sábado, outubro 18, 2014

Dominique


Opinião

Liberdade para os biógrafos

O ESTADO DE S.PAULO
O acórdão da desembargadora Elisabete Filizzola, que liberou a circulação do livro Sinfonia de Minas Gerais - A Vida e a Literatura de João Guimarães Rosa, de Alaor Barbosa, supre a luta pela liberdade de expressão dos biógrafos de uma argumentação jurídica sólida e coerente. A obra foi proibida de circular e recolhida das livrarias desde 2008 atendendo a recurso da filha do escritor, Vilma Guimarães Rosa. Em nome dos herdeiros do autor de Grande Sertão: Veredas, ela alegou que a biografia fora feita sem a autorização destes, exigida pela lei.

Em vez de se limitar à exigência formal da autorização de biografados ou de seus herdeiros como condição sine qua non para que a edição de uma biografia seja comercializada regularmente nas livrarias, a desembargadora deu atenção a cada motivo alegado pelos herdeiros para impedir a circulação do livro sobre o pai. Além de pedir à Justiça a proibição da obra que não autorizou, Vilma Guimarães Rosa acusou seu autor de ter plagiado trechos de Relembramentos: João Guimarães, meu pai, de sua própria autoria. Em entrevista a Julio Maria, publicada no Estado (15/10), Alaor Barbosa se defendeu dizendo que "este é um livro que ela chama de biografia, mas que traz documentos, cartas, discursos de Guimarães". Ele reconhece ter usado em seu livro trechos desses documentos, mas nenhum é de autoria da herdeira do romancista. No acórdão de 38 páginas, a relatora do processo deu razão ao biógrafo, negando ter havido violação do direito autoral de Vilma Guimarães Rosa, de vez que a transcrição desses trechos se cingiu às limitações impostas pela lei que protege a autoria.

A filha do escritor, também escritora, recorreu ainda a uma das acusações mais comuns empregadas por biografados ou herdeiros para exigirem a proibição de uma biografia: a de o autor ter provocado danos à imagem pública do personagem que lhe serviu de tema. De acordo com Vilma Guimarães Rosa, Barbosa teria imputado a seu pai a pecha de "antipatriótico". A acusação foi baseada na frase escrita por Barbosa, que reza: "Nunca me deparei, nos textos de Guimarães Rosa, com alguma preocupação com o presente e o futuro do Brasil". A desembargadora Elisabete Filizzola negou provimento a tal afirmação escrevendo: "As próprias recorrentes assinalam que, 'durante sua vida, João Guimarães Rosa sempre optou pela discrição, tendo preferido evitar entrevistas sobre sua vida privada e posições políticas', o que, como se nota, confirmou, com cirúrgica precisão, exatamente o que assevera a biografia em tela". E completou: "Até porque, obviamente, não se confunde com 'antipatriotismo' a conduta apenas reservada com relação a ideologias, bandeiras políticas, etc.".

O acórdão não encontrou no arrazoado do recurso evidência de que o livro, com uma visão apaixonada da obra do mineiro de Cordisburgo, tenha, em qualquer passagem, invadido a fronteira que o escritor considerava indevassável de sua vida privada, mantida "intocada" conforme o acórdão.

Atenta ao que Vilma escreveu em defesa do direito de exclusividade da família sobre a imagem do homem célebre que a constituiu, a desembargadora citou em seu relatório frase de autoria da própria recorrente. Vilma argumentou: "A obra de Guimarães Rosa não pertence somente a nós, suas herdeiras, porém a toda a humanidade". A relatora limitou-se a acrescentar: "Exatamente".

A desembargadora Elisabete Filizzola entendeu ainda que a grande motivação do processo foi "calar opiniões, sequer difamatórias" com o nítido e exclusivo fim de "monopolizar" a figura de Rosa.

O acórdão é um marco a se introduzir no debate, ora em curso no Supremo Tribunal Federal, sobre a necessidade de autorização de biografados ou herdeiros para a publicação de biografias. Negue-se ao biógrafo o direito de atribuir ao biografado atitudes falsas e danosas a sua reputação. Mas aos protagonistas das biografias não pode ser dado o direito de impedir o relato de fatos realmente ocorridos em sua vida. E os herdeiros não podem conseguir na Justiça a mera garantia de seu "monopólio" sobre a obra de parentes ilustres.

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U.V.

Manchetes do dia

Sábado, 18 / 09 / 2014

O Globo
"PT e PSDB desafiam TSE e insistem nos ataques"

Apesar dos riscos, Dilma e Aécio indicam que estratégias não vão mudar

Pesquisas qualitativas feitas para as campanhas mostram que eleitorado rejeita agressividade

Apesar da recomendação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de que o horário eleitoral seja destinado à apresentação ' de propostas, e não a ataques, Dilma (PT) e Aécio (PSDB) mantiveram ontem a artilharia pesada na TV e nas redes sociais. Os dois disseram que apenas reagem a agressões e, contrariando pesquisas que mostram rejeição do eleitor à agressividade, indicaram que vão manter os ataques que marcaram os dois últimos debates. Aécio se encontrou com Marina em SP, e Dilma foi a Curitiba e Florianópolis. 

Folha de S. Paulo
"São Paulo tem calor recorde, e Sabesp prevê falta de água"

Capital registra 37,8°C; empresa pede que consumidores economizem

Nesta sexta (17), às 14h, São Paulo teve a mais alta temperatura em 71 anos de medição oficial: 37,8°C, registrados na zona norte da capital pelo lnmet (Instituto Nacional de Meteorologia). O aumento da temperatura é causado por unia grande massa de ar quente, que bloqueia a entrada de frentes frias na região Sudeste. 

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sexta-feira, outubro 17, 2014

Lá vai o expresso 2222


Coluna do Celsinho

Primavera-Verão

Celso de Almeida Jr.

Será neste fim de semana.

Mais precisamente, na virada de sábado para domingo.

Nas regiões sul, sudeste e centro-oeste os relógios deverão ser adiantados em uma hora.

Pronto!

Estaremos no horário de verão que, desta vez, terminará em 22 de fevereiro de 2015, pós carnaval.

Para nós, ubatubenses, é época especial.

A transição da primavera para o verão, concluída em dezembro, é sempre carregada de expectativa.

Torcer pelo calor intenso, praias lotadas e dinheiro circulando sintetizam o pensamento que invade o comerciante, o empreendedor.

O sol, radiante, aquece a todos, incluindo a economia.

Tudo bem...tá bom!

Compreendo que a confusão aumenta.

Filas, trânsito, etc, etc, etc...

Não é este aspecto, entretanto, que destaco hoje.

Prefiro focar na alegria do turista, na agitação da juventude, nas ondas frenéticas em nossas praias espetaculares.

Moramos no paraíso e a nossa vocação é turística, ouvimos desde pequeninos.

Realidade incontestável - se assim é - temos que entrar nesta fase do ano com entusiasmo redobrado, felicidade explícita.

Valorizar tudo o que temos, saudando o verão, não é prejudicial à saúde.

Creio que tal postura é o verdadeiro "espírito da coisa"; é a chave para o nosso desenvolvimento.

Faz bem e, ao que tudo indica, é o primeiro passo para consolidar a arte de bem receber.

Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com

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Dominique


Opinião

O petróleo mais barato

O ESTADO DE S.PAULO
A brusca queda da cotação do petróleo tende a aliviar as perdas da Petrobrás decorrentes do estrito controle, pelo governo, do preço da gasolina nas bombas, mas não será suficiente para compensar os prejuízos que a estatal acumula há anos na área de abastecimento e, ao longo do tempo, prejudicará seriamente sua capacidade de investimentos, em especial no pré-sal. A queda dos preços é notável. Nos últimos dias, o preço do barril do petróleo tipo Brent negociado em Londres caiu mais de 10%; nos últimos três meses, a queda foi de mais de 20%, da faixa de US$ 110 para US$ 85 o barril.

A fragilidade da atividade econômica mundial, que tende a se acentuar e se estender pelo menos até 2015, nas projeções mais recentes do Fundo Monetário Internacional (FMI) - a instituição reviu de 3,4% para 3,3% a projeção do crescimento da economia mundial neste ano e de 4% para 3,8% no próximo -, já vinha arrastando para baixo o preço do petróleo. O contínuo crescimento da produção americana de petróleo, graças aos campos do Alasca, e as imensas possibilidades de produção de gás e petróleo de xisto igualmente vêm forçando a baixa do petróleo.

Fatores conjunturais aceleraram a queda. Ao prever o enfraquecimento da demanda mundial, o relatório da Agência Internacional de Energia (AIE), divulgado na terça-feira, fez cair mais a cotação do petróleo, que atingiu seu menor nível desde junho de 2012. Na quinta-feira, o Departamento de Energia dos Estados Unidos anunciou que os estoques de petróleo bruto no país aumentaram 8,92 milhões de barris na semana encerrada em 10 de outubro, o quádruplo do que esperavam os analistas (aumento de 2,2 milhões de barris).

No Brasil, analistas do mercado financeiro calculam que, com a cotação atual do petróleo e o dólar na faixa em que tem oscilado nos últimos dias, não há mais defasagem entre o preço da gasolina no mercado doméstico e o predominante no exterior. É uma boa notícia para os consumidores, pois desaparecem as pressões para o aumento do combustível, e sobretudo para a Petrobrás.

Como não aumentou a capacidade de refino da empresa nos últimos anos, período em que o consumo interno cresceu em razão dos fortes estímulos do governo à venda de automóveis, a estatal passou a comprar no exterior a gasolina necessária para atender à demanda doméstica. Mas compra combustível refinado ao preço internacional, mais alto do que o valor cobrado do consumidor nos postos, pois o governo vem segurando o preço da gasolina para evitar pressões maiores sobre a inflação. Por isso, a área de abastecimento da Petrobrás acumula prejuízos bilionários nos últimos anos. Na situação atual, a conta fecha, mas não compensa as perdas passadas.

Uma das causas da estagnação da capacidade de refino da estatal foi o corte dos investimentos nessa área para que mais recursos pudessem ser aplicados na área de exploração e produção, especialmente no pré-sal, pois este é um projeto de grande interesse político do governo do PT.

A cotação atual, de acordo com as contas da Petrobrás, não afeta sua rentabilidade, pois é suficiente para cobrir os custos de produção, transporte e fiscais do petróleo que extrai. No entanto, se o preço do petróleo se mantiver no nível atual por muito tempo, os investimentos da Petrobrás, em exploração ou em refino, poderão ser fortemente afetados.

O plano de negócios da estatal para o período 2014-2018 prevê investimentos de US$ 220,6 bilhões, sobretudo no pré-sal. Mas, para estimar o custo financeiro dos investimentos nestes cinco anos e considerá-lo viável, a Petrobrás utilizou como parâmetro o preço do petróleo em US$ 105 neste ano, valor que cairia para US$ 100 em 2017. De 2018 a 2030, o valor básico seria de US$ 95.

Se a cotação ficar abaixo dos valores estimados ou se sua produção não alcançar os volumes previstos, a Petrobrás terá de rever o programa de investimentos, pois seu fluxo de caixa será insuficiente para sustentá-lo nas condições previstas. Cortará investimentos ou, se não o fizer, terá de descobrir uma nova fonte para financiá-los.

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U.V.

Manchetes do dia

Sexta-feira, 17 / 09 / 2014

O Globo
"Aécio reage a ataques e Dilma passa mal no fim"

Em debate, senador diz que irmão da presidente foi fantasma em prefeitura do PT

Candidata petista pergunta sobre dia em que tucano deixou de fazer teste de bafômetro em blitz da Lei Seca e afirma que ‘ninguém pode dirigir bêbado ou drogado ’; após debate , Dilma interrompeu entrevista alegando queda de pressão

No debate de ontem, no SBT, o candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves, reagiu às acusações de nepotismo feitas pela presidente Dilma Rousseff (PT) e, assumindo a ofensiva, acusou o irmão da presidente de ter sido funcionário -fantasma nomeado na gestão do petista Pimentel na prefeitura de Belo Horizonte. Dilma também subiu o tom ao perguntar a Aécio sobre a obrigatoriedade do teste do bafômetro, que for a recusado por ele ao ser parado em uma blitz da Lei Seca, no Rio, em 2011. Outra questão que acirro u os ânimos foi a notícia de que o ex -presidente do PSDB Sérgio Guerra, morto este ano , também teria recebido propina do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa para esvaziar uma CPI. 

Folha de S. Paulo
"Delator diz ter pago propina a ex-president e do PSDB"

Ex-diretor da Petrobras afirmou que Sérgio Guerra recebeu para ajudar a esvaziar CPI em 2009

O ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa disse ao Ministério Público que repassou propina ao ex-presidente do PSDB Sérgio Guerra para que ajudasse a esvaziar a CPI da estatal em 2009, informam Mônica Bergamo e Mario Cesar Carvalho. Segundo quatro pessoas envolvidas na investigação da Lava Jato, Costa contou ter tomado providências para que o dinheiro chegasse ao senador, mas disse não saber se ele recebeu. O delator disse que não foi mais procurado sobre o assunto. (...) O PSDB defendeu que todas as denúncias sejam apuradas, independentemente da filiação partidária. Francisco Guerra, filho do ex-senador, disse que desconhece a citação. “Preservo o legado do meu pai com muita honra.”

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quinta-feira, outubro 16, 2014

Dominique


Opinião

O PT às voltas com a Justiça

O ESTADO DE S.PAULO
A esta altura dos acontecimentos, diante das devastadoras evidências que se tornaram de conhecimento público, talvez nem o mais fanático dos petistas tenha dúvida de que a bandalheira rolou solta na Petrobrás. São evidências tão robustas que é inútil tentar negá-las. Por essa razão, nem Dilma Rousseff nem o PT se atrevem a fazê-lo. 

Mas procuram minimizar os efeitos eleitorais do escândalo apelando para jogo de cena, deliberada confusão de informações e outras manobras diversionistas. Não contestam as acusações, mas o fato de terem sido divulgadas. E por esse crime de que se dizem vítimas, culpam a Justiça.

À frente de um grupo de deputados petistas que chegaram pisando duro, o presidente do partido, Rui Falcão, protocolou na Procuradoria-Geral da República e no Supremo Tribunal Federal (STF) pedidos de acesso à integra da delação premiada do ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa. Argumentam que conhecer o inteiro teor dessas declarações é indispensável para que o partido possa "fazer o exercício mínimo do contraditório".

Mero pretexto, já que o verdadeiro objetivo da iniciativa é desviar a atenção do escândalo, fazendo pesadas acusações contra o juiz Sérgio Moro, da 13.ª Vara da Justiça Federal do Paraná, responsável pela condução dos processos decorrentes da Operação Lava Jato. Sem citar o magistrado, o PT denuncia como violação da lei o fato de aquele juiz ter permitido, com motivação política, em pleno processo eleitoral, o vazamento de depoimentos sigilosos.

"Esta divulgação", afirmam os petistas, "é uma forma transversa de violar o sigilo da colaboração premiada" e significa "divulgação irresponsável de declarações graves e levianas desacompanhadas até agora de qualquer prova". Com isso, o argumento do PT escamoteia o fato de que Paulo Roberto Costa já obteve o benefício do abrandamento da pena, o que indica que cumpriu o acordo de apresentar provas de suas acusações.

Mas o que, de fato, importa é que as acusações contra Moro não têm o menor fundamento. Uma coisa são as dez ações penais resultantes da Lava Jato que correm na 13.ª Vara da Justiça Federal do Paraná. São processos públicos a que qualquer pessoa pode ter acesso, inclusive às audiências. Outra coisa são os depoimentos prestados por Paulo Roberto Costa no processo decorrente de acordo de delação premiada, que se desenvolve em segredo de Justiça, sob supervisão do STF.

Daí que classificar de vazamento a divulgação legítima dos depoimentos e atribuir dolo ao comportamento do juiz Sérgio Moro só pode ser produto de má-fé.

Moro é conhecido e respeitado pelo rigor com que trabalha e que demonstrou ao assessorar a ministra Rosa Webber no julgamento do mensalão. As acusações de que foi alvo por parte dos petistas foram veementemente repudiadas, em nota oficial conjunta, pela Associação dos Juízes Federais (Ajufe) e pela Associação Paranaense dos Juízes Federais.

A atitude do PT, decidida em articulação com o comando da campanha reeleitoral de Dilma, da qual Rui Falcão é o coordenador-geral, é a repetição do mesmo desrespeito ao Poder Judiciário que o partido demonstrou quando assacou aleivosias contra outro magistrado, o ministro e depois presidente do STF Joaquim Barbosa, durante e após o julgamento do mensalão. É como o lulopetismo, que se considera dono do Estado, trata a Justiça e seus agentes sempre que sente seus próprios interesses contrariados.

Esse lamentável episódio demonstra também muito claramente o que é a "guerra sem trégua" à corrupção na qual a presidente Dilma Rousseff e o PT se declaram empenhados. 

Em todas as suas manifestações públicas nas últimas semanas, a candidata em campanha não deixou passar nenhuma oportunidade para se declarar "a pessoa mais empenhada do País na rigorosa punição de corruptos e corruptores".

A medida da seriedade com que os donos do poder tratam as denúncias de corrupção na Petrobrás está expressa na debochada manifestação de Lula, dias atrás, quando confrontado com o assunto: "Estou com o saco cheio disso". 

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U.V.

Manchetes do dia

Quinta-feira, 16 / 09 / 2014

O Globo
"Disputa fica estável apesar de agressões"

Ibope e Datafolha mostram empate técnico entre Aécio e Dilma

Após dez dias de troca de acusações e ofensas entre os candidatos à Presidência no segundo turno, tucano continua em vantagem numérica nos dois levantamentos, com 45% das intenções de voto, contra 43% da petista

Pesquisas do Ibope e do Datafolha divulgadas ontem mostram o mesmo cenário de estabilidade nas intenções de voto na disputa presidencial. Nos dois levantamentos, Aécio aparece com 45% dos votos (51% se considerados apenas os válidos), contra 43% de Dilma (49% dos válidos). Como a margem de erro é de dois pontos, há empate técnico. Os números mostram que o efeito do apoio de Marina Silva ao tucano, das novas denúncias de corrupção na Petrobras ou da troca de ataques entre eles não alterou as intenções de voto. Para especialistas, essa estabilidade indica que o pleito de 2014 será um dos mais acirrados e polarizados da História do país. 

Folha de S. Paulo
"A 11 dias da eleição, Aécio e Dilma mantêm empate"

Datafolha mostra tucano com 51 % dos votos válidos e petista com 49%; influência de Marina cai

A 11 dias do segundo turno da eleição presidencial, a disputa entre o senador Aécio Neves (PSDB) e a presidente Dilma Rousseff (PT) continua muito acirrada, mostra pesquisa Datafolha. O tucano aparece com 51 % dos votos válidos, e a petista, com 49%, o que configura empate técnico. A margem de erro é de dois pontos para mais ou para menos. O resultado do levantamento feito na terça (14) e na quarta (15) apresentou os mesmos percentuais da primeira pesquisa do segundo turno nos dias 8 e 9. Nem uma semana de propaganda na TV nem denúncias de corrupção na Petrobras nem o apoio de Marina Silva (PSB) a Aécio foram suficientes para provocar alguma alteração na disputa. A pesquisa mostra diminuição da influência de Marina. Antes, 13% dos eleitores respondiam que o apoio dela os faria “não votar” no candidato indicado. Agora, essa taxa subiu para 23%. O Ibope apontou o mesmo resultado entre Aécio e Dilma.

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quarta-feira, outubro 15, 2014

Fale baixo, vamos respeitar o silêncio...


Pitacos do Zé

Quem vencerá?

José Ronaldo dos Santos
A mídia pertence a uma classe social elevada. Pobre não tem como possuir os meios de comunicação. O que move esse poder da comunicação é o consumo. 

Portanto, todas as mensagens, salvo alguns modelos alternativos, devem ter uma confluência:  a dependência consumista.

Quem oferece produtos de consumo não está na linha de pobreza. Quem consome também não pode ser miserável. Então, um governo que busca coerência com a lógica consumista, fará investimentos para aumentar o poder econômico da classe que pode consumir esses produtos. Aí vale tudo, desde o Programa de Renda Mínima até os de moradias populares. É o que se denomina redistribuição de renda. Nos últimos anos, nessa direção, as pesquisas sociológicas atestam: a Classe C é a maioria da população brasileira. É a nova classe média, que ganha entre R$ 1.700,00 a R$7.500,00  por mês.

O Brasil é, atualmente, o País da Classe C. Na verdade, ela é fruto da recuperação de uma grande dívida social. Inegavelmente, é mérito de uma ideologia, de uma opção partidária dos últimos anos. Assim despontou o apoio aos pequenos produtores, os programas que facilitam o acesso à tecnologia, aos estudos etc.

Hoje, Dia do Professor, mesmo no estado caótico que se vive na Educação, não posso deixar de reconhecer a melhoria na educação, sobretudo no acesso e oferta. (A qualidade, requer outras considerações). No meu pobre bairro (Ipiranguinha - Ubatuba), por exemplo, era imaginável esta cena há dez  anos: ônibus, no fim da tarde, embarcando alunos universitários. Ou seja, trata-se de uma opção política essa de dar, por enquanto, peixe, na confiança de que logo aprendam a pescar. 

São investimentos assim que podem melhorar o nosso Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) que, na década passada, sob um outro modelo de opção partidária, variou entre 65ª e 69ª posição, ficando o Brasil abaixo do Uruguai, Colômbia, Venezuela e Cuba.

Só uma boa educação pode mudar uma Nação. Só ela é capaz de fazer abraçar outras causas, diversas das duas alternativas a que os brasileiros são obrigados no segundo turno das eleições presidenciais. E, tenho certeza, ela não passa pela manipulação poderosa da mídia. Essas verdades que imperam na vizinhança são eficientes até para papagaios. Isto não é educação!

Enfim, relembrando o saudoso Millôr:

“A fábula é uma mentira mitológica. O romance é uma mentira literária. A democracia é uma mentira política”.

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Dominique


Opinião

A cartada do 'golpe'

O ESTADO DE S.PAULO
Decerto preocupada com a possibilidade real de derrota no segundo turno, a presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição, parece ter definitivamente perdido a compostura. Em comício em Canoas (RS), na semana passada, a petista deixou toda a prudência de lado e acusou a oposição de tramar um "golpe".

Que não se considere menor essa gravíssima denúncia apenas pelo fato de que ela foi feita em meio ao natural improviso palanqueiro. Dilma sabia muito bem o que estava dizendo e a quem se dirigia quando declarou, em outras palavras, que seus adversários estariam em pleno curso de uma ruptura institucional com o propósito de apear o PT da Presidência.

A acusação de Dilma foi uma reação à repercussão dos depoimentos prestados à Justiça Federal pelos principais operadores do gigantesco escândalo de corrupção na Petrobrás, o ex-diretor Paulo Roberto Costa e o doleiro Alberto Youssef. Ambos relataram, em detalhes, como o PT recebia parte da propina cobrada de empresas que tinham contratos com a estatal.

"Eles jamais investigaram, jamais puniram, jamais procuraram acabar com esse crime horrível, que é o crime da corrupção", discursou Dilma, referindo-se, como sempre de forma genérica e leviana, aos governos tucanos. "Agora, na véspera eleitoral, sempre querem dar um golpe. Estão dando um golpe. Esse golpe, nós não podemos concordar."

Ao usar três vezes a palavra "golpe" na mesma declaração, Dilma ultrapassou os limites da civilidade. Embora ela própria já tenha dito que, em época de eleição, se pode "fazer o diabo", uma presidente da República deve saber que não pode destruir pontes com nenhuma parte da sociedade, pois ela governa para todos, e não somente para seus simpatizantes. Quando diz, com todas as letras, que a oposição é "golpista", Dilma liquida qualquer possibilidade de diálogo, num eventual segundo mandato, com aqueles que representam cerca de metade dos eleitores do País.

A acusação de que a oposição ao PT e os críticos do governo são "golpistas" é recorrente entre os militantes petistas. Na visão dessa turma, que se baseia na mitologia lulista, opor-se a um governo que descobriu o Brasil em 2003 só pode ser sedição. Enquanto era verbalizada apenas pela virulenta claque petista, essa diatribe não causava danos significativos. Mas, quando é a própria presidente da República que decide vocalizar tamanha sandice, que não encontra nenhum respaldo na realidade, isso significa que o Brasil, sob o PT, entrou de vez no clube dos bolivarianos - aqueles países governados por líderes autoritários que dividem a sociedade em "nós" e "eles" e que denunciam "golpes" a todo momento para justificar seus apuros.

Para sustentar sua teoria da conspiração, Dilma sugeriu que os depoimentos dos envolvidos no escândalo da Petrobrás foram deliberadamente vazados para servir à "manipulação política" por parte da oposição. "Eu acho muito estranho e muito estarrecedor que, no meio de uma campanha, façam esse tipo de divulgação", disse a presidente.

No entanto, os depoimentos a que ela se referiu não foram "vazados". A ação na qual eles foram colhidos não corre em segredo de Justiça - e, nesses casos, a Constituição manda dar publicidade ao processo. Pelo cargo que ocupa, Dilma deveria saber disso, especialmente antes de fazer acusações tão graves. Mas o comitê de campanha da presidente não parece se importar com o que determina a lei, pois pretende recorrer ao Supremo Tribunal Federal e à Procuradoria-Geral Eleitoral, sabe-se lá com que argumentos, para impedir que esses depoimentos continuem a ser publicados.

Assim, preocupa observar que, ademais de sua incapacidade como presidente, Dilma agora flerta com o autoritarismo daqueles que não conseguem aceitar o contraditório e a alternância no poder. Ela incorporou a seu discurso as teses de uma militância rastaquera - que pode falar o que bem entende porque não tem responsabilidades institucionais. Se atribui a seus adversários intenções golpistas, segue-se que Dilma deslegitimará o resultado das urnas, se este lhe for desfavorável. 

Definitivamente, não é uma atitude digna de alguém que preze a democracia.

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U.V.

Manchetes do dia

Quarta-feira, 15 / 09 / 2014

O Globo
"Seca reduzirá economia no horário de verão"

Corte no gasto de energia será 31% menor do que no ano passado

Estiagem provoca incêndios em Rio, SP e Minas e piora nível do Cantareira

O horário de verão, que começa na madrugada deste domingo, deve provocar economia de R$ 278 milhões com a redução do consumo de energia. O valor, porém, é 31% inferior ao obtido no verão passado, porque agora a seca levou a aumento do uso de energia termelétrica, mais cara. A estiagem já provoca incêndios em 57 unidades de conservação de Rio, São Paulo e Minas, agravando o nível de água no reservatório do Cantareira, que abastece 8 milhões de pessoas no Sudeste. No Rio, o fogo já se espalha por quatro municípios da Região Serrana. 

Folha de S. Paulo
"Falta de água atinge todas as regiões de SP"

Folha identifica corte no fornecimento em 23 bairros; Sabesp nega racionamento

Os relatos de falta de água se espalharam pela cidade de São Paulo. Há problemas de abastecimento em todas as regiões da capital, por intervalos que variam entre algumas horas a vários dias. A Sabesp, empresa do governo Alckmin (PSDB), não informou se a piora é geral. A companhia tem negado racionamento. Para a Sabesp, a população afetada não chega a 2% — são moradores de locais altos, sem caixa-d’água ou reservatório suficiente. A situação é mais dramática para os que têm esse perfil, mas não é exclusividade deles. 

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terça-feira, outubro 14, 2014

Dominique


Opinião

O Rio que passa em nossa vida

Fernando Gabeira
Uma forma de ser universal é escrever sobre o lugar onde se mora. Custei a escrever sobre as eleições no Rio porque ainda estava muito próximo de uma vida política aqui, conheço os personagens e resolvi me concentrar na questão nacional. Desde menino, o Rio para mim é a cidade das luzes. Eu as vi do alto da serra e disse para mim mesmo que iria morar lá embaixo, naquele mundo iluminado. No Rio havia o mar, moravam os artistas, do Rio vinham os jornais e as revistas, aqui estava a vanguarda do país. Os políticos não só eram nomes nacionais como pensavam o país.

Otempo e a decadência, com a mudança da capital, fizeram com que os políticos se voltassem, sensatamente, para os problemas locais. Surge uma nova geração focada nas questões do nosso cotidiano. O ideal seria que se formasse aqui gente com visão nacional e, ao mesmo tempo, capaz de agir localmente. As peripécias de nossa história nos levaram a longos períodos de dominação, ora populista ora de um grupo orientado para o enriquecimento pessoal.

Tantas voltas demos que estamos num segundo turno entre a continuidade de um governo marcada por escândalos e um candidato que associa política e religião de uma forma que me assusta. Respeito a religiosidade em todos os seus níveis, mas o partido ligado à Igreja Universal chegar ao governo é inquietante.

Todas aquelas luzes que contemplei quando menino, todo aquele investimento emocional na metrópole dos sonhos desdobra-se hoje na possibilidade de ser governado por um núcleo religioso que também é um núcleos de negócios.

Na disputa proporcional, a votação de Jair Bolsonaro e Jean Wyllys indica que a questão dos direitos gays está na ordem do dia. Se consideramos os números, vemos uma nítida vantagem de Bolsonaro. Será que determinadas táticas não o estão fortalecendo?

Conheço Bolsonaro há muito tempo. No primeiro mandato, ele fazia discursos pedindo minha prisão, porque fui sequestrador. Um dia disse para a ele: “Antes de ir para a tribuna pedir minha prisão, avisa, pois eles podem te levar a sério, e isso me dá alguns minutos de vantagem para a fuga”.

Nunca mais pediu minha prisão, e convivemos, pacificamente, na Câmara. Bolsonaro tem se movido com desenvoltura na sua cruzada. Ele capta as oportunidades no ar, argumenta pesadamente e, às vezes, briga com a própria imprensa. Bolsonaro vislumbrou esse caminho, assim como o pastor Marcos Feliciano, e o percorre sabendo que sairá com mais votos de cada episódio. Isto significa que os direitos dos gays devem ser congelados, para que Bolsonaro e Feliciano não cresçam? Sugiro apenas que se reveja a tática, procure-se um terreno mais seguro, ampliem-se as alianças.

Uma vez que o tema tem tanta importância na votação dos deputados no Rio, não custa nada lembrar que vale para o movimento gay o aprendizado de todas as lutas minoritárias de que participei: por mais justa que seja a causa, é preciso a forma hábil de conduzi-la. O confronto direto com Bolsonaro e Marcos Feliciano é tudo o que eles querem. Bolsonaro está pensando até em ser presidente da República, com a ajuda, é claro, dos seus próprios adversários.

Para o Senado, o Rio escolheu Romário. O ideal seria um senador do passado, que pensasse no Rio mas também questionasse a política externa tão equivocada do governo. Mas as circunstâncias colocaram em cena um craque do futebol brasileiro e Cesar Maia, que combina uma visão de mundo com uma compreensão local. No entanto, já está muito desgastado para aspirar, no momento, a um cargo majoritário. Já que Romário foi eleito por grande maioria, o ideal seria, ao invés de insistir no seu despreparo, colaborar para que enfrente bem nossos problemas.

Dois milhões de pessoas não votaram no Rio. Juntas representam mais que o segundo colocado. O mesmo se passou no Brasil: 38 milhões de ausentes, votos nulos ou brancos. Grande parte do país rejeitou o processo eleitoral. Não temos outro caminho exceto votar bem, recolher os cacos ao fim de cada eleição, e sonhar com o dia em que essa Argentina, em termos numéricos, volte a se integrar ao Brasil, uma vez que a perdemos nas sucessivas eleições do curto período democrático.

Um tema central para isso é a recuperação da credibilidade. Não creio que os políticos possam se transfigurar com uma vitória da oposição. Nem que venham a ser amados num futuro próximo.

Parte da degradação política brasileira vem do próprio Planalto, dos métodos de conquista do Congresso pelo Mensalão, pela drenagem contínua dos recursos da Petrobras, pela ocupação da máquina do Estado e pela tolerância com a corrupção em tantos níveis. Ventos novos soprando de Brasília podem dar em nossas praias. Depois de tanto inspirar o país, o Rio pode receber uma inspiração nacional. É a esperança que resta no horizonte.

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U.V.

Manchetes do dia

Terça-feira, 14 / 09 / 2014

O Globo
"MP e magistrados apoiam juiz do caso Petrobras"

Entidades reagem a Dilma e dizem que atuação na Lava-Jato é imparcial e apartidária

Em nota, associação de juízes manifesta ‘total apoio e confiança no trabalho desenvolvido com zelo e responsabilidade pela Justiça Federal do Paraná ’; PT volta a pedir acesso à delação de ex-diretor da estatal

A Procuradoria Geral da República no Paraná e a Associação de Juízes Federais (Ajufe) saíram ontem em defesa do juiz Sérgio Moro e dos promotores que estão à frente da Operação Lava-Jato, que investiga corrupção na Petrobras. Em nota, a procuradoria diz que a atuação da PF, do MP e do Judiciário é “estritamente técnica, imparcial e apartidária”. A reação ocorreu após críticas da presidente Dilma e de petistas ao que chamaram de “vazamento seletivo” dos depoimentos do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e do doleiro Alberto Youssef. Ao serem ouvidos pelo juiz Moro, os dois acusaram PT, PMDB e PP de se beneficiarem de corrupção na estatal.

Folha de S. Paulo
"Vaticano defende maior aceitação de homossexuais"

Bispos seguem orientação do papa sobre fiéis gays e também propõem complacência com divorciados

Reunião de cerca de 200 bispos no Vaticano divulgou documento que defende uma maior aceitação dos fiéis gays e dos que vivem em famílias que não seguem as orientações da Igreja Católica, como divorciados, casados apenas no civil ou em uniões não formais. O texto, sob influência do papa Francisco, diz que os homossexuais “têm qualidades que podem oferecer à comunidade cristã” e que se deve “aceitar” e “valorizar” sua orientação sexual. 

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segunda-feira, outubro 13, 2014

Antes que acabe...


Pensata

Por que não me ufano

Sidney Borges
Ontem tive a paciência de ouvir o depoimento do ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa. Está no YouTube: https://www.youtube.com/watch?v=OhZLGqHWkd4, é um depoimento longo e tem pontos da maior importância. 

Não há nada que não seja de conhecimento geral no quesito apropriação de dinheiro público para financiamentos de campanhas. Paulo Roberto Costa mostra com clareza que muito dinheiro foi pelo ralo, o depoente, um ator num palco de grande elenco, tinha - pasmem - 70 milhões de dólares na Suiça e mais alguns milhões de reserva em um paraíso fiscal caribenho. Bem, como eu disse, isso é notícia velha, mas dentro das revelações há um detalhe que a mídia sonolenta não percebeu, ou preferiu não perceber. 

Segundo "Paulinho", apelido carinhoso dado ao depoente pelo ex-presidente Lula, que nunca desconfiou de que o PT desviava dinheiro, as diretorias da Petrobras não são ocupadas pelo critério da meritocracia, mas por indicação política. Paulinho ainda complementou, essas indicações obedecem à lei do "toma lá dá cá". Ele também esclareceu que essa praxe não começou agora, nem nos governos Lula, é coisa antiga. 

Volto no tempo e vejo Paulo Francis abatido pelo processo que a Petrobras moveu contra ele nos Estados Unidos, processo que o levou à morte prematura. O crime foi dizer que os diretores da Petrobras tinham dinheiro na Suiça. Paulo afirmou isso no programa Manhattan Connection, obviamante sem poder provar. 

Na época o presidente da Petrobras era um tal de Joel Mendes Rennó e o presidente da república, Fernando Henrique Cardoso. Deixo as conclusões aos leitores, mas uma coisa eu gostaria de ver antes de morrer. Uma investigação da evolução do patrimônio dos diretores da Petrobras que atuavam na época do "assassinato" de Paulo Francis. E também do senhor Rennó, homem que jamais convidaria para a minha casa. 

No Brasil há pouca competência, mas a hipocrisia tende ao infinito...

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Dominique


Opinião

Brasília, epicentro do desastre

O ESTADO DE S.PAULO
Seis anos depois do começo da crise, a economia global avança lentamente e a maior parte dos países perdeu potencial de crescimento. O setor financeiro é de novo uma fonte de risco, principalmente pela expansão do shadow banking, sistema paralelo ao dos bancos comerciais e menos sujeito à regulação. Cerca de 200 milhões de pessoas estão desempregadas em todo o mundo e a esse número poderão acrescentar-se mais 18 milhões até 2018. A desigualdade aumentou, os problemas sociais cresceram e as condições de vida pioraram até em áreas desenvolvidas. Os piores efeitos do estouro da bolha imobiliária em 2007-2008 ficaram para trás, mas a recuperação tem sido insegura. O Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu mais uma vez suas estimativas de crescimento para 2014 e 2015. Nesse quadro sombrio, o Brasil se destaca por indicadores muito ruins e graves fraquezas estruturais.

Poucas autoridades de Brasília participaram este ano, em Washington, da assembleia anual do FMI. O quase ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega, preferiu ficar no Brasil. Sua presença, é verdade, faz pouca diferença, ao lado da presidente Dilma Rousseff, em uma reunião internacional. Mas o cenário desenhado pelos economistas do Fundo é relevante para quem hoje se ocupa - e ainda mais para quem vier a se ocupar - da economia brasileira.

A economia mundial, segundo as novas projeções do FMI, deve crescer 3,3% neste ano e 3,8% no próximo. São números muito fracos, depois das taxas de 3,4% em 2012 e 3,3% no ano passado. Mas os detalhes do quadro indicam diferenças importantes. Com expansão estimada de 2,2% neste ano e de 3,1% em 2015, os Estados Unidos manterão um desempenho melhor que o da maior parte das economias avançadas - e bem superior ao do Brasil.

Dentre as maiores economias emergentes, só uma, a russa, deve ter resultados piores que os da brasileira. Mas a Rússia, além de apresentar um conjunto significativo de desajustes, ainda é afetada por sanções econômicas, por causa da crise com a Ucrânia.

Os números globais mudaram e o tom das avaliações se tornou menos otimista em relação à maior parte dos países. Mas a descrição das condições do Brasil repete uma história conhecida e contada muitas vezes. Ela inclui baixa competitividade, investimento insuficiente, gargalos da infraestrutura e inflação persistente e muito acima da meta oficial de 4,5%.

Alguns desses problemas são mencionados também quando se trata de outros países. Os desenvolvidos seriam beneficiados, de acordo com o Fundo, pela aplicação de mais dinheiro em infraestrutura. Também esses países perderam, nos últimos anos, potencial de crescimento. Esta avaliação se estende aos emergentes, incluída a China, a economia mais dinâmica do mundo nas duas últimas décadas. Mas as semelhanças entre os casos do Brasil e de outros países são limitadas e as diferenças logo se ressaltam.

Dois pontos se destacam facilmente. O crescimento econômico brasileiro foi muito menor que o de outros emergentes, incluídos vários países da América do Sul, nos últimos quatro anos. Neste ano, quase todos perderam impulso, mas o efeito foi muito mais sensível no Brasil. Mais uma vez, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai e Peru devem avançar mais rapidamente e o descompasso, de acordo com as previsões, deve manter-se nos próximos cinco anos. O segundo ponto é a diferença das taxas de inflação. Os preços sobem mais no Brasil e as perspectivas de melhora são limitadas. Isso aparece claramente nas projeções do FMI.

Todos os países sul-americanos foram prejudicados pela crise internacional e, neste ano, pela baixa dos preços das matérias-primas. O governo brasileiro continua apontando para fora, quando tem de explicar o desempenho econômico do Brasil. Mas por que outros países terão sido menos afetados? A resposta é simples: é preciso levar em conta os fatores internos e também esse detalhe foi repetidamente apontado, nos últimos dias, pelos economistas e dirigentes do FMI. Não se deve olhar para o exterior, mas para Brasília, bem no interior do País, para encontrar a explicação do fiasco brasileiro.

Original aqui

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U.V.

Manchetes do dia

Segunda-feira, 13 / 09 / 2014

O Globo
"Marina apoia Aécio, e Dilma diz que é um só voto"

Candidata derrotada do PSB afirma que ‘alternância de poder fará bem ao país’

Ex-senadora anuncia decisão um dia após tucano divulgar carta em que aceitava parte do programa dela e receber a adesão da família de Eduardo Campos. Para a 

presidente, não há transferência automática nas urnas

Um dia após Aécio Neves (PSDB) divulgar um manifesto em que contemplava parte do programa de Marina Silva (PSB), a ex-senadora, terceira colocada no primeiro turno das eleições presidenciais, declarou seu apoio ao candidato tucano no segundo turno. Para Marina, que culpou o governo Dilma, do PT, por “um imenso retrocesso” nos últimos quatro anos, “a alternância de poder fará bem ao Brasil”. Segundo Marina, ainda não se discutiu como será sua participação na campanha tucana. Aécio, que na véspera já ganhara o apoio da família do ex-governador Eduardo Campos, morto em agosto quando era o candidato do PSB à Presidência, disse que ele e Marina passam agora a ser “um só corpo”. A presidente Dilma afirmou duvidar de que Marina transfira votos automaticamente ao adversário. “O voto não é de qualquer candidato.”

Folha de S. Paulo
"Marina compara Aécio a Lula ao dar seu apoio a tucano"

Terceira colocada no 1º turno equipara compromissos do tucano na área social à ‘Carta ao Povo Brasileiro’ do petista

Ao formalizar apoio ao PSDB, Marina Silva (PSB), comparou uma possível vitória de Aécio Neves à eleição de Lula em 2002. Marina também equiparou o documento de compromissos do tucano à “Carta ao Povo Brasileiro” do petista. A terceira colocada no primeiro turno elogiou o tucano por ter se comprometido com avanços sociais, gestão competente do Estado e com a estabilidade econômica. “A partir de agora somos um só corpo, um só projeto”, afirmou Aécio. A presidente Dilma (PT) minimizou o apoio: “Eu não acredito em transferência automática de votos”. A mais recente pesquisa Datafolha mostrou que 66% dos eleitores de Marina pretendem votar no tucano, e 18%, na petista. 

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domingo, outubro 12, 2014

Dominique


Opinião

Como roubaram a Petrobrás

O ESTADO DE S.PAULO
Começam a brotar os detalhes daquele que se afigura como um dos maiores escândalos de corrupção da história brasileira - o assalto à Petrobrás, que teria movimentado ao menos R$ 10 bilhões. Os mais recentes depoimentos dos principais personagens desse escabroso esquema, montado para drenar os recursos da maior empresa estatal do País, revelam a quem foi repassado o produto do roubo - e, mais uma vez, como tem sido habitual ao longo dos governos lulopetistas, aparecem fartas digitais do PT.

Fica cada vez mais claro que figuras de proa desse partido - muitas das quais já foram presas por corrupção - permitiram na última década o arrombamento dos cofres do Estado por parte de delinquentes, servindo-se desse dinheiro para financiar seu projeto de poder.

À Justiça Federal no Paraná, Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Refino e Abastecimento da Petrobrás e um dos pivôs do escândalo, confirmou que uma parte do dinheiro desviado financiou as campanhas do PT, do PMDB e do PP em 2010.

Contando detalhes que só quem participou da operação poderia conhecer, Costa revelou que de 2% a 3% dos contratos superfaturados eram desviados para atender os petistas. Segundo ele, várias diretorias da estatal eram do PT. "Então, tinha PT na Diretoria de Produção, Gás e Energia e na área de Serviços. O comentário que pautava a companhia nesses casos era que 3% iam diretamente para o PT", relatou o ex-diretor, em depoimento gravado. No caso de sua diretoria, Costa afirmou que os 3% eram repartidos entre o PP, ele e o doleiro Alberto Youssef, o outro operador do esquema. Já a Diretoria Internacional repassava os recursos desviados para o PMDB, segundo disseram Costa e Youssef.

Costa afirmou que o contato dos diretores envolvidos nos desvios era feito "diretamente" com João Vaccari Neto, tesoureiro do PT. O nome de Vaccari Neto foi confirmado por Youssef, que também prestou depoimento à Justiça Federal.

Os tentáculos do esquema não se limitavam às diretorias da Petrobrás. Em 2004, segundo declarou Youssef, os "agentes políticos" envolvidos no escândalo pressionaram o então presidente Lula a nomear Costa para a Diretoria de Refino e Abastecimento, ameaçando trancar a pauta do Congresso. "Na época, o presidente ficou louco e teve de ceder", disse o doleiro. Esse relato, se confirmado, revela como a máfia instalada na Petrobrás se sentia à vontade para manipular até mesmo o presidente da República e o Congresso em favor de seus interesses criminosos. E essa sem-cerimônia talvez se explique pelo fato de que membros proeminentes do próprio partido de Lula, a julgar pelos depoimentos, estavam cobrando pedágio e se beneficiando da roubalheira na estatal.

Os depoimentos de Costa e de Youssef foram os primeiros dados à Justiça depois do acordo em que decidiram contar tudo o que sabem em troca de redução de pena. Se oferecerem informações falsas, perderão imediatamente o benefício - logo, os dois têm total interesse que sua delação seja levada a sério.

Além disso, ambos ofereceram atas e documentos que, segundo eles, comprovariam as reuniões da quadrilha, os esquemas de pagamento e as transações para lavagem de dinheiro em empresas offshore. As autoridades sabem que estão lidando com material explosivo. Segundo a defesa de Youssef, ele e Costa foram apenas operadores do esquema - os verdadeiros líderes "estão fora desse processo, são agentes políticos".

Diante da enorme gravidade dos fatos até aqui relatados, e ante a certeza de que se trata apenas de uma fração de um escândalo muito maior, seria legítimo esperar que Lula e a presidente Dilma Rousseff viessem a público para dar explicações convincentes sobre o envolvimento de seus correligionários nos crimes relatados. No entanto, Dilma preferiu queixar-se do vazamento dos depoimentos de Costa e de Youssef - como se o mais importante não fosse o vazamento, pelo ladrão, de dinheiro da Petrobrás.

Já a reação de Lula foi típica daqueles que se consideram moralmente superiores: ele se disse "de saco cheio" das denúncias de corrupção contra o PT. Pois os brasileiros podem dizer o mesmo.

Original aqui

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U.V.

Manchetes do dia

Domingo, 12 / 09 / 2014

O Globo
"Quase metade dos campeões de voto está sob investigação"

Ações vão de desvio de recursos a crimes de tortura e falsidade ideológica

Levantamento do GLOBO considerou senadores e deputados mais votados

Quarenta dos 108 deputados federais mais votados e senadores eleitos para o próximo Congresso são investigados pela polícia ou pelo Ministério Público, revelam Vinicius Sassine, Eduardo Bresciani e André de Souza. As suspeitas vão de desvio de recursos e improbidade administrativa a crimes de tortura ou falsidade ideológica. Na lista há ex-ministros, ex-governadores, parlamentares reeleitos e novatos na política que assumirão o mandato com o risco de se tornarem réus no STF.

Folha de S. Paulo
"'Choque de gestão' de Aécio em MG teve efeito limitado"

Contas estaduais declinaram no 2º mandato do tucano como governador

Bandeira de Aécio Neves, o "choque de gestão" que o presidenciável do PSDB diz ter aplicado como governador de Minas Gerais (2003-2010) apresenta resultados declinantes nas contas estaduais, relata Gustavo Patu.

Com controle de gastos e aumento de receitas, incluindo alta de tributos, Aécio conseguiu rápida melhora do Orçamento em seu primeiro mandato (até 2006), mas a trajetória não se manteve depois de sua reeleição.

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