo em Ubatuba e região.

Confira no link a seguir e baixe o arquivo com sua biografia, fruto do trabalho coordenado por Celso Teixeira Leite e Allan Benetti:

http://www.colegiodominique.com.br/palavras-acao/projeto-memoria-gente-lia-barros-melhor-fase-turismo/

Pois bem...

Na programação do Memória da Gente já está definido o próximo homenageado.

Trata-se do saudoso Frei Pio Populin, que grande atenção dedicou aos ubatubenses, especialmente aos mais carentes.

Suas ações no Ubatumirim; o estaleiro; a ASEL e outras histórias fascinantes serão retratadas e organizadas em exposição aberta à visitação, prevista para o primeiro bimestre letivo de 2015.

Como as atividades acontecem no Colégio Dominique - onde integro o Conselho Gestor - é gratificante ver a garotada tendo contato com a história destas personalidades.

É uma forma de garantir um registro, em seus pensamentos, sobre a contribuição que tantos deram pela melhoria da qualidade de vida nesta exuberante cidade.

Ubatuba e sua gente tem uma história riquíssima.

É claro que, neste aspecto, o assunto também merece destaque pelo interesse turístico.

Em nosso caso, num ambiente escolar, serve prioritariamente para despertar em todos os envolvidos o sentimento de respeito e consideração pelas belas atitudes do passado, gerando debates, pesquisas e outras ações educativas, ajustadas a cada faixa etária.

Guardando sempre a expectativa de que tais exemplos possam relembrar e sinalizar para a juventude os diversos bons caminhos que toda mulher e todo homem podem seguir.

Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com

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Dominique


Opinião

Eu, robô?

Alexandre Schwartsman
Além de histórias em quadrinhos e mitologia grega, sou fã confesso de ficção científica e, claro, li muitos dos livros de Isaac Asimov, entre eles "Eu, Robô".

Uma das histórias do livro relata um episódio em que um robô (QT1) desenvolve um culto, ocasionando um conflito com os humanos, até que estes percebem que as crenças do robô, ainda que erradas, lhe permitiam cumprir sua tarefa melhor do que qualquer programação poderia conseguir.

Essa é minha percepção de boa parte do governo Lula (do qual participei de 2003 a 2006). Quaisquer que fossem as crenças do mandatário, a verdade é que, por muito tempo, foi um governo que fez as coisas certas no plano econômico.

O BC desfrutou de enorme autonomia operacional, as contas fiscais foram aprimoradas, e reformas importantes, adotadas, em particular no mercado de crédito.

Mesmo na política social a administração Lula rendeu-se ao "neoliberalismo" do Bolsa Família depois do fracasso do Fome Zero, sofrendo, aliás, duras críticas por parte de economistas historicamente ligados ao PT.

Obviamente muita coisa descambou desde então, inicialmente de forma algo envergonhada, culminando com a "nova matriz macroeconômica", a verdadeira implantação das ideias econômicas do partido, que redundou em crescimento medíocre (na casa de 1,6% ao ano), inflação acima da meta (próxima a 6,5%), elevados desequilíbrios externos e uma forte redução no ritmo de crescimento da produtividade.

Agora, passada a eleição, a questão é saber se voltaremos à situação do conto, em que, apesar das crenças equivocadas, uma política econômica apropriada voltará a vigorar, ou se experimentaremos mais do mesmo.

Posto de outra forma, queremos saber se teremos um estelionato eleitoral, para escândalo de André Singer, que recentemente descobriu, ó, horror, que políticos mentem durante a campanha, ou se a aposta será dobrada, produzindo, conforme argumentei na semana passada, os mesmos resultados medíocres observados nos últimos quatro anos, se não coisa ainda pior.

Muito embora a decisão inesperada do BC de elevar a taxa de juros -contrária, a propósito, de sua sinalização nos últimos meses- possa sugerir estelionato eleitoral (perdão, correção de rumos), há dimensões em que a mudança é muito mais custosa, sugerindo tratar-se de caminho muito pouco provável.

De fato, nos primeiros nove meses deste ano, o setor público registrou deficit primário equivalente a 0,4% do PIB, segundo os números oficiais. Descontadas "pedaladas", criatividade contábil e demais estripulias, o deficit no período deve andar na casa de 1% do PIB, tornando a promessa de início do ano (superavit de 1,9% do PIB) não mais que uma distante memória.

O tamanho do ajuste fiscal requerido para pôr a casa em ordem é praticamente sem precedentes. Precisaremos sair de um deficit primário (verdadeiro) ao redor de 1% do PIB para um superavit de 3,0% do PIB, de acordo com as contas de Marcos Lisboa. Em dinheiro, falamos de algo na casa de R$ 200 bilhões.

É inviável atingir tal melhora em apenas um ano. Trata-se, na melhor das hipóteses, de um programa de ajuste para ser realizado em três anos, contra um pano de fundo de uma administração que não apenas se mostrou incapaz de atingir suas metas mas que também deliberadamente produziu a maior deterioração fiscal de que se tem notícia no país nos últimos 20 anos.

O governo não terá, portanto, o benefício da dúvida. Pelo contrário, terá que apertar muito para convencer o distinto público de sua firmeza de intenções, o que destruiria até as perspectivas de crescimento pífio de 1% em 2015, hoje consensuais, com reflexos negativos sobre o desemprego.

Desconfio, e estou longe de estar sozinho, de que a presidente não há de apreciar sua única conquista econômica se esfumaçando no rastro do ajuste fiscal, mesmo necessário.

A conta da campanha chegou e duvido de que o governo esteja disposto a pagá-la. 

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U.V.

Manchetes do dia

Sexta-feira, 07 / 11 / 2014

O Globo
"Gasolina aumenta 3% e inflação pode romper meta"

Nos postos, alta deve ser de 2%. Diesel tem reajuste de 5% na refinaria

Preços estavam congelados há um ano, e Petrobras teve perdas de R$ 2,4 bilhões com a defasagem entre valores aqui e no exterior . Correção abaixo do previsto leva especialistas a preverem mais aumentos em 2015

Depois de quase um ano sem reajuste, a gasolina sobe 3% nas refinarias hoje. Para o consumidor final, a alta deve chegar a 2% nas bombas. A Petrobras também corrigiu o preço do diesel, em 5%. Especialistas calculam que, com esses aumentos, a inflação pode estourar o teto da meta para este ano, de 6,5%. A política do governo de segurar o preço dos combustíveis gerou perdas de R$ 2,4 bilhões para a Petrobras este ano. O reajuste anunciado ontem ficou abaixo do esperado pelo mercado, e analistas acreditam que os preços dos combustíveis podem subir de novo no ano que vem.

Folha de S.Paulo
"Petrobras anuncia reajuste da gasolina 11 dias após 2º turno"

DEPOIS DA ELEIÇÃO - Combustível está 3% mais caro nas refinarias desde a 0h de hoje; diesel tem aumento de 5%

A Petrobras anunciou na noite desta quinta-feira (6) reajuste dos combustíveis em todo o país. A decisão acontece 11 dias depois da reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT). Desde a 0h de hoje, a gasolina está 3% mais cara e o diesel subiu 5% nas refinarias. O aumento anterior dos combustíveis tinha ocorrido havia menos de um ano, em 29 de novembro de 201 3. A companhia recebeu há três dias o sinal verde do conselho de administração da estatal para o reajuste. O preço nas bombas, que é livre, deverá ser reajustado à medida que novos estoques cheguem aos postos de combustíveis. Segundo o sindicato dos estabelecimentos, o repasse para o consumidor deverá ficar um pouco abaixo do reajuste para as distribuidoras. Caso a alta de 3% seja repassada integralmente, o impacto na inflação será de 0,06 ponto percentual, segundo cálculos da Folha. O governo optou por dar o que foi chamado internamente de “aumento simbólico”. O objetivo é evitar grande impacto na inflação. A gestão Dilma avalia que, com a queda do petróleo no exterior, os preços não estão mais defasados. 

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quinta-feira, novembro 06, 2014

Dominique


Opinião

Constrangimento na Petrobrás

O ESTADO DE S.PAULO
Foi necessária a pressão de uma auditoria estrangeira, que está sujeita às rigorosas leis dos Estados Unidos, para que um diretor da Petrobrás acusado de envolvimento no escabroso esquema de corrupção na estatal acabasse afastado do cargo. Tudo leva a crer que, não fosse por isso, predominaria mais uma vez a vista grossa - e o diretor continuaria em suas funções como se nada de errado ou ilegal tivesse acontecido. No governo petista, todos prometem combater os malfeitos, mas a história mostra que, na maior parte das vezes, os malfeitores só são afastados quando o escândalo já não pode mais ser abafado.

O Conselho de Administração da Petrobrás passou os últimos dias sob forte tensão, conforme noticiou o Estado. Em vez de priorizarem as discussões sobre o necessário reajuste dos combustíveis - afinal aprovado, mas ainda sem definição de porcentual nem de data para entrar em vigor -, para superar a crise financeira da estatal, seus integrantes tiveram de gastar energia para tratar do assunto que assombra a empresa e que agora, por força da auditoria externa, ameaça prejudicar ainda mais sua imagem lá fora - justamente no momento em que mais precisa de capitais estrangeiros.

Responsável por auditar os balanços financeiros e operacionais da Petrobrás, a PriceWaterhouseCoopers (PwC) resistia a aprovar a demonstração contábil porque entre os que a avalizaram constava o nome de Sérgio Machado, presidente da Transpetro, subsidiária de transporte e logística da Petrobrás. Segundo afirmou Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento e pivô do escândalo na estatal, Machado lhe deu R$ 500 mil em dinheiro para direcionar uma licitação.

Ao tomar conhecimento da delação de Costa, a PwC fez duas exigências à Petrobrás: a contratação de outras duas auditorias independentes, para ampliar as investigações, e a demissão imediata de Machado - ex-deputado, ex-senador e afilhado do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), nomeado para o cargo em 2003, no governo Lula.

Não se trata de um capricho da auditora. Como a Petrobrás tem ações negociadas na Bolsa de Nova York, ela está submetida à legislação que regula o mercado de capitais nos Estados Unidos. Essa lei manda que os auditores incluam em seu trabalho "procedimentos concebidos para detectar, com razoável grau de confiança, atos ilegais que tenham tido efeitos materiais diretos na determinação dos montantes declarados". Conforme a norma, o Conselho de Administração da Petrobrás, uma vez notificado pela PwC, deve declarar-se ciente das demandas perante as autoridades americanas.

O Conselho de Administração aceitou contratar as auditorias exigidas pela PwC e encontrou uma maneira de afastar Machado - oficialmente, ele se licenciou por um mês, até que se concluam as investigações sobre seu envolvimento. Na prática, o governo considera que sua volta ao cargo é improvável, em razão da pressão da PwC, mas não é isso o que pensam os padrinhos de Machado. Peemedebistas ouvidos pelo jornal O Globo disseram que a saída de Machado é apenas provisória.

Esse caso mostra como a Petrobrás, aparelhada pelos petistas e seus associados, está amarrada a compromissos políticos que lhe tiram a autonomia necessária para agir conforme interesses exclusivamente empresariais. No momento em que enfrenta dificuldades consideráveis e precisa empenhar-se para superá-las, a estatal passa pelo constrangimento de ter suas contas questionadas por uma auditoria americana.

Ainda que a Petrobrás consiga convencer os auditores da PwC de que fará o que for necessário para livrar-se da corrupção, fica claro que os responsáveis pela estatal já não estão mais na zona de conforto proporcionada por uma CPI que atende às conveniências do governo, na qual os diretores da empresa deram respostas previamente combinadas.

O cerco se fecha graças não só à confissão de alguns dos que participaram do assalto à Petrobrás, mas também a uma auditoria estrangeira, que nada tem a ver com os acordos subterrâneos do governo petista. 

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U.V.

Manchetes do dia

Quinta-feira, 06 / 11 / 2014

O Globo
"Número de brasileiros na extrema pobreza aumenta"

Parcela dos que vivem com menos de R$ 70 ao mês sobe de 3,6% para 4%

Números do Ipea só foram divulgados após as eleições e mostram que, pela primeira vez desde 2004, miséria parou de cair em 2013. Governo minimiza dados

Pela primeira vez desde 2004, no ano passado houve aumento na parcela da população que vive na extrema pobreza e que agora som a 8,059 milhões , segundo o Ipea. Em 2013, 4% dos brasileiros viviam com menos de R$ 70 por mês. No ano anterior, eram 3,6%. O Ipea só atualizou seu banco de dados após as eleições, apesar de a pesquisa usada como referência estar disponível desde setembro. Para a ministra do Desenvolvimento Social, Tereza Campello, não é possível afirmar que cresceu a extrema pobreza e, sim, que houve “flutuação estatística”. Para analistas, o crescimento menor e a inflação explicam a alta da extrema pobreza. 

Folha de S.Paulo
"Senado abate dívida de Estados e municípios"

São Paulo, do prefeito Haddad, é a mais favorecida; texto vai para sanção de Dilma

O Senado aprovou projeto que abate parte das dívidas de Estados e municípios com a União. A medida vai para sanção da Presidência, que foi a favor do texto. A mudança causará queda de receita e ameaça até o grau de investimento do país. Pela nova lei, o saldo desses débitos passa a ser corrigido pelo IPCA, o índice oficial da inflação, mais 4% ao ano (10, 5% na estimativa do mercado), ou pela taxa básica de juros Selic definida pelo Banco Central (hoje em 11,25%), o que for menor. Hoje, os débitos são corrigidos pelo IGP-DI mais de 6% a 9% —num total de 9% a 12%. A mudança se aplica ao valor da dívida em janeiro de 2013. O saldo anterior será revisado, aplicando a Selic ao início dos contratos, feitos na gestão FHC. Para o prefeito Fernando Haddad (PT), a lei favorece investimentos. Em 14 anos, a dívida da capital paulista passou de R$ 11, 3 bilhões para R$ 57 bilhões. 

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quarta-feira, novembro 05, 2014

Dominique


Opinião

Como se dança o baião

Fernando Gabeira
Entristecem-me as manifestações discriminatórias contra os nordestinos. Rejeito a tese de que o Bolsa Família foi o único fator de peso nas votações por lá. Minhas constantes viagens ao Nordeste fortaleceram a impressão não só de que a região cresceu muito como ainda é bastante presente essa sensação de prosperidade. Basta visitar Campina Grande para descobrir uma grande cidade e andar pelas ruas de Recife e Vitória da Conquista para sentir a febre imobiliária ainda em curso.

Quando perguntei a um nordestino que voltava à região, numa feira do interior baiano, o que achava ao rever sua terra:

— Tudo melhorou. A começar pelas estradas, agora asfaltadas.

O governo investiu na região, apesar de obras superfaturadas, como a refinaria Abreu e Lima, ou atrasadas, como a transposição do São Francisco.

O crescimento trouxe também grandes problemas: segurança, por exemplo. Maceió é a cidade mais violenta do Brasil, cresceu a criminalidade na região metropolitana de Salvador, e a própria Bahia vive o fenômeno do cangaço moderno, grupos armados que assaltam bancos, explodem caixas eletrônicos e cercam delegacias de polícia enquanto operam nos bancos.

Os dois candidatos falaram de segurança pública, numa mesma direção: centralizar, integrar, trocar informações. Até que ponto essa posição correta chega a sensibilizar um garoto da periferia de Maceió, ou um bancário do interior baiano, expostos a grandes riscos? Ninguém falou diretamente para eles.

Com todas as críticas que faço ao governo, constato que ganhou no Nordeste quem se dedicou mais à região. As eleições são muito curtas para um país tão extenso. Não bastam mais apenas algumas visitas durante uma campanha. Serão necessárias uma política e uma presença constantes. Às vezes, esse problema era contornado com um vice do Nordeste. Mas um vice é um vice, nem sempre é uma solução.

Eduardo Campos rompeu com o governo e queria ser o candidato da região. Ele cresceu muito também com obras associadas ao governo federal. De uma certa forma, ao se lançar candidato, dividiu o eleitorado em Pernambuco e partiria para uma campanha nacional. Era também uma outra maneira de enfatizar a importância do Nordeste.

Não sou analista de campanhas, nem tenho a pretensão de explicar tudo. Mas uma lição elementar que a disputa de 2014 trouxe é a de que é preciso se dedicar ao Nordeste desde agora. Não há tempo, nem é convincente, cuidar disso apenas numa campanha. Como se dedicar ao Nordeste, se apenas o governo tem recursos para investir na região? É uma questão que só pode se resolver através da política de fiscalização das obras, sobretudo as polêmicas, de presença nos grandes temas, como a segurança pública, no encontro de novos temas, através da convivência mais estreita com os problemas reais que preocupam os nordestinos.

Não pretendo escrever um programa de ação, ainda mais num domingo. Mas creio que a oposição no Senado já terá massa crítica, com a presença de eleitos no próprio Nordeste, para planejar essa imersão. Dentro do governo, imagino, deve haver gente pensando o mesmo sobre São Paulo e, naturalmente, alguns menos íntimos de derrotas reclamando dos eleitores paulistas. Dilma chegou a dizer que o eleitor de São Paulo era pouco informado. Entendeu pouco do que se passa.

São apenas algumas impressões. É possível derrotar o discurso da divisão entre regiões. É possível derrotar o discurso da divisão rígida entre ricos e pobres, que ouço desde a primeira campanha que vi, a do Brigadeiro Eduardo Gomes contra o Eurico Gaspar Dutra. O discurso jamais vai se autoextinguir. Será preciso solapar suas bases. Vamos dançar o baião? Socorre-me o talento de Luiz Gonzaga:

“Eu vou mostrar pra vocês

Como se dança o baião

E quem quiser aprender

É favor presta atenção”

Quanto mais nos conhecermos, viveremos, sem dúvida, diferentes escolhas eleitorais, mas com naturalidade. Não colocaremos o foco nas regiões e suas escolhas e sim nas políticas que não souberam conquistá-las. Tanto no futebol como na eleição, trabalhar duro pode ser o mapa para reencontrar o caminho da vitória. Ou um esboço do mapa.

Às vezes, grandes temas nacionais dissolvem as fronteiras regionais. O Plano Real foi um deles. O escândalo da Petrobras pode ser outro. São problemas que influenciam eleições, mas transcendem suas contas de chegada. Passam a ser referência na trajetória histórica dos partidos: sobrevivem à abertura das urnas.

Para velhos tuaregues como eu, será uma animada travessia do deserto.

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U.V.

Manchetes do dia

Quarta-feira, 05 / 11 / 2014

O Globo
"Luz sobe até 22% no Rio e anula desconto de 2013"

Reajuste da Light levará inflação para perto do teto da meta este ano

Energia terá alta acima de 18% no país em 2014, eliminando efeitos da queda de 15,65% do ano passado provocada pela decisão do governo de forçar redução nos preços. Para as residências cariocas, conta sobe 17,75% nesta sexta

A conta de luz dos cariocas vai subir 17,75% a partir desta sexta-feira. Para as indústrias, a alta será ainda maior, de até 20,25%. E na iluminação pública o aumento chega a 22,65%. Com o reajuste da Light, autorizado ontem pela Aneel, o preço da energia no país subirá em média 18% este ano, preveem especialistas. Assim, será anulada a redução de 15,65% ocorrida no ano passado, como reflexo da decisão do governo de forçar as empresas a concederem um desconto nas tarifas na renovação de concessões em 2012. A alta da energia fará a inflação fechar perto do teto da meta para este ano, de 6,5%.

Folha de S.Paulo
"Se não chover, país terá cortes de energia no verão"

ONS prevê apagões 'seletivos', de madrugada, se nível dos reservatórios não subir

O Operador Nacional do Sistema (ONS) avisou a geradores e distribuidores que cogita cortes "seletivos" de energia para garantir o fornecimento nos horários de pico em janeiro e fevereiro, época de forte demanda, relata Machado da Costa. A medida será necessária se as chuvas não forem suficientes para recompor os reservatórios das hidrelétricas ao patamar de 30% em janeiro. Atualmente, estão em 18,3% da capacidade. Na mesma época do ano passado, atingiram 41,6%.

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terça-feira, novembro 04, 2014

Dominique


Opinião

Radicais atacam de novo

O ESTADO DE S.PAULO
A presidente Dilma Rousseff, coerente com seu passado de militância nos movimentos de esquerda radical que combateram a ditadura militar e posteriormente nas fileiras brizolistas, tem uma visão claramente intervencionista do Estado. Nessa questão, alinha-se com a esquerda do PT. Justiça lhe seja feita, no entanto: tem resistido bravamente, desde seus primeiros dias como presidente, aos radicais de seu partido que pregam a censura dos meios de comunicação por meio do que eufemisticamente chamam de "controle social" da mídia. Periodicamente, porém, os inimigos da liberdade de imprensa voltam à carga.

O dirigente nacional do PT Valter Pomar, um dos líderes da corrente minoritária Articulação de Esquerda, divulgou documento propondo que, na reunião que o Diretório Nacional do partido realizará na capital federal nos dias 28 e 29 de dezembro para dar início à discussão das prioridades do segundo mandato de Dilma Rousseff, seja relançada "a campanha pela reforma política e pela mídia democrática", temas das "batalhas" que esse grupo promete travar no Congresso Nacional no próximo ano.

O documento da Articulação de Esquerda insiste no habitual repertório de temas políticos caros aos esquerdistas radicais e propõe que o PT lance um "jornal diário de massas e uma agência de notícias" destinados a dar apoio à atuação do "campo democrático". É uma ideia típica do voluntarismo inconsequente e do sectarismo de esquerda, do discurso daqueles para quem a população é deliberadamente mal informada por uma mídia "burguesa" comprometida apenas com interesses da "elite". Mas esse é um problema que se resolve facilmente, como demonstra acreditar a facção petista, com o lançamento de um jornal para as "massas", capaz de colocar a elite perversa no devido lugar.

Esse raciocínio implica, é claro, a suposição de que as "massas" estejam ávidas pela maravilhosa perspectiva de que se lhes ofereça um jornal preocupado em divulgar apenas boas notícias: as façanhas, promessas e diretrizes dos salvadores da pátria. Uma perspectiva que, mesmo capaz de superar, mediante o investimento de enorme volume de recursos financeiros, as dificuldades de produção industrial e distribuição de um diário de tiragem compatível com a demanda da "massa", certamente terá dificuldades para transformar a leitura diária de um jornal em objeto de desejo dessa "massa".

Parecem se esquecer de que o Brasil ainda é um dos países com pior desempenho na área da Educação, o que resulta na existência do enorme flagelo do analfabetismo funcional. Valter Pomar e companheiros estariam mais bem sintonizados com a vida real se ficassem satisfeitos em produzir um jornal para a militância da Articulação de Esquerda. Felizmente, seus arreganhos totalitários não obtiveram, até agora, acolhida por parte da presidente reeleita.

De qualquer modo, não deixa de ser preocupante o fato de que, mais recentemente, talvez devido à tendência à radicalização da campanha eleitoral, Dilma Rousseff tenha passado a admitir a regulação econômica das atividades midiáticas, de modo a coibir os abusos provocados pela concentração da posse de um grande número de veículos de comunicação nas mãos de grupos econômicos. É óbvio que o monopólio e o oligopólio são indesejáveis em sociedades democráticas, especialmente numa área particularmente estratégica como a da comunicação. Não é por outra razão que em países com instituições democráticas sólidas, como os Estados Unidos, não existe, por exemplo, a propriedade cruzada de meios de comunicação.

Essa, no entanto, é uma questão a ser amplamente debatida em todos os foros adequados, de modo a sintonizar a legislação brasileira com os avanços tecnológicos das últimas décadas e sua inevitável repercussão no negócio da comunicação.

O que não se pode admitir é a tentativa de manipulação desse debate, como foi tentado por setores radicais do PT que, ao apagar das luzes do governo Lula, promoveram um encontro nacional para definir um projeto de "controle social da mídia" que, apresentado a Dilma Rousseff nos primeiros dias de seu governo, foi prudentemente engavetado. Em benefício da liberdade de imprensa, é bom que esse projeto permaneça onde a presidente o colocou.

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U.V.

Manchetes do dia

Terça-feira, 04 / 11 / 2014

O Globo
"Acusado de pagar propina, chefe da Transpetro sai"

Empresa que faz auditoria no resultado da subsidiária da Petrobras se recusou a validar balanço do terceiro trimestre por causa da citação do nome do acusado em delação premiada da Lava-Jato

Acusado pelo ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa de ter pagado R$ 500 mil de propina para que uma licitação de navios fosse direcionada, o presidente da Transpetro, Sergio Machado, pediu ontem licença do cargo por 31 dias. O afastamento de Machado, que ocupava o cargo há 11 anos por indicação do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB), ocorreu por causa da recusa da Pricewaterhouse Coopers, que audita o resultado da Transpetro, a validar o balanço do terceiro trimestre, assinado por ele, devido à acusação de corrupção. A demissão de Machado chegou a ser cogitada pelo Conselho de Administração da empresa, mas, por 5 votos a 4, foi aprovada a licença até que sejam concluídas as investigações.

Folha de S.Paulo
"Balança comercial tem pior outubro desde 1998"

Saldo negativo é de US$ 1,2 bi no mês, provocado por queda no preço de exportados

O comércio do Brasil com o resto do mundo registrou em outubro o maior rombo para o mês desde 1998. As importações brasileiras superaram as vendas para o exterior em US$ 1,2 bilhão. Foi o segundo mês consecutivo de resultado negativo. Neste ano, o saldo da balança comercial acumula deficit de US$ 1, 9 bilhão — é o segundo pior para o período desde 1998, só perde para o de 2013. O resultado foi provocado pela queda na cotação dos principais produtos básicos exportados. O preço do minério de ferro, por exemplo, caiu 40% em outubro na comparação com igual mês de 2013. Outro fator que influenciou no desempenho negativo foi a queda da demanda argentina. As exportações para o vizinho recuaram 27% no ano. O governo ainda vê chance de virada nos dois últimos meses de 2014, como aconteceu no ano passado. Para isso se repetir, serão necessários aumentos nos preços e nas quantidades exportadas de produtos como minério de ferro e carne.

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segunda-feira, novembro 03, 2014

Dominique


Opinião

O espírito da coisa

O ESTADO DE S.PAULO
A natureza dos chamados "conselhos participativos" salta aos olhos quando se lê o decreto da presidente Dilma Rousseff que criou o Sistema Nacional de Participação Social e a Política Nacional de Participação Social. De nada adianta os petistas apelarem a sofismas os mais diversos - a começar por aquele que diz que tais conselhos já existem e que precisam apenas ser regulamentados -, pois o que se propõe, no texto, compromete o próprio sistema de governo, submetendo-o permanentemente a representantes da "sociedade civil" que nada mais são do que militantes profissionais.

Se alguém ainda tem alguma dúvida sobre qual é o espírito desse atentado à ordem constitucional, convém ler a entrevista dada ao Estado por um ex-integrante do Conselho Nacional de Saúde. Ele testemunha o aparelhamento desse conselho e comprova seu desvio de finalidade - em vez de servir como órgão consultivo para a formulação de políticas públicas, transformou-se em correia de transmissão de interesses partidários.

"Os interesses da população não estão devidamente representados", disse o ex-conselheiro Mário Scheffer, professor do Departamento de Medicina Preventiva da USP. Dizendo-se favorável à "ampliação dos espaços de participação da sociedade", Scheffer afirmou, no entanto, que o governo deveria estar mais preocupado hoje em corrigir as distorções dos atuais conselhos antes de criar novos.

Segundo Scheffer, muitos desses espaços, em particular na área de saúde, que ele diz conhecer bem, "são hoje ocupados por pessoas cooptadas pelo governo ou por partidos e corporações". No caso do Conselho Nacional de Saúde, afirmou o professor, "houve um encurralamento e um aparelhamento dos espaços".

Como resultado disso, o conselho "não tem assumido seu papel de controle social das políticas públicas", como salientou Scheffer, pois ele está tomado por "pessoas com compromissos partidários ou atreladas ao governo". Na época em que não funcionava "a reboque do ministro ou do gestor de plantão", disse ele, o conselho "fazia uma enorme diferença", pois, em sua visão, tinha independência para avaliar leis importantes como a dos genéricos e a dos planos de saúde.

Hoje, no entanto, o quadro mudou de forma drástica. Scheffer dá como exemplo o programa de combate à aids - que, segundo ele, só se tornou um grande sucesso "porque houve uma grande participação da sociedade civil, por meio do conselho". Agora, o programa "nunca esteve tão ruim".

O decreto de Dilma diz que a intenção é "fortalecer e articular os mecanismos e as instâncias democráticas de diálogo e a atuação conjunta entre a administração pública federal e a sociedade civil", mas o que se observa, na prática, é que se trata de uma tentativa de institucionalizar de vez o aparelhamento que já vigora nos conselhos.

Não custa lembrar que o texto do decreto estabelece que a tal "sociedade civil" é composta de "cidadãos" e também - e aqui está o pulo do gato - "coletivos, movimentos sociais institucionalizados ou não institucionalizados, suas redes e suas organizações". Ou seja, o "cidadão" - isto é, aquele que não é militante político e tem de trabalhar para pagar suas contas - terá de enfrentar grupos muito bem organizados, controlados em sua maioria pelo PT, se quiser prevalecer nos tais conselhos populares, aos quais todos os órgãos da administração pública federal devem dar satisfação, conforme determina o decreto. A esse embate desigual, próprio das ditaduras, o governo petista dá o nome de "ampliação dos mecanismos de participação social".

Depois que a Câmara anulou o decreto de Dilma, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, disse que os parlamentares votaram "contra uma vontade irreversível do povo brasileiro" e agiram "contra os ventos da história". Tal arroubo - que lembra o discurso de líderes totalitários que encarnavam a "vontade popular" e diziam respeitar as "leis da história" - mostra que os dirigentes petistas não pretendem recuar de sua intenção de encoleirar a democracia no País.

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U.V.

Manchetes do dia

Segunda-feira, 03 / 11 / 2014

O Globo
"Tarifa de ônibus sobe 4 vezes mais que preço do carro"

Passagens têm alta de 711% em 20 anos. Valor do automóvel avança 158% no mesmo período

Transportes públicos ficam, em média, 685% mais caros em duas décadas, enquanto custo dos combustíveis cresce 423%. Incentivos fiscais e falta de investimentos em mobilidade explicam distorção

As tarifas de ônibus, trens, metrô e barcas subiram em média 685% no Brasil desde a estabilização da economia, há 20 anos. No ônibus, que responde por 86,6% do transporte coletivo do Brasil, o aumento foi de 711% em duas décadas. É uma alta mais de quatro vezes superior à dos automóveis, cujos preços avançaram 158%. Abastecer o carro também subiu menos do que pagar a passagem do coletivo: 423%. Especialistas afirmam que essa distorção nos preços incentiva o uso do automóvel, complicando ainda mais o trânsito nas grandes cidades. Enquanto isso, a política do governo de segurar o custo da gasolina é um dos motivos para a crise no setor sucroalcooleiro. Só no Estado de São Paulo, 26 usinas fecharam desde 2010.  

Folha de S.Paulo
"ONU faz alerta mais duro sobre mudanças do clima"

Emissões de CO2 teriam de cair nesta década para conter aquecimento global

O painel do clima da Organização das Nações Unidas lançou seu alerta mais duro ao afirmar que, se as emissões de gás carbônico não começarem a cair nesta década, será difícil impedir o planeta de ficar 2°C mais quente, limite mais arriscado do aquecimento global. Para que a Terra tenha dois terços de chance de não cruzar essa perigosa fronteira, as emissões de CO2 precisam ser reduzidas até 70% por volta de 2050 e zeradas em 2100, segundo o relatório-síntese do IPCC, o Painel Intergovernamental de Mudança Climática da ONU.

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domingo, novembro 02, 2014

Dominique


Opinião

Herança maldita

Ferreira Gullar
Como todo mundo previa, qualquer um dos dois candidatos à Presidência da República que ganhasse, ganharia por pequena vantagem. E assim foi: Dilma, 51,6%, Aécio, 48,4%. Noutras palavras, o país dividiu-se ao meio.

Esse fato resulta, inevitavelmente, em problemas para o futuro governo, que terá contra si uma oposição respaldada por uma vasta parte da opinião pública. Dilma sabe disso, claro, e por essa razão mesma, ao falar ao país após o resultado das urnas, pregou a união, ou seja, o apoio ao seu governo daqueles que não a querem governando.

Veja bem, não pregou o diálogo com a oposição, sequer mencionou, em seu discurso, o candidato derrotado; na verdade, pregou a adesão ao seu governo dos que votaram contra sua eleição.

Ela sabe que o país está dividido, não apenas eleitoralmente; está dividido, sobretudo, por ela, Dilma, que, em seus comícios no Nordeste, provocou essa divisão. Todos ouviram e viram, na televisão, ela afirmar que Aécio considerava o Nordeste uma região de ignorantes, que só por isso votavam no PT.

Era mais uma das mentiras que alimentaram a campanha de Dilma e que é, aliás, o procedimento normal das campanhas eleitorais do PT. Já falei aqui desse uso da mentira, pelos petistas, como método nas disputas eleitorais.

Todo mundo assistiu ao uso desse recurso contra Marina –quando era ela quem ameaçava ir para o segundo turno– e, depois, contra Aécio, ao se tornar o adversário final de Dilma.

Atribuir a um candidato tal ofensa a toda uma região do país é ao mesmo tempo subestimar a inteligência do eleitor dessa região e do candidato, já que tal afirmação equivaleria a um suicídio político. Mas os petistas sabem que muita gente embarca nessas calúnias e se toma de ódio contra o candidato caluniado.

Não por acaso, Dilma conseguiu, no segundo turno, no Nordeste, mais de 70% dos votos. Mentira semelhante os petistas usaram, no Rio de Janeiro, onde distribuíram impressos, com o retrato de Aécio, afirmando que ele era contra o Rio. Mas são águas passadas.

Não pretendo com isso negar a legitimidade da vitória de Dilma Rousseff. Lamento que tenha se valido de tais recursos mas, de qualquer modo, se tantos acreditaram nessas mentiras e votaram em função delas, por alguma razão foi.

De qualquer modo, o resultado das urnas tem que ser respeitado e Dilma governará o país por mais quatro anos. Quatro anos difíceis, uma vez que o Brasil real é muito diferente daquele que ela inventou em seus discursos e nos debates na televisão.

O Brasil que ela inventou não tem inflação, não tem corrupção e está crescendo sem problemas. Esse discurso contraria o que os próprios dados oficiais têm demonstrado. A mesma afirmação tem sido feita por instituições internacionais que avaliam o desempenho dos diferentes países.

Mas nada disso a impediu de afirmar o contrário durante a campanha. Sucede que a campanha acabou e ela vai ter que governar o Brasil real, que não cresce e cuja inflação sobe a cada dia.

Vai ter que aumentar os preços dos combustíveis e da energia elétrica, que por sua vez farão subir os preços de tudo o mais que consumimos.

Não resta dúvida que a festa acabou e, como não há almoço de graça, o país vai pagar o preço das bondades que permitem ao lulismo se manter no poder.

Mas essas não são as únicas heranças que Dilma recebe de si mesma: há ainda as denúncias da Lava Jato. Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef, em suas respectivas delações premiadas, revelaram o esquema de corrupção que foi montado na Petrobras com a participação do PT, do PMDB e do PP.

O representante do PT nessa falcatrua, era nada menos que o seu tesoureiro, João Vaccari. O PT embolsava 3% da propina, que montava a centenas de milhões de reais, sendo que esse dinheiro financiou a campanha do partido em 2010, quando Dilma se elegeu pela primeira vez.

A última revelação de Youssef afirma que Lula e Dilma estavam a par de tudo. Como se trata de delação premiada, tais denúncias só podem ser oficialmente divulgadas após a comprovação de sua veracidade, o que se dará dentro de uns poucos meses, ao começar o novo governo de Dilma. Essa é a verdadeira herança maldita.

Original aqui

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U.V.

Manchetes do dia

Domingo, 02 / 11 / 2014

O Globo
"Carros têm mais incentivos do que transporte público"

Valor chega a R$ 19,3 bilhões, o dobro do destinado à mobilidade urbana

Com subsídios do governo federal, fio la de veículos cresceu 175% desde 1998

A redução do IPI e o preço subsidiado da gasolina custaram aos cofres públicos R$ 19,38 bilhões no ano passado quase o dobro dos R$ 10,2 bilhões investidos por governo federal, estados e municípios em melhorias da mobilidade urbana. A cada ano, 3,7 milhões de carros novos invadem as ruas do país, e o trânsito já leva os brasileiros a perderem em média, uma hora e meia par dia. No deslocamento para o trabalho. 

O Rio é a metrópole onde as pessoas passam mais tempo nos engarrafamento, superando São Paulo. Em Queimados moradores recorrem a charretes para chegarem a estação de trem e ir trabalhar na capital. 

Folha de S.Paulo
"Seca atinge economia de 133 cidades do Sudeste"

Região de SP, MG e RJ afetada pela estiagem responde por 23% do PIB do país

A seca que assola o Sudeste do país já atinge 133 cidades, que juntas abrigam 27,6 milhões de habitantes e respondem por 23% do PIB brasileiro — o equivalente a R$ 946 bilhões, a preços de 2011 (último ano com dados detalhados por cidade). Corrigido pela inflação, esse valor representaria hoje R$ 1,1 trilhão. Se fosse um país, esse novo polígono da seca em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro seria a segunda maior economia da América do Sul. Ficaria atrás apenas do Brasil. É difícil estimar quanto dessa riqueza foi afetada pela estiagem, mas empresas já relatam prejuízos e redução na produção. A situação em São Paulo é a pior. Dos 645 municípios do Estado, 92 (14%) enfrentam algum tipo de dificuldade. Produtores de cana reduziram projeções de safra, e, no setor têxtil, há unidades totalmente paradas. A gestão Geraldo Alckmin (PSDB) afirma que fez os investimentos necessários, mas atribui a crise a uma seca histórica.

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