sábado, outubro 25, 2014

Dominique


Opinião

Quatro anos num domingo

Fernando Gabeira
A campanha chega ao fim com o grande debate de hoje. Alguns temas ficaram de fora. Do Rio Piracicaba à nascente do São Francisco, na Serra da Canastra, encontrei vestígios da grande seca, talvez a maior dos últimos 50 anos no Sudeste. Ignoro o que os candidatos pretendem fazer a respeito. Não falam em recuperação de rios, fortalecimento dos comitês de bacia, nada que lembre uma política de recursos hídricos. Apenas se culpam.

Não sei se todos têm a sensação de que há uma distância entre o País dos debates e o da vida real. Creio que a distância às vezes é ampliada pelo próprio debate, que deveria encurtá-la.

Jean Piaget escreveu muito sobre inteligência infantil. Ele descrevia um tipo de linguagem que prevalece numa faixa de idade: a linguagem egocêntrica. Nela não importa necessariamente fazer sentido, muito menos comunicar-se com o outro.

Apesar dos debates sem mediação, foi impossível estabelecer um fio da meada. Dilma comportou-se como se fosse uma candidata da oposição em Minas Gerais. Após o debate no SBT sua memória falhou em alguns momentos. Depois de tropeçar na palavra inequívoca, ela capitulou em mobilidade urbana, pediu um pouco de água, sentou-se para descansar. O que se passa no cérebro de Dilma, como se articulam nela uma camada do córtex com uma região do hipocampo, criando ou embotando a memória, é uma análise que farei depois de pesquisar o tema.

Dilma está se transformando numa equilibrista que entra em cena mesmo sem ter completado o período de formação. No caso da Petrobrás, a opção do governo era negar as denúncias: são apenas vazamentos clandestinos. No campo do feminismo, Dilma projetou imagem dura ao ironizar o choro de Marina Silva, bombardeada pelas mentiras do PT: o cargo de presidente não é para coitadinhas, afirmou.

Quando soube que um ex-dirigente do PSDB, Sérgio Guerra, também foi acusado de receber propinas no escândalo da Petrobrás, Dilma passou a acreditar nas denúncias. E afirmou: houve desvios. O fluxo de denúncias não acabara. Depois de Sérgio Guerra, aparecia em cena o nome de Gleisi Hoffman, ex-chefe da Casa Civil no governo Dilma. Nesse caso, a presidente voltou a duvidar e pedir precauções. Ficou evidente que as denúncias valem quando envolvem o adversário, mas são levianas e perigosas quando envolvem o governo.

Depois do piripaco de Dilma, Lula e outros insinuaram que Aécio agride mulheres e isso pode ter influenciado a performance dela. Marina tinha de apanhar sem choro, pois a “Presidência não é para coitadinhos”.

O escândalo da Petrobrás, embora possa ter envolvido gente da oposição, é de principal responsabilidade do governo. A empresa está sendo investigada nos EUA. Lá, por exemplo, a lei é clara e responsabiliza também os dirigentes da empresa, mesmo que não tenham tocado no dinheiro.

O choro da Marina massacrada é fraqueza; a crise de Dilma, uma consequência do machismo. Eles reinventam o mundo à sua maneira. Passada a eleição, em vez de ficar remexendo a essência macunaímica do PT, talvez fosse necessária uma avaliação mais profunda de como uma experiência histórica termina na porta da delegacia.

Análises sobre a trajetória da esquerda no século passado ocuparam grandes historiadores. Tony Judt dedicou parte de seu trabalho aos intelectuais franceses e seus equívocos. No caso europeu, as hesitações diante do stalinismo conduzem um dos fios da meada. Aqui, no Brasil, não creio que o stalinismo tenha o mesmo peso. O fio da meada é a relação com a ditadura cubana, a admiração por um regime falido e o silêncio inquietante sobre seus crimes.

A trajetória da esquerda brasileira no governo mudou. Goulart foi derrubado pelos militares que alegavam combater a subversão e a corrupção. A corrupção era algo mais simbólico no seu discurso. Envoltos na guerra fria, os militares queriam, principalmente, derrotar o comunismo. Essa passagem de uma resistência à ditadura militar, o trânsito das páginas políticas para as policiais, essa mudança de ala nas penitenciárias é uma guinada na história da esquerda.

Tanto se falou em Goebbels, o homem da comunicação de Hitler, que a tática de repetir a mentira passou a ser até elogiada por alguns. O encontro da tática do PT com Goebbels não é acidental. Assim como o encontro das Farc com o tráfico de drogas também não o foi.

Quando desaparecem os objetivos estratégicos, quando o único alento é ganhar o poder, desaparece também a fronteira entre política e crime. Não te prendem mais em quartéis, mas na delegacia da esquina; já não se ergue o punho cerrado pelo futuro da humanidade, mas para garantir o banho de sol; não se comemoram grandes viradas históricas, mas o ingresso no regime de prisão albergue.

A transformação de uma força política num compacto muro de cinismo, o trânsito de ideias, aparentemente, generosas para a delinquência intelectual – tudo isso configura uma fascinante matéria de estudo.

Não sei se teria a isenção para cumprir a tarefa: ela mexe comigo, com a história pessoal, com as ilusões que me moveram no século passado. Mas alguém escreverá a história do nosso passado imperfeito, como Tony Judt fez com a intelectualidade francesa do pós-guerra.

No continente já estamos no socialismo do século 21. Em Caracas não se racionam mais os produtos básicos com cadernetas, mas com as impressões digitais. De Cuba para a Venezuela houve um salto tecnológico no interior do mesmo atraso.

Mas a sedução do modelo ainda não foi abalada na esquerda brasileira. O verdadeiro século 21, de certa forma, não chegou. Quem sabe, domingo?

Um exame profundo dessa longa trajetória histórica pode começar, se o PT perder. Se vencer, será preciso concentrar a energia na vigilância cotidiana e preservar alguma esperança no Brasil.

Vitoriosos depois do assalto à Petrobrás, os petistas logo estariam sonhando com o assalto aos céus.

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U.V.

Manchetes do dia

Sábado, 25 / 10 / 2014

O Globo
"Rio e SP chegam à reta final em lados opostos"

Aécio lidera entre paulistas, e Dilma tem preferência dos fluminenses

Tucano conseguiu 22 pontos de vantagem no eleitorado de São Paulo, mas entre os do Rio é a petista que abriu distância de 18 pontos, puxada por eleitores de meia-idade, com ensino fundamental e renda de até 2 mínimos

A um dia da eleição presidencial mais disputada dos últimos 25 anos, Rio e Sào Paulo têm comportamentos opostos: enquanto Aécio Neves (PSDB) abriu 22 pontos de vantagem em relação à presidente Dilma Rousseff (PT) no eleitorado paulista (o maior do país), a petista saiu de um empate técnico e tem 18 pontos à frente do tucano entre os eleitores fluminenses. Em Minas, segundo colégio eleitoral do Brasil (à frente do Rio), há empate técnico. Já na Região Sul, os institutos divergem: o Ibope aponta empato técnico, enquanto o Datafolha dá 14 pontos de vantagem para Aécio. No Rio, segundo o Ibope, a subida de Dilma foi puxado por eleitores de meia-idade (35 a 54 anos), com ensino fundamental e renda familiar de até dois salários mínimos. Para analistas, o palanque duplo (Pezão e Crivella apoiam a presidente) contribuiu.

Folha de S. Paulo
"Doleiro acusa Lula e Dilma, que fala em terror eleitoral"

Ambos sabiam de desvios na Petrobras, diz delator; para Aécio, pode ser prova de caixa dois

A presidente Dilma Rousseff, candidata do PT à reeleição, e o ex-presidente Lula sabiam do esquema de desvio de dinheiro nos contratos na Petrobras, afirmou à PF e à Promotoria o doleiro Alberto Youssef, em processo de delação premiada. Youssef é um dos réus da Operação Lava Jato, que investiga denúncias de lavagem de dinheiro na estatal. A informação foi publicada pela revista “Veja”, e Dilma classificou o caso, divulgado a dois dias da eleição, como “terrorismo eleitoral”. A revista, afirmou a petista no último dia de propaganda na TV, não apresentou “prova concreta” que a relacionasse ao escândalo na Petrobras. “Eu darei a resposta na Justiça.” Questionado sobre o caso, Lula declarou não ler a “Veja”. Em nota, a revista disse que a presidente “centrou suas críticas no mensageiro, quando o cerne do problema foi produzido pelos fatos degradantes na Petrobras”. O candidato Aécio Neves (PSDB) considerou o caso “extremamente grave”. Para o tucano, se houver comprovação do relato, “é a prova de que houve caixa dois” na campanha do PT. A coligação de Dilma pediu à Justiça, sem sucesso, que fossem retiradas do Facebook menções à reportagem. 

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sexta-feira, outubro 24, 2014

Va-ga-lu-me


Coluna do Celsinho

26ª Feira das Nações

Celso de Almeida Jr.

A 26ª edição da Feira das Nações começa hoje, 24 de outubro de 2014.

Será na Praça de Eventos da Avenida Iperoig e tem programação até 2 de novembro.

As barracas funcionarão a partir das 19h.

Nos dias 28 de outubro e 1 de novembro abrirão no horário de almoço.

Dia 29 será recesso, portanto, sem atividades.

A Feira das Nações consolidou-se, nestas mais de duas décadas, como o maior evento gastronômico exclusivamente beneficente da região.

Organizada pelo Rotary Club, em parceria com a prefeitura, representa a vitória da união de forças por uma nobre causa.

O vigésimo sexto ano comprova o sucesso de um modelo que deu certo e que merece apoio cada vez maior.

Convido o amigo leitor para comparecer, prestigiando e consumindo.

Experimente comidas típicas do Japão, Espanha, Brasil, Alemanha, Estados Unidos, México, Arábia, China, Portugal e Itália, num ambiente agradável, a beira mar.

Entrada gratuita, marca também a semana do aniversário de Ubatuba, comemorado em 28 de outubro.

É isso!

Tradicional evento da cidade, deve ser abraçado por todos e visto - também - como um atrativo turístico.

Por este prisma, podemos incrementá-lo sempre, dando ênfase aos diferentes aspectos culturais das nações representadas.

Músicas típicas, teatro, dança...

Tal projeto envolveria toda a cidade, mobilizando estudantes, com preparação e ensaios ao longo do ano.

Delicioso desafio.

Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com

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Dominique


Opinião

O que vem por aí é um plebiscito

A teoria da pancadaria é curta para explicar o que parecem ser as oscilações do eleitorado

Elio Gaspari em O Globo
Quando Marina Silva não conseguiu chegar ao segundo turno, atribuiu-se seu declínio à pancadaria que sofreu. Talvez nunca se saiba por que o balão esvaziou, mas, mesmo olhando-se para os golpes que levou, essa teoria é curta. Foi de sua equipe que partiu a plataforma da independência do Banco Central. Admita-se que a ideia pode ser boa. Ainda assim, ela foi exposta pela educadora Neca Setubal, herdeira da família que controla o banco Itaú. Precisava? Se isso fosse pouco, dias depois, Roberto, irmão de Neca e presidente da casa bancária, disse que via “com naturalidade” uma possível eleição de Marina. Precisava? Marina falou em “atualizar” a legislação trabalhista, mas não detalhou seu projeto. Juntando-se gim e vermute, tem-se um Martini. Juntando-se banqueiro com atualização das leis trabalhistas, produz-se agrotóxico. Precisava?

Uma campanha eleitoral em que se discutiram mais as pesquisas do que as plataformas esteve mais para videogame do que para escolha de um presidente da República, mas foi esse o curso que ela tomou. A comparação do resultado do primeiro turno com as estimativas das pesquisas ensinou o seguinte: os votos de Aécio Neves ficaram acima da expectativa máxima e os de Dilma, abaixo da expectativa mínima. Disso resulta que não só é temerário dizer quem está na frente, mas é arriscado afirmar que o vencedor será eleito por pequena margem.

Os eleitores prestam atenção em pesquisas, mas votam com o coração, a cabeça e o bolso. Se a noção demofóbica segundo a qual Dilma tem o voto dos pobres tivesse alguma base, a doutora estaria eleita. Contudo, olhando-se pelo retrovisor, nunca houve ricos suficientes nos Estados Unidos e na Inglaterra para eleger os conservadores Ronald Reagan e Margaret Thatcher. Como muita gente achava que o povo brasileiro não sabia votar, o país foi governado por cinco generais escolhidos sem qualquer participação popular. O último foi-se embora deixando uma inflação de 226% e uma dívida externa (espetada) de US$ 180,2 bilhões.

Os candidatos conseguem votos pelo que dizem e pelo que fazem. Em 1994, Fernando Henrique Cardoso percebeu que ganhara a eleição quando uma mulher ergueu uma nota de um real durante um comício. Quatro anos depois, mesmo diante da ruína da fantasia do real que valia um dólar, ele foi reeleito porque os brasileiros preferiram continuar numa Mercedes que rateava a embarcar na motocicleta de Lula.

Nesta campanha, com exceção do debate da Record, os outros foram rasos. Em todos, os candidatos pareciam drones guiados pelo controle remoto dos marqueteiros, buscando clipes para os programas do horário gratuito. Sexta-feira, o debate da Globo terá tudo para ser educativo, pois nele o jogo do clipe será inútil.

A pancadaria que envolveu Dilma Rousseff e Aécio Neves roncou dos dois lados. Ambos sabiam que esqueletos tinham nos armários. As baixarias não serão suficientes para explicar o resultado que sairá das urnas. Muito menos as teorias destinadas a desqualificar os votos de quem vier a prevalecer. O que vem por aí é um plebiscito para decidir se o PT deve continuar no governo ou ir-se embora.

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U.V.

Manchetes do dia

Sexta-feira, 24 / 09 / 2014

O Globo
"Dilma descola de Aécio"

Datafolha e Ibope mostram petista de 6 a 8 pontos à frente de tucano

Na disputa pelo governo do Rio, Pezão lidera com 8 a 9 pontos de vantagem sobre Crivella, segundo os dois institutos; considerando só os votos válidos, diferença chega a dez pontos

Pesquisas Ibope e Datafolha divulgadas ontem confirmaram a tendência de crescimento de Dilma Rousseff (PT). Pela primeira vez no 2º turno, os dois institutos a mostram com uma vantagem sobre Aécio Neves (PSDB) superior à margem de erro de dois pontos. No Ibope, a petista tem 49% das intenções de voto, contra 42% do tucano. Considerando só votos válidos, o placar fica em 54% a 46%. No Datafolha, Dilma chegou a 48% e Aécio, a 42% (53% a 47% dos válidos). Na disputa pelo governo do Rio, Pezão (PMDB) lidera com 46% tanto no Ibope como no Datafolha. Já Crivella (PRB) aparece com 37% num instituto e 38% no outro. Considerando-se só os votos válidos, Pezão hoje venceria por 55% a 45%.

Folha de S. Paulo
"Dilma abre 6 pontos sobre Aécio"

Petista cresce entre as mulheres e os mais pobres e alcança 53% dos votos válidos, aponta Datafolha; tucano tem 47%

A três dias da eleição, Dilma Rousseff (PT) assumiu a liderança do segundo turno da corrida presidencial e abriu seis pontos de diferença sobre o candidato do PSDB, Aécio Neves, segundo pesquisa Datafolha. A petista tem 53% das intenções de votos válidos, e o tucano, 47%. Pela primeira vez nesta etapa final, a diferença entre os candidatos está fora da margem de erro da pesquisa — dois pontos para mais ou para menos. (...) A presidente Dilma afirmou que acredita que “está havendo uma espécie de virada, visível nas ruas”. Já o tucano Aécio declarou que a eleição será disputada e disse que “há uma onda muito forte de mudança”. Levantamento do Ibope mostrou a candidata do PT oito pontos à frente do tucano: 54% a 46% dos votos válidos.

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quinta-feira, outubro 23, 2014

Em marcha!


Pitacos do Zé

Quem vencerá?

José Ronaldo dos Santos
A mídia pertence a uma classe social elevada. Pobre não tem como possuir os meios de comunicação. O que move esse poder da comunicação é o consumo. Portanto, todas as mensagens, salvo alguns modelos alternativos, devem ter uma confluência: a dependência consumista.

Quem oferece produtos de consumo não está na linha de pobreza. Quem consome também não pode ser miserável. Então, um governo que busca coerência com a lógica consumista, fará investimentos para aumentar o poder econômico da classe que pode consumir esses produtos. Aí vale tudo, desde o Programa de Renda Mínima até os de moradias populares. É o que se denomina redistribuição de renda. Nos últimos anos, nessa direção, as pesquisas sociológicas atestam: a Classe C é a maioria da população brasileira. É a nova classe média, que ganha entre R$ 1.700,00 a R$7.500,00  por mês.

O Brasil é, atualmente, o País da Classe C. Na verdade, ela é fruto da recuperação de uma grande dívida social. Inegavelmente, é mérito de uma ideologia, de uma opção partidária dos últimos anos. Assim despontou o apoio aos pequenos produtores, os programas que facilitam o acesso à tecnologia, aos estudos etc.

Hoje, Dia do Professor, mesmo no estado caótico que se vive na Educação, não posso deixar de reconhecer a melhoria na educação, sobretudo no acesso e oferta. (A qualidade, requer outras considerações). No meu pobre bairro (Ipiranguinha - Ubatuba), por exemplo, era imaginável esta cena há dez  anos: ônibus, no fim da tarde, embarcando alunos universitários. Ou seja, trata-se de uma opção política essa de dar, por enquanto, peixe, na confiança de que logo aprendam a pescar. São investimentos assim que podem melhorar o nosso Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) que, na década passada, sob um outro modelo de opção partidária, variou entre 65ª e 69ª posição, ficando o Brasil abaixo do Uruguai, Colômbia, Venezuela e Cuba.

Só uma boa educação pode mudar uma Nação. Só ela é capaz de fazer abraçar outras causas, diversas das duas alternativas a que os brasileiros são obrigados no segundo turno das eleições presidenciais. E, tenho certeza, ela não passa pela manipulação poderosa da mídia. Essas verdades que imperam na vizinhança são eficientes até para papagaios. Isto não é educação!

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Dominique


Opinião

Um virus batendo na trave

Fernando Gabeira
Na semana passada, levamos um susto: ebola. Um homem que veio da Guiné foi considerado, em Cascavel, suspeito de trazer o vírus do ebola. Felizmente, não houve nada. E sobretudo nossos mecanismos de segurança funcionaram bem. O governo cumpriu o protocolo da OMS, fez tudo corretamente. Lembro-me da chegada do vírus da Aids. Como foi difícil reagir. Os pacientes visitaram Nova York, e parece que o vírus veio de lá, via Haiti.

Cheguei a contatar o ministro da Saúde e enfatizar o perigo de epidemia. Naquele momento, Aids era uma doença minoritária, e ele estava concentrado nos males que dizimavam nossa população mais pobre. Mas o vírus se propagava rapidamente. E acabamos superando o tempo perdido, aprovando inclusive um projeto que garantia o coquetel de drogas gratuito.

Desta vez, já começamos de forma organizada, e creio que temos muitas chances de evitar algo grave no Brasil, embora casos esporádicos sejam previsíveis. Apesar de ter surgido na África, o ebola contaminou europeus e americanos. Num ensaio intitulado “A solidão dos moribundos”, Norbert Elias fala da tendência moderna de isolar os pacientes terminais. Nesse caso, é necessário. No entanto, sente-se a sensação de isolamento dos pacientes, vendo apenas pessoas cobertas da cabeça aos pés, como se, antes de morte, visitassem um frio e distante planeta. Autor de longo ensaio sobre morte, Philippe Ariés, em “História da morte no Ocidente”, defende que antigamente as pessoas morriam serenas e calmas. Elias acha essa visão um pouco romantizada.

A verdade é que a maneira de morrer na África, a proximidade comunitária dos moribundos, os ritos fúnebres, beijos e abraços no morto, tudo isso é mais caloroso, mas, no caso do ebola, é o caminho mais perigoso. Num outro extremo, uma escola americana proibiu um livro de John Green, “A culpa é das estrelas”, porque falava de morte. E ele perguntou: devemos manter nas crianças a fantasia da imortalidade?

Não tenho resposta definitiva para isso. Tudo que sei é que a morte incomoda eé o tipo de tema que nem sempre rende grandes públicos. Simon Critchley escreveu um livro sobre como morrem os filósofos. Ele analisou inúmeros casos, tentando comparar o discurso sobre a morte e a morte real do pensador. A posição pessoal de Critchley é próxima dos epicurianos: encarar a mortalidade como um ato de contentamento; não se conta com um tempo ilimitado de vida, mas se livra da angústia da imortalidade.

Curiosamente, a irrupção de um vírus sempre traz algumas novas reflexões sobre a morte. Lembro, na época em que surgiu a Aids, de um médico tcheco que disse: a Aids é uma doença letal contraída na relação sexual, mas a vida também é uma doença letal contraída na relação sexual de nossos pais. O preconceito que vimos na Aids começa a aparecer também com gente que vem da área do ebola. Um time de futebol de Serra Leoa teve de usar um hotel exclusivo em Camarões, porque nenhum hóspede se arriscava a conviver com os jogadores.

Com o ebola, será com mais dinheiro do Ocidente, cuidado, informação. É, então, encarar o medo com a tranquilidade do cantor Morrissey, que sofre de câncer: se morrer, morri. Paradoxalmente, é possível constatar que, de um vírus para outro, melhoramos nessas duas décadas. Há mais contatos internacionais, mais preparação.

Circulam em blogs e pela rede boatos de que o governo simulou essa suspeita de ebola para abafar os depoimentos sobre a corrupção na Petrobras. Posso até achar que o governo use o medo como tema de campanha eleitoral: desemprego, fome, volta ao passado, arrocho, todos os fantasmas. Mas não usaria um vírus como cabo eleitoral. O ebola é um tipo de inimigo diante do qual estamos irremediavelmente juntos. As eleições serão resolvidas por mamíferos racionais. O vírus é uma espécie de ficha-suja que não entra no processo. Mesmo porque o escândalo na Petrobras tem uma longa temporada pela frente, e todos os exames, até agora, indicam resultado positivo.

Na minha experiência, o episódio da suspeita de ebola e a presença da Aids no Brasil colocam o programa da preparação nacional como algo que transcende aos governos. Tive a oportunidade ver isso não só no caso da Aids, como em Goiânia, com o episódio do césio 137 que contaminou alguns moradores de uma mesma rua.

Ali, a preparação era precária, mas um grande médico especialista em contaminação radioativa, Alexandre Rodrigues Oliveira, e uma unidade hospitalar da Marinha, com enorme esforço, conseguiram atender os pacientes. A capacidade brasileira de enfrentar esse tipo de crise é um lado da história. O outro é ainda a fragilidade de nossa Defesa Civil. Que o digam a Serra Fluminense e outras áreas de desastre ambiental. Sem o ebola, o foco no Brasil permanece nas eleições. Foi apenas um susto para nos lembrar que o mundo existe. Com tantas tragédias e emoções, o vírus parece ter perdido o prazo de inscrição em 2014.

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U.V.

Manchetes do dia

Quinta-feira, 23 / 09 / 2014

O Globo
"CVM investiga Petrobras em meio a escândalos"

Órgão vai apurar corrupção descoberta na Operação Lava-Jato

Advogado de Youssef diz que doleiro nega ter feito qualquer negócio com o PSDB e pede acareação com testa de ferro

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) abriu processo administrativo para investigar a Petrobras por causa das denúncias de corrupção surgidas com a Operação Lava-Jato, da PF. O processo foi iniciado após ser noticiado que a estatal já é alvo de investigação semelhante nos Estados Unidos. De acordo com uma fonte da Petrobras, a CVM quer tomar conhecimento de tudo o que ocorreu desde que Paulo Roberto Costa, ex-diretor da estatal, iniciou delação premiada e contou que havia esquema de pagamento de propina para políticos de PT, PMDB e PP. Caso a CVM comprove as irregularidades, será aberta nova fase da investigação que poderá resultar em punições para a companhia. A estatal não se manifestou. Ontem, o advogado do doleiro Alberto Youssef negou que ele tivesse negócios com políticos do PSDB, como afirmara, em depoimento, Leonardo Meirelles, ex-braço direito do doleiro.

Folha de S. Paulo
"Governo adia divulgação de resultados negativos"

Dados de educação e economia, entre outros, só serão conhecidos após eleição

Por decisão do governo Dilma, o país chegará à votação de domingo (26) sem saber os dados mais atualizados do desempenho dos alunos na rede pública de educação e da arrecadação de tributos —resultados potencialmente negativos à campanha da presidente. Também só serão divulgados depois da eleição presidencial, na qual a petista concorre com Aécio Neves (PSDB), números do desmatamento da Amazônia e da pobreza no Brasil. No caso da educação, o resultado de exame nacional geralmente sai até agosto. Nas demais áreas, as informações também eram divulgadas com mais antecedência. Há sinalização de que todos os indicadores mostrarão piora na situação. Avaliações independentes ou informações oficiais publicadas apontam para desempenho pouco animador. As instituições do governo responsáveis pelos dados citaram questões técnicas, administrativas ou legais para justificar a postergação das divulgações das informações.

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quarta-feira, outubro 22, 2014

Dominique


Opinião

Encarece, atrasa e dificulta

O ESTADO DE S.PAULO
O agronegócio no Brasil cresceu e vem sustentando a balança comercial brasileira. Mas o setor ainda enfrenta sérias dificuldades. Uma delas é a falta de infraestrutura adequada para escoar a produção. Um exemplo pode ser visto no Vale do Araguaia, cujas precárias condições logísticas atrasam o desenvolvimento de uma região altamente promissora na produção de grãos e na pecuária.

A rota de escoamento do Vale do Araguaia atravessa o nordeste de Mato Grosso e o sul do Pará. Neste ano, essa região deverá colher aproximadamente 1,5 milhão de toneladas de grãos e, segundo estimativas, tem potencial para produzir até 18 milhões de toneladas por ano: 10 milhões no lado de Mato Grosso e 8 milhões na parte do Pará. A região conta também com 1,3 milhão de cabeças de gado. No entanto, conforme revelou reportagem do Estado, que percorreu de Água Boa (MT) até Marabá (PA) pelas Rodovias BR-155 e BR-158, a situação dessas estradas é um sério entrave para o seu desenvolvimento.

A região apresenta não apenas um grande potencial produtor, mas características que possibilitariam a almejada integração nacional: ter rodovia, ferrovia e hidrovia atuando juntas. Pela BR-158, é possível alcançar os trilhos da Ferrovia Norte-Sul, em Colinas (TO), permitindo levar a produção até o Porto do Itaqui, no Maranhão. Também seria viável a ligação com a (ainda não concluída) Hidrovia do Tocantins, em Marabá, transportando os grãos até o Porto de Vila do Conde (PA).

No entanto, há mais de 30 anos se espera a conclusão da BR-158. No trecho das rodovias percorrido pela reportagem do Estado, as condições são péssimas: mais de 200 km nunca foram pavimentados e mais de 250 km de asfalto estão em condições intransitáveis, especialmente entre Redenção e Eldorado dos Carajás (PA). Outro problema são as pontes. Entre Santana do Araguaia e Redenção (PA), filas de caminhões se formam para cruzar pontes de mão única enferrujadas, instaladas há mais de 30 anos pelo 
Exército e que se encontram em péssimo estado de conservação. Nessas condições, os acidentes são frequentes, com caminhões carregados de grãos sendo tragados pelo rio. Sinalização e acostamento ainda estão restritos a poucos trechos ao longo das rodovias. "A gente tem que guiar a 5 km/h por causa do perigo. É quando o bandido chega", reclamou um caminhoneiro. Diante dessas condições, boa parte dos caminhoneiros prefere não correr esse risco e opta por utilizar os terminais de Santos (SP) e Paranaguá (PR), em viagens de 2 mil a 2,3 mil km.

A Confederação Nacional da Indústria estima que, com a conclusão das rodovias e a abertura da Hidrovia do Tocantins, haveria uma redução de R$ 788 milhões por ano no custo logístico da região a partir de 2020. Ainda que o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) afirme reconhecer a importância da rota e garanta que as obras serão concluídas, a promessa é recebida com desconfiança. Produtor na região há 37 anos, Anísio Vilela Junqueira Neto descreve o motivo da sua falta de expectativa: "Quando cheguei aqui em 1977 ouvi que tudo seria asfaltado até 1980. Estou esperando até hoje". E tudo indica que ainda vai demorar. Há um trecho da BR-158 cujo traçado final ainda nem foi definido. Atualmente, a estrada passa por uma reserva indígena e, por essa razão, o Dnit projetou um traçado final circundando-a. Mas recentemente a Fundação Nacional do Índio descobriu um cemitério de índios xavantes no trecho previsto e solicitou um novo contorno, ainda mais amplo, que provavelmente cortará áreas de floresta e fazendas. Como se vê, poder contar com uma estrada de qualidade é ainda uma realidade distante para a região.

O potencial de crescimento brasileiro não é uma hipótese teórica. Há muitas regiões promissoras, e o Vale do Araguaia é, sem dúvida, uma delas. Mas o descaso com a infraestrutura pode inviabilizar o seu pleno desenvolvimento. Urge uma nova atitude do governo, enfrentando antigos obstáculos para viabilizar novas oportunidades já presentes.

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U.V.

Manchetes do dia

Quarta-feira, 22 / 09 / 2014

O Globo
"TSE diz que campanha virou a do ‘vote no menos pior’"

Segundo Toffoli, agressividade de candidatos já provocou reflexos entre eleitores

Presidente do tribunal lamenta que Dilma e Aécio tenham se empenhado em destruir o adversário

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Dias Toffoli, disse que a campanha presidencial chegou a nível tão baixo que já está provocando episódios de intolerância entre eleitores. Ele citou casos de agressões entre pessoas que discutiam política dentro de transporte coletivo. No segundo turno, de acordo com Toffoli, Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB) se empenharam mais em destruir o adversário do que em defender suas próprias ideias, o que obrigou o TSE a impor “um freio de arrumação”, proibindo ataques nos programas eleitorais. “Virou uma campanha do vote no menos pior”, criticou o ministro. 

Folha de S. Paulo
"Otimismo com economia dispara e beneficia Dilma"

Para maioria, preços vão se manter ou recuar; nov o Datafolha mostra petista com 52% e tucano, com 48%

Pesquisa Datafolha realizada nesta terça (21) indica otimismo dos eleitores em relação à economia, o que ajuda a explicar o aumento da aprovação do governo Dilma (PT) e sua reação na corrida pela reeleição. O exemplo mais claro da confiança é a inflação. A expectativa de que os índices vão aumentar recuou para o patamar mais baixo da série do instituto, desde 2007. Para 31% da população, o país terá mais inflação — em abril, esse percentual era de 64%. Agora, 21% acreditam que os preços vão cair. Para 35%, ficarão como estão. Também há otimismo quanto a desemprego, poder de compra, situação do país e a própria situação. O levantamento desta terça repetiu os números de um dia antes: a petista aparece com 52%, e Aécio Neves (PSDB), com 48%. Os candidatos estão em empate técnico, no limite da margem de erro.

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terça-feira, outubro 21, 2014

Dominique


Opinião

O preço da dependência

O ESTADO DE S.PAULO
A decisão do governo do PT de tornar a economia brasileira cada vez mais dependente da argentina está impondo um alto preço justamente para o setor industrial mais privilegiado por Brasília desde 2003: a indústria automobilística. A crise da Argentina fez cair bruscamente as exportações brasileiras de veículos e de componentes e já afeta o nível de emprego em toda a cadeia produtiva de automóveis e de caminhões. Por ironia, este é o setor em que, há mais de 30 anos, as lutas sindicais propiciaram o surgimento do PT e de algumas de suas maiores lideranças e, por essa razão, tem merecido atenção especial das administrações petistas.

A indústria automobilística, como os demais segmentos industriais, está sendo mais afetada pela crise da economia brasileira do que outros setores. Nos nove primeiros meses deste ano, foram produzidos 481,5 mil veículos menos do que no período janeiro-setembro de 2013. O nível de emprego nas montadoras registrou sete quedas seguidas nos últimos meses e está no ponto mais baixo desde 2012. O desemprego seria maior e os problemas para os trabalhadores ainda mais dramáticos se as empresas nãos estivessem adotando medidas como suspensão temporária de contratos, férias coletivas e programas de demissão voluntária, enquanto aguardam a redução dos estoques acumulados nos seus pátios e nas concessionárias.

Se o governo petista não tivesse escolhido a Argentina - cujo governo é chefiado pela família Kirchner desde 2003, ano em que o PT assumiu o poder em Brasília - como parceira preferencial, os problemas da indústria automobilística não seriam tão graves como são. Como mostrou reportagem de Cleide Silva publicada no Estado (15/10), da quebra de produção registrada até agora, um terço se deve à redução das exportações para a Argentina.

Por causa da crise no principal parceiro comercial do Brasil no Mercosul - e cujos efeitos o governo Cristina Kirchner vem tentando encobrir com medidas ainda mais danosas, como o controle estrito das importações, sobretudo as procedentes do Brasil -, caiu muito a exportação de carros para lá. Contrariando os princípios da união aduaneira em que teoricamente se transformou o Mercosul, o Brasil concordou em renovar, em junho, o acordo automotivo com a Argentina, que estabelece determinada proporção para as exportações de cada país. Mesmo assim, o total de veículos exportados para a Argentina nos nove primeiros meses de 2014 diminuiu em 155 mil unidades na comparação com igual período de 2013. A Argentina está sem dólares para pagar todas as importações de que necessita.

Perdas como essas poderiam ser compensadas com vendas para outros mercados. Economias mais preparadas para exportar decerto teriam feito isso. Mas o Brasil, sob o governo do PT, concentrou todo o esforço exportador no Mercosul - e especificamente na Argentina, no caso da indústria automobilística, com a concordância das empresas brasileiras.

Os números resultantes dessa opção petista pela Argentina são impressionantes. Em 2003, primeiro ano dessa parceria de inspiração ideológica entre os governos petista e kirchnerista, a Argentina absorvia 18,5% das exportações brasileiras de carros; no ano passado, cerca de 80% dos veículos exportados pelo Brasil tiveram o país vizinho como destino. Outros mercados foram abandonados pelo Brasil. Em 2003, o mercado americano absorveu 8,4% dos carros exportados pelo Brasil; no ano passado, não se exportou nenhum veículo para os Estados Unidos. Países da América do Sul, naturais parceiros comerciais do Brasil, como Colômbia, Uruguai, Equador e Chile, foram praticamente ignorados nos últimos anos.

Com o agravamento da crise argentina e da notável redução de sua capacidade de importação, a Anfavea, associação que representa as montadoras instaladas no Brasil, tenta fechar acordos com os países que vinha ignorando. Não é impossível reconquistá-los, mas, tendo eles se acostumado a importar de outros países, que oferecem produtos mais seguros e modernos e a preços competitivos, a tarefa não será fácil.

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U.V.

Manchetes do dia

Terça-feira, 21 / 09 / 2014

O Globo
"Dilma passa Aécio, mas empate técnico continua"

Datafolha mostra petista pela primeira vez à frente do tucano no 2º turno

Cientistas políticos atribuem mudança no quadro eleitoral à tática de desconstruir o adversário adotada pela presidente e pelo PT , com críticas à gestão dele no governo de Minas

Pela primeira vez no segundo turno, Dilma Rousseff (PT) apareceu à frente de Aécio Neves (PSDB) na pesquisa Datafolha divulgada ontem, embora os dois continuem em empate técnico . Dilma subiu de 43% para 46% em relação à pesquisa de 15 de outubro, enquanto Aécio caiu de 45% para 43%. Nos votos válidos, Dilma tem 52% e Aécio, 48%, também dentro da margem de erro. Na pesquisa anterior, Aécio liderava por 51% a 49%. Para cientistas políticos, a subida da petista pode ser consequência da tática de desconstrução do adversário que ela adota, incluindo críticas à gestão do tucano em Minas. Para eles, porém, o quadro ainda não está consolidado. 

Folha de S. Paulo
"Dilma atinge 52% e Aécio tem 48%, aponta Datafolha"

Cenário é de empate técnico entre petista e tucano, no limite da margem de erro da pesquisa

Pela primeira vez no segundo turno, Dilma Rousseff (PT) aparece numericamente à frente de Aécio Neves (PSDB) na disputa pela Presidência, mostra o Datafolha. A petista tem 52%, e o tucano, 48% dos votos válidos. Os números representam empate técnico no limite máximo da margem de erro, de dois pontos para mais ou para menos. Nas duas rodadas anteriores, também com empate técnico, Aécio esteve à frente, com 51% a 49%. Em votos totais, o resultado da pesquisa realizada pelo Datafolha nesta segunda-feira (20) mostra Dilma com 46% e Aécio com 43%. Brancos e nulos somam 5%. Outros 6% afirmam que não sabem em quem votar. Um fator que explica o número mais alto para Dilma é a melhoria da avaliação do seu governo — 42% julgam sua gestão boa ou ótima. Esse é o melhor patamar desde junho de 2013, mês dos grandes protestos de rua. Aécio se saiu melhor no debate da Record para 22%. Para 16%, foi Dilma, diz o Datafolha.

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segunda-feira, outubro 20, 2014

Dominique


Opinião

Um fardo regional

O ESTADO DE S.PAULO
Mais uma das consequências negativas da política econômica do governo Dilma Rousseff, o mau desempenho do comércio exterior brasileiro está arrastando para baixo as estatísticas de exportação e de importação dos países da América do Sul e da América Central. No mais recente relatório sobre o desempenho do comércio internacional, a Organização Mundial do Comércio (OMC) previu que, em 2014, as exportações desses países serão apenas 0,4% maiores do que as de 2013 e as importações cairão 0,7%. Serão resultados bem piores do que o previsto para todo o comércio mundial. Embora tenha sido reduzida em relação à feita em abril, a nova projeção da OMC é de aumento de 3,1% do comércio mundial (a anterior era de crescimento de 4,7%).

Como maior economia da região, o Brasil tem peso decisivo nessas projeções. No primeiro semestre de 2014, as exportações brasileiras alcançaram US$ 110,5 bilhões, valor 2,6% menor do que as vendas externas da primeira metade de 2013. As importações ficaram em US$ 113,0 bilhões, queda de 3% em relação ao ano passado. Nos países da América do Sul e Central, houve queda de 3,7% nas exportações e de 4,9% nas importações, na comparação dos resultados do segundo trimestre deste ano com as de igual período de 2013.

São resultados parecidos, ou até piores do que os dos países que a Organização Mundial do Comércio agrupa como "outras regiões". No segundo trimestre, essas regiões registraram queda de 3,9% nas exportações e de 0,9% nas importações.

O fato de os países americanos em desenvolvimento terem aumentado mais suas importações parece ser animador. Basta ver a lista dos países incluídos em "outras regiões", porém, para entender a fraqueza do comércio exterior dos países americanos. A lista inclui todos os países da África assolada pela disseminação do vírus Ebola, o Oriente Médio em permanente conflito e os países que faziam parte da antiga União Soviética - a Comunidade dos Estados Independentes -, dos quais dois, Rússia e Ucrânia, mantêm na fronteira forças militares prontas para a luta.

O fraco desempenho dos países sul e centro-americanos, bem pior do que o dos demais países emergentes, foi determinante para a redução da previsão da OMC sobre o comportamento do comércio mundial neste ano.

Em 2015, embora a região deva apresentar resultados bem melhores do que os deste ano, suas exportações crescerão menos do que as de todas as demais regiões, incluídas as economias desenvolvidas (Estados Unidos, Europa e Japão), a Ásia, os países em desenvolvimento e as "outras regiões" - cujos problemas continuarão a afligir os governos.

A queda dos preços dos principais produtos de exportação da América do Sul e Central - commodities agrícolas e matérias-primas, entre outros - explica boa parte do fraco desempenho de seu comércio exterior. No caso brasileiro, porém, o acúmulo de problemas decorrentes da ineficácia das políticas de estímulo aos investimentos e à produção, da rápida corrosão da credibilidade da política fiscal, dos erros da política de comércio exterior e da acelerada perda de competitividade e da capacidade de inovação da indústria de transformação prejudicou ainda mais o desempenho das exportações e agora começa a comprometer a capacidade de importação. Os efeitos negativos sobre o comércio regional se acentuaram.

O pífio crescimento da economia esperado para este ano - e que vem sendo revisto para baixo a cada nova estimativa dos analistas do setor privado e pelo próprio governo -, a persistente frustração com os resultados da balança comercial, a deterioração das contas públicas, a inflação alta são consequências da política econômica do governo do PT que os brasileiros já conhecem bem.

Até agora confinados ao plano interno, essas consequências começam, porém, a contaminar também os resultados regionais, como comprovam as novas estimativas da OMC. Em vez da locomotiva econômica regional prometida pelo governo, o Brasil parece ter-se tornado um fardo para os países americanos.

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U.V.

Manchetes do dia

Segunda-feira, 20 / 09 / 2014

O Globo
"Eleito deverá negociar com 262 deputados para ter maioria"

Câmara tem 18 partidos que podem se alinhar a Dilma ou Aécio

Base fiel vai ser de 99 parlamentares ligados ao PT ou de 147, aos tucanos

Para conseguir aprovar qualquer projeto de lei na próxima legislatura, Dilma Rousseff (PT) ou Aécio Neves (PSDB) terá que negociar com um bloco de 18 partidos que, juntos, somam 262 deputados federais, mais da metade da Câmara, informa Simone Iglesias. São legendas como PMDB, PSD, PP, PR ou PTB. Elas compõem o chamado “centrão parlamentar” e, mesmo coligadas com alguma das duas candidaturas, não são umbilicalmente ligadas nem ao PT nem ao PSDB.

Folha de S. Paulo
"Maioria sofre falta d’água em SP e já planeja estocar"

Pesquisa Datafolha mostra que cortes atingiram 60% dos paulistanos

Em pesquisa Datafolha feita na última sexta (17), 60% dos paulistanos dizem ter ficado sem água em algum momento nos últimos 30 dias. Com medo do desabastecimento, 66% afirmam que planejam estocar água. A interrupção durou mais de seis horas na última vez, segundo três em cada quatro atingidos. Entre os que moram em casa, 67% tiveram o problema no período. Entre os que vivem em apartamentos, o índice é de 26%. O corte afeta 65% da população mais pobre e 32% entre os que têm renda acima de dez salários. A maioria entre os mais pobres, 82%, diz estar reutilizando água. Entre os mais ricos, 76% não lavam mais o carro. Para 75%, o governo poderia ter evitado a crise. Ainda assim, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) teria 50% dos votos na cidade se a eleição fosse hoje. Ontem a máxima foi de 35,8°C. O calor deve acabar hoje.  

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