sábado, outubro 11, 2014

Dominique


Opinião

A barra vai pesar

O ESTADO DE S.PAULO
Deu a lógica nos resultados iguais das primeiras pesquisas dos dois maiores institutos brasileiros, Ibope e Datafolha, sobre a intenção de voto para o segundo turno da eleição presidencial: o oposicionista Aécio Neves à frente de Dilma Rousseff, 51% contra 49% dos votos válidos, por enquanto dentro da margem de erro. Deu a lógica porque, afinal, a soma dos votos recebidos pelos dois principais candidatos oposicionistas no primeiro turno - Aécio Neves e Marina Silva -, no total de 57 milhões (56,8%), superou com folga os 43,2 milhões (41,8%) dados a Dilma Rousseff.

Esses números dizem que a considerável maioria dos brasileiros quer mudança. E mudança significa apear o PT do poder. Se alguém tem alguma dúvida sobre o caráter antipetista dos votos dados a Marina Silva no primeiro turno, basta lembrar que a própria campanha de Dilma Rousseff se encarregou, de forma brutal e indigna, de estigmatizar a candidatura do PSB. É difícil de acreditar que o eleitor de Marina deixe de se ater agora à opção que lhe resta: votar em Aécio.

Mas também é óbvio que nem todos os votos que Marina teve em 5 de outubro serão automaticamente transferidos para Aécio. Mas o forte efeito psicológico tanto, por um lado, da tendência de crescimento da candidatura tucana nas últimas três semanas quanto, por outro lado, da frustrante reversão das expectativas petistas, somado ao substancial apoio a Aécio anunciado por antigos adversários e lideranças políticas ao longo da semana que passou - e ainda as recentes más notícias para Dilma Rousseff e o PT a respeito do desempenho da economia e do escândalo da Petrobrás -, tudo isso certamente influenciará a decisão do eleitor.

É preciso levar em conta, contudo, que na defesa de seu projeto de poder o lulopetismo não terá escrúpulos de apelar a qualquer recurso que estiver a seu alcance, como a ominosa falácia de que o PT tem o monopólio da virtude e todos os seus adversários são também inimigos do povo que só pensam em sacrificar os despossuídos em benefício das elites perversas.

É claro que só quem é mal informado acredita em patranhas como a de que qualquer presidente eleito que não seja do PT acabará com todos os projetos sociais dos governos petistas, principalmente o Bolsa Família. E Lula e Dilma decidiram também proclamar agora que a infâmia está em afirmar que há pessoas mal informadas no Brasil, deturpando deliberadamente declaração feita pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

A direção em que os ventos eleitorais estão soprando indica que a tropa de choque petista terá trabalho pesado até o dia 26. Por exemplo, uma vez que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, está cumprindo aviso prévio e anda com a credibilidade em baixa, Dilma designou Aloizio Mercadante, atual ocupante do Gabinete Civil, para não deixar sem resposta qualquer ataque da oposição na área da Economia. Aloizio tem credenciais para a missão: foi, em 1994, o arauto petista do fracasso antecipado do Plano Real.

Na Comunicação, além do notório João Santana, marqueteiro do Brasil dos Sonhos e das Malvadezas, anda assoberbado o jornalista Franklin Martins, aquele que desde que era ministro da Comunicação Social de Lula está obcecado pela ideia de decretar o "controle social" da mídia. No comando do site oficial da campanha de Dilma, Martins tem a responsabilidade de municiar a militância que atua nas redes sociais com toda sorte de informação que não pega bem na boca de quem fala oficialmente em nome do PT e de sua candidata.

À frente do partido permanece vigilante Rui Falcão, com a importante missão, que não lhe tem dado descanso nos últimos dias, de protestar com indignação contra as denúncias de corrupção no governo que a mídia se vê na obrigação de divulgar todos os dias e de prometer que vai processar criminalmente quem quer que seja que se atreva a questionar os elevados padrões morais da companheirada.

É esse o circo de horrores que provavelmente os brasileiros serão obrigados a assistir nas duas próximas semanas, como preço a pagar pela ousadia de cogitar a alternância no poder.

Original aqui

Twitter

U.V.

Manchetes do dia

Sábado, 11 / 09 / 2014

O Globo
"Eleições 2014 - Divulgação de depoimentos opõe Aécio e Dilma"

Petista diz que liberação é golpe; tucano vê ‘assalto’ à Petrobras

Juiz que ouviu Paulo Roberto Costa, ex-diretor da estatal, e doleiro Alberto Youssef afirma que os interrogatórios não estavam sob sigilo

Um dia após a Justiça Federal tornar públicos os depoimentos do ex-diretor Paulo Roberto Costa e do doleiro Youssef sobre corrupção na Petrobras, a presidente Dilma (PT) chamou de golpe a divulgação em meio ao processo eleitoral e disse ser leviana a liberação incompleta de informações. O candidato do PSDB, Aécio Neves, afirmou que estarrecedor é o conteúdo das revelações. O juiz Sérgio Moro, que ouviu Costa e Youssef, informou que os depoimentos à Justiça, diferentemente da delação premiada, não estão sob sigilo.

Folha de S. Paulo
"Oposição usa Petrobras para dar golpe, diz Dilma"

Presidente atacou o que chamou de ‘uso eleitoral’ da investigação na estatal

A presidente Dilma Rousseff (PT) acusou a oposição de usar as investigações da Petrobras para dar um golpe no país. “Eles jamais investigaram, jamais mudaram esse crime terrível que é a corrupção. Na véspera eleitoral, querem dar um golpe”,afirmou, em Canoas (RS). Horas antes, em Brasília, a petista criticou a divulgação de depoimentos sobre corrupção na estatal e disse que não devem ser usados “de forma leviana em período eleitoral”. A presidente classificou de estarrecedora a divulgação do que chamou de informações sigilosas. A Justiça Federal do Paraná rebateu a acusação de que houve “vazamento” e afirmou que as ações penais não tramitam em sigilo. O candidato Aécio Neves (PSDB) criticou declarações de Dilma e disse que “não há sequer uma reação de indignação da presidente”. Na quinta (9), foram divulgados áudios dos depoimentos à Justiça do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e do doleiro Alberto Youssef em que acusam o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, de receber verba desviada de obrada estatal. Vaccari nega.

Twitter  

sexta-feira, outubro 10, 2014

Vida de gato...


Coluna do Celsinho

Perseverar

Celso de Almeida Jr.

Vez ou outra entro num sebo.

Aquelas lojas de livros usados.

Noutro dia, buscava a encadernação dos fascículos de Os Cientistas.

Publicação da Editora Abril da década de 1970, esta série de kits de experimentos científicos marcou a minha juventude.

As caixinhas de isopor contendo vidros, balança, molas, substâncias químicas, microscópio fascinavam.

Na lembrança, se não me engano, os livretos biográficos que acompanhavam cada edição geraram três volumes encadernados.

São estes que procuro nas prateleiras.

Ainda não os encontrei.

Continuo buscando.

Numa destas tentativas, o dono do sebo puxou conversa.

Falou que queria encerrar as atividade e mandou de bate-pronto:

Quer comprar tudo? São vinte mil livros. Faço a dois reais cada um.

Eu olhei surpreso e expliquei que estava disposto a gastar no máximo cem reais com Os Cientistas encadernados.

Quarenta mil reais estavam bem distantes do meu orçamento.

Ele riu e disse que há alguns anos apresenta esta proposta aos clientes, sem sucesso.

Insistirá, porém, certo de que em algum momento encontrará o comprador.

Incentivei, lembrando do "água mole em pedra dura, tanto bate até que fura..."

Saí de lá pensando se faria a loucura de comprar tudo, caso tivesse o dinheiro.

Imaginei a cara do seu Júlio Madaraz, comandante da Biblioteca Hans Staden, do Colégio Dominique, recebendo os milhares de livros.

Eu não resisitiria em provocá-lo, perguntando se daria para classificar tudo em uma semana.

Não custa citar que o Júlio tem 84 anos e pilota a Hans Staden sozinho.

Conhecendo-o bem, sei que mandaria um palavrão em latim, para o meu divertimento.

Taí...

Já sei onde gastar parte do dinheiro, caso ganhe na loteria.

Só preciso começar a jogar.

Água mole em pedra dura, neste caso, apesar do alto risco, também se aplica.

Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com

Twitter

Dominique


Opinião

O partido dos grotões

O ESTADO DE S.PAULO
O resultado do primeiro turno da disputa presidencial mostrou que o PT colheu seus melhores resultados nas cidades cujos habitantes vivem em piores condições e que dependem, em sua maioria, do Bolsa Família. Em contraste, o partido sofreu importantes derrotas nas regiões mais desenvolvidas.

Trata-se de um padrão que confirma a mudança do perfil do PT - de partido que nasceu como representante do operariado urbano e da elite intelectual de esquerda, passou a ser uma legenda que obtém o grosso de seus dividendos políticos a partir de seu investimento em políticas assistencialistas nas áreas mais pobres do País.

"No semiárido brasileiro, que se estende por sete Estados, está o coração eleitoral do PT", constatou o jornal francês Le Monde. O diário ouviu moradores de Lajedo, cidade do interior de Pernambuco em que 70% dos habitantes são beneficiários do Bolsa Família. Um deles disse ao jornal que o candidato que questionar o Bolsa Família vai "tocar fogo no País", refletindo a campanha do medo que o PT usou para reeleger a presidente Dilma Rousseff.

A fidelidade desses eleitores ao PT, ao menos no plano federal, ficou clara: Dilma foi vitoriosa em oito dos nove Estados do Nordeste. Sua única derrota foi em Pernambuco, onde foi superada por Marina Silva (PSB) - apoiada pela família de Eduardo Campos, o popular governador pernambucano que se lançou à Presidência tendo Marina como vice e cuja morte em acidente aéreo comoveu especialmente seu Estado. Mesmo assim, Dilma obteve 44,2% dos votos válidos no Estado, contra 48,05% de Marina.

Nos demais Estados da região, Dilma exibiu um desempenho impressionante. Enquanto na votação nacional a presidente terminou o primeiro turno com 41,6% dos votos válidos, seu apoio no Nordeste beirou os 70% - casos do Maranhão e do Ceará. Conforme mostrou o Estadão Dados, a região que compreende Maranhão, Piauí, Ceará e Rio Grande do Norte deu a Dilma 67,8% dos votos, um crescimento de quase três pontos porcentuais em relação à eleição de 2010. Outros Estados nordestinos importantes, como a Bahia e a Paraíba, deram-lhe em torno de 60% dos votos.

Um desempenho semelhante se observa nos Estados do Norte. No Pará, Dilma levou 53,2% dos votos, contra 47,9% nas eleições de 2010.

Levantamento feito pelo jornal O Globo ilustra bem o perfil desse voto maciço em Dilma. Nos municípios em que mais pessoas recebem o Bolsa Família, concentrados em especial no Norte e no Nordeste, 73,1% dos eleitores escolheram a presidente no primeiro turno.

Quando o parâmetro é o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), que utiliza indicadores sociais como saúde e educação, confirma-se que Dilma obtém melhores resultados em regiões menos favorecidas. Nos municípios com IDH baixo e muito baixo, a petista levou cerca de 70% dos votos.

À medida que a qualidade de vida melhora, a votação em Dilma diminui. Em municípios com IDH médio, a presidente ficou com 55,9% dos votos. O porcentual cai para 35,3% nas cidades com IDH alto e 25,2% nas com índice muito alto.

Assim, fica claro que o PT está cada vez mais dependente dos eleitores que recebem assistência do Estado nas regiões mais pobres do País. A formidável rede de benefícios montada pelos governos petistas desde 2003 transformou esses agradecidos beneficiários em apoiadores fiéis do PT.

No longo prazo, porém, tal política assistencialista só se sustenta se a economia for administrada de maneira competente - visando ao crescimento e à competitividade e gerando renda suficiente para ser distribuída - e se os que recebem o Bolsa Família tiverem chances efetivas de progredir, por meio de uma educação pública de qualidade e de uma assistência médica decente, tornando-se membros produtivos da sociedade. Como sob os governos petistas não acontece nem uma coisa nem outra, resta somente uma enorme clientela de eleitores pobres e desinformados que, dependentes dos caraminguás do Bolsa Família, formam a massa de votos de que se serve o PT a cada eleição.

Original aqui

Twitter

U.V.

Manchetes do dia

Sexta-feira, 10 / 09 / 2014

O Globo
"Delação detalha fatiamento de propinas dentro da Petrobras"

PT, PMDB e PP dividiam dinheiro, dizem delatores
Esquema desviava 3% do valor dos contratos
Cartel da corrupção tinha 13 empreiteiras
Lula cedeu a pressão para nomear Costa

Gravações dos depoimentos do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa e do doleiro Alberto Youssef, após acordo de delação premiada, re velam detalhes de como diretorias da Petrobras foram loteadas entre PT, PMDB e PP, de 2005 a 2012, nos governos Lula e Dilma, para cobrar propina de 13 empreiteiras por contratos com a estatal. Segundo os delatores, o PT ficava com a maior parte da propina: de 2% a 3% dos contratos de três diretorias exclusivas do partido, e mais participações no esquema comandado por PMDB e PP em outra. A Internacional era só do PMDB. O operador do PT, revelaram, era o tesoure ir o do partido, Vaccari Neto, e o dinheiro foi usado na campanha de 2010. Youssef disse que Lula foi pressionado a nomear Costa e cedeu. PT e empreiteiras repudiaram as acusações.

Folha de S. Paulo
"Tesoureiro recebia propina para o PT, dizem delatores"

Costa e Youssef afirmam que dinheiro desviado da Petrobras ia para Vaccari Neto; petista nega

O ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e o doleiro Alberto Youssef apontaram em depoimento à Justiça, após acordo de delação premiada, que o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, recebia para a sigla verbas desviadas de obras da estatal. “A ligação era diretamente com ele”, afirmou Costa. Vaccari negou e declarou que todas as doações ao PT são feitas dentro da lei. Três partidos se beneficiaram do esquema de desvio na Petrobras, segundo os depoentes: PT, PMDB e PP. Candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves disse que o PT “institucionalizou” a corrupção na Petrobras. A direção nacional do PT disse estranhar a exposição das denúncias perto da eleição. PMDB e PP não se pronunciaram.

Twitter  

quinta-feira, outubro 09, 2014

Dominique


Opinião

Logística onerosa

O ESTADO DE S.PAULO
A precariedade da infraestrutura nos países emergentes, entre os quais o Brasil, não compromete apenas o desenvolvimento futuro. Ela já limita o crescimento atual, adverte o Fundo Monetário Internacional (FMI) em documento que faz parte de seu relatório Perspectiva Econômica Global. Para as empresas brasileiras - sobretudo as industriais, que vêm perdendo mercados no País e no exterior -, os custos adicionais decorrentes das más condições de infraestrutura e de logística somam-se à burocracia excessiva, à carga tributária pesada demais e à baixa capacidade de inovação, para tornar o produto brasileiro ainda menos competitivo.

Pesquisa feita pela Fundação Dom Cabral com 111 empresas de 13 segmentos da indústria - que respondem por 17% do Produto Interno Bruto (PIB) - constatou que, em média, elas gastam o equivalente a 11% de seu faturamento com logística, mais do que as indústrias americanas (8,5%) e chinesas (10%), como mostrou reportagem publicada no Estado (29/9).

Utilizando outros dados, a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo estimou em 19% do PIB o custo de logística para a toda a economia brasileira.

Essa estimativa consta do livro que a Faesp lançou durante o Fórum Estadão Brasil Competitivo com o tema "Rumo ao Futuro do Campo", realizado na semana passada.

Embora por diferenças de metodologia e de abrangência seus números não coincidam, os dois trabalhos deixam claro o pouco que se avançou, nos últimos anos, na redução dos custos impostos ao setor produtivo para movimentar sua produção até os mercados ou portos. Para a indústria, o custo médio caiu um pouco (era de 12% do faturamento no ano passado), mas a queda não decorre de melhoria da rede de infraestrutura e de logística, e sim da desaceleração da economia, que fez cair a demanda por esses serviços.

Para alguns segmentos da indústria, o custo de logística corrói boa parte dos ganhos de eficiência alcançados na produção. No setor de celulose e papel, por exemplo, esse custo representa 28,33% do faturamento; na indústria de construção, 21,33%; e na mineração, 16%.

Dada a lentidão com que consegue melhorar a infraestrutura, o Brasil vem perdendo posições na classificação de competitividade feita pelo Institute for Management Development (IMD). No relatório deste ano, o Brasil caiu três posições em relação ao do ano passado, no item infraestrutura básica, e ficou na antepenúltima posição entre 60 países. A advertência do FMI faz todo o sentido.

A economia brasileira é fortemente dependente do transporte rodoviário. Das empresas industriais consultadas pela Fundação Dom Cabral, 82% usam predominantemente a malha rodoviária para transportar suas mercadorias - daí elas considerarem prioritária a recuperação das estradas. Também para a agropecuária as rodovias são essenciais, pois grande parte da produção é transportada por caminhões. As ferrovias e as hidrovias, que poderiam reduzir substancialmente os custos, não são alternativa viável para boa parte dos produtores, pela escassez desses serviços.

Este é o resumo das consequências, no setor de transportes, da lentidão com que o governo do PT, no poder desde 2003, reage às demandas da economia, dos obstáculos criados pela obstinação ideológica com que muitos de seus integrantes se opõem à participação do capital privado na infraestrutura e da falta de capacidade gerencial quando decide aceitar essa participação.

Mesmo com sua capacidade de investimento limitada pelo aumento dos gastos correntes, o governo petista relutou em transferir para a iniciativa privada a tarefa de modernização, ampliação e operação de importantes trechos rodoviários. O programa de recuperação da malha ferroviária, para permitir o escoamento de grãos e da produção industrial de importante centros para os portos, ainda não saiu do papel. A modernização dos portos, agora submetidos a um novo modelo regulatório, enfrenta dificuldades legais e administrativas. A situação começa a melhorar na área de aeroportos, mas com grande atraso. Quanto a hidrovias, nada se falou nem neste governo - nem se fala mais.

Original aqui

Twitter

U.V.

Manchetes do dia

Quinta-feira, 09 / 09 / 2014

O Globo
"Costa: desvio na Petrobras irrigou campanhas de PT, PMDB e PP"

Ex-diretor da estatal disse que partidos usaram propinas na eleição de 2010

Depoimento , que faz parte do acordo de delação premiada, foi realizado ontem, em companhia do doleiro Alberto Youssef. Ele também teria, segundo seu advogado, denunciado a participação de empreiteiras no esquema

Em mais um depoimento após ter feito acordo de delação premiada com o Ministério Público, o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa disse ontem, ao lado do doleiro Alberto Youssef, que PT, PMDB e PP se beneficiaram do esquema de corrupção na estatal. Segundo ele, recursos arrecadados como propina por contratos com a Petrobras abasteceram campanhas desses partidos nas eleições de 2010. De acordo com o advogado de Youssef, Antônio Figueiredo Basto, Costa disse que o esquema tinha “fortíssima influência de agentes públicos”.

Folha de S. Paulo
"Esquema beneficiou PT, PP e PMDB em 2010, diz delator"

Ex-diretor da Petrobras afirma à Justiça que desvios irrigaram campanhas; envolvidos negam acusações

O ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa disse em depoimento à Justiça Federal em Curitiba que o esquema de corrupção na estatal destinou dinheiro para três partidos nas eleições de 2010: PT, PMDB e PP, segundo apurou a Folha. O ex-diretor afirmou que os desvios na empresa corresponderam a 3% do valor líquido de contratos para obras da estatal, divididos entre ele e partidos políticos, segundo o relato de advogados que acompanharam o interrogatório. No depoimento, o primeiro à Justiça após acordo de delação, Costa citou mais quatro executivos ligados à Petrobras como integrantes do esquema. Relatou ter recebido dinheiro da Odebrecht e de consórcio liderado pela Camargo Corrêa. Segundo advogado do doleiro Alberto Youssef, também acusado no esquema, Costa disse ter sido nomeado para o cargo já sabendo que teria de obter recursos ilícitos para partidos. Indicado por Lula em 2004, foi demitido por Dilma em 2012. Advogados dos diretores citados pelo delator negaram irregularidades. A empreiteira Odebrecht e o consórcio CNCC, liderado pela Camargo Corrêa, repudiaram as acusações. A Petrobras e os partidos não se pronunciaram.

Twitter  

quarta-feira, outubro 08, 2014

Dominique


Opinião

Uma aliança em construção

O ESTADO DE S.PAULO
Até onde a vista alcança, os entendimentos políticos entre os grupos de Aécio Neves e de Marina Silva para a formação de uma frente oposicionista neste segundo turno da eleição presidencial evoluem com naturalidade e de acordo com padrões republicanos. Trata-se de um admirável avanço no que diz respeito à formação de alianças político-eleitorais, especialmente na história recente. Uma novidade que abre perspectivas alvissareiras para a concretização do desejo de mudança claramente expresso nas urnas de 5 de outubro por ampla maioria de brasileiros.

Mudança, neste caso, significa não apenas a substituição dos mandatários de turno - a alternância no poder inerente ao sistema democrático. É imprescindível também mudar, radicalmente, a prática política nefasta que tem viabilizado as alianças necessárias à conquista do poder e à governabilidade.

Em 12 anos de poder, o PT conseguiu desmoralizar completamente o conceito de aliança política e a ideia de governabilidade, ao transformar essas práticas inerentes ao sistema democrático em meros instrumentos do fisiologismo a serviço de um projeto de poder. É a percepção cada vez mais clara dos efeitos dessa realidade sobre o cotidiano dos cidadãos que impulsiona e faz crescer a insatisfação difusa com o desempenho do governo e o consequente desejo de mudança.

Aécio Neves e Marina Silva, cada um a seu modo, ambos com ampla vivência da atividade política, sabem que, para fazerem jus à genuína condição de oposicionistas, precisam sinalizar claramente a disposição de mudar as práticas políticas em vigor e implementar programas de governo que Dilma Rousseff tem sido incapaz de conceber ou levar a cabo. E que devem começar pela definição das bases de um entendimento mútuo de caráter programático para a aliança eleitoral no segundo turno.

Essa aliança, no entanto, embora pareça decidida no que depender da vontade já manifestada tanto por Aécio como por Marina, terá ainda que superar dificuldades pontuais, algumas delas decorrentes do fato de que o PSB e a Rede Sustentabilidade, até agora unidos na legenda do primeiro, são, na verdade, grupos diferentes, quando não divergentes. Nada garante, portanto, que o apoio de Marina a Aécio acabará se formalizando em nome do partido que bancou a candidatura dela.

De qualquer modo, desde logo, Aécio e Marina manifestam o desejo de construir propostas de governo de comum acordo. E será, ao que tudo indica e a boa prática política recomenda, com base na explicitação de propostas convergentes que os dois candidatos - que no primeiro turno conseguiram reunir os votos de mais de 57 milhões (56,8%) dos brasileiros - deverão selar sua aliança na luta contra o lulopetismo no turno decisivo da eleição presidencial.

Mas além da questão programática, que agora terá a possibilidade de ser debatida em maior profundidade pelos candidatos, a campanha do segundo turno certamente será marcada pela intensificação dos ataques e das denúncias recíprocos.

Como ficou tristemente demonstrado no primeiro turno, a falta de escrúpulos dos propagandistas petistas poderá colocar Aécio em dificuldades, até o ponto em que a baixaria pode ser uma arma eficiente na disputa eleitoral. Para a campanha oposicionista, será um desafio difícil encontrar o desejável ponto de equilíbrio entre a necessidade de manter a disputa em nível civilizado e ao mesmo tempo dar resposta eficiente aos ataques de quem já demonstrou que, em eleição, faz-se "o diabo".

No cenário da disputa do segundo turno, alguma influência terá ainda a vulnerabilidade a que Lula se expôs ao ficar demonstrado que sua decantada infalibilidade como estrategista político está gravemente comprometida. Considerado um especialista em levar à consagração eleitoral verdadeiros "postes" que tira da manga a seu exclusivo critério, Lula amarga o vexaminoso fracasso dos três candidatos a governador que escolheu para três Estados importantes: Alexandre Padilha, terceiro colocado em São Paulo; Lindbergh Farias, quarto no Rio de Janeiro; e Gleisi Hoffman, terceira no Paraná. Pode ser um presságio do que virá no dia 26.

Original aqui

Twitter

U.V.

Manchetes do dia

Quarta-feira, 08 / 09 / 2014

O Globo
"Mantega usa tática do medo contra PSDB na economia"

Ministro falta à reunião do FMI; Mercadante coordenará campanha de Dilma

Titular da Fazenda fala até em possível corte de programas sociais por tucanos. No primeiro ato no segundo turno , presidente também mostra estratégia e parte para o ataque

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, faltou ontem à reunião do FMI nos EU A, a pedido da presidente Dilma, e partiu para o ataque ao PSDB na área econômica, usando a tática do medo. Num dia de resultados ruins para a economia do país, Mantega disse que a política econômica do PSDB, se o tucano Aécio Neves for eleito, causará recessão, desemprego e cortes de programas sociais. O petista não mencionou, porém, que o Brasil já está em recessão técnica, segundo dados do IBGE. Dilma também atacou, dizendo que a situação do país era “fantasmagórica” no governo FH, e anunciou que Aloizio Mercadante, ministro da Casa Civil, se licenciará para atuar na coordenação de sua campanha. Arminio Fraga, apontado por Aécio como seu ministro da Fazenda caso se eleja, dissera que não será necessário um “ajuste fiscal bruto”.

Folha de S. Paulo
"Brasil cresce pouco por problema interno, diz FMI"

Fundo corta de 1,3% para 0,3% a projeção de avanço da economia do país para 2014

O Fundo Monetário Internacional reduziu de 1,3% para 0,3% a projeção de crescimento para a economia brasileira neste ano. É o sexto corte seguido e o maior entre 14 grandes economias. Só Itália e Rússia devem crescer menos que o Brasil. Economistas do Fundo culparam problemas internos, como a baixa confiança de empresários e consumidores e o aperto nas condições financeiras — os juros altos. O relatório indica que é prioridade para o país elevar a poupança doméstica. Se a previsão se concretizar, o país terá crescido 1,6% em quatro anos, na pior performance num mandato presidencial desde 1995. O avanço é inferior ao crescimento médio global (3,5%), o que contraria discurso do governo, que culpa crise externa. O ministro Guido Mantega (Fazenda) classificou de pessimista a projeção do Fundo. Segundo ele, a economia já dá sinais de recuperação neste semestre. Mantega voltou a mencionar fatores externos pela fraca atividade econômica no país.

Twitter  

terça-feira, outubro 07, 2014

Dominique


Opinião

Alívio e esperança

O ESTADO DE S.PAULO
"Ufa!" A exclamação do leitor, estampada no Fórum dos Leitores na edição de ontem do Estado, resume o sentimento de alívio com que a maioria dos brasileiros conheceu o resultado da votação de domingo, que, ao colocar no segundo turno do pleito presidencial um candidato de oposição com reais possibilidades de ser eleito no próximo dia 26, demonstra que foi dado o primeiro passo para dar um fim à nefasta sequência de governos lulopetistas. A soma da votação dos dois principais candidatos de oposição, Aécio Neves e Marina Silva - mais de 57 milhões (56,8%) - contra os 43,2 milhões (41,6%) obtidos por Dilma Rousseff, mostra sem a menor sombra de dúvida que o povo brasileiro considera esgotado o prazo de validade da permanência do PT no poder.

A tarefa de concretizar o sentimento de verdadeira mudança manifestado nas urnas é agora a responsabilidade maior dos dois grupos políticos que, reunidos em torno de Aécio Neves e de Marina Silva, foram os indutores de um resultado adverso ao lulopetismo na primeira fase da votação presidencial. É do entendimento democrático entre essas duas forças, colocando o interesse nacional acima das conveniências partidárias ou pessoais, que depende em boa parte a oportunidade que deve ser oferecida ao povo brasileiro de promover a grande mudança a que tanto aspira. E tudo indica que esse entendimento pode estar a caminho.

E mesmo na indesejável possibilidade de que as forças políticas que apoiam Aécio e Marina não se mantenham íntegras para marcharem unidas no segundo turno, nada impede que o sentimento oposicionista simbolizado pelo claro desejo nacional de mudança prevaleça nas urnas do dia 26. Afinal, as lideranças político-partidárias influenciam, mas não dominam, o arbítrio do eleitor. E isso ficou muito claro no último mês da campanha do primeiro turno, quando a maioria do eleitorado oscilou entre os nomes de 

Aécio e de Marina, mas jamais teve abalada a sua determinação de votar contra o PT.

A votação de Dilma Rousseff no primeiro turno ficou abaixo do indicado pelas pesquisas - inclusive a de boca de urna -, mas foi notável a vigorosa recuperação de Aécio Neves, que até poucos dias antes amargava o terceiro lugar, com índice de intenção de voto abaixo dos 20%. Numa extraordinária demonstração de força de vontade e competência política, quando as circunstâncias lhe pareciam adversas, o ex-governador mineiro foi à luta com determinação redobrada e, passo a passo, recuperou com sobras o eleitorado que estava perdendo para a candidata do PSB. Acabou obtendo nas urnas quase 35 milhões de votos (33,5%), logrando reduzir para apenas 8 pontos porcentuais uma vantagem de Dilma que chegara a cerca de 25 nas pesquisas de opinião.

Por outro lado, a reversão da trajetória ascendente que Marina Silva vinha cumprindo até o início de setembro foi o resultado, em parte, dos ataques contundentes que sofreu por parte de Dilma Rousseff e do PT, muitas vezes mentirosos e indignos, mas, sobretudo, da falta de quadros e de estrutura partidária de sua base de apoio.

Agora, a disputa começa em outros termos. Dilma Rousseff já não contará com a enorme vantagem de tempo na propaganda dita gratuita no rádio e na televisão. O tempo será agora dividido igualmente entre os dois candidatos. Dez minutos diários para cada um que o PT, por sua vez, dividirá entre a tentativa de, a qualquer preço, demolir a reputação de Aécio Neves e a manipulação de imagens, dados e estatísticas para escamotear o fato de que os quatro anos de mandato de Dilma Rousseff têm sido um retumbante fracasso, sob qualquer ponto de vista.

A Aécio Neves caberá demonstrar, com seu programa de governo e o apoio de uma equipe idônea e comprovadamente competente, que os tucanos e seus aliados estão prontos para resgatar o Brasil de uma sequência de maus governos. Prontos para resgatar o Brasil do populismo irresponsável que ameaça a todos, especialmente os pobres, com recessão econômica e inflação. E prontos para resgatar a moralidade na administração da coisa pública, que foi levada ao fundo do poço pela corrupção que contamina o aparelho estatal.

Original aqui

Twitter

U.V.

Manchetes do dia

Terça-feira, 07 / 09 / 2014

O Globo
"Marina impõe condições para declarar apoio a Aécio"

Candidata derrotada do PSB quer compromisso pelo fim da reeleição

Dilma diz que, apesar de diferenças, ela e ex-senadora querem melhorar o país e que ainda espera ter votos de eleitores do PSB; presidenciável do PSDB afirma ver convergências entre seu programa e o de adversária

Dona de 22 milhões de votos e assediada por PT e PSDB, Marina Silva e sua Rede apresentaram condições para embarcar na campanha do tucano Aécio Neves no segundo turno. A aliança com a presidente Dilma Rousseff é considerada hoje muito difícil. Marina quer de Aécio alguns compromissos, entre eles defesa do fim da reeleição, mudança nos critérios que definem o tempo dos candidatos na TV e implantação de projetos na área de sustentabilidade. A candidata do PSB ligou ontem para Dilma e Aécio, e seus aliados foram procurados tanto por petistas como por tucanos, inclusive o ex-presidente Fernando Henrique. O irmão de Eduardo Campos, Antonio Campos, publicou nota em apoio a Aécio, mas a viúva, Renata, ainda não se pronunciou oficialmente. O PSB deve decidir amanhã que caminho tomará. 

Folha de S. Paulo
"Marina define condições e anunciará apoio a Aécio"

Ex-senadora diz querer fim da reeleição, ensino integral e agenda sustentável

Terceira mais votada no domingo (5), Marina Silva (PSB) negocia condições para apoiar Aécio Neves no segundo turno: reforma política com fim da reeleição, educação em tempo integral e defesa da sustentabilidade. Esses três pontos aparecem no programa de governo do tucano. A ex-senadora estuda a melhor forma de anunciar o apoio sem parecer incoerente com a ideia da “nova política” que defendeu durante a campanha. Rede e PSB marcaram reuniões sobre o segundo turno nesta terça (7) e quarta. Enquanto a ex-senadora parabenizou por telefone a presidente Dilma (PT) e Aécio, o ex-presidente FHC conversou com aliados de Marina. O comando petista considera que a tática de desconstruir Marina teve efeito não calculado: inflou votos do PSDB em São Paulo. Dilma usou redes sociais e convocou entrevista para criticar os tucanos. 

Twitter  

segunda-feira, outubro 06, 2014

Dominique


Opinião

O mau uso das estatais

O ESTADO DE S.PAULO
O Brasil tem suportado um custo muito alto pelo uso político das estatais - quando são loteadas para acomodar companheiros e aliados e quando são desviadas de seus fins para servir, às vezes de forma desastrosa, às conveniências da política econômica. É muito raro, no entanto, grandes empresários, especialmente quando próximos do governo, apontarem o dedo para condenar esse abuso. Por isso tem particular importância o pronunciamento público do industrial Jorge Gerdau Johannpeter a respeito do assunto. Ele centrou sua crítica no conflito de interesses entre o governo, representante do controlador, o Estado, e os acionistas minoritários. Proposta do empresário: obrigar a estatal a deixar claro, quando busca recursos de investidores, se vai seguir regras de mercado ou subordinar-se aos interesses governamentais.

O problema apontado pelo empresário Gerdau, membro da Câmara de Políticas de Gestão, Desempenho e Competitividade, órgão de assessoria do Planalto, é importante, de fato, mas é só um aspecto de uma distorção muito maior. A interferência do governo afetou perigosamente, em todos os casos, um universo bem mais amplo que o mercado de capitais.

O desarranjo imposto ao mercado é o mais evidente. Interesses de minoritários foram atropelados, por exemplo, quando a presidente Dilma Rousseff resolveu antecipar a renovação de concessões do setor elétrico.

Houve protestos contra a redução de tarifas e também contra a mudança no esquema de amortização dos investimentos anteriores. A compensação foi considerada insuficiente e o assunto foi discutido publicamente pelos minoritários da Eletrobrás. Mas prevaleceu o peso do governo.

Acionistas foram também prejudicados pelo controle, imposto à Petrobrás, dos preços dos combustíveis. As duas grandes estatais perderam boa parte do valor de mercado, em pouco tempo, mas as decisões das autoridades foram mantidas. A correção das tarifas de eletricidade começou neste ano. Há poucos dias, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, prometeu iniciar em breve o ajuste dos combustíveis. Mas nenhuma dessas providências anulará os estragos já causados.

Os danos mais amplos afetam toda a economia nacional. A política de preços imposta à Petrobrás distorceu, por exemplo, a relação entre os valores da gasolina e do etanol. Isso prejudicou os planos de produção e de expansão do setor sucroalcooleiro. O Brasil poderia ser um grande exportador de etanol, mas até a oferta interna de álcool foi prejudicada pela política oficial imediatista, imprudente e mistificadora.

A interferência na formação das tarifas de eletricidade e dos preços de combustíveis fracassou como política anti-inflacionária. A inflação permanece há anos muito acima de 4,5%, meta oficial, e assim permanecerá enquanto persistirem suas causas, incluída a gastança federal.

Mas o uso político das estatais envolve muito mais que a inepta mistificação dos preços. Envolve prejuízos para o fluxo de caixa das empresas e, portanto, para sua capacidade de investir. Isso limita a produtividade geral da economia e seu potencial de crescimento. As perdas vão muito além do mercado de capitais e afetam a vida e as perspectivas de todos os brasileiros.

O uso político das empresas controladas pelo Estado tem assumido formas variadas, todas perigosas. Para começar, o loteamento de cargos compromete a qualidade administrativa e multiplica as possibilidades de corrupção. A pilhagem da Petrobrás, dia a dia mais exposta à visão do público, ilustra com assustadora clareza esse ponto. Mas a interferência pode produzir danos de outras maneiras.

Forçar empresas do Estado a comprar equipamentos e componentes nacionais, mesmo quando mais caros, é impor a essas companhias custos adicionais e um desvio de finalidade. A distorção se torna especialmente grave quando esse desvio inclui a sujeição da empresa a objetivos ideológicos - por exemplo, o apoio a um governo bolivariano. A descrição dos desastres poderia avançar e incluir o uso de bancos estatais para fins políticos ou de mero companheirismo. Se quisesse, o empresário Gerdau poderia ter ido muito mais longe.

Original aqui

Twitter

U.V.

Manchetes do dia

Segunda-feira, 06 / 09 / 2014

O Globo
"Aécio enfrentará Dilma; Marina sinaliza apoio ao tucano"

Senador surpreende e chega a 33,6% dos votos
Presidente teve 41,6%, menos que em 2010
Campanha recomeça hoje com busca de alianças

Numa reviravolta às vésperas da eleição, o candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves, deixou Marina Silva (PSB) para trás e surpreendeu, chegando ao segundo turno com 33,6% dos votos, mais do que teve o também tucano José Serra em 2010 (32,6%). A presidente Dilma Rousseff (PT) conseguiu 41,6%, menos do que tivera na sua primeira eleição (46,9%). Marina, que virou um fenômeno logo após ser confirmada no lugar de Eduardo Campos, morto tragicamente em 13 de agosto, chegou menor às urnas: no início de setembro, ela registrava 34% das intenções de voto. Ontem, após ser alvo de intensos ataques especialmente do PT, sua votação foi de 21,3%. Ontem, mesmo avisando que a Rede e o PSB ainda vão se reunir para anunciar uma decisão, Marina deu sinais de que apoiará Aécio e descartou aliança com Dilma: “O Brasil sinalizou que não concorda com esse projeto que aí está e que quer uma mudança qualificada.” 

Folha de S. Paulo
"Dilma lidera e enfrenta Aécio, que arranca com votos de SP"

Com 42%, petista tem pior marca de um líder no 1° turno desde 1989
Tucano fica com 34%, impulsionado pelos eleitores paulistas
Com 21%, Marina sinaliza apoio ao PSDB

A presidente Dilma Rousseff (PT), 66, e o senador Aécio Neves (PSDB), 54, se enfrentarão no segundo turno da disputa pelo planalto, na sexta polarização consecutiva entre os dois partidos. A petista ficou na frente, com 42% dos votos válidos, mas obteve o pior desempenho de um líder no primeiro turno desde 1989 — o índice só supera os 31 % de Fernando Collor. O tucano, que nos últimos dias cresceu nas pesquisas, obteve 34 % dos votos válidos — impulsionado pelos eleitores paulistas, que representaram 29% de seu total. Marina Silva (PSB) atingiu 21 % e sinalizou que pretende apoiar Aécio em 26 de outubro. Segundo a mais recente pesquisa Datafolha, 59% dos que apoiavam Marina pretendiam votar em Aécio se ele chegasse ao segundo turno. Outros 24 % disseram que apoiariam Dilma. As urnas biométricas instaladas em alguns Estados acabaram causando filas e atrasaram o início da apuração dos votos.

Twitter  

domingo, outubro 05, 2014

Pitacos do Zé


Branco ou nulo

José Ronaldo dos Santos
A rua em frente ao meu portão amanheceu assim. É uma cena infeliz que você verá pelo país inteiro. Pobre cidadania! Uma autoridade do nível superior no processo eletivo falou que não deveríamos votar em branco ou nulo. Eu, porém, defendo perante certas constatações, que é melhor o eleitor apertar essas duas teclas.

Nas seguintes situações, é essa alternativa que aceito:

1º) Quando o eleitor não concorda com esse modelo “democrático” obrigatório, mas também não quer ser punido com multa e outras medidas.
2º) Em caso de não ter identificado nenhuma proposta que valha o seu voto.
3º) Para não alimentar esse procedimento de entulhar a rua com panfletos, onde a aposta é que a repetição de imagens e números acabe puxando votos. Na verdade, essa sujeira toda prova o quanto faz falta uma boa educação.

Enfim, quem escolheu com critérios racionais, deve votar naqueles de sua confiança. Depois, deve acompanhar os projetos e votações desse representante, enviar propostas, sugestões etc. Se tudo isso for demais, tenha ao menos uma certeza: basta de cidadania de papel!

Twitter

Dominique


Opinião

A caríssima ilusão energética

O ESTADO DE S.PAULO
Dava para desconfiar que, por tudo que continha de ilusório, o programa de redução de 20% das tarifas de energia elétrica anunciado pela presidente Dilma Rousseff em setembro de 2012 em pouco tempo se tornaria um pesadelo financeiro para os consumidores. Só não se sabia com precisão o tamanho da conta que a pressa, a improvisação, a demagogia e, sobretudo, o desastre operacional em que se transformou o programa de redução tarifária imporiam à sociedade. O relatório da auditoria realizada pelos técnicos do Tribunal de Contas da União (TCU), e aprovado na última reunião plenária dos ministros que compõem a Corte, calcula que o custo dessa aventura alcançará R$ 61 bilhões. É uma conta altíssima, e terá de ser quitada pelos brasileiros - consumidores e contribuintes em geral - até o fim de 2015.

Nada terá sobrado, então, dos ganhos que eventualmente os consumidores de energia elétrica do País, de todas as classes e de todas as faixas de consumo, possam ter tido desde que, já em clima de campanha eleitoral antecipada, a presidente Dilma Rousseff anunciou seu ambicioso programa para o setor elétrico, com o objetivo de reduzir os custos e assegurar o abastecimento regular.

O relatório do TCU não deixa dúvidas quanto à má qualidade do programa e de sua implementação. A edição da Medida Provisória (MP) 579, de 11 de setembro de 2012 (depois convertida na Lei 12.783, de janeiro de 2013), foi "precipitada", pois as mudanças nas regras para o setor continham "equívocos e fragilidades". Houve, em seguida, falhas gritantes na gestão do novo programa. Os resultados não poderiam ser diferentes dos que foram constatados pela auditoria e estão sendo sentidos pelos consumidores.

"Para o biênio 2014-2015, todo o efeito da MP 579 já estará eliminado, porquanto as tarifas residenciais e industriais, ao final do período, terão valores superiores aos vigentes em 2012", afirma o relatório.

Alguns números apurados pelos auditores do TCU como efeito das mudanças no setor elétrico impostas pela MP 579 foram por eles considerados "assombrosos" - e de fato são. Eles se referem ao impacto do novo modelo sobre a chamada Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), cuja finalidade foi alterada pelo governo Dilma, que a transformou numa espécie de caixa central das perdas geradas por seu modelo energético.

Criada em 2002 para assegurar tarifas módicas para consumidores de baixa renda, a CDE tornou-se um fundo de compensação dos descontos tarifários concedidos pelo governo e de cobertura das perdas que o novo modelo para o setor de energia elétrica viesse a acarretar às empresas do setor.

Somando as transferências do Tesouro para a conta - que não têm sido regulares, o que alimenta incertezas a respeito do fluxo dos pagamentos - e o custo do empréstimo de R$ 17,8 bilhões concedido por um grupo de bancos para as empresas distribuidoras em dificuldades, o TCU calculou que as despesas da CDE alcançaram R$ 25 bilhões em 2013 e devem totalizar R$ 36 bilhões neste ano.

Pouco depois de anunciar o novo modelo para o setor, o governo decidiu adiar o leilão de venda de energia para as distribuidoras no regime cativo, isto é, em que as partes se comprometem a cumprir as condições negociadas para volume e preço. Quando o leilão foi, afinal, realizado, as condições do mercado haviam sido drasticamente alteradas, pois, com a seca nas principais regiões produtoras, praticamente não houve ofertas de energia para o mercado cativo. Para atender seus consumidores, as distribuidoras tiveram, assim, de comprar energia no mercado livre, a preço várias vezes mais alto, sem poder repassar a diferença integralmente aos consumidores.

"Não são as empresas (distribuidoras) que estão devendo", observou o ministro do TCU José Jorge, relator do processo relativo ao novo modelo energético. As distribuidoras, esclareceu, "são apenas intermediárias". Ou seja, "serão R$ 61 bilhões a serem pagos por contribuintes e consumidores".

O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, terá de explicar isso ao TCU. E o governo Dilma, à Nação.

Original aqui

Twitter

U.V.

Manchetes do dia

Domingo, 05 / 09 / 2014

O Globo
"No último dia, Aécio passa Marina na briga pelo 2º lugar"

Crescimento do tucano em São Paulo é apontado por PSDB e PSB como principal explicação para a subida de Aécio. No PT, já há quem prefira enfrentar Marina no segundo turno.


Folha de S. Paulo
"Dilma lidera, Aécio acelera ascensão, e Marina recua"

Na disputa presidencial mais acirrada desde a eleição de 1989, Dilma Rousseff chega ao primeiro turno neste domingo (5) na liderança da pesquisa Datafolha, enquanto Aécio Neves mantém a curva ascendente e Marina Silva perde força.


Twitter  
 
Free counter and web stats